{"id":1447785,"date":"2024-08-20T01:19:54","date_gmt":"2024-08-20T04:19:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1447785"},"modified":"2024-08-20T01:19:56","modified_gmt":"2024-08-20T04:19:56","slug":"informativo-stj-819-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-819-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 819 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Na volta das f\u00e9rias de meio de ano do STJ, <span style=\"font-size: revert;, sans-serif\">chegamos ao <\/span>I<span style=\"font-size: revert;, sans-serif\">nformativo n\u00ba 819\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;, sans-serif\">COMENTADO<\/strong><span style=\"font-size: revert;, sans-serif\">. Pra cima dele!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/20011934\/stj-informativo-819.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_pe41P9CmPdE\"><div id=\"lyte_pe41P9CmPdE\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/pe41P9CmPdE\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/pe41P9CmPdE\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/pe41P9CmPdE\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-alcance-da-lei-anticorrupcao-e-empresas-de-fachada\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Alcance da Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o e empresas de fachada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o do art. 5\u00ba, V, da Lei n. 12.846\/2013 abrange a constitui\u00e7\u00e3o das chamadas &#8220;empresas de fachada&#8221; com o fim de frustrar a fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.808.952-RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 11\/6\/2024, DJe 24\/6\/2024. (Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MPF ajuizou ACP contra Ibaneis S.A. imputando-lhe a conduta descrita no art. 5\u00ba, V, da Lei 12.846\/2013 (Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o), por ter integrado uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que conseguiu sonegar tributos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal local manteve a san\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da pessoa jur\u00eddica, sob o fundamento de que a recorrente &#8220;como mais uma empresa paper company do Grupo L\u00edder, durante toda a sua exist\u00eancia serviu \u00e0 pr\u00e1tica de atos lesivos \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, tal como anotado no art. 5\u00ba, incisos III e V, da Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o, haja vista que sua pr\u00f3pria exist\u00eancia serviu apenas para dificultar as atividades de investiga\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria da Receita Federal do Brasil, fazendo uso de interpostas pessoas \u2013 laranjas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, a empresa questiona a aplica\u00e7\u00e3o da norma \u00e0s demais empresas do grupo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 12.846\/2013:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Constituem atos lesivos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nacional ou estrangeira, para os fins desta Lei, todos aqueles praticados pelas pessoas jur\u00eddicas mencionadas no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba , que atentem contra o patrim\u00f4nio p\u00fablico nacional ou estrangeiro, contra princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou contra os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, assim definidos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>V &#8211; dificultar atividade de investiga\u00e7\u00e3o ou fiscaliza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, entidades ou agentes p\u00fablicos, ou intervir em sua atua\u00e7\u00e3o, inclusive no \u00e2mbito das ag\u00eancias reguladoras e dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro nacional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-pega-as-empresas-de-fachada\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pega as empresas de fachada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, na origem, de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra pessoa jur\u00eddica, imputando-lhe a conduta descrita no art. 5\u00ba, V, da Lei 12.846\/2013 (Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o), por ter integrado uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa que conseguiu sonegar R$ 527.869.928,06 (quinhentos e vinte e sete milh\u00f5es, oitocentos e sessenta e nove mil, e novecentos e vinte e oito reais e seis centavos).<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem manteve a san\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria da pessoa jur\u00eddica, sob o fundamento de que a recorrente &#8220;como mais uma empresa paper company do Grupo L\u00edder, durante toda a sua exist\u00eancia serviu \u00e0 pr\u00e1tica de atos lesivos \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, tal como anotado no art. 5\u00ba, incisos III e V, da Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o, haja vista que sua pr\u00f3pria exist\u00eancia serviu apenas para dificultar as atividades de investiga\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria da Receita Federal do Brasil, fazendo uso de interpostas pessoas &#8211; laranjas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do Recurso Especial n. 1.803.585-RN, entendeu-se que a<strong> Lei n. 12.846\/2013 n\u00e3o condiciona a apura\u00e7\u00e3o judicial das infra\u00e7\u00f5es nela descritas \u00e0 pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o de processo administrativo, mas apenas reitera o consagrado princ\u00edpio da independ\u00eancia das inst\u00e2ncias<\/strong> ao estabelecer em seu art. 18 que &#8220;Na esfera administrativa, a responsabilidade da pessoa jur\u00eddica n\u00e3o afasta a possibilidade de sua responsabiliza\u00e7\u00e3o na esfera judicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Firmou a Segunda Turma este entendimento: &#8220;A previs\u00e3o do art. 5\u00ba, V, da Lei n. 12.846\/2013, que caracteriza como ato atentat\u00f3rio contra o patrim\u00f4nio p\u00fablico nacional a conduta consistente em &#8216;dificultar atividade de investiga\u00e7\u00e3o ou fiscaliza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, entidades ou agentes p\u00fablicos&#8217;, abrange a constitui\u00e7\u00e3o das chamadas &#8216;empresas de fachada&#8217; com o fim de frustrar a fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o do art. 5\u00ba, V, da Lei n. 12.846\/2013 abrange a constitui\u00e7\u00e3o das chamadas &#8220;empresas de fachada&#8221; com o fim de frustrar a fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-utilizacao-indevida-de-imagem-e-obra-musical-de-artista-em-campanha-politico-eleitoral-de-candidato-a-presidencia-da-republica-por-adeptos-da-campanha-e-responsabilidade-do-candidato\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Utiliza\u00e7\u00e3o indevida de imagem e obra musical de artista em campanha pol\u00edtico-eleitoral de candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica por adeptos da campanha e responsabilidade do candidato.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o indevida de imagem e obra musical de artista em campanha pol\u00edtico-eleitoral de candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica por adeptos da campanha eleitoral devidamente identificados e sem a participa\u00e7\u00e3o ou conhecimento do partido ou do candidato, n\u00e3o gera condena\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais destes.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.093.520-DF, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/5\/2024, DJe 17\/5\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Paula Toller promoveu a\u00e7\u00e3o em desfavor de Partido dos<br \/>Trabalhadores e Fernando Haddad postulando a condena\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais (direitos de int\u00e9rprete) em decorr\u00eancia da utiliza\u00e7\u00e3o indevida do direito de imagem e dos direitos autorais da m\u00fasica Pintura \u00cdntima. O Magistrado de primeiro grau julgou procedentes os pedidos para condenar os r\u00e9us ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, o partido questiona a responsabiliza\u00e7\u00e3o, alegando que quem usava o som da loira do Kid Abelha eram de terceiros (eleitores), n\u00e3o a propagando oficial do partido\/candidato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Eleitoral:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 241. Toda propaganda eleitoral ser\u00e1 realizada sob a responsabilidade dos partidos e por eles paga, imputando-lhes solidariedade nos excessos praticados pelos seus candidatos e adeptos.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;A solidariedade prevista neste artigo \u00e9 restrita aos candidatos e aos respectivos partidos, n\u00e3o alcan\u00e7ando outros partidos, mesmo quando integrantes de uma mesma coliga\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-candidato-e-partido-respondem\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Candidato e partido respondem?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!<\/strong>!<\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se h\u00e1 legitimidade passiva do partido pol\u00edtico e do candidato em a\u00e7\u00e3o que pleiteia o reconhecimento da sua responsabilidade solid\u00e1ria por viola\u00e7\u00e3o a direitos autorais e de imagem perpetrada por terceiros (adeptos).<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei dos Direitos Autorais atribui responsabilidade civil por viola\u00e7\u00e3o a direitos autorais a quem fraudulentamente reproduz, divulga ou de qualquer forma utiliza obra de titularidade de outrem; a quem editar obra liter\u00e1ria, art\u00edstica ou cient\u00edfica; ou a quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em dep\u00f3sito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem.<\/p>\n\n\n\n<p>Os<em>&nbsp;jingles<\/em>&nbsp;utilizados para fins eleitorais tamb\u00e9m se enquadram na prote\u00e7\u00e3o ao direito autoral, sendo imprescind\u00edvel a pr\u00e9via e expressa autoriza\u00e7\u00e3o dos titulares do direito para sua utiliza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o se confunde com a par\u00e1frase ou a par\u00f3dia da obra musical, pois estas s\u00e3o permitidas e independem de autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aplica-se \u00e0s propagandas eleitorais o princ\u00edpio da responsabilidade pela propaganda, que ser\u00e1 sempre atribu\u00edda a algu\u00e9m, que, inicialmente, ser\u00e1 o candidato, partido e coliga\u00e7\u00e3o, ou eventualmente o ve\u00edculo e o agente da comunica\u00e7\u00e3o.<\/strong> O art. 241 do <a>C\u00f3digo Eleitoral <\/a>prev\u00ea que &#8220;toda propaganda eleitoral ser\u00e1 realizada sob a responsabilidade dos partidos pol\u00edticos e por eles paga, imputando-lhes solidariedade nos excessos praticados pelos seus candidatos e adeptos&#8221;. Essa regra, contudo, tem aplica\u00e7\u00e3o direta no processo eleitoral, buscando a sua normalidade e a sua legitimidade, n\u00e3o podendo ser aplicada irrestritamente ao campo de responsabilidade civil, a qual, por sua vez, exige a comprova\u00e7\u00e3o de determinados requisitos, tais como a conduta danosa, o nexo de causalidade, o dano e, em alguns casos, o elemento subjetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel impor aos partidos e candidatos a responsabilidade por controlar o debate pol\u00edtico travado entre os eleitores e a maneira como o proselitismo eleitoral \u00e9 realizado por seus apoiadores e adeptos, sobretudo no ambiente VIRTUAL.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a parte autora teria sido surpreendida pela utiliza\u00e7\u00e3o indevida de sua imagem e obra musical em campanha pol\u00edtico-eleitoral de candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, mediante a divulga\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo com as viola\u00e7\u00f5es autorais em redes sociais de apoiadores do partido pol\u00edtico, adeptos da campanha eleitoral e devidamente identificados, sem, contudo, a participa\u00e7\u00e3o ou conhecimento do partido ou do candidato, de maneira que n\u00e3o se mostra poss\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o destes ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais pela viola\u00e7\u00e3o aos direitos autorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que se alegue que o candidato ou o partido pol\u00edtico tenha se beneficiado dos v\u00eddeos cujos conte\u00fados eram irregulares, mesmo n\u00e3o tendo conhecimento ou controle sobre eles, essa discuss\u00e3o fica restrita ao \u00e2mbito do processo eleitoral, com a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, ao passo que, no campo da responsabilidade civil, o pleito de condena\u00e7\u00e3o pelos danos suportados deveria ser dirigido aos reais causadores do preju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o indevida de imagem e obra musical de artista em campanha pol\u00edtico-eleitoral de candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica por adeptos da campanha eleitoral devidamente identificados e sem a participa\u00e7\u00e3o ou conhecimento do partido ou do candidato, n\u00e3o gera condena\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais destes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cobertura-pelo-plano-de-saude-das-terapias-multidisciplinares-prescritas-por-medico-assistente\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cobertura pelo plano de sa\u00fade das terapias multidisciplinares prescritas por m\u00e9dico assistente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As terapias multidisciplinares prescritas por m\u00e9dico assistente para o tratamento de benefici\u00e1rio de plano de sa\u00fade, executadas em estabelecimento de sa\u00fade, por profissional devidamente habilitado, devem ser cobertas pela operadora, sem limites de sess\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.061.135-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/6\/2024, DJe 14\/6\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide, representada por sua genitora, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de AMIL Sa\u00fade, alegando a negativa de cobertura, pela operadora do plano de sa\u00fade, das terapias multidisciplinares prescritas para o tratamento da menor, portador de distrofia muscular cong\u00eanita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, a empresa sustenta que, n\u00e3o constando do ROL da ANS as terapias solicitadas, n\u00e3o se pode exigir sua cobertura integral, pois as estipula\u00e7\u00f5es contratuais que preveem os par\u00e2metros para custeio de tratamentos, procedimentos e medicamentos est\u00e3o redigidas em total conformidade com a Lei dos Planos de Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-plano-de-saude-que-lute\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Plano de sa\u00fade que lute?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>\u00c9 por a\u00ed&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com as normas regulamentares e manifesta\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), <strong>as sess\u00f5es com fonoaudi\u00f3logos, psic\u00f3logos, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas s\u00e3o ilimitadas para todos os benefici\u00e1rios, independentemente da doen\u00e7a que os acomete<\/strong>; e a operadora dever\u00e1 garantir a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento previsto no rol e indicado pelo profissional assistente, cabendo ao prestador apto a execut\u00e1-lo a escolha da t\u00e9cnica, m\u00e9todo, terapia, abordagem ou manejo empregado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A aus\u00eancia de previs\u00e3o no rol da ANS de determinada t\u00e9cnica, m\u00e9todo, terapia, abordagem ou manejo a ser utilizado pelo profissional habilitado a realizar o procedimento<\/strong> previsto no rol e indicado pelo m\u00e9dico assistente, em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre as profiss\u00f5es de sa\u00fade e a regulamenta\u00e7\u00e3o de seus respectivos conselhos, <strong>n\u00e3o afasta a obriga\u00e7\u00e3o de cobertura pela operadora; n\u00e3o justifica, por si s\u00f3, a recusa de atendimento.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dizer, se a operadora tem a obriga\u00e7\u00e3o de cobrir consulta\/avalia\u00e7\u00e3o com fisioterapeuta, dever\u00e1 custear as sess\u00f5es de fisioterapia indicadas pelo profissional assistente, independentemente da t\u00e9cnica, m\u00e9todo, terapia, abordagem ou manejo que o fisioterapeuta venha a utilizar; se a operadora tem a obriga\u00e7\u00e3o de cobrir consulta\/avalia\u00e7\u00e3o com terapeuta ocupacional, dever\u00e1 custear as sess\u00f5es de terapia ocupacional indicadas pelo profissional assistente, independentemente da t\u00e9cnica, m\u00e9todo, terapia, abordagem ou manejo que o terapeuta ocupacional venha a utilizar; e assim tamb\u00e9m com rela\u00e7\u00e3o ao fonoaudi\u00f3logo e demais profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>A fisioterapia neuromuscular, motora e respirat\u00f3ria, a terapia ocupacional neuromuscular, a hidroterapia com fisioterapia neuromuscular, assim como a fonoterapia voltada \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a neuromuscular, constituem t\u00e9cnicas, m\u00e9todos, terapias, abordagens ou manejos a serem utilizados pelo profissional habilitado a realizar o procedimento previsto no rol &#8211; sess\u00f5es com fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudi\u00f3logo &#8211; e indicado pelo m\u00e9dico assistente, em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre as profiss\u00f5es de sa\u00fade e a regulamenta\u00e7\u00e3o de seus respectivos conselhos, sem limites do n\u00famero de sess\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>as terapias multidisciplinares prescritas pelo m\u00e9dico assistente para o tratamento do benefici\u00e1rio, executadas em estabelecimento de sa\u00fade, por profissional devidamente habilitado, devem ser cobertas pela operadora, sem limites de sess\u00f5es.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>As terapias multidisciplinares prescritas por m\u00e9dico assistente para o tratamento de benefici\u00e1rio de plano de sa\u00fade, executadas em estabelecimento de sa\u00fade, por profissional devidamente habilitado, devem ser cobertas pela operadora, sem limites de sess\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-requisitos-da-sls\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos da SLS<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>SUSPENS\u00c3O DE LIMINAR E SENTEN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 se falar em Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a quando inexiste nos autos qualquer tipo de documento que evidencie concretamente o risco iminente, concreto e injustific\u00e1vel de grave les\u00e3o \u00e0 ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>SLS 2.480-PR, Rel. Ministra Presidente do STJ, Rel. para o ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, por maioria, julgado em 19\/6\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Na origem, trata-se de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica que teve por objeto o procedimento de licenciamento da Faixa de Infraestrutura de Pontal do Paran\u00e1. O TRF4 deu proferiu uma liminar suspendendo o procedimento. A parte prejudicada apresentou pedido de Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a no STJ, instruindo-o exclusivamente com c\u00f3pia da decis\u00e3o proferida pelo TRF4 e da peti\u00e7\u00e3o inicial da ACP ajuizada pelo Parquet estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou-se a decidir se caberia SLS quando inexistente nos autos qualquer tipo de documento que evidencie concretamente o risco iminente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.347\/1992:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00b0 Compete ao presidente do tribunal, ao qual couber o conhecimento do respectivo recurso, suspender, em despacho fundamentado, a execu\u00e7\u00e3o da liminar nas a\u00e7\u00f5es movidas contra o Poder P\u00fablico ou seus agentes, a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou da pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico interessada, em caso de manifesto interesse p\u00fablico ou de flagrante ilegitimidade, e para evitar grave les\u00e3o \u00e0 ordem, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 economia p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-necessario-documento-que-evidencie-concretamente-o-risco\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio <\/a>documento que evidencie concretamente o risco?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Yeap!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da possibilidade de suspens\u00e3o de decis\u00e3o que, baseando-se no potencial efeito danoso sobre a economia p\u00fablica, suspendeu liminar a qual, por sua vez, impediu a continuidade de procedimento de licenciamento ambiental e instala\u00e7\u00e3o de empreendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, foi proposta A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica que teve por objeto o procedimento de licenciamento da Faixa de Infraestrutura de Pontal do Paran\u00e1. No \u00e2mbito do Tribunal Regional Federal da 4\u00aa Regi\u00e3o (TRF4) foi proferida liminar suspendendo o referido procedimento. Na sequ\u00eancia, foi apresentado o pedido de Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a perante o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, instru\u00eddo exclusivamente com c\u00f3pia da decis\u00e3o proferida pelo Tribunal de origem e da peti\u00e7\u00e3o inicial da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica ajuizada pelo Parquet estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>a Suspens\u00e3o de Liminar n\u00e3o pode ser utilizada como suced\u00e2neo recursal para exame do acerto ou do desacerto da decis\u00e3o impugnada<\/strong> (art. 4\u00ba da Lei n. 8.347\/1992). A les\u00e3o &#8220;ao bem jur\u00eddico deve ser grave e iminente, devendo o requerente demonstrar, de modo cabal e preciso, tal aspecto da medida impugnada (STF, SS n. 1.185\/PA, relator Ministro Celso de Mello, DJ de 4\/8\/1998; STJ, AgRg na SLS n. 845\/PE, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, DJe de 23\/6\/2008&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, a documenta\u00e7\u00e3o acostada no pedido n\u00e3o se presta a comprovar as hip\u00f3teses de cabimento da Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a, mas viabiliza, no m\u00e1ximo, o cotejo entre os seus pr\u00f3prios argumentos e os fundamentos utilizados pelas partes e os adotados no Tribunal de origem. Tal tipo de ju\u00edzo valorativo \u00e9 pr\u00f3prio da via recursal, pois relaciona-se com o m\u00e9rito da quest\u00e3o litigiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, qualquer manifesta\u00e7\u00e3o judicial no STJ, a respeito da les\u00e3o \u00e0 ordem econ\u00f4mica, estar\u00e1 amparada em ju\u00edzo de natureza abstrata, por simples presun\u00e7\u00e3o, dado que n\u00e3o h\u00e1 acervo probat\u00f3rio documental que o ampare. Inexistindo, portanto, qualquer tipo de documento que evidencie concretamente o risco iminente, concreto e injustific\u00e1vel de les\u00e3o \u00e0 ordem econ\u00f4mica, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em Suspens\u00e3o de Liminar.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendimento contr\u00e1rio implicaria estabelecimento de tese gen\u00e9rica segundo a qual a mera alega\u00e7\u00e3o do ente p\u00fablico, relacionada \u00e0 dimens\u00e3o econ\u00f4mica da obra cuja continuidade se pretende restabelecer, \u00e9 suficiente para ensejar a Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido o precedente da Corte Especial do STJ (AgRg na SLS 1.100\/PR, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, DJe 4\/3\/2010) para aduzir que \u00e9 insuficiente a mera alega\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia das situa\u00e7\u00f5es descritas no art. 4\u00ba da Lei 8.437\/1992, sendo necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o efetiva do dano.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 se falar em Suspens\u00e3o de Liminar e de Senten\u00e7a quando inexiste nos autos qualquer tipo de documento que evidencie concretamente o risco iminente, concreto e injustific\u00e1vel de grave les\u00e3o \u00e0 ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-obrigatoriedade-do-recolhimento-pelo-defensor-dativo-do-preparo-do-recurso-que-verse-apenas-sobre-os-honorarios-sucumbenciais\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigatoriedade do recolhimento pelo defensor dativo do preparo do recurso que verse apenas sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao defensor dativo n\u00e3o se aplica a obrigatoriedade de recolhimento do preparo do recurso que verse apenas sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.832.063-SP, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Rel. para o ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, por maioria, julgado em 14\/12\/2023, DJe 8\/5\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton, defensor dativo, interp\u00f4s recurso por meio da qual questionava os valores arbitrados como honor\u00e1rios sucumbenciais. No entanto, o recurso n\u00e3o foi conhecido em raz\u00e3o da falta de recolhimento do preparo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 99. O pedido de gratuidade da justi\u00e7a pode ser formulado na peti\u00e7\u00e3o inicial, na contesta\u00e7\u00e3o, na peti\u00e7\u00e3o para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 4\u00ba A assist\u00eancia do requerente por advogado particular n\u00e3o impede a concess\u00e3o de gratuidade da justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 5\u00ba Na hip\u00f3tese do \u00a7 4\u00ba, o recurso que verse exclusivamente sobre valor de honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia fixados em favor do advogado de benefici\u00e1rio estar\u00e1 sujeito a preparo, salvo se o pr\u00f3prio advogado demonstrar que tem direito \u00e0 gratuidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 186. A Defensoria P\u00fablica gozar\u00e1 de prazo em dobro para todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es processuais.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba A requerimento da Defensoria P\u00fablica, o juiz determinar\u00e1 a intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte patrocinada quando o ato processual depender de provid\u00eancia ou informa\u00e7\u00e3o que somente por ela possa ser realizada ou prestada.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba O disposto no&nbsp;caput&nbsp;aplica-se aos escrit\u00f3rios de pr\u00e1tica jur\u00eddica das faculdades de Direito reconhecidas na forma da lei e \u00e0s entidades que prestam assist\u00eancia jur\u00eddica gratuita em raz\u00e3o de conv\u00eanios firmados com a Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-devido-o-preparo\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devido o preparo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a regra segundo a qual \u00e9 indispens\u00e1vel o preparo do recurso que verse exclusivamente sobre honor\u00e1rios sucumbenciais nas causas em que concedido o benef\u00edcio da gratuidade judici\u00e1ria \u00e0 parte, salvo se o pr\u00f3prio advogado demonstrar que faz jus \u00e0 gratuidade, aplica-se tamb\u00e9m ao defensor dativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a interpreta\u00e7\u00e3o literal das regras do art. 99, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, CPC, pudesse induzir \u00e0 conclus\u00e3o de que ao advogado dativo, no que se refere ao preparo, aplicar-se-iam as mesmas regras do advogado particular, exigindo-se a comprova\u00e7\u00e3o de que ele pr\u00f3prio faz jus \u00e0 gratuidade judici\u00e1ria, \u00e9 preciso examinar a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o de outros m\u00e9todos hermen\u00eauticos que melhor se amoldem \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o controvertida.<\/p>\n\n\n\n<p>O exame sistem\u00e1tico do conjunto das <strong>regras que disciplinam as nobres fun\u00e7\u00f5es desempenhadas pelos advogados dativos e pela Defensoria P\u00fablica revelam que, em vez de diferen\u00e7as, eles possuem muito mais <u>semelhan\u00e7as<\/u>, <\/strong>de modo que \u00e9 poss\u00edvel afirmar que ambas as figuras se complementam e comp\u00f5em um microssistema de tutela dos vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O exame desses elementos de aproxima\u00e7\u00e3o se inicia com o art. 186,&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>e \u00a7 3\u00ba, do CPC\/15, segundo o qual n\u00e3o apenas a Defensoria P\u00fablica gozar\u00e1 de prazo em dobro, mas, de igual modo, tamb\u00e9m os escrit\u00f3rios de pr\u00e1tica jur\u00eddica das faculdades de Direito e as entidades que prestam assist\u00eancia jur\u00eddica gratuita em raz\u00e3o de conv\u00eanios com a Defensoria P\u00fablica, tudo de modo a claramente permitir o mais amplo e irrestrito acesso \u00e0 justi\u00e7a pelos hipossuficientes e pelos vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento de aproxima\u00e7\u00e3o est\u00e1 no art. 341, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC\/15, que, repetindo a regra do art. 302, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC\/73, mant\u00e9m o entendimento segundo o qual o \u00f4nus da impugna\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos fatos n\u00e3o se aplica ao defensor p\u00fablico e nem tampouco ao advogado dativo.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, por compreender que as mesmas dificuldades de comunica\u00e7\u00e3o que existem entre a parte e a Defensoria P\u00fablica tamb\u00e9m se verificam na comunica\u00e7\u00e3o entre a parte e o advogado dativo, o STJ firmou entendimento no sentido de que a regra do art. 186, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/15, que prev\u00ea a possibilidade de intima\u00e7\u00e3o pessoal da parte quando o ato depender de provid\u00eancia ou informa\u00e7\u00e3o que somente por ela possa ser realizada ou prestada, tamb\u00e9m se aplica \u00e0 advocacia dativa, a despeito de a regra contemplar expressamente apenas a Defensoria P\u00fablica (RMS n. 64.894\/SP, Terceira Turma, DJe 9\/8\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, impor ao advogado dativo que recolha o preparo ou que comprove, ele pr\u00f3prio, que faz jus \u00e0 gratuidade em recurso que trate exclusivamente do valor de seus honor\u00e1rios advocat\u00edcios implicar\u00e1 em um inevit\u00e1vel desest\u00edmulo ao exerc\u00edcio dessa nobre fun\u00e7\u00e3o, com ser\u00edssimos efeitos colaterais aos jurisdicionados, especialmente porque a advocacia dativa, embora seja exerc\u00edcio regular e remunerado da advocacia, possui car\u00e1ter altru\u00edstico, irmanado e suplementar \u00e0 Defensoria P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, quer seja pela interpreta\u00e7\u00e3o conjugada do art. 99, \u00a74\u00ba e \u00a75\u00ba, do CPC\/2015, quer seja pelo pr\u00f3prio esp\u00edrito quase altru\u00edsta que norteia a atua\u00e7\u00e3o dos defensores dativos, indispens\u00e1veis \u00e0 garantia de efetivo e amplo acesso \u00e0 justi\u00e7a, quer seja pela exist\u00eancia de justificativa plaus\u00edvel para o tratamento diferenciado em rela\u00e7\u00e3o ao advogado particular e de exist\u00eancia de justificativa plaus\u00edvel para o tratamento igualit\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Defensoria P\u00fablica, deve-se concluir que ao defensor dativo n\u00e3o se aplica a obrigatoriedade de recolhimento do preparo do recurso que verse apenas sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Ao defensor dativo n\u00e3o se aplica a obrigatoriedade de recolhimento do preparo do recurso que verse apenas sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-para-decidir-as-causas-de-interesse-do-conselho-curador-de-honorarios-advocaticios\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia para decidir as causas de interesse do Conselho Curador de Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir as causas de interesse do Conselho Curador de Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios, \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o det\u00e9m personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria e est\u00e1 expressamente vinculado \u00e0 Advocacia-Geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 199.358-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 24\/4\/2024, DJe 21\/6\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete, procuradora federal aposentada, ajuizou a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria contra a Uni\u00e3o e o Conselho Curador de Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios, questionando a distribui\u00e7\u00e3o distinta de honor\u00e1rios advocat\u00edcios devidos entre membros ativos e aposentados.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ju\u00edzo federal declinou da compet\u00eancia, determinando o encaminhamento dos autos \u00e0 Justi\u00e7a estadual, que, por sua vez, suscitou o conflito de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 13.327\/2016:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33. \u00c9 criado o Conselho Curador dos Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios (CCHA), vinculado \u00e0 Advocacia-Geral da Uni\u00e3o, composto por 1 (um) representante de cada uma das carreiras mencionadas nos incisos I a IV do art. 27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Cada conselheiro ter\u00e1 1 (um) suplente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Os conselheiros e seus suplentes ser\u00e3o eleitos pelos ocupantes dos cargos das respectivas carreiras, para mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba A elei\u00e7\u00e3o de que trata o \u00a7 2\u00ba ser\u00e1 promovida pelo Advogado-Geral da Uni\u00e3o no prazo de 45 (quarenta e cinco) dias contado da entrada em vigor desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba A participa\u00e7\u00e3o no CCHA ser\u00e1 considerada servi\u00e7o p\u00fablico relevante e n\u00e3o ser\u00e1 remunerada.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 34. Compete ao CCHA:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; editar normas para operacionalizar o cr\u00e9dito e a distribui\u00e7\u00e3o dos valores de que trata o art. 30;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; fiscalizar a correta destina\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, conforme o disposto neste Cap\u00edtulo;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; adotar as provid\u00eancias necess\u00e1rias para que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios discriminados no art. 30 sejam creditados pontualmente;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; requisitar dos \u00f3rg\u00e3os e das entidades p\u00fablicas federais respons\u00e1veis as informa\u00e7\u00f5es cadastrais, cont\u00e1beis e financeiras necess\u00e1rias \u00e0 apura\u00e7\u00e3o, ao cr\u00e9dito dos valores referidos no art. 29 e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o das pessoas benefici\u00e1rias dos honor\u00e1rios;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; contratar institui\u00e7\u00e3o financeira oficial para gerir, processar e distribuir os recursos a que se refere este Cap\u00edtulo;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; editar seu regimento interno.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-a-quem-compete\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a FEDERAL!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 13.327\/2016 criou o Conselho Curador de Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios (CCHA) e estabeleceu a sua compet\u00eancia nos termos dos arts. 33 e 34, denotando que este n\u00e3o det\u00e9m personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria, pois \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que est\u00e1 expressamente vinculado \u00e0 Advocacia Geral da Uni\u00e3o (AGU), tamb\u00e9m integrante da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Portaria n. 99\/2023 da AGU tenha definido o CCHA como ente privado sem fins lucrativos, al\u00e9m de dispor que &#8220;submete-se ao regime jur\u00eddico das pessoas jur\u00eddicas de direito privado&#8221;, a<strong> natureza jur\u00eddica da entidade em quest\u00e3o deve ser extra\u00edda da pr\u00f3pria lei que a criou e n\u00e3o de eventual ato interno formal que classifique o Conselho como pessoa jur\u00eddica privada.<\/strong> No mesmo sentido foi a orienta\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o quando teve a oportunidade de se pronunciar sobre o tema. (Ac\u00f3rd\u00e3o n. 311\/2021-TCU-Plen\u00e1rio, de 24\/2\/2021 e Ac\u00f3rd\u00e3o n. 523\/2023-TCU-Plen\u00e1rio, de 22\/3\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se, por oportuno, que o instituto da &#8220;personalidade judici\u00e1ria&#8221; ou &#8220;formal&#8221; (autoriza\u00e7\u00e3o para figurar na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica [processual] como se pessoa jur\u00eddica fosse) n\u00e3o poderia ser aplicado ao caso. Isso se deve ao fato de o referido instituto ser conferido apenas aos \u00f3rg\u00e3os de estatura constitucional e mesmo assim para permitir a defesa de suas prerrogativas institucionais mais caras, normalmente postas em xeque pelo conflito com a pr\u00f3pria pessoa jur\u00eddica a qual (o \u00f3rg\u00e3o) pertence, sendo que ambas as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se encontram presentes na esp\u00e9cie. Esse foi o entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal no MS n. 37.331 AgR, Relator(a): Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 27\/4\/2021, Processo Eletr\u00f4nico, DJe-096 Divulg. 19\/5\/2021 Public. 20\/5\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, considerando que o CCHA \u00e9 \u00f3rg\u00e3o vinculado \u00e0 AGU e que esta integra o Ente federal, conclui-se que a Uni\u00e3o \u00e9 o titular passivo da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica discutida, de modo que tal ente deve necessariamente estar presente na lide, o que faz com que a compet\u00eancia para decidir a causa seja da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal decidir as causas de interesse do Conselho Curador de Honor\u00e1rios Advocat\u00edcios, \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o det\u00e9m personalidade jur\u00eddica pr\u00f3pria e est\u00e1 expressamente vinculado \u00e0 Advocacia-Geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nao-conhecimento-do-pedido-de-reconsideracao-como-agravo-em-recurso-especial-a-despeito-de-pedido-subsidiario-expresso\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N\u00e3o conhecimento do pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o como agravo em recurso especial, a despeito de pedido subsidi\u00e1rio expresso.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECLAMA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Configura usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do STJ quando o Tribunal de origem n\u00e3o conhece do pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o como agravo em recurso especial, a despeito de pedido subsidi\u00e1rio expresso.<\/p>\n\n\n\n<p>Rcl 46.756-RJ, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2024, DJe 25\/4\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o, Crementino interp\u00f4s recurso especial que teve seu seguimento negado pelo TJ em raz\u00e3o da diferen\u00e7a faltante no recolhimento da GRU (deserto). Inconformado, Crementino apresentou pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o, pugnando ainda que, em caso de n\u00e3o acolhimento, fosse este recebido como agravo em recurso especial dirigido a ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal local indeferiu o pedido, o que ensejou a oposi\u00e7\u00e3o de embargos de declara\u00e7\u00e3o, alegando omiss\u00e3o quanto ao pedido de processamento do pedido como agravo em recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-\u00e3o somente os dias \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.042. Cabe agravo contra decis\u00e3o do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido que inadmitir recurso extraordin\u00e1rio ou recurso especial, salvo quando fundada na aplica\u00e7\u00e3o de entendimento firmado em regime de repercuss\u00e3o geral ou em julgamento de recursos repetitivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.003. O prazo para interposi\u00e7\u00e3o de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia P\u00fablica, a Defensoria P\u00fablica ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00e3o intimados da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 5\u00ba Excetuados os embargos de declara\u00e7\u00e3o, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes \u00e9 de 15 (quinze) dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.070. \u00c9 de 15 (quinze) dias o prazo para a interposi\u00e7\u00e3o de qualquer agravo, previsto em lei ou em regimento interno de tribunal, contra decis\u00e3o de relator ou outra decis\u00e3o unipessoal proferida em tribunal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-usurpada-a-competencia-do-stj\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Usurpada a compet\u00eancia do STJ?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia acerca da defini\u00e7\u00e3o se h\u00e1 usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a pela Presid\u00eancia do Tribunal de origem que n\u00e3o conhece do pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o como agravo em recurso especial, a despeito de pedido subsidi\u00e1rio expresso com amparo no princ\u00edpio da fungibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A compet\u00eancia do STJ para o julgamento do agravo em recurso especial adv\u00e9m, indiretamente, do pr\u00f3prio texto constitucional, que de forma expressa lhe atribui a compet\u00eancia para o julgamento do recurso especial <\/strong>&#8211; lastreado nas hip\u00f3teses do inciso III do art. 105 da Carta Magna &#8211; que lhe antecede.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, a jurisprud\u00eancia do STJ tem entendido que ser\u00e1 admiss\u00edvel o ajuizamento da reclama\u00e7\u00e3o quando a Corte de origem usurpa da compet\u00eancia do STJ e n\u00e3o conhece de agravo em recurso especial corretamente interposto.<\/p>\n\n\n\n<p>A inadmissibilidade do recurso especial pela Presid\u00eancia do Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;abre a oportunidade para a interposi\u00e7\u00e3o do agravo do art. 1.042 do CPC\/2015, que tem o prop\u00f3sito exclusivo de ascens\u00e3o do correlato recurso especial ao STJ e cuja compet\u00eancia para julgamento \u00e9 exclusiva do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o STJ j\u00e1 tenha adotado o entendimento no sentido de se mitigar a regra da impossibilidade de se negar tr\u00e2nsito ao recurso de compet\u00eancia do tribunal hierarquicamente superior, sem que isso configure usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia, tal possibilidade s\u00f3 ocorre quando constatado o seu manifesto descabimento, a caracterizar a exist\u00eancia de erro grosseiro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, portanto, que se cogitar de um ju\u00edzo de admissibilidade do agravo do art. 1.042 do CPC\/2015, por aus\u00eancia de previs\u00e3o expressa e constata\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio eloquente (intencional) do legislador. H\u00e1 t\u00e3o somente de um ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o, que, caso positivo, ocasionar\u00e1 a admiss\u00e3o do recurso especial anteriormente denegado e a consequente submiss\u00e3o do feito ao STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>A subida do agravo em recurso especial ao STJ independe de estarem demonstrados os seus pressupostos recursais, delibera\u00e7\u00e3o esta que se reserva exclusivamente a esta Corte Superior.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 decis\u00e3o de inadmissibilidade do recurso especial permite concluir que o agravo em recurso especial possui efeito regressivo, assim como o agravo interno, de maneira que, segundo a jurisprud\u00eancia do STJ, em homenagem aos princ\u00edpios da instrumentalidade das formas, da fungibilidade e da economia processual, \u00e9 poss\u00edvel o recebimento do pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o como agravo interno, principalmente se levado em considera\u00e7\u00e3o o teor da sua impugna\u00e7\u00e3o e em raz\u00e3o de terem sido observados os prazos recursais dos arts. 219, 1.003, \u00a7 5\u00ba, e 1.070 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, v\u00ea-se que o pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o apresentado perante a Presid\u00eancia da Corte de origem pode ser admitido como agravo em recurso especial, sobretudo quando h\u00e1 pedido subsidi\u00e1rio nesse sentido, sendo de compet\u00eancia exclusiva o seu processamento e julgamento, de modo que a decis\u00e3o pelo seu n\u00e3o conhecimento acaba por usurpar a compet\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Configura usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do STJ quando o Tribunal de origem n\u00e3o conhece do pedido de reconsidera\u00e7\u00e3o como agravo em recurso especial, a despeito de pedido subsidi\u00e1rio expresso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-honorarios-advocaticios-e-cabimento-quando-da-hipotese-de-exclusao-de-litisconsorte-por-ilegitimidade-ad-causam\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Honor\u00e1rios advocat\u00edcios e cabimento quando da hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte por ilegitimidade ad causam<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da vig\u00eancia do CPC\/2015, \u00e9 cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma para cobran\u00e7a e defini\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando a decis\u00e3o transitada em julgado for omissa. Na hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte por ilegitimidade ad causam, em decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o da contraparte ao pagamento de honor\u00e1rios proporcionais, podendo ser fixados em quantum inferior ao percentual m\u00ednimo previsto pelo art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.098.934-RO, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 5\/3\/2024, DJe 7\/3\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Lemos Advocacia ajuizou a\u00e7\u00e3o de estipula\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de honor\u00e1rios advocat\u00edcios em face de Gen\u00e9sio. Em raz\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o do advogado, o ju\u00edzo de primeiro grau determinou a exclus\u00e3o do litisconsorte Tadeu do polo ativo, sem arbitrar condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios. Segundo a parte, ningu\u00e9m recorreu contra tal decis\u00e3o para n\u00e3o prejudicar o tr\u00e2mite processual. Passado algum tempo, Lemos Advocacia ajuizou a a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma discutindo a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 18. Caso a decis\u00e3o transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honor\u00e1rios ou ao seu valor, \u00e9 cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma para sua defini\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-acao-autonoma\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>T\u00e1 valendo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob a \u00e9gide do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/1973), editou-se a S\u00famula n. 453\/STJ, cujo enunciado estabelece que &#8220;os honor\u00e1rios sucumbenciais, quando omitidos em decis\u00e3o transitada em julgado, n\u00e3o podem ser cobrados em execu\u00e7\u00e3o ou em a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, <strong>quando ausente condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios na decis\u00e3o judicial, a parte deveria opor embargos de declara\u00e7\u00e3o a fim de sanar tal omiss\u00e3o<\/strong>. Lado oposto, ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o, caberia somente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria por viola\u00e7\u00e3o literal do art. 20 do CPC\/1973, sendo descabida a cobran\u00e7a de honor\u00e1rios em execu\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada obstante, a mat\u00e9ria foi significativamente alterada pelo CPC\/2015, o qual estabeleceu em seu art. 85, \u00a718, o cabimento de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma para defini\u00e7\u00e3o e cobran\u00e7a de honor\u00e1rios quando a decis\u00e3o transitada em julgado for omissa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o legislativa, a doutrina leciona que houve a <strong>supera\u00e7\u00e3o parcial da S\u00famula n. 453\/STJ, apenas no tocante \u00e0 (im)possibilidade de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Devidos honor\u00e1rios quando da hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte por ilegitimidade ad causam???<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com certeza!!!!<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 1.015, VII, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015), o pronunciamento do juiz que determina a exclus\u00e3o de litisconsorte corresponde \u00e0 decis\u00e3o interlocut\u00f3ria. Nessas hip\u00f3teses, acolhida a preliminar de ilegitimidade ativa ou passiva do litisconsorte, o processo ser\u00e1 extinto sem julgamento do m\u00e9rito apenas em rela\u00e7\u00e3o ao sujeito ileg\u00edtimo, nos termos do art. 485, VI, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao ponto, a jurisprud\u00eancia do STJ se consolidou no sentido de ser cab\u00edvel, diante da exclus\u00e3o do litisconsorte, a condena\u00e7\u00e3o da contraparte ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o fundamento para a condena\u00e7\u00e3o do vencido ao pagamento das despesas e honor\u00e1rios est\u00e1 em evitar que o vencedor seja compelido a arcar com os gastos de um processo para cuja forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o deu causa. Tal fundamento est\u00e1 <strong>umbilicalmente ligado ao princ\u00edpio da sucumb\u00eancia, norteado pelo princ\u00edpio da causalidade,<\/strong> como conte\u00fado epist\u00eamico da ci\u00eancia processual a ser observado na instaura\u00e7\u00e3o dos lit\u00edgios judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A peculiaridade dos honor\u00e1rios decorrentes da exclus\u00e3o de litisconsorte reside, todavia, no&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;arbitrado. Isso porque o legislador do art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015 &#8211; ao estabelecer percentual m\u00ednimo de 10% sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, causa ou proveito econ\u00f4mico &#8211; tomou como referencial as decis\u00f5es judiciais que, com ou sem julgamento de m\u00e9rito, abrangem a totalidade das quest\u00f5es submetidas ao ju\u00edzo. Trata-se de situa\u00e7\u00e3o indubitavelmente diversa das decis\u00f5es parciais, as quais decidem apenas parcela da quest\u00e3o sujeita \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista essa particularidade, esta Terceira Turma tem decidido que, na hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte, os honor\u00e1rios devem ser arbitrados de maneira proporcional \u00e0 parcela do pedido efetivamente apreciada, sendo que o juiz n\u00e3o est\u00e1 obrigado a fixar, em benef\u00edcio do advogado da parte exclu\u00edda, honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais m\u00ednimos de 10% sobre o valor da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescente-se que o arbitramento de honor\u00e1rios aqu\u00e9m do previsto no art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015 sequer \u00e9 inova\u00e7\u00e3o puramente jurisprudencial, visto que art. 338, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC\/2015 estabelece que, acolhida a preliminar de ilegitimidade passiva do r\u00e9u, &#8220;o autor reembolsar\u00e1 as despesas e pagar\u00e1 os honor\u00e1rios ao procurador do r\u00e9u exclu\u00eddo, que ser\u00e3o fixados entre tr\u00eas e cinco por cento do valor da causa ou, sendo este irris\u00f3rio, nos termos do art. 85, \u00a7 8\u00ba&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, na hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte por ilegitimidade&nbsp;<em>ad causam<\/em>, em decis\u00e3o parcial sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o da contraparte ao pagamento de honor\u00e1rios proporcionais, podendo ser fixados em&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;inferior ao percentual m\u00ednimo previsto pelo art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A partir da vig\u00eancia do CPC\/2015, \u00e9 cab\u00edvel a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma para cobran\u00e7a e defini\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando a decis\u00e3o transitada em julgado for omissa. Na hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de litisconsorte por ilegitimidade ad causam, em decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o da contraparte ao pagamento de honor\u00e1rios proporcionais, podendo ser fixados em quantum inferior ao percentual m\u00ednimo previsto pelo art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-responsabilidade-pelos-onus-sucumbenciais-nos-embargos-de-terceiros-quando-extintos-sem-julgamento-de-merito-em-razao-da-perda-superveniente-de-seu-objeto\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais nos embargos de terceiros, quando extintos sem julgamento de m\u00e9rito, em raz\u00e3o da perda superveniente de seu objeto<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais nos embargos de terceiros, quando extintos sem julgamento de m\u00e9rito, em raz\u00e3o da perda superveniente de seu objeto, deve ser de quem deu causa aos embargos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.131.651-PR, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21\/5\/2024, DJe 24\/5\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o, Gertrude interp\u00f4s embargos de terceiro insurgindo-se contra a constri\u00e7\u00e3o judicial que recaiu sobre bem alegadamente de sua titularidade. Ela portanto defende a sua mea\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o promovida pelo banco em face de seu c\u00f4njuge.<\/p>\n\n\n\n<p>Os embargos acabaram extintos porque propostos ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o j\u00e1 ter sido extinta em decorr\u00eancia do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente. E, diante da sucumb\u00eancia, Gertrude foi condenada ao pagamento das custas processuais, bem como honor\u00e1rios advocat\u00edcios sobre o valor atualizado da a\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 921. Suspende-se a execu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poder\u00e1, de of\u00edcio, reconhecer a prescri\u00e7\u00e3o no curso do processo e extingui-lo, sem \u00f4nus para as partes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-deve-quem-deu-causa\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve quem deu causa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Exatamente!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir a quem incumbe arcar, nos embargos de terceiro, com os \u00f4nus sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 peculiar (o que explica a aus\u00eancia de precedente pontual do STJ) j\u00e1 que se tem, de um lado, uma a\u00e7\u00e3o execu\u00e7\u00e3o frustrada pelo reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente (o que haveria de pressupor justamente a aus\u00eancia de bens penhor\u00e1veis) e, de outro, o manejo de embargos de terceiro (que impugnava justamente a constri\u00e7\u00e3o judicial de bem im\u00f3vel ali efetivada), que restaram prejudicados, pois, pela extin\u00e7\u00e3o do feito executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O desfecho da a\u00e7\u00e3o executiva &#8211; reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente da pretens\u00e3o executiva -, a repercutir, naturalmente, no modo como os \u00f4nus sucumbenciais foram distribu\u00eddos \u00e0s partes ali litigantes, n\u00e3o influi na defini\u00e7\u00e3o da responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais nos subjacentes embargos de terceiro &#8211; feito distinto daquele -, extintos pela perda de objeto, a considerar o tratamento legal espec\u00edfico para cada hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 altera\u00e7\u00e3o legislativa promovida pela Lei n. 14.195\/2021, que introduziu o \u00a7 5\u00ba ao art. 921 do CPC, a Terceira Turma do STJ adotou a compreens\u00e3o de que &#8220;nas hip\u00f3tese em que extinto o processo [executivo] com resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, em raz\u00e3o do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, \u00e9 de ser reconhecida a aus\u00eancia de \u00f4nus \u00e0s partes, a importar condena\u00e7\u00e3o nenhuma em custas e honor\u00e1rios advocat\u00edcios&#8221;, observado o marco temporal para a aplica\u00e7\u00e3o das novas regras sucumbenciais que \u00e9 a data da prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a&#8221; (REsp n. 2.025.303\/DF, Relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 11\/11\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, <strong>a responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais nos embargos de terceiros, que devem ser extintos, sem julgamento de m\u00e9rito, em raz\u00e3o da perda superveniente de seu objeto <\/strong>(no caso, ante a insubsist\u00eancia da constri\u00e7\u00e3o judicial realizada no feito executivo, extinto em decorr\u00eancia do reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente), \u00e9 regulada pelo \u00a7 10 do art. 85 do C\u00f3digo de Processo Civil, o qual imp\u00f5e \u00e0quele que deu causa ao processo a responsabilidade pelo pagamento da verba honor\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente no caso dos embargos de terceiro &#8211; em que se busca impedir ou afastar a constri\u00e7\u00e3o judicial reputada indevida sobre bens de titularidade de pessoa que n\u00e3o faz parte da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-processual -, cabe ao julgador examinar, sob a \u00e9gide do princ\u00edpio da causalidade, se a constri\u00e7\u00e3o apresentou-se, em tese, indevida e, em sendo, quem a ela deu causa (a teor do enunciado n. 303 da S\u00famula do STJ,&nbsp;<em>in verbis<\/em>: em embargos de terceiro, quem deu causa \u00e0 constri\u00e7\u00e3o indevida deve arcar com os honor\u00e1rios advocat\u00edcios) ou, n\u00e3o sendo este o caso, num ju\u00edzo de prognose, aferir qual dos litigantes seria sucumbente se a a\u00e7\u00e3o tivesse, de fato, sido julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>\u00e9 de se reconhecer que os subjacentes embargos de terceiro consubstanciaram medida processual absolutamente inid\u00f4nea aos fins alegadamente perseguidos, pelo simples fato de que o ato constritivo impugnado, quando de seu ajuizamento, h\u00e1 muito n\u00e3o subsistia<\/strong>. A constri\u00e7\u00e3o judicial &#8211; objeto de impugna\u00e7\u00e3o dos subjacentes embargos de terceiro &#8211; foi tornada sem efeito em raz\u00e3o da prola\u00e7\u00e3o de decis\u00e3o proferida pelo Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o que reconheceu justamente impenhorabilidade do im\u00f3vel rural constrito, n\u00e3o havendo nenhuma insurg\u00eancia por parte do Banco exequente. Tudo a ensejar a conclus\u00e3o de que foi a parte embargante quem deu causa aos infundados embargos de terceiro, devendo, por isso, responder pela verba sucumbencial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelos \u00f4nus sucumbenciais nos embargos de terceiros, quando extintos sem julgamento de m\u00e9rito, em raz\u00e3o da perda superveniente de seu objeto, deve ser de quem deu causa \u00e0 constri\u00e7\u00e3o indevida.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-admissibilidade-da-inclusao-posterior-do-dependente-direto-como-beneficiario-do-ex-participante-de-previdencia-privada\"><a>10.&nbsp; Admissibilidade da inclus\u00e3o posterior do dependente direto como benefici\u00e1rio do ex-participante de previd\u00eancia privada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deve ser admitida a inclus\u00e3o posterior do dependente direto como benefici\u00e1rio do ex-participante de previd\u00eancia privada, desde que isso n\u00e3o acarrete preju\u00edzo ao fundo de pens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>EAREsp 925.908-SE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 22\/5\/2024, DJe 7\/6\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o de concess\u00e3o de suplementa\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte, em face de Petros, devido \u00e0 recusa administrativa da entidade em pagar o benef\u00edcio, ap\u00f3s o falecimento do marido, participante de plano de previd\u00eancia privada complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a julgou procedente o pedido, para condenar a r\u00e9 ao pagamento da suplementa\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte, desde a data do \u00f3bito do participante. Em recurso, a Petros sustenta que benef\u00edcio de suplementa\u00e7\u00e3o de pens\u00e3o por morte deve ser deferido em favor da ex-companheira\/esposa do participante, somente quando esta tenha sido designada como benefici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 16. S\u00e3o benefici\u00e1rios do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, na condi\u00e7\u00e3o de dependentes do segurado:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; o c\u00f4njuge, a companheira, o companheiro e o filho n\u00e3o emancipado, de qualquer condi\u00e7\u00e3o, menor de 21 (vinte e um) anos ou inv\u00e1lido ou que tenha defici\u00eancia intelectual ou mental ou defici\u00eancia grave;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba A depend\u00eancia econ\u00f4mica das pessoas indicadas no inciso I \u00e9 presumida e a das demais deve ser comprovada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-a-inclusao-posterior-do-dependente-direto\"><a>10.2.2. Poss\u00edvel a inclus\u00e3o posterior do dependente direto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A previd\u00eancia privada, qualificada pela doutrina como um bra\u00e7o da seguridade social e neg\u00f3cio jur\u00eddico privado concretizador dos ideais constitucionais de solidariedade e justi\u00e7a social, tem como finalidade suprir a necessidade de renda adicional do participante, por ocasi\u00e3o de sua aposentadoria ou superveniente incapacidade, bem como dos seus benefici\u00e1rios, por ocasi\u00e3o de sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diferentemente do regime geral de previd\u00eancia social, o legislador n\u00e3o fixou os benefici\u00e1rios do participante vinculado a plano de previd\u00eancia privada<\/strong>, de modo que, salvo previs\u00e3o contratual em contr\u00e1rio, \u00e9 admitida a indica\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>A fun\u00e7\u00e3o social do contrato previdenci\u00e1rio se cumpre a partir da concess\u00e3o de benef\u00edcio a quem o legislador presume depender economicamente do participante falecido, como, estabelece o art. 16, I e \u00a7 4\u00ba, da Lei 8.213\/1991.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, verifica-se que a pr\u00f3pria Resolu\u00e7\u00e3o 49\/1997 da PETROS, em que se apoia a entidade, n\u00e3o veda a inclus\u00e3o de novos benefici\u00e1rios na fase de inatividade do participante, mas apenas exige, para tanto, a contrapartida da entrada dos recursos correspondentes, mediante o pagamento de contribui\u00e7\u00e3o adicional, de modo a evitar o desequil\u00edbrio ao plano de custeio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, atenta \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social do contrato previdenci\u00e1rio, sem descurar da necessidade de manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio do plano de custeio, a Terceira Turma, em hip\u00f3tese assemelhada a dos autos, tamb\u00e9m relativa a PETROS, admitiu a inclus\u00e3o posterior do dependente direto como benefici\u00e1rio, desde que n\u00e3o acarretasse preju\u00edzo ao fundo de pens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, deve ser admitida a inclus\u00e3o posterior do dependente direto como benefici\u00e1rio de participante falecido, desde que isso n\u00e3o acarrete preju\u00edzo ao fundo de pens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Deve ser admitida a inclus\u00e3o posterior do dependente direto como benefici\u00e1rio do ex-participante de previd\u00eancia privada, desde que isso n\u00e3o acarrete preju\u00edzo ao fundo de pens\u00e3o.<a><\/a><a><\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-exaltacao-nas-expressoes-e-descaracterizacao-do-elemento-subjetivo-peculiar-aos-tipos-penais-definidores-dos-crimes-contra-a-honra\"><a>11.&nbsp; Exalta\u00e7\u00e3o nas express\u00f5es e descaracteriza\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo peculiar aos tipos penais definidores dos crimes contra a honra.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>QUEIXA-CRIME<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es eventualmente contumeliosas, quando proferidas em momento de exalta\u00e7\u00e3o, bem assim no exerc\u00edcio do direito de cr\u00edtica ou de censura profissional, ainda que veementes, atuam como fatores de descaracteriza\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo peculiar aos tipos penais definidores dos crimes contra a honra.<\/p>\n\n\n\n<p>QC 6-DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 10\/6\/2024, DJe 26\/6\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nilton ofertou queixa-crime em face do Governador do RJ, Claudio Castro. Narra que, em certa data, participou de uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica e pac\u00edfica realizada por policiais e bombeiros militares ativos, veteranos e pensionistas da Pol\u00edcia e Bombeiro Militares do Estado do Rio de Janeiro, em um evento de inaugura\u00e7\u00e3o da obra do mirante da Prainha, em Arraial do Cabo, onde estavam presentes o Governador, o Prefeito, diversos deputados federais e estaduais, autoridades p\u00fablicas em geral, e um p\u00fablico de aproximadamente 300 pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Nilton, o governador o teria chamado de \u201cmau-car\u00e1ter\u201d na frente de todos os ali presentes. A Defesa sustentou que o fato gen\u00e9rico, desprovido de dolo espec\u00edfico, seria manifestamente at\u00edpico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Difama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 139 &#8211; Difamar algu\u00e9m, imputando-lhe fato ofensivo \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de tr\u00eas meses a um ano, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exce\u00e7\u00e3o da verdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; A exce\u00e7\u00e3o da verdade somente se admite se o ofendido \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico e a ofensa \u00e9 relativa ao exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inj\u00faria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 140 &#8211; Injuriar algu\u00e9m, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de um a seis meses, ou multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211; O juiz pode deixar de aplicar a pena:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; quando o ofendido, de forma reprov\u00e1vel, provocou diretamente a inj\u00faria;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; no caso de retors\u00e3o imediata, que consista em outra inj\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba &#8211; Se a inj\u00faria consiste em viol\u00eancia ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de tr\u00eas meses a um ano, e multa, al\u00e9m da pena correspondente \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Se a inj\u00faria consiste na utiliza\u00e7\u00e3o de elementos referentes a religi\u00e3o ou \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pessoa idosa ou com defici\u00eancia:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 1 (um) a 3 (tr\u00eas) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-descaracteriza-o-crime-contra-a-honra\"><a>11.2.2. Descaracteriza o crime contra a honra?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, na origem, de alega\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica de crimes contra a honra supostamente praticados por Governador de Estado em evento de inaugura\u00e7\u00e3o de obra p\u00fablica. A animosidade entre as partes teria advindo de embate pol\u00edtico a respeito da remunera\u00e7\u00e3o de Policiais Militares.<\/p>\n\n\n\n<p>No palanque da inaugura\u00e7\u00e3o, o Governador teria chamado o suposto ofendido por mais de uma vez de &#8220;mau-car\u00e1ter&#8221;, e teria se utilizado das express\u00f5es &#8220;o mau-car\u00e1ter do Da Silva que est\u00e1 ali&#8221; e &#8220;gente igual a esse mau-car\u00e1ter&#8221;, motivo pelo qual foi acusado de incidir no delito de inj\u00faria previsto no art. 140 do C\u00f3digo Penal (CP).<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo contexto, o Governador teria dito que &#8220;essas pessoas aqui n\u00e3o tinham sal\u00e1rio, (&#8230;) por causa de gente igual a esse mau car\u00e1ter, n\u00e3o tinham sal\u00e1rio&#8221;, o que evidenciaria o intento positivo e deliberado de ofender a honra alheia, incidindo no delito de difama\u00e7\u00e3o, previsto no art. 139 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o elementos comuns nos crimes contra a honra o agente proceder com dolo de dano<\/strong>, isto \u00e9, propor-se a ofender a honra alheia, e n\u00e3o simplesmente o perigo de ofensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a acusa\u00e7\u00e3o, para os tipos penais de difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria, n\u00e3o re\u00fane m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es de admissibilidade, isso porque as palavras lan\u00e7adas pelo Governador n\u00e3o podem ser consideradas criminosas ante a constata\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia no dolo de difamar ou de injuriar.<\/p>\n\n\n\n<p>No embate entre personagens pol\u00edticos \u00e9 usual que, no enfrentamento de ideias, se tenha diverg\u00eancia sobre os rumos das op\u00e7\u00f5es na administra\u00e7\u00e3o do ente Federativo e, no acirramento dos \u00e2nimos, surjam adjetiva\u00e7\u00f5es que n\u00e3o guardam, necessariamente, similitude com o prop\u00f3sito de ofender pessoalmente o advers\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a publicou Jurisprud\u00eancia em Teses (edi\u00e7\u00e3o 130) e divulgou 13 enunciados da Corte sobre posicionamentos consolidados a respeito dos crimes contra a honra. Entre eles est\u00e1 a Tese n. 1, que prev\u00ea que, &#8220;Para a configura\u00e7\u00e3o dos crimes contra a honra, exige-se a demonstra\u00e7\u00e3o m\u00ednima do intento positivo e deliberado de ofender a honra alheia (dolo espec\u00edfico), o denominado&nbsp;<em>&#8216;animus caluniandi, diffamandi vel injuriandi&#8217;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aliado a isso tamb\u00e9m ao caso concreto \u00e9 pertinente mencionar o enunciado 7, cuja proposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de que: &#8220;Express\u00f5es eventualmente contumeliosas, quando proferidas em momento de exalta\u00e7\u00e3o, bem assim no exerc\u00edcio do direito de cr\u00edtica ou de censura profissional, ainda que veementes, atuam como fatores de descaracteriza\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo peculiar aos tipos penais definidores dos crimes contra a honra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sendo, n\u00e3o evidenciado minimamente o dolo especial de ofender a honra de outrem, deve ser rejeitada a queixa-crime quanto aos delitos de difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es eventualmente contumeliosas, quando proferidas em momento de exalta\u00e7\u00e3o, bem assim no exerc\u00edcio do direito de cr\u00edtica ou de censura profissional, ainda que veementes, atuam como fatores de descaracteriza\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo peculiar aos tipos penais definidores dos crimes contra a honra.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-confissao-e-seus-requisitos-no-processo-penal\"><a>12.&nbsp; Confiss\u00e3o e seus requisitos no processo penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>I) A confiss\u00e3o judicial, em princ\u00edpio, \u00e9, obviamente, l\u00edcita. Todavia, para a condena\u00e7\u00e3o, apenas ser\u00e1 considerada a confiss\u00e3o que encontre algum sustento nas demais provas, tudo \u00e0 luz do art. 197 do CPP. II) A confiss\u00e3o extrajudicial somente ser\u00e1 admiss\u00edvel no processo judicial se feita formalmente e de maneira documentada, dentro de um estabelecimento estatal p\u00fablico e oficial. Tais garantias n\u00e3o podem ser renunciadas pelo interrogado e, se alguma delas n\u00e3o for cumprida, a prova ser\u00e1 inadmiss\u00edvel. A inadmissibilidade permanece mesmo que a acusa\u00e7\u00e3o tente introduzir a confiss\u00e3o extrajudicial no processo por outros meios de prova (como, por exemplo, o testemunho do policial que a colheu). III) A confiss\u00e3o extrajudicial admiss\u00edvel pode servir apenas como meio de obten\u00e7\u00e3o de provas, indicando \u00e0 pol\u00edcia ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico poss\u00edveis fontes de provas na investiga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pode embasar a senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.123.334-MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 20\/6\/2024, DJe 2\/7\/2024.(Info STJ 819)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi condenado pela pr\u00e1tica do crime de furto simples, tendo como \u00fanicos elementos de prova (I) a confiss\u00e3o informal, extra\u00edda pelos policiais no momento da pris\u00e3o, e (II) o reconhecimento fotogr\u00e1fico. O bem furtado n\u00e3o foi encontrado em sua posse, e um v\u00eddeo de c\u00e2mera de seguran\u00e7a que registrava o momento do crime n\u00e3o foi juntado ao inqu\u00e9rito ou ao processo por in\u00e9rcia da pol\u00edcia, perdendo-se ao final.<\/p>\n\n\n\n<p>Na audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento realizada, primeira oportunidade de efetivo contato com o r\u00e9u, a defesa argumentou que a confiss\u00e3o informal foi extra\u00edda pelos policiais mediante tortura.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155.&nbsp; O juiz formar\u00e1 sua convic\u00e7\u00e3o pela livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova produzida em contradit\u00f3rio judicial, n\u00e3o podendo fundamentar sua decis\u00e3o exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investiga\u00e7\u00e3o, ressalvadas as provas cautelares, n\u00e3o repet\u00edveis e antecipadas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Somente quanto ao estado das pessoas ser\u00e3o observadas as restri\u00e7\u00f5es estabelecidas na lei civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 197.&nbsp; O valor da confiss\u00e3o se aferir\u00e1 pelos crit\u00e9rios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua aprecia\u00e7\u00e3o o juiz dever\u00e1 confront\u00e1-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concord\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 200.&nbsp; A confiss\u00e3o ser\u00e1 divis\u00edvel e retrat\u00e1vel, sem preju\u00edzo do livre convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-a-confissao-por-si-so-basta\"><a>12.2.2. A confiss\u00e3o por si s\u00f3, basta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Penal trouxe poucas regras espec\u00edficas para a valora\u00e7\u00e3o da confiss\u00e3o, em dois dispositivos: os arts. 197 e 200. No primeiro, diz a lei que a confiss\u00e3o ser\u00e1 valorada pelos crit\u00e9rios (tamb\u00e9m n\u00e3o identificados pelo C\u00f3digo) aplic\u00e1veis \u00e0s demais provas, cabendo ao juiz confront\u00e1-las entre si para verificar se &#8220;entre ela e estas existe compatibilidade ou concord\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 200, por sua vez, traz as regras da divisibilidade e retratabilidade da confiss\u00e3o, repetindo que o juiz pode valor\u00e1-la a partir de seu livre convencimento, &#8220;fundado no exame das provas em conjunto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses dois artigos geraram certa uniformidade doutrin\u00e1ria no sentido de que a condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode se lastrear unicamente na confiss\u00e3o, sendo necess\u00e1rio que esta se encontre em harmonia com as demais provas dos autos. Nenhum dos dois dispositivos, entretanto, estabeleceu qual o n\u00edvel de compatibilidade ou harmonia que deve existir entre a confiss\u00e3o e as outras provas, nem como ocorre o exame da retrata\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, <strong>o juiz \u00e9 obrigado a avaliar esses pontos, utilizando-se de algum standard e de regras de valora\u00e7\u00e3o da prova &#8211; ainda que n\u00e3o as declare explicitamente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema de livre aprecia\u00e7\u00e3o institu\u00eddo no art. 155 do CPP convive com o estabelecimento de crit\u00e9rios gerais de racionalidade probat\u00f3ria que, conquanto n\u00e3o descritos na lei, precisam ser aplicados pelo julgador (at\u00e9 pela veda\u00e7\u00e3o ao&nbsp;<em>non liquet<\/em>), e exige do magistrado que suas conclus\u00f5es sobre a prova derivem de um racioc\u00ednio intersubjetivamente justific\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumprindo a fun\u00e7\u00e3o que se espera da jurisdi\u00e7\u00e3o superior, prop\u00f5e-se que o STJ elucide quais s\u00e3o esses par\u00e2metros racionais, tornando mais objetivo e previs\u00edvel o julgamento criminal e fornecendo aos pr\u00f3prios ju\u00edzes um instrumental dogm\u00e1tico claro para o exame da confiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre a vasta produ\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria internacional sobre a valora\u00e7\u00e3o racional da prova, dois crit\u00e9rios principais t\u00eam especial aplica\u00e7\u00e3o ao exame da confiss\u00e3o (sem preju\u00edzo, \u00e9 claro, de outras regras de racionalidade): (I) o da corrobora\u00e7\u00e3o e (II) o da completude, ambos enquadr\u00e1veis nos arts. 197 e 200 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>Por corrobora\u00e7\u00e3o, refere-se ao grau de exist\u00eancia de elementos de prova independentes capazes de dar sustento a uma afirma\u00e7\u00e3o, de modo que uma hip\u00f3tese restar\u00e1 mais ou menos corroborada em direta propor\u00e7\u00e3o com a quantidade e qualidade das provas que se encaixam em suas predi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O crit\u00e9rio da completude, por outro lado, diz respeito \u00e0 abrang\u00eancia da coleta de provas e seu ingresso nos autos processuais, referindo-se \u00e0 propor\u00e7\u00e3o entre as provas produzidas pela acusa\u00e7\u00e3o e aquelas que seriam em tese relevantes e pertinentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel acontecer que diante de um conjunto probat\u00f3rio pobre, as poucas provas existentes podem fornecer alguma corrobora\u00e7\u00e3o a determinada hip\u00f3tese; todavia, com o aporte de mais provas de diversas esp\u00e9cies, produzindo um conjunto mais completo, pode-se perceber que a hip\u00f3tese inicial perdeu for\u00e7a, j\u00e1 que as novas provas a desmentiram ou apontaram em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os m\u00faltiplos riscos epist\u00eamicos de confiss\u00f5es, mesmo daquelas admiss\u00edveis, permitem classific\u00e1-la como uma prova de baixa seguran\u00e7a independente. \u00c9 no campo da completude (e sua irm\u00e3, a corrobora\u00e7\u00e3o), ent\u00e3o, que se deve buscar um direcionamento para o exame racional da confiss\u00e3o, o que coloca sobre a acusa\u00e7\u00e3o o \u00f4nus de buscar provas m\u00faltiplas e diversas capazes de dar suporte a sua hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>Os conceitos valorativos at\u00e9 aqui trabalhados se relacionam de maneira din\u00e2mica: ao perder a chance de apresentar provas que corroborem independentemente sua tese, a acusa\u00e7\u00e3o gera uma incompletude no conjunto probat\u00f3rio que priva o Judici\u00e1rio e a sociedade da melhor prova poss\u00edvel para o esclarecimento do crime. Isso aumenta desproporcionalmente o grau de incerteza \u00ednsito a toda decis\u00e3o sobre fatos passados, de uma maneira capaz de criar d\u00favida objetiva quanto a qualquer decreto condenat\u00f3rio e impor, como consequ\u00eancia, a absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o das for\u00e7as policiais com a confiss\u00e3o enquanto &#8220;rainha das provas&#8221; gera um campo f\u00e9rtil para a ocorr\u00eancia desse fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisdi\u00e7\u00e3o criminal justa precisa, pois, de uma investiga\u00e7\u00e3o criminal eficiente, competente e profissional para que possa ser exercida, sob pena de se elevar o risco de condena\u00e7\u00f5es de pessoas inocentes &#8211; que, com as atuais pr\u00e1ticas da pol\u00edcia e do Minist\u00e9rio P\u00fablico brasileiros, certamente \u00e9 alt\u00edssimo. Isso \u00e9 o que requer <strong>o pr\u00f3prio art. 6\u00ba do CPP, quando institui para o delegado, dentre outras, as obriga\u00e7\u00f5es funcionais de resguardar o corpo de delito (inciso II) e arrecadar &#8220;todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato<\/strong>&#8221; (inciso III).<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas provid\u00eancias foi tomada no presente caso, e a certeza da pol\u00edcia de que a confiss\u00e3o informal do acusado (extra\u00edda em circunst\u00e2ncias desconhecidas) bastaria para gerar sua condena\u00e7\u00e3o \u00e9 certamente um fator de est\u00edmulo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o generalizada de in\u00e9rcia policial. Elevar o standard a ser vencido pela acusa\u00e7\u00e3o no exame de confiss\u00f5es ter\u00e1, assim, o efeito ben\u00e9fico de incentivar um maior profissionalismo na atua\u00e7\u00e3o policial e ministerial, com condena\u00e7\u00f5es mais seguras e justas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a confiss\u00e3o judicial, em princ\u00edpio, \u00e9 l\u00edcita. Todavia, para a condena\u00e7\u00e3o, apenas ser\u00e1 considerada a confiss\u00e3o que encontre algum sustento nas demais provas, tudo \u00e0 luz do art. 197 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A confiss\u00e3o extrajudicial deve ser formalizada???<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com certeza!!!<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00e3o incomuns casos em que, ausentes provas s\u00f3lidas, a confiss\u00e3o extrajudicial do acusado, ainda que retratada em ju\u00edzo, \u00e9 o principal fundamento da condena\u00e7\u00e3o (mesmo que o juiz tente acrescer-lhe outras provas menos importantes ou que valore a &#8220;coer\u00eancia&#8221; da pr\u00f3pria retrata\u00e7\u00e3o, como forma de escapar \u00e0 veda\u00e7\u00e3o do art. 155 do CPP). Neles, assim como na hip\u00f3tese deste autos, tem me chamado a aten\u00e7\u00e3o o fato de que a confiss\u00e3o comumente \u00e9 feita de maneira informal, fora de uma delegacia ou estabelecimento governamental, sem a assist\u00eancia de defensor, sem um registro documental preciso dos atos investigat\u00f3rios e na completa aus\u00eancia de provas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso analisado, <strong>a confiss\u00e3o na qual se embasou o ju\u00edzo sentenciante para condenar o acusado foi colhida no momento de sua pris\u00e3o, fora de uma delegacia, muito antes do primeiro contato do r\u00e9u com seu defensor (que somente ocorreu na audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento) ou de uma audi\u00eancia de cust\u00f3dia <\/strong>(que nem chegou a ser realizada), sem nenhum registro formal desse primeiro interrogat\u00f3rio nas m\u00e3os da pol\u00edcia militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes, a coa\u00e7\u00e3o (ou mesmo a tortura) por policiais \u00e9 apontada pela defesa como um dos fatores determinantes da confiss\u00e3o viciada, em regra sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o por parte do Judici\u00e1rio; em outras, n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o formal para essa mudan\u00e7a de postura do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>O risco de tortura-prova \u00e9, assim, inversamente proporcional ao grau de formalidade da fase em que se encontra o conjunto de ritos da investiga\u00e7\u00e3o e persecu\u00e7\u00e3o criminal: \u00e9 nos momentos iniciais da apura\u00e7\u00e3o de um crime que o preso est\u00e1 mais vulner\u00e1vel \u00e0 tortura-prova, diminuindo esse risco \u00e0 medida em que o processo avan\u00e7a e ganha mais camadas de formalidade e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o preso j\u00e1 foi adequadamente registrado no sistema de cust\u00f3dia e recebeu a orienta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica adequada para, a\u00ed sim, ser ouvido pela autoridade policial civil, torna-se mais dif\u00edcil que a pol\u00edcia o torture para obter alguma informa\u00e7\u00e3o, porque nesse momento j\u00e1 h\u00e1 um&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;de maior formalidade procedimental cujo contorno, embora n\u00e3o seja imposs\u00edvel, \u00e9 mais oneroso para um policial mal-intencionado. Mais segura ainda \u00e9 a confiss\u00e3o judicial, feita pelo r\u00e9u perante o julgador na pr\u00f3pria audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o: nessa situa\u00e7\u00e3o, o acusado j\u00e1 est\u00e1 obrigatoriamente assistido por seu defensor e colocado diante de um magistrado e um membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico, incidindo, nesse momento, controles por institui\u00e7\u00f5es diversas da pr\u00f3pria pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A tortura, \u00e9 claro, ser\u00e1 poss\u00edvel mesmo nessa etapa processual, mormente se o r\u00e9u estiver preso preventivamente e souber que, se n\u00e3o confessar, poder\u00e1 estar sujeito a repres\u00e1lias no interior pres\u00eddio<\/strong>. Veja-se, por\u00e9m, que esse cen\u00e1rio j\u00e1 \u00e9 um pouco menos prov\u00e1vel, por exigir um concerto mais complexo entre diversos \u00f3rg\u00e3os de persecu\u00e7\u00e3o penal (ao menos a pol\u00edcia judici\u00e1ria e a pol\u00edcia penal), o que dificulta a ocorr\u00eancia da espec\u00edfica modalidade de tortura prova.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O momento de maior fragilidade pessoal e jur\u00eddica do investigado \u00e9 quando acontece sua pris\u00e3o, longe dos olhares de qualquer institui\u00e7\u00e3o estatal &#8211; a n\u00e3o ser aquela pr\u00f3pria que efetuou sua pris\u00e3o &#8211; e \u00e0 m\u00edngua de mecanismos reais de controle.<\/strong> Nessa hora, o preso est\u00e1 inteiramente nas m\u00e3os dos policiais (geralmente militares) que o prenderam, e apenas a sorte o ajudar\u00e1. Se os agentes forem, como a maioria de nossos policiais, probos e cumpridores da lei, provavelmente nada de il\u00edcito haver\u00e1 em seu procedimento; se, todavia, tiverem alguma disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 brutalidade e \u00e0 tortura &#8211; o que corresponde a uma parcela que n\u00e3o pode ser ignorada, segundo os estudos j\u00e1 mencionados -, o preso estar\u00e1 sujeito a um grande risco de tortura e, caso esta aconte\u00e7a, jamais lograr\u00e1 comprov\u00e1-la. Ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 condenado pelo suposto crime que gerou sua pris\u00e3o e tido por mentiroso pela pol\u00edcia, pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pelo Judici\u00e1rio e pela sociedade ao narrar o tormento sofrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a confiss\u00e3o extrajudicial seja admitida no processo penal, \u00e9 necess\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o de cautelas institucionais que neutralizem os riscos ora tratados, de modo a tornar a prova mais confi\u00e1vel quanto ao seu conte\u00fado e modo de extra\u00e7\u00e3o. Caso contr\u00e1rio &#8211; e pensando de forma puramente objetiva -, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel considerar, com a seguran\u00e7a exigida pelo processo penal, que a confiss\u00e3o foi volunt\u00e1ria e confi\u00e1vel o suficiente a fim de receber algum tipo de efic\u00e1cia jur\u00eddica. Sem salvaguardas e enquanto o Brasil for t\u00e3o profundamente marcado pela viol\u00eancia policial, sempre permanecer\u00e1 uma indefini\u00e7\u00e3o sobre a voluntariedade da confiss\u00e3o extrajudicial &#8211; indefini\u00e7\u00e3o esta que se busca, aqui, diminuir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o duas as exig\u00eancias para a admissibilidade desse tipo de confiss\u00e3o: <\/strong>(I) o ato dever\u00e1 ser formal e (II) realizado dentro de um estabelecimento estatal oficial. Atendidos esses requisitos, a confiss\u00e3o ser\u00e1 admiss\u00edvel, podendo integrar os elementos de informa\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito; se descumprido algum deles, a consequ\u00eancia \u00e9 a inadmissibilidade da confiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se prop\u00f5e ao estabelecer estes condicionantes \u00e0 validade epist\u00eamica da confiss\u00e3o extrajudicial \u00e9 que tais crit\u00e9rios sejam definidos de forma expressa e racional pelo STJ, a quem cabe unificar a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal pertinente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, quanto \u00e0 formalidade e ao local do ato, a colheita de uma confiss\u00e3o extrajudicial deve ser tratada pela autoridade policial como um ato formal, segundo o mandamento do art. 199 do CPP, feito na pr\u00f3pria delegacia de pol\u00edcia ou outro estabelecimento integrante da estrutura estatal, com a informa\u00e7\u00e3o ao investigado de seus direitos constitucionais e a lavratura do termo respectivo. Realizado o ato em tais circunst\u00e2ncias, h\u00e1 mais olhares de agentes p\u00fablicos sobre o procedimento, o que por si s\u00f3 j\u00e1 exerce um efeito dissuas\u00f3rio maior do que aquele (in)existente na extra\u00e7\u00e3o de uma confiss\u00e3o no pr\u00f3prio ato de pris\u00e3o, na rua e longe do controle estatal. Estabelecimentos oficiais s\u00e3o conhecidos por todo o povo, pass\u00edveis de controle externo pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico (art. 129, VII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal) e pelos Tribunais de Contas (arts. 70 e 75 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), e s\u00e3o de livre ingresso pelos advogados (art. 7\u00ba, VI, &#8220;b&#8221; e &#8220;c&#8221;, da Lei n. 8.906\/1994); tudo isso constitui um plexo de garantias que torna a tortura-prova um pouco menos prov\u00e1vel em tais locais do que em um beco deserto, um matagal remoto, um centro secreto de deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o valor da confiss\u00e3o???<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Depende&#8230;<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Admitida a confiss\u00e3o &#8211; seja ela judicial ou extrajudicial -, <strong>isso n\u00e3o significa necessariamente que o r\u00e9u dever\u00e1 ser condenado, pois ainda \u00e9 necess\u00e1rio que o juiz valore todas as provas para verificar se a hip\u00f3tese acusat\u00f3ria est\u00e1 comprovada <\/strong>em um n\u00edvel que atenda aos standards do processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, passa-se ao exame da for\u00e7a probat\u00f3ria da confiss\u00e3o, considerando novamente os mais atuais estudos sobre o tema, com vistas a aferir se condena\u00e7\u00f5es como a que foi proferida nestes autos se justificam racionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento das falsas confiss\u00f5es \u00e9 uma certeza cient\u00edfica internacional e recebe aten\u00e7\u00e3o bastante detalhada da jurisprud\u00eancia comparada, no af\u00e3 de prevenir a condena\u00e7\u00e3o de pessoas inocentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de o tema n\u00e3o ter destaque nos Tribunais brasileiros at\u00e9 hoje n\u00e3o \u00e9 justificativa para que a interpreta\u00e7\u00e3o do direito p\u00e1trio permane\u00e7a alheia \u00e0 sua ocorr\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel, e mesmo desej\u00e1vel, que consideremos a experi\u00eancia de outros pa\u00edses em seu tratamento e, naquilo que for cab\u00edvel de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o nacional, sigamos as li\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que nos podem oferecer, a fim de evitar o cometimento dos mesmos erros.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incorreto atribuir for\u00e7a probat\u00f3ria suprema \u00e0 confiss\u00e3o, prova que est\u00e1 no centro de uma quantidade n\u00e3o desprez\u00edvel de condena\u00e7\u00f5es injustas. Torna-se necess\u00e1rio, por isso, detalhar regras de valora\u00e7\u00e3o racional para esclarecer o real peso da confiss\u00e3o e mitigar o risco de condena\u00e7\u00f5es de inocentes que, por qualquer raz\u00e3o, tenham confessado falsamente a autoria de delitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A efic\u00e1cia probat\u00f3ria da confiss\u00e3o extrajudicial limita-se, ent\u00e3o, ao trabalho das autoridades policiais e acusadoras<\/strong>. Embora n\u00e3o seja essa a t\u00e9cnica investigativa mais desej\u00e1vel, a confiss\u00e3o pode indicar \u00e0 autoridade policial poss\u00edveis fontes de prova nos crimes de apura\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil, servindo, assim, como meio de obten\u00e7\u00e3o de prova, a exemplo do que acontece com a colabora\u00e7\u00e3o premiada, nos termos do art. 3\u00ba-A da Lei 12.850\/2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez narrada pelo investigado a forma em que supostamente cometido o delito, a autoridade policial poder\u00e1 descobrir onde e como encontrar ind\u00edcios ou mesmo poss\u00edveis elementos de prova que confirmem a confiss\u00e3o, na linha do que j\u00e1 se pratica no \u00e2mbito das colabora\u00e7\u00f5es. Consequentemente, no campo da valora\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria, a confiss\u00e3o extrajudicial n\u00e3o tem nenhum lugar numa senten\u00e7a condenat\u00f3ria, para a qual interessa a confiss\u00e3o colhida em ju\u00edzo no momento do interrogat\u00f3rio do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras etapas da persecu\u00e7\u00e3o penal, a confiss\u00e3o extrajudicial pode ter sua utilidade; \u00e9 o caso, por exemplo, da decis\u00e3o que defere medidas probat\u00f3rias (v.g., a quebra de sigilo banc\u00e1rio ou a busca e apreens\u00e3o), que pode em tese indicar a confiss\u00e3o extrajudicial como um de seus fundamentos, at\u00e9 como forma de permitir a descoberta de provas que a corroborem. Afinal, se o r\u00e9u confessa o crime em delegacia, e o acesso a determinadas fontes de prova est\u00e1 protegido pela reserva de jurisdi\u00e7\u00e3o, sua confiss\u00e3o deve ser valorada racionalmente pelo juiz na an\u00e1lise do requerimento probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a senten\u00e7a, diversamente, o pr\u00f3prio art. 155 do CPP pro\u00edbe que a confiss\u00e3o extrajudicial justifique a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a confiss\u00e3o extrajudicial admiss\u00edvel pode servir apenas como meio de obten\u00e7\u00e3o de provas, indicando \u00e0 pol\u00edcia ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico poss\u00edveis fontes de provas na investiga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pode embasar a senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A confiss\u00e3o judicial, em princ\u00edpio, \u00e9, obviamente, l\u00edcita. Todavia, para a condena\u00e7\u00e3o, apenas ser\u00e1 considerada a confiss\u00e3o que encontre algum sustento nas demais provas, tudo \u00e0 luz do art. 197 do CPP. A confiss\u00e3o extrajudicial somente ser\u00e1 admiss\u00edvel no processo judicial se feita formalmente e de maneira documentada, dentro de um estabelecimento estatal p\u00fablico e oficial. Tais garantias n\u00e3o podem ser renunciadas pelo interrogado e, se alguma delas n\u00e3o for cumprida, a prova ser\u00e1 inadmiss\u00edvel. A inadmissibilidade permanece mesmo que a acusa\u00e7\u00e3o tente introduzir a confiss\u00e3o extrajudicial no processo por outros meios de prova (como, por exemplo, o testemunho do policial que a colheu). A confiss\u00e3o extrajudicial admiss\u00edvel pode servir apenas como meio de obten\u00e7\u00e3o de provas, indicando \u00e0 pol\u00edcia ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico poss\u00edveis fontes de provas na investiga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o pode embasar a senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-7e5a7d45-5a57-4a7f-8469-b2f386c2264f\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/20011934\/stj-informativo-819.pdf\">stj-informativo-819<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/08\/20011934\/stj-informativo-819.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-7e5a7d45-5a57-4a7f-8469-b2f386c2264f\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na volta das f\u00e9rias de meio de ano do STJ, chegamos ao Informativo n\u00ba 819\u00a0COMENTADO. 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