{"id":1392043,"date":"2024-04-30T00:35:39","date_gmt":"2024-04-30T03:35:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1392043"},"modified":"2024-04-30T00:35:41","modified_gmt":"2024-04-30T03:35:41","slug":"informativo-stf-ed-extra-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stf-ed-extra-1\/","title":{"rendered":"Informativo STF Ed. Extra 1"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje fazer a an\u00e1lise extra das decis\u00f5es do STF do primeiro trimestre de 2024. Informativo Ed. Extra n. 1. tudo \u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/30003257\/stf-extra-1-2024.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_cM0IlBDESU4\"><div id=\"lyte_cM0IlBDESU4\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/cM0IlBDESU4\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/cM0IlBDESU4\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/cM0IlBDESU4\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a><\/a><a>DIREITO <\/a>TRIBUT\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-execucao-fiscal-de-debitos-de-baixo-valor-extincao-judicial-pela-ausencia-de-interesse-de-agir\"><a><\/a><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Execu\u00e7\u00e3o fiscal de d\u00e9bitos de baixo valor: extin\u00e7\u00e3o judicial pela aus\u00eancia de interesse de agir<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. \u00c9 leg\u00edtima a extin\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal de baixo valor pela aus\u00eancia de interesse de agir tendo em vista o princ\u00edpio constitucional da efici\u00eancia administrativa, respeitada a compet\u00eancia constitucional de cada ente federado. 2. O ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal depender\u00e1 da pr\u00e9via ado\u00e7\u00e3o das seguintes provid\u00eancias: a) tentativa de concilia\u00e7\u00e3o ou ado\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o administrativa; e b) protesto do t\u00edtulo, salvo por motivo de efici\u00eancia administrativa, comprovando-se a inadequa\u00e7\u00e3o da medida. 3. O tr\u00e2mite de a\u00e7\u00f5es de execu\u00e7\u00e3o fiscal n\u00e3o impede os entes federados de pedirem a suspens\u00e3o do processo para a ado\u00e7\u00e3o das medidas previstas no item 2, devendo, nesse caso, o juiz ser comunicado do prazo para as provid\u00eancias cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.355.208\/SC, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento finalizado em 19.12.2023 (Info 1121)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Munic\u00edpio de Pomerode (SC) questiona por meio de RE a decis\u00e3o da Justi\u00e7a estadual que n\u00e3o aplicou a tese do STF e extinguiu a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal ajuizada por ele contra uma empresa de servi\u00e7os el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o levou em conta o baixo valor da d\u00edvida, a onerosidade da a\u00e7\u00e3o judicial e a evolu\u00e7\u00e3o legislativa da mat\u00e9ria. De acordo com o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Santa Catarina (TJ-SC), na \u00e9poca da formula\u00e7\u00e3o da tese pelo STF, a Fazenda P\u00fablica n\u00e3o dispunha de outros meios legais al\u00e9m do ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal para for\u00e7ar o pagamento da d\u00edvida. No entanto, a Lei 12.767\/\u200b2012 passou a autorizar a Uni\u00e3o, os estados, o Distrito Federal, os munic\u00edpios e as respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas a efetuar o protesto das certid\u00f5es de d\u00edvida ativa para satisfa\u00e7\u00e3o de seus cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>No STF, o munic\u00edpio argumenta que, em se tratando de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, a Fazenda P\u00fablica tem o poder-dever de cobr\u00e1-lo, independentemente do seu valor, e que a aferi\u00e7\u00e3o do interesse processual, no caso, \u00e9 mat\u00e9ria sujeita \u00e0 reserva legal e n\u00e3o deve ser apreciada pelo Poder Judici\u00e1rio. Tamb\u00e9m sustenta que a execu\u00e7\u00e3o dos m\u00faltiplos d\u00e9bitos, ainda que de pequeno valor, tem car\u00e1ter educativo, pois impede que os contribuintes persistam na inadimpl\u00eancia e inibe que outros contribuintes incorram na mesma infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o munic\u00edpio, antes do ajuizamento das demandas, h\u00e1 a tentativa de cobran\u00e7a administrativa, mediante envio de notifica\u00e7\u00e3o, e, em diversos casos, o encaminhamento de t\u00edtulos a protesto. No entanto, muitas vezes essas tentativas n\u00e3o tiveram efetividade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\">1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n\u00ba 12.767\/2012: \u201cArt. 25. A Lei n\u00ba 9.492, de 10 de setembro de 1997, passa a vigorar com as seguintes altera\u00e7\u00f5es: \u2018Art. 1\u00ba(&#8230;) Par\u00e1grafo \u00fanico. Incluem-se entre os t\u00edtulos sujeitos a protesto as certid\u00f5es de d\u00edvida ativa da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal, dos Munic\u00edpios e das respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.\u2019 (&#8230;) \u2018Art. 21. (&#8230;) \u00a7 5\u00ba N\u00e3o se poder\u00e1 tirar protesto por falta de pagamento de letra de c\u00e2mbio contra o sacado n\u00e3o aceitante.\u2019<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-extincao-da-execucao-fiscal-em-razao-do-baixo-valor\">1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o fiscal em raz\u00e3o do baixo valor?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Poder Judici\u00e1rio<strong>\u2014 \u00e0 luz da efici\u00eancia administrativa e respeitada a compet\u00eancia constitucional de cada ente federado \u2014 <\/strong>pode extinguir a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal cujo valor seja baixo, quando verificar a falta de interesse de agir, caracterizada pelo n\u00e3o exaurimento de medidas extrajudiciais e administrativas mais eficientes e menos onerosas capazes de viabilizar a cobran\u00e7a da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>A altera\u00e7\u00e3o legislativa trazida pelo art. 25 da Lei n\u00ba 12.767\/2012 permitiu o protesto das certid\u00f5es de d\u00edvida ativa&nbsp;da Uni\u00e3o, dos estados, do Distrito Federal, dos munic\u00edpios e das respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Essa \u00e9 uma forma de solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o judicial mais eficiente nos casos em que n\u00e3o haja demonstra\u00e7\u00e3o da viabilidade da cobran\u00e7a e principalmente de propor\u00e7\u00e3o e razoabilidade pela cobran\u00e7a judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ao cotejar o interesse de agir, o princ\u00edpio da efici\u00eancia administrativa e o baixo valor pretendido pela execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel onerar o Poder Judici\u00e1rio com o prosseguimento de demandas cujos objetivos podem ser obtidos por meios extrajudiciais de cobran\u00e7a, notadamente pela despropor\u00e7\u00e3o dos custos necess\u00e1rios ao prosseguimento de uma a\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ente p\u00fablico, na tentativa de recuperar o cr\u00e9dito controvertido, deve ponderar o \u00f4nus de provocar o Poder Judici\u00e1rio, uma vez que a medida enseja consequ\u00eancias n\u00e3o apenas para o contribuinte, mas para a pr\u00f3pria agilidade e efici\u00eancia da Justi\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o Tema 1.184 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e, por unanimidade, fixou a tese supracitada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a><\/a><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-transporte-alternativo-rodoviario-intermunicipal-de-passageiros-inviabilidade-de-prorrogacao-automatica-de-contrato-de-permissao\"><a><\/a><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Transporte alternativo rodovi\u00e1rio intermunicipal de passageiros: inviabilidade de prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de contrato de permiss\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional \u2014 por violar o art. 175, caput, da CF\/1988 \u2014 lei estadual que, em caso de n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de nova licita\u00e7\u00e3o, prorroga automaticamente contratos de permiss\u00e3o de transporte rodovi\u00e1rio alternativo intermunicipal de passageiros e restaura a vig\u00eancia de permiss\u00f5es vencidas.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.241\/PI, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 23.02.2024 (Info 1125 STF)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresa de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) ajuizou ADI 7241 contra norma do Piau\u00ed que prorroga, por 10 anos, as permiss\u00f5es para o servi\u00e7o de transporte alternativo intermunicipal de passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a associa\u00e7\u00e3o, o Estado do Piau\u00ed realizou, em 1999, procedimento licitat\u00f3rio para o transporte alternativo, com validade de cinco anos. Quando esse per\u00edodo estava a se encerrar, a Lei estadual 5.860\/2009 regulamentou o sistema de transporte intermunicipal e prorrogou os contratos vigentes at\u00e9 a homologa\u00e7\u00e3o da nova licita\u00e7\u00e3o, que aconteceria em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o \u00e9 que a\u00ed vem a Lei estadual 7.844\/2022, altera a norma anterior e estende automaticamente a validade das permiss\u00f5es decorrentes da concorr\u00eancia p\u00fablica anterior por mais 10 anos. A Abrati sustenta que a atual licita\u00e7\u00e3o j\u00e1 coexiste com antigos contratos de concess\u00f5es, os quais j\u00e1 deveriam ter sido extintos h\u00e1 tempos&#8230; Logo, est\u00e1 havendo perpetua\u00e7\u00e3o dessas concess\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201cArt. 175. Incumbe ao Poder P\u00fablico, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concess\u00e3o ou permiss\u00e3o, sempre atrav\u00e9s de licita\u00e7\u00e3o, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos. Par\u00e1grafo \u00fanico. A lei dispor\u00e1 sobre: I &#8211; o regime das empresas concession\u00e1rias e permission\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos, o car\u00e1ter especial de seu contrato e de sua prorroga\u00e7\u00e3o, bem como as condi\u00e7\u00f5es de caducidade, fiscaliza\u00e7\u00e3o e rescis\u00e3o da concess\u00e3o ou permiss\u00e3o; II &#8211; os direitos dos usu\u00e1rios; III &#8211; pol\u00edtica tarif\u00e1ria; IV &#8211; a obriga\u00e7\u00e3o de manter servi\u00e7o adequado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-valida-a-prorrogacao-automatica\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00e1lida a prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Obviamente que N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme jurisprud\u00eancia do STF, \u00e9 imprescind\u00edvel a exist\u00eancia de pr\u00e9via licita\u00e7\u00e3o para a concess\u00e3o ou permiss\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de transporte coletivo de passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <strong>o fato de a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica ter procedido \u00e0 licita\u00e7\u00e3o anterior para a escolha desses permission\u00e1rios n\u00e3o legitima renova\u00e7\u00f5es posteriores das respectivas permiss\u00f5es sem a realiza\u00e7\u00e3o de novo procedimento licitat\u00f3rio, pois este \u00e9 OBRIGAT\u00d3RIO<\/strong>. Assim, uma vez finalizado o per\u00edodo em que o permission\u00e1rio p\u00f4de explorar o servi\u00e7o, \u00e9 INVI\u00c1VEL a sua renova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica sem pr\u00e9via licita\u00e7\u00e3o, ainda que ela decorra de lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade da&nbsp;<a><\/a>Lei n\u00ba 7.844\/2022 do Estado do Piau\u00ed&nbsp;(3)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-acesso-a-educacao-aos-dependentes-em-idade-escolar-de-diplomatas\"><a><\/a><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o aos dependentes, em idade escolar, de diplomatas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>ARGUI\u00c7\u00c3O DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o configura omiss\u00e3o inconstitucional do Poder P\u00fablico a aus\u00eancia de norma espec\u00edfica que garanta assist\u00eancia indireta e pecuni\u00e1ria aos servidores da carreira diplom\u00e1tica, a fim de assegurar amplo acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de seus dependentes em idade escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>ADPF 1.073\/DF, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento virtual finalizado em 23.02.2024 (Info 1125 STF)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Diplomatas Brasileiros ajuizou a ADPF 1073 para que a Uni\u00e3o assegurasse o pagamento de verba para custeio de escolas para dependentes de diplomatas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outros pontos, a associa\u00e7\u00e3o alegava que a carreira tem peculiaridades relacionadas \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o de seus servidores, que devem passar longos per\u00edodos no exterior, com sucessivas mudan\u00e7as entre postos diplom\u00e1ticos. Sustentava que cada pa\u00eds adota uma metodologia pr\u00f3pria de ensino, o que &#8220;resulta em graves e reiteradas rupturas do processo de aprendizado&#8221;. Assim, a matr\u00edcula em escolas internacionais resolveria o problema, j\u00e1 que t\u00eam padr\u00e3o metodol\u00f3gico direcionado \u00e0 transnacionalidade, embora com custo substancialmente superior. Por isso, alegou que haveria omiss\u00e3o estatal em auxiliar o custeio da educa\u00e7\u00e3o dos dependentes em idade escolar de servidores da carreira.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n\u00ba 5.809\/1972: \u201cArt 8\u00ba A retribui\u00e7\u00e3o no exterior \u00e9 constitu\u00edda de: I &#8211; Retribui\u00e7\u00e3o B\u00e1sica: Vencimento ou Sal\u00e1rio, no Exterior, para o servidor civil, e Soldo no Exterior, para o militar; Il &#8211; Gratifica\u00e7\u00e3o: Gratifica\u00e7\u00e3o no Exterior por Tempo de Servi\u00e7o; III &#8211; Indeniza\u00e7\u00f5es: a) Indeniza\u00e7\u00e3o de Representa\u00e7\u00e3o no Exterior; b) Aux\u00edlio-Familiar; c) Ajuda de Custo de Exterior; d) Di\u00e1rias no Exterior; e e) Aux\u00edlio-Funeral no Exterior. f) Aux\u00edlio-Moradia no Exterior; (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.328, de 2016) IV &#8211; d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio com base na retribui\u00e7\u00e3o integral; (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 7.795, de 1989) V &#8211; acr\u00e9scimo de 1\/3 (um ter\u00e7o) da retribui\u00e7\u00e3o na remunera\u00e7\u00e3o do m\u00eas em que gozar f\u00e9rias.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;(Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 7.795, de 1989) Par\u00e1grafo \u00fanico. Aplica-se no caso dos incisos IV e V a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, no Brasil, para o pagamento daqueles valores. (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 7.795, de 1989) (&#8230;) Art 20. Aux\u00edlio-Familiar \u00e9 o quantitativo mensal devido ao servidor, em servi\u00e7o no exterior, a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o para atender, em parte, \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o e \u00e0s despesas de educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia, no exterior, a seus dependentes. Art 21. O aux\u00edlio-familiar \u00e9 calculado em fun\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o no exterior recebida pelo servidor \u00e0 raz\u00e3o de: I &#8211; 10% (dez por cento) de seu valor, para a esposa; II &#8211; 5% (cinco por cento) de seu valor, para cada um dos seguintes dependentes: a) filho, menor de 21 (vinte e um) anos ou estudante menor de 24 (vinte e quatro) anos que n\u00e3o receba remunera\u00e7\u00e3o ou inv\u00e1lido ou interdito; b) filha solteira, que n\u00e3o receba remunera\u00e7\u00e3o; c) m\u00e3e vi\u00fava, que n\u00e3o receba remunera\u00e7\u00e3o; d) enteados, adotivos, tutelados e curatelados, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es das letras anteriores; e e) a mulher solteira, desquitada ou vi\u00fava, que viva, no m\u00ednimo h\u00e1 cinco anos, sob a depend\u00eancia econ\u00f4mica do servidor solteiro, desquitado ou vi\u00favo, e enquanto persistir o impedimento legal de qualquer das partes para se casar. \u00a7 1\u00ba O aux\u00edlio-familiar ser\u00e1 acrescido de um quantitativo igual a 1\/30 (um trinta avos) do maior valor de indeniza\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o no exterior atribu\u00eddo a Chefe de Miss\u00e3o Diplom\u00e1tica quando o servidor tiver de educar, fora do pa\u00eds onde estiver em servi\u00e7o, os dependentes referidos nas letras a, b e d do item II.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201cArt. 6\u00ba S\u00e3o direitos sociais a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a alimenta\u00e7\u00e3o, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a seguran\u00e7a, a previd\u00eancia social, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e \u00e0 inf\u00e2ncia, a assist\u00eancia aos desamparados, na forma desta Constitui\u00e7\u00e3o. Par\u00e1grafo \u00fanico. Todo brasileiro em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social ter\u00e1 direito a uma renda b\u00e1sica familiar, garantida pelo poder p\u00fablico em programa permanente de transfer\u00eancia de renda, cujas normas e requisitos de acesso ser\u00e3o determinados em lei, observada a legisla\u00e7\u00e3o fiscal e or\u00e7ament\u00e1ria. (&#8230;) Art. 205. A educa\u00e7\u00e3o, direito de todos e dever do Estado e da fam\u00edlia, ser\u00e1 promovida e incentivada com a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exerc\u00edcio da cidadania e sua qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho. (&#8230;) Art. 208. O dever do Estado com a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 efetivado mediante a garantia de: I &#8211; educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica obrigat\u00f3ria e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela n\u00e3o tiveram acesso na idade pr\u00f3pria; II &#8211; progressiva universaliza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio gratuito;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-verifica-se-omissao-inconstitucional-do-poder-publico\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verifica-se omiss\u00e3o inconstitucional do poder p\u00fablico?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopssss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ordenamento jur\u00eddico vigente j\u00e1 contempla o pagamento do \u201caux\u00edlio-familiar\u201d com a finalidade indenizat\u00f3ria de arcar com as despesas referentes \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia aos dependentes do servidor do Corpo Diplom\u00e1tico<\/strong> quando em exerc\u00edcio no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, inexiste, nas normas constitucionais alegadas como par\u00e2metro para a suposta omiss\u00e3o (CF\/1988, arts. 6\u00ba, 205 e 208, I e II), obriga\u00e7\u00e3o estatal de instituir vantagem pecuni\u00e1ria para custear o acesso particular \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para os dependentes dos servidores integrantes da carreira de diplomata.<\/p>\n\n\n\n<p>A concess\u00e3o de qualquer benef\u00edcio remunerat\u00f3rio a servidores p\u00fablicos, assim como o aux\u00edlio financeiro ora pleiteado, demanda a modifica\u00e7\u00e3o do texto legislativo vigente mediante edi\u00e7\u00e3o de LEI ESPEC\u00cdFICA, cuja compet\u00eancia \u00e9 do Poder Legislativo (CF\/1988, art. 37, X). Dessa forma, <strong>n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio, que n\u00e3o tem fun\u00e7\u00e3o legislativa, aumentar vencimentos de servidores p\u00fablicos sob o fundamento de isonomia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><a>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-autarquias-e-fundacoes-estaduais-criacao-de-cargos-de-advogado-ou-de-procurador-para-atuar-na-defesa-tecnica-de-seus-interesses\"><a><\/a><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Autarquias e funda\u00e7\u00f5es estaduais: cria\u00e7\u00e3o de cargos de advogado ou de procurador para atuar na defesa t\u00e9cnica de seus interesses<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o inconstitucionais \u2014 por ofensa ao princ\u00edpio da unicidade org\u00e2nica da advocacia p\u00fablica estadual (CF\/1988, art. 132, caput) \u2014 normas locais que preveem cargos e carreiras de advogado ou de procurador para viabilizar a cria\u00e7\u00e3o ou a manuten\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os de assessoramento jur\u00eddico no \u00e2mbito de autarquias e funda\u00e7\u00f5es estaduais. Esse entendimento n\u00e3o se aplica, dentre outros casos, na hip\u00f3tese de institui\u00e7\u00e3o de procuradorias em universidades estaduais e de manuten\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de consultoria jur\u00eddica j\u00e1 existentes na data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 (ADCT, art. 69).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.218\/PB, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 08.03.2024 (Info 1027)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape) ajuizou as ADIs 7216, 7217 e 7218 no STF contra dispositivos de 18 leis da Para\u00edba que regulam a cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de procuradorias jur\u00eddicas (cargos de advogados e procuradores) em autarquias e funda\u00e7\u00f5es estaduais, entre elas a Ag\u00eancia Estadual de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Agevisa), a Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB), o Departamento Estadual de Tr\u00e2nsito (Detran-PB) e a Para\u00edba Previd\u00eancia (PBPrev).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a entidade, as regras violam o artigo 132 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, segundo o qual cabe aos procuradores dos estados e do Distrito Federal exercer a representa\u00e7\u00e3o judicial e a consultoria jur\u00eddica das unidades federadas. Como consequ\u00eancia, aponta viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio constitucional da unicidade da Procuradoria-Geral do estado, segundo o qual o desempenho daquelas atividades deve ser centralizado no \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201c<a><\/a>Art. 132. Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, na qual o ingresso depender\u00e1 de concurso p\u00fablico de provas e t\u00edtulos, com a participa\u00e7\u00e3o da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases, exercer\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o judicial e a consultoria jur\u00eddica das respectivas unidades federadas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-as-normas-encontram-amparo-na-cf\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; As normas encontram amparo na CF?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> <\/strong><strong>N\u00e3o, a rigor, mas cada caso \u00e9 um caso!!!!<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a jurisprud\u00eancia do STF, <strong>o exerc\u00edcio das atividades de representa\u00e7\u00e3o judicial e de consultoria jur\u00eddica no \u00e2mbito dos estados e do Distrito Federal \u00e9 de compet\u00eancia exclusiva dos Procuradores do Estado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Por outro lado, o Tribunal reconhece, de modo restritivo, algumas exce\u00e7\u00f5es \u00e0 mencionada regra: (i)&nbsp;<a>institui\u00e7\u00e3o de procuradorias em universidades estaduais&nbsp;<\/a>em raz\u00e3o do princ\u00edpio da autonomia universit\u00e1ria (CF\/1988, art. 207); (ii) manuten\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de consultoria jur\u00eddica j\u00e1 existentes na data da promulga\u00e7\u00e3o da CF\/1988 (2); (iii) cria\u00e7\u00e3o de procuradorias vinculadas ao Poder Legislativo e ao Tribunal de Contas, para a defesa de sua autonomia e independ\u00eancia perante os demais Poderes; e (iv) concess\u00e3o de mandato&nbsp;<em>ad judicia<\/em>&nbsp;a advogados para causas especiais.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para (i) declarar a constitucionalidade do art. 6\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, II, da&nbsp;<a><\/a>Lei n\u00ba 8.442\/2007 do Estado da Para\u00edba; (ii) declarar a inconstitucionalidade do art. 39 da&nbsp;Lei n\u00ba 8.660\/2008 do Estado da Para\u00edba, por conferir ao \u00f3rg\u00e3o jur\u00eddico do DETRAN\/PB atividades t\u00edpicas de representa\u00e7\u00e3o judicial e extrajudicial desse ente, em desacordo com o art. 132 da&nbsp;CF\/1988, bem como dar interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao disposto no art. 4\u00ba, V, \u201ca\u201d, e no art. 20, ambos da&nbsp;Lei n\u00ba 8.660\/2008 do Estado da Para\u00edba, para explicitar que as atribui\u00e7\u00f5es dos advogados pertencentes a seus quadros est\u00e3o adstritas \u00e0s atividades t\u00edpicas de consultoria, como s\u00e3o as enumeradas no art. 15, III a VII, do Decreto n\u00ba 7.960\/1979 do Estado da Para\u00edba; (iii) declarar a inconstitucionalidade (a) das express\u00f5es \u201c<em>Advogado<\/em>\u201d e \u201c<em>06<\/em>\u201d do anexo II e a integralidade do anexo V da&nbsp;<a><\/a>Lei n\u00ba 5.265\/1990 do Estado da Para\u00edba; (b) da express\u00e3o ATNS-1801 Advogado do anexo \u00fanico da&nbsp;Lei n\u00ba 5.306\/1990 do Estado da Para\u00edba; (c) do art. 4\u00ba, inciso II, \u201cb\u201d; da express\u00e3o \u201c<em>Advogado<\/em>\u201d, constante do art. 8\u00ba, I, \u201cb\u201d; do art. 23, II, todos da&nbsp;<a><\/a>Lei n\u00ba 8.437\/2007 do Estado da Para\u00edba, assim como das express\u00f5es \u201c<em>Advogado I<\/em>\u201d, \u201c<em>Advogado II<\/em>\u201d, \u201c<em>Advogado III<\/em>\u201d, \u201c<em>Advogado<\/em>\u201d, \u201c<em>N\u00edvel<\/em>&nbsp;<em>Superior<\/em>\u201d e \u201c<em>04<\/em>\u201d, contidas no Anexo I do referido diploma; (d) do art. 4\u00ba, I, \u201ca\u201d, e do art. 24, I, ambos da&nbsp;Lei n\u00ba 8.642\/2008 do Estado da Para\u00edba, bem como das express\u00f5es \u201c<em>GANS-JUCEP-101<\/em>\u201d, \u201c<em>Advogado<\/em>\u201d e \u201c<em>02<\/em>\u201d, constantes do Anexo I dessa mesma le; e (e) do art. 4\u00ba, I, \u201cb\u201d, e do art. 21, II, ambos da&nbsp;Lei n\u00ba 8.699\/2008 do Estado da Para\u00edba&nbsp;e, ainda, das express\u00f5es \u201c<em>Advogado<\/em>\u201d e \u201c<em>04<\/em>\u201d, contidas no seu Anexo I, por criarem ou manterem \u00f3rg\u00e3os de assessoramento jur\u00eddico no \u00e2mbito das respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio de atividades t\u00edpicas de representa\u00e7\u00e3o judicial e de consultoria jur\u00eddica, paralelamente \u00e0 Procuradoria-Geral do Estado da Para\u00edba, providos por servidores comissionados ou por servidores efetivos, aprovados em concursos espec\u00edficos, diversos dos de procurador de estado, em desacordo com o art. 132 da&nbsp;CF\/1988.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Por fim, o Tribunal conferiu efeitos prospectivos \u00e0 decis\u00e3o, de modo que s\u00f3 passe a produzi-los a partir de 24 meses, contados da data da publica\u00e7\u00e3o da ata de julgamento, ressalvados dos efeitos da declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade todos os atos praticados pelos advogados (e\/ou procuradores) das respectivas autarquias e funda\u00e7\u00f5es estaduais at\u00e9 o advento do termo ora assinado, a partir de quando (i) devem ser considerados em extin\u00e7\u00e3o os cargos e as carreiras de advogado dessas autarquias e funda\u00e7\u00f5es; (ii) seus atuais ocupantes ficar\u00e3o impedidos de exercer as fun\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o judicial; e (iii) viabilizar-se-\u00e1 que tais servidores exer\u00e7am, excepcionalmente, atribui\u00e7\u00f5es de consultoria jur\u00eddica, desde que sob supervis\u00e3o t\u00e9cnica do Procurador-Geral do Estado da Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-licenca-maternidade-a-mulher-nao-gestante-em-uniao-estavel-homoafetiva\"><a><\/a><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Licen\u00e7a-maternidade \u00e0 mulher n\u00e3o gestante em uni\u00e3o est\u00e1vel homoafetiva<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00e3e servidora ou trabalhadora n\u00e3o gestante em uni\u00e3o homoafetiva tem direito ao gozo de licen\u00e7a-maternidade. Caso a companheira tenha utilizado o benef\u00edcio, far\u00e1 jus \u00e0 licen\u00e7a pelo per\u00edodo equivalente ao da licen\u00e7a-paternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.211.446\/SP, relator Ministro Luiz Fux, julgamento finalizado em 13.03.2024 (Info 1128)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina e Creide, casal em uni\u00e3o homoafetiva, optaram pela gravidez gestada por Crementina mediante procedimento de insemina\u00e7\u00e3o artificial em que o \u00f3vulo da servidora p\u00fablica Creide foi fecundado e implantado em sua companheira. Ap\u00f3s o parto, Creide requereu licen\u00e7a-maternidade de 180 dias prevista na legisla\u00e7\u00e3o local, mas teve o pedido negado sob o entendimento de que a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza a concess\u00e3o na hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, ela acionou a Justi\u00e7a alegando, entre outros pontos, que a crian\u00e7a integra uma fam\u00edlia composta por duas m\u00e3es e, na impossibilidade de a m\u00e3e que gestou o beb\u00ea ficar em casa, pois \u00e9 aut\u00f4noma e precisa trabalhar, a segunda tem direito \u00e0 garantia constitucional da licen\u00e7a-maternidade. O pedido foi julgado procedente pelo ju\u00edzo de primeiro grau, e a senten\u00e7a foi mantida pela Turma Recursal do Juizado Especial da Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio recorreu ao STF com o argumento de que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal que autorize o afastamento remunerado a t\u00edtulo de licen\u00e7a-maternidade para a situa\u00e7\u00e3o tratada nos autos, e que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 vinculada ao princ\u00edpio da legalidade, previsto no artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-faz-jus-a-licenca-maternidade\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Faz jus \u00e0 licen\u00e7a maternidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de gravidez em uni\u00e3o homoafetiva, a m\u00e3e servidora p\u00fablica ou trabalhadora do setor privado n\u00e3o gestante faz jus \u00e0 licen\u00e7a-maternidade ou, quando a sua companheira j\u00e1 tenha utilizado o benef\u00edcio, a prazo an\u00e1logo ao da licen\u00e7a-paternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STF, atenta aos princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana, da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como \u00e0 doutrina da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente, <strong>adotou interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o reducionista do conceito de fam\u00edlia, incorporando uma concep\u00e7\u00e3o plural, baseada em v\u00ednculos afetivos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, o Estado tem o dever de assegurar especial prote\u00e7\u00e3o ao v\u00ednculo maternal, independentemente da origem da filia\u00e7\u00e3o ou da configura\u00e7\u00e3o familiar. A licen\u00e7a-maternidade \u00e9 um benef\u00edcio previdenci\u00e1rio destinado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da maternidade e da inf\u00e2ncia, motivo pelo qual deve ser garantido \u00e0 m\u00e3e n\u00e3o gestante, sob pena de ofensa ao princ\u00edpio constitucional da isonomia em rela\u00e7\u00e3o aos pais em situa\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o, bem como ao melhor interesse do menor (CF\/1988, arts. 6\u00ba; 7\u00ba, XVIII e par\u00e1grafo \u00fanico; 37, caput; 39, \u00a7 3\u00ba; e 201, II).<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, a gravidez do casal homoafetivo decorreu de procedimento de insemina\u00e7\u00e3o artificial heter\u00f3loga com a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3vulos da servidora p\u00fablica e a gesta\u00e7\u00e3o de sua companheira, aut\u00f4noma, sem v\u00ednculo com a previd\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.072 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e fixou, por maioria, a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a><\/a><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-obrigacoes-de-pequeno-valor-em-ambito-estadual-fixacao-de-novos-limites-para-pagamento-pela-fazenda-publica-independentemente-de-precatorio\"><a><\/a><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obriga\u00e7\u00f5es de pequeno valor em \u00e2mbito estadual: fixa\u00e7\u00e3o de novos limites para pagamento, pela Fazenda P\u00fablica, independentemente de precat\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete a cada ente federativo, segundo sua capacidade econ\u00f4mica, fixar o valor-teto das obriga\u00e7\u00f5es de pequeno valor decorrentes de senten\u00e7as judiciais para pagamento independentemente de precat\u00f3rios, desde que o valor m\u00ednimo corresponda ao montante do maior benef\u00edcio do Regime Geral de Previd\u00eancia Social (CF\/1988, art. 100, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba; e ADCT, art. 87). Contudo, lhes \u00e9 vedado ampliar a dispensa de precat\u00f3rios para hip\u00f3teses n\u00e3o previstas no texto constitucional, sob pena de ofensa ao princ\u00edpio da isonomia, uma vez consideradas as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o abarcadas pelo privil\u00e9gio (CF\/1988, art. 5\u00ba, caput).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 5.706\/RN, relator Ministro Luiz Fux, julgamento virtual finalizado em 23.02.2024 (Info 1125 STF)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O governador do estado do Rio Grande do Norte ajuizou a ADI 5706 por meio da qual questiona norma&nbsp;estadual que amplia os limites para pagamento de d\u00edvidas pela Fazenda P\u00fablica estadual, por meio de Requisi\u00e7\u00e3o de Pequeno Valor (RPV).<\/p>\n\n\n\n<p>A lei estadual prev\u00ea o pagamento, por meio de RPV, de valores de at\u00e9 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos em a\u00e7\u00f5es contra a Fazenda P\u00fablica. Mas os incisos I e II do artigo 1\u00ba abrem exce\u00e7\u00f5es para determinar o pagamento de at\u00e9 60 sal\u00e1rios m\u00ednimos para pessoas com mais de 60 anos ou portadores de doen\u00e7a grave, e nos respectivos valores nominais quando egressos de juizados Especiais da Fazenda P\u00fablica e tenham natureza aliment\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o bastasse o m\u00e9rito, o governador ainda aponta que a Assembleia Legislativa derrubou o veto do Executivo e promulgou a lei estadual. S\u00f3 que Assembleia levou mais de dois anos para derrubar tal veto, o que ensejaria a uma rejei\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea ao veto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-ampliar-a-dispensa-de-precatorios\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel ampliar a dispensa de precat\u00f3rios?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>S\u00f3 se houver previs\u00e3o na CF!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de mat\u00e9ria de iniciativa legislativa CONCORRENTE, visto que o mero aumento de despesas para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o atrai a iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, a norma estadual impugnada elegeu uma determinada categoria de d\u00edvidas provenientes de condena\u00e7\u00f5es judiciais da Fazenda P\u00fablica local para pagamento sem observ\u00e2ncia ao regime de precat\u00f3rios, independentemente do valor do d\u00e9bito: \u201c<em>valores nominais quando egressos de Juizados Especiais da Fazenda P\u00fablica e tenham natureza aliment\u00edcia<\/em>\u201d. Ocorre que essa medida configura exce\u00e7\u00e3o n\u00e3o prevista no texto constitucional, o qual fixa balizas cujo atendimento \u00e9 estritamente necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, ainda que <strong>as causas que tramitam perante os Juizados Especiais da Fazenda P\u00fablica se submetam, inicialmente, ao limite de sessenta sal\u00e1rios m\u00ednimos (Lei n\u00ba 12.153\/2009), est\u00e3o sujeitas a eventuais multas, honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia e outros acr\u00e9scimos que podem, inevitavelmente, acarretar valores que superem o limite inicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade parcial do artigo 1\u00ba da&nbsp;Lei n\u00ba 10.166\/2017 do Estado do Rio Grande do Norte, na parte em que acrescentou o inciso II ao \u00a7 1\u00ba do artigo 1\u00ba da Lei estadual n\u00ba 8.428\/2003.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a><\/a><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pessoas-maiores-de-setenta-anos-regime-de-bens-aplicavel-no-casamento-e-na-uniao-estavel\"><a><\/a><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pessoas maiores de setenta anos: regime de bens aplic\u00e1vel no casamento e na uni\u00e3o est\u00e1vel<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos casamentos e uni\u00f5es est\u00e1veis envolvendo pessoa maior de 70 anos, o regime de separa\u00e7\u00e3o de bens previsto no artigo 1.641, II, do C\u00f3digo Civil, pode ser afastado por expressa manifesta\u00e7\u00e3o de vontade das partes mediante escritura p\u00fablica<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 1.309.642\/SP, relator Ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, julgamento finalizado em 01.02.2024 (Info 1122)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Joselito e Marcinha se apaixonaram. Amor \u00e0 primeira vista. S\u00f3 que Joselito j\u00e1 tinha mais de 70 anos quando essa linda uni\u00e3o se iniciou. Quando Joselito faleceu, a bagun\u00e7a familiar se estendeu ao invent\u00e1rio. O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia considerou aplic\u00e1vel o regime geral da comunh\u00e3o parcial de bens e reconheceu o direito de Marcinha de participar da sucess\u00e3o heredit\u00e1ria com os filhos de Joselito, aplicando tese fixada pelo Supremo de que \u00e9 inconstitucional a distin\u00e7\u00e3o de regimes sucess\u00f3rios entre c\u00f4njuges e companheiros (RE 646721).<\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado declarou ainda, no caso concreto, a inconstitucionalidade do artigo 1.641, inciso II, do C\u00f3digo Civil, que estabelece que o regime de separa\u00e7\u00e3o de bens deve ser aplicado aos casamentos e \u00e0s uni\u00f5es est\u00e1veis de maiores de 70 anos, sob o argumento de que a previs\u00e3o fere os princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana e da igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de S\u00e3o Paulo reformou a decis\u00e3o, aplicando \u00e0 uni\u00e3o est\u00e1vel o regime da separa\u00e7\u00e3o de bens, conforme o artigo 1.641. Para o TJ-SP, a inten\u00e7\u00e3o da lei \u00e9 proteger a pessoa idosa e seus herdeiros necess\u00e1rios de casamentos realizados por interesses econ\u00f4mico-patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>No STF, Marcinha pretende que seja reconhecida a inconstitucionalidade do dispositivo do C\u00f3digo Civil e aplicada \u00e0 sua uni\u00e3o est\u00e1vel o regime geral da comunh\u00e3o parcial de bens s.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2022: \u201cArt. 1.641. \u00c9 obrigat\u00f3rio o regime da separa\u00e7\u00e3o de bens no casamento: (&#8230;) II \u2013 da pessoa maior de 70 (setenta) anos; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.344, de 2010)\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201cArt. 3\u00ba Constituem objetivos fundamentais da Rep\u00fablica Federativa do Brasil: (&#8230;) IV &#8211; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, ra\u00e7a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-o-afastamento-do-regime-de-separacao-de-bens\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o afastamento do regime de separa\u00e7\u00e3o de bens?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A limita\u00e7\u00e3o imposta pelo C\u00f3digo Civil, caso seja interpretada de forma absoluta, como norma cogente, importa em viola\u00e7\u00e3o aos princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana e da igualdade<\/strong> (CF\/1988, arts. 1\u00ba, III, e 5\u00ba, caput). Isso porque a pessoa maior de 70 anos \u00e9 plenamente capaz para o exerc\u00edcio de todos os atos da vida civil e para a livre disposi\u00e7\u00e3o de seus bens. Portanto, a utiliza\u00e7\u00e3o exclusiva da idade como fator de desequipara\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ferir a autonomia da vontade, por ser desarrazoada, \u00e9 pr\u00e1tica vedada pelo art. 3\u00ba, IV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesse contexto, deve-se conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao referido artigo do C\u00f3digo Civil, a fim de que o seu sentido seja de norma dispositiva, e, desse modo, prevale\u00e7a apenas \u00e0 falta de conven\u00e7\u00e3o em sentido diverso pelas partes, em que ambas estejam de acordo. Assim, trata-se de regime legal facultativo, que pode ser afastado pela manifesta\u00e7\u00e3o de vontade dos envolvidos e cuja altera\u00e7\u00e3o, quando houver, produzir\u00e1 efeitos patrimoniais apenas para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, <strong>a possibilidade de escolha do regime de bens se estende \u00e0s uni\u00f5es est\u00e1veis, conforme jurisprud\u00eancia do STF.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, ao apreciar o Tema 1.236 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e fixou a tese anteriormente citada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a><\/a><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-provedores-de-internet-limites-da-requisicao-cautelar-de-dados\"><a><\/a><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Provedores de internet: limites da requisi\u00e7\u00e3o cautelar de dados<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o nulas as provas obtidas a partir de dados preservados em contas da internet (com o congelamento e a consequente perda da disponibilidade), mediante requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico, sem a pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial de quebra de sigilo e fora das hip\u00f3teses legais.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 222.141 AgR\/PR, relator Ministro Ricardo Lewandowski, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 06.02.2024 (Info 1123)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma investiga\u00e7\u00e3o criminal, o \u00f3rg\u00e3o ministerial, sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial, expediu of\u00edcios a provedores de internet para determinar a preserva\u00e7\u00e3o dos dados e IMEIs, informa\u00e7\u00f5es cadastrais, hist\u00f3rico de localiza\u00e7\u00e3o e pesquisas, conte\u00fado de&nbsp;<em>e-mails<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>iMessages\/hangouts<\/em>, fotos e nomes de contatos de pessoas investigadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No HC ao STF, a defesa da investigada Crementina alegava que a obten\u00e7\u00e3o das provas teria violado o direito \u00e0 intimidade e \u00e0 privacidade e que o conte\u00fado telem\u00e1tico junto aos provedores de internet teria sido congelado sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial. Para os advogados, essa medida extrapola os limites da legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o geral de dados pessoais, previstos no Marco Civil da Internet (Lei 12.965\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Anteriormente, o STJ havia negado o pedido de suspens\u00e3o do tr\u00e2mite da a\u00e7\u00e3o penal em curso na 12\u00aa Vara Criminal de Curitiba (PR) e a declara\u00e7\u00e3o de nulidade das provas obtidas. A decis\u00e3o se baseou na jurisprud\u00eancia do STF no sentido de que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal protege somente o sigilo das comunica\u00e7\u00f5es em fluxo (troca de dados e mensagens em tempo real), e que o das comunica\u00e7\u00f5es armazenadas, como dep\u00f3sito registral, \u00e9 tutelado pela previs\u00e3o constitucional do direito \u00e0 privacidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n\u00ba 12.965\/2014: \u201cArt. 5\u00ba&nbsp;Para os efeitos desta Lei, considera-se: (&#8230;) VI \u2013 registro de conex\u00e3o: o conjunto de informa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 data e hora de in\u00edcio e t\u00e9rmino de uma conex\u00e3o \u00e0 internet, sua dura\u00e7\u00e3o e o endere\u00e7o IP utilizado pelo terminal para o envio e recebimento de pacotes de dados; (&#8230;) VIII &#8211; registros de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet: o conjunto de informa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 data e hora de uso de uma determinada aplica\u00e7\u00e3o de internet a partir de um determinado endere\u00e7o IP. (&#8230;) Art. 10. A guarda e a disponibiliza\u00e7\u00e3o dos registros de conex\u00e3o e de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet de que trata esta Lei, bem como de dados pessoais e do conte\u00fado de comunica\u00e7\u00f5es privadas, devem atender \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das partes direta ou indiretamente envolvidas. \u00a7 1\u00ba O provedor respons\u00e1vel pela guarda somente ser\u00e1 obrigado a disponibilizar os registros mencionados no&nbsp;caput<strong>,&nbsp;<\/strong>de forma aut\u00f4noma ou associados a dados pessoais ou a outras informa\u00e7\u00f5es que possam contribuir para a identifica\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio ou do terminal, mediante ordem judicial, na forma do disposto na Se\u00e7\u00e3o IV deste Cap\u00edtulo, respeitado o disposto no art. 7\u00ba. \u00a7 2\u00ba O conte\u00fado das comunica\u00e7\u00f5es privadas somente poder\u00e1 ser disponibilizado mediante ordem judicial, nas hip\u00f3teses e na forma que a lei estabelecer, respeitado o disposto nos incisos II e III do art. 7\u00ba. \u00a7 3\u00ba O disposto no caput n\u00e3o impede o acesso aos dados cadastrais que informem qualifica\u00e7\u00e3o pessoal, filia\u00e7\u00e3o e endere\u00e7o, na forma da lei, pelas autoridades administrativas que detenham compet\u00eancia legal para a sua requisi\u00e7\u00e3o. \u00a7 4\u00ba As medidas e os procedimentos de seguran\u00e7a e de sigilo devem ser informados pelo respons\u00e1vel pela provis\u00e3o de servi\u00e7os de forma clara e atender a padr\u00f5es definidos em regulamento, respeitado seu direito de confidencialidade quanto a segredos empresariais. (&#8230;) Art. 13. Na provis\u00e3o de conex\u00e3o \u00e0 internet, cabe ao administrador de sistema aut\u00f4nomo respectivo o dever de manter os registros de conex\u00e3o, sob sigilo, em ambiente controlado e de seguran\u00e7a, pelo prazo de 1 (um) ano, nos termos do regulamento. \u00a7 1\u00ba A responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o dos registros de conex\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser transferida a terceiros. \u00a7 2\u00ba A autoridade policial ou administrativa ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 requerer cautelarmente que os registros de conex\u00e3o sejam guardados por prazo superior ao previsto no&nbsp;caput. \u00a7 3\u00ba Na hip\u00f3tese do \u00a7 2\u00ba, a autoridade requerente ter\u00e1 o prazo de 60 (sessenta) dias, contados a partir do requerimento, para ingressar com o pedido de autoriza\u00e7\u00e3o judicial de acesso aos registros previstos no&nbsp;caput. \u00a7 4\u00ba O provedor respons\u00e1vel pela guarda dos registros dever\u00e1 manter sigilo em rela\u00e7\u00e3o ao requerimento previsto no \u00a7 2\u00ba, que perder\u00e1 sua efic\u00e1cia caso o pedido de autoriza\u00e7\u00e3o judicial seja indeferido ou n\u00e3o tenha sido protocolado no prazo previsto no \u00a7 3\u00ba. \u00a7 5\u00ba Em qualquer hip\u00f3tese, a disponibiliza\u00e7\u00e3o ao requerente dos registros de que trata este artigo dever\u00e1 ser precedida de autoriza\u00e7\u00e3o judicial, conforme disposto na Se\u00e7\u00e3o IV deste Cap\u00edtulo. \u00a7 6\u00ba Na aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es pelo descumprimento ao disposto neste artigo, ser\u00e3o considerados a natureza e a gravidade da infra\u00e7\u00e3o, os danos dela resultantes, eventual vantagem auferida pelo infrator, as circunst\u00e2ncias agravantes, os antecedentes do infrator e a reincid\u00eancia.(&#8230;) Art. 15. O provedor de aplica\u00e7\u00f5es de internet constitu\u00eddo na forma de pessoa jur\u00eddica e que exer\u00e7a essa atividade de forma organizada, profissionalmente e com fins econ\u00f4micos dever\u00e1 manter os respectivos registros de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet, sob sigilo, em ambiente controlado e de seguran\u00e7a, pelo prazo de 6 (seis) meses, nos termos do regulamento. \u00a7 1\u00ba Ordem judicial poder\u00e1 obrigar, por tempo certo, os provedores de aplica\u00e7\u00f5es de internet que n\u00e3o est\u00e3o sujeitos ao disposto no&nbsp;caput&nbsp;a guardarem registros de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet, desde que se trate de registros relativos a fatos espec\u00edficos em per\u00edodo determinado. \u00a7 2\u00ba A autoridade policial ou administrativa ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e3o requerer cautelarmente a qualquer provedor de aplica\u00e7\u00f5es de internet que os registros de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet sejam guardados, inclusive por prazo superior ao previsto no&nbsp;caput,observado o disposto nos \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba do art. 13. \u00a7 3\u00ba Em qualquer hip\u00f3tese, a disponibiliza\u00e7\u00e3o ao requerente dos registros de que trata este artigo dever\u00e1 ser precedida de autoriza\u00e7\u00e3o judicial, conforme disposto na Se\u00e7\u00e3o IV deste Cap\u00edtulo. \u00a7 4\u00ba Na aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es pelo descumprimento ao disposto neste artigo, ser\u00e3o considerados a natureza e a gravidade da infra\u00e7\u00e3o, os danos dela resultantes, eventual vantagem auferida pelo infrator, as circunst\u00e2ncias agravantes, os antecedentes do infrator e a reincid\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-as-provas-sao-nulas\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; As provas s\u00e3o nulas?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Congelou, anulou!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u201cMarco Civil da Internet\u201d (Lei n\u00ba 12.965\/2014) exige, em regra, autoriza\u00e7\u00e3o judicial para disponibilizar dados pessoais, comunica\u00e7\u00f5es privadas ou informa\u00e7\u00f5es relativas a registro de conex\u00e3o e acesso, tendo em vista o direito \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da intimidade, da vida privada, da honra, da imagem e dos&nbsp;dados&nbsp;pessoais, inclusive nos meios digitais<\/strong>&nbsp;(CF\/1988, art. 5\u00ba, X e&nbsp;LXXIX).<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;pode requerer, entretanto, de forma cautelar, que apenas&nbsp;os registros de conex\u00e3o e de acesso a aplica\u00e7\u00f5es de internet sejam guardados antes da autoriza\u00e7\u00e3o judicial, por determinado per\u00edodo, desde que limitados ao conjunto de informa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 data e \u00e0 hora de uso de uma espec\u00edfica aplica\u00e7\u00e3o e a partir de um determinado endere\u00e7o IP.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, <a>o \u00f3rg\u00e3o ministerial, sem autoriza\u00e7\u00e3o judicial, expediu of\u00edcios a provedores de internet para determinar a preserva\u00e7\u00e3o dos dados e IMEIs, informa\u00e7\u00f5es cadastrais, hist\u00f3rico de localiza\u00e7\u00e3o e pesquisas, conte\u00fado de&nbsp;<em>e-mails<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>iMessages\/hangouts<\/em>, fotos e nomes de contatos de pessoas investigadas<\/a>. Assim, a subtra\u00e7\u00e3o do controle do cidad\u00e3o sobre suas informa\u00e7\u00f5es sem a devida observ\u00e2ncia das regras de organiza\u00e7\u00e3o e procedimento, al\u00e9m de afrontar a legisla\u00e7\u00e3o pertinente e alguns dos direitos e garantias fundamentais, ofende o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o informativa do indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, a Segunda Turma, por maioria,&nbsp;negou provimento aos agravos regimentais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-para-processar-e-julgar-crime-de-violacao-de-direito-autoral\"><a><\/a><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia para processar e julgar crime de viola\u00e7\u00e3o de direito autoral<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal processar e julgar o crime de viola\u00e7\u00e3o de direito autoral de car\u00e1ter transnacional<\/p>\n\n\n\n<p>RE 702.362\/RS, relator Ministro Luiz Fux, julgamento virtual finalizado em 18.12.2023 (Info 1121)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Jeremias foi preso quando trazia consigo diversos CDs falsificados que teriam sido adquiridos em Ciudad Del Este, no Paraguai. O juiz federal provocado pela den\u00fancia do MPF declinou da compet\u00eancia para a Justi\u00e7a estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao julgar recurso contra essa decis\u00e3o, o TRF-4 confirmou a aus\u00eancia de compet\u00eancia da Justi\u00e7a federal para julgar o delito, por entender que a reprodu\u00e7\u00e3o ilegal e CDs e DVDs implica ofensa apenas aos interesses particulares dos titulares dos direitos autorais, fundamentando-se em reiteradas decis\u00f5es do STJ, segundo as quais a compet\u00eancia para julgar tais casos \u00e9 da Justi\u00e7a estadual, pois n\u00e3o existiria les\u00e3o a interesses da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-a-quem-compete-julgar-quando-verificada-a-transnacionalidade-da-conduta\">9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete julgar quando verificada a transnacionalidade da conduta?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a FEDERAL!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A compet\u00eancia para processar e julgar o crime de viola\u00e7\u00e3o de direito autoral (CP\/1940, art. 184, \u00a7 2\u00ba) \u00e9 da Justi\u00e7a Federal quando verificada a transnacionalidade da a\u00e7\u00e3o criminosa(CF\/1988, art. 109, V).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A compet\u00eancia criminal da Justi\u00e7a Federal prevista no mencionado dispositivo constitucional se materializa pela presen\u00e7a concomitante da assun\u00e7\u00e3o de compromisso internacional de repress\u00e3o de a\u00e7\u00f5es delituosas envolvendo o bem jur\u00eddico<\/strong>, constante de tratados ou conven\u00e7\u00f5es internacionais, e transnacionalidade do delito, configurada quando h\u00e1 transposi\u00e7\u00e3o de fronteiras, consumada ou iniciada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a jurisprud\u00eancia do STF firmou-se no sentido da desnecessidade de o tratado ou da conven\u00e7\u00e3o definirem todos os elementos do crime, diante da sufici\u00eancia da previs\u00e3o de compromisso na repress\u00e3o de determinada conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, em face do compromisso internacional assumido pela Rep\u00fablica Federativa do Brasil em proteger os direitos autorais e as obras liter\u00e1rias e art\u00edsticas, a imputa\u00e7\u00e3o de fatos que se amoldam \u00e0 infra\u00e7\u00e3o penal de car\u00e1ter transnacional atrai a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal para o seu processo e julgamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\">9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o&nbsp;Tema 580 da repercuss\u00e3o geral, deu provimento ao recurso extraordin\u00e1rio, com a fixa\u00e7\u00e3o da tese supracitada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-eleitoral\"><a><\/a><a>DIREITO ELEITORAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-tse-e-o-enfrentamento-a-desinformacao-atentatoria-a-integridade-do-processo-eleitoral\"><a><\/a><a>10.&nbsp; TSE e o enfrentamento \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o atentat\u00f3ria \u00e0 integridade do processo eleitoral<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional resolu\u00e7\u00e3o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editada com a finalidade de coibir, no per\u00edodo de elei\u00e7\u00f5es, a propaga\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas atrav\u00e9s de m\u00eddias virtuais e da internet, tendo em vista que o direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o encontra limites na tutela do regime democr\u00e1tico e na garantia do pluralismo pol\u00edtico (CF\/1988, arts. 1\u00ba, V, e 17).<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.261\/DF, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 18.12.2023 (Info 1121)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O procurador-geral da Rep\u00fablica ajuizou a ADI 7261 contra dispositivos da Resolu\u00e7\u00e3o 23.714\/2022 do TSE. A famigerada norma estabelece que, ap\u00f3s decis\u00e3o colegiada que determine a retirada de conte\u00fado de desinforma\u00e7\u00e3o, a Presid\u00eancia do TSE poder\u00e1 determinar a extens\u00e3o dessa decis\u00e3o a conte\u00fados id\u00eanticos republicados. Tamb\u00e9m passa a ser proibido o pagamento de qualquer tipo de publicidade nas 48 horas anteriores e nas 24 horas posteriores \u00e0s elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma pro\u00edbe ainda a divulga\u00e7\u00e3o ou o compartilhamento de \u201cfatos inver\u00eddicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral, incluindo os processos de vota\u00e7\u00e3o, apura\u00e7\u00e3o e totaliza\u00e7\u00e3o de votos.\u201d Nesses casos, o TSE pode determinar \u00e0s plataformas digitais a remo\u00e7\u00e3o imediata (em at\u00e9 duas horas) do conte\u00fado, sob pena de multa de R$ 100 mil a R$ 150 mil por hora de descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\">10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n\u00ba 64\/1990: \u201cArt. 22. Qualquer partido pol\u00edtico, coliga\u00e7\u00e3o, candidato ou Minist\u00e9rio P\u00fablico Eleitoral poder\u00e1 representar \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral, diretamente ao Corregedor-Geral ou Regional, relatando fatos e indicando provas, ind\u00edcios e circunst\u00e2ncias e pedir abertura de investiga\u00e7\u00e3o judicial para apurar uso indevido, desvio ou abuso do poder econ\u00f4mico ou do poder de autoridade, ou utiliza\u00e7\u00e3o indevida de ve\u00edculos ou meios de comunica\u00e7\u00e3o social, em benef\u00edcio de candidato ou de partido pol\u00edtico, obedecido o seguinte rito: (Vide Lei n\u00ba 9.504, de 1997) I \u2013 o Corregedor, que ter\u00e1 as mesmas atribui\u00e7\u00f5es do Relator em processos judiciais, ao despachar a inicial, adotar\u00e1 as seguintes provid\u00eancias: (&#8230;) b) determinar\u00e1 que se suspenda o ato que deu motivo \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, quando for relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a inefici\u00eancia da medida, caso seja julgada procedente; c) indeferir\u00e1 desde logo a inicial, quando n\u00e3o for caso de representa\u00e7\u00e3o ou lhe faltar algum requisito desta lei complementar; (&#8230;) III \u2013 o interessado, quando for atendido ou ocorrer demora, poder\u00e1 levar o fato ao conhecimento do Tribunal Superior Eleitoral, a fim de que sejam tomadas as provid\u00eancias necess\u00e1rias;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-tudo-certo\">10.2.2. Tudo certo?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para o STF, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, inexiste usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito eleitoral, visto que o TSE, ao disciplinar a tem\u00e1tica da desinforma\u00e7\u00e3o, atuou no \u00e2mbito da sua compet\u00eancia normativa, por meio do leg\u00edtimo poder de pol\u00edcia incidente sobre a propaganda eleitoral, em reitera\u00e7\u00e3o a diversos precedentes jurisprudenciais e atos normativos pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m <strong>n\u00e3o h\u00e1 se falar em exerc\u00edcio de censura pr\u00e9via, pois a norma prev\u00ea que o controle judicial seja exercido apenas em momento posterior \u00e0 constata\u00e7\u00e3o do fato e restrito ao per\u00edodo eleitoral.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio da liberdade, no pleito eleitoral, deve servir \u00e0 normalidade e \u00e0 legitimidade das elei\u00e7\u00f5es contra a influ\u00eancia do poder econ\u00f4mico (CF\/1988, art. 14, \u00a7 9\u00ba), com o intuito de impedir qualquer restri\u00e7\u00e3o \u00e0 consciente e livre forma\u00e7\u00e3o da vontade do eleitor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\">10.2.3. Resultado final.<\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, confirmou a decis\u00e3o que indeferiu a medida cautelar pleiteada e julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a constitucionalidade dos arts. 2\u00ba, caput e \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba; 3\u00ba, caput; 4\u00ba; 5\u00ba; 6\u00ba e 8\u00ba, todos da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 23.714\/2022 do TSE.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-7e96d3bb-a2be-468f-a3fd-928651725d55\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/30003257\/stf-extra-1-2024.pdf\">stf-extra-1-2024<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/30003257\/stf-extra-1-2024.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-7e96d3bb-a2be-468f-a3fd-928651725d55\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje fazer a an\u00e1lise extra das decis\u00f5es do STF do primeiro trimestre de 2024. 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