{"id":1486208,"date":"2024-11-04T23:36:12","date_gmt":"2024-11-05T02:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1486208"},"modified":"2024-11-04T23:36:13","modified_gmt":"2024-11-05T02:36:13","slug":"informativo-stj-829-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 829 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p>Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do <span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Informativo n\u00ba 829 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">. Pra cima dele!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/11\/04233542\/stj-informativo-829.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_SypakODjPKg\"><div id=\"lyte_SypakODjPKg\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/SypakODjPKg\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/SypakODjPKg\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/SypakODjPKg\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-de-usucapiao-de-imovel-afetado-a-finalidade-publica-essencial-pertencente-a-sociedade-de-economia-mista-que-atua-em-regime-nao-concorrencial\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.173.088-DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024, Dje 11\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino ajuizou a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o em face da Companhia de Saneamento local. Pretendia obter o reconhecimento da aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel do qual possui a posse de forma cont\u00ednua h\u00e1 mais de 15 anos. Diz que sua posse \u00e9 p\u00fablica, ininterrupta, sem oposi\u00e7\u00e3o e com animus domini. Alega que tais elementos que seriam suficientes para reconhecimento da usucapi\u00e3o extraordin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Companhia de Saneamento rebate o im\u00f3vel objeto da demanda possui destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ressalta que \u00e9 sociedade de economia mista integrante da Administra\u00e7\u00e3o Indireta, mas que presta servi\u00e7o p\u00fablico em regime n\u00e3o concorrencial na \u00e1rea de saneamento b\u00e1sico. Da\u00ed por que seria invi\u00e1vel a pretendida usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito da controv\u00e9rsia \u00e9 definir se h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel de sociedade de economia mista.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme entendimento do STJ, os bens integrantes do acervo patrimonial de sociedade de economia mista ou empresa p\u00fablica n\u00e3o podem ser objeto de usucapi\u00e3o quando sujeitos \u00e0 destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de &#8220;destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221;, apta a afastar a possibilidade de usucapi\u00e3o de bens das empresas estatais, tem recebido interpreta\u00e7\u00e3o abrangente por parte do STJ, de forma <strong>a abarcar, inclusive, im\u00f3veis momentaneamente inutilizados, mas com demonstrado potencial de afeta\u00e7\u00e3o a uma finalidade p\u00fablica<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo disso \u00e9 que o STJ, conforme julgamento no REsp n. 1.874.632\/AL, firmou o posicionamento de que, &#8220;mesmo o eventual abandono de im\u00f3vel p\u00fablico n\u00e3o possui o cond\u00e3o de alterar a natureza jur\u00eddica que o permeia, pois n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel confundir a usucapi\u00e3o de bem p\u00fablico com a responsabilidade da Administra\u00e7\u00e3o pelo abandono de bem p\u00fablico. Com efeito, regra geral, o bem p\u00fablico \u00e9 indispon\u00edvel [&#8230;]. Eventual in\u00e9rcia dos gestores p\u00fablicos, ao longo do tempo, n\u00e3o pode servir de justificativa para perpetuar a ocupa\u00e7\u00e3o il\u00edcita de \u00e1rea p\u00fablica, sob pena de se chancelar ilegais situa\u00e7\u00f5es de invas\u00e3o de terras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, na eventual colis\u00e3o de direitos fundamentais, como o de moradia e o da supremacia do interesse p\u00fablico, deve prevalecer, em regra, este \u00faltimo, norteador do sistema jur\u00eddico brasileiro, porquanto a preval\u00eancia dos direitos da coletividade sobre os interesses particulares \u00e9 pressuposto l\u00f3gico de qualquer ordem social est\u00e1vel. Assim, na verifica\u00e7\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o p\u00fablica de um bem pertencente a uma empresa p\u00fablica ou sociedade de economia mista, deve-se observar a premissa da supremacia do interesse p\u00fablico sobre o privado e o potencial de utiliza\u00e7\u00e3o do bem para atender a alguma finalidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-legitimidade-do-ex-conjuge-casado-em-regime-de-comunhao-universal-de-bens-na-data-de-abertura-da-sucessao-do-seu-ex-sogro-para-a-propositura-de-acao-de-prestacao-de-contas-contra-a-parte-inventariante-de-todos-os-bens-e-direitos-integrantes-do-quinhao-hereditario-de-sua-ex-consorte\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade do ex-c\u00f4njuge, casado em regime de comunh\u00e3o universal de bens na data de abertura da sucess\u00e3o do seu ex-sogro, para a propositura de a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra a parte inventariante de todos os bens e direitos integrantes do quinh\u00e3o heredit\u00e1rio de sua ex-consorte<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O ex-c\u00f4njuge, casado em regime de comunh\u00e3o universal de bens na data de abertura da sucess\u00e3o do seu ex-sogro, tem legitimidade e interesse para a propositura de a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra a parte inventariante de todos os bens e direitos integrantes do quinh\u00e3o heredit\u00e1rio de sua ex-consorte, ainda que ultimada a partilha decorrente da dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton era casado em regime de comunh\u00e3o universal de bens na data de abertura da sucess\u00e3o (morte) do seu sogro. Quando o invent\u00e1rio ainda corria, o casal quebrou os pratos e optou pelo div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Passado algum tempo, Creiton ajuizou a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra a inventariante dos bens e direitos integrantes do quinh\u00e3o heredit\u00e1rio de Creide. Em sua defesa, o inventariante alega a falta de legitimidade de Creiton, j\u00e1 que j\u00e1 fora encerrada a partilha decorrente da dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<p>* Processo em segredo de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 553. As contas do inventariante, do tutor, do curador, do deposit\u00e1rio e de qualquer outro administrador ser\u00e3o prestadas em apenso aos autos do processo em que tiver sido nomeado.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Se qualquer dos referidos no&nbsp;caput&nbsp;for condenado a pagar o saldo e n\u00e3o o fizer no prazo legal, o juiz poder\u00e1 destitu\u00ed-lo, sequestrar os bens sob sua guarda, glosar o pr\u00eamio ou a gratifica\u00e7\u00e3o a que teria direito e determinar as medidas executivas necess\u00e1rias \u00e0 recomposi\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>CC\/2002<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.667. O regime de comunh\u00e3o universal importa a comunica\u00e7\u00e3o de todos os bens presentes e futuros dos c\u00f4njuges e suas d\u00edvidas passivas, com as exce\u00e7\u00f5es do artigo seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.668. S\u00e3o exclu\u00eddos da comunh\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; os bens doados ou herdados com a cl\u00e1usula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.669. A incomunicabilidade dos bens enumerados no artigo antecedente n\u00e3o se estende aos frutos, quando se percebam ou ven\u00e7am durante o casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.784. Aberta a sucess\u00e3o, a heran\u00e7a transmite-se, desde logo, aos herdeiros leg\u00edtimos e testament\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito da controv\u00e9rsia consiste em definir a legitimidade ativa e o interesse processual de ex-c\u00f4njuge &#8211; casado com a filha do autor da heran\u00e7a em regime de comunh\u00e3o universal de bens &#8211; para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas em desfavor de inventariante.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas, assim denominada na vig\u00eancia do revogado CPC\/1973, pode ser proposta por quem tiver o direito de exig\u00ed-las, decorrendo a obriga\u00e7\u00e3o do inventariante de prestar as respectivas contas de expressa disposi\u00e7\u00e3o legal (art. 919 do CPC\/1973 e 553,&nbsp;<em>caput<\/em>, do CPC\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>o casamento contra\u00eddo sob o regime de comunh\u00e3o universal de bens tem como consequ\u00eancia a comunica\u00e7\u00e3o de todos os bens presentes e futuros dos c\u00f4njuges e suas d\u00edvidas passivas<\/strong> (art. 1.667 do CC\/2002), salvo, quanto aos bens herdados, os gravados com cl\u00e1usula de incomunicabilidade (art. 1.668, I, do CC\/2002), dos quais, por\u00e9m, s\u00e3o partilhados os respectivos frutos (art. 1.669 do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso,<strong> o direito sucess\u00f3rio p\u00e1trio rege-se pelo princ\u00edpio da&nbsp;<em>saisine<\/em>, positivado no art. 1.784 do CC\/2002, segundo o qual, aberta a sucess\u00e3o, a heran\u00e7a transmite-se, desde logo, aos herdeiros leg\u00edtimos e testament\u00e1rios<\/strong>, bastando apenas a aceita\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a para o aperfei\u00e7oamento dessa sucess\u00e3o mortis causa (art. 1.804 do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o ex-c\u00f4njuge, casado em regime de comunh\u00e3o universal de bens na data de abertura da sucess\u00e3o do seu ex-sogro, tem legitimidade e interesse para a propositura de a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra a parte inventariante, ante a comunica\u00e7\u00e3o imediata, a partir do \u00f3bito do autor da heran\u00e7a, de todos os bens e direitos integrantes do quinh\u00e3o heredit\u00e1rio de sua ex-consorte, segundo o princ\u00edpio da&nbsp;<em>saisine<\/em>, ainda que ultimada a partilha decorrente da dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O ex-c\u00f4njuge, casado em regime de comunh\u00e3o universal de bens na data de abertura da sucess\u00e3o do seu ex-sogro, tem legitimidade e interesse para a propositura de a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra a parte inventariante de todos os bens e direitos integrantes do quinh\u00e3o heredit\u00e1rio de sua ex-consorte, ainda que ultimada a partilha decorrente da dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-validade-da-compra-e-venda-de-lote-nao-registrado\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Validade da compra e venda de lote n\u00e3o registrado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A compra e venda de lote n\u00e3o registrado \u00e9 nula, independentemente de ter sido firmada entre particulares que estavam cientes da irregularidade do im\u00f3vel no momento do neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.166.273-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 10\/8\/2024, DJe 10\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda vendeu im\u00f3vel (lote n\u00e3o regularizado) para Craudiomiro. O contrato de compra e venda continha cl\u00e1usula expressa indicando a irregularidade do loteamento e a exist\u00eancia de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica em curso, movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, que versava sobre a gleba.<\/p>\n\n\n\n<p>Passado algum tempo, Craudiomiro repensou e resolveu que o neg\u00f3cio era tenebroso. Ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, pleiteando a devolu\u00e7\u00e3o dos valores pagos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, Creosvalda sustenta que a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 transmiss\u00e3o de propriedade de im\u00f3vel irregular s\u00f3 se aplica a contratos firmados entre construtoras, incorporadoras ou afins para com os particulares\/consumidores. Contrato de gaveta entre particulares vale e deve ser cumprido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 6.766\/1979:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37. \u00c9 vedado vender ou prometer vender parcela de loteamento ou desmembramento n\u00e3o registrado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal \u00e9 decidir se \u00e9 v\u00e1lida a venda de lote n\u00e3o registrado quando o adquirente tem ci\u00eancia desta irregularidade no momento da compra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a aplicabilidade da Lei n. 6.766\/1979 \u00e9 irrelevante apurar se o loteamento e o desmembramento ostentam o car\u00e1ter de empreendimento imobili\u00e1rio, se o vendedor atua como profissional do ramo, ou se incide rela\u00e7\u00e3o consumerista.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tendo o loteador requisitado a aprova\u00e7\u00e3o do loteamento perante a prefeitura municipal e iniciado mesmo assim a urbaniza\u00e7\u00e3o deste, estar-se-\u00e1 diante do chamado loteamento clandestino ou irregular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O objeto do contrato de compra e venda de terreno n\u00e3o registrado \u00e9 il\u00edcito<\/strong>, pois a Lei n. 6.766\/1979 objetiva exatamente coibir os nefastos efeitos ambientais e sociais do loteamento irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 37 da referida lei estabelece que \u00e9 vedado vender ou prometer vender parcela de loteamento ou desmembramento n\u00e3o registrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se de nulidade, o fato de o adquirente ter ci\u00eancia da irregularidade do lote quando da sua aquisi\u00e7\u00e3o n\u00e3o convalida o neg\u00f3cio, pois, nessas situa\u00e7\u00f5es, somente se admite o retorno dos contratantes ao&nbsp;<em>status quo ante<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tendo o loteador providenciado o registro do im\u00f3vel, independentemente de ter sido firmada entre particulares cientes da irregularidade do im\u00f3vel, a compra e venda de loteamento n\u00e3o registrado \u00e9 pr\u00e1tica contratual taxativamente vedada por lei e que possui objeto il\u00edcito, sendo o neg\u00f3cio jur\u00eddico nulo, portanto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A compra e venda de lote n\u00e3o registrado \u00e9 nula, independentemente de ter sido firmada entre particulares que estavam cientes da irregularidade do im\u00f3vel no momento do neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-plano-de-saude-coletivo-e-isonomia-do-custeio-entre-aposentados-e-ativos\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Plano de sa\u00fade coletivo e isonomia do custeio entre aposentados e ativos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Ao ex-empregado aposentado deve ser garantido o mesmo modelo de custeio e valor de contribui\u00e7\u00e3o aplicados aos benefici\u00e1rios ativos de plano de sa\u00fade coletivo, devendo os inativos pagarem integralmente as contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.269.142-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/9\/2024, DJe 5\/9\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Matusa, ex-empregado aposentado da Tom Telef\u00f4nica, foi surpreendido com o que considerou cobran\u00e7a excessiva do seu plano de sa\u00fade coletivo. Ao se informar com os colegas da ativa, ficou sabendo que a empresa alterou significativamente o modelo de custeio e valor de contribui\u00e7\u00e3o aplicados aos benefici\u00e1rios ativos e inativos de plano de sa\u00fade coletivo, sendo tal mudan\u00e7a prejudicial aos aposentados.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da empresa que, por sua vez, sustenta que o comando do art. 31 da Lei n\u00ba 9.656\/98 n\u00e3o garante ao ex-empregado a mesma condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (isto \u00e9, o mesmo pre\u00e7o de mensalidade) ou o mesmo plano de sa\u00fade que \u00e9 usufru\u00eddo pelos empregados ativos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.656\/98:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 31.&nbsp; Ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1o do art. 1o desta Lei, em decorr\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio, pelo prazo m\u00ednimo de dez anos, \u00e9 assegurado o direito de manuten\u00e7\u00e3o como benefici\u00e1rio, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de cobertura assistencial de que gozava quando da vig\u00eancia do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da legalidade da manuten\u00e7\u00e3o de ex-empregado aposentado em plano de sa\u00fade coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem manteve a senten\u00e7a de proced\u00eancia do pedido inicial, sob a seguinte fundamenta\u00e7\u00e3o: O art. 31 da Lei n. 9.656\/98 disp\u00f5e que &#8220;ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1\u00ba do art. 1\u00ba desta Lei, em decorr\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio, pelo prazo m\u00ednimo de dez anos, \u00e9 assegurado o direito de manuten\u00e7\u00e3o como benefici\u00e1rio, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de cobertura assistencial de que gozava, quando da vig\u00eancia do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do REsp n. 1.818.487-SP, sob a sistem\u00e1tica dos recurso repetitivos (Tema 1034), firmou a seguinte tese jur\u00eddica: &#8220;o art. 31 da Lei n. 9.656\/1998 imp\u00f5e que ativos e inativos sejam inseridos em plano de sa\u00fade coletivo \u00fanico, contendo as mesmas condi\u00e7\u00f5es de cobertura assistencial e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, o que inclui, para todo o universo de benefici\u00e1rios, a igualdade de modelo de pagamento e de valor de contribui\u00e7\u00e3o, admitindo-se a diferencia\u00e7\u00e3o por faixa et\u00e1ria se for contratada para todos, cabendo ao inativo o custeio integral, cujo valor pode ser obtido com a soma de sua cotaparte com a parcela que, quanto aos ativos, \u00e9 proporcionalmente suportada pelo empregador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a orienta\u00e7\u00e3o adotada pelo Tribunal de origem est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o entendimento pacificado pelo STJ, no sentido de que deve ser assegurado ao ex-empregado aposentado o mesmo modelo de custeio e valor de contribui\u00e7\u00e3o aos estipulados para os benefici\u00e1rios ativos, ressalvando-se que os inativos devem arcar com o pagamento integral das contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Ao ex-empregado aposentado deve ser garantido o mesmo modelo de custeio e valor de contribui\u00e7\u00e3o aplicados aos benefici\u00e1rios ativos de plano de sa\u00fade coletivo, devendo os inativos pagarem integralmente as contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-eficacia-e-extensao-do-titulo-judicial-resultante-de-acao-coletiva-promovida-por-sindicato-de-ambito-estadual\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efic\u00e1cia e extens\u00e3o do t\u00edtulo judicial resultante de a\u00e7\u00e3o coletiva promovida por sindicato de \u00e2mbito estadual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A efic\u00e1cia do t\u00edtulo judicial resultante de a\u00e7\u00e3o coletiva promovida por sindicato de \u00e2mbito estadual est\u00e1 restrita aos integrantes da categoria profissional, filiados ou n\u00e3o, com domic\u00edlio necess\u00e1rio (art. 76, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil) na base territorial da entidade sindical autora e \u00e0queles em exerc\u00edcio provis\u00f3rio ou em miss\u00e3o em outra localidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.966.058-AL, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 9\/10\/2024. (Tema 1130). (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Trata-se de recurso especial sob o rito dos recursos repetitivos que visa definir se a efic\u00e1cia do t\u00edtulo judicial de a\u00e7\u00e3o coletiva promovida por sindicato de \u00e2mbito estadual est\u00e1 restrita aos integrantes da respectiva categoria profissional (filiados ou n\u00e3o) lotados ou em exerc\u00edcio na base territorial da entidade sindical autora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 506. A senten\u00e7a faz coisa julgada \u00e0s partes entre as quais \u00e9 dada, n\u00e3o prejudicando terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia, nos termos da afeta\u00e7\u00e3o do recurso ao rito dos repetitivos, em &#8220;definir se a efic\u00e1cia do t\u00edtulo judicial de a\u00e7\u00e3o coletiva promovida por sindicato de \u00e2mbito estadual est\u00e1 restrita aos integrantes da respectiva categoria profissional (filiados ou n\u00e3o) lotados ou em exerc\u00edcio na base territorial da entidade sindical autora&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em a\u00e7\u00f5es individuais, em regra, a coisa julgada, com o fim de propiciar seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e0s partes e ao sistema, vincula apenas as partes do processo<\/strong>, conforme dic\u00e7\u00e3o do art. 506 do C\u00f3digo de Processo Civil (efeitos&nbsp;<em>inter partes<\/em>). No que se refere \u00e0s a\u00e7\u00f5es coletivas, contudo, o art. 103, II, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) prev\u00ea que a senten\u00e7a far\u00e1 coisa julgada: &#8220;<em>Ultra partes<\/em>, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improced\u00eancia por insufici\u00eancia de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hip\u00f3tese prevista no inciso II do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 81&#8243;.<\/p>\n\n\n\n<p>Necess\u00e1rio pontuar, ainda, que a efic\u00e1cia do t\u00edtulo judicial formado \u00e9 limitada \u00e0 compet\u00eancia territorial para a jurisdi\u00e7\u00e3o (em processo de execu\u00e7\u00e3o, por exemplo), devendo observar crit\u00e9rios objetivos para que produza efeitos; enquanto a efic\u00e1cia da coisa julgada, como qualidade intr\u00ednseca e insepar\u00e1vel \u00e0 senten\u00e7a transitada em julgado, \u00e9 ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>O objeto ora em an\u00e1lise antecede qualquer discuss\u00e3o acerca de efeitos territoriais ou mesmo de compet\u00eancia para o processamento de execu\u00e7\u00f5es, porque atinente, mais especificamente, \u00e0 legitimidade ativa (efeito subjetivo da coisa julgada), devendo ser considerados, primordialmente, os sujeitos beneficiados pelo t\u00edtulo, conforme a abrang\u00eancia do sindicato-parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a limita\u00e7\u00e3o territorial dos efeitos da senten\u00e7a, para se concluir quanto \u00e0 tese aqui debatida, n\u00e3o ocorre pelo crit\u00e9rio geogr\u00e1fico propriamente, mas \u00e9 corol\u00e1rio da substitui\u00e7\u00e3o processual no caso dos sindicatos que, esses sim, t\u00eam sua atua\u00e7\u00e3o limitada conforme sua base territorial e seu registro sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>A limita\u00e7\u00e3o dos efeitos do t\u00edtulo judicial \u00e0 base territorial do sindicato autor decorre, portanto, do princ\u00edpio constitucional da unicidade sindical, conforme o art. 8\u00ba, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (CF), que veda a cria\u00e7\u00e3o de mais de uma organiza\u00e7\u00e3o sindical na mesma base territorial. O texto constitucional imp\u00f4s limites \u00e0 atua\u00e7\u00e3o substitutiva dos sindicatos, sendo imperioso o respeito ao princ\u00edpio da territorialidade, de modo que somente uma entidade sindical representativa de categoria pode existir em cada base territorial &#8211; podendo ser um munic\u00edpio, um estado, ou todo o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Consoante o racioc\u00ednio apresentado, profissionais que n\u00e3o estejam dentro da mesma base territorial do sindicato, ainda que servidores federais que exer\u00e7am a mesma fun\u00e7\u00e3o em localidade diversa e vinculados a ente de outro territ\u00f3rio, n\u00e3o s\u00e3o por ele alcan\u00e7ados na substitui\u00e7\u00e3o processual. Portanto, em virtude dos princ\u00edpios da unicidade, da territorialidade e da especificidade, a substitui\u00e7\u00e3o processual deve abranger os membros da categoria situados em cada base territorial, conforme registro sindical.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se, que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o membro da categoria seja sindicalizado ou resida no territ\u00f3rio de abrang\u00eancia do sindicato. Isso porque o servidor poder\u00e1, por vontade sua ou do \u00f3rg\u00e3o a que pertence, ser deslocado para o exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es em determinada localidade. Da mesma forma, um servidor federal lotado em determinado estado da federa\u00e7\u00e3o pode trabalhar de forma remota e residir em localidade diversa. Esse servidor n\u00e3o poder\u00e1 ser substitu\u00eddo pelo sindicato que defende a sua categoria exclusivamente no \u00e2mbito do estado onde reside, uma vez que est\u00e1 vinculado ao servi\u00e7o federal exercido (ainda que em&nbsp;<em>home office<\/em>) junto a \u00f3rg\u00e3o de outro estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>os efeitos de uma decis\u00e3o judicial abrangida pela autoridade da coisa julgada e proferida no bojo de uma a\u00e7\u00e3o coletiva teria como benefici\u00e1rios os integrantes da respectiva categoria profissional (filiados ou n\u00e3o)<\/strong>. Logo, para se aferir quem s\u00e3o os servidores benefici\u00e1rios dessa decis\u00e3o, necess\u00e1rio distinguir os conceitos de domic\u00edlio, exerc\u00edcio e lota\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a possibilidade, de modo geral, de se ter mais de um domic\u00edlio, nos termos do art. 76, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil (CC), \u00e9 domic\u00edlio necess\u00e1rio do servidor p\u00fablico o &#8220;lugar em que exercer permanentemente suas fun\u00e7\u00f5es&#8221;. Por local de exerc\u00edcio entende-se, de modo mais literal, a localidade f\u00edsica a que o servidor teria que se apresentar acaso trabalhasse de forma presencial. J\u00e1 a lota\u00e7\u00e3o representa a unidade, reparti\u00e7\u00e3o, departamento, \u00f3rg\u00e3o ou entidade, em que o servidor presta ou exerce as atribui\u00e7\u00f5es e responsabilidades de seu cargo, ou seja, a menor unidade em um \u00f3rg\u00e3o a que o servidor esteja vinculado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 mais adequada a utiliza\u00e7\u00e3o da terminologia &#8220;domic\u00edlio&#8221;, cuja acep\u00e7\u00e3o decorre da lei, para o fim de se aferir os legitimados a propor o cumprimento de t\u00edtulo executivo judicial decorrente de a\u00e7\u00e3o coletiva ajuizada por sindicato. Sob essa perspectiva, servidor federal com domic\u00edlio necess\u00e1rio em determinado estado &#8211; portanto substitu\u00eddo pelo sindicato de sua categoria cuja base territorial \u00e9 aquele estado -, ainda que lotado e em exerc\u00edcio provis\u00f3rio em outro estado, n\u00e3o se beneficia do t\u00edtulo formado a partir de a\u00e7\u00e3o coletiva proposta por sindicato de servidores federais do estado onde se encontra lotado provisoriamente, sendo parte ileg\u00edtima a propor o cumprimento daquela senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o sindicato limita a sua substitui\u00e7\u00e3o processual e atua\u00e7\u00e3o conforme a sua base territorial, prevista em seu registro sindical, o que legitima os servidores nela domiciliados (nos termos do art. 76, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC) a se beneficiarem da coisa julgada formada em a\u00e7\u00e3o coletiva em que figure como autor. A quest\u00e3o da localidade, portanto, resolve-se na abrang\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o do sindicato-autor da demanda coletiva: basta ser a ele vinculado, independentemente de filia\u00e7\u00e3o, para ser por ele substitu\u00eddo, devendo ser observada a categoria profissional e a pertin\u00eancia do direito reconhecido na a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A efic\u00e1cia do t\u00edtulo judicial resultante de a\u00e7\u00e3o coletiva promovida por sindicato de \u00e2mbito estadual est\u00e1 restrita aos integrantes da categoria profissional, filiados ou n\u00e3o, com domic\u00edlio necess\u00e1rio (art. 76, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil) na base territorial da entidade sindical autora e \u00e0queles em exerc\u00edcio provis\u00f3rio ou em miss\u00e3o em outra localidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-principio-da-causalidade-e-fixacao-de-honorarios-advocaticios-na-excecao-de-pre-executividade-acolhida-para-extinguir-a-execucao-fiscal-em-razao-do-reconhecimento-da-prescricao-intercorrente\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Princ\u00edpio da causalidade e fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz do princ\u00edpio da causalidade, n\u00e3o cabe fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830\/1980.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.046.269-PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 9\/10\/2024. (Tema 1229). (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Trata-se de recurso em julgamento submetido \u00e0 sistem\u00e1tica dos repetitivos, acerca da possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade \u00e9 acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal, em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, nos termos do art. 40 da Lei n. 6.830\/1980 (Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais &#8211; LEF).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 6.830\/1980:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 40 &#8211; O Juiz suspender\u00e1 o curso da execu\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o for localizado o devedor ou encontrados bens sobre os quais possa recair a penhora, e, nesses casos, n\u00e3o correr\u00e1 o prazo de prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o jur\u00eddica controvertida a ser equacionada, em julgamento submetido \u00e0 sistem\u00e1tica dos repetitivos, diz respeito \u00e0 possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando a exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade \u00e9 acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal, em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, nos termos do art. 40 da Lei n. 6.830\/1980 (Lei de Execu\u00e7\u00f5es Fiscais &#8211; LEF).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fixa\u00e7\u00e3o da verba de advogado com base no princ\u00edpio da sucumb\u00eancia consiste na verifica\u00e7\u00e3o objetiva da parte perdedora, \u00e0 qual caber\u00e1 arcar com o \u00f4nus referente ao valor a ser pago ao advogado da parte vencedora,<\/strong> e est\u00e1 assim previsto no art. 85, caput, do CPC\/2015: &#8220;a senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar os honor\u00e1rios ao advogado do vencedor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o princ\u00edpio da causalidade tem como finalidade responsabilizar aquele que fez surgir para a parte&nbsp;<em>ex adversa<\/em>&nbsp;a necessidade de se pronunciar judicialmente, dando causa \u00e0 lide que poderia ter sido evitada, como bem leciona a doutrina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente sob essa perspectiva &#8211; aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da sucumb\u00eancia e\/ou da causalidade &#8211; que deve ser examinado o cabimento, ou n\u00e3o, da fixa\u00e7\u00e3o da verba honor\u00e1ria nos casos em que, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade pelo executado, a execu\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 extinta em raz\u00e3o da ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar que a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, diferentemente da prescri\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria ou direta, prevista no art. 174 do CTN, cujo marco inicial consiste na constitui\u00e7\u00e3o definitiva do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio e antecede a propositura do feito executivo, \u00e9 deflagrada j\u00e1 no curso da execu\u00e7\u00e3o fiscal, com a prola\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o de arquivamento dos autos, conforme disp\u00f5e o art. 40 da Lei n. 6.830\/1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se que, no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 40 da Lei n. 6.830\/1980, h\u00e1 um aspecto fundamental ao deslinde da controv\u00e9rsia: a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o fiscal, pressup\u00f5e a n\u00e3o localiza\u00e7\u00e3o do devedor ou de bens de sua propriedade sobre os quais possa recair a penhora, situa\u00e7\u00f5es de fato relacionadas essencialmente ao devedor e cuja constata\u00e7\u00e3o apenas se dar\u00e1 ap\u00f3s a propositura feito executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 relevante pontuar, ainda, que o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, nas hip\u00f3teses acima apontadas, n\u00e3o infirma a exist\u00eancia das premissas que autorizavam o ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal, relacionadas com a presun\u00e7\u00e3o de certeza e liquidez do t\u00edtulo executivo e com a inadimpl\u00eancia do executado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a constata\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o no curso da execu\u00e7\u00e3o fiscal, pelo juiz da causa, mesmo ap\u00f3s a provoca\u00e7\u00e3o por meio da apresenta\u00e7\u00e3o de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade pelo executado, inviabiliza a atribui\u00e7\u00e3o ao credor dos \u00f4nus sucumbenciais, de acordo com os princ\u00edpios da sucumb\u00eancia e causalidade, sob pena de indevidamente beneficiar a parte que n\u00e3o cumpriu oportunamente com a sua obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe pontuar que essa conclus\u00e3o deve ser admitida mesmo que a exequente se insurja contra a alega\u00e7\u00e3o do devedor de que a execu\u00e7\u00e3o fiscal deve ser extinta com base no art. 40 da LEF. Ou seja, se esse fato superveniente &#8211; prescri\u00e7\u00e3o intercorrente &#8211; for a justificativa para o acolhimento da exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, n\u00e3o h\u00e1 falar em fixa\u00e7\u00e3o de verba honor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Tese jur\u00eddica fixada: \u00c0 luz do princ\u00edpio da causalidade, n\u00e3o cabe fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830\/1980.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz do princ\u00edpio da causalidade, n\u00e3o cabe fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios na exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade acolhida para extinguir a execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830\/1980.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-coisa-julgada-e-reconhecimento-de-pagamento-em-duplicidade-nao-abordados-na-acao-de-conhecimento\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Coisa julgada e reconhecimento de pagamento em duplicidade n\u00e3o abordados na a\u00e7\u00e3o de conhecimento<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ofende a coisa julgada o reconhecimento do direito a repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito de parcelas cujos adimplementos n\u00e3o foram comprovados pelo contribuinte na a\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas cujo pagamento foi noticiado pelo ente p\u00fablico por meio de documento apresentado junto a impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.808.482-RS, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Juvenal, cidad\u00e3o distra\u00eddo, acabou pagando mais de uma vez algumas parcelas do IPTU, raz\u00e3o pela qual ajuizou a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito que foi julgada procedente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando do cumprimento de senten\u00e7a, a Fazenda Municipal juntou extrato no qual constavam mais parcelas pagas em duplicidade al\u00e9m das reivindicadas na peti\u00e7\u00e3o inicial, raz\u00e3o pela qual o rapaz requereu que tamb\u00e9m fossem inclu\u00eddas no c\u00e1lculo do valor a ser devolvido. O munic\u00edpio sustenta que tal possibilidade violaria a coisa julgada estabelecida no processo de conhecimento anterior.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 371. O juiz apreciar\u00e1 a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicar\u00e1 na decis\u00e3o as raz\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o de seu convencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 374. N\u00e3o dependem de prova os fatos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; not\u00f3rios;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; afirmados por uma parte e confessados pela parte contr\u00e1ria;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; admitidos no processo como incontroversos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; em cujo favor milita presun\u00e7\u00e3o legal de exist\u00eancia ou de veracidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 389. H\u00e1 confiss\u00e3o, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contr\u00e1rio ao seu interesse e favor\u00e1vel ao do advers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 493. Se, depois da propositura da a\u00e7\u00e3o, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do m\u00e9rito, caber\u00e1 ao juiz tom\u00e1-lo em considera\u00e7\u00e3o, de of\u00edcio ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Se constatar de of\u00edcio o fato novo, o juiz ouvir\u00e1 as partes sobre ele antes de decidir.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia versa acerca de impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a apresentada por munic\u00edpio objetivando que fossem exclu\u00eddas do c\u00e1lculo dos valores devidos as parcelas cujos pagamentos n\u00e3o foram comprovados nos autos do processo de conhecimento pela parte contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o ente p\u00fablico, o acolhimento da pretens\u00e3o da parte contribuinte na fase de cumprimento de senten\u00e7a de restitui\u00e7\u00e3o de parcelas do ind\u00e9bito que n\u00e3o foram devidamente comprovadas na a\u00e7\u00e3o de conhecimento caracterizaria a altera\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo executivo judicial em afronta \u00e0 coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em discuss\u00e3o,<strong> foi expressamente reconhecido pelo ac\u00f3rd\u00e3o recorrido que a condena\u00e7\u00e3o do ente na a\u00e7\u00e3o de conhecimento seria restrita \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito correspondente \u00e0s parcelas do IPTU <\/strong>(Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) comprovadamente adimplidas. Contudo, embora a parte contribuinte n\u00e3o tenha se desincumbido de sua obriga\u00e7\u00e3o de apresentar as guias comprobat\u00f3rias do recolhimento do tributo, o ente p\u00fablico executado apresentou impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a, colacionando documento emitido por agente administrativo do qual constou informa\u00e7\u00e3o acerca dos pagamentos realizados pela parte contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, observa-se que os atos administrativos s\u00e3o revestidos de f\u00e9 p\u00fablica e gozam de presun\u00e7\u00e3o de legalidade, legitimidade e veracidade, de modo que somente em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, e desde que haja prova robusta e cabal, pode-se autorizar a desconsidera\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es prestadas por agente administrativo; o que n\u00e3o se verifica no caso concreto, mormente quando o ente p\u00fablico recorrente n\u00e3o invoca d\u00favidas quanto \u00e0 veracidade do documento que noticia o efetivo pagamento das parcelas postuladas pela parte recorrida e cujo direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi reconhecido judicialmente por senten\u00e7a transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo preconizam os artigos 371, 374, 389 e 493 do CPC, o magistrado tem o poder-dever de julgar a lide com base nos elementos suficientes para nortear e instruir seu entendimento, especialmente quando os fatos est\u00e3o demonstrados de forma incontroversa, e por meio de prova documental sobre a qual milita presun\u00e7\u00e3o legal de veracidade, qual seja, o documento emitido pelo agente p\u00fablico reconhecendo expressamente o pagamento da parcela do tributo indevido, instrumento que se equipara \u00e0 confiss\u00e3o de d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>n\u00e3o h\u00e1 a necessidade de se exigir da parte contribuinte a juntada de comprovantes de pagamento para cumprimento da senten\u00e7a que declarou o direito \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito tribut\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio veda o enriquecimento sem causa, sendo ele caracterizado, inclusive, quando h\u00e1 recebimento de quantia paga indevidamente, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o h\u00e1 censura a se fazer ao ac\u00f3rd\u00e3o recorrido no ponto em que reconheceu o direito da parte contribuinte \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o das parcelas cuja quita\u00e7\u00e3o indevida \u00e9 inconteste.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ofende a coisa julgada o reconhecimento do direito a repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito de parcelas cujos adimplementos n\u00e3o foram comprovados pelo contribuinte na a\u00e7\u00e3o de conhecimento, mas cujo pagamento foi noticiado pelo ente p\u00fablico por meio de documento apresentado junto a impugna\u00e7\u00e3o ao cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-impenhorabilidade-do-bem-de-familia-nos-embargos-a-execucao-opostos-pelo-devedor-e-honorarios-advocaticios\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia, nos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o opostos pelo devedor e honor\u00e1rios advocat\u00edcios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Reconhecida a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia, nos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o opostos pelo devedor, s\u00e3o devidos honor\u00e1rios advocat\u00edcios pelo credor embargado que se op\u00f5e a pedido de exclus\u00e3o da penhora deste bem.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no AREsp 2.160.071-RJ, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/9\/2024, DJe 4\/9\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o movida contra seu marido Creiton, Craudete op\u00f4s embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o na qual alega que o im\u00f3vel residencial pr\u00f3prio do casal \u00e9 impenhor\u00e1vel e n\u00e3o responder\u00e1 por qualquer tipo de d\u00edvida civil, comercial, fiscal, previdenci\u00e1ria ou de outra natureza contra\u00edda pelos c\u00f4njuges.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal local determinou a desconstitui\u00e7\u00e3o da penhora do im\u00f3vel em discuss\u00e3o, condenando a parte exequente ao pagamento de custas e honor\u00e1rios advocat\u00edcios em 10%, decis\u00e3o recorrida pelo credor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Quanto aos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, se o devedor apenas reclamasse a incid\u00eancia da Lei n. 8.009\/1990, o que poderia ser atendido mediante simples peti\u00e7\u00e3o nos autos, e o credor, instado a se manifestar, concordasse de pronto com o pleito, aceitando a exclus\u00e3o do bem atingido, estaria por afastar o deferimento de verba honor\u00e1ria. Do contr\u00e1rio, diante da resist\u00eancia do credor e do contradit\u00f3rio, com alega\u00e7\u00f5es e recursos, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de deferir a verba honor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, inclusive, j\u00e1 entendeu a Quarta Turma: o<strong>s executados podem alegar a impenhorabilidade do im\u00f3vel destinado \u00e0 resid\u00eancia da fam\u00edlia por simples peti\u00e7\u00e3o no processo de execu\u00e7\u00e3o ou mediante a\u00e7\u00e3o de embargos. Escolhendo essa \u00faltima via, mesmo porque tinham outras teses a apresentar contra a pretens\u00e3o execut\u00f3ria, e vendo acolhida a alega\u00e7\u00e3o fundada na Lei 8.009\/90, fazem jus aos honor\u00e1rios do seu patrono<\/strong>, a serem estipulados na forma do art. 20, \u00a7 4\u00ba, do CPC. Recurso conhecido e provido. (REsp n. 254.411\/MG, relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar, Quarta Turma, julgado em 29\/8\/2000).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento deve continuar sendo aplicado, mesmo com a vig\u00eancia do novo C\u00f3digo de Processo Civil, o qual possui l\u00f3gica semelhante no que tange \u00e0 possibilidade de peticionar, a qualquer tempo, pela impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia, at\u00e9 mesmo por simples peti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Reconhecida a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia, nos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o opostos pelo devedor, s\u00e3o devidos honor\u00e1rios advocat\u00edcios pelo credor embargado que se op\u00f5e a pedido de exclus\u00e3o da penhora deste bem.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-validade-da-previsao-em-edital-de-leilao-atribuindo-responsabilidade-ao-arrematante-pelos-debitos-tributarios-que-ja-incidiam-sobre-o-imovel-na-data-de-sua-alienacao\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Validade da previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que j\u00e1 incidiam sobre o im\u00f3vel na data de sua aliena\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Diante do disposto no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, \u00e9 inv\u00e1lida a previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que j\u00e1 incidiam sobre o im\u00f3vel na data de sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.914.902-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 9\/10\/2024. (Tema 1134). (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo arrematou im\u00f3vel em hasta p\u00fablica. Posteriormente, ajuizou a\u00e7\u00e3o objetivando a declara\u00e7\u00e3o de inexigibilidade dos d\u00e9bitos de IPTU incidentes sobre im\u00f3vel alienado em hasta p\u00fablica, cujos fatos geradores ocorreram anteriormente \u00e0 data da arremata\u00e7\u00e3o. A senten\u00e7a reconheceu a aus\u00eancia de responsabilidade tribut\u00e1ria do arrematante e julgou procedente o pedido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em apela\u00e7\u00e3o, o Tribunal local ratificou o entendimento de que, adquirido o im\u00f3vel em hasta p\u00fablica, inexiste responsabilidade do arrematante pelos tributos pret\u00e9ritos incidentes sobre o bem, sendo irrelevante previs\u00e3o no edital em sentido contr\u00e1rio, dada a preval\u00eancia do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, o munic\u00edpio alega a exist\u00eancia de previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que j\u00e1 incidiam sobre o im\u00f3vel na data de sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-do-direito\">9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 146. Cabe \u00e0 lei complementar:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; estabelecer normas gerais em mat\u00e9ria de legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, especialmente sobre:<\/p>\n\n\n\n<p>a) defini\u00e7\u00e3o de tributos e de suas esp\u00e9cies, bem como, em rela\u00e7\u00e3o aos impostos discriminados nesta Constitui\u00e7\u00e3o, a dos respectivos fatos geradores, bases de c\u00e1lculo e contribuintes;<\/p>\n\n\n\n<p>b) obriga\u00e7\u00e3o, lan\u00e7amento, cr\u00e9dito, prescri\u00e7\u00e3o e decad\u00eancia tribut\u00e1rios;<\/p>\n\n\n\n<p>c) adequado tratamento tribut\u00e1rio ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas, inclusive em rela\u00e7\u00e3o aos tributos previstos nos arts. 156-A e 195, V:<\/p>\n\n\n\n<p>d) defini\u00e7\u00e3o de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso dos impostos previstos nos arts. 155, II, e 156-A, das contribui\u00e7\u00f5es sociais previstas no art. 195, I e V, e \u00a7 12 e da contribui\u00e7\u00e3o a que se refere o art. 239.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 128. Sem preju\u00edzo do disposto neste cap\u00edtulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo cr\u00e9dito tribut\u00e1rio a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obriga\u00e7\u00e3o, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a \u00easte em car\u00e1ter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 130. Os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o dom\u00ednio \u00fatil ou a posse de bens im\u00f3veis, e bem assim os relativos a taxas pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os referentes a tais bens, ou a contribui\u00e7\u00f5es de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do t\u00edtulo a prova de sua quita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. No caso de arremata\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, a sub-roga\u00e7\u00e3o ocorre s\u00f4bre o respectivo pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fundamentos\">9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o submetida a julgamento diz respeito \u00e0 &#8220;Responsabilidade do arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios anteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o, incidentes sobre o im\u00f3vel, em consequ\u00eancia de previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o art. 146, III, da CF\/1988, as normas gerais que versem sobre mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, dentre as quais se incluem a responsabilidade tribut\u00e1ria, est\u00e3o sujeitas \u00e0 reserva de lei complementar. O C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, recepcionado com status de lei complementar, dedicou cap\u00edtulo espec\u00edfico para tratar do tema, discorrendo sobre suas modalidades e esclarecendo que a lei poder\u00e1 atribuir a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obriga\u00e7\u00e3o, a responsabilidade pelo pagamento do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio (art. 128,&nbsp;<em>caput<\/em>, do CTN).<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 responsabilidade dos sucessores, o&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 130 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional previu que, <strong>ressalvada a prova de quita\u00e7\u00e3o, o terceiro que adquire im\u00f3vel passa a ter responsabilidade pelos impostos, taxas ou contribui\u00e7\u00f5es de melhorias devidas anteriormente \u00e0 transmiss\u00e3o da propriedade<\/strong>. Caso a aquisi\u00e7\u00e3o ocorra em hasta p\u00fablica, contudo, o par\u00e1grafo \u00fanico excepciona a regra para estabelecer que o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio sub-rogar-se-\u00e1 no pre\u00e7o ofertado.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do ordenamento jur\u00eddico, extrai-se que a distin\u00e7\u00e3o de tratamento entre a hip\u00f3tese prevista pelo&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;e a tratada no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 130 do CTN levou em conta o modo de aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade, da doutrina civilista. Na aliena\u00e7\u00e3o comum, a aquisi\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio ocorre de forma derivada, transmitindo-se, al\u00e9m do bem, os v\u00edcios, \u00f4nus ou gravames incidentes sobre ele (obriga\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>propter rem<\/em>), tendo-se em vista a rela\u00e7\u00e3o de causalidade existente entre a propriedade do transmitente e a sua aquisi\u00e7\u00e3o pelo adquirente. J\u00e1 na aliena\u00e7\u00e3o judicial, por sua vez, inexiste tal rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, visto que a aquisi\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio \u00e9 feita sem intermedia\u00e7\u00e3o entre o propriet\u00e1rio anterior e o terceiro arrematante, concretizando-se de forma direta, origin\u00e1ria, isentando-se, por consequ\u00eancia, o arrematante de quaisquer \u00f4nus que eventualmente incidam sobre o bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidade tribut\u00e1ria a terceiro, al\u00e9m das hip\u00f3teses j\u00e1 previstas pelo C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, depende de previs\u00e3o em lei complementar e da exist\u00eancia de v\u00ednculo entre o terceiro e o fato gerador da obriga\u00e7\u00e3o (art. 146, III, da CF\/88 c\/c art. 128,<em>&nbsp;caput<\/em>, do CTN). A falta de liame entre o arrematante do bem e o fato gerador da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria n\u00e3o permite a inclus\u00e3o desse terceiro no polo passivo da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-tribut\u00e1ria, quanto o mais por simples previs\u00e3o no edital do leil\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente a previs\u00e3o do C\u00f3digo de Processo Civil de que o edital da hasta p\u00fablica deve mencionar os \u00f4nus incidente sobre o bem a ser leiloado (art. 686, V, do CPC\/73 e art. 886, VI, do CPC\/15), o Superior Tribunal de Justi\u00e7a havia firmado entendimento de que o conte\u00fado do art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do CTN deveria ser afastado quando houvesse expressa previs\u00e3o no edital imputando responsabilidade tribut\u00e1ria ao arrematante, caso em que haveria sub-roga\u00e7\u00e3o pessoal, e n\u00e3o real, do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Necess\u00e1rio considerar, todavia, que, <strong>ao especificar o conte\u00fado m\u00ednimo do edital da hasta p\u00fablica, o C\u00f3digo de Processo Civil (art. 686 do CPC\/73 e art. 886 do CPC\/2015) n\u00e3o atribuiu, sequer implicitamente, responsabilidade tribut\u00e1ria ao arrematante, como tamb\u00e9m n\u00e3o poderia faz\u00ea-lo.<\/strong> A teor do art. 146, III,&nbsp;<em>b<\/em>, da CF\/88, lei ordin\u00e1ria, notadamente a de natureza processual, n\u00e3o se presta para disciplinar norma geral de direito tribut\u00e1rio, que se sujeita \u00e0 reserva de lei complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de um ramo do Direito P\u00fablico, o arcabou\u00e7o normativo que disciplina o Direito Tribut\u00e1rio possui natureza cogente, impondo claros e expressos limites \u00e0 autonomia da vontade (art. 123, do CTN). Portanto, a pr\u00e9via ci\u00eancia e a eventual concord\u00e2ncia, expressa ou t\u00e1cita, do arrematante em assumir o \u00f4nus das exa\u00e7\u00f5es que incidam sobre o im\u00f3vel n\u00e3o t\u00eam aptid\u00e3o para configurar ren\u00fancia \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 130 do CTN. Em observ\u00e2ncia ao regime jur\u00eddico de direito p\u00fablico, as normas gerais de direito tribut\u00e1rio, entre as quais se inclui a responsabilidade tribut\u00e1ria, devem ser tratadas como tal, n\u00e3o podendo sofrer flexibiliza\u00e7\u00e3o por meros atos administrativos, estes sim, sujeitos ao controle de legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, como a responsabilidade tribut\u00e1ria decorre de lei, n\u00e3o pode o edital da pra\u00e7a alterar o sujeito passivo da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, quer para criar nova hip\u00f3tese de responsabilidade, quer para afastar previs\u00e3o de irresponsabilidade, sob pena de afronta aos arts. 146, III, b, da CF\/88 e arts. 97, III, 121, 128 e 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do CTN. Portanto, \u00e0 luz dos conceitos basilares sobre hierarquia das normas jur\u00eddicas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel admitir que norma geral sobre responsabilidade tribut\u00e1ria, prevista pelo pr\u00f3prio CTN, cujo status normativo \u00e9 de lei complementar, seja afastada por simples previs\u00e3o edital\u00edcia em sentido diverso.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, conclui-se que: i) a aquisi\u00e7\u00e3o da propriedade em hasta p\u00fablica ocorre de forma origin\u00e1ria, inexistindo responsabilidade do terceiro adquirente pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios incidentes sobre o im\u00f3vel anteriormente \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a do disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 130 do CTN; ii) a aplica\u00e7\u00e3o dessa norma geral, de natureza cogente, n\u00e3o pode ser excepcionada por previs\u00e3o no edital do leil\u00e3o, notadamente porque o referido ato n\u00e3o tem aptid\u00e3o para modificar a defini\u00e7\u00e3o legal do sujeito passivo da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria; iii) \u00e9 irrelevante a ci\u00eancia e a eventual concord\u00e2ncia, expressa ou t\u00e1cita, do participante do leil\u00e3o, em assumir o \u00f4nus pelo pagamento das exa\u00e7\u00f5es que incidam sobre o im\u00f3vel arrematado, n\u00e3o configurando ren\u00fancia t\u00e1cita ao disposto no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do CTN; e iv) em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 norma geral sobre responsabilidade tribut\u00e1ria trazida pelo art. 128 do CTN e \u00e0 falta de lei complementar que restrinja ou excepcione o disposto no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do CTN, \u00e9 vedado exigir do arrematante, com base em previs\u00e3o edital\u00edcia, o recolhimento dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios incidentes sobre o bem arrematado cujos fatos geradores sejam anteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tese jur\u00eddica firmada: Diante do disposto no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, \u00e9 inv\u00e1lida a previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que j\u00e1 incidiam sobre o im\u00f3vel na data de sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com amparo nos princ\u00edpios da seguran\u00e7a jur\u00eddica, da prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a e da isonomia, imp\u00f5e-se a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos desta decis\u00e3o. Por aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do art. 1.035, \u00a7 11\u00ba do CPC\/2015, a tese repetitiva fixada dever\u00e1 ser aplicada aos leil\u00f5es cujos editais sejam publicizados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento do tema repetitivo, ressalvadas as a\u00e7\u00f5es judiciais ou pedidos administrativos pendentes de julgamento, em rela\u00e7\u00e3o aos quais a aplicabilidade \u00e9 imediata.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-da-decisao\">9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>Diante do disposto no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, \u00e9 inv\u00e1lida a previs\u00e3o em edital de leil\u00e3o atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que j\u00e1 incidiam sobre o im\u00f3vel na data de sua aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-motorista-de-van-escolar-estupro-de-vulneravel-e-causa-de-aumento-de-pena\"><a>10.&nbsp; Motorista de van escolar, estupro de vulner\u00e1vel e causa de aumento de pena<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O motorista de van escolar, ao cometer o crime de estupro de vulner\u00e1vel contra crian\u00e7a ou adolescente sob sua vigil\u00e2ncia, est\u00e1 sujeito \u00e0 causa de aumento de pena prevista no art. 226, II, do C\u00f3digo Penal, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de autoridade e garantidor da seguran\u00e7a e incolumidade moral das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremias, motorista de van escolar abusou sexualmente de uma das crian\u00e7as sob sua responsabilidade. Foi condenado pelo crime com aumento de pena prevista no art. 226, II, do C\u00f3digo Penal, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de autoridade e garantidor da seguran\u00e7a e incolumidade moral das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Geremias alega que n\u00e3o haveria autoridade sob a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-do-direito\">10.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estupro de vulner\u00e1vel<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 217-A.&nbsp; Ter conjun\u00e7\u00e3o carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aumento de pena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 226. A pena \u00e9 aumentada:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; de metade, se o agente \u00e9 ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irm\u00e3o, c\u00f4njuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da v\u00edtima ou por qualquer outro t\u00edtulo tiver autoridade sobre ela;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-dos-fundamentos\">10.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>A causa de aumento da pena do inciso II do art. 226 do <a>CP<\/a> se ancora na especial rela\u00e7\u00e3o de poder, confian\u00e7a ou subordina\u00e7\u00e3o entre o agente e a v\u00edtima, o que confere ao delito uma gravidade diferenciada.<\/strong> Tal rela\u00e7\u00e3o transcende a mera circunst\u00e2ncia do fato, consistindo em um abuso de uma posi\u00e7\u00e3o que deveria promover prote\u00e7\u00e3o e respeito, mas que, ao contr\u00e1rio, se corrompe em instrumento de viola\u00e7\u00e3o \u00e0 dignidade sexual da v\u00edtima. A intensifica\u00e7\u00e3o do abuso \u00e9 exacerbada pela vulnerabilidade intr\u00ednseca da v\u00edtima, que, confiando no agente, se v\u00ea subjugada pela proximidade ou pela autoridade exercida.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o da majorante \u00e9 clara: sancionar mais severamente aqueles que, valendo-se de uma posi\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, subvertem tal rela\u00e7\u00e3o para fins il\u00edcitos, potencializando a gravidade do crime pelo uso do poder ou da autoridade. A confian\u00e7a, aqui, torna-se uma causa de aumento da pena, na medida em que a v\u00edtima, por confiar no agente, v\u00ea sua capacidade de resist\u00eancia fragilizada, sendo conduzida a uma situa\u00e7\u00e3o de completa vulnerabilidade. \u00c9 preciso considerar essa vulnerabilidade no momento da dosimetria da pena, como um fator a justificar uma resposta penal mais rigorosa, que leve em conta o abalo psicol\u00f3gico e social causado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, no julgamento do AgRg no HC 567.406\/RS, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a firmou entendimento segundo o qual, nos casos de estupro de vulner\u00e1vel, a posi\u00e7\u00e3o de garante contratual, como a exercida por um motorista de transporte escolar, configura autoridade de fato sobre a v\u00edtima, legitimando a aplica\u00e7\u00e3o da referida causa de aumento. O preposto, nesse contexto, n\u00e3o apenas assume o dever de proteger a integridade f\u00edsica e moral dos menores transportados, mas tamb\u00e9m exerce uma influ\u00eancia direta sobre eles, caracterizando a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e autoridade requerida para o aumento da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>No que concerne \u00e0 condena\u00e7\u00e3o de um motorista de transporte escolar pelo crime de estupro de vulner\u00e1vel, previsto no art. 217-A do C\u00f3digo Penal,<strong> \u00e9 crucial ressaltar que a fun\u00e7\u00e3o de motorista de van escolar o coloca na posi\u00e7\u00e3o de garantidor da integridade f\u00edsica e moral dos menores sob sua vigil\u00e2ncia<\/strong>. Nessa qualidade, exerce, de fato, uma forma de autoridade que transcende a simples presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de transporte, pois lhe \u00e9 conferida a responsabilidade de zelar pela seguran\u00e7a e bem-estar dos passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A viola\u00e7\u00e3o desse dever, ao inv\u00e9s de apenas constituir uma quebra contratual, assume relev\u00e2ncia penal, uma vez que transforma o pr\u00f3prio v\u00ednculo fiduci\u00e1rio em instrumento para a perpetra\u00e7\u00e3o do crime. O ordenamento jur\u00eddico, ao prever o aumento de pena no art. 226, II, reconhece o maior grau de censurabilidade daquele que, estando em posi\u00e7\u00e3o de garantidor, se vale dessa posi\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica do il\u00edcito, comprometendo assim tanto a confian\u00e7a depositada nele quanto o dever de resguardar a forma\u00e7\u00e3o moral e a integridade f\u00edsica do indiv\u00edduo sob sua tutela. Aqui, o desvalor da a\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais evidente, pois o agente infringe o dever \u00e9tico-jur\u00eddico de proteger, o que debilita sobremaneira a capacidade de defesa da v\u00edtima, especialmente em raz\u00e3o de sua vulnerabilidade et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa gravidade, portanto, n\u00e3o se limita ao desvalor da a\u00e7\u00e3o em si, mas expande-se ao plano subjetivo do agente, cujo dever de prote\u00e7\u00e3o \u00e9 intencionalmente transgredido para violar a dignidade da v\u00edtima, ensejando, assim, a necess\u00e1ria aplica\u00e7\u00e3o do aumento penal, como medida de reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o, conforme preconiza o sistema penal p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-da-decisao\">10.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O motorista de van escolar, ao cometer o crime de estupro de vulner\u00e1vel contra crian\u00e7a ou adolescente sob sua vigil\u00e2ncia, est\u00e1 sujeito \u00e0 causa de aumento de pena prevista no art. 226, II, do C\u00f3digo Penal, devido \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de autoridade e garantidor da seguran\u00e7a e incolumidade moral das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-continuidade-delitiva-como-impeditivo-da-celebracao-de-acordo-de-nao-persecucao-penal\"><a>11.&nbsp; Continuidade delitiva como impeditivo da celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A continuidade delitiva n\u00e3o impede a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.406.856-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Virso foi condenado pelo crime de peculato em continuidade delitiva. O tribunal local entendeu que a continuidade delitiva impede a aplica\u00e7\u00e3o do ANPP, considerando-a como ind\u00edcio de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, a defesa sustenta que o tribunal errou ao excluir a aplicabilidade do ANPP em casos de continuidade delitiva, acrescentando requisito n\u00e3o previsto em lei.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-do-direito\">11.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba O disposto no&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo n\u00e3o se aplica nas seguintes hip\u00f3teses:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; se o investigado for reincidente ou se houver elementos probat\u00f3rios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infra\u00e7\u00f5es penais pret\u00e9ritas;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-dos-fundamentos\">11.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem entendeu que a continuidade delitiva impede a aplica\u00e7\u00e3o do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, considerando-a como ind\u00edcio de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong>o rigor inerente ao princ\u00edpio da legalidade foi devidamente contemplado na reda\u00e7\u00e3o do art. 28-A, \u00a72\u00ba, II, do CPP, que, ao estabelecer as condi\u00e7\u00f5es impeditivas para o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, explicitou de maneira taxativa as hip\u00f3teses excludentes, dentre as quais se encontram as condutas praticadas de forma criminosa habitual, reiterada ou profissional.<\/strong> A legisla\u00e7\u00e3o em momento algum incluiu a continuidade delitiva como causa impeditiva para a celebra\u00e7\u00e3o do ANPP, como se depreende da uma leitura clara e objetiva do texto legal.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura do crime continuado \u00e9 distinta do crime habitual. O afastamento da continuidade delitiva em casos de habitualidade criminosa se justifica pela pr\u00f3pria teleologia do instituto, que visa a atenuar o rigor punitivo em face de uma s\u00e9rie de infra\u00e7\u00f5es semelhantes e, essencialmente, conectadas por um des\u00edgnio comum. <strong>Quando tal conex\u00e3o n\u00e3o se verifica, e a pr\u00e1tica reiterada de delitos evidencia uma propens\u00e3o criminosa cont\u00ednua e aut\u00f4noma, imp\u00f5e-se o tratamento mais severo e proporcional ao desvalor da conduta e \u00e0 periculosidade do agente<\/strong>, como medida necess\u00e1ria \u00e0 adequada reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>A inclus\u00e3o da continuidade delitiva como \u00f3bice \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal constitui uma interpreta\u00e7\u00e3o que extrapola os limites impostos pela norma, inserindo um requisito que o legislador, de forma deliberada, optou por n\u00e3o contemplar. N\u00e3o se pode olvidar que a norma processual penal tem seus par\u00e2metros definidos de maneira a equilibrar o poder punitivo do Estado com as garantias constitucionais do acusado, sendo inadmiss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos n\u00e3o previstos expressamente em lei sob pena de viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da estrita legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a aus\u00eancia de men\u00e7\u00e3o \u00e0 continuidade delitiva no rol das hip\u00f3teses impeditivas para o ANPP refor\u00e7a o entendimento de que o legislador, ao estabelecer os requisitos para a aplica\u00e7\u00e3o do instituto, procurou restringir tais impedimentos \u00e0quelas condutas que, por sua habitualidade, reitera\u00e7\u00e3o ou car\u00e1ter profissional, revelam maior gravidade e periculosidade. A interpreta\u00e7\u00e3o extensiva que inclui a continuidade delitiva como barreira ao acordo configura cria\u00e7\u00e3o judicial que n\u00e3o encontra respaldo no ordenamento jur\u00eddico vigente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-da-decisao\">11.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>A continuidade delitiva n\u00e3o impede a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-im-possibilidade-da-liberacao-antecipada-do-peculio-no-montante-adequado-a-aquisicao-de-produtos-de-higiene-pessoal-pelo-apenado\"><a>12.&nbsp; (Im)Possibilidade da libera\u00e7\u00e3o antecipada do pec\u00falio no montante adequado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de produtos de higiene pessoal pelo apenado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a libera\u00e7\u00e3o antecipada do pec\u00falio no montante adequado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de produtos de higiene pessoal pelo apenado, desde que inexistam outros descontos pendentes, observada a ordem de prefer\u00eancia prevista no \u00a7 1\u00ba do art. 29 da LEP, e o produto solicitado n\u00e3o seja fornecido regularmente pelo estabelecimento prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024, DJe 14\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, apenado, requereu a libera\u00e7\u00e3o antecipada do pec\u00falio no montante adequado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de produtos de higiene pessoal, uma vez que seus familiares n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es para tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido foi negado em face da falta de previs\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>* Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-do-direito\">12.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 29. O trabalho do preso ser\u00e1 remunerado, mediante pr\u00e9via tabela, n\u00e3o podendo ser inferior a 3\/4 (tr\u00eas quartos) do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00b0 O produto da remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho dever\u00e1 atender:<\/p>\n\n\n\n<p>a) \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e n\u00e3o reparados por outros meios;<\/p>\n\n\n\n<p>b) \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia;<\/p>\n\n\n\n<p>c) a pequenas despesas pessoais;<\/p>\n\n\n\n<p>d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manuten\u00e7\u00e3o do condenado, em propor\u00e7\u00e3o a ser fixada e sem preju\u00edzo da destina\u00e7\u00e3o prevista nas letras anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Ressalvadas outras aplica\u00e7\u00f5es legais, ser\u00e1 depositada a parte restante para constitui\u00e7\u00e3o do pec\u00falio, em Caderneta de Poupan\u00e7a, que ser\u00e1 entregue ao condenado quando posto em liberdade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-dos-fundamentos\">12.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>Da leitura do art. 29, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da<a> LEP<\/a>, fica evidente que <strong>o pec\u00falio corresponde ao valor que sobra do produto do trabalho remunerado prestado pelo apenado &#8211; ap\u00f3s os descontos autorizados na mesma norma -, valor esse que ser\u00e1 aplicado em poupan\u00e7a e revertido ao preso quando posto em liberdade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, realizados os descontos previstos no art. 29, \u00a7 1\u00ba, da LEP, o restante do dinheiro arrecadado destina-se \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um pec\u00falio, a ser utilizado quando deixar o c\u00e1rcere. Excepcionalmente, pode o sentenciado fazer uso do referido pec\u00falio antes de ser solto; por\u00e9m, h\u00e1 de ser por um motivo relevante, a crit\u00e9rio do juiz das execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, se o apenado solicitar o levantamento do pec\u00falio para fins de atendimento de alguma das despesas previstas no \u00a7 1\u00ba da norma em comento, incumbe ao Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o avaliar se a justificativa apresentada se enquadra em alguma das hip\u00f3teses de desconto e, em caso positivo, autorizar o levantamento no valor pertinente, observando a ordem de prefer\u00eancia preconizada na lei.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a justificativa apresentada pelo reeducando &#8211; aquisi\u00e7\u00e3o de materiais de higiene &#8211; enquadra-se no que se convencionou denominar em lei como pequenas despesas pessoais (art. 29, \u00a7 1\u00ba,&nbsp;<em>c<\/em>, da LEP), de modo que n\u00e3o se vislumbra justificativa razo\u00e1vel para o indeferimento do levantamento em valor adequado para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, \u00e9 consabido que a estrutura carcer\u00e1ria no Pa\u00eds \u00e9 demasiadamente prec\u00e1ria, convic\u00e7\u00e3o essa refor\u00e7ada pelo reconhecimento por parte do Supremo Tribunal Federal (ADPF n. 347\/DF) da exist\u00eancia de um estado de coisas inconstitucional nessa mat\u00e9ria, de modo que beira a aliena\u00e7\u00e3o a presun\u00e7\u00e3o de que ente estatal esteja efetivamente arcando com todas as despesas b\u00e1sicas de higiene do preso, sendo razo\u00e1vel presumir exatamente o inverso.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, mostra-se vi\u00e1vel o levantamento do pec\u00falio no montante adequado para o fim almejado, ressaltando-se, no entanto, que esse levantamento somente pode ocorrer se inexistirem outros descontos pendentes (art. 29, \u00a7 1\u00ba,&nbsp;<em>a<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>b<\/em>, da LEP), de modo a obedecer \u00e0 ordem de prefer\u00eancia preconizada em lei, incumbindo ao Ju\u00edzo fixar o valor necess\u00e1rio para aquisi\u00e7\u00e3o dos produtos de higiene indicados, sem preju\u00edzo da possibilidade de indeferir o pedido, caso constatado concretamente, ou seja, mediante informa\u00e7\u00e3o do estabelecimento prisional, que o produto de higiene solicitado pelo apenado j\u00e1 lhe \u00e9 fornecido regularmente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-da-decisao\">12.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a libera\u00e7\u00e3o antecipada do pec\u00falio no montante adequado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de produtos de higiene pessoal pelo apenado, desde que inexistam outros descontos pendentes, observada a ordem de prefer\u00eancia prevista no \u00a7 1\u00ba do art. 29 da LEP, e o produto solicitado n\u00e3o seja fornecido regularmente pelo estabelecimento prisional.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a><\/a><a>DIREITO<\/a> PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-requerimento-ministerial-de-arquivamento-de-inquerito-ou-procedimento-investigatorio-criminal-fundamentado-na-extincao-da-punibilidade-ou-atipicidade-e-necessidade-de-analise-de-merito\"><a>13.&nbsp; Requerimento ministerial de arquivamento de inqu\u00e9rito ou procedimento investigat\u00f3rio criminal fundamentado na extin\u00e7\u00e3o da punibilidade ou atipicidade e necessidade de an\u00e1lise de m\u00e9rito.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O requerimento ministerial de arquivamento de inqu\u00e9rito ou procedimento investigat\u00f3rio criminal fundamentado na extin\u00e7\u00e3o da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do Judici\u00e1rio uma an\u00e1lise merit\u00f3ria do caso, com aptid\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada material com seu inerente efeito preclusivo, n\u00e3o se aplicando as disposi\u00e7\u00f5es do art. 18 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Inq 1.721-DF, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 2\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MPF requereu a instaura\u00e7\u00e3o de novo inqu\u00e9rito para apurar den\u00fancia de agress\u00e3o promovida por um desembargador contra a esposa. Em determinado momento, requereu ent\u00e3o o arquivamento do inqu\u00e9rito, declarando-se extinta a punibilidade pela prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s infra\u00e7\u00f5es penais de inj\u00faria, difama\u00e7\u00e3o e a contraven\u00e7\u00e3o penal de vias de fato, ressaltando-se que o crime tipificado no artigo 129, par\u00e1grafo 6\u00ba, do C\u00f3digo Penal, foi investigado em outro inqu\u00e9rito e denunciado pelo titular da a\u00e7\u00e3o penal.&nbsp; Passou-se a discutir se havia necessidade de an\u00e1lise do m\u00e9rito pelo judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-do-direito\">13.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 18.&nbsp; Depois de ordenado o arquivamento do inqu\u00e9rito pela autoridade judici\u00e1ria, por falta de base para a den\u00fancia, a autoridade policial poder\u00e1 proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-dos-fundamentos\">13.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>O arquivamento do inqu\u00e9rito ou procedimento investigativo criminal ser\u00e1 obrigat\u00f3rio, caso o membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal que atua perante o Superior Tribunal de Justi\u00e7a formalize o respectivo pedido <\/strong>por inexistirem suficientes elementos de materialidade, bem como autoria (aus\u00eancia de base emp\u00edrica) para a continuidade das investiga\u00e7\u00f5es ou o oferecimento da pe\u00e7a acusat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, se o requerimento ministerial de arquivamento do inqu\u00e9rito \u00e9 fundamentado na extin\u00e7\u00e3o da punibilidade ou atipicidade da conduta, compete ao Judici\u00e1rio uma an\u00e1lise merit\u00f3ria do caso com aptid\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada material, com seu inerente efeito preclusivo, n\u00e3o se aplicando as disposi\u00e7\u00f5es do art. 18 do CPP, pois a decis\u00e3o vincular\u00e1 o titular da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal possui jurisprud\u00eancia sobre o tema: &#8220;se o Poder Judici\u00e1rio, ao reconhecer consumada a prescri\u00e7\u00e3o penal, houver declarado extinta a punibilidade do indiciado\/denunciado, pois, em tal caso, esse ato decis\u00f3rio revestir-se-\u00e1 da autoridade da coisa julgada em sentido material, inviabilizando, em consequ\u00eancia, o ulterior ajuizamento (ou prosseguimento) de a\u00e7\u00e3o penal contra aquele j\u00e1 beneficiado por tal decis\u00e3o, ainda que o Minist\u00e9rio P\u00fablico, agindo por interm\u00e9dio de novo representante e mediante reinterpreta\u00e7\u00e3o e nova qualifica\u00e7\u00e3o dos mesmos fatos, chegue a conclus\u00e3o diversa daquela que motivou o seu anterior pleito de extin\u00e7\u00e3o da punibilidade&#8221;. (HC 84253, Relator Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em 26\/10\/2004).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-da-decisao\">13.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>O requerimento ministerial de arquivamento de inqu\u00e9rito ou procedimento investigat\u00f3rio criminal fundamentado na extin\u00e7\u00e3o da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do Judici\u00e1rio uma an\u00e1lise merit\u00f3ria do caso, com aptid\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada material com seu inerente efeito preclusivo, n\u00e3o se aplicando as disposi\u00e7\u00f5es do art. 18 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-cabimento-da-celebracao-de-acordo-de-nao-persecucao-penal-em-casos-de-processos-em-andamento-quando-da-entrada-em-vigencia-da-lei-n-13-964-2019-quando-ausente-confissao-do-reu-ate-o-aquele-momento\"><a>14.&nbsp; Cabimento da celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019 quando ausente confiss\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 o aquele momento.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019, mesmo se ausente confiss\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 845.533-SC, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/10\/2024. (Info STJ 829)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-dos-fatos\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dos FATOS.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi condenado por crime cometido antes da vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019. Sua defesa impetrou HC visando converter o julgamento em dilig\u00eancia para que o Minist\u00e9rio P\u00fablico proponha acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, conforme art. 28-A do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a rejeitou a alega\u00e7\u00e3o defensiva, afirmando que o acordo s\u00f3 seria cab\u00edvel para fatos anteriores \u00e0 Lei n. 13.964\/2019, desde que a den\u00fancia n\u00e3o tivesse sido recebida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-do-direito\">14.2.1. Do DIREITO.<\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; reparar o dano ou restituir a coisa \u00e0 v\u00edtima, exceto na impossibilidade de faz\u00ea-lo;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como instrumentos, produto ou proveito do crime;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; prestar servi\u00e7o \u00e0 comunidade ou a entidades p\u00fablicas por per\u00edodo correspondente \u00e0 pena m\u00ednima cominada ao delito diminu\u00edda de um a dois ter\u00e7os, em local a ser indicado pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, na forma do&nbsp;art. 46 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal);&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; pagar presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, a ser estipulada nos termos do&nbsp;art. 45 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal),&nbsp;a entidade p\u00fablica ou de interesse social, a ser indicada pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, que tenha, preferencialmente, como fun\u00e7\u00e3o proteger bens jur\u00eddicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; cumprir, por prazo determinado, outra condi\u00e7\u00e3o indicada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, desde que proporcional e compat\u00edvel com a infra\u00e7\u00e3o penal imputada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-dos-fundamentos\">14.2.2. Dos FUNDAMENTOS.<\/h4>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem rejeitou o pedido de intima\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico para propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, na forma do art. 28-A do CPP, fundamentado no fato de que somente seria cab\u00edvel a propositura do ANPP para fatos ocorridos antes da vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019, desde que n\u00e3o recebida a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong>tal entendimento destoa da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal que, no julgamento do HC 185.913\/DF, da relatoria do Ministro Gilmar Mendes, ocorrido em 18\/9\/2024, pacificou a controv\u00e9rsia a respeito da retroatividade do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>, nos seguintes termos:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;1. Compete ao membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico oficiante, motivadamente e no exerc\u00edcio do seu poder-dever, avaliar o preenchimento dos requisitos para negocia\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o do ANPP, sem preju\u00edzo do regular exerc\u00edcio dos controles jurisdicional e interno; 2. \u00c9 cab\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vig\u00eancia da Lei n\u00ba 13.964, de 2019, mesmo se ausente confiss\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do tr\u00e2nsito em julgado; 3. Nos processos penais em andamento na data da proclama\u00e7\u00e3o do resultado deste julgamento, nos quais, em tese, seja cab\u00edvel a negocia\u00e7\u00e3o de ANPP, se este ainda n\u00e3o foi oferecido ou n\u00e3o houve motiva\u00e7\u00e3o para o seu n\u00e3o oferecimento, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, agindo de of\u00edcio, a pedido da defesa ou mediante provoca\u00e7\u00e3o do magistrado da causa, dever\u00e1, na primeira oportunidade em que falar nos autos, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da ata deste julgamento, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou n\u00e3o do acordo; 4. Nas investiga\u00e7\u00f5es ou a\u00e7\u00f5es penais iniciadas a partir da proclama\u00e7\u00e3o do resultado deste julgamento, a proposi\u00e7\u00e3o de ANPP pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou a motiva\u00e7\u00e3o para o seu n\u00e3o oferecimento, devem ser apresentadas antes do recebimento da den\u00fancia, ressalvada a possibilidade de propositura, pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial, no curso da a\u00e7\u00e3o penal, se for o caso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>o pedido da defesa foi formulado antes do tr\u00e2nsito em julgado.<\/strong> Assim, verificada a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do instituto, em conformidade com o que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, \u00e9 cab\u00edvel o desarquivamento da a\u00e7\u00e3o penal, devendo o Ju\u00edzo da origem provocar o Minist\u00e9rio P\u00fablico, a fim de verificar a possibilidade de oferecimento do ANPP, devendo eventual recusa ser devidamente fundamentada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-da-decisao\">14.2.3. Da DECIS\u00c3O.<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019, mesmo se ausente confiss\u00e3o do r\u00e9u at\u00e9 aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-28f0a41c-b7b2-4886-97e1-aa504c09e759\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/11\/04233542\/stj-informativo-829.pdf\">STJ &#8211; informativo 829<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/11\/04233542\/stj-informativo-829.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-28f0a41c-b7b2-4886-97e1-aa504c09e759\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do Informativo n\u00ba 829 do STJ\u00a0COMENTADO. Pra cima dele! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO CIVIL 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1486208","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 829 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 829 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do Informativo n\u00ba 829 do STJ\u00a0COMENTADO. Pra cima dele! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO CIVIL 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Estrat\u00e9gia Concursos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-11-05T02:36:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-11-05T02:36:13+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@EstratConcursos\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Jean Vilbert\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"60 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"NewsArticle\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\"},\"author\":{\"name\":\"Jean Vilbert\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\"},\"headline\":\"Informativo STJ 829 Comentado\",\"datePublished\":\"2024-11-05T02:36:12+00:00\",\"dateModified\":\"2024-11-05T02:36:13+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\"},\"wordCount\":12030,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"articleSection\":[\"Concursos P\u00fablicos\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#respond\"]}],\"copyrightYear\":\"2024\",\"copyrightHolder\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"}},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\",\"name\":\"Informativo STJ 829 Comentado\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\"},\"datePublished\":\"2024-11-05T02:36:12+00:00\",\"dateModified\":\"2024-11-05T02:36:13+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Informativo STJ 829 Comentado\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"description\":\"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization\",\"name\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\",\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg\",\"width\":230,\"height\":60,\"caption\":\"Estrat\u00e9gia Concursos\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/x.com\/EstratConcursos\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999\",\"name\":\"Jean Vilbert\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Jean Vilbert\"},\"url\":\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Informativo STJ 829 Comentado","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Informativo STJ 829 Comentado","og_description":"Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do Informativo n\u00ba 829 do STJ\u00a0COMENTADO. Pra cima dele! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO CIVIL 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 finalidade p\u00fablica essencial pertencente \u00e0 sociedade de economia mista que atua em regime n\u00e3o concorrencial. N\u00e3o h\u00e1 possibilidade de usucapi\u00e3o de im\u00f3vel afetado \u00e0 [&hellip;]","og_url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2024-11-05T02:36:12+00:00","article_modified_time":"2024-11-05T02:36:13+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"60 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"NewsArticle","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/"},"author":{"name":"Jean Vilbert","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999"},"headline":"Informativo STJ 829 Comentado","datePublished":"2024-11-05T02:36:12+00:00","dateModified":"2024-11-05T02:36:13+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/"},"wordCount":12030,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"articleSection":["Concursos P\u00fablicos"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#respond"]}],"copyrightYear":"2024","copyrightHolder":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"}},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/","name":"Informativo STJ 829 Comentado","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website"},"datePublished":"2024-11-05T02:36:12+00:00","dateModified":"2024-11-05T02:36:13+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-829-comentado\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Informativo STJ 829 Comentado"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#website","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","description":"O blog da Estrat\u00e9gia Concursos traz not\u00edcias sobre concursos e artigos de professores oferecendo cursos para concursos (pdf + videaulas) no site.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#organization","name":"Estrat\u00e9gia Concursos","url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2025\/06\/03203428\/logo_concursos-1.jpg","width":230,"height":60,"caption":"Estrat\u00e9gia Concursos"},"image":{"@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/x.com\/EstratConcursos"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/#\/schema\/person\/475a0922f10cff0d1bc8bfecde05f999","name":"Jean Vilbert","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/1667694e4ebdd32feeac9ea2794de3f0470b5c55c6198181ab0b0c333b121921?s=96&d=mm&r=g","caption":"Jean Vilbert"},"url":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/833"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1486208"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1486210,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1486208\/revisions\/1486210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1486208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1486208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1486208"},{"taxonomy":"tax_estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tax_estado?post=1486208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}