{"id":1262067,"date":"2023-08-09T09:16:44","date_gmt":"2023-08-09T12:16:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1262067"},"modified":"2023-08-09T09:16:47","modified_gmt":"2023-08-09T12:16:47","slug":"revisao-stj-parte-3-2023-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/revisao-stj-parte-3-2023-1\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o STJ (Parte 3) 2023.1"},"content":{"rendered":"\n<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! Bora revisar o que de mais importante o Tribunal da Cidadania decidiu no primeiro semestre de 2023. Nessa Parte 3 da nossa revis\u00e3o temos ECA, Direito Ambiental, Previdenci\u00e1rio, Tribut\u00e1rio, e Empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/09091627\/stj-revisao-ii-2023-1-2.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_lfA9hBKqLUc\"><div id=\"lyte_lfA9hBKqLUc\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/lfA9hBKqLUc\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/lfA9hBKqLUc\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/lfA9hBKqLUc\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a><\/a><a>DIREITO <\/a>DO CONSUMIDOR<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-abrangencia-da-internacao-domiciliar-em-substituicao-a-internacao-hospitalar\"><a><\/a><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Abrang\u00eancia da interna\u00e7\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio &#8211; insumos a que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.017.759-MS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, curador de Judite, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de MaisSa\u00fade pretendendo o custeio do tratamento m\u00e9dico na modalidade de <em>home care<\/em>, incluindo os insumos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a operadora do plano de sa\u00fade sustenta n\u00e3o haver qualquer previs\u00e3o na Lei que imponha o dever das operadoras de planos de sa\u00fade em prestar atendimento domiciliar e que o <em>home care<\/em> seria uma liberalidade da operadora para pacientes que efetivamente apresentem necessidade do tratamento em regime de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, j\u00e1 que n\u00e3o possui cobertura contratual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 12.&nbsp; S\u00e3o facultadas a oferta, a contrata\u00e7\u00e3o e a vig\u00eancia dos produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1o do art. 1o desta Lei, nas segmenta\u00e7\u00f5es previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as respectivas amplitudes de cobertura definidas no plano-refer\u00eancia de que trata o art. 10, segundo as seguintes exig\u00eancias m\u00ednimas:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; quando incluir interna\u00e7\u00e3o hospitalar:<\/p>\n\n\n\n<p>c) cobertura de despesas referentes a honor\u00e1rios m\u00e9dicos, servi\u00e7os gerais de enfermagem e alimenta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>d)&nbsp;cobertura de exames complementares indispens\u00e1veis para o controle da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e elucida\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, fornecimento de medicamentos, anest\u00e9sicos, gases medicinais, transfus\u00f5es e sess\u00f5es de quimioterapia e radioterapia, conforme prescri\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente, realizados ou ministrados durante o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/p>\n\n\n\n<p>e)&nbsp;cobertura de toda e qualquer taxa, incluindo materiais utilizados, assim como da remo\u00e7\u00e3o do paciente, comprovadamente necess\u00e1ria, para outro estabelecimento hospitalar, dentro dos limites de abrang\u00eancia geogr\u00e1fica previstos no contrato, em territ\u00f3rio brasileiro; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>g)&nbsp;cobertura para tratamentos antineopl\u00e1sicos ambulatoriais e domiciliares de uso oral, procedimentos radioter\u00e1picos para tratamento de c\u00e2ncer e hemoterapia, na qualidade de procedimentos cuja necessidade esteja relacionada \u00e0 continuidade da assist\u00eancia prestada em \u00e2mbito de interna\u00e7\u00e3o hospitalar;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-a-internacao-em-home-care-deve-abranger-tambem-os-insumos\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interna\u00e7\u00e3o em <em>home care<\/em> deve abranger tamb\u00e9m os insumos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00fade suplementar, os Servi\u00e7os de Aten\u00e7\u00e3o Domiciliar &#8211; SAD, na modalidade de interna\u00e7\u00e3o domiciliar PODEM ser oferecidos pelas operadoras como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar. Somente o m\u00e9dico assistente do benefici\u00e1rio poder\u00e1 determinar se h\u00e1 ou n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar e a operadora n\u00e3o pode suspender uma interna\u00e7\u00e3o hospitalar pelo simples pedido de interna\u00e7\u00e3o domiciliar. <strong>Caso a operadora n\u00e3o concorde em oferecer o servi\u00e7o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, dever\u00e1 manter o benefici\u00e1rio internado at\u00e9 sua alta hospitalar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta-se a isso que, nos termos da jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;<strong>\u00e9 abusiva a cl\u00e1usula contratual que veda a interna\u00e7\u00e3o domiciliar (<em>home care<\/em>) como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando a operadora, por sua livre iniciativa ou por previs\u00e3o contratual, oferecer a interna\u00e7\u00e3o domiciliar como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, o Servi\u00e7o de Aten\u00e7\u00e3o Domiciliar &#8211; SAD dever\u00e1 obedecer \u00e0s exig\u00eancias m\u00ednimas<\/strong> previstas na <a>Lei n. 9.656\/1998<\/a>, para os planos de segmenta\u00e7\u00e3o hospitalar, em especial o disposto nas al\u00edneas &#8220;c&#8221;, &#8220;d&#8221;, &#8220;e&#8221; e &#8220;g&#8221;, do inciso II do artigo 12 da referida Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dizer, a cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio, ou seja, aqueles insumos a que ele faria jus acaso estivesse internado no hospital, sob pena de DESVIRTUAMENTO da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios, e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sinal, o atendimento domiciliar deficiente, nessas hip\u00f3teses, levar\u00e1, ao fim e ao cabo, a novas interna\u00e7\u00f5es hospitalares, as quais obrigar\u00e3o a operadora, inevitavelmente, ao custeio integral de todos os procedimentos e eventos delas decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por outro motivo, a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.378.707\/RJ (julgado em 26\/5\/2015, DJe 15\/6\/2015), decidiu, \u00e0 unanimidade, que &#8220;nos contratos de plano de sa\u00fade sem contrata\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o servi\u00e7o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar (<em>home care<\/em>) pode ser utilizado em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, desde que observados certos requisitos como a indica\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente, a concord\u00e2ncia do paciente e a n\u00e3o afeta\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio contratual nas hip\u00f3teses em que o custo do atendimento domiciliar por dia supera o custo di\u00e1rio em hospital&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio &#8211; insumos a que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-dever-do-plano-de-saude-de-reembolsar-as-despesas-medico-hospitalares-realizadas-por-beneficiario-fora-da-rede-credenciada-na-hipotese-em-que-descumpre-o-dever-de-garantir-o-atendimento-no-mesmo-municipio\"><a><\/a><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dever do plano de sa\u00fade de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Plano de sa\u00fade tem o dever de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 27\/9\/2022, DJe 16\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino \u00e9 benefici\u00e1rio do plano de sa\u00fade Unimais. Ocorre que Crementino reside em uma cidade pequena, sem rede credenciada no referido plano. Quando necess\u00e1rio, Crementino se desloca para a cidade maior mais pr\u00f3xima onde a cobertura do plano \u00e9 mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um belo dia, Crementino necessitou de tratamento urgente, raz\u00e3o pela qual buscou atendimento no pr\u00f3prio munic\u00edpio de resid\u00eancia em um prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial do plano. Pagou as despesas m\u00e9dicas hospitalares e requereu o reembolso ao plano de sa\u00fade, que negou o pedido sob a alega\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o de reembolso.<\/p>\n\n\n\n<p>*Processo sob segredo de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-o-plano-deve-reembolsar-os-valores\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O plano deve reembolsar os valores?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Controv\u00e9rsia afeta \u00e0 possibilidade de considerar cumprida a obriga\u00e7\u00e3o do plano de garantir acesso do benefici\u00e1rio aos servi\u00e7os e procedimentos para atendimento das coberturas, na hip\u00f3tese de indisponibilidade de prestador de servi\u00e7o credenciado no munic\u00edpio de abrang\u00eancia do plano, quando existir hospital credenciado em munic\u00edpio lim\u00edtrofe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n. 259\/2011 da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), em caso de indisponibilidade de prestador credenciado da rede assistencial que ofere\u00e7a o servi\u00e7o ou procedimento demandado, no munic\u00edpio pertencente \u00e0 \u00e1rea geogr\u00e1fica de abrang\u00eancia e \u00e0 \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do produto, a operadora dever\u00e1 garantir o atendimento, preferencialmente, no \u00e2mbito do mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial da operadora do plano de sa\u00fade<\/strong>, cujo pagamento se dar\u00e1 mediante acordo entre as partes (operadora do plano e prestador).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se o caso,<strong> competia \u00e0 operadora de sa\u00fade ter realizado a indica\u00e7\u00e3o de prestador n\u00e3o credenciado para o atendimento da benefici\u00e1ria no munic\u00edpio de abrang\u00eancia<\/strong>, sendo certo que o pagamento se daria &#8220;mediante acordo entre as partes&#8221;, ou seja, entre a operadora e o prestador do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se, que, nessas hip\u00f3teses, a operadora tem a obriga\u00e7\u00e3o, ainda, de custear o transporte do benefici\u00e1rio (ida e volta) e se, por qualquer motivo, descumprir a garantia de atendimento, incidir\u00e1 o disposto no artigo 9\u00ba, que prev\u00ea reembolso integral.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja em raz\u00e3o da primazia do atendimento no munic\u00edpio pertencente \u00e0 \u00e1rea geogr\u00e1fica de abrang\u00eancia, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede credenciada, seja em virtude da n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o, pela operadora, de prestador junto ao qual tenha firmado acordo, bem como diante da impossibilidade de a parte autora se locomover a munic\u00edpio lim\u00edtrofe, afigura-se devido o reembolso integral das despesas realizadas, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da solicita\u00e7\u00e3o de reembolso, conforme previs\u00e3o expressa do artigo 9\u00b0 da RN n. 259\/11 da ANS.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-resultado-final\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Plano de sa\u00fade tem o dever de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-i-licitude-da-peca-publicitaria-em-que-o-fabricante-ou-o-prestador-de-servico-se-autoavalia-como-o-melhor-naquilo-que-faz\"><a><\/a><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Licitude da pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcita a pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz, pr\u00e1tica caracterizada como puffing (n\u00e3o il\u00edcita).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.759.745-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Unilever, dona da marca de maionese Helmann\u00b4s, acionou o CADE para determinar a suspens\u00e3o do uso das express\u00f5es \u201cHeinz, o ketchup mais consumido do mundo\u201d e \u201cHeinz, melhor em tudo o que faz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Heinz Brasil ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando a ilegalidade da suspens\u00e3o. A senten\u00e7a considerou as express\u00f5es l\u00edcitas, mas determinou que a frase referente ao maior consumo fosse acompanhada de fonte de pesquisa que confirmasse a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Unilever interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que a utiliza\u00e7\u00e3o de tais express\u00f5es seria propaganda enganosa. Alega ainda que a frase \u201cmelhor em tudo o que faz\u201d n\u00e3o seria pass\u00edvel de medi\u00e7\u00e3o objetiva pelo consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37. \u00c9 proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei da Propriedade Industrial:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 195. Comete crime de concorr\u00eancia desleal quem:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; publica, por qualquer meio, falsa afirma\u00e7\u00e3o, em detrimento de concorrente, com o fim de obter vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; presta ou divulga, acerca de concorrente, falsa informa\u00e7\u00e3o, com o fim de obter vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; emprega meio fraudulento, para desviar, em proveito pr\u00f3prio ou alheio, clientela de outrem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; usa express\u00e3o ou sinal de propaganda alheios, ou os imita, de modo a criar confus\u00e3o entre os produtos ou estabelecimentos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; usa, indevidamente, nome comercial, t\u00edtulo de estabelecimento ou ins\u00edgnia alheios ou vende, exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda ou tem em estoque produto com essas refer\u00eancias;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; substitui, pelo seu pr\u00f3prio nome ou raz\u00e3o social, em produto de outrem, o nome ou raz\u00e3o social deste, sem o seu consentimento;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; atribui-se, como meio de propaganda, recompensa ou distin\u00e7\u00e3o que n\u00e3o obteve;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VIII &#8211; vende ou exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda, em recipiente ou inv\u00f3lucro de outrem, produto adulterado ou falsificado, ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma esp\u00e9cie, embora n\u00e3o adulterado ou falsificado, se o fato n\u00e3o constitui crime mais grave;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IX &#8211; d\u00e1 ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente, para que o empregado, faltando ao dever do emprego, lhe proporcione vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>X &#8211; recebe dinheiro ou outra utilidade, ou aceita promessa de paga ou recompensa, para, faltando ao dever de empregado, proporcionar vantagem a concorrente do empregador;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XI &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de conhecimentos, informa\u00e7\u00f5es ou dados confidenciais, utiliz\u00e1veis na ind\u00fastria, com\u00e9rcio ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, exclu\u00eddos aqueles que sejam de conhecimento p\u00fablico ou que sejam evidentes para um t\u00e9cnico no assunto, a que teve acesso mediante rela\u00e7\u00e3o contratual ou empregat\u00edcia, mesmo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XII &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de conhecimentos ou informa\u00e7\u00f5es a que se refere o inciso anterior, obtidos por meios il\u00edcitos ou a que teve acesso mediante fraude; ou<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XIII &#8211; vende, exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda produto, declarando ser objeto de patente depositada, ou concedida, ou de desenho industrial registrado, que n\u00e3o o seja, ou menciona-o, em an\u00fancio ou papel comercial, como depositado ou patenteado, ou registrado, sem o ser;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XIV &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de resultados de testes ou outros dados n\u00e3o divulgados, cuja elabora\u00e7\u00e3o envolva esfor\u00e7o consider\u00e1vel e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condi\u00e7\u00e3o para aprovar a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-tudo-certo-arnaldo\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se configuraria propaganda enganosa ou concorr\u00eancia desleal a utiliza\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>claim<\/em>&nbsp;&#8220;Melhor em tudo o que faz&#8221;, pois seria uma informa\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de medi\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa express\u00e3o caracteriza-se como&nbsp;<em>puffing<\/em>, sendo forma de publicidade que utiliza o exagero publicit\u00e1rio como m\u00e9todo de convencimento dos consumidores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito deste m\u00e9todo publicit\u00e1rio, a doutrina aponta que &#8220;haver\u00e1 muitos casos em que o&nbsp;<em>puffing<\/em>, ainda que utilizado intencionalmente para atrair o consumidor incauto, acaba n\u00e3o podendo ser capaz de tornar enganoso o an\u00fancio. Isso \u00e9 muito comum nos casos dos aspectos subjetivos t\u00edpicos dos produtos ou servi\u00e7os: quando se diz que \u00e9 o &#8216;mais gostoso&#8217;; tenha &#8216;o melhor paladar&#8217;; &#8216;o melhor sabor&#8217;; &#8216;o lugar mais aconchegante&#8217;; &#8216;o mais acolhedor&#8217;; &#8216;a melhor com\u00e9dia&#8217;; &#8216;o filme do ano&#8217;; etc. Como tais afirma\u00e7\u00f5es dependem de uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica (ou n\u00e3o) subjetiva de cada consumidor, fica dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, atribuir de fato a possibilidade da prova da verdade da afirma\u00e7\u00e3o. <strong>Afinal, gosto \u00e9 dif\u00edcil de discutir<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, de acordo com o exposto nas raz\u00f5es do especial, as pe\u00e7as publicit\u00e1rias dariam a entender ser o seu produto melhor do que outros em rela\u00e7\u00e3o aos atributos cor, consist\u00eancia e sabor, e, por esse motivo, a ocorr\u00eancia de propaganda enganosa, bem como concorr\u00eancia desleal capazes de violar, respectivamente, o art. 37 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e o art. 195 da Lei da Propriedade Industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel proibir o fabricante ou prestador de servi\u00e7o de se autoproclamar o melhor naquilo que faz, mormente porque essa \u00e9 a autoavalia\u00e7\u00e3o do seu produto e a meta a ser alcan\u00e7ada, ainda mais quando n\u00e3o h\u00e1 nenhuma mensagem depreciativa no tocante aos seus concorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>a empresa concorrente, em sua argumenta\u00e7\u00e3o, realiza uma excessiva infantiliza\u00e7\u00e3o do consumidor m\u00e9dio brasileiro<\/strong>, como se a partir de determinada pe\u00e7a publicit\u00e1ria tudo fosse levado ao p\u00e9 da letra, ignorando a relev\u00e2ncia das prefer\u00eancias pessoais, bem como a an\u00e1lise subjetiva de custo-benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se, desse modo, que os exemplos indicados pela doutrina como de&nbsp;<em>puffing<\/em>&nbsp;se amoldam perfeitamente \u00e0 hip\u00f3tese&nbsp;<em>sub judice<\/em>, qual seja, uma afirma\u00e7\u00e3o exagerada que depende de uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica subjetiva para averigua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensura\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, caso se considere existir conte\u00fado comparativo na express\u00e3o entre o produto de uma empresa e os demais da mesma esp\u00e9cie oferecidos no mercado, o entendimento do STJ firmou-se no sentido de admitir a publicidade comparativa, desde que obede\u00e7a ao princ\u00edpio da veracidade das informa\u00e7\u00f5es, seja objetiva e n\u00e3o abusiva. <strong>A propaganda ilegal \u00e9 aquela que induz em erro o consumidor, causando confus\u00e3o entre as marcas, ocorrendo de maneira a depreciar a marca do concorrente, com o consequente desvio de sua clientela, prestando informa\u00e7\u00f5es falsas e n\u00e3o objetivas<\/strong> (REsp 1.377.911\/SP, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 2\/10\/2014, DJe 19\/12\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, na express\u00e3o veiculada nas propagandas comerciais, nenhuma deprecia\u00e7\u00e3o aos produtos de suas concorrentes, apenas exorta\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio, o que n\u00e3o \u00e9 vedado pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 L\u00cdCITA a utiliza\u00e7\u00e3o da frase &#8220;Melhor em tudo o que faz&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcita a pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz, pr\u00e1tica caracterizada como puffing.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-responsabilidade-do-shopping-center-e-estacionamento-vinculado-em-caso-de-roubo-a-mao-armada-ocorrido-na-cancela-para-ingresso-no-estabelecimento-comercial-em-via-publica\"><a><\/a><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade do shopping center e estacionamento vinculado em caso de roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O shopping center e o estacionamento vinculado a ele podem ser responsabilizados por roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.031.816-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio, parou seu ve\u00edculo Palio 1997 na cancela do shopping center para apertar o bot\u00e3o e pegar o ticket do estacionamento. Eis que foi assaltado por um indiv\u00edduo armado que levou sua carteira, rel\u00f3gio e celular. N\u00e3o havia qualquer agente de seguran\u00e7a no local.<\/p>\n\n\n\n<p>Chateado, Maur\u00edcio ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo a condena\u00e7\u00e3o do shopping em danos morais e materiais. Em sua defesa, o shopping e o estacionamento vinculado alegaram que o assalto ocorreu na parte de fora da cancela, ou seja, em via p\u00fablica, o que lhes retiraria a responsabilidade pelo ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-possivel-a-responsabilizacao-do-shopping-e-estacionamento\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o do Shopping e estacionamento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pragmaticamente, <strong>incide o regramento consumerista no percurso relacionado com a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o e, notadamente, quando o fornecedor dele se vale no interesse de atrair o consumidor<\/strong>. Assim, na hip\u00f3tese de se exigir do consumidor determinada conduta para que usufrua do servi\u00e7o prestado pela fornecedora, colocando-o em vulnerabilidade n\u00e3o s\u00f3 jur\u00eddica, mas sobretudo f\u00e1tica, ainda que momentaneamente, se houver falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, ser\u00e1 o fornecedor obrigado a indeniz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de racioc\u00ednio, quando o consumidor, com a finalidade de ingressar no estacionamento de&nbsp;<em>shopping center<\/em>, tem de reduzir a velocidade ou at\u00e9 mesmo parar seu ve\u00edculo e se submeter \u00e0 cancela &#8211; barreira f\u00edsica imposta pelo fornecedor e em seu benef\u00edcio &#8211; incide a prote\u00e7\u00e3o consumerista, ainda que o consumidor n\u00e3o tenha ultrapassado referido obst\u00e1culo e mesmo que este esteja localizado na via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa hip\u00f3tese, o consumidor se encontra, de fato, na \u00e1rea de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o oferecido pelo estabelecimento comercial. Por conseguinte, tamb\u00e9m nessa \u00e1rea incidem os deveres inerentes \u00e0s rela\u00e7\u00f5es consumeristas e ao fornecimento de seguran\u00e7a indispens\u00e1vel que se espera dos estacionamentos de&nbsp;<em>shoppings centers.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ analisou situa\u00e7\u00e3o parecida, na qual o consumidor que se encontrava dentro de estacionamento de&nbsp;<em>shopping center<\/em>, ao parar na cancela para sair do referido estabelecimento, foi surpreendido pela abordagem de indiv\u00edduos com arma de fogo que tentaram subtrair seus pertences (REsp 1.269.691\/PB, Quarta Turma, DJe 5\/3\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da mesma maneira como sucede com a sa\u00edda, o consumidor tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito a tal vulnerabilidade ao ingressar no estabelecimento<\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio que aquele, a fim de utilizar o servi\u00e7o oferecido pela recorrente, permane\u00e7a &#8211; ainda que por pouco tempo &#8211; desprotegido ao esperar a emiss\u00e3o do ticket e o levantamento da cancela.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, a \u00fanica raz\u00e3o para que o consumidor permane\u00e7a desprotegido, aguardando a abertura da cancela, \u00e9, justamente, para ingressar no estabelecimento do fornecedor. Logo, <strong>n\u00e3o pode o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;buscar afastar sua responsabilidade por aquilo que criou para se beneficiar e que tamb\u00e9m lhe incumbe proteger, sob pena de violar at\u00e9 mesmo o comando da boa-f\u00e9 objetiva e o princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o contratual do consumidor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;e o estacionamento vinculado podem ser responsabilizados por defeitos na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 quando o consumidor se encontra efetivamente dentro da \u00e1rea assegurada, mas tamb\u00e9m quando se submete \u00e0 cancela para ingressar no estabelecimento comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange especificamente \u00e0 responsabilidade de<em>&nbsp;shoppings centers<\/em>, este Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;conferindo interpreta\u00e7\u00e3o extensiva \u00e0 S\u00famula n. 130\/STJ, entende que estabelecimentos comerciais, tais como grandes&nbsp;<em>shoppings centers<\/em>&nbsp;e hipermercados, ao oferecerem estacionamento, ainda que gratuito, respondem pelos assaltos \u00e0 m\u00e3o armada praticados contra os clientes quando, apesar de o estacionamento n\u00e3o ser inerente \u00e0 natureza do servi\u00e7o prestado, gera leg\u00edtima expectativa de seguran\u00e7a ao cliente em troca dos benef\u00edcios financeiros indiretos decorrentes desse acr\u00e9scimo de conforto aos consumidores&#8221; (EREsp 1.431.606\/SP, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe 2\/5\/2019) &#8211; com exce\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese em que o estacionamento representa &#8220;mera comodidade, sendo \u00e1rea aberta, gratuita e de livre acesso por todos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, n\u00e3o cabe d\u00favida de que a empresa que agrega ao seu neg\u00f3cio um servi\u00e7o visando \u00e0 comodidade e \u00e0 seguran\u00e7a do cliente deve responder por eventuais defeitos ou defici\u00eancias na sua presta\u00e7\u00e3o. Afinal, servi\u00e7os dessa natureza n\u00e3o t\u00eam outro objetivo sen\u00e3o atrair um n\u00famero maior de consumidores ao estabelecimento, incrementando o movimento e, por via de consequ\u00eancia, o lucro, devendo o fornecedor, portanto, suportar os \u00f4nus respectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos expostos, pode-se concluir que o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;que oferece estacionamento responde por roubo perpetrado por terceiro \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento, uma vez que gerou no consumidor expectativa leg\u00edtima de seguran\u00e7a em troca dos benef\u00edcios financeiros que percebera indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-resultado-final\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O shopping center e o estacionamento vinculado a ele podem ser responsabilizados por roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-requisitos-da-notificacao-do-consumidor-acerca-da-inscricao-de-seu-nome-em-cadastro-restritivo-de-credito\"><a><\/a><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos da notifica\u00e7\u00e3o do consumidor acerca da inscri\u00e7\u00e3o de seu nome em cadastro restritivo de cr\u00e9dito<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A notifica\u00e7\u00e3o do consumidor acerca da inscri\u00e7\u00e3o de seu nome em cadastro restritivo de cr\u00e9dito exige o pr\u00e9vio envio de correspond\u00eancia ao seu endere\u00e7o, sendo vedada a notifica\u00e7\u00e3o exclusiva por meio de e-mail ou mensagem de texto de celular (SMS).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.056.285-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 25\/4\/2023, DJe 27\/4\/2023. (Info 773)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete ajuizou a\u00e7\u00e3o objetivando o cancelamento de inscri\u00e7\u00f5es negativas realizadas em seu nome junto a \u00f3rg\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito. O CPC, por sua vez, sustenta que teria notificado a devedora por meio de SMS e e-mail.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Craudete interp\u00f4s sucessivos recursos alegando que caberia ao \u00f3rg\u00e3o mantenedor do Cadastro de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito a notifica\u00e7\u00e3o postal do devedor antes de proceder \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00ba A Pol\u00edtica Nacional das Rela\u00e7\u00f5es de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito \u00e0 sua dignidade, sa\u00fade e seguran\u00e7a, a prote\u00e7\u00e3o de seus interesses econ\u00f4micos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transpar\u00eancia e harmonia das rela\u00e7\u00f5es de consumo, atendidos os seguintes princ\u00edpios:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 43. O consumidor, sem preju\u00edzo do disposto no art. 86, ter\u00e1 acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00b0 A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo dever\u00e1 ser comunicada por escrito ao consumidor, quando n\u00e3o solicitada por ele.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-necessario-o-envio-de-correspondencia\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio o envio de correspond\u00eancia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal consiste em dizer se a notifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o do consumidor em cadastro de inadimplentes, prevista no \u00a7 2\u00ba do art. 43 do CDC, pode ser realizada, exclusivamente, por e-mail ou por mensagem de texto de celular (SMS).<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 de conhecimento ordin\u00e1rio, <strong>a vulnerabilidade do consumidor, presumida pelo CDC, n\u00e3o decorre apenas de fatores econ\u00f4micos, desdobrando-se em diversas esp\u00e9cies<\/strong>, a saber: a) vulnerabilidade informacional; b) vulnerabilidade t\u00e9cnica; c) vulnerabilidade jur\u00eddica ou cient\u00edfica; e d) vulnerabilidade f\u00e1tica ou socioecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>admitir a notifica\u00e7\u00e3o, exclusivamente, via e-mail ou por simples mensagem de texto de celular representaria diminui\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o do consumidor &#8211;<\/strong> conferida pela lei e pela jurisprud\u00eancia do STJ -, caminhando em sentido CONTR\u00c1RIO ao escopo da norma, causando les\u00e3o ao bem ou interesse juridicamente protegido.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra \u00e9 que os consumidores possam atuar no mercado de consumo sem m\u00e1cula alguma em seu nome; a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a inscri\u00e7\u00e3o do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes, desde que autorizada pela lei. Est\u00e1 em mira a pr\u00f3pria dignidade do consumidor (Art. 4\u00ba, caput, do CDC).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a doutrina, &#8220;os arquivos de consumo, em todo o mundo, s\u00e3o vistos com desconfian\u00e7a. Esse receio n\u00e3o \u00e9 destitu\u00eddo de fundamento, remontando a quatro tra\u00e7os b\u00e1sicos inerentes a esses organismos e que se chocam com m\u00e1ximas da vida democr\u00e1tica contempor\u00e2nea, do&nbsp;<em>Welfare State:<\/em>&nbsp;a unilateralidade (s\u00f3 arquivam dados de um dos sujeitos da rela\u00e7\u00e3o obrigacional), a invasividade (disseminam informa\u00e7\u00f5es que, normalmente, integram o reposit\u00f3rio da vida privada do cidad\u00e3o), a parcialidade (enfatizam os aspectos negativos da vida financeira do consumidor) e o descaso pelo&nbsp;<em>due process<\/em>&nbsp;(negam ao &#8216;negativado&#8217; direitos fundamentais garantidos pela ordem constitucional). Por isso mesmo, submetem-se eles a r\u00edgido controle legal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras &#8220;apesar de facilitar a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es aptas a subsidiar a concess\u00e3o de cr\u00e9dito, notou-se que a atividade da coleta, do armazenamento e do fornecimento de dados sobre os h\u00e1bitos de consumo p\u00f5e em risco os direitos da personalidade dos consumidores. H\u00e1, de fato, manifesta tens\u00e3o entre os proveitos econ\u00f4micos da atividade de coleta de dados e a prote\u00e7\u00e3o constitucional aos direitos da personalidade e \u00e0 dignidade da pessoa humana, raz\u00e3o pela qual se vislumbrou interesse p\u00fablico em sua regula\u00e7\u00e3o&#8221; (REsp n. 1.630.659\/DF, Terceira Turma, julgado em 11\/9\/2018, DJe de 21\/9\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, n\u00e3o h\u00e1 como se admitir que a notifica\u00e7\u00e3o do consumidor seja realizada, t\u00e3o somente, por simples e-mail ou mensagem de texto de celular, por se tratar de exegese ampliativa que, na esp\u00e9cie, n\u00e3o deve ser admitida.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, do exame dos precedentes que deram origem \u00e0 S\u00famula 404 do STJ, constata-se que, muito embora afastem a necessidade do aviso de recebimento (AR), n\u00e3o deixam de exigir que a notifica\u00e7\u00e3o do \u00a7 2\u00ba do art. 43 do CDC seja realizada mediante envio de correspond\u00eancia ao endere\u00e7o do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode olvidar que a referida s\u00famula, ao dispensar o aviso de recebimento (AR), j\u00e1 operou relevante flexibiliza\u00e7\u00e3o nas formalidades da notifica\u00e7\u00e3o ora examinada, n\u00e3o se revelando razo\u00e1vel nova flexibiliza\u00e7\u00e3o em preju\u00edzo da parte vulner\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o de consumo sem que exista justificativa alguma para tal medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, em \u00e2mbito doutrin\u00e1rio, \u00e9 comum a afirma\u00e7\u00e3o de que, para o cumprimento da exig\u00eancia prevista no \u00a7 2\u00ba do art. 43 do CDC, embora n\u00e3o seja necess\u00e1rio o aviso de recebimento (AR), &#8220;basta a comprova\u00e7\u00e3o de sua postagem para o endere\u00e7o informado pelo devedor ao credor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A notifica\u00e7\u00e3o do consumidor acerca da inscri\u00e7\u00e3o de seu nome em cadastro restritivo de cr\u00e9dito exige o pr\u00e9vio envio de correspond\u00eancia ao seu endere\u00e7o, sendo vedada a notifica\u00e7\u00e3o exclusiva por meio de e-mail ou mensagem de texto de celular (SMS).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-responsabilidade-da-instituicao-financeira-quando-descumpre-o-dever-de-seguranca-que-lhe-cabe-e-nao-obsta-a-realizacao-de-compras-com-cartao-de-credito-em-estabelecimento-comercial-suspeito-com-perfil-de-compra-de-consumidor-que-discrepa-das-aquisicoes-fraudulentas-efetivadas\"><a><\/a><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o financeira quando descumpre o dever de seguran\u00e7a que lhe cabe e n\u00e3o obsta a realiza\u00e7\u00e3o de compras com cart\u00e3o de cr\u00e9dito em estabelecimento comercial suspeito, com perfil de compra de consumidor que discrepa das aquisi\u00e7\u00f5es fraudulentas efetivadas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o financeira responde civilmente, caracterizando-se fortuito interno, nos termos do art. 14, \u00a7 3\u00ba, do CDC, quando descumpre o dever de seguran\u00e7a que lhe cabe e n\u00e3o obsta a realiza\u00e7\u00e3o de compras com cart\u00e3o de cr\u00e9dito em estabelecimento comercial suspeito, com perfil de compra de consumidor que discrepa das aquisi\u00e7\u00f5es fraudulentas efetivadas.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.728.279-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/5\/2023, DJe 17\/5\/2023. (Info 776)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementina, senhora idosa, foi v\u00edtima de um golpe. Os golpistas ligaram para ela se identificando como empregados do banco no qual a idosa mantinha conta e cart\u00e3o de cr\u00e9dito, informaram que o cart\u00e3o da idosa fora clonado e que iriam enviar um motoboy at\u00e9 a casa dela para recolher o cart\u00e3o e a senha da idosa.<\/p>\n\n\n\n<p>De posse do cart\u00e3o de cr\u00e9dito, os golpistas come\u00e7aram a efetuar compras em valores vultosos, at\u00e9 estourar o limite do cart\u00e3o. Restou claro no processo que Crementina costumava usar o cart\u00e3o somente na fun\u00e7\u00e3o d\u00e9bito, em pequenas compras de at\u00e9 R$ 100,00, mas no dia em quest\u00e3o os meliantes fizeram reiteradas compras acima de R$ 5.000,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada com a negativa da Institui\u00e7\u00e3o Financeira em ressarcir os valores, Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual alega a responsabilidade desta, que teria descumprido seu dever de seguran\u00e7a ao n\u00e3o obstar a realiza\u00e7\u00e3o de compras por cart\u00e3o de cr\u00e9dito em estabelecimento comercial objeto de suspeita em transa\u00e7\u00f5es anteriores, na mesma data, asseverando que o perfil de compra da cliente discrepava do volume das transa\u00e7\u00f5es fraudulentas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 14. O fornecedor de servi\u00e7os responde, independentemente da exist\u00eancia de culpa, pela repara\u00e7\u00e3o dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, bem como por informa\u00e7\u00f5es insuficientes ou inadequadas sobre sua frui\u00e7\u00e3o e riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00b0 O fornecedor de servi\u00e7os s\u00f3 n\u00e3o ser\u00e1 responsabilizado quando provar:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; que, tendo prestado o servi\u00e7o, o defeito inexiste;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-a-if-e-responsavel\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A IF \u00e9 respons\u00e1vel?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Pode apostar!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se a responsabiliza\u00e7\u00e3o de empresa respons\u00e1vel por cart\u00e3o de cr\u00e9dito por descumprir seu dever de seguran\u00e7a constitui ofensa ao art. 14, \u00a7 3\u00ba, I e II, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC).<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento jurisprudencial do STJ \u00e9 de que <strong>a responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o financeira deve ser afastada quando o evento danoso decorre de transa\u00e7\u00f5es realizadas com a apresenta\u00e7\u00e3o f\u00edsica do cart\u00e3o original e mediante uso de senha pessoal do correntista<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, no caso, apesar de o consumidor ter entregue seus cart\u00f5es a motoboy ap\u00f3s telefonema de um suposto funcion\u00e1rio da institui\u00e7\u00e3o financeira, o qual detinha conhecimento dos dados pessoais e das informa\u00e7\u00f5es referentes \u00e0s suas \u00faltimas transa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 como afastar a responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o financeira. H\u00e1 evidente descumprimento no seu dever de seguran\u00e7a ao n\u00e3o obstar a realiza\u00e7\u00e3o de compras por cart\u00e3o de cr\u00e9dito em estabelecimento comercial objeto de suspeita em transa\u00e7\u00f5es anteriores, na mesma data, e que discrepam do perfil de gastos do consumidor nos meses anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o se pode olvidar que <strong>a vulnerabilidade do sistema banc\u00e1rio, que admite opera\u00e7\u00f5es totalmente at\u00edpicas em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o de consumo dos consumidores, viola o dever de seguran\u00e7a que cabe \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras e, por conseguinte, cristaliza a falha na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A institui\u00e7\u00e3o financeira responde civilmente, caracterizando-se fortuito interno, nos termos do art. 14, \u00a7 3\u00ba, do CDC, quando descumpre o dever de seguran\u00e7a que lhe cabe e n\u00e3o obsta a realiza\u00e7\u00e3o de compras com cart\u00e3o de cr\u00e9dito em estabelecimento comercial suspeito, com perfil de compra de consumidor que discrepa das aquisi\u00e7\u00f5es fraudulentas efetivadas.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-ambiental\"><a>DIREITO AMBIENTAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-eficacia-retroativa-da-lei-n-12-651-2012-e-reconhecimento-de-situacoes-consolidadas-e-a-regularizacao-ambiental-de-imoveis-rurais-levando-em-conta-suas-novas-disposicoes\"><a><\/a><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efic\u00e1cia retroativa da Lei n. 12.651\/2012 e reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es consolidadas e a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental de im\u00f3veis rurais levando em conta suas novas disposi\u00e7\u00f5es<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A efic\u00e1cia retroativa da Lei n. 12.651\/2012 permite o reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es consolidadas e a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental de im\u00f3veis rurais levando em conta suas novas disposi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o vigente na data dos il\u00edcitos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.668.484-SP, Rel. Ministro Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF da 5\u00aa Regi\u00e3o), Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 5\/12\/2022, DJe 7\/12\/2022. (Info 768)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a observ\u00e2ncia do disposto no antigo C\u00f3digo Florestal no que diz respeito ao c\u00f4mputo das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente no c\u00e1lculo do percentual de Reserva Legal. O juiz competente julgou improcedente os pedidos. Em apela\u00e7\u00e3o, o tribunal local negou provimento ao recurso do parquet. Inconformado, o MP interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta a irretroatividade da Lei 12.651\/2012 frente aos il\u00edcitos ambientais cometidos antes de sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.651\/2012:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61-A. Nas \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, \u00e9 autorizada, exclusivamente, a continuidade das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e de turismo rural em \u00e1reas rurais consolidadas at\u00e9 22 de julho de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61-B.&nbsp;Aos propriet\u00e1rios e possuidores dos im\u00f3veis rurais que, em 22 de julho de 2008, detinham at\u00e9 10 (dez) m\u00f3dulos fiscais e desenvolviam atividades agrossilvipastoris nas \u00e1reas consolidadas em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente \u00e9 garantido que a exig\u00eancia de recomposi\u00e7\u00e3o, nos termos desta Lei, somadas todas as \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente do im\u00f3vel, n\u00e3o ultrapassar\u00e1:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; 10% (dez por cento) da \u00e1rea total do im\u00f3vel, para im\u00f3veis rurais com \u00e1rea de at\u00e9 2 (dois) m\u00f3dulos fiscais;&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/L12727.htm\">(<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; 20% (vinte por cento) da \u00e1rea total do im\u00f3vel, para im\u00f3veis rurais com \u00e1rea superior a 2 (dois) e de at\u00e9 4 (quatro) m\u00f3dulos fiscais;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61-C.&nbsp;Para os assentamentos do Programa de Reforma Agr\u00e1ria, a recomposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas consolidadas em \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente ao longo ou no entorno de cursos d&#8217;\u00e1gua, lagos e lagoas naturais observar\u00e1 as exig\u00eancias estabelecidas no art. 61-A, observados os limites de cada \u00e1rea demarcada individualmente, objeto de contrato de concess\u00e3o de uso, at\u00e9 a titula\u00e7\u00e3o por parte do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria &#8211; Incra<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-possivel-o-reconhecimento-de-situacoes-consolidadas-em-razao-da-vigencia-da-nova-lei\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es consolidadas em raz\u00e3o da vig\u00eancia da nova lei?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a observ\u00e2ncia do disposto no antigo C\u00f3digo Florestal no que diz respeito ao c\u00f4mputo das \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente no c\u00e1lculo do percentual de Reserva Legal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Turma acompanhou voto de relatoria do Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho para negar provimento ao agravo regimental de iniciativa dos particulares, reconhecendo que, segundo ambas as Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o deste Tribunal Superior, a regra geral ser\u00e1 a incid\u00eancia da legisla\u00e7\u00e3o florestal, de direito material, vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos, na qual se determina a aplica\u00e7\u00e3o da Lei n. 4.771\/1965 para as degrada\u00e7\u00f5es ambientais ocorridas em sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ap\u00f3s o referido ac\u00f3rd\u00e3o, <strong>o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a reclama\u00e7\u00e3o proposta pelo ente p\u00fablico sucumbente, autuada sob o n\u00famero 43.703\/SP, afirmando que, em reiteradas reclama\u00e7\u00f5es, tem considerado que o racioc\u00ednio adotado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a, fundado nos princ\u00edpios do&nbsp;<em>tempus<\/em>&nbsp;<em>regit actum<\/em>&nbsp;e da veda\u00e7\u00e3o de retrocesso ambiental, acarreta burla \u00e0s decis\u00f5es proferidas por seu Plen\u00e1rio<\/strong> na A\u00e7\u00e3o Declarat\u00f3ria de Constitucionalidade 42\/DF e nas A\u00e7\u00f5es Diretas de Inconstitucionalidade 4.901\/DF, 4.902\/DF, 4.903\/DF e 4.937\/DF, e implica o esvaziamento do conte\u00fado normativo de dispositivo legal, com fundamento constitucional impl\u00edcito, constante na S\u00famula Vinculante n. 10.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, em cumprimento \u00e0 decis\u00e3o emanada na Reclama\u00e7\u00e3o 43.703\/SP, declara-se que o voto ora combatido diverge do decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das ADIs 4.902\/DF, 4.903\/DF e 4.937\/DF e da ADC 42\/DF quanto \u00e0 legitimidade constitucional do Poder Legislativo para instituir &#8220;regimes de transi\u00e7\u00e3o entre marcos regulat\u00f3rios, por imperativos de seguran\u00e7a jur\u00eddica (art. 5\u00ba,<em>&nbsp;caput<\/em>, da CF) e de pol\u00edtica legislativa (artigos 21, XVII, e 48, VIII, da CF)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a efic\u00e1cia retroativa da Lei n. 12.651\/2012 permitiu, por for\u00e7a geral dos arts. 61-A, 61-B, 61-C, 63 e 67, o reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es consolidadas e a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental de im\u00f3veis rurais levando em conta suas novas disposi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o vigente na data dos il\u00edcitos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A efic\u00e1cia retroativa da Lei n. 12.651\/2012 permite o reconhecimento de situa\u00e7\u00f5es consolidadas e a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental de im\u00f3veis rurais levando em conta suas novas disposi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o vigente na data dos il\u00edcitos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-da-crianca-e-do-adolescente\"><a>DIREITO <\/a>DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-viabilidade-da-manutencao-da-medida-socioeducativa-apos-o-atingimento-de-sua-finalidade\"><a><\/a><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Viabilidade da manuten\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa ap\u00f3s o atingimento de sua finalidade.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tendo a medida socioeducativa atingido a sua finalidade, \u00e9 invi\u00e1vel manter a execu\u00e7\u00e3o apenas pela men\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica \u00e0 insufici\u00eancia do tempo de acautelamento do adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/2\/2023. (Info 763)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, menor, cometeu ato infracional e cumpria medida socioeducativa. Depois de algum tempo, foi elaborado laudo multidisciplinar que apontava que a medida socioeducativa havia cumprido sua finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o juiz respons\u00e1vel manteve a execu\u00e7\u00e3o da medida por entender que o per\u00edodo pelo qual se encontra acautelado o adolescente n\u00e3o seria suficiente para que este reflita sobre os graves atos que cometeu.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.594\/2012:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 46. A medida socioeducativa ser\u00e1 declarada extinta:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; pela realiza\u00e7\u00e3o de sua finalidade;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 52. O cumprimento das medidas socioeducativas, em regime de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade, liberdade assistida, semiliberdade ou interna\u00e7\u00e3o, depender\u00e1 de Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento de previs\u00e3o, registro e gest\u00e3o das atividades a serem desenvolvidas com o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O PIA dever\u00e1 contemplar a participa\u00e7\u00e3o dos pais ou respons\u00e1veis, os quais t\u00eam o dever de contribuir com o processo ressocializador do adolescente, sendo esses pass\u00edveis de responsabiliza\u00e7\u00e3o administrativa, nos termos do&nbsp;art. 249 da Lei n\u00ba 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente),&nbsp;civil e criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 99. As medidas previstas neste Cap\u00edtulo poder\u00e3o ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substitu\u00eddas a qualquer tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 100. Na aplica\u00e7\u00e3o das medidas levar-se-\u00e3o em conta as necessidades pedag\u00f3gicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos v\u00ednculos familiares e comunit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-viavel-a-manutencao-da-medida\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vi\u00e1vel a manuten\u00e7\u00e3o da medida?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A execu\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa, embora ostente vi\u00e9s retributivo, est\u00e1 conformada pelos princ\u00edpios da BREVIDADE e EXCEPCIONALIDADE, n\u00e3o havendo tempo pr\u00e9-estabelecido de sua dura\u00e7\u00e3o, bastando para sua extin\u00e7\u00e3o, que atenda sua finalidade, nos termos do art. 46, II, da Lei n. 12.594\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bem verdade que <strong>n\u00e3o h\u00e1 vincula\u00e7\u00e3o do juiz ao laudo multidisciplinar elaborado no curso da execu\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa<\/strong>, nos termos do princ\u00edpio do LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO cabendo ao Judici\u00e1rio modular ou extinguir a medida, nos termos dos arts. 99 e 100 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e com base em fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal fundamento tem car\u00e1ter exclusivamente retributivo, finalidade que, embora presente na imposi\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa, escapa \u00e0 dosagem judicial, remanescendo apenas enquanto n\u00e3o atingidas as finalidades estabelecidas no plano individual de atendimento (art. 52 da Lei n. 12.594\/2012), n\u00e3o constituindo crit\u00e9rio legal invoc\u00e1vel pelo juiz para manter em curso medida que j\u00e1 atingiu sua finalidade, principalmente a t\u00edtulo de dila\u00e7\u00e3o temporal.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a despeito da indica\u00e7\u00e3o de cumprimento da finalidade, a inst\u00e2ncia local manteve a medida por entender que o per\u00edodo pelo qual se encontra acautelado o adolescente n\u00e3o \u00e9 suficiente para que reflita sobre os graves atos que cometeu. <strong>No entanto, tal fundamento n\u00e3o possui amparo legal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que a falta de crit\u00e9rio legal torna ARBITR\u00c1RIA a manuten\u00e7\u00e3o da medida em execu\u00e7\u00e3o. A insufici\u00eancia do per\u00edodo em que acautelado n\u00e3o est\u00e1 ancorada em qualquer crit\u00e9rio legal afer\u00edvel, control\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, considerando os postulados da brevidade e da excepcionalidade, que na execu\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa restringem a interven\u00e7\u00e3o do Estado ao necess\u00e1rio para atingimento da finalidade da medida, invi\u00e1vel manter a execu\u00e7\u00e3o apenas pela men\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica \u00e0 insufici\u00eancia do tempo, a despeito, ainda, da men\u00e7\u00e3o ao hist\u00f3rico infracional do menor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Tendo a medida socioeducativa atingido a sua finalidade, \u00e9 invi\u00e1vel manter a execu\u00e7\u00e3o apenas pela men\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica \u00e0 insufici\u00eancia do tempo de acautelamento do adolescente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-oitiva-do-representado-na-instrucao-no-procedimento-de-apuracao-de-ato-infracional\"><a><\/a><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Oitiva do representado na instru\u00e7\u00e3o no procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A oitiva do representado deve ser o \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o no procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. <a>(Info 766)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi denunciado por ato infracional. Na instru\u00e7\u00e3o, foi o primeiro a ser ouvido, decis\u00e3o fundamentada na previs\u00e3o do ECA. Sua defesa passou a alegar a nulidade do ato, uma vez que, em seu entender, a oitiva do representado deveria ser o \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>* Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 394.&nbsp; O procedimento ser\u00e1 comum ou especial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp; Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio deste C\u00f3digo ou de lei especial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 400.&nbsp; Na audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento, a ser realizada no prazo m\u00e1ximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-\u00e1 \u00e0 tomada de declara\u00e7\u00f5es do ofendido, \u00e0 inquiri\u00e7\u00e3o das testemunhas arroladas pela acusa\u00e7\u00e3o e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no&nbsp;art. 222 deste C\u00f3digo, bem como aos esclarecimentos dos peritos, \u00e0s acarea\u00e7\u00f5es e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 184. Oferecida a representa\u00e7\u00e3o, a autoridade judici\u00e1ria designar\u00e1 audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decreta\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o da interna\u00e7\u00e3o, observado o disposto no art. 108 e par\u00e1grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.594\/2012:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 35. A execu\u00e7\u00e3o das medidas socioeducativas reger-se-\u00e1 pelos seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; legalidade, n\u00e3o podendo o adolescente receber tratamento mais gravoso do que o conferido ao adulto;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-deve-necessariamente-ser-o-ultimo-ato-da-instrucao\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve necessariamente ser o \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 400 do C\u00f3digo de Processo Penal, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 11.719\/2008, disp\u00f5e que <strong>o interrogat\u00f3rio ser\u00e1 realizado ao final da instru\u00e7\u00e3o criminal<\/strong>. Contudo, segundo a regra contida no art. 394, \u00a7 2\u00ba, do mesmo diploma processual, &#8220;aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio deste C\u00f3digo ou de lei especial&#8221;. Nessa exce\u00e7\u00e3o, <strong>est\u00e1 inclu\u00eddo o procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional, que \u00e9 regulado por lei especial<\/strong> (Lei n. 8.069\/1990) e atrai a aplica\u00e7\u00e3o das normas do C\u00f3digo de Processo Penal apenas de forma subsidi\u00e1ria, conforme autoriza o art. 152 da referida lei.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito especificamente ao momento para a oitiva do representado, o art. 184 do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, diferentemente do C\u00f3digo de Processo Penal, prev\u00ea que: &#8220;oferecida a representa\u00e7\u00e3o, a autoridade judici\u00e1ria designar\u00e1 audi\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decreta\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o da interna\u00e7\u00e3o, observado o disposto no art. 108 e par\u00e1grafo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, em regra, em caso de antinomia de segundo grau aparente, havendo conflito entre uma norma especial anterior (art. 184 da Lei n. 8.069\/1990) e outra geral posterior (art. 400 do CPP, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 11.719\/2008), prevalecer\u00e1 o crit\u00e9rio da ESPECIALIDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, com base nos dispositivos legais aqui citados, a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial do STJ consolidou-se no seguinte sentido: se para o julgamento dos atos infracionais h\u00e1 rito pr\u00f3prio, no qual a oitiva do representado inaugura a instru\u00e7\u00e3o, \u00e9 de se afastar o rito ordin\u00e1rio (art. 400 do CPP) nesses casos, em raz\u00e3o da especialidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em recentes decis\u00f5es monocr\u00e1ticas, tem aplicado a orienta\u00e7\u00e3o firmada no HC 127.900\/AM ao procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional, sob o fundamento de que <strong>o art. 400 do C\u00f3digo de Processo Penal possibilita ao representado exercer de modo mais eficaz a sua defesa e, por essa raz\u00e3o, em uma aplica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do direito, tal dispositivo legal deve suplantar o estatu\u00eddo no art. 184 da Lei n. 8.069\/1990<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa conjuntura, \u00e9 necess\u00e1ria a revis\u00e3o do entendimento consolidado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a para adequ\u00e1-lo \u00e0 jurisprud\u00eancia atual da Suprema Corte, no sentido de que a oitiva do representado deve ser o \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o no procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional. Assim, o adolescente ir\u00e1 prestar suas declara\u00e7\u00f5es ap\u00f3s ter contato com todo o acervo probat\u00f3rio produzido, tendo maiores elementos para exercer sua autodefesa ou, se for caso, valer-se do direito ao sil\u00eancio, sob pena de evidente preju\u00edzo \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios do contradit\u00f3rio e da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, \u00e9 relevante mencionar que a aplica\u00e7\u00e3o do art. 400 do C\u00f3digo de Processo Penal ao procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional se justifica tamb\u00e9m porque o adolescente n\u00e3o pode receber tratamento mais gravoso do aquele conferido ao adulto, de acordo com o art. 35, inciso I, da Lei n. 12.594\/2012 (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo) e o item 54 das Diretrizes das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Preven\u00e7\u00e3o da Delinqu\u00eancia Juvenil (Diretrizes de Riad).<\/p>\n\n\n\n<p>De todo modo, conforme entendimento majorit\u00e1rio do STJ, \u00e9 necess\u00e1rio que a insurg\u00eancia defensiva, com rela\u00e7\u00e3o a eventual v\u00edcio pela invers\u00e3o da ordem ora definida, observe os princ\u00edpios informativos das nulidades processuais, notadamente o princ\u00edpio da oportunidade e o princ\u00edpio do preju\u00edzo ou transcend\u00eancia (<em>pas de nullit\u00e9 sans grief<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A oitiva do representado deve ser o \u00faltimo ato da instru\u00e7\u00e3o no procedimento de apura\u00e7\u00e3o de ato infracional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-des-necessidade-de-sentenca-proferida-na-acao-de-destituicao-familiar-para-que-seja-iniciada-a-colocacao-da-crianca-em-familia-substitutiva\"><a><\/a><a>10.&nbsp; (Des)Necessidade de senten\u00e7a proferida na a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o familiar para que seja iniciada a coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em fam\u00edlia substitutiva<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A circunst\u00e2ncia de ainda n\u00e3o ter sido proferida senten\u00e7a nos autos da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar n\u00e3o veda que seja iniciada a coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 790.283-SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21\/3\/2023, DJe 23\/3\/2023. (Info 776)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cr\u00e1udia \u00e9 m\u00e3e de Creidinha, com 9 anos de idade e h\u00e1 quase tr\u00eas anos em abrigo institucional. Contra Cr\u00e1udia corre um processo de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, ainda n\u00e3o sentenciado. Como a situa\u00e7\u00e3o se arrasta h\u00e1 anos, o Ju\u00edzo da Inf\u00e2ncia determinou a suspens\u00e3o das visitas maternas e autorizou o in\u00edcio das buscas de pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, inclusive com a coloca\u00e7\u00e3o de Creidinha em fam\u00edlia substitutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Cr\u00e1udia impetrou HC. Sustenta que o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente prioriza a manuten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes no seio da fam\u00edlia natural ou extensa, a fim de resguardar os v\u00ednculos com os seus genitores biol\u00f3gicos, sendo que somente quando esgotadas as possibilidades nesse sentido \u00e9 que se admite a inser\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>ECA:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art. 15. A crian\u00e7a e o adolescente t\u00eam direito \u00e0 liberdade, ao respeito e \u00e0 dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constitui\u00e7\u00e3o e nas leis.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 19. &nbsp;\u00c9 direito da crian\u00e7a e do adolescente ser criado e educado no seio de sua fam\u00edlia e, excepcionalmente, em fam\u00edlia substituta, assegurada a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28. A coloca\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia substituta far-se-\u00e1 mediante guarda, tutela ou ado\u00e7\u00e3o, independentemente da situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da crian\u00e7a ou adolescente, nos termos desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>A coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou adolescente em fam\u00edlia substituta ser\u00e1 precedida de sua prepara\u00e7\u00e3o gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe interprofissional a servi\u00e7o da Justi\u00e7a da Inf\u00e2ncia e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos t\u00e9cnicos respons\u00e1veis pela execu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica municipal de garantia do direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-correto-o-inicio-do-procedimento-da-colocacao-da-crianca-em-familia-substituta\"><a>10.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Correto o in\u00edcio do procedimento da coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em fam\u00edlia substituta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Demorou!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 legalidade das determina\u00e7\u00f5es do Ju\u00edzo da Inf\u00e2ncia de suspens\u00e3o das visitas maternas e de autoriza\u00e7\u00e3o para o in\u00edcio de busca de pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a que, atualmente com 9 anos de idade, est\u00e1 em abrigo institucional h\u00e1 quase 3 anos, sem que ainda tenha sido proferida senten\u00e7a destituindo o poder familiar de sua genitora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Toda crian\u00e7a tem o direito de ser criada e educada, prioritariamente, no seio de sua fam\u00edlia natural ou extensa e, excepcionalmente, em fam\u00edlia substituta, assegurada a sua conviv\u00eancia familiar em ambiente que garanta o seu desenvolvimento e prote\u00e7\u00e3o integral<\/strong> (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA (Lei n. 8.069\/1990, arts. 15 e 19). Na an\u00e1lise de quest\u00f5es dessa natureza, a jurisprud\u00eancia desta Corte Superior, com esse norte, consolidou-se no sentido da primazia do acolhimento familiar em detrimento de coloca\u00e7\u00e3o de menor em abrigo institucional.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, todos os relat\u00f3rios t\u00e9cnicos apresentados pela Rede Socioassistencial e do Setor T\u00e9cnico do Ju\u00edzo, foram un\u00e2nimes em recomendar que a crian\u00e7a fosse colocada em fam\u00edlia substituta o mais r\u00e1pido poss\u00edvel diante da constata\u00e7\u00e3o da impossibilidade de retorno para a fam\u00edlia natural, pois ela seria novamente submetida a uma situa\u00e7\u00e3o de risco (neglig\u00eancia e abandono), na medida em que genitora n\u00e3o teria condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de assumir os cuidados da filha. O longo per\u00edodo de perman\u00eancia em abrigo institucional tem trazido problemas de ordem emocional, o que causa preocupa\u00e7\u00e3o e revela que o seu melhor interesse n\u00e3o est\u00e1 sendo observado com a sua perman\u00eancia no abrigo, conforme constatou a per\u00edcia psicossocial do Ju\u00edzo da Inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a duradoura perman\u00eancia em abrigo institucional \u00e9 manifestamente prejudicial aos interesses da infante. O art. 163 do ECA disp\u00f5e que o procedimento para perda e suspens\u00e3o do poder familiar dever\u00e1 ser conclu\u00eddo no prazo m\u00e1ximo de 120 (cento e vinte) dias e, no caso de not\u00f3ria inviabilidade de manuten\u00e7\u00e3o do poder familiar, caber\u00e1 ao Juiz dirigir esfor\u00e7os para preparar a crian\u00e7a ou adolescente com vistas \u00e0 coloca\u00e7\u00e3o em fam\u00edlia substituta. Portanto, no caso, o fato de a a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar dos genitores estar tramitando h\u00e1 mais de 3 anos e n\u00e3o ter sido sentenciada n\u00e3o impede sejam tomadas provid\u00eancias para abreviar o tempo de abrigamento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A not\u00f3ria inviabilidade de manuten\u00e7\u00e3o do poder familiar reclama que, pelo menos, sejam tomadas as provid\u00eancias para in\u00edcio de coloca\u00e7\u00e3o dela em fam\u00edlia substituta<\/strong>. A Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Justi\u00e7a &#8211; CNJ n. 289, de 14\/8\/2019, que a respeito da implanta\u00e7\u00e3o e funcionamento do Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento &#8211; SNA, no seu anexo I disp\u00f5e acerca da regulamenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, que prev\u00ea em seus arts. 3\u00ba e 4\u00ba que &#8220;A coloca\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a ou do adolescente na situa\u00e7\u00e3o &#8216;apta para ado\u00e7\u00e3o&#8217; dever\u00e1 ocorrer ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado do processo de destitui\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o do poder familiar, ou ainda quando a crian\u00e7a ou o adolescente for \u00f3rf\u00e3o ou tiver ambos os genitores desconhecidos\u201d. E, ainda, que &#8220;O juiz poder\u00e1, no melhor interesse da crian\u00e7a ou do adolescente, determinar a inclus\u00e3o cautelar na situa\u00e7\u00e3o &#8216;apta para ado\u00e7\u00e3o&#8217; antes do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que destitui ou extingue o poder familiar, hip\u00f3tese em que o pretendente dever\u00e1 ser informado sobre o risco jur\u00eddico<em>&#8220;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, sem preju\u00edzo do que possa ser decidido nos autos da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, a manuten\u00e7\u00e3o da paciente em abrigo institucional, al\u00e9m de manifestamente ilegal, n\u00e3o atende ao interesse priorit\u00e1rio e superior de crian\u00e7a, que por previs\u00e3o constitucional e legal, tem o direito absoluto \u00e0 dignidade como pessoa em processo de desenvolvimento e como sujeito de direito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A circunst\u00e2ncia de ainda n\u00e3o ter sido proferida senten\u00e7a nos autos da a\u00e7\u00e3o de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar n\u00e3o veda que seja iniciada a coloca\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-efeitos-da-decretacao-da-falencia-e-poderes-do-devedor-falido\"><a><\/a><a>11.&nbsp; Efeitos da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia e poderes do devedor falido<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, o devedor falido n\u00e3o se convola em mero expectador no processo falimentar, podendo praticar atos processuais em defesa dos seus interesses pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgInt no AREsp 1.271.076-GO, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/4\/2023, DJe 28\/4\/2023. (Info 775)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Quebradeira teve decretada sua fal\u00eancia. Creiton, o devedor falido, insurgiu-se contra decis\u00f5es no processo falimentar que iam contra seus interesses. Ocorre que o ju\u00edzo falimentar entendeu pela ilegitimidade deste para se manifestar ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o do juiz e do Comit\u00ea, al\u00e9m de outros deveres que esta Lei lhe imp\u00f5e:<\/p>\n\n\n\n<p>III \u2013 na fal\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>n) representar a massa falida em ju\u00edzo, contratando, se necess\u00e1rio, advogado, cujos honor\u00e1rios ser\u00e3o previamente ajustados e aprovados pelo Comit\u00ea de Credores;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 103. Desde a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia ou do seq\u00fcestro, o devedor perde o direito de administrar os seus bens ou deles dispor.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O falido poder\u00e1, contudo, fiscalizar a administra\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, requerer as provid\u00eancias necess\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o de seus direitos ou dos bens arrecadados e intervir nos processos em que a massa falida seja parte ou interessada, requerendo o que for de direito e interpondo os recursos cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-devedor-falido-vira-mero-expectador\"><a>11.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devedor falido vira mero expectador?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ap\u00f3s a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, o falido perde a possibilidade de dispor de seus bens e administr\u00e1-los, que passam a ser geridos pelo s\u00edndico da massa falida,<\/strong> conforme disp\u00f5e o art. 22, III, &#8220;n&#8221;, da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do teor do referido dispositivo legal, foram proferidos precedentes do STJ com entendimento de que &#8220;com a decreta\u00e7\u00e3o da quebra, h\u00e1 a perda da legitima\u00e7\u00e3o ativa e passiva do falido como consequ\u00eancia l\u00f3gica da impossibilidade de dispor de seus bens e de administr\u00e1-los, haja vista que os interesses patrimoniais passam a ser geridos e representados pelo s\u00edndico da massa falida&#8221; (REsp 1.323.353\/RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 9\/12\/2014, DJe 15\/12\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Tribunal de origem aplicou o disposto no art. 103 da Lei n. 11.101\/2005, que prev\u00ea que &#8220;<strong>o falido, embora n\u00e3o possa mais representar a massa falida, poder\u00e1 intervir nos processos em defesa de seus pr\u00f3prios interesses, mormente quando se mostram conflitantes com os da massa falida<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela mesma raz\u00e3o, pacificou-se no STJ o entendimento de que a &#8220;<em>massa falida n\u00e3o se confunde com a pessoa do falido, ou seja, o devedor contra quem foi proferida senten\u00e7a de quebra empresarial. Nesse passo, a nomea\u00e7\u00e3o do s\u00edndico visa a preservar, sobretudo, a comunh\u00e3o de interesses dos credores (massa falida subjetiva), mas n\u00e3o os interesses do falido, os quais, no mais das vezes, s\u00e3o conflitantes com os interesses da massa. Assim, depois da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, o devedor falido n\u00e3o se convola em mero expectador no processo falimentar, podendo praticar atos processuais em defesa dos seus interesses pr\u00f3prios<\/em>&#8221; (REsp 702.835\/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 16\/9\/2010, DJe 23\/9\/2010).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Depois da decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia, o devedor falido n\u00e3o se convola em mero expectador no processo falimentar, podendo praticar atos processuais em defesa dos seus interesses pr\u00f3prios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-admissibilidade-da-responsabilidade-solidaria-e-a-extensao-dos-efeitos-da-falencia-ao-socio-diretor-de-sociedade-anonima\"><a><\/a><a>12.&nbsp; Admissibilidade da responsabilidade solid\u00e1ria e a extens\u00e3o dos efeitos da fal\u00eancia ao s\u00f3cio diretor de sociedade an\u00f4nima<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade solid\u00e1ria e a extens\u00e3o dos efeitos da fal\u00eancia ao s\u00f3cio diretor de sociedade an\u00f4nima somente s\u00e3o admitidas <a>mediante declara\u00e7\u00e3o em senten\u00e7a pr\u00e9via proferida em processo aut\u00f4nomo reconhecendo a pr\u00e1tica de atos que tenham resultado na quebra da pessoa jur\u00eddica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.833.445-RJ, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 20\/6\/2023, Dje 22\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Com a homologa\u00e7\u00e3o do pedido de autofal\u00eancia da empresa Quebradeira, o Ju\u00edzo de primeiro grau determinou o registro da senten\u00e7a no Cart\u00f3rio de Interdi\u00e7\u00f5es e Tutelas, estendendo a anota\u00e7\u00e3o aos nomes dos s\u00f3cios diretores.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu\u00e9rito judicial instaurado para apura\u00e7\u00e3o de eventual responsabilidade pelos atos de fal\u00eancia foi arquivado pelo fato de a quebra das sociedades ter se dado exclusivamente pela conjuntura econ\u00f4mica do pa\u00eds, em especial pelo Plano Collor. Ao avaliar o pedido de baixa dos nomes dos s\u00f3cios diretores no cart\u00f3rio extrajudicial competente, o Tribunal local entendeu que a qualidade de diretores e administradores das sociedades falidas atrairia a incid\u00eancia do disposto no art. 37 do Decreto-Lei n. 7.661\/1945, vigente \u00e0 \u00e9poca da quebra, o que autorizaria a equipara\u00e7\u00e3o deles \u00e0 figura do falido, com a consequente extens\u00e3o de todas as restri\u00e7\u00f5es legais e das obriga\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 massa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto-Lei n. 7.661\/1945:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00b0 A responsabilidade solid\u00e1ria dos diretores das sociedades an\u00f4nimas e dos gerentes das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, estabelecida nas respectivas leis; a dos s\u00f3cios comandit\u00e1rios (C\u00f3digo Comercial, art. 314), e a do s\u00f3cio oculto (C\u00f3digo Comercial, art. 305), ser\u00e3o apuradas, e tornar-se-\u00e3o efetivas, mediante processo ordin\u00e1rio, no ju\u00edzo da fal\u00eancia, aplicando-se ao caso o disposto no art. 50, \u00a7 1\u00b0.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O juiz, a requerimento do s\u00edndico, pode ordenar o sequestro de bens que bastem para efetivar a responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37. Ressalvados os direitos reconhecidos aos s\u00f3cios solid\u00e0riamente respons\u00e1veis pelas obriga\u00e7\u00f5es sociais, as sociedades falidas ser\u00e3o representadas na fal\u00eancia pelos seus diretores, administradores, gerentes ou liquidantes, os quais ficar\u00e3o sujeitos a t\u00f4das as obriga\u00e7\u00f5es que a presente lei imp\u00f5e ao devedor ou falido, ser\u00e3o ouvidos nos casos em que a lei prescreve a audi\u00eancia do falido, e incorrer\u00e3o na pena de pris\u00e3o nos t\u00earmos do art. 35.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Cabe ao inventariante, nos t\u00earmos d\u00easte artigo, a representa\u00e7\u00e3o do esp\u00f3lio falido.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 82. A responsabilidade pessoal dos s\u00f3cios de responsabilidade limitada, dos controladores e dos administradores da sociedade falida, estabelecida nas respectivas leis, ser\u00e1 apurada no pr\u00f3prio ju\u00edzo da fal\u00eancia, independentemente da realiza\u00e7\u00e3o do ativo e da prova da sua insufici\u00eancia para cobrir o passivo, observado o procedimento ordin\u00e1rio previsto no C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-possivel-a-extensao-dos-efeitos-ao-socio-diretor\"><a>12.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a extens\u00e3o dos efeitos ao s\u00f3cio diretor?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Somente mediante declara\u00e7\u00e3o em senten\u00e7a pr\u00e9via proferida em processo aut\u00f4nomo reconhecendo a pr\u00e1tica de atos que tenham resultado na quebra da pessoa jur\u00eddica!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar, na vig\u00eancia do Decreto-Lei n. 7.661\/1945, a possibilidade de estender aos diretores os efeitos da fal\u00eancia, se n\u00e3o houve constata\u00e7\u00e3o de responsabilidades desses pela fal\u00eancia da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A responsabilidade pessoal do s\u00f3cio da pessoa jur\u00eddica submetida ao procedimento falimentar tem como pressuposto a subsidiariedade decorrente da separa\u00e7\u00e3o de personalidades e, por consequ\u00eancia, de patrim\u00f4nio<\/strong>. Assim, n\u00e3o pode a personalidade civil da pessoa f\u00edsica do s\u00f3cio ser confundida com a personalidade jur\u00eddica da pessoa jur\u00eddica, sob pena de se estabelecer verdadeira confus\u00e3o patrimonial acerca das obriga\u00e7\u00f5es contra\u00eddas, em especial daquelas oriundas do procedimento falimentar. Essa dualidade de personalidades da pessoa f\u00edsica e da pessoa jur\u00eddica imp\u00f5e, como regra, a orienta\u00e7\u00e3o acerca da incomunicabilidade entre o patrim\u00f4nio do s\u00f3cio e o patrim\u00f4nio da sociedade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso das sociedades de responsabilidade limitada, a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios e administradores da sociedade falida, via de regra, pode ocorrer em duas situa\u00e7\u00f5es distintas. <strong>A primeira diz respeito aos atos praticados perante a sociedade<\/strong>, o que acarretaria a responsabilidade perante a massa falida, exigindo-se, para tanto, a\u00e7\u00e3o de responsabilidade pr\u00f3pria, nos termos do art. 6\u00ba do Decreto-Lei n. 7.661\/1945. <strong>A segunda diz respeito \u00e0 responsabilidade dos s\u00f3cios perante os credores da massa<\/strong>, o que exigiria procedimento incidente relacionado \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, conforme disposto no art. 82 da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As duas hip\u00f3teses n\u00e3o se confundem, mas ambas exigem a caracteriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da responsabilidade, motivo pelo qual a incid\u00eancia da solidariedade do art. 37 do Decreto-Lei n. 7.661\/1945 n\u00e3o pode se dar de forma autom\u00e1tica nos autos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, a aus\u00eancia de processo aut\u00f4nomo em que se tenha comprovado a exist\u00eancia de responsabilidade pela pr\u00e1tica de atos que tenham rela\u00e7\u00e3o direta ou indireta com a quebra da sociedade empres\u00e1ria inviabiliza o reconhecimento da solidariedade a respeito das obriga\u00e7\u00f5es oriundas do procedimento falimentar, o que impede a extens\u00e3o dos efeitos da fal\u00eancia aos s\u00f3cios diretores e a manuten\u00e7\u00e3o da anota\u00e7\u00e3o de seus nomes junto ao cart\u00f3rio extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 cabimento para a responsabilidade objetiva do s\u00f3cio de responsabilidade limitada, sem que tenha sido demonstrada a pr\u00e1tica de atos de fal\u00eancia ou o descumprimento de deveres no bojo do procedimento falimentar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A responsabilidade solid\u00e1ria e a extens\u00e3o dos efeitos da fal\u00eancia ao s\u00f3cio diretor de sociedade an\u00f4nima somente s\u00e3o admitidas mediante declara\u00e7\u00e3o em senten\u00e7a pr\u00e9via proferida em processo aut\u00f4nomo reconhecendo a pr\u00e1tica de atos que tenham resultado na quebra da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-responsabilidade-pelo-adimplemento-dos-debitos-tributarios-que-recaiam-sobre-o-bem-imovel-em-caso-de-expressa-previsao-no-edital\"><a><\/a><a>13.&nbsp; Responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel em caso de expressa previs\u00e3o no edital.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.921.489-RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023, DJe 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Trabalhista penhorou um im\u00f3vel para pagamento de d\u00edvidas de uma empresa. O im\u00f3vel foi leiloado em 2013 e no edital da hasta p\u00fablica havia previs\u00e3o de que os valores do IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o seriam de responsabilidade do arrematante.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa discordou da forma que foi conduzida a execu\u00e7\u00e3o e interp\u00f4s diversos recursos no processo, todos n\u00e3o providos, mas a quest\u00e3o s\u00f3 chegou ao fim com o julgamento do TST em 2017, quando enfim o arrematante Tadeu tomou posse do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que Tadeu foi notificado para pagamento do IPTU dos anos de 2014 a 2017. Inconformado, Tadeu apresentou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade alegando a ilegitimidade passiva, uma vez que somente tomou posse do im\u00f3vel em meados de 2017.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional \u2013 CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 130. Os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o dom\u00ednio \u00fatil ou a posse de bens im\u00f3veis, e bem assim os relativos a taxas pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os referentes a tais bens, ou a contribui\u00e7\u00f5es de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do t\u00edtulo a prova de sua quita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. No caso de arremata\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, a sub-roga\u00e7\u00e3o ocorre sobre o respectivo pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-responsabilidade-do-arrematante\"><a>13.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade do arrematante?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se havia previs\u00e3o no edital da hasta p\u00fablica, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cuida-se, na origem, de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade pugnando pela declara\u00e7\u00e3o de ilegitimidade do ora recorrente quanto aos d\u00e9bitos de IPTU incidentes antes de sua imiss\u00e3o na posse de im\u00f3vel arrematado perante o Ju\u00edzo da Vara do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>quando da arremata\u00e7\u00e3o, o edital de convoca\u00e7\u00e3o do leil\u00e3o continha a informa\u00e7\u00e3o de que os valores de Imposto Predial e Territorial Urbano &#8211; IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o seriam de responsabilidade do arrematante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia deste STJ assevera que &#8220;havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido, a responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante&#8221; (AgRg no AREsp 248.454\/SP, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 12\/9\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se <strong>depois de formalizada a arremata\u00e7\u00e3o ela \u00e9 considerada perfeita, ainda que haja morosidade dos mecanismos judiciais na expedi\u00e7\u00e3o da carta de arremata\u00e7\u00e3o, para a devida averba\u00e7\u00e3o no Registro Geral de Im\u00f3vel &#8211; RGI, o entendimento \u00e9 no sentido de que os d\u00e9bitos fiscais dever\u00e3o ser suportados pelo arrematante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a regra contida no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN n\u00e3o afasta a responsabilidade do arrematante no que concerne aos d\u00e9bitos de IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o, ainda que postergada a respectiva imiss\u00e3o na posse.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-incidencia-de-contribuicao-previdenciaria-a-cargo-do-empregador-sobre-auxilio-alimentacao-pago-em-pecunia\"><a><\/a><a>14.&nbsp; Incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador sobre aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o pago em pec\u00fania<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Incide a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador sobre o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o pago em pec\u00fania.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.995.437-CE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 26\/4\/2023. (Tema 1164) (Info 772)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Construtora Lego paga aos seus empregados uma verba denominada \u201caux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o\u201d. Tal pagamento ocorre em dinheiro. O fisco notificou e cobrou da construtora o valor que entendia devido em contribui\u00e7\u00f5es sociais sobre tal verba.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a Construtora impetrou MS no qual sustenta a n\u00e3o incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es sociais, tese acolhida pelo tribunal local. Em recurso especial, a Fazenda Nacional alega que independentemente da natureza da verba, a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria deve incidir sobre os ganhos habituais do empregado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 195. A seguridade social ser\u00e1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos or\u00e7amentos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, e das seguintes contribui\u00e7\u00f5es sociais:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>a) a folha de sal\u00e1rios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer t\u00edtulo, \u00e0 pessoa f\u00edsica que lhe preste servi\u00e7o, mesmo sem v\u00ednculo empregat\u00edcio;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 201. A previd\u00eancia social ser\u00e1 organizada sob a forma do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, de car\u00e1ter contributivo e de filia\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria, observados crit\u00e9rios que preservem o equil\u00edbrio financeiro e atuarial, e atender\u00e1, na forma da lei, a:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer t\u00edtulo, ser\u00e3o incorporados ao sal\u00e1rio para efeito de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e conseq\u00fcente repercuss\u00e3o em benef\u00edcios, nos casos e na forma da lei.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CLT:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 457 &#8211; Compreendem-se na remunera\u00e7\u00e3o do empregado, para todos os efeitos legais, al\u00e9m do sal\u00e1rio devido e pago diretamente pelo empregador, como contrapresta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, as gorjetas que receber.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;As import\u00e2ncias, ainda que habituais, pagas a t\u00edtulo de ajuda de custo, aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o, vedado seu pagamento em dinheiro, di\u00e1rias para viagem, pr\u00eamios e abonos n\u00e3o integram a remunera\u00e7\u00e3o do empregado, n\u00e3o se incorporam ao contrato de trabalho e n\u00e3o constituem base de incid\u00eancia de qualquer encargo trabalhista e previdenci\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-incide-contribuicao-social\"><a>14.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Incide contribui\u00e7\u00e3o social?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Pra variar&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o submetida refere-se \u00e0 possibilidade de incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria devida pelo empregador sobre os valores pagos em pec\u00fania aos empregados a t\u00edtulo de aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o, ou seja, se essa verba se enquadra no conceito de sal\u00e1rio para que possa compor a base de c\u00e1lculo do referido tributo.<\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, ressalta-se que a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria devida pelo empregador \u00e9 uma das esp\u00e9cies de contribui\u00e7\u00f5es para o custeio da seguridade social e encontra-se prevista na al\u00ednea &#8220;a&#8221; do inciso I do art. 195 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. \u00c9 necess\u00e1rio considerar, tamb\u00e9m, o disposto no art. 201, \u00a7 11, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que traz o conceito constitucional de sal\u00e1rio para fins de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria: &#8220;Os ganhos habituais do empregado, a qualquer t\u00edtulo, ser\u00e3o incorporados ao sal\u00e1rio para efeito de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e consequente repercuss\u00e3o em benef\u00edcios, nos casos e na forma da lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao examinar o RE 565.160\/SC (de relatoria do Ministro Marco Aur\u00e9lio Mello, julgado sob o rito da repercuss\u00e3o geral &#8211; Tema n. 20), enfrentou quest\u00e3o relacionada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da express\u00e3o &#8220;folha de sal\u00e1rios&#8221;, para fins de incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria devida pelo empregador e fixou a seguinte tese jur\u00eddica: &#8220;<strong>A contribui\u00e7\u00e3o social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, a qualquer t\u00edtulo, quer anteriores, quer posteriores \u00e0 Emenda Constitucional n. 20\/1998 &#8211; intelig\u00eancia dos artigos 195, inciso I, e 201, \u00a7 11, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos votos proferidos pelos Ministros do STF, \u00e9 poss\u00edvel extrair dois requisitos para que determinada verba componha a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal: (I) habitualidade; (II) car\u00e1ter salarial. A habitualidade constitui pressuposto constitucional expresso no art. 201, \u00a7 11, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, enquanto a defini\u00e7\u00e3o da natureza salarial ou indenizat\u00f3ria da verba paga ao empregado est\u00e1 afeta \u00e0 esfera infraconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, <strong>o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 parcela que constitui benef\u00edcio concedido aos empregados para custear despesas com alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong> (necessidade essa que deve ser suprimida diariamente) sendo, portanto, inerente \u00e0 sua natureza a habitualidade. Assim, fica claro que o requisito constitucional para a incid\u00eancia da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador est\u00e1 cumprido.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o federal que trata da base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria e da natureza das parcelas recebidas em decorr\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de emprego, elenca-se a Lei n. 8.212\/1991 (Lei Org\u00e2nica da Seguridade Social) e a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT). A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica dos arts. 22, I, 28, I, da Lei n. 8.212\/1991 e 457, \u00a7 2\u00ba, da CLT (a partir da vig\u00eancia da Lei n. 13.467\/2017 &#8211; Reforma Trabalhista) revela que o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o pago em dinheiro ao empregado possui natureza salarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Extrai-se desses dispositivos que <strong>h\u00e1 uma correspond\u00eancia entre a base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria devida pelo empregador e a base de c\u00e1lculo do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio a ser recebido pelo empregado, sendo certo que ambas levam em considera\u00e7\u00e3o a natureza salarial das verbas pagas<\/strong>. Em outras palavras: a parcela paga ao empregado com car\u00e1ter salarial manter\u00e1 essa natureza para fins de incid\u00eancia de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria patronal e, tamb\u00e9m, de apura\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, vale ressaltar que o STJ, ao julgar o REsp 1.358.281\/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, explicitou no que consiste o car\u00e1ter salarial e o indenizat\u00f3rio das verbas pagas aos empregados para definir sua exclus\u00e3o ou inclus\u00e3o na base de c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, cabe aqui esclarecer que a presente controv\u00e9rsia envolve o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o pago em dinheiro ao empregado, que pode ser usado para quaisquer outras finalidades que n\u00e3o sejam a de arcar com os gastos com sua alimenta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se discute, nesse precedente, a natureza dos valores contidos em cart\u00f5es pr\u00e9-pagos, fornecidos pelos empregadores, de empresas como &#8220;Ticket&#8221;, &#8220;Alelo&#8221; e &#8220;VR Benef\u00edcios&#8221;, cuja utiliza\u00e7\u00e3o depende da aceita\u00e7\u00e3o em estabelecimentos credenciados, como supermercados, restaurantes e padarias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Incide a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria a cargo do empregador sobre o aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o pago em pec\u00fania.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-icms-st-como-parte-integrante-do-custo-de-aquisicao-da-mercadoria-e-componente-da-composicao-do-montante-de-creditos-a-ser-deduzido-para-apuracao-da-contribuicao-ao-pis-e-da-cofins-no-regime-nao-cumulativo\"><a><\/a><a>15.&nbsp; ICMS-ST como parte integrante do custo de aquisi\u00e7\u00e3o da mercadoria e componente da composi\u00e7\u00e3o do montante de cr\u00e9ditos a ser deduzido para apura\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins, no regime n\u00e3o cumulativo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O ICMS-ST constitui parte integrante do custo de aquisi\u00e7\u00e3o da mercadoria e, por conseguinte, deve ser admitido na composi\u00e7\u00e3o do montante de cr\u00e9ditos a ser deduzido para apura\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins, no regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.010.366-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023, DJe 17\/4\/2023. (Info 773)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cacareco \u00e9 uma empresa revendedora (varejista), que assume a posi\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria de substitu\u00edda. Ao adquirir bens do substituto, ela qualifica a opera\u00e7\u00e3o como custo de aquisi\u00e7\u00e3o e, por isso, entende devido o desconto de cr\u00e9ditos das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre o montante relativo ao ICMS-ST, recolhido pelo fornecedor na etapa anterior sobre determinados produtos, uma vez que tal valor seria irrecuper\u00e1vel. Ajuizou a\u00e7\u00e3o com o objetivo de ter declarado o direito incluir tal custo na composi\u00e7\u00e3o do montante de cr\u00e9ditos a serem deduzidos para apura\u00e7\u00e3o de PIS e COFINS no regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 87\/1996:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art. 8\u00ba A base de c\u00e1lculo, para fins de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, ser\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es antecedentes ou concomitantes, o valor da opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o praticado pelo contribuinte substitu\u00eddo;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es subseq\u00fcentes, obtida pelo somat\u00f3rio das parcelas seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>a) o valor da opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria realizada pelo substituto tribut\u00e1rio ou pelo substitu\u00eddo intermedi\u00e1rio;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros encargos cobrados ou transfer\u00edveis aos adquirentes ou tomadores de servi\u00e7o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es subseq\u00fcentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>\u00a7 1\u00ba Na hip\u00f3tese de responsabilidade tribut\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es antecedentes, o imposto devido pelas referidas opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es ser\u00e1 pago pelo respons\u00e1vel, quando:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I \u2013 da entrada ou recebimento da mercadoria, do bem ou do servi\u00e7o;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; da sa\u00edda subseq\u00fcente por ele promovida, ainda que isenta ou n\u00e3o tributada;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; ocorrer qualquer sa\u00edda ou evento que impossibilite a ocorr\u00eancia do fato determinante do pagamento do imposto.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Tratando-se de mercadoria ou servi\u00e7o cujo pre\u00e7o final a consumidor, \u00fanico ou m\u00e1ximo, seja fixado por \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico competente, a base de c\u00e1lculo do imposto, para fins de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, \u00e9 o referido pre\u00e7o por ele estabelecido.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Existindo pre\u00e7o final a consumidor sugerido pelo fabricante ou importador, poder\u00e1 a lei estabelecer como base de c\u00e1lculo este pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 4\u00ba A margem a que se refere a al\u00ednea c do inciso II do caput ser\u00e1 estabelecida com base em pre\u00e7os usualmente praticados no mercado considerado, obtidos por levantamento, ainda que por amostragem ou atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00f5es e outros elementos fornecidos por entidades representativas dos respectivos setores, adotando-se a m\u00e9dia ponderada dos pre\u00e7os coletados, devendo os crit\u00e9rios para sua fixa\u00e7\u00e3o ser previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 5\u00ba O imposto a ser pago por substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, na hip\u00f3tese do inciso II do caput, corresponder\u00e1 \u00e0 diferen\u00e7a entre o valor resultante da aplica\u00e7\u00e3o da al\u00edquota prevista para as opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es internas do Estado de destino sobre a respectiva base de c\u00e1lculo e o valor do imposto devido pela opera\u00e7\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do substituto.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 6<sup>o<\/sup>&nbsp;Em substitui\u00e7\u00e3o ao disposto no inciso II do&nbsp;<strong>caput<\/strong>, a base de c\u00e1lculo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es ou presta\u00e7\u00f5es subseq\u00fcentes poder\u00e1 ser o pre\u00e7o a consumidor final usualmente praticado no mercado considerado, relativamente ao servi\u00e7o, \u00e0 mercadoria ou sua similar, em condi\u00e7\u00f5es de livre concorr\u00eancia, adotando-se para sua apura\u00e7\u00e3o as regras estabelecidas no \u00a7 4<sup>o<\/sup>&nbsp;deste artigo<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-o-icms-st-integra-o-custo-da-mercadoria\"><a>15.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ICMS-ST integra o custo da mercadoria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Preliminarmente, n\u00e3o se trata de discuss\u00e3o submetida \u00e0 sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, emoldurada no&nbsp;Tema 1125\/STJ, cuja delimita\u00e7\u00e3o \u00e9: &#8220;possibilidade de exclus\u00e3o do valor correspondente ao ICMS-ST da base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins devidas pelo contribuinte substitu\u00eddo&#8221;, de relatoria do Sr. Ministro Gurgel de Faria (REsps 1.896.678\/RS e 1.958.265\/SP, com julgamento iniciado nesta Se\u00e7\u00e3o em 23\/11\/2022). Conquanto coincidentes os tributos trazidos &#8211; o ICMS-ST, a Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e a COFINS &#8211; nos apontados recursos especiais, tais temas s\u00e3o distintos, porque a compreens\u00e3o a ser firmada com for\u00e7a vinculante diz respeito \u00e0 base de c\u00e1lculo, e a presente demanda envolve o direito a desconto de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>Na controv\u00e9rsia, <a>a empresa impetrante \u00e9 revendedora (varejista), assumindo portanto, a posi\u00e7\u00e3o de substitu\u00edda. Ao adquirir bens do substituto, ela qualifica a opera\u00e7\u00e3o como custo de aquisi\u00e7\u00e3o e, por isso, entende devido o desconto de cr\u00e9ditos das contribui\u00e7\u00f5es incidentes sobre o montante relativo ao ICMS-ST, recolhido pelo fornecedor na etapa anterior sobre determinados produtos, uma vez que tal valor seria irrecuper\u00e1vel.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se que <strong>o direito ao creditamento independe da ocorr\u00eancia de tributa\u00e7\u00e3o na etapa anterior. N\u00e3o est\u00e1 vinculado \u00e0 eventual incid\u00eancia da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins sobre a parcela correspondente ao ICMS-ST na opera\u00e7\u00e3o de venda do substituto ao substitu\u00eddo<\/strong>. Isso porque, sendo o fato gerador da substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria pr\u00e9vio e definitivo, o direito ao cr\u00e9dito do substitu\u00eddo decorre, a rigor, da repercuss\u00e3o econ\u00f4mica do \u00f4nus gerado pelo recolhimento antecipado do imposto estadual atribu\u00eddo ao substituto. Compondo, desse modo, o custo de aquisi\u00e7\u00e3o da mercadoria adquirida pelo revendedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais &#8211; CARF, asseverou que &#8220;o ICMS substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria (ICMS-ST) pago pelo adquirente na condi\u00e7\u00e3o de substitu\u00eddo integra o valor das aquisi\u00e7\u00f5es de mercadorias para revenda por constituir custo de aquisi\u00e7\u00e3o&#8221;. (Terceira Se\u00e7\u00e3o de Julgamento &#8211; SEJUL, 2\u00aa C\u00e2mara, Primeira Turma Ordin\u00e1ria, Processo n. 10980.723884\/2014-45, Ac\u00f3rd\u00e3o n. 3201-008.626, Redator designado Conselheiro M\u00e1rcio Robson Costa, julgado em 21\/7\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Assinale-se, no ponto, que o art. 8\u00ba, \u00a7 3\u00ba, II, da Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n. 404\/2004, consoante fundamenta\u00e7\u00e3o adotada no apontado julgado do CARF de 2021 &#8211; conquanto de modo n\u00e3o majorit\u00e1rio -, previa, para efeito de concess\u00e3o de cr\u00e9ditos das contribui\u00e7\u00f5es em comento, que o ICMS integra o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>o custo suportado pelo substitu\u00eddo \u00e9 composto, via de regra, pelo montante da opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, IPI, seguros, juros, frete, margem de valor agregado, inclusive lucro do substituto, e por demais import\u00e2ncias e despesas debit\u00e1veis do estabelecimento destinat\u00e1rio<\/strong> (arts. 8\u00ba e 13 da Lei Complementar n. 87\/1996).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, conforme a doutrina &#8220;para o substitu\u00eddo, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em apura\u00e7\u00e3o, posto que, nas opera\u00e7\u00f5es sujeitas \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o, o ICMS foi recolhido pelo contribuinte substituto, n\u00e3o existindo, portanto, nem cr\u00e9dito nem d\u00e9bito do imposto a ser apurado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a impossibilidade de creditamento, o substitu\u00eddo desembolsar\u00e1, ao adquirir a mercadoria, o valor do bem acrescido do montante do tributo devido, destacado no respectivo documento fiscal. Dessa forma, <strong>a repercuss\u00e3o econ\u00f4mica onerosa do recolhimento antecipado do ICMS-ST pelo substituto \u00e9 assimilada pelo substitu\u00eddo imediato na cadeia quando da aquisi\u00e7\u00e3o do bem, a quem, todavia, n\u00e3o ser\u00e1 facultado gerar cr\u00e9dito na sa\u00edda da mercadoria (venda).<\/strong> Deve-se emitir a nota fiscal sem destaque do imposto estadual, tornando o tributo, nesse contexto, irrecuper\u00e1vel na escrita fiscal, crit\u00e9rio definidor adotado pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, na seara da n\u00e3o cumulatividade, \u00e9 juridicamente ileg\u00edtimo frustrar o direito ao creditamento por supor recuperado o custo mediante eventual proje\u00e7\u00e3o no valor de revenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, no caso, for\u00e7oso reconhecer que a impetrante faz jus aos cr\u00e9ditos da contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins pretendidos, quer porque independem da incid\u00eancia de tais contribui\u00e7\u00f5es sobre o montante do ICMS-ST recolhido pelo substituto na etapa anterior, quer porque o valor do imposto estadual antecipado caracteriza custo de aquisi\u00e7\u00e3o, como reconhecia a pr\u00f3pria Secretaria da Receita Federal do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O ICMS-ST constitui parte integrante do custo de aquisi\u00e7\u00e3o da mercadoria e, por conseguinte, deve ser admitido na composi\u00e7\u00e3o do montante de cr\u00e9ditos a ser deduzido para apura\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da Cofins, no regime n\u00e3o cumulativo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-icms-como-parte-da-base-de-calculo-do-irpj-e-da-csll-e-lucro-presumido\"><a><\/a><a>16.&nbsp; ICMS como parte da base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL e lucro presumido<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O ICMS comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), quando apurados na sistem\u00e1tica do lucro presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.767.631-SC, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 10\/5\/2023. (Tema 1008). (Info 774)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cer\u00e2mica CTT ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual intentava ter reconhecido o direito \u00e0 exclus\u00e3o de valores de ICMS nas bases de c\u00e1lculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jur\u00eddica &#8211; IRPJ e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido &#8211; CSLL quando apuradas pela sistem\u00e1tica do lucro presumido. Para a empresa, haveria bitributa\u00e7\u00e3o, estando ela a pagar imposto sobre imposto.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 195. A seguridade social ser\u00e1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos or\u00e7amentos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, e das seguintes contribui\u00e7\u00f5es sociais:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>b) a receita ou o faturamento<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-icms-compoe-a-bc-mesmo-na-sistematica-do-lucro-presumido\"><a>16.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; ICMS comp\u00f5e a BC mesmo na sistem\u00e1tica do lucro presumido?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O lucro presumido, como a pr\u00f3pria express\u00e3o sugere, constitui modalidade de tributa\u00e7\u00e3o do Imposto sobre a renda de pessoa jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o social sobre o lucro l\u00edquido (CSLL) que envolve presun\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria<\/strong>. Utiliza-se a receita bruta como par\u00e2metro a ser considerado para aplica\u00e7\u00e3o do percentual destinado \u00e0 apura\u00e7\u00e3o do lucro presumido, que \u00e9 a base de c\u00e1lculo sobre o qual incidir\u00e1 a al\u00edquota, alcan\u00e7ando-se, assim, o valor devido.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da circunst\u00e2ncia de que a receita representa, portanto, a grandeza que, em \u00faltima an\u00e1lise, serve para o c\u00e1lculo dos tributos em exame, busca-se na esp\u00e9cie, em ess\u00eancia, a observ\u00e2ncia da&nbsp;<em>ratio decidendi<\/em>&nbsp;do Tema 69\/STF, a fim de que seja afastado de sua composi\u00e7\u00e3o o ICMS.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, sob o regime da repercuss\u00e3o geral, nos autos do RE 574.706\/PR, decidiu, em car\u00e1ter definitivo, por meio de precedente vinculante, que os conceitos de faturamento e receita, contidos no art. 195, I, &#8220;b&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, para fins de incid\u00eancia da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS, n\u00e3o albergam o ICMS, considerado aquele destacado na nota fiscal, pois os valores correspondentes a tal tributo estadual n\u00e3o se incorporaram ao patrim\u00f4nio dos contribuintes.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi firmada a seguinte tese da repercuss\u00e3o geral: &#8220;O ICMS n\u00e3o comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo para a incid\u00eancia do PIS e da COFINS&#8221; (Tema 69\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ocorre que esse entendimento deve ser aplicado t\u00e3o somente \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e \u00e0 COFINS<\/strong>, porquanto realizado exclusivamente \u00e0 luz do art. 195, I, &#8220;b&#8221;, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sendo indevida a extens\u00e3o indiscriminada dessa compreens\u00e3o para outros tributos, tais como o IRPJ e CSLL.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de corroborar a referida afirma\u00e7\u00e3o, basta ver que a pr\u00f3pria Suprema Corte, ao julgar o Tema 1048\/STF, concluiu pela constitucionalidade da inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta (CPRB) &#8211; a qual inclusive \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o social, mas de car\u00e1ter substitutivo, que tamb\u00e9m utiliza a receita como base de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Observe-se, portanto, que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 1048\/STF, tratou a CPRB como benef\u00edcio fiscal, notadamente quando passou a ser modalidade facultativa de tributa\u00e7\u00e3o. A&nbsp;<em>ratio decidendi<\/em>&nbsp;do mencionado caso paradigma traz consigo uma relevante peculiaridade: <strong>para o STF, a facultatividade do regime impede a aplica\u00e7\u00e3o pura e simples da tese fixada no julgamento do Tema 69\/STF da repercuss\u00e3o geral, porquanto caracterizaria a cria\u00e7\u00e3o incab\u00edvel de um terceiro g\u00eanero de tributa\u00e7\u00e3o mais ben\u00e9fico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Salienta-se que quando do julgamento do Tema 1048\/STF, o Ministro Marco Aur\u00e9lio (ent\u00e3o relator do recurso extraordin\u00e1rio) desenvolveu voto no sentido de que o alcance e a defini\u00e7\u00e3o dos institutos de receita e faturamento extra\u00eddos do julgamento do Tema 69\/STF deveriam se aplicar de maneira ampla. Para o eminente Ministro, &#8220;admitir a volatilidade dos institutos previstos na Lei Maior com base no regime fiscal ao qual submetido o contribuinte implica interpretar a Constitui\u00e7\u00e3o Federal a partir da legisla\u00e7\u00e3o comum, afastando a supremacia que lhe \u00e9 pr\u00f3pria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ocorre que essa linha de pensamento (que agora se confunde com a pretens\u00e3o recursal analisada) foi expressamente debatida e vencida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9, o pr\u00f3prio Supremo, ao interpretar seu precedente (Tema 69\/STF), entendeu que esse seria inaplic\u00e1vel \u00e0s hip\u00f3teses em que se oferecesse benef\u00edcio fiscal ao contribuinte, vale dizer, n\u00e3o se aplicaria quando houvesse facultatividade quanto ao regime de tributa\u00e7\u00e3o, exatamente o que acontece no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que, para a Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e a COFINS, a receita constitui a pr\u00f3pria base de c\u00e1lculo, enquanto para o IRPJ e a CSLL, apurados na sistem\u00e1tica do lucro presumido, representa apenas par\u00e2metro de tributa\u00e7\u00e3o, sendo essa outra distin\u00e7\u00e3o relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o Tema 69\/STF apresenta-se aplic\u00e1vel t\u00e3o somente \u00e0 Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e \u00e0 COFINS. N\u00e3o h\u00e1 que falar na ado\u00e7\u00e3o de &#8220;tese filhote&#8221; para albergar outros tributos, disciplinados por normas jur\u00eddicas pr\u00f3prias. Por conseguinte, n\u00e3o h\u00e1 inconstitucionalidade na circunst\u00e2ncia de o ICMS integrar a receita como base impon\u00edvel das demais exa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, \u00e9 importante ressaltar que, diante da orienta\u00e7\u00e3o dessa \u00faltima tese (Tema 69\/STF), a Primeira Turma, \u00e0 unanimidade, ao julgar o REsp 1.599.065\/DF (Rel. Ministra Regina Helena Costa, julgado em 9\/11\/2021, DJe 2\/12\/2021), excluiu da base de c\u00e1lculo das referidas contribui\u00e7\u00f5es os valores auferidos por empresas prestadoras de servi\u00e7o de telefonia pelo uso de suas estruturas para interconex\u00e3o e&nbsp;<em>roaming<\/em>, porquanto n\u00e3o se incorporam ao patrim\u00f4nio do contribuinte, por for\u00e7a da legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe rememorar, por\u00e9m, que, naquela hip\u00f3tese, a discuss\u00e3o se deu justamente no \u00e2mbito da Contribui\u00e7\u00e3o ao PIS e da COFINS, ou seja, os mesmos tributos tratados no Tema 69\/STF da repercuss\u00e3o geral e \u00e0 luz dos atos normativos de natureza infraconstitucional que tratam do servi\u00e7o de&nbsp;<em>roaming&nbsp;<\/em>e interconex\u00e3o. Da\u00ed a observ\u00e2ncia daquela&nbsp;<em>ratio decidendi<\/em>, que, como visto, n\u00e3o pode ser reproduzida no presente caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, extrai-se dos julgados acima referidos que o pr\u00f3prio Supremo Tribunal Federal compreende que n\u00e3o foi exclu\u00eddo, em car\u00e1ter definitivo e autom\u00e1tico, o ICMS do conceito constitucional de receita para todos os fins tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O ICMS comp\u00f5e a base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL), quando apurados na sistem\u00e1tica do lucro presumido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-atos-de-cancelamento-da-imunidade-tributaria-pela-ausencia-de-preenchimento-dos-requisitos-e-retroatividade\"><a><\/a><a>17.&nbsp; Atos de cancelamento da imunidade tribut\u00e1ria pela aus\u00eancia de preenchimento dos requisitos e retroatividade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os atos de cancelamento da imunidade tribut\u00e1ria pela aus\u00eancia do preenchimento dos requisitos s\u00e3o dotados de carga declarat\u00f3ria, retroagindo \u00e0 data em que estes deixaram de ser observados.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no AREsp 1.878.937-RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 23\/5\/23. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Fazenda Nacional ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal visando \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios referentes \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es sociais do per\u00edodo de 06\/1998 a 08\/2005. A a\u00e7\u00e3o foi movida em face da Associa\u00e7\u00e3o Venceremos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o aduz que as CDAs em cobran\u00e7a na execu\u00e7\u00e3o se originaram em virtude do atraso no recolhimento dos valores devidos na condi\u00e7\u00e3o de substituta tribut\u00e1ria das contribui\u00e7\u00f5es sociais dos empregados (parcela retida dos empregados e n\u00e3o repassada aos cofres p\u00fablicos). Em raz\u00e3o disso, seu CEAS, que lhe garantia a imunidade tribut\u00e1ria, foi cancelado em 31.1.2005 pela ent\u00e3o Secretaria da Receita Previdenci\u00e1ria, com efeitos retroativos a 1\u00ba.8.2003 e passaram a serem exigidas as contribui\u00e7\u00f5es sociais \u00e0s quais era imune anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-efeitos-retroativos\"><a>17.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efeitos retroativos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ definiu que a emiss\u00e3o da Certid\u00e3o que reconhece a condi\u00e7\u00e3o de entidade de assist\u00eancia social tem natureza jur\u00eddica declarat\u00f3ria, assim como igualmente o tem o ato administrativo posterior que a cancela, com efeito retroativo \u00e0 data em que cessou o preenchimento dos requisitos para sua emiss\u00e3o. Nesse sentido:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;TRIBUT\u00c1RIO. AGRAVO INTERNO NO EMBARGOS DE DECLARA\u00c7\u00c3O NO RECURSO ESPECIAL. IMUNIDADE TRIBUT\u00c1RIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS NECESS\u00c1RIOS PARA CONCESS\u00c3O DO BENEF\u00cdCIO. REVIS\u00c3O. IMPOSSIBILIDADE. S\u00daMULA 7\/STJ. CEBAS. ATO DECLARAT\u00d3RIO. EFIC\u00c1CIA EX TUNC. S\u00daMULA 612\/STJ. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. (&#8230;) 2. <strong>O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido em conson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia consolidada desta Corte, consoante se extrai do teor da S\u00famula 612 do STJ, segundo a qual o certificado de entidade beneficente de assist\u00eancia social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declarat\u00f3ria para fins tribut\u00e1rios, retroagindo seus efeitos \u00e0 data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a frui\u00e7\u00e3o da imunidade<\/strong>. (&#8230;)&#8221; (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.730.239\/SC, relator Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho, DJe 23\/4\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;TRIBUT\u00c1RIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSIST\u00caNCIA SOCIAL (CEBAS). ATO DECLARAT\u00d3RIO. EFIC\u00c1CIA EX TUNC. S\u00daMULA 612\/STJ. 1. Relativamente aos efeitos retroativos do CEBAS, esta Corte j\u00e1 se manifestou no sentido de que seus efeitos n\u00e3o se limitam \u00e0 data do requerimento do certificado, mas sim \u00e0 data do preenchimento dos requisitos legais para frui\u00e7\u00e3o da imunidade, em raz\u00e3o de sua natureza declarat\u00f3ria. 2. A reafirmar o entendimento sedimentado nesta Corte, foi editada a S\u00famula 612\/STJ in verbis: <strong>&#8216;O certificado de entidade beneficente de assist\u00eancia social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza declarat\u00f3ria para fins tribut\u00e1rios, retroagindo seus efeitos \u00e0 data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei complementar para a frui\u00e7\u00e3o da imunidade&#8217;<\/strong>. (&#8230;)&#8221; (AgInt no REsp n. 1.823.496\/SC, relator Ministro S\u00e9rgio Kukina, DJe 9\/12\/2019).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-resultado-final\"><a>17.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os atos de cancelamento da imunidade tribut\u00e1ria pela aus\u00eancia do preenchimento dos requisitos s\u00e3o dotados de carga declarat\u00f3ria, retroagindo \u00e0 data em que estes deixaram de ser observados.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a><\/a><a>DIREITO <\/a>PREVIDENCI\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-aplicabilidade-da-sumula-111-do-stj-e-vigencia-do-cpc-2015\"><a><\/a><a>18.&nbsp; Aplicabilidade da S\u00famula 111 do STJ e vig\u00eancia do CPC 2015.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Continua eficaz e aplic\u00e1vel o conte\u00fado da S\u00famula n. 111\/STJ (modificado em 2006), mesmo ap\u00f3s a vig\u00eancia do CPC\/2015, no que tange \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.880.529-SP, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 8\/3\/2023. (Tema 1105) (Info 766)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o discutindo benef\u00edcio previdenci\u00e1rio, o Tribunal local recusou a aplica\u00e7\u00e3o da S\u00famula 111\/STJ e determinou que os honor\u00e1rios fossem arbitrados somente na liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, o que acabaria por incluir as parcelas vincendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o INSS interp\u00f4s recurso no qual sustenta a necessidade de observa\u00e7\u00e3o do enunciado e ainda a falta de cancelamento formal da s\u00famula em quest\u00e3o, de modo que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios, nas causas previdenci\u00e1rias, devem ser fixados na data do julgamento favor\u00e1vel \u00e0 concess\u00e3o do benef\u00edcio pleiteado, excluindo-se as parcelas vincendas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula n. 111\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>Os honor\u00e1rios advocat\u00edcios, nas a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, n\u00e3o incidem sobre as presta\u00e7\u00f5es vencidas ap\u00f3s a senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba Em qualquer das hip\u00f3teses do \u00a7 3\u00ba :<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; n\u00e3o sendo l\u00edquida a senten\u00e7a, a defini\u00e7\u00e3o do percentual, nos termos previstos nos incisos I a V, somente ocorrer\u00e1 quando liquidado o julgado;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-vida-longa-a-sumula-111\"><a>18.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vida longa \u00e0 S\u00famula 111?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Isso a\u00ed!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia que se traz \u00e0 discuss\u00e3o, em regime repetitivo, est\u00e1 em definir se, com o advento do CPC de 2015, ainda continuar\u00e1 prevalecendo, ou n\u00e3o, a linha de corte trazida na modificada reda\u00e7\u00e3o da S\u00famula n. 111\/STJ, no ponto em que exclui da base de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios as presta\u00e7\u00f5es vencidas ap\u00f3s a senten\u00e7a favor\u00e1vel ao segurado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O inciso II do \u00a7 4\u00ba do art. 85 do CPC\/2015 nada disp\u00f5e a respeito da base de c\u00e1lculo para a incid\u00eancia da verba advocat\u00edcia<\/strong>, limitando-se a POSTERGAR t\u00e3o s\u00f3 a defini\u00e7\u00e3o de seu percentual (conforme as faixas econ\u00f4micas dispostas no \u00a7 3\u00ba do mesmo artigo) para depois de apurado o correspondente&nbsp;<em>quantum debeatur<\/em>&nbsp;em procedimento liquidat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se que o desenganado intuito da S\u00famula n. 111\/STJ, com a modifica\u00e7\u00e3o que recebeu em 2006, foi o de desestimular o indevido prolongamento da demanda, possibilitando que o segurado demandante logo recebesse as presta\u00e7\u00f5es judicialmente reconhecidas em seu favor. Assim \u00e9 que a jurisprud\u00eancia da Terceira Se\u00e7\u00e3o, que precedeu e respaldou a mencionada modifica\u00e7\u00e3o sumular, passou a compreender que, &#8220;Tomando-se o marco final das presta\u00e7\u00f5es vencidas como o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o, tem-se uma situa\u00e7\u00e3o inusitada, na qual a morosidade no t\u00e9rmino do processo reverte em maiores ganhos ao patrocinador do segurado&#8221; (EREsp 195.520\/SP, relator Ministro Felix Fischer, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 22\/9\/1999, DJ 18\/10\/1999, p. 207).<\/p>\n\n\n\n<p>Mais conveniente, por isso, que se antecipasse aquele marco final para a mesma data da prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria. Da\u00ed que, como asseverado em outro emblem\u00e1tico julgado, proferido tamb\u00e9m em 1999, &#8220;Esta interpreta\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de facilitar a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, evita conflito de interesses entre parte-autora e patrono, o que deve ser sempre buscado, porquanto a este interessaria a delonga da causa, com vistas a uma maior base de c\u00e1lculo dos honor\u00e1rios, enquanto \u00e0quela o seu apressamento, para ter satisfeita a pretens\u00e3o deduzida&#8221; (EREsp 198.260\/SP, relator Ministro Gilson Dipp, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 13\/10\/1999, DJ 16\/11\/1999, p. 183).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a atual jurisprud\u00eancia das duas Turmas que integram a Primeira Se\u00e7\u00e3o, que hoje det\u00e9m atribui\u00e7\u00e3o regimental para deliberar acerca de assuntos relativos a benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, inclusive os decorrentes de acidentes do trabalho (art. 9\u00ba, \u00a7 1\u00ba, XIII, do RISTJ), mostra-se convergente no sentido de que, mesmo ap\u00f3s a vig\u00eancia do CPC\/2015, continua aplic\u00e1vel o comando gizado na S\u00famula n. 111\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Continua eficaz e aplic\u00e1vel o conte\u00fado da S\u00famula n. 111\/STJ (modificado em 2006), mesmo ap\u00f3s a vig\u00eancia do CPC\/2015, no que tange \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-bpc-e-a-possibilidade-de-o-interprete-da-lei-fazer-imposicao-de-requisitos-mais-rigidos-do-que-aqueles-previstos-para-a-sua-concessao\"><a><\/a><a>19.&nbsp; BPC e a possibilidade de o int\u00e9rprete da lei fazer imposi\u00e7\u00e3o de requisitos mais r\u00edgidos do que aqueles previstos para a sua concess\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a de concess\u00e3o do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada &#8211; BPC \u00e0 pessoa com defici\u00eancia, disciplinado na Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social &#8211; LOAS, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete da lei fazer imposi\u00e7\u00e3o de requisitos mais r\u00edgidos do que aqueles previstos para a sua concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.962.868-SP, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 21\/3\/2023, DJe 28\/3\/2023. (Info 770)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do INSS em raz\u00e3o do indeferimento administrativo do requerimento de concess\u00e3o do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada &#8211; BPC \u00e0 pessoa com defici\u00eancia. O Ju\u00edzo de 1\u00ba Grau julgou o pedido procedente, determinando a implanta\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio assistencial requerido, concluindo que autora seria portadora de desenvolvimento mental retardado em grau leve, o que resultaria em sua incapacidade parcial e permanente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 em apela\u00e7\u00e3o, o tribunal local decidiu pela improced\u00eancia do pedido, por considerar n\u00e3o preenchido o requisito da defici\u00eancia para fins de concess\u00e3o do benef\u00edcio pleiteado, em virtude de aus\u00eancia de incapacidade absoluta da autora, tendo em vista ser ela portadora de desenvolvimento mental retardado em grau leve, possuindo limita\u00e7\u00e3o apenas para atividades que demandam habilidades acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi interposto ent\u00e3o recurso especial que sustenta que a incapacidade ser parcial n\u00e3o obstaria a concess\u00e3o do benef\u00edcio assistencial, uma vez que devem ser consideradas as circunst\u00e2ncias pessoais e socioculturais da requerente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 203. A assist\u00eancia social ser\u00e1 prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 seguridade social, e tem por objetivos:<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; a garantia de um sal\u00e1rio m\u00ednimo de benef\u00edcio mensal \u00e0 pessoa portadora de defici\u00eancia e ao idoso que comprovem n\u00e3o possuir meios de prover \u00e0 pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o ou de t\u00ea-la provida por sua fam\u00edlia, conforme dispuser a lei<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.742\/1993:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 20.&nbsp; O benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada \u00e9 a garantia de um sal\u00e1rio-m\u00ednimo mensal \u00e0 pessoa com defici\u00eancia e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem n\u00e3o possuir meios de prover a pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o nem de t\u00ea-la provida por sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Para efeito de concess\u00e3o do benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada, considera-se pessoa com defici\u00eancia aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza f\u00edsica, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em intera\u00e7\u00e3o com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participa\u00e7\u00e3o plena e efetiva na sociedade em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com as demais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba &nbsp;Observados os demais crit\u00e9rios de elegibilidade definidos nesta Lei, ter\u00e3o direito ao benef\u00edcio financeiro de que trata o&nbsp;caput&nbsp;deste artigo a pessoa com defici\u00eancia ou a pessoa idosa com renda familiar mensal&nbsp;per capita&nbsp;igual ou inferior a 1\/4 (um quarto) do sal\u00e1rio-m\u00ednimo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-tem-de-ser-genio-ou-o-que\"><a>19.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem de ser g\u00eanio ou o qu\u00ea<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tem\u00e1tica, conv\u00e9m registrar, inicialmente, a disposi\u00e7\u00e3o do art. 203,&nbsp;<em>caput<\/em>, e inciso V, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal: &#8220;<a>Art. 203. A assist\u00eancia social ser\u00e1 prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 seguridade social, e tem por objetivos: (&#8230;) V &#8211; a garantia de um sal\u00e1rio m\u00ednimo de benef\u00edcio mensal \u00e0 pessoa portadora de defici\u00eancia e ao idoso que comprovem n\u00e3o possuir meios de prover \u00e0 pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o ou de t\u00ea-la provida por sua fam\u00edlia, conforme dispuser a lei<\/a>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a Lei n. 8.742\/1993 disciplinou mencionado dispositivo<strong>, garantindo o benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada, no valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00e0 pessoa com defici\u00eancia e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos, que comprovem n\u00e3o possuir meios de prover \u00e0 pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o, nem t\u00ea-la provida por sua fam\u00edlia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis o teor do art. 20, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, do referido diploma normativo, na reda\u00e7\u00e3o dada pelas Leis n. 12.435\/2011 e 12.470\/2011, vigentes \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento da presente a\u00e7\u00e3o (dezembro de 2014): &#8220;Art. 20. O benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada \u00e9 a garantia de um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal \u00e0 pessoa com defici\u00eancia e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais que comprovem n\u00e3o possuir meios de prover \u00e0 pr\u00f3pria manuten\u00e7\u00e3o nem de t\u00ea-la provida por sua fam\u00edlia. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.435, de 2011) (&#8230;) \u00a7 2\u00ba Para efeito de concess\u00e3o deste benef\u00edcio, considera-se pessoa com defici\u00eancia aquela que tem impedimentos de longo prazo de natureza f\u00edsica, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em intera\u00e7\u00e3o com diversas barreiras, podem obstruir sua participa\u00e7\u00e3o plena e efetiva na sociedade em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com as demais pessoas. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 12.470, de 2011) \u00a7 3\u00ba Considera-se incapaz de prover a manuten\u00e7\u00e3o da pessoa com defici\u00eancia ou idosa a fam\u00edlia cuja renda mensal per capita seja inferior a 1\/4 (um quarto) do sal\u00e1rio-m\u00ednimo. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.435, de 2011)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m registrar que a Lei n. 13.146\/2015, que instituiu o Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia, fez uma singela altera\u00e7\u00e3o no \u00a7 2\u00ba do art. 20 da Lei n. 8.742\/1993, mantendo a ess\u00eancia do conceito de pessoa com defici\u00eancia, para efeito de concess\u00e3o do benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada. Veja-se: &#8220;\u00a7 2\u00ba Para efeito de concess\u00e3o do benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada, considera-se pessoa com defici\u00eancia aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza f\u00edsica, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em intera\u00e7\u00e3o com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participa\u00e7\u00e3o plena e efetiva na sociedade em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com as demais pessoas. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 13.146, de 2015)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro requisito, para efeito de concess\u00e3o do benef\u00edcio, resta evidenciado, no texto normativo, que a pessoa com defici\u00eancia \u00e9 aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza f\u00edsica, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em intera\u00e7\u00e3o com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participa\u00e7\u00e3o plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com as demais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>No ponto, quando da an\u00e1lise da defici\u00eancia que embasou o pedido inicial, que o benef\u00edcio requerido fora indeferido, em virtude de aus\u00eancia de incapacidade absoluta da autora, tendo em vista ser ela portadora de desenvolvimento mental retardado em grau leve, possuindo limita\u00e7\u00e3o apenas para atividades que demandam habilidades acad\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a jurisprud\u00eancia do STJ firmou entendimento segundo o qual, para efeito de concess\u00e3o do benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada, a legisla\u00e7\u00e3o que disciplina a mat\u00e9ria n\u00e3o elenca o grau de incapacidade para fins de configura\u00e7\u00e3o da defici\u00eancia, n\u00e3o cabendo ao int\u00e9rprete da lei a imposi\u00e7\u00e3o de requisitos mais r\u00edgidos do que aqueles previstos para a sua concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para a de concess\u00e3o do Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada &#8211; BPC \u00e0 pessoa com defici\u00eancia, disciplinado na Lei Org\u00e2nica da Assist\u00eancia Social &#8211; LOAS, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete da lei fazer imposi\u00e7\u00e3o de requisitos mais r\u00edgidos do que aqueles previstos para a sua concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-cessao-de-credito-inscrito-em-precatorio-oriundo-de-acao-previdenciaria\"><a><\/a><a>20.&nbsp; Cess\u00e3o de cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias n\u00e3o impede o juiz de controlar ex officio a validade de sua transmiss\u00e3o, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.896.515-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023, DJe 17\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do INSS. J\u00e1 em cumprimento de senten\u00e7a, comunicou a cess\u00e3o do respectivo Cr\u00e9dito \u00e0 Creide, tendo o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia, de of\u00edcio, negado a produ\u00e7\u00e3o de efeitos do neg\u00f3cio jur\u00eddico ao fundamento de que o art. 114 da Lei n. 8.213\/1991 obsta a transfer\u00eancia credit\u00edcia decorrente de presta\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Creide interp\u00f4s recurso alegando que o cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio decorrente de parcelas vencidas de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio poderia ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-questao-juridica\"><a>20.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;114.&nbsp;Salvo quanto a valor devido \u00e0 Previd\u00eancia Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou derivado da obriga\u00e7\u00e3o de prestar alimentos reconhecida em senten\u00e7a judicial, o benef\u00edcio n\u00e3o pode ser objeto de penhora, arresto ou seq\u00fcestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cess\u00e3o, ou a constitui\u00e7\u00e3o de qualquer \u00f4nus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevog\u00e1veis ou em causa pr\u00f3pria para o seu recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas P\u00fablicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de senten\u00e7a judici\u00e1ria, far-se-\u00e3o exclusivamente na ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o dos precat\u00f3rios e \u00e0 conta dos cr\u00e9ditos respectivos, proibida a designa\u00e7\u00e3o de casos ou de pessoas nas dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e nos cr\u00e9ditos adicionais abertos para este fim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Os d\u00e9bitos de natureza aliment\u00edcia cujos titulares, origin\u00e1rios ou por sucess\u00e3o heredit\u00e1ria, tenham 60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doen\u00e7a grave, ou pessoas com defici\u00eancia, assim definidos na forma da lei, ser\u00e3o pagos com prefer\u00eancia sobre todos os demais d\u00e9bitos, at\u00e9 o valor equivalente ao triplo fixado em lei para os fins do disposto no \u00a7 3\u00ba deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante ser\u00e1 pago na ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o do precat\u00f3rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba O disposto no caput deste artigo relativamente \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rios n\u00e3o se aplica aos pagamentos de obriga\u00e7\u00f5es definidas em leis como de pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de senten\u00e7a judicial transitada em julgado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 13. O credor poder\u00e1 ceder, total ou parcialmente, seus cr\u00e9ditos em precat\u00f3rios a terceiros, independentemente da concord\u00e2ncia do devedor, n\u00e3o se aplicando ao cession\u00e1rio o disposto nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 14. A cess\u00e3o de precat\u00f3rios, observado o disposto no \u00a7 9\u00ba deste artigo, somente produzir\u00e1 efeitos ap\u00f3s comunica\u00e7\u00e3o, por meio de peti\u00e7\u00e3o protocolizada, ao Tribunal de origem e ao ente federativo devedor.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 166. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico quando:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; celebrado por pessoa absolutamente incapaz;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; for il\u00edcito, imposs\u00edvel ou indetermin\u00e1vel o seu objeto;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o motivo determinante, comum a ambas as partes, for il\u00edcito;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; n\u00e3o revestir a forma prescrita em lei;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; tiver por objetivo fraudar lei imperativa;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a pr\u00e1tica, sem cominar san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 167. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado, mas subsistir\u00e1 o que se dissimulou, se v\u00e1lido for na subst\u00e2ncia e na forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Haver\u00e1 simula\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios jur\u00eddicos quando:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas \u00e0s quais realmente se conferem, ou transmitem;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; contiverem declara\u00e7\u00e3o, confiss\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o ou cl\u00e1usula n\u00e3o verdadeira;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; os instrumentos particulares forem antedatados, ou p\u00f3s-datados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-f\u00e9 em face dos contraentes do neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, quando lhe couber intervir.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-possivel-a-cessao-a-terceiros\"><a>20.2.2. Poss\u00edvel a cess\u00e3o a terceiros?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>T\u00e1 valendo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se, \u00e0 luz do art. 114 da Lei n. 8.213\/1991, o cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio decorrente de parcelas vencidas de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 100, \u00a7\u00a7 13 e 14, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, na reda\u00e7\u00e3o conferida pela EC n. 62\/2009, <strong>o titular de cr\u00e9ditos inscritos em precat\u00f3rio pode ced\u00ea-los a terceiros sem necessidade de anu\u00eancia da Fazenda P\u00fablica, sendo a produ\u00e7\u00e3o de efeitos do neg\u00f3cio jur\u00eddico condicionada apenas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o ao tribunal de origem e \u00e0 entidade devedora<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Depreende-se que o legislador constituinte n\u00e3o restringiu a cess\u00e3o de precat\u00f3rios em fun\u00e7\u00e3o da natureza do cr\u00e9dito da qual se origina, alcan\u00e7ando, por conseguinte, os d\u00e9bitos alimentares, definidos pelo \u00a7 1\u00ba do art. 100 da Lei Maior como &#8220;[&#8230;] aqueles decorrentes de sal\u00e1rios, vencimentos, proventos, pens\u00f5es e suas complementa\u00e7\u00f5es, benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e indeniza\u00e7\u00f5es por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, por expressa previs\u00e3o do destacado \u00a7 13, conquanto preservada a natureza alimentar dos precat\u00f3rios cedidos, a transfer\u00eancia credit\u00edcia implica o afastamento das prefer\u00eancias subjetivas arroladas nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba do art. 100 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>a institui\u00e7\u00e3o de mecanismo de transmiss\u00e3o desses cr\u00e9ditos tem por escopo facultar ao credor, mediante negocia\u00e7\u00f5es entabuladas com eventuais interessados na sua aquisi\u00e7\u00e3o com des\u00e1gio, a percep\u00e7\u00e3o imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida pelo poder p\u00fablico<\/strong>, cuja not\u00f3ria demora no adimplemento fomenta a institui\u00e7\u00e3o de mercado dos respectivos t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa sistem\u00e1tica, outorga-se ao credor ju\u00edzo definitivo acerca do interesse em receber os valores a que faz jus de maneira expedita, embora com redu\u00e7\u00e3o do montante em virtude de acordos onerosos firmados com terceiros, ou aguardar a quita\u00e7\u00e3o integral do t\u00edtulo pela entidade devedora em momento posterior. Trata-se de regramento FAVOR\u00c1VEL ao credor, maior interessado na eventual formaliza\u00e7\u00e3o de ajustes privados para permitir a satisfa\u00e7\u00e3o de direito reconhecido judicialmente em tempo h\u00e1bil a suprir-lhe as necessidades financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>a cess\u00e3o de cr\u00e9ditos inscritos em precat\u00f3rios, autorizada pelo art. 100, \u00a7\u00a7 13 e 14, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, permite ao credor, mediante negocia\u00e7\u00f5es entabuladas com eventuais interessados na aquisi\u00e7\u00e3o do direito credit\u00edcio com des\u00e1gio, a percep\u00e7\u00e3o imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida pelo poder p\u00fablico, cujo not\u00f3rio inadimplemento fomenta a institui\u00e7\u00e3o de mercado dos respectivos t\u00edtulos<\/strong>, abrangendo, inclusive, as parcelas de natureza alimentar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-3-e-possivel-o-controle-do-negocio-juridico-pelo-juizo\">20.2.3. \u00c9 poss\u00edvel o controle do neg\u00f3cio jur\u00eddico pelo ju\u00edzo?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da viabilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, ressalva-se o controle judicial&nbsp;<em>ex officio<\/em>&nbsp;de acordos entabulados entre segurados e cession\u00e1rios, notadamente para afastar eventuais transa\u00e7\u00f5es abusivas firmadas em casos de premente necessidade econ\u00f4mica de pessoas vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>As transfer\u00eancias de precat\u00f3rios s\u00e3o perpetradas mediante instrumentos p\u00fablicos ou particulares, qualificando-se como neg\u00f3cios jur\u00eddicos por meio dos quais o credor cede o seu direito obrigacional a terceiro, denominado de cession\u00e1rio, que assume a posi\u00e7\u00e3o daquele na rela\u00e7\u00e3o havida com a Fazenda P\u00fablica, a qual n\u00e3o pode se opor \u00e0 transa\u00e7\u00e3o, nos termos do citado art. 100, \u00a7 13, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, <strong>tratando-se de acordos firmados entre particulares para a transmiss\u00e3o de direitos, aplicam-se a eles as causas de nulidade dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos privados<\/strong> (arts. 166 e 167 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas hip\u00f3teses revelam nulidade absoluta, raz\u00e3o pela qual, tratando-se de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, pode o juiz, de of\u00edcio, reconhecer a invalidade e negar a produ\u00e7\u00e3o de efeitos aos respectivos neg\u00f3cios jur\u00eddicos sempre que tiver conhecimento da aven\u00e7a, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, nos termos do art. 168, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, <strong>a possibilidade de controle judicial dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos relativos \u00e0 cess\u00e3o de precat\u00f3rios n\u00e3o contraria o princ\u00edpio da demanda previsto nos arts. 42 e 141 do CPC\/2015, porquanto, a par da expressa autoriza\u00e7\u00e3o prevista no art. 168, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil<\/strong>, tais transfer\u00eancias credit\u00edcias s\u00e3o praticadas na fase de cumprimento de senten\u00e7a, na qual incumbe ao magistrado identificar o destinat\u00e1rio da ordem de pagamento, certificando-se da regularidade da transmiss\u00e3o dos respectivos cr\u00e9ditos, de modo a garantir a escorreita satisfa\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, sendo vedado \u00e0 Fazenda P\u00fablica opor-se \u00e0 cess\u00e3o de precat\u00f3rio, impedir o magistrado de aferir a regularidade da transa\u00e7\u00e3o abre margem a abusos praticados por agentes econ\u00f4micos que, ante necessidade financeira de parcela dos segurados do Regime Geral de Previd\u00eancia Social &#8211; RGPS, podem impor condi\u00e7\u00f5es excessivamente gravosas a pessoas socioeconomicamente vulner\u00e1veis para a obten\u00e7\u00e3o imediata de recursos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, embora poss\u00edvel a cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, pode o juiz controlar, de of\u00edcio, a validade das respectivas transfer\u00eancias credit\u00edcias, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-4-resultado-final\"><a>20.2.4. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros. A possibilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias n\u00e3o impede o juiz de controlar <em>ex officio <\/em>a validade de sua transmiss\u00e3o, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-percepcao-de-adicional-de-insalubridade-e-reconhecimento-de-atividade-especial\"><a><\/a><a>21.&nbsp; Percep\u00e7\u00e3o de adicional de insalubridade e reconhecimento de atividade especial.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de adicional de insalubridade pelo segurado, por si s\u00f3, n\u00e3o lhe confere o direito de ter o respectivo per\u00edodo reconhecido como especial, porquanto os requisitos para a percep\u00e7\u00e3o do direito trabalhista s\u00e3o distintos dos requisitos para o reconhecimento da especialidade do trabalho no \u00e2mbito da previd\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no AgInt no AREsp 1.865.832-SP, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 3\/4\/2023, DJe 11\/4\/2023. (Info 773)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, operador de tratamento, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de Funda\u00e7\u00e3o da Seguridade Social de Servidores P\u00fablicos Municipais, objetivando o reconhecimento do direito \u00e0 aposentadoria especial desde quando preencheu os requisitos para tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Alega que desde 1994 recebe adicional de insalubridade, o que, a seu ver, comprovaria o trabalho realizado em condi\u00e7\u00f5es nocivas e que lhe garantiriam a concess\u00e3o da aposentadoria especial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-uma-coisa-e-uma-coisa-e-outra-coisa-e-outra-coisa\"><a>21.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Uma coisa \u00e9 uma coisa e outra coisa \u00e9 outra coisa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Mais ou menos por a\u00ed&#8230;!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, na origem, de a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, proposta por operador de tratamento em desfavor de Funda\u00e7\u00e3o da Seguridade Social de Servidores P\u00fablicos Municipais, objetivando &#8220;o reconhecimento do direito do autor \u00e0 aposentadoria especial (&#8230;) desde quando preencheu os requisitos para a aposentadoria especial, respeitando-se a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito do tema, o STJ possui orienta\u00e7\u00e3o no sentido de que &#8220;<strong>a percep\u00e7\u00e3o de adicional de insalubridade pelo segurado, por si s\u00f3, n\u00e3o lhe confere o direito de ter o respectivo per\u00edodo reconhecido como especial, porquanto os requisitos para a percep\u00e7\u00e3o do direito trabalhista s\u00e3o distintos dos requisitos para o reconhecimento da especialidade do trabalho no \u00e2mbito da Previd\u00eancia Social<\/strong>&#8221; (REsp 1.476.932\/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 16\/3\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido: &#8220;(&#8230;) 3. O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido encontra-se em conson\u00e2ncia com a orienta\u00e7\u00e3o desta Corte de que o recebimento de adicional de insalubridade, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprova\u00e7\u00e3o do efetivo exerc\u00edcio de atividade especial. (&#8230;)&#8221; (AgInt no AREsp 219.422\/PR, Rel. Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 31\/8\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-resultado-final\"><a>21.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de adicional de insalubridade pelo segurado, por si s\u00f3, n\u00e3o lhe confere o direito de ter o respectivo per\u00edodo reconhecido como especial, porquanto os requisitos para a percep\u00e7\u00e3o do direito trabalhista s\u00e3o distintos dos requisitos para o reconhecimento da especialidade do trabalho no \u00e2mbito da previd\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-manutencao-de-qualidade-de-segurado-em-razao-do-recebimento-de-beneficio-deferido-por-decisao-de-carater-provisorio-futuramente-revogada\"><a><\/a><a>22.&nbsp; Manuten\u00e7\u00e3o de qualidade de segurado em raz\u00e3o do recebimento de benef\u00edcio deferido por decis\u00e3o de car\u00e1ter provis\u00f3rio futuramente revogada.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o legal de manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de segurado, contida no art. 15, I, da Lei n. 8.213\/1991, inclui os benef\u00edcios deferidos por decis\u00e3o de car\u00e1ter provis\u00f3rio, ainda que seja futuramente revogada.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.023.456-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 20\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>22.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino requereu a concess\u00e3o de aux\u00edlio por incapacidade tempor\u00e1ria ao INSS, o que foi negado na via administrativa em raz\u00e3o da falta de constata\u00e7\u00e3o de incapacidade laboral pela per\u00edcia m\u00e9dica. Inconformado, ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual foi concedido o benef\u00edcio em car\u00e1ter provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O benef\u00edcio foi mantido e pago por mais de um ano, quando ent\u00e3o a decis\u00e3o que ordenou a concess\u00e3o foi revogada. Ao tentar novamente a concess\u00e3o administrativa, Crementino foi surpreendido por novo indeferimento, desta vez fundamentado na falta de qualidade de segurado, em raz\u00e3o de falta de recolhimento das contribui\u00e7\u00f5es por mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso hipot\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>22.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-1-questao-juridica\"><a>22.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 296. A tutela provis\u00f3ria conserva sua efic\u00e1cia na pend\u00eancia do processo, mas pode, a qualquer tempo, ser revogada ou modificada.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Salvo decis\u00e3o judicial em contr\u00e1rio, a tutela provis\u00f3ria conservar\u00e1 a efic\u00e1cia durante o per\u00edodo de suspens\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 300. A tutela de urg\u00eancia ser\u00e1 concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado \u00fatil do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 3\u00ba A tutela de urg\u00eancia de natureza antecipada n\u00e3o ser\u00e1 concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;15.&nbsp;Mant\u00e9m a qualidade de segurado, independentemente de contribui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; sem limite de prazo, quem est\u00e1 em gozo de benef\u00edcio, exceto do aux\u00edlio-acidente;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-2-o-beneficio-concedido-provisoriamente-mantem-a-qualidade-de-segurado\"><a>22.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O benef\u00edcio concedido provisoriamente mant\u00e9m a qualidade de segurado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em regra, a tutela antecipada ou de urg\u00eancia figura como provimento judicial provis\u00f3rio e revers\u00edvel (art. 273, \u00a7 2\u00ba, do CPC\/1973 e arts. 296 e 300, \u00a7 3\u00ba, do CPC\/2015), pelo que, a rigor, a <strong>revoga\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que concede o mandamento provis\u00f3rio produz efeitos imediatos e retroativos, impondo o retorno \u00e0 situa\u00e7\u00e3o anterior ao deferimento da medida, cujo \u00f4nus deve ser suportado pelo benefici\u00e1rio da tutela.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como o cumprimento provis\u00f3rio ocorre por iniciativa e responsabilidade do autor, cabe a este, em regra, suportar o \u00f4nus decorrente da revers\u00e3o da decis\u00e3o prec\u00e1ria, na medida em que, a rigor, pode, de antem\u00e3o, prever os resultados de eventual cassa\u00e7\u00e3o da medida, escolher sujeitar-se a tais consequ\u00eancias e at\u00e9 mesmo trabalhar previamente para evitar ou mitigar os impactos negativos no caso de revers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa regra (de total reversibilidade\/restitui\u00e7\u00e3o ao estado anterior), por\u00e9m, n\u00e3o pode ser aplicada em rela\u00e7\u00e3o ao segurado em gozo de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio por incapacidade laborativa, concedido por meio de tutela de urg\u00eancia posteriormente revogada, na medida em que, nesses casos<\/strong>, o \u00f4nus (de perder a condi\u00e7\u00e3o de segurado) n\u00e3o \u00e9 completamente previs\u00edvel, evit\u00e1vel ou mitig\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o \u00e9 de todo previs\u00edvel porque o art. 15, I, da Lei n. 8.213\/1991 assegura que, independentemente de contribui\u00e7\u00f5es, quem est\u00e1 em gozo de benef\u00edcio (qualquer que seja a natureza da concess\u00e3o, porque o dispositivo n\u00e3o diferenciou), mant\u00e9m a qualidade de segurado, sem limite de prazo, isto \u00e9, n\u00e3o seria razo\u00e1vel exigir do segurado de boa-f\u00e9 considerar que tal previs\u00e3o expressa fosse afastada automaticamente na ocasi\u00e3o da revoga\u00e7\u00e3o da medida de car\u00e1ter prec\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>o \u00f4nus (de perder a qualidade de segurado) n\u00e3o \u00e9 mitig\u00e1vel ou evit\u00e1vel, pois enquanto o segurado est\u00e1 em gozo de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio por incapacidade laborativa, concedido por meio de tutela de urg\u00eancia, n\u00e3o pode recolher contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias<\/strong>, uma vez que, em tal condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se insere na previs\u00e3o dos arts. 11 ou 13 da Lei n. 8.213\/1991.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-3-resultado-final\"><a>22.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o legal de manuten\u00e7\u00e3o da qualidade de segurado, contida no art. 15, I, da Lei n. 8.213\/1991, inclui os benef\u00edcios deferidos por decis\u00e3o de car\u00e1ter provis\u00f3rio, ainda que seja futuramente revogada.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-9593ad0b-3b42-491f-98ab-8ee1d311ae02\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/09091627\/stj-revisao-ii-2023-1-2.pdf\">stj-revisao-ii-2023-1-2<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/09091627\/stj-revisao-ii-2023-1-2.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-9593ad0b-3b42-491f-98ab-8ee1d311ae02\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! 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