{"id":1261479,"date":"2023-08-08T09:15:29","date_gmt":"2023-08-08T12:15:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1261479"},"modified":"2023-08-08T09:15:32","modified_gmt":"2023-08-08T12:15:32","slug":"revisao-stj-parte-2-2023-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/revisao-stj-parte-2-2023-1\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o STJ (Parte 2) 2023.1"},"content":{"rendered":"\n<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! Bora revisar o que de mais importante o Tribunal da Cidadania decidiu no primeiro semestre de 2023. Nessa Parte 2 da nossa revis\u00e3o temos Direito Penal e Processual Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/08091512\/stj-revisao-ii-2023-1-1.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_6Qbv9iI64Rw\"><div id=\"lyte_6Qbv9iI64Rw\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/6Qbv9iI64Rw\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/6Qbv9iI64Rw\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/6Qbv9iI64Rw\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a><\/a><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-absolvicao-na-acao-de-improbidade-administrativa-em-virtude-da-ausencia-de-dolo-e-da-ausencia-de-obtencao-de-vantagem-indevida-e-reflexos-na-acao-penal\"><a><\/a><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Absolvi\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa em virtude da aus\u00eancia de dolo e da aus\u00eancia de obten\u00e7\u00e3o de vantagem indevida e reflexos na a\u00e7\u00e3o penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa em virtude da aus\u00eancia de dolo e da aus\u00eancia de obten\u00e7\u00e3o de vantagem indevida esvazia a justa causa para manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 173.448-DF, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023. (Info 766)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide foi denunciada pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa. Ap\u00f3s algum tempo, em raz\u00e3o da superveni\u00eancia de decis\u00e3o absolut\u00f3ria na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa, ajuizada com fundamento nos mesmos fatos, a defesa impetrou habeas corpus, que foi inicialmente denegado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, a defesa de Creide alega que, diante da absolvi\u00e7\u00e3o de Creide no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o de improbidade ajuizada pelos mesmos fatos, seria imperativo o trancamento da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.429\/1992:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba As disposi\u00e7\u00f5es desta Lei s\u00e3o aplic\u00e1veis, no que couber, \u00e0quele que, mesmo n\u00e3o sendo agente p\u00fablico, induza ou concorra dolosamente para a pr\u00e1tica do ato de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 21. A aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es previstas nesta lei independe:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 4\u00ba A absolvi\u00e7\u00e3o criminal em a\u00e7\u00e3o que discuta os mesmos fatos, confirmada por decis\u00e3o colegiada, impede o tr\u00e2mite da a\u00e7\u00e3o da qual trata esta Lei, havendo comunica\u00e7\u00e3o com todos os fundamentos de absolvi\u00e7\u00e3o previstos no&nbsp;art. 386 do Decreto-Lei n\u00ba 3.689, de 3 de outubro de 1941&nbsp;(C\u00f3digo de Processo Penal).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-esvazia-a-justa-causa\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esvazia a justa causa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ entende que <strong>a senten\u00e7a absolut\u00f3ria por ato de improbidade n\u00e3o vincula o resultado da a\u00e7\u00e3o penal, porquanto proferida na esfera do direito administrativo sancionador, que \u00e9 independente da inst\u00e2ncia penal, embora seja poss\u00edvel, em tese, considerar como elementos de persuas\u00e3o os argumentos nela lan\u00e7ados<\/strong> (REsp 1.847.488\/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 26\/4\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>A independ\u00eancia das esferas tem por objetivo o exame particularizado do fato narrado, com base em cada ramo do direito, devendo as consequ\u00eancias c\u00edveis e administrativas ser aferidas pelo ju\u00edzo c\u00edvel e as consequ\u00eancias penais pelo Ju\u00edzo criminal, dada a especializa\u00e7\u00e3o de cada esfera. No entanto, as consequ\u00eancias jur\u00eddicas recaem sobre o mesmo fato.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, verifica-se que a absolvi\u00e7\u00e3o ocorreu <strong>em virtude da aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o do elemento subjetivo dos particulares. Ficou consignado pela inst\u00e2ncia c\u00edvel que a prova dos autos demonstra apenas o dolo do gestor p\u00fablico, n\u00e3o justificando a condena\u00e7\u00e3o dos particulares<\/strong>. Destacou-se, ademais, que a pessoa jur\u00eddica nem ao menos logrou \u00eaxito em ser a primeira colocada entre os concorrentes na dispensa de licita\u00e7\u00e3o, precisando baixar seu pre\u00e7o para ser escolhida. Por fim, registrou-se que n\u00e3o se auferiu benef\u00edcio, uma vez que o contrato foi anulado pela Corte de Contas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o dolo da conduta em si n\u00e3o esteja demonstrado no ju\u00edzo c\u00edvel e se revele no ju\u00edzo penal, pois se trata do mesmo fato, na medida em que a aus\u00eancia do requisito subjetivo provado interfere na caracteriza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria tipicidade do delito, mormente se considere a doutrina finalista (que insere o elemento subjetivo no tipo), bem como que os fatos aduzidos na den\u00fancia n\u00e3o admitem uma figura culposa, culminando-se, dessa forma, em atipicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Anote-se, por oportuno, que se trata de crime contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, cuja especificidade recomenda atentar para o que decidido, a respeito dos fatos, na esfera c\u00edvel. Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o que o art. 21, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992, inclu\u00eddo pela Lei n. 14.230\/2021, disciplina que &#8220;a absolvi\u00e7\u00e3o criminal em a\u00e7\u00e3o que discuta os mesmos fatos, confirmada por decis\u00e3o colegiada, impede o tr\u00e2mite da a\u00e7\u00e3o da qual trata esta Lei, havendo comunica\u00e7\u00e3o com todos os fundamentos de absolvi\u00e7\u00e3o previstos no art. 386 do C\u00f3digo de Processo Penal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora referido dispositivo esteja com a efic\u00e1cia suspensa por liminar deferida pelo Supremo Tribunal Federal, em 27\/12\/2022, na ADI 7.236\/DF, tem-se que o legislador pretendeu definir ampla exce\u00e7\u00e3o legal \u00e0 independ\u00eancia das esferas que, apesar de n\u00e3o autorizar o encerramento da a\u00e7\u00e3o penal em virtude da absolvi\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa por qualquer fundamento, revela que existem fundamentos t\u00e3o relevantes que n\u00e3o podem ser ignorados pelas demais esferas. Pela letra da lei, uma absolvi\u00e7\u00e3o na seara penal, por qualquer fundamento, n\u00e3o pode permitir a manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A suspens\u00e3o do art. 21, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 8.429\/1992, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 14.230\/2021 (ADI 7.236\/DF) n\u00e3o atinge a veda\u00e7\u00e3o constitucional do&nbsp;<em>ne bis in idem<\/em>&nbsp;(Rcl 57.215\/DF MC, Rel. Ministro Gilmar Mendes, julgado em 6\/1\/2023), e, sem justa causa n\u00e3o h\u00e1 persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, apesar de, pela letra da lei, o contr\u00e1rio n\u00e3o justificar o encerramento da a\u00e7\u00e3o penal, inevit\u00e1vel concluir que a absolvi\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa em virtude da aus\u00eancia de dolo e da aus\u00eancia de obten\u00e7\u00e3o de vantagem indevida, esvazia a justa causa para manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal. De fato, n\u00e3o se verifica mais a plausibilidade do direito de punir, uma vez que a conduta t\u00edpica, primeiro elemento do conceito anal\u00edtico de crime, depende do dolo para se configurar, e este foi categoricamente afastado pela inst\u00e2ncia c\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo a inst\u00e2ncia c\u00edvel afirmado que n\u00e3o ficou demonstrado que os particulares induziram ou concorreram dolosamente para a pr\u00e1tica de ato que atente contra os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o, registrando que &#8220;a amplitude da previs\u00e3o legislativa n\u00e3o pode induzir o int\u00e9rprete a acolher ila\u00e7\u00f5es do autor da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, pois ausente a subsun\u00e7\u00e3o dos fatos \u00e0 norma que prev\u00ea a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos particulares na Lei n. 8.429\/92 (art. 3\u00ba)&#8221;, n\u00e3o pode a mesma conduta ser violadora de bem jur\u00eddico tutelado pelo direito penal. Constata-se, assim, de forma excepcional, a efetiva repercuss\u00e3o da decis\u00e3o de improbidade sobre a justa causa da a\u00e7\u00e3o penal em tr\u00e2mite, motivo pelo qual n\u00e3o se justifica a manuten\u00e7\u00e3o desta \u00faltima. Nas palavras do Ministro Humberto Martins, &#8220;a unidade do Direito&#8221; deve se pautar pela coer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A absolvi\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa em virtude da aus\u00eancia de dolo e da aus\u00eancia de obten\u00e7\u00e3o de vantagem indevida esvazia a justa causa para manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-aplicabilidade-de-limite-temporal-a-analise-do-requisito-subjetivo-para-concessao-de-saida-temporaria\"><a><\/a><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade de limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria, devendo ser considerado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 795.970-SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, apenado, cumpria pena normalmente. Em uma sa\u00edda tempor\u00e1ria, fugiu e foi recapturado ap\u00f3s alguns meses. Quatro anos depois da recaptura, Creosvaldo, j\u00e1 no regime semiaberto, requereu a concess\u00e3o de nova sa\u00edda tempor\u00e1ria. Creosvaldo tamb\u00e9m contava com outras faltas disciplinares e houve parecer desfavor\u00e1vel da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido foi negado sob a justificativa do n\u00e3o cumprimento do requisito subjetivo, a saber a falta grave em decorr\u00eancia da fuga. Inconformado, Creosvaldo interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando que n\u00e3o poderia ser punido eternamente por uma falta cometida h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 123. A autoriza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 concedida por ato motivado do Juiz da execu\u00e7\u00e3o, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria e depender\u00e1 da satisfa\u00e7\u00e3o dos seguintes requisitos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; comportamento adequado;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; cumprimento m\u00ednimo de 1\/6 (um sexto) da pena, se o condenado for prim\u00e1rio, e 1\/4 (um quarto), se reincidente;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-deve-ser-aplicado-um-limite-temporal\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve ser aplicado um limite temporal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 123 da LEP, a autoriza\u00e7\u00e3o da visita peri\u00f3dica ao lar &#8220;ser\u00e1 concedida por ato motivado do Juiz da execu\u00e7\u00e3o, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria e depender\u00e1 da satisfa\u00e7\u00e3o dos seguintes requisitos: I &#8211; comportamento adequado; II &#8211; cumprimento m\u00ednimo de 1\/6 (um sexto) da pena, se o condenado for prim\u00e1rio, e 1\/4 (um quarto), se reincidente; III &#8211; compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o Tribunal estadual fundamentou o indeferimento do benef\u00edcio de sa\u00edda tempor\u00e1ria com base no hist\u00f3rico penal que registra v\u00e1rias faltas disciplinares de natureza grave e m\u00e9dia, incluindo fuga registrada, anteriormente, quando no gozo do mesmo benef\u00edcio de sa\u00edda tempor\u00e1ria e, tamb\u00e9m, com base no parecer desfavor\u00e1vel da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>tanto as faltas graves consistentes em evas\u00f5es, fugas, e flagrante quanto o registro de comportamento evidenciam que a conduta do apenado durante a execu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o atende aos par\u00e2metros necess\u00e1rios para demonstrar seu senso de disciplina e responsabilidade<\/strong>, bem como a compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena imposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao tema, a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que a autoriza\u00e7\u00e3o para sa\u00eddas tempor\u00e1rias leva em considera\u00e7\u00e3o o comportamento do sentenciado no cumprimento da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa esteira, o STJ tem entendido que &#8220;N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo, devendo ser analisado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado&#8221; (AgRg no HC 734.258\/SC, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 10\/6\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria, devendo ser considerado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-cabimento-da-remicao-ficta-no-trabalho-de-natureza-eventual-porquanto-nao-se-pode-presumir-que-deixou-de-ser-oferecido-e-exercido-em-razao-do-estado-pandemico\"><a><\/a><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento da remi\u00e7\u00e3o ficta no trabalho de natureza eventual, porquanto n\u00e3o se pode presumir que deixou de ser oferecido e exercido em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe a remi\u00e7\u00e3o ficta no trabalho de natureza eventual, porquanto n\u00e3o se pode presumir que deixou de ser oferecido e exercido em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 684.875-DF, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 21\/3\/2023, DJe 23\/3\/2023. (Info 768)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton, apenado, requereu a remiss\u00e3o ficta em raz\u00e3o de trabalho realizado no Projeto M\u00e3os Dadas durante o estado de pandemia. O pedido foi negado, diante das informa\u00e7\u00f5es de que o trabalho realizado no citado projeto ocorria de forma pontual e n\u00e3o cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Creiton impetrou HC no qual sustenta que as tarefas extramuros realizadas no programa governamental n\u00e3o deixam de consistir em subesp\u00e9cie de trabalho externo, merecendo igualmente a remi\u00e7\u00e3o ficta da pena pelo lapso em que os servi\u00e7os ficaram paralisados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 126.&nbsp; O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poder\u00e1 remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execu\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4o&nbsp; O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos continuar\u00e1 a beneficiar-se com a remi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-cabe-remissao-ficta\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe remiss\u00e3o ficta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cedi\u00e7o que, <strong>em regra geral, n\u00e3o se admite a remi\u00e7\u00e3o ficta<\/strong>, posto que &#8220;O benef\u00edcio da remi\u00e7\u00e3o da pena pelo trabalho ou pelo estudo, consoante se denota do art. 126 da LEP, pressup\u00f5e que os reeducandos demonstrem a efetiva dedica\u00e7\u00e3o a trabalho ou estudo, com finalidade, portanto, produtiva ou educativa, dada a sua finalidade ressocializadora&#8221; (AgRg no HC 434.636\/MG, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 6\/6\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que, <strong>em raz\u00e3o da pandemia da Covid-19, <\/strong>que imp\u00f4s a ado\u00e7\u00e3o de medidas excepcionais, o STJ, no julgamento do REsp 1.953.607\/SC (Tema Repetitivo 1120), fixou a tese de que&#8221;Nada obstante a interpreta\u00e7\u00e3o restritiva que deve ser conferida ao art. 126, \u00a7 4\u00ba, da LEP, os princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da fraternidade, ao lado da teoria da derrotabilidade da norma e da situa\u00e7\u00e3o excepcional\u00edssima da pandemia de Covid-19, imp\u00f5em o c\u00f4mputo do per\u00edodo de restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias como de efetivo estudo ou trabalho em favor dos presos que j\u00e1 estavam trabalhando ou estudando e se viram impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>em raz\u00e3o da excepcional\u00edssima pandemia da Covid-19, o per\u00edodo de restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias deve ser comutado como de efetivo estudo ou trabalho em favor dos presos que j\u00e1 estavam trabalhando ou estudando e se viram impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No presente caso, as inst\u00e2ncias de origem afirmaram ser incab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da remi\u00e7\u00e3o, porquanto o trabalho exercido no denominado &#8220;Projeto M\u00e3os Dadas&#8221; tem car\u00e1ter EVENTUAL, PONTUAL, ocorrendo SOB DEMANDA. Nesse contexto, observa-se que se mostra incab\u00edvel a contabiliza\u00e7\u00e3o fict\u00edcia de dias remidos, dada a pr\u00f3pria natureza espor\u00e1dica do trabalho exercido no Projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, sendo o trabalho de natureza eventual, incab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da benesse, n\u00e3o podendo ser presumido que o reeducando ficou impossibilitado de continuar seus afazeres unicamente em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe a remi\u00e7\u00e3o ficta no trabalho de natureza eventual, porquanto n\u00e3o se pode presumir que deixou de ser oferecido e exercido em raz\u00e3o do estado pand\u00eamico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-estupro-de-vulneravel-e-distinguishing-realizado-no-julgamento-do-agrg-no-resp-1-919-722-sp-nas-hipoteses-em-que-nao-ha-consentimento-dos-responsaveis-legais-somado-ao-fato-do-acusado-possuir-gritante-diferenca-de-idade-da-vitima\"><a><\/a><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estupro de vulner\u00e1vel e distinguishing realizado no julgamento do AgRg no REsp 1.919.722\/SP nas hip\u00f3teses em que n\u00e3o h\u00e1 consentimento dos respons\u00e1veis legais somado ao fato do acusado possuir gritante diferen\u00e7a de idade da v\u00edtima<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se admite o distinguishing realizado no julgamento do AgRg no REsp 1.919.722\/SP &#8211; caso de dois jovens namorados, cujo relacionamento foi aprovado pelos pais da v\u00edtima, sobrevindo um filho e a efetiva constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar &#8211; nas hip\u00f3teses em que n\u00e3o h\u00e1 consentimento dos respons\u00e1veis legais somado ao fato do acusado possuir gritante diferen\u00e7a de idade da v\u00edtima &#8211; o que invalida qualquer relativiza\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do menor de 14 anos no crime de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023, DJe 17\/3\/2023. (Info 769)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Um cidad\u00e3o de meia idade foi denunciado pelo crime de estupro de vulner\u00e1vel em raz\u00e3o de manter relacionamento sexual com menor de 14 anos. A defesa do acusado sustenta que deveria ser relativizada a vulnerabilidade da v\u00edtima, nos moldes do que realizado no julgamento do AgRg no REsp 1.919.722\/SP &#8211; caso de dois jovens namorados, cujo relacionamento foi aprovado pelos pais da v\u00edtima, sobrevindo um filho e a efetiva constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que no presente caso, n\u00e3o havia aprova\u00e7\u00e3o dos pais da v\u00edtima e a diferen\u00e7a de idade \u00e9 de 36 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>*Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula n. 593\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>O crime de estupro de vulner\u00e1vel se configura com a conjun\u00e7\u00e3o carnal ou pr\u00e1tica de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da v\u00edtima para a pr\u00e1tica do ato, sua experi\u00eancia sexual anterior ou exist\u00eancia de relacionamento amoroso com o agente<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-possivel-a-relativizacao-da-vulnerabilidade\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, reitera-se que, nos termos da S\u00famula n. 593\/STJ, o consentimento da v\u00edtima menor de 14 anos e o seu namoro com o acusado n\u00e3o afastam a exist\u00eancia do delito de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, <strong>a jurisprud\u00eancia do STJ tem sistematicamente rejeitado a tese de que a presun\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia &#8211; termo que nem \u00e9 mais utilizado na atual reda\u00e7\u00e3o do CP &#8211; no estupro de vulner\u00e1vel pode ser relativizada \u00e0 luz do caso concreto<\/strong> (AgRg no REsp 1.934.812-TO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 14\/9\/2021, DJe de 20\/9\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, conforme fundamentadamente apontado pela Corte local, o caso n\u00e3o se amolda ao&nbsp;<em>distinguishing<\/em>&nbsp;realizado no julgamento do AgRg no REsp 1.919.722-SP, de minha relatoria &#8211; caso de dois jovens namorados, cujo relacionamento foi aprovado pelos pais da v\u00edtima, sobrevindo um filho e a efetiva constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar &#8211; tendo em vista que a rela\u00e7\u00e3o amorosa n\u00e3o foi consentida pela genitora da v\u00edtima, tanto que, ao tomar conhecimento de que sua filha estava se relacionando com o paciente, acionou o Conselho Tutelar e registrou os fatos na Delegacia de Pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a genitora da menor relatou que sua filha, ap\u00f3s se relacionar com o acusado, apresentou comportamento agressivo, al\u00e9m de reprovar de ano na escola, tendo de ser submetida a tratamento psicol\u00f3gico. Somado a isso, conforme foi consignado pelo magistrado de primeiro grau, que se encontra mais pr\u00f3ximo dos fatos, a v\u00edtima e o acusado tinham a gritante diferen\u00e7a de 36 (trinta e seis) anos. Apontou que a pr\u00f3pria v\u00edtima e a sua genitora mencionaram espontaneamente que as rela\u00e7\u00f5es aconteciam na ch\u00e1cara do acusado, localizada em \u00e1rea rural. Assim,<strong> mesmo ciente da tenra idade da v\u00edtima e do n\u00e3o consentimento de sua respons\u00e1vel legal, o acusado manteve rela\u00e7\u00e3o sexual com a menor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o, portanto, plenamente v\u00e1lidas a S\u00famula n. 593 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e a tese do REsp repetitivo 1.480.881\/PI (Tema 1121) sobre a impossibilidade de relativiza\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se admite o distinguishing realizado no julgamento do AgRg no REsp 1.919.722\/SP &#8211; caso de dois jovens namorados, cujo relacionamento foi aprovado pelos pais da v\u00edtima, sobrevindo um filho e a efetiva constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar &#8211; nas hip\u00f3teses em que n\u00e3o h\u00e1 consentimento dos respons\u00e1veis legais somado ao fato do acusado possuir gritante diferen\u00e7a de idade da v\u00edtima &#8211; o que invalida qualquer relativiza\u00e7\u00e3o da presun\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do menor de 14 anos no crime de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-diferenca-de-idade-infima-concordancia-dos-pais-da-menor-e-vontade-da-vitima-de-conviver-com-o-reu-como-hipotese-de-distinguishing-do-tema-918-stj\"><a><\/a><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diferen\u00e7a de idade \u00ednfima, concord\u00e2ncia dos pais da menor e vontade da v\u00edtima de conviver com o r\u00e9u como hip\u00f3tese de <\/a>distinguishing do Tema 918\/STJ<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Admite-se o distinguishing quanto ao Tema 918\/STJ (REsp 1.480.881\/PI), na hip\u00f3tese em que a diferen\u00e7a de idade entre o acusado e a v\u00edtima n\u00e3o se mostrou t\u00e3o distante quanto do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma (o r\u00e9u possu\u00eda 19 anos de idade, ao passo que a v\u00edtima contava com 12 anos de idade), bem como h\u00e1 concord\u00e2ncia dos pais da menor somado a vontade da v\u00edtima de conviver com o r\u00e9u e o nascimento do filho do casal, o qual foi registrado pelo genitor.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1), Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 16\/5\/2023, DJe 25\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirso foi denunciado pelo crime de estupro de vulner\u00e1vel. O imputado possu\u00eda, ao tempo do fato, 19 anos de idade e a v\u00edtima, adolescente, contava com 12 anos de idade. Nirso se disse pronto a assumir o relacionamento, a v\u00edtima tamb\u00e9m expressou vontade de conviver com Nirso, e h\u00e1 aprova\u00e7\u00e3o dos pais do casal neste sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o disso, a defesa requereu a admiss\u00e3o do <em>distinguishing<\/em> quanto ao Tema 918\/STJ (REsp 1.480.881\/PI) que assim decidiu: \u201cPara a caracteriza\u00e7\u00e3o do crime de estupro de vulner\u00e1vel previsto no art. 217-A,&nbsp;<em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Penal, basta que o agente tenha conjun\u00e7\u00e3o carnal ou pratique qualquer ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos. O consentimento da v\u00edtima, sua eventual experi\u00eancia sexual anterior ou a exist\u00eancia de relacionamento amoroso entre o agente e a v\u00edtima n\u00e3o afastam a ocorr\u00eancia do crime\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estupro de vulner\u00e1vel<\/strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 217-A.&nbsp; Ter conjun\u00e7\u00e3o carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-possivel-o-distinguishing\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o <em>distinguishing<\/em>?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Excepcionalissimamente, yes!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o precedente da Terceira Se\u00e7\u00e3o, submetido ao rito dos recursos repetitivos: &#8220;Para a caracteriza\u00e7\u00e3o do crime de estupro de vulner\u00e1vel previsto no art. 217-A,&nbsp;<em>caput<\/em>, do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, basta que o agente tenha conjun\u00e7\u00e3o carnal ou pratique qualquer ato libidinoso com pessoa menor de 14 anos. O consentimento da v\u00edtima, sua eventual experi\u00eancia sexual anterior ou a exist\u00eancia de relacionamento amoroso entre o agente e a v\u00edtima n\u00e3o afastam a ocorr\u00eancia do crime&#8221; (REsp 1.480.881\/PI, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 26\/8\/2015, DJe 10\/9\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a presente hip\u00f3tese enseja&nbsp;<em>distinguishing<\/em>&nbsp;quanto ao ac\u00f3rd\u00e3o paradigma da nova orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial, diante das peculiaridades circunstanciais do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Na quest\u00e3o tratada no ac\u00f3rd\u00e3o proferido, sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, a v\u00edtima era crian\u00e7a, com 8 anos de idade, enquanto que o imputado possu\u00eda idade superior a 21 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>No presente caso, o imputado possu\u00eda, ao tempo do fato, 19 anos de idade e a v\u00edtima, adolescente, contava com apenas 12 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de realiza\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o feita no REsp Repetitivo 1.480.881\/PI se deve em raz\u00e3o de que, no presente caso, a diferen\u00e7a de idade entre o acusado e a v\u00edtima n\u00e3o se mostrou t\u00e3o distante quanto do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma, bem como porque houve o nascimento do filho do casal, devidamente registrado, fato social superveniente e relevante que deve ser considerado no contexto do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela teoria quadripartida, o crime consistiria em fato t\u00edpico, il\u00edcito, culp\u00e1vel e pun\u00edvel concretamente, sendo este \u00faltimo definido pela possibilidade jur\u00eddica de aplica\u00e7\u00e3o de pena, por melhor categorizar o comportamento humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa concep\u00e7\u00e3o de conceito integral de delito, a tipicidade e a antijuridicidade possuem classifica\u00e7\u00e3o formal e absoluta sobre o fato praticado. Destaca-se que a culpabilidade e a punibilidade concreta t\u00eam conte\u00fado relativo ou dimension\u00e1vel a permitir a valora\u00e7\u00e3o do comportamento do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na culpabilidade, avalia-se a reprovabilidade da conduta, tendo como consequ\u00eancia a responsabilidade subjetiva do sujeito, enquanto na punibilidade concreta valora-se o significado social sobre o fato, sob o enfoque da gravidade da les\u00e3o ao bem jur\u00eddico, de acordo com as caracter\u00edsticas do il\u00edcito penal, a fim de ensejar, ou n\u00e3o, a puni\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria quadripartida foi adotada pela Sexta Turma, em que, analisando a quest\u00e3o relacionada ao aspecto material, o Ministro Rog\u00e9rio Schietti, no voto proferido no RHC 126.272\/MG, defendeu a exist\u00eancia de um quarto elemento, qual seja, punibilidade concreta, sob os seguintes fundamentos extra\u00eddos da decis\u00e3o: &#8220;o significado da forma e da extens\u00e3o da afeta\u00e7\u00e3o do bem jur\u00eddico define a relev\u00e2ncia social do fato e configura sua dignidade penal. Esse aspecto, por sua vez, fundamenta a punibilidade concreta, que complementa o conceito tripartido (formal) de delito, atribuindo-lhe um conte\u00fado material e, logo, um sentido social&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicando o aludido posicionamento na presente hip\u00f3tese, extrai-se da decis\u00e3o que rejeitou a den\u00fancia que a v\u00edtima e o denunciado moraram juntos, diante da concord\u00e2ncia dos pais com o relacionamento amoroso, tendo resultado no nascimento de um filho, o qual foi registrado pelo genitor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o se evidencia relev\u00e2ncia social do fato a ponto de resultar a necessidade de sancionar o acusado, tendo em vista que o ju\u00edzo de origem n\u00e3o identificou comportamento do denunciado que pudesse colocar em risco a sociedade, ou o bem jur\u00eddico protegido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>As particularidades do presente feito, em especial, a vontade da v\u00edtima e o nascimento do filho do casal, somados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es pessoais do acusado, denotam que n\u00e3o houve afeta\u00e7\u00e3o relevante do bem jur\u00eddico a resultar na atua\u00e7\u00e3o punitiva estatal, de modo que n\u00e3o se evidencia a necessidade de pena, consoante os princ\u00edpios da fragmentariedade, subsidiariedade e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se registra proveito social com a condena\u00e7\u00e3o do recorrente, pois o fato delituoso n\u00e3o se mostra de efetiva les\u00e3o ao bem jur\u00eddico tutelado. Diversamente, e ao contr\u00e1rio, o encarceramento se mostra mais lesivo aos valores protegidos, em especial, \u00e0 fam\u00edlia e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, do que a resposta estatal para a conduta praticada, o que n\u00e3o pode ocasionar puni\u00e7\u00e3o na esfera penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O filho do casal tamb\u00e9m \u00e9 merecedor de prote\u00e7\u00e3o, de modo que, de acordo com o princ\u00edpio VI da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos da Crian\u00e7a, &#8220;a crian\u00e7a necessita de amor e compreens\u00e3o, para o desenvolvimento pleno e harmonioso de sua personalidade; sempre que poss\u00edvel, dever\u00e1 crescer com o amparo e sob a responsabilidade de seus pais, mas, em qualquer caso, em um ambiente de afeto e seguran\u00e7a moral e material; salvo circunst\u00e2ncias excepcionais, n\u00e3o se dever\u00e1 separar a crian\u00e7a de tenra idade de sua m\u00e3e&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Consoante a jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente, defendida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) com base na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos da Crian\u00e7a e erigida pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica como instrumento de afirma\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana (art. 227), exerce crucial influ\u00eancia sobre o int\u00e9rprete da norma jur\u00eddica infraconstitucional, porquanto o impele a compreend\u00ea-la e a aplic\u00e1-la em conformidade com a preval\u00eancia dos interesses do menor em determinada situa\u00e7\u00e3o concreta&#8221; (REsp 1.911.030\/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 1\u00ba\/6\/2021, DJe 31\/8\/2021).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Admite-se o distinguishing quanto ao Tema 918\/STJ (REsp 1.480.881\/PI), na hip\u00f3tese em que a diferen\u00e7a de idade entre o acusado e a v\u00edtima n\u00e3o se mostrou t\u00e3o distante quanto do ac\u00f3rd\u00e3o paradigma (o r\u00e9u possu\u00eda 19 anos de idade, ao passo que a v\u00edtima contava com 12 anos de idade), bem como h\u00e1 concord\u00e2ncia dos pais da menor somado a vontade da v\u00edtima de conviver com o r\u00e9u e o nascimento do filho do casal, o qual foi registrado pelo genitor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-cabimento-da-reducao-do-prazo-prescricional-pela-metade-art-115-do-cp-quando-entre-a-sentenca-condenatoria-e-o-julgamento-dos-embargos-de-declaracao-o-reu-atinge-a-idade-superior-a-70-anos\"><a><\/a><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento da redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pela metade (art. 115 do CP) quando entre a senten\u00e7a condenat\u00f3ria e o julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o, o r\u00e9u atinge a idade superior a 70 anos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cabivel a redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pela metade (art. 115 do CP) se, entre a senten\u00e7a condenat\u00f3ria e o julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o, o r\u00e9u atinge a idade superior a 70 anos, tendo em vista que a decis\u00e3o que julga os embargos integra a pr\u00f3pria senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgRg no REsp 1.877.388-CE, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 2\/5\/2023, DJe 5\/5\/2023. (Info 773)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, idoso, teve senten\u00e7a condenat\u00f3ria prolatada em seu desfavor. Ocorre que foram apresentados embargos declarat\u00f3rios e que, no prazo em que aguardava julgamento destes, Crementino completou 70 anos de idade, raz\u00e3o pela qual sua defesa requereu a redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pela metade, conforme previs\u00e3o do art. 115 do CP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o dos prazos de prescri\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 115 &#8211; S\u00e3o reduzidos de metade os prazos de prescri\u00e7\u00e3o quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da senten\u00e7a, maior de 70 (setenta) anos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-cabe-a-reducao-imediata-do-prazo-prescricional\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe a redu\u00e7\u00e3o <\/a>imediata do prazo prescricional?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ entende que, &#8220;<strong>por expressa previs\u00e3o do art. 115 do CP, s\u00e3o reduzidos pela metade os prazos de prescri\u00e7\u00e3o quando o criminoso era, na data da senten\u00e7a, maior de 70 anos<\/strong>&#8221; (AgRg no AREsp 1.420.867\/RJ, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o, Sexta Turma, DJe 21\/3\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Saliente-se que, sendo opostos embargos de declara\u00e7\u00e3o contra a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, e entre a senten\u00e7a condenat\u00f3ria e o julgamento dos embargos o r\u00e9u atinge a idade superior a 70 anos, \u00e9 poss\u00edvel aplicar o art. 115 do C\u00f3digo Penal, tendo em vista que a decis\u00e3o que julga os embargos integra a pr\u00f3pria senten\u00e7a condenat\u00f3ria. No caso, o sentenciado completou 70 anos em 13\/2\/2020, de modo que na data da senten\u00e7a (16\/1\/2018), ainda n\u00e3o possu\u00eda a referida idade, o que, portanto, afasta a aplica\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o pela metade do prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, \u00e9 irrelevante o fato de o Tribunal ter mantido ou modificado a pena do r\u00e9u, tendo em vista que o C\u00f3digo Penal \u00e9 expresso em determinar que a aferi\u00e7\u00e3o da idade deve ser feita na data da senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 cabivel a redu\u00e7\u00e3o do prazo prescricional pela metade (art. 115 do CP) se, entre a senten\u00e7a condenat\u00f3ria e o julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o, o r\u00e9u atinge a idade superior a 70 anos, tendo em vista que a decis\u00e3o que julga os embargos integra a pr\u00f3pria senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-aplicabilidade-da-agravante-do-art-61-ii-f-do-codigo-penal-cp-quando-adotado-o-rito-da-lei-n-11-340-2006-lei-maria-da-penha\"><a><\/a><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplicabilidade da agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal (CP) quando adotado o rito da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha).<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da agravante prevista no art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal, em condena\u00e7\u00e3o pelo delito do art. 129, \u00a7 9\u00ba, do CP, por si s\u00f3, n\u00e3o configura bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 1.998.980-GO, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 8\/5\/2023, DJe 10\/5\/2023. (Info 775)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremias cometeu crime de les\u00e3o corporal contra sua companheira Creide. Na condena\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo de primeiro grau aplicou a agravante prevista no art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal, o elevou a pena na segunda fase da dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Geremias alega que ao considerar tanto a qualificadora do artigo 129, \u00a7 9\u00ba, como a agravante do artigo 61, inciso II, al\u00ednea \u201cf\u201d, ambos do C\u00f3digo Penal, o recorrido ser\u00e1 punido duas vezes pela mesma circunst\u00e2ncia: a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 61 &#8211; S\u00e3o circunst\u00e2ncias que sempre agravam a pena, quando n\u00e3o constituem ou qualificam o crime:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; ter o agente cometido o crime:<\/p>\n\n\n\n<p>f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, de coabita\u00e7\u00e3o ou de hospitalidade, ou com viol\u00eancia contra a mulher na forma da lei espec\u00edfica;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a sa\u00fade de outrem:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de tr\u00eas meses a um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 9<sup>o<\/sup>&nbsp; Se a les\u00e3o for praticada contra ascendente, descendente, irm\u00e3o, c\u00f4njuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, de coabita\u00e7\u00e3o ou de hospitalidade:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de 3 (tr\u00eas) meses a 3 (tr\u00eas) anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 10. Nos casos previstos nos \u00a7\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp;a 3<sup>o<\/sup>&nbsp;deste artigo, se as circunst\u00e2ncias s\u00e3o as indicadas no \u00a7 9<sup>o<\/sup>&nbsp;deste artigo, aumenta-se a pena em 1\/3 (um ter\u00e7o).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 13.&nbsp; Se a les\u00e3o for praticada contra a mulher, por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino, nos termos do \u00a7 2\u00ba-A do art. 121 deste C\u00f3digo:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-bis-in-idem\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bis in idem?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nem a pau!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 incid\u00eancia da agravante do art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal (CP) quando adotado o rito da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha).<\/p>\n\n\n\n<p>A figura qualificada do crime de les\u00e3o corporal prevista no \u00a7 9\u00ba, ou a causa de aumento, \u00a7 10, e a agravante gen\u00e9rica n\u00e3o possuem o mesmo \u00e2mbito de incid\u00eancia, n\u00e3o redundando, pois, em uma dupla puni\u00e7\u00e3o pelo mesmo fato. <strong>A causa de aumento do \u00a7 10 do art. 129 do CP pune mais gravemente o agente que pratica a les\u00e3o corporal utilizando-se das rela\u00e7\u00f5es familiares ou dom\u00e9sticas<\/strong>, circunst\u00e2ncia que torna a v\u00edtima mais vulner\u00e1vel ao seu agressor e tamb\u00e9m eleva as chances de impunidade do agente. Nessa hip\u00f3tese, a v\u00edtima pode ser tanto homem quanto mulher, j\u00e1 que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 movida pelo g\u00eanero do ofendido. Assim, nesse caso, h\u00e1 maior reprimenda em raz\u00e3o da VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, <strong>a agravante gen\u00e9rica prevista no art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do CP visa punir o agente que pratica crime contra a mulher em raz\u00e3o de seu g\u00eanero, cometido ou n\u00e3o no ambiente familiar ou dom\u00e9stico<\/strong>. Destarte, nessa al\u00ednea, prev\u00ea-se um agravamento da penalidade em raz\u00e3o da viol\u00eancia de G\u00caNERO.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a aplica\u00e7\u00e3o conjunta da agravante e da causa de aumento pune o agressor pela viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher. Tanto n\u00e3o h\u00e1&nbsp;<em>bis in idem<\/em>&nbsp;que o legislador inseriu novo par\u00e1grafo no art. 129 do CP (\u00a7 13), para punir com maior severidade exatamente a les\u00e3o corporal praticada contra a mulher, em raz\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o do sexo feminino, a denotar que o \u00a7 9\u00ba n\u00e3o abordava essa circunst\u00e2ncia espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se olvida, contudo, que \u00e9 poss\u00edvel cogitar-se a ocorr\u00eancia de&nbsp;<em>bis in idem<\/em>&nbsp;em determinadas hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o conjunta dos dois dispositivos em comento, como, por exemplo, quando se est\u00e1 diante apenas da circunst\u00e2ncia de o crime ter sido cometido com prevalecimento das &#8220;rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, de coabita\u00e7\u00e3o ou de hospitalidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da agravante prevista no art. 61, II, &#8220;f&#8221;, do C\u00f3digo Penal, em condena\u00e7\u00e3o pelo delito do art. 129, \u00a7 9\u00ba, do CP, por si s\u00f3, n\u00e3o configura bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-crime-de-furto-contra-empresa-de-seguranca-e-transporte-de-valores-e-prejuizo-domo-razao-da-exasperacao-da-pena\"><a><\/a><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Crime de furto contra empresa de seguran\u00e7a e transporte de valores e preju\u00edzo domo raz\u00e3o da exaspera\u00e7\u00e3o da pena.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No crime de furto contra empresa de seguran\u00e7a e transporte de valores, o preju\u00edzo est\u00e1 inserido no risco do neg\u00f3cio e n\u00e3o autoriza a exaspera\u00e7\u00e3o da pena basilar, porquanto \u00ednsito ao tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.322.175-MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 30\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton foi condenado pelo crime de furto contra empresa de seguran\u00e7a e transporte de valores. Na dosimetria, o ju\u00edzo utilizou o preju\u00edzo sofrido pela empresa para a exaspera\u00e7\u00e3o da pena base, tese da qual discorda a defesa. Conforme a defesa de Creiton, o alto valor em quest\u00e3o seria \u00ednsito ao tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-o-valor-do-prejuizo-autoriza-a-exasperacao-da-pena\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O valor do preju\u00edzo autoriza a exaspera\u00e7\u00e3o da pena?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a admite a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base pela valora\u00e7\u00e3o negativa das consequ\u00eancias do delito, com base no preju\u00edzo expressivo sofrido pela v\u00edtima, quando ultrapassa o normal \u00e0 esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, n\u00e3o se pode afirmar que o preju\u00edzo extrapolou o tipo penal, porquanto em se tratando de empresa de transporte de valores, o valor subtra\u00eddo est\u00e1 inserido no risco do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido: &#8220;<strong>Mostra-se inadmiss\u00edvel a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base pelas consequ\u00eancias do crime, em raz\u00e3o de que o preju\u00edzo suportado pela v\u00edtima se mostra inerente ao crime de furto<\/strong>&#8221; (AgRg no REsp 1.984.532\/SC, relator Ministro Olindo Menezes &#8211; Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o, Sexta Turma, DJe 16\/9\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-resultado-final\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No crime de furto contra empresa de seguran\u00e7a e transporte de valores, o preju\u00edzo est\u00e1 inserido no risco do neg\u00f3cio e n\u00e3o autoriza a exaspera\u00e7\u00e3o da pena basilar, porquanto \u00ednsito ao tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-existencia-de-doenca-cardiaca-da-vitima-e-imputacao-de-latrocinio\"><a><\/a><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exist\u00eancia de doen\u00e7a card\u00edaca da v\u00edtima e imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de doen\u00e7a card\u00edaca de que padecia a v\u00edtima configura-se como concausa preexistente relativamente independente, n\u00e3o sendo poss\u00edvel afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequ\u00eancia, a imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 704.718-SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/5\/2023, DJe 23\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremias e alguns comparsas combinaram de assaltar a casa do idoso Creosvaldo. Ao chegar no local, amarraram, espancaram e amorda\u00e7aram Creosvaldo, torturando-o para descobrir onde estaria escondido o dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que Creosvaldo sofria de uma doen\u00e7a card\u00edaca que, diante do stress provocado pelo assalto, levou a um infarto fatal. Ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o do grupo pelo crime de latroc\u00ednio, a defesa de Geremias impetrou sucessivos recursos nos quais requereu a desclassifica\u00e7\u00e3o da imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio para roubo seguido de les\u00e3o corporal grave. Sustenta que n\u00e3o teria restado demonstrado que os criminosos tiveram vontade dirigida conscientemente ao resultado morte, restando claro tratar-se de uma morte acidental.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 13 &#8211; O resultado, de que depende a exist\u00eancia do crime, somente \u00e9 imput\u00e1vel a quem lhe deu causa. Considera-se causa a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o sem a qual o resultado n\u00e3o teria ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Superveni\u00eancia de causa independente<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba- A superveni\u00eancia de causa relativamente independente exclui a imputa\u00e7\u00e3o quando, por si s\u00f3, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roubo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 157 &#8211; Subtrair coisa m\u00f3vel alheia, para si ou para outrem, mediante grave amea\u00e7a ou viol\u00eancia a pessoa, ou depois de hav\u00ea-la, por qualquer meio, reduzido \u00e0 impossibilidade de resist\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de quatro a dez anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba &nbsp;Se da viol\u00eancia resulta:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 morte, a pena \u00e9 de reclus\u00e3o de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-possivel-afastar-a-imputacao-de-latrocinio\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel afastar a imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito da controv\u00e9rsia doutrin\u00e1ria quanto \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o do crime previsto no art. 157, \u00a7 3\u00ba, inciso II, do C\u00f3digo Penal &#8211; se preterdoloso ou n\u00e3o &#8211; fato \u00e9 que, para se imputar o resultado mais grave (consequente) ao autor, basta que a morte seja causada por conduta meramente culposa, n\u00e3o se exigindo, portanto, comportamento doloso, que apenas \u00e9 imprescind\u00edvel na subtra\u00e7\u00e3o (antecedente).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O art. 13,&nbsp;<em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Penal, acolheu a teoria da equival\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es ou&nbsp;<em>conditio sine qua non<\/em>, ao prever que &#8220;[c]onsidera-se causa a a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o sem a qual o resultado n\u00e3o teria ocorrido<\/strong>&#8220;. A aplica\u00e7\u00e3o da teoria em comento ao estudo das concausas implica concluir que as causas absolutamente independentes sempre excluir\u00e3o a imputa\u00e7\u00e3o do resultado mais gravoso, as relativamente independentes, nem sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o \u00a7 1\u00ba do art. 13 do C\u00f3digo Penal prev\u00ea uma hip\u00f3tese de exclus\u00e3o da imputa\u00e7\u00e3o &#8211; denominada por alguns de &#8220;rompimento do nexo causal&#8221; -, respondendo o agente apenas pelos atos j\u00e1 praticados. Essa hip\u00f3tese, por\u00e9m, apenas tem cabimento quando a concausa, al\u00e9m de relativamente independente, tamb\u00e9m for superveniente \u00e0 a\u00e7\u00e3o do agente, conduzindo, por si s\u00f3, ao resultado agravador. Ou seja, se a concausa relativamente independente for preexistente ou concomitante \u00e0 a\u00e7\u00e3o do autor, n\u00e3o haver\u00e1 exclus\u00e3o do nexo de causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o laudo pericial n\u00e3o atestou que a morte tenha sido causada exclusivamente pela doen\u00e7a card\u00edaca preexistente da v\u00edtima. Ao contr\u00e1rio, consignou-se que o infarto &#8220;pode ter sido ajudado pelo stress sofrido na data do \u00f3bito, pois h\u00e1 sinais de viol\u00eancia e tortura encontrados no exame&#8221; -, o que evidencia que a v\u00edtima apenas veio a falecer, exatamente, durante o crime praticado pelos acusados, que a agrediram severamente. Considerando que a doen\u00e7a card\u00edaca,<em>&nbsp;in casu<\/em>, \u00e9 concausa preexistente relativamente independente, n\u00e3o h\u00e1 como afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequ\u00eancia, a imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem mesmo a aplica\u00e7\u00e3o da teoria da imputa\u00e7\u00e3o objetiva conduziria a outra conclus\u00e3o. <strong>Segundo a doutrina, &#8220;[p]ara a teoria da imputa\u00e7\u00e3o objetiva, o resultado de uma conduta humana somente pode ser objetivamente imputado a seu autor quando tenha criado a um bem jur\u00eddico uma situa\u00e7\u00e3o de risco juridicamente proibido (n\u00e3o permitido) e tal risco se tenha concretizado em um resultado t\u00edpico<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, parece evidente que, ao dirigirem suas a\u00e7\u00f5es contra v\u00edtima idosa e usarem de exacerbada viol\u00eancia, os agentes criaram, sim, um risco juridicamente proibido &#8211; conclus\u00e3o contr\u00e1ria seria impens\u00e1vel \u00e0 luz do ordenamento jur\u00eddico brasileiro. Esse risco, concretizou-se em um resultado t\u00edpico previsto justamente no tipo imputado aos r\u00e9us (art. 157, \u00a7 3\u00ba, inciso II, do C\u00f3digo Penal).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A exist\u00eancia de doen\u00e7a card\u00edaca de que padecia a v\u00edtima configura-se como concausa preexistente relativamente independente, n\u00e3o sendo poss\u00edvel afastar o resultado mais grave (morte) e, por consequ\u00eancia, a imputa\u00e7\u00e3o de latroc\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-im-possibilidade-de-imposicao-nos-casos-de-violencia-domestica-e-familiar-contra-a-mulher-de-pena-de-multa-isoladamente\"><a><\/a><a>10.&nbsp; (Im)Possibilidade de imposi\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de pena de multa isoladamente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o constante do art. 17 da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha) obsta a imposi\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de pena de multa isoladamente, ainda que prevista de forma aut\u00f4noma no preceito secund\u00e1rio do tipo penal imputado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.049.327-RJ, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 14\/6\/2023 (Tema 1189). (Info 779)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudi\u00e3o amea\u00e7ou sua companheira Creide. Em primeiro grau, foi fixada pena de deten\u00e7\u00e3o, mas sua defesa interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o, a qual obteve sucesso para reformar a decis\u00e3o e impor isoladamente a pena de 10 dias multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o MP interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que a norma veda expressamente a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de pena de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, multa ou cong\u00eanere no caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.340\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Para os efeitos desta Lei, configura viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher qualquer a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o baseada no g\u00eanero que lhe cause morte, les\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico e dano moral ou patrimonial:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; no \u00e2mbito da unidade dom\u00e9stica, compreendida como o espa\u00e7o de conv\u00edvio permanente de pessoas, com ou sem v\u00ednculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; no \u00e2mbito da fam\u00edlia, compreendida como a comunidade formada por indiv\u00edduos que s\u00e3o ou se consideram aparentados, unidos por la\u00e7os naturais, por afinidade ou por vontade expressa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; em qualquer rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. As rela\u00e7\u00f5es pessoais enunciadas neste artigo independem de orienta\u00e7\u00e3o sexual<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 17. \u00c9 vedada a aplica\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de penas de cesta b\u00e1sica ou outras de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, bem como a substitui\u00e7\u00e3o de pena que implique o pagamento isolado de multa.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amea\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 147 &#8211; Amea\u00e7ar algu\u00e9m, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simb\u00f3lico, de causar-lhe mal injusto e grave:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de um a seis meses, ou multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Somente se procede mediante representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-a-aplicacao-isolada-da-pena-de-multa\"><a>10.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o isolada da pena de multa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se a veda\u00e7\u00e3o constante do art. 17 da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha) obsta a imposi\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de pena de multa isoladamente, ainda que prevista de forma aut\u00f4noma no preceito secund\u00e1rio do crime de amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa norma disp\u00f5e que &#8220;<strong>\u00e9 vedada a aplica\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de penas de cesta b\u00e1sica ou outras de presta\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria, bem como a substitui\u00e7\u00e3o de pena que implique o pagamento isolado de multa<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do legislador ao impedir a aplica\u00e7\u00e3o exclusiva da pena de multa foi a de AMPLIAR a fun\u00e7\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o geral das penas impostas nos casos de crimes cometidos nesse contexto. Dessa forma, pretende-se demonstrar \u00e0 sociedade que a pr\u00e1tica de agress\u00e3o contra a mulher acarreta consequ\u00eancias graves para o autor, que v\u00e3o al\u00e9m do aspecto financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal interpreta\u00e7\u00e3o implica na compreens\u00e3o de que a proibi\u00e7\u00e3o legal tamb\u00e9m se aplica \u00e0 hip\u00f3tese de multa estabelecida como uma pena aut\u00f4noma na parte secund\u00e1ria do tipo penal, como \u00e9 o caso do crime de amea\u00e7a (art. 147 do C\u00f3digo Penal). Com efeito, a imposi\u00e7\u00e3o desse tipo de penalidade (multa) em crimes cometidos de acordo com o artigo 5\u00ba da Lei n. 11.340\/2006 s\u00f3 pode ocorrer de forma CUMULATIVA, nunca de maneira isolada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A veda\u00e7\u00e3o constante do art. 17 da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha) obsta a imposi\u00e7\u00e3o, nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, de pena de multa isoladamente, ainda que prevista de forma aut\u00f4noma no preceito secund\u00e1rio do tipo penal imputado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-in-competencia-da-justica-militar-para-processar-e-julgar-crime-cometido-por-policial-militar-que-ainda-que-esteja-na-ativa-pratica-a-conduta-ilicita-fora-do-horario-de-servico-em-contexto-dissociado-do-exercicio-regular-de-sua-funcao-e-em-lugar-nao-vinculado-a-administracao-militar\"><a><\/a><a>11.&nbsp; (In)Compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar para processar e julgar crime cometido por policial militar que, ainda que esteja na ativa, pratica a conduta il\u00edcita fora do hor\u00e1rio de servi\u00e7o, em contexto dissociado do exerc\u00edcio regular de sua fun\u00e7\u00e3o e em lugar n\u00e3o vinculado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Militar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Militar \u00e9 incompetente para processar e julgar crime cometido por policial militar que, ainda que esteja na ativa, pratica a conduta il\u00edcita fora do hor\u00e1rio de servi\u00e7o, em contexto dissociado do exerc\u00edcio regular de sua fun\u00e7\u00e3o e em lugar n\u00e3o vinculado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 764.059-SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/2\/2023.<a> (Info 763)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio, policial militar, amarrou um cidad\u00e3o na rua e come\u00e7ou a agredir e question\u00e1-lo acerca de um furto ocorrido na vizinhan\u00e7a. O cidad\u00e3o nada tinha a ver com o ocorrido. Posteriormente, o MP denunciou Craudio por les\u00e3o corporal e abuso de autoridade (atentado \u00e0 incolumidade f\u00edsica de indiv\u00edduo). Craudio estava de folga e, portanto, sem a farda da corpora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se identificou como policial, bem como utilizou seu ve\u00edculo pessoal e sua arma particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Craudio foi condenado em primeira inst\u00e2ncia da justi\u00e7a comum, mas sua defesa impetrou Habeas Corpus no qual alega a incompet\u00eancia da Justi\u00e7a Comum e consequente reconhecimento da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Militar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-justica-castrense\"><a>11.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Justi\u00e7a <\/a>Castrense?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se \u00e9 compet\u00eancia da justi\u00e7a castrense processar e julgar delito cometido por policial de folga, sem farda, com ve\u00edculo pessoal e portando arma particular.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a \u00e9 no sentido de que &#8220;n\u00e3o se enquadra no conceito de crime militar previsto no art. 9\u00ba, I, al\u00edneas &#8220;b&#8221; e &#8220;c&#8221;, do C\u00f3digo Penal Militar o delito cometido por Policial Militar que, ainda que esteja na ativa, pratica a conduta il\u00edcita fora do hor\u00e1rio de servi\u00e7o, em contexto dissociado do exerc\u00edcio regular de sua fun\u00e7\u00e3o e em lugar n\u00e3o vinculado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Militar&#8221; (AgRg no HC 656.361\/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16\/8\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a Corte Estadual entendeu que na ocasi\u00e3o dos fatos, <a>o acusado estava de folga e, portanto, sem a farda da corpora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se identificou como policial, bem como utilizou seu ve\u00edculo pessoal e sua arma particular<\/a>. Assim, embora ostentasse a condi\u00e7\u00e3o de policial militar na ativa, a pr\u00e1tica delitiva n\u00e3o decorreu de seu servi\u00e7o ou em raz\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o. A circunst\u00e2ncia \u00e9 corroborada pela declara\u00e7\u00e3o da v\u00edtima, na qual afirma que os indiv\u00edduos que o abordaram n\u00e3o se apresentaram como policiais, vestiam roupas comuns e n\u00e3o estavam fardados.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, a Lei n. 13.491\/2017 n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o no caso, tendo em vista que o acusado \u00e9 um policial de folga, hip\u00f3tese que n\u00e3o se tornou crime militar nos termos da novel legisla\u00e7\u00e3o. <strong>A referida lei, frisa-se, n\u00e3o alterou a compet\u00eancia nestes casos, mas apenas ampliou o rol de condutas para abarcar crimes contra civis previstos na Legisla\u00e7\u00e3o Penal Comum (C\u00f3digo Penal e leis esparsas), desde que praticados por militar em servi\u00e7o ou no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o <\/strong>(art. 9\u00ba, II, <a>Lei n. 13.491\/2017<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-resultado-final\"><a>11.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Militar \u00e9 incompetente para processar e julgar crime cometido por policial militar que, ainda que esteja na ativa, pratica a conduta il\u00edcita fora do hor\u00e1rio de servi\u00e7o, em contexto dissociado do exerc\u00edcio regular de sua fun\u00e7\u00e3o e em lugar n\u00e3o vinculado \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o Militar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-competencia-para-julgamento-das-acoes-penais-que-apurem-crimes-envolvendo-violencia-contra-criancas-e-adolescentes\"><a><\/a><a>12.&nbsp; Compet\u00eancia para julgamento das a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes,<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431\/2017, nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica julgar as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudi\u00e3o, pai de Craudinho, cometeu crime envolvendo viol\u00eancia contra seu filho. A a\u00e7\u00e3o penal foi distribu\u00edda para a vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, uma vez que inexistente na localidade vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente. Foi ent\u00e3o ventilado que o alargamento da compet\u00eancia dos ju\u00edzos especializados em viol\u00eancia dom\u00e9stica poderia prejudicar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional prec\u00edpua destes \u00f3rg\u00e3os, qual seja, de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 13.431\/2017:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 23. Os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria poder\u00e3o criar juizados ou varas especializadas em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. At\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do disposto no&nbsp;<strong>caput&nbsp;<\/strong>deste artigo, o julgamento e a execu\u00e7\u00e3o das causas decorrentes das pr\u00e1ticas de viol\u00eancia ficar\u00e3o, preferencialmente, a cargo dos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica e temas afins.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-competente-a-vara-de-violencia-domestica\"><a>12.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Competente a vara de viol\u00eancia dom\u00e9stica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ uniformizou a interpreta\u00e7\u00e3o a ser conferida ao art. 23 da Lei n. 13.431\/2017 no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ, fixando a tese de que, <strong>ap\u00f3s o advento desta norma, &#8220;nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, onde houver, processar e julgar os casos envolvendo estupro de vulner\u00e1vel cometido pelo pai (bem como pelo padrasto, companheiro, namorado ou similar) contra a filha (ou crian\u00e7a ou adolescente) no ambiente dom\u00e9stico ou familiar<\/strong>&#8220;, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada naquele julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O Legislador estabeleceu, no&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do artigo supracitado, como possibilidade aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria, a cria\u00e7\u00e3o de varas especializadas em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente. Enquanto n\u00e3o institu\u00eddas as varas especializadas, o par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo dispositivo legal determinou que as causas decorrentes de pr\u00e1ticas de viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, deveriam tramitar nos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes devem tramitar nas varas especializadas previstas no caput do art. 23 do referido diploma legal e, caso elas ainda n\u00e3o tenham sido criadas, nos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica, conforme determina o par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo artigo. Somente nas comarcas em que n\u00e3o houver varas especializadas em viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes ou juizados\/varas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, poder\u00e1 a a\u00e7\u00e3o tramitar na vara criminal comum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta interpreta\u00e7\u00e3o tem como objetivo, em primeiro lugar, evitar que os dispositivos da Lei n. 13.431\/2017 se transformem em letra morta, o que frustraria o objetivo legislativo de instituir um regime judicial protetivo especial para crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de viol\u00eancias<\/strong>. De outra parte, tamb\u00e9m concretiza os princ\u00edpios da prote\u00e7\u00e3o integral e da absoluta prioridade (art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), bem como o compromisso internacional do Brasil em proteger crian\u00e7as e adolescentes contra todas as formas de viol\u00eancia (art. 19 do Decreto n. 99.710\/1990), estabelecendo que a submiss\u00e3o destes \u00e0 compet\u00eancia especializada decorre de sua vulnerabilidade enquanto pessoa humana em desenvolvimento, independentemente de considera\u00e7\u00f5es quanto ao sexo, motiva\u00e7\u00e3o do crime, circunst\u00e2ncias da viol\u00eancia ou outras quest\u00f5es similares.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, a tese de que o alargamento da compet\u00eancia dos ju\u00edzos especializados em viol\u00eancia dom\u00e9stica poder\u00e1 prejudicar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional prec\u00edpua destes \u00f3rg\u00e3os, qual seja, de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, n\u00e3o justifica que se desconsidere a disposi\u00e7\u00e3o expressa da lei. Em verdade, incumbe aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria avaliar o impacto do processamento de tais a\u00e7\u00f5es penais sobre os juizados de viol\u00eancia dom\u00e9stica e, analisando as peculiaridades de cada local, criar as varas ou juizados especializados, na forma do art. 23 da Lei n. 13.431\/17, dando assim cumprimento \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o legal de conferir presta\u00e7\u00e3o jurisdicional c\u00e9lere e especializada tanto \u00e0s mulheres quanto \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431\/2017, nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica julgar as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-abrangencia-da-audiencia-prevista-na-lei-maria-da-penha\"><a><\/a><a>13.&nbsp; Abrang\u00eancia da audi\u00eancia prevista na Lei Maria da Penha<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A audi\u00eancia prevista no art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 tem por objetivo confirmar a retrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pode ser designada de of\u00edcio pelo juiz. Sua realiza\u00e7\u00e3o somente \u00e9 necess\u00e1ria caso haja manifesta\u00e7\u00e3o do desejo da v\u00edtima de se retratar trazida aos autos antes do recebimento da den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.977.547-MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 8\/3\/2023. (Tema 1167) (Info 766)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio foi condenado pelo crime de amea\u00e7a contra sua esposa Gertrudes. Em apela\u00e7\u00e3o, o Tribunal local anulou a senten\u00e7a em raz\u00e3o da falta da designa\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia prevista no art. 16 da Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o MP interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que o escopo da audi\u00eancia prevista no art. 16 da Lei Maria da Penha n\u00e3o \u00e9 reiterar a representa\u00e7\u00e3o da ofendida, mas, sim, ratificar voli\u00e7\u00e3o no sentido de ren\u00fancia\/retrata\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ofertada, pelo que a audi\u00eancia em quest\u00e3o deveria ser designada apenas na hip\u00f3tese em que a ofendida revelar o intuito de se retratar da representa\u00e7\u00e3o oferecida na fase inquisitiva, o que n\u00e3o teria ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.340\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 16. Nas a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas condicionadas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da ofendida de que trata esta Lei, s\u00f3 ser\u00e1 admitida a ren\u00fancia \u00e0 representa\u00e7\u00e3o perante o juiz, em audi\u00eancia especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da den\u00fancia e ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>CC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 107. A validade da declara\u00e7\u00e3o de vontade n\u00e3o depender\u00e1 de forma especial, sen\u00e3o quando a lei expressamente a exigir.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 110. A manifesta\u00e7\u00e3o de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de n\u00e3o querer o que manifestou, salvo se dela o destinat\u00e1rio tinha conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-so-e-necessaria-em-caso-de-retratacao\"><a>13.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1ria em caso de retrata\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se a audi\u00eancia preliminar prevista no art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha) \u00e9 ato processual obrigat\u00f3rio determinado pela lei ou se configura apenas um direito da ofendida, caso manifeste o desejo de se retratar.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Maria da Penha disciplina procedimento pr\u00f3prio para que a v\u00edtima possa eventualmente se retratar de representa\u00e7\u00e3o j\u00e1 apresentada. Dessarte, disp\u00f5e o art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 que, &#8220;nas a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas condicionadas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da ofendida de que trata esta lei, s\u00f3 ser\u00e1 admitida a ren\u00fancia \u00e0 representa\u00e7\u00e3o perante o juiz, em audi\u00eancia especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da den\u00fancia e ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma cuida apenas das hip\u00f3teses de a\u00e7\u00f5es penais p\u00fablicas condicionadas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, nas quais a representa\u00e7\u00e3o da v\u00edtima constitui condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade para a instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial e de futura a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Essencialmente, <strong>s\u00e3o duas as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e concomitantes para a realiza\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia<\/strong>: (1) a pr\u00e9via manifesta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima levada ao conhecimento do juiz, expressando seu desejo de se retratar e (2) a confirma\u00e7\u00e3o da retrata\u00e7\u00e3o da v\u00edtima perante o magistrado, antes do recebimento da den\u00fancia, em audi\u00eancia especialmente designada para tanto.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, \u00e9 imperativo que a v\u00edtima,&nbsp;<em>sponte propria<\/em>, revogue sua declara\u00e7\u00e3o anterior e leve tal revoga\u00e7\u00e3o ao conhecimento do magistrado para que se possa cogitar da necessidade de designa\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia espec\u00edfica prevista no art. 16 da Lei Maria da Penha. Pode-se mesmo afirmar que a inten\u00e7\u00e3o do legislador, ao criar tal audi\u00eancia, foi a de evitar ou pelo menos minimizar a possibilidade de oferecimento de retrata\u00e7\u00e3o pela v\u00edtima em virtude de amea\u00e7as ou press\u00f5es externas, garantindo a higidez e autonomia de sua nova manifesta\u00e7\u00e3o de vontade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 persecu\u00e7\u00e3o penal do agressor.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>n\u00e3o h\u00e1 como se interpretar a regra contida no art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 como uma audi\u00eancia destinada \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o do interesse da v\u00edtima em representar contra seu agressor<\/strong>, pois a letra da lei deixa claro que tal audi\u00eancia se destina \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o da retrata\u00e7\u00e3o. Como regra geral, o Direito Civil (arts. 107 e 110 do CC) j\u00e1 prev\u00ea que, exarada uma manifesta\u00e7\u00e3o de vontade por indiv\u00edduo reputado capaz, consciente, l\u00facido, livre de erros de concep\u00e7\u00e3o, coa\u00e7\u00e3o ou premente necessidade, tal declara\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida at\u00e9 que sobrevenha manifesta\u00e7\u00e3o do mesmo indiv\u00edduo em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Transposto o racioc\u00ednio para o contexto que circunda a viol\u00eancia dom\u00e9stica, a realiza\u00e7\u00e3o de novo questionamento sobre a subsist\u00eancia do interesse da v\u00edtima em representar contra seu agressor ganha contornos mais sens\u00edveis e at\u00e9 mesmo agravadores do estado psicol\u00f3gico da v\u00edtima, na medida em que coloca em d\u00favida a veracidade de seu relato inicial, quando n\u00e3o raras vezes ela est\u00e1 inserida em um cen\u00e1rio de depend\u00eancia emocional e\/ou financeira, fazendo com que a ofendida se questione se vale a pena denunciar as agress\u00f5es sofridas, enfraquecendo o objetivo da Lei Maria da Penha de garantir uma igualdade substantiva \u00e0s mulheres que sofrem viol\u00eancia dom\u00e9stica e at\u00e9 mesmo levando-as, desnecessariamente, a reviver os traumas decorrentes dos abusos.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ tamb\u00e9m tem entendido que &#8220;a audi\u00eancia do art. 16 deve ser realizada nos casos em que houve manifesta\u00e7\u00e3o da v\u00edtima em desistir da persecu\u00e7\u00e3o penal. Isso n\u00e3o quer dizer, por\u00e9m, que eventual n\u00e3o comparecimento da ofendida \u00e0 audi\u00eancia do art. 16 ou a qualquer ato do processo seja considerado como &#8216;retrata\u00e7\u00e3o t\u00e1cita&#8217;. Pelo contr\u00e1rio: se a ofendida j\u00e1 ofereceu a representa\u00e7\u00e3o no prazo de 06 (seis) meses, na forma do art. 38 do CPP, nada resta a ela a fazer a n\u00e3o ser aguardar pelo impulso oficial da&nbsp;<em>persecutio criminis<\/em>&#8221; (AREsp 1.165.962\/AM, Relator Ministro Sebasti\u00e3o Reis Junior, DJe 22\/11\/2017; EDcl no REsp 1.822.250\/SP, Relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe 11\/11\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso ponderado, ressalta n\u00edtido que <strong>a audi\u00eancia prevista no art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 n\u00e3o pode ser designada de of\u00edcio pelo magistrado<\/strong>, at\u00e9 porque uma iniciativa com tal prop\u00f3sito corresponderia \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00e3o de procedibilidade (ratifica\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o) n\u00e3o prevista na Lei Maria da Penha, viciando de nulidade o ato praticado de of\u00edcio pelo juiz.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A audi\u00eancia prevista no art. 16 da Lei n. 11.340\/2006 tem por objetivo confirmar a retrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a representa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o pode ser designada de of\u00edcio pelo juiz. Sua realiza\u00e7\u00e3o somente \u00e9 necess\u00e1ria caso haja manifesta\u00e7\u00e3o do desejo da v\u00edtima de se retratar trazida aos autos antes do recebimento da den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-im-possibilidade-de-o-medico-acionar-a-policia-para-investigar-paciente-que-procurou-atendimento-medico-hospitalar-por-ter-praticado-manobras-abortivas\"><a><\/a><a>14.&nbsp; (Im)Possibilidade de o m\u00e9dico acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dico n\u00e3o pode acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, bem como de depor a respeito do fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson, m\u00e9dico rec\u00e9m-formado, atendia em uma unidade p\u00fablica de sa\u00fade, quando constatou que uma de suas pacientes, Ana, supostamente gr\u00e1vida de aproximadamente 16 semanas, teria realizado manobras abortivas em sua resid\u00eancia, mediante a ingest\u00e3o de medicamento abortivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson acionou a pol\u00edcia e foi tamb\u00e9m arrolado como testemunha na investiga\u00e7\u00e3o e consequente a\u00e7\u00e3o penal. Inconformada, a defesa de Ana impetrou HC no qual alega que o m\u00e9dico n\u00e3o poderia ter acionado a pol\u00edcia e revelado segredo decorrente da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;207.&nbsp;&nbsp;S\u00e3o proibidas de depor as pessoas que, em raz\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho.<\/p>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Omiss\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 269 &#8211; Deixar o m\u00e9dico de denunciar \u00e0 autoridade p\u00fablica doen\u00e7a cuja notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de seis meses a dois anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-confidente-necessario\"><a>14.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Confidente necess\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O trancamento da a\u00e7\u00e3o penal em sede de&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;\u00e9 medida excepcional, cab\u00edvel somente quando manifesta a atipicidade da conduta, causa extintiva de punibilidade ou aus\u00eancia de ind\u00edcios de autoria ou de prova sobre a materialidade do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o modo como ocorreu a descoberta do crime invalidou a persecu\u00e7\u00e3o penal. O m\u00e9dico que realizou o atendimento da paciente &#8211; a qual estaria supostamente gr\u00e1vida de aproximadamente 16 semanas e teria, em tese, realizado manobras abortivas em sua resid\u00eancia, mediante a ingest\u00e3o de medicamento abortivo &#8211; acionou a autoridade policial, figurando, inclusive, como testemunha da a\u00e7\u00e3o penal que resultou na pron\u00fancia da acusada.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 207 do C\u00f3digo de Processo Penal disp\u00f5e que &#8220;s\u00e3o proibidas de depor as pessoas que, em raz\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho&#8221;. O m\u00e9dico que atendeu a paciente se encaixa na proibi\u00e7\u00e3o legal, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo de que tem conhecimento em raz\u00e3o da profiss\u00e3o intelectual, bem como de depor sobre o fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o sigilo profissional, o STJ j\u00e1 teve a oportunidade de decidir que, &#8220;<strong>O interesse p\u00fablico do sigilo profissional decorre do fato de se constituir em um elemento essencial \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 dignidade de certas categorias, e \u00e0 necessidade de se tutelar a confian\u00e7a nelas depositada, sem o que seria invi\u00e1vel o desempenho de suas fun\u00e7\u00f5es, bem como por se revelar em uma exig\u00eancia da vida e da paz social<\/strong>.&#8221; (RMS 9.612\/SP, Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, DJ 9\/11\/1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, tamb\u00e9m como raz\u00f5es de decidir, o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n. 2.217\/2018) enuncia que <strong>\u00e9 vedado ao m\u00e9dico &#8220;revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o<\/strong>&#8220;. N\u00e3o obstante existam exce\u00e7\u00f5es \u00e0 mencionada regra, nos casos de &#8220;motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente&#8221;, o art. 73, par\u00e1grafo \u00fanico, da citada Resolu\u00e7\u00e3o, prev\u00ea, de forma expressa, que a veda\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o permanece &#8220;na investiga\u00e7\u00e3o de suspeita de crime&#8221;, contexto em que o m\u00e9dico &#8220;estar\u00e1 impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal&#8221; (art. 73, par\u00e1grafo \u00fanico, &#8220;c&#8221;, da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n. 2.217\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>o m\u00e9dico n\u00e3o possui, via de regra, o dever legal de comunicar a ocorr\u00eancia de fato criminoso ou mesmo de efetuar pris\u00e3o de qualquer indiv\u00edduo que se encontre em situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito<\/strong>. E, ainda, mesmo nos casos em que o m\u00e9dico possui o dever legal de comunicar determinado fato \u00e0 autoridade competente, como no contexto de doen\u00e7a cuja notifica\u00e7\u00e3o seja compuls\u00f3ria (art. 269 do CP), ainda assim \u00e9 vedada a remessa do prontu\u00e1rio m\u00e9dico do paciente (art. 2\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 1.605\/2000 do CFM).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, visto que a instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial decorreu de provoca\u00e7\u00e3o da autoridade policial por parte do pr\u00f3prio m\u00e9dico, que al\u00e9m de ter sido indevidamente arrolado como testemunha, encaminhou o prontu\u00e1rio m\u00e9dico da paciente para a comprova\u00e7\u00e3o das afirma\u00e7\u00f5es, encontra-se contaminada a a\u00e7\u00e3o penal pelos elementos de informa\u00e7\u00e3o coletados de forma il\u00edcita, devendo ser trancada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>M\u00e9dico n\u00e3o pode acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, bem como de depor a respeito do fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-im-possibilidade-da-alienacao-antecipada-de-bens-que-correm-o-risco-de-perecimento-ou-desvalorizacao-ou-quando-houver-dificuldade-para-sua-manutencao\"><a><\/a><a>15.&nbsp; (Im)Possibilidade da aliena\u00e7\u00e3o antecipada de bens que correm o risco de perecimento ou desvaloriza\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel <a>aliena\u00e7\u00e3o antecipada de bens que correm o risco de perecimento ou desvaloriza\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no RMS 68.895-MS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 9\/3\/2023. (Info 768)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio foi denunciado por supostamente integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa especializada no transporte a\u00e9reo internacional de drogas na regi\u00e3o de fronteira. O Justi\u00e7a determinou o sequestro (medida assecurat\u00f3ria) de uma aeronave em nome de Craudio, assentando-se que esta seria utilizada para a atividade criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da dificuldade da guarda e manuten\u00e7\u00e3o do bem, bem como das dispendiosas quantias para tanto, o ju\u00edzo autorizou a aliena\u00e7\u00e3o antecipada do \u201cteco-teco\u201d. Inconformado, Craudio impetrou MS no qual sustenta a origem l\u00edcita do bem, bem como a impossibilidade de aliena\u00e7\u00e3o antecipada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 144-A.&nbsp; O juiz determinar\u00e1 a aliena\u00e7\u00e3o antecipada para preserva\u00e7\u00e3o do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deteriora\u00e7\u00e3o ou deprecia\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.613\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4<sup>o<\/sup>&nbsp; O juiz, de of\u00edcio, a requerimento do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou mediante representa\u00e7\u00e3o do delegado de pol\u00edcia, ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico em 24 (vinte e quatro) horas, havendo ind\u00edcios suficientes de infra\u00e7\u00e3o penal, poder\u00e1 decretar medidas assecurat\u00f3rias de bens, direitos ou valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das infra\u00e7\u00f5es penais antecedentes.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp; Proceder-se-\u00e1 \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o antecipada para preserva\u00e7\u00e3o do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deteriora\u00e7\u00e3o ou deprecia\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61. A apreens\u00e3o de ve\u00edculos, embarca\u00e7\u00f5es, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte e dos maquin\u00e1rios, utens\u00edlios, instrumentos e objetos de qualquer natureza utilizados para a pr\u00e1tica, habitual ou n\u00e3o, dos crimes definidos nesta Lei ser\u00e1 imediatamente comunicada pela autoridade de pol\u00edcia judici\u00e1ria respons\u00e1vel pela investiga\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo competente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-possivel-a-alienacao-antecipada\"><a>15.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a aliena\u00e7\u00e3o antecipada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui entendimento de que &#8220;O art. 144-A do C\u00f3digo de Processo Penal, acrescido ao diploma pela Lei n. 12.694\/2012, permite expressamente a aliena\u00e7\u00e3o antecipada de bens que correm o risco de perecimento ou desvaloriza\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o&#8221; (AgRg no REsp 1.964.491\/MT, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 31\/3\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Para o deferimento da medida de aliena\u00e7\u00e3o antecipada, em suma, s\u00e3o <strong>necess\u00e1rios ind\u00edcios suficientes de pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal, bem como de que os bens constritos s\u00e3o utilizados na pr\u00e1tica criminosa ou constituem produto\/proveito dos delitos apurados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, quanto aos ind\u00edcios da conduta delitiva, investiga-se organiza\u00e7\u00e3o criminosa especializada no transporte a\u00e9reo internacional de drogas na regi\u00e3o de fronteira de Ponta Por\u00e3\/Pedro Juan Caballero\/MS, realizado por pilotos habilitados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O acusado n\u00e3o demonstrou a origem l\u00edcita da aquisi\u00e7\u00e3o<\/strong>, al\u00e9m de ser dispendiosa a manuten\u00e7\u00e3o desse bem sem que se deteriore, mostrando-se, portanto, v\u00e1lida a venda antecipada do bem. Ressalta-se que <strong>o fato da aeronave ter sido parcelada n\u00e3o demonstra a origem l\u00edcita dos recursos usados para quit\u00e1-la.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta-se, ainda, que a venda est\u00e1 autorizada al\u00e9m da hip\u00f3tese de perecimento, nos casos de desvaloriza\u00e7\u00e3o ou de dificuldade para a sua manuten\u00e7\u00e3o que \u00e9 o que ocorre com uma aeronave, a qual n\u00e3o pode simplesmente ficar guardada em um hangar sem a realiza\u00e7\u00e3o de diversos procedimentos, como o funcionamento do motor e checagem dos sistemas de dire\u00e7\u00e3o e hidr\u00e1ulica, entre outros, os quais oneram a guarda do bem, al\u00e9m da sua desvaloriza\u00e7\u00e3o a cada ano que se passa.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, as circunst\u00e2ncias autorizam a aliena\u00e7\u00e3o do bem antecipadamente, nos termos do art. 144-A do C\u00f3digo de Processo Penal e art. 4\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 9.613\/1998, tratando-se de medida tamb\u00e9m disciplinada no art. 61 da Lei n. 11.343\/2006, que visa a garantir a preserva\u00e7\u00e3o do valor econ\u00f4mico dos ativos apreendidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel aliena\u00e7\u00e3o antecipada de bens que correm o risco de perecimento ou desvaloriza\u00e7\u00e3o, ou quando houver dificuldade para sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-nulidade-pelo-nao-oferecimento-tempestivo-do-acordo-de-nao-persecucao-penal-desacompanhado-de-motivacao-idonea\"><a><\/a><a>16.&nbsp; Nulidade pelo n\u00e3o oferecimento tempestivo do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal desacompanhado de motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por constituir um poder-dever do Minist\u00e9rio P\u00fablico, o n\u00e3o oferecimento tempestivo do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal desacompanhado de motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea constitui nulidade absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 762.049-PR, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023, DJe 17\/3\/2023. (Info 769)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino foi denunciado por crime. Embora coubesse o oferecimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal (ANPP), o Minist\u00e9rio P\u00fablico estadual prosseguiu com a den\u00fancia, sem declinar as justificativas pelas quais n\u00e3o foi proposto o ajuste.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Crementino impetrou HC no qual sustenta a nulidade do recebimento da inicial acusat\u00f3ria, sob o argumento de que era cab\u00edvel o ANPP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 8\u00ba Recusada a homologa\u00e7\u00e3o, o juiz devolver\u00e1 os autos ao Minist\u00e9rio P\u00fablico para a an\u00e1lise da necessidade de complementa\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es ou o oferecimento da den\u00fancia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 10. Descumpridas quaisquer das condi\u00e7\u00f5es estipuladas no acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, o Minist\u00e9rio P\u00fablico dever\u00e1 comunicar ao ju\u00edzo, para fins de sua rescis\u00e3o e posterior oferecimento de den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-nulidade-absoluta\"><a>16.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nulidade absoluta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, frisa-se que o STJ j\u00e1 decidiu que configuradas as demais condi\u00e7\u00f5es objetivas, a propositura do acordo n\u00e3o pode ser condicionada \u00e0 confiss\u00e3o extrajudicial, na fase inquisitorial. Precedente: HC 657.165\/RJ, Relator Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 18\/8\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal foi institu\u00eddo com o prop\u00f3sito de resguardar tanto o agente do delito, quanto o aparelho estatal, das desvantagens inerentes \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o do processo-crime em casos desnecess\u00e1rios<\/strong> \u00e0 devida reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do delito. Para isso, o Legislador editou o art. 28-A,&nbsp;<em>caput<\/em>, do C\u00f3digo de Processo Penal, norma despenalizadora que atribui ao Minist\u00e9rio P\u00fablico o poder-dever de oferecer, segundo sua discricionariedade regrada, condi\u00e7\u00f5es para o ent\u00e3o investigado (e n\u00e3o acusado) n\u00e3o ser denunciado, caso atendidos os requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, <strong>o benef\u00edcio a ser eventualmente ofertado ao agente em hip\u00f3tese na qual h\u00e1, em tese, justa causa para o oferecimento de den\u00fancia, aplica-se ainda na fase pr\u00e9-processual <\/strong>e, evidentemente, consubstancia hip\u00f3tese legal de mitiga\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da obrigatoriedade da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, tamb\u00e9m como raz\u00f5es de decidir extra\u00eddas do voto-vista do Ministro Sebasti\u00e3o Reis Junior, evidencia-se que <strong>todas as condi\u00e7\u00f5es objetivas, salvo a confiss\u00e3o, exigidas para a propositura do ANPP, estavam presentes; que o Minist\u00e9rio P\u00fablico local reconheceu que o ANPP n\u00e3o foi apresentado no momento oportuno em raz\u00e3o da aus\u00eancia da confiss\u00e3o; que a confiss\u00e3o, no inqu\u00e9rito, n\u00e3o \u00e9 condicionante para o ANPP<\/strong>; e que o acordo veio a ser apresentado, ap\u00f3s o recebimento da den\u00fancia, mesmo tendo o r\u00e9u, por meio de sua defesa, afirmado que s\u00f3 confessaria se e quando formalizado o ANPP.<\/p>\n\n\n\n<p>O evidente preju\u00edzo alegado centra-se no ato de recebimento da inicial acusat\u00f3ria, porquanto o fato criminoso atribu\u00eddo ao r\u00e9u teria ocorrido em 31\/08\/2009, ao passo que a den\u00fancia foi recebida pelo Ju\u00edzo em 26\/07\/2021, ou seja, 35 (trinta e cinco) dias antes do escoamento do prazo prescricional pela pena em abstrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, presentes as condi\u00e7\u00f5es para a oferta do ANPP, ele teria de ter sido ofertado antes do oferecimento da den\u00fancia, at\u00e9 porque o Minist\u00e9rio P\u00fablico reconheceu, quando o ofertou tardiamente, que, se aceita a proposta, deixaria de denunciar o acusado. Silente o Minist\u00e9rio P\u00fablico antes do oferecimento da den\u00fancia quanto \u00e0s raz\u00f5es pelas quais n\u00e3o ofertou o ANPP. Reconheceu-se, apenas, ao longo do feito, que o acordo poderia ter sido oferecido antes do oferecimento da den\u00fancia, apesar de ausente a confiss\u00e3o. H\u00e1, portanto, uma nulidade que prejudica todo o processo a partir deste momento.<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia jur\u00eddica do descumprimento ou da n\u00e3o homologa\u00e7\u00e3o do acordo \u00e9 exatamente a complementa\u00e7\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es ou o oferecimento da den\u00fancia, nos termos dos \u00a7\u00a7 8.\u00ba e 10 do art. 28-A do C\u00f3digo de Processo Penal, e n\u00e3o o prosseguimento da instru\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de que a oferta do ANPP seja formalizada ap\u00f3s a instaura\u00e7\u00e3o da fase processual. Nesse contexto, para a correta aplica\u00e7\u00e3o da regra, h\u00e1 de se considerar o momento processual adequado para sua incid\u00eancia, sob pena de se desvirtuar o instituto despenalizador.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o fato de o acordo tardiamente oferecido n\u00e3o ter chegado a bom termo n\u00e3o supera a nulidade acima apontada, at\u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 como se dizer se o acordo poderia ter outros termos ou se o r\u00e9u poderia ter eventualmente aceito a proposta ofertada naquele momento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Por constituir um poder-dever do Minist\u00e9rio P\u00fablico, o n\u00e3o oferecimento tempestivo do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal desacompanhado de motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea constitui nulidade absoluta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-natureza-da-acao-penal-relativa-ao-delito-de-registro-nao-autorizado-da-intimidade-sexual\"><a><\/a><a>17.&nbsp; Natureza da a\u00e7\u00e3o penal relativa ao delito de registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O delito de registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual (art. 216-B do CP) possui a natureza de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 25\/4\/2023. (Info 772)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Josefino manteve relacionamento com Creide. E n\u00e3o \u00e9 que o rapaz gravava as rela\u00e7\u00f5es sexuais sem a ci\u00eancia da Creide?! E da\u00ed deu no que deu&#8230; Quando o relacionamento acabou, Josefino passou a exibir as imagens aos amigos, fato do qual tomou conhecimento Creide. O Problema \u00e9 que apenas ap\u00f3s um ano da ci\u00eancia das grava\u00e7\u00f5es \u00e9 que Creide tomou provid\u00eancia para \u201cdenunciar\u201d o ex-namorado.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Josefino, mais ligeira que rato perseguido por gato, sustenta que houve decad\u00eancia, pois que, mesmo tomando conhecimento da grava\u00e7\u00e3o ilegal, a v\u00edtima Creide apenas teria representado ap\u00f3s o prazo de 6 meses conferido pelo art. 38 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 216-B. &nbsp;Produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conte\u00fado com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de car\u00e1ter \u00edntimo e privado sem autoriza\u00e7\u00e3o dos participantes:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotografia, v\u00eddeo, \u00e1udio ou qualquer outro registro com o fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de car\u00e1ter \u00edntimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o penal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 225.&nbsp; Nos crimes definidos nos Cap\u00edtulos I e II deste T\u00edtulo, procede-se mediante a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28. Ordenado o arquivamento do inqu\u00e9rito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o \u00f3rg\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico comunicar\u00e1 \u00e0 v\u00edtima, ao investigado e \u00e0 autoridade policial e encaminhar\u00e1 os autos para a inst\u00e2ncia de revis\u00e3o ministerial para fins de homologa\u00e7\u00e3o, na forma da lei.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-acao-penal-publica-incondicionada\"><a>17.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 13.718\/2018 converteu a a\u00e7\u00e3o penal de todos os crimes contra a dignidade sexual em p\u00fablica incondicionada (art. 225 do C\u00f3digo Penal). Posteriormente, a Lei n. 13.772\/2018 criou um novo cap\u00edtulo no C\u00f3digo Penal, o Cap\u00edtulo I-A, e dentro dele o delito do art. 216-B (Registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual). <strong>Ao criar esse novo cap\u00edtulo, no entanto, deixou-se de acrescentar sua men\u00e7\u00e3o no art. 225 do C\u00f3digo Penal, o qual se referia aos cap\u00edtulos existentes \u00e0 \u00e9poca da sua reda\u00e7\u00e3o<\/strong> (Cap\u00edtulos I e II).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a defesa alega a exist\u00eancia de constrangimento ilegal decorrente do ato de recebimento da den\u00fancia, uma vez que o crime encontra-se prescrito e deca\u00eddo, pois, mesmo tomando conhecimento da grava\u00e7\u00e3o ilegal, a v\u00edtima apenas teria representado ap\u00f3s o prazo de 6 meses conferido pelo art. 38 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, compreende-se que tal omiss\u00e3o legislativa n\u00e3o prejudica o posicionamento de que o crime de registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual se trata de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada. Isso porque, inexistindo men\u00e7\u00e3o expressa (seja no cap\u00edtulo I-A, seja no art. 216-B) de que se trata de a\u00e7\u00e3o privada ou p\u00fablica condicionada, aplica-se a regra geral do C\u00f3digo Penal: no sil\u00eancio da lei, deve-se considerar a a\u00e7\u00e3o penal como p\u00fablica incondicionada.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, referencia-se o entendimento do Tribunal de origem no sentido de que &#8220;A interpreta\u00e7\u00e3o deve ser, em tais hip\u00f3teses, necessariamente restritiva, pelo que \u00e9 for\u00e7oso reconhecer n\u00e3o estar referido &#8220;Cap\u00edtulo I-A&#8221; abrangido na previs\u00e3o expressa de mencionado art. 225 do CP. N\u00e3o se pode, contudo, perder de vista que a regra geral da legisla\u00e7\u00e3o criminal \u00e9 a a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica ser incondicionada, sendo p\u00fablica condicionada, ou privada, apenas se houver previs\u00e3o expressa nesse sentido pelo legislador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>ao se considerar o delito de registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual como delito de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada, inexiste a alegada decad\u00eancia do direito de representa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O delito de registro n\u00e3o autorizado da intimidade sexual (art. 216-B do CP) possui a natureza de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-cabimento-do-anpp-nos-casos-em-que-houver-a-modificacao-do-quadro-fatico-juridico-e-ainda-em-situacoes-em-que-houver-a-desclassificacao-do-delito\"><a><\/a><a>18.&nbsp; Cabimento do ANPP nos casos em que houver a modifica\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico, e, ainda, em situa\u00e7\u00f5es em que houver a desclassifica\u00e7\u00e3o do delito<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nos casos em que houver a modifica\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico, e, ainda, em situa\u00e7\u00f5es em que houver a desclassifica\u00e7\u00e3o do delito &#8211; seja por emendatio ou mutatio libelli -, uma vez preenchidos os requisitos legais exigidos para o Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal, torna-se cab\u00edvel o instituto negocial.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.016.905-SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023, DJe 14\/4\/2023. (Info 772)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda foi condenada pelo crime de falsidade ideol\u00f3gica por sete vezes. Em apela\u00e7\u00e3o, foi provido o recurso para reconhecer a continuidade delitiva dos atos e o redimensionamento da pena para menos de dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa ent\u00e3o requereu a remessa do feito ao MP, para que avaliasse a possibilidade de celebra\u00e7\u00e3o de ANPP, o que foi negado pelo tribunal sob a alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se poderia discutir a composi\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Falsidade ideol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 299 &#8211; Omitir, em documento p\u00fablico ou particular, declara\u00e7\u00e3o que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declara\u00e7\u00e3o falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obriga\u00e7\u00e3o ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a cinco anos, e multa, se o documento \u00e9 p\u00fablico, e reclus\u00e3o de um a tr\u00eas anos, e multa, de quinhentos mil r\u00e9is a cinco contos de r\u00e9is, se o documento \u00e9 particular.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Se o agente \u00e9 funcion\u00e1rio p\u00fablico, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, ou se a falsifica\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o \u00e9 de assentamento de registro civil, aumenta-se a pena de sexta parte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-cabivel-o-anpp\"><a>18.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cab\u00edvel o ANPP?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, houve uma relevante altera\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico, tornando-se potencialmente cab\u00edvel o instituto negocial do Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal &#8211; ANPP. Afinal, o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>, ao julgar o recurso de apela\u00e7\u00e3o interposto pela defesa, deu-lhe parcial provimento, a fim de reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de falsidade ideol\u00f3gica (CP, art. 299), tornando, assim, objetivamente vi\u00e1vel a realiza\u00e7\u00e3o do referido acordo, em raz\u00e3o do novo patamar de apenamento &#8211; pena m\u00ednima cominada inferior a 4 (quatro) anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trata-se,&nbsp;<em>mutatis mutandis<\/em>, de racioc\u00ednio similar \u00e0quele constante da S\u00famula n. 337 do STJ<\/strong>, a saber: &#8220;\u00c9 cab\u00edvel a suspens\u00e3o condicional do processo na desclassifica\u00e7\u00e3o do crime e na proced\u00eancia parcial da pretens\u00e3o punitiva&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, ao longo da a\u00e7\u00e3o penal at\u00e9 a prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria, o ANPP n\u00e3o era cab\u00edvel, seja porque a Lei n. 13.964\/2019 (Pacote Anticrime) entrou em vigor em 23\/1\/2020, ap\u00f3s o oferecimento da den\u00fancia (26\/4\/2019), seja porque o crime imputado &#8211; falsidade ideol\u00f3gica, por sete vezes, em concurso material &#8211; n\u00e3o tornava vi\u00e1vel o referido acordo, tendo em vista que a pena m\u00ednima cominada era superior a 4 (quatro) anos, em raz\u00e3o do concurso material de crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que o Tribunal de origem, j\u00e1 na vig\u00eancia da Lei n. 13.964\/2019, deu parcial provimento ao recurso de apela\u00e7\u00e3o interposto pela defesa para reconhecer a continuidade delitiva entre os crimes de falsidade ideol\u00f3gica, afastando, assim, o concurso material.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa modifica\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico n\u00e3o somente resultou numa consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o da pena, mas tamb\u00e9m tornou objetivamente cab\u00edvel a formula\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>, ao menos sob o aspecto referente ao requisito da pena m\u00ednima cominada ser inferior a 4 (quatro) anos, conforme previsto no art. 28-A do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nos casos em que houver a modifica\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico, como no caso em quest\u00e3o, e ainda em situa\u00e7\u00f5es em que houver a desclassifica\u00e7\u00e3o do delito &#8211; seja por&nbsp;<em>emendatio<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>mutatio libelli<\/em>&nbsp;-, uma vez preenchidos os requisitos legais exigidos para o ANPP, torna-se cab\u00edvel o instituto negocial.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe salientar, ainda, que, no caso, n\u00e3o se faz necess\u00e1ria a discuss\u00e3o acerca da quest\u00e3o da retroatividade do ANPP, mas, sim, unicamente a circunst\u00e2ncia de que a altera\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico tornou potencialmente cab\u00edvel o instituto negocial, de maneira que o entendimento externado na presente decis\u00e3o n\u00e3o entra em confronto com a jurisprud\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos casos em que houver a modifica\u00e7\u00e3o do quadro f\u00e1tico-jur\u00eddico, e, ainda, em situa\u00e7\u00f5es em que houver a desclassifica\u00e7\u00e3o do delito &#8211; seja por emendatio ou mutatio libelli -, uma vez preenchidos os requisitos legais exigidos para o Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal, torna-se cab\u00edvel o instituto negocial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-in-capacidade-do-depoimento-testemunhal-indireto-para-sustentar-uma-acusacao-e-justificar-a-instauracao-do-processo-penal\"><a><\/a><a>19.&nbsp; (In)Capacidade do depoimento testemunhal indireto para sustentar uma acusa\u00e7\u00e3o e justificar a instaura\u00e7\u00e3o do processo penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O depoimento testemunhal indireto n\u00e3o est\u00e1 exclu\u00eddo do sistema probat\u00f3rio brasileiro, podendo ser valorado a crit\u00e9rio do julgador. Por\u00e9m, \u00e9 imprescind\u00edvel a presen\u00e7a de outros elementos probat\u00f3rios substanciais para sustentar uma acusa\u00e7\u00e3o e justificar a instaura\u00e7\u00e3o do processo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.290.314-SE, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/5\/2023, DJe 26\/5\/2023. (Info 776)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ofereceu den\u00fancia em desfavor de Craudi\u00e3o pelo crime de homic\u00eddio. O ju\u00edzo criminal rejeitou a den\u00fancia, por aus\u00eancia de justa causa, com fundamento no art. 395, inciso III, do CPP, uma vez que a prova na qual se baseou o MP era um testemunho indireto (a testemunha teria\u201d ouvido dizer\u201d que Craudi\u00e3o matou). O TJ acolheu o recurso do MP e reconheceu a presen\u00e7a de justa causa para deflagra\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal. Inconformada, a defesa de Craudi\u00e3o interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que o depoimento indireto n\u00e3o seria suficiente para sustentar a acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 395.&nbsp; A den\u00fancia ou queixa ser\u00e1 rejeitada quando:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; faltar justa causa para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-ouvi-dizer-presta-pra-nada\"><a>19.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u201cOuvi dizer\u201d presta pra nada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O testemunho indireto \u00e9 conhecido tamb\u00e9m como testemunha auricular ou de&nbsp;<em>auditu<\/em>s, e seu depoimento n\u00e3o est\u00e1 exclu\u00eddo do sistema probat\u00f3rio brasileiro, podendo ser valorado a crit\u00e9rio do julgador.<\/p>\n\n\n\n<p>No ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, <strong>n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal espec\u00edfica para a testemunha &#8220;de ouvir dizer&#8221;, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 distin\u00e7\u00e3o entre testemunhas diretas e indiretas<\/strong>. Ao contr\u00e1rio, a legisla\u00e7\u00e3o penal brasileira determina que o depoimento testemunhal ser\u00e1 admitido sempre que for relevante para a decis\u00e3o. Dessa forma, diferentemente dos sistemas da&nbsp;<em>commow law<\/em>, as restri\u00e7\u00f5es probat\u00f3rias relacionadas ao ouvir dizer n\u00e3o se aplicam no Brasil, sendo, em regra, admiss\u00edvel como meio probat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do REsp 1.387.883\/MG, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a proferiu decis\u00e3o que afirma <strong>a legalidade da prova testemunhal indireta, reconhecendo sua sufici\u00eancia para embasar uma senten\u00e7a condenat\u00f3ria, uma vez que tal modalidade de prova \u00e9 admitida pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor e sua valora\u00e7\u00e3o fica a cargo do julgador<\/strong>. O referido julgado tratava de um crime de estupro, no qual a v\u00edtima somente confirmou a autoria do fato durante o seu depoimento perante as autoridades policiais. Al\u00e9m disso, havia duas testemunhas que relataram ter ouvido diretamente da pr\u00f3pria v\u00edtima que ela teria sido v\u00edtima de estupro pelo acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando esse contexto f\u00e1tico, juntamente com as demais provas constantes nos autos, como o exame de corpo de delito, a Quinta Turma do STJ concluiu que a autoria do delito estava demonstrada. A partir dessa decis\u00e3o, fica evidente que a prova testemunhal indireta possui validade e relev\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o do convencimento judicial, desde que corroborada por outros elementos probat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito do procedimento do Tribunal do J\u00fari, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem firmado entendimento relevante em rela\u00e7\u00e3o aos testemunhos baseados em &#8220;ouvir dizer&#8221;. Por exemplo, no julgamento do REsp 1.674.198\/MG, de relatoria do Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz, decidiu-se que a pron\u00fancia baseada unicamente em depoimentos indiretos \u00e9 inadmiss\u00edvel, dada a precariedade desse tipo de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, os relatos indiretos e baseados em ouvir dizer n\u00e3o s\u00e3o elementos suficientes para garantir a viabilidade acusat\u00f3ria, sendo necess\u00e1rio que existam outros elementos probat\u00f3rios robustos para embasar uma acusa\u00e7\u00e3o consistente. Portanto, na an\u00e1lise, deve-se considerar a fragilidade dos depoimentos baseados em ouvir dizer na forma\u00e7\u00e3o de um ju\u00edzo acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, <strong>a aus\u00eancia de justa causa para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o penal denota a inexist\u00eancia de elementos probat\u00f3rios suficientes nos autos que respaldem a acusa\u00e7\u00e3o formalizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ou pela parte acusadora, como unicamente o testemunho indireto na esp\u00e9cie<\/strong>. Em sua ess\u00eancia, trata-se da car\u00eancia de ind\u00edcios que apontem a ocorr\u00eancia de um delito e a participa\u00e7\u00e3o do acusado na sua pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o da den\u00fancia, nesse caso, mostra-se como uma quest\u00e3o de interesse processual. Se a persecu\u00e7\u00e3o penal \u00e9 destinada ao fracasso desde o in\u00edcio (pois nenhuma das provas apresentadas pela acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 suficiente para sustentar uma pron\u00fancia ou condena\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de que outras provas ser\u00e3o produzidas durante a instru\u00e7\u00e3o), n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para iniciar o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, caso a acusa\u00e7\u00e3o tenha como inten\u00e7\u00e3o apenas repetir o testemunho indireto, a a\u00e7\u00e3o penal se mostra sem perspectivas de sucesso desde o in\u00edcio. Nesse contexto, prosseguir com o processo torna-se apenas um ato de ass\u00e9dio processual contra o acusado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O depoimento testemunhal indireto n\u00e3o possui a capacidade necess\u00e1ria para sustentar uma acusa\u00e7\u00e3o e justificar a instaura\u00e7\u00e3o do processo penal, sendo imprescind\u00edvel a presen\u00e7a de outros elementos probat\u00f3rios substanciais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-competencia-para-estadual-processar-e-julgar-causa-quando-nao-se-verifica-da-atuacao-de-indiciado-que-se-autodeclara-quilombola-disputa-alguma-por-terra-quilombola-ou-interesse-da-comunidade-na-acao-delituosa\"><a><\/a><a>20.&nbsp; Compet\u00eancia para estadual processar e julgar causa quando n\u00e3o se verifica, da atua\u00e7\u00e3o de indiciado que se autodeclara quilombola, disputa alguma por terra quilombola ou interesse da comunidade na a\u00e7\u00e3o delituosa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a estadual processar e julgar causa quando n\u00e3o se verifica, da atua\u00e7\u00e3o de indiciado que se autodeclara quilombola, disputa alguma por terra quilombola ou interesse da comunidade na a\u00e7\u00e3o delituosa.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 192.658-RO, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 10\/5\/2023, DJe 16\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Foi instaurado inqu\u00e9rito policial para apurar a suposta pr\u00e1tica dos crimes de posse irregular de arma de fogo e pesca ilegal. O Ju\u00edzo Estadual declinou da compet\u00eancia para a Justi\u00e7a Federal porque o investigado se autodeclarara membro de quilombola e alegara que as infra\u00e7\u00f5es penais imputadas a ele decorrem de condutas praticadas em conformidade com a organiza\u00e7\u00e3o social, costumes e tradi\u00e7\u00f5es de seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o ju\u00edzo federal suscitou conflito de compet\u00eancia alegando que o fato de o investigado se autodeclarar pertencente a quilombola, por si s\u00f3, n\u00e3o atrai a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal. Isto porque n\u00e3o haveria nos autos elementos que evidenciem que os crimes ambientais perpetrados foram em detrimento do interesse direto e espec\u00edfico da Uni\u00e3o, de suas entidades aut\u00e1rquicas ou de empresas p\u00fablicas federais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-questao-juridica\"><a>20.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula 140:<\/p>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a Comum Estadual processar e julgar crime em que o ind\u00edgena figure como autor ou v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-a-quem-compete-julgar-o-autodeclarado-quilombola\"><a>20.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete julgar o autodeclarado quilombola?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a ESTADUAL!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de conflito negativo de compet\u00eancia em inqu\u00e9rito policial instaurado para apurar a suposta pr\u00e1tica dos crimes de posse irregular de arma de fogo e pesca ilegal, por indiv\u00edduo que se autodeclarou quilombola.<\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a estadual declinou de sua compet\u00eancia com o entendimento de que a autodeclara\u00e7\u00e3o do indiciado de que seria quilombola atrairia a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos assemelhados, referentes a povos ind\u00edgenas, o Supremo Tribunal Federal e o STJ j\u00e1 esclareceram que <strong>a compet\u00eancia ser\u00e1 da Justi\u00e7a Federal nos feitos que versem acerca de quest\u00f5es ligadas \u00e0 cultura ou disputas de interesses das comunidades ind\u00edgenas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o STJ, inclusive, editou a S\u00famula 140, clara ao estabelecer que &#8220;compete \u00e0 justi\u00e7a comum estadual processar e julgar crime em que o ind\u00edgena figure como autor ou v\u00edtima&#8221; (Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe 24\/5\/1995).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso, por\u00e9m, n\u00e3o se verifica, da atua\u00e7\u00e3o do indiciado, disputa alguma por terra quilombola ou interesse da comunidade na a\u00e7\u00e3o delituosa.<\/strong> O fato de o investigado se autodeclarar quilombola, por si s\u00f3, n\u00e3o atrai a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, isso porque n\u00e3o h\u00e1 nos autos elementos que evidenciem que os crimes ambientais perpetrados foram em detrimento do interesse direto e espec\u00edfico da Uni\u00e3o, de suas entidades aut\u00e1rquicas ou de empresas p\u00fablicas federais. Assim, se n\u00e3o se verifica les\u00e3o a bens, servi\u00e7os ou interesses da Uni\u00e3o ou de seus entes, afasta-se a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, &#8220;<strong>o mero fato de \u00edndio figurar como autor do delito ambiental, sem nenhuma conota\u00e7\u00e3o especial, n\u00e3o enseja o deslocamento da causa para a Justi\u00e7a Federal, conforme enunciado da S\u00famula n\u00b0 140\/STJ<\/strong>&#8221; (CC 93.120\/AM, rel. Ministro Jorge Mussi, Terceira Se\u00e7\u00e3o, julgado em 9\/6\/2010, DJe 17\/6\/2010).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-3-resultado-final\"><a>20.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Compete \u00e0 Justi\u00e7a estadual processar e julgar causa quando n\u00e3o se verifica, da atua\u00e7\u00e3o de indiciado que se autodeclara quilombola, disputa alguma por terra quilombola ou interesse da comunidade na a\u00e7\u00e3o delituosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-dispensa-do-exame-do-corpo-de-delito-em-lesao-corporal-ocorrida-em-ambiente-domestico\"><a>21.&nbsp; Dispensa do exame do corpo de delito em les\u00e3o corporal ocorrida em ambiente dom\u00e9stico.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O exame de corpo de delito poder\u00e1, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, ser dispensado para a configura\u00e7\u00e3o de les\u00e3o corporal ocorrida em \u00e2mbito dom\u00e9stico, na hip\u00f3tese de subsistirem outras provas id\u00f4neas da materialidade do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.078.054-DF, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/5\/2023, DJe 30\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-situacao-fatica\"><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio foi condenado pelo crime de les\u00e3o corporal ocorrida em \u00e2mbito dom\u00e9stico. O TJ local negou provimento ao apelo da defesa para que absolvesse o r\u00e9u por insufici\u00eancia de provas, em virtude da n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do laudo do exame de corpo de delito e da impossibilidade de se comprovar que as fotografias juntadas aos autos foram produzidas no dia do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa interp\u00f4s recurso especial para sustentar viola\u00e7\u00e3o ao art. 158 do C\u00f3digo de Processo Penal, uma vez que se reconheceu a materialidade do crime de les\u00e3o corporal sem que fosse realizado o exame de corpo de delito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-analise-estrategica\"><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-questao-juridica\"><a>21.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;158.&nbsp;&nbsp;Quando a infra\u00e7\u00e3o deixar vest\u00edgios, ser\u00e1 indispens\u00e1vel o exame de corpo de delito, direto ou indireto, n\u00e3o podendo supri-lo a confiss\u00e3o do acusado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-pode-ser-dispensado-o-exame-de-corpo-de-delito\"><a>21.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode ser dispensado o exame de corpo de delito?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim, mas desde que haja outras provas id\u00f4neas da materialidade do crime!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ possui entendimento consolidado de que <strong>a palavra da v\u00edtima det\u00e9m especial import\u00e2ncia nos crimes praticados no \u00e2mbito de viol\u00eancia dom\u00e9stica, devido ao contexto de clandestinidade em que normalmente ocorrem<\/strong>. Claro que a tese n\u00e3o deve ser vulgarizada a ponto de esvaziar o conte\u00fado normativo do art. 158 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, incumbe ao Poder Judici\u00e1rio responder adequadamente aos que perpetram atos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a fim de assegurar a prote\u00e7\u00e3o de pessoas vulner\u00e1veis, conforme preconiza a Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Por outro, <strong>\u00e9 um consect\u00e1rio do Estado de Direito preservar os direitos e garantias que visam a mitigar a assimetria entre os cidad\u00e3os e o Estado no \u00e2mbito do processo penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>No caso, n\u00e3o havia laudo emitido por m\u00e9dico particular, nem testemunha que tivesse presenciado o momento das agress\u00f5es. Ao rev\u00e9s, o exame de corpo de delito deixou de ser realizado, e as fotografias que instruem o feito n\u00e3o foram periciadas, a despeito de terem sido produzidas pelo irm\u00e3o da v\u00edtima<\/em>. As provas que deveriam suprir a defici\u00eancia (aus\u00eancia) do laudo consistiam em fotografia n\u00e3o periciada, depoimento da v\u00edtima e relato de informante que n\u00e3o presenciou diretamente os fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o exame de corpo de delito deixou de ser realizado e os elementos de prova restantes&nbsp;<strong>&#8211;<\/strong>&nbsp;fotografia n\u00e3o periciada, depoimento da v\u00edtima e relato de informante que n\u00e3o presenciou os fatos&nbsp;<strong>&#8211;<\/strong>&nbsp;se <strong>mostraram insuficientes para a manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o<\/strong>. A absolvi\u00e7\u00e3o \u00e9 medida que se imp\u00f5e diante da falta de prova t\u00e9cnica exigida por lei, e cuja aus\u00eancia n\u00e3o foi adequadamente suprida, nem devidamente justificada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-3-resultado-final\"><a>21.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O exame de corpo de delito poder\u00e1, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, ser dispensado para a configura\u00e7\u00e3o de les\u00e3o corporal ocorrida em \u00e2mbito dom\u00e9stico, na hip\u00f3tese de subsistirem outras provas id\u00f4neas da materialidade do crime.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-postura-firme-do-juiz-presidente-ao-inquirir-testemunha-como-influenciadora-dos-jurados\"><a><\/a><a>22.&nbsp; Postura firme do Juiz Presidente ao inquirir testemunha como influenciadora dos jurados.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode compreender que uma postura mais firme (ou at\u00e9 mesmo dura) do Juiz Presidente ao inquirir testemunha, durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria, influencie os jurados, a quem a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica pressup\u00f4s a plena capacidade de discernimento, ao conceber o direito fundamental do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 682.181-RJ, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/5\/2023, DJe 23\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>22.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremias foi condenado pelo tribunal do j\u00fari por crime de homic\u00eddio consumado. Sua defesa interp\u00f4s, sob a alega\u00e7\u00e3o de parcialidade do Magistrado Togado e, no m\u00e9rito, buscando a redu\u00e7\u00e3o da pena. Conforme a defesa de Geremias, o ju\u00edzo teria sido excessivamente incisivo em seus questionamentos, de forma a influenciar os jurados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>22.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-1-questao-juridica\"><a>22.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;563.&nbsp;&nbsp;Nenhum ato ser\u00e1 declarado nulo, se da nulidade n\u00e3o resultar preju\u00edzo para a acusa\u00e7\u00e3o ou para a defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXXVIII &#8211; \u00e9 reconhecida a institui\u00e7\u00e3o do j\u00fari, com a organiza\u00e7\u00e3o que lhe der a lei, assegurados:<\/p>\n\n\n\n<p>a) a plenitude de defesa;<\/p>\n\n\n\n<p>b) o sigilo das vota\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p>c) a soberania dos veredictos;<\/p>\n\n\n\n<p>d) a compet\u00eancia para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-2-a-postura-firme-do-juiz-presidente-influencia-ilegalmente-os-jurados\"><a>22.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A postura firme do Juiz Presidente influencia ilegalmente os jurados<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong>. <strong>Negativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ainda que se possa conjecturar que o Juiz de Direito, no caso, tenha sido incisivo em seus questionamentos, n\u00e3o h\u00e1 como concluir que atuou na condu\u00e7\u00e3o do feito de forma parcial<\/strong>, valendo, ainda, referir que a &#8220;&#8216;aferi\u00e7\u00e3o da suspei\u00e7\u00e3o do magistrado \u00e9 tema que envolve debate de n\u00edtido colorido f\u00e1tico-processual, invi\u00e1vel de ser efetivado no seio do&nbsp;<em>mandamus&#8217;<\/em>&nbsp;(HC 131.830\/SP, Sexta Turma, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 1\u00b0\/2\/2013)&#8221; (HC 705.967\/SC, Rel. Ministro Jesu\u00edno Rissato &#8211; Desembargador convocado do TJDFT -, Quinta Turma, julgado em 13\/12\/2021, DJe 15\/12\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>A alegada suspei\u00e7\u00e3o do Juiz Togado, no caso, parece at\u00e9 ser desimportante para a solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia, <strong>porque o magistrado Presidente n\u00e3o tem compet\u00eancia constitucional para julgar os crimes dolosos contra a vida. Em outras palavras, n\u00e3o h\u00e1 como reconhecer preju\u00edzo ao r\u00e9u tamb\u00e9m porque o m\u00e9rito da causa n\u00e3o foi analisado pelo Juiz de Direito, mas pelos Jurados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, incide na esp\u00e9cie a regra prevista no art. 563 do <a>C\u00f3digo de Processo Penal <\/a>&#8211; a positiva\u00e7\u00e3o do dogma fundamental da disciplina das nulidades -, de que o reconhecimento de v\u00edcio que enseja a anula\u00e7\u00e3o de ato processual exige a efetiva demonstra\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo (<em>pas de nullit\u00e9 sans grief<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a doutrina ressalta que o <em>munus<\/em> de julgar confere ao leigo responsabilidade, al\u00e9m de provocar-lhe o sentimento de civismo. \u00c9 por isso que n\u00e3o se pode compreender que t\u00e3o somente uma postura mais firme (ou at\u00e9 mesmo dura) do magistrado Presidente influencie os jurados &#8211; a quem a Constitui\u00e7\u00e3o Federal pressup\u00f4s a plena capacidade de discernimento, ao conceber o direito fundamental do Tribunal do J\u00fari (art. 5\u00ba, inciso XXXVIII).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o STJ j\u00e1 decidiu que &#8220;<strong>A condu\u00e7\u00e3o pelo togado do interrogat\u00f3rio da r\u00e9, durante o j\u00fari, de forma firme e at\u00e9 um tanto rude, n\u00e3o importa, necessariamente, em quebra da imparcialidade do magistrado e nem influ\u00eancia negativa nos jurados<\/strong> (&#8230;)&#8221; (HC 410.161\/PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, julgado em 17\/4\/2018, DJe de 27\/4\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-2-3-resultado-final\"><a>22.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode compreender que uma postura mais firme (ou at\u00e9 mesmo dura) do Juiz Presidente ao inquirir testemunha, durante a sess\u00e3o plen\u00e1ria, influencie os jurados, a quem a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica pressup\u00f4s a plena capacidade de discernimento, ao conceber o direito fundamental do Tribunal do J\u00fari.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-efeito-do-recurso-dirigido-as-instancias-administrativas-contra-o-parecer-da-instancia-superior-do-ministerio-publico-no-caso-de-recusa-de-oferecimento-do-acordo-de-nao-persecucao-penal-pelo-representante-do-ministerio-publico\"><a><\/a><a>23.&nbsp; Efeito do recurso dirigido \u00e0s inst\u00e2ncias administrativas contra o parecer da inst\u00e2ncia superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico no caso de recusa de oferecimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal pelo representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de recusa de oferecimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal pelo representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, <a>o recurso dirigido \u00e0s inst\u00e2ncias administrativas contra o parecer da inst\u00e2ncia superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/a> n\u00e3o det\u00e9m efeito suspensivo capaz de sustar o andamento de a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 5\/6\/2023, DJe 7\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>23.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio cometeu crime e foi denunciado. Como o MP n\u00e3o ofereceu o ANPP, a defesa interp\u00f4s recurso dirigido \u00e0s inst\u00e2ncias administrativas superiores do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste meio tempo, a\u00e7\u00e3o penal prosseguiu, o que levou a defesa de Creitinho a questionar por meio de recurso a continuidade da a\u00e7\u00e3o penal, uma vez que, em seu entender, o recurso apresentado contra o n\u00e3o oferecimento do ANPP teria efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>23.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-1-questao-juridica\"><a>23.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28-A. N\u00e3o sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal sem viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a e com pena m\u00ednima inferior a 4 (quatro) anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico poder\u00e1 propor acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, desde que necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime, mediante as seguintes condi\u00e7\u00f5es ajustadas cumulativa e alternativamente:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 14. No caso de recusa, por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico, em propor o acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal, o investigado poder\u00e1 requerer a remessa dos autos a \u00f3rg\u00e3o superior, na forma do art. 28 deste C\u00f3digo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-2-tem-efeito-suspensivo\"><a>23.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem efeito suspensivo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a7 14 do art. 28-A do <a>C\u00f3digo de Processo Penal <\/a><strong>garantiu a possibilidade de o investigado requerer a remessa dos autos a \u00f3rg\u00e3o superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico nas hip\u00f3teses em que a acusa\u00e7\u00e3o tenha se recusado a oferecer a proposta de Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal na origem.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, verifica-se que, diante da recusa do representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em primeiro grau para propor o acordo, a defesa pugnou pela reaprecia\u00e7\u00e3o do tema pela C\u00e2mara de Coordena\u00e7\u00e3o e Revis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal &#8211; MPF, o que foi deferido no pr\u00f3prio \u00e2mbito administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo <strong>o \u00f3rg\u00e3o superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico ratificou o entendimento acerca da impossibilidade concreta da propositura do acordo aos acusados<\/strong>. Nesse caso, por aus\u00eancia de previs\u00e3o legal, afasta-se a obrigatoriedade de suspens\u00e3o das duas a\u00e7\u00f5es penais em curso na origem diante da pend\u00eancia do julgamento de recurso administrativo interposto pela defesa no \u00e2mbito interno do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. Isso porque cumpre ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, como titular da a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica, a propositura, ou n\u00e3o, do ANPP (art. 28-A do CPP).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade pelo fato de o \u00f3rg\u00e3o acusat\u00f3rio sequer ter iniciado di\u00e1logo com a defesa sobre o tema, notadamente porque, de forma fundamentada, explicitou as raz\u00f5es pelas quais entendeu n\u00e3o ser vi\u00e1vel a propositura do acordo. O oferecimento submete-se \u00e0 DISCRICIONARIEDADE do Minist\u00e9rio P\u00fablico como titular da a\u00e7\u00e3o penal. N\u00e3o constitui direito subjetivo do acusado a oferta do acordo. Por fim, tamb\u00e9m n\u00e3o cabe ao Poder Judici\u00e1rio impor ao Minist\u00e9rio P\u00fablico a obriga\u00e7\u00e3o de ofert\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-3-resultado-final\"><a>23.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de recusa de oferecimento do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal pelo representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, o recurso dirigido \u00e0s inst\u00e2ncias administrativas contra o parecer da inst\u00e2ncia superior do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o det\u00e9m efeito suspensivo capaz de sustar o andamento de a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-exercicio-do-direito-ao-silencio-e-efeitos-probatorios\"><a><\/a><a>24.&nbsp; Exerc\u00edcio do direito ao sil\u00eancio e efeitos probat\u00f3rios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio do direito ao sil\u00eancio n\u00e3o pode servir de fundamento para descredibilizar o acusado nem para presumir a veracidade das vers\u00f5es sustentadas por policiais, sendo imprescind\u00edvel a supera\u00e7\u00e3o do&nbsp;standard&nbsp;probat\u00f3rio pr\u00f3prio do processo penal a respald\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.037.491-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>24.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi denunciado pelo crime de tr\u00e1fico de drogas. Embora em primeiro grau tenha sido acolhida a tese de que se tratava de usu\u00e1rio que havia acabado de comprar a droga dos traficantes, em apela\u00e7\u00e3o, o tribunal local reformou a senten\u00e7a para condenar o rapaz.<\/p>\n\n\n\n<p>A condena\u00e7\u00e3o foi embasada no fato de que Creitinho optara pelo sil\u00eancio em ju\u00edzo, bem como da declara\u00e7\u00e3o dos policiais que teriam visto o acusado se esquivando das viaturas e escondendo drogas em locais distintos. Na linha argumentativa desenvolvida e adotada pelo Tribunal, a negativa do r\u00e9u em ju\u00edzo seria estrat\u00e9gia para evitar a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>24.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-1-questao-juridica\"><a>24.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>LXVIII &#8211; conceder-se-\u00e1&nbsp;habeas corpus&nbsp;sempre que algu\u00e9m sofrer ou se achar amea\u00e7ado de sofrer viol\u00eancia ou coa\u00e7\u00e3o em sua liberdade de locomo\u00e7\u00e3o, por ilegalidade ou abuso de poder;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.<\/p>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusa\u00e7\u00e3o, o acusado ser\u00e1 informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogat\u00f3rio, do seu direito de permanecer calado e de n\u00e3o responder perguntas que lhe forem formuladas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. O sil\u00eancio, que n\u00e3o importar\u00e1 em confiss\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 ser interpretado em preju\u00edzo da defesa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-2-pode-punir-o-silencio\"><a>24.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode punir o sil\u00eancio<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>De jeito nenhum!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O direito ao sil\u00eancio, enumerado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal como direito de permanecer calado, \u00e9 suced\u00e2neo l\u00f3gico do princ\u00edpio&nbsp;<em>nemo tenetur se detegere<\/em>. Nesse sentido, <strong>\u00e9 equivocado qualquer entendimento de que se conclua que seu exerc\u00edcio possa acarretar alguma puni\u00e7\u00e3o ao acusado<\/strong>. A pessoa n\u00e3o pode ser punida por realizar um comportamento a que tem direito. O art. 5\u00ba, inc. LXIII, da CF, n\u00e3o deixa d\u00favidas quanto \u00e0 n\u00e3o recep\u00e7\u00e3o do art. 198 do CPP, quando diz que o sil\u00eancio do acusado, ainda que n\u00e3o importe em confiss\u00e3o, poder\u00e1 se constituir elemento para a forma\u00e7\u00e3o do convencimento do juiz.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse reprov\u00e1vel subterf\u00fagio processual foi enfrentado no julgamento do HC 330.559\/SC, em 2018. Consta, na ementa daquela decis\u00e3o que: &#8220;3. Na verdade, qualquer pessoa ao confrontar-se com o Estado em sua atividade persecut\u00f3ria, deve ter a prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica contra eventual tentativa de induzir-lhe \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prova favor\u00e1vel ao interesse punitivo estatal, especialmente se do sil\u00eancio puder decorrer responsabiliza\u00e7\u00e3o penal do pr\u00f3prio depoente&#8221;. (HC n. 330559\/SC, Rel. Ministro Rogerio Schietti, Sexta Turma, DJe 9\/10\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a absolvi\u00e7\u00e3o em primeira inst\u00e2ncia foi revista pelo Tribunal que, acolhendo a apela\u00e7\u00e3o interposta pela acusa\u00e7\u00e3o, condenou o r\u00e9u pela pr\u00e1tica do delito incurso no art. 33, caput, da Lei n. 11.343\/2006. <a>Na linha argumentativa desenvolvida a negativa do r\u00e9u em ju\u00edzo quanto \u00e0 comiss\u00e3o do delito seria estrat\u00e9gia para evitar a condena\u00e7\u00e3o<\/a>. As exatas palavras utilizadas no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido foram que: &#8220;Fosse verdadeira a fr\u00e1gil negativa judicial, certamente o r\u00e9u a teria apresentado perante a autoridade policial, quando entretanto, valeu-se do direito constitucional ao sil\u00eancio, comportamento que, se por um lado n\u00e3o pode prejudic\u00e1-lo, por outro permite afirmar que a simpl\u00f3ria negativa \u00e9 mera tentativa de se livrar da condena\u00e7\u00e3o&#8221;. Houve, portanto, viola\u00e7\u00e3o direta ao art. 186 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O racioc\u00ednio enviesado que concedeu inequ\u00edvoco valor de verdade \u00e0 palavra dos policiais e que interpretou a negativa do acusado em ju\u00edzo como mentira, teve o sil\u00eancio do r\u00e9u em sede policial como ponto de partida<\/strong>. A inst\u00e2ncia de segundo grau erroneamente preencheu o sil\u00eancio do r\u00e9u com palavras que ele pode nunca ter pronunciado, j\u00e1 que, do ponto de vista processual-probat\u00f3rio, tem-se apenas o que os policiais afirmaram haver escutado, em modo informal, ainda no local do fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidiu o Tribunal estadual, ent\u00e3o, que, se de um lado havia raz\u00f5es para crer que o r\u00e9u mentia em ju\u00edzo, de outro, estavam os desembargadores julgadores autorizados a acreditar que os policiais \u00e9 que traziam relatos correspondentes \u00e0 realidade, ao afirmarem: 1) que avistaram o acusado descartando as drogas que foram encontradas no ch\u00e3o, 2) que a balan\u00e7a de precis\u00e3o que estava no interior de um carro abandonado seria do acusado e, adicionalmente, 3) que ainda na cena do crime, o recorrente haveria confessado informalmente que, sim, traficava.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa narrativa toma como ver\u00eddica uma situa\u00e7\u00e3o em que o investigado ofereceu \u00e0queles policiais, desembara\u00e7adamente, a verdade dos fatos, em retribui\u00e7\u00e3o \u00e0 empatia com que fora tratado por eles; como se houvesse confidenciado um segredo a novos amigos, e n\u00e3o confessado a pr\u00e1tica de um delito a agentes da lei. Se \u00e9 que de fato o acusado confirmou para os policiais que traficava por passar por dificuldades financeiras, \u00e9 ingenuidade supor que o tenha feito em cen\u00e1rio totalmente livre da mais m\u00ednima injusta press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal incorreu em injusti\u00e7as epist\u00eamicas de diversos tipos, seja por excesso de credibilidade conferido ao testemunho dos policiais, seja a injusti\u00e7a epist\u00eamica cometida contra o r\u00e9u, ao lhe conferir credibilidade justamente quando menos teve oportunidade de atuar como sujeito de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 preciso reconhecer que, <strong>se se pretende aproveitar a palavra do policial, imp\u00f5e-se a exig\u00eancia de respaldo probat\u00f3rio que v\u00e1 al\u00e9m do sil\u00eancio do investigado ou r\u00e9u<\/strong>. O sil\u00eancio n\u00e3o descredibiliza o imputado e n\u00e3o autoriza que magistrados concedam autom\u00e1tica presun\u00e7\u00e3o de veracidade \u00e0s vers\u00f5es sustentadas por policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ante a manifesta escassez probat\u00f3ria que &#8211; em viola\u00e7\u00e3o ao art. 186 do CPP &#8211; se extraiu do sil\u00eancio do acusado infer\u00eancias que a lei n\u00e3o autoriza extrair, imp\u00f5e-se reconhecer que o&nbsp;<em>standard<\/em>&nbsp;probat\u00f3rio pr\u00f3prio do processo penal, para a condena\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi superado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-3-resultado-final\"><a>24.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio do direito ao sil\u00eancio n\u00e3o pode servir de fundamento para descredibilizar o acusado nem para presumir a veracidade das vers\u00f5es sustentadas por policiais, sendo imprescind\u00edvel a supera\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>standard<\/em>&nbsp;probat\u00f3rio pr\u00f3prio do processo penal a respald\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-a-postura-de-abandonar-o-plenario-do-juri-como-tatica-de-defesa-e-aplicacao-de-multa\"><a><\/a><a>25.&nbsp; A postura de abandonar o plen\u00e1rio do J\u00fari, como t\u00e1tica de defesa e aplica\u00e7\u00e3o de multa.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A postura de abandonar o plen\u00e1rio do J\u00fari, como t\u00e1tica de defesa, configura flagrante desrespeito ao m\u00fanus p\u00fablico conferido ao advogado, o que justifica a aplica\u00e7\u00e3o da multa prevista no art. 265 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no RMS 63.152-SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 14\/3\/2023. (Info 769)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>25.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em um julgamento pelo Tribunal do J\u00fari, a defesa do autor resolveu abandonar o plen\u00e1rio, como t\u00e1tica de defesa, ap\u00f3s a leitura de uma pe\u00e7a pela acusa\u00e7\u00e3o. Fora ent\u00e3o aplicada a multa do art. 265 do CPP aos defensores, que, contrariados, ajuizaram a\u00e7\u00e3o com o objetivo de serem desobrigados ao pagamento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>25.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-1-questao-juridica\"><a>25.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 265.&nbsp; O defensor n\u00e3o poder\u00e1 abandonar o processo sen\u00e3o por motivo imperioso, comunicado previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem) sal\u00e1rios m\u00ednimos, sem preju\u00edzo das demais san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-2-justificada-a-aplicacao-da-multa\"><a>25.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Justificada a aplica\u00e7\u00e3o da multa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Mais do que justificada!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 consolidada a jurisprud\u00eancia do STJ no sentido que &#8220;<strong>o n\u00e3o comparecimento de advogado a audi\u00eancia sem apresentar pr\u00e9via ou posterior justificativa plaus\u00edvel para sua aus\u00eancia, pode ser qualificado como abandono de causa que autoriza a imposi\u00e7\u00e3o da multa prevista no art. 265 do CPP<\/strong>&#8221; (AgRg no RMS n. 55.414\/SP, Quinta Turma, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, DJe de 1\u00ba\/7\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a defesa abandonou a sess\u00e3o plen\u00e1ria, inconformada com a leitura de uma pe\u00e7a pela acusa\u00e7\u00e3o, como t\u00e1tica de defesa. Contudo, como observado pelo ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, &#8220;<strong>abandonar um processo em curso, por mero inconformismo com o decidido em plen\u00e1rio, \u00e9 t\u00e1tica processual que afronta a Justi\u00e7a, notadamente quando se trata de uma sess\u00e3o do Tribunal do J\u00fari, cuja prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 consideravelmente dispendiosa, inclusive em termos financeiros para o Estado<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, fundamentos invocados pela Corte de origem motivam a manuten\u00e7\u00e3o da multa aplicada, pois &#8220;segundo o art. 265 do CPP, o defensor n\u00e3o pode abandonar o processo, sen\u00e3o por motivo imperioso, sob pena de multa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>Ora, \u201cn\u00e3o h\u00e1 que se falar em motivo imperioso quando o advogado, ao inv\u00e9s de buscar a reforma da decis\u00e3o\/anula\u00e7\u00e3o do julgamento, pela via processual adequada, simplesmente abandona o plen\u00e1rio, obstando a continuidade da Sess\u00e3o. Assim, nos termos do art. 265 do CPP, aplicam-se aos defensores, solidariamente, multa no valor de 50 (cinquenta) sal\u00e1rios-m\u00ednimos, considerando, como par\u00e2metro, o custo para realiza\u00e7\u00e3o de uma sess\u00e3o de julgamento do Tribunal do J\u00fari&#8221;.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-3-resultado-final\"><a>25.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A postura de abandonar o plen\u00e1rio do J\u00fari, como t\u00e1tica de defesa, configura flagrante desrespeito ao m\u00fanus p\u00fablico conferido ao advogado, o que justifica a aplica\u00e7\u00e3o da multa prevista no art. 265 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-b1c88f86-b630-497f-bedb-eed24182426d\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/08091512\/stj-revisao-ii-2023-1-1.pdf\">stj-revisao-ii-2023-1-1<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/08091512\/stj-revisao-ii-2023-1-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-b1c88f86-b630-497f-bedb-eed24182426d\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! 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