{"id":1203093,"date":"2023-04-18T00:13:35","date_gmt":"2023-04-18T03:13:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1203093"},"modified":"2023-04-18T00:13:38","modified_gmt":"2023-04-18T03:13:38","slug":"informativo-stj-767-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-767-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 767 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Informativo n\u00ba 767 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/04\/18001316\/stj-informativo-767.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_UQ7uvkrQqSE\"><div id=\"lyte_UQ7uvkrQqSE\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/UQ7uvkrQqSE\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/UQ7uvkrQqSE\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/UQ7uvkrQqSE\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-des-necessidade-do-deposito-previo-para-ajuizamento-de-pedido-de-imissao-provisoria-na-posse-em-acao-de-desapropriacao\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade do dep\u00f3sito pr\u00e9vio para ajuizamento de pedido de imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia do dep\u00f3sito previsto no art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365\/1941 para o deferimento de pedido de imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse veiculado em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o por utilidade p\u00fablica n\u00e3o implica a extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, mas, t\u00e3o somente, o indeferimento da tutela provis\u00f3ria.(1) Para cumprimento dos requisitos arrolados no art. 16, caput, I e II, e \u00a7 4\u00ba, II, da LRF \u00e9 necess\u00e1rio instruir a peti\u00e7\u00e3o inicial da a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria de im\u00f3veis com a estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro e apresentar declara\u00e7\u00e3o a respeito da compatibilidade das despesas necess\u00e1rias ao pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es ao disposto no plano plurianual, na lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias e na lei or\u00e7ament\u00e1ria anual. (2)<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.930.735-TO, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023, DJe 2\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Munic\u00edpio Quebradeira declarou o im\u00f3vel de Tadeu como sendo de utilidade p\u00fablica para fins de desapropria\u00e7\u00e3o. Foi tentado um acordo em rela\u00e7\u00e3o ao valor da indeniza\u00e7\u00e3o, mas Tadeu o considerou insuficiente.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual requereu a imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse do im\u00f3vel, em que pese n\u00e3o ter realizado o dep\u00f3sito em ju\u00edzo do valor que entendia correto.&nbsp; Houve despacho no sentido da necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o pelo munic\u00edpio da estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio na desapropria\u00e7\u00e3o, bem como da declara\u00e7\u00e3o do ordenador da despesa no sentido da adequa\u00e7\u00e3o financeira com a lei or\u00e7ament\u00e1ria anual, plano plurianual e lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz tamb\u00e9m determinou a intima\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio para realizar o dep\u00f3sito no prazo indicado, o que n\u00e3o ocorreu. Decorrido o prazo, foi ent\u00e3o extinto o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito. Em recurso, o munic\u00edpio sustenta que o dep\u00f3sito somente seria necess\u00e1rio para a concess\u00e3o da liminar e n\u00e3o para o regular prosseguimento do feito.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto-Lei n. 3.365\/194:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 13. A peti\u00e7\u00e3o inicial, al\u00e9m dos requisitos previstos no C\u00f3digo de Processo Civil, conter\u00e1 a oferta do pre\u00e7o e ser\u00e1 instru\u00edda com um exemplar do contrato, ou do jornal oficial que houver publicado o decreto de desapropria\u00e7\u00e3o, ou c\u00f3pia autenticada dos mesmos, e a planta ou descri\u00e7\u00e3o dos bens e suas confronta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 15. Se o expropriante alegar urg\u00eancia e depositar quantia arbitrada de conformidade com o&nbsp;art. 685 do C\u00f3digo de Processo Civil, o juiz mandar\u00e1 imit\u00ed-lo provisoriamente na posse dos bens;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 319. A peti\u00e7\u00e3o inicial indicar\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; o ju\u00edzo a que \u00e9 dirigida;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; os nomes, os prenomes, o estado civil, a exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel, a profiss\u00e3o, o n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o no Cadastro de Pessoas F\u00edsicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jur\u00eddica, o endere\u00e7o eletr\u00f4nico, o domic\u00edlio e a resid\u00eancia do autor e do r\u00e9u;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; o fato e os fundamentos jur\u00eddicos do pedido;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; o pedido com as suas especifica\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; o valor da causa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; a op\u00e7\u00e3o do autor pela realiza\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o ou de media\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Caso n\u00e3o disponha das informa\u00e7\u00f5es previstas no inciso II, poder\u00e1 o autor, na peti\u00e7\u00e3o inicial, requerer ao juiz dilig\u00eancias necess\u00e1rias a sua obten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba A peti\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o ser\u00e1 indeferida se, a despeito da falta de informa\u00e7\u00f5es a que se refere o inciso II, for poss\u00edvel a cita\u00e7\u00e3o do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba A peti\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o ser\u00e1 indeferida pelo n\u00e3o atendimento ao disposto no inciso II deste artigo se a obten\u00e7\u00e3o de tais informa\u00e7\u00f5es tornar imposs\u00edvel ou excessivamente oneroso o acesso \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>&nbsp;Art. 320. A peti\u00e7\u00e3o inicial ser\u00e1 instru\u00edda com os documentos indispens\u00e1veis \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXIV &#8211; a lei estabelecer\u00e1 o procedimento para desapropria\u00e7\u00e3o por necessidade ou utilidade p\u00fablica, ou por interesse social, mediante justa e pr\u00e9via indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constitui\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 182. A pol\u00edtica de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder P\u00fablico municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das fun\u00e7\u00f5es sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba As desapropria\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis urbanos ser\u00e3o feitas com pr\u00e9via e justa indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Responsabilidade Fiscal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 16.A cria\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o ou aperfei\u00e7oamento de a\u00e7\u00e3o governamental que acarrete aumento da despesa ser\u00e1 acompanhado de:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro no exerc\u00edcio em que deva entrar em vigor e nos dois subseq\u00fcentes;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; declara\u00e7\u00e3o do ordenador da despesa de que o aumento tem adequa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria e financeira com a lei or\u00e7ament\u00e1ria anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 4<sup>o<\/sup>&nbsp;As normas do&nbsp;caput&nbsp;constituem condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via para:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; empenho e licita\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, fornecimento de bens ou execu\u00e7\u00e3o de obras;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis urbanos a que se refere o&nbsp;\u00a7 3<sup>o&nbsp;<\/sup>do art. 182 da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 101\/2000:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>Esta Lei Complementar estabelece normas de finan\u00e7as p\u00fablicas voltadas para a responsabilidade na gest\u00e3o fiscal, com amparo no&nbsp;Cap\u00edtulo II do T\u00edtulo VI da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp;A responsabilidade na gest\u00e3o fiscal pressup\u00f5e a a\u00e7\u00e3o planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obedi\u00eancia a limites e condi\u00e7\u00f5es no que tange a ren\u00fancia de receita, gera\u00e7\u00e3o de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, d\u00edvidas consolidada e mobili\u00e1ria, opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, inclusive por antecipa\u00e7\u00e3o de receita, concess\u00e3o de garantia e inscri\u00e7\u00e3o em Restos a Pagar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-correta-a-extincao-do-processo-pela-falta-de-deposito\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Correta a extin\u00e7\u00e3o do processo pela falta de dep\u00f3sito?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A disciplina normativa acerca da desapropria\u00e7\u00e3o por utilidade p\u00fablica est\u00e1 radicada, no plano infraconstitucional, no Decreto-Lei n. 3.365\/1941, cuja normatividade estabelece incumbir ao expropriante, ap\u00f3s expedi\u00e7\u00e3o do ato declarat\u00f3rio e superada a fase administrativa de composi\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel, provocar o poder judici\u00e1rio mediante a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o com o objetivo de fixar o montante devido a t\u00edtulo de justa indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 13 do Decreto-Lei n. 3.365\/1941 estabelece os seguintes requisitos para a peti\u00e7\u00e3o inicial da a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria: &#8220;Art. 13. A peti\u00e7\u00e3o inicial, al\u00e9m dos requisitos previstos no C\u00f3digo de Processo Civil, conter\u00e1 a oferta do pre\u00e7o e ser\u00e1 instru\u00edda com um exemplar do contrato, ou do jornal oficial que houver publicado o decreto de desapropria\u00e7\u00e3o, ou c\u00f3pia autenticada dos mesmos, e a planta ou descri\u00e7\u00e3o dos bens e suas confronta\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a par de instruir a peti\u00e7\u00e3o inicial com exemplar do jornal no qual publicado o decreto de utilidade p\u00fablica e de indicar a oferta do pre\u00e7o, incumbe ao expropriante atender aos requisitos gen\u00e9ricos previstos nos arts. 319 e 320 do CPC\/2015, notadamente a juntada dos documentos indispens\u00e1veis \u00e0 propositura da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, como a incorpora\u00e7\u00e3o do bem ao patrim\u00f4nio p\u00fablico exige, nos termos do art. 5\u00ba, XXIV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, pr\u00e9via e justa indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro &#8211; cujo adimplemento somente ocorre quando definitivamente fixado o valor da compensa\u00e7\u00e3o financeira e quitado o respectivo precat\u00f3rio -, <strong>a legisla\u00e7\u00e3o autoriza o expropriante, em casos urgentes, a pleitear sua imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse da \u00e1rea objeto de desapropria\u00e7\u00e3o<\/strong>, de modo a permitir a tempestiva satisfa\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico que fundamenta tal forma de interven\u00e7\u00e3o estatal na propriedade privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, o art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365\/1941 estabelece <strong>dois requisitos<\/strong> para possibilitar a imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse, quais sejam, <strong>a alega\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia e o dep\u00f3sito de quantia ofertada pelo expropriante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, em a\u00e7\u00f5es dessa natureza, o instituto da imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse n\u00e3o det\u00e9m autonomia, porquanto possui natureza jur\u00eddica de pedido de tutela antecipada voltado a permitir, antes da transfer\u00eancia definitiva da propriedade ao patrim\u00f4nio estatal ao final da demanda, a realiza\u00e7\u00e3o das obras e servi\u00e7os inadi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, embora o dep\u00f3sito da quantia estimada pelo ente p\u00fablico para o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o constitua pressuposto legal para o deferimento de pedido de imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse, sua aus\u00eancia n\u00e3o implica a extin\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, mas, t\u00e3o somente, o indeferimento da tutela antecipada, cuja rejei\u00e7\u00e3o n\u00e3o obsta a continuidade do processo para viabilizar a incorpora\u00e7\u00e3o do bem ao patrim\u00f4nio estatal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Necess\u00e1ria a instru\u00e7\u00e3o da inicial com a estimativa do impacto financeiro e declara\u00e7\u00e3o de adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s leis or\u00e7ament\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 182,&nbsp;<em>caput<\/em>, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, incumbe aos munic\u00edpios, mediante os diversos instrumentos jur\u00eddicos previstos em lei, a execu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica urbana com o escopo de ordenar o pleno desenvolvimento das fun\u00e7\u00f5es sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis urbanos estampada no art. 182, \u00a7 3\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o se insere precisamente no contexto do aprimoramento da pol\u00edtica de ordenamento municipal, porquanto outorga aos entes locais a prerrogativa de incorporar, de maneira compuls\u00f3ria, im\u00f3veis privados ao patrim\u00f4nio estatal para permitir sua posterior afeta\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento de projetos e programas eleitos pelos atores pol\u00edticos como essenciais para as respectivas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, conquanto a desapropria\u00e7\u00e3o implique transfer\u00eancia cogente de bens privados ao dom\u00ednio p\u00fablico, atribui-se aos expropriados o direito fundamental ao percebimento de pr\u00e9via e justa indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro com o objetivo de compensar os preju\u00edzos individuais suportados em benef\u00edcio da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a despeito dos mandamentos constitucionais condicionando a validade da expropria\u00e7\u00e3o de bens particulares ao pagamento de pr\u00e9via compensa\u00e7\u00e3o financeira, n\u00e3o s\u00e3o desconhecidos casos de declara\u00e7\u00e3o de utilidade p\u00fablica expedidos por entes municipais sem a devida reflex\u00e3o acerca dos respectivos impactos nas finan\u00e7as p\u00fablicas, contexto que propicia o desequil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro do expropriante em decorr\u00eancia da necess\u00e1ria reserva de vultosos valores ao pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es e, de outra parte, priva os expropriados do recebimento tempestivo da repara\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pela perda for\u00e7ada da propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, buscando equacionar o descompasso entre a normatividade constitucional e a realidade emp\u00edrica, <strong>o art. 16,&nbsp;<em>caput<\/em>, I e II, e \u00a7 4\u00ba, II, da Lei de Responsabilidade Fiscal passou a condicionar a validade das desapropria\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis urbanos \u00e0 pr\u00e9via estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro<\/strong>, bem como \u00e0 declara\u00e7\u00e3o de compatibilidade das despesas necess\u00e1rias ao pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es ao disposto no plano plurianual, na lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias e na lei or\u00e7ament\u00e1ria anual.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal regramento, al\u00e9m de estabelecer requisitos essenciais \u00e0 regularidade das expropria\u00e7\u00f5es, tem por escopo, sob o prisma da responsabilidade na gest\u00e3o fiscal, garantir a cobertura das despesas a serem suportadas pelos munic\u00edpios mediante comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de cr\u00e9ditos suficientes ao custeio das indeniza\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de atribuir responsabilidades aos ordenadores de despesas caso apurada a incompatibilidade entre os gastos decorrentes da expans\u00e3o da a\u00e7\u00e3o governamental e as leis or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, como o inciso II do \u00a7 4\u00ba do art. 16 da LRF estabelece que o cumprimento do requisitos do&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do dispositivo consiste em condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis urbanos, a verifica\u00e7\u00e3o do atendimento a suas disposi\u00e7\u00f5es deve ser aferida em momento anterior ao ajuizamento de a\u00e7\u00f5es expropriat\u00f3rias, porquanto ap\u00f3s a expedi\u00e7\u00e3o do ato declarat\u00f3rio de utilidade p\u00fablica incumbe \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o avaliar os bens a serem incorporados ao patrim\u00f4nio p\u00fablico para quantificar o valor reputado devido a t\u00edtulo de justa indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque <strong>a avalia\u00e7\u00e3o empreendida pelo poder p\u00fablico constitui fase necess\u00e1ria \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o da proposta de compensa\u00e7\u00e3o financeira a ser apresentada ao particular e, uma vez apurado tal montante, \u00e9 poss\u00edvel estimar o impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro da desapropria\u00e7\u00e3o e examinar a adequa\u00e7\u00e3o das despesas necess\u00e1rias ao pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o ao disposto nas leis or\u00e7ament\u00e1rias<\/strong>, raz\u00e3o pela qual essas provid\u00eancias devem anteceder a proposta oferecida pelo expropriante em sede administrativa ou judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, a an\u00e1lise antecipada das repercuss\u00f5es dos atos expropriat\u00f3rios sobre as finan\u00e7as p\u00fablicas vai ao encontro dos deveres de responsabilidade e de planejamento na gest\u00e3o fiscal estampados no art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei Complementar n. 101\/2000, os quais objetivam afastar os riscos e corrigir desvios capazes de afetar o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas e, por isso, demandam atua\u00e7\u00e3o preventiva voltada a debelar eventuais efeitos nocivos decorrentes de despesas cuja execu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se compatibiliza com as leis or\u00e7ament\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessarte, a adequa\u00e7\u00e3o formal da a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis para o desenvolvimento da pol\u00edtica urbana \u00e9 vinculada \u00e0 pr\u00e9via observ\u00e2ncia das exig\u00eancias previstas no art. 16,&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>e \u00a7 4\u00ba, II, da LRF, cujo descumprimento, a par de invalidar o ato expropriat\u00f3rio, implica a irregularidade das despesas e lesividade ao patrim\u00f4nio p\u00fablico (art. 15 da LRF), tratando-se, portanto, de <strong>formalidade espec\u00edfica da peti\u00e7\u00e3o inicial das respectivas a\u00e7\u00f5es expropriat\u00f3rias<\/strong> que se soma \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es gerais arroladas no Decreto-Lei n. 3.365\/1941 e no CPC\/2015, as quais convivem harmonicamente e devem ser comprovadas pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica ao ajuizar a demanda.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia do dep\u00f3sito previsto no art. 15 do Decreto-Lei n. 3.365\/1941 para o deferimento de pedido de imiss\u00e3o provis\u00f3ria na posse veiculado em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o por utilidade p\u00fablica n\u00e3o implica a extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, mas, t\u00e3o somente, o indeferimento da tutela provis\u00f3ria. Para cumprimento dos requisitos arrolados no art. 16, caput, I e II, e \u00a7 4\u00ba, II, da LRF \u00e9 necess\u00e1rio instruir a peti\u00e7\u00e3o inicial da a\u00e7\u00e3o expropriat\u00f3ria de im\u00f3veis com a estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio-financeiro e apresentar declara\u00e7\u00e3o a respeito da compatibilidade das despesas necess\u00e1rias ao pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es ao disposto no plano plurianual, na lei de diretrizes or\u00e7ament\u00e1rias e na lei or\u00e7ament\u00e1ria anual.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-contrato-de-compra-e-venda-de-imovel-na-planta-e-diferenca-infima-na-metragem\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contrato de compra e venda de im\u00f3vel na planta e diferen\u00e7a \u00ednfima na metragem<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em contrato de compra e venda de im\u00f3vel na planta, a diferen\u00e7a \u00ednfima a menor na metragem, que n\u00e3o inviabiliza ou prejudica a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para o fim esperado, n\u00e3o autoriza a resolu\u00e7\u00e3o contratual, ainda que a rela\u00e7\u00e3o se submeta \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.021.711-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton comprou im\u00f3vel na planta da Construtora Alfa Office com o intuito de investimento. O empreendimento ficou pronto no prazo combinado, mas a sala comercial que era para medir 50 m\u00b2, media apenas 48m\u00b2.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Creiton interpelou a construtora, que alegou que o contrato firmado previa a toler\u00e2ncia de pequenas diferen\u00e7as nas dimens\u00f5es do projeto. Creiton ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual requereu a rescis\u00e3o contratual e alegou tratar-se de rela\u00e7\u00e3o de consumo e de venda <em>ad mensurum<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 500. Se, na venda de um im\u00f3vel, se estipular o pre\u00e7o por medida de extens\u00e3o, ou se determinar a respectiva \u00e1rea, e esta n\u00e3o corresponder, em qualquer dos casos, \u00e0s dimens\u00f5es dadas, o comprador ter\u00e1 o direito de exigir o complemento da \u00e1rea, e, n\u00e3o sendo isso poss\u00edvel, o de reclamar a resolu\u00e7\u00e3o do contrato ou abatimento proporcional ao pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Presume-se que a refer\u00eancia \u00e0s dimens\u00f5es foi simplesmente enunciativa, quando a diferen\u00e7a encontrada n\u00e3o exceder de um vig\u00e9simo da \u00e1rea total enunciada, ressalvado ao comprador o direito de provar que, em tais circunst\u00e2ncias, n\u00e3o teria realizado o neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-justifica-a-rescisao-do-contrato\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Justifica a rescis\u00e3o do contrato?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se n\u00e3o inviabiliza ou prejudica a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para o fim esperado, N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia est\u00e1 em saber se a diferen\u00e7a de metragem entre aquela que foi definida no contrato de compra e venda, quando o im\u00f3vel ainda estava na planta, e a que consta no registro da matr\u00edcula do im\u00f3vel e na promessa de compra e venda conceitua-se como venda&nbsp;<em>ad mensuram<\/em>&nbsp;de forma a incidir o disposto no art. 500, \u00a7 1\u00ba, do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, anota-se que, <strong>se admite, na hip\u00f3tese, a utiliza\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor para amparar, concretamente, o investidor ocasional (figura do consumidor investidor), pois ele n\u00e3o desenvolve a atividade de investimento de maneira reiterada e profissional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a aplica\u00e7\u00e3o do referido diploma legal n\u00e3o tem o cond\u00e3o de enquadrar a compra e venda&nbsp;<em>sub judice<\/em>&nbsp;na qualifica\u00e7\u00e3o<em>&nbsp;&#8220;ad mensuram<\/em><em>&#8220;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de se concluir, pelos demonstrativos e provas, relacionados aos fatos que o neg\u00f3cio envolveu coisa delimitada (sala comercial), sem apego as suas exatas medidas, o que caracteriza, inequivocadamente, uma compra e venda&nbsp;<em>&#8220;ad corpus&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em se tratando de im\u00f3vel urbano, obviamente o comprador adquiriu o bem como um todo, ou como coisa certa e determinada. Logo, \u00e9 poss\u00edvel concluir que as medidas do im\u00f3vel foram meramente enunciativas,<\/strong> e n\u00e3o decisivas como fator da aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, o simples fato de ter sido uma compra na planta n\u00e3o altera a situa\u00e7\u00e3o, porquanto as medidas constantes no instrumento particular de promessa de compra e venda eram somente enunciativas, ou seja, o que sobreleva \u00e9 o bem em si (sala comercial), e n\u00e3o propriamente a metragem, at\u00e9 porque n\u00e3o restou demonstrado que o pre\u00e7o foi calculado com base na \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Doutrinariamente, a venda&nbsp;<em>&#8220;ad mensuram&#8221;<\/em>&nbsp;\u00e9 a hip\u00f3tese em que as partes estipulam &#8220;o pre\u00e7o por medida de extens\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o em que a medida passa a ser condi\u00e7\u00e3o essencial ao contrato efetivado (&#8230;) Como exemplo de venda&nbsp;<em>ad mensuram<\/em>, pode ser citado o caso de compra e venda de um im\u00f3vel por metro quadrado (m\u00b2)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese a segunda parte do \u00a7 1\u00ba do art. 500 do C\u00f3digo Civil ressalvar, ao comprador, o direito de provar que, em tais circunst\u00e2ncias, n\u00e3o teria realizado o neg\u00f3cio, no caso, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que o neg\u00f3cio n\u00e3o teria sido realizado pela \u00ednfima diferen\u00e7a a menor na metragem que, ali\u00e1s, de modo algum inviabiliza ou prejudica a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para o fim esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre salientar que <strong>o fato de incidir o direito consumerista na rela\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>sub judice<\/em>&nbsp;n\u00e3o significa a proced\u00eancia da pretens\u00e3o de resolver do neg\u00f3cio jur\u00eddico, com a devolu\u00e7\u00e3o dos valores pagos e com a aplica\u00e7\u00e3o da multa contratual, pois n\u00e3o se est\u00e1 diante de efetivo v\u00edcio, ou defeito de qualidade, ou quantidade do produto capaz de abalar o equil\u00edbrio<\/strong> do contrato e prejudicar o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, \u00e9 at\u00e9 poss\u00edvel dizer que a m\u00ednima diferen\u00e7a em discuss\u00e3o nem sequer re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para caracterizar efetivo &#8220;v\u00edcio de quantidade&#8221; do produto, uma vez que est\u00e1 aqu\u00e9m da margem fixada pela lei.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 demasiado anotar que o contrato firmado entre as partes prev\u00ea, no seu par\u00e1grafo segundo da cl\u00e1usula d\u00e9cima s\u00e9tima, que ser\u00e3o toleradas pequenas diferen\u00e7as nas dimens\u00f5es do projeto, consoante, expressamente, asseverado na senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, perfeitamente aceit\u00e1vel a diferen\u00e7a, no caso, irris\u00f3ria da \u00e1rea do im\u00f3vel, n\u00e3o havendo que se falar em qualquer descumprimento contratual capaz de ensejar o pagamento da multa pelo seu rompimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em contrato de compra e venda de im\u00f3vel na planta, a diferen\u00e7a \u00ednfima a menor na metragem, que n\u00e3o inviabiliza ou prejudica a utiliza\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel para o fim esperado, n\u00e3o autoriza a resolu\u00e7\u00e3o contratual, ainda que a rela\u00e7\u00e3o se submeta \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-prazo-prescricional-aplicavel-a-pretensao-de-indenizacao-fundada-em-atos-ofensivos-praticados-apos-a-rescisao-do-contrato-de-trabalho\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 pretens\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o fundada em atos ofensivos praticados ap\u00f3s a rescis\u00e3o do contrato de trabalho<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 trienal o prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 pretens\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o fundada em atos ofensivos praticados ap\u00f3s a rescis\u00e3o do contrato de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.192.906-SP, Relator Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por maioria, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino trabalhou como diretor de um banco por muitos anos, quanto foi demitido. Na mesma \u00e9poca, o banco em quest\u00e3o passava por uma grande crise de inadimpl\u00eancia, ou seja, n\u00e3o estava recebendo os empr\u00e9stimos e financiamentos realizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a demiss\u00e3o de Crementino, o banco ent\u00e3o divulgou ao mercado e ao BACEN que a culpa da situa\u00e7\u00e3o era toda de Crementino, que havia aprovado empr\u00e9stimos sem as garantias necess\u00e1rias, o que levou o ex-empregado a ser investigado em processos administrativos e criminais.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante toda o per\u00edodo da investiga\u00e7\u00e3o, Crementino n\u00e3o conseguiu retornar ao mercado de trabalho em sua \u00e1rea. Ocorre que o cidad\u00e3o foi absolvido tanto na esfera administrativa quanto criminal. Dois anos ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o absolut\u00f3ria, o ex-diretor ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o em face do banco, que, em sua defesa, alegou a prescri\u00e7\u00e3o trienal, que teria iniciado a contar das imputa\u00e7\u00f5es caluniosas e n\u00e3o do tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 200. Quando a a\u00e7\u00e3o se originar de fato que deva ser apurado no ju\u00edzo criminal, n\u00e3o correr\u00e1 a prescri\u00e7\u00e3o antes da respectiva senten\u00e7a definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 206. Prescreve:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3 o Em tr\u00eas anos:<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; a pretens\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o civil;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-qual-o-prazo-prescricional-a-ser-observado\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qual o prazo prescricional a ser observado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>TRIENAL!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pretens\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais fundada em atos ofensivos praticados ap\u00f3s a rescis\u00e3o do contrato de trabalho, ante a imputa\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de crimes de apropria\u00e7\u00e3o ind\u00e9bita e de desvio de recursos, <strong>submete-se a prazo prescricional trienal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a causa de pedir da a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 fundada na falsa imputa\u00e7\u00e3o de condutas criminosas, o que teria causado danos \u00e0 honra pessoal e profissional. Assim sendo, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em responsabilidade civil contratual, uma vez que se busca indeniza\u00e7\u00e3o decorrente de suposto ato il\u00edcito extracontratual, em que pese a rela\u00e7\u00e3o das partes seja marcada pela pr\u00e9via exist\u00eancia de contrato de trabalho extinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, reafirmado no julgamento do&nbsp;Tema IAC 2,<strong> incide o prazo prescricional trienal, nos moldes do art. 206, \u00a7 3\u00ba, inciso V, do C\u00f3digo Civil, nas a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o oriundas de responsabilidade civil extracontratual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o termo inicial a ser observado?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A partir da data do tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a absolut\u00f3ria!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em regra, segundo a teoria da <em>actio nata<\/em>, considera-se nascida a pretens\u00e3o no momento da viola\u00e7\u00e3o (ou inobserv\u00e2ncia) do direito, de sorte que o prazo prescricional \u00e9 contado a partir desse momento. Contudo, a regra geral cede nas hip\u00f3teses em que a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o vigente estabele\u00e7a que o c\u00f4mputo do lapso prescricional se d\u00ea a partir de termo inicial distinto, como ocorre, por exemplo, nas a\u00e7\u00f5es que se originam de fato que deva ser apurado no ju\u00edzo criminal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa hip\u00f3tese, ao tratar das causas que impedem ou suspendem a prescri\u00e7\u00e3o, disp\u00f5e o C\u00f3digo Civil em seu artigo 200 que &#8220;Quando a a\u00e7\u00e3o se originar de fato que deva ser apurado no ju\u00edzo criminal, n\u00e3o correr\u00e1 a prescri\u00e7\u00e3o antes da respectiva senten\u00e7a definitiva&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o do referido dispositivo legal visa a beneficiar, via de regra, as v\u00edtimas de crimes que buscam indeniza\u00e7\u00e3o de natureza civil pelos preju\u00edzos causados pelo ato criminoso por meio do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o civil ex delicto, hip\u00f3teses nas quais, muitas vezes, \u00e9 necess\u00e1rio apurar o fato na esfera penal, principalmente no que tange \u00e0 certeza e autoria do crime, anteriormente \u00e0 veicula\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a jurisprud\u00eancia do STJ entende que, verificada a rela\u00e7\u00e3o de estrita depend\u00eancia entre a pretens\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais com o fato apurado no ju\u00edzo criminal, aplicam-se analogicamente as regras do art. 200 do CC, ainda que n\u00e3o se trate de a\u00e7\u00e3o civil ex delicto &#8211; inclusive quanto ao prazo prescricional -, devendo ser afastada a ina\u00e7\u00e3o da parte autora que aguardou o desfecho da a\u00e7\u00e3o na esfera penal para propor a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o de danos na esfera civil, diante da possibilidade de que o tr\u00e2mite simult\u00e2neo dos processos em ambas as esferas resultasse em indesej\u00e1vel contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista que a parte autora fundamentou sua pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria na ocorr\u00eancia de alegados preju\u00edzos de ordem moral em raz\u00e3o da imputa\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de crimes dos quais foi posteriormente absolvida, a apura\u00e7\u00e3o dos supostos fatos criminosos na esfera criminal era, portanto, quest\u00e3o PREJUDICIAL ao ingresso do pedido indenizat\u00f3rio na esfera c\u00edvel, fazendo incidir, por analogia, o disposto no art. 200 do CC, no que tange ao termo inicial da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 trienal o prazo prescricional aplic\u00e1vel \u00e0 pretens\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o fundada em atos ofensivos praticados ap\u00f3s a rescis\u00e3o do contrato de trabalho. A flu\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria fundada na imputa\u00e7\u00e3o de crimes dos quais se venha a ser posteriormente absolvido tem in\u00edcio com o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a na a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-decretacao-de-falencia-de-instituicao-financeira-e-direito-de-preferencia-dos-emitentes-e-avalistas-de-cedula-de-credito-bancario-em-sua-aquisicao-em-leilao-realizado-no-processo-de-liquidacao\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Decreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia de institui\u00e7\u00e3o financeira e direito de prefer\u00eancia dos emitentes e avalistas de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio em sua aquisi\u00e7\u00e3o em leil\u00e3o realizado no processo de liquida\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de d<a>ecreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia de institui\u00e7\u00e3o financeira, os emitentes e avalistas de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio n\u00e3o possuem direito de prefer\u00eancia em sua aquisi\u00e7\u00e3o em leil\u00e3o realizado no processo de liquida\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.035.515-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Wolf contratou um empr\u00e9stimo com o Banco Brasa, no qual ficou acordado que o banco emprestaria valor mediante a emiss\u00e3o de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio na qual constava a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de im\u00f3vel em garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o houve o pagamento do empr\u00e9stimo. O banco optou por ajuizar a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o contra a devedora. Durante o tr\u00e2mite da execu\u00e7\u00e3o, o banco veio a ter sua fal\u00eancia decretada, na qual foi marcada leil\u00e3o para aliena\u00e7\u00e3o dos ativos do banco, dentre eles, a c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio emitida pela Wolf.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa Wolf requereu que lhe fosse assegurada a prefer\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo, em raz\u00e3o da garantia real.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.514\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27. Uma vez consolidada a propriedade em seu nome, o fiduci\u00e1rio, no prazo de trinta dias, contados da data do registro de que trata o \u00a7 7\u00ba do artigo anterior, promover\u00e1 p\u00fablico leil\u00e3o para a aliena\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<sup>o<\/sup>-B. &nbsp;Ap\u00f3s a averba\u00e7\u00e3o da consolida\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria no patrim\u00f4nio do credor fiduci\u00e1rio e at\u00e9 a data da realiza\u00e7\u00e3o do segundo leil\u00e3o, \u00e9 assegurado ao devedor fiduciante o direito de prefer\u00eancia para adquirir o im\u00f3vel por pre\u00e7o correspondente ao valor da d\u00edvida, somado aos encargos e despesas de que trata o \u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;deste artigo, aos valores correspondentes ao imposto sobre transmiss\u00e3o&nbsp;inter&nbsp;vivos&nbsp;e ao laud\u00eamio, se for o caso, pagos para efeito de consolida\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria no patrim\u00f4nio do credor fiduci\u00e1rio, e \u00e0s despesas inerentes ao procedimento de cobran\u00e7a e leil\u00e3o, incumbindo, tamb\u00e9m, ao devedor fiduciante o pagamento dos encargos tribut\u00e1rios e despesas exig\u00edveis para a nova aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, de que trata este par\u00e1grafo, inclusive custas e emolumentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 843. Tratando-se de penhora de bem indivis\u00edvel, o equivalente \u00e0 quota-parte do copropriet\u00e1rio ou do c\u00f4njuge alheio \u00e0 execu\u00e7\u00e3o recair\u00e1 sobre o produto da aliena\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (LINDB):<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Quando a lei for omissa, o juiz decidir\u00e1 o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princ\u00edpios gerais de direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;5<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Na aplica\u00e7\u00e3o da lei, o juiz atender\u00e1 aos fins sociais a que ela se dirige e \u00e0s exig\u00eancias do bem comum.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-os-emitentes-e-avalistas-possuem-direito-de-preferencia\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os emitentes e avalistas possuem direito de prefer\u00eancia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito concedido por institui\u00e7\u00e3o financeira e representado pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio possui garantia fiduci\u00e1ria imobili\u00e1ria e, com o desenvolvimento ordin\u00e1rio e esper\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o obrigacional consistente no pagamento do numer\u00e1rio emprestado, a propriedade resol\u00favel cessar\u00e1 e a garantia n\u00e3o mais subsistir\u00e1. No entanto, caso haja inadimplemento por parte dos devedores fiduciantes, o credor pode dar in\u00edcio ao procedimento de execu\u00e7\u00e3o para ver consolidada em suas m\u00e3os a propriedade plena do bem dado em garantia fiduci\u00e1ria e, posteriormente, alien\u00e1-lo para a satisfa\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse contexto que a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia &#8211; art. 27, \u00a7 2\u00ba-B, da Lei n. 9.514\/1997 &#8211; prev\u00ea o direito de prefer\u00eancia do devedor fiduciante quando da aliena\u00e7\u00e3o do bem em hasta p\u00fablica, ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da propriedade nas m\u00e3os do credor. Cuida-se do direito de prefer\u00eancia de o devedor fiduciante readquirir o bem do qual foi privado em virtude do inadimplemento e da consequente consolida\u00e7\u00e3o da propriedade em favor do credor fiduci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Direito de prefer\u00eancia \u00e9 aquele que confere a seu titular o exerc\u00edcio de determinada prerrogativa ou vantagem em car\u00e1ter preferencial quando em concorr\u00eancia com terceiros. Tal prerrogativa pode decorrer de lei, quando o legislador elege determinadas circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas ou jur\u00eddicas que justificam que determinada pessoa pratique um ato ou entabule um neg\u00f3cio jur\u00eddico de forma priorit\u00e1ria ou precedente, ou ainda pode ter origem contratual, desde que n\u00e3o interfira na posi\u00e7\u00e3o de terceiros estranhos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica a quem a pr\u00f3pria lei confira posi\u00e7\u00e3o de vantagem. O legislador confere ao devedor fiduciante o direito de prefer\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o &#8211;&nbsp;<em>rectius<\/em>, reaquisi\u00e7\u00e3o &#8211; do bem que j\u00e1 lhe pertencia e cuja priva\u00e7\u00e3o decorra do inadimplemento de obriga\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se vinculava por garantia fiduci\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, na circunst\u00e2ncia presente, trata-se de aliena\u00e7\u00e3o da carteira de cr\u00e9dito, na qual est\u00e1 inclu\u00eddo o cr\u00e9dito representado pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, de titularidade da institui\u00e7\u00e3o financeira, no concurso falimentar. Existe, portanto, significativa diferen\u00e7a entre o que disp\u00f5e a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia e a pretens\u00e3o dos recorrentes. <strong>O que se defere ao devedor fiduciante \u00e9 a prefer\u00eancia na aquisi\u00e7\u00e3o do bem que lhe pertencia, ao passo que, no caso presente, pretende-se a aquisi\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio cr\u00e9dito<\/strong>, da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica obrigacional, que possui garantia representada pela aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bem im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 843 e seu par\u00e1grafo estabelecem que, na hip\u00f3tese de penhora de bem indivis\u00edvel, h\u00e1 prefer\u00eancia do copropriet\u00e1rio ou c\u00f4njuge executado na arremata\u00e7\u00e3o do bem. Com isso, possibilita-se a penhora da integralidade do bem, ainda que o executado seja propriet\u00e1rio de uma fra\u00e7\u00e3o ou quota-parte, evitando-se, a um s\u00f3 tempo, a dificuldade de aliena\u00e7\u00e3o da quota-parte do devedor e a constitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de condom\u00ednio entre o adquirente e o c\u00f4njuge ou copropriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o contemplada pelo programa normativo mencionado difere substancialmente do caso dos autos. A garantia fiduci\u00e1ria n\u00e3o constitui nenhuma forma de copropriedade, mas transfere a propriedade do bem dado em garantia, ainda que sob condi\u00e7\u00e3o resolutiva, ao credor fiduci\u00e1rio; o que h\u00e1 \u00e9 o desmembramento da posse. No leil\u00e3o realizado, o que ocorreu foi a transfer\u00eancia do cr\u00e9dito garantido e representado pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio, inexistindo similitude que atraia a incid\u00eancia da regra que garante o direito de prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescente-se, nesse sentido, que os dispositivos da Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (LINDB) &#8211; arts. 4\u00ba e 5\u00ba &#8211; cuidam de crit\u00e9rios decis\u00f3rios e interpretativos que n\u00e3o permitem conferir ao caso o resultado pretendido. Com efeito, n\u00e3o h\u00e1 falar em omiss\u00e3o legislativa capaz de autorizar a aplica\u00e7\u00e3o da analogia pelo simples motivo de que a prefer\u00eancia, quando existente, tem assento legal e, de certa forma, excepcional, porquanto estabelece casos especiais em que determinadas pessoas t\u00eam prerrogativas ou vantagens, e n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o do direito de prefer\u00eancia de devedores de obriga\u00e7\u00f5es garantidas por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria na aquisi\u00e7\u00e3o de seu cr\u00e9dito levado \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja-se que, para o recurso \u00e0 autointegra\u00e7\u00e3o do sistema pela analogia, faz-se necess\u00e1rio que se estenda a uma hip\u00f3tese n\u00e3o regulamentada a disciplina legalmente prevista para um caso semelhante. Com efeito, a regra prevista pelo ordenamento em casos como que tais \u00e9 a aliena\u00e7\u00e3o dos bens ou direitos em hasta p\u00fablica para qualquer interessado que atenda aos editais de chamamento, orientando-se a disciplina processual civil expressamente nesse sentido. Ao n\u00e3o ser atribu\u00edda uma prerrogativa adicional aos emitentes de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio com garantia representada por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bem im\u00f3vel, conclui-se que n\u00e3o houve de fato omiss\u00e3o regulamentadora, sen\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o legislativa de manter a regra geral nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, permitir que os devedores fiduciantes adquirissem por valor inferior implicaria preju\u00edzo a todos os demais credores da massa, que teriam diminu\u00edda a import\u00e2ncia recebida ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o do ativo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese de decreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia de institui\u00e7\u00e3o financeira, os emitentes e avalistas de c\u00e9dula de cr\u00e9dito banc\u00e1rio n\u00e3o possuem direito de prefer\u00eancia em sua aquisi\u00e7\u00e3o em leil\u00e3o realizado no processo de liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-plano-de-previdencia-complementar-aberta-como-investimento-e-inventario\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Plano de previd\u00eancia complementar aberta como investimento e invent\u00e1rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese excepcional em que ficar evidenciada a condi\u00e7\u00e3o de investimento de plano de previd\u00eancia privada complementar aberta, operado por seguradora autorizada pela Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep), os valores devem ser trazidos \u00e0 cola\u00e7\u00e3o no invent\u00e1rio, como heran\u00e7a, devendo ainda ser objeto da partilha, desde que antes da convers\u00e3o em renda e pensionamento do titular.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.004.210-SP, Relator Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide era casada com Creiton e tinha uma filha, Gertrudes. A fam\u00edlia tinha algumas rusgas, uma vez que o casal n\u00e3o aprovava o marido de Gertrudes. Creide, j\u00e1 idosa, ent\u00e3o vendeu o \u00fanico im\u00f3vel da fam\u00edlia e aplicou todo o valor em um plano de previd\u00eancia complementar aberta, no qual restou combinado que aos 100 anos de idade o valor seria convertido em pens\u00e3o. No mesmo contrato, foi indicado como \u00fanico benefici\u00e1rio o marido Creiton.<\/p>\n\n\n\n<p>Creide faleceu pouco tempo depois. Inconformada, Gertrudes ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando que o valor aplicado deveria integrar o invent\u00e1rio, uma vez que a aplica\u00e7\u00e3o teria como objetivo fraude \u00e0 leg\u00edtima dos herdeiros, o que foi indeferido pelo juiz sob a alega\u00e7\u00e3o de que os planos de previd\u00eancia n\u00e3o integrariam o acervo heredit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-o-valor-deve-integrar-o-inventario\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O valor deve integrar o invent\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se for verificado o intuito de INVESTIMENTO, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se valores depositados em plano de previd\u00eancia privada aberta &#8211; no caso, o VGBL (Vida Gerador de Benef\u00edcio Livre) &#8211; devem, em alguma medida, compor ou n\u00e3o o acervo heredit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme informado no site da Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep), \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico supervisor das entidades abertas de previd\u00eancia complementar, e indicado em v\u00e1rios dos pareceres das entidades que aqui se manifestaram, o VGBL e o PGBL (Plano Gerador de Benef\u00edcio Livre) s\u00e3o planos por sobreviv\u00eancia (de seguro de pessoas e de previd\u00eancia complementar aberta, respectivamente) que, ap\u00f3s um per\u00edodo de acumula\u00e7\u00e3o de recursos (per\u00edodo de diferimento), proporcionam aos investidores (segurados e participantes) uma renda mensal, que poder\u00e1 ser vital\u00edcia ou por per\u00edodo determinado, ou um pagamento \u00fanico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses planos de previd\u00eancia privada aberta, operados por seguradoras autorizadas pela Susep, podem ser objeto de contrata\u00e7\u00e3o por qualquer pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, tratando-se de regime de capitaliza\u00e7\u00e3o no qual cabe ao investidor, com ampla liberdade e flexibilidade, deliberar acerca dos valores de contribui\u00e7\u00e3o, dep\u00f3sitos adicionais, resgates antecipados ou parceladamente at\u00e9 o fim da vida. Dessa forma, sua natureza jur\u00eddica ora se assemelha a seguro previdenci\u00e1rio adicional, ora a investimento ou aplica\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o se pode descurar que, para o mercado, muitos desses fundos constituem mais uma aplica\u00e7\u00e3o financeira que propriamente uma previd\u00eancia privada<\/strong>. Isso devido \u00e0 natureza jur\u00eddica desses contratos antes que se concretize sua condi\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, ou seja, antes que o investidor passe a receber as presta\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como regra, o VGBL tem natureza preponderantemente de seguro. N\u00e3o h\u00e1, por assim dizer, a l\u00f3gica de que todo e qualquer aporte em plano VGBL configuraria, sempre e sempre, mera aplica\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat\u00e9ria j\u00e1 foi analisada pela Terceira Turma no REsp n. 1.726.577\/SP, e a decis\u00e3o, concluindo-se que <strong>os planos de previd\u00eancia privada aberta, de que s\u00e3o exemplos o VGBL e o PGBL, n\u00e3o apresentam os mesmos entraves de natureza financeira e atuarial que s\u00e3o verificados nos planos de previd\u00eancia fechada. Assim, a eles n\u00e3o se aplicam os \u00f3bices \u00e0 partilha por ocasi\u00e3o da dissolu\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo conjugal ou da sucess\u00e3o <\/strong>(REsp n. 1.726.577\/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 14\/9\/2021, DJe 1\u00ba\/10\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse julgado se decidiu que os planos de previd\u00eancia privada aberta t\u00eam natureza multifacet\u00e1ria e, assim, natureza securit\u00e1ria (e de previd\u00eancia complementar), o que se evidencia no momento em que o investidor passa a receber, a partir de determinada data futura e em presta\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas, os valores que acumulou ao longo da vida, como forma de complementa\u00e7\u00e3o do valor recebido da previd\u00eancia p\u00fablica e com o prop\u00f3sito de manter determinado padr\u00e3o de vida. No entanto, n\u00e3o se pode excluir a natureza de investimento no per\u00edodo que antecede a percep\u00e7\u00e3o dos valores, ou seja, durante as contribui\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio, uma vez que, nesse tipo de plano, est\u00e3o asseguradas m\u00faltiplas possibilidades de dep\u00f3sitos, de aportes diferenciados e de retiradas, inclusive antecipadas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em an\u00e1lise, a morte da titular, que \u00e9 o evento de risco no seguro e que gera o pagamento do pr\u00eamio contratado, ocorreu durante o per\u00edodo que antecedeu a percep\u00e7\u00e3o dos valores a t\u00edtulo de previd\u00eancia complementar, antes, portanto, de sua convers\u00e3o em renda e pensionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, <strong>o que leva \u00e0 compreens\u00e3o de que a natureza preponderante do contrato de previd\u00eancia complementar aberta ora objeto de an\u00e1lise \u00e9 de aplica\u00e7\u00e3o e investimento n\u00e3o \u00e9 apenas o momento em que se deu a morte mas tamb\u00e9m as circunst\u00e2ncias que envolveram a pr\u00f3pria contrata\u00e7\u00e3o do seguro<\/strong>, ou seja, a titular utilizou valores decorrentes da venda do \u00fanico im\u00f3vel do casal quando j\u00e1 tinha idade avan\u00e7ada (78 anos) e com quase nenhuma viabilidade de convers\u00e3o em pens\u00e3o por sobreviv\u00eancia, pois, na data prov\u00e1vel do resgate, a titular teria 100 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, deve-se considerar que o valor do contrato implicou significativo aporte de capital e potencialmente feriria o limite dispon\u00edvel para que a titular pudesse livremente dele dispor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-resultado-final\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese excepcional em que ficar evidenciada a condi\u00e7\u00e3o de investimento de plano de previd\u00eancia privada complementar aberta, operado por seguradora autorizada pela Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep), os valores devem ser trazidos \u00e0 cola\u00e7\u00e3o no invent\u00e1rio, como heran\u00e7a, devendo ainda ser objeto da partilha, desde que antes da convers\u00e3o em renda e pensionamento do titular.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-excecoes-a-inadmissibilidade-da-penhora-de-bem-ja-hipotecado-por-forca-de-cedula-de-credito-rural\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Exce\u00e7\u00f5es \u00e0 inadmissibilidade da penhora de bem j\u00e1 hipotecado por for\u00e7a de c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inadmiss\u00edvel a penhora de bem j\u00e1 hipotecado por for\u00e7a de c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural, salvo: a) em face de execu\u00e7\u00e3o fiscal; b) ap\u00f3s a vig\u00eancia do contrato de financiamento; c) quando houver anu\u00eancia do credor; ou d) quando ausente risco de esvaziamento da garantia, tendo em vista o valor do bem ou a prefer\u00eancia do cr\u00e9dito cedular.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.609.931-SC, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 13\/2\/2023, DJe 17\/2\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio vendeu um im\u00f3vel rural para Nirso, que n\u00e3o pagou integralmente o valor combinado, fato que levou Craudio a ajuizar a\u00e7\u00e3o cobrando o valor. Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado, iniciou-se o cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Craudio ent\u00e3o requereu a penhora online e a penhora do im\u00f3vel vendido. O juiz deferiu o pedido do penhor online, mas sustentou n\u00e3o ser poss\u00edvel a penhora do im\u00f3vel pelo fato deste j\u00e1 ter sido hipotecado em uma c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LC 93\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art. 11. Os benefici\u00e1rios do Fundo n\u00e3o poder\u00e3o alienar as suas terras e as respectivas benfeitorias no prazo do financiamento, salvo para outro benefici\u00e1rio enumerado no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba e com a anu\u00eancia do credor.<\/p>\n\n\n\n<p>Decreto-Lei 167\/1967:<\/p>\n\n\n\n<p>Art 69. Os bens objeto de penhor ou de hipoteca constitu\u00eddos pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural n\u00e3o ser\u00e3o penhorados, arrestados ou seq\u00fcestrados por outras d\u00edvidas do emitente ou do terceiro empenhador ou hipotecante, cumprindo ao emitente ou ao terceiro empenhador ou hipotecante denunciar a exist\u00eancia da c\u00e9dula \u00e0s autoridades incumbidas da dilig\u00eancia ou a quem a determinou, sob pena de responderem pelos preju\u00edzos resultantes de sua omiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-possivel-a-penhora-do-imovel\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a penhora do im\u00f3vel?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>EXCEPCIONALMENTE, sim!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Disp\u00f5e o art. 11 da LC 93\/1998 que &#8220;Os benefici\u00e1rios do Fundo n\u00e3o poder\u00e3o alienar as suas terras e as respectivas benfeitorias no prazo do financiamento, salvo para outro benefici\u00e1rio enumerado no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1\u00ba e com a anu\u00eancia do credor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 11 da LC 93\/1998 n\u00e3o deve ser analisado de maneira isolada.<\/p>\n\n\n\n<p>O Decreto-Lei 167\/1967, que disp\u00f5e sobre t\u00edtulos de cr\u00e9dito rural, prev\u00ea, em seu art. 69, <strong>a impenhorabilidade dos bens objeto de hipoteca constitu\u00eddos pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural com rela\u00e7\u00e3o a outras d\u00edvidas<\/strong>: &#8220;Os bens objeto de penhor ou de hipoteca constitu\u00eddos pela c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural n\u00e3o ser\u00e3o penhorados, arrestados ou sequestrados por outras d\u00edvidas do emitente ou do terceiro empenhador ou hipotecante, cumprindo ao emitente ou ao terceiro empenhador ou hipotecante denunciar a exist\u00eancia da c\u00e9dula \u00e0s autoridades incumbidas da dilig\u00eancia ou a quem a determinou, sob pena de responderem pelos preju\u00edzos resultantes de sua omiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A regra \u00e9 a impenhorabilidade do im\u00f3vel dado em garantia em financiamento de im\u00f3vel rural. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no entanto, admite a RELATIVIZA\u00c7\u00c3O do bem gravado com c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural quando: a) em face de execu\u00e7\u00e3o fiscal; b) ap\u00f3s a vig\u00eancia do contrato de financiamento; c) quando houver anu\u00eancia do credor; ou d) quando ausente risco de esvaziamento da garantia, tendo em vista o valor do bem ou a prefer\u00eancia do cr\u00e9dito cedular.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 inadmiss\u00edvel a penhora de bem j\u00e1 hipotecado por for\u00e7a de c\u00e9dula de cr\u00e9dito rural, salvo: a) em face de execu\u00e7\u00e3o fiscal; b) ap\u00f3s a vig\u00eancia do contrato de financiamento; c) quando houver anu\u00eancia do credor; ou d) quando ausente risco de esvaziamento da garantia, tendo em vista o valor do bem ou a prefer\u00eancia do cr\u00e9dito cedular.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-im-possibilidade-de-arbitramento-de-oficio-da-verba-honoraria-recursal-pelo-colegiado-quando-o-relator-deixa-de-aplica-la-em-decisao-monocratica\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de arbitramento de of\u00edcio da verba honor\u00e1ria recursal pelo colegiado quando o relator deixa de aplica-la em decis\u00e3o monocr\u00e1tica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando devida a verba honor\u00e1ria recursal, e o relator deixar de aplic\u00e1-la em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, poder\u00e1 o colegiado arbitr\u00e1-la, inclusive de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>EDcl no AgInt no AREsp 1.249.853-SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 13\/3\/2023 (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o que tramitava no STJ, o ministro relator deixou de conhecer de recurso especial, mas n\u00e3o majorou os honor\u00e1rios advocat\u00edcios j\u00e1 previamente fixados pelo tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<p>A Turma manteve a decis\u00e3o monocr\u00e1tica, o que levou a parte beneficiada com os honor\u00e1rios recursais a opor embargos de declara\u00e7\u00e3o requerendo a fixa\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios recursais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil \u2013 CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba S\u00e3o devidos honor\u00e1rios advocat\u00edcios na reconven\u00e7\u00e3o, no cumprimento de senten\u00e7a, provis\u00f3rio ou definitivo, na execu\u00e7\u00e3o, resistida ou n\u00e3o, e nos recursos interpostos, cumulativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorar\u00e1 os honor\u00e1rios fixados anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos \u00a7\u00a7 2\u00ba a 6\u00ba, sendo vedado ao tribunal, no c\u00f4mputo geral da fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os respectivos limites estabelecidos nos \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba para a fase de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-possivel-a-fixacao-de-oficio-pelo-colegiado\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a fixa\u00e7\u00e3o de of\u00edcio pelo colegiado<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 85, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil &#8211; CPC, &#8220;<strong>s\u00e3o devidos honor\u00e1rios advocat\u00edcios (&#8230;) nos recursos interpostos, cumulativamente<\/strong>&#8220;. A fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios recursais em favor do patrono da parte recorrida est\u00e1 adstrita \u00e0s hip\u00f3teses de n\u00e3o conhecimento ou de n\u00e3o provimento do recurso, com o n\u00edtido prop\u00f3sito de desestimular a interposi\u00e7\u00e3o de recurso infundado pela parte vencida.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo STJ, <strong>a majora\u00e7\u00e3o dessa verba ocorre sempre que inaugurada nova inst\u00e2ncia recursal, e n\u00e3o em todos os recursos que tramitam nessa mesma inst\u00e2ncia<\/strong> (por exemplo, \u00e9 cab\u00edvel a majora\u00e7\u00e3o no julgamento monocr\u00e1tico do recurso especial, mas isso n\u00e3o ocorre em caso de julgamento de agravo interno e embargos de declara\u00e7\u00e3o no apelo nobre; de outro lado, \u00e9 novamente aplic\u00e1vel a majora\u00e7\u00e3o quando interpostos embargos de diverg\u00eancia no recurso especial, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o entendimento firmado no STJ \u00e9 de que o arbitramento dos honor\u00e1rios recursais (art. 85, \u00a7 11, do CPC\/2015) deve ocorrer quando a Corte julga o recurso, sujeito ao C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixa\u00e7\u00e3o em agravo interno e embargos de declara\u00e7\u00e3o, por se tratar da mesma inst\u00e2ncia recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este tamb\u00e9m o entendimento da Escola Nacional de Forma\u00e7\u00e3o e Aperfei\u00e7oamento de Magistrados Ministro S\u00e1lvio de Figueiredo Teixeira &#8211; Enfam adotado no semin\u00e1rio &#8220;O Poder Judici\u00e1rio e o Novo CPC&#8221;, no qual se editou o enunciado 16, com o seguinte teor: &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel majorar os honor\u00e1rios na hip\u00f3tese de interposi\u00e7\u00e3o de recurso no mesmo grau de jurisdi\u00e7\u00e3o (art. 85, \u00a7 11, do CPC\/2015)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, verifica-se no caso que n\u00e3o houve majora\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios nesta inst\u00e2ncia recursal, nem na decis\u00e3o monocr\u00e1tica, nem no julgamento do agravo interno. Assim, <strong>por se tratar de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, cognosc\u00edvel de of\u00edcio, \u00e9 poss\u00edvel sua majora\u00e7\u00e3o neste momento processual<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido: &#8220;(&#8230;) Quando devida a verba honor\u00e1ria recursal, mas, por omiss\u00e3o, o Relator deixar de aplic\u00e1-la em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, poder\u00e1 o colegiado, ao n\u00e3o conhecer do respectivo Agravo Interno ou negar-lhe provimento, arbitr\u00e1-la&nbsp;<em>ex officio<\/em>, por se tratar de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica, que independe de provoca\u00e7\u00e3o da parte, n\u00e3o se verificando reformatio in pejus. (&#8230;)&#8221; (AgInt nos EAREsp 762.075\/MT, relator Ministro Felix Fischer, relator para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, julgado em 19\/12\/2018, DJe de 7\/3\/2019).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Quando devida a verba honor\u00e1ria recursal, e o relator deixar de aplic\u00e1-la em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, poder\u00e1 o colegiado arbitr\u00e1-la, inclusive de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-natureza-da-decisao-a-respeito-do-pedido-de-caucao-de-credito-tributario-ainda-nao-cobrado-judicialmente-para-fins-de-obtencao-de-certidao-de-regularidade-fiscal\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Natureza da decis\u00e3o a respeito do pedido de cau\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio ainda n\u00e3o cobrado judicialmente para fins de obten\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de regularidade fiscal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o a respeito do pedido de cau\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio ainda n\u00e3o cobrado judicialmente para fins de obten\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de regularidade fiscal tem natureza jur\u00eddica de incidente processual inerente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, n\u00e3o guardando autonomia a ensejar condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em desfavor de qualquer das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.996.760-SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Kenedy foi autuada pelo fisco estadual em raz\u00e3o do n\u00e3o recolhimento de tributos, o que lhe trouxe dificuldades, uma vez que n\u00e3o mais poderia participar de licita\u00e7\u00f5es sem a emiss\u00e3o da certid\u00e3o de regularidade fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o na qual ofereceu cau\u00e7\u00e3o do valor cobrado e com o intuito de obter a certid\u00e3o de regularidade fiscal. O juiz acolheu o pedido, extinguiu a a\u00e7\u00e3o com resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito e condenou a empresa ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios. Inconformada, Kenedy interp\u00f4s recurso alegando o n\u00e3o cabimento de honor\u00e1rios na hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-cabe-a-fixacao-de-honorarios\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe a fixa\u00e7\u00e3o de honor\u00e1rios?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 responsabilidade pelo pagamento dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios de sucumb\u00eancia na hip\u00f3tese em que h\u00e1 extin\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o cautelar pr\u00e9via de cau\u00e7\u00e3o diante do ajuizamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Turma do STJ, ao julgar o AREsp 1.521.312\/MS, da relatoria do eminente Ministro Gurgel de Faria, entendeu que <strong>n\u00e3o se pode atribuir \u00e0 Fazenda a responsabilidade pelo ajuizamento da a\u00e7\u00e3o cautelar por n\u00e3o ser poss\u00edvel imputar ao credor a obrigatoriedade de imediata propositura da a\u00e7\u00e3o executiva<\/strong>. Ademais, a a\u00e7\u00e3o cautelar de cau\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para futura constri\u00e7\u00e3o possui &#8220;natureza jur\u00eddica de incidente processual inerente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, n\u00e3o guardando autonomia a ensejar condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em desfavor de qualquer das partes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido: &#8220;(&#8230;) A quest\u00e3o decidida na a\u00e7\u00e3o ajuizada com o objetivo de antecipar a penhora na execu\u00e7\u00e3o fiscal tem natureza jur\u00eddica de incidente processual inerente \u00e0 pr\u00f3pria execu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o guardando autonomia a ensejar condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em desfavor de qualquer das partes. (&#8230;)&#8221; AgInt no REsp 1.960.482\/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 25\/3\/2022.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-resultado-final\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o a respeito do pedido de cau\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito tribut\u00e1rio ainda n\u00e3o cobrado judicialmente para fins de obten\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o de regularidade fiscal tem natureza jur\u00eddica de incidente processual inerente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, n\u00e3o guardando autonomia a ensejar condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios em desfavor de qualquer das partes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-interpretacao-do-art-382-4\u00ba-do-cpc-e-contraditorio\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Interpreta\u00e7\u00e3o do art. 382, \u00a74\u00ba do CPC e contradit\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 382, \u00a7 4\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil n\u00e3o pode ser interpretado em sua acep\u00e7\u00e3o literal, de modo a obstar qualquer manifesta\u00e7\u00e3o da parte adversa no procedimento de antecipa\u00e7\u00e3o de provas, em detida observ\u00e2ncia do contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.037.088-SP, Relator Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023, DJe 13\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Life buscava investidores para ampliar alguns de seus neg\u00f3cios. A oferta chegou at\u00e9 a empresa Tycon, que, por precau\u00e7\u00e3o, contratou servi\u00e7os de auditoria da empresa Crica antes de firmar neg\u00f3cios. Na auditoria, restou constatado que Life contava com s\u00f3lida sa\u00fade financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s realizados os investimentos, eis que foi descoberto um \u201cfuro\u201d nas contas da empresa Life, resultando em sua fal\u00eancia. Inconformada, Tycon desconfia que a auditoria teria sido manipulada\/fraudada. Ajuizou ent\u00e3o a\u00e7\u00e3o cautelar de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas em face de Crica para tentar entender como as fraudes foram realizadas, bem como se Life estava ciente ou foi conivente com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, Crica alegou ilegitimidade passiva, tese que n\u00e3o foi acolhida pelo tribunal local, que entendeu que Crica n\u00e3o teria interesse de agir, conforme expressa previs\u00e3o do art. 382,\u00a74\u00ba do CPC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art. 1\u00ba O processo civil ser\u00e1 ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na&nbsp;Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil&nbsp;, observando-se as disposi\u00e7\u00f5es deste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 382. Na peti\u00e7\u00e3o, o requerente apresentar\u00e1 as raz\u00f5es que justificam a necessidade de antecipa\u00e7\u00e3o da prova e mencionar\u00e1 com precis\u00e3o os fatos sobre os quais a prova h\u00e1 de recair.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 4\u00ba Neste procedimento, n\u00e3o se admitir\u00e1 defesa ou recurso, salvo contra decis\u00e3o que indeferir totalmente a produ\u00e7\u00e3o da prova pleiteada pelo requerente origin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-o-dispositivo-deve-ser-interpretado-de-forma-literal\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O dispositivo deve ser interpretado de forma literal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia posta centra-se em saber se, no procedimento de produ\u00e7\u00e3o antecipada de prova, a pretexto da literalidade do \u00a7 4\u00ba do art. 382 do C\u00f3digo de Processo Civil, h\u00e1 espa\u00e7o para o exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio, e se caberia ao Ju\u00edzo&nbsp;<em>a quo<\/em>, liminarmente &#8211; a despeito da aus\u00eancia do requisito de urg\u00eancia &#8211; e sem oitiva da parte demandada, determinar-lhe, de imediato, a exibi\u00e7\u00e3o dos documentos requeridos na peti\u00e7\u00e3o inicial, advertindo-a sobre o n\u00e3o cabimento de nenhuma defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O chamado processo civil constitucional \u00e9 garantia individual e destina-se a dar concretude \u00e0s normas fundamentais estruturantes do processo civil, utilizadas, inclusive, como verdadeiro vetor interpretativo de todo o sistema processual civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal consistem no fundamento de validade &#8211; e mesmo de legitimidade &#8211; de todo e qualquer regramento processual. Com o prop\u00f3sito de refor\u00e7ar essa concep\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-positiva, h\u00e1 muito internalizada na doutrina e na jurisprud\u00eancia processualista nacional, o C\u00f3digo de Processo Civil, em seu art. 1\u00ba, estabeleceu que: &#8220;o processo civil ser\u00e1 ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, observando-se as disposi\u00e7\u00f5es deste C\u00f3digo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As normas fundamentais de conte\u00fado principiol\u00f3gico &#8211; estruturantes e, portanto, superiores aos demais regramentos -, que traduzem e asseguram o tratamento ison\u00f4mico das partes no processo, o direito de defesa, bem como o contradit\u00f3rio, h\u00e3o de ser necessariamente observadas na aplica\u00e7\u00e3o e na interpreta\u00e7\u00e3o de todos os dispositivos legais previstos no C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que as normas processuais estipulem o modo como o contradit\u00f3rio deve ser exercido, diferindo-o eventualmente. \u00c9 poss\u00edvel que, em fun\u00e7\u00e3o das especificidades de determinado procedimento, possam restringir as mat\u00e9rias pass\u00edveis de serem nele arguidas. A restri\u00e7\u00e3o do direito de defesa, estabelecida em lei, encontra justificativa, portanto, nas particularidades e, principalmente, na finalidade do procedimento por ela regulado. N\u00e3o h\u00e1, obviamente, nenhuma vulnera\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio do contradit\u00f3rio em tais disposi\u00e7\u00f5es legais. Todavia, eventual restri\u00e7\u00e3o legal a respeito do exerc\u00edcio do direito de defesa da parte n\u00e3o pode, de maneira alguma, conduzir \u00e0 intepreta\u00e7\u00e3o que elimine, por completo, o contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A veda\u00e7\u00e3o legal quanto ao exerc\u00edcio do direito de defesa somente pode ser interpretada como a proibi\u00e7\u00e3o de veicula\u00e7\u00e3o de determinadas mat\u00e9rias que se afigurem impertinentes ao procedimento nela regulado<\/strong>. Logo, as quest\u00f5es inerentes ao objeto espec\u00edfico da a\u00e7\u00e3o em exame e do correlato procedimento estabelecido em lei poder\u00e3o ser aventadas pela parte em sua defesa, devendo-se permitir, em detida observ\u00e2ncia do contradit\u00f3rio, sua manifesta\u00e7\u00e3o, necessariamente, antes da prola\u00e7\u00e3o da correspondente decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conseguinte, o \u00a7 4\u00ba do art. 382 do CPC &#8211; ao estabelecer que, no procedimento de antecipa\u00e7\u00e3o de provas, &#8220;n\u00e3o se admitir\u00e1 defesa ou recurso, salvo contra decis\u00e3o que indeferir totalmente a produ\u00e7\u00e3o da prova pleiteada pelo requerente origin\u00e1rio&#8221; &#8211; n\u00e3o pode ser interpretado em sua acep\u00e7\u00e3o literal. Importa, nesse passo, bem identificar o objeto espec\u00edfico da a\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas, bem como o conflito de interesses nela inserto, a fim de delimitar em que extens\u00e3o o contradit\u00f3rio pode ser nela exercido.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 de saben\u00e7a, o C\u00f3digo de Processo Civil de 2015 buscou reproduzir, em seus termos, compreens\u00e3o h\u00e1 muito difundida entre os processualistas de que a prova, na verdade, tem como destinat\u00e1rio imediato n\u00e3o apenas o juiz, mas tamb\u00e9m, diretamente, as partes envolvidas no lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhece-se, assim, \u00e0 parte o direito material \u00e0 prova, cuja tutela pode se referir tanto ao modo de produ\u00e7\u00e3o de determinada prova (produ\u00e7\u00e3o antecipada de prova, prova emprestada e a prova &#8220;fora da terra&#8221;), como ao meio de prova propriamente concebido (ata notarial, depoimento pessoal, confiss\u00e3o, exibi\u00e7\u00e3o de documentos ou coisa, documentos, testemunhas, per\u00edcia e inspe\u00e7\u00e3o judicial).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 382, \u00a7 4\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil n\u00e3o pode ser interpretado em sua acep\u00e7\u00e3o literal, de modo a obstar qualquer manifesta\u00e7\u00e3o da parte adversa no procedimento de antecipa\u00e7\u00e3o de provas, em detida observ\u00e2ncia do contradit\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-responsabilidade-pelo-adimplemento-dos-debitos-tributarios-que-recaiam-sobre-o-bem-imovel-em-caso-de-expressa-previsao-no-edital\"><a>10.&nbsp; Responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel em caso de expressa previs\u00e3o no edital.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.921.489-RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023, DJe 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a Trabalhista penhorou um im\u00f3vel para pagamento de d\u00edvidas de uma empresa. O im\u00f3vel foi leiloado em 2013 e no edital da hasta p\u00fablica havia previs\u00e3o de que os valores do IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o seriam de responsabilidade do arrematante.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa discordou da forma que foi conduzida a execu\u00e7\u00e3o e interp\u00f4s diversos recursos no processo, todos n\u00e3o providos, mas a quest\u00e3o s\u00f3 chegou ao fim com o julgamento do TST em 2017, quando enfim o arrematante Tadeu tomou posse do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que Tadeu foi notificado para pagamento do IPTU dos anos de 2014 a 2017. Inconformado, Tadeu apresentou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade alegando a ilegitimidade passiva, uma vez que somente tomou posse do im\u00f3vel em meados de 2017.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional \u2013 CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 130. Os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o dom\u00ednio \u00fatil ou a posse de bens im\u00f3veis, e bem assim os relativos a taxas pela presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os referentes a tais bens, ou a contribui\u00e7\u00f5es de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do t\u00edtulo a prova de sua quita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. No caso de arremata\u00e7\u00e3o em hasta p\u00fablica, a sub-roga\u00e7\u00e3o ocorre sobre o respectivo pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-responsabilidade-do-arrematante\"><a>10.2.2. Responsabilidade do arrematante?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se havia previs\u00e3o no edital da hasta p\u00fablica, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cuida-se, na origem, de exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade pugnando pela declara\u00e7\u00e3o de ilegitimidade do ora recorrente quanto aos d\u00e9bitos de IPTU incidentes antes de sua imiss\u00e3o na posse de im\u00f3vel arrematado perante o Ju\u00edzo da Vara do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>quando da arremata\u00e7\u00e3o, o edital de convoca\u00e7\u00e3o do leil\u00e3o continha a informa\u00e7\u00e3o de que os valores de Imposto Predial e Territorial Urbano &#8211; IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o seriam de responsabilidade do arrematante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia deste STJ assevera que &#8220;havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido, a responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante&#8221; (AgRg no AREsp 248.454\/SP, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe de 12\/9\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se <strong>depois de formalizada a arremata\u00e7\u00e3o ela \u00e9 considerada perfeita, ainda que haja morosidade dos mecanismos judiciais na expedi\u00e7\u00e3o da carta de arremata\u00e7\u00e3o, para a devida averba\u00e7\u00e3o no Registro Geral de Im\u00f3vel &#8211; RGI, o entendimento \u00e9 no sentido de que os d\u00e9bitos fiscais dever\u00e3o ser suportados pelo arrematante<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque a regra contida no art. 130, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional &#8211; CTN n\u00e3o afasta a responsabilidade do arrematante no que concerne aos d\u00e9bitos de IPTU posteriores \u00e0 arremata\u00e7\u00e3o, ainda que postergada a respectiva imiss\u00e3o na posse.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A responsabilidade pelo adimplemento dos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios que recaiam sobre o bem im\u00f3vel \u00e9 do arrematante havendo expressa men\u00e7\u00e3o no edital de hasta p\u00fablica nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-responsabilidade-do-shopping-center-e-estacionamento-vinculado-em-caso-de-roubo-a-mao-armada-ocorrido-na-cancela-para-ingresso-no-estabelecimento-comercial-em-via-publica\"><a>11.&nbsp; Responsabilidade do shopping center e estacionamento vinculado em caso de roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O shopping center e o estacionamento vinculado a ele podem ser responsabilizados por roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.031.816-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio, parou seu ve\u00edculo Palio 1997 na cancela do shopping center para apertar o bot\u00e3o e pegar o ticket do estacionamento. Eis que foi assaltado por um indiv\u00edduo armado que levou sua carteira, rel\u00f3gio e celular. N\u00e3o havia qualquer agente de seguran\u00e7a no local.<\/p>\n\n\n\n<p>Chateado, Maur\u00edcio ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo a condena\u00e7\u00e3o do shopping em danos morais e materiais. Em sua defesa, o shopping e o estacionamento vinculado alegaram que o assalto ocorreu na parte de fora da cancela, ou seja, em via p\u00fablica, o que lhes retiraria a responsabilidade pelo ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-possivel-a-responsabilizacao-do-shopping-e-estacionamento\"><a>11.2.1. Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o do Shopping e estacionamento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pragmaticamente, <strong>incide o regramento consumerista no percurso relacionado com a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o e, notadamente, quando o fornecedor dele se vale no interesse de atrair o consumidor<\/strong>. Assim, na hip\u00f3tese de se exigir do consumidor determinada conduta para que usufrua do servi\u00e7o prestado pela fornecedora, colocando-o em vulnerabilidade n\u00e3o s\u00f3 jur\u00eddica, mas sobretudo f\u00e1tica, ainda que momentaneamente, se houver falha na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, ser\u00e1 o fornecedor obrigado a indeniz\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de racioc\u00ednio, quando o consumidor, com a finalidade de ingressar no estacionamento de&nbsp;<em>shopping center<\/em>, tem de reduzir a velocidade ou at\u00e9 mesmo parar seu ve\u00edculo e se submeter \u00e0 cancela &#8211; barreira f\u00edsica imposta pelo fornecedor e em seu benef\u00edcio &#8211; incide a prote\u00e7\u00e3o consumerista, ainda que o consumidor n\u00e3o tenha ultrapassado referido obst\u00e1culo e mesmo que este esteja localizado na via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa hip\u00f3tese, o consumidor se encontra, de fato, na \u00e1rea de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o oferecido pelo estabelecimento comercial. Por conseguinte, tamb\u00e9m nessa \u00e1rea incidem os deveres inerentes \u00e0s rela\u00e7\u00f5es consumeristas e ao fornecimento de seguran\u00e7a indispens\u00e1vel que se espera dos estacionamentos de&nbsp;<em>shoppings centers.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ analisou situa\u00e7\u00e3o parecida, na qual o consumidor que se encontrava dentro de estacionamento de&nbsp;<em>shopping center<\/em>, ao parar na cancela para sair do referido estabelecimento, foi surpreendido pela abordagem de indiv\u00edduos com arma de fogo que tentaram subtrair seus pertences (REsp 1.269.691\/PB, Quarta Turma, DJe 5\/3\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Da mesma maneira como sucede com a sa\u00edda, o consumidor tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito a tal vulnerabilidade ao ingressar no estabelecimento<\/strong>. \u00c9 necess\u00e1rio que aquele, a fim de utilizar o servi\u00e7o oferecido pela recorrente, permane\u00e7a &#8211; ainda que por pouco tempo &#8211; desprotegido ao esperar a emiss\u00e3o do ticket e o levantamento da cancela.<\/p>\n\n\n\n<p>Inclusive, a \u00fanica raz\u00e3o para que o consumidor permane\u00e7a desprotegido, aguardando a abertura da cancela, \u00e9, justamente, para ingressar no estabelecimento do fornecedor. Logo, <strong>n\u00e3o pode o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;buscar afastar sua responsabilidade por aquilo que criou para se beneficiar e que tamb\u00e9m lhe incumbe proteger, sob pena de violar at\u00e9 mesmo o comando da boa-f\u00e9 objetiva e o princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o contratual do consumidor<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;e o estacionamento vinculado podem ser responsabilizados por defeitos na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o n\u00e3o s\u00f3 quando o consumidor se encontra efetivamente dentro da \u00e1rea assegurada, mas tamb\u00e9m quando se submete \u00e0 cancela para ingressar no estabelecimento comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange especificamente \u00e0 responsabilidade de<em>&nbsp;shoppings centers<\/em>, este Superior Tribunal de Justi\u00e7a, &#8220;conferindo interpreta\u00e7\u00e3o extensiva \u00e0 S\u00famula n. 130\/STJ, entende que estabelecimentos comerciais, tais como grandes&nbsp;<em>shoppings centers<\/em>&nbsp;e hipermercados, ao oferecerem estacionamento, ainda que gratuito, respondem pelos assaltos \u00e0 m\u00e3o armada praticados contra os clientes quando, apesar de o estacionamento n\u00e3o ser inerente \u00e0 natureza do servi\u00e7o prestado, gera leg\u00edtima expectativa de seguran\u00e7a ao cliente em troca dos benef\u00edcios financeiros indiretos decorrentes desse acr\u00e9scimo de conforto aos consumidores&#8221; (EREsp 1.431.606\/SP, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe 2\/5\/2019) &#8211; com exce\u00e7\u00e3o da hip\u00f3tese em que o estacionamento representa &#8220;mera comodidade, sendo \u00e1rea aberta, gratuita e de livre acesso por todos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, n\u00e3o cabe d\u00favida de que a empresa que agrega ao seu neg\u00f3cio um servi\u00e7o visando \u00e0 comodidade e \u00e0 seguran\u00e7a do cliente deve responder por eventuais defeitos ou defici\u00eancias na sua presta\u00e7\u00e3o. Afinal, servi\u00e7os dessa natureza n\u00e3o t\u00eam outro objetivo sen\u00e3o atrair um n\u00famero maior de consumidores ao estabelecimento, incrementando o movimento e, por via de consequ\u00eancia, o lucro, devendo o fornecedor, portanto, suportar os \u00f4nus respectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos expostos, pode-se concluir que o&nbsp;<em>shopping center<\/em>&nbsp;que oferece estacionamento responde por roubo perpetrado por terceiro \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento, uma vez que gerou no consumidor expectativa leg\u00edtima de seguran\u00e7a em troca dos benef\u00edcios financeiros que percebera indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-resultado-final\"><a>11.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O shopping center e o estacionamento vinculado a ele podem ser responsabilizados por roubo \u00e0 m\u00e3o armada ocorrido na cancela para ingresso no estabelecimento comercial, em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-requisitos-da-exigibilidade-do-protesto-da-duplicata-mercantil-para-a-instrucao-do-processo-de-falencia\"><a>12.&nbsp; Requisitos da exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instru\u00e7\u00e3o do processo de fal\u00eancia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instru\u00e7\u00e3o do processo de fal\u00eancia (i) n\u00e3o exige a realiza\u00e7\u00e3o do protesto especial para fins falimentares, bastando qualquer das modalidades de protesto previstas na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia; (ii) torna-se suficiente a triplicata protestada ou o protesto por indica\u00e7\u00f5es, desde que acompanhada da prova da entrega da mercadoria, por cuidar-se de t\u00edtulo causal; e (iii) \u00e9 poss\u00edvel realizar diretamente o protesto por falta de pagamento ou o protesto especial para fins falimentares.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.028.234-SC, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria Hart requereu a fal\u00eancia da empresa Samsa em raz\u00e3o de ser credora de duplicatas protestadas e n\u00e3o pagas. Samsa contestou o pedido alegando a irregularidade do protesto, uma vez que n\u00e3o havia comprovante de remessa das duplicatas para aceite e recusa injustificada da devedora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas e Fal\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 94. Ser\u00e1 decretada a fal\u00eancia do devedor que:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Na hip\u00f3tese do inciso I do&nbsp;<strong>caput&nbsp;<\/strong>deste artigo, o pedido de fal\u00eancia ser\u00e1 instru\u00eddo com os t\u00edtulos executivos na forma do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 9\u00ba desta Lei, acompanhados, em qualquer caso, dos respectivos instrumentos de protesto para fim falimentar nos termos da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.492\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 23. Os termos dos protestos lavrados, inclusive para fins especiais, por falta de pagamento, de aceite ou de devolu\u00e7\u00e3o ser\u00e3o registrados em um \u00fanico livro e conter\u00e3o as anota\u00e7\u00f5es do tipo e do motivo do protesto, al\u00e9m dos requisitos previstos no artigo anterior. Par\u00e1grafo \u00fanico. Somente poder\u00e3o ser protestados, para fins falimentares, os t\u00edtulos ou documentos de d\u00edvida de responsabilidade das pessoas sujeitas \u00e0s consequ\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o falimentar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-trata-se-de-requisito-essencial-para-o-pedido-de-falencia\"><a>12.2.2. Trata-se de requisito essencial para o pedido de fal\u00eancia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Lei de Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas e Fal\u00eancia prev\u00ea uma \u00fanica hip\u00f3tese para a comprova\u00e7\u00e3o de impontualidade e que faz presumir a insolv\u00eancia: o protesto do t\u00edtulo ou t\u00edtulos extrajudiciais ou judiciais<\/strong>, como prev\u00ea a reda\u00e7\u00e3o do art. 94, \u00a7 3\u00ba: &#8220;Na hip\u00f3tese do inciso I do&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;deste artigo, o pedido de fal\u00eancia ser\u00e1 instru\u00eddo com os t\u00edtulos executivos na forma do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 9\u00ba desta Lei, acompanhados, em qualquer caso, dos respectivos instrumentos de protesto para fim falimentar nos termos da legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer que seja a natureza do t\u00edtulo &#8211; sanando d\u00favida que pairava sob a legisla\u00e7\u00e3o anterior -, o credor dever\u00e1 lev\u00e1-lo a protesto para a comprova\u00e7\u00e3o da impontualidade e, assim, autorizar a deflagra\u00e7\u00e3o do processo de quebra. Os t\u00edtulos de cr\u00e9dito, contudo, tal como as duplicatas que instru\u00edram o processo de fal\u00eancia, possuem disciplina especial que preveem, em distintas hip\u00f3teses, a necessidade do protesto como meio comprobat\u00f3rio de algum fato juridicamente relevante ou mesmo do inadimplemento. Assim, a duplicata comporta tr\u00eas modalidades de protesto, cada qual em diferente oportunidade e com efeitos pr\u00f3prios: (I) o protesto por falta de devolu\u00e7\u00e3o; (II) o protesto por falta de aceite; e (III) o protesto por falta de pagamento (art. 13 da Lei n. 5.474\/1968).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exatamente em raz\u00e3o da disciplina particular da duplicata, que se interliga a uma rela\u00e7\u00e3o que opera como causa para sua emiss\u00e3o, a vincula\u00e7\u00e3o do sacado ou comprador de mercadorias ao t\u00edtulo cambial &#8211; porque vinculado pela opera\u00e7\u00e3o mercantil que lhe \u00e9 subjacente &#8211; pode dar-se de maneira presumida, se o vendedor ou sacador levar os t\u00edtulos a protesto, acompanhados do comprovante de entrega das mercadorias<\/strong>, o que implicar\u00e1, ainda, o vencimento antecipado da obriga\u00e7\u00e3o cambial (art. 25 da Lei 5.474\/1968 c\/c art. 43 da Lei Uniforme sobre Letras de C\u00e2mbio e Notas Promiss\u00f3rias). Em qualquer hip\u00f3tese, ainda, o credor poder\u00e1 proceder ao protesto do t\u00edtulo por falta de pagamento (art. 13, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 5.474\/1968).<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca do protesto especial em refer\u00eancia, disp\u00f5e o art. 23 da Lei n. 9.492\/1997 que &#8220;Os termos dos protestos lavrados, inclusive para fins especiais, por falta de pagamento, de aceite ou de devolu\u00e7\u00e3o ser\u00e3o registrados em um \u00fanico livro e conter\u00e3o as anota\u00e7\u00f5es do tipo e do motivo do protesto, al\u00e9m dos requisitos previstos no artigo anterior. Par\u00e1grafo \u00fanico. Somente poder\u00e3o ser protestados, para fins falimentares, os t\u00edtulos ou documentos de d\u00edvida de responsabilidade das pessoas sujeitas \u00e0s consequ\u00eancias da legisla\u00e7\u00e3o falimentar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 15 da Lei n. 5.474\/1968 prev\u00ea a possibilidade cobran\u00e7a judicial &#8220;l &#8211; de duplicata ou triplicata aceita, protestada ou n\u00e3o; II &#8211; de duplicata ou triplicata n\u00e3o aceita, contanto que, cumulativamente: a) haja sido protestada; b) esteja acompanhada de documento h\u00e1bil comprobat\u00f3rio da entrega e do recebimento da mercadoria, permitida a sua comprova\u00e7\u00e3o por meio eletr\u00f4nico; c) o sacado n\u00e3o tenha, comprovadamente, recusado o aceite, no prazo, nas condi\u00e7\u00f5es e pelos motivos previstos nos arts. 7\u00ba e 8\u00ba desta Lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel, portanto, a cobran\u00e7a judicial ou a instru\u00e7\u00e3o de processo de fal\u00eancia com a duplicata ou triplicata n\u00e3o aceita, desde que tenha sido protestada, esteja acompanhada de documento h\u00e1bil<\/strong> comprobat\u00f3rio da entrega e do recebimento da mercadoria e n\u00e3o tenha sido recusado o aceite pelo sacado, de maneira comprovada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Em suma, a exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instru\u00e7\u00e3o do processo de fal\u00eancia: <\/strong><strong><\/strong> <strong>n\u00e3o requer a realiza\u00e7\u00e3o do protesto especial para fins falimentares, bastando qualquer das modalidades de protesto previstas na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia; <\/strong><strong><\/strong><strong>torna suficiente a triplicata protestada ou o protesto por indica\u00e7\u00f5es, desde que acompanhada da prova da entrega da mercadoria, por cuidar-se de t\u00edtulo causal; e <\/strong><strong><\/strong><strong>faz com que seja poss\u00edvel realizar-se diretamente o protesto por falta de pagamento ou o protesto especial para fins falimentares.<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A exigibilidade do protesto da duplicata mercantil para a instru\u00e7\u00e3o do processo de fal\u00eancia (i) n\u00e3o exige a realiza\u00e7\u00e3o do protesto especial para fins falimentares, bastando qualquer das modalidades de protesto previstas na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia; (ii) torna-se suficiente a triplicata protestada ou o protesto por indica\u00e7\u00f5es, desde que acompanhada da prova da entrega da mercadoria, por cuidar-se de t\u00edtulo causal; e (iii) \u00e9 poss\u00edvel realizar diretamente o protesto por falta de pagamento ou o protesto especial para fins falimentares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-consorciada-em-recuperacao-judicial-e-responsabilidade-em-acao-de-cobranca\"><a>13.&nbsp; Consorciada em recupera\u00e7\u00e3o judicial e responsabilidade em a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Verificada a nova\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, em virtude da homologa\u00e7\u00e3o de plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial de consorciada, quando ausente disposi\u00e7\u00e3o estabelecendo solidariedade das partes no contrato de constitui\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio, a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de quantia l\u00edquida ajuizada apenas contra o cons\u00f3rcio extingue-se na medida da responsabilidade da recuperanda\/consorciada.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.804.804-MS, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 7\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa ACF ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o Cons\u00f3rcio VPN, formado por Gavi\u00e3o Engenharia e Wolf Consultoria. O cons\u00f3rcio apresentou contesta\u00e7\u00e3o na qual sustentou o impedimento do prosseguimento da cobran\u00e7a, uma vez que Gavi\u00e3o Engenharia requereu a recupera\u00e7\u00e3o judicial, na qual foram novados todos os d\u00e9bitos da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese n\u00e3o foi acolhida e o juiz de primeiro grau determinou o pagamento do valor devido. Inconformado, o Cons\u00f3rcio interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que o plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado implicaria na nova\u00e7\u00e3o de todos os cr\u00e9ditos anteriores, o que impediria a cobran\u00e7a da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 6.404\/1976:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou n\u00e3o, podem constituir cons\u00f3rcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Cap\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba O cons\u00f3rcio n\u00e3o tem personalidade jur\u00eddica e as consorciadas somente se obrigam nas condi\u00e7\u00f5es previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obriga\u00e7\u00f5es, sem presun\u00e7\u00e3o de solidariedade.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a d\u00edvida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49. Est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-nova-ou-nao-nova\"><a>13.2.2. Nova ou n\u00e3o nova<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>H\u00e1 de se analisar se h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o tratando das responsabilidades das partes formadoras do cons\u00f3rcio&#8230;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Sociedades An\u00f4nimas (Lei n. 6.404\/1976) estabelece, em seu art. 278, que o &#8220;<strong>cons\u00f3rcio n\u00e3o tem personalidade jur\u00eddica e as consorciadas somente se obrigam nas condi\u00e7\u00f5es previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obriga\u00e7\u00f5es, sem presun\u00e7\u00e3o de solidariedade<\/strong>&#8220;, e que a <strong>&#8220;fal\u00eancia de uma consorciada n\u00e3o se estende \u00e0s demais, subsistindo o cons\u00f3rcio com as outras contratantes; os cr\u00e9ditos que porventura tiver a falida ser\u00e3o apurados e pagos na forma prevista no contrato de cons\u00f3rcio<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Deflui do dispositivo legal a regra geral na hip\u00f3tese de pluralidade de partes nas obriga\u00e7\u00f5es &#8211;&nbsp;<em>concursu partes fiunt<\/em>&nbsp;&#8211; n\u00e3o sendo presumida a solidariedade entre as consorciadas. Contudo, o limite e as condi\u00e7\u00f5es da responsabilidade de cada uma delas decorrem do contrato constitutivo do cons\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, quando h\u00e1 obriga\u00e7\u00f5es divis\u00edveis com pluralidade de devedores, cada devedor somente pode ser acionado por sua fra\u00e7\u00e3o na obriga\u00e7\u00e3o. Portanto, se em rela\u00e7\u00e3o ao devedor submetido \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial houver nova\u00e7\u00e3o e, em consequ\u00eancia, houver extin\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, a a\u00e7\u00e3o contra ele n\u00e3o poder\u00e1 continuar, uma vez que sua quota-parte da presta\u00e7\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1 ser cobrada de outro devedor (art. 257 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, malgrado haja pluralidade de devedores em rela\u00e7\u00e3o a um \u00fanico v\u00ednculo, presume-se dividido em tantas obriga\u00e7\u00f5es quantos forem os devedores, na propor\u00e7\u00e3o determinada pelos neg\u00f3cios que lhe deram origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, o cons\u00f3rcio decorre de contrato firmado entre suas participantes, cujo ajuste n\u00e3o cria ente com personalidade jur\u00eddica distinta de seus membros. <strong>Dessa forma, a imputa\u00e7\u00e3o responsabilizat\u00f3ria ocorre diretamente sobre as consorciadas contratantes e, por esse motivo, revela-se imprescind\u00edvel a an\u00e1lise de seus atos formativos para verificar a disciplina concreta acerca das obriga\u00e7\u00f5es assumidas, porquanto, repita-se, a solidariedade, em regra, \u00e9 afastada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Concomitantemente, ultrapassado o&nbsp;<em>stay period<\/em>&nbsp;e aprovado e homologado o plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o mais se cogita da suspens\u00e3o dos processos contra o devedor, mas o efeito da\u00ed decorrente enseja a extin\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, na forma referida. A aprova\u00e7\u00e3o e homologa\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial implicam nova\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es concursais, \u00e9 dizer, daquelas existentes ao tempo da apresenta\u00e7\u00e3o do pedido, ainda que n\u00e3o vencidas (art. 49 da Lei n. 11.101\/2005).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 indiferente, ainda, o fato de o referido cr\u00e9dito n\u00e3o se encontrar habilitado e constar do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Com efeito, a nova\u00e7\u00e3o operada pela aprova\u00e7\u00e3o e homologa\u00e7\u00e3o do plano tem o efeito de extinguir todas as obriga\u00e7\u00f5es anteriores e substitu\u00ed-las por outras, nas condi\u00e7\u00f5es aprovadas pela assembleia de credores ou pelo magistrado (<em>cram down<\/em>), independentemente de constarem no rol ou da concord\u00e2ncia do credor. Essa efic\u00e1cia expansiva dos efeitos da aprova\u00e7\u00e3o e homologa\u00e7\u00e3o do plano repousa exatamente no princ\u00edpio fundamental da recupera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 permitir o soerguimento da sociedade empres\u00e1ria, a partir do reconhecimento de sua fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, ainda que o credor n\u00e3o conste do quadro geral, ele tem a faculdade de habilitar seu cr\u00e9dito de forma retardat\u00e1ria ou cobr\u00e1-lo posteriormente, mas ter\u00e1 de faz\u00ea-lo, nesta \u00faltima hip\u00f3tese, nas condi\u00e7\u00f5es determinadas no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Revela-se, pois, perfeitamente decompon\u00edvel a obriga\u00e7\u00e3o derivada do contrato de constitui\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio, no bojo da a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de quantia l\u00edquida, de forma que a solu\u00e7\u00e3o adequada, a teor da disciplina prevista na Lei n. 11.101\/2005, \u00e9 a extin\u00e7\u00e3o parcial da a\u00e7\u00e3o na medida da responsabilidade da consorciada, porque <strong>sua obriga\u00e7\u00e3o foi extinta pela nova\u00e7\u00e3o decorrente da aprova\u00e7\u00e3o e homologa\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Verificada a nova\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o, em virtude da homologa\u00e7\u00e3o de plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial de consorciada, quando ausente disposi\u00e7\u00e3o estabelecendo solidariedade da partes no contrato de constitui\u00e7\u00e3o do cons\u00f3rcio, a a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a de quantia l\u00edquida ajuizada apenas contra o cons\u00f3rcio extingue-se na medida da responsabilidade da recuperanda\/consorciada.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-idoneidade-da-valoracao-negativa-dos-motivos-do-crime-na-hipotese-em-que-o-agressor-se-utiliza-de-ameacas-para-constranger-a-vitima-a-desistir-de-requerer-o-divorcio-e-pensao-alimenticia-em-beneficio-dos-filhos\"><a>14.&nbsp; Idoneidade da valora\u00e7\u00e3o negativa dos motivos do crime na hip\u00f3tese em que o agressor se utiliza de amea\u00e7as para constranger a v\u00edtima a desistir de requerer o div\u00f3rcio e pens\u00e3o aliment\u00edcia em benef\u00edcio dos filhos.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 id\u00f4nea a valora\u00e7\u00e3o negativa dos motivos do crime na hip\u00f3tese em que o agressor se utiliza de amea\u00e7as para constranger a v\u00edtima a desistir de requerer o div\u00f3rcio e pens\u00e3o aliment\u00edcia em benef\u00edcio dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 746.729-GO, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/12\/2022, DJe 21\/12\/2022. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide e Creiton eram casados e tinham tr\u00eas filhos. O relacionamento era conturbado, raz\u00e3o pela qual Creide optou pelo div\u00f3rcio e passou a residir em munic\u00edpio distinto com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ajuizou a\u00e7\u00e3o requerendo a concess\u00e3o de pens\u00e3o aliment\u00edcia aos menores. Ao ficar sabendo da a\u00e7\u00e3o, Creiton amea\u00e7ou a vida de Creide com o intuito de fazer com que ela desistisse do div\u00f3rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Creide registrou a ocorr\u00eancia e Creiton foi denunciado pelo crime de amea\u00e7a. Na dosimetria, o juiz entendeu que os motivos do crime deveriam ser valorados negativamente. A defesa de Creiton interp\u00f4s HC alegando que apesar de ter sido valorada negativamente uma \u00fanica circunst\u00e2ncia judicial, a pena teria sido dobrada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-correta-a-valoracao-negativa\"><a>14.2.1. Correta a valora\u00e7\u00e3o negativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A individualiza\u00e7\u00e3o da pena \u00e9 submetida aos elementos de convic\u00e7\u00e3o judiciais acerca das circunst\u00e2ncias do crime, cabendo \u00e0s Cortes Superiores apenas o controle da legalidade e da constitucionalidade dos crit\u00e9rios empregados, a fim de evitar eventuais arbitrariedades.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, percebe-se que<strong> a pena-base restou fixada acima do m\u00ednimo legal pela an\u00e1lise desfavor\u00e1vel dos motivos do crime<\/strong>. Destacou-se que o crime de amea\u00e7a ocorreu em decorr\u00eancia do sentenciado reprovar a conduta da v\u00edtima &#8211; sua ex-esposa, de ter acionado a Justi\u00e7a para p\u00f4r fim ao casamento e requerer pens\u00e3o aliment\u00edcia para os filhos do casal e demais direitos relativos a tal demanda. A inten\u00e7\u00e3o do agente seria amea\u00e7ar a v\u00edtima para que ela desistisse de acion\u00e1-lo judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal elemento \u00e9 concreto e n\u00e3o \u00e9 \u00ednsito ao tipo penal em quest\u00e3o, podendo ser sopesado como circunst\u00e2ncia judicial desfavor\u00e1vel, na medida em que demonstra uma maior reprovabilidade da conduta, motivada pelo anseio de enfraquecimento e de desrespeito ao direitos conferidos \u00e0 mulher pela Lei Maria da Penha. Dessa forma, devidamente motivada a exaspera\u00e7\u00e3o da pena-base, n\u00e3o se constata qualquer ilegalidade a ser sanada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-resultado-final\"><a>14.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 id\u00f4nea a valora\u00e7\u00e3o negativa dos motivos do crime na hip\u00f3tese em que o agressor se utiliza de amea\u00e7as para constranger a v\u00edtima a desistir de requerer o div\u00f3rcio e pens\u00e3o aliment\u00edcia em benef\u00edcio dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-crime-permanente-situacao-de-flagrancia-e-possibilidade-de-ingresso-de-policiais-em-endereco-diverso-do-constante-em-ordem-judicial\"><a>15.&nbsp; Crime permanente, situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia e possibilidade de ingresso de policiais em endere\u00e7o diverso do constante em ordem judicial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A ocorr\u00eancia de crime permanente e a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia apta a mitigar a garantia constitucional da inviolabilidade de domic\u00edlio justificam o ingresso dos policiais em endere\u00e7o diverso daquele contido na ordem judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 768.624-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 10\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A pol\u00edcia ficou sabendo que uma casa estaria sendo utilizada como dep\u00f3sito de drogas, armas e objetos de crime. Requereu ent\u00e3o a expedi\u00e7\u00e3o de mandado de busca e apreens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O mandado foi expedido conforme solicitado, mas, ao chegarem no local, os policiais verificaram que havia um sobrado com duas casas, sem qualquer identifica\u00e7\u00e3o. Os policiais se dividiram e entraram nas duas, sendo que na primeira casa (resid\u00eancia do investigado Craudio) foram encontradas drogas e armas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda casa residia o tio de Craudio, Tadeu. L\u00e1 tamb\u00e9m foram encontradas drogas, armas e objetos de crime. Os dois foram presos em flagrante. A defesa de Tadeu alega a nulidade do flagrante, uma vez que o mandado foi expedido apenas em nome de Craudio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-a-situacao-justifica-o-ingresso-dos-policiais\"><a>15.2.1. A situa\u00e7\u00e3o justifica o ingresso dos policiais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Entra geral <\/strong><strong>????<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Consoante decidido no RE 603.616\/RO pelo Supremo Tribunal Federal, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio certeza quanto \u00e0 pr\u00e1tica delitiva para se admitir a entrada em domic\u00edlio, bastando que, em compasso com as provas produzidas, seja demonstrada justa causa para a medida, ante a exist\u00eancia de elementos concretos que apontem para situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, os policiais civis, dando cumprimento ao mandado de busca e apreens\u00e3o expedido em procedimento investigat\u00f3rio, se depararam com um sobrado com duas escadas externas, sem nenhuma indica\u00e7\u00e3o a respeito da numera\u00e7\u00e3o das casas (1 ou 2), raz\u00e3o pela qual a equipe se dividiu e ingressou em ambos os im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a dilig\u00eancia tenha sido realizada tamb\u00e9m na casa n. 1, em aparente extrapola\u00e7\u00e3o dos limites da ordem judicial, &#8220;<strong>em se tratando de crimes de natureza permanente, como \u00e9 o caso do tr\u00e1fico de entorpecentes e de posse irregular e posse ilegal de arma de fogo, mostra-se prescind\u00edvel o mandado de busca e apreens\u00e3o para que os policiais adentrem no domic\u00edlio de quem esteja em situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito, n\u00e3o havendo que se falar em eventuais ilegalidades relativas ao cumprimento da medida<\/strong>&#8220;. (AgRg no RHC 144.098\/RS, relator Ministro Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, julgado em 17\/8\/2021, DJe 24\/8\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto f\u00e1tico delineado nos autos evidenciou, de maneira suficiente, a ocorr\u00eancia de crime permanente e a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia apta a mitigar a garantia constitucional da inviolabilidade de domic\u00edlio e permitir o ingresso dos policiais em endere\u00e7o diverso daquele contido na ordem judicial. A situa\u00e7\u00e3o, assim, era demonstrativa da exist\u00eancia de estado de flagr\u00e2ncia em crime permanente, baseado em fundadas suspeitas da sua pr\u00e1tica em concurso de agentes. Ademais, franqueado o acesso e apreendido o material b\u00e9lico, a situa\u00e7\u00e3o se amolda \u00e0s hip\u00f3teses legais de mitiga\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 inviolabilidade de domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-resultado-final\"><a>15.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A ocorr\u00eancia de crime permanente e a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia apta a mitigar a garantia constitucional da inviolabilidade de domic\u00edlio justificam o ingresso dos policiais em endere\u00e7o diverso daquele contido na ordem judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-aplicabilidade-de-limite-temporal-a-analise-do-requisito-subjetivo-para-concessao-de-saida-temporaria\"><a>16.&nbsp; Aplicabilidade de limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria, devendo ser considerado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 795.970-SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, apenado, cumpria pena normalmente. Em uma sa\u00edda tempor\u00e1ria, fugiu e foi recapturado ap\u00f3s alguns meses. Quatro anos depois da recaptura, Creosvaldo, j\u00e1 no regime semiaberto, requereu a concess\u00e3o de nova sa\u00edda tempor\u00e1ria. Creosvaldo tamb\u00e9m contava com outras faltas disciplinares e houve parecer desfavor\u00e1vel da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pedido foi negado sob a justificativa do n\u00e3o cumprimento do requisito subjetivo, a saber a falta grave em decorr\u00eancia da fuga. Inconformado, Creosvaldo interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando que n\u00e3o poderia ser punido eternamente por uma falta cometida h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 123. A autoriza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 concedida por ato motivado do Juiz da execu\u00e7\u00e3o, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria e depender\u00e1 da satisfa\u00e7\u00e3o dos seguintes requisitos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; comportamento adequado;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; cumprimento m\u00ednimo de 1\/6 (um sexto) da pena, se o condenado for prim\u00e1rio, e 1\/4 (um quarto), se reincidente;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-deve-ser-aplicado-um-limite-temporal\"><a>16.2.2. Deve ser aplicado um limite temporal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 123 da LEP, a autoriza\u00e7\u00e3o da visita peri\u00f3dica ao lar &#8220;ser\u00e1 concedida por ato motivado do Juiz da execu\u00e7\u00e3o, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e a administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria e depender\u00e1 da satisfa\u00e7\u00e3o dos seguintes requisitos: I &#8211; comportamento adequado; II &#8211; cumprimento m\u00ednimo de 1\/6 (um sexto) da pena, se o condenado for prim\u00e1rio, e 1\/4 (um quarto), se reincidente; III &#8211; compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o Tribunal estadual fundamentou o indeferimento do benef\u00edcio de sa\u00edda tempor\u00e1ria com base no hist\u00f3rico penal que registra v\u00e1rias faltas disciplinares de natureza grave e m\u00e9dia, incluindo fuga registrada, anteriormente, quando no gozo do mesmo benef\u00edcio de sa\u00edda tempor\u00e1ria e, tamb\u00e9m, com base no parecer desfavor\u00e1vel da Comiss\u00e3o T\u00e9cnica de Classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, <strong>tanto as faltas graves consistentes em evas\u00f5es, fugas, e flagrante quanto o registro de comportamento evidenciam que a conduta do apenado durante a execu\u00e7\u00e3o penal n\u00e3o atende aos par\u00e2metros necess\u00e1rios para demonstrar seu senso de disciplina e responsabilidade<\/strong>, bem como a compatibilidade do benef\u00edcio com os objetivos da pena imposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao tema, a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que a autoriza\u00e7\u00e3o para sa\u00eddas tempor\u00e1rias leva em considera\u00e7\u00e3o o comportamento do sentenciado no cumprimento da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa esteira, o STJ tem entendido que &#8220;N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo, devendo ser analisado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado&#8221; (AgRg no HC 734.258\/SC, Relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 10\/6\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica limite temporal \u00e0 an\u00e1lise do requisito subjetivo para concess\u00e3o de sa\u00edda tempor\u00e1ria, devendo ser considerado todo o per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o da pena, a fim de se averiguar o m\u00e9rito do apenado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-im-possibilidade-do-medico-acionar-a-policia-para-investigar-paciente-que-procurou-atendimento-medico-hospitalar-por-ter-praticado-manobras-abortivas\"><a>17.&nbsp; (Im)Possibilidade do m\u00e9dico acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e9dico n\u00e3o pode acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, bem como de depor a respeito do fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson, m\u00e9dico rec\u00e9m-formado, atendia em uma unidade p\u00fablica de sa\u00fade, quando constatou que uma de suas pacientes, Ana, supostamente gr\u00e1vida de aproximadamente 16 semanas, teria realizado manobras abortivas em sua resid\u00eancia, mediante a ingest\u00e3o de medicamento abortivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson acionou a pol\u00edcia e foi tamb\u00e9m arrolado como testemunha na investiga\u00e7\u00e3o e consequente a\u00e7\u00e3o penal. Inconformada, a defesa de Ana impetrou HC no qual alega que o m\u00e9dico n\u00e3o poderia ter acionado a pol\u00edcia e revelado segredo decorrente da profiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;207.&nbsp;&nbsp;S\u00e3o proibidas de depor as pessoas que, em raz\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho.<\/p>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Omiss\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 269 &#8211; Deixar o m\u00e9dico de denunciar \u00e0 autoridade p\u00fablica doen\u00e7a cuja notifica\u00e7\u00e3o \u00e9 compuls\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de seis meses a dois anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-confidente-necessario\"><a>17.2.2. Confidente necess\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O trancamento da a\u00e7\u00e3o penal em sede de&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;\u00e9 medida excepcional, cab\u00edvel somente quando manifesta a atipicidade da conduta, causa extintiva de punibilidade ou aus\u00eancia de ind\u00edcios de autoria ou de prova sobre a materialidade do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o modo como ocorreu a descoberta do crime invalidou a persecu\u00e7\u00e3o penal. O m\u00e9dico que realizou o atendimento da paciente &#8211; a qual estaria supostamente gr\u00e1vida de aproximadamente 16 semanas e teria, em tese, realizado manobras abortivas em sua resid\u00eancia, mediante a ingest\u00e3o de medicamento abortivo &#8211; acionou a autoridade policial, figurando, inclusive, como testemunha da a\u00e7\u00e3o penal que resultou na pron\u00fancia da acusada.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 207 do C\u00f3digo de Processo Penal disp\u00f5e que &#8220;s\u00e3o proibidas de depor as pessoas que, em raz\u00e3o de fun\u00e7\u00e3o, minist\u00e9rio, of\u00edcio ou profiss\u00e3o, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho&#8221;. O m\u00e9dico que atendeu a paciente se encaixa na proibi\u00e7\u00e3o legal, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo de que tem conhecimento em raz\u00e3o da profiss\u00e3o intelectual, bem como de depor sobre o fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o sigilo profissional, o STJ j\u00e1 teve a oportunidade de decidir que, &#8220;<strong>O interesse p\u00fablico do sigilo profissional decorre do fato de se constituir em um elemento essencial \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 dignidade de certas categorias, e \u00e0 necessidade de se tutelar a confian\u00e7a nelas depositada, sem o que seria invi\u00e1vel o desempenho de suas fun\u00e7\u00f5es, bem como por se revelar em uma exig\u00eancia da vida e da paz social<\/strong>.&#8221; (RMS 9.612\/SP, Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, DJ 9\/11\/1998).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, tamb\u00e9m como raz\u00f5es de decidir, o C\u00f3digo de \u00c9tica M\u00e9dica (Resolu\u00e7\u00e3o CFM n. 2.217\/2018) enuncia que <strong>\u00e9 vedado ao m\u00e9dico &#8220;revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o<\/strong>&#8220;. N\u00e3o obstante existam exce\u00e7\u00f5es \u00e0 mencionada regra, nos casos de &#8220;motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente&#8221;, o art. 73, par\u00e1grafo \u00fanico, da citada Resolu\u00e7\u00e3o, prev\u00ea, de forma expressa, que a veda\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o permanece &#8220;na investiga\u00e7\u00e3o de suspeita de crime&#8221;, contexto em que o m\u00e9dico &#8220;estar\u00e1 impedido de revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal&#8221; (art. 73, par\u00e1grafo \u00fanico, &#8220;c&#8221;, da Resolu\u00e7\u00e3o CFM n. 2.217\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>o m\u00e9dico n\u00e3o possui, via de regra, o dever legal de comunicar a ocorr\u00eancia de fato criminoso ou mesmo de efetuar pris\u00e3o de qualquer indiv\u00edduo que se encontre em situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito<\/strong>. E, ainda, mesmo nos casos em que o m\u00e9dico possui o dever legal de comunicar determinado fato \u00e0 autoridade competente, como no contexto de doen\u00e7a cuja notifica\u00e7\u00e3o seja compuls\u00f3ria (art. 269 do CP), ainda assim \u00e9 vedada a remessa do prontu\u00e1rio m\u00e9dico do paciente (art. 2\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 1.605\/2000 do CFM).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, visto que a instaura\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial decorreu de provoca\u00e7\u00e3o da autoridade policial por parte do pr\u00f3prio m\u00e9dico, que al\u00e9m de ter sido indevidamente arrolado como testemunha, encaminhou o prontu\u00e1rio m\u00e9dico da paciente para a comprova\u00e7\u00e3o das afirma\u00e7\u00f5es, encontra-se contaminada a a\u00e7\u00e3o penal pelos elementos de informa\u00e7\u00e3o coletados de forma il\u00edcita, devendo ser trancada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>M\u00e9dico n\u00e3o pode acionar a pol\u00edcia para investigar paciente que procurou atendimento m\u00e9dico-hospitalar por ter praticado manobras abortivas, uma vez que se mostra como confidente necess\u00e1rio, estando proibido de revelar segredo do qual tem conhecimento, bem como de depor a respeito do fato como testemunha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-cabimento-da-remicao-da-pena-pela-aprovacao-no-exame-nacional-do-ensino-medio-enem\"><a>18.&nbsp; Cabimento da remi\u00e7\u00e3o da pena pela aprova\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio &#8211; ENEM<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o da pena pela aprova\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio &#8211; ENEM, ainda que o apenado j\u00e1 tenha conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio antes do encarceramento, exclu\u00eddo o acr\u00e9scimo de 1\/3 (um ter\u00e7o) com fundamento no art. 126, \u00a7 5\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 768.530-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 9\/3\/2023. (Info 767)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, apenado, obteve aprova\u00e7\u00e3o no ENEM. Sua defesa requereu a remi\u00e7\u00e3o de pena, o que foi negado em raz\u00e3o do fato do reeducando j\u00e1 possuir a certifica\u00e7\u00e3o de conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio conclu\u00eddo antes do in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o de sua pena.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 126.&nbsp; O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poder\u00e1 remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execu\u00e7\u00e3o da pena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp; A contagem de tempo referida no&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;ser\u00e1 feita \u00e0 raz\u00e3o de:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5<sup>o<\/sup>&nbsp; O tempo a remir em fun\u00e7\u00e3o das horas de estudo ser\u00e1 acrescido de 1\/3 (um ter\u00e7o) no caso de conclus\u00e3o do ensino fundamental, m\u00e9dio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que certificada pelo \u00f3rg\u00e3o competente do sistema de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-possivel-a-remicao\"><a>18.2.2. Poss\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Aparentemente, SIM!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, destaca-se que a aprova\u00e7\u00e3o no ENEM, a despeito de &#8220;n\u00e3o mais ocasionar a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio, configura aproveitamento dos estudos realizados durante a execu\u00e7\u00e3o da pena, conforme disp\u00f5em o art. 126 da LEP e a Recomenda\u00e7\u00e3o n. 44\/2013 do CNJ&#8221; (AgRg no HC 629.666\/SC, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 11\/2\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, <strong>o Superior Tribunal de Justi\u00e7a vinha entendendo n\u00e3o ser poss\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o da pena amparada na certifica\u00e7\u00e3o pelo ENEM quando o sentenciado j\u00e1 houvesse conclu\u00eddo essa etapa educacional antes da execu\u00e7\u00e3o penal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em recente julgamento ocorrido (REsp 1.854.391\/DF, Rel. Ministra Laurita Vaz, julgado em 22\/9\/2020, DJe 6\/10\/2020), decidiu a Sexta Turma que o direito \u00e0 remi\u00e7\u00e3o deve ser aplicado independentemente de o apenado ter conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio em momento anterior, uma vez que a aprova\u00e7\u00e3o no exame demandaria estudos por conta pr\u00f3pria, mesmo para aqueles que, fora do ambiente carcer\u00e1rio, j\u00e1 possu\u00edssem o referido grau de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O fato de o paciente j\u00e1 haver conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio antes do in\u00edcio da execu\u00e7\u00e3o da pena impede &#8220;apenas o acr\u00e9scimo de 1\/3 (um ter\u00e7o) no tempo a remir em fun\u00e7\u00e3o da conclus\u00e3o da etapa de ensino,<\/strong> afastando-se a incid\u00eancia do art. 126, \u00a7 5\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal&#8221; (REsp 1.854.391\/DF, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe 6\/10\/2020).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o da pena pela aprova\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio &#8211; ENEM, ainda que o apenado j\u00e1 tenha conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio antes do encarceramento, exclu\u00eddo o acr\u00e9scimo de 1\/3 (um ter\u00e7o) com fundamento no art. 126, \u00a7 5\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CUIDADO!!!! TEMA POL\u00caMICO E N\u00c3O PACIFICADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td>STJ. <strong>6\u00aa Turma<\/strong>. REsp 1.913.757-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 7\/2\/2023 (Info 764).<\/td><td>AgRg no HC 768.530-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, <strong>Sexta Turma<\/strong>, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 9\/3\/2023. (Info 767)<\/td><\/tr><tr><td><strong>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o penal por aprova\u00e7\u00e3o no ENEM ao reeducando que j\u00e1 havia conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio antes de ingressar no sistema prisional.<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>\u00c9 cab\u00edvel a remi\u00e7\u00e3o da pena pela aprova\u00e7\u00e3o no Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio &#8211; ENEM, ainda que o apenado j\u00e1 tenha conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio antes do encarceramento, exclu\u00eddo o acr\u00e9scimo de 1\/3 (um ter\u00e7o) com fundamento no art. 126, \u00a7 5\u00ba, da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/strong><strong><\/strong> &nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-im-possibilidade-da-antecipacao-de-prova-no-caso-de-depoimento-especial-de-adolescente-vitima-de-possivel-crime-sexual\"><a>19.&nbsp; (Im)Possibilidade da antecipa\u00e7\u00e3o de prova no caso de depoimento especial de adolescente v\u00edtima de poss\u00edvel crime sexual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justific\u00e1vel a antecipa\u00e7\u00e3o de prova no caso de depoimento especial de adolescente v\u00edtima de poss\u00edvel crime sexual &#8211; na forma da Lei n. 13.431\/2017 &#8211; pela relev\u00e2ncia da palavra da v\u00edtima em crimes dessa natureza e na sua urg\u00eancia pela falibilidade da mem\u00f3ria de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 6\/3\/2023, DJe 14\/3\/2023. <a>(Info 767)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirso foi acusado de ter praticado abuso sexual contra seu enteado de 14 anos, fatos presenciado pelo outro enteado de 11 anos. O MP requereu a produ\u00e7\u00e3o antecipada de prova consistente na tomada de depoimento de ambos. O pedido foi deferido e os depoimentos tomados.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Nirso interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta a nulidade da antecipa\u00e7\u00e3o de prova no caso de depoimento especial de adolescente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-a-medida-se-justifica\"><a>19.2.1. A medida se justifica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se h\u00e1 nulidade na prova j\u00e1 produzida em depoimento especial de crian\u00e7a e adolescente, sob a justificativa de falibilidade da mem\u00f3ria do menor.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, verifica-se que a prova que se buscava afastar j\u00e1 foi produzida, com a respectiva audi\u00eancia realizada.<\/p>\n\n\n\n<p>A prova produzida se mostrou pertinente em rela\u00e7\u00e3o ao caso concreto (dois depoimentos especiais: de v\u00edtima, com apenas 14 anos de idade, de crime de natureza sexual supostamente cometido pelo pr\u00f3prio padrasto e de testemunha que teria presenciado os fatos, com apenas 11 anos), foi devidamente requerida pela autoridade policial e deferida de forma fundamentada, tanto na sua relev\u00e2ncia (pela for\u00e7a probat\u00f3ria da palavra da v\u00edtima em crimes dessa natureza) e na sua urg\u00eancia (pela falibilidade da mem\u00f3ria de crian\u00e7as e adolescentes, em especial, quando repetidamente questionadas sobre os fatos).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tratava-se de <strong>prova ESSENCIAL e IRREPET\u00cdVEL pela pr\u00f3pria natureza<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-resultado-final\"><a>19.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 justific\u00e1vel a antecipa\u00e7\u00e3o de prova no caso de depoimento especial de adolescente v\u00edtima de poss\u00edvel crime sexual &#8211; na forma da Lei n. 13.431\/2017 &#8211; pela relev\u00e2ncia da palavra da v\u00edtima em crimes dessa natureza e na sua urg\u00eancia pela falibilidade da mem\u00f3ria de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-70c0ec7b-8a3d-4ab6-a540-30d8385edfd7\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/04\/18001316\/stj-informativo-767.pdf\">stj-informativo-767<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/04\/18001316\/stj-informativo-767.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-70c0ec7b-8a3d-4ab6-a540-30d8385edfd7\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 767 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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