{"id":1480490,"date":"2024-10-22T21:55:50","date_gmt":"2024-10-23T00:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1480490"},"modified":"2024-10-22T21:55:52","modified_gmt":"2024-10-23T00:55:52","slug":"informativo-stj-827-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-827-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 827 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p>Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do <span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Informativo n\u00ba 827 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">. Pra cima dele!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/10\/22215517\/stj-informativo-827.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_wxF1Z68ftds\"><div id=\"lyte_wxF1Z68ftds\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/wxF1Z68ftds\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/wxF1Z68ftds\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/wxF1Z68ftds\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-prorrogacao-do-prazo-de-concessao-e-permissao-nos-contratos-anteriores-a-alteracao-legal\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de concess\u00e3o e permiss\u00e3o nos contratos anteriores \u00e0 altera\u00e7\u00e3o legal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 9.074\/1995, ap\u00f3s as modifica\u00e7\u00f5es operadas pelo art. 26, da Lei n. 10.684\/03, o qual prev\u00ea que o prazo das concess\u00f5es e permiss\u00f5es ser\u00e1 de vinte e cinco anos, podendo ser prorrogado por dez anos, somente se aplica aos contratos firmados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da nova lei.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.038.245-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 20\/8\/2024, DJe 26\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>MLOG S\/A, administradora de portos secos, ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo a prorroga\u00e7\u00e3o de contrato de permiss\u00e3o de servi\u00e7o p\u00fablico firmado antes das altera\u00e7\u00f5es da Lei n. 10.684\/03. Sustenta a possibilidade da prorroga\u00e7\u00e3o devido \u00e0 possibilidade de retroatividade da norma aos contratos vigentes e firmados anteriormente.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.074\/1995:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp;Sujeitam-se ao regime de concess\u00e3o ou, quando couber, de permiss\u00e3o, nos termos da&nbsp;Lei n<sup>o<\/sup>&nbsp;8.987, de 13 de fevereiro de 1995, os seguintes servi\u00e7os e obras p\u00fablicas de compet\u00eancia da Uni\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; vias federais, precedidas ou n\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de obra p\u00fablica;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; explora\u00e7\u00e3o de obras ou servi\u00e7os federais de barragens, conten\u00e7\u00f5es, eclusas ou outros dispositivos de transposi\u00e7\u00e3o hidrovi\u00e1ria de n\u00edveis, diques, irriga\u00e7\u00f5es, precedidas ou n\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; esta\u00e7\u00f5es aduaneiras e outros terminais alfandegados de uso p\u00fablico, n\u00e3o instalados em \u00e1rea de porto ou aeroporto, precedidos ou n\u00e3o de obras p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; os servi\u00e7os postais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;O prazo das concess\u00f5es e permiss\u00f5es de que trata o inciso VI deste artigo ser\u00e1 de vinte e cinco anos, podendo ser prorrogado por dez anos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-aplicavel-aos-contratos-firmados-anteriormente\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplic\u00e1vel aos contratos firmados anteriormente?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em saber se a empresa permission\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico com contrato administrativo vigente deve ser beneficiada pelas altera\u00e7\u00f5es operadas na Lei n. 9.074\/1995 de modo a lhe garantir o prazo contratual m\u00ednimo de 25 anos, prorrog\u00e1vel por mais 10 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, \u00e9 v\u00e1lido registrar que os contratos administrativos s\u00e3o, a rigor, regidos pelas normas aplic\u00e1veis quando da formaliza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico, em respeito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do ato jur\u00eddico perfeito (art. 5\u00ba, XXXVI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), sendo certo que, para aplica\u00e7\u00e3o de regras supervenientes, deve haver previs\u00e3o expressa nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 10.684\/2003 promoveu altera\u00e7\u00f5es nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba do artigo 1\u00ba da Lei n. 9.074\/1995, <strong>mas somente em rela\u00e7\u00e3o ao \u00a73\u00ba deixou expressamente consignado ser aplic\u00e1vel aos contratos firmados anteriormente<\/strong>. Dessa forma, o \u00a7 2\u00ba, o qual alterou o prazo das concess\u00f5es e permiss\u00f5es para 25 (vinte e cinco) anos, podendo ser prorrogado por dez anos, se aplica apenas aos contratos firmados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da nova lei. Por outro lado, o \u00a73\u00ba que trata da prorroga\u00e7\u00e3o do prazo contratual de dez anos, \u00e9 aplic\u00e1vel aos contratos firmados anteriormente (como uma esp\u00e9cie de norma de transi\u00e7\u00e3o), conforme expresso no artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Saliente-se, por fim, que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 3497, deu interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao art. 1\u00ba, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 9.074\/1995, acrescidos pelo art. 26 da Lei n. 10.684\/2003, definindo, entre outras quest\u00f5es, que &#8220;com rela\u00e7\u00e3o ao referido \u00a73\u00ba [&#8230;] eventual prorroga\u00e7\u00e3o observe o prazo m\u00e1ximo (prazo-limite) de 10 (dez) anos, podendo ser realizada, no caso concreto, por prazo menor se assim entender conveniente e oportuno o Administrador P\u00fablico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 1\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 9.074\/1995, ap\u00f3s as modifica\u00e7\u00f5es operadas pelo art. 26, da Lei n. 10.684\/03, o qual prev\u00ea que o prazo das concess\u00f5es e permiss\u00f5es ser\u00e1 de vinte e cinco anos, podendo ser prorrogado por dez anos, somente se aplica aos contratos firmados ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da nova lei.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-legitimidade-da-retribuicao-financeira-exigida-por-concessionaria-responsavel-pelos-tuneis-do-metro-em-face-de-empresa-privada-prestadora-de-servico-de-interesse-publico-para-a-instalacao-de-infraestrutura-de-telecomunicacoes\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Legitimidade da retribui\u00e7\u00e3o<\/a> financeira exigida por concession\u00e1ria respons\u00e1vel pelos t\u00faneis do metr\u00f4 em face de empresa privada prestadora de servi\u00e7o de interesse p\u00fablico para a instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 leg\u00edtima a retribui\u00e7\u00e3o financeira exigida por concession\u00e1ria respons\u00e1vel pelos t\u00faneis do metr\u00f4 em face de empresa privada prestadora de servi\u00e7o de interesse p\u00fablico para a instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es, na forma do art. 11 da Lei 8.987\/1995.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.990.245-SP, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 17\/9\/2024, DJe 19\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>TOM S.A. requereu \u00e0 empresa administradora dos servi\u00e7os de metr\u00f4 de uma grande cidade a autoriza\u00e7\u00e3o para instalar a infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es nos t\u00faneis do metr\u00f4. A administradora disse que at\u00e9 autorizaria, mas requereu retribui\u00e7\u00e3o financeira. Inconformada, TOM alega que os t\u00faneis do metr\u00f4 seriam bens de uso comum do povo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 13.116\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 12. N\u00e3o ser\u00e1 exigida contrapresta\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do direito de passagem em vias p\u00fablicas, em faixas de dom\u00ednio e em outros bens p\u00fablicos de uso comum do povo, ainda que esses bens ou instala\u00e7\u00f5es sejam explorados por meio de concess\u00e3o ou outra forma de delega\u00e7\u00e3o, excetuadas aquelas cujos contratos decorram de licita\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 data de promulga\u00e7\u00e3o desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-legitima-a-retribuicao\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Leg\u00edtima a retribui\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da possibilidade de cobran\u00e7a pelo uso do subsolo do Metr\u00f4 para instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 6.482\/DF, por meio da qual restou definida a constitucionalidade do art.12, da Lei n. 13.116\/2015, afirmou a <strong>compet\u00eancia legislativa privativa da Uni\u00e3o sobre normas gerais que instituam a gratuidade do direito de passagem e reconheceu que a referida norma instituiu verdadeiro \u00f4nus real sobre os bens de que trata,<\/strong> relativizando o direito \u00e0 propriedade p\u00fablica sobre esses bens, a fim de preservar a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais \u00e0 coletividade, nos quais se amolda o servi\u00e7o de telefonia.<\/p>\n\n\n\n<p>O mencionado dispositivo \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica estabelecida no art. 11 da Lei n. 8.987\/1995, reclamando interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s situa\u00e7\u00f5es elencadas na lei especial. Dessa forma, n\u00e3o alcan\u00e7a o exerc\u00edcio do direito de passagem aos t\u00faneis do Metr\u00f4, em virtude da n\u00e3o adequa\u00e7\u00e3o do bem a qualquer uma das situa\u00e7\u00f5es dispostas na Lei Geral das Antenas, quais sejam, vias p\u00fablicas, faixas de dom\u00ednio e outros bens p\u00fablicos de uso comum do povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, em verdade, de bem de uso especial, na forma do art. 99, II, do C\u00f3digo Civil de 2002, que, ali\u00e1s, define os bens p\u00fablicos a partir da sua destina\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos e, por isso mesmo, s\u00e3o considerados instrumentos desses servi\u00e7os, e t\u00eam uma finalidade p\u00fablica permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta aos t\u00faneis do Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo caracter\u00edstica essencial para que sejam classificados como bem de uso comum: a submiss\u00e3o aos mandamentos da isonomia, da generalidade, da aus\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es. Os subsolos do metr\u00f4 est\u00e3o afetados ao servi\u00e7o p\u00fablico de transporte metrovi\u00e1rio de passageiros, amoldando-se mais adequadamente \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de bem de uso especial de uso administrativo externo do que \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de bem de uso comum do povo, porquanto o seu uso \u00e9 restrito aos usu\u00e1rios do servi\u00e7o de transporte subterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 acertada a conclus\u00e3o sobre o excesso na fun\u00e7\u00e3o regulamentadora do Decreto n. 10.480\/2020, especialmente em seu art. 9\u00ba. Isso porque, nas obras indicadas no dispositivo, incluem-se aquelas de &#8220;implanta\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o de sistemas de transporte p\u00fablico sobre trilhos ou subterr\u00e2neos&#8221;, quando o bem n\u00e3o se adequa \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de nenhum daqueles estabelecidos na lei que regulamenta (vias p\u00fablicas, faixas de dom\u00ednio e bens p\u00fablicos de uso comum do povo).<\/p>\n\n\n\n<p>O mencionado Decreto, por sua pr\u00f3pria natureza, deve ser analisado conforme os contornos determinados na Lei n. 13.116\/2015, n\u00e3o podendo ampliar o que est\u00e1 disposto na lei, sob pena de ofensa ao princ\u00edpio da reserva legal, conforme j\u00e1 decidido pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (AgRg no AREsp: 231.652 PR 2012\/0196057-6, relator Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho, Data de Julgamento: 7\/3\/2017, T1 &#8211; Primeira Turma, Data de Publica\u00e7\u00e3o: DJe de 21\/3\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, <strong>\u00e9 leg\u00edtima a retribui\u00e7\u00e3o financeira exigida por concession\u00e1ria em face de outra empresa privada prestadora de servi\u00e7o de interesse p\u00fablico, a fim de obter rendimentos alternativos, complementares, acess\u00f3rios ou de projetos associados, na forma do art. 11 da Lei n. 8.987\/1995, desde que haja previs\u00e3o contratual<\/strong>, diante dos impactos para a promo\u00e7\u00e3o de modicidade tarif\u00e1ria e do favorecimento \u00e0 melhor satisfa\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 leg\u00edtima a retribui\u00e7\u00e3o financeira exigida por concession\u00e1ria respons\u00e1vel pelos t\u00faneis do metr\u00f4 em face de empresa privada prestadora de servi\u00e7o de interesse p\u00fablico para a instala\u00e7\u00e3o de infraestrutura de telecomunica\u00e7\u00f5es, na forma do art. 11 da Lei 8.987\/1995.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-multa-aduaneira-e-prazo-prescricional-intercorrente\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Multa aduaneira e prazo prescricional <\/a>intercorrente<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de multa aduaneira, regida pelo rito do processo administrativo fiscal previsto no Decreto n. 70.235\/1972, n\u00e3o se submete ao prazo prescricional intercorrente previsto no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 9.873\/1999.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.120.479-SP, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por maioria, julgado em 27\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>AirWay, empresa atuante na \u00e1rea de log\u00edstica, ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o da multa aduaneira arbitrada com base no Decreto n. 70.235\/1972, ap\u00f3s a paralisa\u00e7\u00e3o do processo administrativo por mais de tr\u00eas anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a Fazenda Nacional sustenta que a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente prevista no art. 1\u00ba, \u00a71\u00ba da Lei 9.873\/99 n\u00e3o se aplicaria \u00e0s infra\u00e7\u00f5es aduaneiras, pois estas s\u00e3o tratadas no \u00e2mbito do processo administrativo fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.873\/1999:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Prescreve em cinco anos a a\u00e7\u00e3o punitiva da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal, direta e indireta, no exerc\u00edcio do poder de pol\u00edcia, objetivando apurar infra\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o em vigor, contados da data da pr\u00e1tica do ato ou, no caso de infra\u00e7\u00e3o permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Incide a prescri\u00e7\u00e3o no procedimento administrativo paralisado por mais de tr\u00eas anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos ser\u00e3o arquivados de of\u00edcio ou mediante requerimento da parte interessada, sem preju\u00edzo da apura\u00e7\u00e3o da responsabilidade funcional decorrente da paralisa\u00e7\u00e3o, se for o caso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-aplica-se-o-prazo-prescricional-intercorrente-da-lei-n-9-873-1999\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplica-se o prazo prescricional intercorrente da Lei n. 9.873\/1999?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da aplica\u00e7\u00e3o do prazo prescricional intercorrente previsto no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 9.873\/1999 ao processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n. 70.235\/1972, na hip\u00f3tese de imposi\u00e7\u00e3o de multa aduaneira.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o deve ser dirimida n\u00e3o pela \u00f3tica da natureza jur\u00eddica da penalidade aduaneira, mas pelo rito do procedimento da imposi\u00e7\u00e3o da multa e do processo administrativo fiscal. A penalidade, fundamentada no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei n. 37\/1966, bem como no art. 37 da Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n. 28\/1994, independentemente de sua natureza jur\u00eddica, deve ser apurada e discutida de acordo com os tr\u00e2mites estabelecidos pelo Decreto n. 70.235\/1972.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A submiss\u00e3o da imposi\u00e7\u00e3o da multa aduaneira ao rito do processo administrativo fiscal e sua discuss\u00e3o na seara administrativa decorre do fato de a mat\u00e9ria estar intimamente relacionada ao direito tribut\u00e1rio<\/strong>, inclusive sujeita \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle pelo Minist\u00e9rio da Fazenda, tal como determinado pelo art. 237 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Contudo, tal caracter\u00edstica n\u00e3o altera a natureza jur\u00eddica da multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse diapas\u00e3o, o disposto no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba da Lei n. 9.873\/1999 n\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel aos processos e procedimentos de natureza tribut\u00e1ria, dada a previs\u00e3o contida no art. 5\u00ba do mesmo diploma legal. \u00c9 desnecess\u00e1ria uma interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa da reda\u00e7\u00e3o legal para abarcar as hip\u00f3teses de discuss\u00e3o de multa de natureza administrativa submetidas ao rito do procedimento fiscal, pois a determina\u00e7\u00e3o \u00e9 clara no sentido de afastar a lei quanto aos processos e procedimentos de natureza tribut\u00e1ria (ou seja, fiscal), e n\u00e3o que o objeto de discuss\u00e3o se refira \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Somado a isso, n\u00e3o existe, no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, previs\u00e3o legal que determine prazo de prescri\u00e7\u00e3o intercorrente na situa\u00e7\u00e3o em debate, de modo a concluir que, at\u00e9 o presente momento, trata-se de uma escolha do legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o art. 129 do Decreto-lei n. 37\/1966, nos moldes do art. 151, III, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN, atribui efeito suspensivo \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es e aos recursos cab\u00edveis no contencioso administrativo fiscal envolvendo multa aduaneira, n\u00e3o podendo a prescri\u00e7\u00e3o ser configurada, seja ela ordin\u00e1ria ou intercorrente, enquanto a obriga\u00e7\u00e3o discutida estiver com a exigibilidade suspensa. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; CARF consolidou posicionamento por meio da S\u00famula Vinculante n. 11, afastando a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente no processo administrativo fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A imposi\u00e7\u00e3o de multa aduaneira, regida pelo rito do processo administrativo fiscal previsto no Decreto n. 70.235\/1972, n\u00e3o se submete ao prazo prescricional intercorrente previsto no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 9.873\/1999.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-signo-e-a-funcao-de-marca\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Signo e a fun\u00e7\u00e3o de marca<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mera circunst\u00e2ncia de um signo ser constitu\u00eddo, dentre outros elementos, por express\u00e3o de propaganda, \u00e9 insuficiente para conduzir, automaticamente, \u00e0 conclus\u00e3o de que o sinal n\u00e3o preencha os pressupostos necess\u00e1rios para exercer a fun\u00e7\u00e3o de marca.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.105.557-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2024, DJe 15\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>GoodSkin ajuizou a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade em face do INPI com a finalidade de obter o registro de marca mista (negado pela autarquia). O pedido fora negado administrativamente em raz\u00e3o de a express\u00e3o \u201charmonia na pele\u201d ter sido interpretada como mera propaganda, o que atrairia a veda\u00e7\u00e3o do prevista inciso VII do artigo 124 da Lei n\u00ba 9.279\/96.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso a empresa argumenta que, para fins de registro, a marca deve ser apreciada em seu conjunto, dentro de seu aspecto global.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LPI:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 124. N\u00e3o s\u00e3o registr\u00e1veis como marca:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; sinal ou express\u00e3o empregada apenas como meio de propaganda;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-expressou-propaganda-perdeu-o-registro-como-marca\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Expressou propaganda perdeu o registro (como marca)?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, &#8220;S\u00e3o suscet\u00edveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente percept\u00edveis, n\u00e3o compreendidos nas proibi\u00e7\u00f5es legais&#8221; (art. 122 da LPI). No art. 124 da citada lei, encontram-se previstas as hip\u00f3teses em que o registro de marcas \u00e9 vedado, destacando-se o que disp\u00f5e o inciso VII: n\u00e3o \u00e9 registr\u00e1vel como marca &#8220;sinal ou a express\u00e3o empregada apenas como meio de propaganda&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A doutrina esclarece que, na proibi\u00e7\u00e3o legal, recai a legenda, o an\u00fancio, a palavra e\/ou combina\u00e7\u00e3o de palavras, desenhos, gravuras, originais e caracter\u00edsticos<\/strong>, destinados exclusivamente \u00e0 publicidade com o objetivo de atrair usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Manual de Marcas do Instituto Nacional da Propriedade Industrial &#8211; INPI estabelece que &#8220;a aplica\u00e7\u00e3o do inciso VII do art. 124 da Lei de Propriedade Industrial &#8211; LPI deve ser criteriosa, sendo aplicada apenas quando o car\u00e1ter exclusivo de propaganda do sinal estiver evidenciado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O exame da distintividade do sinal, para fins de ser franqueado o registro de marca, deve considerar, segundo orienta\u00e7\u00e3o da autarquia competente, &#8220;a impress\u00e3o gerada pelo conjunto marc\u00e1rio, em suas dimens\u00f5es fon\u00e9tica, gr\u00e1fica e ideol\u00f3gica, bem como a fun\u00e7\u00e3o exercida pelos diversos elementos que o comp\u00f5em e seu grau de integra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, a mera circunst\u00e2ncia de um signo ser constitu\u00eddo, dentre outros elementos, por express\u00e3o de propaganda \u00e9 insuficiente para conduzir, automaticamente, \u00e0 conclus\u00e3o de que o sinal, como um todo, n\u00e3o preencha os pressupostos necess\u00e1rios para exercer a fun\u00e7\u00e3o de marca.<\/p>\n\n\n\n<p>No particular, o que se verifica dos pedidos de registro \u00e9 que, <strong>apesar de o conjunto marc\u00e1rio conter, de fato, elemento com finalidade publicit\u00e1ria, este n\u00e3o se revela determinante para caracterizar a marca em quest\u00e3o apenas como sinal de propaganda,<\/strong> sobretudo em raz\u00e3o da presen\u00e7a de outros elementos nominativos e figurativos que lhe asseguram a distintividade exigida pela LPI.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A mera circunst\u00e2ncia de um signo ser constitu\u00eddo, dentre outros elementos, por express\u00e3o de propaganda, \u00e9 insuficiente para conduzir, automaticamente, \u00e0 conclus\u00e3o de que o sinal n\u00e3o preencha os pressupostos necess\u00e1rios para exercer a fun\u00e7\u00e3o de marca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-des-necessidade-da-extincao-do-patrimonio-de-afetacao-e-necessaria-a-quitacao-das-obrigacoes-constituidas-perante-o-agente-financiador-do-empreendimento-imobiliario\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade da extin\u00e7\u00e3o<\/a> do patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a quita\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas perante o agente financiador do empreendimento imobili\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a extin\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a quita\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas perante o agente financiador do empreendimento imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.862.274-PR, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>FMM Constru\u00e7\u00f5es teve sua recupera\u00e7\u00e3o judicial concedida, sendo a CEF sua principal credora. A FMM atuava no setor de incorpora\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e, na data do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, possu\u00eda seis empreendimentos habitacionais financiados pela CEF, cujas incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias estavam sob o regime de patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, o juiz c\u00edvel converteu a recupera\u00e7\u00e3o judicial em fal\u00eancia, devido ao descumprimento do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial, tendo ressaltado que &#8220;o patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser separado\/diferenciado da massa falida at\u00e9 o advento do respectivo termo ou cumprimento de sua finalidade. O Administrador Judicial peticionou ao Ju\u00edzo argumentando que o patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o j\u00e1 teria sido extinto muito antes, quando concedido o habite-se.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 4.591\/1964:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 31-E. O patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o extinguir-se-\u00e1 pela:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; averba\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, registro dos t\u00edtulos de dom\u00ednio ou de direito de aquisi\u00e7\u00e3o em nome dos respectivos adquirentes e, quando for o caso, extin\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es do incorporador perante a institui\u00e7\u00e3o financiadora do empreendimento;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-quando-que-se-desconstitui-a-afetacao\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando que se desconstitui a afeta\u00e7\u00e3o??<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Na quita\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma universalidade de direito criada para prop\u00f3sito espec\u00edfico, sujeitando-se ao regime de incomunicabilidade e vincula\u00e7\u00e3o de receitas, com responsabilidade limitada \u00e0s suas pr\u00f3prias obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ap\u00f3s o cumprimento de sua finalidade e a quita\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es associadas, o conjunto de direitos e deveres que o comp\u00f5em \u00e9 desafetado<\/strong>. O que restar \u00e9 reincorporado ao patrim\u00f4nio geral do instituidor, livre das restri\u00e7\u00f5es que o vinculavam ao prop\u00f3sito inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 31-E, I, da Lei n. 4.591\/1964, inclu\u00eddo pela Lei n. 10.931\/2004, a extin\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e, entre outras condi\u00e7\u00f5es cumulativas, a comprova\u00e7\u00e3o da quita\u00e7\u00e3o integral do d\u00e9bito relacionado ao financiamento da obra perante a institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para a desconstitui\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o, que visa a assegurar a conclus\u00e3o do empreendimento e proteger os adquirentes, \u00e9 indispens\u00e1vel que todos os d\u00e9bitos financeiros assumidos para a execu\u00e7\u00e3o da obra estejam plenamente liquidados.<\/p>\n\n\n\n<p>O patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o, conforme estabelecido pela referida lei, funciona como prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica que assegura que os recursos destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um empreendimento imobili\u00e1rio sejam utilizados exclusivamente para esse fim, afastando o risco de desvio de verbas para outros projetos ou finalidades. Dessa forma, a exig\u00eancia de quita\u00e7\u00e3o do financiamento busca n\u00e3o apenas garantir a integridade financeira do projeto, mas tamb\u00e9m proteger os direitos dos adquirentes que confiaram na viabilidade econ\u00f4mica e jur\u00eddica da obra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para a extin\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a quita\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas perante o agente financiador do empreendimento imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-extensao-do-premio-de-loteria-auferido-por-viuva-casada-sob-o-regime-de-separacao-legal-obrigatoria-antecedido-de-longo-relacionamento-em-uniao-estavel\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Extens\u00e3o do <\/a>pr\u00eamio de loteria auferido por vi\u00fava casada sob o regime de separa\u00e7\u00e3o legal obrigat\u00f3ria, antecedido de longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00eamio de loteria auferido por vi\u00fava casada sob o regime de separa\u00e7\u00e3o legal obrigat\u00f3ria, antecedido de longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel, \u00e9 bem adquirido por fato eventual (CC\/2002, art. 1.660, II), reconhecido como patrim\u00f4nio comum do casal, devendo ser partilhado segundo os valores existentes na data do falecimento, independentemente da avalia\u00e7\u00e3o sobre esfor\u00e7o comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide era casada com Creiton, sendo que o regime de bens era a separa\u00e7\u00e3o legal obrigat\u00f3ria, formalizado ap\u00f3s longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel. Pouco antes do falecimento de Creiton, Creide ganhou uma bolada na loteria. Ap\u00f3s a viuvez, os herdeiros de Creiton ajuizaram a\u00e7\u00e3o na qual sustentam que o falecido teria direito ao valor da mea\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio, o que seria inclu\u00eddo na heran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.641. \u00c9 obrigat\u00f3rio o regime da separa\u00e7\u00e3o de bens no casamento:<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 da pessoa maior de 70 (setenta) anos;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-patrimonio-de-quem\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Patrim\u00f4nio de quem??<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Do casal!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a saber se o&nbsp;<em>de cujus&nbsp;<\/em>tem direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o de pr\u00eamio de loteria auferido pela sua ent\u00e3o esposa na vig\u00eancia do casamento e antes do falecimento, haja vista que o regime de bens que regia o casamento era a separa\u00e7\u00e3o legal obrigat\u00f3ria, formalizado ap\u00f3s longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A raz\u00e3o de ser da previs\u00e3o legal que imp\u00f5e a separa\u00e7\u00e3o de bens ao idoso consiste na preserva\u00e7\u00e3o de seu patrim\u00f4nio em vista de casamentos realizados por exclusivo interesse financeiro. Tem-se op\u00e7\u00e3o legislativa objeto de severas cr\u00edticas da doutrina, visto que afasta a autonomia privada e induz presun\u00e7\u00e3o de incapacidade do nubente sexagen\u00e1rio &#8211; atualmente, o septuagen\u00e1rio (CC\/2002, art. 1.641, II) &#8211; para decidir sobre o regime de bens de seu casamento e o destino de seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem por esse motivo que o STF decidiu pela interpreta\u00e7\u00e3o conforme do art. 1.641, II, do CC\/2002, &#8220;atribuindo-lhe o sentido de norma dispositiva, que deve prevalecer \u00e0 falta de conven\u00e7\u00e3o das partes em sentido diverso, mas que pode ser afastada por vontade dos nubentes, dos c\u00f4njuges ou dos companheiros. Ou seja: trata-se de regime legal facultativo e n\u00e3o cogente&#8221; (Tema n. 1.236 da Repercuss\u00e3o Geral).<\/p>\n\n\n\n<p>Consigne-se que <strong>o casamento entre o&nbsp;<em>de cujus<\/em>&nbsp;e a recorrida deu-se ap\u00f3s longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel, n\u00e3o se afigurando razo\u00e1vel que a mera formaliza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo matrimonial, em momento ulterior, torne mais rigoroso o regime de bens existente entre os c\u00f4njuges<\/strong> &#8211; porque desnecess\u00e1ria a prote\u00e7\u00e3o de qualquer dos nubentes nesse contexto e, sobretudo, sem que tenham manifestado de forma expressa o interesse em disciplinar o regime de bens de forma diversa daquela que at\u00e9 ent\u00e3o vigorava &#8211; a comunh\u00e3o parcial.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme orienta\u00e7\u00e3o firmada pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a &#8211; STJ, &#8220;o pr\u00eamio de loteria \u00e9 bem comum que ingressa na comunh\u00e3o do casal sob a rubrica de &#8216;bens adquiridos por fato eventual, com ou sem o concurso de trabalho ou despesa anterior&#8217; (CC\/1916, art. 271, II; CC\/2002, art. 1.660, II)&#8221; (REsp n. 1.689.152\/SC, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 24\/10\/2017, DJe 22\/11\/2017), solu\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel ao regime da separa\u00e7\u00e3o legal de bens (CC\/1916, art. 258, \u00a7 \u00fanico, II; CC\/2002, art. 1.641, inciso II).<\/p>\n\n\n\n<p>No entendimento do STJ, portanto, em se tratando de bem comum, porque adquirido por fato eventual, o exame sobre a participa\u00e7\u00e3o de ambos os c\u00f4njuges para sua obten\u00e7\u00e3o (esfor\u00e7o comum) \u00e9 desnecess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>necess\u00e1rio reconhecer a comunh\u00e3o entre os c\u00f4njuges do pr\u00eamio de loteria obtido pela recorrida, cujos recursos &#8211; e os bens com eles adquiridos &#8211; devem integrar o monte part\u00edvel,<\/strong> \u00e0 situa\u00e7\u00e3o verificada na data em que falecido o&nbsp;<em>de cujus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O pr\u00eamio de loteria auferido por vi\u00fava casada sob o regime de separa\u00e7\u00e3o legal obrigat\u00f3ria, antecedido de longo relacionamento em uni\u00e3o est\u00e1vel, \u00e9 bem adquirido por fato eventual (CC\/2002, art. 1.660, II), reconhecido como patrim\u00f4nio comum do casal, devendo ser partilhado segundo os valores existentes na data do falecimento, independentemente da avalia\u00e7\u00e3o sobre esfor\u00e7o comum.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-admissibilidade-do-ajuizamento-de-acao-rescisoria-para-adequar-julgado-realizado-antes-de-13-5-2021-a-modulacao-de-efeitos-estabelecida-no-tema-69-stf-repercussao-geral\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admissibilidade do <\/a>ajuizamento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para adequar julgado realizado antes de 13\/5\/2021 \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos estabelecida no Tema 69\/STF &#8211; Repercuss\u00e3o Geral<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 535, \u00a7 8\u00ba, do CPC, \u00e9 admiss\u00edvel o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para adequar julgado realizado antes de 13\/5\/2021 \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos estabelecida no Tema 69\/STF &#8211; Repercuss\u00e3o Geral.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.054.759-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para o ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 11\/9\/2024. (Tema 1245). (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Trata-se de recurso sob o rito dos repetitivos para decidir acerca da admissibilidade de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para adequar julgado \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos estabelecida no Tema 69 da repercuss\u00e3o geral do Supremo Tribunal Federal, na qual restou fixada a seguinte tese: \u201cO ICMS n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo para a incid\u00eancia do PIS e da COFINS.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil de 2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 535. A Fazenda P\u00fablica ser\u00e1 intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletr\u00f4nico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos pr\u00f3prios autos, impugnar a execu\u00e7\u00e3o, podendo arguir:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; falta ou nulidade da cita\u00e7\u00e3o se, na fase de conhecimento, o processo correu \u00e0 revelia;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; ilegitimidade de parte;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; inexequibilidade do t\u00edtulo ou inexigibilidade da obriga\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; excesso de execu\u00e7\u00e3o ou cumula\u00e7\u00e3o indevida de execu\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; incompet\u00eancia absoluta ou relativa do ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; qualquer causa modificativa ou extintiva da obriga\u00e7\u00e3o, como pagamento, nova\u00e7\u00e3o, compensa\u00e7\u00e3o, transa\u00e7\u00e3o ou prescri\u00e7\u00e3o, desde que supervenientes ao tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba Para efeito do disposto no inciso III do&nbsp;caput&nbsp;deste artigo, considera-se tamb\u00e9m inexig\u00edvel a obriga\u00e7\u00e3o reconhecida em t\u00edtulo executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplica\u00e7\u00e3o ou interpreta\u00e7\u00e3o da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompat\u00edvel com a&nbsp;Constitui\u00e7\u00e3o Federal&nbsp;, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 8\u00ba Se a decis\u00e3o referida no \u00a7 5\u00ba for proferida ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o exequenda, caber\u00e1 a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, cujo prazo ser\u00e1 contado do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o proferida pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-admissivel-a-rescisoria\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admiss\u00edvel a rescis\u00f3ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da admissibilidade de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para adequar julgado \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos estabelecida no Tema 69 da repercuss\u00e3o geral do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia deve se iniciar e se pautar pela interpreta\u00e7\u00e3o do art. 535, \u00a7\u00a7 5\u00ba e 8\u00ba do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, o qual estabelece uma hip\u00f3tese espec\u00edfica para a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, <strong>admitindo seu cabimento em casos nos quais h\u00e1 uma decis\u00e3o transitada em julgado que acabe contrariando a posi\u00e7\u00e3o vinculante que venha a prevalecer posteriormente no STF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O dispositivo tem o objetivo de permitir a revis\u00e3o de decis\u00f5es que, embora tenham seguido entendimento consolidado \u00e0 \u00e9poca, ficaram em descompasso com novas orienta\u00e7\u00f5es fixadas pelo Supremo no \u00e2mbito do controle de constitucionalidade (concentrado ou difuso). O \u00a7 5\u00ba do art. 535 assegura que as decis\u00f5es judiciais estejam alinhadas aos entendimentos atuais e vinculantes do STF, evitando o conflito entre coisas julgadas e a autoridade das decis\u00f5es da Suprema Corte.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe-se que o artigo em discuss\u00e3o n\u00e3o limita o cabimento da rescis\u00f3ria aos casos em que o STF declara a inconstitucionalidade de determinada norma, mas abrange espectro mais amplo. Tanto \u00e9 que no&nbsp;Tema 360&nbsp;do STF restou decidido que s\u00e3o consideradas decis\u00f5es com v\u00edcios de inconstitucionalidade qualificados: (a) a senten\u00e7a exequenda fundada em norma reconhecidamente inconstitucional, seja por aplicar norma inconstitucional, seja por aplicar norma em situa\u00e7\u00e3o ou com sentidos inconstitucionais; (b) a senten\u00e7a exequenda que tenha deixado de aplicar norma reconhecidamente constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, a decis\u00e3o que se pretende rescindir est\u00e1 revestida com o supracitado v\u00edcio (de inconstitucionalidade qualificada), na medida em que n\u00e3o est\u00e1 em harmonia com parte dos efeitos produzidos pelo Tema 69\/STF, especificamente no tocante \u00e0 modula\u00e7\u00e3o operada (posteriormente) pelo pr\u00f3prio Supremo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, s\u00e3o inaplic\u00e1veis a S\u00famula 343 e o&nbsp;Tema 136, ambos do STF, uma vez que disciplinam as hip\u00f3teses de cabimento da rescis\u00f3ria com fundamento (equiparado) no art. 966, V, do CPC, e n\u00e3o com amparo no art. 535, \u00a7\u00a75\u00ba e 8\u00ba, do CPC, o qual \u00e9, inclusive, posterior \u00e0s referidas orienta\u00e7\u00f5es. O contexto no qual o STF firmou tais entendimentos esteve associado \u00e0 tradicional hip\u00f3tese de cabimento da rescis\u00f3ria por ofensa \u00e0 &#8220;literal disposi\u00e7\u00e3o de lei&#8221; (antigo 485, V, do CPC\/1973, atualmente &#8220;violar manifestamente norma jur\u00eddica&#8221;), e n\u00e3o \u00e0 hip\u00f3tese de rescis\u00e3o por coisa julgada inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 535, \u00a7 8\u00ba, do CPC, \u00e9 admiss\u00edvel o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para adequar julgado realizado antes de 13\/5\/2021 \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos estabelecida no Tema 69\/STF &#8211; Repercuss\u00e3o Geral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-requisitos-para-execucao-provisoria-da-multa-diaria\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos para execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da multa di\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O novo CPC n\u00e3o alterou o entendimento de que a multa di\u00e1ria, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, somente poder\u00e1 ser objeto de execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria ap\u00f3s a sua confirma\u00e7\u00e3o pela senten\u00e7a de m\u00e9rito e desde que o recurso eventualmente interposto n\u00e3o seja recebido com efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<p>EAREsp 1.883.876-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por maioria, julgado em 23\/11\/2023, DJe 7\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, ex-banc\u00e1rio, ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de diferen\u00e7a de benef\u00edcios em face da FUNCEF. Em determinado momento, foi fixada multa cominat\u00f3ria em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela. Crementino buscou executar a multa desde logo, mas a FUNCEF interp\u00f4s recurso no qual alega que n\u00e3o seria l\u00edcito o cumprimento provis\u00f3rio de astreintes sem a sua confirma\u00e7\u00e3o por senten\u00e7a de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-tem-de-esperar\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem de esperar?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Sim, at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o em senten\u00e7a de m\u00e9rito&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo dos embargos de diverg\u00eancia \u00e9 dizer se, \u00e0 luz do C\u00f3digo de Processo Civil em vigor, admite-se a execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria de&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;fixadas em tutela antecipada, decis\u00e3o, por sua vez, ainda n\u00e3o confirmada por senten\u00e7a de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema da efic\u00e1cia e da exequibilidade das&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;gera diverg\u00eancia doutrin\u00e1ria, mesmo ap\u00f3s a entrada em vigor do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, sendo que as opini\u00f5es na doutrina se dividem sobre a partir de que momento a parte, no processo em que fora beneficiada com a imposi\u00e7\u00e3o da multa, poder\u00e1 receber o cr\u00e9dito gerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo uma parcela da doutrina, a multa \u00e9 exig\u00edvel a partir do momento no qual a decis\u00e3o que a fixou torna-se eficaz, seja porque transitou em julgado, seja em raz\u00e3o de que n\u00e3o foi interposto recurso com efeito suspensivo. De acordo com esse entendimento, garante-se a press\u00e3o psicol\u00f3gica ao devedor, sendo que a capacidade coercitiva da multa ficaria enfraquecida se fosse preciso esperar o tr\u00e2nsito em julgado da a\u00e7\u00e3o para que a exigibilidade fosse reconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra parcela da doutrina p\u00e1tria, no entanto,<strong> defende a posi\u00e7\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio aguardar o tr\u00e2nsito em julgado para que o cr\u00e9dito decorrente da multa seja exig\u00edvel, seja porque a decis\u00e3o poder\u00e1 ser reformada na senten\u00e7a, seja porque a finalidade coercitiva n\u00e3o necessariamente remete \u00e0 cobran\u00e7a imediata da multa<\/strong>, mas apenas a poss\u00edvel cobran\u00e7a futura, ou, ainda, porquanto apenas a possibilidade da efic\u00e1cia j\u00e1 \u00e9 bastante para convencer o r\u00e9u a adimplir a obriga\u00e7\u00e3o constante da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do REsp n. 1.200.856\/RS, de relatoria do Ministro Sidnei Beneti, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, se assentou a seguinte tese jur\u00eddica: A multa di\u00e1ria prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 461 do CPC, devida desde o dia em que configurado o descumprimento, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, somente poder\u00e1 ser objeto de execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria ap\u00f3s a sua confirma\u00e7\u00e3o pela senten\u00e7a de m\u00e9rito e desde que o recurso eventualmente interposto n\u00e3o seja recebido com efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo foi julgado na vig\u00eancia do CPC de 1973, fazendo remiss\u00e3o ao artigo 475-N.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o atual CPC incluiu, no rol dos t\u00edtulos executivos, &#8220;as decis\u00f5es proferidas no processo civil que reconhe\u00e7am a exigibilidade de obriga\u00e7\u00e3o de pagar quantia, de fazer, de n\u00e3o fazer ou de entregar coisa&#8221; (art. 515, I).<\/p>\n\n\n\n<p>O legislador especificou serem exig\u00edveis as decis\u00f5es que &#8220;reconhe\u00e7am a exigibilidade de obriga\u00e7\u00e3o de pagar quantia&#8221;, sendo invi\u00e1vel entender exig\u00edvel uma obriga\u00e7\u00e3o que carece de confirma\u00e7\u00e3o por provimento final, uma obriga\u00e7\u00e3o condicional.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>o novo C\u00f3digo de Processo Civil n\u00e3o dispensou a confirma\u00e7\u00e3o da multa (obriga\u00e7\u00e3o condicional) pelo provimento final (art. 515, I). N\u00e3o houve modifica\u00e7\u00e3o do entendimento da Corte Especial com o advento do novo C\u00f3digo de Processo Civil.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento dos ac\u00f3rd\u00e3os paradigmas &#8211; REsp n. 1.958.679\/GO e AREsp n. 2.079.649\/MA -, ficou preconizado respectivamente: &#8220;\u00e0 luz do novo C\u00f3digo de Processo Civil, n\u00e3o se aplica a tese firmada no julgamento do REsp 1.200.856\/RS, porquanto o novo Diploma inovou na mat\u00e9ria, permitindo a execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da multa cominat\u00f3ria mesmo antes da prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a de m\u00e9rito&#8221;, nos termos do art. 537, \u00a7 3\u00ba, do CPC\/2015; &#8220;n\u00e3o h\u00e1 mais respaldo legal para a exig\u00eancia de confirma\u00e7\u00e3o em senten\u00e7a de m\u00e9rito para que haja a execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria da multa cominat\u00f3ria, conforme a reda\u00e7\u00e3o do art. 537, \u00a7 3\u00ba, CPC\/2015&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 537, \u00a7 3\u00ba, do CPC disp\u00f5e: &#8220;A decis\u00e3o que fixa a multa \u00e9 pass\u00edvel de cumprimento provis\u00f3rio, devendo ser depositada em ju\u00edzo, permitido o levantamento do valor ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a favor\u00e1vel \u00e0 parte.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o referido artigo n\u00e3o retirou a necessidade de que sobrevenha senten\u00e7a confirmando a decis\u00e3o liminar. Apenas estabeleceu que o levantamento do valor somente pode ser feito ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, os paradigmas apontados n\u00e3o s\u00e3o suficientes para modificar o entendimento firmado no repetitivo, na medida em que as altera\u00e7\u00f5es havidas no CPC n\u00e3o desnaturaram a natureza jur\u00eddica das&nbsp;<em>astreintes<\/em>, nem deixaram de exigir a confirma\u00e7\u00e3o por senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A subsist\u00eancia da multa, segundo a jurisprud\u00eancia deste Tribunal, est\u00e1 vinculada ao \u00eaxito da demanda na qual se busca a obriga\u00e7\u00e3o principal ou o direito material deduzido em Ju\u00edzo, significando dizer que a multa fixada incidentalmente fica pendente de condi\u00e7\u00e3o resolutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o novo CPC n\u00e3o alterou a necessidade de confirma\u00e7\u00e3o da tutela provis\u00f3ria em provimento final com tr\u00e2nsito em julgado, requisito para o cumprimento das&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;eventualmente arbitradas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O novo CPC n\u00e3o alterou o entendimento de que a multa di\u00e1ria, quando fixada em antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, somente poder\u00e1 ser objeto de execu\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria ap\u00f3s a sua confirma\u00e7\u00e3o pela senten\u00e7a de m\u00e9rito e desde que o recurso eventualmente interposto n\u00e3o seja recebido com efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-reconhecimento-da-decadencia-e-persistencia-do-interesse-na-adequacao-do-valor-da-causa\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reconhecimento da decad\u00eancia e persist\u00eancia do <\/a>interesse na adequa\u00e7\u00e3o do valor da causa.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a parte r\u00e9 seja vitoriosa com o reconhecimento da decad\u00eancia do direito, persiste seu interesse na adequa\u00e7\u00e3o do valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.857.194-MT, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade de neg\u00f3cio jur\u00eddico, foi reconhecida a decad\u00eancia do direito em favor da parte r\u00e9. Por\u00e9m, o ju\u00edzo entendeu que uma vez acolhida a prejudicial de m\u00e9rito (decad\u00eancia), n\u00e3o haveria que se falar em altera\u00e7\u00e3o do valor da causa, que deveria ser mantida, no valor indicado pelos autores na inicial, pois suplantada a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a parte r\u00e9 interp\u00f4s recurso no qual alega que o valor da causa seria de mat\u00e9ria preliminar, cuja an\u00e1lise deve preceder a aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da demanda.<br \/><br \/><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 293. O r\u00e9u poder\u00e1 impugnar, em preliminar da contesta\u00e7\u00e3o, o valor atribu\u00eddo \u00e0 causa pelo autor, sob pena de preclus\u00e3o, e o juiz decidir\u00e1 a respeito, impondo, se for o caso, a complementa\u00e7\u00e3o das custas.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 337. Incumbe ao r\u00e9u, antes de discutir o m\u00e9rito, alegar:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; incorre\u00e7\u00e3o do valor da causa;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba Excetuadas a conven\u00e7\u00e3o de arbitragem e a incompet\u00eancia relativa, o juiz conhecer\u00e1 de of\u00edcio das mat\u00e9rias enumeradas neste artigo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-persiste-o-interesse\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Persiste o interesse?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Obviamente!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo disp\u00f5em os artigos 293 e 337, III, \u00a7 5\u00ba, do CPC\/2015, o r\u00e9u pode, antes de discutir o m\u00e9rito, impugnar o valor da causa indicado pelo autor na peti\u00e7\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>A impugna\u00e7\u00e3o ao valor da causa \u00e9 quest\u00e3o processual que envolve a adequa\u00e7\u00e3o do valor atribu\u00eddo \u00e0 demanda, com reflexos na fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, das custas judiciais e na determina\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trata-se, portanto, de mat\u00e9ria preliminar, cuja an\u00e1lise deve preceder a aprecia\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da demanda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a decad\u00eancia diz respeito \u00e0 perda do direito potestativo pela falta de seu exerc\u00edcio no respectivo prazo. \u00c9 mat\u00e9ria de m\u00e9rito, que demanda an\u00e1lise mais aprofundada dos fatos e do direito aplic\u00e1vel ao caso, devendo ser apreciada em momento subsequente ao das quest\u00f5es processuais preliminares.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe-se que, malgrado a parte r\u00e9 seja vitoriosa com o reconhecimento da decad\u00eancia do direito, mesmo assim persiste seu interesse na adequa\u00e7\u00e3o do valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, por configurar mat\u00e9ria preliminar \u00e0 an\u00e1lise do m\u00e9rito, a corre\u00e7\u00e3o do valor da causa pelo magistrado, seja em resposta \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o da parte, por meio de impugna\u00e7\u00e3o (CPC\/2015, art. 293), ou ainda de of\u00edcio (CPC\/2015, art. 292, \u00a7 3\u00ba), somente pode ocorrer at\u00e9 o momento da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Ainda que a parte r\u00e9 seja vitoriosa com o reconhecimento da decad\u00eancia do direito, persiste seu interesse na adequa\u00e7\u00e3o do valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-divida-originaria-a-qual-esta-atrelada-a-carta-de-fianca-anterior-ao-pedido-de-recuperacao-judicial\"><a>10.&nbsp; D\u00edvida origin\u00e1ria \u00e0 qual est\u00e1 atrelada a carta de fian\u00e7a anterior ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Se a d\u00edvida origin\u00e1ria \u00e0 qual est\u00e1 atrelada a carta de fian\u00e7a \u00e9 anterior ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, o cr\u00e9dito est\u00e1 submetido aos seus efeitos, n\u00e3o importando a data em que se tornou exig\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 2.123.959-GO, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por maioria, julgado em 13\/8\/2024, DJe 28\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma recupera\u00e7\u00e3o judicial, o Grupo Setemac apresentou impugna\u00e7\u00e3o para incluir seu cr\u00e9dito no quadro geral de credores, na classe III, dos cr\u00e9ditos quirograf\u00e1rios. O cr\u00e9dito teria origem em 2 (duas) cartas de fian\u00e7a: a carta de fian\u00e7a FINEP e a carta de fian\u00e7a BRDE.<\/p>\n\n\n\n<p>O administrador-judicial manifestou-se no sentido de que o cr\u00e9dito n\u00e3o se submete aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, porquanto o contrato s\u00f3 ser\u00e3o exig\u00edveis ap\u00f3s a data do pedido da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-importa-a-data-da-exigibilidade\"><a>10.2.1. Importa a data da exigibilidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopss!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o controvertida resume-se a definir qual o fato gerador do cr\u00e9dito titularizado pelo fiador sub-rogado para o fim de submiss\u00e3o aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos da iterativa jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a data de exist\u00eancia do cr\u00e9dito para o fim de submiss\u00e3o aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 a data de seu fato gerador, isto \u00e9, a data em que foi realizada a atividade negocial e n\u00e3o a data em que os valores se tornaram exig\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de garantia nasce com a assinatura das cartas de fian\u00e7a, momento em que se estabelece o v\u00ednculo jur\u00eddico e, portanto, a atividade negocial que liga o devedor origin\u00e1rio ao fiador, sendo irrelevante, o momento em que realizado o pagamento para o fim de submiss\u00e3o do cr\u00e9dito do fiador aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a sub-roga\u00e7\u00e3o, <strong>o direito de cr\u00e9dito \u00e9 repassado ao sub-rogado com todos os seus defeitos e qualidades. Se o credor origin\u00e1rio tinha um cr\u00e9dito submetido aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, \u00e9 isso o que ele tem a transferir ao fiador que pagou a d\u00edvida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a>10.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Se a d\u00edvida origin\u00e1ria \u00e0 qual est\u00e1 atrelada a carta de fian\u00e7a \u00e9 anterior ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, o cr\u00e9dito est\u00e1 submetido aos seus efeitos, n\u00e3o importando a data em que se tornou exig\u00edvel.<a><\/a><a><\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-obrigatoriedade-da-reducao-proporcional-da-pena-base-quando-o-tribunal-de-segunda-instancia-em-recurso-exclusivo-da-defesa-afastar-circunstancia-judicial-negativa-reconhecida-na-sentenca\"><a>11.&nbsp; Obrigatoriedade da <\/a>redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de segunda inst\u00e2ncia, em recurso exclusivo da defesa, afastar circunst\u00e2ncia judicial negativa reconhecida na senten\u00e7a.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de segunda inst\u00e2ncia, em recurso exclusivo da defesa, afastar circunst\u00e2ncia judicial negativa reconhecida na senten\u00e7a. Todavia, n\u00e3o implicam reformatio in pejus a mera corre\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de um fato j\u00e1 valorado negativamente pela senten\u00e7a para enquadr\u00e1-lo como outra circunst\u00e2ncia judicial, nem o simples refor\u00e7o de fundamenta\u00e7\u00e3o para manter a valora\u00e7\u00e3o negativa de circunst\u00e2ncia j\u00e1 reputada desfavor\u00e1vel na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.058.971-MG, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 28\/8\/2024, DJe 12\/9\/2024. (Tema 1214). (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Trata-se de recurso sob o rito dos repetitivos para definir se \u00e9 obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base, quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo da defesa, decotar circunst\u00e2ncia judicial negativada na senten\u00e7a condenat\u00f3ria, sob pena de, ao n\u00e3o faz\u00ea-lo, incorrer em viola\u00e7\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o contida no art. 617 do C\u00f3digo de Processo Penal (princ\u00edpio&nbsp;<em>ne reformatio in pejus<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, Craudi\u00e3o foi condenado pelo crime de furto qualificado (rompimento de obst\u00e1culo e escalada). No julgamento da apela\u00e7\u00e3o defensiva, o Tribunal de Justi\u00e7a mineiro afastou a valora\u00e7\u00e3o negativa da conduta social, sem promover a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena na primeira fase da dosimetria.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 617.&nbsp; O tribunal, c\u00e2mara ou turma atender\u00e1 nas suas decis\u00f5es ao disposto nos arts. 383, 386 e 387, no que for aplic\u00e1vel, n\u00e3o podendo, por\u00e9m, ser agravada a pena, quando somente o r\u00e9u houver apelado da senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fixa\u00e7\u00e3o da pena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 59 &#8211; O juiz, atendendo \u00e0 culpabilidade, aos antecedentes, \u00e0 conduta social, \u00e0 personalidade do agente, aos motivos, \u00e0s circunst\u00e2ncias e conseq\u00fc\u00eancias do crime, bem como ao comportamento da v\u00edtima, estabelecer\u00e1, conforme seja necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as penas aplic\u00e1veis dentre as cominadas;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a quantidade de pena aplic\u00e1vel, dentro dos limites previstos;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa da liberdade aplicada, por outra esp\u00e9cie de pena, se cab\u00edvel<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-obrigatoria-a-reducao\"><a>11.2.2. Obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Commmm certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia cinge-se a definir se \u00e9 obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base, quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo da defesa, decotar circunst\u00e2ncia judicial negativada na senten\u00e7a condenat\u00f3ria, sob pena de, ao n\u00e3o faz\u00ea-lo, incorrer em viola\u00e7\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o contida no art. 617 do C\u00f3digo de Processo Penal (princ\u00edpio&nbsp;<em>ne reformatio in pejus<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, a Terceira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, quando do julgamento do EREsp 1.826.799\/RS, firmou o entendimento no sentido de <strong>ser imperiosa a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de origem, em recurso exclusivo da defesa, afastar uma circunst\u00e2ncia judicial negativa do art. 59 do CP reconhecida no \u00e9dito condenat\u00f3rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse julgamento ficou assentado que &#8220;a proibi\u00e7\u00e3o de reforma para pior n\u00e3o admite, em caso de recurso exclusivo da defesa, seja agravada a situa\u00e7\u00e3o do recorrente, direta ou indiretamente. Nos termos do art. 617 do C\u00f3digo de Processo Penal, essa reforma prejudicial somente poder\u00e1 ocorrer na hip\u00f3tese de previs\u00e3o legal de recurso de of\u00edcio, em que se devolve ao Tribunal de Justi\u00e7a todo o conhecimento da mat\u00e9ria, assim como nas situa\u00e7\u00f5es em que houver recurso da acusa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Destaque-se que a controv\u00e9rsia jur\u00eddica em aprecia\u00e7\u00e3o n\u00e3o abrange a hip\u00f3tese em que o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>, ao se deparar com fundamenta\u00e7\u00e3o inid\u00f4nea na valora\u00e7\u00e3o negativa de vetorial na primeira fase, mant\u00e9m a negativa\u00e7\u00e3o, mas com base em fundamento distinto daquele circunstanciado na senten\u00e7a, valendo-se do efeito devolutivo pr\u00f3prio da apela\u00e7\u00e3o. Isso, a jurisprud\u00eancia do STJ tem admitido.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, fixa-se a seguinte tese: \u00c9 obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de segunda inst\u00e2ncia, em recurso exclusivo da defesa, afastar circunst\u00e2ncia judicial negativa reconhecida na senten\u00e7a. Todavia, n\u00e3o implicam&nbsp;<em>reformatio in pejus<\/em>&nbsp;a mera corre\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de um fato j\u00e1 valorado negativamente pela senten\u00e7a para enquadr\u00e1-lo como outra circunst\u00e2ncia judicial, nem o simples refor\u00e7o de fundamenta\u00e7\u00e3o para manter a valora\u00e7\u00e3o negativa de circunst\u00e2ncia j\u00e1 reputada desfavor\u00e1vel na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o proporcional da pena-base quando o Tribunal de segunda inst\u00e2ncia, em recurso exclusivo da defesa, afastar circunst\u00e2ncia judicial negativa reconhecida na senten\u00e7a. Todavia, n\u00e3o implicam reformatio in pejus a mera corre\u00e7\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o de um fato j\u00e1 valorado negativamente pela senten\u00e7a para enquadr\u00e1-lo como outra circunst\u00e2ncia judicial, nem o simples refor\u00e7o de fundamenta\u00e7\u00e3o para manter a valora\u00e7\u00e3o negativa de circunst\u00e2ncia j\u00e1 reputada desfavor\u00e1vel na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-designios-autonomos-e-concurso-de-crimes\"><a>12.&nbsp; Des\u00edgnios aut\u00f4nomos e concurso de crimes<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os des\u00edgnios aut\u00f4nomos que caracterizam o concurso formal impr\u00f3prio referem-se a qualquer forma de dolo, direto ou eventual.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.521.343-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/9\/2024, DJe 24\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cerso estava conduzindo ve\u00edculo sob o efeito de \u00e1lcool. Acabou se envolvendo em acidente que ceifou a vida do seu caroneiro e de pessoa em outro ve\u00edculo. Acabou denunciado pelos crimes de homic\u00eddio consumado em concurso com homic\u00eddio tentado \u2013 ambos em dolo eventual.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, Nerso alega que houve somente uma a\u00e7\u00e3o delitiva com pluralidade de v\u00edtimas, caracterizando o concurso formal pr\u00f3prio. N\u00e3o bastasse, s\u00f3 haveria que falar em \u201cdes\u00edgnio aut\u00f4nomo\u201d no dolo direito; o dolo \u00e9 eventual n\u00e3o admitiria tal modalidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Concurso formal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 70 &#8211; Quando o agente, mediante uma s\u00f3 a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, pratica dois ou mais crimes, id\u00eanticos ou n\u00e3o, aplica-se-lhe a mais grave das penas cab\u00edveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto at\u00e9 metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o \u00e9 dolosa e os crimes concorrentes resultam de des\u00edgnios aut\u00f4nomos, consoante o disposto no artigo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; N\u00e3o poder\u00e1 a pena exceder a que seria cab\u00edvel pela regra do art. 69 deste C\u00f3digo<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-tem-designio-no-dolo-eventual\"><a>12.2.2. T\u00eam des\u00edgnio no dolo eventual<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Des\u00edgnio, intento, prop\u00f3sito!!!<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem reconheceu o concurso formal impr\u00f3prio de infra\u00e7\u00f5es, porquanto o r\u00e9u, ao assumir a produ\u00e7\u00e3o do resultado morte, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas v\u00edtimas, ainda que o tenha feito mediante uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o, agiu com des\u00edgnios aut\u00f4nomos, devendo assim ser as penas de cada crime somadas, nos termos do artigo 70, segunda parte, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque,<strong> no caso, embora caracterizado o dolo eventual quanto a ambas as v\u00edtimas, uma delas estava no ve\u00edculo conduzido pelo acusado, havendo, relativamente a esta, des\u00edgnio aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima que transitava no outro autom\u00f3vel<\/strong>. \u00c9 dizer, o acusado assumiu o risco de ocasionar a morte ou les\u00e3o grave de sua passageira e, ciente da possibilidade do segundo resultado em rela\u00e7\u00e3o a terceiros, aceitou-o.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, &#8220;a express\u00e3o &#8216;des\u00edgnios aut\u00f4nomos&#8217; refere-se a qualquer forma de dolo, seja ele direto ou eventual. Vale dizer, o dolo eventual tamb\u00e9m representa o endere\u00e7amento da vontade do agente, pois ele, embora vislumbrando a possibilidade de ocorr\u00eancia de um segundo resultado, n\u00e3o o desejando diretamente, mas admitindo-o, aceita-o&#8221; (HC 191.490\/RJ, Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, DJe de 9\/10\/2012).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se ignora que parte da doutrina defende ser poss\u00edvel o concurso formal pr\u00f3prio mesmo entre crimes dolosos caso pelo menos um deles tenha sido praticado com dolo eventual, ao argumento de que somente h\u00e1 des\u00edgnio aut\u00f4nomo no dolo direto e de que somente este \u00e9 capaz de traduzir a necessidade de tratamento equivalente ao concurso material, com o c\u00famulo de penas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, prevalece no STJ o entendimento no sentido de que o concurso formal pr\u00f3prio ou perfeito somente \u00e9 poss\u00edvel se os crimes forem todos culposos, ou se um for doloso e o outro culposo. Assim, se o agente pretende alcan\u00e7ar mais de um resultado ou anui com tal possibilidade, como na situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise, configura-se o concurso formal impr\u00f3prio ou imperfeito, pois caracterizados os des\u00edgnios aut\u00f4nomos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os des\u00edgnios aut\u00f4nomos que caracterizam o concurso formal impr\u00f3prio referem-se a qualquer forma de dolo, direto ou eventual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-trafico-privilegiado-e-confissao-do-acusado-quanto-a-traficancia-em-momento-anterior\"><a>13.&nbsp; Tr\u00e1fico privilegiado e <\/a>confiss\u00e3o do acusado quanto \u00e0 trafic\u00e2ncia em momento anterior<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A confiss\u00e3o do acusado quanto \u00e0 trafic\u00e2ncia em momento anterior, para ser beneficiado com a formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o impede o reconhecimento do tr\u00e1fico privilegiado.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 895.165-SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024, DJe 9\/8\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi apreendido com certa quantidade de drogas pela segunda vez. O MP percebeu que na pris\u00e3o anterior Creitinho havia confessado que j\u00e1 estava na lida (na trafic\u00e2ncia) fazia algum tempo. Essa confiss\u00e3o levou \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O parquet alega que ainda que a transa\u00e7\u00e3o penal acerca do crime de uso de drogas n\u00e3o possa ser sopesada para demonstrar que o paciente dedica-se \u00e0 atividade da trafic\u00e2ncia, o Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal realizado em a\u00e7\u00e3o penal que trata de crime semelhante n\u00e3o pode ser ignorado, de forma a tratar o r\u00e9u como um traficante iniciante.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; reparar o dano ou restituir a coisa \u00e0 v\u00edtima, exceto na impossibilidade de faz\u00ea-lo;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como instrumentos, produto ou proveito do crime;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; prestar servi\u00e7o \u00e0 comunidade ou a entidades p\u00fablicas por per\u00edodo correspondente \u00e0 pena m\u00ednima cominada ao delito diminu\u00edda de um a dois ter\u00e7os, em local a ser indicado pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, na forma do&nbsp;art. 46 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal);&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; pagar presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, a ser estipulada nos termos do&nbsp;art. 45 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal),&nbsp;a entidade p\u00fablica ou de interesse social, a ser indicada pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, que tenha, preferencialmente, como fun\u00e7\u00e3o proteger bens jur\u00eddicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; cumprir, por prazo determinado, outra condi\u00e7\u00e3o indicada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, desde que proporcional e compat\u00edvel com a infra\u00e7\u00e3o penal imputada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 12. A celebra\u00e7\u00e3o e o cumprimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o constar\u00e3o de certid\u00e3o de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do \u00a7 2\u00ba deste artigo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-trafico-privilegiado-anpp\"><a>13.2.2. Tr\u00e1fico Privilegiado + ANPP??<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>S2<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal tem por finalidade imprimir celeridade e racionalidade ao sistema judicial, permitindo que o \u00f3rg\u00e3o acusador se ocupe da persecu\u00e7\u00e3o de crimes de maior gravidade e que o benefici\u00e1rio evite os efeitos delet\u00e9rios de uma condena\u00e7\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob um enfoque mais amplo, <strong>o instituto surge como valiosa alternativa ao problema do encarceramento em massa, em especial ap\u00f3s o Supremo Tribunal Federal ter declarado a exist\u00eancia de estado de coisas inconstitucional no sistema carcer\u00e1rio brasileiro<\/strong> (ADPF n. 347).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o emprego das vias alternativas, tais como os atos negociais penais, geram efeitos positivos e pr\u00e1ticos na atua\u00e7\u00e3o punitiva estatal, dotando o sistema penal e processual penal de indiscut\u00edvel economicidade, al\u00e9m de representar a expans\u00e3o da Justi\u00e7a consensual no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Registre-se que o \u00a7 12 do art. 28-A do C\u00f3digo de Processo Penal prev\u00ea, textualmente, que <strong>a celebra\u00e7\u00e3o e o cumprimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o constar\u00e3o de certid\u00e3o de antecedentes criminais, exceto para os fins previstos no inciso III do \u00a7 2\u00ba do mesmo artigo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se, dessa forma, que a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o foi clara ao estatuir que o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o pode ser utilizado com outra finalidade sen\u00e3o aquela j\u00e1 prevista na parte final do mencionado dispositivo legal, o que deve, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio &#8220;favor rei&#8221;, ser interpretado de maneira ampla, a vedar interpreta\u00e7\u00f5es segundo as quais o ANPP possa ser indicativo de envolvimento do seu benefici\u00e1rio com atividades criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a confiss\u00e3o do acusado quanto \u00e0 trafic\u00e2ncia em momento anterior, para ser beneficiado com a formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de figurar como \u00f3bice ao reconhecimento do tr\u00e1fico privilegiado, j\u00e1 que n\u00e3o sucedido de condena\u00e7\u00e3o definitiva a pena de reclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A confiss\u00e3o do acusado quanto \u00e0 trafic\u00e2ncia em momento anterior, para ser beneficiado com a formaliza\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o impede o reconhecimento do tr\u00e1fico privilegiado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-recusa-injustificada-ou-ilegalmente-motivada-do-ministerio-publico-em-oferecer-o-acordo-de-nao-persecucao-penal-autoriza-a-rejeicao-da-denuncia\"><a>14.&nbsp; Recusa injustificada ou ilegalmente motivada do Minist\u00e9rio P\u00fablico em oferecer o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal autoriza \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A recusa injustificada ou ilegalmente motivada do Minist\u00e9rio P\u00fablico em oferecer o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal autoriza \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, por falta de interesse de agir para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.038.947-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho (sempre ele), foi condenado \u00e0 pena de 1 ano e 8 meses de reclus\u00e3o, mais multa, pela pr\u00e1tica do crime previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006. O MP deixou de oferecer o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, raz\u00e3o pela qual a defesa do rapaz alega que o recebimento da den\u00fancia n\u00e3o pode ser invocado para impedir a incid\u00eancia do instituto do ANPP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; reparar o dano ou restituir a coisa \u00e0 v\u00edtima, exceto na impossibilidade de faz\u00ea-lo;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico como instrumentos, produto ou proveito do crime;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; prestar servi\u00e7o \u00e0 comunidade ou a entidades p\u00fablicas por per\u00edodo correspondente \u00e0 pena m\u00ednima cominada ao delito diminu\u00edda de um a dois ter\u00e7os, em local a ser indicado pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, na forma do&nbsp;art. 46 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal);&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; pagar presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, a ser estipulada nos termos do&nbsp;art. 45 do Decreto-Lei n\u00ba 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (C\u00f3digo Penal),&nbsp;a entidade p\u00fablica ou de interesse social, a ser indicada pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, que tenha, preferencialmente, como fun\u00e7\u00e3o proteger bens jur\u00eddicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; ou&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; cumprir, por prazo determinado, outra condi\u00e7\u00e3o indicada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, desde que proporcional e compat\u00edvel com a infra\u00e7\u00e3o penal imputada.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 14. No caso de recusa, por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico, em propor o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, o investigado poder\u00e1 requerer a remessa dos autos a \u00f3rg\u00e3o superior, na forma do art. 28 deste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-autoriza-a-rejeicao-da-denuncia\"><a>14.2.2. Autoriza a rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Exatamente!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o das ferramentas de barganha penal observa uma discricionariedade regrada ou juridicamente vinculada do Minist\u00e9rio P\u00fablico em propor ao investigado ou denunciado uma alternativa consensual de solu\u00e7\u00e3o do conflito. N\u00e3o se pode confundir, por\u00e9m, discricionariedade regrada com arbitrariedade, pois \u00e9 sob o prisma do poder-dever (ou melhor, do dever-poder), e n\u00e3o da mera faculdade, que ela deve ser analisada.<\/p>\n\n\n\n<p>A margem discricion\u00e1ria de atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico quanto ao oferecimento de acordo diz respeito apenas \u00e0 an\u00e1lise do preenchimento dos requisitos legais, sobretudo daqueles que envolvem conceitos jur\u00eddicos indeterminados. \u00c9 o que ocorre, principalmente, com a exig\u00eancia contida no art. 28-A,&nbsp;<em>caput<\/em>, do CPP, de que o acordo s\u00f3 poder\u00e1 ser oferecido se for &#8220;necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime&#8221;, express\u00e3o dotada de vagueza sem\u00e2ntica que gera significativa controv\u00e9rsia sobre a sua interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer, n\u00e3o \u00e9 dado ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, se presentes os requisitos legais, recusar-se a oferecer um acordo ao averiguado por crit\u00e9rios de conveni\u00eancia e oportunidade. Na verdade, o que o Minist\u00e9rio P\u00fablico pode fazer &#8211; de forma excepcional e concretamente fundamentada &#8211; \u00e9 avaliar se o acordo \u00e9 necess\u00e1rio e suficiente \u00e0 preven\u00e7\u00e3o e reprova\u00e7\u00e3o do crime, o que \u00e9, em si mesmo, um requisito legal.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico tem o dever legal (art. 43, III, da Lei Org\u00e2nica do Minist\u00e9rio P\u00fablico &#8211; Lei n. 8.625\/1993) e constitucional (art. 129, VIII, da CF) de fundamentar suas manifesta\u00e7\u00f5es e, embora n\u00e3o haja direito subjetivo \u00e0 entabula\u00e7\u00e3o de um acordo, h\u00e1 direito subjetivo a uma manifesta\u00e7\u00e3o idoneamente fundamentada do Minist\u00e9rio P\u00fablico. E cabe ao Judici\u00e1rio, em sua indeclin\u00e1vel, indeleg\u00e1vel e inafast\u00e1vel fun\u00e7\u00e3o de &#8220;dizer o direito&#8221; (<em>juris dictio<\/em>), decidir se os fundamentos empregados pelo&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;se enquadram ou n\u00e3o nas balizas do ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico nem ao Poder Judici\u00e1rio, salvo excepcionalmente em caso de inconstitucionalidade &#8211; como, por exemplo, reconheceu a Segunda Turma do STF em rela\u00e7\u00e3o aos crimes raciais -, deixar de aplicar mecanismos consensuais legalmente previstos em favor do averiguado com base, apenas, na natureza abstrata do delito ou em seu car\u00e1ter hediondo. Isso significaria criar, em preju\u00edzo do investigado, novas veda\u00e7\u00f5es n\u00e3o previstas pelo legislador, o qual j\u00e1 fez a escolha das infra\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com a formaliza\u00e7\u00e3o de acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>o Minist\u00e9rio P\u00fablico recusou-se a oferecer acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal sob o \u00fanico fundamento de que o tr\u00e1fico de drogas era crime hediondo<\/strong>. A defesa requereu a remessa dos autos \u00e0 Procuradoria-Geral de Justi\u00e7a, o que foi negado pelo Magistrado, com o argumento de que houve apreens\u00e3o de dois tipos de drogas e dinheiro. No entanto, em alega\u00e7\u00f5es finais, o pr\u00f3prio Minist\u00e9rio P\u00fablico requereu a aplica\u00e7\u00e3o da minorante prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, o que foi acolhido na senten\u00e7a, na fra\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, sem recurso ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>A modalidade privilegiada contida no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006 tem o potencial de reduzir a pena m\u00ednima abaixo de 4 anos de reclus\u00e3o, o que permite a aplica\u00e7\u00e3o do ANPP, segundo o art. 28-A, \u00a7 1\u00ba, do CPP, e ainda afasta a natureza hedionda do delito, conforme previs\u00e3o legal do art. 112, \u00a7 5\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal e entendimento pac\u00edfico dos tribunais superiores. <strong>Nada impede, portanto, ao menos em abstrato, a aplica\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal no crime de tr\u00e1fico de drogas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o se altera pelo fato de a referida causa de diminui\u00e7\u00e3o ter fra\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis e s\u00f3 ser aplicada na terceira fase da dosimetria da pena, pois n\u00e3o retira do Minist\u00e9rio P\u00fablico o dever de analisar o seu potencial cabimento j\u00e1 no momento de oferecer den\u00fancia, a teor do art. 28-A, \u00a7 1\u00ba, do CPP. Por se tratar o ANPP de instituto balizado pela pena m\u00ednima cominada ao delito, devem-se considerar as causas de diminui\u00e7\u00e3o aplic\u00e1veis na maior fra\u00e7\u00e3o abstratamente poss\u00edvel para verificar se o referido requisito legal \u00e9 preenchido.<\/p>\n\n\n\n<p>Para oferecer den\u00fancia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico deve justificar de maneira concreta e id\u00f4nea o n\u00e3o cabimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal. No caso do tr\u00e1fico de drogas, isso significa demonstrar, em ju\u00edzo de probabilidade, com base nos elementos do inqu\u00e9rito e naquilo que se projeta para produzir na instru\u00e7\u00e3o, que o investigado n\u00e3o merecer\u00e1 a aplica\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006 ou, pelo menos, que, mesmo se a merecer, a gravidade concreta do delito \u00e9 tamanha que o acordo n\u00e3o \u00e9 &#8220;necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso contr\u00e1rio, a recusa injustificada ou ilegalmente motivada do&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;em oferecer o acordo deve levar \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, por falta de interesse de agir para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal, nas modalidades necessidade e utilidade (art. 395, II, do CPP). Deveras, conforme j\u00e1 assentou o STJ &#8220;o n\u00e3o oferecimento tempestivo do ANPP desacompanhado de motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea constitui nulidade absoluta&#8221;, de modo que, &#8220;Presentes os requisitos para a propositura do ANPP, bem como ausentes as raz\u00f5es pelas quais essa n\u00e3o ocorreu, a den\u00fancia n\u00e3o poderia ter sido ofertada e muito menos recebida&#8221; (AgRg no HC 762.049\/PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 17\/3\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o altera essa conclus\u00e3o o fato de o art. 28, \u00a7 14, do CPP estabelecer que &#8220;No caso de recusa, por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico, em propor o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, o investigado poder\u00e1 requerer a remessa dos autos a \u00f3rg\u00e3o superior, na forma do art. 28 deste C\u00f3digo&#8221;. Com efeito, se o acusado faz jus a uma manifesta\u00e7\u00e3o idoneamente fundamentada do&nbsp;<em>Parquet<\/em>, n\u00e3o h\u00e1 como afastar o controle judicial de legalidade dessa manifesta\u00e7\u00e3o (art. 5\u00ba, XXXV, CF), ainda que tamb\u00e9m submetida a revis\u00e3o&nbsp;<em>interna corporis<\/em>&nbsp;do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, mostra-se configurada a viola\u00e7\u00e3o do art. 28-A,&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;e \u00a7 14, do CPP tanto pela inidoneidade da fundamenta\u00e7\u00e3o usada pelo membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico para se recusar a oferecer o ANPP quanto pela aus\u00eancia de remessa dos autos pelo Magistrado \u00e0 inst\u00e2ncia revisora do&nbsp;<em>Parquet<\/em>, a qual s\u00f3 pode ser negada se evidente a aus\u00eancia de requisito objetivo, o que n\u00e3o era o caso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A recusa injustificada ou ilegalmente motivada do Minist\u00e9rio P\u00fablico em oferecer o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal autoriza \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, por falta de interesse de agir para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-nbsp-v-edacao-da-progressao-especial-prevista-no-inciso-v-do-3\u00ba-do-art-112-da-lei-de-execucao-penal\"><a>15.&nbsp; V<\/a>eda\u00e7\u00e3o da progress\u00e3o especial prevista no inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o da progress\u00e3o especial prevista no inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal deve se restringir aos casos em houve condena\u00e7\u00e3o por crime associativo, n\u00e3o servindo como \u00f3bice ao benef\u00edcio o mero afastamento da minorante do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 888.336-SP, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 13\/8\/2024, DJe 15\/8\/2024(Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina teve e progress\u00e3o especial prevista no inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal negada pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o. Quando de sua condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico de drogas, n\u00e3o foi reconhecida a causa de diminui\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua defesa impetrou HC no qual alega que a paciente \u00e9 m\u00e3e de quatro menores de idade, prim\u00e1ria, n\u00e3o cometeu crime com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, possui bom comportamento, estuda e trabalha dentro da unidade carcer\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 112. A pena privativa de liberdade ser\u00e1 executada em forma progressiva com a transfer\u00eancia para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba No caso de mulher gestante ou que for m\u00e3e ou respons\u00e1vel por crian\u00e7as ou pessoas com defici\u00eancia, os requisitos para progress\u00e3o de regime s\u00e3o, cumulativamente:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; n\u00e3o ter integrado organiza\u00e7\u00e3o criminosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-vedada-a-progressao-especial-quando-trafico-nao-for-privilegiado\"><a>15.2.2. Vedada a progress\u00e3o especial quando tr\u00e1fico n\u00e3o for privilegiado??<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Somente se houve condena\u00e7\u00e3o por crime associativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 amplitude interpretativa do inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, especialmente, os limites da express\u00e3o &#8220;n\u00e3o ter integrado organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a interpretou o dispositivo estritamente para restringir a progress\u00e3o especial aos casos em que a r\u00e9 tivesse sido condenada pelo delito descrito na Lei n. 12.850\/2013. No entanto, a jurisprud\u00eancia evoluiu para admitir interpreta\u00e7\u00e3o extensiva da norma, impondo como \u00f3bice \u00e0 progress\u00e3o especial a condena\u00e7\u00e3o por delitos associativos, como a associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>a inst\u00e2ncia local deu amplitude ainda maior ao dispositivo, considerando suficiente a fundamenta\u00e7\u00e3o utilizada para afastar a incid\u00eancia do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei de Drogas<\/strong>. Entre as outras veda\u00e7\u00f5es \u00e0 incid\u00eancia da causa de diminui\u00e7\u00e3o da pena prevista no referido dispositivo encontra-se a n\u00e3o dedica\u00e7\u00e3o a atividades criminosas e o fato de n\u00e3o integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse dispositivo permite afastar a minorante em casos nos quais n\u00e3o h\u00e1 acusa\u00e7\u00e3o ou prova da pr\u00e1tica de crime associativo, associa\u00e7\u00e3o para o tr\u00e1fico (art. 35 da Lei n. 11.343\/2006), organiza\u00e7\u00e3o criminosa (2\u00ba da Lei n. 12.850\/2013) ou mesmo associa\u00e7\u00e3o criminosa (art. 288 do C\u00f3digo Penal). Trata-se de hip\u00f3tese cujos elementos, insuficientes para tipifica\u00e7\u00e3o, mostram-se suficientes para afastar uma causa de diminui\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando o princ\u00edpio da legalidade no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o, as apenadas podem ter limitados seus direitos apenas pelo expressamente previsto na lei e na senten\u00e7a condenat\u00f3ria. J\u00e1 pelo princ\u00edpio da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, deve ser evitada a padroniza\u00e7\u00e3o da reprimenda, que deve ser adequada a cada reeducanda, considerando sua personalidade, seu hist\u00f3rico prisional e sua evolu\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, <strong>os fundamentos utilizados para n\u00e3o aplicar a minorante nem sequer indicam que a sentenciada integra organiza\u00e7\u00e3o criminosa, mas apenas que se dedica a atividades criminosas, o que, efetivamente, extrapola os limites do princ\u00edpio da legalidade e da individualiza\u00e7\u00e3o da pena. <\/strong>Na pr\u00e1tica, admitida a interpreta\u00e7\u00e3o dada pela origem, toda condenada por tr\u00e1fico, gestante ou m\u00e3e, que tivesse a causa de diminui\u00e7\u00e3o afastada, n\u00e3o poderia progredir de regime, nos termos do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a veda\u00e7\u00e3o da progress\u00e3o especial pela via interpretativa para todas as condenadas por tr\u00e1fico de drogas sem incid\u00eancia da causa de diminui\u00e7\u00e3o do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006 n\u00e3o encontra aporte legal, devendo se restringir a veda\u00e7\u00e3o do inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal aos casos em que houve condena\u00e7\u00e3o por crime associativo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o da progress\u00e3o especial prevista no inciso V do \u00a7 3\u00ba do art. 112 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal deve se restringir aos casos em houve condena\u00e7\u00e3o por crime associativo, n\u00e3o servindo como \u00f3bice ao benef\u00edcio o mero afastamento da minorante do \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nbsp-irretroatividade-da-norma-mais-gravosa-da-saidinha-temporaria\"><a>16.&nbsp; Irretroatividade da norma mais gravosa da saidinha tempor\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a7 2\u00ba do art. 122 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, com a reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.843\/2024, torna mais restritiva a execu\u00e7\u00e3o da pena, restringindo o gozo das sa\u00eddas tempor\u00e1rias aos condenados por crimes hediondos ou cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, n\u00e3o pode ser aplicado retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vig\u00eancia, em respeito ao princ\u00edpio da irretroatividade da lei penal mais gravosa.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 932.864-SC, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/9\/2024, DJe 13\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, apenado, teve seu pedido de sa\u00edda tempor\u00e1ria negado, em que pese a data dos fatos objeto de a condena\u00e7\u00e3o ser anterior \u00e0 Lei n. 14.843\/2024, entendeu-se pela aplica\u00e7\u00e3o retroativa do dispositivo legal para obstar o direito \u00e0 sa\u00edda tempor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em HC, sua defesa sustenta a irretroatividade da lei posterior mais gravosa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semi-aberto poder\u00e3o obter autoriza\u00e7\u00e3o para sa\u00edda tempor\u00e1ria do estabelecimento, sem vigil\u00e2ncia direta, nos seguintes casos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; (revogado);&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; freq\u00fc\u00eancia a curso supletivo profissionalizante, bem como de instru\u00e7\u00e3o do 2\u00ba grau ou superior, na Comarca do Ju\u00edzo da Execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; (revogado).&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba N\u00e3o ter\u00e1 direito \u00e0 sa\u00edda tempor\u00e1ria de que trata o&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo ou a trabalho externo sem vigil\u00e2ncia direta o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a contra pessoa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-possivel-a-aplicacao-aos-fatos-anteriores\"><a>16.2.2. Poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o aos fatos anteriores?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o em discuss\u00e3o consiste em verificar a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retroativa do \u00a7 2\u00ba do art. 122 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, com reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 14.843\/2024, que torna mais gravosa a execu\u00e7\u00e3o da pena, pois veda o gozo das sa\u00eddas tempor\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 14.843\/2024, ao modificar o \u00a7 2\u00ba do art. 122 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, recrudesce a execu\u00e7\u00e3o da pena ao vedar a concess\u00e3o de sa\u00eddas tempor\u00e1rias para condenados por crimes hediondos ou cometidos com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a contra pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A aplica\u00e7\u00e3o retroativa dessa norma constitui&nbsp;<em>novatio legis in pejus<\/em>, vedada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong> (art. 5\u00ba, XL) e pelo C\u00f3digo Penal (art. 2\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que normas mais gravosas n\u00e3o podem retroagir para prejudicar o executado, conforme a S\u00famula n. 471\/STJ e precedentes correlatos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, os crimes pelos quais o paciente foi condenado ocorreram antes da vig\u00eancia da Lei n. 14.843\/2024, o que impede a aplica\u00e7\u00e3o retroativa das novas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 sa\u00edda tempor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O \u00a7 2\u00ba do art. 122 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, com a reda\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.843\/2024, torna mais restritiva a execu\u00e7\u00e3o da pena, restringindo o gozo das sa\u00eddas tempor\u00e1rias aos condenados por crimes hediondos ou cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, n\u00e3o pode ser aplicado retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vig\u00eancia, em respeito ao princ\u00edpio da irretroatividade da lei penal mais gravosa.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-nbsp-im-possibilidade-da-anulacao-de-julgamento-realizado-pelo-tribunal-do-juri-quando-o-reu-ficar-sentado-de-costas-para-os-jurados-durante-a-sessao\"><a>17.&nbsp; (Im)Possibilidade da <\/a>anula\u00e7\u00e3o de julgamento realizado pelo Tribunal do J\u00fari quando o r\u00e9u ficar sentado de costas para os jurados durante a sess\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a anula\u00e7\u00e3o de julgamento realizado pelo Tribunal do J\u00fari quando o r\u00e9u ficar sentado de costas para os jurados durante a sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 768.422-SP, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 10\/9\/2024, DJe 13\/9\/2024. (Info STJ 827)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton foi submetido a julgamento pelo Conselho de Senten\u00e7a e ficou de costas durante o ato. Antes do in\u00edcio do interrogat\u00f3rio do r\u00e9u, pelo Advogado foi requerido que o rapaz fizesse o depoimento virado de frente para os jurados sob a alega\u00e7\u00e3o de que eles precisariam ter contato visual com o r\u00e9u para julgar o processo de forma adequada. O juiz indeferiu o requerimento tendo em vista a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal a respeito, justificando que o mero fato da disposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos jurados dentro do plen\u00e1rio do j\u00fari n\u00e3o tem o cond\u00e3o de ter qualquer reflexo sobre o julgamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-julgamento-de-costas\"><a>17.2.1. Julgamento de costas?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Morro e n\u00e3o vejo tudo&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o paciente foi submetido a julgamento pelo Conselho de Senten\u00e7a e ficou de costas, situa\u00e7\u00e3o inadmiss\u00edvel devido ao tratamento oposto ao princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao ponto, \u00e9 inconceb\u00edvel que o Minist\u00e9rio P\u00fablico sustente n\u00e3o existir previs\u00e3o legal para que o paciente seja julgado com dignidade, valor garantido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal a todos os cidad\u00e3os brasileiros e estrangeiros, ignorando assim v\u00e1rios princ\u00edpios e direitos assegurados pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e os tratados de Direitos Humanos dos quais o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento do Tribunal do J\u00fari pode se estender por muitas horas e, durante esse per\u00edodo, os jurados dedicam aten\u00e7\u00e3o a todos os ritos, aos advogados e, principalmente, ao acusado, que permanece exposto a an\u00e1lises at\u00e9 a decis\u00e3o final. Desse modo, <strong>o local em que ele fica, a roupa que usa e a utiliza\u00e7\u00e3o de algemas, por exemplo, s\u00e3o fatores simb\u00f3licos observ\u00e1veis e ponderados pelos jurados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O preju\u00edzo no caso concreto \u00e9 constatado pelo desrespeito ao princ\u00edpio da dignidade humana, uma vez que o poder judici\u00e1rio tolheu do paciente a possibilidade de ser visto por seus julgadores, bem como pela condena\u00e7\u00e3o que suportou ap\u00f3s a delibera\u00e7\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-resultado-final\"><a>17.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a anula\u00e7\u00e3o de julgamento realizado pelo Tribunal do J\u00fari quando o r\u00e9u ficar sentado de costas para os jurados durante a sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-91839087-f324-4677-b750-d36183b21131\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/10\/22215517\/stj-informativo-827.pdf\">STJ &#8211; informativo 827<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/10\/22215517\/stj-informativo-827.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-91839087-f324-4677-b750-d36183b21131\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7amos em nossa caminhada jurisprudencial. Chegou a hora do Informativo n\u00ba 827 do STJ\u00a0COMENTADO. 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