{"id":1401846,"date":"2024-05-21T07:42:26","date_gmt":"2024-05-21T10:42:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/blog\/?p=1401846"},"modified":"2024-05-21T07:42:28","modified_gmt":"2024-05-21T10:42:28","slug":"informativo-stj-810-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-810-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 810 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p><p><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Mais um passo em nossa caminhada&#8230; Informativos n\u00ba 810 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\"> entra na parada. Simbora!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/05\/21074216\/stj-informativo-810.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_XO8vNOnQc-M\"><div id=\"lyte_XO8vNOnQc-M\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/XO8vNOnQc-M\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/XO8vNOnQc-M\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/XO8vNOnQc-M\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\">DIREITO ADMINISTRATIVO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-momento-da-absorcao-da-vpni\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Momento da absor\u00e7\u00e3o da VPNI<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pagamento da Vantagem Pecuni\u00e1ria Individual (VPI) institu\u00edda pela Lei n. 10.698\/2003 deve ser considerado como interrompido a partir do momento em que os valores constantes no Anexo I da Lei n. 13.317\/2016 foram pagos pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.085.675-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, por unanimidade, Segunda Turma, julgado em 18\/3\/2024, DJe 19\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\">1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sindicato dos Trabalhadores do Judici\u00e1rio Federal ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da Uni\u00e3o em raz\u00e3o da suspens\u00e3o do pagamento da VPNI. Ao tratar do tema, a Lei 13.317\/2016 previu reajuste da remunera\u00e7\u00e3o da carreira, mas condicionada \u00e0 absor\u00e7\u00e3o da VPNI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns tribunais ent\u00e3o suspenderam o pagamento a partir da vig\u00eancia imediata da lei, mas o sindicato sustenta que, como o reajuste foi concedido em parcelas anuais, o pagamento da VPNI somente deveria ser suspenso em 2019, \u00e9poca da implementa\u00e7\u00e3o da \u00faltima parcela do reajuste concedido.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\">1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 13.317\/2016:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 6\u00ba: A vantagem pecuni\u00e1ria individual, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 10.698, de 2 de julho de 2003, e outras parcelas que tenham por origem a citada vantagem concedidas por decis\u00e3o administrativa ou judicial, ainda que decorrente de senten\u00e7a transitada ou n\u00e3o em julgado, incidentes sobre os cargos efetivos e em comiss\u00e3o de que trata esta Lei, ficam absorvidas a partir da implementa\u00e7\u00e3o dos novos valores constantes dos Anexos I e III desta Lei<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-quando-deve-ser-interrompido-o-pagamento\">1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quando deve ser interrompido o pagamento?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A partir do momento em que os valores constantes no Anexo I da Lei n. 13.317\/2016 foram pagos pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia diz respeito ao momento em que deve ser interrompido o pagamento da Vantagem Pecuni\u00e1ria Individual (VPI) institu\u00edda pela Lei n. 10.698\/2003: se em julho de 2016, quando entrou em vigou a Lei n. 13.317\/2016, ou se em janeiro de 2019, quando foi paga a \u00faltima parcela do reajuste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o art. 6\u00ba da Lei n. 13.317\/2016 disp\u00f5e: &#8220;A vantagem pecuni\u00e1ria individual, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 10.698, de 2 de julho de 2003, e outras parcelas que tenham por origem a citada vantagem concedidas por decis\u00e3o administrativa ou judicial, ainda que decorrente de senten\u00e7a transitada ou n\u00e3o em julgado, incidentes sobre os cargos efetivos e em comiss\u00e3o de que trata esta Lei, ficam absorvidas a partir da implementa\u00e7\u00e3o dos novos valores constantes dos Anexos I e III desta Lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Anexo I, por sua vez, encontra-se a tabela remunerat\u00f3ria para os cargos de Analista Judici\u00e1rio, T\u00e9cnico Judici\u00e1rio e Auxiliar Judici\u00e1rio, enquanto o Anexo III trata dos valores referentes aos cargos em comiss\u00e3o. O Anexo II, por outro lado, explicita, ano a ano &#8211; de julho de 2016 a janeiro de 2019 &#8211; o escalonamento do pagamento do reajuste previsto no Anexo I.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, art. 6\u00ba da Lei n. 13.317\/2016 n\u00e3o determinou a absor\u00e7\u00e3o da VPI a partir da implementa\u00e7\u00e3o dos valores previstos no Anexo II, mas no Anexo I. Isso significa que a verba deve ser considerada absorvida a partir do momento em que os valores constantes no Anexo I foram pagos pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pagamento da Vantagem Pecuni\u00e1ria Individual (VPI) institu\u00edda pela Lei n. 10.698\/2003 deve ser considerado como interrompido a partir do momento em que os valores constantes no Anexo I da Lei n. 13.317\/2016 foram pagos pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\">DIREITO CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-im-possibilidade-de-atribuir-ao-intermediador-de-comercio-eletronico-a-obrigacao-de-excluir-em-razao-de-notificacao-extrajudicial-anuncios-de-vendas-que-violem-os-termos-de-uso-da-plataforma\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de atribuir ao intermediador de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico a obriga\u00e7\u00e3o de excluir, em raz\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial, an\u00fancios de vendas que violem os termos de uso da plataforma<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atribuir ao intermediador de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico a obriga\u00e7\u00e3o de excluir, em raz\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial, an\u00fancios de vendas que violem os termos de uso da plataforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.088.236-PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 26\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\">2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sono colch\u00f5es ajuizou a\u00e7\u00e3o de em face do Mercado Livre por meio da qual tenta excluir an\u00fancios de vendas de colch\u00f5es magn\u00e9ticos semelhantes aos fabricados e vendidos pela empresa. Sustenta que somente ela possui registro no INMETRO, requisito para venda na p\u00e1gina, mas que, mesmo notificado extrajudicialmente, o Mercado Livre tem se recusado a excluir os an\u00fancios de venda questionados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\">2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marco Civil da Internet:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de express\u00e3o e impedir a censura, o provedor de aplica\u00e7\u00f5es de internet somente poder\u00e1 ser responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conte\u00fado gerado por terceiros se, ap\u00f3s ordem judicial espec\u00edfica, n\u00e3o tomar as provid\u00eancias para, no \u00e2mbito e nos limites t\u00e9cnicos do seu servi\u00e7o e dentro do prazo assinalado, tornar indispon\u00edvel o conte\u00fado apontado como infringente, ressalvadas as disposi\u00e7\u00f5es legais em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-deve-o-intermediador-excluir-os-anuncios\">2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve o intermediador excluir os an\u00fancios?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o Marco Civil da Internet (MCI), os sites intermediadores do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico enquadram-se na categoria dos provedores de aplica\u00e7\u00f5es, os quais s\u00e3o respons\u00e1veis por disponibilizar na rede as informa\u00e7\u00f5es criadas ou desenvolvidas pelos provedores de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A publica\u00e7\u00e3o de an\u00fancios em plataforma de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico \u00e9 regida pelos seus termos de uso, os quais s\u00e3o utilizados, entre outras finalidades, para estabelecer as pr\u00e1ticas aceit\u00e1veis no uso dos servi\u00e7os, bem como as condutas vedadas. N<strong>\u00e3o h\u00e1 regulamenta\u00e7\u00e3o, no MCI, das pr\u00e1ticas implementadas pelas plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico em virtude do descumprimento dos termos de uso<\/strong>. Assim, \u00e9 preciso considerar as disposi\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis aos provedores de aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Salvo as exce\u00e7\u00f5es previstas em lei, <strong>os provedores de aplica\u00e7\u00f5es apenas respondem, subsidiariamente, por danos gerados em decorr\u00eancia de conte\u00fado publicado por terceiro ap\u00f3s o desatendimento de ordem judicial espec\u00edfica<\/strong> (art. 19 do MCI). Busca-se evitar o abuso por parte dos usu\u00e1rios notificantes, o monitoramento pr\u00e9vio, a censura privada e remo\u00e7\u00f5es irrefletidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa linha, conforme jurisprud\u00eancia do STJ, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel impor aos sites de intermedia\u00e7\u00e3o a responsabilidade de realizar a pr\u00e9via fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre a origem de todos os produtos. Isto \u00e9<strong>, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses estabelecidas no MCI, os provedores de aplica\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de excluir publica\u00e7\u00f5es realizadas por terceiros em suas p\u00e1ginas, por viola\u00e7\u00e3o aos termos de uso, devido \u00e0 exist\u00eancia de requerimento extrajudicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atribuir ao intermediador de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico a obriga\u00e7\u00e3o de excluir, em raz\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial, an\u00fancios de vendas que violem os termos de uso da plataforma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-requisitos-para-o-reajuste-de-plano-de-saude-por-aumento-de-sinistralidade\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos para o reajuste de plano de sa\u00fade por aumento de sinistralidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reajuste por aumento de sinistralidade s\u00f3 pode ser aplicado pela operadora, de forma complementar ao reajuste por varia\u00e7\u00e3o de custo, se demonstrado, a partir de extrato pormenorizado, o incremento na propor\u00e7\u00e3o entre as despesas assistenciais e as receitas diretas do plano, apuradas no per\u00edodo de doze meses consecutivos, anteriores \u00e0 data-base de anivers\u00e1rio considerada como m\u00eas de assinatura do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 2.108.270-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 26\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\">3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Virso ajuizou a\u00e7\u00e3o em face e Azero Sa\u00fade alegando a abusividade dos reajustes anuais praticados pela operadora do plano de sa\u00fade desde 2016.&nbsp; O Ju\u00edzo de primeiro grau julgou procedentes os pedidos para reconhecer a inefic\u00e1cia do reajuste tal como praticado, devendo o mesmo ser limitado ao percentual autorizado pela ANS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, Azero sustenta que o \u00edndice de reajuste determinado pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar &#8211; ANS seria v\u00e1lido somente para os contratos individuais assinados ap\u00f3s a vig\u00eancia da Lei 9656\/98. Alega ainda ofensa \u00e0 liberdade contratual, em virtude de o aumento te ser dado diante do aumento dos custos para oferta de planos de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\">3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-tem-de-comprovar-o-aumento-das-despesas\">3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem de comprovar o aumento das despesas?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>De forma PORMENORIZADA!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O prop\u00f3sito recursal \u00e9 decidir sobre a apura\u00e7\u00e3o, em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, do \u00edndice de reajuste por aumento de sinistralidade aplicado pela operadora do plano de sa\u00fade coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esclarece a Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade &#8211; ANS, sobre o reajuste anual de planos coletivos, que <strong>a justificativa do percentual proposto deve ser fundamentada pela operadora e seus c\u00e1lculos (mem\u00f3ria de c\u00e1lculo do reajuste e a metodologia utilizada) disponibilizados para confer\u00eancia pela pessoa jur\u00eddica contratante com o m\u00ednimo de 30 dias de anteced\u00eancia da data prevista para a aplica\u00e7\u00e3o do reajuste<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reajuste por aumento de sinistralidade s\u00f3 pode ser aplicado pela operadora, de forma complementar ao reajuste por varia\u00e7\u00e3o de custo, se e quando demonstrado, a partir de extrato pormenorizado, o incremento na propor\u00e7\u00e3o entre as despesas assistenciais e as receitas diretas do plano, apuradas no per\u00edodo de doze meses consecutivos, anteriores \u00e0 data-base de anivers\u00e1rio considerada como m\u00eas de assinatura do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de responder administrativamente, perante a ANS, por eventual infra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira ou assistencial, a aplica\u00e7\u00e3o do reajuste pela operadora, sem comprovar, previamente, o aumento de sinistralidade, torna abusiva a cobran\u00e7a do benefici\u00e1rio a tal t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a operadora, em ju\u00edzo, \u00e9 instada a apresentar o extrato pormenorizado que demonstra o aumento da sinistralidade e permanece inerte, outra n\u00e3o pode ser a conclus\u00e3o sen\u00e3o a de que \u00e9 indevido o reajuste exigido, por aus\u00eancia do seu fato gerador, impondo-se, pois, o seu afastamento; do contr\u00e1rio, estar-se-ia autorizando o reajuste sem causa correspondente, a ensejar o enriquecimento il\u00edcito da operadora.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reajuste por aumento de sinistralidade s\u00f3 pode ser aplicado pela operadora, de forma complementar ao reajuste por varia\u00e7\u00e3o de custo, se demonstrado, a partir de extrato pormenorizado, o incremento na propor\u00e7\u00e3o entre as despesas assistenciais e as receitas diretas do plano, apuradas no per\u00edodo de doze meses consecutivos, anteriores \u00e0 data-base de anivers\u00e1rio considerada como m\u00eas de assinatura do contrato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-utilizacao-de-embargos-de-terceiro-por-filho-para-por-via-transversa-modificar-decisao-que-ja-rechacou-a-impenhorabilidade\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Utiliza\u00e7\u00e3o de embargos de terceiro por filho para, por via transversa, modificar decis\u00e3o que j\u00e1 recha\u00e7ou a impenhorabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a jurisprud\u00eancia do STJ reconhe\u00e7a a legitimidade do filho para suscitar em embargos de terceiro a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia em que reside, isso n\u00e3o pode ser usado para, por via transversa, modificar decis\u00e3o que j\u00e1 recha\u00e7ou a impenhorabilidade do referido bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.104.283-SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 4\/3\/2024, DJe 6\/3\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\">4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma execu\u00e7\u00e3o, a devedora Creide alegou a impenhorabilidade de bem de fam\u00edlia, mas a tese foi recha\u00e7ada. Nirso, filho de Creide, prop\u00f4s embargos de terceiro sustentando que tamb\u00e9m reside na casa, reiterando a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\">4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-nova-discussao-acerca-da-impenhorabilidade\">4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a nova discuss\u00e3o acerca da impenhorabilidade?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 possibilidade de se rediscutir, em embargos de terceiros opostos pelo filho dos executados, a (im)penhorabilidade de bem de fam\u00edlia j\u00e1 analisada em exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade ajuizada pela coexecutada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O filho tem legitimidade para suscitar em embargos de terceiro a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia em que reside. Contudo, tal a\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser usada para, por via transversa, modificar decis\u00e3o judicial que j\u00e1 recha\u00e7ou a impenhorabilidade do referido bem, proferida em demanda que envolve os pr\u00f3prios propriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mais, ainda que fosse poss\u00edvel a reabertura da discuss\u00e3o acerca da impenhorabilidade do bem, <strong>o Superior Tribunal de Justi\u00e7a, nos termos do que decidido pelo Supremo Tribunal Federal, possui entendimento firmado no sentido da possibilidade da penhora sobre bem de fam\u00edlia pertencente a fiador de contrato de loca\u00e7\u00e3o.<\/strong> Entendimento esse firmado em recurso repetitivo (REsp 1.363.368\/MS, DJe de 21\/11\/2014, Tema n. 708 do STJ) e consolidado na S\u00famula 549\/STJ: &#8220;\u00c9 v\u00e1lida a penhora de bem de fam\u00edlia pertencente a fiador de contrato de loca\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a jurisprud\u00eancia do STJ reconhe\u00e7a a legitimidade do filho para suscitar em embargos de terceiro a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia em que reside, isso n\u00e3o pode ser usado para, por via transversa, modificar decis\u00e3o que j\u00e1 recha\u00e7ou a impenhorabilidade do referido bem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-licitude-do-orgao-de-imprensa-que-apesar-de-divulgar-fato-veridico-e-sem-a-indicacao-de-dados-objetivos-quanto-aos-participes-do-fato-relaciona-a-noticia-a-manchete-de-carater-manifestamente-ofensivo-a-honra-da-vitima-de-crime-de-estupro-de-vulneravel\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Licitude do \u00f3rg\u00e3o de imprensa que, apesar de divulgar fato ver\u00eddico e sem a indica\u00e7\u00e3o de dados objetivos quanto aos part\u00edcipes do fato, relaciona a not\u00edcia \u00e0 manchete de car\u00e1ter manifestamente ofensivo \u00e0 honra da v\u00edtima de crime de estupro de vulner\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comete ato il\u00edcito, por abuso de direito, o \u00f3rg\u00e3o de imprensa que, apesar de divulgar fato ver\u00eddico e sem a indica\u00e7\u00e3o de dados objetivos quanto aos part\u00edcipes do fato, relaciona a not\u00edcia \u00e0 manchete de car\u00e1ter manifestamente ofensivo \u00e0 honra da v\u00edtima de crime de estupro de vulner\u00e1vel, atribuindo \u00e0 adolescente conduta ativa ante o fato ocorrido, trazendo men\u00e7\u00f5es injuriosas a sua honra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\">5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A p\u00e1gina da web dedicada a veicula\u00e7\u00e3o de not\u00edcias de fontes duvidosas chamada \u201cNewsFake\u201d divulgou fato ver\u00eddico (estupro coletivo). Mas ao narrar o ocorrido a not\u00edcia ligava o caso a uma manchete de cunho sensacionalista, na pr\u00e1tica colocando em d\u00favida a conduta moral da v\u00edtima por ocasi\u00e3o dos fatos noticiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, a v\u00edtima ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual requereu a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais em face do \u00f3rg\u00e3o de imprensa, que se retratou na mesma p\u00e1gina e queria que ficasse por isso&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\">5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ECA:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 16. O direito \u00e0 liberdade compreende os seguintes aspectos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; ir, vir e estar nos logradouros p\u00fablicos e espa\u00e7os comunit\u00e1rios, ressalvadas as restri\u00e7\u00f5es legais;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; opini\u00e3o e express\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; cren\u00e7a e culto religioso;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV &#8211; brincar, praticar esportes e divertir-se;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V &#8211; participar da vida familiar e comunit\u00e1ria, sem discrimina\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VI &#8211; participar da vida pol\u00edtica, na forma da lei;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VII &#8211; buscar ref\u00fagio, aux\u00edlio e orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral da crian\u00e7a e do adolescente, abrangendo a preserva\u00e7\u00e3o da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, id\u00e9ias e cren\u00e7as, dos espa\u00e7os e objetos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-ato-ilicito\">5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ato il\u00edcito?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia em definir se constitui ato il\u00edcito, atribu\u00edvel a \u00f3rg\u00e3o de imprensa, a publica\u00e7\u00e3o, em site de not\u00edcias, de mat\u00e9ria jornal\u00edstica que traz em seu bojo relato de um crime de estupro de vulner\u00e1vel, sem a indica\u00e7\u00e3o de dados objetivos quantos aos part\u00edcipes do fato, mas que atrela a narrativa do ocorrido a uma manchete de cunho sensacionalista, capaz de colocar em d\u00favida a conduta moral da v\u00edtima por ocasi\u00e3o dos fatos noticiados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ tem reiteradamente assentado que &#8220;a liberdade de express\u00e3o, compreendendo a informa\u00e7\u00e3o, opini\u00e3o e cr\u00edtica jornal\u00edstica, por n\u00e3o ser absoluta, encontra algumas limita\u00e7\u00f5es ao seu exerc\u00edcio, compat\u00edveis com o regime democr\u00e1tico, quais sejam: (I) o compromisso \u00e9tico com a informa\u00e7\u00e3o veross\u00edmil; (II) a preserva\u00e7\u00e3o dos chamados direitos da personalidade, entre os quais incluem-se os direitos \u00e0 honra, \u00e0 imagem, \u00e0 privacidade e \u00e0 intimidade; e (III) a veda\u00e7\u00e3o de veicula\u00e7\u00e3o de cr\u00edtica jornal\u00edstica com intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (animus injuriandi vel diffamandi)&#8221; (REsp n. 801.109\/DF, Relator Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, julgado em 12\/6\/2012, DJe de 12\/3\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comete ato il\u00edcito, por abuso de direito, o \u00f3rg\u00e3o de imprensa que, apesar de divulgar fato ver\u00eddico, relaciona a not\u00edcia \u00e0 manchete de car\u00e1ter manifestamente ofensivo \u00e0 honra da v\u00edtima de crime de estupro de vulner\u00e1vel, atribuindo \u00e0 adolescente conduta ativa ante o fato ocorrido, trazendo men\u00e7\u00f5es injuriosas a sua honra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cuidados a serem dispensados pelos \u00f3rg\u00e3os de imprensa, quando da divulga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias envolvendo menores de idade, devem ser redobrados, face ao dever imposto a toda sociedade de zelar pelos direitos e o bem-estar da pessoa em desenvolvimento (arts. 16 e 17 do ECA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ainda que a not\u00edcia n\u00e3o contenha dados objetivos que possam identificar a v\u00edtima ao p\u00fablico em geral, \u00e9 evidente, contudo, que ela pr\u00f3pria e aqueles que circundam seus relacionamentos mais pr\u00f3ximos t\u00eam conhecimento de que os fatos ofensivos lhe foram atribu\u00eddos, ressaindo da\u00ed dano ps\u00edquico-psicol\u00f3gico decorrente dos termos infamantes contidos na chamada da mat\u00e9ria, sobretudo por se cuidar a ofendida de menor de idade<\/strong> e por ter a manchete denotado a ideia de que a menor fora a respons\u00e1vel pelo epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a posterior retrata\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o de imprensa \u00e9 irrelevante porquanto j\u00e1 consumado o dano moral \u00e0 v\u00edtima da veicula\u00e7\u00e3o da not\u00edcia. Assim, a responsabilidade civil deve ser reconhecida, face \u00e0 jun\u00e7\u00e3o de todos os seus elementos: ato il\u00edcito cometido por abuso de direito aliado ao nexo de causalidade entre o agir e o dano moral impingido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comete ato il\u00edcito, por abuso de direito, o \u00f3rg\u00e3o de imprensa que, apesar de divulgar fato ver\u00eddico e sem a indica\u00e7\u00e3o de dados objetivos quanto aos part\u00edcipes do fato, relaciona a not\u00edcia \u00e0 manchete de car\u00e1ter manifestamente ofensivo \u00e0 honra da v\u00edtima de crime de estupro de vulner\u00e1vel, atribuindo \u00e0 adolescente conduta ativa ante o fato ocorrido, trazendo men\u00e7\u00f5es injuriosas a sua honra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-vedacao-da-pactuacao-da-clausula-del-credere-nos-contratos-de-agencia-ou-distribuicao-por-aproximacao\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Veda\u00e7\u00e3o da pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula del credere nos contratos de ag\u00eancia ou distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 vedada a pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula del credere nos contratos de ag\u00eancia ou distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.784.914-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 30\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\">6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Barsa Foods ajuizou a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o contratual em face de TransLeite Distribuidora em que alega ter havido infra\u00e7\u00e3o \u00e0s cl\u00e1usulas do contrato de transporte de cargas, dentre em especial inadimplemento de valores pagos com cheques de terceiro e que retornaram sem fundos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, a TransLeite aduz que pretens\u00e3o de ressarcimento dos valores decorrentes de cheques devolvidos por falta de fundos, cheques estes de terceiros (adquirentes dos produtos\/servi\u00e7os) n\u00e3o deveria prosperar, por se tratar de contrato de ag\u00eancia, sendo vedada a pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula <em>del credere<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\">6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 688. A ren\u00fancia do mandato ser\u00e1 comunicada ao mandante, que, se for prejudicado pela sua inoportunidade, ou pela falta de tempo, a fim de prover \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o do procurador, ser\u00e1 indenizado pelo mandat\u00e1rio, salvo se este provar que n\u00e3o podia continuar no mandato sem preju\u00edzo consider\u00e1vel, e que n\u00e3o lhe era dado substabelecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 721. Aplicam-se ao contrato de ag\u00eancia e distribui\u00e7\u00e3o, no que couber, as regras concernentes ao mandato e \u00e0 comiss\u00e3o e as constantes de lei especial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-pactuacao-da-clausula-del-credere\">6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula del credere?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia cinge-se em saber se no contrato de ag\u00eancia ou distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o seria admiss\u00edvel a pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula <em>del credere<\/em>, pacto pelo qual o colaborador assume a responsabilidade pela solv\u00eancia da pessoa com quem contratar em nome do fornecedor, na forma dos arts. 688 e 721 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O contrato em discuss\u00e3o foi qualificado no primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o como contrato de ag\u00eancia e pelo Tribunal de origem como contrato de distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o<\/strong>. A consequ\u00eancia inicial desta categoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que, a despeito da diverg\u00eancia terminol\u00f3gica, se cuida de um contrato socialmente t\u00edpico, disciplinado pelo C\u00f3digo Civil e, naquilo que for compat\u00edvel, com a legisla\u00e7\u00e3o especial, a Lei n. 4.886\/1965.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal conclus\u00e3o \u00e9 inescap\u00e1vel, na medida em que o novo C\u00f3digo Civil conferiu ao provecto contrato de representa\u00e7\u00e3o comercial a nova denomina\u00e7\u00e3o de contrato de ag\u00eancia, alinhando-se \u00e0 terminologia majoritariamente adotada pela legisla\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acerca da disciplina legal, prev\u00ea o art. 721 do C\u00f3digo Civil: &#8220;Aplicam-se ao contrato de ag\u00eancia e distribui\u00e7\u00e3o, no que couber, as regras concernentes ao mandato e \u00e0 comiss\u00e3o e as constantes de lei especial&#8221;. Assim, a novel disciplina institu\u00edda pelo estatuto civil n\u00e3o afasta a incid\u00eancia das normas especiais que n\u00e3o forem substancialmente incompat\u00edveis com a \u00faltima regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o crit\u00e9rio para a solu\u00e7\u00e3o da antinomia no caso em quest\u00e3o decorre da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da ESPECIALIDADE, de modo que a incompatibilidade normativa se soluciona pela aplica\u00e7\u00e3o da norma que cont\u00e9m elementos especializantes, subtraindo do espectro normativo da norma geral a aplica\u00e7\u00e3o em virtude de determinados crit\u00e9rios que s\u00e3o especiais. Sendo assim, concorrer\u00e3o, naquilo que forem compat\u00edveis, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Civil e da Lei de Representa\u00e7\u00e3o Comercial &#8211; Lei n. 4.886\/1965.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os doze artigos do C\u00f3digo Civil que tratam dos contratos de ag\u00eancia e distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o n\u00e3o se ocupam, em nenhuma passagem, da cl\u00e1usula <em>del credere<\/em><\/strong> &#8211; pacto a ser inserto no contrato e pelo qual o colaborador assume a responsabilidade pela solv\u00eancia da pessoa com quem contratar em nome do fornecedor, tornando-se solidariamente respons\u00e1vel. Contudo, h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o no art. 43 da Lei n. 4.886\/1965 estabelecendo que &#8220;\u00e9 vedada no contrato de representa\u00e7\u00e3o comercial a inclus\u00e3o de cl\u00e1usulas <em>del credere<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, constituindo a veda\u00e7\u00e3o \u00e0 cl\u00e1usula <em>del credere<\/em> nos contratos de ag\u00eancia ou distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o disposi\u00e7\u00e3o veiculada por legisla\u00e7\u00e3o especial compat\u00edvel com a posterior disciplina introduzida por norma geral, infere-se que se mant\u00e9m no ordenamento jur\u00eddico a proibi\u00e7\u00e3o da disposi\u00e7\u00e3o contratual que transforme o agente solidariamente respons\u00e1vel pela adimpl\u00eancia do contratante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, descabe cogitar em aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica no art. 698 do C\u00f3digo Civil, que estabelece que, se do contrato de comiss\u00e3o constar a cl\u00e1usula <em>del credere<\/em>, responder\u00e1 o comiss\u00e1rio solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipula\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, o comiss\u00e1rio tem direito a remunera\u00e7\u00e3o mais elevada, para compensar o \u00f4nus assumido. Com efeito, n\u00e3o h\u00e1 falar-se em omiss\u00e3o legislativa que tenha o cond\u00e3o de autorizar a aplica\u00e7\u00e3o da analogia pelo simples motivo de que existe norma especial que regula integralmente a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 vedada a pactua\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula del credere nos contratos de ag\u00eancia ou distribui\u00e7\u00e3o por aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\">DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-legitimidade-do-mp-para-ajuizar-acp-com-a-pretensao-de-fazer-cessar-a-cobranca-de-tributo-mesmo-que-ja-anteriormente-declarado-inconstitucional\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade do MP para ajuizar ACP com a pretens\u00e3o de fazer cessar a cobran\u00e7a de tributo, mesmo que j\u00e1 anteriormente declarado inconstitucional<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO DE INSTRUMENTO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pretens\u00e3o de fazer cessar a cobran\u00e7a de tributo, mesmo que j\u00e1 anteriormente declarado inconstitucional, cont\u00e9m discuss\u00e3o de natureza tribut\u00e1ria, ensejando a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 1.641.326-RJ, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 11\/3\/2024, DJe 15\/3\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\">7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MP ajuizou A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica para tentar obstar a cobran\u00e7a de tributos j\u00e1 julgados inconstitucionais pelo \u00d3rg\u00e3o Especial do TJRJ. A Fazenda Estadual sustenta a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para atuar na quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\">7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-mp-tem-legitimidade\">7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; MP tem legitimidade?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia sobre o acerto ou n\u00e3o de decis\u00e3o que reconheceu a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para ajuizar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica cuja pretens\u00e3o \u00e9 de obstar a cobran\u00e7a de tributos j\u00e1 julgados inconstitucionais pelo \u00d3rg\u00e3o Especial da Corte local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso analisado, ainda que a pretexto de dar efetividade ao julgado que reconheceu a inconstitucionalidade do tributo, buscou-se que fosse cessada a cobran\u00e7a do referido tributo, o que revela a natureza tribut\u00e1ria da pretens\u00e3o, a ensejar a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para a a\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o Tema n. 645 do STF, que assim disp\u00f5e: <strong>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o possui legitimidade ativa <em>ad causam<\/em> para, em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, deduzir em ju\u00edzo pretens\u00e3o de natureza tribut\u00e1ria em defesa dos contribuintes, que vise questionar a constitucionalidade\/legalidade de tributo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pretens\u00e3o de fazer cessar a cobran\u00e7a de tributo, mesmo que j\u00e1 anteriormente declarado inconstitucional, cont\u00e9m discuss\u00e3o de natureza tribut\u00e1ria, ensejando a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-i-legitimidade-do-terceiro-juridicamente-interessado-para-ajuizar-a-acao-declaratoria-de-nulidade-querela-nullitatis-insanabilis-quando-houver-algum-vicio-insanavel-na-sentenca-transitada-em-julgado\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade do terceiro juridicamente interessado para ajuizar a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade (querela nullitatis insanabilis) quando houver algum v\u00edcio insan\u00e1vel na senten\u00e7a transitada em julgado.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro juridicamente interessado tem legitimidade para ajuizar a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade (querela nullitatis insanabilis) sempre que houver algum v\u00edcio insan\u00e1vel na senten\u00e7a transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.902.133-RO, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 16\/4\/2024, DJe 18\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\">8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comaves Ltda ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a em face de Velha Vendas, Nirso e Virso, os dois \u00faltimos enquanto fiadores. A a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente, resultando, por ocasi\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, na penhora e adjudica\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel dos fiadores pelaexequente. Ocorre que, no referido im\u00f3vel, residia Crementina, a qual op\u00f4s resist\u00eancia \u00e0 posse pleiteada pela Comaves, apresentando, inclusive, escritura p\u00fablica de compra e venda do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Por essa raz\u00e3o, a Comaves ajuizou a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria contra Crementina, pretendendo a desocupa\u00e7\u00e3o do referido im\u00f3vel.&nbsp;&nbsp; Por sua vez, Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de inexist\u00eancia (&#8220;querela nullitatis insababilis&#8221;) contra Comaves, objetivando a declara\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia da senten\u00e7a prolatada na a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, que resultou na demanda reivindicat\u00f3ria, em raz\u00e3o da impossibilidade de autoriza\u00e7\u00e3o da cita\u00e7\u00e3o por edital dos requeridos (Velha Vendas, Virso e Nirso), sem o esgotamento da cita\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\">8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber \u00e0 parte falar nos autos, sob pena de preclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. N\u00e3o se aplica o disposto no caput \u00e0s nulidades que o juiz deva decretar de of\u00edcio, nem prevalece a preclus\u00e3o provando a parte leg\u00edtimo impedimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 966. A decis\u00e3o de m\u00e9rito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>I &#8211; se verificar que foi proferida por for\u00e7a de prevarica\u00e7\u00e3o, concuss\u00e3o ou corrup\u00e7\u00e3o do juiz;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>II &#8211; for proferida por juiz impedido ou por ju\u00edzo absolutamente incompetente;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>III &#8211; resultar de dolo ou coa\u00e7\u00e3o da parte vencedora em detrimento da parte vencida ou, ainda, de simula\u00e7\u00e3o ou colus\u00e3o entre as partes, a fim de fraudar a lei;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>IV &#8211; ofender a coisa julgada;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>V &#8211; violar manifestamente norma jur\u00eddica;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>VI &#8211; for fundada em prova cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou venha a ser demonstrada na pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>VII &#8211; obtiver o autor, posteriormente ao tr\u00e2nsito em julgado, prova nova cuja exist\u00eancia ignorava ou de que n\u00e3o p\u00f4de fazer uso, capaz, por si s\u00f3, de lhe assegurar pronunciamento favor\u00e1vel;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>VIII &#8211; for fundada em erro de fato verific\u00e1vel do exame dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 975. O direito \u00e0 rescis\u00e3o se extingue em 2 (dois) anos contados do tr\u00e2nsito em julgado da \u00faltima decis\u00e3o proferida no processo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-terceiro-juridicamente-interessado-tem-legitimidade-para-tanto\">8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terceiro juridicamente interessado tem legitimidade para tanto?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se h\u00e1 legitimidade de terceiro para ajuizar a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade de senten\u00e7a, mesmo n\u00e3o tendo participado do respectivo processo, e se a nulidade da cita\u00e7\u00e3o estaria preclusa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A coisa julgada, de assento constitucional (e legal), erigida a garantia fundamental do indiv\u00edduo, assume papel essencial \u00e0 estabiliza\u00e7\u00e3o dos conflitos, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica que legitimamente se espera da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional<\/strong>. A esse prop\u00f3sito, uma vez decorrido o devido processo legal, com o exaurimento de todos os recursos cab\u00edveis, a solu\u00e7\u00e3o judicial do conflito de interesses, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0s partes litigantes, por meio da edi\u00e7\u00e3o de uma norma jur\u00eddica concreta, reveste-se necessariamente de imutabilidade e de definitividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a coisa julgada, a um s\u00f3 tempo, n\u00e3o apenas impede que a mesma controv\u00e9rsia, relativa \u00e0s mesmas partes, seja novamente objeto de a\u00e7\u00e3o e, principalmente, de outra decis\u00e3o de m\u00e9rito (fun\u00e7\u00e3o negativa), como tamb\u00e9m promove o respeito e a prote\u00e7\u00e3o ao que restou decidido em senten\u00e7a transitada em julgado (fun\u00e7\u00e3o positiva).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atento \u00e0 indiscut\u00edvel falibilidade humana, mas sem descurar da necessidade de conferir seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e0 presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, a lei adjetiva civil estabelece situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e taxativas em que se admite a desconstitui\u00e7\u00e3o da coisa julgada (formal e material), por meio da promo\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, observado, contudo, o prazo fatal e decadencial de 2 anos, em regra, nos termos do que disp\u00f5em os arts. 966 e 975 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A par de tais hip\u00f3teses legais em que se autoriza a desconstitui\u00e7\u00e3o da coisa julgada por meio da via rescis\u00f3ria, <strong>doutrina e jurisprud\u00eancia admitem, tamb\u00e9m, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o destinada a declarar v\u00edcio insuper\u00e1vel de exist\u00eancia da senten\u00e7a transitada em julgado que, por tal raz\u00e3o, apenas faria coisa julgada formal, mas nunca material, inapta, em verdade, a produzir efeitos<\/strong>. Por isso, n\u00e3o haveria, em tese, comprometimento da almejada seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se, pois, da <em>querela nullitatis insanabilis<\/em>, a qual, ao contr\u00e1rio da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, que busca desconstituir senten\u00e7a de m\u00e9rito v\u00e1lida e eficaz, tem por finalidade declarar a inefic\u00e1cia de senten\u00e7a que n\u00e3o observa pressuposto de exist\u00eancia e, por consequ\u00eancia, de validade, logo n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado pela limita\u00e7\u00e3o temporal imposta \u00e0queles v\u00edcios pass\u00edveis de serem impugnados por meio da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, sendo a nulidade da cita\u00e7\u00e3o um v\u00edcio transrescis\u00f3rio, incapaz, portanto, de ser sanado, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em ocorr\u00eancia de preclus\u00e3o na hip\u00f3tese, afastando-se, assim, a apontada viola\u00e7\u00e3o ao art. 278 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando a semelhan\u00e7a entre a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria e a <em>querela nullitatis<\/em>, bem como a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal desta, as regras concernentes \u00e0 legitimidade para o ajuizamento da rescis\u00f3ria devem ser aplicadas, por analogia, \u00e0 a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade. Logo, deve ser reconhecida a legitimidade ativa do terceiro juridicamente interessado para propor a <em>querela <\/em>nullitatis, a teor do disposto no inciso II do art. 967 do CPC\/2015, sempre que houver algum v\u00edcio insan\u00e1vel na senten\u00e7a transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, conquanto n\u00e3o tenha figurado no polo passivo da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, em que se busca a nulidade da cita\u00e7\u00e3o, possui legitimidade para ajuizar a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria subjacente, por se tratar de terceira juridicamente interessada. Com efeito, <strong>o \u00eaxito na referida a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a acabou resultando no ajuizamento posterior de a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria pela ora recorrente contra ela, em que se pleiteou a desocupa\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, objeto de hipoteca pelos fiadores na primeira demanda, no qual havia fixado a sua resid\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o ao art. 18 do CPC\/2015, pois o pleito na <em>querela nullitatis<\/em> &#8211; de nulidade da cita\u00e7\u00e3o na aludida a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a &#8211; est\u00e1 autorizado pelo ordenamento jur\u00eddico &#8211; art. 967, inciso II, do CPC\/2015 -, dada a sua n\u00edtida condi\u00e7\u00e3o de terceira juridicamente interessada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro juridicamente interessado tem legitimidade para ajuizar a a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade (querela nullitatis insanabilis) sempre que houver algum v\u00edcio insan\u00e1vel na senten\u00e7a transitada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\">DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pedido-de-habilitacao-de-creditos-apresentado-ao-fisco-e-suspensao-do-prazo-prescricional-para-o-pleito-compensatorio\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pedido de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos apresentado ao fisco e suspens\u00e3o do prazo prescricional para o pleito compensat\u00f3rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pedido de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos apresentado ao fisco acarreta a suspens\u00e3o do prazo prescricional para o pleito compensat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 1.729.860-SC, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 29\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\">9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ancaps Ltda impetrou mandado de seguran\u00e7a para assegurar o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o para o PIS. O Tribunal local assegurou-lhe o direito ao aproveitamento integral do cr\u00e9dito habilitado em processo administrativo, determinando \u00e0 autoridade impetrada o recebimento da transmiss\u00e3o eletr\u00f4nica ou mesmo pedidos em formul\u00e1rio f\u00edsico de PER\/DECOMP relacionados ao cr\u00e9dito discutido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, a Fazenda Nacional sustenta a ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o do pedido compensat\u00f3rio. A parte impetrante contra-argumenta que quando ela pediu a habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, interrompeu-se o prazo prescricional&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\">9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 156. Extinguem o cr\u00e9dito tribut\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; o pagamento;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; a compensa\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; a transa\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV &#8211; remiss\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V &#8211; a prescri\u00e7\u00e3o e a decad\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VI &#8211; a convers\u00e3o de dep\u00f3sito em renda;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VII &#8211; o pagamento antecipado e a homologa\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento nos termos do disposto no artigo 150 e seus \u00a7\u00a7 1\u00ba e 4\u00ba;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIII &#8211; a consigna\u00e7\u00e3o em pagamento, nos termos do disposto no \u00a7 2\u00ba do artigo 164;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IX &#8211; a decis\u00e3o administrativa irreform\u00e1vel, assim entendida a definitiva na \u00f3rbita administrativa, que n\u00e3o mais possa ser objeto de a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">X &#8211; a decis\u00e3o judicial passada em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">XI \u2013 a da\u00e7\u00e3o em pagamento em bens im\u00f3veis, na forma e condi\u00e7\u00f5es estabelecidas em lei.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. A lei dispor\u00e1 quanto aos efeitos da extin\u00e7\u00e3o total ou parcial do cr\u00e9dito sobre a ulterior verifica\u00e7\u00e3o da irregularidade da sua constitui\u00e7\u00e3o, observado o disposto nos artigos 144 e 149.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 170. A lei pode, nas condi\u00e7\u00f5es e sob as garantias que estipular, ou cuja estipula\u00e7\u00e3o em cada caso atribuir \u00e0 autoridade administrativa, autorizar a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios com cr\u00e9ditos l\u00edquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. Sendo vincendo o cr\u00e9dito do sujeito passivo, a lei determinar\u00e1, para os efeitos deste artigo, a apura\u00e7\u00e3o do seu montante, n\u00e3o podendo, por\u00e9m, cominar redu\u00e7\u00e3o maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao m\u00eas pelo tempo a decorrer entre a data da compensa\u00e7\u00e3o e a do vencimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-pedido-de-habilitacao-de-creditos-suspende-ou-interrompe-prazo-prescricional\">9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pedido de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos suspende ou interrompe prazo prescricional?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>SUSPENDE!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na origem, trata-se de <a>mandado de seguran\u00e7a para assegurar o direito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de contribui\u00e7\u00e3o para o PIS com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) por meio do processamento e an\u00e1lise da declara\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio (PER\/DECOMP) ou via formul\u00e1rio f\u00edsico<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal de origem, confirmando a senten\u00e7a de concess\u00e3o da seguran\u00e7a, <a>assegurou \u00e0 parte impetrante o direito ao aproveitamento integral do cr\u00e9dito habilitado em processo administrativo, determinando \u00e0 autoridade impetrada o recebimento da transmiss\u00e3o eletr\u00f4nica ou mesmo pedidos em formul\u00e1rio f\u00edsico de PER\/DECOMP relacionados ao cr\u00e9dito discutido<\/a>. Na ocasi\u00e3o, afastou-se a prescri\u00e7\u00e3o suscitada pela Fazenda Nacional ao fundamento de que o pedido administrativo de habilita\u00e7\u00e3o acarretava a interrup\u00e7\u00e3o do curso do prazo prescricional para o aproveitamento dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 esp\u00e9cie de extin\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, conforme preceitua o art. 156 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional, sendo dessa forma disciplinada no art. 170 do mesmo normativo legal, nos seguintes termos: &#8220;A lei pode, nas condi\u00e7\u00f5es e sob as garantias que estipular, ou cuja estipula\u00e7\u00e3o em cada caso atribuir \u00e0 autoridade administrativa, autorizar a compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios com cr\u00e9ditos l\u00edquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a Lei n. 9.430\/1996, no art. 74, trouxe regulamenta\u00e7\u00e3o sobre a compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, forma de ressarcimento de cr\u00e9ditos do sujeito passivo pela Fazenda Nacional, assim dispondo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar cr\u00e9dito, inclusive os judiciais com tr\u00e2nsito em julgado, relativo a tributo ou contribui\u00e7\u00e3o administrado pela Secretaria da Receita Federal, pass\u00edvel de restitui\u00e7\u00e3o ou de ressarcimento, poder\u00e1 utiliz\u00e1-lo na compensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bitos pr\u00f3prios relativos a quaisquer tributos e contribui\u00e7\u00f5es administrados por aquele \u00d3rg\u00e3o.\u00a7 1\u00ba A compensa\u00e7\u00e3o de que trata o caput ser\u00e1 efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declara\u00e7\u00e3o na qual constar\u00e3o informa\u00e7\u00f5es relativas aos cr\u00e9ditos utilizados e aos respectivos d\u00e9bitos compensados. [&#8230;] \u00a7 14. A Secretaria da Receita Federal &#8211; SRF disciplinar\u00e1 o disposto neste artigo, inclusive quanto \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios de prioridade para aprecia\u00e7\u00e3o de processos de restitui\u00e7\u00e3o, de ressarcimento e de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da permiss\u00e3o legal para a disciplina da compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, a SRF editou a Instru\u00e7\u00e3o Normativa 600, de 28 de dezembro de 2005, j\u00e1 revogada, trazendo a previs\u00e3o de que: Na hip\u00f3tese de cr\u00e9dito reconhecido por decis\u00e3o judicial transitada em julgado, a Declara\u00e7\u00e3o de Compensa\u00e7\u00e3o, o Pedido Eletr\u00f4nico de Restitui\u00e7\u00e3o e o Pedido Eletr\u00f4nico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER\/DCOMP, somente ser\u00e3o recepcionados pela SRF ap\u00f3s pr\u00e9via habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria (Derat) ou Delegacia Especial de Institui\u00e7\u00f5es Financeiras (Deinf) com jurisdi\u00e7\u00e3o sobre o domic\u00edlio tribut\u00e1rio do sujeito passivo (art. 51).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00a7 2\u00ba, inciso IV, dessa mesma instru\u00e7\u00e3o normativa trazia a previs\u00e3o de que o pedido de habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito seria deferido mediante a confirma\u00e7\u00e3o de que tinha sido formalizado no prazo de 5 anos da data do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o. A instru\u00e7\u00e3o normativa em quest\u00e3o foi objeto de sucessivas atualiza\u00e7\u00f5es ao longo dos anos. Todavia, \u00e9 poss\u00edvel observar que a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria federal sempre considerou bif\u00e1sico o procedimento para a compensa\u00e7\u00e3o administrativa, ou seja, ap\u00f3s o reconhecimento judicial do cr\u00e9dito por decis\u00e3o transitada em julgado, \u00e9 imprescind\u00edvel a habilita\u00e7\u00e3o administrativa de tais cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim definido o procedimento compensat\u00f3rio, \u00e9 necess\u00e1ria a sua adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s balizas temporais estabelecidas para a postula\u00e7\u00e3o do direito reconhecido e que n\u00e3o est\u00e3o sujeitas a qualquer modifica\u00e7\u00e3o por crit\u00e9rio das partes. O art. 168 do CTN estabelece que o direito de pleitear a restitui\u00e7\u00e3o extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerada tal baliza, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: a fase pr\u00e9via de habilita\u00e7\u00e3o administrativa do cr\u00e9dito, momento em que se faz a an\u00e1lise de requisitos essenciais para a efetiva compensa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, seria capaz de causar a interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional? Pensa-se que n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque, apesar de n\u00e3o haver legisla\u00e7\u00e3o federal com tamanha especificidade sobre o tema, n\u00e3o se pode desconsiderar a previs\u00e3o contida no Decreto 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que regula a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal das d\u00edvidas p\u00fablicas desde de muito antes do ordenamento constitucional vigente e que, diga-se de passagem, foi por ele recepcionado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O art. 4\u00ba do Decreto n. 20.910\/1932 trouxe norma expressa acerca da suspens\u00e3o do prazo prescricional, nos seguintes termos: &#8220;Art. 4\u00ba N\u00e3o corre a prescri\u00e7\u00e3o durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da d\u00edvida, considerada l\u00edquida, tiverem as reparti\u00e7\u00f5es ou funcion\u00e1rios encarregados de estudar e apur\u00e1-la.<\/strong> Par\u00e1grafo \u00fanico. A suspens\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o, neste caso, verificar-se-\u00e1 pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, com designa\u00e7\u00e3o do dia, m\u00eas e ano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando todo o hist\u00f3rico normativo pertinente \u00e0 controv\u00e9rsia posta, n\u00e3o se observam motivos para o afastamento das disposi\u00e7\u00f5es legais ali contidas, raz\u00e3o pela qual o pedido de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos apresentado ao fisco acarreta, de fato, a suspens\u00e3o do prazo prescricional para o pleito compensat\u00f3rio. A t\u00edtulo de complemento, destaco que o Parecer Normativo Cosit 11\/2014 solucionou a controv\u00e9rsia concluindo que, &#8220;[n]o per\u00edodo entre o pedido de habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito decorrente de a\u00e7\u00e3o judicial e a ci\u00eancia do seu deferimento definitivo, o prazo prescricional para apresenta\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Compensa\u00e7\u00e3o fica suspenso no \u00e2mbito administrativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 como afastar a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o compensat\u00f3ria postulada porque apresentada fora do prazo quinquenal estabelecido no art. 168 do CTN, quando somados os per\u00edodos que antecederam e sucederam tal pedido de habilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pedido de habilita\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos apresentado ao fisco acarreta a suspens\u00e3o do prazo prescricional para o pleito compensat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-alzheimer-e-direito-a-isencao-do-irpf\">10.&nbsp; Alzheimer e direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do IRPF.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O portador de Alzheimer possui direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do IRPF quando a doen\u00e7a resultar em aliena\u00e7\u00e3o mental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no REsp 2.082.632-DF, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/3\/2024, DJe 2\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\">10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementino foi diagnosticado com Alzheimer. Ajuizou a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito tribut\u00e1rio, na qual pretende a devolu\u00e7\u00e3o do imposto de renda pago em raz\u00e3o de ser portador da doen\u00e7a. Em senten\u00e7a, o pedido foi julgado procedente, sendo a decis\u00e3o mantida pelo Tribunal local<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, a Fazenda Nacional interp\u00f4s recurso no qual sustenta ser taxativo o rol das mol\u00e9stias elencadas no art. 6\u00ba, inc. XIV, da Lei 7.713\/1988, de tal sorte que concess\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o deve se restringir \u00e0s situa\u00e7\u00f5es nele enumeradas, dentre as quais n\u00e3o se encontra a mencionada doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\">10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\">10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 7.713\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 6\u00ba Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas f\u00edsicas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">XIV \u2013 os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em servi\u00e7o e os percebidos pelos portadores de mol\u00e9stia profissional, tuberculose ativa, aliena\u00e7\u00e3o mental, esclerose m\u00faltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansen\u00edase, paralisia irrevers\u00edvel e incapacitante, cardiopatia grave, doen\u00e7a de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avan\u00e7ados da doen\u00e7a de Paget (oste\u00edte deformante), contamina\u00e7\u00e3o por radia\u00e7\u00e3o, s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida, com base em conclus\u00e3o da medicina especializada, mesmo que a doen\u00e7a tenha sido contra\u00edda depois da aposentadoria ou reforma;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-tem-direito-a-isencao-do-irpf\">10.2.2. Tem direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do IRPF?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Somente se a doen\u00e7a resultar em aliena\u00e7\u00e3o mental!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso em discuss\u00e3o, trata-se de a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito tribut\u00e1rio, no qual a parte autora pretendeu a devolu\u00e7\u00e3o do imposto de renda pago em raz\u00e3o de ser portadora de <em>Alzheimer<\/em>. Por senten\u00e7a, o pedido foi julgado procedente, sendo a decis\u00e3o mantida pelo Tribunal <em>a quo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No julgamento do REsp n. 1.814.919\/DF, pela sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, a Primeira Se\u00e7\u00e3o reafirmou entendimento jurisprudencial, segundo o qual <strong>a isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda prevista no art. 6\u00ba, inc. XIV, da Lei n. 7.713\/1988 s\u00f3 alcan\u00e7a os portadores das mol\u00e9stias l\u00e1 elencadas que estejam aposentados<\/strong>. Al\u00e9m disso, por ocasi\u00e3o do julgamento do REsp n. 1.116.620\/BA, tamb\u00e9m na sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, a Primeira Se\u00e7\u00e3o definiu ser taxativo o rol das mol\u00e9stias elencadas no art. 6\u00ba, inc. XIV, da Lei n. 7.713\/1988, de tal sorte que concess\u00e3o da isen\u00e7\u00e3o deve-se restringir \u00e0s situa\u00e7\u00f5es nele enumeradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a Lei n. 7.713\/1988, em seu art. 6\u00ba, inc. XIV, disp\u00f5e que ficam isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de aliena\u00e7\u00e3o mental, mas n\u00e3o faz refer\u00eancia espec\u00edfica ao <em>Alzheimer<\/em>. N\u00e3o obstante, em raz\u00e3o da doen\u00e7a de <em>Alzheimer <\/em>poder resultar em aliena\u00e7\u00e3o mental, o STJ decidiu pela possibilidade de os portadores desse mal terem direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda, na hip\u00f3tese em que ocorre a aliena\u00e7\u00e3o mental, consignando que: &#8220;<strong>Tendo o Tribunal de origem reconhecido a aliena\u00e7\u00e3o mental da recorrida, que sofre do Mal de Alzheimer, imp\u00f5e-se admitir seu direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do imposto de renda<\/strong>&#8221; (REsp n. 800.543\/PE, relator Ministro Francisco Falc\u00e3o, Primeira Turma, julgado em 16\/3\/2006, DJ de 10\/4\/2006).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O portador de Alzheimer possui direito \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do IRPF quando a doen\u00e7a resultar em aliena\u00e7\u00e3o mental.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\">DIREITO EMPRESARIAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-i-legitimidade-dos-acionistas-ex-administradores-e-controladores-da-instituicao-financeira-para-intervir-no-processo-de-falencia-instaurado-a-pedido-do-liquidante\">11.&nbsp; (I)Legitimidade dos acionistas ex-administradores e controladores da institui\u00e7\u00e3o financeira para intervir no processo de fal\u00eancia instaurado a pedido do liquidante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os <a>acionistas ex-administradores e controladores da institui\u00e7\u00e3o financeira <\/a>t\u00eam legitimidade para intervir no processo de fal\u00eancia instaurado a pedido do liquidante e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da assembleia geral em se tratando de fal\u00eancia decorrente de procedimento de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.852.165-MG, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 30\/4\/2024<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\">11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quebradeira era financeira submetida a regime especial de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial decretado pelo Banco Central do Brasil, fundado no comprometimento de sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-financeira e na exist\u00eancia de graves viola\u00e7\u00f5es \u00e0s normas legais e estatut\u00e1rias que disciplinam sua atividade, al\u00e9m da ocorr\u00eancia de sucessivos preju\u00edzos que sujeitavam seus credores quirograf\u00e1rios a riscos anormais. Posteriormente, devido \u00e0 exist\u00eancia de integra\u00e7\u00e3o, manifestada pela administra\u00e7\u00e3o comum e pela rela\u00e7\u00e3o de controle, foi decretada a liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, por extens\u00e3o, a outras institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liquidante instaurou processo de fal\u00eancia a pedido, no qual os acionistas ex-administradores e controladores da institui\u00e7\u00e3o financeira tentaram intervir, mas tiveram sua legitimidade para tanto questionada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\">11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\">11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 103. Desde a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia ou do seq\u00fcestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. O falido poder\u00e1, contudo, fiscalizar a administra\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, requerer as provid\u00eancias necess\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 6.024\/1976:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art . 50. A interven\u00e7\u00e3o determina a suspens\u00e3o, e, a liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, a perda do mandato respectivamente, dos administradores e membros do Conselho Fiscal e de quaisquer outros \u00f3rg\u00e3os criados pelo estatuto, competindo, exclusivamente, ao interventor e ao liquidante a convoca\u00e7\u00e3o da assembl\u00e9ia geral nos casos em que julgarem conveniente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 6.404\/1976:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 122.&nbsp; Compete privativamente \u00e0 assembleia geral:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IX &#8211; autorizar os administradores a confessar fal\u00eancia e a pedir recupera\u00e7\u00e3o judicial; e&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-ha-legitimidade-para-tanto\">11.2.2. H\u00e1 legitimidade para tanto?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os direitos do falido <strong>foram expressamente previstos no art. 103 da <a>Lei n. 11.101\/2005 <\/a>porque, com a decreta\u00e7\u00e3o da quebra, ele perde o direito de administrar seus bens ou deles dispor, passando a geri-los o administrador judicial nomeado pelo juiz ou, na hip\u00f3tese de fal\u00eancia de institui\u00e7\u00e3o financeira, o liquidante previamente nomeado pelo Banco Central do Brasil<\/strong>. Isso n\u00e3o significa, contudo, que o empres\u00e1rio ou sociedade falida sejam extintos ou percam a capacidade processual, tanto que os dispositivos legais em refer\u00eancia permitem fiscalizar a administra\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, adotar provid\u00eancias necess\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o de seus direitos ou dos bens arrecadados ou ainda intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode recusar, outrossim, a legitimidade da falida ainda na fase cognitiva ou pr\u00e9-falimentar. Com efeito, <strong>se a lei confere determinados direitos \u00e0 massa falida no que tange \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o da massa e ao zelo pela conserva\u00e7\u00e3o de seus direitos e bens arrecadados, com muito mais raz\u00e3o pode opor-se \u00e0 pr\u00f3pria decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, momento em que o poder judici\u00e1rio se volta a verificar o estado patrimonial do devedor e a constata\u00e7\u00e3o da insolv\u00eancia<\/strong>. Diversos efeitos jur\u00eddicos da quebra em rela\u00e7\u00e3o aos acionistas ex-administradores e controladores revelam interesse jur\u00eddico em intervir no feito e impugnar a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fal\u00eancia constitui processo em que se relacionam m\u00faltiplos interesses que circundam a companhia e mesmo o interesse p\u00fablico de tutela do cr\u00e9dito e do saneamento do mercado em contraposi\u00e7\u00e3o ao interesse da pr\u00f3pria falida, muitas vezes colidente com o destino liquidat\u00f3rio, permitindo-se qualific\u00e1-la como processo estrutural, multifacetado e polic\u00eantrico, com interesses plurais e setoriais que demandam um desencadeamento decis\u00f3rio especial que contemple os diversos atores e perfis envolvidos. Nesse contexto, \u00e9 imperioso reconhecer a legitimidade dos s\u00f3cios e, sobretudo, dos administradores, para acompanhar o procedimento e conduzir seus interesses para que sejam sopesados na arena decisional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial constitui uma das modalidades do sistema de resolu\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras, procedimento administrativo que se assemelha \u00e0 fal\u00eancia &#8211; especialmente em raz\u00e3o de sua finalidade &#8211; e visa, por conseguinte, \u00e0 remo\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o financeira e \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o de suas atividades. A decreta\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial implica, automaticamente, o afastamento dos administradores da institui\u00e7\u00e3o financeira (art. 50 da Lei n. 6.024\/1976). Consequentemente, o pedido de fal\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o financeira submetida a regime de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial compete exclusivamente ao liquidante, mediante autoriza\u00e7\u00e3o do Banco Central do Brasil, excluindo-se, a partir da decreta\u00e7\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o, a legitimidade da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o financeira, seus acionistas ou credores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em se tratando de fal\u00eancia decorrente de anterior procedimento de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial, n\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia da pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da assembleia geral, como prev\u00ea o art. 122, IX, da Lei n. 6.404\/1976. A Lei n. 6.024\/1976 \u00e9 norma especial em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei n. 11.101\/2005 &#8211; que prev\u00ea procedimentos recuperat\u00f3rio e liquidat\u00f3rio da generalidade das sociedades empres\u00e1rias e empres\u00e1rios -, afastando-se, pelo princ\u00edpio da especialidade e pelas peculiaridades dos procedimentos resolut\u00f3rios das institui\u00e7\u00f5es financeiras, a disposi\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o das companhias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\">11.2.3. Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os acionistas ex-administradores e controladores da institui\u00e7\u00e3o financeira t\u00eam legitimidade para intervir no processo de fal\u00eancia instaurado a pedido do liquidante e n\u00e3o h\u00e1 necessidade de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o da assembleia geral em se tratando de fal\u00eancia decorrente de procedimento de liquida\u00e7\u00e3o extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\">DIREITO PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-im-possibilidade-da-utilizacao-de-acoes-encobertas-controladas-virtuais-ou-de-agentes-infiltrados-no-plano-cibernetico-inclusive-via-espelhamento-do-whatsapp-web\">12.&nbsp; (Im)Possibilidade da utiliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es encobertas, controladas virtuais ou de agentes infiltrados no plano cibern\u00e9tico, inclusive via espelhamento do Whatsapp Web.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de <a>a\u00e7\u00f5es encobertas, controladas virtuais ou de agentes infiltrados no plano cibern\u00e9tico, inclusive via espelhamento do Whatsapp Web<\/a>, desde que o uso da a\u00e7\u00e3o controlada na investiga\u00e7\u00e3o criminal esteja amparada por autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no AREsp 2.318.334-MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/4\/2024, DJe 23\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\">12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma complexa investiga\u00e7\u00e3o policial, foram utilizadas a\u00e7\u00f5es encobertas, controladas virtuais e de agentes infiltrados no plano cibern\u00e9tico, inclusive via espelhamento do Whatsapp Web.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o, a defesa dos investigados interp\u00f4s recurso no qual alega que as provas obtidas por meio de espelhamento do aplicativo de comunica\u00e7\u00e3o, via WhastApp Web, n\u00e3o seriam v\u00e1lidas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\">12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\">12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei n. 12.850\/2013:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 10-A. Ser\u00e1 admitida a a\u00e7\u00e3o de agentes de pol\u00edcia infiltrados virtuais, obedecidos os requisitos do caput do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por organiza\u00e7\u00f5es criminosas, desde que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando poss\u00edvel, os dados de conex\u00e3o ou cadastrais que permitam a identifica\u00e7\u00e3o dessas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-vale-hackear-o-whatsapp\">12.2.2. Vale hackear o Whatsapp?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia a aferi\u00e7\u00e3o da possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o, no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, de a\u00e7\u00f5es encobertas, controladas virtuais ou de agentes infiltrados no plano cibern\u00e9tico, inclusive via espelhamento do <em>Whatsapp Web.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ordenamento p\u00e1trio, as a\u00e7\u00f5es encobertas recebem a denomina\u00e7\u00e3o de infiltra\u00e7\u00e3o de agentes. A Lei que trata acerca de organiza\u00e7\u00f5es criminosas, Lei n. 12.850\/2013, prev\u00ea que, <strong>em qualquer fase da persecu\u00e7\u00e3o penal, ser\u00e3o permitidos, sem preju\u00edzo de outros procedimentos j\u00e1 previstos em lei, infiltra\u00e7\u00e3o, por policiais, em atividade de investiga\u00e7\u00e3o, mediante motivada e sigilosa autoriza\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>. Objetiva-se a outorga, ao agente estatal, da possibilidade de penetrar na organiza\u00e7\u00e3o criminosa, participando de atividades di\u00e1rias, para, assim, compreend\u00ea-la e melhor combat\u00ea-la pelo repasse de informa\u00e7\u00f5es \u00e0s autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De se mencionar, ainda, que a lei que regulamenta o Marco Civil da <em>Internet <\/em>(Lei n. 12.965\/2014), estabelece princ\u00edpios, garantias, direitos e deveres para uso da <em>Internet <\/em>no Brasil, garante o acesso e a interfer\u00eancia no &#8220;fluxo das comunica\u00e7\u00f5es pela <em>Internet, <\/em>por ordem judicial&#8221;. De id\u00eantica forma, a referida Lei n. 12.850\/2013 (Lei da ORCRIM), com reda\u00e7\u00e3o trazida pela Lei 13.694\/2019, passou a prever, de forma expressa, a figura do agente infiltrado virtual, em seu art. 10-A.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, <strong>a Lei n. 9.296\/1996 (Intercepta\u00e7\u00e3o Telef\u00f4nica), permite em seu art. 1\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, a quebra do sigilo no que concerne \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de dados, mediante ordem judicial fundamentada<\/strong>. Nesse ponto reside a permiss\u00e3o normativa para quebra de sigilo de dados inform\u00e1ticos e de forma subsequente, para permitir a intera\u00e7\u00e3o, a intercepta\u00e7\u00e3o e a infiltra\u00e7\u00e3o do agente, inclusive pelo meio cibern\u00e9tico, consistente no espelhamento do <em>Whatsapp Web<\/em><em>. <\/em>A lei de intercepta\u00e7\u00e3o, em combina\u00e7\u00e3o com a Lei das Organiza\u00e7\u00f5es Criminosas outorga legitimidade (legalidade) e dita o rito (regra procedimental), a mencionado espelhamento, em interpreta\u00e7\u00e3o progressiva, em conformidade com a realidade atual, para adequar a norma \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A potencialidade danosa dos delitos praticados por organiza\u00e7\u00f5es criminosas, pelo meio virtual, aliada a complexidade e dificuldade da persecu\u00e7\u00e3o penal no \u00e2mbito cibern\u00e9tico devem levar a jurisprud\u00eancia a admitir as a\u00e7\u00f5es controladas e infiltradas no mesmo plano virtual. De fato, nos \u00faltimos anos, as redes sociais e respectivos aplicativos se tornaram uma ferramenta indispens\u00e1vel para a comunica\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o e compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es em todo o mundo. Entretanto, essa r\u00e1pida expans\u00e3o e influ\u00eancia tamb\u00e9m trouxeram consigo uma s\u00e9rie de desafios e problemas no \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o, no meio virtual, tornando-se a evolu\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia acerca do tema quest\u00e3o cada vez mais relevante e urgente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Impositivo se mostra o estabelecimento de regras processuais compat\u00edveis com a modernidade do crime organizado, por\u00e9m, sempre respeitando, dentro de tal quadro, os direitos e garantias fundamentais do investigado<\/strong>. Tal desiderato restou alcan\u00e7ado na medida em que, no ordenamento p\u00e1trio, a infiltra\u00e7\u00e3o, igualmente a outros institutos que restringem garantias e direitos fundamentais, est\u00e1 submetida ao controle e amparada por ordem de um juiz competente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 empecilho, portanto, na utiliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es encobertas ou agentes infiltrados na persecu\u00e7\u00e3o de delitos, pela via dos meios virtuais, desde que, conjugados crit\u00e9rios de proporcionalidade (utilidade, necessidade), reste observada a subsidiariedade, n\u00e3o podendo a prova ser produzida por outros meios dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que se d\u00e1 na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, com o autorizado espelhamento via <em>Whatsapp Web<\/em>, como meio de infiltra\u00e7\u00e3o investigativa, na medida em que a intercepta\u00e7\u00e3o de dados direta, feita no pr\u00f3prio aplicativo original do <em>Whatsapp, <\/em>se denota, por vezes, despicienda, em face da conhecida criptografia ponta a ponta que vigora no aplicativo original, impossibilitando o acesso ao teor das conversas ali entabuladas. Concebe-se plaus\u00edvel, portanto, que o espelhamento autorizado via <em>Whatsapp Web, <\/em>pelos \u00f3rg\u00e3os de persecu\u00e7\u00e3o, se denote equivalente \u00e0 modalidade de infiltra\u00e7\u00e3o do agente, que consiste em meio extraordin\u00e1rio, mas v\u00e1lido, de obten\u00e7\u00e3o de prova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode, desta forma, o agente policial valer-se da utiliza\u00e7\u00e3o do espelhamento pela via do <em>Whatsapp Web, <\/em>desde que respeitados os par\u00e2metros de proporcionalidade, subsidiariedade, controle judicial e legalidade, calcado pelo competente mandado judicial. De fato, a Lei n. 9.296\/1996, que regulamenta as intercepta\u00e7\u00f5es, conjugada com a Lei n. 12.850\/2013 (Lei das Organiza\u00e7\u00f5es Criminosas), outorgam substrato de validade processual \u00e0s a\u00e7\u00f5es infiltradas no plano cibern\u00e9tico, desde que observada a cl\u00e1usula de reserva de jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\">12.2.3. Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es encobertas, controladas virtuais ou de agentes infiltrados no plano cibern\u00e9tico, inclusive via espelhamento do Whatsapp Web, desde que o uso da a\u00e7\u00e3o controlada na investiga\u00e7\u00e3o criminal esteja amparada por autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\">DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-tentativa-de-se-esquivar-da-guarnicao-e-atitude-suspeita-para-justificar-a-busca-pessoal\">13.&nbsp; Tentativa de se esquivar da guarni\u00e7\u00e3o e atitude suspeita para justificar a busca pessoal.<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tentativa de se esquivar da guarni\u00e7\u00e3o policial evidencia a fundada suspeita de que o agente ocultava consigo objetos il\u00edcitos, na forma do art. 240, \u00a7 2\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Penal, a justificar a busca pessoal, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HC 889.618-MG, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/4\/2024, DJe 26\/4\/2024.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\">13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho andava de forma malemolente quando avistou e foi avistado por viatura policial. Houve troca de olhares e ent\u00e3o o rapaz come\u00e7ou a se comportar de maneira que a guarni\u00e7\u00e3o descreveu como \u201csuspeita\u201d, incluindo tentativa de dar um \u201col\u00e9\u201d nos policiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defesa impetrou HC no qual alega a nulidade da busca e apreens\u00e3o das drogas encontradas com o rapaz, enquanto o MP sustenta que a busca pessoal somente ocorreu ap\u00f3s os policiais militares receberem den\u00fancia an\u00f4nima sobre a pr\u00e1tica de tr\u00e1fico de entorpecentes por parte de um indiv\u00edduo que estava em posse de uma sacola de drogas. Em dilig\u00eancias ao local informado, observaram o rapaz se evadindo em posse de uma sacola.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\">13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\">13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 240.&nbsp; A busca ser\u00e1 domiciliar ou pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1o&nbsp; Proceder-se-\u00e1 \u00e0 busca domiciliar, quando fundadas raz\u00f5es a autorizarem, para:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) prender criminosos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">c) apreender instrumentos de falsifica\u00e7\u00e3o ou de contrafa\u00e7\u00e3o e objetos falsificados ou contrafeitos;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">d) apreender armas e muni\u00e7\u00f5es, instrumentos utilizados na pr\u00e1tica de crime ou destinados a fim delituoso;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">e) descobrir objetos necess\u00e1rios \u00e0 prova de infra\u00e7\u00e3o ou \u00e0 defesa do r\u00e9u;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">f) apreender cartas, abertas ou n\u00e3o, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conte\u00fado possa ser \u00fatil \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o do fato;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">g) apreender pessoas v\u00edtimas de crimes;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">h) colher qualquer elemento de convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 2o&nbsp; Proceder-se-\u00e1 \u00e0 busca pessoal quando houver fundada suspeita de que algu\u00e9m oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do par\u00e1grafo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 244.&nbsp; A busca pessoal independer\u00e1 de mandado, no caso de pris\u00e3o ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-evidenciada-a-fundada-suspeita\">13.2.2. Evidenciada a fundada suspeita?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nesse caso, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o disposto no art. 244 do <a>C\u00f3digo de Processo Penal<\/a>, a busca pessoal independer\u00e1 de mandado, no caso de pris\u00e3o ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em julgamento sobre o tema, ao apreciar o RHC n. 158.580\/BA (DJe 25\/4\/2022), a Sexta Turma do STJ estabeleceu, interpretando o referido dispositivo legal, que <strong>em termos de <em>standard<\/em> probat\u00f3rio para busca pessoal ou veicular sem mandado judicial, exige-se a exist\u00eancia de fundada suspeita (justa causa)<\/strong> &#8211; baseada em um ju\u00edzo de probabilidade, descrita com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel, aferida de modo objetivo e devidamente justificada pelos ind\u00edcios e circunst\u00e2ncias do caso concreto &#8211; <strong>de que o indiv\u00edduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, evidenciando-se a urg\u00eancia de se executar a dilig\u00eancia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concluiu-se, ainda, que n\u00e3o satisfazem a exig\u00eancia legal, por si s\u00f3s, meras informa\u00e7\u00f5es de fonte n\u00e3o identificada (e.g. den\u00fancias an\u00f4nimas) ou intui\u00e7\u00f5es\/impress\u00f5es subjetivas, intang\u00edveis e n\u00e3o demonstr\u00e1veis de maneira clara e concreta, baseadas, por exemplo, exclusivamente, no tiroc\u00ednio policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, no caso, <strong>h\u00e1 de se destacar a evas\u00e3o do acusado em posse de uma sacola, ao avistar os policiais militares, sendo revistado ap\u00f3s desdobramento da a\u00e7\u00e3o policial em via p\u00fablica, em dilig\u00eancia para averiguar a pr\u00e1tica do delito de tr\u00e1fico de drogas na localidade, ap\u00f3s <em>notitia criminis<\/em> inqualificada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o tema, a Quinta Turma desta Corte Superior vem reiterando que, segundo consignado no RHC n. 229.514\/PE, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, se um agente do estado n\u00e3o puder realizar abordagem em via p\u00fablica a partir de comportamentos suspeitos do alvo, tais como fuga, gesticula\u00e7\u00f5es e demais rea\u00e7\u00f5es t\u00edpicas, j\u00e1 conhecidas pela ci\u00eancia aplicada \u00e0 atividade policial, haver\u00e1 s\u00e9rio comprometimento do exerc\u00edcio da seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, segundo a doutrina, &#8220;[n]\u00e3o se pode igualar a prote\u00e7\u00e3o do domic\u00edlio (que \u00e9 asilo inviol\u00e1vel do indiv\u00edduo, na dic\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o) com a prote\u00e7\u00e3o da integridade f\u00edsica de quem est\u00e1 em via p\u00fablica. S\u00e3o n\u00edveis diferentes de tutela e prote\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, considerando o art. 926 do C\u00f3digo de Processo Civil, pelo qual os tribunais devem uniformizar sua jurisprud\u00eancia e mant\u00ea-la est\u00e1vel, \u00edntegra e coerente, no caso, a tentativa de se esquivar da guarni\u00e7\u00e3o evidencia a fundada suspeita de que o agente ocultava consigo objetos il\u00edcitos, na forma do art. 240, \u00a7 2\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Penal, a justificar a busca pessoal, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, sublinhe-se que o acima referido caso paradigm\u00e1tico da Sexta Turma busca evitar o uso excessivo da busca pessoal, garantir a sindicabilidade da abordagem e evitar a repeti\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que reproduzem preconceitos estruturais arraigados na sociedade, premissas atendidas na esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\">13.2.3. Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tentativa de se esquivar da guarni\u00e7\u00e3o policial evidencia a fundada suspeita de que o agente ocultava consigo objetos il\u00edcitos, na forma do art. 240, \u00a7 2\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Penal, a justificar a busca pessoal, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-bff78e71-4d66-4fb0-931d-daa659bd20ad\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/05\/21074216\/stj-informativo-810.pdf\">stj-informativo-810<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/05\/21074216\/stj-informativo-810.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-bff78e71-4d66-4fb0-931d-daa659bd20ad\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um passo em nossa caminhada&#8230; Informativos n\u00ba 810 do STJ\u00a0COMENTADO entra na parada. 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