{"id":1451532,"date":"2024-08-27T00:17:29","date_gmt":"2024-08-27T03:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1451532"},"modified":"2024-09-10T00:17:06","modified_gmt":"2024-09-10T03:17:06","slug":"informativo-stj-820-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-820-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 820 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p>I<span style=\"font-size: revert;, sans-serif\">nformativo n\u00ba 820 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;, sans-serif\">COMENTADO<\/strong><span style=\"font-size: revert;, sans-serif\">. Pra cima dele!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/27001718\/stj-informativo-820.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_lzbs7KM48qU\"><div id=\"lyte_lzbs7KM48qU\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/lzbs7KM48qU\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/lzbs7KM48qU\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/lzbs7KM48qU\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acao-popular-e-invalidacao-pelo-poder-judiciario\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o Popular e invalida\u00e7\u00e3o pelo Poder Judici\u00e1rio.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A invalida\u00e7\u00e3o, pelo Poder Judici\u00e1rio, de ato do CARF lesivo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, seja ele favor\u00e1vel ou contr\u00e1rio ao Fisco, somente \u00e9 poss\u00edvel quando eivado de manifesta ilegalidade, contr\u00e1rio a sedimentados precedentes jurisdicionais ou incorrido em desvio ou abuso de poder. A A\u00e7\u00e3o Popular, embora empreendida a t\u00edtulo individual, tem por objetivo a tutela de direitos transindividuais, n\u00e3o se prestando, por conseguinte, \u00e0 mera tutela patrimonial dos cofres estatais, \u00e0 contraposi\u00e7\u00e3o pura e simples da atividade administrativa, tampouco \u00e0 defesa de interesses do cidad\u00e3o figurante no polo ativo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.608.161-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024, DJe 9\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudi\u00e3o, auditor-fiscal da RFB, ajuizou A\u00e7\u00e3o Popular buscando a anula\u00e7\u00e3o de Ac\u00f3rd\u00e3o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Segundo o Craudi\u00e3o, o CARF declarou a decad\u00eancia de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios que haviam sido constitu\u00eddos em Notifica\u00e7\u00e3o Fiscal de Lan\u00e7amento de D\u00e9bito.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a inicial, ap\u00f3s dilig\u00eancias empreendidas por autoridades fiscais, foi cancelada a imunidade tribut\u00e1ria usufru\u00edda do contribuinte quanto \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es sociais, com efeitos retroativos. Para Craudi\u00e3o, nas hip\u00f3teses de afastamento administrativo da imunidade tribut\u00e1ria, o termo inicial da decad\u00eancia corresponde ao primeiro dia do exerc\u00edcio seguinte \u00e0 data de expedi\u00e7\u00e3o do ato formal de seu cancelamento. A seu ver, \u00e9 ilegal a decis\u00e3o do CARF que considera o termo ad quo a data dos respectivos fatos geradores.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 142. Compete privativamente \u00e0 autoridade administrativa constituir o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio pelo lan\u00e7amento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorr\u00eancia do fato gerador da obriga\u00e7\u00e3o correspondente, determinar a mat\u00e9ria tribut\u00e1vel, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplica\u00e7\u00e3o da penalidade cab\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A atividade administrativa de lan\u00e7amento \u00e9 vinculada e obrigat\u00f3ria, sob pena de responsabilidade funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 145. O lan\u00e7amento regularmente notificado ao sujeito passivo s\u00f3 pode ser alterado em virtude de:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; impugna\u00e7\u00e3o do sujeito passivo;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 4.717\/1965:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba Qualquer cidad\u00e3o ser\u00e1 parte leg\u00edtima para pleitear a anula\u00e7\u00e3o ou a declara\u00e7\u00e3o de nulidade de atos lesivos ao patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o, do Distrito Federal, dos Estados, dos Munic\u00edpios, de entidades aut\u00e1rquicas, de sociedades de economia mista (Constitui\u00e7\u00e3o, art. 141, \u00a7 38), de sociedades m\u00fatuas de seguro nas quais a Uni\u00e3o represente os segurados ausentes, de empresas p\u00fablicas, de servi\u00e7os sociais aut\u00f4nomos, de institui\u00e7\u00f5es ou funda\u00e7\u00f5es para cuja cria\u00e7\u00e3o ou custeio o tesouro p\u00fablico haja concorrido ou concorra com mais de cinq\u00fcenta por cento do patrim\u00f4nio ou da receita \u00e2nua, de empresas incorporadas ao patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o, do Distrito Federal, dos Estados e dos Munic\u00edpios, e de quaisquer pessoas jur\u00eddicas ou entidades subvencionadas pelos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba S\u00e3o nulos os atos lesivos ao patrim\u00f4nio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de:<\/p>\n\n\n\n<p>a) incompet\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p>b) v\u00edcio de forma;<\/p>\n\n\n\n<p>c) ilegalidade do objeto;<\/p>\n\n\n\n<p>d) inexist\u00eancia dos motivos;<\/p>\n\n\n\n<p>e) desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-invalidacao-pelo-judiciario\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a invalida\u00e7\u00e3o pelo judici\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Somente \u00e9 poss\u00edvel quando eivado de manifesta ilegalidade, contr\u00e1rio a sedimentados precedentes jurisdicionais ou incorrido em desvio ou abuso de poder!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca do manejo da A\u00e7\u00e3o Popular para fins de controle de atos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Na hip\u00f3tese, a referida A\u00e7\u00e3o foi proposta por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, buscando a anula\u00e7\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o proferido no \u00e2mbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; CARF, o qual negou provimento a recurso administrativo aviado pela Fazenda Nacional, mantendo, consequentemente, decis\u00e3o exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento &#8211; DRJ.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o popular tem por fundamento axiol\u00f3gico a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil nos afazeres estatais, direito cuja consagra\u00e7\u00e3o ganhou contornos mais expansivos com a promulga\u00e7\u00e3o da atual Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Notadamente, em seu art. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, h\u00e1 a outorga aos membros do corpo social a prerrogativa de atuarem diretamente na tomada de decis\u00f5es p\u00fablicas, emprestando, assim, maior legitimidade \u00e0s a\u00e7\u00f5es do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa conjuntura, a ordem constitucional alberga uma pl\u00eaiade de instrumentos implementadores da atua\u00e7\u00e3o direta do cidad\u00e3o na prote\u00e7\u00e3o de interesses coletivos. Al\u00e9m dessas hip\u00f3teses, em densifica\u00e7\u00e3o ao primado da soberania popular, faculta-se ao legislador a cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos compostos por membros da sociedade civil para delibera\u00e7\u00e3o sobre as mais distintas pol\u00edticas p\u00fablicas, orienta\u00e7\u00e3o j\u00e1 acolhida pelo Supremo Tribunal Federal em precedente vinculante (cf. ADPF n. 623\/DF, Relatora Ministra Rosa Weber, Tribunal Pleno, julgado em 22.5.2023, DJe 18.7.2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os conselhos deliberativos legalmente institu\u00eddos como corol\u00e1rios da democracia participativa, o Conselho Administrativo dos Recursos Fiscais &#8211; CARF destaca-se pela sua composi\u00e7\u00e3o deliberativa parit\u00e1ria e imanente fun\u00e7\u00e3o de decidir acerca dos lit\u00edgios tribut\u00e1rios de al\u00e7ada federal, cujas decis\u00f5es foram dotadas de car\u00e1ter definitivo, sejam elas favor\u00e1veis ou contr\u00e1rias aos interesses do Fisco, como se verifica dos regramentos previstos nos arts. 42, II e III, 43 e 45 do Decreto n. 70.235\/1972<\/p>\n\n\n\n<p>Consoante a dic\u00e7\u00e3o dos arts. 142 e 145, I, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, uma vez constitu\u00eddo o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio pelo lan\u00e7amento &#8211; ato administrativo vinculado mediante o qual se procede \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o dos sujeitos da rela\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, bem como \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do valor a ser pago a t\u00edtulo de tributo, de modo a conferir exigibilidade ao correspondente cr\u00e9dito -, faculta-se ao contribuinte ou ao respons\u00e1vel a apresenta\u00e7\u00e3o de impugna\u00e7\u00e3o tendente a modificar, a alterar ou a extinguir a exig\u00eancia fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito federal<strong>, a insurg\u00eancia apresentada em face do lan\u00e7amento inaugura a fase litigiosa do contencioso tribut\u00e1rio, cabendo a \u00f3rg\u00e3os integrantes da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, compostos por representantes dos contribuintes, delibera\u00e7\u00e3o definitiva acerca da mat\u00e9ria<\/strong>. Tal processo administrativo fiscal federal \u00e9 regulado pelos arts. 14 e 25 do Decreto n. 70.235\/197, de modo que o julgamento dos recursos apresentados pelos sujeitos passivos incumbe, em primeira inst\u00e2ncia, \u00e0s Delegacias da Receita Federal de Julgamento &#8211; DRJ, e, em segunda inst\u00e2ncia, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; CARF, \u00f3rg\u00e3o colegiado e parit\u00e1rio integrante da estrutura do Minist\u00e9rio da Fazenda.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de sua composi\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria, o CARF constitui \u00f3rg\u00e3o componente da estrutura administrativa da Uni\u00e3o &#8211; estando, por isso, jungido ao princ\u00edpio da legalidade -, raz\u00e3o pela qual suas decis\u00f5es s\u00e3o imputadas diretamente \u00e0 pessoa jur\u00eddica da qual \u00e9 parte integrante. \u00c0 falta de previs\u00e3o normativa em sentido diverso, porquanto seus julgados n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de revis\u00e3o por nenhum outro \u00f3rg\u00e3o administrativo, atribuindo-se, por isso, primazia \u00e0s delibera\u00e7\u00f5es tomadas em ambiente dial\u00f3gico entre membros do corpo social e servidores p\u00fablicos efetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>A par disso, a institui\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal, de estrutura hier\u00e1rquica para a solu\u00e7\u00e3o dos conflitos fiscais e na qual o CARF figura como inst\u00e2ncia m\u00e1xima, privilegia a resolu\u00e7\u00e3o extrajudicial de lit\u00edgios, viabilizando, em consequ\u00eancia, (i) o c\u00e9lere encerramento de contendas tribut\u00e1rias em ambiente consensual e (ii) o incremento da cultura de est\u00edmulo \u00e0 desjudicialiaza\u00e7\u00e3o, diretrizes fundantes da Pol\u00edtica Judici\u00e1ria de Tratamento \u00e0 Alta Litigiosidade do Contencioso Tribut\u00e1rio aprovada pela Resolu\u00e7\u00e3o CNJ n. 471\/2022 (art. 2\u00ba, VI e VII).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, conquanto n\u00e3o se olvide sua natureza administrativa &#8211; legitimando, por tal raz\u00e3o, o manejo de a\u00e7\u00e3o popular por qualquer cidad\u00e3o visando \u00e0 invalida\u00e7\u00e3o de ato do CARF lesivo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, seja ele favor\u00e1vel ou contr\u00e1rio ao Fisco -, eventual controle judicial de suas conclus\u00f5es deve considerar o papel reservado ao indicado colegiado na estrutura da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Federal. Isso \u00e9 verdade especialmente quando do escrut\u00ednio das teses jur\u00eddicas levadas em conta para a consolida\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo hermen\u00eautico acerca da interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, de modo a somente afastar as conclus\u00f5es alcan\u00e7adas se eivadas de manifesta ilegalidade, contr\u00e1rias a sedimentados precedentes jurisdicionais ou incorridas em desvio ou abuso de poder.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exegese diversa teria o cond\u00e3o de tornar irrelevante a participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil na tomada de decis\u00f5es pelo Poder P\u00fablico e sup\u00e9rfluo o principal mecanismo extrajudicial de solu\u00e7\u00e3o de controv\u00e9rsias tribut\u00e1rias federais<\/strong>, uma vez que ac\u00f3rd\u00e3os exonerativos do dever de pagar tributos sempre estariam sujeitos \u00e0 revis\u00e3o por inst\u00e2ncia distinta, independentemente de quaisquer outras indaga\u00e7\u00f5es substantivas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas e qual a finalidade da a\u00e7\u00e3o popular???<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tutela de direitos transindividuais!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos moldes do art. 5\u00ba, LXXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e, no plano infraconstitucional, dos arts. 1\u00ba e 2\u00ba da Lei n. 4.717\/1965, a a\u00e7\u00e3o popular \u00e9 direito fundamental, atribu\u00eddo ao cidad\u00e3o, de acionar o Poder Judici\u00e1rio com o objetivo de invalidar atos lesivos ao patrim\u00f4nio material e imaterial do Estado, ampliando, assim, as formas pelas quais os titulares da soberania exercem prerrogativas fiscalizat\u00f3rias dos afazeres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, constitui instrumento de efetiva\u00e7\u00e3o da democracia participativa plasmada no art. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Constitui\u00e7\u00e3o, empoderando e estimulando a atua\u00e7\u00e3o da sociedade civil no controle de decis\u00f5es estatais, especialmente por meio de medidas judiciais tendentes a corrigir ofensas a direitos ou interesses difusos e coletivos. Trata-se, portanto, de instrumento ulterior, repressivo e jurisdicional da corre\u00e7\u00e3o de rumos da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, pass\u00edvel de ser acionado por qualquer cidad\u00e3o com amparo no direito fundamental \u00e0 soberania popular.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante tradicionalmente vinculado o exerc\u00edcio do direito ao ajuizamento da a\u00e7\u00e3o popular \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o do bin\u00f4mio ilegalidade-lesividade &#8211; notadamente sob a perspectiva de desfalque patrimonial ao Er\u00e1rio -, <strong>o Supremo Tribunal Federal, em julgamento submetido ao regime de repercuss\u00e3o geral, fixou compreens\u00e3o segundo a<\/strong> qual <strong>o n\u00facleo essencial da&nbsp;<em>actio popularis<\/em>&nbsp;n\u00e3o est\u00e1 exclusivamente ligado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o material do Estado, mas, preponderantemente, ao afastamento de ilegalidades<\/strong>, inclusive sob a perspectiva moral do ato lesivo, n\u00e3o bastando, por isso, a simples constata\u00e7\u00e3o de perda econ\u00f4mica para autorizar a tutela de direitos coletivos pelos cidad\u00e3os (cf. Tema n. 836, ARE n. 824.781\/MT, Relator Ministro Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 28.8.2015, DJe 9.10.2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, restou fixada a seguinte tese: &#8220;N\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o cabimento da a\u00e7\u00e3o popular a demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo material aos cofres p\u00fablicos, dado que o art. 5\u00ba, LXXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece que qualquer cidad\u00e3o \u00e9 parte leg\u00edtima para propor a\u00e7\u00e3o popular e impugnar, ainda que separadamente, ato lesivo ao patrim\u00f4nio material, moral, cultural ou hist\u00f3rico do Estado ou de entidade de que ele participe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a&nbsp;<em>actio popularis<\/em>&nbsp;n\u00e3o se presta \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de meros interesses particulares do respectivo autor, sob pena de subverterem-se os fins para os quais institu\u00edda. Vale dizer, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o popular, fundamentado no exerc\u00edcio da soberania do povo, deve ter por escopo imediato a defesa de interesses coletivos cuja preserva\u00e7\u00e3o, apenas mediatamente, beneficia o autor enquanto membro do grupo, n\u00e3o se volvendo, contudo, \u00e0 tutela de interesse preponderantemente individual daquele que em nome de todos atua, tampouco \u00e0 mera contesta\u00e7\u00e3o do leg\u00edtimo exerc\u00edcio da atividade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essas raz\u00f5es, a tutela de interesses imediatamente particulares e mediatamente coletivos por interm\u00e9dio de a\u00e7\u00e3o popular \u00e9 recha\u00e7ada pela jurisprud\u00eancia das Turmas integrantes da 1\u00aa Se\u00e7\u00e3o, conforme denotam os julgados: REsp 1.870.473-RS, relator Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 24.5.2022, DJe 2.6.2022, REsp. 801.080-RJ, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 16.10.2007, DJ 29.10.2007 e REsp 36.534-DF, Relator Ministro H\u00e9lio Mossiman, Segunda Turma, julgado em 14.12.1994, DJ 13.2.1995.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, foi proposta A\u00e7\u00e3o Popular por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, buscando a anula\u00e7\u00e3o de ac\u00f3rd\u00e3o proferido no \u00e2mbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; CARF, o qual negou provimento a recurso administrativo aviado pela Fazenda Nacional, mantendo, consequentemente, decis\u00e3o exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento &#8211; DRJ, que reconhecera a decad\u00eancia dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios constitu\u00eddos em desfavor de contribuinte por meio de Notifica\u00e7\u00e3o Fiscal de Lan\u00e7amento de D\u00e9bito &#8211; NFLD.<\/p>\n\n\n\n<p>Em consulta ao s\u00edtio eletr\u00f4nico do STJ, foram identificados ao menos 200 (duzentos) Recursos Especiais e Agravos interpostos nos autos de A\u00e7\u00f5es Populares, denotando a utiliza\u00e7\u00e3o da via eleita para, reiteradamente, se contrapor \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do tribunal administrativo respons\u00e1vel pela aprecia\u00e7\u00e3o definitiva acerca da regularidade das exig\u00eancias fiscais &#8211; caso do CARF -, bem como para afastar intelec\u00e7\u00e3o do CNAS quanto ao preenchimento de requisitos para o gozo de imunidade relativa a contribui\u00e7\u00f5es sociais (e.g. REsp n. 1.889.451\/RS, Relator Ministro S\u00e9rgio Kukina; REsp n. 1.704.495\/RS, Relatora Ministra Assusete Magalh\u00e3es; e AREsp n. 891.597\/RS, Relator Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho).<\/p>\n\n\n\n<p>O elevado grau de litigiosidade expressa n\u00edtida insubordina\u00e7\u00e3o ao entendimento jur\u00eddico exarado por \u00f3rg\u00e3os superiores, conduta pass\u00edvel, ao menos em tese, de caracterizar infra\u00e7\u00e3o aos deveres funcionais de lealdade \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e de cumprimento das leg\u00edtimas delibera\u00e7\u00f5es das autoridades \u00e0s quais vinculado (cf. art. 116, II e IV, da Lei n. 8.112\/1990).<\/p>\n\n\n\n<p>Assegurar a servidor p\u00fablico integrante dos quadros do Fisco, via a\u00e7\u00e3o popular, a contesta\u00e7\u00e3o judicial de delibera\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os administrativos superiores e aos quais seus atos est\u00e3o sujeitos a reexame, como no caso, pode, a um s\u00f3 tempo, importar em subvers\u00e3o da estrutura hier\u00e1rquica da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e viabilizar a utiliza\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>actio popularis<\/em>&nbsp;como instrumento de suposta vingan\u00e7a por n\u00e3o ter sido chancelada a sua interpreta\u00e7\u00e3o pelo \u00f3rg\u00e3o julgador.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o ajuizamento da A\u00e7\u00e3o Popular, verifica-se que n\u00e3o houve apontamento de manifesta ilegalidade do entendimento abra\u00e7ado pelo CARF, desvio ou abuso de poder praticado pelos julgadores, tampouco indicativo de ado\u00e7\u00e3o de tese contr\u00e1ria a sedimentados precedentes jurisdicionais; ao rev\u00e9s, a argumenta\u00e7\u00e3o trazida na peti\u00e7\u00e3o inicial evidencia mera discord\u00e2ncia quanto ao ju\u00edzo hermen\u00eautico sufragado em \u00e2mbito administrativo, em sentido oposto \u00e0quele defendido na demanda origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventual invalidade de ato administrativo somente poder ser aferida \u00e0 vista da exegese conferida \u00e0 lei que o ampara, a simples discord\u00e2ncia interpretativa, por si s\u00f3, n\u00e3o se qualifica como ilegalidade pass\u00edvel de ser sanada por meio de A\u00e7\u00e3o Popular, mormente quando em an\u00e1lise decis\u00f5es de colegiados parit\u00e1rios sobre disposi\u00e7\u00f5es legislativas de conte\u00fado poliss\u00eamico e objeto de interpreta\u00e7\u00f5es d\u00edspares.<\/p>\n\n\n\n<p>Conquanto se alegue a exist\u00eancia de preju\u00edzo ao er\u00e1rio no reconhecimento da decad\u00eancia tribut\u00e1ria &#8211; elemento tido pelo ac\u00f3rd\u00e3o recorrido como central para viabilizar o ajuizamento da demanda -, o \u00e2mago do direito fundamental protegido pelos arts. 5\u00ba, LXXIII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, e 1\u00ba e 2\u00ba da Lei n. 4.717\/1965, consiste na prerrogativa atribu\u00edda ao cidad\u00e3o para afastar ilegalidades na condu\u00e7\u00e3o dos afazeres estatais, independentemente de eventual desfalque financeiro.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A invalida\u00e7\u00e3o, pelo Poder Judici\u00e1rio, de ato do CARF lesivo ao patrim\u00f4nio p\u00fablico, seja ele favor\u00e1vel ou contr\u00e1rio ao Fisco, somente \u00e9 poss\u00edvel quando eivado de manifesta ilegalidade, contr\u00e1rio a sedimentados precedentes jurisdicionais ou incorrido em desvio ou abuso de poder. A A\u00e7\u00e3o Popular, embora empreendida a t\u00edtulo individual, tem por objetivo a tutela de direitos transindividuais, n\u00e3o se prestando, por conseguinte, \u00e0 mera tutela patrimonial dos cofres estatais, \u00e0 contraposi\u00e7\u00e3o pura e simples da atividade administrativa, tampouco \u00e0 defesa de interesses do cidad\u00e3o figurante no polo ativo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-dos-tribunais-de-contas-para-julgar-atos-praticados-por-prefeitos-municipais-na-condicao-de-ordenadores-de-despesas\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia dos Tribunais de Contas para julgar atos praticados por prefeitos municipais na condi\u00e7\u00e3o de ordenadores de despesas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os Tribunais de Contas det\u00eam compet\u00eancia para julgar atos praticados por prefeitos municipais na condi\u00e7\u00e3o de ordenadores de despesas e, quando constatadas irregularidades ou ilegalidades, t\u00eam o poder-dever de aplicar san\u00e7\u00f5es, no exerc\u00edcio das atribui\u00e7\u00f5es fiscalizat\u00f3rias e sancionat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 13.499-CE, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremia, Prefeito de Parapinga, impetrou Mandado de Seguran\u00e7a contra ato do Presidente do Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios do Estado do Cear\u00e1 \u2013 TCM, consubstanciado em Ac\u00f3rd\u00e3o, que, ao constatar irregularidades na compra de um terreno pela prefeitura, determinou ao impetrante no prazo de 15 (quinze) dias, o ressarcimento ao er\u00e1rio da Municipalidade, assim como o pagamento de multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas raz\u00f5es de seu recurso ordin\u00e1rio, o recorrente sustenta que o Tribunal de Contas dos Munic\u00edpios, na qualidade de \u00f3rg\u00e3o auxiliar do Legislativo local, extrapolou sua compet\u00eancia ao julgar as contas do Chefe do Poder Executivo, ao tempo em que deveria se restringir \u00e0 emiss\u00e3o de parecer pr\u00e9vio sem for\u00e7a vinculante e sem conte\u00fado deliberativo, para ulterior julgamento pela C\u00e2mara Municipal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-tc-tem-competencia-para-tanto\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; TC tem compet\u00eancia para tanto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Yeap!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da aplica\u00e7\u00e3o do Tema de Repercuss\u00e3o Geral n. 1287 ao caso julgado pela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, o qual entendeu leg\u00edtima decis\u00e3o condenat\u00f3ria do Tribunal de Contas local, com imposi\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito e multa a parte, em raz\u00e3o de irregularidade na pr\u00e1tica de ato de gest\u00e3o pelo Prefeito do Munic\u00edpio, especificamente, a compra superfaturada de um terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n. 729.744 (Tema n. 157\/STF), concluiu que compete \u00e0 C\u00e2mara Municipal o julgamento das contas anuais do Prefeito. Na ocasi\u00e3o foi firmado o entendimento de que o Tribunal de Contas atua como auxiliar do Poder Legislativo, cabendo-lhe apenas a emiss\u00e3o de parecer t\u00e9cnico opinativo, sem for\u00e7a vinculante.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, no julgamento do RE n. 848.826 (Tema n. 835\/STF), a Suprema Corte decidiu que, para fins de aplica\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o de inelegibilidade prevista no art. 1\u00ba, I,&nbsp;<em>g<\/em>, da LC n. 64\/1990, alterado pela LC n. 135\/2010, a exequibilidade da decis\u00e3o da Corte de Contas local sobre as contas do Prefeito, tanto as anuais (de governo) como as de gest\u00e3o, depende de expressa manifesta\u00e7\u00e3o do Poder Legislativo municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais recentemente, no julgamento do ARE n. 1.436.197, sob o rito da repercuss\u00e3o geral (Tema n. 1.287\/STF), o Supremo Tribunal Federal delimitou que a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o expressa do Poder Legislativo local sobre a aprova\u00e7\u00e3o das contas do Chefe do Executivo municipal restringe-se \u00e0s presta\u00e7\u00f5es de contas anuais, as chamadas contas de governo. No que se refere \u00e0s contas de gest\u00e3o, a delibera\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara Municipal \u00e9 exigida apenas nos casos em que \u00e9 analisada a inelegibilidade, para fins de registro de candidatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos demais casos de atos de gest\u00e3o de Prefeito, que n\u00e3o estejam relacionados com an\u00e1lise de inelegibilidade para fins de registro de candidatura (LC n. 64\/1990, art. 1\u00ba, I,&nbsp;<em>g<\/em>), &#8220;permanece intacta &#8211; mesmo ap\u00f3s o julgamento dos Temas n. 157 e n. 835 suprarreferidos &#8211; a compet\u00eancia geral dos Tribunais de Contas relativamente ao julgamento, fiscaliza\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de medidas cautelares, corretivas e sancionat\u00f3rias, nos limites do art. 71 da Constitui\u00e7\u00e3o, independentemente de posterior ratifica\u00e7\u00e3o pelo Poder Legislativo&#8221; (ARE 1.436.197, trecho do voto do Rel. Min. Luiz Fux).<\/p>\n\n\n\n<p>A tese do Tema n. 1.287\/STF, portanto, confirma o entendimento manifestado no ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Segunda Turma do STJ, no sentido de que<strong> os Tribunais de Contas det\u00eam compet\u00eancia para julgar atos praticados por prefeitos municipais na condi\u00e7\u00e3o de ordenadores de despesas e, inclusive, constatadas irregularidades ou ilegalidades, tem o poder-dever de aplicar san\u00e7\u00f5es, no exerc\u00edcio das atribui\u00e7\u00f5es fiscalizat\u00f3rias e sancionat\u00f3rias<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os Tribunais de Contas det\u00eam compet\u00eancia para julgar atos praticados por prefeitos municipais na condi\u00e7\u00e3o de ordenadores de despesas e, quando constatadas irregularidades ou ilegalidades, t\u00eam o poder-dever de aplicar san\u00e7\u00f5es, no exerc\u00edcio das atribui\u00e7\u00f5es fiscalizat\u00f3rias e sancionat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nulidade-das-clausulas-que-preveem-a-responsabilidade-do-consumidor-em-indenizar-dano-perda-furto-roubo-extravio-de-quaisquer-equipamentos-entregues-em-comodato-ou-locacao-pela-prestadora-de-servico\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nulidade das cl\u00e1usulas que preveem a responsabilidade do consumidor em indenizar dano, perda, furto, roubo, extravio de quaisquer equipamentos entregues em comodato ou loca\u00e7\u00e3o pela prestadora de servi\u00e7o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de TV por assinatura e internet, s\u00e3o nulas as cl\u00e1usulas que preveem a responsabilidade do consumidor em indenizar dano, perda, furto, roubo, extravio de quaisquer equipamentos entregues em comodato ou loca\u00e7\u00e3o pela prestadora de servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.852.362-SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por maioria, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou ACP por meio da qual alega a nulidade das cl\u00e1usulas que preveem a responsabilidade do consumidor em indenizar dano, perda, furto, roubo, extravio de quaisquer equipamentos entregues em comodato ou loca\u00e7\u00e3o pela prestadora de servi\u00e7o nos contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de TV por assinatura e internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, a operadora Dark sustenta que raramente cobra dos consumidores os danos, em geral quando esses n\u00e3o conseguem demonstrar minimamente a ocorr\u00eancia de caso fortuito ou for\u00e7a maior e quando os danos s\u00e3o fruto de evidente m\u00e1-f\u00e9 ou de descuido muito grande por parte do assinante.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nulas-as-clausulas\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nulas as cl\u00e1usulas?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de TV por assinatura e<em>&nbsp;internet<\/em>, mesmo que se reconhe\u00e7a a autonomia da vontade (autodetermina\u00e7\u00e3o) do contratante ao escolher a prestadora do servi\u00e7o, n\u00e3o h\u00e1 liberdade de escolha do consumidor quanto \u00e0 pessoa jur\u00eddica com quem celebrar\u00e1 o contrato de comodato ou loca\u00e7\u00e3o dos equipamentos necess\u00e1rios para a frui\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>A loca\u00e7\u00e3o e o comodato, que costumam ser contratos principais no direito privado, surgem, sob o prisma da rela\u00e7\u00e3o de consumo em debate, como pactos ACESS\u00d3RIOS cuja celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 decorr\u00eancia natural e obrigat\u00f3ria da contrata\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de TV por assinatura e&nbsp;<em>internet<\/em>&nbsp;(pacto principal).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, s<strong>e o consumidor n\u00e3o pode optar pela compra dos aparelhos e deve se sujeitar ao comodato ou \u00e0 loca\u00e7\u00e3o impostos pela operadora<\/strong> &#8220;conforme a pol\u00edtica comercial vigente&#8221;, \u00e9 abusiva a regra contratual que imp\u00f5e ao hipossuficiente a assun\u00e7\u00e3o do risco pelo perecimento ou perdimento do equipamento, mesmo em situa\u00e7\u00f5es de caso fortuito ou for\u00e7a maior.<\/p>\n\n\n\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o das cl\u00e1usulas de assun\u00e7\u00e3o integral do risco constantes de contratos de ades\u00e3o, redigidos unilateralmente pelo fornecedor, representa pr\u00e1tica abusiva e desequil\u00edbrio contratual, colocando o consumidor em desvantagem exagerada.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a exclus\u00e3o dessa cl\u00e1usula n\u00e3o causar\u00e1 desequil\u00edbrio em preju\u00edzo dos interesses do fornecedor, pois, se o consumidor invocar a exce\u00e7\u00e3o substancial do caso fortuito ou da for\u00e7a maior (roubo, por exemplo), caber\u00e1 a ele, em tese, demonstrar a sua ocorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de TV por assinatura e internet, s\u00e3o nulas as cl\u00e1usulas que preveem a responsabilidade do consumidor em indenizar dano, perda, furto, roubo, extravio de quaisquer equipamentos entregues em comodato ou loca\u00e7\u00e3o pela prestadora de servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-v-edacao-a-alienacao-de-vaga-de-garagem-com-matricula-propria-para-terceiro-estranho-ao-condominio-sem-autorizacao-expressa-na-convencao-condominial-e-hasta-publica\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V<\/a>eda\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de vaga de garagem com matr\u00edcula pr\u00f3pria para terceiro estranho ao condom\u00ednio, sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa na conven\u00e7\u00e3o condominial e hasta p\u00fablica.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de vaga de garagem com matr\u00edcula pr\u00f3pria para terceiro estranho ao condom\u00ednio, sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa na conven\u00e7\u00e3o condominial, prevalece mesmo no caso de aliena\u00e7\u00e3o judicial por hasta p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.095.402-SC, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024, DJe 8\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Banco Safira ajuizou execu\u00e7\u00e3o em face de Craudete, na qual foi requerida a penhora do im\u00f3vel \u2014 sua vaga de garagem. Ocorre que na conven\u00e7\u00e3o condominial h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de vaga de garagem (com matr\u00edcula pr\u00f3pria) para terceiro estranho ao condom\u00ednio. Ao julgar o tema, o tribunal local entendeu a proibi\u00e7\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea na conven\u00e7\u00e3o condominial n\u00e3o obsta a venda por imposi\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.331. Pode haver, em edifica\u00e7\u00f5es, partes que s\u00e3o propriedade exclusiva, e partes que s\u00e3o propriedade comum dos cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>As partes suscet\u00edveis de utiliza\u00e7\u00e3o independente, tais como apartamentos, escrit\u00f3rios, salas, lojas e sobrelojas, com as respectivas fra\u00e7\u00f5es ideais no solo e nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas livremente por seus propriet\u00e1rios, exceto os abrigos para ve\u00edculos, que n\u00e3o poder\u00e3o ser alienados ou alugados a pessoas estranhas ao condom\u00ednio, salvo autoriza\u00e7\u00e3o expressa na conven\u00e7\u00e3o de condom\u00ednio<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-prevalece-a-vedacao\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prevalece a veda\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para o STJ, sim!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em julgamento da Quarta Turma, definiu-se que, &#8220;em condom\u00ednio edil\u00edcio, a vaga de garagem pode ser enquadrada como: (i) unidade aut\u00f4noma (art. 1.331, \u00a7 1\u00ba, do CC), desde que lhe caiba matr\u00edcula independente no Registro de Im\u00f3veis, sendo, ent\u00e3o, de uso exclusivo do titular; (ii) direito acess\u00f3rio, quando vinculado a um apartamento, sendo, assim, de uso particular; ou (iii) \u00e1rea comum, quando sua frui\u00e7\u00e3o couber a todos os cond\u00f4minos indistintamente&#8221; (REsp 1.152.148\/SE, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 13\/8\/2013, DJe de 2\/9\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da unidade aut\u00f4noma, \u00e9 admiss\u00edvel a penhora de vaga de garagem associada a im\u00f3vel considerado bem de fam\u00edlia, conforme estabelecido pela S\u00famula n. 449 do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aplicar o entendimento da referida s\u00famula, a Corte estadual afastou a proibi\u00e7\u00e3o do art. 1.331, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Civil (CC\/2002) &#8211; aliena\u00e7\u00e3o a terceiros estranhos ao condom\u00ednio &#8211; na hip\u00f3tese de determina\u00e7\u00e3o judicial de penhora de vaga de garagem com matr\u00edcula pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>A reda\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo primeiro foi conferida com a finalidade de garantir seguran\u00e7a, funcionalidade e harmonia no ambiente condominial. <strong>Ao restringir o acesso \u00e0s vagas apenas aos cond\u00f4minos, reduz-se o risco de indiv\u00edduos n\u00e3o autorizados circularem no espa\u00e7o, diminuindo a probabilidade de incidentes como furtos, vandalismos ou invas\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Logo, ao interpretar o art. 1.331, \u00a7 1\u00ba, do CC\/2002, que veda a aliena\u00e7\u00e3o das vagas de garagem a pessoas estranhas ao condom\u00ednio sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa na conven\u00e7\u00e3o condominial, em conjunto com o entendimento consolidado na S\u00famula n. 449 do STJ, que autoriza a penhora de vaga de garagem com matr\u00edcula pr\u00f3pria, \u00e9 imperativo restringir a participa\u00e7\u00e3o na hasta p\u00fablica exclusivamente aos cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o de vaga de garagem com matr\u00edcula pr\u00f3pria para terceiro estranho ao condom\u00ednio, sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa na conven\u00e7\u00e3o condominial, prevalece mesmo no caso de aliena\u00e7\u00e3o judicial por hasta p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-d-ivulgacao-de-novidade-estetica-de-desenho-industrial-que-nao-possui-registro-perante-o-inpi-e-uso-de-terceiros-sem-autorizacao\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; D<\/a>ivulga\u00e7\u00e3o de novidade est\u00e9tica de desenho industrial que n\u00e3o possui registro perante o INPI e uso de terceiros sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o de novidade est\u00e9tica de desenho industrial que n\u00e3o possui registro perante o INPI resulta imediata incorpora\u00e7\u00e3o ao estado da arte, possibilitando sua utiliza\u00e7\u00e3o por terceiros, independentemente de autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.042.712-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Macro Brinquedos comercializava uma boneca que teria sido desenvolvida com utiliza\u00e7\u00e3o de partes de outras duas bonecas. S\u00f3 que essas outras bonequinhas eram fabricadas por empresa concorrente \u2014 atuante no mesmo segmento mercadol\u00f3gico de ind\u00fastria e com\u00e9rcio de brinquedos e jogos recreativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa concorrente alega que teria ocorrido viola\u00e7\u00e3o ao direito de propriedade industrial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-violacao-da-propriedade-industrial\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Viola\u00e7\u00e3o da propriedade industrial?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nada!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da prote\u00e7\u00e3o do desenho de uma boneca que teria sido desenvolvida com utiliza\u00e7\u00e3o de partes de outras duas bonecas fabricadas por empresa concorrente atuante no mesmo segmento mercadol\u00f3gico de ind\u00fastria e com\u00e9rcio de brinquedos e jogos recreativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, discute-se o regime de prote\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel ao caso, se o regime dos direitos autorais ou o regime de propriedade industrial, com as repercuss\u00f5es decorrentes, em especial, quanto \u00e0 imprescindibilidade de registro junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) para prote\u00e7\u00e3o dos direitos de explora\u00e7\u00e3o exclusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ensina a doutrina que &#8220;o termo est\u00e9tico expressa um valor intr\u00ednseco, encerrado na considera\u00e7\u00e3o da obra em si mesma, e independente de sua destina\u00e7\u00e3o ou uso efetivo. J\u00e1 as obras utilit\u00e1rias, alvo de prote\u00e7\u00e3o pelo Direito de Propriedade Industrial, t\u00eam por objetivo a consecu\u00e7\u00e3o de utilidades materiais diretas, ainda que possam guardar rela\u00e7\u00e3o com elementos est\u00e9ticos incorporados em seus produtos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>a aplica\u00e7\u00e3o do Direito de Autor prevista em \u00e2mbito nacional na Lei n. 9.610\/1998 est\u00e1 adstrita \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o intelectual n\u00e3o abarcada pela prote\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da Lei n. 9.279\/1996<\/strong>, embora ambas as produ\u00e7\u00f5es decorram inequivocamente do emprego da intelig\u00eancia e criatividade humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, n\u00e3o se forma um v\u00ednculo permanente com aquele que introduz essa inova\u00e7\u00e3o no mercado, como ocorre com os institutos da marca ou mesmo entre autor e sua obra para os fins da Lei n. 9.610\/1996, ou mesmo com a marca.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio,<strong> n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para duvidar-se da natureza jur\u00eddica de propriedade industrial e correspondente regime jur\u00eddico a ser aplicado<\/strong>. Veja-se que bonecas que imitam beb\u00eas humanos s\u00e3o produtos industriais comercializados de longa data.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>os caracteres indicados como novos, cuja prote\u00e7\u00e3o se busca com fundamento no Direito de Autor, configuram modifica\u00e7\u00f5es ou detalhes est\u00e9ticos que n\u00e3o agregam fun\u00e7\u00e3o nova ou utilidade especial \u00e0s bonecas<\/strong>, mas t\u00e3o somente as tornam diferentes de outras tantas dispon\u00edveis do mercado, inclusive do mesmo fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto se est\u00e1 diante de verdadeiro desenho industrial, cuja prote\u00e7\u00e3o \u00e9 assegurada ao desenvolvedor (autor) por meio do direito de explora\u00e7\u00e3o exclusiva, por\u00e9m apenas quando requerido regularmente seu registro. Isso porque o regime de propriedade industrial brasileiro adotou o sistema atributivo, de modo que o registro constitui a titularidade da propriedade dos bens imateriais protegidos pela Lei n. 9.279\/1998.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o de novidade est\u00e9tica de desenho industrial que n\u00e3o possui registro perante o INPI resulta imediata incorpora\u00e7\u00e3o ao estado da arte, possibilitando sua utiliza\u00e7\u00e3o por terceiros, independentemente de autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-determinar-a-expedicao-de-passaportes-e-para-as-demais-questoes-relacionadas-a-saida-de-criancas-de-pais-no-exterior-quando-este-for-o-local-de-domicilio-delas-e-de-seus-genitores\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia <\/a>determinar a expedi\u00e7\u00e3o de passaportes e para as demais quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00edda de crian\u00e7as de pa\u00eds no exterior quando este for o local de domic\u00edlio delas e de seus genitores.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 competente a Justi\u00e7a estrangeira para determinar a expedi\u00e7\u00e3o de passaportes e para as demais quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00edda de crian\u00e7as de pa\u00eds no exterior quando este for o local de domic\u00edlio delas e de seus genitores.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.992.735-PE, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide, brasileira, ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a Uni\u00e3o buscando autoriza\u00e7\u00e3o judicial para a emiss\u00e3o de passaportes para seus filhos menores, em raz\u00e3o da negativa do pai, de nacionalidade norueguesa. Segundo consta, a fam\u00edlia reside na Noruega desde 2015 e, ap\u00f3s separa\u00e7\u00e3o do casal, o genitor n\u00e3o consentiu com a renova\u00e7\u00e3o dos passaportes por temer que eles, se viajassem para o Brasil com a m\u00e3e, n\u00e3o mais retornassem. Os menores t\u00eam nacionalidade brasileira e norueguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao manter a senten\u00e7a, o Tribunal local ressaltou que a Conven\u00e7\u00e3o da Haia de 1980, da qual Brasil e Noruega s\u00e3o signat\u00e1rios, prioriza as decis\u00f5es proferidas no pa\u00eds de resid\u00eancia das crian\u00e7as no tocante \u00e0 guarda e visitas, raz\u00e3o pela qual a Justi\u00e7a Norueguesa seria a competente para suprir o consentimento do pai e determinar a emiss\u00e3o dos passaportes pleiteada nesta a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto n. 5.978\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27.&nbsp; Quando se tratar de menor de dezoito anos, salvo nas hip\u00f3teses de cessa\u00e7\u00e3o de incapacidade previstas em lei, \u00e9 vedada a emiss\u00e3o de documento de viagem sem a expressa autoriza\u00e7\u00e3o:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; de ambos os pais ou respons\u00e1vel legal;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; de apenas um dos pais ou respons\u00e1vel legal, no caso de \u00f3bito ou destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar de um deles, comprovado por certid\u00e3o de \u00f3bito ou decis\u00e3o judicial brasileira ou estrangeira legalizada; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; do \u00fanico genitor registrado na certid\u00e3o de nascimento ou documento de identidade.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp; Divergindo os pais quanto \u00e0 concess\u00e3o do documento de viagem do menor, o documento ser\u00e1 concedido mediante decis\u00e3o judicial brasileira ou estrangeira legalizada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-a-quem-compete\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aos N\u00f3rdicos!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A autora, brasileira, ajuizou a\u00e7\u00e3o contra a Uni\u00e3o buscando autoriza\u00e7\u00e3o judicial para a emiss\u00e3o de passaportes para seus filhos menores, em raz\u00e3o da negativa do pai, de nacionalidade norueguesa. Segundo consta, a fam\u00edlia reside na Noruega desde 2015 e, ap\u00f3s separa\u00e7\u00e3o do casal, o genitor n\u00e3o consentiu com a renova\u00e7\u00e3o dos passaportes por temer que eles, se viajassem para o Brasil com a m\u00e3e, n\u00e3o mais retornassem. Os menores t\u00eam nacionalidade brasileira e norueguesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao manter a senten\u00e7a, o Tribunal&nbsp;<em>a quo r<\/em>essaltou que a Conven\u00e7\u00e3o da Haia de 1980, da qual Brasil e Noruega s\u00e3o signat\u00e1rios, prioriza as decis\u00f5es proferidas no pa\u00eds de resid\u00eancia das crian\u00e7as no tocante \u00e0 guarda e visitas, raz\u00e3o pela qual a Justi\u00e7a Norueguesa seria a competente para suprir o consentimento do pai e determinar a emiss\u00e3o dos passaportes pleiteada nesta a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 emiss\u00e3o de passaporte de menores de 18 anos, o par\u00e1grafo \u00fanico do art. 27 do Decreto n. 5.978\/2006, &#8220;Regulamento de Documentos de Viagem&#8221;, estabelece que, havendo diverg\u00eancia dos pais quanto \u00e0 concess\u00e3o do documento, caber\u00e1 \u00e0 justi\u00e7a brasileira ou \u00e0 estrangeira legalizada dirimir a lide.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, no caso, a Justi\u00e7a Norueguesa proferiu decis\u00e3o sobre a guarda dos menores, que tem resid\u00eancia fixa com a m\u00e3e, em uma cidade da Noruega, garantindo o direito de visita do pai, sem, contudo, se posicionar sobre a possibilidade de sa\u00edda dos menores do pa\u00eds de domic\u00edlio, de modo que o acolhimento do pedido pleiteado na a\u00e7\u00e3o poderia facilitar a vinda das crian\u00e7as ao Brasil sem a expressa anu\u00eancia do genitor ou da autoridade judicial competente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, <strong>eventual decis\u00e3o judicial brasileira que supra a autoriza\u00e7\u00e3o paternal para emiss\u00e3o do passaporte das crian\u00e7as poderia caracterizar viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios emanados pela &#8220;Conven\u00e7\u00e3o sobre os Aspectos Civis do Sequestro Internacional de Crian\u00e7as&#8221; <\/strong>(Decreto n. 3.413\/2000), que tem por finalidade proteger a crian\u00e7a dos efeitos prejudiciais resultantes de mudan\u00e7a de domic\u00edlio ou de reten\u00e7\u00e3o il\u00edcitas, al\u00e9m de garantir a efetiva aplica\u00e7\u00e3o dos direitos de guarda e de visita estabelecidos pelo pa\u00eds de domic\u00edlio do menor, como previsto em seu art. 1\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido \u00e0s peculiaridades do caso, portanto, o pedido para suprir a autoriza\u00e7\u00e3o do pai para a expedi\u00e7\u00e3o do passaporte dos menores deve ser analisado pela Justi\u00e7a Norueguesa, por envolver quest\u00f5es atinentes \u00e0 guarda das crian\u00e7as, garantindo ao genitor o direito de ingressar nos autos para exercer plenamente sua defesa e contribuir para a instru\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>esse entendimento prestigia o princ\u00edpio do ju\u00edzo imediato, previsto no art. 147, I e II, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/strong>, pois a proximidade do julgador com as partes proporciona uma presta\u00e7\u00e3o jurisdicional mais c\u00e9lere e efetiva, visando atender ao melhor interesse dos menores<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 competente a Justi\u00e7a estrangeira para determinar a expedi\u00e7\u00e3o de passaportes e para as demais quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00edda de crian\u00e7as de pa\u00eds no exterior quando este for o local de domic\u00edlio delas e de seus genitores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-nterposicao-de-um-recurso-inexistente-e-preclusao-consumativa\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; I<\/a>nterposi\u00e7\u00e3o de um recurso inexistente e preclus\u00e3o consumativa<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A interposi\u00e7\u00e3o de um recurso inexistente n\u00e3o gera preclus\u00e3o consumativa, sendo cab\u00edvel a subsequente interposi\u00e7\u00e3o do recurso previsto na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.141.420-MT, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024, DJe 8\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, o juiz acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva da empresa Drebor para extinguir o feito sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito quanto a essa.<\/p>\n\n\n\n<p>O exequente Tadeu discordou da decis\u00e3o e interp\u00f4s agravo retido. Tal recurso n\u00e3o foi conhecido, por se tratar de modalidade de recurso extinta, n\u00e3o mais existente sob a \u00e9gide do novel C\u00f3digo de Processo Civil. Logo em seguida, Tadeu interp\u00f4s agravo de instrumento, mas Drebor alega ter ocorrido a preclus\u00e3o consumativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decis\u00f5es interlocut\u00f3rias que versarem sobre:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; tutelas provis\u00f3rias;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; m\u00e9rito do processo;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; rejei\u00e7\u00e3o da alega\u00e7\u00e3o de conven\u00e7\u00e3o de arbitragem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de gratuidade da justi\u00e7a ou acolhimento do pedido de sua revoga\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; exibi\u00e7\u00e3o ou posse de documento ou coisa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; exclus\u00e3o de litisconsorte;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VIII &#8211; rejei\u00e7\u00e3o do pedido de limita\u00e7\u00e3o do litiscons\u00f3rcio;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IX &#8211; admiss\u00e3o ou inadmiss\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o de terceiros;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>X &#8211; concess\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o do efeito suspensivo aos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XI &#8211; redistribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova nos termos do&nbsp;art. 373, \u00a7 1\u00ba&nbsp;;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XII &#8211; (VETADO);<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XIII &#8211; outros casos expressamente referidos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Tamb\u00e9m caber\u00e1 agravo de instrumento contra decis\u00f5es interlocut\u00f3rias proferidas na fase de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a ou de cumprimento de senten\u00e7a, no processo de execu\u00e7\u00e3o e no processo de invent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-gera-a-preclusao-consumativa\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Gera a preclus\u00e3o consumativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo <strong>o princ\u00edpio da Taxatividade Recursal, s\u00f3 se consideram recursos aqueles expressamente previstos na lei.<\/strong> De modo que, sem previs\u00e3o legal, a impugna\u00e7\u00e3o recursal n\u00e3o possui exist\u00eancia jur\u00eddica e, portanto, \u00e9 desprovida da capacidade de gerar efeitos jur\u00eddicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ entende que, &#8220;no sistema recursal brasileiro, vigora o c\u00e2none da unicidade ou unirrecorribilidade recursal, segundo o qual, manejados dois recursos pela mesma parte contra uma \u00fanica decis\u00e3o, a preclus\u00e3o consumativa impede o exame do que tenha sido protocolizado por \u00faltimo&#8221; (AgInt nos EAg 1.213.737\/RJ, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, julgado em 17\/8\/2016, DJe 26\/8\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a entrada em vigor do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), houve algumas mudan\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o aos recursos cab\u00edveis, entre elas a supress\u00e3o do agravo retido. No novo c\u00f3digo, as decis\u00f5es interlocut\u00f3rias passaram a ser impugnadas, nas hip\u00f3teses listadas nos incisos do art. 1.015 do CPC\/2015, pelo agravo na modalidade instrumental e, nas remanescentes, por meio de preliminar de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo,<strong> interposto agravo retido contra decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, o recurso deve ser considerado inexistente, em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da Taxatividade Recursal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se, ademais, que a preclus\u00e3o consumativa pressup\u00f5e o exerc\u00edcio de uma faculdade ou poder processual. Como um recurso inexistente n\u00e3o representa validamente a pr\u00e1tica de nenhuma faculdade processual, n\u00e3o se pode falar em preclus\u00e3o consumativa decorrente de sua interposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, a interposi\u00e7\u00e3o de recurso inexistente n\u00e3o obsta a interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento contra a mesma decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, n\u00e3o havendo preclus\u00e3o consumativa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A interposi\u00e7\u00e3o de um recurso inexistente n\u00e3o gera preclus\u00e3o consumativa, sendo cab\u00edvel a subsequente interposi\u00e7\u00e3o do recurso previsto na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-ambiental\"><a>DIREITO AMBIENTAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-licitude-do-poder-judiciario-determinar-que-o-poder-publico-realize-estudo-para-identificar-nucleos-urbanos-informais-consolidados-areas-de-risco-e-areas-de-relevante-interesse-ecologico-no-caso-de-omissao-estatal\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Licitude do <\/a>Poder Judici\u00e1rio determinar que o Poder P\u00fablico realize estudo para identificar n\u00facleos urbanos informais consolidados, \u00e1reas de risco e \u00e1reas de relevante interesse ecol\u00f3gico, no caso de omiss\u00e3o estatal.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcito ao Poder Judici\u00e1rio determinar que o Poder P\u00fablico realize estudo para identificar n\u00facleos urbanos informais consolidados, \u00e1reas de risco e \u00e1reas de relevante interesse ecol\u00f3gico, no caso de omiss\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.993.143-SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica tendo em vista a negativa de Munic\u00edpio em responder requisi\u00e7\u00e3o do Parquet que solicitou informa\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de um diagn\u00f3stico socioambiental, com mapeamento de \u00e1reas de risco e espa\u00e7os territoriais especialmente protegidos, a fim de evitar ou, ao menos, minorar danos ambientais e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que vive nessas localidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o juiz de primeiro grau ter julgado a demanda procedente e determinado a apura\u00e7\u00e3o das localidades consideradas \u00e1reas urbanas consolidadas, \u00e1reas de risco e de relevante interesse ecol\u00f3gico, dentre outros, o Tribunal de Justi\u00e7a local deu provimento \u00e0 Apela\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio por considerar que a execu\u00e7\u00e3o em si desse trabalho \u00e9 incumb\u00eancia que deve antes passar pelo crivo de governo, a quem o constituinte concedeu independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-licita-a-determinacao-do-judiciario\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; L\u00edcita a determina\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca do manejo de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado, tendo em vista a negativa de Munic\u00edpio em responder requisi\u00e7\u00e3o do Parquet que solicitou informa\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de um diagn\u00f3stico socioambiental, com mapeamento de \u00e1reas de risco e espa\u00e7os territoriais especialmente protegidos, a fim de evitar ou, ao menos, minorar danos ambientais e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que vive nessas localidades. Ap\u00f3s o juiz de primeiro grau ter julgado a demanda procedente e determinado a apura\u00e7\u00e3o das localidades consideradas \u00e1reas urbanas consolidadas, \u00e1reas de risco e de relevante interesse ecol\u00f3gico, dentre outros, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado deu provimento \u00e0 Apela\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio por considerar que a execu\u00e7\u00e3o em si desse trabalho \u00e9 incumb\u00eancia que deve antes passar pelo crivo de governo, a quem o constituinte al\u00e7ou independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A interven\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas deve ser vista como exce\u00e7\u00e3o, pois sempre se espera que a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica desempenhe suas fun\u00e7\u00f5es voluntariamente<\/strong>. Contudo, a Lei n. 13.465\/2017, a qual disp\u00f5e sobre a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria rural e urbana, procura tutelar bem jur\u00eddico da mais alta relev\u00e2ncia: o direito \u00e0 cidade ambiental e socialmente sustent\u00e1vel, de modo a evitar que parte da popula\u00e7\u00e3o &#8211; que em raz\u00e3o de uma expans\u00e3o urbana desordenada, foi obrigada a construir suas moradias de maneira irregular, muitas vezes em \u00e1reas de alto risco &#8211; permane\u00e7a vulner\u00e1vel a enchentes, deslizamentos, desmoronamentos e outros desastres naturais t\u00e3o noticiados nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A referida Lei disciplinou a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de assentamentos irregulares em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente e outros espa\u00e7os territoriais especialmente protegidos, possibilitando a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica e jur\u00eddica dos moradores e, assim, promovendo a justi\u00e7a ambiental. Densificou o dever fundamental dos munic\u00edpios de &#8220;ordenar o pleno desenvolvimento das fun\u00e7\u00f5es sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes&#8221;, previsto no art. 182 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Para tanto, instituiu, nos arts. 11, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, e 39, o dever de elabora\u00e7\u00e3o de estudos t\u00e9cnicos para instruir a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de n\u00facleos urbanos informais situados em \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente ou em \u00e1rea de unidade de conserva\u00e7\u00e3o de uso sustent\u00e1vel ou de prote\u00e7\u00e3o de mananciais, bem como em \u00e1reas de riscos geot\u00e9cnicos, de inunda\u00e7\u00f5es ou de outros riscos especificados em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha, a Lei 12.608\/2012, que institui a Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil, estabelece como deveres dos munic\u00edpios &#8220;identificar e mapear as \u00e1reas de risco de desastres&#8221; (art. 8\u00ba, VI); &#8220;vistoriar edifica\u00e7\u00f5es e \u00e1reas de risco e promover, quando for o caso, a interven\u00e7\u00e3o preventiva e a evacua\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de alto risco ou das edifica\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis&#8221; (art. 8\u00ba, VII); e manter a popula\u00e7\u00e3o informada sobre \u00e1reas de risco e ocorr\u00eancia de eventos extremos, bem como sobre protocolos de preven\u00e7\u00e3o e alerta e sobre as a\u00e7\u00f5es emergenciais em circunst\u00e2ncias de desastres (art. 8\u00ba, IX).<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo a defesa do meio ambiente urban\u00edstico, da seguran\u00e7a e da sa\u00fade p\u00fablicas um dever fundamental do Estado, a atividade dos \u00f3rg\u00e3os estatais na sua promo\u00e7\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3ria, especialmente quando os instrumentos para alcan\u00e7ar tal objetivo est\u00e3o detalhadamente previstos em lei. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem reiteradamente afirmado que a obriga\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os territoriais especialmente protegidos \u00e9 objetiva e solid\u00e1ria, sendo dever do Poder P\u00fablico e da coletividade proteg\u00ea-la para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es. A prop\u00f3sito: REsp 1.071.741\/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16\/12\/2010; AREsp 1.756.656\/SP, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, DJe de 21\/10\/2022; AgInt no REsp 1.205.174\/PR, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 1\/10\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, deve-se fazer a releitura e atualiza\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da indisponibilidade do interesse p\u00fablico. Nele e por ele, retira-se da \u00f3rbita da representa\u00e7\u00e3o estatala possibilidade de negociar com o interesse p\u00fablico. Nesse diapas\u00e3o, a indisponibilidade tanto \u00e9 dos bens jur\u00eddicos material e individualmente considerados, como, no plano formal, das amarras e garantias de natureza procedimental que balizam a atua\u00e7\u00e3o do Administrador, por meio de comportamentos de dar, n\u00e3o-fazer ou fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o STJ possui entendimento firme de que, na hip\u00f3tese de demora do Poder competente, o Poder Judici\u00e1rio poder\u00e1 determinar a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de interesse social, sem que haja invas\u00e3o da discricionariedade ou afronta \u00e0 reserva do poss\u00edvel. Com efeito, &#8220;o controle jurisdicional de pol\u00edticas p\u00fablicas se legitima sempre que a &#8216;inescus\u00e1vel omiss\u00e3o estatal&#8217; na sua efetiva\u00e7\u00e3o atinja direitos essenciais inclusos no conceito de m\u00ednimo existencial&#8221; (AgInt no REsp 1.304.269\/MG, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 20\/10\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O Pret\u00f3rio Excelso tamb\u00e9m consolidou o posicionamento de ser l\u00edcito ao Poder Judici\u00e1rio determinar que a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica adote medidas assecurat\u00f3rias de direitos constitucionalmente reconhecidos como essenciais, sem que isso configure viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da separa\u00e7\u00e3o dos Poderes (AI 739151 AgR, Relatora Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 27-05-2014, Ac\u00f3rd\u00e3o Eletr\u00f4nico DJe-112 DIVULG 10-06-2014 PUBLIC 11-06-2014)<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o busca criar pol\u00edticas p\u00fablicas, objetiva-se t\u00e3o somente que o Poder P\u00fablico realize estudo para identificar n\u00facleos urbanos informais consolidados, \u00e1reas de risco e \u00e1reas de relevante interesse ecol\u00f3gico, de modo que seja tutelado, por meio da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica &#8211; ACP, al\u00e9m do pr\u00f3prio meio ambiente<\/strong>, tamb\u00e9m a seguran\u00e7a e sa\u00fade das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, tendo-se em vista que os princ\u00edpios da preven\u00e7\u00e3o e da precau\u00e7\u00e3o n\u00e3o toleram a omiss\u00e3o do Poder P\u00fablico diante da segrega\u00e7\u00e3o socioespacial urbana que leva milhares a se estabelecerem em locais de risco e em \u00e1reas especialmente protegidas, n\u00e3o se pode admitir, em nome da discricionariedade administrativa, que o Estado postergue ou simplesmente n\u00e3o atue para a prote\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a, da sa\u00fade ou mesmo da vida de parte da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda e do meio ambiente urban\u00edstico sadio.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante ressaltar a distin\u00e7\u00e3o quanto ao julgado no REsp 1.880.546\/SC, Rel. Min. Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, DJe de 16\/11\/2021, no qual, apesar de ter reconhecido o dever dos munic\u00edpios de promoverem o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupa\u00e7\u00e3o do solo urbano, como corol\u00e1rio do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; bem como a possibilidade de controle judicial das pol\u00edticas p\u00fablicas nas hip\u00f3teses de inescus\u00e1vel omiss\u00e3o estatal, a eminente Relatora, Ministra Assusete Magalh\u00e3es, concluiu incidir, naquele caso, a S\u00famula 7\/STJ. J\u00e1 no presente caso, o Tribunal de origem nada disse de concreto sobre da (in)capacidade financeira do Munic\u00edpio para suportar o cumprimento da senten\u00e7a que lhe fora desfavor\u00e1vel, pautando-se, genericamente, na suposta inviabilidade de o Poder Judici\u00e1rio determinar a realiza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico socioambiental, uma vez que caberia ao Munic\u00edpio avaliar a conveni\u00eancia de sua realiza\u00e7\u00e3o ante as outras demandas que deve atender.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcito ao Poder Judici\u00e1rio determinar que o Poder P\u00fablico realize estudo para identificar n\u00facleos urbanos informais consolidados, \u00e1reas de risco e \u00e1reas de relevante interesse ecol\u00f3gico, no caso de omiss\u00e3o estatal.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-da-concessao-de-salvo-conduto-autorizando-a-realizacao-de-procedimento-de-interrupcao-da-gravidez-em-aplicacao-por-analogia-do-entendimento-firmado-no-julgamento-da-adpf-n-54-stf\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade da <\/a>concess\u00e3o de salvo-conduto autorizando a realiza\u00e7\u00e3o de procedimento de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, em aplica\u00e7\u00e3o, por analogia, do entendimento firmado no julgamento da ADPF n. 54\/STF<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a concess\u00e3o de salvo-conduto autorizando a realiza\u00e7\u00e3o de procedimento de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, em aplica\u00e7\u00e3o, por analogia, do entendimento firmado no julgamento da ADPF n. 54\/STF, quando, embora o feto esteja acometido de condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica com progn\u00f3stico grave (S\u00edndrome de Edwards e cardiopatia grave), com alta probabilidade de letalidade, n\u00e3o for poss\u00edvel extrair da documenta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a impossibilidade de vida fora do \u00fatero.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 932.495-SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda impetrou HC por meio da qual requereu salvo-conduto para interrup\u00e7\u00e3o de gravidez. Relata que est\u00e1 no final da trig\u00e9sima semana de gesta\u00e7\u00e3o de feto que, conforme documenta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica juntada aos autos, n\u00e3o teria viabilidade de vida extrauterina, uma vez que foi identificada altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica denominada S\u00edndrome de Edwards e cardiopatia grave.<\/p>\n\n\n\n<p>Aduz, ainda, preju\u00edzos psicol\u00f3gicos e risco \u00e0 sua vida e na continuidade da gesta\u00e7\u00e3o. Pediu a aplica\u00e7\u00e3o, por analogia, do entendimento firmado na Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n\u00ba 54 para que seja concedido salvo-conduto autorizando a realiza\u00e7\u00e3o de procedimento de interrup\u00e7\u00e3o da gravide.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 128 &#8211; N\u00e3o se pune o aborto praticado por m\u00e9dico:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aborto necess\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; se n\u00e3o h\u00e1 outro meio de salvar a vida da gestante;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-concessao-de-salvo-conduto\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a concess\u00e3o de salvo-conduto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em sede de argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental, ajuizada com o objetivo de que a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de feto anenc\u00e9falo n\u00e3o fosse considerada crime, o Supremo Tribunal Federal conferiu interpreta\u00e7\u00e3o conforme \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, fixando o entendimento no sentido de que &#8220;Mostra-se inconstitucional interpreta\u00e7\u00e3o de a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de feto anenc\u00e9falo ser conduta tipificada nos artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, do C\u00f3digo Penal.&#8221; (ADPF n. 54, Tribunal Pleno, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio, DJe 30.4.2013).<\/p>\n\n\n\n<p>No voto condutor, o Ministro Marco Aur\u00e9lio consignou que n\u00e3o se discutia a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto, mas t\u00e3o somente a possibilidade de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez de feto anenc\u00e9falo. A anencefalia, doen\u00e7a cong\u00eanita letal, pressup\u00f5e a aus\u00eancia parcial ou total do c\u00e9rebro para a qual n\u00e3o h\u00e1 cura e tampouco possibilidade de desenvolvimento da massa encef\u00e1lica em momento posterior. <strong>O crime de aborto atenta contra a vida, mas, na hip\u00f3tese de anencefalia, o delito n\u00e3o se configura, pois o anenc\u00e9falo n\u00e3o tem potencialidade de vida. E, inexistindo potencialidade para o feto se tornar pessoa humana, n\u00e3o surge justificativa para a tutela jur\u00eddico-penal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ministro Marco Aur\u00e9lio registrou, ainda, que &#8220;o feto anenc\u00e9falo, mesmo que biologicamente vivo, porque feito de c\u00e9lulas e tecidos vivos, \u00e9 juridicamente morto, n\u00e3o gozando de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e (&#8230;) principalmente de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-penal. Nesse contexto, a interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o de feto anencef\u00e1lico n\u00e3o configura crime contra a vida &#8211; revela-se conduta at\u00edpica.&#8221; Assim, a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo Supremo Tribunal Federal parte da premissa da inviabilidade da vida extrauterina.<\/p>\n\n\n\n<p>Assentada a premissa te\u00f3rica, imposs\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o do entendimento ao caso em an\u00e1lise, porquanto, embora o feto esteja acometido de condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica com progn\u00f3stico grave, com alta probabilidade de letalidade, n\u00e3o se extrai da documenta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a impossibilidade de vida fora do \u00fatero. Portanto, invi\u00e1vel a aplica\u00e7\u00e3o, por analogia, da interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o fixada pela ADPF n. 54 do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, no caso, <strong>n\u00e3o se identifica elementos objetivos que indiquem o risco no prosseguimento da gravidez para a gestante, o que, em tese, poderia levar \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o da excludente do art. 128, inciso I, do C\u00f3digo Penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a concess\u00e3o de salvo-conduto autorizando a realiza\u00e7\u00e3o de procedimento de interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, em aplica\u00e7\u00e3o, por analogia, do entendimento firmado no julgamento da ADPF n. 54\/STF, quando, embora o feto esteja acometido de condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica com progn\u00f3stico grave (S\u00edndrome de Edwards e cardiopatia grave), com alta probabilidade de letalidade, n\u00e3o for poss\u00edvel extrair da documenta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica a impossibilidade de vida fora do \u00fatero.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-im-possibilidade-do-reconhecimento-da-atipicidade-de-conduta-que-poderia-configurar-o-crime-de-estupro-de-vulneravel\"><a>10.&nbsp; (Im)Possibilidade do <\/a>reconhecimento da atipicidade de conduta que poderia configurar o crime de estupro de vulner\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel o reconhecimento da atipicidade de conduta que poderia configurar o crime de estupro de vulner\u00e1vel, quando as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas verificadas (consentimento da fam\u00edlia da v\u00edtima, inclusive abrigando o casal por per\u00edodo de tempo, e a manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento at\u00e9 os dias atuais, inclusive com nascimento de filho fruto da rela\u00e7\u00e3o), indicam que o bem jur\u00eddico tutelado n\u00e3o foi vulnerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, jovem nem t\u00e3o jovem (23 anos), iniciou namoro com Belinha de apenas 13 anos. O casal namorava com o consentimento da fam\u00edlia da menina, que inclusive abrigou o casal por per\u00edodo de tempo, sendo que ocorre a manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento at\u00e9 os dias atuais, inclusive com nascimento de filho fruto da rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP ficou sabendo da situa\u00e7\u00e3o e denunciou o rapaz pelo crime de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>* Processo em segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estupro de vulner\u00e1vel<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 217-A.&nbsp; Ter conjun\u00e7\u00e3o carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-o-reconhecimento-da-atipicidade-da-conduta\"><a>10.2.2. Poss\u00edvel o reconhecimento da atipicidade da conduta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaphhhh!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se ignora que <strong>a norma do art. 217-A do C\u00f3digo Penal objetiva tutelar n\u00e3o s\u00f3 a dignidade sexual da v\u00edtima, mas tamb\u00e9m o saud\u00e1vel crescimento f\u00edsico, ps\u00edquico e emocional de crian\u00e7as e adolescentes <\/strong>(REsp 1.480.881\/PI, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe 10\/9\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o contexto que precedeu a pr\u00e1tica delitiva (consentimento da fam\u00edlia da v\u00edtima, inclusive abrigando o casal por per\u00edodo de tempo) e as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas verificadas durante a conduta (manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento at\u00e9 os dias atuais, inclusive com not\u00edcia de filho fruto da rela\u00e7\u00e3o), indicam que o bem jur\u00eddico tutelado n\u00e3o foi vulnerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que se pudesse argumentar que a v\u00edtima teve seu desenvolvimento afetado por ter sido submetida precocemente a obriga\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da idade adulta, essa assertiva n\u00e3o vence as circunst\u00e2ncias concretas verificadas no caso, que indicam o contr\u00e1rio, sobretudo o fato de que o relacionamento entre ambos permaneceu, mesmo ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o policial e judicial (a\u00e7\u00e3o penal), tendo, inclusive, se aprofundado com a concep\u00e7\u00e3o de um filho e planos de casamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o parece adequado, diante do contexto atual, lan\u00e7ar argumentos vagos e especulativos no sentido de tra\u00e7ar um cen\u00e1rio ideal de desenvolvimento para v\u00edtima caso n\u00e3o tivesse sido inserida na vida sexual de forma precoce. <\/strong>O cen\u00e1rio f\u00e1tico parece inconteste: n\u00e3o h\u00e1 nenhum elemento concreto que indique les\u00e3o \u00e0 dignidade sexual ou ao desenvolvimento da v\u00edtima. Ao rev\u00e9s, divisa-se a possibilidade de preju\u00edzo concreto caso se opte pela via da interven\u00e7\u00e3o estatal mediante aplica\u00e7\u00e3o da lei penal.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 risco de taxar um relacionamento consolidado pelo tempo e pela forma\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia, inclusive com prole, em criminoso, circunst\u00e2ncia que p\u00f5e em perigo a unidade familiar e a prote\u00e7\u00e3o de um terceiro inocente (filho). E, nesse aspecto, se de um lado a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente tem sede constitucional (art. 227 da CF); do outro, a unidade familiar tamb\u00e9m goza de reconhecimento e prote\u00e7\u00e3o da Carta Magna (art. 226 da CF), de modo que n\u00e3o parece justo, sacrificar um em detrimento do outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ressalte-se que n\u00e3o se est\u00e1 propondo a mitiga\u00e7\u00e3o do&nbsp;Tema 918\/STJ, mas apenas reconhecendo que a situa\u00e7\u00e3o verificada \u00e9 demasiadamente complexa, de modo que escapa da diretriz estabelecida no julgamento do REsp 1.480.881\/PI.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel o reconhecimento da atipicidade de conduta que poderia configurar o crime de estupro de vulner\u00e1vel, quando as circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas verificadas (consentimento da fam\u00edlia da v\u00edtima, inclusive abrigando o casal por per\u00edodo de tempo, e a manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento at\u00e9 os dias atuais, inclusive com nascimento de filho fruto da rela\u00e7\u00e3o), indicam que o bem jur\u00eddico tutelado n\u00e3o foi vulnerado.<a><\/a><a><\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-liberacao-de-honorarios-quando-do-bloqueio-universal-dos-bens-do-investigado\"><a>11.&nbsp; Libera\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios quando do bloqueio<\/a> universal dos bens do investigado<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em caso de bloqueio universal dos bens do investigado, inexistindo ind\u00edcios de fraude para estabelecer os honor\u00e1rios em montante fict\u00edcio, h\u00e1 obrigatoriedade de se liberar o valor integral dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios acordados entre as partes, desde que n\u00e3o ultrapassado o limite legal de 20% do patrim\u00f4nio bloqueado.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 71.903-SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024, DJe 9\/8\/2024.(Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o penal na qual foi realizado o bloqueio universal dos bens do investigado, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias entenderam pela possibilidade de levantamento apenas parcial dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, sob a avalia\u00e7\u00e3o de que o momento embrion\u00e1rio das investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o recomendaria a sua libera\u00e7\u00e3o integral, bem como sob a interpreta\u00e7\u00e3o de que a express\u00e3o at\u00e9 20% dos bens bloqueados dava ao magistrado margem de liberdade para decidir pela libera\u00e7\u00e3o de porcentagem inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>O escrit\u00f3rio de advocacia que defende o acusado impetrou mandado de seguran\u00e7a no qual alega que deveria ocorrer a libera\u00e7\u00e3o do valor total contratado a t\u00edtulo de honor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.906\/1994:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 24-A. No caso de bloqueio universal do patrim\u00f4nio do cliente por decis\u00e3o judicial, garantir-se-\u00e1 ao advogado a libera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados para fins de recebimento de honor\u00e1rios e reembolso de gastos com a defesa, ressalvadas as causas relacionadas aos crimes previstos na&nbsp;Lei n\u00ba 11.343, de 23 de agosto de 2006&nbsp;(Lei de Drogas), e observado o disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do&nbsp;art. 243 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-libera-se-o-valor-integral\"><a>11.2.2. Libera-se o valor integral?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Exatamente!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia cinge-se em definir se, em caso de bloqueio universal dos bens do investigado, h\u00e1 discricionariedade do magistrado para decidir o numer\u00e1rio a ser liberado dos valores constritos para fins de pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios; ou se, do contr\u00e1rio, h\u00e1 obrigatoriedade de se liberar o valor integral dos honor\u00e1rios acordados entre as partes, desde que n\u00e3o ultrapassado o limite legal de 20% do patrim\u00f4nio bloqueado.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias entenderam pela possibilidade de levantamento apenas parcial dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, sob a avalia\u00e7\u00e3o de que o momento embrion\u00e1rio das investiga\u00e7\u00f5es n\u00e3o recomendaria a sua libera\u00e7\u00e3o integral, bem como sob a interpreta\u00e7\u00e3o de que a express\u00e3o &#8220;at\u00e9 20% dos bens bloqueados&#8221;, contida no art. 24-A da Lei n. 8.906\/1994, dava ao magistrado margem de liberdade para decidir pela libera\u00e7\u00e3o de porcentagem inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, tal compreens\u00e3o reduz, em demasia, o espa\u00e7o em que deveria imperar a autonomia privada das partes &#8211; contrato entre cliente e advogado -, dando ao magistrado o poder de definir o que seria ou n\u00e3o razo\u00e1vel e proporcional aos servi\u00e7os prestados.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, <strong>se o contrato conformado entre as partes estipula que o pagamento dos honor\u00e1rios deve ser integralmente satisfeito ao in\u00edcio da persecu\u00e7\u00e3o penal, n\u00e3o h\u00e1 falar que o fato de as investiga\u00e7\u00f5es estarem em est\u00e1gio preliminar afastaria a possibilidade de libera\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios<\/strong>, pois tal aspecto insere-se plenamente na esfera de decis\u00e3o dos contratantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia do direito \u00e0 defesa e da atividade da advocacia no Estado Democr\u00e1tico de Direito confere ao art. 24-A do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil &#8211; EAOB a interpreta\u00e7\u00e3o que prestigia a rela\u00e7\u00e3o &#8211; desde que, evidentemente, l\u00edcita e isenta de ind\u00edcios de fraude &#8211; estabelecida entre o advogado e o seu cliente, em rela\u00e7\u00e3o ao pagamento dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, seja em rela\u00e7\u00e3o ao seu valor, seja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua forma (data de vencimento, parcelamento, entre outros aspectos).<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica limita\u00e7\u00e3o prevista pelo legislador \u00e9 de que a libera\u00e7\u00e3o dos valores para esse prop\u00f3sito n\u00e3o pode superar o montante de 20% de todo o patrim\u00f4nio bloqueado. Tal implica em dizer que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios podem ser, naturalmente, inferiores a 20% dos valores constritos, sendo que, nessas hip\u00f3teses, o valor levantado h\u00e1 de ser integral, pois n\u00e3o atingido o teto legal. Se o valor dos honor\u00e1rios superar 20% do patrim\u00f4nio universal bloqueado, a libera\u00e7\u00e3o encontrar\u00e1 limite nessa porcentagem, em face da necessidade de se tamb\u00e9m garantir, por interm\u00e9dio dos bens constritos, a satisfa\u00e7\u00e3o de interesses outros, como a repara\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima e \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o dos bens ilicitamente obtidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o cabe ao magistrado avaliar se o momento embrion\u00e1rio da persecu\u00e7\u00e3o penal justifica o pagamento do valor integral dos honor\u00e1rios, se tal quest\u00e3o foi acertada em contrato entabulado entre os particulares.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, havendo indicativos concretos da ocorr\u00eancia de fraude entre as partes, ou seja, poss\u00edvel articula\u00e7\u00e3o entre o cliente e o advogado para estabelecer honor\u00e1rios em montante fict\u00edcio, como forma de contornar o bloqueio realizado sobre os bens, o magistrado poder\u00e1, de forma fundamentada, excepcionar o regramento legal e determinar o levantamento de valor inferior ao artificialmente estipulado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em caso de bloqueio universal dos bens do investigado, inexistindo ind\u00edcios de fraude para estabelecer os honor\u00e1rios em montante fict\u00edcio, h\u00e1 obrigatoriedade de se liberar o valor integral dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios acordados entre as partes, desde que n\u00e3o ultrapassado o limite legal de 20% do patrim\u00f4nio bloqueado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nulidade-do-reconhecimento-fotografico-realizado-atraves-da-apresentacao-informal-de-foto-via-aplicativo-de-mensagens\"><a>12.&nbsp; Nulidade do reconhecimento<\/a> fotogr\u00e1fico realizado atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o informal de foto via aplicativo de mensagens<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nulo o reconhecimento fotogr\u00e1fico realizado atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o informal de foto via aplicativo de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 817.270-RJ, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/8\/2024 (Info STJ 820)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o penal, a justi\u00e7a castrense condenou 4 policiais militares a penas entre 48 e 80 anos de reclus\u00e3o pela pr\u00e1tica de corrup\u00e7\u00e3o passiva, por diversas vezes, com o fundamento de que recebiam valores de traficantes do Comando Vermelho para que n\u00e3o obstassem suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Crementino foi denunciado como participante do esquema criminoso Comando Vermelho. Um dos acusados, ap\u00f3s descrever as caracter\u00edsticas f\u00edsicas, reconheceu Crementino por meio de fotografia enviada por aplicativo de mensagens. Como consequ\u00eancia, foi realizada busca e apreens\u00e3o na resid\u00eancia do rapaz, onde encontraram significativos valores em esp\u00e9cie, bem como realizada quebra de sigilo telef\u00f4nico, ocasi\u00e3o em que se constatou que ele entrou em contato com outros corr\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;226.&nbsp;&nbsp;Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-\u00e1 pela seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I&nbsp;&#8211;&nbsp;a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento ser\u00e1 convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Il&nbsp;&#8211;&nbsp;a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, ser\u00e1 colocada, se poss\u00edvel, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhan\u00e7a, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apont\u00e1-la;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III&nbsp;&#8211;&nbsp;se houver raz\u00e3o para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de intimida\u00e7\u00e3o ou outra influ\u00eancia, n\u00e3o diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade providenciar\u00e1 para que esta n\u00e3o veja aquela;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV&nbsp;&#8211;&nbsp;do ato de reconhecimento lavrar-se-\u00e1 auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp;&nbsp;O disposto no n<sup>o<\/sup>&nbsp;III deste artigo n\u00e3o ter\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o na fase da instru\u00e7\u00e3o criminal ou em plen\u00e1rio de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-nulo-o-reconhecimento\"><a>12.2.2. Nulo o reconhecimento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Obviamente!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como consabido, <strong>a apresenta\u00e7\u00e3o de fotografia pelo m\u00e9todo&nbsp;<em>show up&nbsp;<\/em>\u00e9 ensejadora de erros de reconhecimento e at\u00e9 de contamina\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria do depoente<\/strong>. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada quando o mesmo acusado que realizou o reconhecimento informal o negou em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, a Sexta Turma do STJ firmou recentemente novo entendimento de que o regramento previsto no art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal \u00e9 de observ\u00e2ncia obrigat\u00f3ria, e ainda assim n\u00e3o prescinde de corrobora\u00e7\u00e3o por outros elementos indici\u00e1rios submetidos ao crivo do contradit\u00f3rio na fase judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com tal entendimento, objetiva-se a mitiga\u00e7\u00e3o de erros judici\u00e1rios grav\u00edssimos que, provavelmente, resultaram em diversas condena\u00e7\u00f5es lastreadas em acervo probat\u00f3rio fr\u00e1gil, como o mero reconhecimento fotogr\u00e1fico de pessoas em procedimentos crivados de v\u00edcios legais e at\u00e9 psicol\u00f3gicos &#8211; dado o enviesamento cognitivo causado pela apresenta\u00e7\u00e3o irregular de fotografias escolhidas pelas for\u00e7as policiais -, que acabam por contaminar a mem\u00f3ria das v\u00edtimas, circunst\u00e2ncia que reverbera at\u00e9 a fase judicial e torna invi\u00e1vel posterior convalida\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, a Sexta Turma do STJ chegou ao consenso de que <strong>o pr\u00e9vio reconhecimento do r\u00e9u por fotografia acaba por contaminar a mem\u00f3ria da v\u00edtima, inviabilizando sua convalida\u00e7\u00e3o pelo posterior reconhecimento pessoal em ju\u00edzo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>o reconhecimento foi realizado de forma absolutamente irregular, qual seja, apresenta\u00e7\u00e3o informal de foto via aplicativo de mensagens a um dos acusados <\/strong>que, posteriormente, em ju\u00edzo, negou as afirma\u00e7\u00f5es e foi absolvido das imputa\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fico de drogas que lhe reca\u00edam. Logo, tal prova \u00e9 imprest\u00e1vel para utiliza\u00e7\u00e3o no feito, bem como as dela decorrentes, por aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da \u00e1rvore dos frutos envenenados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o logrou \u00eaxito em demonstrar que os valores recolhidos na resid\u00eancia do r\u00e9u seriam oriundos da atividade il\u00edcita, ao contr\u00e1rio, inverteram o \u00f4nus da prova ao acusado para que comprovasse a origem l\u00edcita dos recursos, em afronta ao princ\u00edpio acusat\u00f3rio no sistema processual penal brasileiro, que \u00e9 mitigado t\u00e3o somente em casos excepcionais, quando da apreens\u00e3o com o r\u00e9u de bens comprovadamente il\u00edcitos, como no caso da recepta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 nulo o reconhecimento fotogr\u00e1fico realizado atrav\u00e9s da apresenta\u00e7\u00e3o informal de foto via aplicativo de mensagens.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-4177f4bb-4815-427d-b062-e82a494bd5b3\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/27001718\/stj-informativo-820.pdf\">stj-informativo-820<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/27001718\/stj-informativo-820.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-4177f4bb-4815-427d-b062-e82a494bd5b3\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 820 do STJ\u00a0COMENTADO. Pra cima dele! DOWNLOAD do PDF AQUI! 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