{"id":1216488,"date":"2023-05-16T00:51:38","date_gmt":"2023-05-16T03:51:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1216488"},"modified":"2023-05-16T00:51:40","modified_gmt":"2023-05-16T03:51:40","slug":"informativo-stj-771-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-771-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 771 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Informativo n\u00ba 771 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/05\/16005125\/stj-informativo-771.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_P91HQTjdrPc\"><div id=\"lyte_P91HQTjdrPc\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/P91HQTjdrPc\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/P91HQTjdrPc\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/P91HQTjdrPc\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO <\/a>PREVIDENCI\u00c1RIO<\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-cessao-de-credito-inscrito-em-precatorio-oriundo-de-acao-previdenciaria\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cess\u00e3o de cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias n\u00e3o impede o juiz de controlar ex officio a validade de sua transmiss\u00e3o, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.896.515-RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023, DJe 17\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do INSS. J\u00e1 em cumprimento de senten\u00e7a, comunicou a cess\u00e3o do respectivo Cr\u00e9dito \u00e0 Creide, tendo o ju\u00edzo de primeira inst\u00e2ncia, de of\u00edcio, negado a produ\u00e7\u00e3o de efeitos do neg\u00f3cio jur\u00eddico ao fundamento de que o art. 114 da Lei n. 8.213\/1991 obsta a transfer\u00eancia credit\u00edcia decorrente de presta\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Creide interp\u00f4s recurso alegando que o cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio decorrente de parcelas vencidas de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio poderia ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;114.&nbsp;Salvo quanto a valor devido \u00e0 Previd\u00eancia Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou derivado da obriga\u00e7\u00e3o de prestar alimentos reconhecida em senten\u00e7a judicial, o benef\u00edcio n\u00e3o pode ser objeto de penhora, arresto ou seq\u00fcestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cess\u00e3o, ou a constitui\u00e7\u00e3o de qualquer \u00f4nus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevog\u00e1veis ou em causa pr\u00f3pria para o seu recebimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas P\u00fablicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de senten\u00e7a judici\u00e1ria, far-se-\u00e3o exclusivamente na ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o dos precat\u00f3rios e \u00e0 conta dos cr\u00e9ditos respectivos, proibida a designa\u00e7\u00e3o de casos ou de pessoas nas dota\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e nos cr\u00e9ditos adicionais abertos para este fim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Os d\u00e9bitos de natureza aliment\u00edcia cujos titulares, origin\u00e1rios ou por sucess\u00e3o heredit\u00e1ria, tenham 60 (sessenta) anos de idade, ou sejam portadores de doen\u00e7a grave, ou pessoas com defici\u00eancia, assim definidos na forma da lei, ser\u00e3o pagos com prefer\u00eancia sobre todos os demais d\u00e9bitos, at\u00e9 o valor equivalente ao triplo fixado em lei para os fins do disposto no \u00a7 3\u00ba deste artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante ser\u00e1 pago na ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o do precat\u00f3rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba O disposto no caput deste artigo relativamente \u00e0 expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3rios n\u00e3o se aplica aos pagamentos de obriga\u00e7\u00f5es definidas em leis como de pequeno valor que as Fazendas referidas devam fazer em virtude de senten\u00e7a judicial transitada em julgado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 13. O credor poder\u00e1 ceder, total ou parcialmente, seus cr\u00e9ditos em precat\u00f3rios a terceiros, independentemente da concord\u00e2ncia do devedor, n\u00e3o se aplicando ao cession\u00e1rio o disposto nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 14. A cess\u00e3o de precat\u00f3rios, observado o disposto no \u00a7 9\u00ba deste artigo, somente produzir\u00e1 efeitos ap\u00f3s comunica\u00e7\u00e3o, por meio de peti\u00e7\u00e3o protocolizada, ao Tribunal de origem e ao ente federativo devedor.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 166. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico quando:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; celebrado por pessoa absolutamente incapaz;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; for il\u00edcito, imposs\u00edvel ou indetermin\u00e1vel o seu objeto;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o motivo determinante, comum a ambas as partes, for il\u00edcito;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; n\u00e3o revestir a forma prescrita em lei;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; tiver por objetivo fraudar lei imperativa;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a pr\u00e1tica, sem cominar san\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 167. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado, mas subsistir\u00e1 o que se dissimulou, se v\u00e1lido for na subst\u00e2ncia e na forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Haver\u00e1 simula\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios jur\u00eddicos quando:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas \u00e0s quais realmente se conferem, ou transmitem;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; contiverem declara\u00e7\u00e3o, confiss\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o ou cl\u00e1usula n\u00e3o verdadeira;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; os instrumentos particulares forem antedatados, ou p\u00f3s-datados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-f\u00e9 em face dos contraentes do neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, quando lhe couber intervir.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-possivel-a-cessao-a-terceiros\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a cess\u00e3o a terceiros?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>T\u00e1 valendo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se, \u00e0 luz do art. 114 da Lei n. 8.213\/1991, o cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio decorrente de parcelas vencidas de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 100, \u00a7\u00a7 13 e 14, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, na reda\u00e7\u00e3o conferida pela EC n. 62\/2009, <strong>o titular de cr\u00e9ditos inscritos em precat\u00f3rio pode ced\u00ea-los a terceiros sem necessidade de anu\u00eancia da Fazenda P\u00fablica, sendo a produ\u00e7\u00e3o de efeitos do neg\u00f3cio jur\u00eddico condicionada apenas \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o ao tribunal de origem e \u00e0 entidade devedora<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Depreende-se que o legislador constituinte n\u00e3o restringiu a cess\u00e3o de precat\u00f3rios em fun\u00e7\u00e3o da natureza do cr\u00e9dito da qual se origina, alcan\u00e7ando, por conseguinte, os d\u00e9bitos alimentares, definidos pelo \u00a7 1\u00ba do art. 100 da Lei Maior como &#8220;[&#8230;] aqueles decorrentes de sal\u00e1rios, vencimentos, proventos, pens\u00f5es e suas complementa\u00e7\u00f5es, benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e indeniza\u00e7\u00f5es por morte ou por invalidez, fundadas em responsabilidade civil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, por expressa previs\u00e3o do destacado \u00a7 13, conquanto preservada a natureza alimentar dos precat\u00f3rios cedidos, a transfer\u00eancia credit\u00edcia implica o afastamento das prefer\u00eancias subjetivas arroladas nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba do art. 100 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>a institui\u00e7\u00e3o de mecanismo de transmiss\u00e3o desses cr\u00e9ditos tem por escopo facultar ao credor, mediante negocia\u00e7\u00f5es entabuladas com eventuais interessados na sua aquisi\u00e7\u00e3o com des\u00e1gio, a percep\u00e7\u00e3o imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida pelo poder p\u00fablico<\/strong>, cuja not\u00f3ria demora no adimplemento fomenta a institui\u00e7\u00e3o de mercado dos respectivos t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa sistem\u00e1tica, outorga-se ao credor ju\u00edzo definitivo acerca do interesse em receber os valores a que faz jus de maneira expedita, embora com redu\u00e7\u00e3o do montante em virtude de acordos onerosos firmados com terceiros, ou aguardar a quita\u00e7\u00e3o integral do t\u00edtulo pela entidade devedora em momento posterior. Trata-se de regramento FAVOR\u00c1VEL ao credor, maior interessado na eventual formaliza\u00e7\u00e3o de ajustes privados para permitir a satisfa\u00e7\u00e3o de direito reconhecido judicialmente em tempo h\u00e1bil a suprir-lhe as necessidades financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>a cess\u00e3o de cr\u00e9ditos inscritos em precat\u00f3rios, autorizada pelo art. 100, \u00a7\u00a7 13 e 14, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, permite ao credor, mediante negocia\u00e7\u00f5es entabuladas com eventuais interessados na aquisi\u00e7\u00e3o do direito credit\u00edcio com des\u00e1gio, a percep\u00e7\u00e3o imediata de valores que somente seriam obtidos quando da quita\u00e7\u00e3o da d\u00edvida pelo poder p\u00fablico, cujo not\u00f3rio inadimplemento fomenta a institui\u00e7\u00e3o de mercado dos respectivos t\u00edtulos<\/strong>, abrangendo, inclusive, as parcelas de natureza alimentar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-e-possivel-o-controle-do-negocio-juridico-pelo-juizo\">1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel o controle do neg\u00f3cio jur\u00eddico pelo ju\u00edzo?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeap!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da viabilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, ressalva-se o controle judicial&nbsp;<em>ex officio<\/em>&nbsp;de acordos entabulados entre segurados e cession\u00e1rios, notadamente para afastar eventuais transa\u00e7\u00f5es abusivas firmadas em casos de premente necessidade econ\u00f4mica de pessoas vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>As transfer\u00eancias de precat\u00f3rios s\u00e3o perpetradas mediante instrumentos p\u00fablicos ou particulares, qualificando-se como neg\u00f3cios jur\u00eddicos por meio dos quais o credor cede o seu direito obrigacional a terceiro, denominado de cession\u00e1rio, que assume a posi\u00e7\u00e3o daquele na rela\u00e7\u00e3o havida com a Fazenda P\u00fablica, a qual n\u00e3o pode se opor \u00e0 transa\u00e7\u00e3o, nos termos do citado art. 100, \u00a7 13, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa maneira, <strong>tratando-se de acordos firmados entre particulares para a transmiss\u00e3o de direitos, aplicam-se a eles as causas de nulidade dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos privados<\/strong> (arts. 166 e 167 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas hip\u00f3teses revelam nulidade absoluta, raz\u00e3o pela qual, tratando-se de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, pode o juiz, de of\u00edcio, reconhecer a invalidade e negar a produ\u00e7\u00e3o de efeitos aos respectivos neg\u00f3cios jur\u00eddicos sempre que tiver conhecimento da aven\u00e7a, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, nos termos do art. 168, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, <strong>a possibilidade de controle judicial dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos relativos \u00e0 cess\u00e3o de precat\u00f3rios n\u00e3o contraria o princ\u00edpio da demanda previsto nos arts. 42 e 141 do CPC\/2015, porquanto, a par da expressa autoriza\u00e7\u00e3o prevista no art. 168, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil<\/strong>, tais transfer\u00eancias credit\u00edcias s\u00e3o praticadas na fase de cumprimento de senten\u00e7a, na qual incumbe ao magistrado identificar o destinat\u00e1rio da ordem de pagamento, certificando-se da regularidade da transmiss\u00e3o dos respectivos cr\u00e9ditos, de modo a garantir a escorreita satisfa\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, sendo vedado \u00e0 Fazenda P\u00fablica opor-se \u00e0 cess\u00e3o de precat\u00f3rio, impedir o magistrado de aferir a regularidade da transa\u00e7\u00e3o abre margem a abusos praticados por agentes econ\u00f4micos que, ante necessidade financeira de parcela dos segurados do Regime Geral de Previd\u00eancia Social &#8211; RGPS, podem impor condi\u00e7\u00f5es excessivamente gravosas a pessoas socioeconomicamente vulner\u00e1veis para a obten\u00e7\u00e3o imediata de recursos financeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, embora poss\u00edvel a cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, pode o juiz controlar, de of\u00edcio, a validade das respectivas transfer\u00eancias credit\u00edcias, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-4-resultado-final\"><a>1.2.4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros. A possibilidade de cess\u00e3o de precat\u00f3rios decorrentes de a\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias n\u00e3o impede o juiz de controlar <em>ex officio <\/em>a validade de sua transmiss\u00e3o, negando a produ\u00e7\u00e3o de efeitos a neg\u00f3cios jur\u00eddicos eivados de nulidade, independentemente de ajuizamento de a\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-bem-imovel-adquirido-no-curso-da-demanda-executiva-como-motivo-de-afastamento-da-impenhorabilidade-do-bem-de-familia\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Bem im\u00f3vel adquirido no curso da demanda executiva como motivo de afastamento da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O fato de o bem im\u00f3vel ter sido adquirido no curso da demanda executiva n\u00e3o afasta a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no AREsp 2.182.745-BA, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o movida por Cobromesmo em face de Crementina, foi determinada a penhora do im\u00f3vel rec\u00e9m-adquirido por esta. Crementina alegou a impenhorabilidade do bem, tese acatada pelo ju\u00edzo de primeiro grau.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Cobromesmo interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que houve viola\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 4\u00ba da Lei 8.009\/90, referente \u00e0 penhora sobre bem de fam\u00edlia, uma vez que o im\u00f3vel fora adquirido pela devedora ap\u00f3s ajuizada a a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de origem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.009\/1990:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba A impenhorabilidade \u00e9 opon\u00edvel em qualquer processo de execu\u00e7\u00e3o civil, fiscal, previdenci\u00e1ria, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; pelo titular do cr\u00e9dito decorrente do financiamento destinado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o ou \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, no limite dos cr\u00e9ditos e acr\u00e9scimos constitu\u00eddos em fun\u00e7\u00e3o do respectivo contrato;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>III \u2013 pelo credor da pens\u00e3o aliment\u00edcia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu copropriet\u00e1rio que, com o devedor, integre uni\u00e3o est\u00e1vel ou conjugal, observadas as hip\u00f3teses em que ambos responder\u00e3o pela d\u00edvida;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; para cobran\u00e7a de impostos, predial ou territorial, taxas e contribui\u00e7\u00f5es devidas em fun\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel familiar;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; para execu\u00e7\u00e3o de hipoteca sobre o im\u00f3vel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; por ter sido adquirido com produto de crime ou para execu\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria a ressarcimento, indeniza\u00e7\u00e3o ou perdimento de bens.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>VII &#8211; por obriga\u00e7\u00e3o decorrente de fian\u00e7a concedida em contrato de loca\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-o-fato-de-ser-adquirido-apos-o-inicio-da-execucao-afasta-a-impenhorabilidade\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O fato de ser adquirido ap\u00f3s o in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o afasta a impenhorabilidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As regras que estabelecem hip\u00f3teses de impenhorabilidade n\u00e3o s\u00e3o absolutas<\/strong>. O art. 3\u00ba da Lei n. 8.009\/1990 prev\u00ea uma s\u00e9rie de EXCE\u00c7\u00d5ES \u00e0 impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel posteriormente \u00e0 d\u00edvida n\u00e3o configura, por si s\u00f3, fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, tampouco afasta prote\u00e7\u00e3o conferida ao bem de fam\u00edlia (REsp 573.018\/PR, relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, julgado em 9\/12\/2003, DJ 14\/6\/2004, p. 235, e REsp 1.792.265\/SP, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 14\/12\/2021, DJe 14\/3\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>A regra de impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia trazida pela Lei n. 8.009\/1990 deve ser examinada \u00e0 luz do princ\u00edpio da BOA F\u00c9 OBJETIVA, que, al\u00e9m de incidir em todas as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, constitui diretriz interpretativa para as normas do sistema jur\u00eddico p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O fato de o bem im\u00f3vel ter sido adquirido no curso da demanda executiva n\u00e3o afasta a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-im-possibilidade-de-responsabilizacao-do-fabricante-de-medicamento-por-reacao-adversa-descrita-na-bula-risco-inerente-ou-intrinseco-a-sua-propria-utilizacao\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o do fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel responsabilizar o fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.402.929-DF, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete ingeriu dois comprimidos com o princ\u00edpio ativo dipirona. Ap\u00f3s alguns dias, come\u00e7ou a passar muito mal e foi internada, ocasi\u00e3o em que foi diagnosticada com a S\u00edndrome de Stevens-Johnson, doen\u00e7a desencadeada pela alergia ao consumo dos comprimidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do fabricante do medicamento postulando a condena\u00e7\u00e3o deste ao pagamento de danos morais e materiais. Por sua vez, o fabricante alega que tal risco constava na bula, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o deveria ser responsabilizado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-possivel-a-responsabilizacao\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A rea\u00e7\u00e3o adversa, por si s\u00f3, n\u00e3o constitui motivo suficiente para configurar a responsabilidade do fabricante do medicamento<\/strong>. Isso porque a teoria do risco da atividade do neg\u00f3cio ou empreendimento adotada no Sistema do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o tem car\u00e1ter absoluto, integral ou irrestrito, na medida em que admite exce\u00e7\u00f5es ou exclus\u00f5es, dado que o dever de indenizar exige requisitos espec\u00edficos, entre os quais o defeito do produto, sem o qual n\u00e3o se configura a responsabilidade civil objetiva do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os medicamentos caracterizam-se como produtos de risco intr\u00ednseco, inerente, nos quais os perigos decorrem da sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o e da finalidade para a qual se destinam<\/strong>, sendo do conhecimento comum que a inocula\u00e7\u00e3o de qualquer rem\u00e9dio, seja por via oral ou injet\u00e1vel, tem potencial para ensejar rea\u00e7\u00f5es adversas, as quais, ainda que sejam suportadas pelo consumidor, n\u00e3o configuram defeito do produto, afastando, em consequ\u00eancia, a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar, desde que a potencialidade e a frequ\u00eancia desses efeitos nocivos estejam descritas na bula, em cumprimento ao dever de informa\u00e7\u00e3o do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A responsabilidade do fornecedor de medicamentos, segundo o sistema adotado pelo C\u00f3digo de Defesa de Consumidor, restringe-se aos casos em que for constatado defeito no produto<\/strong>, seja de concep\u00e7\u00e3o, fabrica\u00e7\u00e3o ou de informa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o os riscos normais e esperados, assim considerados os decorrentes da pr\u00f3pria nocividade dos efeitos adversos de seus princ\u00edpios ativos, situa\u00e7\u00e3o que se verifica na generalidade dos casos de administra\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conclus\u00e3o n\u00e3o se altera em decorr\u00eancia do medicamento estar inclu\u00eddo entre aqueles que podem ser adquiridos sem necessidade de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, por apresentarem baixo grau de risco em sua ingest\u00e3o, nocividade reduzida, destinarem-se ao tratamento de enfermidades simples e passageiras e n\u00e3o terem potencial de causar depend\u00eancia f\u00edsica ou ps\u00edquica, conforme previsto em regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. A dipirona preenche esses requisitos, diante da constata\u00e7\u00e3o de que a possibilidade de rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica \u00e9 ocorr\u00eancia imprevis\u00edvel e de incid\u00eancia remot\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo incontest\u00e1vel a efici\u00eancia da dipirona para os fins a que se destina (analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico), associada ao fato de que a rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica que acometeu a parte autora da a\u00e7\u00e3o, a despeito de grav\u00edssima, est\u00e1 descrita na bula, n\u00e3o decorre propriamente de defeito do f\u00e1rmaco, mas de IMPREVIS\u00cdVEL caracter\u00edstica do sistema imunol\u00f3gico do paciente, <strong>n\u00e3o h\u00e1 que se falar em defeito do produto, pressuposto b\u00e1sico para a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar do fornecedor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-resultado-final\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel responsabilizar o fabricante de medicamento por rea\u00e7\u00e3o adversa descrita na bula, risco inerente ou intr\u00ednseco \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-copia-de-calendario-obtido-na-pagina-eletronica-do-tribunal-de-origem-como-documento-idoneo-para-fins-de-comprovacao-de-interrupcao-ou-suspensao-de-prazo-processual\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; C\u00f3pia de calend\u00e1rio obtido na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do tribunal de origem como documento id\u00f4neo para fins de comprova\u00e7\u00e3o de interrup\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o de prazo processual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A c\u00f3pia de calend\u00e1rio obtido na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do tribunal de origem pode ser considerada documento id\u00f4neo para fins de comprova\u00e7\u00e3o de interrup\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o de prazo processual.<\/p>\n\n\n\n<p>EAREsp 1.927.268-RJ, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Corte Especial, por maioria, julgado em 19\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o c\u00edvel, o recurso interposto por Dr. Creisson n\u00e3o foi conhecido por ser considerado intempestivo. Ocorre que o relator deixou de considerar feriado local no tribunal de origem, o que fora alegado e comprovado com c\u00f3pia de calend\u00e1rio obtido na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do tribunal de origem.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-documento-idoneo-para-comprovar-feriado-local\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Documento id\u00f4neo para comprovar feriado local?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ, a esse respeito, tem diversos julgados no sentido de que a c\u00f3pia de calend\u00e1rio obtido na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do tribunal de origem n\u00e3o pode ser considerada documento id\u00f4neo para fins de comprova\u00e7\u00e3o de interrup\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o de prazo processual, sendo necess\u00e1ria a juntada de c\u00f3pia de lei ou ato administrativo comprovando a aus\u00eancia de expediente forense na data.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a quest\u00e3o est\u00e1 a merecer nova aprecia\u00e7\u00e3o da Corte Especial, tendo em vista a exist\u00eancia de precedente firmado no \u00e2mbito da Primeira Turma do STF, consagrando entendimento inverso, no RMS 36.114\/AM. Em tal julgado reformou-se o ac\u00f3rd\u00e3o proferido por este Tribunal Superior, no julgamento do MS 23.896\/AM, reconhecendo-se, ao final, a idoneidade do calend\u00e1rio judicial do tribunal de origem, extra\u00eddo da internet, como forma de comprova\u00e7\u00e3o da tempestividade recursal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Portanto, h\u00e1 no STJ de duas orienta\u00e7\u00f5es antag\u00f4nicas. Uma no sentido da idoneidade do calend\u00e1rio judicial obtido pela parte junto ao site do tribunal de origem como meio de prova da ocorr\u00eancia de feriado local. A outra, no sentido de n\u00e3o ser h\u00e1bil \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de expediente forense a juntada de c\u00f3pia de calend\u00e1rio editado pelo Tribunal de origem, pois, para tanto, \u00e9 necess\u00e1ria a juntada de c\u00f3pia de lei ou de ato administrativo exarado pela Corte de origem<\/strong>.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Acerca da tem\u00e1tica, <strong>deve prevalecer como correto o novo entendimento veiculado pela Ministra Nancy Andrighi<\/strong>, no mencionado AgInt no MS 28.177\/DF, concluindo ser mais adequado alinhar nossa jurisprud\u00eancia \u00e0quela, mais liberal e justa, firmada no STF, que, ao examinar recurso ordin\u00e1rio em mandado de seguran\u00e7a, reformou o ac\u00f3rd\u00e3o do STJ nos MS 23.896\/AM e REsp 1.643.652\/AM, <strong>para reconhecer como id\u00f4nea a juntada de calend\u00e1rio judicial, disponibilizado no site do Tribunal de Justi\u00e7a, para fins de demonstra\u00e7\u00e3o de suspens\u00e3o do expediente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entende-se que a comprova\u00e7\u00e3o de suspens\u00e3o do expediente no tribunal local pode ser realizada pelas partes e seus advogados de forma mais ampla, inclusive por meio da apresenta\u00e7\u00e3o de documentos disponibilizados, via internet, pelos pr\u00f3prios Tribunais, diante de sua confiabilidade e de seu car\u00e1ter informativo oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, \u00e0 luz da Lei n. 11.419\/2006, que disp\u00f5e sobre a informatiza\u00e7\u00e3o do processo judicial, as informa\u00e7\u00f5es processuais disponibilizadas por meio da Internet, na p\u00e1gina eletr\u00f4nica dos Tribunais de Justi\u00e7a e\/ou Tribunais Regionais Federais, ostentam natureza oficial, gerando para as partes que as consultam a presun\u00e7\u00e3o de corre\u00e7\u00e3o e confiabilidade. A referida norma confere car\u00e1ter oficial \u00e0s informa\u00e7\u00f5es prestadas pelos Tribunais em sua p\u00e1gina na internet, de maneira que, uma vez lan\u00e7ada a informa\u00e7\u00e3o, no calend\u00e1rio judicial, da exist\u00eancia de suspens\u00e3o de prazo, deve esta ser considerada para fins de contagem do lapso recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ j\u00e1 se pronunciou no sentido da oficialidade das informa\u00e7\u00f5es processuais divulgadas, via internet, pelos Tribunais. No julgamento do REsp 1.324.432\/SC (Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 17\/12\/2012, DJe 10\/5\/2013), concluiu-se corretamente a respeito das informa\u00e7\u00f5es acerca do &#8220;andamento processual&#8221; provenientes de fonte oficial, que n\u00e3o podem servir de meio para confundir\/punir as partes, levando-as a comportamentos equivocados e prejudiciais a seus interesses formais e materiais, conduzindo-as \u00e0 perda de oportunidades processuais preclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, conclui-se que n\u00e3o h\u00e1 como afastar a oficialidade e a confiabilidade do calend\u00e1rio judicial disponibilizado pelos Tribunais na internet, para fins de comprova\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o do expediente forense a influenciar na contagem dos prazos processuais. Portanto, \u00e9 devida a sua juntada aos autos pela parte, oportunamente, para o fim de comprovar a tempestividade do recurso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-resultado-final\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A c\u00f3pia de calend\u00e1rio obtido na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do tribunal de origem pode ser considerada documento id\u00f4neo para fins de comprova\u00e7\u00e3o de interrup\u00e7\u00e3o ou suspens\u00e3o de prazo processual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-im-possibilidade-de-a-penhora-de-salario-em-execucao-de-divida-de-natureza-nao-alimentar\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de a penhora de sal\u00e1rio em execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, \u00e9 poss\u00edvel a penhora de sal\u00e1rio, ainda que este n\u00e3o exceda 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, quando garantido o m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.874.222-DF, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Corte Especial, por maioria, julgado em 19\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o na qual se cobrava d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, Craudio requereu a penhora de parte do sal\u00e1rio de Nirso, tendo em vista que as demais medidas executivas se mostraram v\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi deferida a penhora do sal\u00e1rio de Nirso no percentual de 30%. Inconformado, o devedor interp\u00f4s sucessivos recursos nos qual alega que o ato constritivo agrediria a garantia do executado e de seu n\u00facleo essencial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 833. S\u00e3o impenhor\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba O disposto nos incisos IV e X do&nbsp;caput&nbsp;n\u00e3o se aplica \u00e0 hip\u00f3tese de penhora para pagamento de presta\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia, independentemente de sua origem, bem como \u00e0s import\u00e2ncias excedentes a 50 (cinquenta) sal\u00e1rios-m\u00ednimos mensais, devendo a constri\u00e7\u00e3o observar o disposto no&nbsp;art. 528, \u00a7 8\u00ba&nbsp;, e no&nbsp;art. 529, \u00a7 3\u00ba&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-possivel-a-penhora-do-salario\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a penhora do sal\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Como diria o Prof. Raimundo: \u201cE o sal\u00e1rio, oh!\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A diverg\u00eancia reside em definir se, na hip\u00f3tese de pagamento de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, a impenhorabilidade est\u00e1 condicionada apenas \u00e0 garantia do m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia ou se, al\u00e9m disso, h\u00e1 que ser observado o limite m\u00ednimo de 50 sal\u00e1rios-m\u00ednimos recebidos pelo devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>De precedente da Corte Especial deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a (EREsp 1.518.169\/DF, Rel. Ministro Humberto Martins, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 3\/10\/2018, DJe 27\/2\/2019), \u00e9 poss\u00edvel extrair que a exegese do dispositivo processual (art. 649, IV, do CPC\/1973) deve ser orientada tamb\u00e9m pela teoria do m\u00ednimo existencial, admitindo a penhora da parcela salarial excedente ao que se pode caracterizar como notadamente alimentar. Prosseguindo e lan\u00e7ando o olhar sobre o crit\u00e9rio previsto no \u00a7 2\u00ba do art. 833 do CPC\/2015 &#8211; na parte alusiva \u00e0s import\u00e2ncias excedentes a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais &#8211; salientou-se o descompasso do crit\u00e9rio legal com a realidade brasileira, a implicar na sua inefic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao suprimir a palavra &#8220;absolutamente&#8221; no&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do art. 833, o novo C\u00f3digo de Processo Civil passa a tratar a impenhorabilidade como relativa, permitindo que seja atenuada \u00e0 luz de um julgamento principiol\u00f3gico, em que o julgador, ponderando os princ\u00edpios da menor onerosidade para o devedor e da efetividade da execu\u00e7\u00e3o para o credor, conceda a tutela jurisdicional mais adequada a cada caso, em contraponto a uma aplica\u00e7\u00e3o r\u00edgida, linear e inflex\u00edvel do conceito de impenhorabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse ju\u00edzo de pondera\u00e7\u00e3o entre os princ\u00edpios simultaneamente incidentes na esp\u00e9cie h\u00e1 de ser solucionado \u00e0 luz da dignidade da pessoa humana, que resguarda tanto o devedor quanto o credor<\/strong>, e mediante o emprego dos crit\u00e9rios de RAZOABILIDADE e PROPORCIONALIDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>A fixa\u00e7\u00e3o desse limite de 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos merece cr\u00edticas, na medida em que se mostra muito destoante da realidade brasileira, tornando o dispositivo praticamente in\u00f3cuo, al\u00e9m de n\u00e3o traduzir o verdadeiro escopo da impenhorabilidade, que \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de uma reserva digna para o sustento do devedor e de sua fam\u00edlia. Segundo a doutrina, &#8220;Restringir a penhorabilidade de toda a &#8216;verba salarial&#8217; ou apenas permit\u00ed-la no que exceder cinquenta sal\u00e1rios m\u00ednimos, mesmo quando a penhora de uma parcela desse montante n\u00e3o comprometa a manuten\u00e7\u00e3o do executado, pode caracterizar-se como aplica\u00e7\u00e3o inconstitucional da regra, pois prestigia apenas o direito fundamental do executado, em detrimento do direito fundamental do exequente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, mostra-se poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o do \u00a7 2\u00ba do art. 833 do CPC\/2015, de modo a se autorizar a penhora de verba salarial inferior a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, em percentual condizente com a realidade de cada caso concreto, desde que assegurado montante que garanta a dignidade do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Importante salientar, por\u00e9m, que essa relativiza\u00e7\u00e3o reveste-se de car\u00e1ter EXCEPCIONAL e <strong>dela somente se deve lan\u00e7ar m\u00e3o quando restarem inviabilizados outros meios execut\u00f3rios que garantam a efetividade da execu\u00e7\u00e3o<\/strong> e, repita-se, desde que avaliado concretamente o impacto da constri\u00e7\u00e3o sobre os rendimentos do executado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, \u00e9 poss\u00edvel a penhora de sal\u00e1rio, ainda que este n\u00e3o exceda 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, quando garantido o m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-ausencia-de-intimacao-da-decisao-que-implicou-o-provimento-parcial-do-recurso-interposto-pela-parte-contraria-como-motivo-de-cabimento-de-acao-rescisoria\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contr\u00e1ria como motivo de cabimento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contr\u00e1ria \u00e9 sempre prejudicial ao recorrido, sendo cab\u00edvel o manejo de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>AR 6.463-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 12\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o julgamento unipessoal de agravo em recurso especial, a secretaria do STJ, em virtude de equ\u00edvoco na autua\u00e7\u00e3o, efetuou a publica\u00e7\u00e3o em nome de advogado que n\u00e3o tinha e nunca teve representa\u00e7\u00e3o nos autos e n\u00e3o em nome do \u00fanico advogado constitu\u00eddo pelo autor na a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve apresenta\u00e7\u00e3o de recurso e foi certificado o tr\u00e2nsito em julgado. Inconformada, a parte derrotada ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria na qual alega preju\u00edzo em raz\u00e3o da intima\u00e7\u00e3o ausente\/equivocada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC 2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 272. Quando n\u00e3o realizadas por meio eletr\u00f4nico, consideram-se feitas as intima\u00e7\u00f5es pela publica\u00e7\u00e3o dos atos no \u00f3rg\u00e3o oficial.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Sob pena de nulidade, \u00e9 indispens\u00e1vel que da publica\u00e7\u00e3o constem os nomes das partes e de seus advogados, com o respectivo n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil, ou, se assim requerido, da sociedade de advogados.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-cabivel-a-acao-rescisoria\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cab\u00edvel a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Mas \u00e9 claro!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a analisar a rescis\u00e3o da decis\u00e3o impugnada por aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o v\u00e1lida do advogado na a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em caso versando sobre &#8220;a possibilidade do manejo da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, no caso de reconhecimento de nulidade absoluta, pela falta de intima\u00e7\u00e3o do procurador do recorrente acerca dos atos processuais praticados&#8221;, esta Corte concluiu que &#8220;a exclusividade da&nbsp;<em>querela nullitatis<\/em>&nbsp;para a declara\u00e7\u00e3o de nulidade de decis\u00e3o proferida sem regular cita\u00e7\u00e3o das partes, representa solu\u00e7\u00e3o extremamente marcada pelo formalismo processual. [&#8230;] A desconstitui\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o rescindendo pode ocorrer tanto nos autos de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada com fundamento no art. 485, V, do CPC\/1973 quanto nos autos de a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria, declarat\u00f3ria ou de qualquer outro rem\u00e9dio processual&#8221; (STJ, REsp 1.456.632\/MG, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 7\/2\/2017, DJe 14\/2\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, \u00e9 admiss\u00edvel a presente a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria para declarar a nulidade da intima\u00e7\u00e3o do autor ap\u00f3s o julgamento unipessoal do recurso especial interposto pelo r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, <a>ap\u00f3s o julgamento unipessoal do AREsp 1.370.930\/SP em 29\/11\/2018, a Secretaria desta Corte, em virtude de equ\u00edvoco na autua\u00e7\u00e3o, efetuou a publica\u00e7\u00e3o, em 7\/12\/2018, em nome de advogado que n\u00e3o tinha e nunca teve representa\u00e7\u00e3o nos autos e n\u00e3o em nome do \u00fanico advogado constitu\u00eddo pelo autor na a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a7 2\u00ba do art. 272 do CPC 2015 disp\u00f5e que: &#8220;Sob pena de nulidade, \u00e9 indispens\u00e1vel que da publica\u00e7\u00e3o constem os nomes das partes e de seus advogados, com o respectivo n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o na Ordem dos Advogados do Brasil, ou, se assim requerido, da sociedade de advogados&#8221;. Assim, a publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o unipessoal desta Corte em nome de advogado que nunca representou o autor nos autos da a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria implicou viola\u00e7\u00e3o manifesta ao disposto no \u00a7 2\u00ba do art. 272 do CPC 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Como decidido pelo STJ, em mais de uma oportunidade, a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da parte em virtude de equ\u00edvoco na autua\u00e7\u00e3o autoriza a rescis\u00e3o do julgado. &#8220;<strong>A aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o do recorrido, por erro na autua\u00e7\u00e3o do recurso especial, para a apresenta\u00e7\u00e3o de contrarraz\u00f5es e demais atos da parte constitui viola\u00e7\u00e3o literal ao disposto no \u00a7 1\u00ba do art. 236 do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, possibilitando-se a rescis\u00e3o do julgado com fundamento no art. 485, V, do mesmo estatuto<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, <strong>a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contr\u00e1ria \u00e9 sempre prejudicial ao recorrido.<\/strong> Nessa dire\u00e7\u00e3o, o STJ j\u00e1 observou que &#8220;o defeito ou a aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o &#8211; requisito de validade do processo (arts. 236, \u00a7 1\u00ba, e 247 do CPC\/1973) &#8211; impedem a constitui\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o processual e constituem temas pass\u00edveis de exame em qualquer tempo e grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, independentemente de forma, alega\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo ou provoca\u00e7\u00e3o da parte. Trata-se de v\u00edcios transrescis\u00f3rios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Imp\u00f5e-se concluir pela proced\u00eancia do primeiro pedido rescis\u00f3rio (CPC 2015, art. 968, inciso I) para reconhecer que a publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o rescindenda em nome de advogado que nunca representou o autor nos autos da a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria violou literalmente o disposto no art. 272, \u00a7 2\u00ba, do CPC 2015.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de intima\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que implicou o provimento parcial do recurso interposto pela parte contr\u00e1ria \u00e9 sempre prejudicial ao recorrido, sendo cab\u00edvel o manejo de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-reparacao-de-prejuizos-causados-pela-compensacao-e-deposito-de-cheque-nominal\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos causados pela compensa\u00e7\u00e3o e dep\u00f3sito de cheque nominal.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 extra petita a decis\u00e3o que, em a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos supostamente causados pela compensa\u00e7\u00e3o e posterior dep\u00f3sito de cheque nominal endossado por quem n\u00e3o tinha poderes para tanto, condena a institui\u00e7\u00e3o financeira ao pagamento do valor das c\u00e1rtulas indevidamente compensadas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.035.370-DF, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Banco Brasa por meio da qual requereu a restitui\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos resultantes da des\u00eddia imputada \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira demandada ao deixar de conferir a regularidade de endossos lan\u00e7ados em cheques por ela compensados, equivalente aos valores despendidos para p\u00f4r fim \u00e0s demandas judiciais contra ela ajuizadas pelos emitentes das c\u00e1rtulas, acrescido do numer\u00e1rio que viesse a ser despendido nos demais feitos que ainda estavam em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal local, para encurtar a conversa, foi logo condenando o Banco ao pagamento de valores referentes \u00e0s c\u00e1rtulas indevidamente compensadas. Inconformado, o banco interp\u00f4s recurso no qual sustenta que houve julgamento <em>extra petita<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-extra-petita\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Extra petita?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pretens\u00e3o da parte autora era a <a>restitui\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos resultantes da des\u00eddia imputada \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira demandada ao deixar de conferir a regularidade de endossos lan\u00e7ados em cheques por ela compensados, equivalente aos valores despendidos para p\u00f4r fim \u00e0s demandas judiciais contra ela ajuizadas pelos emitentes das c\u00e1rtulas, acrescido do numer\u00e1rio que viesse a ser despendido nos demais feitos que ainda estavam em curso<\/a>. Contudo, o Tribunal de origem foi logo condenando a parte r\u00e9 ao pagamento de valores referentes \u00e0s c\u00e1rtulas indevidamente compensadas, com corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e juros de mora desde a data das respectivas compensa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao assim decidir<em>, <\/em>o \u00f3rg\u00e3o julgador concedeu provid\u00eancia jurisdicional diversa da requerida, em flagrante desrespeito ao princ\u00edpio da congru\u00eancia, impondo a devolu\u00e7\u00e3o dos autos \u00e0 origem para novo julgamento da apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese j\u00e1 ter sido concomitantemente examinado na origem o pedido de repara\u00e7\u00e3o dos preju\u00edzos alegadamente sofridos em virtude da des\u00eddia imputada \u00e0 institui\u00e7\u00e3o financeira, que a autora n\u00e3o possu\u00eda, naquele momento, interesse recursal para se irresignar contra o ac\u00f3rd\u00e3o que, ao fim e ao cabo, concedeu-lhe provimento jurisdicional distinto, da\u00ed a necessidade de se determinar o retorno dos autos \u00e0 origem de modo a facultar o pleno exerc\u00edcio do direito fundamental \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o efetiva em todos os graus recursais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que, em regra, a decreta\u00e7\u00e3o de nulidade \u00e9 a san\u00e7\u00e3o prevista para a hip\u00f3tese de decis\u00e3o&nbsp;<em>extra&nbsp;<\/em>ou&nbsp;<em>ultra petita<\/em>, somente podendo ser relativizada, mediante o decote da parte que excede \u00e0 pretens\u00e3o manifestada, se n\u00e3o houver preju\u00edzo para as partes. <strong>Havendo preju\u00edzo para uma das partes, como ocorre na esp\u00e9cie, proclama-se a nulidade de todo o julgado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nas raz\u00f5es da apela\u00e7\u00e3o foi aventada a hip\u00f3tese de cerceamento de defesa em virtude do indeferimento do pedido de produ\u00e7\u00e3o de provas, de modo que, calcada a improced\u00eancia do pedido de repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos na aus\u00eancia de prova quanto aos fatos constitutivos do direito da autora, imp\u00f5e-se mesmo determinar o rejulgamento da apela\u00e7\u00e3o em toda a sua extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-resultado-final\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 extra petita a decis\u00e3o que, em a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos supostamente causados pela compensa\u00e7\u00e3o e posterior dep\u00f3sito de cheque nominal endossado por quem n\u00e3o tinha poderes para tanto, condena a institui\u00e7\u00e3o financeira ao pagamento do valor das c\u00e1rtulas indevidamente compensadas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-tema-1076-e-aplicabilidade-em-acao-extinta-sem-resolucao-de-merito-conquanto-se-trate-de-uma-situacao-de-fato\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tema 1076 e aplicabilidade em a\u00e7\u00e3o extinta sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, conquanto se trate de uma situa\u00e7\u00e3o de fato.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A circunst\u00e2ncia de a a\u00e7\u00e3o ter sido extinta sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, conquanto se trate de uma situa\u00e7\u00e3o de fato, n\u00e3o \u00e9 suficientemente relevante para aplicar distinguishing em rela\u00e7\u00e3o ao precedente firmado no julgamento do Tema 1076, especialmente porque essa circunst\u00e2ncia f\u00e1tica tamb\u00e9m estava presente em dois dos recursos representativos daquela controv\u00e9rsia e, ainda assim, a Corte Especial compreendeu se tratar de hip\u00f3tese em que a regra do art. 85, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, do CPC\/2015, igualmente deveria ser aplicada de maneira literal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.743.330-AM, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 11\/04\/2023, DJe 14\/04\/2023 (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Geremias interp\u00f4s embargos de terceiro sob a alega\u00e7\u00e3o de que estava sofrendo amea\u00e7a de constri\u00e7\u00e3o de um im\u00f3vel que lhe pertencia. Em recurso, o Tribunal local extinguiu os embargos sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito e fixou honor\u00e1rios de 10% sobre o valor da causa, conforme definido no tema 1076.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre o m\u00ednimo de dez e o m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; o grau de zelo do profissional;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; o lugar de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; a natureza e a import\u00e2ncia da causa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Nas causas em que a Fazenda P\u00fablica for parte, a fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios observar\u00e1 os crit\u00e9rios estabelecidos nos incisos I a IV do \u00a7 2\u00ba e os seguintes percentuais:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; m\u00ednimo de dez e m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido at\u00e9 200 (duzentos) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; m\u00ednimo de oito e m\u00e1ximo de dez por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 200 (duzentos) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 2.000 (dois mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; m\u00ednimo de cinco e m\u00e1ximo de oito por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 2.000 (dois mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 20.000 (vinte mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; m\u00ednimo de tr\u00eas e m\u00e1ximo de cinco por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 20.000 (vinte mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos at\u00e9 100.000 (cem mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; m\u00ednimo de um e m\u00e1ximo de tr\u00eas por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou do proveito econ\u00f4mico obtido acima de 100.000 (cem mil) sal\u00e1rios-m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-cabe-honorarios-mesmo-sem-resolucao-de-merito\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe honor\u00e1rios mesmo sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4 (e sinhora)!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se, em embargos de terceiro extintos sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito por aus\u00eancia de interesse processual, aplica-se o Tema repetitivo 1076, impondo-se o arbitramento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais ao patrono do vencedor no percentual de 10 a 20% sobre o valor atualizado da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se verificar, para a conclus\u00e3o do entendimento a seguir exposto, dois relevantes momentos hist\u00f3ricos do STJ. S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro desses momentos \u00e9 o julgamento do REsp 1.746.072\/PR, perante a Segunda Se\u00e7\u00e3o, cujo ac\u00f3rd\u00e3o foi publicado no DJe 29\/3\/2019. Naquela ocasi\u00e3o, esta Corte deu o primeiro sinal concreto de que poderia mudar a sua hist\u00f3rica orienta\u00e7\u00e3o a respeito da possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o equitativa de honor\u00e1rios advocat\u00edcios quando a fixa\u00e7\u00e3o r\u00edgida resultasse em verba demasiadamente vultosa.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo momento \u00e9 o recente julgamento do&nbsp;Tema 1076, perante a Corte Especial, cujos ac\u00f3rd\u00e3os foram publicados em 31\/5\/2022, em que aquela sinaliza\u00e7\u00e3o inicial se materializou em forma de um precedente vinculante. Nesse julgamento, houve debate acerca da desproporcionalidade, irrazoabilidade, necessidade de conforma\u00e7\u00e3o constitucional e injusti\u00e7a, fundando-se naquilo que havia de mais profundo e moderno na doutrina da sociologia jur\u00eddica, da filosofia jur\u00eddica, da teoria da constitui\u00e7\u00e3o e da teoria geral do direito, o que pode ser observado no voto vencido.<\/p>\n\n\n\n<p>Registre-se<strong>, ainda, que o fato de a a\u00e7\u00e3o ser extinta sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito foi expressamente considerado no precedente, compreendendo a Corte Especial que a tese firmada no julgamento do&nbsp;Tema 1076&nbsp;seria aplic\u00e1vel tamb\u00e9m nessa hip\u00f3tese<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A distin\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; que permite que os \u00f3rg\u00e3os fracion\u00e1rios se afastem de um precedente vinculante firmado no julgamento de recursos especiais submetidos ao rito dos repetitivos <strong>somente poder\u00e1 existir diante de uma hip\u00f3tese f\u00e1tica diferente daquela considerada relevante para a forma\u00e7\u00e3o do precedente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se deve, portanto, reconhecer a exist\u00eancia de uma distin\u00e7\u00e3o entre o precedente firmado no&nbsp;Tema 1076&nbsp;e a hip\u00f3tese em exame, de modo a impor-se solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica diversa, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso dar balizas exatas ao que se deve compreender como<em>&nbsp;distinguishing<\/em><em>.&nbsp;<\/em>Quanto a esse ponto: &#8220;ao contr\u00e1rio do que ocorre na revoga\u00e7\u00e3o de precedentes, a diferencia\u00e7\u00e3o de casos pode ser realizada por qualquer magistrado, n\u00e3o existindo problemas atinentes \u00e0 compet\u00eancia, havendo a possibilidade de distin\u00e7\u00e3o de um precedente do STF por um juiz de primeiro grau. \u00c9 uma esp\u00e9cie de t\u00e9cnica que visa o afastamento de um precedente n\u00e3o por ele ser injusto, mas simplesmente por n\u00e3o se adequar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o f\u00e1tica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 que se falar em distin\u00e7\u00e3o pela injusti\u00e7a, pela desproporcionalidade, pela irrazoabilidade, pela falta de equidade ou pela exist\u00eancia de outros julgados do Supremo Tribunal Federal que n\u00e3o se coadunariam com o precedente, pois tais circunst\u00e2ncias importariam na eventual necessidade de supera\u00e7\u00e3o do precedente, mas n\u00e3o no uso da t\u00e9cnica de distin\u00e7\u00e3o<\/strong>, que \u00e9 l\u00edcito fazer, quando de sua aplicabilidade pr\u00e1tica, mas desde que presente uma circunst\u00e2ncia f\u00e1tica distinta. Tais circunst\u00e2ncias, quando muito, importariam na eventual necessidade de supera\u00e7\u00e3o do precedente, mas jamais no uso da t\u00e9cnica de distin\u00e7\u00e3o que se pode fazer quando de sua aplicabilidade pr\u00e1tica, desde que presente uma circunst\u00e2ncia f\u00e1tica distinta.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o art. 85, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, do CPC\/2015, dever\u00e1 ser aplicado, de forma literal, pelos \u00f3rg\u00e3os fracion\u00e1rios do STJ se e enquanto n\u00e3o sobrevier modifica\u00e7\u00e3o desse entendimento pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 1.412.073\/SP, do RE 1.412.074\/SP e do RE 1.412.069\/PR, todos em tramita\u00e7\u00e3o perante o Supremo Tribunal Federal, ou se e enquanto n\u00e3o sobrevier, no STJ, a eventual supera\u00e7\u00e3o do precedente formado no julgamento do&nbsp;Tema 1076.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A circunst\u00e2ncia de a a\u00e7\u00e3o ter sido extinta sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, conquanto se trate de uma situa\u00e7\u00e3o de fato, n\u00e3o \u00e9 suficientemente relevante para aplicar distinguishing em rela\u00e7\u00e3o ao precedente firmado no julgamento do Tema 1076, especialmente porque essa circunst\u00e2ncia f\u00e1tica tamb\u00e9m estava presente em dois dos recursos representativos daquela controv\u00e9rsia e, ainda assim, a Corte Especial compreendeu se tratar de hip\u00f3tese em que a regra do art. 85, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, do CPC\/2015, igualmente deveria ser aplicada de maneira literal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-i-legitimidade-da-sociedade-empresaria-para-figurar-no-polo-passivo-da-fase-executiva-em-acao-de-dissolucao-parcial-de-sociedade-por-cotas\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade da sociedade empres\u00e1ria para figurar no polo passivo da fase executiva em a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial de sociedade por cotas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial de sociedade por cotas, a sociedade empres\u00e1ria possui legitimidade para figurar no polo passivo da fase executiva, ainda que n\u00e3o tenha sido citada e n\u00e3o tenha integrado a fase de conhecimento, quando todos que participavam do quadro social integraram a lide e n\u00e3o se constata preju\u00edzos \u00e0s partes.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AgInt no REsp 1.922.029-DF, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial de sociedade por cotas, passou-se a discutir a legitimidade da sociedade empres\u00e1ria para figurar no polo passivo da fase executiva, ainda que n\u00e3o citada e n\u00e3o tendo integrado a fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-parte-legitima\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Parte leg\u00edtima?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A parte, sociedade empres\u00e1ria (pessoa jur\u00eddica), argumenta que n\u00e3o seria parte leg\u00edtima para figurar no polo passivo da demanda executiva, pois, n\u00e3o tendo sido citada e n\u00e3o tendo integrado a a\u00e7\u00e3o de conhecimento &#8211; Dissolu\u00e7\u00e3o Parcial de Sociedade por Cotas -, da qual participaram apenas os s\u00f3cios (pessoas f\u00edsicas), n\u00e3o poderia ser responsabilizada pelo pagamento dos haveres na fase de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Precedentes do STJ indicavam que &#8220;<strong>Na a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial de sociedade limitada, \u00e9 desnecess\u00e1ria a cita\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica se todos os que participam do quadro social integram a lide<\/strong>&#8221; (REsp 1.121.530\/RN, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 13\/9\/2011, DJe 26\/4\/2012).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, julgados mais recentes, ainda sob a \u00e9gide do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, apontam que &#8220;A jurisprud\u00eancia desta Corte firmou-se no sentido de que, em regra, na a\u00e7\u00e3o para apura\u00e7\u00e3o de haveres de s\u00f3cio, a legitimidade processual passiva \u00e9 da sociedade e dos s\u00f3cios remanescentes, em litiscons\u00f3rcio passivo necess\u00e1rio&#8221; (REsp 1.015.547\/AM, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, julgado em 1\u00ba\/12\/2016, DJe 14\/12\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse mesmo julgado ponderou-se que seria poss\u00edvel mitigar esse entendimento diante de especificidades do caso concreto, em que n\u00e3o se constate preju\u00edzos \u00e0s partes demandadas<\/strong>, \u00e0s quais tenha sido assegurada a ampla defesa e o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, no caso ora em an\u00e1lise, verifica-se que eram partes na a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial da sociedade todos os s\u00f3cios da empresa. Trata-se de sociedade empres\u00e1ria pequena, com apenas uma s\u00f3cia remanescente, ap\u00f3s o falecimento do outro s\u00f3cio, a qual foi citada e integrou a a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial da sociedade, em que o interesse da s\u00f3cia se confunde com o da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer da a\u00e7\u00e3o, houve ampla defesa e contradit\u00f3rio, inclusive com apresenta\u00e7\u00e3o de contesta\u00e7\u00e3o, reconven\u00e7\u00e3o, r\u00e9plica e outras peti\u00e7\u00f5es, agravo de instrumento e apela\u00e7\u00e3o. Deve ser aplicado, portanto, o princ\u00edpio&nbsp;<em>pas de nullit\u00e9 sans grief&nbsp;<\/em>(&#8220;n\u00e3o h\u00e1 nulidade sem preju\u00edzo&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-resultado-final\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o de dissolu\u00e7\u00e3o parcial de sociedade por cotas, a sociedade empres\u00e1ria possui legitimidade para figurar no polo passivo da fase executiva, ainda que n\u00e3o tenha sido citada e n\u00e3o tenha integrado a fase de conhecimento, quando todos que participavam do quadro social integraram a lide e n\u00e3o se constata preju\u00edzos \u00e0s partes.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-aplicabilidade-da-isencao-prevista-no-regulamento-das-telecomunicacoes-internacionais-melbourne\"><a>10.&nbsp; Aplicabilidade da isen\u00e7\u00e3o prevista no Regulamento das Telecomunica\u00e7\u00f5es Internacionais (Melbourne)<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Regulamento das Telecomunica\u00e7\u00f5es Internacionais (Melbourne) n\u00e3o foi objeto de aprecia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pelo Congresso Nacional, de modo que a isen\u00e7\u00e3o nele prevista, com repercuss\u00e3o na onera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio nacional, n\u00e3o pode ser aplicada para afastar a incid\u00eancia do IRRF e da CIDE sobre as remessas de recursos ao exterior, porque jamais foram incorporadas ao ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.426.749-RJ, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tchau Telef\u00f4nica ajuizou a\u00e7\u00e3o cujo objetivo era a declara\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica com a Uni\u00e3o Federal que legitime a exig\u00eancia de IRRF e CIDE sobre remessas ao exterior de valores relativos \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de telefonia internacional (tr\u00e1fego sainte).<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa alega ser prestadora de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, inclusive internacionais, e celebra contratos com empresas de telecomunica\u00e7\u00e3o sediadas em outros pa\u00edses, com o intuito de viabilizar a comunica\u00e7\u00e3o pelo uso respectivo de suas redes. Explica que as liga\u00e7\u00f5es internacionais originadas de outros pa\u00edses com destino ao Brasil s\u00e3o conhecidas como &#8220;tr\u00e1fego entrante&#8221;, enquanto as liga\u00e7\u00f5es originadas no Brasil com destino a pessoas localizadas no exterior, s\u00e3o denominadas &#8220;tr\u00e1fego sainte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sustenta que as opera\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas internacionais estariam subordinadas ao Regulamento de Melbourne, que fixa normas a respeito do tratamento a ser dado aos valores cobrados por opera\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas internacionais no sentido de que: i) os tributos incidentes sobre opera\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas s\u00f3 podem incidir sobre as tarifas cobradas dos usu\u00e1rios do pa\u00eds que realiza a tributa\u00e7\u00e3o e; ii) os pagamentos feitos entre as empresas prestadoras de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o devem ser feitos em rela\u00e7\u00e3o a saldo apurado em prol de uma delas, ap\u00f3s compensa\u00e7\u00e3o dos valores dos servi\u00e7os reciprocamente prestados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto Legislativo n. 67\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba &nbsp;S\u00e3o aprovados os textos dos Atos Finais da Confer\u00eancia Adicional de Plenipotenci\u00e1rios de Genebra, ocorrida em 1992, e da Confer\u00eancia de Plenipotenci\u00e1rios de Quioto, ocorrida em 1994, da Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es &#8211; UIT.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp;S\u00e3o sujeitos \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional quaisquer atos que alterem os referidos Protocolos, assim como quaisquer ajustes complementares que, nos termos do art. 49, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrim\u00f4nio nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-aplicavel-a-isencao-prevista-no-regulamento-de-melbourne\"><a>10.2.2. Aplic\u00e1vel a isen\u00e7\u00e3o prevista no Regulamento de Melbourne?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o tem como ponto inicial a internaliza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, no ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, do Regulamento das Telecomunica\u00e7\u00f5es Internacionais, integrante dos Atos Finais da Confer\u00eancia Administrativa Mundial Telegr\u00e1fica e Telef\u00f4nica de Melbourne, firmado em 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, <strong>conv\u00e9m ressaltar que o Regulamento de Melbourne n\u00e3o foi incorporado \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es, conclu\u00eddas em Genebra, em 22\/12\/1992, tampouco ao seu instrumento de Emenda, aprovado em Quioto, em 14\/10\/1994<\/strong>. O Tratado de Melbourne possui natureza meramente complementar aos referidos instrumentos, de acordo com o que disp\u00f5e o art. 4\u00ba, \u00a7 3\u00ba, n\u00famero 3, da Conven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, a aprova\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o, pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo n. 67\/1998, n\u00e3o significou a aprova\u00e7\u00e3o do Regulamento de Melbourne. Na verdade, o art. 1\u00ba do Decreto Legislativo n. 67\/1998 fez constar expressamente que os acordos complementares que acarretassem encargos ou compromissos gravosos ao patrim\u00f4nio nacional devem se sujeitar \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a disposi\u00e7\u00e3o contida no art. 54 da Conven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Internacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es, em se tratando de encargos e compromissos assumidos antes ou depois do Decreto Legislativo n. 67\/1998, <strong>\u00e9 imprescind\u00edvel a submiss\u00e3o do instrumento, de forma espec\u00edfica, \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional<\/strong>. O racioc\u00ednio decorre da interpreta\u00e7\u00e3o que se faz do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba do Decreto Legislativo n. 67\/1998, que, inicialmente, trata dos atos que alteram a Conven\u00e7\u00e3o e, em um segundo momento, imp\u00f5e a aprova\u00e7\u00e3o, pelo Congresso Nacional, dos acordos complementares que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrim\u00f4nio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O Regulamento das Telecomunica\u00e7\u00f5es Internacionais (Melbourne) n\u00e3o foi objeto de aprecia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pelo Congresso Nacional, de modo que a isen\u00e7\u00e3o nele prevista, com repercuss\u00e3o na onera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio nacional, n\u00e3o pode ser aplicada para afastar a incid\u00eancia do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e da contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico (CIDE) sobre as remessas de recursos ao exterior, porque jamais foram incorporadas ao ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O Regulamento das Telecomunica\u00e7\u00f5es Internacionais (Melbourne) n\u00e3o foi objeto de aprecia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica pelo Congresso Nacional, de modo que a isen\u00e7\u00e3o nele prevista, com repercuss\u00e3o na onera\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio nacional, n\u00e3o pode ser aplicada para afastar a incid\u00eancia do IRRF e da CIDE sobre as remessas de recursos ao exterior, porque jamais foram incorporadas ao ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-momento-de-consumacao-do-crime-de-obter-mediante-fraude-financiamento-em-instituicao-financeira\"><a>11.&nbsp; Momento de consuma\u00e7\u00e3o do crime de &#8220;obter, mediante fraude, financiamento em institui\u00e7\u00e3o financeira&#8221;<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O crime de &#8220;obter, mediante fraude, financiamento em institui\u00e7\u00e3o financeira&#8221; se consuma no momento em que assinado o contrato de obten\u00e7\u00e3o de financiamento mediante fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 2.002.450-SE, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/4\/2023, DJe 19\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton, mediante fraude, obteve financiamento habitacional junto \u00e0 CEF. Ocorre que antes da assinatura do contrato, a institui\u00e7\u00e3o financeira teria observado a inidoneidade dos documentos, isto \u00e9, antes mesmo da formaliza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. O MP mandou bala na den\u00fancia e o juiz\u00e3o condenou Creiton pelo crime previsto no art. 19 da Lei 7.482\/1986 em sua forma qualificada, uma vez que cometido o delito contra institui\u00e7\u00e3o financeira oficial. A defesa interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que n\u00e3o houve preju\u00edzo ao Sistema Financeiro Nacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.492\/1986:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 19. Obter, mediante fraude, financiamento em institui\u00e7\u00e3o financeira:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; Reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A pena \u00e9 aumentada de 1\/3 (um ter\u00e7o) se o crime \u00e9 cometido em detrimento de institui\u00e7\u00e3o financeira oficial ou por ela credenciada para o repasse de financiamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-em-que-momento-o-crime-se-consuma\"><a>11.2.2. Em que momento o crime se consuma?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>No momento da ASSINATURA!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O crime do art. 19 da Lei n. 7.492\/1986 se consuma no momento em que assinado o contrato de obten\u00e7\u00e3o de financiamento mediante fraude.<\/p>\n\n\n\n<p>Citam-se precedentes do STJ firmados no mesmo sentido:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8221; (&#8230;) 4. Acrescentou, ademais, a inadequa\u00e7\u00e3o da via do recurso especial para se alegar ofensa a orienta\u00e7\u00e3o de enunciado sumular e, por fim, salientou a irrelev\u00e2ncia da quita\u00e7\u00e3o dos financiamentos, haja vista que, na linha do que decidiu a inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria, <strong>&#8216;a consuma\u00e7\u00e3o do crime [do art. 19 da Lei n. 7.492\/1986] se d\u00e1 no momento em que o financiamento \u00e9 obtido atrav\u00e9s de fraude, dispensando-se a efetiva exist\u00eancia de preju\u00edzo econ\u00f4mico<\/strong>&#8216; (&#8230;)&#8221; (EDcl no AgRg no REsp 1.570.225\/RS, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 25\/10\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;(&#8230;) 2. Para a configura\u00e7\u00e3o do delito descrito no art. 19 da Lei n. 7.492\/1986, segundo a pac\u00edfica orienta\u00e7\u00e3o desta Corte, <strong>basta a obten\u00e7\u00e3o, mediante fraude, de financiamento em institui\u00e7\u00e3o financeira. Logo, o dolo do agente, que caracteriza o referido crime, n\u00e3o \u00e9 aferido devido ao pagamento ou n\u00e3o de parcelas referentes ao financiamento, mas em momento anterior, isto \u00e9, por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o do financiamento, que pressup\u00f5e a utiliza\u00e7\u00e3o de fraude<\/strong>. (&#8230;)&#8221; (AgRg no REsp 1.761.580\/PE, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 30\/4\/2020).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O crime de &#8220;obter, mediante fraude, financiamento em institui\u00e7\u00e3o financeira&#8221; se consuma no momento em que assinado o contrato de obten\u00e7\u00e3o de financiamento mediante fraude.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-contratacao-de-servicos-espirituais-para-provocar-a-morte-de-autoridades-e-crime-de-ameaca\"><a>12.&nbsp; Contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os espirituais para provocar a morte de autoridades e crime de amea\u00e7a.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os espirituais para provocar a morte de autoridades n\u00e3o configura crime de amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 697.581-GO, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023, DJe 15\/3\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete, Secret\u00e1ria de Sa\u00fade de um munic\u00edpio, teria contratado servi\u00e7os espirituais para provocar a morte de diversas autoridades da localidade, Promotor, Delgado, Presidente da C\u00e2mara de Vereadores e rep\u00f3rter.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o foi investigada em inqu\u00e9rito policial, no qual foram requeridas medidas de busca e apreens\u00e3o, quebra do sigilo telef\u00f4nico, e afastamento das fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Inconformada, a defesa da secret\u00e1ria impetrou HC no qual alega a impossibilidade de iniciar-se um inqu\u00e9rito com base na not\u00edcia de que algu\u00e9m contratara um trabalho espiritual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amea\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 147 &#8211; Amea\u00e7ar algu\u00e9m, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simb\u00f3lico, de causar-lhe mal injusto e grave:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de um a seis meses, ou multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Somente se procede mediante representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.069\/1990:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 241-B.&nbsp; Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, v\u00eddeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo expl\u00edcito ou pornogr\u00e1fica envolvendo crian\u00e7a ou adolescente:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 241-E.&nbsp; Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a express\u00e3o \u201ccena de sexo expl\u00edcito ou pornogr\u00e1fica\u201d compreende qualquer situa\u00e7\u00e3o que envolva crian\u00e7a ou adolescente em atividades sexuais expl\u00edcitas, reais ou simuladas, ou exibi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os genitais de uma crian\u00e7a ou adolescente para fins primordialmente sexuais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-configurado-o-crime-de-ameaca\"><a>12.2.2. Configurado o crime de amea\u00e7a?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Consta dos autos que houve a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhos espirituais visando \u00e0 morte de v\u00e1rias autoridades, incluindo autoridade policial, promotor de justi\u00e7a, vereador, prefeito e rep\u00f3rter investigativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O delito de amea\u00e7a somente pode ser cometido dolosamente, ou seja, deve estar configurada a inten\u00e7\u00e3o do agente de provocar medo na v\u00edtima.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese dos autos, a representa\u00e7\u00e3o policial e a pe\u00e7a acusat\u00f3ria deixaram de apontar conduta da paciente direcionada a causar temor nas v\u00edtimas, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 no caderno processual nenhum ind\u00edcio de que a profissional contratada para realizar o trabalho espiritual procurou um dos ofendidos, a mando da paciente, com o prop\u00f3sito de atemoriz\u00e1-los. N\u00e3o houve nenhuma men\u00e7\u00e3o a respeito da inten\u00e7\u00e3o em infundir temor, mas t\u00e3o somente foi narrada a contrata\u00e7\u00e3o de trabalho espiritual visando a &#8220;eliminar diversas pessoas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ressaltado pelo&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;federal, <strong>dos elementos colhidos n\u00e3o ficou demonstrado que a r\u00e9: &#8220;teve a vontade livre e consciente de intimidar os ofendidos: a conduta dela consistiu em contratar uma &#8216;profissional especializada&#8217; que trabalha com esse tipo servi\u00e7o &#8211; que se pode denominar de metaf\u00edsico <\/strong>-, a fim de que fosse causado mal grave e injusto aos ofendidos. Resta claro que ela esperava que a profissional mantivesse o sigilo, o que, contra sua vontade, n\u00e3o ocorreu. N\u00e3o h\u00e1, portanto, o dolo de amea\u00e7a, dirigida, direta ou indiretamente, aos ofendidos, como exige a objetividade jur\u00eddica do tipo penal, sob pena de, em n\u00e3o se levando em conta tal fator, adotar-se a configura\u00e7\u00e3o de responsabilidade penal objetiva na esp\u00e9cie. (&#8230;)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De toda forma, o tipo penal (art. 147 do CP), ao definir o delito de amea\u00e7a, descreve que o mal prometido deve ser injusto e grave, ou seja, deve ser s\u00e9rio e veross\u00edmil. A amea\u00e7a, portanto, <strong>deve ter potencialidade de concretiza\u00e7\u00e3o<\/strong>, sob a perspectiva da ci\u00eancia e do homem m\u00e9dio, situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o demonstrada no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das circunst\u00e2ncias do caso, a instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial, e as medidas cautelares determinadas, bem como a a\u00e7\u00e3o penal, porquanto baseadas em fato at\u00edpico (amea\u00e7a), s\u00e3o nulas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os espirituais para provocar a morte de autoridades n\u00e3o configura crime de amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-requisitos-da-receptacao-em-sua-forma-qualificada\"><a>13.&nbsp; Requisitos da recepta\u00e7\u00e3o em sua forma qualificada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A recepta\u00e7\u00e3o, em sua forma qualificada, demanda especial qualidade do sujeito ativo, que deve ser comerciante ou industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.259.297-MG, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/4\/2023, DJe 24\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho adquiria pe\u00e7as de de proced\u00eancia duvidosa (ve\u00edculos desmanchados ap\u00f3s serem furtados) e ent\u00e3o fazia a revenda em seu com\u00e9rcio. Um belo dia (nem t\u00e3o belo assim para Creitinho) a pol\u00edcia ficou sabendo e a casa caiu. Creitinho foi condenado pelo crime de recepta\u00e7\u00e3o qualificada, assim como Nirso que tamb\u00e9m foi flagrado no estabelecimento vendendo pe\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Nirso interp\u00f4s recurso no qual alega que ele n\u00e3o era respons\u00e1vel direto pela venda das pe\u00e7as, motivo pelo qual deveria ser afastada a qualificadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Recepta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 180 &#8211; Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito pr\u00f3prio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-f\u00e9, a adquira, receba ou oculte:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-necessaria-a-qualidade-de-comerciante-ou-industrial\"><a>13.2.2. Necess\u00e1ria a qualidade de comerciante ou industrial?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que se configure a modalidade qualificada no crime de recepta\u00e7\u00e3o, h\u00e1 a exig\u00eancia legal de que a pr\u00e1tica de um dos verbos nucleares ocorra no exerc\u00edcio de atividade comercial ou industrial com efetiva habitualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A figura do \u00a7 1\u00ba do art. 180 do C\u00f3digo Penal foi introduzida para punir mais severamente os propriet\u00e1rios de &#8220;desmanches&#8221; de carros, exigindo-se ainda o exerc\u00edcio de atividade comercial ou industrial.&nbsp; <\/strong>\u00c9 certo que o \u00a7 2\u00ba equipara \u00e0 atividade comercial qualquer forma de com\u00e9rcio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em resid\u00eancia, abrangendo, com isso, o &#8220;desmanche&#8221; ou &#8220;ferro-velho&#8221; caseiro, sem apar\u00eancia de com\u00e9rcio legalizado (REsp 1.743.514\/RS). Mas deve haver habitualidade!<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento doutrin\u00e1rio, por sua vez, considera que a express\u00e3o &#8220;no exerc\u00edcio de atividade comercial ou industrial&#8221; pressup\u00f5e habitualidade no exerc\u00edcio do com\u00e9rcio ou da ind\u00fastria, pois \u00e9 sabido que a atividade comercial (em sentido amplo) n\u00e3o se aperfei\u00e7oa com um \u00fanico ato, sem continuidade no tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as inst\u00e2ncias consignaram a demonstra\u00e7\u00e3o de que as pe\u00e7as retiradas dos carros furtados\/roubados seriam vendidas no estabelecimento comercial do acusado. Por\u00e9m, com rela\u00e7\u00e3o aos outros r\u00e9us, n\u00e3o se comprovou o exerc\u00edcio da atividade comercial prestado de forma habitual, atraindo, quanto a eles, a desclassifica\u00e7\u00e3o do crime qualificado para recepta\u00e7\u00e3o simples (art. 180,&nbsp;<em>caput<\/em>, do CP).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A recepta\u00e7\u00e3o, em sua forma qualificada, demanda especial qualidade do sujeito ativo, que deve ser comerciante ou industrial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-criterio-de-unificacao-das-penas-na-lep\"><a>14.&nbsp; Crit\u00e9rio de unifica\u00e7\u00e3o das penas na LEP<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 111 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, as penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o devem ser consideradas cumulativamente, j\u00e1 que ambas s\u00e3o da mesma esp\u00e9cie, ou seja, penas privativas de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 1.991.853-MG, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 17\/4\/2023, DJe 20\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, criminoso convicto, foi condenado por diversos crimes com penas privativas de reclus\u00e3o, mas tamb\u00e9m em um crime em que a natureza da pena era de deten\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o e o tribunal local entenderam pela impossibilidade de unifica\u00e7\u00e3o dessas penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.210\/1984:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 111. Quando houver condena\u00e7\u00e3o por mais de um crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determina\u00e7\u00e3o do regime de cumprimento ser\u00e1 feita pelo resultado da soma ou unifica\u00e7\u00e3o das penas, observada, quando for o caso, a detra\u00e7\u00e3o ou remi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Sobrevindo condena\u00e7\u00e3o no curso da execu\u00e7\u00e3o, somar-se-\u00e1 a pena ao restante da que est\u00e1 sendo cumprida, para determina\u00e7\u00e3o do regime.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-unifica-ou-nao\"><a>14.2.2. Unifica ou n\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>P\u00f5e tudo xunto reunido!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia de ambas as Turmas de Direito Penal do Superior Tribunal de Justi\u00e7a est\u00e1 fixada no sentido de que <strong>&#8220;(&#8230;) concorrendo penas de reclus\u00e3o e deten\u00e7\u00e3o, ambas devem ser somadas para efeito de fixa\u00e7\u00e3o da totalidade do encarceramento, porquanto constituem reprimendas de mesma esp\u00e9cie, ou seja, penas privativas de liberdade. Intelig\u00eancia do art. 111 da Lei n. 7.210\/84<\/strong>&#8221; (HC 460.460\/RS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 19\/2\/2019, DJe 1\u00ba\/3\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso, o Tribunal de origem concluiu pela impossibilidade de unifica\u00e7\u00e3o das penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o<\/strong>, sob o argumento de que o acusado fora condenado a diversos crimes com penas privativas de reclus\u00e3o, mas h\u00e1 um crime que a natureza da pena \u00e9 de deten\u00e7\u00e3o (dano qualificado). Assim, primeiramente deveria ser cumprida a pena de reclus\u00e3o, e posteriormente a pena de deten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo haver a soma pura e simples para fins de execu\u00e7\u00e3o, na medida em que as reprimendas possuem natureza jur\u00eddica e forma de execu\u00e7\u00e3o diversa.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o entendimento do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido est\u00e1 em desacordo com a orienta\u00e7\u00e3o do STJ. O art. 111,&nbsp;<em>caput<\/em>, da Lei n. 7.210\/1984 <strong>n\u00e3o faz tal distin\u00e7\u00e3o e o seu par\u00e1grafo \u00fanico prescreve a soma da pena superveniente, como forma de determina\u00e7\u00e3o do regime<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, reitera-se que as penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o devem ser consideradas cumulativamente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 111 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, as penas de reclus\u00e3o e de deten\u00e7\u00e3o devem ser consideradas cumulativamente, j\u00e1 que ambas s\u00e3o da mesma esp\u00e9cie, ou seja, penas privativas de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-i-licitude-da-prova-obtida-por-meio-de-reconhecimento-fotografico-judicial-que-nao-observou-o-art-226-do-codigo-de-processo-penal\"><a>15.&nbsp; (I)Licitude da prova obtida por meio de reconhecimento fotogr\u00e1fico judicial que n\u00e3o observou o art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 il\u00edcita a prova obtida por meio de reconhecimento fotogr\u00e1fico judicial que n\u00e3o observou o art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal, sendo devida a absolvi\u00e7\u00e3o quando as provas remanescentes s\u00e3o t\u00e3o-somente a confiss\u00e3o extrajudicial, integralmente retratada em Ju\u00edzo, e a apreens\u00e3o de um dos bens subtra\u00eddos, meses ap\u00f3s os fatos, efetivada no curso das investiga\u00e7\u00f5es, o qual estava com um dos acusados que n\u00e3o foi reconhecido por nenhuma das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.996.268-GO, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/4\/2023. (Info 771)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio foi condenado pelo crime de latroc\u00ednio. Ocorre que n\u00e3o consta ter havido reconhecimento, fotogr\u00e1fico ou pessoal, durante a fase inquisitiva. O reconhecimento fotogr\u00e1fico realizado em Ju\u00edzo, por sua vez, ocorreu quase 8 (oito) meses ap\u00f3s os fatos narrados na den\u00fancia, sendo feito pela simples apresenta\u00e7\u00e3o, \u00e0s V\u00edtimas, das fotos do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>As demais provas eram a confiss\u00e3o extrajudicial (oitiva na delegacia) retratada em ju\u00edzo, e alguns bens subtra\u00eddos (celulares das v\u00edtimas que foram interceptados), apreendidos meses depois com um dos acusados, mas que n\u00e3o foram reconhecidos pelas v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Craudio interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta que a condena\u00e7\u00e3o estaria lastreada estritamente em provas colhidas na fase investigat\u00f3ria, e em reconhecimento fotogr\u00e1fico realizado sem observ\u00e2ncia das regras processuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;155.&nbsp; O juiz formar\u00e1 sua convic\u00e7\u00e3o pela livre aprecia\u00e7\u00e3o da prova produzida em contradit\u00f3rio judicial, n\u00e3o podendo fundamentar sua decis\u00e3o exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investiga\u00e7\u00e3o, ressalvadas as provas cautelares, n\u00e3o repet\u00edveis e antecipadas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Somente quanto ao estado das pessoas ser\u00e3o observadas as restri\u00e7\u00f5es estabelecidas na lei civil.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art.&nbsp;197.&nbsp;&nbsp;O valor da confiss\u00e3o se aferir\u00e1 pelos crit\u00e9rios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua aprecia\u00e7\u00e3o o juiz dever\u00e1 confront\u00e1-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concord\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;226.&nbsp;&nbsp;Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-\u00e1 pela seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I&nbsp;&#8211;&nbsp;a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento ser\u00e1 convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Il&nbsp;&#8211;&nbsp;a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, ser\u00e1 colocada, se poss\u00edvel, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhan\u00e7a, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apont\u00e1-la;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III&nbsp;&#8211;&nbsp;se houver raz\u00e3o para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de intimida\u00e7\u00e3o ou outra influ\u00eancia, n\u00e3o diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade providenciar\u00e1 para que esta n\u00e3o veja aquela;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV&nbsp;&#8211;&nbsp;do ato de reconhecimento lavrar-se-\u00e1 auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico.&nbsp;&nbsp;O disposto no n<sup>o<\/sup>&nbsp;III deste artigo n\u00e3o ter\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o na fase da instru\u00e7\u00e3o criminal ou em plen\u00e1rio de julgamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-a-condenacao-se-sustenta\"><a>15.2.2. &nbsp;A condena\u00e7\u00e3o se sustenta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A condena\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us est\u00e1 fundamentada estritamente nos reconhecimentos fotogr\u00e1ficos feitos judicialmente, na confiss\u00e3o extrajudicial dos Recorrentes, integralmente retratada em Ju\u00edzo, e no fato de que um dos celulares roubados teria sido apreendido com um dos r\u00e9us, meses ap\u00f3s o delito, no curso das investiga\u00e7\u00f5es, porque houve a quebra do sigilo do aparelho. Esta fundamenta\u00e7\u00e3o, entretanto, \u00e9 il\u00edcita, insuficiente e inid\u00f4nea.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao reconhecimento fotogr\u00e1fico, n\u00e3o foram observados os ditames do art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal, o que, por si s\u00f3, seria suficiente para afastar a validade da prova. Mostrando-se inv\u00e1lido o reconhecimento fotogr\u00e1fico, restaram apenas as confiss\u00f5es extrajudiciais dos r\u00e9us (retratada em ju\u00edzo) e a apreens\u00e3o do aparelho celular de uma das v\u00edtimas, com um dos r\u00e9us.<\/p>\n\n\n\n<p>z, se mesmo uma confiss\u00e3o judicial n\u00e3o \u00e9 apta para isoladamente, dar suporte a uma condena\u00e7\u00e3o, muito menos o ser\u00e1 aquela feita apenas perante a autoridade policial, por\u00e9m retratada em Ju\u00edzo, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o dos arts. 155 e 197 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fato de que um dos celulares roubados foi apreendido com um dos r\u00e9us, em raz\u00e3o de ter havido a determina\u00e7\u00e3o de intercepta\u00e7\u00e3o telef\u00f4nica do referido aparelho de uma das v\u00edtimas, durante a investiga\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 apto para dar suporte \u00e0 sua condena\u00e7\u00e3o, mormente quando nenhuma das v\u00edtimas o reconheceu<\/strong>, no inv\u00e1lido reconhecimento fotogr\u00e1fico e a apreens\u00e3o do aparelho ocorreu mais de 3 (tr\u00eas) meses depois dos fatos, em raz\u00e3o da determina\u00e7\u00e3o de quebra do sigilo do aparelho, durante a investiga\u00e7\u00e3o dos crimes que deram origem \u00e0 presente a\u00e7\u00e3o penal, ou seja, a apreens\u00e3o n\u00e3o se deu logo ap\u00f3s a ocorr\u00eancia dos crimes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 il\u00edcita a prova obtida por meio de reconhecimento fotogr\u00e1fico judicial que n\u00e3o observou o art. 226 do C\u00f3digo de Processo Penal, sendo devida a absolvi\u00e7\u00e3o quando as provas remanescentes s\u00e3o t\u00e3o-somente a confiss\u00e3o extrajudicial, integralmente retratada em Ju\u00edzo, e a apreens\u00e3o de um dos bens subtra\u00eddos, meses ap\u00f3s os fatos, efetivada no curso das investiga\u00e7\u00f5es, o qual estava com um dos acusados que n\u00e3o foi reconhecido por nenhuma das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-9a9cb3a1-0082-459e-b58d-c1903dc1f86d\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/05\/16005125\/stj-informativo-771.pdf\">stj-informativo-771<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/05\/16005125\/stj-informativo-771.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-9a9cb3a1-0082-459e-b58d-c1903dc1f86d\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 771 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cess\u00e3o de cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria RECURSO ESPECIAL O cr\u00e9dito inscrito em precat\u00f3rio oriundo de a\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria pode ser objeto de cess\u00e3o a terceiros. 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