{"id":1258216,"date":"2023-08-01T08:22:40","date_gmt":"2023-08-01T11:22:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1258216"},"modified":"2023-08-01T08:51:05","modified_gmt":"2023-08-01T11:51:05","slug":"revisao-stj-parte-1-2023-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/revisao-stj-parte-1-2023-1\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o STJ (Parte 1) 2023.1"},"content":{"rendered":"\n<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! Bora revisar o que de mais importante o Tribunal da Cidadania decidiu no primeiro semestre de 2023. Nessa Parte 1 da nossa revis\u00e3o temos Direito Administrativo, Direito Civil e Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/01085051\/stj-revisao-i-2023-1-1.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_UrnAn6w2w5Q\"><div id=\"lyte_UrnAn6w2w5Q\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/UrnAn6w2w5Q\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/UrnAn6w2w5Q\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/UrnAn6w2w5Q\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-im-possibilidade-de-aposentadoria-pelo-rpps-dos-servidores-que-reunem-as-condicoes-mesmo-que-seu-vinculo-com-a-administracao-tenha-cessado-antes-do-pedido-de-aposentadoria\"><a><\/a><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de aposentadoria pelo RPPS dos servidores que re\u00fanem as condi\u00e7\u00f5es, mesmo que seu v\u00ednculo com a Administra\u00e7\u00e3o tenha cessado antes do pedido de aposentadoria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os servidores que re\u00fanem as condi\u00e7\u00f5es, sob a \u00e9gide do regime anterior (3\u00ba da EC 20\/1998) podem se aposentar, mesmo que seu v\u00ednculo com a Administra\u00e7\u00e3o tenha cessado antes do pedido de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 61.411-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 769)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo ocupou cargo em comiss\u00e3o por um per\u00edodo antes da EC 20\/1998. Enquanto trabalhava no cargo, reuniu as condi\u00e7\u00f5es para aposentadoria no RPPS, visto que \u00e0 \u00e9poca havia esta possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco antes da vig\u00eancia da EC em quest\u00e3o, o v\u00ednculo foi cessado. Ainda assim, Creosvaldo requereu a concess\u00e3o do benef\u00edcio, o que foi inicialmente negado. Inconformado, impetrou mandado de seguran\u00e7a alegando ter direito adquirido.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXXVI &#8211; a lei n\u00e3o prejudicar\u00e1 o direito adquirido, o ato jur\u00eddico perfeito e a coisa julgada;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 40. O regime pr\u00f3prio de previd\u00eancia social dos servidores titulares de cargos efetivos ter\u00e1 car\u00e1ter contributivo e solid\u00e1rio, mediante contribui\u00e7\u00e3o do respectivo ente federativo, de servidores ativos, de aposentados e de pensionistas, observados crit\u00e9rios que preservem o equil\u00edbrio financeiro e atuarial.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 13. Aplica-se ao agente p\u00fablico ocupante, exclusivamente, de cargo em comiss\u00e3o declarado em lei de livre nomea\u00e7\u00e3o e exonera\u00e7\u00e3o, de outro cargo tempor\u00e1rio, inclusive mandato eletivo, ou de emprego p\u00fablico, o Regime Geral de Previd\u00eancia Social.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-possivel-a-concessao-da-aposentadoria\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a concess\u00e3o da aposentadoria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a edi\u00e7\u00e3o da Emenda Constitucional n. 20\/1998, aqueles que ocupavam cargos comissionados poderiam ser aposentar pelo regime pr\u00f3prio; posteriormente, contudo, passaram a se sujeitar ao Regime Geral de Previd\u00eancia Social &#8211; RGPS, a teor do disposto no art. 40, \u00a7 13, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ manifesta a compreens\u00e3o de que o art. 3\u00ba da EC n. 20\/1998 &#8220;<strong>preservou os direitos daqueles servidores que reuniram as condi\u00e7\u00f5es de aposentadoria, sob a \u00e9gide do ordenamento jur\u00eddico que estava sob modifica\u00e7\u00e3o constitucional<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o do referido artigo: a) assegurou o direito adquirido daqueles que, ao tempo da mudan\u00e7a, j\u00e1 teriam preenchido os requisitos para se aposentar \u00e0 luz do regime jur\u00eddico anterior; b) estabeleceu que a aposentadoria poderia ser concedida a qualquer tempo; e c) <strong>em momento algum criou a condi\u00e7\u00e3o de que o pedido de aposenta\u00e7\u00e3o deveria ser apresentado quando o servidor ainda estivesse na ativa e vinculado ao cargo para o qual pretendia se jubilar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 irrelevante a informa\u00e7\u00e3o de que o servidor teve cessado seu v\u00ednculo com a Administra\u00e7\u00e3o antes do pedido de aposentadoria, sob pena de viola\u00e7\u00e3o, a um s\u00f3 tempo, o art. 5\u00ba, XXXVI, da CF e 3\u00ba da EC n. 20\/1998.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os servidores que re\u00fanem as condi\u00e7\u00f5es, sob a \u00e9gide do regime anterior (3\u00ba da EC 20\/1998) podem se aposentar, mesmo que seu v\u00ednculo com a Administra\u00e7\u00e3o tenha cessado antes do pedido de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-retroatividade-de-lei-mais-benefica-em-sancoes-administrativas\"><a><\/a><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Retroatividade de lei mais ben\u00e9fica em san\u00e7\u00f5es administrativas.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 5\u00ba, XL, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica prev\u00ea a possibilidade de retroatividade da lei penal, sendo cab\u00edvel extrair-se do dispositivo constitucional princ\u00edpio impl\u00edcito do Direito Sancionat\u00f3rio, segundo o qual a lei mais ben\u00e9fica retroage no caso de san\u00e7\u00f5es menos graves, como a administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 2.024.133-ES, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/3\/2023, DJe 16\/3\/2023. (Info 769)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A ANTT aplicou uma pena \u00e0 Transportadora Horse. Ocorre que, posteriormente, a conduta que motivou a aplica\u00e7\u00e3o da pena teve seu dispositivo legal alterado para prever uma pena mais branda.<\/p>\n\n\n\n<p>A transportadora ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo o abrandamento da pena conforme a nova lei, tese da qual discorda a ANTT, que sustenta a aplica\u00e7\u00e3o conforme a lei da \u00e9poca em que houve a infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XL &#8211; a lei penal n\u00e3o retroagir\u00e1, salvo para beneficiar o r\u00e9u;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-possivel-a-retroatividade\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a retroatividade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel extrair do art. 5\u00ba, XL, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal princ\u00edpio impl\u00edcito do Direito Sancionat\u00f3rio, qual seja: a lei mais ben\u00e9fica retroage<\/strong>. Isso porque, se at\u00e9 no caso de san\u00e7\u00e3o penal, que \u00e9 a mais grave das puni\u00e7\u00f5es, a Lei Maior determina a retroa\u00e7\u00e3o da lei mais ben\u00e9fica, com raz\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a retroatividade da lei no caso de san\u00e7\u00f5es menos graves, como a administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha: [&#8230;] &#8220;<strong>O art. 5\u00ba, XL, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica prev\u00ea a possibilidade de retroatividade da lei penal, sendo cab\u00edvel extrair-se do dispositivo constitucional princ\u00edpio impl\u00edcito do Direito Sancionat\u00f3rio, segundo o qual a lei mais ben\u00e9fica retroage no caso de san\u00e7\u00f5es menos graves, como a administrativa<\/strong>.&#8221; (AgInt no REsp 1.602.122\/RS, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 7\/8\/2018, DJe de 14\/8\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 5\u00ba, XL, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica prev\u00ea a possibilidade de retroatividade da lei penal, sendo cab\u00edvel extrair-se do dispositivo constitucional princ\u00edpio impl\u00edcito do Direito Sancionat\u00f3rio, segundo o qual a lei mais ben\u00e9fica retroage no caso de san\u00e7\u00f5es menos graves, como a administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-supervisao-de-investigacao-contra-detentor-de-prerrogativa-de-foro-no-ambito-de-inqueritos-civis-e-acoes-de-improbidade-administrativa-e-usurpacao-de-competencia-do-tribunal-de-justica\"><a><\/a><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Supervis\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o contra detentor de prerrogativa de foro no \u00e2mbito de inqu\u00e9ritos civis e a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa e usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local quanto \u00e0 supervis\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o contra detentor de prerrogativa de foro no \u00e2mbito de inqu\u00e9ritos civis e a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/4\/2023, DJe 27\/4\/2023. (Info 774)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica-1\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Membro do MP instaurou Procedimento Preparat\u00f3rio para apurar irregularidades configuradoras de improbidade administrativa supostamente cometidas pelo prefeito local. Expirado o prazo de vig\u00eancia do referido procedimento, este foi convertido em Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O prefeito acusado afirma que a den\u00fancia que culminou em sua condena\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica do delito previsto no art. 89 da Lei n. 8.666\/1993 foi oferecida sem pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial (IP) ou de procedimento investigat\u00f3rio criminal (PIC), tendo sido instru\u00edda com a c\u00f3pia do referido Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico, em uma manobra processual para se usurpar a compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local na supervis\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es, em viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do juiz natural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica-1\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-houve-usurpacao-da-competencia-do-tj\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Houve usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do TJ?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se houve usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local ao n\u00e3o determinar a instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial (ou procedimento de investiga\u00e7\u00e3o criminal) em investiga\u00e7\u00e3o para apurar suposto ato de improbidade administrativa praticado por prefeito &#8211; detentor de prerrogativa de foro.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o representante ministerial instaurou Procedimento Preparat\u00f3rio para apurar irregularidades configuradoras de improbidade administrativa. Expirado o prazo de vig\u00eancia do referido procedimento, este foi convertido em Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o acusado reafirma que a den\u00fancia que culminou em sua condena\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica do delito previsto no art. 89 da Lei n. 8.666\/1993 foi oferecida sem pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial (IP) ou de procedimento investigat\u00f3rio criminal (PIC), tendo sido instru\u00edda com a c\u00f3pia do referido Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico, em uma manobra processual para se usurpar a compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local na supervis\u00e3o das investiga\u00e7\u00f5es, em viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do juiz natural.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, a inicial acusat\u00f3ria, que deu origem \u00e0 A\u00e7\u00e3o Penal, n\u00e3o foi precedida de pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o de IP ou de PIC. Apoiou-se em elementos extra\u00eddos no Inqu\u00e9rito Civil P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese as raz\u00f5es do acusado, \u00e9 plenamente leg\u00edtimo &#8220;o oferecimento de den\u00fancia com esc\u00f3lio em inqu\u00e9rito civil p\u00fablico&#8221; (APn 527\/MT, relatora Ministra Eliana Calmon, Corte Especial, julgado em 6\/3\/2013, DJe de 17\/4\/2013), n\u00e3o sendo o inqu\u00e9rito policial ou o procedimento investigativo criminal pressuposto necess\u00e1rio \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>embora o investigado exercesse cargo com foro privilegiado, n\u00e3o havia nenhum ato de investiga\u00e7\u00e3o criminal iniciado na origem, mas apenas o inqu\u00e9rito de natureza civil<\/strong>. N\u00e3o havendo que se falar, at\u00e9 aquele momento, em usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local quanto \u00e0 supervis\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o, uma vez que &#8220;n\u00e3o existe foro privilegiado por prerrogativa de fun\u00e7\u00e3o para o processamento e julgamento da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica de improbidade administrativa&#8221; (AgRg na AIA 32\/AM, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Corte Especial, DJe 13\/5\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-resultado-final\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia do Tribunal de Justi\u00e7a local quanto \u00e0 supervis\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o contra detentor de prerrogativa de foro no \u00e2mbito de inqu\u00e9ritos civis e a\u00e7\u00f5es de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-tema-1199-stf-e-interpretacao-restritiva-as-hipoteses-de-aplicacao-retroativa-da-lei-n-14-230-2021\"><a><\/a><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tema 1199\/STF e interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230\/2021<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o ao Tema 1199\/STF, deve-se conferir interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230\/2021, adstringindo-se aos atos \u00edmprobos culposos n\u00e3o transitados em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.877.917-RS, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 23\/5\/2023. (Info 776)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton respondia a um processo por improbidade administrativa quando passaram a viger as altera\u00e7\u00f5es promovidas pela Lei n. 14.230\/2021. Como o processo estava pendente de julgamento de recurso, a defesa requereu a aplica\u00e7\u00e3o retroativa das normas que considerava mais ben\u00e9ficas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/88:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXXVI &#8211; a lei n\u00e3o prejudicar\u00e1 o direito adquirido, o ato jur\u00eddico perfeito e a coisa julgada<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-aplica-retroativamente\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplica retroativamente<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a respeito da possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230\/2021 na hip\u00f3tese de recurso que n\u00e3o ultrapassou o ju\u00edzo de admissibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, em 18 de agosto de 2022, concluiu o julgamento do ARE 843.989 (Tema 1.199), DJe 12\/12\/2022, Rel. Ministro Alexandre de Moraes, relativo \u00e0 controv\u00e9rsia acerca da defini\u00e7\u00e3o de eventual (ir)retroatividade das disposi\u00e7\u00f5es da referida Lei n. 14.230\/2021, em especial, acerca da necessidade da presen\u00e7a do elemento subjetivo dolo para a configura\u00e7\u00e3o do ato \u00edmprobo, inclusive no art. 10 da LIA, e da aplica\u00e7\u00e3o dos novos prazos de prescri\u00e7\u00e3o geral e intercorrente, fixando as seguintes teses: 1) \u00c9 necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de responsabilidade subjetiva para a tipifica\u00e7\u00e3o dos atos de improbidade administrativa, exigindo-se &#8211; nos artigos 9\u00ba, 10 e 11 da LIA &#8211; a presen\u00e7a do elemento subjetivo &#8211; dolo; 2) A norma ben\u00e9fica da Lei n. 14.230\/2021 &#8211; revoga\u00e7\u00e3o da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa -, \u00e9 irretroativa, em virtude do artigo 5\u00ba, inciso XXXVI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, n\u00e3o tendo incid\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 efic\u00e1cia da coisa julgada; tampouco durante o processo de execu\u00e7\u00e3o das penas e seus incidentes; 3) A nova Lei n. 14.230\/2021 aplica-se aos atos de improbidade administrativa culposos praticados na vig\u00eancia do texto anterior da lei, por\u00e9m sem condena\u00e7\u00e3o transitada em julgado, em virtude da revoga\u00e7\u00e3o expressa do texto anterior; devendo o ju\u00edzo competente analisar eventual dolo por parte do agente; 4) O novo regime prescricional previsto na Lei n. 14.230\/2021 \u00e9 irretroativo, aplicando-se os novos marcos temporais a partir da publica\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos pedidos de aplica\u00e7\u00e3o da Lei n. 14.230\/2021 a recursos que n\u00e3o ultrapassaram o ju\u00edzo de admissibilidade, <strong>a Segunda Turma do STJ<\/strong>, no julgamento dos EDcl nos EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp 1.706.946\/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, realizado em 22\/11\/2022, <strong>flexibilizou o seu entendimento ao decidir pela possibilidade de retroa\u00e7\u00e3o da aludida Lei a ato \u00edmprobo culposo n\u00e3o transitado em julgado, ainda que n\u00e3o conhecido o recurso, por for\u00e7a do&nbsp;Tema 1.199\/STF.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente, <strong>a Primeira Turma do STJ, por maioria<\/strong>, no julgamento do AREsp 2.031.414\/MG, Rel. Ministro Gurgel de Faria, realizado em 9\/5\/2023, o qual discutia a aplicabilidade dos \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba do art. 21 da Lei n. 8.429\/1992, introduzidos pela Lei n. 14.230\/2021, aos processos de improbidade administrativa em curso, seguindo a diverg\u00eancia apresentada pela Ministra Regina Helena Costa, <strong>firmou orienta\u00e7\u00e3o no sentido de conferir interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230\/2021, se aplicando apenas aos atos \u00edmprobos culposos n\u00e3o transitados em julgado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o ao Tema 1199\/STF, deve-se conferir interpreta\u00e7\u00e3o restritiva \u00e0s hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 14.230\/2021, adstringindo-se aos atos \u00edmprobos culposos n\u00e3o transitados em julgado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-dupla-responsabilizacao-dos-agentes-politicos-municipais\"><a><\/a><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dupla responsabiliza\u00e7\u00e3o dos agentes pol\u00edticos municipais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os agentes pol\u00edticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa, sem preju\u00edzo da responsabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e criminal estabelecida no DL n. 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.031.414-MG, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/6\/2023. (Info 779)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O ex-prefeito de um munic\u00edpio foi condenado a ressarcir os cofres p\u00fablicos quantia indevidamente recebida a t\u00edtulo de despesas de viagens. Inconformado, interp\u00f4s recurso no qual sustenta a nulidade do processo em raz\u00e3o de que as contas dos respectivos exerc\u00edcios em que cumpriu o mandato foram aprovadas pela C\u00e2mara Municipal. Alegou tamb\u00e9m a impossibilidade de responder pelos mesmos atos diante da LIA e do DL 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-esta-submetido-as-duas-responsabilizacoes\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Est\u00e1 submetido \u00e0s duas responsabiliza\u00e7\u00f5es?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo entendimento pac\u00edfico do STJ, os agentes pol\u00edticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa, sem preju\u00edzo da responsabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e criminal estabelecida no DL n. 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, confira-se: [&#8230;] 2. <strong>A orienta\u00e7\u00e3o desta Corte Superior firmou-se no sentido de que os Prefeitos Municipais, apesar do regime de responsabilidade pol\u00edtico-administrativa previsto no Decreto-Lei 201\/67, est\u00e3o submetidos \u00e0 Lei de Improbidade Administrativa, em face da inexist\u00eancia de incompatibilidade entre as referidas normas.<\/strong> [&#8230;] (AgRg no REsp n. 1.425.191\/CE, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 16\/3\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito do tema, a Suprema Corte, em 13\/9\/2019, quando do julgamento do Tema 576, submetido ao regime de repercuss\u00e3o geral, firmou a tese de que <strong>o processo e o julgamento de prefeito municipal por crime de responsabilidade (Decreto-lei 201\/1967) n\u00e3o impedem sua responsabiliza\u00e7\u00e3o por atos de improbidade administrativa previstos na Lei n. 8.429\/1992, em virtude da autonomia das inst\u00e2ncias<\/strong> (RE n. 976.566\/PA, rel. Ministro Alexandre De Moraes, Plen\u00e1rio, DJe 25\/9\/2019).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-resultado-final\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os agentes pol\u00edticos municipais se submetem aos ditames da Lei de Improbidade Administrativa, sem preju\u00edzo da responsabiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e criminal estabelecida no DL n. 201\/1967.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-dever-de-indenizacao-no-caso-de-contrato-verbal-e-sem-licitacao-quando-da-efetiva-prestacao-por-terceiros\"><a><\/a><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dever de indeniza\u00e7\u00e3o n<\/a>o caso de contrato verbal e sem licita\u00e7\u00e3o quando da efetiva presta\u00e7\u00e3o por terceiros<\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de contrato verbal e sem licita\u00e7\u00e3o, o ente p\u00fablico tem o dever de indenizar, desde que provada a exist\u00eancia de subcontrata\u00e7\u00e3o, a efetiva presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, ainda que por terceiros, e que tais servi\u00e7os se reverteram em benef\u00edcio da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.045.450-RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 20\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Munic\u00edpio de Pagonada realizou um contrato verbal com Terra Plana Terraplanagem para a realiza\u00e7\u00e3o de um pequeno servi\u00e7o. Ocorre que Terra Plana optou por subcontratar a empresa Terrax, que efetivamente realizou o servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da falta de autoriza\u00e7\u00e3o para subcontrata\u00e7\u00e3o, Pagonada negou o pagamento combinado e alega que &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; a alegada contrata\u00e7\u00e3o verbal seria nula e n\u00e3o produziria nenhum efeito, sendo a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica pautada pela legalidade e pela publicidade, n\u00e3o se submetendo a contrata\u00e7\u00f5es n\u00e3o formalizadas em instrumentos escritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Terrax sustenta ser devido o pagamento pelos servi\u00e7os devidamente prestados, ainda que ausente autoriza\u00e7\u00e3o escrita para subcontrata\u00e7\u00e3o, sob pena de indevido enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.666\/1993:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;59.&nbsp;&nbsp;A declara\u00e7\u00e3o de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente impedindo os efeitos jur\u00eddicos que ele, ordinariamente, deveria produzir, al\u00e9m de desconstituir os j\u00e1 produzidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo&nbsp;\u00fanico.&nbsp;&nbsp;A nulidade n\u00e3o exonera a Administra\u00e7\u00e3o do dever de indenizar o contratado pelo que este houver executado at\u00e9 a data em que ela for declarada e por outros preju\u00edzos regularmente comprovados, contanto que n\u00e3o lhe seja imput\u00e1vel, promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-pague-se\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pague-se?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se \u00e9 devida ou n\u00e3o a indeniza\u00e7\u00e3o pelos servi\u00e7os executados, bem como pelos subcontratados, ambos sem observ\u00e2ncia da Lei n. 8.666\/1993 (vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos).<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 no sentido de que, mesmo que seja nulo o contrato realizado com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, por aus\u00eancia de pr\u00e9via licita\u00e7\u00e3o, \u00e9 devido o pagamento pelos servi\u00e7os prestados, desde que comprovados, nos termos do art. 59, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.666\/1993, sob pena de enriquecimento il\u00edcito da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ reconhece, ademais, que, ainda que ausente a boa f\u00e9 do contratado e que tenha ele concorrido para nulidade, \u00e9 devida a indeniza\u00e7\u00e3o pelo custo b\u00e1sico do servi\u00e7o, sem margem alguma de lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>a inexist\u00eancia de autoriza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o para subcontrata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 suficiente para afastar o dever de indenizar, no caso, porque a pr\u00f3pria contrata\u00e7\u00e3o foi irregular, haja vista que n\u00e3o houve licita\u00e7\u00e3o e o contrato foi verbal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de contrato verbal e sem licita\u00e7\u00e3o, o ente p\u00fablico tem o dever de indenizar, desde que provada a exist\u00eancia de subcontrata\u00e7\u00e3o, a efetiva presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, ainda que por terceiros, e que tais servi\u00e7os se reverteram em benef\u00edcio da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-im-possibilidade-da-a-genitora-na-condicao-de-representante-legal-se-sub-rogar-nos-direitos-da-credora-menor-sobre-a-prestacao-referente-a-alimentos-in-natura-que-aquela-pagou-em-virtude-da-inadimplencia-do-genitor-executado\"><a><\/a><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade da a genitora, na condi\u00e7\u00e3o de representante legal, se sub-rogar nos direitos da credora, menor, sobre a presta\u00e7\u00e3o referente a alimentos in natura que aquela pagou em virtude da inadimpl\u00eancia do genitor\/executado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na execu\u00e7\u00e3o de alimentos, n\u00e3o pode a genitora, na condi\u00e7\u00e3o de representante legal, se sub-rogar nos direitos da credora, menor, sobre a presta\u00e7\u00e3o referente a alimentos in natura que aquela pagou em virtude da inadimpl\u00eancia do genitor\/executado, devendo ajuizar a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/2\/2023, DJe 9\/2\/2023. (Info 763)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o de alimentos, Craudete, m\u00e3e de Creide, pagou as refei\u00e7\u00f5es e alimentos in natura na escola e necess\u00e1rios ao sustento da menor em raz\u00e3o do inadimplemento do genitor e executado Creiton. Em raz\u00e3o disso, requereu a sub-roga\u00e7\u00e3o nos valores a receber da filha.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 346. A sub-roga\u00e7\u00e3o opera-se, de pleno direito, em favor:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; do credor que paga a d\u00edvida do devedor comum;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; do adquirente do im\u00f3vel hipotecado, que paga a credor hipotec\u00e1rio, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para n\u00e3o ser privado de direito sobre im\u00f3vel;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; do terceiro interessado, que paga a d\u00edvida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-possivel-a-sub-rogacao\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a sub-roga\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se se h\u00e1 ilegalidade flagrante ou teratologia em decis\u00e3o que decretou a pris\u00e3o civil de genitor, por n\u00e3o ter adimplido integralmente sua obriga\u00e7\u00e3o alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a representante legal da infante pagou suas refei\u00e7\u00f5es em determinado per\u00edodo, obriga\u00e7\u00e3o descumprida pelo executado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz da jurisprud\u00eancia do STJ, a genitora, mesmo na condi\u00e7\u00e3o de representante legal, na presente execu\u00e7\u00e3o por via reflexa, n\u00e3o poderia se sub-rogar nos direitos da credora dos alimentos, cujo direito \u00e9 PESSOAL e INTRANSFER\u00cdVEL, n\u00e3o obstante o genitor tenha descumprido a obriga\u00e7\u00e3o alimentar, contida no t\u00edtulo executivo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seria necess\u00e1rio, com efeito, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o de conhecimento AUT\u00d4NOMA<\/strong>, para que ela venha a obter o reembolso da referida despesa efetuada (adiantada) no per\u00edodo, porque n\u00e3o h\u00e1 que se falar em sub-roga\u00e7\u00e3o legal na hip\u00f3tese em comento, diante da aus\u00eancia das hip\u00f3teses do art. 346 do CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, deve-se afastar o decreto de pris\u00e3o civil do genitor, especificamente em rela\u00e7\u00e3o aos referidos alimentos&nbsp;<em>in natura<\/em>, que foram pagos pela genitora da credora (como medida de prote\u00e7\u00e3o para a filha menor, que n\u00e3o poderia ficar sem refei\u00e7\u00e3o na escola), que devem ser objeto de a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a pr\u00f3pria, sob o crivo do contradit\u00f3rio, n\u00e3o podendo ser realizada na presente execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na execu\u00e7\u00e3o de alimentos, n\u00e3o pode a genitora, na condi\u00e7\u00e3o de representante legal, se sub-rogar nos direitos da credora, menor, sobre a presta\u00e7\u00e3o referente a alimentos in natura que aquela pagou em virtude da inadimpl\u00eancia do genitor\/executado, devendo ajuizar a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-im-possibilidade-da-conversao-da-prisao-civil-em-regime-fechado-em-virtude-de-divida-de-natureza-alimentar-para-regime-domiciliar-quando-a-devedora-de-alimentos-for-responsavel-pela-guarda-de-outro-filho-de-ate-12-anos-de-idade\"><a><\/a><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade da convers\u00e3o da pris\u00e3o civil em regime fechado, em virtude de d\u00edvida de natureza alimentar, para regime domiciliar quando a devedora de alimentos for respons\u00e1vel pela guarda de outro filho de at\u00e9 12 anos de idade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a convers\u00e3o da pris\u00e3o civil em regime fechado, em virtude de d\u00edvida de natureza alimentar, para regime domiciliar quando a devedora de alimentos for respons\u00e1vel pela guarda de outro filho de at\u00e9 12 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/2\/2023. (Info 763)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudinha foi presa e cumpria pena em regime fechado em raz\u00e3o do inadimplemento de presta\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias devidas. Ocorre que ela tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e de Lurdinha, atualmente com 08 anos de idade, sendo tamb\u00e9m a \u00fanica respons\u00e1vel pela menina. Em raz\u00e3o disso, sua defesa requereu a convers\u00e3o do regime fechado para o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 318.&nbsp; Poder\u00e1 o juiz substituir a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar quando o agente for:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; mulher com filho de at\u00e9 12 (doze) anos de idade incompletos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-aplica-se-o-art-318-v-do-cpp-prisao-alimenticia\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplica-se o art. 318, V, do CPP pris\u00e3o aliment\u00edcia<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a pris\u00e3o civil da devedora de alimentos pode ser convertida, do regime fechado para o domiciliar, na hip\u00f3tese em que tenha ela filho de at\u00e9 12 anos de idade, aplicando-se, por analogia, o art. 318, V, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao ponto, \u00e9 importante destacar, inicialmente, que se trata de regra introduzida \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o processual penal por for\u00e7a da Lei n\u00ba 13.257\/2016, que &#8220;Disp\u00f5e sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas para a primeira inf\u00e2ncia&#8221;. Em raz\u00e3o dessa lei, foram alteradas in\u00fameras disposi\u00e7\u00f5es do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O art. 318, V, do C\u00f3digo de Processo Penal, que se pretende seja aplicado por analogia \u00e0 hip\u00f3tese do devedor de alimentos<\/strong>, n\u00e3o \u00e9 uma regra isoladamente criada com o fim espec\u00edfico de atender ao direito processual penal, mas, ao rev\u00e9s, <strong>comp\u00f5e um conjunto de regras destinadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica p\u00fablica de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira inf\u00e2ncia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das faces dessa ampla pol\u00edtica p\u00fablica diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre os pais em situa\u00e7\u00e3o de c\u00e1rcere e os seus filhos, especialmente aqueles que ainda est\u00e3o nos primeiros anos de vida, diante da necessidade do desenvolvimento infantil, da personalidade e do ser humano. Pretende-se, com esse conjunto de regras<strong>, minimizar os riscos e diminuir os efeitos naturalmente nocivos<\/strong> que o afastamento parental produz em rela\u00e7\u00e3o aos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratando especificamente da regra do art. 318, V, do C\u00f3digo de Processo Penal, compreende a jurisprud\u00eancia do STJ que &#8220;a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar \u00e0s genitoras de menores de at\u00e9 12 anos incompletos n\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade dos cuidados maternos, que \u00e9 legalmente presumida&#8221;. Nesse sentido: AgRg no HC 731.648\/SC, 5\u00aa Turma, DJe 23\/06\/2022, HC 422.235\/MS, 6\u00aa Turma, DJe 19\/12\/2017 e HC 383.606\/RJ, 6\u00aa Turma, DJe 08\/03\/2018.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, ali\u00e1s, de entendimento que se alinha ao pret\u00e9rito posicionamento do Supremo Tribunal Federal por ocasi\u00e3o do julgamento do HC 143.641\/SP, em que adequadamente se diagnosticou o problema do encarceramento das m\u00e3es e os reflexos nocivos \u00e0 vida dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A presun\u00e7\u00e3o de necessidade de cuidado materno que justifica a pris\u00e3o domiciliar das m\u00e3es de filhos de at\u00e9 12 anos, ali\u00e1s, decorre da pr\u00f3pria observa\u00e7\u00e3o da realidade<\/strong>, em que o encarceramento atinge, sobremaneira, as m\u00e3es solo, \u00fanicas respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o da prole.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, se a finalidade essencial da regra do art. 318, V, do CPP, \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, minimizando-se as chances de ela ser criada no c\u00e1rcere conjuntamente com a m\u00e3e ou colocada em fam\u00edlia substituta ou em acolhimento institucional na aus\u00eancia da m\u00e3e encarcerada, mesmo diante da hip\u00f3tese de poss\u00edvel pr\u00e1tica de um il\u00edcito penal, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para que essa mesma regra n\u00e3o se aplique \u00e0s m\u00e3es encarceradas em virtude de d\u00edvida de natureza alimentar, observada a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o desse entendimento \u00e0s particularidades dessa esp\u00e9cie de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, anote-se que a pris\u00e3o domiciliar prevista no art. 318, V, do CPP, possui natureza de medida cautelar alternativa \u00e0 pris\u00e3o preventiva em regime fechado e tem por finalidade segregar a pessoa do conv\u00edvio social, ao passo que a pris\u00e3o em decorr\u00eancia da d\u00edvida de natureza alimentar possui a natureza de medida coercitiva que tem por finalidade dobrar a renit\u00eancia da devedora e compeli-la a adimplir rapidamente a obriga\u00e7\u00e3o em virtude da necessidade de suprimento das necessidades b\u00e1sicas do exequente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, <strong>n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, na hip\u00f3tese de inadimplemento da d\u00edvida, deve haver a segrega\u00e7\u00e3o da devedora de alimentos, com a finalidade de incomod\u00e1-la a ponto de buscar todos os meios poss\u00edveis de solver a obriga\u00e7\u00e3o, mas essa restri\u00e7\u00e3o ao direito de ir e vir deve ser compatibilizada com a necessidade de obter recursos financeiros aptos n\u00e3o apenas a quitar a d\u00edvida alimentar em rela\u00e7\u00e3o ao exequente, mas tamb\u00e9m suprir as necessidades b\u00e1sicas do filho que se encontra sob a sua guarda<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a convers\u00e3o da pris\u00e3o civil em regime fechado, em virtude de d\u00edvida de natureza alimentar, para regime domiciliar quando a devedora de alimentos for respons\u00e1vel pela guarda de outro filho de at\u00e9 12 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-suspensao-do-cumprimento-de-sentenca-em-virtude-da-ausencia-de-bens-passiveis-de-excussao-por-longo-periodo-de-tempo-sem-diligencia-por-parte-do-credor-e-supressio\"><a><\/a><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor e <em>supressio<\/em><\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor, n\u00e3o configura supressio, de modo que n\u00e3o obsta a flu\u00eancia dos juros e da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.717.144-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o movida pelo Banco Brasa em face de Creosvaldo, o tribunal local entendeu que a ina\u00e7\u00e3o do exequente foi significativa na convic\u00e7\u00e3o de que o direito n\u00e3o mais se exerceria \u2014 isso porque o banco deixou o processo longo tempo parado enquanto n\u00e3o se achavam bens penhor\u00e1veis. Como consequ\u00eancia, o juiz\u00e3o excluiu do montante devido os juros e atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desde o momento da suspens\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o Banco interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando n\u00e3o ser poss\u00edvel a configura\u00e7\u00e3o da <em>supressio<\/em> nas hip\u00f3teses em que, no processo de execu\u00e7\u00e3o, o feito permanece suspenso por longo per\u00edodo de tempo em virtude da falta de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 422. Os contratantes s\u00e3o obrigados a guardar, assim na conclus\u00e3o do contrato, como em sua execu\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios de probidade e boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-configurada-a-supressio\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Configurada a <em>supressio<\/em>?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem, malgrado tenha afastado a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, ou seja, tenha reconhecido que a flu\u00eancia do tempo n\u00e3o extinguira a pretens\u00e3o do exequente, identificou que a ina\u00e7\u00e3o do exequente foi significativa na convic\u00e7\u00e3o de que o direito n\u00e3o mais se exerceria. Como consequ\u00eancia, excluiu do montante devido os juros e atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desde o momento da suspens\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;n\u00e3o se confunde com a extin\u00e7\u00e3o dos direitos, de exig\u00eancia ou formativos, pela prescri\u00e7\u00e3o ou pela decad\u00eancia<\/strong>, embora tais institutos tenham como ponto comum seu fundamento na necessidade de estabiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;consubstancia-se na impossibilidade de se exercer um direito por parte de seu titular em raz\u00e3o de seu n\u00e3o exerc\u00edcio por certo per\u00edodo vari\u00e1vel de tempo e que, em raz\u00e3o dessa omiss\u00e3o, gera da parte contr\u00e1ria uma expectativa leg\u00edtima de que n\u00e3o seria mais exig\u00edvel. Portanto, pelo n\u00e3o exerc\u00edcio do direito pass\u00edvel de ser exercido por um lapso temporal &#8211; n\u00e3o determin\u00e1vel&nbsp;<em>a priori<\/em>&nbsp;&#8211; a outra parte da rela\u00e7\u00e3o obrigacional confia que a situa\u00e7\u00e3o se estabilizou e que n\u00e3o ser\u00e1 compelida a cumpri-la, revelando-se, pois, certo abrandamento do princ\u00edpio&nbsp;<em>pacta sunt servanda<\/em>, n\u00e3o mais tomado no sentido absoluto t\u00edpico de sua formula\u00e7\u00e3o liberal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1, por conseguinte, um deslocamento do eixo meramente temporal e, em decorr\u00eancia, subjetivamente indiferente, para a an\u00e1lise da omiss\u00e3o do credor distendida no tempo e do correlato efeito quanto \u00e0 expectativa do devedor na preserva\u00e7\u00e3o da estabilidade jur\u00eddica<\/strong> gerada por aquele comportamento. A omiss\u00e3o, portanto, ganha relev\u00e2ncia jur\u00eddica ao provocar na outra parte a convic\u00e7\u00e3o de que o direito subjetivo n\u00e3o mais ser\u00e1 exercido.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para a configura\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;e a decorrente perda do direito subjetivo de exig\u00eancia ou formativo, deve-se perquirir, concretamente, acerca da relev\u00e2ncia jur\u00eddica da omiss\u00e3o da parte e de sua repercuss\u00e3o na convic\u00e7\u00e3o da outra parte, confiante de que o direito n\u00e3o ser\u00e1 exercido. Torna-se patente, por conseguinte, que o instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;constitui fragmento do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva, em sua fei\u00e7\u00e3o limitadora de direitos e, por esse motivo, \u00e9 tratado pela doutrina como o exerc\u00edcio inadmiss\u00edvel de direitos. Embora reconhecido pela jurisprud\u00eancia antes mesmo de sua previs\u00e3o normativa, atualmente o princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva tem assento no art. 422 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Contrariamente, na prescri\u00e7\u00e3o &#8211; extin\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o &#8211; e na decad\u00eancia &#8211; extin\u00e7\u00e3o do direito potestativo ou formativo &#8211; n\u00e3o h\u00e1 que se indagar acerca da observ\u00e2ncia da boa-f\u00e9 ou do dever de lealdade ou confian\u00e7a, porquanto seu elemento operativo \u00e9 a simples flu\u00eancia do tempo legalmente determinado. Assim, independentemente da conduta do credor, o mero transcurso do tempo implicar\u00e1 a extin\u00e7\u00e3o do direito de seu titular.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, o desenvolvimento do instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>, como de outros relacionados \u00e0 inadmissibilidade do exerc\u00edcio de direitos, liga-se exatamente ao fen\u00f4meno inflacion\u00e1rio e ao abrandamento do princ\u00edpio do nominalismo, para, com fundamento na boa-f\u00e9 em sua vertente objetiva, interferir no cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso presente, contudo, a&nbsp;<em>supressio&nbsp;<\/em>n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o, porquanto n\u00e3o se permite o reconhecimento de que a suspens\u00e3o do processo de execu\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de bens, tenha incutido no executado a expectativa leg\u00edtima de que n\u00e3o seria mais exercido. Ora, o direito do exequente foi efetivamente exercido ao ajuizar a a\u00e7\u00e3o e ao ser dado in\u00edcio ao cumprimento da senten\u00e7a transitada em julgado. Conquanto determinadas vicissitudes a que est\u00e3o sujeitos os processos judiciais possam implicar delongas em seu desenvolvimento ou mesmo na concretiza\u00e7\u00e3o do direito das partes, tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o podem ser consideradas verdadeiramente significativas, de modo a qualificar uma omiss\u00e3o como relevante para a extin\u00e7\u00e3o do direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos tais, o exequente permanece em uma situa\u00e7\u00e3o de espera, e o elemento significativo para a circunst\u00e2ncia da suspens\u00e3o do processo &#8211; e o protraimento da concretiza\u00e7\u00e3o do direito reconhecido na senten\u00e7a &#8211; n\u00e3o \u00e9 sua omiss\u00e3o, mas a aus\u00eancia de patrim\u00f4nio pass\u00edvel de excuss\u00e3o para o adimplemento da obriga\u00e7\u00e3o. Infere-se, pois, que n\u00e3o se pode caracterizar a relev\u00e2ncia jur\u00eddica da paralisa\u00e7\u00e3o do processo como causa para a extin\u00e7\u00e3o do direito, integral ou parcialmente, pela ocorr\u00eancia da&nbsp;<em>supressio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor, n\u00e3o configura <em>supressio<\/em>, de modo que n\u00e3o obsta a flu\u00eancia dos juros e da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-bem-imovel-adquirido-no-curso-da-demanda-executiva-como-motivo-de-afastamento-da-impenhorabilidade-do-bem-de-familia\"><a><\/a><a>10.&nbsp; Bem im\u00f3vel adquirido no curso da demanda executiva como motivo de afastamento da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O fato de o bem im\u00f3vel ter sido adquirido no curso da demanda executiva n\u00e3o afasta a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no AREsp 2.182.745-BA, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o movida por Cobromesmo em face de Crementina, foi determinada a penhora do im\u00f3vel rec\u00e9m-adquirido por esta. Crementina alegou a impenhorabilidade do bem, tese acatada pelo ju\u00edzo de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Cobromesmo interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que houve viola\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 4\u00ba da Lei 8.009\/90, referente \u00e0 penhora sobre bem de fam\u00edlia, uma vez que o im\u00f3vel fora adquirido pela devedora ap\u00f3s ajuizada a a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de origem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.009\/1990:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba A impenhorabilidade \u00e9 opon\u00edvel em qualquer processo de execu\u00e7\u00e3o civil, fiscal, previdenci\u00e1ria, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; pelo titular do cr\u00e9dito decorrente do financiamento destinado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o ou \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, no limite dos cr\u00e9ditos e acr\u00e9scimos constitu\u00eddos em fun\u00e7\u00e3o do respectivo contrato;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>III \u2013 pelo credor da pens\u00e3o aliment\u00edcia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu copropriet\u00e1rio que, com o devedor, integre uni\u00e3o est\u00e1vel ou conjugal, observadas as hip\u00f3teses em que ambos responder\u00e3o pela d\u00edvida;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; para cobran\u00e7a de impostos, predial ou territorial, taxas e contribui\u00e7\u00f5es devidas em fun\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel familiar;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; para execu\u00e7\u00e3o de hipoteca sobre o im\u00f3vel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; por ter sido adquirido com produto de crime ou para execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria a ressarcimento, indeniza\u00e7\u00e3o ou perdimento de bens.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>VII &#8211; por obriga\u00e7\u00e3o decorrente de fian\u00e7a concedida em contrato de loca\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-o-fato-de-ser-adquirido-apos-o-inicio-da-execucao-afasta-a-impenhorabilidade\"><a>10.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de ser adquirido ap\u00f3s o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o afasta a impenhorabilidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As regras que estabelecem hip\u00f3teses de impenhorabilidade n\u00e3o s\u00e3o absolutas<\/strong>. O art. 3\u00ba da Lei n. 8.009\/1990 prev\u00ea uma s\u00e9rie de EXCE\u00c7\u00d5ES \u00e0 impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel posteriormente \u00e0 d\u00edvida n\u00e3o configura, por si s\u00f3, fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, tampouco afasta prote\u00e7\u00e3o conferida ao bem de fam\u00edlia (REsp 573.018\/PR, relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, julgado em 9\/12\/2003, DJ 14\/6\/2004, p. 235, e REsp 1.792.265\/SP, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 14\/12\/2021, DJe 14\/3\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>A regra de impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia trazida pela Lei n. 8.009\/1990 deve ser examinada \u00e0 luz do princ\u00edpio da BOA F\u00c9 OBJETIVA, que, al\u00e9m de incidir em todas as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, constitui diretriz interpretativa para as normas do sistema jur\u00eddico p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O fato de o bem im\u00f3vel ter sido adquirido no curso da demanda executiva n\u00e3o afasta a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-im-possibilidade-de-responsabilizacao-do-fabricante-de-medicamento-por-reacao-adversa-descrita-na-bula-risco-inerente-ou-intrinseco-a-sua-propria-utilizacao\"><a><\/a><a>11.&nbsp; (Im)Possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o do fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel responsabilizar o fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.402.929-DF, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete ingeriu dois comprimidos com o princ\u00edpio ativo dipirona. Ap\u00f3s alguns dias, come\u00e7ou a passar muito mal e foi internada, ocasi\u00e3o em que foi diagnosticada com a S\u00edndrome de Stevens-Johnson, doen\u00e7a desencadeada pela alergia ao consumo dos comprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do fabricante do medicamento postulando a condena\u00e7\u00e3o deste ao pagamento de danos morais e materiais. Por sua vez, o fabricante alega que tal risco constava na bula, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o deveria ser responsabilizado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-possivel-a-responsabilizacao\"><a>11.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o adversa, por si s\u00f3, n\u00e3o constitui motivo suficiente para configurar a responsabilidade do fabricante do medicamento<\/strong>. Isso porque a teoria do risco da atividade do neg\u00f3cio ou empreendimento adotada no Sistema do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o tem car\u00e1ter absoluto, integral ou irrestrito, na medida em que admite exce\u00e7\u00f5es ou exclus\u00f5es, dado que o dever de indenizar exige requisitos espec\u00edficos, entre os quais o defeito do produto, sem o qual n\u00e3o se configura a responsabilidade civil objetiva do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os medicamentos caracterizam-se como produtos de risco intr\u00ednseco, inerente, nos quais os perigos decorrem da sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o e da finalidade para a qual se destinam<\/strong>, sendo do conhecimento comum que a inocula\u00e7\u00e3o de qualquer rem\u00e9dio, seja por via oral ou injet\u00e1vel, tem potencial para ensejar rea\u00e7\u00f5es adversas, as quais, ainda que sejam suportadas pelo consumidor, n\u00e3o configuram defeito do produto, afastando, em consequ\u00eancia, a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar, desde que a potencialidade e a frequ\u00eancia desses efeitos nocivos estejam descritas na bula, em cumprimento ao dever de informa\u00e7\u00e3o do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A responsabilidade do fornecedor de medicamentos, segundo o sistema adotado pelo C\u00f3digo de Defesa de Consumidor, restringe-se aos casos em que for constatado defeito no produto<\/strong>, seja de concep\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o ou de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o os riscos normais e esperados, assim considerados os decorrentes da pr\u00f3pria nocividade dos efeitos adversos de seus princ\u00edpios ativos, situa\u00e7\u00e3o que se verifica na generalidade dos casos de administra\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conclus\u00e3o n\u00e3o se altera em decorr\u00eancia do medicamento estar inclu\u00eddo entre aqueles que podem ser adquiridos sem necessidade de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, por apresentarem baixo grau de risco em sua ingest\u00e3o, nocividade reduzida, destinarem-se ao tratamento de enfermidades simples e passageiras e n\u00e3o terem potencial de causar depend\u00eancia f\u00edsica ou ps\u00edquica, conforme previsto em regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A dipirona preenche esses requisitos, diante da constata\u00e7\u00e3o de que a possibilidade de rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica \u00e9 ocorr\u00eancia imprevis\u00edvel e de incid\u00eancia remot\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo incontest\u00e1vel a efici\u00eancia da dipirona para os fins a que se destina (analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico), associada ao fato de que a rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica que acometeu a parte autora da a\u00e7\u00e3o, a despeito de grav\u00edssima, est\u00e1 descrita na bula, n\u00e3o decorre propriamente de defeito do f\u00e1rmaco, mas de IMPREVIS\u00cdVEL caracter\u00edstica do sistema imunol\u00f3gico do paciente, <strong>n\u00e3o h\u00e1 que se falar em defeito do produto, pressuposto b\u00e1sico para a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar do fornecedor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-resultado-final\"><a>11.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel responsabilizar o fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-oferta-voluntaria-de-seu-unico-imovel-residencial-em-garantia-a-um-contrato-de-mutuo-e-protecao-do-bem-de-familia\"><a><\/a><a>12.&nbsp; Oferta volunt\u00e1ria de seu \u00fanico im\u00f3vel residencial em garantia a um contrato de m\u00fatuo e prote\u00e7\u00e3o do bem de fam\u00edlia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A oferta volunt\u00e1ria de seu \u00fanico im\u00f3vel residencial em garantia a um contrato de m\u00fatuo, favorecedor de pessoa jur\u00eddica em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, n\u00e3o conta com a prote\u00e7\u00e3o irrestrita do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.559.348-DF, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 24\/5\/2023. (Info 776)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda firmou um contrato de m\u00fatuo com o Banco Cobromesmo. Assess\u00f3ria ao contrato, foi lan\u00e7ada uma c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, assegurada por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria em garantia do \u00fanico im\u00f3vel de Creosvalda.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto o empr\u00e9stimo n\u00e3o foi pago, o banco ajuizou execu\u00e7\u00e3o cobrando os valores. Creosvalda contra-atacou com uma a\u00e7\u00e3o cautelar na qual alega a nulidade da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria e das cl\u00e1usulas contratuais relacionadas a essa garantia. Tratar-se-ia de bem de fam\u00edlia e os valores obtidos com o empr\u00e9stimo n\u00e3o teriam sido revertidos em favor do im\u00f3vel ou em favor da unidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-protecao-irrestrita-do-bem-de-familia\"><a>12.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prote\u00e7\u00e3o irrestrita do bem de fam\u00edlia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>N\u00e3o \u00e9 bem assim!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia quando ocorrer a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de im\u00f3vel em opera\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimo banc\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Rememora-se que o bem de fam\u00edlia e sua impenhorabilidade s\u00e3o regidos pela Lei n. 8.000\/1990 (art. 1\u00ba). <strong>O instituto visa assegurar ao indiv\u00edduo um patrim\u00f4nio m\u00ednimo, sendo tamb\u00e9m, express\u00e3o do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana,<\/strong> consagrado no art. 1\u00b0, III, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Antes do advento da Lei n. 9.514\/1997 (que criou o Sistema Financeiro Imobili\u00e1rio e regulou o instituto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de im\u00f3vel), a principal garantia dos financiamentos envolvendo bens im\u00f3veis era a hipoteca. Por tal raz\u00e3o, a Lei n. 8.009\/1990 somente disp\u00f4s sobre a hipoteca, prevendo a exce\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, inciso V, que permitia a penhora de bem dado em hipoteca sobre o im\u00f3vel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O STJ, ao interpretar referida norma, concluiu que, na hip\u00f3tese de oferecimento de im\u00f3vel em garantia hipotec\u00e1ria, a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia somente estar\u00e1 comprometida se a d\u00edvida objeto dessa garantia tiver sido assumida em benef\u00edcio da pr\u00f3pria entidade familiar<\/strong> (EAREsp 848.498\/PR, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe de 7\/6\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o instituto da aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria foi introduzido na legisla\u00e7\u00e3o brasileira pela necessidade de superar a inadequa\u00e7\u00e3o da garantia hipotec\u00e1ria, que depende do Poder Judici\u00e1rio para a sua execu\u00e7\u00e3o. Com o intuito de permitir maior celeridade no recebimento do cr\u00e9dito, ampliando a circula\u00e7\u00e3o de recursos e a realiza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, a Lei n. 9.514\/1997 dispensou o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o judicial, prevendo a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade perante o oficial do Registro de Im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o rito previsto para o instituto, o devedor poder\u00e1 purgar a mora no prazo fixado, convalescendo o contrato de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria (art. 25, \u00a7 5\u00ba, da Lei n. 9.514\/1997), caso em que n\u00e3o se consolida a propriedade em favor do credor. J\u00e1 na aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, n\u00e3o se discute a &#8220;impenhorabilidade&#8221; do bem, uma vez que a propriedade foi transmitida, ainda que em car\u00e1ter resol\u00favel, pelos devedores. Cumpre-se verificar, isto sim, a &#8220;alienabilidade&#8221; do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, <strong>a Terceira Turma ao distinguir o bem de fam\u00edlia legal (disciplinado na Lei n. 8.009\/1990) e o bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio (estabelecido pelo C\u00f3digo Civil, nos arts. 1.711 a 1.722), concluiu pela possibilidade de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria do bem de fam\u00edlia legal<\/strong>: &#8220;a pr\u00f3pria Lei n. 8.009\/1990, com o escopo de proteger o bem destinado \u00e0 resid\u00eancia familiar, aduz que o im\u00f3vel assim categorizado n\u00e3o responder\u00e1 por qualquer tipo de d\u00edvida civil, comercial, fiscal, previdenci\u00e1ria ou de outra natureza, mas em nenhuma passagem disp\u00f5e que tal bem n\u00e3o possa ser alienado pelo seu propriet\u00e1rio&#8221; (REsp 1.560.562\/SC, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 2\/4\/2019, DJe de 4\/4\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, n\u00e3o se afigura poss\u00edvel beneficiar aquele que, com reserva mental, ofereceu em garantia im\u00f3vel de sua propriedade, por meio de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, a fim de obter recursos em contrato de m\u00fatuo sob condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis e, em momento posterior, ap\u00f3s o inadimplemento da d\u00edvida, alega a invalidade do ato de disposi\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o conferida ao bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-resultado-final\"><a>12.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A oferta volunt\u00e1ria de seu \u00fanico im\u00f3vel residencial em garantia a um contrato de m\u00fatuo, favorecedor de pessoa jur\u00eddica em aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, n\u00e3o conta com a prote\u00e7\u00e3o irrestrita do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-im-possibilidade-da-responsabilizacao-pessoal-de-socio-que-nao-desempenhe-atos-de-gestao\"><a><\/a><a>13.&nbsp; (Im)Possibilidade da responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de s\u00f3cio que n\u00e3o desempenhe atos de gest\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de n\u00e3o se exigir prova de abuso ou fraude para aplica\u00e7\u00e3o da Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de s\u00f3cio que n\u00e3o desempenhe atos de gest\u00e3o, ressalvada a prova de que contribuiu, ao menos culposamente, para a pr\u00e1tica de atos de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.900.843-DF, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino (in memorian), Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por maioria julgado em 23\/5\/2023, DJe 30\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino ajuizou execu\u00e7\u00e3o em face de Impar Construtora. Como n\u00e3o foram encontrados bens em nome da empresa, requereu ao ju\u00edzo a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica da empresa para atingir bens de todos os s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Nirso, s\u00f3cio da empresa que n\u00e3o desempenha atos de gest\u00e3o, interp\u00f4s recurso contra a medida e alegou que figurou apenas como s\u00f3cio formal da sociedade (detendo menos de 0,0001% do capital social), com o objetivo de viabilizar a constitui\u00e7\u00e3o da sociedade por quotas de responsabilidade limitada, nunca tendo exercido cargos de administra\u00e7\u00e3o ou recebido remunera\u00e7\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o de lucros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28. O juiz poder\u00e1 desconsiderar a personalidade jur\u00eddica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infra\u00e7\u00e3o da lei, fato ou ato il\u00edcito ou viola\u00e7\u00e3o dos estatutos ou contrato social. A desconsidera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 efetivada quando houver fal\u00eancia, estado de insolv\u00eancia, encerramento ou inatividade da pessoa jur\u00eddica provocados por m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00b0 Tamb\u00e9m poder\u00e1 ser desconsiderada a pessoa jur\u00eddica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obst\u00e1culo ao ressarcimento de preju\u00edzos causados aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49-A. &nbsp;A pessoa jur\u00eddica n\u00e3o se confunde com os seus s\u00f3cios, associados, instituidores ou administradores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A autonomia patrimonial das pessoas jur\u00eddicas \u00e9 um instrumento l\u00edcito de aloca\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a gera\u00e7\u00e3o de empregos, tributo, renda e inova\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio de todos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-possivel-a-responsabilizacao-do-meramente-socio\"><a>13.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o do meramente s\u00f3cio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Somente se provado que contribuiu, ao menos culposamente, para a pr\u00e1tica de atos de administra\u00e7\u00e3o!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pac\u00edfica jurisprud\u00eancia do STJ, <strong>para fins de aplica\u00e7\u00e3o da denominada Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, n\u00e3o se exige prova da fraude ou do abuso de direito, tampouco \u00e9 necess\u00e1ria a prova de confus\u00e3o patrimonial, bastando que o consumidor demonstre o estado de insolv\u00eancia do fornecedor ou o fato de a personalidade jur\u00eddica representar um obst\u00e1culo ao ressarcimento dos preju\u00edzos causados<\/strong>. Considerando que o \u00a7 5\u00ba do art. 28 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC, em virtude do mero inadimplemento e da aus\u00eancia de bens suficientes \u00e0 quita\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito, admite, a princ\u00edpio, a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal do s\u00f3cio, torna-se necess\u00e1rio investigar a atua\u00e7\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A rigor, a considerar as origens hist\u00f3ricas da&nbsp;<em>disregard doctrine<\/em>, n\u00e3o se poderia afirmar que a hip\u00f3tese contemplada no \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC trata do mesmo instituto, a despeito das express\u00f5es utilizadas pelo legislador, tendo em vista que a desconsidera\u00e7\u00e3o propriamente dita est\u00e1 necessariamente associada \u00e0 fraude e ao abuso de direito, com desvirtuamento da fun\u00e7\u00e3o social da pessoa jur\u00eddica, criada com personalidade distinta da de seus s\u00f3cios. Como bem acentua a doutrina, o instituto da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica \u00e9 frequentemente confundido com hip\u00f3teses em que se atribui aos s\u00f3cios, por mera op\u00e7\u00e3o legislativa, a responsabilidade ordin\u00e1ria por d\u00edvidas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do REsp n. 1.766.093\/SP, tratou-se da possibilidade da inclus\u00e3o, no polo passivo de a\u00e7\u00e3o de rescis\u00e3o contratual cumulada com pedido de restitui\u00e7\u00e3o de valores pagos, j\u00e1 em fase de cumprimento de senten\u00e7a, de membros do conselho fiscal de uma cooperativa habitacional, \u00e0 luz do disposto no \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC. Nesse julgado, tudo o que se disse a respeito das regras aplic\u00e1veis \u00e0s sociedades cooperativas teve como \u00fanico prop\u00f3sito fixar a premissa de <strong>que membros do conselho fiscal desse tipo de sociedade n\u00e3o praticam, em regra, atos de gest\u00e3o, a exigir, por isso, a comprova\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de ind\u00edcios de que estes contribu\u00edram, ao menos culposamente, e com desvio de fun\u00e7\u00e3o, para a pr\u00e1tica de atos de administra\u00e7\u00e3o<\/strong>. Tamb\u00e9m destacou-se que, de acordo com a doutrina, ainda que seja poss\u00edvel considerar o \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC como hip\u00f3tese aut\u00f4noma e independente daquelas previstas em seu&nbsp;<em>caput<\/em>, na linha do que j\u00e1 decidiu o STJ a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, mesmo em tal hip\u00f3tese, somente pode atingir pessoas incumbidas da gest\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a denominada Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, de que trata o \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC, a despeito de dispensar a prova de fraude, abuso de direito ou confus\u00e3o patrimonial, n\u00e3o d\u00e1 margem para admitir a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal I) de quem n\u00e3o integra o quadro societ\u00e1rio da empresa, ainda que nela atue como gestor, e II) de quem, embora ostentando a condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cio, n\u00e3o desempenha atos de gest\u00e3o, independentemente de se tratar ou n\u00e3o de empresa constitu\u00edda sob a forma de cooperativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que a desconsidera\u00e7\u00e3o, mesmo sob a vertente da denominada Teoria Menor, \u00e9 uma EXCE\u00c7\u00c3O \u00e0 regra da autonomia patrimonial das pessoas jur\u00eddicas, &#8220;instrumento l\u00edcito de aloca\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a gera\u00e7\u00e3o de empregos, tributo, renda e inova\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio de todos&#8221; (art. 49-A do C\u00f3digo Civil, inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.874\/2019), a justificar, por isso, a interpreta\u00e7\u00e3o mais restritiva do art. 28, \u00a7 5\u00ba, do CDC.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A despeito de n\u00e3o se exigir prova de abuso ou fraude para aplica\u00e7\u00e3o da Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de s\u00f3cio que n\u00e3o desempenhe atos de gest\u00e3o, ressalvada a prova de que contribuiu, ao menos culposamente, para a pr\u00e1tica de atos de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-prevalencia-de-titulo-em-caso-de-existencia-de-dois-titulos-de-propriedade-para-o-mesmo-bem-imovel\"><a><\/a><a>14.&nbsp; Preval\u00eancia de t\u00edtulo em caso de exist\u00eancia de dois t\u00edtulos de propriedade para o mesmo bem im\u00f3vel<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, constatada a <a>exist\u00eancia de dois t\u00edtulos de propriedade para o mesmo bem im\u00f3vel<\/a>, prevalecer\u00e1 o primeiro t\u00edtulo aquisitivo registrado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.657.424-AM, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/5\/2023, DJe 23\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Trade Com\u00e9rcio Ltda ajuizou a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria em face de Petropolus Ltda, afirmando ter t\u00edtulo de propriedade (escritura p\u00fablica registrada no cart\u00f3rio de im\u00f3veis) de terreno ocupado pela r\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, a reivindicat\u00f3ria foi julgada improcedente, constando na senten\u00e7a a exist\u00eancia de dois t\u00edtulos de propriedade, tidos como leg\u00edtimos e ostentados, cada qual, por autora e r\u00e9, com registros distintos em cart\u00f3rios diferentes da cidade de Manaus. O Ju\u00edzo entendeu que, nessa hip\u00f3tese, prevalece a propriedade e o t\u00edtulo respectivo de quem j\u00e1 tem a posse do im\u00f3vel, pois esta, em tal caso, n\u00e3o seria injusta.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Trade interp\u00f4s recurso no qual sustenta que a origem registral do seu t\u00edtulo de propriedade \u00e9 do ano de 1900 (t\u00edtulo de propriedade transcrito pelo Estado do Amazonas) e, portanto, deve prevalecer sobre o da r\u00e9, que \u00e9 de 1974, data em que o anterior propriet\u00e1rio do bem im\u00f3vel obteve ganho de causa em a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.200. \u00c9 justa a posse que n\u00e3o for violenta, clandestina ou prec\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.228. O propriet\u00e1rio tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reav\u00ea-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei 6.015\/1973:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 186 &#8211; O n\u00famero de ordem determinar\u00e1 a prioridade do t\u00edtulo, e esta a prefer\u00eancia dos direitos reais, ainda que apresentados pela mesma pessoa mais de um t\u00edtulo simultaneamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-como-fica\"><a>14.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como fica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Prevalece o PRIMEIRO t\u00edtulo aquisitivo registrado!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar, em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, qual propriedade deve prevalecer caso existam dois t\u00edtulos de propriedade, ambos tidos como leg\u00edtimos e ostentados, com registros distintos em cart\u00f3rios diferentes na mesma cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A reivindicat\u00f3ria \u00e9 uma demanda petit\u00f3ria, ou seja, busca, nos termos do art. 1.228 do C\u00f3digo Civil, reaver a coisa de quem injustamente a possua, da\u00ed por que \u00e9 preciso averiguar n\u00e3o s\u00f3 se o autor da a\u00e7\u00e3o tem a propriedade (t\u00edtulo registrado em cart\u00f3rio), mas tamb\u00e9m se a posse do r\u00e9u \u00e9 injusta.<\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia julgou improcedente o pedido reivindicat\u00f3rio porque a posse da r\u00e9 n\u00e3o \u00e9 injusta, j\u00e1 que, assim como a autora, tamb\u00e9m tem um t\u00edtulo de propriedade h\u00edgido. Fixou-se que n\u00e3o logrou a autora provar que o t\u00edtulo da r\u00e9 \u00e9 \u00edrrito. Esse silogismo da senten\u00e7a est\u00e1 rigorosamente de acordo com o art. 1.228 do C\u00f3digo Civil (CC).<\/p>\n\n\n\n<p>A posse injusta a que alude o dispositivo n\u00e3o \u00e9 somente aquela referida no art. 1.200 do CC (violenta, clandestina e prec\u00e1ria), mas, de acordo com a doutrina, tamb\u00e9m &#8220;aquela sem causa jur\u00eddica a justific\u00e1-la, sem um t\u00edtulo, uma raz\u00e3o que permita ao possuidor manter consigo a posse de coisa alheia. Em outras palavras, pode a posse n\u00e3o padecer dos v\u00edcios da viol\u00eancia, clandestinidade e precariedade e, ainda assim, ser injusta para efeito reivindicat\u00f3rio. Basta que o possuidor n\u00e3o tenha um t\u00edtulo para sua posse&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao se falar de posse, n\u00e3o se est\u00e1 trazendo para demanda petit\u00f3ria o&nbsp;<em>ius possessionis<\/em>, dado que, como visto, n\u00e3o se trata do direito de posse, mas do direito \u00e0 posse, como decorr\u00eancia l\u00f3gica da rela\u00e7\u00e3o de propriedade preexistente<\/strong> (<em>ius possidendi<\/em>); \u00e9 a preval\u00eancia do direito de propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falar em viola\u00e7\u00e3o do art. 186 da Lei 6.015\/1973 (O n\u00famero de ordem determinar\u00e1 a prioridade do t\u00edtulo, e esta a prefer\u00eancia dos direitos reais, ainda que apresentados pela mesma pessoa mais de um t\u00edtulo simultaneamente), j\u00e1 que o registro da r\u00e9 \u00e9 anterior ao registro da autora.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o altera esse entendimento o fato de a cadeia dominial da autora remontar ao ano de 1900, anterior \u00e0 data do registro da r\u00e9 (1974), pois estando esta fundamentada em usucapi\u00e3o, depurou qualquer propriedade de outro sujeito de direito, pois o &#8220;direito do usucapiente n\u00e3o se funda sobre o direito do titular precedente, n\u00e3o constituindo este direito o pressuposto daquele, muitos menos lhe determinando a exist\u00eancia, as qualidades e a extens\u00e3o&#8221;. Assim, tendo o registro da r\u00e9 (1974) prioridade sobre o da autora (1980), foi observado o princ\u00edpio da prioridade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o reivindicat\u00f3ria, constatada a exist\u00eancia de dois t\u00edtulos de propriedade para o mesmo bem im\u00f3vel, prevalecer\u00e1 o primeiro t\u00edtulo aquisitivo registrado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-im-possibilidade-de-substituicao-da-associacao-autora-de-acp-pelo-mp-em-razao-de-dissolucao-por-decisao-judicial\"><a><\/a><a>15.&nbsp; (Im)Possibilidade de substitui\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora de ACP pelo MP em raz\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o por decis\u00e3o judicial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em caso de dissolu\u00e7\u00e3o, por decis\u00e3o judicial, da associa\u00e7\u00e3o autora de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, \u00e9 poss\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o processual pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.582.243-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 764)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>ANADEC (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa do Consumidor) ajuizou ACP contra Fiado Cons\u00f3rcios para declarar a nulidade de cl\u00e1usula supostamente abusiva existente nos contratos de desta.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o processo seguia, A ANADEC teve sua dissolu\u00e7\u00e3o determinada judicialmente. Fiado ent\u00e3o requereu o provimento de recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva da autora. A ANADEC, por sua vez, requereu a intima\u00e7\u00e3o do MP para que se habilitasse como substituto processual no feito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5o&nbsp; T\u00eam legitimidade para propor a a\u00e7\u00e3o principal e a a\u00e7\u00e3o cautelar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Em caso de desist\u00eancia infundada ou abandono da a\u00e7\u00e3o por associa\u00e7\u00e3o legitimada, o Minist\u00e9rio P\u00fablico ou outro legitimado assumir\u00e1 a titularidade ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 4.717\/65:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 9\u00ba Se o autor desistir da a\u00e7\u00e3o ou der motiva \u00e0 absolvi\u00e7\u00e3o da inst\u00e2ncia, ser\u00e3o publicados editais nos prazos e condi\u00e7\u00f5es previstos no art. 7\u00ba, inciso II, ficando assegurado a qualquer cidad\u00e3o, bem como ao representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico, dentro do prazo de 90 (noventa) dias da \u00faltima publica\u00e7\u00e3o feita, promover o prosseguimento da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.347\/85:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5o&nbsp; T\u00eam legitimidade para propor a a\u00e7\u00e3o principal e a a\u00e7\u00e3o cautelar<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Em caso de desist\u00eancia infundada ou abandono da a\u00e7\u00e3o por associa\u00e7\u00e3o legitimada, o Minist\u00e9rio P\u00fablico ou outro legitimado assumir\u00e1 a titularidade ativa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-possivel-a-substituicao-pelo-mpe\"><a>15.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o pelo MPE?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar a possibilidade de interpreta\u00e7\u00e3o extensiva do art. 5\u00ba, \u00a7 3\u00ba, da Lei de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica (LACP) no caso em que a associa\u00e7\u00e3o que ajuizara a a\u00e7\u00e3o \u00e9 dissolvida por decis\u00e3o judicial em que se reconhece a aus\u00eancia de representatividade adequada e o desvio de finalidade, permitindo-se a sua substitui\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete estabelecer distin\u00e7\u00f5es onde a pr\u00f3pria lei n\u00e3o distinguiu, \u00e9 IRRELEVANTE ao deferimento da substitui\u00e7\u00e3o processual a circunst\u00e2ncia de a associa\u00e7\u00e3o haver sido extinta por decis\u00e3o judicial<\/strong>. Nesse sentido, tamb\u00e9m o STJ j\u00e1 deixou claro que &#8220;se o dispositivo n\u00e3o restringiu, n\u00e3o pode o aplicador do direito interpretar a norma a ponto de criar uma restri\u00e7\u00e3o nela n\u00e3o prevista&#8221; (REsp 1.113.175\/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Corte Especial, julgado em 24\/5\/2012, DJe 7\/8\/2012). O que importa \u00e9 que tanto nos casos de desist\u00eancia infundada ou de abandono da a\u00e7\u00e3o quanto na hip\u00f3tese de extin\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o por decis\u00e3o judicial, o objetivo leg\u00edtimo consiste em n\u00e3o deixar desprotegidas as pessoas que de fato tinham o interesse naquela tutela e at\u00e9 ent\u00e3o eram substitu\u00eddas pela associa\u00e7\u00e3o. Assim sendo, <strong>o fundamento para o deferimento da substitui\u00e7\u00e3o processual n\u00e3o depende de se tratar de desist\u00eancia infundada ou de abandono da a\u00e7\u00e3o, mas, sim, da necessidade de proteger os consumidores.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, &#8220;consoante previs\u00e3o dos arts. 9\u00ba da Lei n. 4.717\/65 e 5\u00ba, \u00a7 3\u00ba, da <a>Lei n. 7.347\/85<\/a>, tendo ocorrido a dissolu\u00e7\u00e3o da autora coletiva origin\u00e1ria, deve ser possibilitado aos outros legitimados coletivos a assun\u00e7\u00e3o do polo ativo, como forma de se privilegiar a coletividade envolvida no processo e a economia dos atos processuais&#8221; (REsp 1.800.726\/MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 2\/4\/2019, DJe 4\/4\/2019).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em caso de dissolu\u00e7\u00e3o, por decis\u00e3o judicial, da associa\u00e7\u00e3o autora de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, \u00e9 poss\u00edvel a substitui\u00e7\u00e3o processual pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-competencia-para-julgamento-do-cumprimento-de-sentenca-proferido-pela-justica-trabalhista-ainda-que-tenha-ocorrido-a-cessao-a-terceiro-da-titularidade-do-credito-nela-reconhecido\"><a><\/a><a>16.&nbsp; Compet\u00eancia para julgamento do cumprimento de senten\u00e7a proferido pela justi\u00e7a trabalhista, ainda que tenha ocorrido a cess\u00e3o a terceiro da titularidade do cr\u00e9dito nela reconhecido<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 compet\u00eancia da Justi\u00e7a trabalhista processar e julgar o <a>cumprimento de senten\u00e7a por ela proferida, ainda que tenha ocorrido a cess\u00e3o a terceiro da titularidade do cr\u00e9dito nela reconhecido<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 162.902-SP, Rel. Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 2\/3\/2023. (Info 766)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em um cumprimento de senten\u00e7a trabalhista promovido por Creiton contra Atacad\u00e3o Ltda., foi noticiada nos autos a cess\u00e3o do cr\u00e9dito trabalhista, em favor de Hanna Vendas Ltda., que ent\u00e3o requereu a substitui\u00e7\u00e3o no polo ativo da execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz do trabalho indeferiu o pleito de Hanna e declinou da compet\u00eancia para uma das caras c\u00edveis da localidade, por entender que o cr\u00e9dito, ainda que constru\u00eddo em demanda trabalhista, teria se tornado c\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o juiz da vara c\u00edvel, suscitou conflito de compet\u00eancia por entender que caberia \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho processar a julgar a execu\u00e7\u00e3o de seus julgados, sendo irrelevante a altera\u00e7\u00e3o da titularidade do cr\u00e9dito trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 83. A classifica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos na fal\u00eancia obedece \u00e0 seguinte ordem:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00ba Para os fins do disposto nesta Lei, os cr\u00e9ditos cedidos a qualquer t\u00edtulo manter\u00e3o sua natureza e classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 778. Pode promover a execu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada o credor a quem a lei confere t\u00edtulo executivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Podem promover a execu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada ou nela prosseguir, em sucess\u00e3o ao exequente origin\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>III &#8211; o cession\u00e1rio, quando o direito resultante do t\u00edtulo executivo lhe for transferido por ato entre vivos;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-a-quem-compete-cumprir-a-sentenca\"><a>16.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete cumprir a senten\u00e7a?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a do TRABALHO!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao cuidar do Tema n. 361\/STF (transmuda\u00e7\u00e3o da natureza de precat\u00f3rio alimentar em normal em virtude de cess\u00e3o do direito nele estampado), definiu que <strong>a cess\u00e3o de cr\u00e9dito n\u00e3o implica a altera\u00e7\u00e3o da sua natureza (alimentar)<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio hermen\u00eautico&nbsp;<em>ubi eadem ratio ibi eadem jus<\/em>&nbsp;(onde h\u00e1 a mesma raz\u00e3o aplica-se o mesmo direito), que seus fundamentos afiguram-se&nbsp;<em>in totum<\/em>&nbsp;aplic\u00e1veis \u00e0 discuss\u00e3o aqui travada. Isso porque o fundamento prec\u00edpuo que costuma embasar o deslocamento da compet\u00eancia da Justi\u00e7a trabalhista para a Justi\u00e7a comum seria a insubsist\u00eancia de sua natureza trabalhista, provocada pela cess\u00e3o a terceira pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em favor da coer\u00eancia do sistema jur\u00eddico, relevante anotar, ainda, que a Lei n. 14.112\/2020 revogou o \u00a7 4\u00ba do art. 83 da Lei n. 11.101\/2005 (que estabelecia o rebaixamento do cr\u00e9dito trabalhista cedido \u00e0 qualidade de quirograf\u00e1rio) e incluiu o \u00a7 5\u00ba, com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: para fins do disposto nesta lei, os cr\u00e9ditos cedidos a qualquer t\u00edtulo manter\u00e3o sua natureza e classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da&nbsp;<em>perpetuatio jurisdictionis,<\/em>&nbsp;adotado no art. 43 do C\u00f3digo de Processo Civil, <strong>a efetiva\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o de cr\u00e9dito trabalhista, reconhecido em senten\u00e7a transitado em julgado, promove apenas a substitui\u00e7\u00e3o processual da parte exequente, sem nenhuma repercuss\u00e3o na compet\u00eancia material da Justi\u00e7a laboral<\/strong>, definida quando da distribui\u00e7\u00e3o do feito, haja vista que o conte\u00fado trabalhista do cr\u00e9dito remanesce inc\u00f3lume.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 expressamente regulada pelo <a>C\u00f3digo de Processo Civil <\/a>&#8211; aplic\u00e1vel subsidi\u00e1ria e supletivamente ao processo trabalhista &#8211; no inciso III do art. 778, ao estabelecer ser dado ao cession\u00e1rio, quando o direito resultante do t\u00edtulo executivo lhe for transferido por ato entre vivos, promover a execu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada ou nela prosseguir, em sucess\u00e3o processual ao exequente origin\u00e1rio, inexistindo qualquer repercuss\u00e3o nas regras de compet\u00eancia. O dispositivo legal em comento, inclusive, dispensa a concord\u00e2ncia da parte executada.<\/p>\n\n\n\n<p>Afigura-se, portanto, inderrog\u00e1vel pela vontade das partes a compet\u00eancia funcional da Justi\u00e7a trabalhista, \u00fanica competente para processar e julgar o cumprimento de senten\u00e7a por ela proferida, sendo, a esse prop\u00f3sito, IRRELEVANTE a altera\u00e7\u00e3o da titularidade do cr\u00e9dito nela reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 compet\u00eancia da Justi\u00e7a trabalhista processar e julgar o cumprimento de senten\u00e7a por ela proferida, ainda que tenha ocorrido a cess\u00e3o a terceiro da titularidade do cr\u00e9dito nela reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-aplicabilidade-da-hipotese-de-impedimento-de-magistrado-prevista-no-art-144-ix-do-cpc-no-caso-de-litigio-entre-o-juiz-e-o-membro-do-ministerio-publico-baseada-em-suposta-perseguicao\"><a><\/a><a>17.&nbsp; Aplicabilidade da hip\u00f3tese de impedimento de magistrado prevista no art. 144, IX, do CPC no caso de lit\u00edgio entre o juiz e o membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico baseada em suposta persegui\u00e7\u00e3o.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese de impedimento de magistrado prevista no art. 144, IX, do CPC \u00e9 aplic\u00e1vel no caso de lit\u00edgio entre o juiz e o membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico baseada em suposta persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.881.175-MA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 768)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, membro do MP, expediu recomenda\u00e7\u00e3o encaminhada ao Prefeito Municipal local no qual recomendava a exonera\u00e7\u00e3o de servidora ocupante do cargo de dire\u00e7\u00e3o em hospital municipal, por ser esta namorada do filho do Juiz Dr. Creisson, titular da Vara da Fazenda P\u00fablica local, o ensejaria poss\u00edvel configura\u00e7\u00e3o de nepotismo cruzado.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Dr. Creisson ajuizou a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de inexist\u00eancia de nepotismo, a qual alega ainda sofrer persegui\u00e7\u00e3o de Tadeu. Por sua vez, o MP sustenta que diante da exist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o, Dr. Creisson deveria ser considerado impedido para atuar em diversos casos em tr\u00e2mite na Vara da Fazenda P\u00fablica local.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 144. H\u00e1 impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas fun\u00e7\u00f5es no processo:<\/p>\n\n\n\n<p>IX &#8211; quando promover a\u00e7\u00e3o contra a parte ou seu advogado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-aplicavel-a-hipotese-de-impedimento\"><a>17.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplic\u00e1vel a hip\u00f3tese de impedimento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se o impedimento do juiz, &#8220;quando promover a\u00e7\u00e3o contra a parte ou seu advogado&#8221; (art. 144, IX, do CPC), \u00e9 aplic\u00e1vel a caso em que o magistrado ajuizou a\u00e7\u00e3o contra membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que tem como causa de pedir suposta persegui\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, <strong>embora use as express\u00f5es &#8220;parte&#8221; e &#8220;advogado&#8221;, o art. 144, IX, do CPC, se destina a impedir a atua\u00e7\u00e3o do juiz que esteja em contenda judicial com aqueles que integrem a rela\u00e7\u00e3o processual ou oficiem em quaisquer dos polos do processo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>apesar de promotor de justi\u00e7a n\u00e3o ser &#8220;parte&#8221; nem &#8220;advogado&#8221; &#8211; ambos no sentido t\u00e9cnico &#8211; da a\u00e7\u00e3o na qual \u00e9 arguida a exce\u00e7\u00e3o, subscreve a inicial &#8211; no sentido subjetivo -, afetando, assim a necess\u00e1ria impessoalidade do magistrado, que se diz particularmente perseguido pelo promotor de justi\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, vale considerar que n\u00e3o h\u00e1 impedimento para que o juiz atue em qualquer a\u00e7\u00e3o ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do estado, mas apenas naquelas em que, porventura, estejam oficiando os membros do<em>&nbsp;parquet<\/em>&nbsp;contra os quais contende na demanda judicial j\u00e1 referida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese de impedimento de magistrado prevista no art. 144, IX, do CPC \u00e9 aplic\u00e1vel no caso de lit\u00edgio entre o juiz e o membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico baseada em suposta persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-competencia-para-processar-e-julgar-as-demandas-oriundas-de-acoes-de-repactuacao-de-dividas-decorrentes-de-superendividamento-quando-existente-interesse-de-ente-federal\"><a><\/a><a>18.&nbsp; Compet\u00eancia para processar e julgar as demandas oriundas de a\u00e7\u00f5es de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas decorrentes de superendividamento quando existente interesse de ente federal.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe \u00e0 Justi\u00e7a comum estadual e\/ou distrital processar e julgar as demandas oriundas de a\u00e7\u00f5es de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas decorrentes de superendividamento, ainda que exista interesse de ente federal.<\/p>\n\n\n\n<p>CC 193.066-DF, Relator Ministro Marco Buzzi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 22\/3\/2023. (Info 768)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ezequiel ajuizou a\u00e7\u00e3o de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas em raz\u00e3o de superendividamento contra v\u00e1rios bancos, dentre eles, a CEF.&nbsp; O ju\u00edzo federal, a quem inicialmente distribu\u00edda a demanda, declinou da compet\u00eancia sob o fundamento de falta de interesse da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o ju\u00edzo estadual suscitou conflito de compet\u00eancia por entender que a presen\u00e7a de empresa p\u00fablica (CEF) implicaria no interesse da Uni\u00e3o e consequente compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 104-A. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poder\u00e1 instaurar processo de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, com vistas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia conciliat\u00f3ria, presidida por ele ou por conciliador credenciado no ju\u00edzo, com a presen\u00e7a de todos os credores de d\u00edvidas previstas no art. 54-A deste C\u00f3digo, na qual o consumidor apresentar\u00e1 proposta de plano de pagamento com prazo m\u00e1ximo de 5 (cinco) anos, preservados o m\u00ednimo existencial, nos termos da regulamenta\u00e7\u00e3o, e as garantias e as formas de pagamento originalmente pactuadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 109. Aos ju\u00edzes federais compete processar e julgar:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as causas em que a Uni\u00e3o, entidade aut\u00e1rquica ou empresa p\u00fablica federal forem interessadas na condi\u00e7\u00e3o de autoras, r\u00e9s, assistentes ou oponentes, exceto as de fal\u00eancia, as de acidentes de trabalho e as sujeitas \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral e \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-a-quem-compete-julgar\"><a>18.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete julgar?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a ESTADUAL!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o que abrange o presente caso consiste na declara\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo competente para processar e julgar a\u00e7\u00e3o de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas por superendividamento do consumidor em que \u00e9 parte, al\u00e9m de outras institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas, a Caixa Econ\u00f4mica Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 14.181\/2021, ao alterar o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, cuidou especificamente do instituto da repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas por superendividamento, a saber: o juiz, a requerimento do devedor, poder\u00e1 instaurar processo de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, tutelado pelo art. 104-A e seguintes da legisla\u00e7\u00e3o consumerista, com vistas \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia conciliat\u00f3ria, presidida por ele ou por conciliador credenciado, com a presen\u00e7a de todos os credores de d\u00edvidas, oportunidade em que o consumidor apresentar\u00e1 proposta de plano de pagamento com prazo m\u00e1ximo de 5 (cinco) anos, preservados o m\u00ednimo existencial, as garantias e as formas de pagamento originalmente pactuadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em interpreta\u00e7\u00e3o do art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que trata da compet\u00eancia dos ju\u00edzes federais, o Supremo Tribunal Federal (STF), na oportunidade do julgamento do RE 678162, relator para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Edson Fachin, DJe 13\/5\/2021, firmou tese no sentido de que &#8220;<strong>a insolv\u00eancia civil est\u00e1 entre as exce\u00e7\u00f5es da parte final do art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, para fins de defini\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Anota-se que, uma vez identificada a exist\u00eancia de concurso de credores, excepciona-se a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal prevista no art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. Tal circunst\u00e2ncia decorre da reda\u00e7\u00e3o do art. 104-A do CDC, introduzido pela Lei n. 14.181\/2021, que estabelece a previs\u00e3o de que, para instaurar o processo de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, imp\u00f5e-se a presen\u00e7a, perante o ju\u00edzo, de todos os credores do consumidor superendividado, a fim de que este possa propor \u00e0queles o respectivo plano de pagamentos de seus d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato<strong>, o procedimento judicial relacionado ao superendividamento, tal como o de recupera\u00e7\u00e3o judicial ou fal\u00eancia, possui ineg\u00e1vel e n\u00edtida natureza concursal, de modo que as empresas p\u00fablicas federais, excepcionalmente, sujeitam-se \u00e0 compet\u00eancia da Justi\u00e7a estadual e\/ou distrital, justamente em raz\u00e3o da exist\u00eancia de concursalidade entre credores, impondo-se, dessa forma, a concentra\u00e7\u00e3o, na Justi\u00e7a comum estadual<\/strong>, de todos os credores, bem como o pr\u00f3prio consumidor para a defini\u00e7\u00e3o do plano de pagamento, suas condi\u00e7\u00f5es, o seu prazo e as formas de adimplemento dos d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eventual desmembramento ensejar\u00e1 not\u00e1vel preju\u00edzo ao devedor (consumidor vulner\u00e1vel, reitere-se), porquanto, consoante disp\u00f5e a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia (art. 104-A do CDC), todos os credores devem participar do procedimento, inclusive na oportunidade da audi\u00eancia conciliat\u00f3ria. Caso tramitem separadamente, em jurisdi\u00e7\u00f5es diversas, federal e estadual, estaria maculado o objetivo prim\u00e1rio da Lei do Superendividamento, qual seja, o de conferir a oportunidade do consumidor &#8211; perante seus credores &#8211; de apresentar plano de pagamentos a fim de quitar suas d\u00edvidas\/obriga\u00e7\u00f5es contratuais. Haver\u00e1 o risco de decis\u00f5es conflitantes entre os ju\u00edzos acerca dos cr\u00e9ditos examinados, em viola\u00e7\u00e3o ao comando do art. 104-A do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, adota-se a compreens\u00e3o segundo a qual cabe \u00e0 Justi\u00e7a comum estadual e\/ou distrital analisar as demandas cujo fundamento f\u00e1tico e jur\u00eddico possuem similitude com a insolv\u00eancia civil &#8211; como \u00e9 a hip\u00f3tese do superendividamento -, ainda que exista interesse de ente federal. A exegese do art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, deve ser teleol\u00f3gica de forma a alcan\u00e7ar, na exce\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, as hip\u00f3teses em que existe o concurso de credores.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a>18.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Cabe \u00e0 Justi\u00e7a comum estadual e\/ou distrital processar e julgar as demandas oriundas de a\u00e7\u00f5es de repactua\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas decorrentes de superendividamento, ainda que exista interesse de ente federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-competencia-para-analise-de-questoes-alusivas-as-disposicoes-do-contrato-em-si-em-execucao-de-titulo-executivo-extrajudicial-que-contenha-clausula-compromissoria-ajuizada-por-credor-sub-rogado\"><a><\/a><a><\/a><a>19.&nbsp; Compet\u00eancia para an\u00e1lise de quest\u00f5es alusivas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do contrato em si em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo extrajudicial que contenha cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria ajuizada por credor sub-rogado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o compete ao ju\u00edzo estatal, em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo extrajudicial que contenha cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria ajuizada por credor sub-rogado, analisar quest\u00f5es alusivas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do contrato em si, o que deve ser discutido na jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por maioria, julgado em 11\/4\/2023. (Info 770)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Pagonada firmou um contrato com a empresa Quebradeira. No contrato, havia cl\u00e1usula arbitral que previa arbitragem em caso de inadimpl\u00eancia de uma das partes. Dito e feito! A arbitragem foi necess\u00e1ria e o \u00e1rbitro entendeu que a empresa Quebradeira deu causa ao inadimplemento. Com a senten\u00e7a arbitral favor\u00e1vel em m\u00e3os, a empresa Pagonada ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial, mas Quebradeira contesta a decis\u00e3o em ju\u00edzo requerendo inclusive a an\u00e1lise de quest\u00f5es alusivas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do contrato em si.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.307\/1996:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 8\u00ba A cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria \u00e9 aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste n\u00e3o implica, necessariamente, a nulidade da cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Caber\u00e1 ao \u00e1rbitro decidir de of\u00edcio, ou por provoca\u00e7\u00e3o das partes, as quest\u00f5es acerca da exist\u00eancia, validade e efic\u00e1cia da conven\u00e7\u00e3o de arbitragem e do contrato que contenha a cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 919. Os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e3o efeito suspensivo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba O juiz poder\u00e1, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a concess\u00e3o da tutela provis\u00f3ria e desde que a execu\u00e7\u00e3o j\u00e1 esteja garantida por penhora, dep\u00f3sito ou cau\u00e7\u00e3o suficientes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-pode-o-juizo-estatal-analisar-tais-questoes\"><a>19.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode o ju\u00edzo estatal analisar tais quest\u00f5es?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooooops!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, \u00e9 relevante anotar que,<strong> salvo situa\u00e7\u00f5es excepcionais de manifesta ilegalidade (cl\u00e1usula patol\u00f3gica), \u00e9 da jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral a atribui\u00e7\u00e3o para apreciar as controv\u00e9rsias em torno da validade e dos efeitos da cl\u00e1usula inserida pelas partes nos neg\u00f3cios jur\u00eddicos que formalizam<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, no caso de execu\u00e7\u00e3o, no julgamento do REsp 1.373.710\/MG, esta Turma assentou que a exist\u00eancia de cl\u00e1usula de arbitragem n\u00e3o pode impedir a execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial perante a Justi\u00e7a, justamente porque esta \u00e9 a \u00fanica competente para o exerc\u00edcio de medidas que visem \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de bens do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, mostra-se correta a iniciativa de credora sub-rogada que ajuizou a execu\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo perante o Poder Judici\u00e1rio, pois outro modo n\u00e3o haveria de receber seu cr\u00e9dito na hip\u00f3tese de renit\u00eancia no cumprimento volunt\u00e1rio das obriga\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo que contenha cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria por credor sub-rogado deve ser processada na jurisdi\u00e7\u00e3o estatal, que, contudo, n\u00e3o tem compet\u00eancia para analisar as quest\u00f5es alusivas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do contrato em si invocadas em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, <strong>cabe ao executado que pretende questionar a pr\u00f3pria exequibilidade do t\u00edtulo dar in\u00edcio ao procedimento arbitral respectivo<\/strong>, nos termos do art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.307\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pode haver discuss\u00e3o, no processo executivo e em seus respectivos embargos, acerca da sub-roga\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da cl\u00e1usula de arbitragem, pois as quest\u00f5es ligadas \u00e0 sua validade e aos seus efeitos perante a exequente devem ser discutidas na jurisdi\u00e7\u00e3o adequada, que seria a arbitral.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso julgue necess\u00e1rio, a embargante pode pleitear, perante o ju\u00edzo, e desde que atendidos os requisitos legais (como, por exemplo, o oferecimento de garantia &#8211; art. 919, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015), a suspens\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o at\u00e9 que as quest\u00f5es relativas \u00e0 aven\u00e7a sejam definidas na jurisdi\u00e7\u00e3o competente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o compete ao ju\u00edzo estatal, em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo executivo extrajudicial que contenha cl\u00e1usula compromiss\u00f3ria ajuizada por credor sub-rogado, analisar quest\u00f5es alusivas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do contrato em si, o que deve ser discutido na jurisdi\u00e7\u00e3o arbitral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-im-possibilidade-de-a-penhora-de-salario-em-execucao-de-divida-de-natureza-nao-alimentar\"><a>20.&nbsp; (Im)Possibilidade de a penhora de sal\u00e1rio em execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, \u00e9 poss\u00edvel a penhora de sal\u00e1rio, ainda que este n\u00e3o exceda 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, quando garantido o m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.874.222-DF, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Corte Especial, por maioria, julgado em 19\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o na qual se cobrava d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, Craudio requereu a penhora de parte do sal\u00e1rio de Nirso, tendo em vista que as demais medidas executivas se mostraram v\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi deferida a penhora do sal\u00e1rio de Nirso no percentual de 30%. Inconformado, o devedor interp\u00f4s sucessivos recursos nos qual alega que o ato constritivo agrediria a garantia do executado e de seu n\u00facleo essencial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-questao-juridica\"><a>20.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 833. S\u00e3o impenhor\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba O disposto nos incisos IV e X do&nbsp;caput&nbsp;n\u00e3o se aplica \u00e0 hip\u00f3tese de penhora para pagamento de presta\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia, independentemente de sua origem, bem como \u00e0s import\u00e2ncias excedentes a 50 (cinquenta) sal\u00e1rios-m\u00ednimos mensais, devendo a constri\u00e7\u00e3o observar o disposto no&nbsp;art. 528, \u00a7 8\u00ba&nbsp;, e no&nbsp;art. 529, \u00a7 3\u00ba&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-possivel-a-penhora-do-salario\"><a>20.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a penhora do sal\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Como diria o Prof. Raimundo: \u201cE o sal\u00e1rio, oh!\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A diverg\u00eancia reside em definir se, na hip\u00f3tese de pagamento de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, a impenhorabilidade est\u00e1 condicionada apenas \u00e0 garantia do m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia ou se, al\u00e9m disso, h\u00e1 que ser observado o limite m\u00ednimo de 50 sal\u00e1rios-m\u00ednimos recebidos pelo devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>De precedente da Corte Especial deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a (EREsp 1.518.169\/DF, Rel. Ministro Humberto Martins, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 3\/10\/2018, DJe 27\/2\/2019), \u00e9 poss\u00edvel extrair que a exegese do dispositivo processual (art. 649, IV, do CPC\/1973) deve ser orientada tamb\u00e9m pela teoria do m\u00ednimo existencial, admitindo a penhora da parcela salarial excedente ao que se pode caracterizar como notadamente alimentar. Prosseguindo e lan\u00e7ando o olhar sobre o crit\u00e9rio previsto no \u00a7 2\u00ba do art. 833 do CPC\/2015 &#8211; na parte alusiva \u00e0s import\u00e2ncias excedentes a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais &#8211; salientou-se o descompasso do crit\u00e9rio legal com a realidade brasileira, a implicar na sua inefic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao suprimir a palavra &#8220;absolutamente&#8221; no&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do art. 833, o novo C\u00f3digo de Processo Civil passa a tratar a impenhorabilidade como relativa, permitindo que seja atenuada \u00e0 luz de um julgamento principiol\u00f3gico, em que o julgador, ponderando os princ\u00edpios da menor onerosidade para o devedor e da efetividade da execu\u00e7\u00e3o para o credor, conceda a tutela jurisdicional mais adequada a cada caso, em contraponto a uma aplica\u00e7\u00e3o r\u00edgida, linear e inflex\u00edvel do conceito de impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse ju\u00edzo de pondera\u00e7\u00e3o entre os princ\u00edpios simultaneamente incidentes na esp\u00e9cie h\u00e1 de ser solucionado \u00e0 luz da dignidade da pessoa humana, que resguarda tanto o devedor quanto o credor<\/strong>, e mediante o emprego dos crit\u00e9rios de RAZOABILIDADE e PROPORCIONALIDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o desse limite de 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos merece cr\u00edticas, na medida em que se mostra muito destoante da realidade brasileira, tornando o dispositivo praticamente in\u00f3cuo, al\u00e9m de n\u00e3o traduzir o verdadeiro escopo da impenhorabilidade, que \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de uma reserva digna para o sustento do devedor e de sua fam\u00edlia. Segundo a doutrina, &#8220;Restringir a penhorabilidade de toda a &#8216;verba salarial&#8217; ou apenas permit\u00ed-la no que exceder cinquenta sal\u00e1rios m\u00ednimos, mesmo quando a penhora de uma parcela desse montante n\u00e3o comprometa a manuten\u00e7\u00e3o do executado, pode caracterizar-se como aplica\u00e7\u00e3o inconstitucional da regra, pois prestigia apenas o direito fundamental do executado, em detrimento do direito fundamental do exequente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, mostra-se poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o do \u00a7 2\u00ba do art. 833 do CPC\/2015, de modo a se autorizar a penhora de verba salarial inferior a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, em percentual condizente com a realidade de cada caso concreto, desde que assegurado montante que garanta a dignidade do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante salientar, por\u00e9m, que essa relativiza\u00e7\u00e3o reveste-se de car\u00e1ter EXCEPCIONAL e <strong>dela somente se deve lan\u00e7ar m\u00e3o quando restarem inviabilizados outros meios execut\u00f3rios que garantam a efetividade da execu\u00e7\u00e3o<\/strong> e, repita-se, desde que avaliado concretamente o impacto da constri\u00e7\u00e3o sobre os rendimentos do executado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-3-resultado-final\"><a>20.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, \u00e9 poss\u00edvel a penhora de sal\u00e1rio, ainda que este n\u00e3o exceda 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, quando garantido o m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-principio-da-nao-surpresa-e-impossibilidade-do-julgador-decidir-com-base-em-fundamentos-juridicos-nao-submetidos-ao-contraditorio-no-decorrer-do-processo\"><a><\/a><a>21.&nbsp; Princ\u00edpio da n\u00e3o surpresa e impossibilidade do julgador decidir com base em fundamentos jur\u00eddicos n\u00e3o submetidos ao contradit\u00f3rio no decorrer do processo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em respeito ao princ\u00edpio da n\u00e3o surpresa, \u00e9 vedado ao julgador decidir com base em fundamentos jur\u00eddicos n\u00e3o submetidos ao contradit\u00f3rio no decorrer do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.049.725-PE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 25\/4\/2023. (Info 772)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o que tratava da legalidade de um Decreto Municipal que deu denomina\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, Creiton, propriet\u00e1rio de parte da \u00e1rea, alega que esse neg\u00f3cio de mera denomina\u00e7\u00e3o \u00e9 balela e que houve, na verdade, desapropria\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Creiton, o processo n\u00e3o andou direito, tendo havido les\u00e3o ao princ\u00edpio da n\u00e3o-surpresa. Por qu\u00ea? Ora, n\u00e3o se teria conferido a ele a possibilidade questionar o ato (deu denomina\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental) e demandar a pondera\u00e7\u00e3o do argumento e constru\u00e7\u00e3o de contra-argumento no pleno exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa. Teria havido decis\u00e3o com base em argumento n\u00e3o submetido ao contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-questao-juridica\"><a>21.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 10. O juiz n\u00e3o pode decidir, em grau algum de jurisdi\u00e7\u00e3o, com base em fundamento a respeito do qual n\u00e3o se tenha dado \u00e0s partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de mat\u00e9ria sobre a qual deva decidir de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 933. Se o relator constatar a ocorr\u00eancia de fato superveniente \u00e0 decis\u00e3o recorrida ou a exist\u00eancia de quest\u00e3o apreci\u00e1vel de of\u00edcio ainda n\u00e3o examinada que devam ser considerados no julgamento do recurso, intimar\u00e1 as partes para que se manifestem no prazo de 5 (cinco) dias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-houve-violacao-ao-principio-da-nao-surpresa\"><a>21.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Houve viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da n\u00e3o surpresa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>E como&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O argumento f\u00e1tico novo apresentado em sustenta\u00e7\u00e3o oral, em segunda inst\u00e2ncia, foi a alega\u00e7\u00e3o de que a Lei municipal n. 17.337\/2017, ato administrativo concreto, com roupagem de lei formal, que t\u00e3o somente deu uma denomina\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, significou reconhecimento municipal da ocorr\u00eancia da desapropria\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00ea-se, ent\u00e3o, que n\u00e3o foi apenas a alega\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio de fundamento legal novo, mas sim de constru\u00e7\u00e3o argumentativa com conclus\u00e3o de postura municipal de reconhecimento administrativo de realiza\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o indireta, tudo com base em fato jur\u00eddico apresentado de forma surpreendente, sem pr\u00e9via possibilidade, com anteced\u00eancia devida, de pondera\u00e7\u00e3o do argumento e constru\u00e7\u00e3o de contra-argumento no pleno exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal lei em sentido material configura, de forma inequ\u00edvoca, um ato administrativo que apenas deu nova denomina\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental em ep\u00edgrafe, com caracter\u00edstica essencialmente individual, referindo-se a im\u00f3vel espec\u00edfico e determinado, n\u00e3o regulamentando, assim, eventuais e futuras rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas de forma geral e impessoal, particularidades essenciais para caracteriz\u00e1-lo como fundamento legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessarte, de acordo com o art. 933, em sintonia com o art. 10, todos do CPC, veda-se a decis\u00e3o-surpresa no \u00e2mbito dos tribunais, tendo decidido de forma acertada, o Tribunal de origem, no sentido de abrir vista \u00e0s partes para que possam manifestar-se, em respeito ao devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse diapas\u00e3o, <strong>o entendimento jur\u00eddico adotado no STJ \u00e9 no sentido de respeito ao princ\u00edpio da n\u00e3o surpresa, o qual ensina que \u00e9 vedado ao julgador decidir com base em fundamentos jur\u00eddicos n\u00e3o submetidos ao contradit\u00f3rio no decorrer do processo<\/strong>, com fulcro no art. 10 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, \u00e9 necess\u00e1ria a observ\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o processual nas rela\u00e7\u00f5es endoprocessuais e do direito \u00e0 leg\u00edtima confian\u00e7a de que o resultado do processo seja decorrente de fundamentos previamente conhecidos e debatidos pelas partes litigantes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-3-resultado-final\"><a>21.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em respeito ao princ\u00edpio da n\u00e3o surpresa, \u00e9 vedado ao julgador decidir com base em fundamentos jur\u00eddicos n\u00e3o submetidos ao contradit\u00f3rio no decorrer do processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-competencia-para-julgamento-de-acao-de-indenizacao-por-danos-morais-decorrente-de-ofensas-proferidas-em-rede-social\"><a><\/a><a>22.&nbsp; Compet\u00eancia para julgamento de a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais decorrente de ofensas proferidas em rede social<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A compet\u00eancia para julgamento de a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, decorrente de ofensas proferidas em rede social, \u00e9 do foro do domic\u00edlio da v\u00edtima, em raz\u00e3o da ampla divulga\u00e7\u00e3o do ato il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.032.427-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/4\/2023, DJe 4\/5\/2023. (Info 774)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-3-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo ofendeu Crementina em uma rede social. Inconformada, Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual pretendia a condena\u00e7\u00e3o de Creosvaldo ao pagamento de danos morais. A a\u00e7\u00e3o foi ajuizada no foro do domic\u00edlio de Crementina, mas o ju\u00edzo local entendeu que a compet\u00eancia seguiria a regra geral do art. 46 do CPC, que prev\u00ea que as a\u00e7\u00f5es devem ser propostas no foro do domic\u00edlio do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-4-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-4-1-questao-juridica\"><a>1.4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 46. A a\u00e7\u00e3o fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens m\u00f3veis ser\u00e1 proposta, em regra, no foro de domic\u00edlio do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 53. \u00c9 competente o foro:<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; do lugar do ato ou fato para a a\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>a) de repara\u00e7\u00e3o de dano;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-4-2-a-quem-compete-julgar\"><a>1.4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete julgar?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Ju\u00edzo do FORO DO DOM\u00cdCILIO DA V\u00cdTIMA!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem consignou que a\u00e7\u00f5es fundadas em direito pessoal devem ser propostas no domic\u00edlio do r\u00e9u, ponderando que o il\u00edcito praticado pela internet n\u00e3o constaria do rol das exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra da compet\u00eancia (art. 46 do C\u00f3digo de Processo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o STJ firmou o entendimento de que, havendo divulga\u00e7\u00e3o de ofensas por redes sociais, a compet\u00eancia para julgamento da a\u00e7\u00e3o \u00e9 do foro do domic\u00edlio da v\u00edtima, em raz\u00e3o da ampla divulga\u00e7\u00e3o do ato il\u00edcito. Nesse sentido: (REsp n. 1.347.097\/SE, Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 3\/4\/2014, DJe de 10\/4\/2014 e AgRg no Ag 808.075\/DF. Relator Ministro Fernando Gon\u00e7alves, Quarta Turma, DJe 17\/12\/2007).<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, no julgamento do Conflito de Compet\u00eancia n. 154.928\/SP, decidiu-se que &#8220;<strong>a compet\u00eancia para apreciar as demandas que envolvam danos morais por ofensas proferidas na internet \u00e9 o local em que reside e trabalha a pessoa prejudicada, local de maior repercuss\u00e3o das supostas ofensas<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de os precedentes citados terem sido proferidos sob a \u00e9gide do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973 (art. 100, V, &#8220;a&#8221;), o art. 53, IV, &#8220;a&#8221;, do atual C\u00f3digo reproduziu id\u00eantica norma processual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-4-3-resultado-final\"><a>1.4.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A compet\u00eancia para julgamento de a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, decorrente de ofensas proferidas em rede social, \u00e9 do foro do domic\u00edlio da v\u00edtima, em raz\u00e3o da ampla divulga\u00e7\u00e3o do ato il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-im-possibilidade-do-conhecimento-da-impetracao-de-mandado-de-seguranca-nos-tribunais-de-justica-para-fins-de-exercicio-do-controle-de-competencia-dos-juizados-especiais\"><a><\/a><a>23.&nbsp; (Im)Possibilidade do conhecimento da impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a nos tribunais de justi\u00e7a para fins de exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Excepcionalmente, admite-se o conhecimento da impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a nos tribunais de justi\u00e7a para fins de exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no RMS 70.750-MS, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 8\/5\/2023, DJe 10\/5\/2023. (Info 777)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>23.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirso impetrou mandado de seguran\u00e7a com o intuito de impugnar decis\u00e3o judicial proferida no \u00e2mbito do Juizado Especial da Fazenda P\u00fablica em a\u00e7\u00e3o na qual se discutia a necessidade da inclus\u00e3o da Uni\u00e3o como litisconsorte passivo necess\u00e1rio em demanda relativa \u00e0 concess\u00e3o de medicamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O MS n\u00e3o foi conhecido, o que levou Nirso a interpor recurso no qual alega ser plenamente cab\u00edvel a impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a perante os Tribunais de Justi\u00e7a dos Estados quando se tratar do exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>23.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-1-admite-se-o-ms-para-tal-finalidade\"><a>23.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Admite-se o MS para tal finalidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>EXCEPCIONALMENTE, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do Enunciado Sumular 376\/STJ, <strong>em regra, compete \u00e0 Turma Recursal processar e julgar o mandado de seguran\u00e7a contra ato de juizado especial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, excepcionalmente, admite-se o conhecimento da impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a nos tribunais de justi\u00e7a para fins de exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais, conforme o precedente RMS 48.413\/MS, relator Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 4\/6\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, trata-se de questionamento a respeito do qual \u00e9 a parte legitimada para fornecimento de medicamento no caso concreto, conforme a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, quest\u00e3o, enfim, que perpassa a conclus\u00e3o merit\u00f3ria da demanda judicial em apre\u00e7o, mas diz respeito ao exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais, porquanto a inclus\u00e3o, ou n\u00e3o, da Uni\u00e3o no feito poder\u00e1 levar o tr\u00e2mite e consequente julgamento do processo \u00e0 Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, <strong>a extin\u00e7\u00e3o sem julgamento do m\u00e9rito do processo em decorr\u00eancia da n\u00e3o inclus\u00e3o da Uni\u00e3o na demanda judicial implica, necessariamente, debate acerca da defini\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia, justificando o exerc\u00edcio do controle pelo tribunal de justi\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-23-2-2-resultado-final\"><a>23.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Excepcionalmente, admite-se o conhecimento da impetra\u00e7\u00e3o de mandado de seguran\u00e7a nos tribunais de justi\u00e7a para fins de exerc\u00edcio do controle de compet\u00eancia dos juizados especiais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-fixacao-dos-honorarios-sucumbenciais-nas-acoes-em-que-se-busca-o-fornecimento-de-medicamentos-de-forma-gratuita\"><a><\/a><a>24.&nbsp; Fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios sucumbenciais nas a\u00e7\u00f5es em que se busca o fornecimento de medicamentos de forma gratuita<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nas a\u00e7\u00f5es em que se busca o fornecimento de medicamentos de forma gratuita, os honor\u00e1rios sucumbenciais podem ser arbitrados por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, tendo em vista que o proveito econ\u00f4mico, em regra, \u00e9 inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.060.919-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6\/6\/2023. (Info 779)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>24.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton ajuizou a\u00e7\u00e3o para obrigar o poder p\u00fablico a arcar com os custos de um medicamento para seu tratamento de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, no que teve sucesso. O rem\u00e9dio tem custo de R$ 148 mil reais, mas o TJ local arbitrou os honor\u00e1rios do advogado de Creiton em apenas mil reais, utilizando-se do crit\u00e9rio da equidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>24.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-1-questao-juridica\"><a>24.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 8\u00ba Nas causas em que for inestim\u00e1vel ou irris\u00f3rio o proveito econ\u00f4mico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixar\u00e1 o valor dos honor\u00e1rios por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, observando o disposto nos incisos do \u00a7 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-2-possivel-o-arbitramento-por-apreciacao-equitativa\"><a>24.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o arbitramento por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ possui entendimento reiterado de que a fixa\u00e7\u00e3o da verba honor\u00e1ria com base no art. 85, \u00a7 8\u00ba, do CPC\/2015 estaria restrita \u00e0s causas em que n\u00e3o se vislumbra benef\u00edcio patrimonial imediato, como, por exemplo, as de estado e de direito de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha, veja-se: [&#8230;] &#8220;(II) <strong>Apenas se admite arbitramento de honor\u00e1rios por equidade quando, havendo ou n\u00e3o condena\u00e7\u00e3o: (a) o proveito econ\u00f4mico obtido pelo vencedor for inestim\u00e1vel ou irris\u00f3rio; ou (b) o valor da causa for muito baixo<\/strong>&#8221; (REsp 1.850.512\/SP, relator Ministro Og Fernandes, Corte Especial, por maioria, julgado em 16\/3\/2022). 6. Na referida assentada, a maioria dos Ministros considerou n\u00edtida a inten\u00e7\u00e3o do legislador em correlacionar a express\u00e3o inestim\u00e1vel valor econ\u00f4mico &#8211; prevista no \u00a7 8\u00ba do art. 85 do CPC &#8211; somente para as causas em que n\u00e3o se vislumbra benef\u00edcio patrimonial imediato, como, por exemplo, nas causas de estado e de direito de fam\u00edlia, n\u00e3o se devendo confundir o termo &#8220;valor inestim\u00e1vel&#8221; com &#8220;valor elevado&#8221;. [&#8230;] (AgInt nos EDcl nos EREsp 1.866.671\/RS, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, julgado em 21\/9\/2022, DJe de 27\/9\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se aplica \u00e0s demandas voltadas ao custeio de medicamentos para tratamento de sa\u00fade, haja vista que n\u00e3o se vislumbra benef\u00edcio patrimonial imediato.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-24-2-3-resultado-final\"><a>24.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nas a\u00e7\u00f5es em que se busca o fornecimento de medicamentos de forma gratuita, os honor\u00e1rios sucumbenciais podem ser arbitrados por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, tendo em vista que o proveito econ\u00f4mico, em regra, \u00e9 inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-im-prescindibilidade-da-intimacao-do-reu-revel-na-fase-de-cumprimento-de-sentenca-nas-hipoteses-em-que-o-executado-estiver-representado-pela-defensoria-publica-ou-nao-possuir-procurador-constituido-nos-autos\"><a><\/a><a>25.&nbsp; (Im)Prescindibilidade da intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u revel na fase de cumprimento de senten\u00e7a nas hip\u00f3teses em que o executado estiver representado pela Defensoria P\u00fablica ou n\u00e3o possuir procurador constitu\u00eddo nos autos.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel a <a>intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u revel na fase de cumprimento de senten\u00e7a<\/a>, devendo ser realizada por interm\u00e9dio de carta com Aviso de Recebimento (AR) nas hip\u00f3teses em que o executado estiver representado pela Defensoria P\u00fablica ou n\u00e3o possuir procurador constitu\u00eddo nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.053.868-RS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/6\/2023, DJe 12\/6\/2023. (Info 780)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>25.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Max Im\u00f3veis ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de alugu\u00e9is em face de Creosvalda. Esta foi intimada no processo cognitivo e se tornou revel, mas n\u00e3o recebeu intima\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a ou do cumprimento de senten\u00e7a. Ap\u00f3s algum tempo, soube da penhora do seu im\u00f3vel. Inconformada, apresentou a impugna\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, a qual foi indeferida em raz\u00e3o da preclus\u00e3o, por se entender desnecess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o pessoal da agravante na fase de cumprimento de senten\u00e7a, em raz\u00e3o do n\u00e3o comparecimento na fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Creosvalda ent\u00e3o interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta ser necess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o pessoal dos devedores no momento do cumprimento de senten\u00e7a prolatada em processo no qual o r\u00e9u, embora citados pessoalmente, n\u00e3o apresentaram defesa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>25.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-1-questao-juridica\"><a>25.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 513. O cumprimento da senten\u00e7a ser\u00e1 feito segundo as regras deste T\u00edtulo, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obriga\u00e7\u00e3o, o disposto no Livro II da Parte Especial deste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba O devedor ser\u00e1 intimado para cumprir a senten\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria P\u00fablica ou quando n\u00e3o tiver procurador constitu\u00eddo nos autos, ressalvada a hip\u00f3tese do inciso IV;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-2-necessaria-a-intimacao-do-reu-revel-para-o-cumprimento-de-sentenca\"><a>25.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u revel para o cumprimento de senten\u00e7a?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Obviamente!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se \u00e9 necess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o da parte executada na fase de cumprimento de senten\u00e7a, quando, apesar de citada na fase de conhecimento, n\u00e3o constitui procurador, verificando-se a revelia.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 513, \u00a7 2\u00ba, II, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC\/2015) disp\u00f5e <strong>que o devedor ser\u00e1 intimado para cumprir a senten\u00e7a &#8220;por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria P\u00fablica ou quando n\u00e3o tiver procurador constitu\u00eddo nos autos, ressalvada a hip\u00f3tese do inciso IV<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma processual \u00e9 clara e n\u00e3o permite nenhum outro entendimento a respeito do tema, sendo, por conseguinte, causa de nulidade a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da parte revel em fase de cumprimento de senten\u00e7a, n\u00e3o obstante ter sido devidamente citada na a\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, nas hip\u00f3teses em que o executado revel estiver sendo representado pela Defensoria P\u00fablica ou n\u00e3o possuir procurador constitu\u00eddo nos autos, a intima\u00e7\u00e3o deve ocorrer por carta com Aviso de Recebimento (AR).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-25-2-3-resultado-final\"><a>25.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel a intima\u00e7\u00e3o do r\u00e9u revel na fase de cumprimento de senten\u00e7a, devendo ser realizada por interm\u00e9dio de carta com Aviso de Recebimento (AR) nas hip\u00f3teses em que o executado estiver representado pela Defensoria P\u00fablica ou n\u00e3o possuir procurador constitu\u00eddo nos autos.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-00daa0ef-b3ea-4f60-9e42-2068e8562c7c\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/01085051\/stj-revisao-i-2023-1-1.pdf\">stj-revisao-i-2023-1-1<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/08\/01085051\/stj-revisao-i-2023-1-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-00daa0ef-b3ea-4f60-9e42-2068e8562c7c\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STJ est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! 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