{"id":1519778,"date":"2025-01-21T00:16:37","date_gmt":"2025-01-21T03:16:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1519778"},"modified":"2025-01-21T00:16:38","modified_gmt":"2025-01-21T03:16:38","slug":"informativo-stj-836-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-836-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 836 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p>O tempo passa, o tempo voa, e a nossa caminhada jurisprudencial continua numa boa&#8230;. <span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Informativo n\u00ba 836 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\"> na sua telinha!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/01\/21001546\/stj-informativo-836.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_K7e5rf0DPEg\"><div id=\"lyte_K7e5rf0DPEg\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/K7e5rf0DPEg\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/K7e5rf0DPEg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/K7e5rf0DPEg\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> ADMINISTRATIVO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-de-aplicacao-da-multa-administrativa-prevista-na-lei-n-9-847-1999-abaixo-do-minimo-legal\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847\/1999 abaixo do m\u00ednimo legal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Em casos excepcionais, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da proporcionalidade e da razoabilidade, \u00e9 poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847\/1999 abaixo do m\u00ednimo legal, desde que baseada em elementos concretos que a justifiquem.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 2.044.444-PR, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 1\u00ba\/10\/2024, DJe 15\/10\/2024. (Info STJ 836)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Biog\u00e1s opera no ramo da distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de cozinha, mas \u00e9 uma empresa de pequeno porte. Em uma fiscaliza\u00e7\u00e3o efetuada pela ANP, foram encontrados alguns botij\u00f5es de marcas n\u00e3o autorizadas para venda.<\/p>\n\n\n\n<p>A ANP tascou a multa m\u00ednima prevista para a infra\u00e7\u00e3o (R$ 20 mil). A empresa sustenta dificuldades financeiras e o seu pequeno porte, bem como a desproporcionalidade da multa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 9.847\/1999:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3o&nbsp; A pena de multa ser\u00e1 aplicada na ocorr\u00eancia das infra\u00e7\u00f5es e nos limites seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; deixar de atender \u00e0s normas de seguran\u00e7a previstas para o com\u00e9rcio ou a estocagem de combust\u00edveis e para a captura e a estocagem geol\u00f3gica de di\u00f3xido de carbono, colocando em perigo direto e iminente a vida, a integridade f\u00edsica ou a sa\u00fade, o patrim\u00f4nio p\u00fablico ou privado, a ordem p\u00fablica ou o regular abastecimento nacional de combust\u00edveis<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 possibilidade de se fixar o valor da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847\/1999 abaixo do m\u00ednimo legal, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pac\u00edfica no Superior Tribunal de Justi\u00e7a, havendo julgados da Primeira Turma que admitem essa redu\u00e7\u00e3o quando observadas as peculiaridades do caso, ao lado de ac\u00f3rd\u00e3os da Segunda Turma visualizando nessa mesma redu\u00e7\u00e3o ofensa ao princ\u00edpio da legalidade estrita e \u00e0 discricionariedade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da exist\u00eancia de diverg\u00eancia entre as Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o, e ressalvada a compreens\u00e3o pessoal do relator acerca da quest\u00e3o jur\u00eddica, deve ser mantida a jurisprud\u00eancia at\u00e9 ent\u00e3o adotada pela Primeira Turma sobre a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de multa abaixo do m\u00ednimo legal em casos excepcionais, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da proporcionalidade e da razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, no caso dos autos, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido violou o art. 3\u00ba, VIII, da Lei 9.847\/1999 ao reduzir o valor da multa para aqu\u00e9m do m\u00ednimo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem, apreciando pretens\u00e3o anulat\u00f3ria de san\u00e7\u00e3o administrativa imposta pelo armazenamento de G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (GLP) em quantidade superior \u00e0 permitida, reconheceu a higidez do ato, mas reduziu o valor da multa para aqu\u00e9m do m\u00ednimo legal, sem, contudo, correlacionar a extrapola\u00e7\u00e3o por ele apontada com nenhum elemento concreto. Limitou-se a colacionar julgados do Tribunal de origem que, estes sim, fizeram refer\u00eancia ao contrato social das empresas que naqueles julgados haviam sido autuadas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se explica no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido como essa quantifica\u00e7\u00e3o feita pelo Tribunal de origem &#8211; de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) abaixo do m\u00ednimo legal &#8211; restauraria a legitimidade da san\u00e7\u00e3o, que, de acordo com art. 3\u00ba, VIII, da Lei 9.847\/1999, poderia oscilar entre vinte mil e um milh\u00e3o de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o<strong> Tribunal de origem n\u00e3o correlacionou a extrapola\u00e7\u00e3o por ele apontada com nenhum elemento concreto, permitindo entrever nos seus fundamentos uma censura na realidade dirigida ao art. 3\u00ba, VIII, da Lei 9.847\/1999<\/strong>, sem a observ\u00e2ncia do art. 97 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Em casos excepcionais, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da proporcionalidade e da razoabilidade, \u00e9 poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847\/1999 abaixo do m\u00ednimo legal, desde que baseada em elementos concretos que a justifiquem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nao-homologacao-da-autodeclaracao-racial-e-eliminacao-do-candidato\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o da autodeclara\u00e7\u00e3o racial e elimina\u00e7\u00e3o do candidato<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o, pela comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o, de autodeclara\u00e7\u00e3o do candidato \u00e0s vagas destinadas a afrodescendentes implica apenas sua elimina\u00e7\u00e3o do certame em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas reservadas e n\u00e3o alcan\u00e7a a sua classifica\u00e7\u00e3o na lista de ampla concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.105.250-RJ, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/11\/2024, DJe 4\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton, concurseiro, se inscreveu em concurso p\u00fablico no qual se declarou pardo para concorrer \u00e0s vagas reservadas aos candidatos negros. Por ser aluno do ECJ, foi aprovado tanto na ampla concorr\u00eancia como nas vagas reservadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o entendeu que o rapaz n\u00e3o era pardo, raz\u00e3o pela qual Creiton foi eliminado do concurso de ambas as listas. A comiss\u00e3o&nbsp; fundamentou a decis\u00e3o em cl\u00e1usula do edital que previa a exclus\u00e3o do candidato no caso de n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o da autodeclara\u00e7\u00e3o racial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.990\/2014:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba Poder\u00e3o concorrer \u00e0s vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscri\u00e7\u00e3o no concurso p\u00fablico, conforme o quesito cor ou ra\u00e7a utilizado pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica &#8211; IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Na hip\u00f3tese de constata\u00e7\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o falsa,&nbsp;o candidato ser\u00e1 eliminado do concurso e, se houver sido nomeado, ficar\u00e1 sujeito \u00e0 anula\u00e7\u00e3o da sua admiss\u00e3o ao servi\u00e7o ou emprego p\u00fablico, ap\u00f3s procedimento administrativo em que lhe sejam assegurados o contradit\u00f3rio e a ampla defesa, sem preju\u00edzo de outras san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a debater ato atribu\u00eddo a Presidente de Comiss\u00e3o de Heteroidentifica\u00e7\u00e3o que, no \u00e2mbito de processo seletivo, n\u00e3o homologou autodeclara\u00e7\u00e3o como pessoa negra (preta ou parda), para fins de concorr\u00eancia \u00e0s vagas destinadas a afrodescendentes, eliminando o candidato do certame, apesar desse tamb\u00e9m ter sido classificado dentro das vagas destinadas \u00e0 ampla concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se, portanto, que a controv\u00e9rsia busca aferir a exist\u00eancia, ou n\u00e3o, de compatibilidade de cl\u00e1usula edital\u00edcia &#8211; que prev\u00ea a elimina\u00e7\u00e3o do candidato aprovado dentro das vagas destinadas \u00e0 ampla concorr\u00eancia pelo fato de sua autodeclara\u00e7\u00e3o, como pessoa negra, n\u00e3o ter sido homologada pela Banca Examinadora &#8211; com a regra contida no art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 12.990\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu&nbsp;<em>caput<\/em>, o art. 2\u00ba da Lei n. 12.990\/2014 disp\u00f5e especificamente a respeito da possibilidade de haver reservas de vagas destinadas a candidatos negros, assim considerados aqueles que se declararem pretos e pardos, motivo pelo qual a san\u00e7\u00e3o contida no par\u00e1grafo \u00fanico desse mesmo dispositivo &#8211; elimina\u00e7\u00e3o do candidato que prestar declara\u00e7\u00e3o falsa &#8211; se restringe \u00e0 disputa por aquelas vagas reservadas, n\u00e3o alcan\u00e7ando a disputa pelas vagas destinadas \u00e0 ampla concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 corroborada pelo art. 3\u00ba desse diploma legal, onde \u00e9 dito expressamente que os candidatos autodeclarados negros concorrer\u00e3o concomitantemente \u00e0s vagas reservadas e \u00e0s vagas de ampla concorr\u00eancia, sem qualquer refer\u00eancia \u00e0 possibilidade de o resultado da disputa pelas vagas de ampla concorr\u00eancia ser influenciado pela elimina\u00e7\u00e3o na disputa pelas vagas reservadas &#8211; prevista no artigo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse diapas\u00e3o, <strong>a partir da interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos referidos dispositivos legais, que claramente admitem a possibilidade de os candidatos concorrerem simultaneamente \u00e0s vagas reservadas e \u00e0s vagas destinadas \u00e0 ampla concorr\u00eancia, a san\u00e7\u00e3o estabelecida no art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 12.990\/2014 deve ser interpretada restritivamente apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas reservadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Via de consequ\u00eancia, o Edital do certame deve ser interpretado em harmonia com a regra do art. 2\u00ba,&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 12.990\/2014, no sentido de que a n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o da autodeclara\u00e7\u00e3o do candidato implica apenas sua elimina\u00e7\u00e3o do certame em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas reservadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, diante do sil\u00eancio existente na Lei n. 12.990\/2014, \u00e9 licito associar-se a declara\u00e7\u00e3o falsa ali referida \u00e0 ideia de falsidade ideol\u00f3gica, que, por sua vez, traz em si a necessidade de exist\u00eancia de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa toada, a mera n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o da autodeclara\u00e7\u00e3o do candidato pela comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser automaticamente associada \u00e0 falsidade daquela autodeclara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, \u00e9 cedi\u00e7o que a natureza fluida e subjetiva de uma classifica\u00e7\u00e3o racial \u00e9 inexoravelmente marcada por pr\u00e9-concep\u00e7\u00f5es daqueles envolvidos nesse processo ao buscarem avaliar dado indiv\u00edduo ou grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se, desse modo, que a elimina\u00e7\u00e3o do certame prevista no art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 12.990\/2014 n\u00e3o pode ser aplicada de forma irrestrita em toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o da autodeclara\u00e7\u00e3o realizada pelos candidatos, sob pena de ofensa ao princ\u00edpio da razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conseguinte, \u00e0 luz do princ\u00edpio da razoabilidade como equidade, n\u00e3o h\u00e1 como se desconsiderar a subjetividade das classifica\u00e7\u00f5es raciais e, desse modo, a natural possibilidade de diverg\u00eancia de opini\u00f5es diante de dada situa\u00e7\u00e3o concreta, quando uma comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada para classificar racialmente dado candidato.<\/p>\n\n\n\n<p>De igual modo, tomando-se o princ\u00edpio da razoabilidade como congru\u00eancia, a n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o de uma autodeclara\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza imputar a ela a pecha de falsa, sob pena, inclusive, de se estar a presumir a m\u00e1-f\u00e9 do candidato, o que a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal abomina.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o, pela comiss\u00e3o de heteroidentifica\u00e7\u00e3o, de autodeclara\u00e7\u00e3o do candidato \u00e0s vagas destinadas a afrodescendentes implica apenas sua elimina\u00e7\u00e3o do certame em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas reservadas e n\u00e3o alcan\u00e7a a sua classifica\u00e7\u00e3o na lista de ampla concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ir-relevancia-do-momento-de-possibilidade-de-exercicio-de-atividade-laboral-de-detento-que-faleceu-no-presidio-para-fixacao-do-termo-inicial-da-pensao-por-morte-em-favor-de-seu-dependente\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Ir)Relev\u00e2ncia do momento de possibilidade de exerc\u00edcio de atividade laboral de detento que faleceu no pres\u00eddio, para fixa\u00e7\u00e3o do termo inicial da pens\u00e3o por morte em favor de seu dependente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 irrelevante o momento de possibilidade de exerc\u00edcio de atividade laboral de detento que faleceu no pres\u00eddio, para fixa\u00e7\u00e3o do termo inicial da pens\u00e3o por morte em favor de seu dependente, marco que \u00e9 tra\u00e7ado pela data do evento danoso (\u00f3bito).<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21\/10\/2024, DJe 25\/10\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudi\u00e3o, apenado, foi morto por outro detento durante rixa. Sua esposa e filho ajuizaram a\u00e7\u00e3o em face do Estado pretendendo indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e pens\u00e3o mensal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado alega que eventual pens\u00e3o deveria ser calculada com in\u00edcio somente ap\u00f3s o t\u00e9rmino do cumprimento da pena de Craudi\u00e3o, sendo que do momento do \u00f3bito at\u00e9 tal data ainda restariam vinte anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais ajuizada em virtude do \u00f3bito do genitor do recorrido, o qual veio a \u00f3bito enquanto encontrava-se preso.<\/p>\n\n\n\n<p>O ac\u00f3rd\u00e3o local garantiu a indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, pois entendeu que por supostamente se tratar de fam\u00edlia de baixa renda, se presume a percep\u00e7\u00e3o de renda pelo de cujus, capaz de justificar o pensionamento mensal em favor de seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>O recorrente sustenta como termo inicial para o pensionamento mensal a data em que o detento reuniria as condi\u00e7\u00f5es para passar do regime fechado para o semiaberto, pois, somente a partir da\u00ed poderia haver presun\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria para o sustento do filho recorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a jurisprud\u00eancia, <strong>o termo inicial da pens\u00e3o e dos juros \u00e9 a data do evento danoso, sendo irrelevante o efetivo exerc\u00edcio de atividade laboral pela v\u00edtima<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, \u00e9 irrelevante o momento de possibilidade de exerc\u00edcio de atividade laboral pela v\u00edtima para fixa\u00e7\u00e3o do termo inicial da pens\u00e3o por morte, marco que \u00e9 tra\u00e7ado pela data do evento danoso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 irrelevante o momento de possibilidade de exerc\u00edcio de atividade laboral de detento que faleceu no pres\u00eddio, para fixa\u00e7\u00e3o do termo inicial da pens\u00e3o por morte em favor de seu dependente, marco que \u00e9 tra\u00e7ado pela data do evento danoso (\u00f3bito).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prazo-prescricional-no-caso-de-o-beneficiario-de-seguro-de-vida-se-confundir-com-a-figura-do-proprio-segurado\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prazo prescricional no caso de o benefici\u00e1rio de seguro de vida se confundir com a figura do pr\u00f3prio segurado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>No caso de o benefici\u00e1rio de seguro de vida se confundir com a figura do pr\u00f3prio segurado, o prazo prescricional para ingressar em ju\u00edzo em face da seguradora pleiteando o adimplemento do seguro \u00e9 \u00e2nuo.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 2.323.675-SC, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 3\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina aderiu a um seguro de vida em grupo que previa pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o em caso de morte do c\u00f4njuge, mas n\u00e3o se deu conta. Ap\u00f3s o \u00f3bito do seu esposo em 2013, Crementina levou 3 anos para se dar conta do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s requerer o valor, Crementina foi informada pela seguradora que j\u00e1 havia decorrido o prazo prescricional de um ano previsto no art. 206,\u00a71\u00ba,II do CC. Crementina ent\u00e3o apresenta recurso no qual sustenta que o prazo seria decenal por ser benefici\u00e1ria e n\u00e3o segurada principal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 206. Prescreve:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Em um ano:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a pretens\u00e3o do segurado contra o segurador, ou a deste contra aquele, contado o prazo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>b) quanto aos demais seguros, da ci\u00eancia do fato gerador da pretens\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Trata-se de controv\u00e9rsia acerca do prazo prescricional para a cobran\u00e7a de seguro de vida, no qual a contratante \u00e9 simultaneamente titular da ap\u00f3lice e benefici\u00e1ria, considerando a inclus\u00e3o de cobertura adicional para seu c\u00f4njuge, cuja indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 pleiteada em raz\u00e3o de seu falecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ j\u00e1 definiu no IAC n. 2 que &#8220;<strong>\u00e9 \u00e2nuo o prazo prescricional para exerc\u00edcio de qualquer pretens\u00e3o do segurado em face do segurador &#8211; e vice-versa &#8211; baseada em suposto inadimplemento de deveres (principais, secund\u00e1rios ou anexos) derivados do contrato de seguro, ex vi do disposto no artigo 206, \u00a7 1\u00ba, II, &#8220;b&#8221;, do C\u00f3digo Civil de 2002<\/strong> (artigo 178, \u00a7 6\u00ba, II, do C\u00f3digo Civil de 1916)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ distingue a hip\u00f3tese na qual o benefici\u00e1rio (terceiro), e n\u00e3o o segurado, ingressa em ju\u00edzo em face da seguradora, pleiteando o adimplemento do seguro, considerando incidente o prazo prescricional decenal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tal distin\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em virtude do dispositivo legal (art. 206, \u00a7 1\u00ba, II,&nbsp;<em>b<\/em>, do C\u00f3digo Civil) dizer respeito \u00e0 pretens\u00e3o entre segurado e segurador, n\u00e3o sendo aplic\u00e1vel a terceiros que n\u00e3o participaram da rela\u00e7\u00e3o contratual<\/strong> (e muitas vezes dela nem tem conhecimento), figurando apenas como benefici\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, n\u00e3o h\u00e1 falar em inaplicabilidade do prazo prescricional \u00e2nuo, mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 eventual indeniza\u00e7\u00e3o pelo \u00f3bito de seu c\u00f4njuge. Isso porque, a parte autora n\u00e3o apenas det\u00e9m a condi\u00e7\u00e3o de favorecida, mas tamb\u00e9m figurou como parte (contratante) no seguro, tendo pleno conhecimento de sua exist\u00eancia e de seus termos. <strong>N\u00e3o pode ser considerada, portanto, mera benefici\u00e1ria<\/strong>, ou terceira que n\u00e3o participou do ajuste.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de o benefici\u00e1rio de seguro de vida se confundir com a figura do pr\u00f3prio segurado, o prazo prescricional para ingressar em ju\u00edzo em face da seguradora pleiteando o adimplemento do seguro \u00e9 \u00e2nuo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-patrimonio-herdado-por-representacao-e-integracao-do-patrimonio-do-descendente-pre-morto\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Patrim\u00f4nio herdado por representa\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do descendente pr\u00e9-morto<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O patrim\u00f4nio herdado por representa\u00e7\u00e3o jamais integra o patrim\u00f4nio do descendente pr\u00e9-morto e, por isso, n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado para pagamento de suas d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.291.621-RO, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 4\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton, devedor de uma grande d\u00edvida decorrente de um contrato de empr\u00e9stimo, falece antes de seus pais, deixando como herdeiros seus filhos Creitinho e Gertrudes. Os bens deixados por Creiton s\u00e3o inventariados e partilhados integralmente entre os filhos. Tempos depois, os pais de Creiton tamb\u00e9m falecem, deixando um patrim\u00f4nio consider\u00e1vel, no qual Creiton, caso estivesse vivo, teria direito \u00e0 leg\u00edtima. Esse direito, por sucess\u00e3o, transfere-se aos filhos Creitinho e Gertrudes.<\/p>\n\n\n\n<p>O banco credor, ao perceber que o patrim\u00f4nio deixado pelos pais de Creiton inclui bens pass\u00edveis de sobrepartilha, busca redirecionar a execu\u00e7\u00e3o contra o esp\u00f3lio, visando alcan\u00e7ar os bens provenientes dessa heran\u00e7a. Pode isso?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Trata-se de discuss\u00e3o para saber se o patrim\u00f4nio deixado pelos pais de herdeiro pr\u00e9-morto responde por suas d\u00edvidas. No caso, o Ju\u00edzo de primeiro grau o excluiu do polo passivo da execu\u00e7\u00e3o, considerando que j\u00e1 houve a partilha dos bens deixados por ele entre os seus herdeiros. Contudo, o Tribunal de origem entendeu que o esp\u00f3lio tinha legitimidade para figurar no polo passivo, pois ainda existiam bens sujeitos \u00e0 sobrepartilha, provenientes da heran\u00e7a dos pais do devedor falecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Entende-se que sobrepartilha \u00e9 a reparti\u00e7\u00e3o de bens ap\u00f3s a partilha que deveriam ter sido alvo de arrecada\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria originalmente, dividindo-se em dois grupos, de acordo com o momento em que \u00e9 aferida: se no curso do invent\u00e1rio, sobrepartilha prospectiva; se depois de encerrado, sobrepartilha retrospectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo a doutrina, &#8220;a sobrepartilha retrospectiva envolve a localiza\u00e7\u00e3o (descoberta) de bens e\/ou de direitos que deveriam ter sido alvo de arrecada\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria originalmente, sendo necess\u00e1rio que se instaure novo processo em raz\u00e3o do invent\u00e1rio primitivo j\u00e1 ter findado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se, assim, <strong>que o caso n\u00e3o trata de sobrepartilha, pois n\u00e3o se discute o patrim\u00f4nio do&nbsp;<em>de cujus<\/em>&nbsp;que deveria ter sido alvo de arrecada\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria originalmente, mas sim o patrim\u00f4nio herdado por representa\u00e7\u00e3o<\/strong>, em que os representantes do herdeiro pr\u00e9-morto recebem a mesma parte que seu ascendente receberia se estivesse vivo, nos termos dos arts. 1.851 e seguintes do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ensina a doutrina que &#8220;o representante ocupa o lugar do representado e sucede diretamente o autor da heran\u00e7a, sendo evidente que o representante atua em seu pr\u00f3prio nome&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nem mesmo por fic\u00e7\u00e3o legal a heran\u00e7a integra o patrim\u00f4nio do descendente pr\u00e9-morto. Por essa raz\u00e3o, tal patrim\u00f4nio n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado para pagamento das d\u00edvidas do codevedor falecido, cujo \u00f3bito ocorreu antes do de seus ascendentes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O patrim\u00f4nio herdado por representa\u00e7\u00e3o jamais integra o patrim\u00f4nio do descendente pr\u00e9-morto e, por isso, n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado para pagamento de suas d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> DO CONSUMIDOR<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicabilidade-das-sancoes-pelo-nao-comparecimento-injustificado-do-credor-a-audiencia-de-conciliacao-no-processo-de-tratamento-do-superendividamento\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade das san\u00e7\u00f5es pelo n\u00e3o comparecimento injustificado do credor \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o no processo de tratamento do superendividamento<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>As san\u00e7\u00f5es pelo n\u00e3o comparecimento injustificado do credor \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o no processo de tratamento do superendividamento, previstas no art. 104-A, \u00a7 2\u00b0, do CDC, podem ser aplicadas na fase consensual (pr\u00e9-processual).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.168.199-RS, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo acumulou d\u00edvidas pela vida toda, enquadrando-se no conceito de superendividado. Ajuizou repactua\u00e7\u00e3o judicial, buscando plano de pagamento que pudesse manter seu m\u00ednimo existencial.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Banco Brasa n\u00e3o compareceu \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o pr\u00e9-processual, raz\u00e3o pela qual foi aplicada san\u00e7\u00e3o prevista no art. 104-A,\u00a72\u00ba do CDC. O Banco Brasa recorre e argumenta que a aplicabilidade de tais san\u00e7\u00f5es s\u00f3 poderia ocorrer na fase judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 104-A. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poder\u00e1 instaurar processo de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, com vistas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia conciliat\u00f3ria, presidida por ele ou por conciliador credenciado no ju\u00edzo, com a presen\u00e7a de todos os credores de d\u00edvidas previstas no art. 54-A deste C\u00f3digo, na qual o consumidor apresentar\u00e1 proposta de plano de pagamento com prazo m\u00e1ximo de 5 (cinco) anos, preservados o m\u00ednimo existencial, nos termos da regulamenta\u00e7\u00e3o, e as garantias e as formas de pagamento originalmente pactuadas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba O n\u00e3o comparecimento injustificado de qualquer credor, ou de seu procurador com poderes especiais e plenos para transigir, \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o de que trata o&nbsp;caput&nbsp;deste artigo acarretar\u00e1 a suspens\u00e3o da exigibilidade do d\u00e9bito e a interrup\u00e7\u00e3o dos encargos da mora, bem como a sujei\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria ao plano de pagamento da d\u00edvida se o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor, devendo o pagamento a esse credor ser estipulado para ocorrer apenas ap\u00f3s o pagamento aos credores presentes \u00e0 audi\u00eancia conciliat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia cinge-se a definir se as san\u00e7\u00f5es previstas no art. 104-A, \u00a7 2\u00b0, do CDC, incidem na hip\u00f3tese de n\u00e3o comparecimento injustificado do credor \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o realizada na fase pr\u00e9-processual do processo de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo de tratamento do superendividamento divide-se em duas fases: consensual (pr\u00e9-processual) e contenciosa (processual).<\/strong> A fase pr\u00e9-processual tem in\u00edcio a partir de um requerimento apresentado pelo consumidor. Caso n\u00e3o seja obtida a concilia\u00e7\u00e3o na primeira fase, segue-se a instaura\u00e7\u00e3o do processo judicial, conforme previsto no art. 104-B do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se ignora que ningu\u00e9m \u00e9 obrigado a conciliar. Contudo, \u00e9 salutar a imposi\u00e7\u00e3o legal do dever de comparecimento \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o designada na primeira fase do processo, inclusive mediante procurador com &#8220;poderes especiais e plenos para transigir&#8221; (art. 104-A, \u00a7 2\u00b0, do CDC), sob pena de esvaziamento da finalidade do ato.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de um dever anexo do contrato celebrado entre a institui\u00e7\u00e3o financeira e o consumidor, que decorre do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva, cujo descumprimento enseja as seguintes san\u00e7\u00f5es: i) suspens\u00e3o da exigibilidade do d\u00e9bito; ii) interrup\u00e7\u00e3o dos encargos da mora; iii) sujei\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria ao plano de pagamento da d\u00edvida se o montante devido ao credor ausente for certo e conhecido pelo consumidor; e iv) pagamento ap\u00f3s o adimplemento das d\u00edvidas perante os credores presentes \u00e0 audi\u00eancia conciliat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>As san\u00e7\u00f5es pelo n\u00e3o comparecimento injustificado do credor \u00e0 audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o no processo de tratamento do superendividamento, previstas no art. 104-A, \u00a7 2\u00b0, do CDC, podem ser aplicadas na fase consensual (pr\u00e9-processual).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-microempresas-e-empresas-de-pequeno-porte-e-obrigatoriedade-de-pagamento-da-condecine\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Microempresas e empresas de pequeno porte e obrigatoriedade de pagamento da CONDECINE<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional est\u00e3o isentas da Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional (CONDECINE).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.825.143-CE, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/11\/2024, DJe 4\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>AB Movies \u00e9 uma pequena produtora de v\u00eddeos optante pelo SIMPLES. Em determinado momento, foi notificada pela ANCINE para o pagamento da Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional (CONDECINE).<\/p>\n\n\n\n<p>Alega que, justamente por ser optante pelo SIMPLES, estaria dispensada do pagamento, tese da qual discorda a ANCINE.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a discutir a obrigatoriedade de recolhimento da Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional (CONDECINE) pelas empresas que integram o Simples Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Complementar n. 123\/2006 instituiu o regime especial unificado de arrecada\u00e7\u00e3o de tributos e contribui\u00e7\u00f5es, estabelecendo a sistem\u00e1tica denominada Simples Nacional, em que h\u00e1 a simplifica\u00e7\u00e3o do recolhimento mensal dos impostos e das contribui\u00e7\u00f5es devidos por microempresas e empresas de pequeno porte.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu art. 13, s\u00e3o listados os v\u00e1rios impostos e contribui\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o recolhidos mediante documento \u00fanico de arrecada\u00e7\u00e3o; enquanto o \u00a7 1\u00ba define que o recolhimento simplificado n\u00e3o exclui a incid\u00eancia de determinados impostos ou contribui\u00e7\u00f5es, devidos na qualidade de contribuinte ou respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrai-se que a dispensa do recolhimento de determinada contribui\u00e7\u00e3o pelas empresas optantes pelo Simples Nacional pressup\u00f5e que (a) a contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja listada no&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do art. 13 da LC n. 123\/2006, nem excepcionada no \u00a7 1\u00ba desse mesmo artigo; e ( b) que seja uma contribui\u00e7\u00e3o institu\u00edda pela Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Institu\u00edda pela Uni\u00e3o no exerc\u00edcio de sua compet\u00eancia exclusiva prevista no art. 149,&nbsp;<em>caput<\/em>, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a CONDECINE \u00e9 contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico (CIDE) destinada ao setor cinematogr\u00e1fico, como j\u00e1 reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao estabelecer expressamente no \u00a7 3\u00ba do art. 13 da LC n. 123\/2006 a dispensa do pagamento das &#8220;demais contribui\u00e7\u00f5es institu\u00eddas pela Uni\u00e3o&#8221;, o legislador n\u00e3o deu margem a interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>sendo a CONDECINE uma contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico institu\u00edda pela Uni\u00e3o, e n\u00e3o constando do rol de contribui\u00e7\u00f5es de que trata o&nbsp;<em>caput<\/em>, nem daquele tratado no \u00a7 1\u00ba do art. 13 da LC n. 123\/2006, deve ser reconhecida a dispensa de seu recolhimento pelas microempresas e pelas empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o fato de que a CONDECINE ter sido institu\u00edda anteriormente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do regime de arrecada\u00e7\u00e3o Simples Nacional corrobora para esse entendimento, pois deixa evidente a op\u00e7\u00e3o do legislador em n\u00e3o incluir essa contribui\u00e7\u00e3o no rol constante no art. 13 da LC 123\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a destina\u00e7\u00e3o do produto da arrecada\u00e7\u00e3o ao Fundo Nacional da Cultura n\u00e3o afasta o enquadramento da CONDECINE no \u00a7 3\u00ba do art. 13 da LC n. 123\/2006, pois esse dispositivo legal menciona expressamente as contribui\u00e7\u00f5es institu\u00eddas pela Uni\u00e3o, e n\u00e3o as contribui\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a atribui\u00e7\u00e3o da capacidade tribut\u00e1ria ativa \u00e0 ANCINE, para arrecada\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o da CONDECINE, n\u00e3o altera o fato de que a compet\u00eancia para instituir essa contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 da Uni\u00e3o, exatamente como estabelece o \u00a7 3\u00ba do art. 13 da Lei Complementar 123\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, deve ser afastada a obrigatoriedade de recolhimento da CONDECINE pelas empresas que integram o Simples Nacional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional est\u00e3o isentas da Contribui\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica Nacional (CONDECINE).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-legalidade-do-aproveitamento-dos-creditos-de-icms-na-compra-de-produtos-quimicos-para-a-fabricacao-de-fluido-de-perfuracao-utilizados-nas-atividades-fins-da-sociedade-empresaria\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legalidade do aproveitamento dos cr\u00e9ditos de ICMS na compra de produtos qu\u00edmicos para a fabrica\u00e7\u00e3o de fluido de perfura\u00e7\u00e3o, utilizados nas atividades fins da sociedade empres\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 legal o aproveitamento dos cr\u00e9ditos de ICMS na compra de produtos qu\u00edmicos para a fabrica\u00e7\u00e3o de fluido de perfura\u00e7\u00e3o, utilizados nas atividades fins da sociedade empres\u00e1ria, ainda que consumidos ou desgastados gradativamente, desde que necess\u00e1ria sua utiliza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do objeto social da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.621.584-RJ, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 3\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Petrobras, al\u00e9m de produzir combust\u00edveis, perfura po\u00e7os. Para tanto, utiliza produto qu\u00edmico para a fabrica\u00e7\u00e3o de fluido de perfura\u00e7\u00e3o, material essencial para a escava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando das suas opera\u00e7\u00f5es recentes, a Petrobras adquiriu grandes quantidades deste produto e se creditou do ICMS pago nas aquisi\u00e7\u00f5es. O ente estadual n\u00e3o concordou com o creditamento por entend\u00ea-lo indevido em raz\u00e3o de o qu\u00edmico em quest\u00e3o n\u00e3o ser incorporado ao produto final.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia quanto \u00e0 possibilidade ou n\u00e3o de aproveitamento de cr\u00e9dito de ICMS na aquisi\u00e7\u00e3o de flu\u00eddos de perfura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;entendeu que <strong>restou comprovado que o produto (fluido de perfura\u00e7\u00e3o) integra diretamente a cadeia produtiva do contribuinte,<\/strong> tendo natureza jur\u00eddica de insumo, sendo legal o creditamento do ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>O referido entendimento est\u00e1 de acordo com a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que, a partir da vig\u00eancia da Lei Complementar n. 87\/1996, \u00e9 legal o aproveitamento dos cr\u00e9ditos de ICMS na compra de produtos intermedi\u00e1rios utilizados nas atividades fins de sociedade empres\u00e1ria, ainda que consumidos ou desgastados gradativamente, desde que necess\u00e1ria a sua utiliza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do objeto social da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 legal o aproveitamento dos cr\u00e9ditos de ICMS na compra de produtos qu\u00edmicos para a fabrica\u00e7\u00e3o de fluido de perfura\u00e7\u00e3o, utilizados nas atividades fins da sociedade empres\u00e1ria, ainda que consumidos ou desgastados gradativamente, desde que necess\u00e1ria sua utiliza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do objeto social da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-alteracao-da-gravidade-da-doenca-e-afastamento-do-direito-a-isencao-de-imposto-de-renda-sobre-proventos-de-aposentadoria\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Altera\u00e7\u00e3o da gravidade da doen\u00e7a e afastamento do direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o da gravidade da doen\u00e7a n\u00e3o afasta o direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgInt no REsp 2.118.943-RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21\/10\/2024, DJe 25\/10\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton foi diagnosticado com cardiopatia grave em 2017, raz\u00e3o pela qual recebeu isen\u00e7\u00e3o de IRPF sobre os valores recebidos a t\u00edtulo de aposentadoria. Em 2018, realizou procedimento cir\u00fargico que melhorou seu quadro cl\u00ednico. A isen\u00e7\u00e3o foi ent\u00e3o cassada.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Creiton ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual comprovou a perman\u00eancia da condi\u00e7\u00e3o e gastos m\u00e9dicos e despesas regulares decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.713\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00ba Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas f\u00edsicas:<\/p>\n\n\n\n<p>XIV \u2013 os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em servi\u00e7o e os percebidos pelos portadores de mol\u00e9stia profissional, tuberculose ativa, aliena\u00e7\u00e3o mental, esclerose m\u00faltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansen\u00edase, paralisia irrevers\u00edvel e incapacitante, cardiopatia grave, doen\u00e7a de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avan\u00e7ados da doen\u00e7a de Paget (oste\u00edte deformante), contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o, s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida, com base em conclus\u00e3o da medicina especializada, mesmo que a doen\u00e7a tenha sido contra\u00edda depois da aposentadoria ou reforma;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir se a altera\u00e7\u00e3o da gravidade da doen\u00e7a afasta o direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na origem, o Tribunal Regional entendeu que a isen\u00e7\u00e3o deveria ficar restrita ao per\u00edodo no qual a parte autora era portadora de cardiopatia grave, afastando o benef\u00edcio ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de procedimento cir\u00fargico com vistas a reduzir o problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a jurisprud\u00eancia consolidada em ambas as Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o estabelece que &#8220;a isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda incidente sobre os proventos de aposentadoria percebidos por portadores de mol\u00e9stias-graves nos termos art. 6\u00ba, inciso XIV, da Lei n. 7.713\/1988 independe da contemporaneidade dos sintomas&#8221; (RMS n. 57.058\/GO, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 6\/9\/2018, DJe de 13\/9\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se, ainda, o enunciado n. 627 da S\u00famula do Superior Tribunal de Justi\u00e7a: &#8220;<strong>O contribuinte faz jus \u00e0 concess\u00e3o ou \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda, n\u00e3o se lhe exigindo a demonstra\u00e7\u00e3o de contemporaneidade dos sintomas da doen\u00e7a nem da recidiva da enfermidade<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o da gravidade da doen\u00e7a n\u00e3o afasta o direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-trabalho\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> DO TRABALHO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-im-possibilidade-de-compensacao-de-valores-pagos-pelo-empregador-a-titulo-de-remuneracao-a-empregada-com-parcelas-de-contribuicao-previdenciaria-e-de-contribuicao-parafiscal-pela-lei-n-14-151-2021\"><a>10.&nbsp; (Im)Possibilidade de compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos pelo empregador a t\u00edtulo de remunera\u00e7\u00e3o \u00e0 empregada com parcelas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e de contribui\u00e7\u00e3o parafiscal pela Lei n. 14.151\/2021.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A Lei n. 14.151\/2021 n\u00e3o permite a compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos pelo empregador a t\u00edtulo de remunera\u00e7\u00e3o \u00e0 empregada com parcelas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e de contribui\u00e7\u00e3o parafiscal, como se fosse sal\u00e1rio-maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.149.080-RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21\/10\/2024, DJe 25\/10\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Durante a pandemia foi publicada a Lei n. 14.151\/2021 que previa o afastamento de gestantes das atividades laborais durante certo per\u00edodo. Algum tempo depois, a Associa\u00e7\u00e3o dos Comerciantes impetrou Mandado de Seguran\u00e7a Coletivo para tentar garantir a possibilidade de compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos pelo empregador a t\u00edtulo de remunera\u00e7\u00e3o \u00e0 empregada com parcelas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e de contribui\u00e7\u00e3o parafiscal, como se fosse sal\u00e1rio-maternidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-dos-fundamentos\">10.2.1. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a discutir a possibilidade ou n\u00e3o de equiparar-se o afastamento previsto na Lei n. 14.151\/2021 \u00e0 licen\u00e7a maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que n\u00e3o deve ser enquadrado como sal\u00e1rio-maternidade o que foi pago \u00e0s empregadas gestantes afastadas segundo as hip\u00f3teses da Lei n. 14.151\/2021, enquanto durar o afastamento, para fins de compensa\u00e7\u00e3o com parcelas futuras de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e de contribui\u00e7\u00e3o parafiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 14.151\/2021 determinou o afastamento da gestante do trabalho presencial, e n\u00e3o do trabalho&nbsp;<em>tout court<\/em>, <strong>n\u00e3o se verificando, portanto, suspens\u00e3o ou interrup\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho, mas apenas altera\u00e7\u00e3o na sua forma de execu\u00e7\u00e3o<\/strong>, o que configura a remunera\u00e7\u00e3o direta e habitual devida em raz\u00e3o da exist\u00eancia do v\u00ednculo empregat\u00edcio, ainda que, eventualmente, a contratada fique somente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do empregador.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a pandemia da COVID-19 demandou v\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es. Tais consequ\u00eancias e mudan\u00e7as, embora n\u00e3o sejam ideais, devem ser assumidas tanto pelo setor privado quanto pelo governo, e n\u00e3o somente por este \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a medida estabelecida pela Lei n. 14.311\/2022 \u00e9 justa e apropriada, com a implementa\u00e7\u00e3o totalmente poss\u00edvel, especialmente devido \u00e0 flexibilidade de alterar as fun\u00e7\u00f5es desempenhadas pelas gestantes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-da-decisao\">10.2.2. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A Lei n. 14.151\/2021 n\u00e3o permite a compensa\u00e7\u00e3o de valores pagos pelo empregador a t\u00edtulo de remunera\u00e7\u00e3o \u00e0 empregada com parcelas de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e de contribui\u00e7\u00e3o parafiscal, como se fosse sal\u00e1rio-maternidade.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-medidas-protetivas-de-urgencia-e-suas-peculiaridades\"><a>11.&nbsp; Medidas Protetivas de Urg\u00eancia e suas peculiaridades<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>I &#8211; As medidas protetivas de urg\u00eancia (MPUs) t\u00eam natureza jur\u00eddica de tutela inibit\u00f3ria e sua vig\u00eancia n\u00e3o se subordina \u00e0 exist\u00eancia (atual ou vindoura) de boletim de ocorr\u00eancia, inqu\u00e9rito policial, processo c\u00edvel ou criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; A dura\u00e7\u00e3o das MPUs vincula-se \u00e0 persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco \u00e0 mulher, raz\u00e3o pela qual devem ser fixadas por prazo temporalmente indeterminado;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; Eventual reconhecimento de causa de extin\u00e7\u00e3o de punibilidade, arquivamento do inqu\u00e9rito policial ou absolvi\u00e7\u00e3o do acusado n\u00e3o origina, necessariamente, a extin\u00e7\u00e3o da medida protetiva de urg\u00eancia, m\u00e1xime pela possibilidade de persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco ensejadora da concess\u00e3o da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; N\u00e3o se submetem a prazo obrigat\u00f3rio de revis\u00e3o peri\u00f3dica, mas devem ser reavaliadas pelo magistrado, de of\u00edcio ou a pedido do interessado, quando constatado concretamente o esvaziamento da situa\u00e7\u00e3o de risco. A revoga\u00e7\u00e3o deve sempre ser precedida de contradit\u00f3rio, com as oitivas da v\u00edtima e do suposto agressor. Em caso de extin\u00e7\u00e3o da medida, a ofendida deve ser comunicada, nos termos do art. 21 da Lei n. 11.340\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.070.717-MG, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 13\/11\/2024. (Tema 1249). Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Claudete foi amea\u00e7ada pelo ex-companheiro Crementino. O Juizado de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica deferiu medidas protetivas em seu favor, dentre elas a proibi\u00e7\u00e3o de se aproximar da v\u00edtima pelo prazo de 180 dias, podendo ser prorrogado em caso de requerimento da parte.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP recorre e alega que a decis\u00e3o que fixa prazo determinado para as medidas protetivas de urg\u00eancia contraria o objetivo da Lei Maria da Penha e pode expor a v\u00edtima a novos riscos ap\u00f3s o t\u00e9rmino do per\u00edodo estipulado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-do-direito\">11.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Maria da Penha:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 19. As medidas protetivas de urg\u00eancia poder\u00e3o ser concedidas pelo juiz, a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou a pedido da ofendida.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 5\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel, da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou do registro de boletim de ocorr\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-dos-fundamentos\">11.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Inicialmente cumpre salientar que, o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de G\u00eanero, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, afirma que as medidas protetivas de urg\u00eancia &#8220;s\u00e3o aut\u00f4nomas em rela\u00e7\u00e3o ao processo principal, com dispensa da v\u00edtima quanto ao oferecimento de representa\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica condicionada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As medidas protetivas previstas na Lei n. 11.340\/2006, por visarem resguardar a integridade f\u00edsica e ps\u00edquica da ofendida, possuem conte\u00fado satisfativo, e n\u00e3o se vinculam, necessariamente, a um procedimento principal.<\/strong> Elas t\u00eam como objeto a prote\u00e7\u00e3o da v\u00edtima e devem permanecer enquanto durar a situa\u00e7\u00e3o de perigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal posi\u00e7\u00e3o parece haver sido partilhada pelo legislador com a publica\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.550\/2023, que incluiu o par\u00e1grafo 5\u00ba no art. 19 da Lei Maria da Penha para afirmar que &#8220;as medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel, da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou do registro de boletim de ocorr\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata de mudan\u00e7a origin\u00e1ria no sentido do art. 19, mas de interpreta\u00e7\u00e3o aut\u00eantica, que pretende afastar a possibilidade de acep\u00e7\u00f5es restritivas e, em \u00faltima an\u00e1lise, violadoras dos direitos das mulheres. Nessa conjectura, a exposi\u00e7\u00e3o de motivos do PL n. 1.604\/2022: &#8220;este projeto de lei busca tornar inquestion\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o que oferece \u00e0 mulher mesmo na hip\u00f3tese de atipicidade criminal do ato de viol\u00eancia, de aus\u00eancia de prova cabal, de risco de les\u00e3o \u00e0 integridade psicol\u00f3gica por si s\u00f3 e independentemente da instaura\u00e7\u00e3o de processo c\u00edvel ou criminal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 indene de d\u00favidas, portanto, que a recente altera\u00e7\u00e3o legislativa almejou recha\u00e7ar, de uma vez por todas, a suposta natureza cautelar\/preparat\u00f3ria das medidas protetivas de urg\u00eancia<\/strong>. Defender a natureza pr\u00e9-cautelar das medidas protetivas importa retirar da mulher o direito de ser protegida quando n\u00e3o se dispuser a processar criminalmente o ofensor, ou quando, por outro motivo qualquer, inexistir atos formais de persecu\u00e7\u00e3o penal contra o agressor.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, &#8220;o fim das medidas protetivas \u00e9 proteger direitos fundamentais, evitando a continuidade da viol\u00eancia e das situa\u00e7\u00f5es que a favorecem. N\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, preparat\u00f3rias de qualquer a\u00e7\u00e3o judicial. N\u00e3o visam processos, mas pessoas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a configura\u00e7\u00e3o das medidas protetivas deve ser considerada como tutela inibit\u00f3ria, porquanto tem por escopo proteger a ofendida, independentemente da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou a\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o sendo necess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de um dano, tampouco a pr\u00e1tica de uma conduta criminalizada. Neste ponto, j\u00e1 decidiu o Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que se deve &#8220;compreender a medida protetiva como tutela inibit\u00f3ria que prestigia a sua finalidade de preven\u00e7\u00e3o de riscos para a mulher, frente \u00e0 possibilidade de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar&#8221; (CC 156.284\/PR, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 6\/3\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a natureza jur\u00eddica da medida protetiva de urg\u00eancia deferida em favor da mulher \u00e9 de tutela inibit\u00f3ria, por ser essa a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com os objetivos de prote\u00e7\u00e3o que a Lei Maria da Penha visou conferir \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia em raz\u00e3o do g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p>Como esp\u00e9cie de tutela inibit\u00f3ria, as medidas protetivas t\u00eam car\u00e1ter provis\u00f3rio, e como tal, devem vigorar enquanto subsistir o risco \u00e0 integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial ou moral da v\u00edtima. Esse \u00e9 o entendimento retratado na Lei Maria da Penha com a inclus\u00e3o do art. 19, \u00a7 6\u00ba, pela Lei n. 14.550\/2023, que estabelece que &#8220;as medidas protetivas de urg\u00eancia vigorar\u00e3o enquanto persistir risco \u00e0 integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial ou moral da ofendida ou de seus dependentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre aclarar que o legislador, justamente por n\u00e3o haver subordinado as medidas protetivas de urg\u00eancia \u00e0 exist\u00eancia de um procedimento principal, tampouco correlacionou sua dura\u00e7\u00e3o ao resultado do processo penal. Assim, eventual arquivamento do inqu\u00e9rito policial, absolvi\u00e7\u00e3o do acusado ou reconhecimento de causa de extin\u00e7\u00e3o de punibilidade n\u00e3o origina, necessariamente, a extin\u00e7\u00e3o da medida protetiva de urg\u00eancia, m\u00e1xime pela possibilidade de persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem se diga que, ao assim proceder, seriam aniquilados os direitos do imputado ou criada uma san\u00e7\u00e3o ilimitada. A um, porque as medidas protetivas n\u00e3o visam punir o agressor, mas proteger a mulher. A dois, porque a restri\u00e7\u00e3o parcial \u00e0 liberdade de locomo\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 eterna; ela cessa no exato momento em que findar a situa\u00e7\u00e3o de risco. Nessa ordem de ideias, \u00e9 irrefut\u00e1vel que, apesar do car\u00e1ter provis\u00f3rio inerente \u00e0s medidas protetivas de urg\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 como quantificar, de antem\u00e3o, em dias, semanas, meses ou anos, o tempo necess\u00e1rio \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do risco, a fim de romper com o ciclo de viol\u00eancia instaurado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a fim de se evitar a pereniza\u00e7\u00e3o das medidas, a pessoa interessada, quando entender n\u00e3o mais ser pertinente a tutela inibit\u00f3ria, poder\u00e1 provocar o ju\u00edzo de origem a se manifestar e este, ouvindo a v\u00edtima, decidir\u00e1 acerca da manuten\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o da medida protetiva, e que, em caso de revoga\u00e7\u00e3o da medida, a ofendida deve ser comunicada, nos termos do art. 21 da Lei n. 11.340\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o parece adequado, e muito menos conforme ao desejo de prote\u00e7\u00e3o e acolhimento da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia em raz\u00e3o do g\u00eanero, \u00e9 dela exigir um refor\u00e7o peri\u00f3dico de seu desejo de manter-se sob a prote\u00e7\u00e3o de uma medida protetiva de urg\u00eancia. A renova\u00e7\u00e3o de sua iniciativa &#8211; dirigir-se ao F\u00f3rum ou \u00e0 Delegacia de Pol\u00edcia para insistir, a cada 3 ou 6 meses, na manuten\u00e7\u00e3o da medida protetiva &#8211; implicaria uma revitimiza\u00e7\u00e3o e, consequentemente, uma viol\u00eancia institucional que precisa ser coibida.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa para eventual revis\u00e3o ou mesmo retirada da medida protetiva de urg\u00eancia deve partir de quem esteja sob o compromisso de abster-se de algum ato que possa turbar a tranquilidade ou seguran\u00e7a da ofendida, hip\u00f3tese em que esta ser\u00e1 ouvida antes de uma decis\u00e3o judicial. Foi assim que, a prop\u00f3sito, decidiu recentemente a Terceira Se\u00e7\u00e3o deste Superior Tribunal, ao assentar a imprescindibilidade da oitiva da ofendida &#8220;para que a situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica seja devidamente apresentada ao Ju\u00edzo competente, que diante da relev\u00e2ncia da palavra da v\u00edtima, verifique a necessidade de prorroga\u00e7\u00e3o\/concess\u00e3o das medidas, independente da extin\u00e7\u00e3o de punibilidade do autor&#8221; (AgRg nos EDcl no RHC 184.081\/SP, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis Jr, Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe 10\/10\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso posto, s\u00e3o fixadas as seguintes teses sobre as quest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; As medidas protetivas de urg\u00eancia (MPUs) t\u00eam natureza jur\u00eddica de tutela inibit\u00f3ria e sua vig\u00eancia n\u00e3o se subordina \u00e0 exist\u00eancia (atual ou vindoura) de boletim de ocorr\u00eancia, inqu\u00e9rito policial, processo c\u00edvel ou criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; A dura\u00e7\u00e3o das MPUs vincula-se \u00e0 persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco \u00e0 mulher, raz\u00e3o pela qual devem ser fixadas por prazo temporalmente indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; Eventual reconhecimento de causa de extin\u00e7\u00e3o de punibilidade, arquivamento do inqu\u00e9rito policial ou absolvi\u00e7\u00e3o do acusado n\u00e3o origina, necessariamente, a extin\u00e7\u00e3o da medida protetiva de urg\u00eancia, m\u00e1xime pela possibilidade de persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco ensejadora da concess\u00e3o da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; N\u00e3o se submetem a prazo obrigat\u00f3rio de revis\u00e3o peri\u00f3dica, mas devem ser reavaliadas pelo magistrado, de of\u00edcio ou a pedido do interessado, quando constatado concretamente o esvaziamento da situa\u00e7\u00e3o de risco. A revoga\u00e7\u00e3o deve sempre ser precedida de contradit\u00f3rio, com as oitivas da v\u00edtima e do suposto agressor. Em caso de extin\u00e7\u00e3o da medida, a ofendida deve ser comunicada, nos termos do art. 21 da Lei n. 11.340\/2006.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-da-decisao\">11.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>I &#8211; As medidas protetivas de urg\u00eancia (MPUs) t\u00eam natureza jur\u00eddica de tutela inibit\u00f3ria e sua vig\u00eancia n\u00e3o se subordina \u00e0 exist\u00eancia (atual ou vindoura) de boletim de ocorr\u00eancia, inqu\u00e9rito policial, processo c\u00edvel ou criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; A dura\u00e7\u00e3o das MPUs vincula-se \u00e0 persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco \u00e0 mulher, raz\u00e3o pela qual devem ser fixadas por prazo temporalmente indeterminado;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; Eventual reconhecimento de causa de extin\u00e7\u00e3o de punibilidade, arquivamento do inqu\u00e9rito policial ou absolvi\u00e7\u00e3o do acusado n\u00e3o origina, necessariamente, a extin\u00e7\u00e3o da medida protetiva de urg\u00eancia, m\u00e1xime pela possibilidade de persist\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o de risco ensejadora da concess\u00e3o da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; N\u00e3o se submetem a prazo obrigat\u00f3rio de revis\u00e3o peri\u00f3dica, mas devem ser reavaliadas pelo magistrado, de of\u00edcio ou a pedido do interessado, quando constatado concretamente o esvaziamento da situa\u00e7\u00e3o de risco. A revoga\u00e7\u00e3o deve sempre ser precedida de contradit\u00f3rio, com as oitivas da v\u00edtima e do suposto agressor. Em caso de extin\u00e7\u00e3o da medida, a ofendida deve ser comunicada, nos termos do art. 21 da Lei n. 11.340\/2006.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-des-obrigatoriedade-de-comprovacao-de-carga-horaria-e-supervisao-quando-do-exercicio-de-atividade-laboral-autonoma-pelo-apenado\"><a>12.&nbsp; (Des)Obrigatoriedade de comprova\u00e7\u00e3o de carga hor\u00e1ria e supervis\u00e3o quando do exerc\u00edcio de atividade laboral aut\u00f4noma pelo apenado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Estando devidamente comprovado o exerc\u00edcio de atividade laboral aut\u00f4noma pelo apenado, \u00e9 ileg\u00edtimo afastar a remi\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de supervis\u00e3o da atividade e do cumprimento da jornada m\u00ednima de 6 horas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Og Fernandes, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 12\/8\/2024, DJe 20\/8\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Juvenal, advogado, cumpria pena em pris\u00e3o domiciliar conforme ajustado em acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada no qual estava autorizado a trabalhar das 6 da matina \u00e0s 8 da noite. Requereu ent\u00e3o a remi\u00e7\u00e3o da pena com base em seu trabalho realizado de forma aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP n\u00e3o concorda e alega que n\u00e3o fora comprovado o trabalho m\u00ednimo de 6 horas di\u00e1rias, bem como a supervis\u00e3o..<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-do-direito\">12.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal \u2013 LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33. A jornada normal de trabalho n\u00e3o ser\u00e1 inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) horas, com descanso nos domingos e feriados.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Poder\u00e1 ser atribu\u00eddo hor\u00e1rio especial de trabalho aos presos designados para os servi\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do estabelecimento penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 126.&nbsp; O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poder\u00e1 remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execu\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-dos-fundamentos\">12.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Ao interpretar os artigos 33 e 126 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal &#8211; LEP, o Superior de Justi\u00e7a de Justi\u00e7a firmou o entendimento de que n\u00e3o basta a comprova\u00e7\u00e3o do trabalho para que o apenado tenha direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o, exigindo-se que a atividade seja supervisionada, com cumprimento da jornada m\u00ednima de 6 horas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria foi pacificada no julgamento do&nbsp;Tema 917&nbsp;do STJ, oportunidade em que se fixou a tese de que &#8220;\u00e9 poss\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o de parte do tempo de execu\u00e7\u00e3o da pena quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa extramuros&#8221;, e em que se esclareceu que a supervis\u00e3o direta do pr\u00f3prio trabalho deve ficar a cargo do patr\u00e3o do apenado, cumprindo \u00e0 administra\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria o controle da regularidade do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, quando o trabalho \u00e9 realizado de forma aut\u00f4noma e n\u00e3o h\u00e1 patr\u00e3o para supervision\u00e1-lo, notadamente no que se refere \u00e0 jornada laboral, questiona-se como deve ser feita a comprova\u00e7\u00e3o da atividade para remi\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, verifica-se que, no pr\u00f3prio acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, h\u00e1 a previs\u00e3o de trabalho externo durante o per\u00edodo de pris\u00e3o domiciliar, bem como autoriza\u00e7\u00e3o para que o colaborador se desloque, das 6 \u00e0s 20 horas, para os im\u00f3veis rurais de sua fam\u00edlia e para o seu escrit\u00f3rio de advocacia a fim de desenvolver suas atividades laborais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estando devidamente comprovado o exerc\u00edcio da atividade advocat\u00edcia pelo colaborador, o fato de o trabalho n\u00e3o haver sido fiscalizado, inexistindo a comprova\u00e7\u00e3o da jornada di\u00e1ria, n\u00e3o impede a concess\u00e3o do benef\u00edcio,<\/strong> uma vez que \u00e9 profissional aut\u00f4nomo e possui escrit\u00f3rio advocat\u00edcio individual, al\u00e9m de trabalhar em&nbsp;<em>home office<\/em>, peculiaridades que n\u00e3o permitem a supervis\u00e3o de suas atividades por um patr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o se afigura leg\u00edtimo afastar a remi\u00e7\u00e3o quando, apesar de devidamente demonstrada a atividade laboral, n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de supervis\u00e3o da atividade e do cumprimento da jornada m\u00ednima de 6 horas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-da-decisao\">12.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Estando devidamente comprovado o exerc\u00edcio de atividade laboral aut\u00f4noma pelo apenado, \u00e9 ileg\u00edtimo afastar a remi\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de supervis\u00e3o da atividade e do cumprimento da jornada m\u00ednima de 6 horas di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-competencia-para-execucao-penal-de-condenacao-oriunda-da-justica-estadual-ao-cumprimento-de-pena-em-regime-semiaberto\"><a>13.&nbsp; Compet\u00eancia para execu\u00e7\u00e3o penal de condena\u00e7\u00e3o oriunda da Justi\u00e7a estadual ao cumprimento de pena em regime semiaberto<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Compete ao juiz da senten\u00e7a ou ao indicado na lei local de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria a execu\u00e7\u00e3o penal de condena\u00e7\u00e3o oriunda da Justi\u00e7a estadual ao cumprimento de pena em regime semiaberto, ainda que haja mudan\u00e7a de domic\u00edlio do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 208.423-SC, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/9\/2024, DJe 27\/9\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo foi condenado pelo Ju\u00edzo de Piratuba-SC \u00e0 pena de reclus\u00e3o em regime semiaberto. Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado, informou ao ju\u00edzo que se mudou para Curitiba-PR.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ju\u00edzo de Piratuba encaminhou o guia de execu\u00e7\u00e3o penal para o Ju\u00edzo de Curitiba, considerando o local de domic\u00edlio atual. J\u00e1 o curitibano entende que a compet\u00eancia para execu\u00e7\u00e3o permanece com o ju\u00edzo da condena\u00e7\u00e3o, cabendo a si somente a supervis\u00e3o do cumprimento da pena.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-do-direito\">13.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 65. A execu\u00e7\u00e3o penal competir\u00e1 ao Juiz indicado na lei local de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria e, na sua aus\u00eancia, ao da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-dos-fundamentos\">13.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o penal competir\u00e1 ao Juiz indicado na lei local de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria e, na sua aus\u00eancia, ao da senten\u00e7a, na forma do art. 65 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O advento da Resolu\u00e7\u00e3o n. 474\/2022 do Conselho Nacional de Justi\u00e7a &#8211; que alterou o art. 23 da Resolu\u00e7\u00e3o n. 417\/2021 &#8211; n\u00e3o alterou o cen\u00e1rio legal dessa mat\u00e9ria. <strong>O referido ato normativo estabelece que, em se tratando pena privativa de liberdade a ser cumprida em regime semiaberto ou aberto, o apenado deve ser previamente intimado para iniciar o cumprimento da pena, de modo que foi suprimida a possibilidade de expedi\u00e7\u00e3o de mandado de pris\u00e3o como primeiro ato da execu\u00e7\u00e3o nessas hip\u00f3teses,<\/strong> provid\u00eancia essa que s\u00f3 tem lugar caso o apenado n\u00e3o seja encontrado no endere\u00e7o por ele indicado ou, caso intimado, n\u00e3o se apresente para iniciar o cumprimento da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do CC n. 197.304\/PR, a Terceira Se\u00e7\u00e3o decidiu que, em caso de condena\u00e7\u00e3o oriunda da Justi\u00e7a Federal ao cumprimento de pena em regime semiaberto, \u00e9 invi\u00e1vel impor ao Ju\u00edzo da condena\u00e7\u00e3o o \u00f4nus de intimar o apenado, pois apenas o Ju\u00edzo estadual pode aferir a exist\u00eancia de vaga em estabelecimento prisional adequado para o cumprimento da pena em regime semiaberto e, em caso negativo, adotar as medidas preconizadas na S\u00famula Vinculante n. 56 do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong>o caso trata de condena\u00e7\u00e3o oriunda da Justi\u00e7a estadual, hip\u00f3tese na qual n\u00e3o se vislumbra nenhum \u00f3bice objetivo para que essa intima\u00e7\u00e3o seja levada a efeito pelo pr\u00f3prio Ju\u00edzo da condena\u00e7\u00e3o ou por aquele designado pela lei de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria local <\/strong>(art. 65 da LEP), sendo-lhe poss\u00edvel averiguar, de antem\u00e3o, a exist\u00eancia da vaga em estabelecimento compat\u00edvel e intimar o apenado mediante carta precat\u00f3ria endere\u00e7ada ao Ju\u00edzo em que domiciliado.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, em se tratando de cumprimento de pena privativa de liberdade, oriunda da Justi\u00e7a estadual, em regime inicial semiaberto e tendo o apenado indicado domic\u00edlio em local diverso da condena\u00e7\u00e3o, incumbe ao Ju\u00edzo competente (art. 65 da LEP) averiguar de antem\u00e3o a exist\u00eancia de vaga em estabelecimento compat\u00edvel com esse regime, podendo, a partir da\u00ed, adotar, alternativamente, as seguintes provid\u00eancias: 1) expedir carta precat\u00f3ria para fins de intima\u00e7\u00e3o do apenado para que se apresente para iniciar o cumprimento da pena no estabelecimento por ele indicado (caso exista vaga em estabelecimento compat\u00edvel); ou 2) harmonizar o regime (na forma da S\u00famula Vinculante n. 56\/STF), expedindo carta precat\u00f3ria para o Ju\u00edzo do domic\u00edlio, deprecando n\u00e3o s\u00f3 a intima\u00e7\u00e3o do apenado (art. 23 da Resolu\u00e7\u00e3o n. 417\/2021 do CNJ) como tamb\u00e9m a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento da pena em si, ressaltando que, caso opte por monitoramento eletr\u00f4nico, deve consultar previamente o Ju\u00edzo deprecado acerca da disponibilidade de equipamento, sem preju\u00edzo da possibilidade de disponibilizar meio tecnol\u00f3gico para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-da-decisao\">13.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Compete ao juiz da senten\u00e7a ou ao indicado na lei local de organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria a execu\u00e7\u00e3o penal de condena\u00e7\u00e3o oriunda da Justi\u00e7a estadual ao cumprimento de pena em regime semiaberto, ainda que haja mudan\u00e7a de domic\u00edlio do apenado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-tortura-e-validade-das-provas\"><a>14.&nbsp; Tortura e validade das provas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A abordagem policial sem fundada suspeita e com emprego de viol\u00eancia f\u00edsica, tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante configura viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e invalida as provas obtidas, as quais devem ser desentranhadas do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 933.395-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/11\/2024, DJe 3\/12\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi preso supostamente em flagrante. No momento da pris\u00e3o, foi submetido a viol\u00eancia f\u00edsica e tortura pelos policiais. As agress\u00f5es foram confirmadas por meio de exame m\u00e9dico e v\u00eddeos. A Defensoria alega a nulidade das provas obtidas durante as agress\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-do-direito\">14.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;157.&nbsp; S\u00e3o inadmiss\u00edveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas il\u00edcitas, assim entendidas as obtidas em viola\u00e7\u00e3o a normas constitucionais ou legais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp; S\u00e3o tamb\u00e9m inadmiss\u00edveis as provas derivadas das il\u00edcitas, salvo quando n\u00e3o evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-dos-fundamentos\">14.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>No caso, as c\u00e2meras corporais dos policiais registraram agress\u00f5es f\u00edsicas ao paciente, que se rendeu sem resist\u00eancia, indicando que a abordagem foi realizada com viol\u00eancia, assemelhada \u00e0 tortura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O laudo de corpo de delito corroborou as alega\u00e7\u00f5es de agress\u00e3o, constatando les\u00f5es compat\u00edveis com as descritas pelo paciente, refor\u00e7ando a nulidade das provas obtidas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>As agress\u00f5es perpetradas pelos agentes s\u00e3o de natureza grave. N\u00e3o por outra raz\u00e3o, h\u00e1 a indica\u00e7\u00e3o de que v\u00e1rios trechos das grava\u00e7\u00f5es demonstram a tentativa dos policiais de ocultar ou dificultar a visualiza\u00e7\u00e3o das imagens da ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel lembrar que o Brasil ratificou a Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos (Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica), que, em seu artigo 5.2, disp\u00f5e que &#8220;Ningu\u00e9m deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cru\u00e9is, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido \u00e0 dignidade inerente ao ser humano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o sistema interamericano de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos adota, quanto \u00e0s provas e atos processuais praticados ou contaminados pela tortura e tratamentos cru\u00e9is ou desumanos, a regra da exclus\u00e3o, segundo a qual n\u00e3o se pode conferir valor probat\u00f3rio \u00e0 prova obtida mediante coa\u00e7\u00e3o ou \u00e0 evid\u00eancia que decorre de tal a\u00e7\u00e3o. Nessa linha, o art. 8 (3) da Conven\u00e7\u00e3o disp\u00f5e que &#8220;A confiss\u00e3o do acusado s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lida se feita sem coa\u00e7\u00e3o de nenhuma natureza&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, o C\u00f3digo de Processo Penal, no art. 157,&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;e \u00a7 1\u00ba, preleciona serem inadmiss\u00edveis as provas il\u00edcitas, assim entendidas aquelas obtidas em viola\u00e7\u00e3o \u00e0s normas constitucionais ou legais, bem como as delas derivadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, considerando que a Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos e o C\u00f3digo de Processo Penal vedam o uso de provas obtidas mediante tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante, devem tais provas ser consideradas nulas e desentranhadas do processo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-da-decisao\">14.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A abordagem policial sem fundada suspeita e com emprego de viol\u00eancia f\u00edsica, tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante configura viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos e invalida as provas obtidas, as quais devem ser desentranhadas do processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-i-legalidade-da-abordagem-pela-guarda-municipal-quando-caracterizada-a-situacao-de-flagrante-delito\"><a>15.&nbsp; (I)Legalidade da abordagem pela Guarda Municipal quando caracterizada a situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na abordagem pela Guarda Municipal quando caracterizada a situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 862.202-MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, por maioria, julgado em 15\/10\/2024, DJe 23\/10\/2024. Info STJ 836<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Guarda Municipal recebeu den\u00fancias de moradores sobre tr\u00e1fico de drogas num certo bairro. Resolveram averiguar e ao chegar ao local, Creitinho deitou o cabelo em fuga desabalada, quando largou sacola com drogas ao l\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a pris\u00e3o, a Defensoria alega que as provas foram obtidas ilegalmente, diante da falta de compet\u00eancia dos guardas municipais para realiza\u00e7\u00e3o de busca pessoal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-do-direito\">15.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 301.&nbsp; Qualquer do povo poder\u00e1 e as autoridades policiais e seus agentes dever\u00e3o prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-dos-fundamentos\">15.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal julgou procedente pedido formalizado na ADPF n. 995\/DF, relator Ministro Alexandre de Moraes, &#8220;<strong>declarando inconstitucional todas as interpreta\u00e7\u00f5es judiciais que excluem as Guardas Municipais, devidamente criadas e institu\u00eddas, como integrantes do Sistema de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, n\u00e3o se verifica ilegalidade na a\u00e7\u00e3o da Guarda Municipal, porquanto a lei autoriza a qualquer do povo realizar pris\u00e3o em flagrante &#8211; art. 301 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, n\u00e3o h\u00e1 ilicitude probat\u00f3ria decorrente da abordagem dos agentes da Guarda Municipal, os quais foram informados da realiza\u00e7\u00e3o de evento em espec\u00edfica localidade, onde estaria havendo intenso com\u00e9rcio de entorpecentes, inclusive mediante a intimida\u00e7\u00e3o de moradores locais. A fim de verificar a veracidade das informa\u00e7\u00f5es, os guardas se deslocaram at\u00e9 o referido evento, sendo que um morador apontou quem eram as pessoas que estavam comercializando drogas, e o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se aproximarem do beco indicado, os indiv\u00edduos que l\u00e1 se encontravam sa\u00edram correndo. Durante a fuga, um destes indiv\u00edduos dispensou uma sacola ao solo, contendo quarenta e oito microtubos de subst\u00e2ncia posteriormente identificada como coca\u00edna e duas buchas de maconha.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se que a atua\u00e7\u00e3o da guarda municipal n\u00e3o decorreu de mera constata\u00e7\u00e3o subjetiva, mas de elementos objetivos que evidenciavam, de modo inequ\u00edvoco, o flagrante delito, pois indicada a pr\u00e1tica do crime em local determinado, as pessoas suspeitas se evadiram ao visualizar os guardas e dispensaram mercadoria do tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mostrando-se n\u00edtida a situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito quando, indicada a pr\u00e1tica do crime em local determinado, as pessoas suspeitas se evadem ao visualizar os guardas e dispensam mercadoria do tr\u00e1fico, \u00e9 justificada a atua\u00e7\u00e3o da Guarda Municipal, n\u00e3o havendo nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>n\u00e3o h\u00e1 falar em ilegalidade da abordagem pela Guarda Municipal, ainda que n\u00e3o relacionada com a direta e imediata tutela do patrim\u00f4nio municipal<\/strong>, j\u00e1 que sua atua\u00e7\u00e3o decorreu de constata\u00e7\u00e3o objetiva da ocorr\u00eancia de flagrante delito em andamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-da-decisao\">15.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na abordagem pela Guarda Municipal quando caracterizada a situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nbsp-decisao-por-novo-juri-e-ofensa-ao-principio-da-soberania-dos-veredictos-do-juri\"><a>16.&nbsp; Decis\u00e3o por novo j\u00fari e ofensa ao princ\u00edpio da soberania dos veredictos do j\u00fari<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ofende o princ\u00edpio da soberania dos veredictos do j\u00fari, a decis\u00e3o do Tribunal de apela\u00e7\u00e3o que, fundamentadamente, submete o r\u00e9u a novo julgamento, sob o argumento de que a decis\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a foi manifestamente contr\u00e1ria a prova dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 906.637-SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 5\/11\/2024, DJe 8\/11\/2024. (Info STJ 836)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Jac\u00f3 foi denunciado e posteriormente pronunciado por homic\u00eddio, mas foi absolvido com base na tese de negativa de autoria apresentada pela defesa. O MP n\u00e3o concorda com a absolvi\u00e7\u00e3o e argumenta em recurso que a decis\u00e3o do J\u00fari foi manifestamente contr\u00e1ria \u00e0 prova dos autos, j\u00e1 que testemunhas presenciais relataram ter visto Jac\u00f3 cometer o crime.<\/p>\n\n\n\n<p>O TJ ent\u00e3o deu provimento ao recurso para anular o julgamento e determinar novo j\u00fari. Inconformada, a defesa do rapaz impetrou HC e alega que a submiss\u00e3o a novo julgamento violaria o princ\u00edpio da soberania dos veredictos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-do-direito\">16.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXXVIII &#8211; \u00e9 reconhecida a institui\u00e7\u00e3o do j\u00fari, com a organiza\u00e7\u00e3o que lhe der a lei, assegurados:<\/p>\n\n\n\n<p>c) a soberania dos veredictos;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 593. Caber\u00e1 apela\u00e7\u00e3o no prazo de 5 (cinco) dias:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3o&nbsp; Se a apela\u00e7\u00e3o se fundar no no III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer de que a decis\u00e3o dos jurados \u00e9 manifestamente contr\u00e1ria \u00e0 prova dos autos, dar-lhe-\u00e1 provimento para sujeitar o r\u00e9u a novo julgamento; n\u00e3o se admite, por\u00e9m, pelo mesmo motivo, segunda apela\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-dos-fundamentos\">16.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O sistema recursal permite a impugna\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o proferida pelo Tribunal do J\u00fari, sem que isso configure afronta ao princ\u00edpio da soberania dos veredictos, previsto no art. 5\u00ba, XXXVIII,&nbsp;<em>c<\/em>, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Essa possibilidade busca assegurar os princ\u00edpios do duplo grau de jurisdi\u00e7\u00e3o e do devido processo legal. Al\u00e9m disso, <strong>garante a prote\u00e7\u00e3o do acusado contra eventuais excessos na persecu\u00e7\u00e3o criminal e previne a atua\u00e7\u00e3o insuficiente do Estado na apura\u00e7\u00e3o da conduta delituosa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o veredicto do Tribunal do J\u00fari somente pode ser cassado pelo Tribunal de origem quando se revelar manifestamente contr\u00e1rio \u00e0 prova dos autos, em situa\u00e7\u00f5es de decis\u00f5es dissociadas das provas produzidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa recorribilidade, entretanto, \u00e9 limitada, n\u00e3o se admitindo uma segunda apela\u00e7\u00e3o pelo mesmo motivo, consoante o previsto no art. 593, \u00a7 3\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Penal, garantindo-se, assim, a mais estrita observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da soberania dos veredictos, ainda que a decis\u00e3o dos jurados n\u00e3o encontre, mais uma vez, respaldo na prova dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o Tribunal&nbsp;<em>a quo&nbsp;<\/em>amparado em fundamenta\u00e7\u00e3o concreta e adequada concluiu que a decis\u00e3o do conselho de senten\u00e7a foi contr\u00e1ria a prova dos autos, uma vez que afirmou que os jurados absolveram o r\u00e9u por negativa de autoria, apesar de testemunha ter presenciado o acusado matar a v\u00edtima, tendo ele somente negado a autoria delitiva e n\u00e3o produzido nenhum elemento probat\u00f3rio que pudesse refutar o depoimento das testemunhas presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na linha da jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;n\u00e3o afronta ao princ\u00edpio da soberania dos veredictos do j\u00fari, previsto no artigo 5\u00ba, inciso XXXVIII, al\u00ednea &#8216;c&#8217;, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a decis\u00e3o devidamente fundamentada do Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;que submete o r\u00e9u a um novo julgamento, sob o argumento de que o Conselho de Senten\u00e7a baseou-se nas manifesta\u00e7\u00f5es isoladas dos acusados, em clara contrariedade ao arcabou\u00e7o probat\u00f3rio acostado aos autos.&#8221; (HC 364.824\/SP, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 12\/9\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-da-decisao\">16.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ofende o princ\u00edpio da soberania dos veredictos do j\u00fari, a decis\u00e3o do Tribunal de apela\u00e7\u00e3o que, fundamentadamente, submete o r\u00e9u a novo julgamento, sob o argumento de que a decis\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a foi manifestamente contr\u00e1ria a prova dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-d31a7694-265f-4a01-a8f8-c15a23117d46\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/01\/21001546\/stj-informativo-836.pdf\">STJ &#8211; Informativo 836<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/01\/21001546\/stj-informativo-836.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-d31a7694-265f-4a01-a8f8-c15a23117d46\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo passa, o tempo voa, e a nossa caminhada jurisprudencial continua numa boa&#8230;. Informativo n\u00ba 836 do STJ\u00a0COMENTADO na sua telinha! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o da multa administrativa prevista na Lei n. 9.847\/1999 abaixo do m\u00ednimo legal Em casos excepcionais, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da proporcionalidade e da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1519778","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 836 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-836-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 836 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O tempo passa, o tempo voa, e a nossa caminhada jurisprudencial continua numa boa&#8230;. 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