{"id":1255112,"date":"2023-07-26T09:02:10","date_gmt":"2023-07-26T12:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1255112"},"modified":"2023-08-01T08:22:00","modified_gmt":"2023-08-01T11:22:00","slug":"revisao-stf-parte-1-2023-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/revisao-stf-parte-1-2023-1\/","title":{"rendered":"Revis\u00e3o STF (Parte 1) 2023.1"},"content":{"rendered":"\n<p>O STF est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! Bora revisar o que o STF de mais importante decidiu no primeiro semestre de 2023. Nessa Parte 1 da nossa revis\u00e3o temos Direito Constitucional, Administrativo, Processo Civil e Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/07\/26090111\/stf-revisao-i-2023-1.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_11wNtbUA0aI\"><div id=\"lyte_11wNtbUA0aI\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/11wNtbUA0aI\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/11wNtbUA0aI\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/11wNtbUA0aI\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-constitucional\"><a><\/a><a>DIREITO <\/a>CONSTITUCIONAL<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-art-127-da-lep-perda-de-dias-remidos-por-falta-grave-e-revisao-ou-cancelamento-do-enunciado-da-sumula-vinculante-9\"><a><\/a><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Art. 127 da LEP: perda de dias remidos por falta grave e revis\u00e3o ou cancelamento do enunciado da s\u00famula vinculante 9<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>1. A revoga\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o do ato normativo em que se fundou a edi\u00e7\u00e3o de enunciado de s\u00famula vinculante acarreta, em regra, a necessidade de sua revis\u00e3o ou cancelamento pelo Supremo Tribunal Federal, conforme o caso. 2. \u00c9 constitucional a previs\u00e3o legislativa de perda dos dias remidos pelo condenado que comete falta grave no curso da execu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.116.485\/RS, relator Ministro Luiz Fux julgamento virtual finalizado em 28.2.2023 (Info 1084)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>1.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Defensoria P\u00fablica do RS interp\u00f4s RE alegando a necessidade da revis\u00e3o da S\u00famula Vinculante 9, em virtude da superveni\u00eancia da Lei 12.433\/2011, que, ao alterar o art. 127 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, permite ao juiz, nos casos de cometimento de falta grave, revogar at\u00e9 1\/3 do tempo remido, reiniciando-se a contagem a partir da data da infra\u00e7\u00e3o disciplinar. Para tanto, o juiz dever\u00e1 observar a natureza, os motivos, as circunst\u00e2ncias e as consequ\u00eancias do fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de pris\u00e3o, conforme o art. 57 da LEP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>1.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 11.417\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Revogada ou modificada a lei em que se fundou a edi\u00e7\u00e3o de enunciado de s\u00famula vinculante, o Supremo Tribunal Federal, de of\u00edcio ou por provoca\u00e7\u00e3o, proceder\u00e1 \u00e0 sua revis\u00e3o ou cancelamento, conforme o caso.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>LEP\/1984: \u201cArt. 127.&nbsp; Em caso de falta grave, o juiz poder\u00e1 revogar at\u00e9 1\/3 (um ter\u00e7o) do tempo remido, observado o disposto no art. 57, recome\u00e7ando a contagem a partir da data da infra\u00e7\u00e3o disciplinar<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-se-a-lei-for-alterada-a-sumula-pode-ser-revista\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se a lei for alterada, a s\u00famula pode ser revista?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>At\u00e9 pode, mas aqui n\u00e3o \u00e9 o caso&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em regra, deve-se revisar ou cancelar enunciado de s\u00famula vinculante quando ocorrer a revoga\u00e7\u00e3o ou a altera\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o que lhe serviu de fundamento<strong>. Contudo, o STF pode concluir, com base nas circunst\u00e2ncias do caso concreto, pela desnecessidade de tais medidas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O papel de \u00faltima inst\u00e2ncia decis\u00f3ria e a fun\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3o soberano sobre a interpreta\u00e7\u00e3o constitucional n\u00e3o foram conferidos constitucionalmente ao STF de forma isolada e absoluta. Em um ambiente democr\u00e1tico, n\u00e3o se deve atribuir a qualquer \u00f3rg\u00e3o, seja do Poder Judici\u00e1rio, seja do Poder Legislativo, a faculdade de pronunciar a \u00faltima palavra sobre o sentido da Constitui\u00e7\u00e3o. Com efeito, visando promover o avan\u00e7o e o aperfei\u00e7oamento de solu\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas \u00e0s quest\u00f5es de interesse p\u00fablico, a interpreta\u00e7\u00e3o constitucional deve perpassar por um processo de constru\u00e7\u00e3o plural entre os Poderes estatais \u2014 Legislativo, Executivo e Judici\u00e1rio \u2014 e os diversos segmentos da sociedade civil organizada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Poder Legislativo possui a prerrogativa de superar entendimentos vinculantes firmados pela Corte, mas, a depender do instrumento normativo adotado pelo Congresso Nacional, o caso concreto pode demandar posturas distintas por parte do STF. Nesse contexto, <strong>o art. 5\u00ba da Lei 11.417\/2006, que regulamentou o art. 103-A da CF\/1988, ofereceu solu\u00e7\u00e3o para as hip\u00f3teses em que haja modifica\u00e7\u00e3o ou revoga\u00e7\u00e3o do diploma legislativo em que a edi\u00e7\u00e3o da S\u00famula Vinculante tenha se fundado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na hip\u00f3tese de manifesta d\u00favida sobre a constitucionalidade da lei superveniente de conte\u00fado divergente e da medida legislativa adotada, o Poder Judici\u00e1rio, quando provocado, pode se debru\u00e7ar novamente sobre a quest\u00e3o, de modo a estabelecer a preval\u00eancia ou n\u00e3o do conte\u00fado da S\u00famula Vinculante no caso concreto, com a manuten\u00e7\u00e3o de seus efeitos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria,&nbsp;ao apreciar o Tema 477 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio. Nos termos do art. 5\u00ba da Lei 11.417\/2006, o Tribunal resolveu aguardar o julgamento das Propostas de S\u00famula Vinculante&nbsp;60&nbsp;e&nbsp;64&nbsp;para que se delibere quanto \u00e0 oportunidade da revis\u00e3o ou cancelamento da SV 9, via adequada para aprecia\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-remocao-entre-juizes-vinculados-a-tribunais-de-justica-distintos\"><a><\/a><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Remo\u00e7\u00e3o entre ju\u00edzes vinculados a tribunais de justi\u00e7a distintos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a>\u00c9 inconstitucional \u2014 por violar a compet\u00eancia da Uni\u00e3o para dispor sobre a magistratura brasileira, tanto na justi\u00e7a estadual como na justi\u00e7a federal \u2014 norma estadual que permite a remo\u00e7\u00e3o entre ju\u00edzes de direito vinculados a diferentes tribunais de justi\u00e7a.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>ADI 6.782\/RN, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 3.3.2023 (Info 1085)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O PGR ajuizou a ADI 6782 em face de dispositivos de legisla\u00e7\u00e3o do Acre que permitia a remo\u00e7\u00e3o, por permuta, entre magistrados vinculados a Tribunais de Justi\u00e7a de diferentes estados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201cArt. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispor\u00e1 sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princ\u00edpios<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-a-norma-e-constitucional\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma \u00e9 constitucional?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o advento da lei complementar de iniciativa do STF, o Estatuto da Magistratura continua a ser disciplinado pela Lei Complementar 35\/1979 (Lei Org\u00e2nica da Magistratura Nacional &#8211; LOMAN).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As disposi\u00e7\u00f5es da LOMAN constituem um regime jur\u00eddico \u00fanico dos magistrados do Pa\u00eds.<\/strong> Assim, como o Poder Judici\u00e1rio \u00e9 nacional, os seus membros devem se submeter a regras uniformes, de modo que, para preservar a independ\u00eancia assegurada constitucionalmente ao Poder Judici\u00e1rio, as normas da LOMAN vinculam o legislador e o judici\u00e1rio estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o quer dizer que pode permuta, por que o Poder \u00e9 nacional. Ao contr\u00e1rio! N\u00e3o se pode admitir que este ou aquele estado admitam tal modalidade de remo\u00e7\u00e3o. Logo, passou em um concurso de magistratura estadual, fica naquela estado. Se quiser ir para outro, faz concurso de novo!<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade do trecho&nbsp;<em>\u201cpermitindo-se a remo\u00e7\u00e3o entre ju\u00edzes vinculados a Tribunais de Justi\u00e7a distintos, por resolu\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do Tribunal com a defini\u00e7\u00e3o dos requisitos m\u00ednimos\u201d,<\/em>&nbsp;constante do art. 76,&nbsp;caput, da Lei Complementar 643\/2018 do Estado do Rio Grande do Norte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-requisicao-de-instauracao-de-inquerito-policial-pela-defensoria-publica\"><a><\/a><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisi\u00e7\u00e3o de instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial pela Defensoria P\u00fablica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional norma estadual que confere \u00e0 Defensoria P\u00fablica o poder de requisi\u00e7\u00e3o para instaurar inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 4.346\/MG, relator Ministro Roberto Barroso, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 10.3.2023 (Info 1086)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>3.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico (Conamp) ajuizou no STF a ADI n\u00ba 4346, impugnando dispositivos de lei mineira que torna privativa da Defensoria P\u00fablica a assist\u00eancia jur\u00eddica aos necessitados e inclui entre as atribui\u00e7\u00f5es da Defensoria a requisi\u00e7\u00e3o e instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Conamp alega que os dispositivos impugnados ofendem os artigos 5\u00ba, incisos LV e LXXIV; o artigo 22, I; o caput do artigo 127 e os incisos I, III e VI do artigo 129, todos da CF.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>3.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP\/1941: \u201cArt. 5\u00ba Nos crimes de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica o inqu\u00e9rito policial ser\u00e1 iniciado: I &#8211; de of\u00edcio; II &#8211; mediante requisi\u00e7\u00e3o da autoridade judici\u00e1ria ou do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para represent\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-a-norma-e-constitucional\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma \u00e9 constitucional?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>N\u00e3o pode ser estendida \u00e0 requisi\u00e7\u00e3o de instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial o racioc\u00ednio inerente ao reconhecimento da constitucionalidade do poder concedido \u00e0 Defensoria P\u00fablica de requisitar, de qualquer autoridade e de seus agentes, certid\u00f5es, exames, per\u00edcias, vistorias, dilig\u00eancias, processos, documentos, informa\u00e7\u00f5es, esclarecimentos e demais provid\u00eancias necess\u00e1rias ao exerc\u00edcio de suas atribui\u00e7\u00f5es.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O poder de requisitar a instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 persecu\u00e7\u00e3o penal no Pa\u00eds, o que exige uma disciplina uniforme em todo o territ\u00f3rio nacional<\/strong>. Nesse contexto, o C\u00f3digo de Processo Penal \u2014 norma editada no exerc\u00edcio da compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito processual (CF\/1988, art. 22, I) \u2014 j\u00e1 delimitou essa atribui\u00e7\u00e3o, conferindo-a SOMENTE \u00e0 autoridade judici\u00e1ria ou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio,&nbsp;por unanimidade, conheceu em parte da a\u00e7\u00e3o e, nessa extens\u00e3o, por maioria, a julgou parcialmente procedente apenas para declarar a inconstitucionalidade da express\u00e3o \u201c<em>a instaura\u00e7\u00e3o de inqu\u00e9rito policial<\/em>\u201d, constante do art. 45, XXI, da Lei Complementar 65\/2003 do Estado de Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-vinculacao-da-remuneracao-do-ministerio-publico-com-a-da-magistratura\"><a><\/a><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vincula\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico com a da Magistratura<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o entre os subs\u00eddios dos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou de fun\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 Justi\u00e7a, e a remunera\u00e7\u00e3o da magistratura \u00e9 vedada pelo art. 37, XIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 570\/PE, relator Ministro Roberto Barroso, julgamento virtual finalizado em 10.3.2023 (Info 1086)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>4.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros-AMB ajuizou a ADI 570 por meio da qual requer a declara\u00e7\u00e3o da inconstitucionalidade dos dispositivos das Leis estaduais n\u00ba 10.437 e n\u00ba 10.438, ambas do estado de Pernambuco, por violarem o artigo 37, incisos IX, XI e XIII, da CF, pois concediam gratifica\u00e7\u00f5es aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico e equiparavam seus vencimentos aos dos magistrados daquele estado em caso de reajuste. Al\u00e9m disso, faziam o mesmo com diversos cargos de procuradores, auditores etc., para que tivessem equipara\u00e7\u00e3o aos membros da magistratura e do MP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>4.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: (&#8230;) XIII &#8211; \u00e9 vedada a vincula\u00e7\u00e3o ou equipara\u00e7\u00e3o de quaisquer esp\u00e9cies remunerat\u00f3rias para o efeito de remunera\u00e7\u00e3o de pessoal do servi\u00e7o p\u00fablico; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n\u00ba 19, de 1998)\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-possivel-a-vinculacao\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a vincula\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a disciplina constitucional origin\u00e1ria quanto a nova reda\u00e7\u00e3o trazida pela EC 19\/1998 vedam a vincula\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria entre cargos p\u00fablicos cujas atribui\u00e7\u00f5es sejam distintas, como \u00e9 o caso de magistrados e membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>\u00e9 poss\u00edvel estabelecer gratifica\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 Justi\u00e7a, em favor de membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico com base no mesmo percentual e na mesma forma da gratifica\u00e7\u00e3o dada ao magistrado<\/strong>, uma vez que o percentual incide sobre o vencimento base de cada qual e constitui apenas um par\u00e2metro de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, (i) julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar inconstitucionais o art. 3\u00ba da Lei 10.437\/1990 e o&nbsp;caput&nbsp;do art. 3\u00ba da Lei 10.438\/1990, ambas do Estado de Pernambuco; e (ii) julgou improcedente a a\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 parte final do art. 2\u00ba dos referidos diplomas legais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-responsabilidade-civil-do-estado-e-morte-de-cidadao-em-acao-policial-armada\"><a><\/a><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade civil do Estado e morte de cidad\u00e3o em a\u00e7\u00e3o policial armada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No caso de v\u00edtima atingida por proj\u00e9til de arma de fogo durante uma opera\u00e7\u00e3o policial, \u00e9 dever do Estado, em decorr\u00eancia de sua responsabilidade civil objetiva, provar a exclus\u00e3o do nexo causal entre o ato e o dano, pois ele \u00e9 presumido.<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 1.382.159 AgR\/RJ, relator Ministro Nunes Marques, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Gilmar Mendes (Info 1089)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>5.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Um menino dormia em sua casa quando foi atingido na cabe\u00e7a por uma bala perdida. A situa\u00e7\u00e3o ocorreu durante uma opera\u00e7\u00e3o na favela carioca. A fam\u00edlia ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do estado carioca requerendo indeniza\u00e7\u00e3o. Ocorre que, de alguma forma, o proj\u00e9til n\u00e3o foi encontrado, raz\u00e3o pela qual o RJ sustenta que seria imposs\u00edvel atribuir a responsabilidade da morte ao estado, j\u00e1 que n\u00e3o haveria como provar que o tiro teria sido efetuado por policiais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>5.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;CPC\/2015: \u201cArt. 373. O \u00f4nus da prova incumbe: (&#8230;)<a><\/a>&nbsp;II &#8211; ao r\u00e9u, quanto \u00e0 exist\u00eancia de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-ha-responsabilidade-estatal\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 responsabilidade estatal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No contexto de incurs\u00f5es policiais, comprovado o confronto armado entre agentes estatais e criminosos (a\u00e7\u00e3o), e a les\u00e3o ou morte de cidad\u00e3o (dano) por disparo de arma de fogo (nexo), o Estado deve comprovar a ocorr\u00eancia de hip\u00f3teses interruptivas da rela\u00e7\u00e3o de causalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A a\u00e7\u00e3o de agentes estatais \u2014 munidos de armamento letal, em \u00e1rea urbana densamente povoada, deflagrando ou reagindo a confronto com criminosos \u2014 imp\u00f5e ao ente estatal a demonstra\u00e7\u00e3o da conformidade da interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica<\/strong>, visto que possui condi\u00e7\u00f5es de elucidar as causas e circunst\u00e2ncias do evento danoso.<\/p>\n\n\n\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o desse \u00f4nus probat\u00f3rio \u00e9 decorr\u00eancia l\u00f3gica do monop\u00f3lio estatal do uso da for\u00e7a e dos meios de investiga\u00e7\u00e3o. <strong>O Estado possui os meios para tanto<\/strong> \u2014 como c\u00e2meras corporais e peritos oficiais \u2014, <strong>cabendo-lhe averiguar as externalidades negativas de sua a\u00e7\u00e3o armada, coligindo evid\u00eancias e elaborando os laudos que permitam a identifica\u00e7\u00e3o das reais circunst\u00e2ncias da morte de civis<\/strong> desarmados dentro de sua pr\u00f3pria resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, a per\u00edcia foi inconclusiva sobre a origem do disparo. A v\u00edtima foi alvejada por proj\u00e9til de arma de fogo dentro de sua pr\u00f3pria casa, enquanto deitado na cama com sua m\u00e3e, quando ocorria incurs\u00e3o de agentes estatais armados, com disparos de armas de fogo. Assim, ausente a comprova\u00e7\u00e3o pelo Estado de caso fortuito, for\u00e7a maior, culpa exclusiva da v\u00edtima, fato de terceiro ou outra circunst\u00e2ncia interruptiva do nexo causal, mostra-se inafast\u00e1vel o dever de indenizar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, a Segunda Turma, por maioria, deu provimento ao agravo interno e ao recurso extraordin\u00e1rio com agravo para julgar procedentes, em parte, os pedidos e condenar o Estado do Rio de Janeiro ao pagamento de compensa\u00e7\u00e3o por danos morais a parentes da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-poderes-judiciario-e-legislativo-estaduais-representacao-judicial-extraordinaria-e-atribuicoes-do-procurador-geral-da-assembleia-legislativa-e-dos-consultores-juridicos-do-poder-judiciario\"><a><\/a><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poderes Judici\u00e1rio e Legislativo estaduais: representa\u00e7\u00e3o judicial extraordin\u00e1ria e atribui\u00e7\u00f5es do Procurador-Geral da Assembleia Legislativa e dos consultores jur\u00eddicos do Poder Judici\u00e1rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a institui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, fun\u00e7\u00f5es ou carreiras especiais voltadas \u00e0 consultoria e assessoramento jur\u00eddicos dos Poderes Judici\u00e1rio e Legislativo estaduais, admitindo-se a representa\u00e7\u00e3o judicial extraordin\u00e1ria exclusivamente nos casos em que os referidos entes despersonalizados necessitem praticar em ju\u00edzo, em nome pr\u00f3prio, atos processuais na defesa de sua autonomia, prerrogativas e independ\u00eancia face aos demais Poderes, desde que a atividade desempenhada pelos referidos \u00f3rg\u00e3os, fun\u00e7\u00f5es e carreiras especiais remanes\u00e7a devidamente apartada da atividade-fim do Poder estadual a que se encontram vinculados.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 6.433\/PR, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento virtual finalizado em 31.3.2023 (Info 1089)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>6.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal (Anape) ajuizou no STF a ADI 6433 em que contesta dispositivos da Emenda Constitucional 44\/2019 do Estado do Paran\u00e1, que trata da atua\u00e7\u00e3o da Procuradoria da Assembleia Legislativa e da Consultoria Jur\u00eddica do Tribunal de Justi\u00e7a local.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a associa\u00e7\u00e3o, a emenda amplia as atribui\u00e7\u00f5es do procurador-geral da Assembleia Legislativa, ao incluir sua atua\u00e7\u00e3o no processo judicial que versar sobre ato praticado pelo Poder Legislativo ou por sua administra\u00e7\u00e3o. A entidade alega que isso usurpa as atribui\u00e7\u00f5es das carreiras exclusivas dos procuradores dos estados (artigo 132 da CF). Argumenta ainda que a cria\u00e7\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es da Consultoria Jur\u00eddica do TJ n\u00e3o poderia ser feita por iniciativa parlamentar, mas do pr\u00f3prio Tribunal, conforme previs\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>6.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-a-norma-encontra-respaldo-na-cf\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma encontra respaldo na CF?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a institui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, fun\u00e7\u00f5es ou carreiras especiais para consultoria e assessoramento jur\u00eddicos do Poder Legislativo ou do Poder Judici\u00e1rio estaduais, <strong>admitindo-se a representa\u00e7\u00e3o judicial extraordin\u00e1ria apenas nos casos em que o Poder estadual correspondente precise defender em ju\u00edzo, em nome pr\u00f3prio, sua autonomia, prerrogativas e independ\u00eancia em face dos demais Poderes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STF reconhece a validade da estrutura\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e carreiras especiais voltados \u00e0 consultoria e ao assessoramento jur\u00eddicos de assembleias legislativas e tribunais de justi\u00e7a estaduais, bem assim a possibilidade de institui\u00e7\u00e3o de carreiras especiais para a representa\u00e7\u00e3o judicial dos aludidos entes despersonalizados nas situa\u00e7\u00f5es em que precisem praticar em ju\u00edzo, em nome pr\u00f3prio, atos processuais na defesa de sua autonomia, prerrogativas e independ\u00eancia em face dos demais Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas hip\u00f3teses em que admitida, a atividade de representa\u00e7\u00e3o judicial extraordin\u00e1ria a ser desempenhada pelos \u00f3rg\u00e3os, fun\u00e7\u00f5es ou carreiras especiais deve permanecer devidamente apartada da atividade-fim do Poder estadual ao qual vinculados<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A constitucionalidade da pr\u00e1tica pressup\u00f5e o atendimento de normas de procedimento destinadas a garantir a efetiva observ\u00e2ncia do regramento constitucional da advocacia p\u00fablica<\/strong>, sobretudo o princ\u00edpio da moralidade administrativa (CF\/1988, art. 37) e as normas que regem o exerc\u00edcio da advocacia de Estado (CF\/1988,&nbsp;arts. 131 a 133).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, para evitar potenciais conflitos de interesse incompat\u00edveis com a administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, os estados devem observar a diretriz do art. 28, IV, da Lei 8.906\/1994 (Estatuto da OAB), segundo a qual a advocacia \u00e9 incompat\u00edvel com as atividades desenvolvidas pelos ocupantes de cargos ou fun\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 atividade jurisdicional do Poder Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ofende o princ\u00edpio do concurso p\u00fablico a mudan\u00e7a da denomina\u00e7\u00e3o do cargo p\u00fablico efetivo de assessor jur\u00eddico para a de consultor jur\u00eddico, <strong>quando ausente efetiva transforma\u00e7\u00e3o ou transposi\u00e7\u00e3o de um cargo no outro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a mera altera\u00e7\u00e3o de nomenclatura de cargo p\u00fablico. Para que a reestrutura\u00e7\u00e3o de cargos seja considerada adequada diante do princ\u00edpio do concurso p\u00fablico (CF\/1988, art. 37, II), \u00e9 necess\u00e1ria a presen\u00e7a simult\u00e2nea de tr\u00eas requisitos fundamentais: (i) a similitude entre as atribui\u00e7\u00f5es dos cargos envolvidos; (ii) a identidade dos requisitos de escolaridade entre os cargos e; (iii) a equival\u00eancia salarial entre eles.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-resultado-final\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><a>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para:&nbsp;<\/a>(i) declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, do art. 124-A da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Paran\u00e1, apenas para conferir-lhe interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a fim de limitar a atua\u00e7\u00e3o dos procuradores da Assembleia Legislativa aos casos em que atuem em nome do Poder Legislativo para a defesa de sua autonomia, de suas prerrogativas e de sua independ\u00eancia frente aos demais Poderes e; (ii) declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redu\u00e7\u00e3o de texto, do art. 243-B da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado do Paran\u00e1, para conferir-lhe interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a fim de estabelecer que: (i) apenas os Consultores Jur\u00eddicos do Poder Judici\u00e1rio do Paran\u00e1 encarregados das fun\u00e7\u00f5es de defesa institucional devem desempenhar a representa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria prevista pelo constituinte estadual, atividade a ser desempenhada mediante a manuten\u00e7\u00e3o de inscri\u00e7\u00e3o profissional junto ao Conselho Seccional da OAB\/PR e em regime de dedica\u00e7\u00e3o exclusiva e integral, vedado o exerc\u00edcio de outra atividade que tenha rela\u00e7\u00e3o, direta ou indireta, com o assessoramento da atividade jurisdicional do Poder Judici\u00e1rio; e (ii) os demais Consultores Jur\u00eddicos do Poder Judici\u00e1rio do Paran\u00e1 que exer\u00e7am outras fun\u00e7\u00f5es, em especial fun\u00e7\u00f5es relacionadas ao assessoramento da atividade jurisdicional daquela Corte, devem permanecer apartados das atividades de representa\u00e7\u00e3o judicial extraordin\u00e1ria do Poder Judici\u00e1rio estadual, com inscri\u00e7\u00e3o profissional junto ao Conselho Seccional da OAB\/PR inativa, sendo-lhes vedado o exerc\u00edcio da referida atividade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-ordem-dos-advogados-do-brasil-e-dever-de-prestar-contas-ao-tribunal-de-contas-da-uniao\"><a><\/a><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ordem dos Advogados do Brasil e dever de prestar contas ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Conselho Federal e os Conselhos Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil n\u00e3o est\u00e3o obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o nem a qualquer outra entidade externa.<\/p>\n\n\n\n<p>RE 1.182.189\/BA, relator Ministro Marco Aur\u00e9lio, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 24.4.2023 (Info 1091)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>7.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MPF interp\u00f4s RE para questionar ac\u00f3rd\u00e3o do TRF-1 que, com fundamento no decidido pelo Supremo na ADI 3026 \u2013 na qual a Corte atribuiu \u00e0 OAB natureza jur\u00eddica diferenciada em raz\u00e3o do reconhecimento de sua autonomia e de sua finalidade institucional \u2013, afastou a obriga\u00e7\u00e3o da entidade de prestar contas ao TCU. O TRF-1 assentou que a natureza das finalidades institucionais exige gest\u00e3o isenta da inger\u00eancia do Poder P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>No RE, o MPF sustenta que a decis\u00e3o do TRF-1 ofende o artigo 70, par\u00e1grafo \u00fanico, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, segundo o qual \u201cprestar\u00e1 contas qualquer pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, p\u00fablica ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores p\u00fablicos ou pelos quais a Uni\u00e3o responda, ou que, em nome desta, assuma obriga\u00e7\u00f5es de natureza pecuni\u00e1ria\u201d. Argumenta que, no julgamento da ADI 3026, a an\u00e1lise do STF se restringiu ao tema da vincula\u00e7\u00e3o da OAB \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de concurso p\u00fablico para contrata\u00e7\u00e3o de pessoal, sem afastar a incid\u00eancia do regime administrativo em rela\u00e7\u00e3o aos demais aspectos, como o dever de prestar contas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>7.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988: \u201cArt. 70. A fiscaliza\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil, financeira, or\u00e7ament\u00e1ria, operacional e patrimonial da Uni\u00e3o e das entidades da administra\u00e7\u00e3o direta e indireta, quanto \u00e0 legalidade, legitimidade, economicidade, aplica\u00e7\u00e3o das subven\u00e7\u00f5es e ren\u00fancia de receitas, ser\u00e1 exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Par\u00e1grafo \u00fanico. Prestar\u00e1 contas qualquer pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, p\u00fablica ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores p\u00fablicos ou pelos quais a Uni\u00e3o responda, ou que, em nome desta, assuma obriga\u00e7\u00f5es de natureza pecuni\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Lei 8.906\/1994: \u201cArt. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), servi\u00e7o p\u00fablico, dotada de personalidade jur\u00eddica e forma federativa, tem por finalidade: I &#8211; defender a Constitui\u00e7\u00e3o, a ordem jur\u00eddica do Estado democr\u00e1tico de direito, os direitos humanos, a justi\u00e7a social, e pugnar pela boa aplica\u00e7\u00e3o das leis, pela r\u00e1pida administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e pelo aperfei\u00e7oamento da cultura e das institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas; II &#8211; promover, com exclusividade, a representa\u00e7\u00e3o, a defesa, a sele\u00e7\u00e3o e a disciplina dos advogados em toda a Rep\u00fablica Federativa do Brasil. \u00a7 1\u00ba A OAB n\u00e3o mant\u00e9m com \u00f3rg\u00e3os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica qualquer v\u00ednculo funcional ou hier\u00e1rquico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-oab-presta-contas-ao-tcu\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; OAB presta contas ao TCU?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!! E nem a outra entidade externa!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) n\u00e3o se sujeita \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de contas perante o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) e a aus\u00eancia dessa obrigatoriedade n\u00e3o representa ofensa ao art. 70, par\u00e1grafo \u00fanico, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, j\u00e1 que inexiste previs\u00e3o expressa em sentido diverso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O STF j\u00e1 afastou a sujei\u00e7\u00e3o da OAB aos ditames impostos \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica direta e indireta, dada a sua categoria \u00edmpar no elenco das personalidades jur\u00eddicas<\/strong>, na medida em que \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o com natureza jur\u00eddica pr\u00f3pria e dotada de autonomia e independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, considerada a sua fun\u00e7\u00e3o institucional, a OAB exerce servi\u00e7o p\u00fablico independente, que n\u00e3o se confunde com servi\u00e7o estatal, e cujo controle pode ser realizado por vias diversas da do TCU. Assim, \u00e9 necess\u00e1rio conferir o mais alto grau de liberdade para que a OAB tenha condi\u00e7\u00f5es de cumprir suas fun\u00e7\u00f5es constitucionalmente privilegiadas, tendo em vista que os advogados s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a (CF\/1988, art. 133).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>a Ordem gere recursos privados arrecadados de seus associados, distinguindo-se dos demais conselhos de fiscaliza\u00e7\u00e3o profissional, os quais recolhem contribui\u00e7\u00e3o de natureza tribut\u00e1ria, que adv\u00e9m da movimenta\u00e7\u00e3o financeira do Estado<\/strong>. Por essa raz\u00e3o, suas finan\u00e7as n\u00e3o se submetem ao controle estatal, tampouco se enquadram no conceito jur\u00eddico de Fazenda P\u00fablica, cujo controle se sujeita \u00e0s regras da Lei 4.320\/1964.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o&nbsp;Tema 1.054 da repercuss\u00e3o geral, desproveu o recurso extraordin\u00e1rio, de modo a manter o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-denuncia-de-tratados-internacionais-necessidade-da-manifestacao-da-vontade-do-congresso-nacional\"><a><\/a><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Den\u00fancia de tratados internacionais: necessidade da manifesta\u00e7\u00e3o da vontade do Congresso Nacional<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O DECLARAT\u00d3RIA DE CONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia pelo Presidente da Rep\u00fablica de tratados internacionais aprovados pelo Congresso Nacional, para que produza efeitos no ordenamento jur\u00eddico interno, n\u00e3o prescinde da sua aprova\u00e7\u00e3o pelo Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>ADC 39\/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 16.6.2023 (Info 1099)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>8.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC) ajuizou no STF a ADC 39, que tem por objeto o Decreto 2.100\/1996, no qual o ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica, Fernando Henrique Cardoso, comunicou a ren\u00fancia do Brasil ao cumprimento da Conven\u00e7\u00e3o 158 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). J\u00e1 a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) sustenta que o Decreto viola o artigo 49, inciso I da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A contenda \u00e9 que a norma da OIT disciplina rela\u00e7\u00f5es de direito privado entre empregadores e empregados, enquanto o artigo 49, inciso I, da CF define a compet\u00eancia exclusiva do Congresso Nacional para resolver definitivamente sobre tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrim\u00f4nio nacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>8.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>&nbsp;CF\/1988: \u201cArt. 49. \u00c9 da compet\u00eancia exclusiva do Congresso Nacional: I &#8211; resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrim\u00f4nio nacional; (&#8230;) Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da Rep\u00fablica: (&#8230;) VIII &#8211; celebrar tratados, conven\u00e7\u00f5es e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-dispensada-a-aprovacao-pelo-cn\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dispensada a aprova\u00e7\u00e3o pelo CN?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em decorr\u00eancia do pr\u00f3prio Estado Democr\u00e1tico de Direito e de seu corol\u00e1rio, o princ\u00edpio da legalidade, \u00e9 necess\u00e1ria a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade do Congresso Nacional para que a den\u00fancia de um tratado internacional produza efeitos no direito dom\u00e9stico, raz\u00e3o pela qual \u00e9 inconstitucional a den\u00fancia unilateral pelo Presidente da Rep\u00fablica. Contudo, <strong>esse entendimento deve ser aplicado somente a partir da publica\u00e7\u00e3o da ata do presente julgamento, mantendo-se a efic\u00e1cia das den\u00fancias realizadas at\u00e9 esse marco temporal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A exclus\u00e3o das normas incorporadas ao ordenamento jur\u00eddico interno n\u00e3o pode ocorrer de forma autom\u00e1tica, por vontade exclusiva do Presidente da Rep\u00fablica, sob pena de vulnerar o princ\u00edpio democr\u00e1tico, a separa\u00e7\u00e3o de Poderes, o sistema de freios e contrapesos e a pr\u00f3pria soberania popular. Assim, uma vez ingressado no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio mediante referendo do Congresso Nacional, a supress\u00e3o do tratado internacional pressup\u00f5e tamb\u00e9m a chancela popular por meio de seus representantes eleitos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa participa\u00e7\u00e3o do Poder Legislativo ganha import\u00e2ncia ainda mais elevada quando se tem em perspectiva normas de prote\u00e7\u00e3o aos direitos humanos<\/strong>. Na esp\u00e9cie, trata-se de den\u00fancia da Conven\u00e7\u00e3o 158 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho &#8211; OIT, cujo intuito \u00e9 proteger os trabalhadores contra a dispensa arbitr\u00e1ria ou sem justa causa (direito social previsto no art. 7\u00ba, I, da CF\/1988).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em homenagem ao princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica,<\/strong> deve ser mantida a validade do Decreto 2.100\/1996, por meio do qual o Presidente da Rep\u00fablica tornou p\u00fablica a den\u00fancia da Conven\u00e7\u00e3o 158 da OIT.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora, \u00e0 luz do ordenamento constitucional, a den\u00fancia de tratados internacionais dependa de anu\u00eancia do Congresso Nacional para surtir efeitos internamente, a pr\u00e1tica institucional resultou em uma aceita\u00e7\u00e3o t\u00e1cita da den\u00fancia unilateral por reiteradas vezes e em per\u00edodos variados da hist\u00f3ria nacional, de modo que se consubstanciou em costume consolidado pelo tempo e que vinha sendo adotado de boa-f\u00e9 e com justa expectativa de legitimidade, eis que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o foi formalmente invalidado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para manter a validade do Decreto 2.100\/1996 e formular apelo ao legislador \u201cpara que elabore disciplina acerca da den\u00fancia dos tratados internacionais, a qual preveja a chancela do Congresso Nacional como condi\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de efeitos na ordem jur\u00eddica interna, por se tratar de um imperativo democr\u00e1tico e de uma exig\u00eancia do princ\u00edpio da legalidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-impedimento-da-aposentadoria-voluntaria-e-da-exoneracao-a-pedido-de-servidor-estadual-que-responde-a-processo-administrativo-disciplinar\"><a><\/a><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Impedimento da aposentadoria volunt\u00e1ria e da exonera\u00e7\u00e3o a pedido de servidor estadual que responde a processo administrativo disciplinar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional norma estadual que impede a exonera\u00e7\u00e3o a pedido e a aposentadoria volunt\u00e1ria de servidor que responde a processo administrativo disciplinar (PAD). Contudo, \u00e9 poss\u00edvel conceder a aposentadoria ao investigado quando a conclus\u00e3o do PAD n\u00e3o observar prazo razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 6.591\/DF, relator Ministro Edson Fachin, julgamento virtual finalizado em 2.5.2023 (Info 1092)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>9.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Foi ajuizada a ADI 6591 em face de norma estadual baiana que impedia a exonera\u00e7\u00e3o a pedido e a aposentadoria volunt\u00e1ria de servidor que respondesse a processo administrativo disciplinar (PAD).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>9.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 8.112\/1990: \u201cArt. 172.&nbsp;&nbsp;O servidor que responder a processo disciplinar s\u00f3 poder\u00e1 ser exonerado a pedido, ou aposentado voluntariamente, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do processo e o cumprimento da penalidade, acaso aplicada. Par\u00e1grafo \u00fanico. Ocorrida a exonera\u00e7\u00e3o de que trata o par\u00e1grafo \u00fanico, inciso I do art. 34, o ato ser\u00e1 convertido em demiss\u00e3o, se for o caso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-pode-segurar-o-sujeito-pelo-cangote\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pode segurar o sujeito pelo cangote<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Pode. Mas \u00e9 poss\u00edvel conceder a aposentadoria ao investigado quando a conclus\u00e3o do PAD n\u00e3o observar prazo razo\u00e1vel!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o possui discricionariedade para deixar de aplicar penalidades disciplinares quando os fatos se amoldarem ao tipo legal, assim como para estender, de modo desproporcional, o prazo para a conclus\u00e3o do respectivo processo administrativo. Assim, \u00e9 poss\u00edvel a cumula\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es \u2014 pois se revela como medida razo\u00e1vel e proporcional \u2014 necess\u00e1rias para a observ\u00e2ncia do princ\u00edpio democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a indisponibilidade dos bens para o ressarcimento do dano ou a configura\u00e7\u00e3o de eventual inelegibilidade \u2014 penalidades aplic\u00e1veis quando o servidor \u00e9 demitido \u2014 justificam a previs\u00e3o do art. 172 da Lei 8.112\/1990 \u2014 que disp\u00f5e sobre o regime jur\u00eddico dos servidores p\u00fablicos civis da Uni\u00e3o, das autarquias e das funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais \u2014, e cuja reda\u00e7\u00e3o foi replicada pela lei estadual impugnada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o <strong>tempo de espera para a conclus\u00e3o do PAD pode ser demasiado e acabar atingindo, de forma reflexa, o direito \u00e0 aposentadoria<\/strong>. Se isso ocorrer, \u00e9 necess\u00e1rio verificar, \u00e0 luz do caso concreto, o real motivo da demora: se a des\u00eddia, entre outras possibilidades, decorre do abuso do direito de defesa, pela complexidade do caso, ou pela necessidade de produ\u00e7\u00e3o de provas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse entendimento, o Plen\u00e1rio, por maioria,&nbsp;julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 240 da Lei 6.677\/1994 do Estado da Bahia, a fim de assentar que, em caso de inobserv\u00e2ncia de prazo razo\u00e1vel para a conclus\u00e3o de processo administrativo disciplinar, seja poss\u00edvel a concess\u00e3o de aposentadoria a servidor investigado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-colaboracao-premiada-possibilidade-de-utilizacao-no-ambito-de-acao-civil-publica-por-ato-de-improbidade-administrativa\"><a><\/a><a><\/a><a>10.&nbsp; <em>Colabora\u00e7\u00e3o<\/em><\/a><em>&nbsp;premiada: possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por ato de improbidade administrativa<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>&nbsp;RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO COM AGRAVO<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 constitucional a utiliza\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o premiada, nos termos da Lei 12.850\/2013, no \u00e2mbito civil, em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por ato de improbidade administrativa movida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, observando-se as seguintes diretrizes: (1) Realizado o acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada, ser\u00e3o remetidos ao juiz, para an\u00e1lise, o respectivo termo, as declara\u00e7\u00f5es do colaborador e c\u00f3pia da investiga\u00e7\u00e3o, devendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisar\u00e1 os seguintes aspectos na homologa\u00e7\u00e3o: regularidade, legalidade e voluntariedade da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade, especialmente nos casos em que o colaborador est\u00e1 ou esteve sob efeito de medidas cautelares, nos termos dos \u00a7\u00a7 6\u00ba e 7\u00ba do artigo 4\u00ba da referida Lei 12.850\/2013; (2) As declara\u00e7\u00f5es do agente colaborador, desacompanhadas de outros elementos de prova, s\u00e3o insuficientes para o in\u00edcio da a\u00e7\u00e3o civil por ato de improbidade; (3) A obriga\u00e7\u00e3o de ressarcimento do dano causado ao er\u00e1rio pelo agente colaborador deve ser integral, n\u00e3o podendo ser objeto de transa\u00e7\u00e3o ou acordo, sendo v\u00e1lida a negocia\u00e7\u00e3o em torno do modo e das condi\u00e7\u00f5es para a indeniza\u00e7\u00e3o; (4) O acordo de colabora\u00e7\u00e3o deve ser celebrado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, com a interveni\u00eancia da pessoa jur\u00eddica interessada e devidamente homologado pela autoridade judicial; (5) Os acordos j\u00e1 firmados somente pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ficam preservados at\u00e9 a data deste julgamento, desde que haja previs\u00e3o de total ressarcimento do dano, tenham sido devidamente homologados em Ju\u00edzo e regularmente cumpridos pelo beneficiado.<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 1.175.650\/PR, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 30.6.2023 (Info 1101)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Paran\u00e1 prop\u00f4s a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por ato de improbidade administrativa contra um auditor fiscal e mais 24 pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas. Na Opera\u00e7\u00e3o Publicano, revelou-se a exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o criminosa que obtinha vantagem patrimonial por meio de acordos (corrup\u00e7\u00e3o) com empres\u00e1rios sujeitos \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria na Receita Estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP-PR requereu a indisponibilidade de valores e de bens m\u00f3veis e im\u00f3veis dos acusados e a imposi\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es previstas na Lei 8.429\/1992 (Lei de Improbidade Administrativa). A defesa de um dos auditores investigados alega que a medida se amparou em elementos colhidos em colabora\u00e7\u00e3o premiada, cuja utiliza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o de improbidade n\u00e3o seria admitida pelo artigo 17, par\u00e1grafo 1\u00ba, da Lei 8.429\/1992.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei 13.964\/2019: \u201cArt. 6\u00ba A Lei n\u00ba 8.429, de 2 de junho de 1992, passa a vigorar com as seguintes altera\u00e7\u00f5es: \u2018Art. 17&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba As a\u00e7\u00f5es de que trata este artigo admitem a celebra\u00e7\u00e3o de acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o c\u00edvel, nos termos desta Lei.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-o-uso-da-colaboracao-premiada-em-acp-por-ato-de-improbidade\"><a>10.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o uso da colabora\u00e7\u00e3o premiada em ACP por ato de improbidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Observados os requisitos fixados pelo STF, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional o uso do instituto da colabora\u00e7\u00e3o premiada em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por ato de improbidade administrativa ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico se a pessoa jur\u00eddica interessada participar como interveniente e se forem observadas as diretrizes ora fixadas pelo Supremo Tribunal Federal<strong>, cuja finalidade \u00e9 favorecer a efetiva tutela do patrim\u00f4nio p\u00fablico, da legalidade e da moralidade administrativas, e evitar a impunidade de maneira eficiente, com a prioriza\u00e7\u00e3o do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 6\u00ba da Lei 13.964\/2019, ao dar nova reda\u00e7\u00e3o ao \u00a7 1\u00ba do art. 17 da Lei 8.429\/1992 (Lei de Improbidade Administrativa &#8211; LIA), introduziu uma nova esp\u00e9cie de justi\u00e7a consensual\/negocial, permitindo, de modo expresso, a celebra\u00e7\u00e3o de acordo \u2014 de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o c\u00edvel \u2014 no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica por ato de improbidade administrativa. Contudo, antes mesmo da derroga\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o dos referidos modelos de justi\u00e7a, j\u00e1 se verificava a possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o premiada com base no restante da legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <strong>atendidos os par\u00e2metros legais, o acordo de colabora\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser homologado pelo juiz, desde que n\u00e3o isente o colaborador de ressarcir integralmente os danos causados, ainda que a forma de como se dar\u00e1 a indeniza\u00e7\u00e3o possa ser objeto de negocia\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, como a LIA prev\u00ea a legitimidade ativa concorrente entre o \u00f3rg\u00e3o ministerial e a pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico lesada para o ajuizamento da a\u00e7\u00e3o, deve ser permitida a sua participa\u00e7\u00e3o, como interveniente, na celebra\u00e7\u00e3o do acordo de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o c\u00edvel. O posicionamento do interveniente n\u00e3o impedir\u00e1 a celebra\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o premiada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, por\u00e9m dever\u00e1 ser observado e analisado pelo magistrado no momento de sua homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, ao apreciar o&nbsp;Tema 1.043 da repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao recurso extraordin\u00e1rio e fixou a tese jur\u00eddica supracitada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-in-constitucionalidade-de-dispositivos-do-codigo-de-processo-civil-de-2015\"><a><\/a><a>11.&nbsp; (In)constitucionalidade de dispositivos do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A edi\u00e7\u00e3o da Lei 13.105\/2015, conhecida como C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 (CPC\/2015), consagrou o entendimento de que o processo n\u00e3o deve ser um fim em si mesmo, devendo-se buscar uma adequada media\u00e7\u00e3o entre o direito nele previsto e a sua realiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, a fim de torn\u00e1-lo efetivo, exigindo-se postura interpretativa orientada a reafirmar e refor\u00e7ar esse objetivo<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 5.492\/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 24.4.2023 (Info 1092)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O governador do Rio de Janeiro ajuizou no STF a ADI 5492 contra dispositivos da Lei Federal 13.105\/2015, que instituiu o novo C\u00f3digo de Processo Civil. Para o estado, as inconstitucionalidades apontadas agridem valores fundamentais albergados pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Alega que foram claramente transgredidos os limites em que cabia ao legislador ordin\u00e1rio atuar.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo estadual questiona, entre outras coisitas, a aplica\u00e7\u00e3o do CPC aos processos administrativos estaduais (artigo 15), a submiss\u00e3o dos estados-membros e o Distrito Federal ao foro de domic\u00edlio do autor da demanda jur\u00eddica, pela mera vontade deste. Isso, segundo a ADI, comprometeria a efetividade da garantia do contradit\u00f3rio, esvaziaria a Justi\u00e7a estadual como componente da auto-organiza\u00e7\u00e3o federativa e daria margem ao abuso de direito no processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015: \u201cArt. 46. A a\u00e7\u00e3o fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens m\u00f3veis ser\u00e1 proposta, em regra, no foro de domic\u00edlio do r\u00e9u. (&#8230;) \u00a7 5\u00ba A execu\u00e7\u00e3o fiscal ser\u00e1 proposta no foro de domic\u00edlio do r\u00e9u, no de sua resid\u00eancia ou no do lugar onde for encontrado. (&#8230;) Art. 52. \u00c9 competente o foro de domic\u00edlio do r\u00e9u para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal.<a><\/a>&nbsp;Par\u00e1grafo \u00fanico. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a a\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proposta no foro de domic\u00edlio do autor, no de ocorr\u00eancia do ato ou fato que originou a demanda, no de situa\u00e7\u00e3o da coisa ou na capital do respectivo ente federado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-tratamento-uniforme\"><a>11.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tratamento uniforme?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em federalismo tupiniquim, com certeza!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter nacional e cogente do CPC\/2015 imp\u00f5e conferir tratamento uniforme a todos os jurisdicionados submetidos a processo no territ\u00f3rio brasileiro, n\u00e3o se permitindo que ele seja diverso em mat\u00e9ria processual conforme a unidade federada na qual ocorre o lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-e-a-regra-que-autoriza-os-estados-e-municipios-a-serem-demandados-onde-deus-quiser\">11.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; E a regra que autoriza os Estados e munic\u00edpios a serem demandados onde Deus quiser?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>J\u00e1 era!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>\u00c9 inconstitucional a regra de compet\u00eancia que autoriza que entes subnacionais sejam demandados em qualquer comarca do Pa\u00eds, <\/a>pois a fixa\u00e7\u00e3o do foro deve se RESTRINGIR aos seus respectivos limites territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve ser conferida interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o aos artigos 46, \u00a7 5\u00ba, e 52, par\u00e1grafo \u00fanico, ambos do CPC\/2015, no sentido de que <strong>a compet\u00eancia seja definida nos limites territoriais do respectivo estado ou do Distrito Federal, nos casos de promo\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal e de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o em que qualquer deles seja demandado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de litigar em face da Uni\u00e3o em qualquer parte do Pa\u00eds (CF\/1988, art. 109, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba) \u00e9 compat\u00edvel com a estrutura\u00e7\u00e3o nacional da Advocacia P\u00fablica federal. Contudo, estender essa previs\u00e3o aos entes subnacionais resulta na desconsidera\u00e7\u00e3o de sua prerrogativa constitucional de auto-organiza\u00e7\u00e3o (CF\/1988, arts. 18, 25 e 125) e da circunst\u00e2ncia de que sua atua\u00e7\u00e3o se desenvolve dentro dos seus limites territoriais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-4-deposito-de-rpvs-somente-em-bancos-oficiais\">11.2.4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dep\u00f3sito de RPVs somente em bancos oficiais?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Limitou demais!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>\u00c9 inconstitucional a obrigatoriedade de os dep\u00f3sitos judiciais e de valores de RPVs serem realizados somente em bancos oficiais <\/a>(CPC\/2015, arts. 535, \u00a7 3\u00ba, II; e 840, I).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa determina\u00e7\u00e3o <strong>viola os princ\u00edpios da efici\u00eancia administrativa, da livre concorr\u00eancia e da livre iniciativa<\/strong>, assim como cerceia os entes federados, notadamente as justi\u00e7as estaduais, quanto ao exerc\u00edcio de suas autonomias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-5-vale-deferir-tutela-de-evidencia\">11.2.5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vale deferir tutela de evid\u00eancia?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> L\u00f3gico!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o constitucionais os dispositivos legais (CPC\/2015, arts. 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, III; e 311, par\u00e1grafo \u00fanico) que, sem pr\u00e9via cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u, admitem a concess\u00e3o de tutela de evid\u00eancia quando os fatos alegados possam ser demonstrados documentalmente e a tese jur\u00eddica estiver consolidada em julgamento de casos repetitivos ou em s\u00famula vinculante.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>inexiste qualquer ofensa ao princ\u00edpio do contradit\u00f3rio caso haja justificativa razo\u00e1vel e proporcional para a posterga\u00e7\u00e3o do contradit\u00f3rio e desde que se abra a possibilidade de a parte se manifestar posteriormente<\/strong> acerca da decis\u00e3o que a afetou, ou sobre o ato do qual n\u00e3o participou.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-6-presume-se-a-repercussao-geral-de-re-que-impugna-declaracao-de-inconstitucionalidade\">11.2.6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Presume-se a repercuss\u00e3o geral de RE que impugna declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> A\u00ed vale!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional presun\u00e7\u00e3o de repercuss\u00e3o geral de recurso extraordin\u00e1rio que impugna ac\u00f3rd\u00e3o que tenha declarado inconstitucionalidade de tratado ou lei federal (CPC\/2015, art. 1.035, \u00a7 3\u00ba, III).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa previs\u00e3o se fundamenta, em especial, na necessidade de uniformizar a aplica\u00e7\u00e3o de lei federal em todo o territ\u00f3rio nacional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-7-por-fim-amarra-a-administracao-publica-as-teses-firmadas-em-casos-repetitivos-relacionados-a-prestacao-de-servicos-delegados\">11.2.7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, amarra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica \u00e0s teses firmadas em casos repetitivos relacionados \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os delegados?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong><strong> Amarrou geral!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a determina\u00e7\u00e3o de vincular a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica \u00e0 efetiva aplica\u00e7\u00e3o de tese firmada no julgamento de casos repetitivos relacionados \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o delegado (CPC\/2015, arts. 985, \u00a7 2\u00ba; e 1.040, IV).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ampliar os di\u00e1logos institucionais entre as entidades p\u00fablicas, <strong>essa medida assegura maior efetividade no cumprimento de decis\u00e3o judicial ao mesmo tempo em que densifica direitos garantidos constitucionalmente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-8-resultado-final\"><a>11.2.8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, em aprecia\u00e7\u00e3o conjunta, por maioria, julgou parcialmente procedentes as a\u00e7\u00f5es para:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>i)&nbsp;declarar constitucionais a express\u00e3o \u201cadministrativos\u201d do art. 15; a express\u00e3o \u201cdos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios\u201d do art. 242, \u00a7 3\u00ba; a refer\u00eancia ao inciso II do art. 311 constante do art. 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, II, e do art. 311, par\u00e1grafo \u00fanico; o art. 985, \u00a7 2\u00ba; e o art. 1.040, IV, todos do CPC\/2015;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ii)&nbsp;atribuir interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 46, \u00a7 5\u00ba, do CPC\/2015, para restringir sua aplica\u00e7\u00e3o aos limites do territ\u00f3rio de cada ente subnacional ou ao local de ocorr\u00eancia do fato gerador;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>iii)&nbsp;atribuir interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o ao art. 52, par\u00e1grafo \u00fanico, do CPC\/2015, para restringir a compet\u00eancia do foro de domic\u00edlio do autor \u00e0s comarcas inseridas nos limites territoriais do estado-membro ou do Distrito Federal que figure como r\u00e9u;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>iv)&nbsp;declarar a inconstitucionalidade da express\u00e3o \u201cde banco oficial\u201d, constante do art. 535, \u00a7 3\u00ba, II, do CPC\/2015, e conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao dispositivo para que se entenda que a \u201cag\u00eancia\u201d nele referida pode ser de institui\u00e7\u00e3o financeira p\u00fablica ou privada. Para dar cumprimento ao disposto na norma, poder\u00e1 a administra\u00e7\u00e3o do tribunal contratar banco oficial ou, caso assim opte, banco privado, hip\u00f3tese em que ser\u00e3o observadas a realidade do caso concreto, os regramentos legais e princ\u00edpios constitucionais aplic\u00e1veis e as normas do procedimento licitat\u00f3rio, visando \u00e0 escolha da proposta mais adequada para a administra\u00e7\u00e3o de tais recursos; e<\/p>\n\n\n\n<p>v)&nbsp;declarar a inconstitucionalidade da express\u00e3o \u201cna falta desses estabelecimentos\u201d do art. 840, I, do CPC\/2015, e conferir interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao preceito para que se entenda que poder\u00e1 a administra\u00e7\u00e3o do tribunal efetuar os dep\u00f3sitos judiciais (a) no Banco do Brasil, na Caixa Econ\u00f4mica Federal ou em banco do qual o estado ou o Distrito Federal possua mais da metade do capital social integralizado, ou, (b) n\u00e3o aceitando o crit\u00e9rio preferencial proposto pelo legislador e observada a realidade do caso concreto, os regramentos legais e os princ\u00edpios constitucionais aplic\u00e1veis, realizar procedimento licitat\u00f3rio visando \u00e0 escolha da proposta mais adequada para a administra\u00e7\u00e3o dos recursos dos particulares.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-termo-inicial-da-prescricao-executoria-estatal-a-partir-do-transito-em-julgado-para-a-acusacao-ou-para-todas-as-partes\"><a><\/a><a><\/a><a>12.&nbsp; <em>Termo<\/em><\/a><em>&nbsp;inicial da prescri\u00e7\u00e3o execut\u00f3ria estatal: a partir do tr\u00e2nsito em julgado para a acusa\u00e7\u00e3o ou para todas as partes<\/em><em>&nbsp;<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EXTRAORDIN\u00c1RIO COM AGRAVO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prazo para a prescri\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o da pena concretamente aplicada somente come\u00e7a a correr do dia em que a senten\u00e7a condenat\u00f3ria transita em julgado para ambas as partes, momento em que nasce para o Estado a pretens\u00e3o execut\u00f3ria da pena, conforme interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo Supremo Tribunal Federal ao princ\u00edpio da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia (art. 5\u00ba, inciso LVII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal) nas ADC 43, 44 e 54.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>ARE 848.107\/DF, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 30.6.2023 (Info 1101)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O processo foi ajuizado no STF pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Distrito Federal e Territ\u00f3rios para questionar ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal que reconheceu como marco inicial da contagem da PPE o prazo o tr\u00e2nsito em julgado para a acusa\u00e7\u00e3o, com base no que prev\u00ea o artigo 112 (inciso I) do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>O MPDFT entende que, com base na presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia, \u00e9 imposs\u00edvel a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria antes do seu definitivo tr\u00e2nsito em julgado, por respeito aos princ\u00edpios constitucionais previstos no artigo 5\u00ba (incisos II e LVII) da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP\/1940:&nbsp;\u201cArt. 110 &#8211; A prescri\u00e7\u00e3o depois de transitar em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um ter\u00e7o, se o condenado \u00e9 reincidente. \u00a7 1\u00ba A prescri\u00e7\u00e3o, depois da senten\u00e7a condenat\u00f3ria com tr\u00e2nsito em julgado para a acusa\u00e7\u00e3o ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, n\u00e3o podendo, em nenhuma hip\u00f3tese, ter por termo inicial data anterior \u00e0 da den\u00fancia ou queixa. \u00a7 2\u00ba&nbsp;(Revogado pela Lei n\u00ba 12.234, de 2010).&nbsp;Art. 112 &#8211; No caso do art. 110 deste C\u00f3digo, a prescri\u00e7\u00e3o come\u00e7a a correr: I &#8211; do dia em que transita em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria, para a acusa\u00e7\u00e3o, ou a que revoga a suspens\u00e3o condicional da pena ou o livramento condicional;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-qual-o-termo-inicial\"><a>12.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qual o termo inicial?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A data em que a senten\u00e7a condenat\u00f3ria transita em julgado para AMBAS as partes!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incompat\u00edvel com a atual ordem constitucional<strong>\u2014 \u00e0 luz do postulado da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia (CF\/1988, art. 5\u00ba, LVII) e o atual entendimento do STF sobre ele \u2014 <\/strong>a aplica\u00e7\u00e3o meramente literal do disposto no art. 112, I, do C\u00f3digo Penal. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio interpret\u00e1-lo SISTEMICAMENTE, com a fixa\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito em julgado para ambas as partes (acusa\u00e7\u00e3o e defesa) como marco inicial da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o execut\u00f3ria estatal pela pena concretamente aplicada em senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme jurisprud\u00eancia firmada no STF, <strong>o Estado n\u00e3o pode determinar a execu\u00e7\u00e3o da pena contra condenado com base em t\u00edtulo executivo n\u00e3o definitivo, dada a preval\u00eancia do princ\u00edpio da n\u00e3o culpabilidade ou da presun\u00e7\u00e3o de inoc\u00eancia<\/strong>. Assim, a constitui\u00e7\u00e3o definitiva do t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio da pretens\u00e3o execut\u00f3ria do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a prescri\u00e7\u00e3o&nbsp;da pretens\u00e3o execut\u00f3ria pressup\u00f5e a&nbsp;in\u00e9rcia&nbsp;do&nbsp;titular&nbsp;do direito de punir. Portanto, a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o do inciso I do art. 112 do C\u00f3digo Penal compat\u00edvel com esse entendimento \u00e9 a que elimina do dispositivo a locu\u00e7\u00e3o \u201c<em>para a acusa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d e define como termo inicial o tr\u00e2nsito em julgado para ambas as partes, visto que \u00e9 nesse momento que surge o t\u00edtulo penal pass\u00edvel de ser executado pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>a aplica\u00e7\u00e3o da literalidade do dispositivo impugnado, al\u00e9m de contr\u00e1ria \u00e0 ordem jur\u00eddico-normativa, apenas fomenta a interposi\u00e7\u00e3o de recursos com fins meramente procrastinat\u00f3rios, frustrando a efetividade da jurisdi\u00e7\u00e3o penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesse e outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, ao apreciar o&nbsp;Tema 788 de repercuss\u00e3o geral, negou provimento ao agravo em recurso extraordin\u00e1rio interposto pelo MPDFT e declarou a n\u00e3o recep\u00e7\u00e3o pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal da locu\u00e7\u00e3o \u201c<em>para a acusa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, contida art. 112, inciso I (primeira parte), do C\u00f3digo Penal, conferindo-lhe interpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o no sentido de que a prescri\u00e7\u00e3o come\u00e7a a correr do dia em que transita em julgado a senten\u00e7a condenat\u00f3ria para ambas as partes. Esse entendimento se aplica aos casos em que (<strong>i<\/strong>) a pena n\u00e3o foi declarada extinta pela prescri\u00e7\u00e3o; e (<strong>ii<\/strong>) cujo tr\u00e2nsito em julgado para a acusa\u00e7\u00e3o tenha ocorrido ap\u00f3s 12.11.2020.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-cabimento-de-acao-rescisoria-e-efeitos-do-empate-em-julgamento-de-processo-de-extradicao\"><a><\/a><a>13.&nbsp; Cabimento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria e efeitos do empate em julgamento de processo de extradi\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria em face de ac\u00f3rd\u00e3o proferido pelo STF em processo de extradi\u00e7\u00e3o, pois este possui cunho predominantemente administrativo, n\u00e3o havendo que se falar na hip\u00f3tese de julgamento de natureza penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AR 2.921\/DF, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 30.3.2023 (Info 1089)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a><\/a><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em 1993, um colombiano matou a namorada e fugiu para o Brasil, onde foi encontrado em 2017. A segunda turma do STF, em raz\u00e3o de empate, negou a extradi\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o colombiano, decis\u00e3o que transitou em julgado em 2021. Algum tempo depois, o pai da v\u00edtima ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria sob a alega\u00e7\u00e3o de que o pedido de extradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria natureza penal (o que afastaria a tese do resultado mais ben\u00e9fico ao r\u00e9u diante do empate), mas de instrumento de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a><\/a><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-cabivel-a-acao-rescisoria\"><a>13.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cab\u00edvel a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A extradi\u00e7\u00e3o constitui instrumento de coopera\u00e7\u00e3o jur\u00eddica internacional e possui natureza jur\u00eddica de ato administrativo, diplom\u00e1tico e jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esp\u00e9cie, trata-se de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada contra ac\u00f3rd\u00e3o da Segunda Turma do STF que, <strong>diante do empate na vota\u00e7\u00e3o decorrente da aus\u00eancia de ministro por motivo de licen\u00e7a m\u00e9dica, concluiu pela preval\u00eancia do voto mais favor\u00e1vel ao r\u00e9u e julgou improcedente o pedido&nbsp;extradicional<\/strong>&nbsp;(Ext&nbsp;1.560\/DF). Como o objeto em discuss\u00e3o \u00e9 justamente a verifica\u00e7\u00e3o da validade da preval\u00eancia desse voto em caso de empate, atrai-se a hip\u00f3tese de cabimento da rescis\u00f3ria referente \u00e0 manifesta viola\u00e7\u00e3o a literal dispositivo de norma jur\u00eddica (CPC\/2015, art. 966, V).<\/p>\n\n\n\n<p>Verificada a ocorr\u00eancia de empate em julgamento de processo de extradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio o seu adiamento para que a decis\u00e3o seja tomada somente depois do voto de desempate, visto que a aplica\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel ao r\u00e9u se restringe aos casos expressamente previstos na legisla\u00e7\u00e3o<strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da leitura SISTEM\u00c1TICA de dispositivos regimentais e na linha da jurisprud\u00eancia do STF v\u00ea-se que <strong>h\u00e1 prefer\u00eancia pela vota\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria em julgamentos colegiados, com a obten\u00e7\u00e3o do voto de desempate, especialmente quando o empate se deve a situa\u00e7\u00e3o totalmente solucion\u00e1vel, como no caso concreto (licen\u00e7a m\u00e9dica).<\/strong> Nesse contexto, o C\u00f3digo de Processo Penal (CPP\/1941,&nbsp;arts. 615, \u00a7 1\u00ba, e 664, par\u00e1grafo \u00fanico) disp\u00f5e sobre a necessidade de colheita do voto do presidente do Tribunal, da C\u00e2mara ou da Turma, se n\u00e3o tiver votado, oportunidade em que proferir\u00e1, ent\u00e3o, o voto de desempate, conhecido como \u201cvoto de qualidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A solu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao r\u00e9u, no caso de empate em&nbsp;habeas corpus&nbsp;ou recurso criminal, configura situa\u00e7\u00e3o EXCEPCIONAL\u00cdSSIMA<\/strong>, que n\u00e3o pode ser estendida a casos distintos dos estabelecidos na lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-resultado-final\"><a>13.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Com base nesses entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para (i) afastar a proclama\u00e7\u00e3o do resultado prolatada no mencionado processo de extradi\u00e7\u00e3o; e (ii) determinar a remessa dos autos \u00e0 Segunda Turma para fins de aplica\u00e7\u00e3o do art. 150, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba, do RISTF, com a tomada do voto do ministro ausente para a conclus\u00e3o do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-34b849a7-b40f-4fbb-b508-06c8e59d8b18\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/07\/26090111\/stf-revisao-i-2023-1.pdf\">stf-revisao-i-2023-1<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/07\/26090111\/stf-revisao-i-2023-1.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-34b849a7-b40f-4fbb-b508-06c8e59d8b18\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O STF est\u00e1 de recesso, mas n\u00f3s n\u00e3o paramos no meio da estrada, n\u00e3o \u00e9?! Bora revisar o que o STF de mais importante decidiu no primeiro semestre de 2023. Nessa Parte 1 da nossa revis\u00e3o temos Direito Constitucional, Administrativo, Processo Civil e Processo Penal. 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