{"id":1192667,"date":"2023-03-28T01:26:59","date_gmt":"2023-03-28T04:26:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1192667"},"modified":"2023-03-28T01:27:02","modified_gmt":"2023-03-28T04:27:02","slug":"informativo-stj-765-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-765-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 765 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Informativo n\u00ba 765 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/03\/28012644\/stj-765.pdf\" rel=\"sponsored nofollow\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_drl9QDXKyII\"><div id=\"lyte_drl9QDXKyII\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/drl9QDXKyII\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/drl9QDXKyII\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/drl9QDXKyII\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-abrangencia-da-internacao-domiciliar-em-substituicao-a-internacao-hospitalar\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Abrang\u00eancia da interna\u00e7\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio &#8211; insumos a que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.017.759-MS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, curador de Judite, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de MaisSa\u00fade pretendendo o custeio do tratamento m\u00e9dico na modalidade de <em>home care<\/em>, incluindo os insumos necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a operadora do plano de sa\u00fade sustenta n\u00e3o haver qualquer previs\u00e3o na Lei que imponha o dever das operadoras de planos de sa\u00fade em prestar atendimento domiciliar e que o <em>home care<\/em> seria uma liberalidade da operadora para pacientes que efetivamente apresentem necessidade do tratamento em regime de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, j\u00e1 que n\u00e3o possui cobertura contratual.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 12.&nbsp; S\u00e3o facultadas a oferta, a contrata\u00e7\u00e3o e a vig\u00eancia dos produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7 1o do art. 1o desta Lei, nas segmenta\u00e7\u00f5es previstas nos incisos I a IV deste artigo, respeitadas as respectivas amplitudes de cobertura definidas no plano-refer\u00eancia de que trata o art. 10, segundo as seguintes exig\u00eancias m\u00ednimas:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; quando incluir interna\u00e7\u00e3o hospitalar:<\/p>\n\n\n\n<p>c) cobertura de despesas referentes a honor\u00e1rios m\u00e9dicos, servi\u00e7os gerais de enfermagem e alimenta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>d)&nbsp;cobertura de exames complementares indispens\u00e1veis para o controle da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e elucida\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, fornecimento de medicamentos, anest\u00e9sicos, gases medicinais, transfus\u00f5es e sess\u00f5es de quimioterapia e radioterapia, conforme prescri\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente, realizados ou ministrados durante o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/p>\n\n\n\n<p>e)&nbsp;cobertura de toda e qualquer taxa, incluindo materiais utilizados, assim como da remo\u00e7\u00e3o do paciente, comprovadamente necess\u00e1ria, para outro estabelecimento hospitalar, dentro dos limites de abrang\u00eancia geogr\u00e1fica previstos no contrato, em territ\u00f3rio brasileiro; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>g)&nbsp;cobertura para tratamentos antineopl\u00e1sicos ambulatoriais e domiciliares de uso oral, procedimentos radioter\u00e1picos para tratamento de c\u00e2ncer e hemoterapia, na qualidade de procedimentos cuja necessidade esteja relacionada \u00e0 continuidade da assist\u00eancia prestada em \u00e2mbito de interna\u00e7\u00e3o hospitalar;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-a-internacao-em-home-care-deve-abranger-tambem-os-insumos\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A interna\u00e7\u00e3o em <em>home care<\/em> deve abranger tamb\u00e9m os insumos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na sa\u00fade suplementar, os Servi\u00e7os de Aten\u00e7\u00e3o Domiciliar &#8211; SAD, na modalidade de interna\u00e7\u00e3o domiciliar PODEM ser oferecidos pelas operadoras como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar. Somente o m\u00e9dico assistente do benefici\u00e1rio poder\u00e1 determinar se h\u00e1 ou n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar e a operadora n\u00e3o pode suspender uma interna\u00e7\u00e3o hospitalar pelo simples pedido de interna\u00e7\u00e3o domiciliar. <strong>Caso a operadora n\u00e3o concorde em oferecer o servi\u00e7o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, dever\u00e1 manter o benefici\u00e1rio internado at\u00e9 sua alta hospitalar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescenta-se a isso que, nos termos da jurisprud\u00eancia do STJ, &#8220;<strong>\u00e9 abusiva a cl\u00e1usula contratual que veda a interna\u00e7\u00e3o domiciliar (<em>home care<\/em>) como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando a operadora, por sua livre iniciativa ou por previs\u00e3o contratual, oferecer a interna\u00e7\u00e3o domiciliar como alternativa \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, o Servi\u00e7o de Aten\u00e7\u00e3o Domiciliar &#8211; SAD dever\u00e1 obedecer \u00e0s exig\u00eancias m\u00ednimas<\/strong> previstas na <a>Lei n. 9.656\/1998<\/a>, para os planos de segmenta\u00e7\u00e3o hospitalar, em especial o disposto nas al\u00edneas &#8220;c&#8221;, &#8220;d&#8221;, &#8220;e&#8221; e &#8220;g&#8221;, do inciso II do artigo 12 da referida Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dizer, a cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio, ou seja, aqueles insumos a que ele faria jus acaso estivesse internado no hospital, sob pena de DESVIRTUAMENTO da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios, e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sinal, o atendimento domiciliar deficiente, nessas hip\u00f3teses, levar\u00e1, ao fim e ao cabo, a novas interna\u00e7\u00f5es hospitalares, as quais obrigar\u00e3o a operadora, inevitavelmente, ao custeio integral de todos os procedimentos e eventos delas decorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o por outro motivo, a Terceira Turma, no julgamento do REsp 1.378.707\/RJ (julgado em 26\/5\/2015, DJe 15\/6\/2015), decidiu, \u00e0 unanimidade, que &#8220;nos contratos de plano de sa\u00fade sem contrata\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, o servi\u00e7o de interna\u00e7\u00e3o domiciliar (<em>home care<\/em>) pode ser utilizado em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, desde que observados certos requisitos como a indica\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico assistente, a concord\u00e2ncia do paciente e a n\u00e3o afeta\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio contratual nas hip\u00f3teses em que o custo do atendimento domiciliar por dia supera o custo di\u00e1rio em hospital&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva assist\u00eancia m\u00e9dica ao benefici\u00e1rio &#8211; insumos a que ele faria jus caso estivesse internado no hospital -, sob pena de desvirtuamento da finalidade do atendimento em domic\u00edlio, de comprometimento de seus benef\u00edcios e da sua subutiliza\u00e7\u00e3o enquanto tratamento de sa\u00fade substitutivo \u00e0 perman\u00eancia em hospital.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-validade-do-o-negocio-juridico-firmado-por-diretor-geral-de-clube-de-futebol-quando-atuar-em-nome-e-no-interesse-do-clube-em-negocio-juridico-que-lhe-gerou-proveito-economico-ainda-que-nao-tenha-poderes-para-representa-lo\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Validade do o neg\u00f3cio jur\u00eddico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol quando atuar em nome e no interesse do clube, em neg\u00f3cio jur\u00eddico que lhe gerou proveito econ\u00f4mico, ainda que n\u00e3o tenha poderes para represent\u00e1-lo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lido o neg\u00f3cio jur\u00eddico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol, por aplica\u00e7\u00e3o da Teoria da apar\u00eancia, quando atuar em nome e no interesse do clube, em neg\u00f3cio jur\u00eddico que lhe gerou proveito econ\u00f4mico, ainda que n\u00e3o tenha poderes para represent\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.902.410-MG, Rel. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023, DJe 3\/3\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Bicuda Futebol Club assinou Termo de Compromisso por meio do qual o jogador Moacir foi apresentado ao clube e nele efetivamente atuou, tendo sido posteriormente negociado a outro clube. Por\u00e9m, o signat\u00e1rio, Diretor-geral do Futebol de Base n\u00e3o tinha poderes para representar o clube, mas ainda assim atuou em nome e no interesse deste, em neg\u00f3cio jur\u00eddico que lhe gerou proveito econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>O jogador foi posteriormente revendido, mas na hora de pagar o valor combinado \u00e0 empresa que representava o atleta, o clube alegou a nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 47. Obrigam a pessoa jur\u00eddica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-valido-o-negocio-realizado\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00e1lido o neg\u00f3cio realizado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o controvertida versa acerca da possibilidade de se exigir de pessoa jur\u00eddica o cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o prevista em contrato firmado por pessoa que, embora sua funcion\u00e1ria, n\u00e3o tem, \u00e0 luz de seu Estatuto Social, poderes para represent\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 47 do C\u00f3digo Civil, como regra, as pessoas jur\u00eddicas apenas se obrigam pelos atos de seus administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o clube de futebol assinou Termo de Compromisso por meio do qual o jogador foi apresentado ao clube e nele efetivamente atuou, tendo sido posteriormente negociado a outro clube. Por\u00e9m, tal dispositivo legal, nos termos do Enunciado n. 145 da III Jornada de Direito Civil, n\u00e3o afasta a Teoria da Apar\u00eancia na situa\u00e7\u00e3o, porquanto o signat\u00e1rio, Diretor-geral do Futebol de Base, atuou em nome e no interesse do clube, em neg\u00f3cio jur\u00eddico que lhe gerou proveito econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina corrobora que, &#8220;<strong>de fato, afigura-se merecedora de tutela a confian\u00e7a leg\u00edtima investida por terceiro diante de circunst\u00e2ncias objetivas que indiquem que a pessoa que celebra o neg\u00f3cio em nome da pessoa jur\u00eddica efetivamente possui poderes para faz\u00ea-lo. Nesse caso, a pessoa jur\u00eddica restar\u00e1 vinculada \u00e0 conduta do administrador APARENTE, tal qual ocorreria se celebrado por administrador regularmente dotado de poderes<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, RAZO\u00c1VEL que o instrumento contratual em quest\u00e3o, referente a jovem e promissor talento futebol\u00edstico, pudesse ser assinado pelo Diretor-geral do Futebol de Base, especialmente quando o documento parece ter sido confeccionado pelo pr\u00f3prio clube.<\/p>\n\n\n\n<p>O<strong> Clube suscita, perante terceiros, a nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico por ofensa ao pr\u00f3prio Estatuto Social quando, em verdade, ele pr\u00f3prio acabou por se aproveitar economicamente desse contrato, o que demonstra efetivo comportamento contradit\u00f3rio<\/strong> e, portanto, contr\u00e1rio \u00e0 boa-f\u00e9 objetiva ao tentar impor a seu contratante a observ\u00e2ncia de norma prevista em seu Estatuto Social que foi por ele pr\u00f3prio descumprida, v\u00edcio que n\u00e3o pode ser invocado por quem lhe deu causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e0quele que deu causa ao v\u00edcio n\u00e3o \u00e9 dado invoc\u00e1-lo para arguir a nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico. Logo, a aplica\u00e7\u00e3o da &#8216;teoria dos atos pr\u00f3prios&#8217;, como concre\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva, segundo a qual a ningu\u00e9m \u00e9 l\u00edcito fazer valer um direito em contradi\u00e7\u00e3o com a sua conduta anterior ou posterior interpretada objetivamente, segundo a lei, os bons costumes e a boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lido o neg\u00f3cio jur\u00eddico firmado por Diretor-geral de Clube de Futebol, por aplica\u00e7\u00e3o da Teoria da apar\u00eancia, quando atuar em nome e no interesse do clube, em neg\u00f3cio jur\u00eddico que lhe gerou proveito econ\u00f4mico, ainda que n\u00e3o tenha poderes para represent\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-im-possibilidade-de-compartilhamento-de-direitos-economicos-relativos-a-atleta-profissional-de-futebol-por-meio-de-cessao-civil-por-entidade-de-pratica-desportiva\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de compartilhamento de direitos econ\u00f4micos relativos \u00e0 atleta profissional de futebol por meio de cess\u00e3o civil por entidade de pr\u00e1tica desportiva<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO EM SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O compartilhamento de direitos econ\u00f4micos relativos a atleta profissional de futebol por meio de cess\u00e3o civil por entidade de pr\u00e1tica desportiva n\u00e3o \u00e9 vedado pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de Justi\u00e7a, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Moacir, atleta profissional de futebol, teve seus direitos econ\u00f4micos compartilhados por meio de cess\u00e3o civil por entidade de pr\u00e1tica desportiva. Foi realizada a cess\u00e3o de cr\u00e9dito sobre 10% (dez por cento) dos direitos econ\u00f4micos relacionados com a opera\u00e7\u00e3o, ou seja, percentual sobre a expectativa do valor que seria recebido a t\u00edtulo de cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria em raz\u00e3o da transfer\u00eancia do v\u00ednculo desportivo do atleta para o clube estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, ap\u00f3s a venda, o clube passou a questionar a validade da cess\u00e3o, alegando a veda\u00e7\u00e3o para tanto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Processo sob segredo de Justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.615\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27-B.&nbsp; S\u00e3o nulas de pleno direito as cl\u00e1usulas de contratos firmados entre as entidades de pr\u00e1tica desportiva e terceiros, ou entre estes e atletas, que possam intervir ou influenciar nas transfer\u00eancias de atletas ou, ainda, que interfiram no desempenho do atleta ou da entidade de pr\u00e1tica desportiva, exceto quando objeto de acordo ou conven\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 27-C.&nbsp; S\u00e3o nulos de pleno direito os contratos firmados pelo atleta ou por seu representante legal com agente desportivo, pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, bem como as cl\u00e1usulas contratuais ou de instrumentos procurat\u00f3rios que:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; resultem v\u00ednculo desportivo;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; impliquem vincula\u00e7\u00e3o ou exig\u00eancia de receita total ou parcial exclusiva da entidade de pr\u00e1tica desportiva, decorrente de transfer\u00eancia nacional ou internacional de atleta, em vista da exclusividade de que trata o inciso I do art. 28;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; restrinjam a liberdade de trabalho desportivo;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; estabele\u00e7am obriga\u00e7\u00f5es consideradas abusivas ou desproporcionais;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; infrinjam os princ\u00edpios da boa-f\u00e9 objetiva ou do fim social do contrato; ou&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; versem sobre o gerenciamento de carreira de atleta em forma\u00e7\u00e3o com idade inferior a 18 (dezoito) anos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28.&nbsp; A atividade do atleta profissional \u00e9 caracterizada por remunera\u00e7\u00e3o pactuada em contrato especial de trabalho desportivo, firmado com entidade de pr\u00e1tica desportiva, no qual dever\u00e1 constar, obrigatoriamente:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria desportiva, devida exclusivamente \u00e0 entidade de pr\u00e1tica desportiva \u00e0 qual est\u00e1 vinculado o atleta, nas seguintes hip\u00f3teses:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 12.395, de 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>a) transfer\u00eancia do atleta para outra entidade, nacional ou estrangeira, durante a vig\u00eancia do contrato especial de trabalho desportivo; ou<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; cl\u00e1usula compensat\u00f3ria desportiva, devida pela entidade de pr\u00e1tica desportiva ao atleta, nas hip\u00f3teses dos incisos III a V do \u00a7 5\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba S\u00e3o solidariamente respons\u00e1veis pelo pagamento da cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria desportiva de que trata o inciso I do caput deste artigo o atleta e a nova entidade de pr\u00e1tica desportiva empregadora.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-vedada-a-cessao\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vedada a cess\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>T\u00e1 velendo!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia busca definir a diferen\u00e7a entre direitos federativos e direitos econ\u00f4micos e se o compartilhamento dos \u00faltimos por meio de cess\u00e3o civil pela entidade de pr\u00e1tica desportiva a terceiro importaria viola\u00e7\u00e3o dos arts. 27-B, 27-C e 28, inciso II, da <a>Lei n. 9.615\/1998<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os direitos federativos est\u00e3o relacionados ao v\u00ednculo desportivo do atleta com a entidade de pr\u00e1tica desportiva, acess\u00f3rio ao v\u00ednculo empregat\u00edcio, e s\u00e3o constitu\u00eddos com o registro do contrato especial de trabalho desportivo na entidade de administra\u00e7\u00e3o do desporto<\/strong>, como disp\u00f5e o art. 28, \u00a7 5\u00ba, da Lei n. 9.615\/1998. S\u00e3o indivis\u00edveis, embora possam ser transferidos a t\u00edtulo oneroso ou gratuito, na \u00faltima hip\u00f3tese, como ocorre nos casos de empr\u00e9stimo de atletas, regulado pelo art. 39 da referida lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Os direitos econ\u00f4micos decorrem da obrigatoriedade de se estabelecer cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria nos contratos de trabalho desportivo, podendo tal cl\u00e1usula ser juridicamente enquadrada como expectativa de direito.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se nega que sejam as cl\u00e1usulas indenizat\u00f3ria e compensat\u00f3ria desportivas devidas exclusivamente \u00e0 entidade de pr\u00e1tica desportiva ou ao atleta. O que ocorre \u00e9 que esses direitos s\u00e3o tratados nessas opera\u00e7\u00f5es como expectativa de direitos, em momento antecedente aos requisitos que os constituem como devidos, e que podem ou n\u00e3o ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse aspecto, <strong>a negocia\u00e7\u00e3o de tal expectativa de direitos se dar\u00e1 nas hip\u00f3teses do art. 28, I, &#8220;a&#8221;, da Lei n. 9.615\/1998, ou seja, quando houver transfer\u00eancia do atleta durante a vig\u00eancia do contrato de trabalho desportivo<\/strong>, sendo denominada nesse mercado como &#8220;direitos econ\u00f4micos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tempo dos fatos, os chamados direitos econ\u00f4micos eram negociados tanto com clubes como com investidores e outros interessados, em opera\u00e7\u00f5es relativas \u00e0 transfer\u00eancia do v\u00ednculo desportivo, mas que tinham por objeto o futuro e incerto recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o prevista na cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria, obrigat\u00f3ria por for\u00e7a da lei para essa esp\u00e9cie de contrato de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o atleta e a nova entidade de pr\u00e1tica desportiva empregadora s\u00e3o solidariamente respons\u00e1veis pelo pagamento da cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria desportiva, conforme \u00a7 2\u00ba do art. 28 da Lei n. 9.615\/1998, <strong>o interesse em opera\u00e7\u00f5es dessa natureza decorre exatamente do contexto do mercado envolvido.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os atletas originalmente vinculam-se desportivamente a entidades que realizam sua forma\u00e7\u00e3o e, com o passar do tempo e o desenvolvimento de seus talentos, a expectativa de que a cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria alcance cifras expressivas torna a expectativa desse direito de receb\u00ea-la altamente atrativa aos clubes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, embora os clubes sejam os titulares do direito ao recebimento dos valores previstos na cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria, o mercado desportivo organizou-se de modo a tornar a expectativa desse direito um ativo relevante e negoci\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidente que a pr\u00f3pria l\u00f3gica do neg\u00f3cio parece desvirtuar a raz\u00e3o pela qual s\u00e3o previstas cl\u00e1usulas indenizat\u00f3rias. \u00c9 dizer, o pr\u00f3prio clube supostamente prejudicado pelo descumprimento contratual \u00e9 que na maioria das vezes negocia a transfer\u00eancia do v\u00ednculo federativo do atleta antes do t\u00e9rmino do contrato de trabalho e, por consequ\u00eancia, os direitos econ\u00f4micos correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que atualmente esses neg\u00f3cios s\u00f3 possam ser entabulados entre entidades de pr\u00e1tica desportiva, contexto diverso daquele existente na \u00e9poca da opera\u00e7\u00e3o, o certo \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 veda\u00e7\u00e3o legal \u00e0 cess\u00e3o de direitos econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, no caso, a cess\u00e3o de cr\u00e9dito sobre 10% (dez por cento) dos direitos econ\u00f4micos relacionados com a opera\u00e7\u00e3o, ou seja, percentual sobre a expectativa do valor que seria recebido a t\u00edtulo de cl\u00e1usula indenizat\u00f3ria em raz\u00e3o da transfer\u00eancia do v\u00ednculo desportivo do atleta para o clube estrangeiro continuou h\u00edgida, sendo v\u00e1lida e eficaz em rela\u00e7\u00e3o ao clube recorrente, sem que se possa falar em viola\u00e7\u00e3o dos arts. 27-B, 27-C e 28, inciso II, da Lei n. 9.615\/1998.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O compartilhamento de direitos econ\u00f4micos relativos a atleta profissional de futebol por meio de cess\u00e3o civil por entidade de pr\u00e1tica desportiva n\u00e3o \u00e9 vedado pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-suspensao-do-cumprimento-de-sentenca-em-virtude-da-ausencia-de-bens-passiveis-de-excussao-por-longo-periodo-de-tempo-sem-diligencia-por-parte-do-credor-e-supressio\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor e <em>supressio<\/em><\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor, n\u00e3o configura supressio, de modo que n\u00e3o obsta a flu\u00eancia dos juros e da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.717.144-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o movida pelo Banco Brasa em face de Creosvaldo, o tribunal local entendeu que a ina\u00e7\u00e3o do exequente foi significativa na convic\u00e7\u00e3o de que o direito n\u00e3o mais se exerceria \u2014 isso porque o banco deixou o processo longo tempo parado enquanto n\u00e3o se achavam bens penhor\u00e1veis. Como consequ\u00eancia, o juiz\u00e3o excluiu do montante devido os juros e atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desde o momento da suspens\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o Banco interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando n\u00e3o ser poss\u00edvel a configura\u00e7\u00e3o da <em>supressio<\/em> nas hip\u00f3teses em que, no processo de execu\u00e7\u00e3o, o feito permanece suspenso por longo per\u00edodo de tempo em virtude da falta de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 422. Os contratantes s\u00e3o obrigados a guardar, assim na conclus\u00e3o do contrato, como em sua execu\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios de probidade e boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-configurada-a-supressio\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Configurada a <em>supressio<\/em>?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem, malgrado tenha afastado a prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, ou seja, tenha reconhecido que a flu\u00eancia do tempo n\u00e3o extinguira a pretens\u00e3o do exequente, identificou que a ina\u00e7\u00e3o do exequente foi significativa na convic\u00e7\u00e3o de que o direito n\u00e3o mais se exerceria. Como consequ\u00eancia, excluiu do montante devido os juros e atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria desde o momento da suspens\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;n\u00e3o se confunde com a extin\u00e7\u00e3o dos direitos, de exig\u00eancia ou formativos, pela prescri\u00e7\u00e3o ou pela decad\u00eancia<\/strong>, embora tais institutos tenham como ponto comum seu fundamento na necessidade de estabiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;consubstancia-se na impossibilidade de se exercer um direito por parte de seu titular em raz\u00e3o de seu n\u00e3o exerc\u00edcio por certo per\u00edodo vari\u00e1vel de tempo e que, em raz\u00e3o dessa omiss\u00e3o, gera da parte contr\u00e1ria uma expectativa leg\u00edtima de que n\u00e3o seria mais exig\u00edvel. Portanto, pelo n\u00e3o exerc\u00edcio do direito pass\u00edvel de ser exercido por um lapso temporal &#8211; n\u00e3o determin\u00e1vel&nbsp;<em>a priori<\/em>&nbsp;&#8211; a outra parte da rela\u00e7\u00e3o obrigacional confia que a situa\u00e7\u00e3o se estabilizou e que n\u00e3o ser\u00e1 compelida a cumpri-la, revelando-se, pois, certo abrandamento do princ\u00edpio&nbsp;<em>pacta sunt servanda<\/em>, n\u00e3o mais tomado no sentido absoluto t\u00edpico de sua formula\u00e7\u00e3o liberal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1, por conseguinte, um deslocamento do eixo meramente temporal e, em decorr\u00eancia, subjetivamente indiferente, para a an\u00e1lise da omiss\u00e3o do credor distendida no tempo e do correlato efeito quanto \u00e0 expectativa do devedor na preserva\u00e7\u00e3o da estabilidade jur\u00eddica<\/strong> gerada por aquele comportamento. A omiss\u00e3o, portanto, ganha relev\u00e2ncia jur\u00eddica ao provocar na outra parte a convic\u00e7\u00e3o de que o direito subjetivo n\u00e3o mais ser\u00e1 exercido.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para a configura\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;e a decorrente perda do direito subjetivo de exig\u00eancia ou formativo, deve-se perquirir, concretamente, acerca da relev\u00e2ncia jur\u00eddica da omiss\u00e3o da parte e de sua repercuss\u00e3o na convic\u00e7\u00e3o da outra parte, confiante de que o direito n\u00e3o ser\u00e1 exercido. Torna-se patente, por conseguinte, que o instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>&nbsp;constitui fragmento do princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva, em sua fei\u00e7\u00e3o limitadora de direitos e, por esse motivo, \u00e9 tratado pela doutrina como o exerc\u00edcio inadmiss\u00edvel de direitos. Embora reconhecido pela jurisprud\u00eancia antes mesmo de sua previs\u00e3o normativa, atualmente o princ\u00edpio da boa-f\u00e9 objetiva tem assento no art. 422 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Contrariamente, na prescri\u00e7\u00e3o &#8211; extin\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o &#8211; e na decad\u00eancia &#8211; extin\u00e7\u00e3o do direito potestativo ou formativo &#8211; n\u00e3o h\u00e1 que se indagar acerca da observ\u00e2ncia da boa-f\u00e9 ou do dever de lealdade ou confian\u00e7a, porquanto seu elemento operativo \u00e9 a simples flu\u00eancia do tempo legalmente determinado. Assim, independentemente da conduta do credor, o mero transcurso do tempo implicar\u00e1 a extin\u00e7\u00e3o do direito de seu titular.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, o desenvolvimento do instituto da&nbsp;<em>supressio<\/em>, como de outros relacionados \u00e0 inadmissibilidade do exerc\u00edcio de direitos, liga-se exatamente ao fen\u00f4meno inflacion\u00e1rio e ao abrandamento do princ\u00edpio do nominalismo, para, com fundamento na boa-f\u00e9 em sua vertente objetiva, interferir no cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso presente, contudo, a&nbsp;<em>supressio&nbsp;<\/em>n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o, porquanto n\u00e3o se permite o reconhecimento de que a suspens\u00e3o do processo de execu\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de bens, tenha incutido no executado a expectativa leg\u00edtima de que n\u00e3o seria mais exercido. Ora, o direito do exequente foi efetivamente exercido ao ajuizar a a\u00e7\u00e3o e ao ser dado in\u00edcio ao cumprimento da senten\u00e7a transitada em julgado. Conquanto determinadas vicissitudes a que est\u00e3o sujeitos os processos judiciais possam implicar delongas em seu desenvolvimento ou mesmo na concretiza\u00e7\u00e3o do direito das partes, tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o podem ser consideradas verdadeiramente significativas, de modo a qualificar uma omiss\u00e3o como relevante para a extin\u00e7\u00e3o do direito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos tais, o exequente permanece em uma situa\u00e7\u00e3o de espera, e o elemento significativo para a circunst\u00e2ncia da suspens\u00e3o do processo &#8211; e o protraimento da concretiza\u00e7\u00e3o do direito reconhecido na senten\u00e7a &#8211; n\u00e3o \u00e9 sua omiss\u00e3o, mas a aus\u00eancia de patrim\u00f4nio pass\u00edvel de excuss\u00e3o para o adimplemento da obriga\u00e7\u00e3o. Infere-se, pois, que n\u00e3o se pode caracterizar a relev\u00e2ncia jur\u00eddica da paralisa\u00e7\u00e3o do processo como causa para a extin\u00e7\u00e3o do direito, integral ou parcialmente, pela ocorr\u00eancia da&nbsp;<em>supressio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A suspens\u00e3o do cumprimento de senten\u00e7a, em virtude da aus\u00eancia de bens pass\u00edveis de excuss\u00e3o, por longo per\u00edodo de tempo, sem dilig\u00eancia por parte do credor, n\u00e3o configura <em>supressio<\/em>, de modo que n\u00e3o obsta a flu\u00eancia dos juros e da corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-i-licitude-da-peca-publicitaria-em-que-o-fabricante-ou-o-prestador-de-servico-se-autoavalia-como-o-melhor-naquilo-que-faz\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Licitude da pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcita a pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz, pr\u00e1tica caracterizada como puffing (n\u00e3o il\u00edcita).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.759.745-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Unilever, dona da marca de maionese Helmann\u00b4s, acionou o CADE para determinar a suspens\u00e3o do uso das express\u00f5es \u201cHeinz, o ketchup mais consumido do mundo\u201d e \u201cHeinz, melhor em tudo o que faz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Heinz Brasil ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando a ilegalidade da suspens\u00e3o. A senten\u00e7a considerou as express\u00f5es l\u00edcitas, mas determinou que a frase referente ao maior consumo fosse acompanhada de fonte de pesquisa que confirmasse a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Unilever interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que a utiliza\u00e7\u00e3o de tais express\u00f5es seria propaganda enganosa. Alega ainda que a frase \u201cmelhor em tudo o que faz\u201d n\u00e3o seria pass\u00edvel de medi\u00e7\u00e3o objetiva pelo consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37. \u00c9 proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei da Propriedade Industrial:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 195. Comete crime de concorr\u00eancia desleal quem:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; publica, por qualquer meio, falsa afirma\u00e7\u00e3o, em detrimento de concorrente, com o fim de obter vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; presta ou divulga, acerca de concorrente, falsa informa\u00e7\u00e3o, com o fim de obter vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; emprega meio fraudulento, para desviar, em proveito pr\u00f3prio ou alheio, clientela de outrem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; usa express\u00e3o ou sinal de propaganda alheios, ou os imita, de modo a criar confus\u00e3o entre os produtos ou estabelecimentos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; usa, indevidamente, nome comercial, t\u00edtulo de estabelecimento ou ins\u00edgnia alheios ou vende, exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda ou tem em estoque produto com essas refer\u00eancias;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; substitui, pelo seu pr\u00f3prio nome ou raz\u00e3o social, em produto de outrem, o nome ou raz\u00e3o social deste, sem o seu consentimento;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; atribui-se, como meio de propaganda, recompensa ou distin\u00e7\u00e3o que n\u00e3o obteve;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VIII &#8211; vende ou exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda, em recipiente ou inv\u00f3lucro de outrem, produto adulterado ou falsificado, ou dele se utiliza para negociar com produto da mesma esp\u00e9cie, embora n\u00e3o adulterado ou falsificado, se o fato n\u00e3o constitui crime mais grave;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IX &#8211; d\u00e1 ou promete dinheiro ou outra utilidade a empregado de concorrente, para que o empregado, faltando ao dever do emprego, lhe proporcione vantagem;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>X &#8211; recebe dinheiro ou outra utilidade, ou aceita promessa de paga ou recompensa, para, faltando ao dever de empregado, proporcionar vantagem a concorrente do empregador;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XI &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de conhecimentos, informa\u00e7\u00f5es ou dados confidenciais, utiliz\u00e1veis na ind\u00fastria, com\u00e9rcio ou presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, exclu\u00eddos aqueles que sejam de conhecimento p\u00fablico ou que sejam evidentes para um t\u00e9cnico no assunto, a que teve acesso mediante rela\u00e7\u00e3o contratual ou empregat\u00edcia, mesmo ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XII &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de conhecimentos ou informa\u00e7\u00f5es a que se refere o inciso anterior, obtidos por meios il\u00edcitos ou a que teve acesso mediante fraude; ou<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XIII &#8211; vende, exp\u00f5e ou oferece \u00e0 venda produto, declarando ser objeto de patente depositada, ou concedida, ou de desenho industrial registrado, que n\u00e3o o seja, ou menciona-o, em an\u00fancio ou papel comercial, como depositado ou patenteado, ou registrado, sem o ser;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>XIV &#8211; divulga, explora ou utiliza-se, sem autoriza\u00e7\u00e3o, de resultados de testes ou outros dados n\u00e3o divulgados, cuja elabora\u00e7\u00e3o envolva esfor\u00e7o consider\u00e1vel e que tenham sido apresentados a entidades governamentais como condi\u00e7\u00e3o para aprovar a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-tudo-certo-arnaldo\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a determinar se configuraria propaganda enganosa ou concorr\u00eancia desleal a utiliza\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>claim<\/em>&nbsp;&#8220;Melhor em tudo o que faz&#8221;, pois seria uma informa\u00e7\u00e3o pass\u00edvel de medi\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa express\u00e3o caracteriza-se como&nbsp;<em>puffing<\/em>, sendo forma de publicidade que utiliza o exagero publicit\u00e1rio como m\u00e9todo de convencimento dos consumidores<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A respeito deste m\u00e9todo publicit\u00e1rio, a doutrina aponta que &#8220;haver\u00e1 muitos casos em que o&nbsp;<em>puffing<\/em>, ainda que utilizado intencionalmente para atrair o consumidor incauto, acaba n\u00e3o podendo ser capaz de tornar enganoso o an\u00fancio. Isso \u00e9 muito comum nos casos dos aspectos subjetivos t\u00edpicos dos produtos ou servi\u00e7os: quando se diz que \u00e9 o &#8216;mais gostoso&#8217;; tenha &#8216;o melhor paladar&#8217;; &#8216;o melhor sabor&#8217;; &#8216;o lugar mais aconchegante&#8217;; &#8216;o mais acolhedor&#8217;; &#8216;a melhor com\u00e9dia&#8217;; &#8216;o filme do ano&#8217;; etc. Como tais afirma\u00e7\u00f5es dependem de uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica (ou n\u00e3o) subjetiva de cada consumidor, fica dif\u00edcil, sen\u00e3o imposs\u00edvel, atribuir de fato a possibilidade da prova da verdade da afirma\u00e7\u00e3o. <strong>Afinal, gosto \u00e9 dif\u00edcil de discutir<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, de acordo com o exposto nas raz\u00f5es do especial, as pe\u00e7as publicit\u00e1rias dariam a entender ser o seu produto melhor do que outros em rela\u00e7\u00e3o aos atributos cor, consist\u00eancia e sabor, e, por esse motivo, a ocorr\u00eancia de propaganda enganosa, bem como concorr\u00eancia desleal capazes de violar, respectivamente, o art. 37 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e o art. 195 da Lei da Propriedade Industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel proibir o fabricante ou prestador de servi\u00e7o de se autoproclamar o melhor naquilo que faz, mormente porque essa \u00e9 a autoavalia\u00e7\u00e3o do seu produto e a meta a ser alcan\u00e7ada, ainda mais quando n\u00e3o h\u00e1 nenhuma mensagem depreciativa no tocante aos seus concorrentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, <strong>a empresa concorrente, em sua argumenta\u00e7\u00e3o, realiza uma excessiva infantiliza\u00e7\u00e3o do consumidor m\u00e9dio brasileiro<\/strong>, como se a partir de determinada pe\u00e7a publicit\u00e1ria tudo fosse levado ao p\u00e9 da letra, ignorando a relev\u00e2ncia das prefer\u00eancias pessoais, bem como a an\u00e1lise subjetiva de custo-benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se, desse modo, que os exemplos indicados pela doutrina como de&nbsp;<em>puffing<\/em>&nbsp;se amoldam perfeitamente \u00e0 hip\u00f3tese&nbsp;<em>sub judice<\/em>, qual seja, uma afirma\u00e7\u00e3o exagerada que depende de uma avalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica subjetiva para averigua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensura\u00e7\u00e3o objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, caso se considere existir conte\u00fado comparativo na express\u00e3o entre o produto de uma empresa e os demais da mesma esp\u00e9cie oferecidos no mercado, o entendimento do STJ firmou-se no sentido de admitir a publicidade comparativa, desde que obede\u00e7a ao princ\u00edpio da veracidade das informa\u00e7\u00f5es, seja objetiva e n\u00e3o abusiva. <strong>A propaganda ilegal \u00e9 aquela que induz em erro o consumidor, causando confus\u00e3o entre as marcas, ocorrendo de maneira a depreciar a marca do concorrente, com o consequente desvio de sua clientela, prestando informa\u00e7\u00f5es falsas e n\u00e3o objetivas<\/strong> (REsp 1.377.911\/SP, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 2\/10\/2014, DJe 19\/12\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, na express\u00e3o veiculada nas propagandas comerciais, nenhuma deprecia\u00e7\u00e3o aos produtos de suas concorrentes, apenas exorta\u00e7\u00e3o ao seu pr\u00f3prio, o que n\u00e3o \u00e9 vedado pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 L\u00cdCITA a utiliza\u00e7\u00e3o da frase &#8220;Melhor em tudo o que faz&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 l\u00edcita a pe\u00e7a publicit\u00e1ria em que o fabricante ou o prestador de servi\u00e7o se autoavalia como o melhor naquilo que faz, pr\u00e1tica caracterizada como puffing.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-sentenca-que-reconhece-a-usucapiao-determina-a-liquidacao-para-individualizar-a-area-usucapida-ainda-que-nao-haja-pedido-expresso-na-inicial-e-sentenca-extra-petita\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Senten\u00e7a que reconhece a usucapi\u00e3o, determina a liquida\u00e7\u00e3o para individualizar a \u00e1rea usucapida, ainda que n\u00e3o haja pedido expresso na inicial e senten\u00e7a extra petita.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o configura decis\u00e3o extra petita a senten\u00e7a que, reconhecendo a usucapi\u00e3o, determina a liquida\u00e7\u00e3o para individualizar a \u00e1rea usucapida, ainda que n\u00e3o haja pedido expresso na inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.802.192-MG, Rel. Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/12\/2022, DJe 15\/12\/2022. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o, a senten\u00e7a reconheceu o direito e determinou a liquida\u00e7\u00e3o para individualizar a \u00e1rea usucapida, ainda que n\u00e3o houvesse pedido expresso na inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Craudio, parte r\u00e9 no processo, interp\u00f4s sucessivos recursos alegando que tal determina\u00e7\u00e3o configuraria decis\u00e3o extra petita.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 141. O juiz decidir\u00e1 o m\u00e9rito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de quest\u00f5es n\u00e3o suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 492. \u00c9 vedado ao juiz proferir decis\u00e3o de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. A decis\u00e3o deve ser certa, ainda que resolva rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica condicional.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrup\u00e7\u00e3o, nem oposi\u00e7\u00e3o, possuir como seu um im\u00f3vel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de t\u00edtulo e boa-f\u00e9; podendo requerer ao juiz que assim o declare por senten\u00e7a, a qual servir\u00e1 de t\u00edtulo para o registro no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-\u00e1 a dez anos se o possuidor houver estabelecido no im\u00f3vel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou servi\u00e7os de car\u00e1ter produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.241. Poder\u00e1 o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapi\u00e3o, a propriedade im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A declara\u00e7\u00e3o obtida na forma deste artigo constituir\u00e1 t\u00edtulo h\u00e1bil para o registro no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-extra-petita\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Extra petita?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 492 do C\u00f3digo de Processo Civil,<strong> \u00e9 vedado ao juiz proferir decis\u00e3o de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o mesmo diploma legal, no art. 141, disp\u00f5e que &#8220;o juiz decidir\u00e1 o m\u00e9rito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer de quest\u00f5es n\u00e3o suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed se reconhece que a atua\u00e7\u00e3o de of\u00edcio do magistrado que ultrapassa os limites do pedido inicial enseja decis\u00e3o&nbsp;<em>extra petita<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O STJ j\u00e1 definiu que n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o dos limites da causa quando o julgador reconhece os pedidos impl\u00edcitos formulados na peti\u00e7\u00e3o inicial<\/strong>, n\u00e3o estando restrito ao que est\u00e1 expresso no cap\u00edtulo referente aos pedidos, sendo-lhe permitido extrair da interpreta\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-sistem\u00e1tica da peti\u00e7\u00e3o inicial aquilo que a parte pretende obter, aplicando o princ\u00edpio da equidade (AgInt no REsp 1.823.194\/SP, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 14\/2\/2022, DJe 17\/2\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, para compreender os limites do pedido, \u00e9 preciso tamb\u00e9m interpretar a inten\u00e7\u00e3o da parte com a instaura\u00e7\u00e3o da demanda. Assim, n\u00e3o \u00e9&nbsp;<em>extra petita<\/em>&nbsp;o julgado que decide quest\u00e3o que \u00e9 reflexo do pedido deduzido na inicial. Supera-se a ideia da absoluta congru\u00eancia entre o pedido e a senten\u00e7a para outorgar a tutela jurisdicional adequada e efetiva \u00e0 parte, o que se verifica no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A conclus\u00e3o pela necessidade de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a com a produ\u00e7\u00e3o de per\u00edcia t\u00e9cnica para determinar e individualizar a \u00e1rea usucapida de im\u00f3vel maior e indiviso apenas outorga tutela jurisdicional adequada e efetiva \u00e0 parte<\/strong>, na medida em que necess\u00e1ria para a expedi\u00e7\u00e3o do mandado de registro da usucapi\u00e3o para certificar e dar publicidade ao dom\u00ednio no cart\u00f3rio de registro de im\u00f3veis, mormente quando os arts. 1.238 e 1.241, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Civil estabelecem que a senten\u00e7a de usucapi\u00e3o servir\u00e1 de t\u00edtulo para o registo no cart\u00f3rio de im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a possibilidade de registro da senten\u00e7a que reconheceu a usucapi\u00e3o de im\u00f3vel (a\u00ed inclu\u00edda a necess\u00e1ria individualiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea usucapida) \u00e9 reflexo do pedido deduzido na inicial, sendo desnecess\u00e1rio pedido expl\u00edcito da parte nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, n\u00e3o h\u00e1 falar em julgamento&nbsp;<em>extra petita<\/em>, porquanto o \u00f3rg\u00e3o julgador n\u00e3o desrespeitou os limites objetivos da pretens\u00e3o inicial nem concedeu provid\u00eancia jurisdicional diversa da que fora requerida, em aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da congru\u00eancia ou adstri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o configura decis\u00e3o extra petita a senten\u00e7a que, reconhecendo a usucapi\u00e3o, determina a liquida\u00e7\u00e3o para individualizar a \u00e1rea usucapida, ainda que n\u00e3o haja pedido expresso na inicial.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-obrigatoriedade-da-intimacao-pessoal-do-autor-da-acao-para-a-complementacao-das-custas-iniciais\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Obrigatoriedade da intima\u00e7\u00e3o pessoal do autor da a\u00e7\u00e3o para a complementa\u00e7\u00e3o das custas iniciais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A intima\u00e7\u00e3o pessoal do autor da a\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria para a complementa\u00e7\u00e3o das custas iniciais, restringindo-se \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do cancelamento de distribui\u00e7\u00e3o estabelecida no art. 290 do C\u00f3digo de Processo Civil \u00e0s hip\u00f3teses em que n\u00e3o \u00e9 feito recolhimento algum de custas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.020.222-RJ, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 28\/3\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Rodo Constru\u00e7\u00f5es ajuizou a\u00e7\u00e3o monit\u00f3ria em face do Estado do RJ pleiteando diferen\u00e7as dos valores pagos em atraso decorrentes da realiza\u00e7\u00e3o de uma obra. A senten\u00e7a julgou extinto o feito e cancelou a distribui\u00e7\u00e3o ante a aus\u00eancia da complementa\u00e7\u00e3o do recolhimento das custas e despesas no prazo estabelecido na intima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso, o TJ local anulou a senten\u00e7a para determinar que fosse realizada a intima\u00e7\u00e3o pessoal do autor. Inconformado, o estado carioca interp\u00f4s recurso especial sustentando que nos casos de pagamento parcial das custas e despesas de ingresso da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio intima\u00e7\u00e3o pessoal do advogado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 290. Ser\u00e1 cancelada a distribui\u00e7\u00e3o do feito se a parte, intimada na pessoa de seu advogado, n\u00e3o realizar o pagamento das custas e despesas de ingresso em 15 (quinze) dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 485. O juiz n\u00e3o resolver\u00e1 o m\u00e9rito quando:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por neglig\u00eancia das partes;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; por n\u00e3o promover os atos e as dilig\u00eancias que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Nas hip\u00f3teses descritas nos incisos II e III, a parte ser\u00e1 intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-necessaria-a-intimacao-pessoal\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a intima\u00e7\u00e3o pessoal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Corte de origem concluiu que, por se tratar de aus\u00eancia de complementa\u00e7\u00e3o das custas iniciais, a hip\u00f3tese n\u00e3o estaria enquadrada no art. 290 do C\u00f3digo de Processo Civil, que estabelece o prazo de 15 dias para o pagamento das custas e despesas ap\u00f3s a intima\u00e7\u00e3o da parte autora na pessoa de seu advogado, sob pena de cancelamento da distribui\u00e7\u00e3o do feito.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundamentou o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido tratar-se o presente caso de abandono da causa por falta de promo\u00e7\u00e3o de atos ou dilig\u00eancias pr\u00f3prias do autor do feito, devendo-lhe aplicar a previs\u00e3o do \u00a7 1\u00ba do art. 485 do CPC, que prev\u00ea a intima\u00e7\u00e3o pessoal para oportunizar a regulariza\u00e7\u00e3o no prazo de 5 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O referido entendimento est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia da Corte Superior, que \u00e9 assente quanto \u00e0 necessidade de intima\u00e7\u00e3o pessoal do advogado no caso de recolhimento parcial das custas ou despesas iniciais, sendo prescind\u00edvel apenas nos casos de aus\u00eancia completa de recolhimento. Confira-se: &#8220;1. A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a orienta-se no sentido de que a intima\u00e7\u00e3o pessoal do autor da a\u00e7\u00e3o \u00e9 exig\u00eancia apenas para a complementa\u00e7\u00e3o das custas iniciais, de modo que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s custas iniciais (em que n\u00e3o \u00e9 feito recolhimento algum de custas processuais), aplica-se a regra estabelecida no art. 290 do CPC\/2015 (correspondente ao art. 257 do CPC\/1973). (&#8230;) (AgInt no REsp 1.842.026\/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 29\/11\/2021, DJe de 1\/12\/2021)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A intima\u00e7\u00e3o pessoal do autor da a\u00e7\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria para a complementa\u00e7\u00e3o das custas iniciais, restringindo-se \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do cancelamento de distribui\u00e7\u00e3o estabelecida no art. 290 do C\u00f3digo de Processo Civil \u00e0s hip\u00f3teses em que n\u00e3o \u00e9 feito recolhimento algum de custas processuais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-legitimidade-do-terceiro-para-a-propositura-da-acao-rescisoria-de-titulo-judicial-condenatorio\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Legitimidade do terceiro para a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria de t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o possui legitimidade para a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria de t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio o terceiro, pessoa jur\u00eddica distinta daquela que sucedeu a parte r\u00e9 no processo origin\u00e1rio, indevidamente inclu\u00eddo no polo passivo na fase de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.844.690-CE, Rel. Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Banco Brasa ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria visando \u00e0 desconstitui\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio proferido contra institui\u00e7\u00e3o financeira posteriormente incorporada por pessoa jur\u00eddica distinta, Banco Ferro, integrante do mesmo conglomerado econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese ter sido admitida a exist\u00eancia de documento oficial emitido pelo BACEN por meio do qual se conclui que a institui\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o foi incorporada pelo Banco Ferro, mas por outra pessoa jur\u00eddica que integra o mesmo conglomerado econ\u00f4mico, foi reconhecida a legitimidade do banco, ao argumento de que teria sido quem foi indicado como parte executada no pedido de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 967. T\u00eam legitimidade para propor a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; quem foi parte no processo ou o seu sucessor a t\u00edtulo universal ou singular;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; o terceiro juridicamente interessado;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; o Minist\u00e9rio P\u00fablico:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>a) se n\u00e3o foi ouvido no processo em que lhe era obrigat\u00f3ria a interven\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>b) quando a decis\u00e3o rescindenda \u00e9 o efeito de simula\u00e7\u00e3o ou de colus\u00e3o das partes, a fim de fraudar a lei;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>c) em outros casos em que se imponha sua atua\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; aquele que n\u00e3o foi ouvido no processo em que lhe era obrigat\u00f3ria a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas hip\u00f3teses do&nbsp;art. 178&nbsp;, o Minist\u00e9rio P\u00fablico ser\u00e1 intimado para intervir como fiscal da ordem jur\u00eddica quando n\u00e3o for parte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-tem-legitimidade\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tem legitimidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia resume-se a saber se o banco que integra o mesmo conglomerado econ\u00f4mico de pessoa jur\u00eddica que incorporou outra institui\u00e7\u00e3o financeira possui legitimidade para o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria visando \u00e0 desconstitui\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio proferido contra esta.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <a>em que pese ter sido admitida a exist\u00eancia de documento oficial emitido pelo Banco Central do Brasil por meio do qual se conclui que a institui\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o foi incorporada pelo banco, mas por outra pessoa jur\u00eddica que integra o mesmo conglomerado econ\u00f4mico, foi reconhecida a legitimidade do banco, pois teria sido quem foi indicado como parte executada no pedido de cumprimento de senten\u00e7a<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A legitimidade para a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria n\u00e3o pode ser definida a partir da constata\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 respondendo, ainda que indevidamente, ao pedido de cumprimento de senten\u00e7a, sen\u00e3o pela averigua\u00e7\u00e3o de quem foi diretamente alcan\u00e7ado pelos efeitos da coisa julgada formada na decis\u00e3o rescindenda<\/strong>, ou seja, quem integrava a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-processual na demanda origin\u00e1ria da qual resultou o t\u00edtulo judicial que se busca rescindir.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 967 do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015, s\u00e3o legitimados para a propositura de a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria quem foi parte no processo ou o seu sucessor a t\u00edtulo universal ou singular, o terceiro juridicamente interessado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e aquele que n\u00e3o foi ouvido no processo em que lhe era obrigat\u00f3ria a interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de ter sido apresentado pedido de cumprimento de senten\u00e7a contra pessoa jur\u00eddica distinta daquela que sucedeu a parte r\u00e9 no processo origin\u00e1rio n\u00e3o serve ao prop\u00f3sito de lhe conferir legitimidade para a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, nem sequer sob a condi\u00e7\u00e3o de terceiro interessado, tendo em vista que o interesse capaz de conferir legitimidade ativa ao terceiro \u00e9 apenas o jur\u00eddico, e n\u00e3o o meramente econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sob a disciplina do revogado art. 487, II, do C\u00f3digo de Processo Civil de 1973, que tamb\u00e9m conferia legitimidade ao terceiro juridicamente interessado para propor a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria, esta Corte Superior de Justi\u00e7a bem delimitou o conceito de &#8220;interesse jur\u00eddico&#8221; para fins de aplica\u00e7\u00e3o do referido preceito legal, no sentido de que &#8220;revela-se pela titularidade de rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica conexa com aquela sobre a qual disp\u00f4s senten\u00e7a rescindenda, bem como pela exist\u00eancia de preju\u00edzo jur\u00eddico sofrido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>deve ser julgada extinta a a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria ajuizada pelo banco, por ilegitimidade ativa&nbsp;<em>ad causam<\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o possui legitimidade para a propositura da a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria de t\u00edtulo judicial condenat\u00f3rio o terceiro, pessoa jur\u00eddica distinta daquela que sucedeu a parte r\u00e9 no processo origin\u00e1rio, indevidamente inclu\u00eddo no polo passivo na fase de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-feriados-nos-tribunais-e-necessidade-de-comprovacao-da-suspensao-do-expediente-forense-para-interposicao-de-recursos\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Feriados nos tribunais e necessidade de comprova\u00e7\u00e3o da suspens\u00e3o do expediente forense para interposi\u00e7\u00e3o de recursos.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O dia do servidor p\u00fablico (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paix\u00e3o e, tamb\u00e9m, o dia de Corpus Christi n\u00e3o s\u00e3o feriados nacionais, em raz\u00e3o de n\u00e3o haver previs\u00e3o em lei federal, de modo que deve a parte comprovar a suspens\u00e3o do expediente forense quando da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por documento id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no REsp 2.006.859-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 13\/2\/2023, DJe 15\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o que tramitava na justi\u00e7a estadual, uma das partes interp\u00f4s recurso no que entendia ser o \u00faltimo dia do prazo.&nbsp; Por\u00e9m, o STJ entendeu pela intempestividade do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte prejudicada sustenta a tempestividade em raz\u00e3o do feriado do dia 29\/10\/2021; da suspens\u00e3o dos prazos no dia 01\/11\/2021; do feriado do dia 02\/11\/2021; e do feriado do dia 15\/11\/2021, mas n\u00e3o havia comprovado tais suspens\u00f5es quando da interposi\u00e7\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.003. O prazo para interposi\u00e7\u00e3o de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia P\u00fablica, a Defensoria P\u00fablica ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00e3o intimados da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 6\u00ba O recorrente comprovar\u00e1 a ocorr\u00eancia de feriado local no ato de interposi\u00e7\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-necessaria-a-comprovacao-por-meio-de-documento-idoneo\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o por meio de documento id\u00f4neo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 1.003, \u00a7 6\u00ba, do C\u00f3digo de Processo Civil estabelece que <strong>o recorrente comprovar\u00e1 a ocorr\u00eancia de feriado local no ato de interposi\u00e7\u00e3o do recurso, o que impossibilita a regulariza\u00e7\u00e3o posterior<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia do servidor p\u00fablico (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paix\u00e3o e, tamb\u00e9m, o dia de&nbsp;<em>Corpus Christi<\/em>&nbsp;n\u00e3o s\u00e3o feriados nacionais, em raz\u00e3o de n\u00e3o haver previs\u00e3o em lei federal, de modo que o dever da parte de comprovar a suspens\u00e3o do expediente forense quando da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por documento id\u00f4neo, <strong>n\u00e3o \u00e9 elidido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, os recursos interpostos na inst\u00e2ncia de origem, mesmo que endere\u00e7ados ao STJ, observam o calend\u00e1rio de funcionamento do tribunal local, n\u00e3o podendo se utilizar, para todos os casos, dos feriados e das suspens\u00f5es previstas em Portaria e no Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que muitas vezes n\u00e3o coincidem com os da Justi\u00e7a estadual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O dia do servidor p\u00fablico (28 de outubro), a segunda-feira de carnaval, a quarta-feira de Cinzas, os dias que precedem a sexta-feira da Paix\u00e3o e, tamb\u00e9m, o dia de Corpus Christi n\u00e3o s\u00e3o feriados nacionais, em raz\u00e3o de n\u00e3o haver previs\u00e3o em lei federal, de modo que deve a parte comprovar a suspens\u00e3o do expediente forense quando da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por documento id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-aquisicao-de-imovel-para-composicao-de-patrimonio-de-fii-realizada-diretamente-pela-administradora-paga-por-meio-de-emissao-de-novas-quotas-do-fundo-aos-alienantes-e-incidencia-do-itbi\"><a>10.&nbsp; Aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel para composi\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio de FII realizada diretamente pela administradora paga por meio de emiss\u00e3o de novas quotas do fundo aos alienantes e incid\u00eancia do ITBI<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel para a composi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio, efetivada diretamente pela administradora do fundo e paga por meio de emiss\u00e3o de novas quotas do fundo aos alienantes, configura transfer\u00eancia a t\u00edtulo oneroso de propriedade de im\u00f3vel para fins de incid\u00eancia do ITBI, na forma do art. 35 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e 156, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ocorrendo o fato gerador no momento da averba\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria em nome da administradora no cart\u00f3rio de registro imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.492.971-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio XNHF11 adquiriu um im\u00f3vel de uma pessoa f\u00edsica e, como pagamento, emitiu quotas do fundo para a vendedora. O Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo ficou sabendo realizou a cobran\u00e7a de ITBI.<\/p>\n\n\n\n<p>O FII ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual sustenta que a situa\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o n\u00e3o autorizaria a incid\u00eancia do tributo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.668\/1993:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba Ficam institu\u00eddos Fundos de Investimento Imobili\u00e1rio, sem personalidade jur\u00eddica, caracterizados pela comunh\u00e3o de recursos captados por meio do Sistema de Distribui\u00e7\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios, na forma da&nbsp;Lei n\u00ba 6.385, de 7 de dezembro de 1976, destinados a aplica\u00e7\u00e3o em empreendimentos imobili\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 2\u00ba O Fundo ser\u00e1 constitu\u00eddo sob a forma de condom\u00ednio fechado, proibido o resgate de quotas, com prazo de dura\u00e7\u00e3o determinado ou indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 3\u00ba As quotas dos Fundos de Investimento Imobili\u00e1rio constituem valores mobili\u00e1rios sujeitos ao regime da&nbsp;Lei n\u00ba 6.385, de 7 de dezembro de 1976, admitida a emiss\u00e3o sob a forma escritural.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 6\u00ba O patrim\u00f4nio do Fundo ser\u00e1 constitu\u00eddo pelos bens e direitos adquiridos pela institui\u00e7\u00e3o administradora, em car\u00e1ter fiduci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 7\u00ba Os bens e direitos integrantes do patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio, em especial os bens im\u00f3veis mantidos sob a propriedade fiduci\u00e1ria da institui\u00e7\u00e3o administradora, bem como seus frutos e rendimentos, n\u00e3o se comunicam com o patrim\u00f4nio desta, observadas, quanto a tais bens e direitos, as seguintes restri\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; n\u00e3o integrem o ativo da administradora;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; n\u00e3o respondam direta ou indiretamente por qualquer obriga\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o administradora;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; n\u00e3o componham a lista de bens e direitos da administradora, para efeito de liquida\u00e7\u00e3o judicial ou extrajudicial;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; n\u00e3o possam ser dados em garantia de d\u00e9bito de opera\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o administradora;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; n\u00e3o sejam pass\u00edveis de execu\u00e7\u00e3o por quaisquer credores da administradora, por mais privilegiados que possam ser;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; n\u00e3o possam ser constitu\u00eddos quaisquer \u00f4nus reais sobre os im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1 No t\u00edtulo aquisitivo, a institui\u00e7\u00e3o administradora far\u00e1 constar as restri\u00e7\u00f5es enumeradas nos incisos I a VI e destacar\u00e1 que o bem adquirido constitui patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2 No registro de im\u00f3veis ser\u00e3o averbadas as restri\u00e7\u00f5es e o destaque referido no par\u00e1grafo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3 A institui\u00e7\u00e3o administradora fica dispensada da apresenta\u00e7\u00e3o de certid\u00e3o negativa de d\u00e9bitos, expedida pelo Instituto Nacional da Seguridade Social, e da Certid\u00e3o Negativa de Tributos e Contribui\u00e7\u00f5es, administrada pela Secretaria da Receita Federal, quando alienar im\u00f3veis integrantes do patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 8\u00ba O fiduci\u00e1rio administrar\u00e1 os bens adquiridos em fid\u00facia e deles dispor\u00e1 na forma e para os fins estabelecidos no regulamento do fundo ou em assembl\u00e9ia de quotistas, respondendo em caso de m\u00e1 gest\u00e3o, gest\u00e3o temer\u00e1ria, conflito de interesses, descumprimento do regulamento do fundo ou de determina\u00e7\u00e3o da assembl\u00e9ia de quotistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 9\u00ba A aliena\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis pertencentes ao patrim\u00f4nio do fundo ser\u00e1 efetivada diretamente pela institui\u00e7\u00e3o administradora, constituindo o instrumento de aliena\u00e7\u00e3o documento h\u00e1bil para cancelamento, perante o Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis, das averba\u00e7\u00f5es pertinentes \u00e0s restri\u00e7\u00f5es e destaque de que tratam os \u00a7 1\u00ba e 2\u00ba do art. 7\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Os recursos resultantes da aliena\u00e7\u00e3o constituir\u00e3o patrim\u00f4nio do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 13. O titular das quotas do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; n\u00e3o poder\u00e1 exercer qualquer direito real sobre os im\u00f3veis e empreendimentos integrantes do patrim\u00f4nio do fundo;<\/p>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.368-A. As demais esp\u00e9cies de propriedade fiduci\u00e1ria ou de titularidade fiduci\u00e1ria submetem-se \u00e0 disciplina espec\u00edfica das respectivas leis especiais, somente se aplicando as disposi\u00e7\u00f5es deste C\u00f3digo naquilo que n\u00e3o for incompat\u00edvel com a legisla\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 35. O imposto, de compet\u00eancia dos Estados, sobre a transmiss\u00e3o de bens im\u00f3veis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a transmiss\u00e3o, a qualquer t\u00edtulo, da propriedade ou do dom\u00ednio \u00fatil de bens im\u00f3veis por natureza ou por acess\u00e3o f\u00edsica, como definidos na lei civil;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a transmiss\u00e3o, a qualquer t\u00edtulo, de direitos reais sobre im\u00f3veis, exceto os direitos reais de garantia;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; a cess\u00e3o de direitos relativos \u00e0s transmiss\u00f5es referidas nos incisos I e II.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas transmiss\u00f5es causa mortis, ocorrem tantos fatos geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou legat\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 156. Compete aos Munic\u00edpios instituir impostos sobre:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; propriedade predial e territorial urbana;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-incide-o-itbi\"><a>10.2.2. Incide o ITBI?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se sobre a incid\u00eancia de Imposto sobre Transmiss\u00e3o de Bens Im\u00f3veis (ITBI) em Munic\u00edpio sobre as opera\u00e7\u00f5es de aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis para o patrim\u00f4nio de Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio com emiss\u00e3o de novas quotas.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura dos Fundos de Investimento Imobili\u00e1rios \u00e9 prevista na Lei n. 8.668\/1993, que apresenta ao instituto algumas caracter\u00edsticas peculiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o referido diploma legal, <strong>o Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio \u00e9 figura jur\u00eddica despersonificada, caracterizada pela comunh\u00e3o de recursos para o fim espec\u00edfico de aplica\u00e7\u00e3o em empreendimentos imobili\u00e1rios<\/strong> (art. 1\u00b0) e constitu\u00edda sob a forma jur\u00eddica de condom\u00ednio fechado incidente sobre um patrim\u00f4nio, o qual \u00e9 distribu\u00eddo aos quotistas, em fra\u00e7\u00f5es, na medida de suas quotas individuais (t\u00edtulos com natureza de valores mobili\u00e1rios negoci\u00e1veis no mercado) (arts. 2\u00b0 e 3\u00b0).<\/p>\n\n\n\n<p>A administra\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o do fundo (condom\u00ednio) e de seu patrim\u00f4nio s\u00e3o designadas \u00e0 entidade com caracter\u00edsticas espec\u00edficas, que adquirir\u00e1, em nome do fundo e em car\u00e1ter fiduci\u00e1rio, os bens e direitos inerentes \u00e0 atividade (arts. 5\u00b0 e 6\u00b0), os quais, somados aos seus frutos e rendimentos, n\u00e3o se confundem ou se comunicam com o patrim\u00f4nio da administradora (art. 7\u00b0).<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe \u00e0 entidade administradora a gest\u00e3o e a administra\u00e7\u00e3o dos bens por ela adquiridos em car\u00e1ter fiduci\u00e1rio em nome do condom\u00ednio, designando-se a ela a atribui\u00e7\u00e3o exclusiva de dispor diretamente deste patrim\u00f4nio conforme o interesse do fundo (art. 8\u00b0).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que se extrai da norma constante do art. 9\u00b0 da Lei, que determina que a disposi\u00e7\u00e3o dos bens e direitos integrantes do patrim\u00f4nio do fundo, assim como a aquisi\u00e7\u00e3o de novos bens a serem incorporados ao seu patrim\u00f4nio, deve ser efetivada diretamente pela pr\u00f3pria administradora.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isso, verifica-se que<strong>, embora os bens adquiridos \u00e0 universalidade de bens e vinculados \u00e0 atividade do fundo sejam de propriedade de cada um dos titulares das quotas do condom\u00ednio &#8211; os quais gozar\u00e3o dos direitos a elas inerentes na medida de suas quotas individuais -, n\u00e3o podem estes quotistas exercer diretamente qualquer direito real sobre os im\u00f3veis e empreendimentos<\/strong> integrantes deste patrim\u00f4nio (arts. 8\u00b0 e 13, I).<\/p>\n\n\n\n<p>Anote-se, ainda, que a propriedade fiduci\u00e1ria averbada no registro do im\u00f3vel em nome da entidade administradora \u00e9 apenas o meio jur\u00eddico pelo qual se instrumentaliza o exerc\u00edcio da atribui\u00e7\u00e3o designada pela lei \u00e0 administradora do fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, <strong>pode-se assumir a rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica fiduci\u00e1ria firmada entre os quotistas do fundo e a administradora como uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica fundada na confian\u00e7a (fid\u00facia), com natureza de mandato oneroso<\/strong> (arts. 653 e 658, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002 e art. 10, IV, da Lei n. 8.668\/1993) e com algumas especifica\u00e7\u00f5es, como o fato de se firmar&nbsp;<em>ex lege<\/em>&nbsp;(art. 5\u00b0 da Lei n. 8.668\/1993 e art. 657 do CC\/2002), concedendo ao administrador poderes definidos na pr\u00f3pria lei (art. 661 do CC\/2002 e arts. 8\u00b0, 9\u00b0, 10, 11 e 12 da Lei n. 8.668\/1993) e instrumentalizada pelo regulamento e pela obrigat\u00f3ria averba\u00e7\u00e3o no registro imobili\u00e1rio da propriedade fiduci\u00e1ria (arts. 10 e 11, e \u00a7\u00a7, da Lei n. 8.668\/1993 e art. 653, parte final, e 654 do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>A averba\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria sobre o bem im\u00f3vel identifica o neg\u00f3cio jur\u00eddico fiduci\u00e1rio firmado entre o condom\u00ednio de quotistas (o fundo) e a administradora, por determina\u00e7\u00e3o legal e sem natureza de garantia (art. 1.368-A do <a>CC\/2002<\/a>), mas com a finalidade espec\u00edfica de instrumentalizar a administra\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o dos bens e direitos dos titulares das quotas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do exposto, no que interessa \u00e0 controv\u00e9rsia submetida ao julgamento, tem-se que a aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel para o patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio, operacionalizada pela emiss\u00e3o de novas quotas do condom\u00ednio e efetivada diretamente pela administradora do fundo, configura, a toda evid\u00eancia, transfer\u00eancia a t\u00edtulo oneroso de propriedade de im\u00f3vel, caracterizadora de fato gerador do ITBI na forma do art. 35 do CTN e 156, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ainda que instrumentalizada pela averba\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria em nome da administradora no registro imobili\u00e1rio, momento em que se efetiva a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria devida na opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel para a composi\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do Fundo de Investimento Imobili\u00e1rio, efetivada diretamente pela administradora do fundo e paga por meio de emiss\u00e3o de novas quotas do fundo aos alienantes, configura transfer\u00eancia a t\u00edtulo oneroso de propriedade de im\u00f3vel para fins de incid\u00eancia do ITBI, na forma do art. 35 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional e 156, II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ocorrendo o fato gerador no momento da averba\u00e7\u00e3o da propriedade fiduci\u00e1ria em nome da administradora no cart\u00f3rio de registro imobili\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-incidencia-de-ir-sobre-multa-por-rescisao-de-contrato-de-afretamento\"><a>11.&nbsp; Incid\u00eancia de IR sobre multa por rescis\u00e3o de contrato de afretamento<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A multa por rescis\u00e3o de um contrato de afretamento deve se submeter \u00e0 al\u00edquota de 15% para fins de Imposto de Renda, nos termos do art. 70 da Lei n. 9.430\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.940.975-RJ, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023, publicado em 3\/3\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A empresa Clark firmou um contrato de fretamento mar\u00edtimo com Kong Transportes. No contrato havia previs\u00e3o de multa em caso de rescis\u00e3o, o que veio a ocorrer. A Fazenda Nacional entende que sobre o valor da multa, deve ocorrer a tributa\u00e7\u00e3o de IR com al\u00edquota de 15%, na forma do art. 70 da Lei 1.940\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p>Clark discorda e sustenta em recurso que ao caso deve ser aplicada a previs\u00e3o do art. 1\u00ba, inciso I, da Lei n. 9.481\/1997, que prev\u00ea al\u00edquota de 0% no caso de residentes ou domiciliados no exterior auferirem receitas decorrentes de afretamento de embarca\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.481\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba A al\u00edquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pa\u00eds, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hip\u00f3teses:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; receitas de fretes, afretamentos, alugu\u00e9is ou arrendamentos de embarca\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de cont\u00eaineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de servi\u00e7os de instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.430\/1996:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jur\u00eddica, ainda que a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o, a benefici\u00e1ria pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, inclusive isenta, em virtude de rescis\u00e3o de contrato, sujeitam-se \u00e0 incid\u00eancia do imposto de renda na fonte \u00e0 al\u00edquota de quinze por cento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-incide-ir\"><a>11.2.2. Incide IR?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 1\u00ba, inciso I, da Lei n. 9.481\/1997, ao dispor &#8220;sobre a incid\u00eancia de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de benefici\u00e1rios residentes ou domiciliados no exterior&#8221;, estabeleceu al\u00edquota zero para o imposto de renda retido pela fonte pagadora, na hip\u00f3tese de <a>residentes ou domiciliados no exterior auferirem receitas decorrentes de afretamento de embarca\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n. 9.430\/1996, por sua vez, <strong>ao tratar da tributa\u00e7\u00e3o das multas, vantagens ou indeniza\u00e7\u00f5es por rescis\u00e3o de contrato, estabelece a incid\u00eancia do imposto de renda com a al\u00edquota de 15%&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; , desde que n\u00e3o seja paga para fins de indeniza\u00e7\u00e3o trabalhista ou destinadas a reparar danos patrimoniais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00faltimo dispositivo veicula verdadeira norma antielisiva espec\u00edfica, o que se evidencia sobretudo pelo fato de que o legislador imp\u00f4s a incid\u00eancia do imposto inclusive se o benefici\u00e1rio do pagamento for pessoa isenta, a menos que, na forma do \u00a7 5\u00ba, seja comprovado o car\u00e1ter trabalhista ou de repara\u00e7\u00e3o de danos patrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O objetivo da norma \u00e9 evitar que sejam embutidos no pagamento de contratos &#8211; principalmente os sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o privilegiada<\/strong>,<strong> outras despesas<\/strong>, a t\u00edtulo de multas ou indeniza\u00e7\u00f5es rescis\u00f3rias, que n\u00e3o correspondam efetivamente \u00e0 causa do contrato propriamente dito, isto \u00e9, \u00e0 atividade ou servi\u00e7o favorecidos pela aus\u00eancia de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando os dispositivos em conflito, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que sobre a multa por rescis\u00e3o antecipada do contrato de afretamento deve mesmo incidir o imposto, \u00e0 al\u00edquota de 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, <strong>porque a referida receita n\u00e3o integra o conceito de &#8220;receitas de fretes, afretamentos, alugu\u00e9is ou arrendamentos&#8221; de que trata a Lei n. 9.481\/1997<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, nem toda receita prevista em um contrato de afretamento necessariamente se caracterizar\u00e1 como &#8220;receita de afretamento&#8221;, sendo preciso avaliar sua pertin\u00eancia e seu objeto no contexto contratual.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, n\u00e3o se trata de uma receita de afretamento, mas, sim, uma compensa\u00e7\u00e3o obtida pela n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o integral de um afretamento, conforme inicialmente previsto. Ou seja, aquela receita da pessoa jur\u00eddica estrangeira, embora decorrente de um contrato de afretamento, n\u00e3o foi paga por uma presta\u00e7\u00e3o positiva na explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, mas, sim, pela frustra\u00e7\u00e3o parcial dessa presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inequ\u00edvoco que, ainda que a receita derive do contrato de afretamento, trata-se efetivamente de &#8220;multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jur\u00eddica, ainda que a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o, a benefici\u00e1ria pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, inclusive isenta, em virtude de rescis\u00e3o de contrato&#8221;, conforme fixado pela origem, se amoldando aos termos do caput do art. 70 da Lei n. 9.430\/1996.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz do princ\u00edpio da ESPECIALIDADE<strong>, a multa por rescis\u00e3o contratual devida no contexto de um afretamento, ainda que fosse considerada &#8220;receita decorrente do afretamento&#8221;, deve se submeter \u00e0 al\u00edquota de 15% do art. 70 da Lei n. 9.430\/1996 (norma antielisiva),<\/strong> e n\u00e3o \u00e0 al\u00edquota zero do art. 1\u00ba, inciso I, da Lei n. 9.481\/1997 (norma que insere favor fiscal).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 da natureza da norma antielisiva espec\u00edfica (regra de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 elus\u00e3o), estabelecer hip\u00f3teses de incid\u00eancia espec\u00edficas que alcancem situa\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a manobras evasivas (ou elisivas que o legislador considere indesej\u00e1veis), determinando de antem\u00e3o um tratamento mais rigoroso ou mesmo fixando desde j\u00e1 a incid\u00eancia espec\u00edfica da tributa\u00e7\u00e3o, justamente para prevenir tais flancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na presente hip\u00f3tese, ainda que se considerasse a referida &#8220;taxa de compensa\u00e7\u00e3o&#8221; uma receita decorrente do afretamento, a norma antielisiva seria a norma especial deste conflito aparente de normas (entre al\u00edquota zero por receita de afretamento versus al\u00edquota de 15% por rescis\u00e3o de contrato).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, se as normas que estabelecem isen\u00e7\u00e3o (assim como as que estabelecem al\u00edquota zero), fossem consideradas normas especiais, o artigo 70 da Lei n. 9.430\/1996 jamais seria aplic\u00e1vel \u00e0s pessoas jur\u00eddicas ou \u00e0s receitas isentas do imposto. Ou, quando muito, a regra seria eficaz apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s isen\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes antes de sua vig\u00eancia &#8211; sendo todas as normas isentivas posteriores especiais em rela\u00e7\u00e3o a ela. Solu\u00e7\u00e3o que, n\u00e3o condiz com a voca\u00e7\u00e3o de uma norma antielisiva. Tal entendimento tornaria in\u00f3cua a previs\u00e3o do artigo 70 da <a>Lei n. 9.430\/1996<\/a>, de que a incid\u00eancia atinge &#8220;a benefici\u00e1ria pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, inclusive isenta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A multa por rescis\u00e3o de um contrato de afretamento deve se submeter \u00e0 al\u00edquota de 15% para fins de Imposto de Renda, nos termos do art. 70 da Lei n. 9.430\/1996.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-constitucionalidade-da-contribuicao-de-intervencao-no-dominio-economico-destinada-ao-incra-devida-pelas-empresas-urbanas-e-rurais\"><a>12.&nbsp; Constitucionalidade da contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e rurais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive ap\u00f3s o advento da EC n. 33\/2001.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 737.364-PR, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 28\/3\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Mobral Ferragens ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu o reconhecimento da inexigibilidade da contribui\u00e7\u00e3o para o INCRA, no percentual de 0,2% incidente sobre a folha de sal\u00e1rios, desde o advento da Lei 8.212\/91.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a Fazenda Nacional sustenta que a contribui\u00e7\u00e3o prevista no art. 6\u00ba, \u00a7 4\u00ba, da Lei 2.613\/55, arrecadada pelo INSS, mas destinada ao INCRA, caracteriza-se por sua natureza social, al\u00e9m de possuir aspectos de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico. Defende ainda que tal contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o restou suprimida pela Lei 8.212\/91<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 7.787\/1989:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba A contribui\u00e7\u00e3o das empresas em geral e das entidades ou \u00f3rg\u00e3os a ela equiparados, destinada \u00e0 Previd\u00eancia Social, incidente sobre a folha de sal\u00e1rios, ser\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; de 20% sobre o total das remunera\u00e7\u00f5es pagas ou creditadas, a qualquer t\u00edtulo, no decorrer do m\u00eas, aos segurados empregados,&nbsp;avulsos, aut\u00f4nomos e administradores<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-a-cide-em-questao-encontra-amparo-na-cf\"><a>12.2.2. A CIDE em quest\u00e3o encontra amparo na CF?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Segunda Turma do STJ, com fundamento na jurisprud\u00eancia firmada \u00e0 \u00e9poca &#8211; no sentido da impossibilidade da cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o ao Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria -INCRA, incidente sobre a folha de sal\u00e1rios das empresas, a partir de setembro de 1989, em face de sua extin\u00e7\u00e3o, pelo art. 3\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 7.787\/1989 -, negou provimento ao Recurso Especial do INCRA, ensejando a interposi\u00e7\u00e3o do Recurso Extraordin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 630.898\/RS, em 8\/4\/2021, sob o regime de repercuss\u00e3o geral, firmou a compreens\u00e3o no sentido de que &#8220;<strong>\u00e9 constitucional a contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive ap\u00f3s o advento da EC n. 33\/2001<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se v\u00ea, o STF, sob o regime de repercuss\u00e3o geral, concluiu que a contribui\u00e7\u00e3o destinada ao INCRA, incidente sobre a folha de sal\u00e1rios, \u00e9 devida tamb\u00e9m pelas empresas urbanas, mesmo ap\u00f3s o advento da EC 33\/2001, pelo que firmou entendimento de que n\u00e3o fora ela extinta, seja pela Lei n. 7.787\/1989, seja pelas Leis n. 8.212\/1991 e n. 8.213\/1991, citando, inclusive, julgamento do STJ, de 2008, que concluiu que &#8220;resta inequ\u00edvoca dessa evolu\u00e7\u00e3o, constante do teor do voto, que: (a) a Lei n. 7.787\/1989 s\u00f3 suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previd\u00eancia Rural s\u00f3 foi extinta pela Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unifica\u00e7\u00e3o dos regimes de previd\u00eancia; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero v\u00edrgula dois por cento) &#8211; destinada ao INCRA &#8211; n\u00e3o foi extinta pela Lei n. 7.787\/1989 e tampouco pela Lei n. 8.213\/1891, como vinha sendo proclamado pela jurisprud\u00eancia desta Corte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a contribui\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio econ\u00f4mico destinada ao INCRA devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive ap\u00f3s o advento da EC n. 33\/2001.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-dever-do-plano-de-saude-de-reembolsar-as-despesas-medico-hospitalares-realizadas-por-beneficiario-fora-da-rede-credenciada-na-hipotese-em-que-descumpre-o-dever-de-garantir-o-atendimento-no-mesmo-municipio\"><a>13.&nbsp; Dever do plano de sa\u00fade de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Plano de sa\u00fade tem o dever de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 27\/9\/2022, DJe 16\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino \u00e9 benefici\u00e1rio do plano de sa\u00fade Unimais. Ocorre que Crementino reside em uma cidade pequena, sem rede credenciada no referido plano. Quando necess\u00e1rio, Crementino se desloca para a cidade maior mais pr\u00f3xima onde a cobertura do plano \u00e9 mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um belo dia, Crementino necessitou de tratamento urgente, raz\u00e3o pela qual buscou atendimento no pr\u00f3prio munic\u00edpio de resid\u00eancia em um prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial do plano. Pagou as despesas m\u00e9dicas hospitalares e requereu o reembolso ao plano de sa\u00fade, que negou o pedido sob a alega\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de obriga\u00e7\u00e3o de reembolso.<\/p>\n\n\n\n<p>*Processo sob segredo de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-o-plano-deve-reembolsar-os-valores\"><a>13.2.1. O plano deve reembolsar os valores?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Controv\u00e9rsia afeta \u00e0 possibilidade de considerar cumprida a obriga\u00e7\u00e3o do plano de garantir acesso do benefici\u00e1rio aos servi\u00e7os e procedimentos para atendimento das coberturas, na hip\u00f3tese de indisponibilidade de prestador de servi\u00e7o credenciado no munic\u00edpio de abrang\u00eancia do plano, quando existir hospital credenciado em munic\u00edpio lim\u00edtrofe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n. 259\/2011 da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), em caso de indisponibilidade de prestador credenciado da rede assistencial que ofere\u00e7a o servi\u00e7o ou procedimento demandado, no munic\u00edpio pertencente \u00e0 \u00e1rea geogr\u00e1fica de abrang\u00eancia e \u00e0 \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do produto, a operadora dever\u00e1 garantir o atendimento, preferencialmente, no \u00e2mbito do mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial da operadora do plano de sa\u00fade<\/strong>, cujo pagamento se dar\u00e1 mediante acordo entre as partes (operadora do plano e prestador).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se o caso,<strong> competia \u00e0 operadora de sa\u00fade ter realizado a indica\u00e7\u00e3o de prestador n\u00e3o credenciado para o atendimento da benefici\u00e1ria no munic\u00edpio de abrang\u00eancia<\/strong>, sendo certo que o pagamento se daria &#8220;mediante acordo entre as partes&#8221;, ou seja, entre a operadora e o prestador do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se, que, nessas hip\u00f3teses, a operadora tem a obriga\u00e7\u00e3o, ainda, de custear o transporte do benefici\u00e1rio (ida e volta) e se, por qualquer motivo, descumprir a garantia de atendimento, incidir\u00e1 o disposto no artigo 9\u00ba, que prev\u00ea reembolso integral.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja em raz\u00e3o da primazia do atendimento no munic\u00edpio pertencente \u00e0 \u00e1rea geogr\u00e1fica de abrang\u00eancia, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede credenciada, seja em virtude da n\u00e3o indica\u00e7\u00e3o, pela operadora, de prestador junto ao qual tenha firmado acordo, bem como diante da impossibilidade de a parte autora se locomover a munic\u00edpio lim\u00edtrofe, afigura-se devido o reembolso integral das despesas realizadas, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da solicita\u00e7\u00e3o de reembolso, conforme previs\u00e3o expressa do artigo 9\u00b0 da RN n. 259\/11 da ANS.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-resultado-final\"><a>13.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Plano de sa\u00fade tem o dever de reembolsar as despesas m\u00e9dico-hospitalares realizadas por benefici\u00e1rio fora da rede credenciada na hip\u00f3tese em que descumpre o dever de garantir o atendimento no mesmo munic\u00edpio, ainda que por prestador n\u00e3o integrante da rede assistencial.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-incidencia-da-causa-especial-de-aumento-de-pena-prevista-no-3\u00ba-do-art-334-do-codigo-penal-quando-se-tratar-de-descaminho-praticado-em-transporte-aereo-regular\"><a>14.&nbsp; Incid\u00eancia da causa especial de aumento de pena prevista no \u00a7 3\u00ba do art. 334 do C\u00f3digo Penal quando se tratar de descaminho praticado em transporte a\u00e9reo regular<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Incide a causa especial de aumento de pena prevista no \u00a7 3\u00ba do art. 334 do C\u00f3digo Penal quando se tratar de descaminho praticado em transporte a\u00e9reo, n\u00e3o sendo relevante o fato de o voo ser regular ou clandestino.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no AREsp 2.197.959-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por maioria, julgado em 28\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio tentou trazer produtos do exterior em quantidade superior \u00e0 permitida e sem o recolhimento de tributos. Quando desembarcou do avi\u00e3o, foi abordado e as mercadorias apreendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Maur\u00edcio foi ent\u00e3o condenado pelo crime de descaminho e teve a pena aumentada em raz\u00e3o de ter praticado o crime por meio de transporte a\u00e9reo. Inconformada, sua defesa sustenta a inaplicabilidade da causa de aumento, por entender que esta seria restrita aos crimes praticados por meio de voos clandestinos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Descaminho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 334. &nbsp;Iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido pela entrada, pela sa\u00edda ou pelo consumo de mercadoria&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<sup>o<\/sup>&nbsp;A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho \u00e9 praticado em transporte a\u00e9reo, mar\u00edtimo ou fluvial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-incide-a-causa-de-aumento-tambem-nos-voos-regulares\"><a>14.2.2. Incide a causa de aumento tamb\u00e9m nos voos regulares?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se a pena ao crime de descaminho deve ser aplicada em dobro quando o transporte a\u00e9reo ocorre por meio de voo regular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O art. 334, \u00a7 3\u00ba, do C\u00f3digo Penal prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o da pena em dobro, se &#8220;o crime de contrabando ou descaminho \u00e9 praticado em transporte a\u00e9reo<\/strong>&#8220;. Nos termos da jurisprud\u00eancia do STJ, se a lei n\u00e3o faz restri\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 esp\u00e9cie de voo que enseja a aplica\u00e7\u00e3o da majorante, n\u00e3o cabe ao int\u00e9rprete restringir a aplica\u00e7\u00e3o do dispositivo legal, sendo irrelevante que o transporte seja clandestino ou regular (HC 390.899\/SP, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 28\/11\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a Corte de origem consignou o mesmo entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a no sentido de que, quando se tratar de descaminho praticado em transporte a\u00e9reo, incide a causa de aumento supracitada, n\u00e3o sendo relevante o fato de o voo ser regular ou clandestino. No relat\u00f3rio do ac\u00f3rd\u00e3o da Corte Regional Federal, ali\u00e1s, registra-se que parte das mercadorias foi, inclusive, para a zona de abandono (fora das barreiras alfandeg\u00e1rias). Assim, ficou demonstrado que a mercadoria ingressou no pa\u00eds, transpondo a aduana, concluindo-se pela modalidade consumada do delito e a consequente causa de aumento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Incide a causa especial de aumento de pena prevista no \u00a7 3\u00ba do art. 334 do C\u00f3digo Penal quando se tratar de descaminho praticado em transporte a\u00e9reo, n\u00e3o sendo relevante o fato de o voo ser regular ou clandestino.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-processo-penal-militar-e-legitimidade-do-assistente-da-acusacao-para-recorrer-da-sentenca-absolutoria-ainda-que-a-absolvicao-tenha-sido-requerida-pelo-orgao-ministerial\"><a>15.&nbsp; Processo penal militar e legitimidade do assistente da acusa\u00e7\u00e3o para recorrer da senten\u00e7a absolut\u00f3ria ainda que a absolvi\u00e7\u00e3o tenha sido requerida pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No processo penal militar, o assistente de acusa\u00e7\u00e3o possui legitimidade para recorrer da senten\u00e7a absolut\u00f3ria, ainda que a absolvi\u00e7\u00e3o tenha sido requerida pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/02\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton foi denunciado por um crime militar. O juiz prolatou senten\u00e7a absolut\u00f3ria, requerida inclusive pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico. Por\u00e9m, o assistente de acusa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se conformou com a decis\u00e3o e interp\u00f4s recurso. Passou-se a questionar ent\u00e3o se o assistente teria legitimidade para tanto, uma vez que o MP \u00e9 o titular da a\u00e7\u00e3o penal e teria requerido a absolvi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>*Processo sob segredo de justi\u00e7a- Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal Militar:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<strong>Interven\u00e7\u00e3o do assistente no processo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 65. Ao assistente ser\u00e1 permitido, com aquiesc\u00eancia do juiz e ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arrolamento de testemunhas e interposi\u00e7\u00e3o de recursos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba N\u00e3o poder\u00e1 arrolar testemunhas, exceto requerer o depoimento das que forem referidas, nem requerer a expedi\u00e7\u00e3o de precat\u00f3ria ou rogat\u00f3ria, ou dilig\u00eancia que retarde o curso do processo, salvo, a crit\u00e9rio do juiz e com audi\u00eancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico, em se tratando de apura\u00e7\u00e3o de fato do qual dependa o esclarecimento do crime. N\u00e3o poder\u00e1, igualmente, impetrar recursos, salvo de despacho que indeferir o pedido de assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;271.&nbsp;&nbsp;Ao assistente ser\u00e1 permitido propor meios de prova, requerer perguntas \u00e0s testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou por ele pr\u00f3prio, nos casos dos&nbsp;arts. 584, \u00a7&nbsp;1\u00ba, e&nbsp;598.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;O juiz, ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico, decidir\u00e1 acerca da realiza\u00e7\u00e3o das provas propostas pelo assistente.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7&nbsp;2<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;O processo prosseguir\u00e1 independentemente de nova intima\u00e7\u00e3o do assistente, quando este, intimado, deixar de comparecer a qualquer dos atos da instru\u00e7\u00e3o ou do julgamento, sem motivo de for\u00e7a maior devidamente comprovado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-tem-legitimidade-para-recorrer\"><a>15.2.2. Tem legitimidade para recorrer?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia apresentada diz respeito \u00e0 possibilidade de o assistente de acusa\u00e7\u00e3o, no processo penal militar, interpor apela\u00e7\u00e3o independentemente da exist\u00eancia de recurso do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 65 do C\u00f3digo de Processo Penal Militar (CPPM) disp\u00f5e <strong>que o assistente n\u00e3o poder\u00e1 &#8220;impetrar recursos, salvo de despacho que indeferir o pedido de assist\u00eancia<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 271 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), por sua vez, disp\u00f5e que ao &#8220;assistente ser\u00e1 permitido propor meios de prova, requerer perguntas \u00e0s testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debate oral e arrazoar os recursos interpostos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou por ele pr\u00f3prio, nos casos dos arts. 584, \u00a7 1\u00ba, e 598&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O STJ, analisando o papel do assistente de acusa\u00e7\u00e3o no processo penal comum, aplica interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica ao art. 271 do CPP, n\u00e3o se restringindo \u00e0 literalidade do dispositivo<\/strong>. No ponto, \u00e9 firme a jurisprud\u00eancia no sentido de que &#8220;o assistente de acusa\u00e7\u00e3o tem legitimidade para, quando j\u00e1 iniciada a persecu\u00e7\u00e3o penal pelo seu \u00f3rg\u00e3o titular, atuar em seu aux\u00edlio e tamb\u00e9m supletivamente, na busca pela justa san\u00e7\u00e3o, podendo apelar, opor embargos declarat\u00f3rios e at\u00e9 interpor recurso extraordin\u00e1rio ou especial (REsp 1.675.874\/MS, Voto do Ministro Rog\u00e9rio Schietti Cruz)&#8221; (AgRg nos EDcl no AREsp 1.565.652\/RJ, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 23\/6\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme explica a doutrina, &#8220;o Direito n\u00e3o \u00e9 um mero conjunto de normas, mas comp\u00f5e um ordenamento, em que cada parte tem conex\u00e3o com o todo, \u00e0 luz do qual deve ser compreendida. A interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica busca promover a harmonia entre essas partes. Isso n\u00e3o significa dizer que essa harmonia no ordenamento seja um dado da realidade, que se possa comprovar pela an\u00e1lise das leis em vigor. Sabe-se, pelo contr\u00e1rio, que no Estado contempor\u00e2neo, caracterizado pela infla\u00e7\u00e3o legislativa e pelo pluralismo dos interesses que s\u00e3o juridicamente tutelados, a exist\u00eancia de tens\u00f5es e conflitos entre normas jur\u00eddicas \u00e9 fen\u00f4meno corriqueiro. Na verdade, a busca da harmoniza\u00e7\u00e3o e da coer\u00eancia no ordenamento \u00e9 uma tarefa que o int\u00e9rprete deve perseguir; muitas vezes uma tarefa dific\u00edlima. Trata-se de um ponto de chegada que se aspira atingir, e n\u00e3o do ponto de partida do int\u00e9rprete&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, igual racioc\u00ednio &#8211; interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica acerca do papel do assistente de acusa\u00e7\u00e3o &#8211; deve ser aplicado \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o processual penal militar, de vez que &#8220;n\u00e3o se pode privar a v\u00edtima, que efetivamente sofreu, como sujeito passivo do crime, o gravame causado pelo ato t\u00edpico e antijur\u00eddico, de qualquer tutela jurisdicional, sob pena de ofensa \u00e0s garantias constitucionais do acesso \u00e0 justi\u00e7a e do duplo grau de jurisdi\u00e7\u00e3o&#8221; (HC 123.365\/SP, Rel. Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, DJe 23\/8\/2010).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 n\u00e3o caracteriza\u00e7\u00e3o de in\u00e9rcia do \u00f3rg\u00e3o ministerial a possibilitar a interposi\u00e7\u00e3o recursal supletiva, destaca-se que &#8220;O assistente de acusa\u00e7\u00e3o possui legitimidade para interpor recurso de apela\u00e7\u00e3o, em car\u00e1ter supletivo, nos termos do art. 598 do CPP, ainda que o Minist\u00e9rio P\u00fablico tenha requerido a absolvi\u00e7\u00e3o do r\u00e9u em plen\u00e1rio&#8221; (REsp 1.451.720\/SP, relator Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, relator para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 24\/6\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse mesmo entendimento j\u00e1 foi externado pelo Supremo Tribunal Federal no HC 102.085\/RS<\/strong>, relatora ministra C\u00e1rmen L\u00facia, Tribunal Pleno, julgado em 10\/6\/2010, DJe 27\/8\/2010).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No processo penal militar, o assistente de acusa\u00e7\u00e3o possui legitimidade para recorrer da senten\u00e7a absolut\u00f3ria, ainda que a absolvi\u00e7\u00e3o tenha sido requerida pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-competencia-para-julgamento-das-acoes-penais-que-apurem-crimes-envolvendo-violencia-contra-criancas-e-adolescentes\"><a>16.&nbsp; Compet\u00eancia para julgamento das a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes,<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431\/2017, nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica julgar as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/2\/2023. (Info 765)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudi\u00e3o, pai de Craudinho, cometeu crime envolvendo viol\u00eancia contra seu filho. A a\u00e7\u00e3o penal foi distribu\u00edda para a vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, uma vez que inexistente na localidade vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente. Foi ent\u00e3o ventilado que o alargamento da compet\u00eancia dos ju\u00edzos especializados em viol\u00eancia dom\u00e9stica poderia prejudicar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional prec\u00edpua destes \u00f3rg\u00e3os, qual seja, de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 13.431\/2017:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 23. Os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria poder\u00e3o criar juizados ou varas especializadas em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. At\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o do disposto no&nbsp;<strong>caput&nbsp;<\/strong>deste artigo, o julgamento e a execu\u00e7\u00e3o das causas decorrentes das pr\u00e1ticas de viol\u00eancia ficar\u00e3o, preferencialmente, a cargo dos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica e temas afins.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-competente-a-vara-de-violencia-domestica\"><a>16.2.2. Competente a vara de viol\u00eancia dom\u00e9stica?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ uniformizou a interpreta\u00e7\u00e3o a ser conferida ao art. 23 da Lei n. 13.431\/2017 no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ, fixando a tese de que, <strong>ap\u00f3s o advento desta norma, &#8220;nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica, onde houver, processar e julgar os casos envolvendo estupro de vulner\u00e1vel cometido pelo pai (bem como pelo padrasto, companheiro, namorado ou similar) contra a filha (ou crian\u00e7a ou adolescente) no ambiente dom\u00e9stico ou familiar<\/strong>&#8220;, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada naquele julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O Legislador estabeleceu, no&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do artigo supracitado, como possibilidade aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria, a cria\u00e7\u00e3o de varas especializadas em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente. Enquanto n\u00e3o institu\u00eddas as varas especializadas, o par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo dispositivo legal determinou que as causas decorrentes de pr\u00e1ticas de viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, deveriam tramitar nos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes devem tramitar nas varas especializadas previstas no caput do art. 23 do referido diploma legal e, caso elas ainda n\u00e3o tenham sido criadas, nos juizados ou varas especializadas em viol\u00eancia dom\u00e9stica, conforme determina o par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo artigo. Somente nas comarcas em que n\u00e3o houver varas especializadas em viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes ou juizados\/varas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, poder\u00e1 a a\u00e7\u00e3o tramitar na vara criminal comum.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esta interpreta\u00e7\u00e3o tem como objetivo, em primeiro lugar, evitar que os dispositivos da Lei n. 13.431\/2017 se transformem em letra morta, o que frustraria o objetivo legislativo de instituir um regime judicial protetivo especial para crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de viol\u00eancias<\/strong>. De outra parte, tamb\u00e9m concretiza os princ\u00edpios da prote\u00e7\u00e3o integral e da absoluta prioridade (art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), bem como o compromisso internacional do Brasil em proteger crian\u00e7as e adolescentes contra todas as formas de viol\u00eancia (art. 19 do Decreto n. 99.710\/1990), estabelecendo que a submiss\u00e3o destes \u00e0 compet\u00eancia especializada decorre de sua vulnerabilidade enquanto pessoa humana em desenvolvimento, independentemente de considera\u00e7\u00f5es quanto ao sexo, motiva\u00e7\u00e3o do crime, circunst\u00e2ncias da viol\u00eancia ou outras quest\u00f5es similares.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, a tese de que o alargamento da compet\u00eancia dos ju\u00edzos especializados em viol\u00eancia dom\u00e9stica poder\u00e1 prejudicar a presta\u00e7\u00e3o jurisdicional prec\u00edpua destes \u00f3rg\u00e3os, qual seja, de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, n\u00e3o justifica que se desconsidere a disposi\u00e7\u00e3o expressa da lei. Em verdade, incumbe aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria avaliar o impacto do processamento de tais a\u00e7\u00f5es penais sobre os juizados de viol\u00eancia dom\u00e9stica e, analisando as peculiaridades de cada local, criar as varas ou juizados especializados, na forma do art. 23 da Lei n. 13.431\/17, dando assim cumprimento \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o legal de conferir presta\u00e7\u00e3o jurisdicional c\u00e9lere e especializada tanto \u00e0s mulheres quanto \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A partir da entrada em vigor da Lei n. 13.431\/2017, nas comarcas em que n\u00e3o houver vara especializada em crimes contra a crian\u00e7a e o adolescente, compete \u00e0 vara especializada em viol\u00eancia dom\u00e9stica julgar as a\u00e7\u00f5es penais que apurem crimes envolvendo viol\u00eancia contra crian\u00e7as e adolescentes, independentemente de considera\u00e7\u00f5es acerca do sexo da v\u00edtima ou da motiva\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, ressalvada a modula\u00e7\u00e3o de efeitos realizada no julgamento do EAREsp 2.099.532\/RJ.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-compatibilidade-do-art-385-dp-cpp-com-o-sistema-acusatorio\"><a>17.&nbsp; Compatibilidade do art. 385 dp CPP com o sistema acusat\u00f3rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 385 do C\u00f3digo de Processo Penal \u00e9 compat\u00edvel com o sistema acusat\u00f3rio e n\u00e3o foi tacitamente derrogado pelo advento da Lei n. 13.964\/2019, respons\u00e1vel por introduzir o art. 3\u00ba-A no C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.022.413-PA, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por maioria, julgado em 14\/2\/2023(Info 765).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo responde a uma a\u00e7\u00e3o penal. Antes da prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, o MP pediu expressamente sua absolvi\u00e7\u00e3o em alega\u00e7\u00f5es finais, mas ainda assim houve a condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Creosvaldo interp\u00f4s recursos alegando a incompatibilidade da previs\u00e3o do art. 385 do CPP com o sistema acusat\u00f3rio e ainda a sua derroga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita pelo advento da Lei 13.964\/2019.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 42.&nbsp; O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o poder\u00e1 desistir da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 383.&nbsp; O juiz, sem modificar a descri\u00e7\u00e3o do fato contida na den\u00fancia ou queixa, poder\u00e1 atribuir-lhe defini\u00e7\u00e3o jur\u00eddica diversa, ainda que, em conseq\u00fc\u00eancia, tenha de aplicar pena mais grave.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 385.&nbsp; Nos crimes de a\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o juiz poder\u00e1 proferir senten\u00e7a condenat\u00f3ria, ainda que o Minist\u00e9rio P\u00fablico tenha opinado pela absolvi\u00e7\u00e3o, bem como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-o-dispositivo-e-compativel-com-o-sistema-acusatorio\"><a>17.2.2. O dispositivo \u00e9 compat\u00edvel com o sistema acusat\u00f3rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir se \u00e9 poss\u00edvel que o julgador condene criminalmente o r\u00e9u mesmo quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico pede expressamente a sua absolvi\u00e7\u00e3o em alega\u00e7\u00f5es finais, sobretudo \u00e0 luz das disposi\u00e7\u00f5es trazidas pela nova Lei n. 13.964\/2019, cuja sistem\u00e1tica haveria revogado tacitamente o art. 385 do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao contr\u00e1rio de outros sistemas, em que o Minist\u00e9rio P\u00fablico disp\u00f5e da a\u00e7\u00e3o (discricionariedade), no processo penal brasileiro o Promotor de Justi\u00e7a n\u00e3o pode abrir m\u00e3o do dever de conduzir a&nbsp;<em>actio penalis<\/em>&nbsp;at\u00e9 seu desfecho, <\/strong>quer para a realiza\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o punitiva, quer para, se for o caso, postular a absolvi\u00e7\u00e3o do acusado, hip\u00f3tese que n\u00e3o obriga o juiz natural da causa, consoante disposto no art. 385 do C\u00f3digo de Processo Penal, a atender ao pleito ministerial.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 385 do C\u00f3digo de Processo Penal prev\u00ea que, quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico pede a absolvi\u00e7\u00e3o do acusado, ainda assim o juiz est\u00e1 autorizado a conden\u00e1-lo, dada, tamb\u00e9m aqui, sob a \u00f3tica do Poder Judici\u00e1rio, a soberania do ato de julgar. Ademais, no nosso sistema, ao contr\u00e1rio de outros, o \u00f3rg\u00e3o ministerial n\u00e3o disp\u00f5e livremente da a\u00e7\u00e3o penal. O Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 o titular da a\u00e7\u00e3o penal, mas dela n\u00e3o pode, por raz\u00f5es de conveni\u00eancia institucional, simplesmente dispor, tal como ocorre na a\u00e7\u00e3o penal de iniciativa privada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A compreens\u00e3o, portanto, \u00e9 de que as posi\u00e7\u00f5es contingencialmente adotadas pelos representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico no curso de um processo n\u00e3o eliminam o conflito que est\u00e1 imanente, permanente, na persecu\u00e7\u00e3o penal,<\/strong> que \u00e9 o conflito entre o interesse punitivo do Estado, representado pelo&nbsp;<em>Parquet<\/em>, Estado acusador, e o interesse de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade do indiv\u00edduo acusado, ambos sob a responsabilidade do \u00f3rg\u00e3o incumbido da soberana fun\u00e7\u00e3o de julgar, por meio de quem, sopesadas as alega\u00e7\u00f5es e as provas produzidas sob o contradit\u00f3rio judicial, o Direito se expressa concretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto<strong>, mesmo que o \u00f3rg\u00e3o ministerial, em alega\u00e7\u00f5es finais, n\u00e3o haja pedido a condena\u00e7\u00e3o do acusado, ainda assim remanesce presente a pretens\u00e3o acusat\u00f3ria formulada no in\u00edcio da persecu\u00e7\u00e3o penal &#8211; pautada pelos princ\u00edpios da obrigatoriedade, da indisponibilidade e pelo car\u00e1ter publicista do processo<\/strong> -, a qual \u00e9 julgada pelo Estado-juiz, mediante seu soberano poder de dizer o direito (<em>juris dicere<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 preciso lembrar, a prop\u00f3sito, que o princ\u00edpio da correla\u00e7\u00e3o vincula o julgador apenas aos fatos narrados na den\u00fancia &#8211; aos quais ele pode, inclusive, atribuir qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica diversa (art. 383 do CPP) -, mas n\u00e3o o vincula aos fundamentos jur\u00eddicos invocados pelas partes em alega\u00e7\u00f5es finais para sustentar seus pedidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, uma vez veiculada a acusa\u00e7\u00e3o por meio da den\u00fancia e alterado o estado natural de in\u00e9rcia da jurisdi\u00e7\u00e3o &#8211; inafast\u00e1vel do Poder Judici\u00e1rio, nos termos do art. 5\u00ba, XXXV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal -, o processo segue por impulso oficial e o juiz tem o dever &#8211; pautado pelo sistema da persuas\u00e3o racional &#8211; de analisar o m\u00e9rito da causa submetida \u00e0 sua aprecia\u00e7\u00e3o \u00e0 vista da hip\u00f3tese acusat\u00f3ria contida na den\u00fancia, sem que lhe seja imposto o papel de mero homologador do que lhe foi proposto pelo&nbsp;<em>Parquet.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A submiss\u00e3o do magistrado \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o final do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a pretexto de supostamente concretizar o princ\u00edpio acusat\u00f3rio, implicaria, em verdade, subvert\u00ea-lo, transmutando o \u00f3rg\u00e3o acusador em julgador e solapando, al\u00e9m da independ\u00eancia funcional da magistratura, duas das basilares caracter\u00edsticas da jurisdi\u00e7\u00e3o: a indeclinabilidade e a indelegabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, \u00e9 importante n\u00e3o confundir a desist\u00eancia da a\u00e7\u00e3o &#8211; que \u00e9 expressamente vedada ao Minist\u00e9rio P\u00fablico pela previs\u00e3o contida no art. 42 do CPP e que levaria, se permitida, \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito e sem a forma\u00e7\u00e3o de coisa julgada material -, com a necess\u00e1ria vincula\u00e7\u00e3o do julgador aos fundamentos apresentados por uma das partes em alega\u00e7\u00f5es finais, cujo acolhimento leva \u00e0 extin\u00e7\u00e3o com resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito da causa e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de coisa julgada material insuper\u00e1vel, porquanto proibida a revis\u00e3o criminal<em>&nbsp;pro societate<\/em>&nbsp;em nosso ordenamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem observa a doutrina que, ao atribuir privativamente ao Minist\u00e9rio P\u00fablico a fun\u00e7\u00e3o de promover a a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica, o Constituinte ressalvou no art. 129, I, que isso deveria ser exercido &#8220;na forma da lei&#8221; (&#8220;promover, privativamente, a a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica, na forma da lei&#8221;), de modo a resguardar ao legislador ordin\u00e1rio alguma margem de conforma\u00e7\u00e3o constitucional para tratar da mat\u00e9ria, dentro da qual se enquadra a disposi\u00e7\u00e3o contida no art. 385 do CPP. \u00c9 dizer, mesmo sujeita a algumas cr\u00edticas doutrin\u00e1rias leg\u00edtimas, a referida previs\u00e3o normativa n\u00e3o chega ao ponto de poder ser considerada incompat\u00edvel com o ordenamento jur\u00eddico brasileiro, tampouco com o sistema acusat\u00f3rio entre n\u00f3s adotado.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz-se apenas a necess\u00e1ria pondera\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz das pertinentes palavras do eminente Ministro Roberto Barroso, no julgamento da AP 976\/PE, de que &#8220;[t]al norma, ainda que considerada constitucional, imp\u00f5e ao julgador que decidir pela condena\u00e7\u00e3o um \u00f4nus de fundamenta\u00e7\u00e3o elevado, para justificar a excepcionalidade de decidir contra o titular da a\u00e7\u00e3o penal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer, uma vez formulado pedido de absolvi\u00e7\u00e3o pelo<em>&nbsp;dominus litis<\/em>, caber\u00e1 ao julgador, na senten\u00e7a, apresentar os motivos f\u00e1ticos e jur\u00eddicos pelos quais entende ser cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o e refutar n\u00e3o apenas os fundamentos suscitados pela defesa, mas tamb\u00e9m aqueles invocados pelo&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;em suas alega\u00e7\u00f5es finais, a fim de demonstrar o equ\u00edvoco da manifesta\u00e7\u00e3o ministerial. Isso porque, tal como ocorre com os seus poderes instrut\u00f3rios, a faculdade de o julgador condenar o acusado em contrariedade ao pedido de absolvi\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;tamb\u00e9m s\u00f3 pode ser exercida de forma excepcional, devidamente fundamentada \u00e0 luz das circunst\u00e2ncias do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, diante de todas essas considera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 falar em viola\u00e7\u00e3o dos arts. 3\u00b0-A do CPP (&#8220;Art. 3\u00ba-A. O processo penal ter\u00e1 estrutura acusat\u00f3ria, vedadas a iniciativa do juiz na fase de investiga\u00e7\u00e3o e a substitui\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria do \u00f3rg\u00e3o de acusa\u00e7\u00e3o&#8221;) e 2\u00b0, \u00a7 1\u00b0, da Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro (&#8220;A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompat\u00edvel ou quando regule inteiramente a mat\u00e9ria de que tratava a lei anterior&#8221;), porquanto o art. 385 do CPP n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com o sistema acusat\u00f3rio entre n\u00f3s adotado e n\u00e3o foi tacitamente derrogado pelo advento da Lei n. 13.964\/2019, respons\u00e1vel por introduzir o art. 3\u00ba-A no C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 385 do C\u00f3digo de Processo Penal \u00e9 compat\u00edvel com o sistema acusat\u00f3rio e n\u00e3o foi tacitamente derrogado pelo advento da Lei n. 13.964\/2019, respons\u00e1vel por introduzir o art. 3\u00ba-A no C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-utilizacao-do-proprio-filho-para-a-pratica-de-crimes-como-obstativo-da-concessao-de-prisao-domiciliar\"><a>18.&nbsp; Utiliza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho para a pr\u00e1tica de crimes como obstativo da concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho para a pr\u00e1tica de crimes, por se tratar de situa\u00e7\u00e3o de risco ao menor, obsta a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 798.551-PR, Rel. Ministro Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 28\/2\/2023. <a>(Info 765)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudete foi presa pelo crime de tr\u00e1fico de drogas. Sua defesa requereu a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar, uma vez que ela seria respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o dos seus filhos menores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que Craudete tamb\u00e9m est\u00e1 sendo investigada pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o de menores, uma vez que teria incentivado seu filho Creitinho a tamb\u00e9m traficar drogas, raz\u00e3o pela qual a concess\u00e3o foi negada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-obsta-a-concessao-da-prisao-domiciliar\"><a>18.2.1. Obsta a concess\u00e3o da pris\u00e3o domiciliar?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Agora SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui entendimento no sentido de que &#8220;<em>\u00e9 poss\u00edvel o indeferimento da pris\u00e3o domiciliar da m\u00e3e de primeira inf\u00e2ncia, desde que fundamentada em reais peculiaridades que indiquem maior necessidade de acautelamento da ordem p\u00fablica ou melhor cumprimento da teleologia da norma, na esp\u00e9cie, a integral prote\u00e7\u00e3o do menor<\/em>&#8221; (AgRg no REsp 1.832.139\/RS, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 18\/2\/2020, DJe 21\/2\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias indeferiram o pedido de concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar por entenderem que a <strong>agravante tamb\u00e9m est\u00e1 sendo investigada pela pr\u00e1tica do crime de corrup\u00e7\u00e3o de menores em desfavor do pr\u00f3prio filho de 14 anos, o qual praticava o tr\u00e1fico de drogas por influ\u00eancia da acusada<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de a genitora envolver o filho adolescente no tr\u00e1fico representa RISCO \u00e0 pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o integral do menor. Nesse sentido, &#8220;os fatos de a investigada comercializar entorpecentes em sua pr\u00f3pria moradia, pertencer a organiza\u00e7\u00e3o criminosa, responder a outros procedimentos criminais por delitos da mesma natureza e por homic\u00eddio, al\u00e9m de envolver os pr\u00f3prios filhos na mercancia de entorpecentes, evidenciam o progn\u00f3stico de que a pris\u00e3o domiciliar n\u00e3o impediria a pr\u00e1tica de novas condutas delitivas no interior de sua casa, na presen\u00e7a das filhas menores de 12 anos, circunst\u00e2ncia que inviabiliza o acolhimento do pleito&#8221; (RHC 99.897\/RS, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 25\/9\/2018, DJe 15\/10\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-resultado-final\"><a>18.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio filho para a pr\u00e1tica de crimes, por se tratar de situa\u00e7\u00e3o de risco ao menor, obsta a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-d9eb4df1-c291-4a91-910d-3887367c6298\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/03\/28012644\/stj-765.pdf\">stj-765<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2023\/03\/28012644\/stj-765.pdf\" class=\"wp-block-file__button wp-element-button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-d9eb4df1-c291-4a91-910d-3887367c6298\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 765 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO CIVIL 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Abrang\u00eancia da interna\u00e7\u00e3o domiciliar em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar RECURSO ESPECIAL A cobertura de interna\u00e7\u00e3o domiciliar, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 interna\u00e7\u00e3o hospitalar, deve abranger os insumos necess\u00e1rios para garantir a efetiva [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1192667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 765 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-765-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 765 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Informativo n\u00ba 765 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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