{"id":1384689,"date":"2024-04-15T19:45:29","date_gmt":"2024-04-15T22:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1384689"},"modified":"2024-04-15T19:45:32","modified_gmt":"2024-04-15T22:45:32","slug":"informativo-stj-806-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-806-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 806 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p><p><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\">Mais um passo em nossa caminhada&#8230; Informativos n\u00ba 806 do STJ\u00a0<\/span><strong style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\" data-darkreader-inline-color=\"\">COMENTADO<\/strong><span data-darkreader-inline-color=\"\" style=\"font-size: revert;color: initial;, sans-serif;--darkreader-inline-color: initial\"> entra na parada. Simbora!<\/span><\/p><p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/15194513\/stj-informativo-806.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-suspensao-disciplinar-como-impeditivo-no-criterio-ter-boa-conduta\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suspens\u00e3o disciplinar como impeditivo no crit\u00e9rio \u201cter boa conduta\u201d<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A penalidade de suspens\u00e3o prevista no Estatuto dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos Civis do Estado de S\u00e3o Paulo, por si s\u00f3, n\u00e3o incompatibiliza o servidor estadual para nova investidura em cargos p\u00fablicos<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 72.573-SP, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 20\/2\/2024, DJe 23\/2\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide ocupava cargo efetivo no Poder Executivo do Estado de S\u00e3o Paulo. Eventualmente, respondeu um processo administrativo no qual foi aplicada a penalidade de suspens\u00e3o por cinco dias em raz\u00e3o de mau procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, Creide foi aprovada e nomeada para o cargo de escrevente do TJSP. Para sua surpresa, no entanto, teve sua posse negada em raz\u00e3o de supostamente n\u00e3o cumprir o requisito de \u201cter boa conduta\u201d, previsto no Estatuto dos Servidores Civis. A fundamenta\u00e7\u00e3o mencionou justamente a suspens\u00e3o sofrida por Creide enquanto ocupante do cargo no Executivo. Inconformada, impetrou Mandado de Seguran\u00e7a contra o ato que negou a posse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-justifica-a-negativa-de-posse\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Justifica a negativa de posse<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Calma l\u00e1! N\u00e3o \u00e9 para tanto!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso em an\u00e1lise, foi informado que a recorrente, nomeada para o cargo de Escrevente T\u00e9cnico Judici\u00e1rio, teve sua posse negada pela autoridade impetrada &#8220;por conflito com o interesse p\u00fablico, n\u00e3o estando satisfeito o art. 47, V, da Lei n. 10.261\/68, restando prejudicada sua nomea\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O apontado ato coator encampa as raz\u00f5es declinadas nos pareceres que o antecedem e invoca, como amparo legal, o previsto no art. 47, V, da Lei Estadual n. 10.261\/1968, norma que encerra a seguinte reda\u00e7\u00e3o: &#8220;<em>Artigo 47 &#8211; S\u00e3o requisitos para a posse em cargo p\u00fablico: [&#8230;] V &#8211; ter boa conduta<\/em>&#8220;. Assim, <strong>segundo a Administra\u00e7\u00e3o, o fato de a candidata ter sofrido a penalidade de suspens\u00e3o por mau comportamento, verificado entre 27 de abril e 2 de maio de 2019, seria, por si s\u00f3, suficiente para lhe infirmar, quatro anos depois, maio de 2023, o atendimento ao requisito legal da boa conduta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a exegese desse teor, limitada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o de um \u00fanico artigo de lei, sem mesmo considerar o sistema normativo em que se insere, pode conduzir, como se verifica na esp\u00e9cie, a entendimento err\u00f4neo no que concerne \u00e0 raz\u00e3o da lei. Da\u00ed que, como bem ressaltado na manifesta\u00e7\u00e3o do Parquet federal, &#8220;a conduta reprov\u00e1vel da ora recorrente, no exerc\u00edcio das atribui\u00e7\u00f5es de investigadora de pol\u00edcia, deve ser vista com cautela, a fim de se evitar arbitrariedades&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a prevalecer a compreens\u00e3o administrativa adotada no caso, a norma existente no art. 307,&nbsp;<em>caput<\/em>, par\u00e1grafo \u00fanico, do mencionado diploma estadual (Lei n. 10.261\/1968 &#8211; Estatuto dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos Civis do Estado de S\u00e3o Paulo) resultaria de imposs\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segundo o dispositivo, apenas as penalidades de demiss\u00e3o, ou de demiss\u00e3o a bem do servi\u00e7o, podem impedir, por maior ou menor prazo, a nova investidura em outro cargo<\/strong>. As demais penalidades, inclusive a suspens\u00e3o, s\u00e3o desconsideradas para quaisquer outros efeitos, salvo em caso de nova infra\u00e7\u00e3o pelo per\u00edodo de cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim e ao cabo, vislumbra-se que, \u00e0 luz da combinada exegese dos arts. 47 e 307 da Lei Estadual n. 10.261\/1968 (Estatuto dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos Civis do Estado de S\u00e3o Paulo), a pret\u00e9rita penalidade de suspens\u00e3o imposta \u00e0 candidata recorrente, em outro cargo p\u00fablico estadual que antes ocupava, por si s\u00f3, n\u00e3o a incompatibiliza para nova investidura em cargo diverso no \u00e2mbito de novo concurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Revela-se, pois, carente do necess\u00e1rio amparo legal a negativa de nomea\u00e7\u00e3o da candidata nas circunst\u00e2ncias vertidas no ato impetrado, justificando-se a reforma do aresto recorrido e a concess\u00e3o da ordem para determinar a posse da autora no cargo para o qual foi aprovada e, inclusive, chegou a ser nomeada num primeiro momento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A penalidade de suspens\u00e3o prevista no Estatuto dos Funcion\u00e1rios P\u00fablicos Civis do Estado de S\u00e3o Paulo, por si s\u00f3, n\u00e3o incompatibiliza o servidor estadual para nova investidura em cargos p\u00fablicos<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-des-necessidade-da-operadora-de-plano-privado-de-saude-odontologica-registrar-se-perante-o-conselho-regional-de-odontologia\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade da operadora de plano privado de sa\u00fade odontol\u00f3gica registrar-se perante o Conselho Regional de Odontologia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A operadora de plano privado de sa\u00fade odontol\u00f3gica deve obrigatoriamente registrar-se perante o Conselho Regional de Odontologia em cuja jurisdi\u00e7\u00e3o esteja estabelecida ou exer\u00e7a as suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.099.521-ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024, DJe de 9\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Conselho Regional de Odontologia ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual buscava obrigar a operadora de plano privado de sa\u00fade \u201cSorriso Amarelo\u201d a registrar-se na autarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a operadora sustenta que apenas reembolsa os procedimentos realizados pelos dentistas e pelas cl\u00ednicas odontol\u00f3gicas escolhidas por seus segurados, mediante pr\u00e9via regula\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, logo, desnecess\u00e1rio seria o registro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-necessario-o-registro-no-cro\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio o registro no CRO?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia resume-se em saber se a recorrente, operadora de plano privado de sa\u00fade odontol\u00f3gica, tem obriga\u00e7\u00e3o de registrar-se perante conselho profissional e, ainda, se esse conselho deve ser o da sua sede ou igualmente aquele em que presta o seu servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a examinou controv\u00e9rsia semelhante aqui nesta Segunda Turma quando nela ainda integravam os Em. Ministros Eliana Calmon e Castro Meira, ocasi\u00e3o em que julgamos o REsp 1.183.537\/RJ e reconhecemos a obrigatoriedade desse registro: &#8220;(&#8230;) 2. Ap\u00f3s a vig\u00eancia da MP 2.177-44\/2001, as pessoas jur\u00eddicas de direito privado que operam planos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, seja em que modalidade for, est\u00e3o submetidas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es contidas na Lei 9.656\/98.3. O art. 8\u00ba, I, da Lei 9.656\/98 exige registro perante os Conselhos Regionais de Medicina e Odontologia, conforme o caso, como condi\u00e7\u00e3o para obter autoriza\u00e7\u00e3o de funcionamento, das empresas que operam com PLANOS ou com SEGUROS DE ASSIST\u00caNCIA \u00c0 SA\u00daDE.4. Recurso especial n\u00e3o provido.(REsp n. 1.183.537\/RJ, relatora Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 11\/5\/2010, DJe de 30\/9\/2010.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A operadora de plano privado de sa\u00fade odontol\u00f3gica deve obrigatoriamente registrar-se perante o Conselho Regional de Odontologia em cuja jurisdi\u00e7\u00e3o esteja estabelecida ou exer\u00e7a as suas atividades.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-contratacao-de-seguro-em-nome-de-terceiro-com-a-intencao-de-lhe-ceifar-a-vida-e-nulidade\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contrata\u00e7\u00e3o de seguro em nome de terceiro com a inten\u00e7\u00e3o de lhe ceifar a vida e nulidade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ato do indiv\u00edduo de contratar um seguro sobre a vida de outrem com a inten\u00e7\u00e3o de ceifar a vida do segurado impede o recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria por quaisquer dos benefici\u00e1rios e gera nulidade do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.106.786-PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda, casada com Creiton, contratou seguro de vida em de seu marido, cujos benefici\u00e1rios seriam justamente a esposa (ela mesma) e os filhos, sendo metade do valor da indeniza\u00e7\u00e3o devido \u00e0 vi\u00fava e o restante seria dividido entre os filhos do casal.<\/p>\n\n\n\n<p>Seis meses depois, Creosvalda ordenou o assassinato do esposo (ui!!!). Ap\u00f3s o \u00f3bito, ela e os filhos requereram o pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o, mas a seguradora alega que o contrato seria nulo o que impediria quaisquer efeitos em benef\u00edcio de quem quer que fosse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/02:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do pr\u00eamio, a garantir interesse leg\u00edtimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 762. Nulo ser\u00e1 o contrato para garantia de risco proveniente de ato doloso do segurado, do benefici\u00e1rio, ou de representante de um ou de outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 790. No seguro sobre a vida de outros, o proponente \u00e9 obrigado a declarar, sob pena de falsidade, o seu interesse pela preserva\u00e7\u00e3o da vida do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. At\u00e9 prova em contr\u00e1rio, presume-se o interesse, quando o segurado \u00e9 c\u00f4njuge, ascendente ou descendente do proponente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-devida-a-indenizacao-securitaria\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devida a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Era s\u00f3 o que faltava!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se, no contrato de seguro sobre a vida de outrem, a morte do segurado causada por ato il\u00edcito do contratante obsta o recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria pelos demais benefici\u00e1rios do seguro. Na esp\u00e9cie, a contratante do seguro ajustou seguro sobre a vida de seu esposo e colocou fim \u00e0 vida do segurado com a inten\u00e7\u00e3o de receber a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No seguro sobre a vida de outrem, contratante e segurado (titular do interesse garantido) s\u00e3o pessoas distintas. O segurado \u00e9 o portador do risco de morte, mas n\u00e3o participa da contrata\u00e7\u00e3o e o contratante \u00e9 quem celebra o contrato, assume todas as obriga\u00e7\u00f5es e adquire a qualidade de benefici\u00e1rio do seguro, por ser titular do interesse garantido.<\/p>\n\n\n\n<p>O indiv\u00edduo que contrata um seguro sobre a vida de outrem com a inten\u00e7\u00e3o de ceifar a vida do segurado e, por conseguinte, obter a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria, al\u00e9m de buscar a garantia de interesse ileg\u00edtimo, age, de forma deliberada, com a inten\u00e7\u00e3o de prejudicar outrem. A aus\u00eancia de interesse na preserva\u00e7\u00e3o da vida do segurado acarreta a nulidade do contrato de seguro por viola\u00e7\u00e3o ao disposto nos arts. 757, 762 e 790 do CC\/02.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ante a gravidade do v\u00edcio de nulidade que contamina o contrato de seguro celebrado com a inten\u00e7\u00e3o de garantir ato doloso e sem interesse leg\u00edtimo do contratante, ele n\u00e3o pode produzir qualquer efeito jur\u00eddico<\/strong>. Logo, ainda que haja outros benefici\u00e1rios do seguro al\u00e9m do autor do ato il\u00edcito, eles n\u00e3o receber\u00e3o a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O ato do indiv\u00edduo de contratar um seguro sobre a vida de outrem com a inten\u00e7\u00e3o de ceifar a vida do segurado impede o recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria por quaisquer dos benefici\u00e1rios e gera nulidade do contrato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-atraso-na-entrega-de-imovel-consistente-em-terreno-e-necessidade-de-comprovacao-do-prejuizo-para-condenacao-em-lucros-cessantes\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atraso na entrega de im\u00f3vel consistente em terreno e necessidade de comprova\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo para condena\u00e7\u00e3o em lucros cessantes.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de descumprimento contratual decorrente do atraso na entrega de im\u00f3vel, os lucros cessantes n\u00e3o s\u00e3o presum\u00edveis, pois dependem da finalidade do neg\u00f3cio, destina\u00e7\u00e3o ou qualidade do bem (edificado ou n\u00e3o), bem como da demonstra\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo direto do adquirente.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.015.374-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo adquiriu um terreno de um loteamento ainda a ser finalizado. Pagou o valor combinado, mas, por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas, o loteamento n\u00e3o foi finalizado ao per\u00edodo combinado no contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu o pagamento de lucros cessantes, enquanto o \u201cloteador\u201d sustenta que, para tanto, seria necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo, conforme a finalidade a ser dada ao terreno.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lucros-cessantes-presumidos\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lucros cessantes presumidos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia da Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, firmada na sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, \u00e9 de que, &#8220;no caso de descumprimento do prazo para a entrega do im\u00f3vel, inclu\u00eddo o per\u00edodo de toler\u00e2ncia, o preju\u00edzo do comprador \u00e9 presumido, consistente na injusta priva\u00e7\u00e3o do uso do bem, a ensejar o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, na forma de aluguel mensal, com base no valor locat\u00edcio de im\u00f3vel assemelhado, com termo final na data da disponibiliza\u00e7\u00e3o da posse direta ao adquirente da unidade aut\u00f4noma&#8221; (REsp n. 1.729.593\/SP, Relator Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 25\/9\/2019, DJe 27\/9\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o atraso se d\u00e1 na entrega de im\u00f3vel edificado, \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar, de antem\u00e3o, independentemente da destina\u00e7\u00e3o do bem &#8211; residencial ou comercial &#8211; que a injusta priva\u00e7\u00e3o do seu uso enseja o pagamento de lucros cessantes, pois seja para moradia pr\u00f3pria, fixa\u00e7\u00e3o de estabelecimento comercial ou auferimento de renda advinda da loca\u00e7\u00e3o do bem, a utiliza\u00e7\u00e3o de par\u00e2metro afeto a aluguel mensal de im\u00f3vel assemelhado mostra-se adequada \u00e0 realidade atinente \u00e0 qualidade do bem, pois o im\u00f3vel edificado est\u00e1 apto a servir a tais prop\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de ocorrer a possibilidade de, eventualmente, em casos espec\u00edficos, existir lucro cessante decorrente do atraso na entrega das obras de infraestrutura de terreno\/lote n\u00e3o edificado, via de regra, \u00e9 invi\u00e1vel, de plano, consignar tal encargo por presun\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo para toda e qualquer hip\u00f3tese envolvendo referidos bens de modo a fazer incidir, ante a injusta priva\u00e7\u00e3o do seu uso, o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o prontamente estabelecida na forma de aluguel mensal, com base em valor locat\u00edcio de im\u00f3vel assemelhado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considera-se imprescind\u00edvel, para tal fim, averiguar ao menos a finalidade do neg\u00f3cio, a destina\u00e7\u00e3o e a qualidade do bem<\/strong>. Ademais, o STJ tem entendimento pac\u00edfico no sentido de que em se tratando de im\u00f3vel n\u00e3o edificado, eventual inadimpl\u00eancia do comprador n\u00e3o enseja o pagamento de taxa de frui\u00e7\u00e3o justamente em raz\u00e3o de se tratar de terreno sem edifica\u00e7\u00e3o, ante o princ\u00edpio de n\u00e3o ter sido utilizado para qualquer fim.<\/p>\n\n\n\n<p>A premissa utilizada para tal compreens\u00e3o pode ser analogicamente aplicada \u00e0 quest\u00e3o envolvendo os lucros cessantes, j\u00e1 que, <strong>n\u00e3o sendo o terreno edificado, n\u00e3o \u00e9 dado presumir que fosse utilizado para qualquer finalidade imediata, seja residencial, implementa\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio, locat\u00edcia, entre outros, a autorizar a incid\u00eancia de par\u00e2metro vinculado a valor de aluguel mensal de bem assemelhado<\/strong>. Isso porque, fora casos muito espec\u00edficos, n\u00e3o \u00e9 comum que se proceda \u00e0 loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel n\u00e3o edificado em loteamento, visto servirem os terrenos para constru\u00e7\u00e3o futura de resid\u00eancia, implementa\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cio ou especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade posta a debate &#8211; vinculada a atraso na entrega de lote\/terreno n\u00e3o edificado &#8211; demanda que se fa\u00e7a um&nbsp;<em>distinguishing<\/em>&nbsp;em rela\u00e7\u00e3o ao entendimento sedimentado em recurso repetitivo &#8211; diga-se, espec\u00edfico para descumprimento do prazo de entrega de bem edificado &#8211; dada a expressa disposi\u00e7\u00e3o da lei (arts. 402 e 403) segundo a qual os lucros cessantes representam aquilo que o credor razoavelmente deixou de lucrar, por efeito direto e imediato da inexecu\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o pelo devedor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ora, caso o terreno servisse ao prop\u00f3sito de edifica\u00e7\u00e3o futura para implementa\u00e7\u00e3o de moradia ou neg\u00f3cio, \u00e9 certo que tal n\u00e3o se daria imediatamente<\/strong>. Do mesmo modo, na hip\u00f3tese de os lotes terem sido adquiridos para especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, o acr\u00e9scimo patrimonial n\u00e3o se verificaria de plano, constituindo mera expectativa futura de ganho. Por tais raz\u00f5es, ainda que tenha havido descumprimento contratual decorrente do atraso na entrega do im\u00f3vel n\u00e3o edificado, os lucros cessantes n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de presun\u00e7\u00e3o, devendo ser devidamente demonstrados e cotejados para representar aquilo que o adquirente efetivamente deixou de lucrar em virtude do preju\u00edzo direto e imediato do comportamento do devedor, afinal, nos lucros cessantes \u00e9 imprescind\u00edvel que se tenha certeza da vantagem perdida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de descumprimento contratual decorrente do atraso na entrega de im\u00f3vel, os lucros cessantes n\u00e3o s\u00e3o presum\u00edveis, pois dependem da finalidade do neg\u00f3cio, destina\u00e7\u00e3o ou qualidade do bem (edificado ou n\u00e3o), bem como da demonstra\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo direto do adquirente.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-incidencia-da-preclusao-consumativa-sobre-o-montante-acumulado-da-multa-cominatoria-apos-a-primeira-modificacao\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Incid\u00eancia da preclus\u00e3o consumativa sobre o montante acumulado da multa cominat\u00f3ria ap\u00f3s a primeira modifica\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Incide a preclus\u00e3o consumativa sobre o montante acumulado da multa cominat\u00f3ria, de forma que, j\u00e1 tendo havido modifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nova altera\u00e7\u00e3o, preservando-se as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 consolidadas.<\/p>\n\n\n\n<p>EAREsp 1.766.665-RS, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Corte Especial, por maioria, julgado em 3\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em um determinado processo, o ju\u00edzo fixou astreintes em desfavor do Banco Pagonada. A pedido do banco em recurso, o ju\u00edzo reduziu o valor devido a esse t\u00edtulo. O banco ent\u00e3o requereu nova redu\u00e7\u00e3o dos valores fixados, ato contra o qual se op\u00f4s o credor por entender ter ocorrido a preclus\u00e3o consumativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poder\u00e1 ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provis\u00f3ria ou na senten\u00e7a, ou na fase de execu\u00e7\u00e3o, desde que seja suficiente e compat\u00edvel com a obriga\u00e7\u00e3o e que se determine prazo razo\u00e1vel para cumprimento do preceito.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba O juiz poder\u00e1, de of\u00edcio ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda ou exclu\u00ed-la, caso verifique que:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; se tornou insuficiente ou excessiva;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; o obrigado demonstrou cumprimento parcial superveniente da obriga\u00e7\u00e3o ou justa causa para o descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-ocorreu-a-preclusao-consumativa\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorreu a preclus\u00e3o consumativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 ocorr\u00eancia de preclus\u00e3o sobre decis\u00e3o que revisa o valor de&nbsp;<em>astreintes<\/em>. Sobre tema, a Corte Especial, no julgamento do EAREsp n. 650.536-RJ, firmou <strong>o entendimento de ser poss\u00edvel a redu\u00e7\u00e3o quando o valor for exorbitante, levando-se em conta a razoabilidade e a proporcionalidade, e a fim de evitar o enriquecimento sem causa do credor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a quest\u00e3o demanda reflex\u00f5es mais aprofundadas, especialmente porque essa decis\u00e3o, muito embora tenha sido proferida sob a \u00e9gide do CPC atual, baseou-se especialmente em jurisprud\u00eancia majorit\u00e1ria constru\u00edda \u00e0 \u00e9poca em que vigia o CPC\/1973, com destaque para o Tema Repetitivo n. 706: &#8220;A decis\u00e3o que comina&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;n\u00e3o preclui, n\u00e3o fazendo tampouco coisa julgada&#8221; (REsp n. 1.333.988\/SP, Segunda Se\u00e7\u00e3o, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 11\/4\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o se levou em considera\u00e7\u00e3o que o CPC\/2015 alterou substancial e expressamente o regime jur\u00eddico das&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;no tocante \u00e0 possibilidade de modifica\u00e7\u00e3o. Com efeito, de acordo com a premissa estabelecida no julgamento do EAREsp n. 650.536-RJ, a regra que permite ao magistrado alterar a multa cominat\u00f3ria estaria prevista no art. 461, \u00a7 6\u00b0, do CPC\/1973 e no seu correspondente, art. 537, \u00a7 1\u00b0, do CPC\/2015. Todavia, h\u00e1 uma diferen\u00e7a substancial entre essas duas regras, em particular no que diz respeito a quais valores podem ser modificados.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da an\u00e1lise dessas regras supracitadas, percebe-se a n\u00edtida inten\u00e7\u00e3o do legislador de autorizar a revis\u00e3o ou a exclus\u00e3o apenas da &#8220;multa vincenda&#8221;, ou seja, a decis\u00e3o n\u00e3o pode ter efic\u00e1cia retroativa para atingir o montante acumulado da multa. Por outro lado, h\u00e1 quem sustente a possibilidade de decis\u00e3o com efeitos retroativos no caso de redu\u00e7\u00e3o do montante da multa que j\u00e1 incidiu, pois a express\u00e3o &#8220;vincendas&#8221; diria respeito apenas \u00e0 multa que est\u00e1 incidindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o h\u00e1 motivo para submeter a modifica\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o a regimes jur\u00eddicos diversos. A regra do art. 537, \u00a7 1\u00b0, do CPC deixa claro que o legislador optou por preservar as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 consolidadas, independentemente de se tratar da multa que est\u00e1 incidindo ou do montante oriundo da sua incid\u00eancia. Analisando a quest\u00e3o com mais profundidade, tem-se que a pend\u00eancia de discuss\u00e3o acerca do montante da multa n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o com o seu vencimento, mas, sim, com a sua definitividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, se a incid\u00eancia da multa durante o per\u00edodo de inadimpl\u00eancia alcan\u00e7a valores exorbitantes, seja porque o devedor permaneceu inerte e n\u00e3o requereu a revis\u00e3o ou exclus\u00e3o, seja porque o magistrado n\u00e3o agiu de of\u00edcio, qualquer decis\u00e3o que venha a ser proferida somente poderia provocar, em regra, efeitos prospectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que o legislador do CPC\/2015 optou por levar em considera\u00e7\u00e3o a postura do devedor, a fim de premiar aquele que, muito embora inadimplente num primeiro momento, acaba por cumprir a obriga\u00e7\u00e3o, ainda que parcialmente, ou que demonstra a impossibilidade de cumprimento. Significa dizer que somente tem direito \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da multa aquele que abandona a recalcitr\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, <strong>a partir da regra expressa do art. 537, \u00a71\u00b0, do CPC, somente seria poss\u00edvel alterar o valor acumulado das multas vincendas e, consoante disposto no inciso II, a redu\u00e7\u00e3o exige postura ativa do devedor<\/strong>, consubstanciada no cumprimento parcial da obriga\u00e7\u00e3o ou na demonstra\u00e7\u00e3o de sua impossibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer sorte, na hip\u00f3tese, h\u00e1 outro \u00f3bice para a revis\u00e3o pretendida, qual seja a preclus\u00e3o&nbsp;<em>pro judicato<\/em>&nbsp;consumativa, pois j\u00e1 havia sido revisado o valor da multa di\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ sedimentou, por meio de recurso especial julgado na sistem\u00e1tica dos repetitivos, que &#8220;a decis\u00e3o que comina&nbsp;<em>astreintes<\/em>&nbsp;n\u00e3o preclui, n\u00e3o fazendo tampouco coisa julgada&#8221; (Tema 706), conforme j\u00e1 anotado. Trata-se, no entanto, de n\u00e3o incid\u00eancia de preclus\u00e3o temporal, de forma que o valor da multa pode ser modificado a qualquer tempo. N\u00e3o se trata de aus\u00eancia de preclus\u00e3o consumativa, sob pena de grave viola\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, uma vez fixada a multa, \u00e9 poss\u00edvel alter\u00e1-la ou exclu\u00ed-la a qualquer momento. No entanto, uma vez reduzido o valor, n\u00e3o ser\u00e3o l\u00edcitas sucessivas revis\u00f5es, a bel prazer do inadimplente recalcitrante, sob pena de estimular e premiar a renit\u00eancia sem justa causa. Em outras palavras, <strong>\u00e9 poss\u00edvel modificar a decis\u00e3o que comina a multa, mas n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito modificar o que j\u00e1 foi modificado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que a multa cominat\u00f3ria \u00e9 um important\u00edssimo instrumento para garantir a efetividade das decis\u00f5es judiciais e pode ser fixada de of\u00edcio, trata-se de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica. No caso, a multa fixada em senten\u00e7a transitada em julgado pode ser alterada na fase de execu\u00e7\u00e3o porque tem natureza de t\u00e9cnica processual, de modo que n\u00e3o \u00e9 acobertada pela coisa julgada material. Uma vez fixada ou alterada no in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o, mant\u00e9m tal natureza e, portanto, pode ser modificada a qualquer momento, inclusive de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, <strong>o valor acumulado da multa deixa de ser t\u00e9cnica processual e passa a integrar o patrim\u00f4nio do exequente como cr\u00e9dito de valor, perdendo a natureza de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica.<\/strong> Com efeito, nos termos do art. 537, \u00a7 2\u00b0, do CPC, &#8220;o valor [acumulado] da multa ser\u00e1 devido ao exequente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, mesmo se considerada tamb\u00e9m a multa acumulada como mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, deve incidir a preclus\u00e3o&nbsp;<em>pro judicato<\/em>&nbsp;consumativa, de forma que, tendo havido modifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nova altera\u00e7\u00e3o, preservando-se as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 consolidadas, como deixa claro o art. 537, \u00a7 1\u00b0, do CPC ao se referir a &#8220;multa vincenda&#8221;. Isso porque h\u00e1 preclus\u00e3o consumativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de ordem p\u00fablica, inclusive \u00e0quelas que est\u00e3o fora da esfera de disponibilidade das partes, tais como os pressupostos processuais e as condi\u00e7\u00f5es da a\u00e7\u00e3o, conforme entendimento sedimentado no STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, e com maior raz\u00e3o, h\u00e1 preclus\u00e3o consumativa no tocante ao montante acumulado da multa cominat\u00f3ria, pois ostenta natureza patrimonial e dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Incide a preclus\u00e3o consumativa sobre o montante acumulado da multa cominat\u00f3ria, de forma que, j\u00e1 tendo havido modifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nova altera\u00e7\u00e3o, preservando-se as situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 consolidadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-competencia-para-modulacao-de-efeitos\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia para modula\u00e7\u00e3o de efeitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compete exclusivamente ao \u00f3rg\u00e3o prolator da decis\u00e3o, que altera jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou que altera jurisprud\u00eancia oriunda de julgamento de casos repetitivos, modular os seus efeitos com fundamento no art. 927, \u00a7 3\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.033.647-RO, Rel. Ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024, publicado em 8\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Wood Madeireira&nbsp; S.A. impetrou mandado de seguran\u00e7a contra ato do IBAMA, objetivando a libera\u00e7\u00e3o de caminh\u00e3o apreendido por agentes da autarquia por transportar madeira sem licen\u00e7a. Ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial, os autos retornaram ao tribunal local para conforma\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o dos temas repetitivos 1036 e 1043 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebidos os autos, o tribunal local&nbsp;manteve ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, concluindo que apesar de n\u00e3o ter havido qualquer modula\u00e7\u00e3o dos efeitos para aplica\u00e7\u00e3o dos Temas 1036&nbsp;e&nbsp;1043&nbsp;pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, seria necess\u00e1rio que sejam resguardadas as situa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas consolidadas pelo decurso do tempo. Inconformada, a madeireira recorre da decis\u00e3o sustentando que n\u00e3o caberia ao tribunal local realizar esp\u00e9cie de modula\u00e7\u00e3o temporal em rela\u00e7\u00e3o ao decido pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 927. Os ju\u00edzes e os tribunais observar\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Na hip\u00f3tese de altera\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modula\u00e7\u00e3o dos efeitos da altera\u00e7\u00e3o no interesse social e no da seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-modulacao-pelo-tribunal-local\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a modula\u00e7\u00e3o pelo tribunal local?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na origem, o feito decorre de <a>mandado de seguran\u00e7a ajuizado contra ato do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA), objetivando a libera\u00e7\u00e3o de caminh\u00e3o apreendido por agentes da autarquia por transportar madeira sem licen\u00e7a. Ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial, os autos retornaram \u00e0 origem para ju\u00edzo de conforma\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o dos temas repetitivos 1036 e 1043 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Recebidos os autos na origem, o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;manteve ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, concluindo que &#8220;apesar de n\u00e3o ter havido qualquer modula\u00e7\u00e3o dos efeitos para aplica\u00e7\u00e3o dos referidos&nbsp;Temas 1036&nbsp;e&nbsp;1043&nbsp;pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que sejam resguardadas as situa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas consolidadas pelo decurso do tempo, tendo em vista a impossibilidade ou dificuldade de se fazer cumprir ordem de apreens\u00e3o de ve\u00edculos h\u00e1 muito tempo liberados por decis\u00e3o judicial, em raz\u00e3o de um novo entendimento jurisprudencial formado a partir da altera\u00e7\u00e3o de entendimentos anteriormente aplicados pela pr\u00f3pria jurisprud\u00eancia dos Tribunais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, por outro lado, j\u00e1 afirmou que cabe ao ju\u00edzo prolator do julgamento decidir sobre a modula\u00e7\u00e3o dos seus efeitos.<\/strong> Tal orienta\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi aplicada para reputar ileg\u00edtimo, no que se refere a ac\u00f3rd\u00e3os proferidos em controle concentrado de constitucionalidade, que a modula\u00e7\u00e3o seja feita por outro \u00f3rg\u00e3o que n\u00e3o o Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse diapas\u00e3o, o STJ entende que &#8220;somente o \u00f3rg\u00e3o prolator que promove a altera\u00e7\u00e3o do entendimento jurisprudencial \u00e9 que pode decidir sobre as consequ\u00eancias de seu julgado, de modo que, no presente caso, n\u00e3o compete a esta Corte Superior deliberar sobre a necessidade de modula\u00e7\u00e3o de efeitos de ac\u00f3rd\u00e3o prolatado em controle concentrado de constitucionalidade pelo Pret\u00f3rio Excelso&#8221; (AgInt no AREsp n. 1.044.360\/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 10\/8\/2020, DJe de 14\/8\/2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, conclui-se que compete exclusivamente ao \u00f3rg\u00e3o prolator da decis\u00e3o, que altera jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou que altera jurisprud\u00eancia oriunda de julgamento de casos repetitivos, modular os seus efeitos com fundamento no art. 927, \u00a7 3\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil, o qual disp\u00f5e que: &#8220;Na hip\u00f3tese de altera\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modula\u00e7\u00e3o dos efeitos da altera\u00e7\u00e3o no interesse social e no da seguran\u00e7a jur\u00eddica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal conclus\u00e3o n\u00e3o impede, contudo, que o julgador do caso an\u00e1logo sucessivo ao precedente aprecie, como \u00e9 da ess\u00eancia do julgamento em concreto, os fatos de cada causa. Nessa aprecia\u00e7\u00e3o, estabelece a Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro, respectivamente em seus arts. 20 e 23, que o julgador dever considerar as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas de sua decis\u00e3o, bem como que, no momento de aplicar novo dever ou condicionamento de direito, estabele\u00e7a um regime de cumprimento proporcional, equ\u00e2nime e eficiente e sem preju\u00edzo aos interesses gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos autos, o Tribunal de origem restringiu os efeitos de um precedente que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a n\u00e3o modulou, e o fez sem observar as previs\u00f5es da Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro, porquanto, em vez de aludir a fatos concretos, concluiu, abstratamente, que o decurso do tempo presumiria &#8220;a impossibilidade ou dificuldade de se fazer cumprir a ordem de apreens\u00e3o de ve\u00edculos h\u00e1 muito tempo liberados por decis\u00e3o judicial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Compete exclusivamente ao \u00f3rg\u00e3o prolator da decis\u00e3o, que altera jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou que altera jurisprud\u00eancia oriunda de julgamento de casos repetitivos, modular os seus efeitos com fundamento no art. 927, \u00a7 3\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-selecao-de-recursos-especiais-como-representativos-da-controversia-pela-comissao-gestora-de-precedentes-como-motivo-para-suspensao-automatica-dos-recursos-em-tramite-no-stj\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sele\u00e7\u00e3o de recursos especiais como representativos da controv\u00e9rsia pela Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes como motivo para suspens\u00e3o autom\u00e1tica dos recursos em tr\u00e2mite no STJ<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A sele\u00e7\u00e3o de recursos especiais como representativos da controv\u00e9rsia pela Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes n\u00e3o importa em suspens\u00e3o autom\u00e1tica dos recursos em tr\u00e2mite no STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgInt no REsp 2.027.768-PE, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024, DJe de 9\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s decis\u00e3o proferida por tribunal superior que lhe foi desfavor\u00e1vel, a Uni\u00e3o interp\u00f4s embargos declarat\u00f3rios em que aponta a necessidade de sobrestamento do feito, em raz\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o de 4 Recursos Especiais pela Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes do STJ, recursos estes que ainda se encontram em processo de afeta\u00e7\u00e3o no Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a parte favorecida pela decis\u00e3o combatida sustenta que n\u00e3o seria o caso de sobrestamento ou suspens\u00e3o em raz\u00e3o da falta de previs\u00e3o legal para tanto.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-justifica-a-suspensao\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Justifica a suspens\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nem de perto!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso em discuss\u00e3o decorre de embargos declarat\u00f3rios em que a parte embargante aponta a necessidade de sobrestamento do feito, em raz\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o de 4 (quatro) Recursos Especiais pela Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes do STJ, recursos estes que ainda se encontram em processo de afeta\u00e7\u00e3o no Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve ser rejeitado, contudo, o pleito de suspens\u00e3o do processo, fundamentado no simples fato de a Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes ter selecionado como representativos da controv\u00e9rsia Recursos Especiais, pois tal circunst\u00e2ncia n\u00e3o importa na suspens\u00e3o autom\u00e1tica dos recursos em tr\u00e2mite no Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ante a aus\u00eancia de previs\u00e3o legal nesse sentido. Precedente: AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.133.443\/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 17\/2\/2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o STJ j\u00e1 afirmou que: &#8220;[&#8230;] <strong>nos termos da jurisprud\u00eancia dominante desta Corte Superior, a suspens\u00e3o de recurso especial com indicativo de representativo de controv\u00e9rsia para julgamento sob o rito dos recursos repetitivos n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria<\/strong> (&#8230;) (STJ, AgInt no REsp n. 2.007.847\/CE, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, DJe de 31\/3\/2023&#8243;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A sele\u00e7\u00e3o de recursos especiais como representativos da controv\u00e9rsia pela Comiss\u00e3o Gestora de Precedentes n\u00e3o importa em suspens\u00e3o autom\u00e1tica dos recursos em tr\u00e2mite no STJ.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicabilidade-da-tecnica-de-julgamento-ampliado-ao-agravo-de-instrumento-que-por-maioria-reforma-decisao-proferida-em-incidente-de-desconsideracao-da-personalidade-juridica\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade da t\u00e9cnica de julgamento ampliado ao agravo de instrumento que, por maioria, reforma decis\u00e3o proferida em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aplica-se a <a>t\u00e9cnica de julgamento ampliado (art. 942 do CPC) ao agravo de instrumento que, por maioria, reforma decis\u00e3o proferida em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o (direta ou inversa) da personalidade jur\u00eddica<\/a>, seja para admitir o pedido ou para rejeit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.120.429-SP, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, a parte credora requereu que fosse decretada a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, o que foi deferido pelo ju\u00edzo no julgamento do incidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a parte devedora interp\u00f4s agravo de instrumento, cujo julgamento, por maioria, resultou na reforma da decis\u00e3o para indeferir o pedido. O credor ent\u00e3o requereu a aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de julgamento ampliado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 356. O juiz decidir\u00e1 parcialmente o m\u00e9rito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; mostrar-se incontroverso;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; estiver em condi\u00e7\u00f5es de imediato julgamento, nos termos do&nbsp;art. 355&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicavel-a-tecnica-de-ampliacao-do-colegiado\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplic\u00e1vel a t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o do colegiado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que seja aplic\u00e1vel a t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o do colegiado no julgamento n\u00e3o un\u00e2nime de agravo de instrumento, <strong>\u00e9 imprescind\u00edvel que haja reforma de decis\u00e3o que julgar parcialmente o m\u00e9rito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aplicabilidade dessa norma aparenta estar circunscrita aos provimentos jurisdicionais que, \u00e0 luz do art. 356 do CPC, decidem parcialmente o m\u00e9rito de um ou mais pedidos &#8211; ou parcela deles &#8211; formulados na demanda principal quando se mostrarem incontroversos ou estiverem em condi\u00e7\u00f5es de imediato julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Haver\u00e1 hip\u00f3teses, contudo, em que a resolu\u00e7\u00e3o de verdadeira a\u00e7\u00e3o incidental, e n\u00e3o de incidente processual t\u00edpico, dar\u00e1 ensejo \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de amplia\u00e7\u00e3o do colegiado, a exemplo do que ocorre na impugna\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito na recupera\u00e7\u00e3o judicial ou na fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O mesmo racioc\u00ednio deve ser empreendido para o incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, que, apesar da nomenclatura adotada pelo legislador, constitui verdadeira a\u00e7\u00e3o incidental instaurada contra terceiros<\/strong>, que assim s\u00e3o considerados at\u00e9 o momento em que s\u00e3o regularmente cientificados da inten\u00e7\u00e3o de serem inclu\u00eddos na lide como respons\u00e1veis por d\u00edvidas que n\u00e3o contra\u00edram.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclui-se que o agravo de instrumento que, por maioria, reforma decis\u00e3o proferida em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o (direta ou inversa) da personalidade jur\u00eddica, seja para admitir o pedido ou para rejeit\u00e1-lo, inclui-se na regra legal de aplica\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de julgamento ampliado, por se tratar de decis\u00e3o de m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Aplica-se a t\u00e9cnica de julgamento ampliado (art. 942 do CPC) ao agravo de instrumento que, por maioria, reforma decis\u00e3o proferida em incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o (direta ou inversa) da personalidade jur\u00eddica, seja para admitir o pedido ou para rejeit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-tratamento-tributario-preferencial-no-regime-geral-de-origem-para-a-aladi-e-requisitos\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tratamento tribut\u00e1rio preferencial no Regime Geral de Origem para a ALADI e requisitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As mercadorias origin\u00e1rias, para serem beneficiadas pelo tratamento tribut\u00e1rio preferencial previsto art. 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 78, de 1987, que aprovou o Regime Geral de Origem para a ALADI, devem ter sido expedidas diretamente do pa\u00eds exportador para o pa\u00eds importador.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.009.461-PA, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024, DJe 8\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-nbsp-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Petrobras ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu a desconstitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio decorrente de imposto de importa\u00e7\u00e3o. Segundo a estatal, a exig\u00eancia do imposto de importa\u00e7\u00e3o n\u00e3o encontra respaldo jur\u00eddico, tendo em vista a redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria prevista em acordo internacional firmado no \u00e2mbito da Associa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Integra\u00e7\u00e3o (ALADI).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a Fazenda Nacional sustenta o benef\u00edcio fiscal n\u00e3o se aplica quando h\u00e1 triangula\u00e7\u00e3o comercial, isto \u00e9, quando a exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por meio de mediador &#8211; primeiro para um terceiro pa\u00eds n\u00e3o signat\u00e1rio. Segundo a Fazenda, s\u00f3 h\u00e1 benef\u00edcio fiscal quando h\u00e1 coincid\u00eancia entre o certificado de origem do produto e a fatura comercial, n\u00e3o sendo poss\u00edvel estender o benef\u00edcio nos casos em que a exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por subsidi\u00e1ria situada em pa\u00eds n\u00e3o signat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-nbsp-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 111. Interpreta-se literalmente a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria que disponha s\u00f4bre:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; outorga de isen\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-somente-tera-tratamento-diferenciado-se-expedidas-diretamente-do-pais-exportador-para-o-pais-importador\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Somente ter\u00e1 tratamento diferenciado se expedidas diretamente do pa\u00eds exportador para o pa\u00eds importador?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Exatamente!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Direito Tribut\u00e1rio Internacional n\u00e3o se preocupa \u00fanica e exclusivamente com as hip\u00f3teses de dupla tributa\u00e7\u00e3o sob a perspectiva jur\u00eddica (identidade do sujeito em rela\u00e7\u00e3o a duas soberanias) e econ\u00f4mica (sobreposi\u00e7\u00e3o de tributos em que a identidade do objeto pode coexistir com a diversidade de sujeitos). Tem por escopo tamb\u00e9m superar problemas de dupla n\u00e3o-incid\u00eancia tribut\u00e1ria (<em>double non-taxation<\/em>), compreendida como o fen\u00f4meno pelo qual, nas rela\u00e7\u00f5es entre dois ou mais pa\u00edses, cujas leis tribut\u00e1rias s\u00e3o potencialmente aplic\u00e1veis a uma certa situa\u00e7\u00e3o da vida, esta n\u00e3o \u00e9 efetivamente abrangida por nenhuma delas.<\/p>\n\n\n\n<p>A dupla n\u00e3o-incid\u00eancia tribut\u00e1ria, assim, pode decorrer da (1) inexist\u00eancia de tratados internacionais tribut\u00e1rios e de normas tribut\u00e1rias internas; (2) de previs\u00f5es expressas em tratados internacionais, revelando a inten\u00e7\u00e3o de soberanias em n\u00e3o tributar determinado fato impon\u00edvel; ou pode se dar (3) nas situa\u00e7\u00f5es em que, apesar de atribu\u00edda a compet\u00eancia exclusiva para tributar, um dos pa\u00edses acaba por n\u00e3o a exercer, (3.a) seja por raz\u00f5es de lei interna (imunidade, n\u00e3o incid\u00eancia e isen\u00e7\u00e3o), (3.b) seja por conflito de interpreta\u00e7\u00e3o do tratado ou da lei interna.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o Direito Tribut\u00e1rio Internacional procura enfrentar o planejamento tribut\u00e1rio agressivo (<em>aggressive tax planning<\/em>), consistente na utiliza\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias por corpora\u00e7\u00f5es para explorar lacunas e incompatibilidades entre sistemas tribut\u00e1rios de dois ou mais pa\u00edses, por meio da manipula\u00e7\u00e3o de elementos de conex\u00e3o para transferir lucros para locais com pouca ou nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a atividade econ\u00f4mica, com vistas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o ou \u00e0 anula\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caminho, a interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa de benef\u00edcios tribut\u00e1rios previstos em acordos internacionais aos casos de triangula\u00e7\u00e3o comercial possibilita a cria\u00e7\u00e3o de aberturas para pr\u00e1ticas abusivas de elis\u00e3o fiscal, configurando incentivo \u00e0 indesejada seletividade corporativa quanto ao tratamento tribut\u00e1rio, em preju\u00edzo \u00e0s fun\u00e7\u00f5es redistributivas e concorrenciais dos tributos e em contrariedade aos objetivos da OCDE em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o internacional. Por conseguinte, imp\u00f5e-se a observ\u00e2ncia dos estritos termos da inten\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses signat\u00e1rios de acordo internacional para fazer jus \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio tribut\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme disp\u00f5e o art. 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 78\/1987, que aprovou o Regime Geral de Origem para a ALADI, as mercadorias origin\u00e1rias, para serem beneficiadas pelo tratamento tribut\u00e1rio preferencial, devem ter sido expedidas diretamente do pa\u00eds exportador para o pa\u00eds importador. Dessa forma, as mercadorias transportadas n\u00e3o podem passar pelo territ\u00f3rio de pa\u00edses n\u00e3o signat\u00e1rios dos acordos firmados no \u00e2mbito da ALADI e, quando em tr\u00e2nsito por um ou mais pa\u00edses n\u00e3o participantes, o tr\u00e2nsito dever\u00e1 ser justificado por motivos geogr\u00e1ficos ou por considera\u00e7\u00f5es referentes a requerimentos do transporte; n\u00e3o estejam destinadas ao com\u00e9rcio, uso ou emprego no pa\u00eds de tr\u00e2nsito; e n\u00e3o sofram, durante o transporte e dep\u00f3sito, qualquer opera\u00e7\u00e3o diferente da carga e descarga ou manuseio para manter as mercadorias em boas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o Acordo 91 do Comit\u00ea de Representantes da ALADI, que disciplina a certifica\u00e7\u00e3o da origem, no art. 1\u00ba, preconiza a coincid\u00eancia entre a descri\u00e7\u00e3o dos produtos em declara\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o, o produto negociado e a descri\u00e7\u00e3o constante em fatura comercial que acompanha os documentos em despacho aduaneiro. Assim, conquanto a triangula\u00e7\u00e3o seja pr\u00e1tica comum no com\u00e9rcio exterior, n\u00e3o se vislumbra o cumprimento dos requisitos para a concess\u00e3o do favor fiscal em espec\u00edfico, em virtude da diverg\u00eancia entre a certifica\u00e7\u00e3o de origem e a fatura comercial, decorrente da exporta\u00e7\u00e3o dos produtos de origem venezuelana por terceiro pa\u00eds n\u00e3o signat\u00e1rio dos acordos firmados na ALADI.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, a certifica\u00e7\u00e3o da origem deve atestar a proced\u00eancia real da mercadoria, de modo a n\u00e3o ser vi\u00e1vel que a expedi\u00e7\u00e3o direta do pa\u00eds exportador para o pa\u00eds importador seja flexibilizada em fun\u00e7\u00e3o de uma conveni\u00eancia comercial destinada \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de custos de maneira fict\u00edcia, especialmente quando n\u00e3o for expressamente mencionada no texto normativo. Assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estender tratamento tribut\u00e1rio privilegiado em rela\u00e7\u00e3o ao imposto de importa\u00e7\u00e3o, nos casos em que a exporta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por subsidi\u00e1ria situada em pa\u00eds n\u00e3o signat\u00e1rio dos referidos acordos, sob pena de interpreta\u00e7\u00e3o extensiva de isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, o que afronta o art. 111, II, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>As mercadorias origin\u00e1rias, para serem beneficiadas pelo tratamento tribut\u00e1rio preferencial previsto art. 4\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 78, de 1987, que aprovou o Regime Geral de Origem para a ALADI, devem ter sido expedidas diretamente do pa\u00eds exportador para o pa\u00eds importador.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-da-crianca-e-do-adolescente\"><a>DIREITO DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-adocao-irregular-e-obrigatoriedade-de-insercao-em-abrigo-institucional\"><a>10.&nbsp; Ado\u00e7\u00e3o irregular e obrigatoriedade de inser\u00e7\u00e3o em abrigo institucional<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A depender do caso concreto, a suspeita de ocorr\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o irregular de crian\u00e7a n\u00e3o justifica a sua inser\u00e7\u00e3o em abrigo institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O casal Creiton e Creide assumiu informalmente a guarda de uma crian\u00e7a cuja m\u00e3e biol\u00f3gica n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de cuidar dela devido a problemas de sa\u00fade. Eles afirmaram que j\u00e1 tinham uma rela\u00e7\u00e3o de amizade com a fam\u00edlia da m\u00e3e antes do nascimento do menor e que o acolheram desde os primeiros dias de vida. Al\u00e9m disso, assinaram um Termo de Responsabilidade perante o Conselho Tutelar, com o consentimento da m\u00e3e. Tal situa\u00e7\u00e3o perdurou por nove meses, quando ent\u00e3o ajuizaram a\u00e7\u00e3o de guarda consensual provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP n\u00e3o gostou do modo como as coisas foram feitas e requereu a inser\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em abrigo institucional at\u00e9 que fosse resolvida a quest\u00e3o da guarda ou ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-obrigatoria-a-insercao-em-abrigo-institucional\"><a>10.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigat\u00f3ria a inser\u00e7\u00e3o em abrigo institucional?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Depende do caso!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de a\u00e7\u00e3o de guarda consensual provis\u00f3ria, com pedido liminar de tutela provis\u00f3ria de urg\u00eancia. Os impetrantes queriam regularizar uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 durava nove meses, explicando que assumiram a guarda do menor porque a <a>m\u00e3e biol\u00f3gica n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de cuidar dele devido a problemas de sa\u00fade. Eles afirmaram que j\u00e1 tinham uma rela\u00e7\u00e3o de amizade com a fam\u00edlia da m\u00e3e antes do nascimento do menor e que o acolheram desde os primeiros dias de vida. Al\u00e9m disso, assinaram um Termo de Responsabilidade perante o Conselho Tutelar, com o consentimento da m\u00e3e.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por expressa previs\u00e3o constitucional e infraconstitucional, as crian\u00e7as e os adolescentes t\u00eam o direito de ver assegurado pelo Estado e pela sociedade atendimento priorit\u00e1rio do seu melhor interesse e garantida suas prote\u00e7\u00f5es integrais, devendo tais premissas orientar o seu aplicador, principalmente, nas situa\u00e7\u00f5es que envolvam abrigamento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ consolidou-se no sentido da primazia do acolhimento familiar em detrimento da coloca\u00e7\u00e3o de menor em abrigo institucional, salvo quando houver evidente risco concreto \u00e0 sua integridade f\u00edsica e ps\u00edquica, de modo a se preservar os la\u00e7os afetivos eventualmente configurados com a fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Quarta Turma do STJ, &#8220;A ordem cronol\u00f3gica de prefer\u00eancia das pessoas previamente cadastradas para ado\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem um car\u00e1ter absoluto, devendo ceder ao lema do melhor interesse da crian\u00e7a ou do adolescente, raz\u00e3o de ser de todo o sistema de defesa erigido pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, que tem na doutrina da prote\u00e7\u00e3o integral sua pedra basilar&#8221; (HC 468.691-SC).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O abrigamento institucional do menor que, aparentemente, est\u00e1 bem inserido em um ambiente familiar, al\u00e9m de ter seus interesses superiores preservados, com forma\u00e7\u00e3o de suficiente v\u00ednculo socioafetivo com os seus guardi\u00f5es de fato, tem o potencial de acarretar dano grave e de dif\u00edcil repara\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e0 sua integridade f\u00edsica e psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A depender do caso concreto, a suspeita de ocorr\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o irregular de crian\u00e7a n\u00e3o justifica a sua inser\u00e7\u00e3o em abrigo institucional.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-revisao-criminal-em-razao-da-retratacao-da-vitima-no-reconhecimento-pessoal\"><a>11.&nbsp; Revis\u00e3o criminal em raz\u00e3o da retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima no reconhecimento pessoal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em delitos sexuais, a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima autoriza a revis\u00e3o criminal para absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, quando o conjunto probat\u00f3rio se limita \u00e0 sua declara\u00e7\u00e3o e a testemunhos, sem outras provas materiais. O procedimento de reconhecimento de pessoas, para sua validade, deve assegurar a semelhan\u00e7a f\u00edsica entre o suspeito e os demais indiv\u00edduos apresentados, conforme estabelece o art. 226, II, do CPP, evitando-se sugest\u00f5es que possam influenciar a decis\u00e3o da testemunha e comprometer o reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma crian\u00e7a foi abusada sexualmente quando contava com apenas nove anos de idade. Na \u00e9poca, identificou o agressor em procedimento de reconhecimento pessoal efetuado durante a fase de inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito tempo depois, j\u00e1 ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da condena\u00e7\u00e3o do suposto agressor, a fam\u00edlia do imputado ajuizou revis\u00e3o criminal, na qual a v\u00edtima, agora com 22 anos de idade, na audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o criminal, declarou n\u00e3o poder afirmar com certeza que o imputado foi o autor dos crimes de roubo e estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela relatou n\u00e3o ter visto o rosto do agressor no dia dos fatos e que, dentre os suspeitos apresentados para reconhecimento pessoal em um ve\u00edculo policial, apenas o recorrente era de pele negra. N\u00e3o foram produzidas outras provas materiais que embasassem a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>11.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 226.&nbsp; Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-\u00e1 pela seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento ser\u00e1 convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida;<\/p>\n\n\n\n<p>Il &#8211; a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, ser\u00e1 colocada, se poss\u00edvel, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhan\u00e7a, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apont\u00e1-la;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; se houver raz\u00e3o para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de intimida\u00e7\u00e3o ou outra influ\u00eancia, n\u00e3o diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade providenciar\u00e1 para que esta n\u00e3o veja aquela;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; do ato de reconhecimento lavrar-se-\u00e1 auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp; O disposto no no III deste artigo n\u00e3o ter\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o na fase da instru\u00e7\u00e3o criminal ou em plen\u00e1rio de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p><a>Art.&nbsp;621.&nbsp;&nbsp;A revis\u00e3o dos processos findos ser\u00e1 admitida:<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>III&nbsp;&#8211;&nbsp;quando, ap\u00f3s a senten\u00e7a, se descobrirem novas provas de inoc\u00eancia do condenado ou de circunst\u00e2ncia que determine ou autorize diminui\u00e7\u00e3o especial da pena.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-suficiente-para-revisao-criminal\"><a>11.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suficiente para revis\u00e3o criminal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia envolve a viabilidade de se acolher a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima como fundamento para a admiss\u00e3o de nova prova, conforme previsto no art. 621, III, do C\u00f3digo de Processo Penal, e a validade do procedimento de reconhecimento pessoal efetuado durante a fase de inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, durante a audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o, a v\u00edtima, que tinha 9 anos na \u00e9poca dos fatos e 22 anos na audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o criminal, declarou n\u00e3o poder afirmar com certeza que o imputado foi o autor dos crimes de roubo e estupro de vulner\u00e1vel. Ela relatou n\u00e3o ter visto o rosto do agressor no dia dos fatos e que, dentre os suspeitos apresentados para reconhecimento pessoal em um ve\u00edculo policial, apenas o recorrente era de pele negra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz do arcabou\u00e7o jur\u00eddico brasileiro, alinhado ao art. 621, inciso III, do CPP, destaca-se a viabilidade de revis\u00e3o criminal ante o surgimento de provas novas de inoc\u00eancia subsequente \u00e0 condena\u00e7\u00e3o. Tal preceito legal sublinha a essencialidade da justi\u00e7a e da equidade no \u00e2mbito processual penal, garantindo a revisibilidade das condena\u00e7\u00f5es diante da emerg\u00eancia de elementos probat\u00f3rios novos que corroborem a inoc\u00eancia do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O \u00f4nus da prova da inoc\u00eancia jamais deve ser atribu\u00eddo ao r\u00e9u. Ao contr\u00e1rio, qualquer incerteza quanto \u00e0 sua culpabilidade deve operar em seu favor, evidenciando uma manifesta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do princ\u00edpio do&nbsp;<em>in dubio pro reo<\/em><\/strong>&nbsp;e reiterando o conceito de que \u00e9 prefer\u00edvel absolver um culpado do que condenar um inocente.<\/p>\n\n\n\n<p>A revis\u00e3o criminal, conforme delineada pela jurisprud\u00eancia do STJ, n\u00e3o se presta \u00e0 rean\u00e1lise de provas previamente examinadas nas inst\u00e2ncias inferiores, distanciando-se, portanto, da natureza de uma segunda apela\u00e7\u00e3o. Seu prop\u00f3sito essencial \u00e9 assegurar ao condenado a corre\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis erros judici\u00e1rios, exigindo para tanto a comprova\u00e7\u00e3o dos requisitos estabelecidos pelo art. 621 do CPP. Ainda, esta Corte tem consolidado o entendimento de que a descoberta de novas provas de inoc\u00eancia, conforme estabelecido no art. 621, inciso III, do CPP, necessita de comprova\u00e7\u00e3o por meio de justifica\u00e7\u00e3o criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a retrata\u00e7\u00e3o dos ofendidos ou a apari\u00e7\u00e3o de novos elementos probat\u00f3rios que contestem as funda\u00e7\u00f5es da condena\u00e7\u00e3o original s\u00e3o cruciais para o reexame da causa, podendo resultar na absolvi\u00e7\u00e3o do acusado caso as novas provas sejam suficientemente robustas para instaurar uma d\u00favida razo\u00e1vel quanto \u00e0 sua culpabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m, a jurisprud\u00eancia do STJ reconhece que, nos delitos sexuais, a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, realizada em uma a\u00e7\u00e3o de justifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o implica automaticamente a absolvi\u00e7\u00e3o do acusado. Relevante \u00e9 o contexto em que o novo depoimento da v\u00edtima se mostra incongruente com o conjunto das demais provas apresentadas nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto apresentado, a informante, durante a audi\u00eancia de justifica\u00e7\u00e3o criminal, manifestou incerteza em afirmar a responsabilidade do imputado pelos delitos de roubo e estupro de vulner\u00e1vel. Ela indicou a n\u00e3o visualiza\u00e7\u00e3o do rosto do ofensor no momento dos fatos. Adicionalmente, destacou que, dentre os indiv\u00edduos apresentados para reconhecimento em um ve\u00edculo policial, o recorrente era o \u00fanico com pele escura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa declara\u00e7\u00e3o recente da testemunha coloca em xeque a fundamenta\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, a qual foi confirmada pelo Tribunal de origem, que se baseou unicamente em seu testemunho anterior<\/strong>, sugerindo a revis\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o com base no art. 621, III, do CPP, por introduzir d\u00favidas significativas sobre a consist\u00eancia das provas que sustentaram a decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Do exposto, fixa a seguinte tese: Em delitos sexuais, a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima autoriza a revis\u00e3o criminal para absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, quando o conjunto probat\u00f3rio se limita \u00e0 sua declara\u00e7\u00e3o e a testemunhos, sem outras provas materiais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quanto ao \u201cbaita\u201d procedimento de reconhecimento pessoal realizado???<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lament\u00e1vel!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia envolve a viabilidade de se acolher a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima como fundamento para a admiss\u00e3o de nova prova, conforme previsto no art. 621, III, do C\u00f3digo de Processo Penal, e a validade do procedimento de reconhecimento pessoal efetuado durante a fase de inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, <strong>questiona-se a legalidade desse reconhecimento, dado que os indiv\u00edduos apresentados para tal estavam impossibilitados de serem identificados de forma precisa<\/strong>. Isso se deve ao fato de terem participado do procedimento com os rostos cobertos, al\u00e9m de possu\u00edrem caracter\u00edsticas f\u00edsicas notadamente diferentes das atribu\u00eddas ao acusado, considerando-se que, entre as tr\u00eas pessoas trazidas para o reconhecimento, duas eram de pele branca e uma de pele negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o STJ possui uma jurisprud\u00eancia firme que <strong>atribui especial import\u00e2ncia \u00e0 palavra da v\u00edtima em delitos de natureza sexual, especialmente quando esta se encontra em conson\u00e2ncia com as demais evid\u00eancias apresentadas ao processo<\/strong>. Essa orienta\u00e7\u00e3o sublinha o reconhecimento da relev\u00e2ncia da declara\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, considerando-a elemento de prova crucial, desde que corroborado por outros ind\u00edcios ou provas coligidas (demais provas), refor\u00e7ando assim a busca por uma justi\u00e7a equitativa e baseada na totalidade das provas dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra da v\u00edtima para comprova\u00e7\u00e3o da autoria dos crimes sexuais \u00e9 dilema que entra em confronto com a problem\u00e1tica das falsas mem\u00f3rias, particularmente nos contextos de reconhecimento de suspeitos por v\u00edtimas de crimes, apresenta um desafio not\u00e1vel para o sistema de justi\u00e7a penal. A facilidade com que se esquece a origem de uma informa\u00e7\u00e3o pode conduzir a equ\u00edvocos na identifica\u00e7\u00e3o, em que um indiv\u00edduo previamente visto \u00e9 incorretamente identificado como o autor do delito. Esse cen\u00e1rio ressalta a necessidade de um processo de identifica\u00e7\u00e3o rigoroso e sens\u00edvel, minimizando o risco de injusti\u00e7as derivadas de reconhecimentos imprecisos.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina adverte que a obten\u00e7\u00e3o de depoimentos precisos de crian\u00e7as em situa\u00e7\u00f5es de abuso sexual constitui um desafio complexo, exigindo m\u00e9todos de entrevista meticulosos. A utiliza\u00e7\u00e3o de perguntas direcionadas, embora aumente a precis\u00e3o na coleta de informa\u00e7\u00f5es, pode inadvertidamente ampliar o risco de gerar falsos positivos, desafiando o sistema jur\u00eddico na avalia\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias e assegura\u00e7\u00e3o de julgamentos equitativos. Este dilema enfatiza a import\u00e2ncia de balancear a efic\u00e1cia na coleta de depoimentos com a necessidade de prevenir a contamina\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, especialmente em casos delicados envolvendo menores v\u00edtimas de abuso sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 226 do CPP visa mitigar as potenciais falhas inerentes \u00e0 confiabilidade das mem\u00f3rias no curso do reconhecimento de pessoas, estabelecendo um procedimento minucioso, voltado para o incremento da justi\u00e7a e acur\u00e1cia nas pr\u00e1ticas de identifica\u00e7\u00e3o. Por meio de uma abordagem que antev\u00ea as limita\u00e7\u00f5es e falhas poss\u00edveis da mem\u00f3ria humana, o artigo se prop\u00f5e a construir um arcabou\u00e7o que solidifique as bases para um reconhecimento justo e inequ\u00edvoco.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, o dispositivo sublinha a import\u00e2ncia de uma descri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e detalhada da pessoa a ser reconhecida, fornecida pela testemunha, antes de qualquer exposi\u00e7\u00e3o visual direta. Este passo inicial, fundamentado na premissa de estabelecer um reconhecimento enraizado em mem\u00f3rias pr\u00e9-existentes, com o objetivo de essencialmente reduzir a margem para influ\u00eancias sugestivas ou press\u00f5es externas que possam deturpar o ato de reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguindo, o referido artigo adota medidas para prevenir sugest\u00f5es indiretas, colocando o indiv\u00edduo a ser reconhecido ao lado de outras pessoas com caracter\u00edsticas f\u00edsicas similares, na medida do poss\u00edvel. Este procedimento \u00e9 meticulosamente desenhado para minimizar o risco de identifica\u00e7\u00f5es equivocadas, dispersando a aten\u00e7\u00e3o da testemunha entre v\u00e1rios sujeitos e fomentando uma escolha mais deliberada e fundamentada em mem\u00f3rias espec\u00edficas. Ademais, s\u00e3o estabelecidas salvaguardas para que a testemunha realize o reconhecimento sem ser vista pela pessoa em quest\u00e3o, preservando assim a pureza do testemunho.<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, no julgamento do HC 598.886\/SC, a interpreta\u00e7\u00e3o do STJ sobre tema foi revista pela Sexta Turma, no sentido de que se determine, doravante, a invalidade de qualquer reconhecimento formal &#8211; pessoal ou fotogr\u00e1fico &#8211; que n\u00e3o siga estritamente o que determina o art. 226 do CPP, sob pena de continuar-se a gerar uma instabilidade e inseguran\u00e7a de senten\u00e7as judiciais que, sob o pretexto de que outras provas produzidas em apoio a tal ato &#8211; todas, por\u00e9m, derivadas de um reconhecimento desconforme ao modelo normativo &#8211; autorizariam a condena\u00e7\u00e3o, potencializando, assim, o concreto risco de graves erros judici\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Colocar pessoas brancas e uma negra para o reconhecimento, sendo que o suspeito \u00e9 negro, viola esse dispositivo legal, pois tal arranjo n\u00e3o atende ao requisito de semelhan\u00e7a entre os indiv\u00edduos colocados para o reconhecimento<\/strong>. A l\u00f3gica por tr\u00e1s dessa exig\u00eancia \u00e9 reduzir ao m\u00e1ximo o vi\u00e9s e a possibilidade de erro por parte da testemunha, garantindo que o reconhecimento seja baseado em caracter\u00edsticas espec\u00edficas do suspeito, e n\u00e3o em preconceitos ou influ\u00eancias externas direcionadas para indicar o acusado como o autor dos crimes perpetrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a composi\u00e7\u00e3o descrita leva a uma sugest\u00e3o impl\u00edcita, em que a presen\u00e7a de uma minoria de indiv\u00edduos que compartilham caracter\u00edsticas f\u00edsicas com o suspeito (neste caso, a cor da pele) induz a testemunha a selecionar o suspeito baseado na distin\u00e7\u00e3o mais \u00f3bvia entre os participantes, em vez de uma identifica\u00e7\u00e3o cuidadosa e detalhada. Isso compromete a justi\u00e7a e a precis\u00e3o do processo de reconhecimento, indo contra o esp\u00edrito do art. 226, II, do CPP, que busca assegurar condi\u00e7\u00f5es equitativas e evitar qualquer forma de indu\u00e7\u00e3o no reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para estar em conformidade com o CPP e assegurar a integridade do processo de reconhecimento, \u00e9 fundamental que todos os indiv\u00edduos envolvidos no procedimento de reconhecimento tenham semelhan\u00e7as significativas com o suspeito, incluindo, mas n\u00e3o se limitando a caracter\u00edsticas f\u00edsicas como a cor da pele.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>11.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em delitos sexuais, a retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima autoriza a revis\u00e3o criminal para absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, quando o conjunto probat\u00f3rio se limita \u00e0 sua declara\u00e7\u00e3o e a testemunhos, sem outras provas materiais. O procedimento de reconhecimento de pessoas, para sua validade, deve assegurar a semelhan\u00e7a f\u00edsica entre o suspeito e os demais indiv\u00edduos apresentados, conforme estabelece o art. 226, II, do CPP, evitando-se sugest\u00f5es que possam influenciar a decis\u00e3o da testemunha e comprometer o reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-im-possibilidade-da-penhora-de-ate-1-4-do-peculio-obtido-pelo-condenado-para-saldar-a-pena-de-multa-determinada-em-sentenca-condenatoria\"><a>12.&nbsp; (Im)Possibilidade da penhora de at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio obtido pelo condenado para saldar a pena de multa determinada em senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a penhora de at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio obtido pelo condenado para saldar a pena de multa determinada em senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.113.000-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/4\/2024. (Info 806 STJ)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi condenado \u00e0 pena de reclus\u00e3o e multa. Cumpriu o per\u00edodo de reclus\u00e3o, mas nada de pagar a multa, raz\u00e3o pela qual ap\u00f3s a frustra\u00e7\u00e3o das tentativas de localiza\u00e7\u00e3o de valores por meio do SISBAJUD\/RENAJUD, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou a penhora de eventual pec\u00falio proveniente de trabalho no estabelecimento prisional em nome do rapaz, requerendo o bloqueio e penhora de 25% do valor informado, o que foi atendido pelo Ju\u00edzo da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Penais e confirmado pelo Tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Creitinho interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega a impenhorabilidade do pec\u00falio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>12.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 50 &#8211; A multa deve ser paga dentro de 10 (dez) dias depois de transitada em julgado a senten\u00e7a. A requerimento do condenado e conforme as circunst\u00e2ncias, o juiz pode permitir que o pagamento se realize em parcelas mensais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba &#8211; O desconto n\u00e3o deve incidir sobre os recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.210\/1984:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 29. O trabalho do preso ser\u00e1 remunerado, mediante pr\u00e9via tabela, n\u00e3o podendo ser inferior a 3\/4 (tr\u00eas quartos) do sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00b0 O produto da remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho dever\u00e1 atender:<\/p>\n\n\n\n<p>a) \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o dos danos causados pelo crime, desde que determinados judicialmente e n\u00e3o reparados por outros meios;<\/p>\n\n\n\n<p>b) \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia;<\/p>\n\n\n\n<p>c) a pequenas despesas pessoais;<\/p>\n\n\n\n<p>d) ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com a manuten\u00e7\u00e3o do condenado, em propor\u00e7\u00e3o a ser fixada e sem preju\u00edzo da destina\u00e7\u00e3o prevista nas letras anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Ressalvadas outras aplica\u00e7\u00f5es legais, ser\u00e1 depositada a parte restante para constitui\u00e7\u00e3o do pec\u00falio, em Caderneta de Poupan\u00e7a, que ser\u00e1 entregue ao condenado quando posto em liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 164. Extra\u00edda certid\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria com tr\u00e2nsito em julgado, que valer\u00e1 como t\u00edtulo executivo judicial, o Minist\u00e9rio P\u00fablico requerer\u00e1, em autos apartados, a cita\u00e7\u00e3o do condenado para, no prazo de 10 (dez) dias, pagar o valor da multa ou nomear bens \u00e0 penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Decorrido o prazo sem o pagamento da multa, ou o dep\u00f3sito da respectiva import\u00e2ncia, proceder-se-\u00e1 \u00e0 penhora de tantos bens quantos bastem para garantir a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 168. O Juiz poder\u00e1 determinar que a cobran\u00e7a da multa se efetue mediante desconto no vencimento ou sal\u00e1rio do condenado, nas hip\u00f3teses do artigo 50, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Penal, observando-se o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; o limite m\u00e1ximo do desconto mensal ser\u00e1 o da quarta parte da remunera\u00e7\u00e3o e o m\u00ednimo o de um d\u00e9cimo;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-possivel-a-penhora-do-suado-peculio\"><a>12.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a penhora do suado pec\u00falio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>\u00c9 por a\u00ed&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia reside em definir se, com fundamento no art. 50, \u00a7 2\u00ba, do CP, e no art. 833 do CPC, seria impenhor\u00e1vel o pec\u00falio do condenado.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, ap\u00f3s a frustra\u00e7\u00e3o das tentativas de localiza\u00e7\u00e3o de valores por meio do SISBAJUD\/RENAJUD, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou a penhora de eventual pec\u00falio proveniente de trabalho no estabelecimento prisional em nome do condenado, requerendo o bloqueio e penhora de 25% do valor informado, nos termos do art. 168, inciso I, da Lei n. 7.210\/1984, o que foi atendido pelo Ju\u00edzo da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Penais e confirmado pelo Tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O pec\u00falio, recebido pelo prisioneiro e previsto no art. 29,&nbsp;<em>caput<\/em>, e \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, consiste em valores monet\u00e1rios ou ativos adquiridos durante o per\u00edodo de cumprimento da pena, seja por meio do trabalho exercido dentro ou fora da institui\u00e7\u00e3o prisional<\/strong>, desde que em conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses recursos t\u00eam diversas finalidades: o detento pode utiliz\u00e1-los para adquirir produtos dentro do estabelecimento prisional, custear suas despesas pessoais e, em determinados casos, pode at\u00e9 mesmo reserv\u00e1-los para o per\u00edodo posterior \u00e0 sua libera\u00e7\u00e3o. O prop\u00f3sito principal do pec\u00falio \u00e9 garantir ao detento meios de subsist\u00eancia e contribuir para sua reintegra\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ap\u00f3s o cumprimento da pena. Al\u00e9m disso, o pec\u00falio pode ser utilizado para a repara\u00e7\u00e3o dos danos causados pelo crime cometido, desde que haja determina\u00e7\u00e3o judicial nesse sentido e que tais danos n\u00e3o sejam indenizados por outras fontes.<\/p>\n\n\n\n<p>A pena de multa representa uma modalidade espec\u00edfica de san\u00e7\u00e3o penal, impondo ao sentenciado a obriga\u00e7\u00e3o de contribuir com um valor determinado ao fundo penitenci\u00e1rio. Uma das modalidades de cumprimento da pena de multa, previsto no art. 49 do C\u00f3digo Penal, \u00e9 por meio do pec\u00falio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para cumprir a pena de multa, a legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica estabelece os procedimentos legais para resguardar o seu adimplemento, dentre eles a possibilidade de penhora de bens. O respaldo para a possibilidade de constri\u00e7\u00e3o de bens da pessoa condenada encontra-se no art. 164, \u00a71\u00b0, da Lei n. 7.210\/1984. Esse dispositivo confere autoriza\u00e7\u00e3o para a &#8220;penhora de tantos bens quanto bastem para garantir a execu\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c9 importante ressaltar que essa medida pode abranger inclusive a remunera\u00e7\u00e3o do condenado, conforme estipulado nos arts. 168, incisos I a III, e 170 do mesmo diploma legal.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 164 da LEP estabelece que, ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria com tr\u00e2nsito em julgado, que serve como t\u00edtulo executivo judicial, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitar\u00e1, em autos separados, a cita\u00e7\u00e3o do condenado. Este ter\u00e1 o prazo de 10 dias para efetuar o pagamento da multa ou indicar bens para penhora. Caso o prazo transcorra sem o pagamento da multa ou o dep\u00f3sito do valor correspondente, ser\u00e1 realizada a penhora de bens em quantidade suficiente para garantir a execu\u00e7\u00e3o, conforme determinado pelo \u00a71\u00ba do art. 164.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia admite a cobran\u00e7a da multa pena mediante desconto na remunera\u00e7\u00e3o do apenado, n\u00e3o h\u00e1 que se falar na incid\u00eancia do art. 833, IV, do CPC. <strong>Tal compreens\u00e3o segue o princ\u00edpio da especialidade, assegurando a aplica\u00e7\u00e3o efetiva das normas espec\u00edficas da legisla\u00e7\u00e3o penal execut\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os arts. 168 e 170 da Lei de Execu\u00e7\u00f5es Penais n\u00e3o entram em conflito com o disposto no \u00a7 2\u00ba do art. 50 do C\u00f3digo Penal, o qual estabelece que &#8220;o desconto [da pena de multa] n\u00e3o deve incidir sobre os recursos indispens\u00e1veis ao sustento do condenado e de sua fam\u00edlia&#8221;. Isso porque, cabe ao ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, no caso concreto, avaliar se a penhora de parte da remunera\u00e7\u00e3o comprometer\u00e1 a subsist\u00eancia do condenado e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>12.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a penhora de at\u00e9 1\/4 do pec\u00falio obtido pelo condenado para saldar a pena de multa determinada em senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-des-necessidade-de-cumprimento-integral-da-pena-pelos-crimes-impeditivos-para-concessao-do-indulto-natalino-de-2022\"><a>13.&nbsp; (Des)Necessidade de cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos para concess\u00e3o do indulto natalino de 2022.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para fins de aplica\u00e7\u00e3o do indulto previsto no Decreto Presidencial n. 11.302\/2022, os crimes cometidos em contextos diversos, fora das hip\u00f3teses de concurso, material ou formal, n\u00e3o se exige o cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 838.938-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/3\/2024, DJe 21\/3\/2024. <a>(Info 806 STJ)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, apenado em raz\u00e3o de condena\u00e7\u00e3o em diversos processos, requereu a aplica\u00e7\u00e3o do indulto previsto no Decreto Presidencial n. 11.302\/2022, o que foi deferido pelo juiz da execu\u00e7\u00e3o. O MP discordou da concess\u00e3o e interp\u00f4s recurso no qual sustenta a inconstitucionalidade do art. 5\u00ba do Decreto n. 11.302\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o MP, haveria evidente desvio de finalidade, al\u00e9m de afrontar o princ\u00edpio constitucional da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e o direito \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, quando da concess\u00e3o do indulto antes do cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-questao-juridica\"><a>13.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Concurso material<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 69 &#8211; Quando o agente, mediante mais de uma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, pratica dois ou mais crimes, id\u00eanticos ou n\u00e3o, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplica\u00e7\u00e3o cumulativa de penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o, executa-se primeiro aquela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211; Na hip\u00f3tese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade, n\u00e3o suspensa, por um dos crimes, para os demais ser\u00e1 incab\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o de que trata o art. 44 deste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<strong>\u00ba<\/strong>&nbsp;&#8211; Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprir\u00e1 simultaneamente as que forem compat\u00edveis entre si e sucessivamente as demais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Concurso formal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 70 &#8211; Quando o agente, mediante uma s\u00f3 a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, pratica dois ou mais crimes, id\u00eanticos ou n\u00e3o, aplica-se-lhe a mais grave das penas cab\u00edveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto at\u00e9 metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o \u00e9 dolosa e os crimes concorrentes resultam de des\u00edgnios aut\u00f4nomos, consoante o disposto no artigo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; N\u00e3o poder\u00e1 a pena exceder a que seria cab\u00edvel pela regra do art. 69 deste C\u00f3digo<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Rep\u00fablica:<\/p>\n\n\n\n<p>XII &#8211; conceder indulto e comutar penas, com audi\u00eancia, se necess\u00e1rio, dos \u00f3rg\u00e3os institu\u00eddos em lei;<\/p>\n\n\n\n<p>Decreto n. 11.302\/2022:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba &nbsp;Ser\u00e1 concedido indulto natalino \u00e0s pessoas condenadas por crime cuja pena privativa de liberdade m\u00e1xima em abstrato n\u00e3o seja superior a cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;Para fins do disposto no&nbsp;<strong>caput<\/strong>, na hip\u00f3tese de concurso de crimes, ser\u00e1 considerada, individualmente, a pena privativa de liberdade m\u00e1xima em abstrato relativa a cada infra\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-necessario-o-cumprimento-integral-da-pena-dos-crimes-impeditivos\"><a>13.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio o cumprimento integral da pena dos crimes impeditivos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a quest\u00e3o a saber se \u00e9 poss\u00edvel verificar os requisitos do indulto do Decreto n. 11.302\/2022 sobre cada tipo derivado de a\u00e7\u00e3o penal pr\u00f3pria, sem concurso de crimes, ou se \u00e9 necess\u00e1rio prover a jun\u00e7\u00e3o de crimes derivados de a\u00e7\u00f5es penais diversas e guias pr\u00f3prias na execu\u00e7\u00e3o penal como fator para an\u00e1lise do preenchimento dos requisitos objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 11, par\u00e1grafo \u00fanico, &#8220;n\u00e3o ser\u00e1 concedido indulto natalino correspondente a crime n\u00e3o impeditivo enquanto a pessoa condenada n\u00e3o cumprir a pena pelo crime impeditivo do benef\u00edcio, na hip\u00f3tese de haver concurso com os crimes a que se refere o art. 7\u00ba, ressalvada a concess\u00e3o fundamentada no inciso III do&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 1\u00ba&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a era de que a express\u00e3o &#8220;concurso&#8221;, utilizada pelo artigo supracitado, deveria ser compreendida em seu sentido amplo, como unifica\u00e7\u00e3o de penas, ou seja, a pr\u00e1tica de quaisquer desses delitos, n\u00e3o se referindo, apenas, nas hip\u00f3teses de concurso material e formal &#8211; arts. 69 e 70 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, contudo, em julgamento ocorrido aos 8\/11\/2023, posicionou-se no sentido de que &#8220;apenas no caso de crime impeditivo cometido em concurso com crime n\u00e3o impeditivo que se exige o cumprimento integral da reprimenda dos delitos da primeira esp\u00e9cie. Em se tratando de crimes cometidos em contextos diversos, fora das hip\u00f3teses de concurso (material ou formal), n\u00e3o h\u00e1 de se exigir o cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos&#8221; (AgRg no HC 856.053\/SC, relator Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe 14\/11\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o, destacou-se que o decreto de indulto deve ser interpretado restritivamente, sob pena de invas\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio na compet\u00eancia exclusiva da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, conforme art. 84, XII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, partindo-se de uma interpreta\u00e7\u00e3o RESTRITIVA do Decreto n. 11.302\/2002, <strong>apenas em caso de concurso de crimes impeditivos e n\u00e3o impeditivos, dentro de um mesmo contexto, n\u00e3o seria poss\u00edvel aplicar o indulto, nos termos do art. 11, par\u00e1grafo \u00fanico, do referido ato presidencial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-resultado-final\"><a>13.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para fins de aplica\u00e7\u00e3o do indulto previsto no Decreto Presidencial n. 11.302\/2022, os crimes cometidos em contextos diversos, fora das hip\u00f3teses de concurso, material ou formal, n\u00e3o se exige o cumprimento integral da pena pelos crimes impeditivos.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-10f9cd9d-ba4c-483c-9b5a-0aadf7664449\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/15194513\/stj-informativo-806.pdf\">stj-informativo-806<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2024\/04\/15194513\/stj-informativo-806.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-10f9cd9d-ba4c-483c-9b5a-0aadf7664449\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um passo em nossa caminhada&#8230; Informativos n\u00ba 806 do STJ\u00a0COMENTADO entra na parada. 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