{"id":1137902,"date":"2022-12-13T03:42:09","date_gmt":"2022-12-13T06:42:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1137902"},"modified":"2022-12-13T03:44:22","modified_gmt":"2022-12-13T06:44:22","slug":"informativo-stj-754-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-754-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 754 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Informativo n\u00ba 754 do STJ&nbsp;<strong>COMENTADO<\/strong>&nbsp;saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/12\/13034151\/stj-754.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_O8kMcSqQU48\"><div id=\"lyte_O8kMcSqQU48\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/O8kMcSqQU48\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/O8kMcSqQU48\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/O8kMcSqQU48\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-interposicao-de-recurso-administrativo-e-afastamento-da-incidencia-dos-juros-moratorios-sobre-multa-aplicada-por-agencia-reguladora\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo e afastamento da incid\u00eancia dos juros morat\u00f3rios sobre multa aplicada por ag\u00eancia reguladora<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo n\u00e3o afasta a incid\u00eancia dos juros morat\u00f3rios sobre multa aplicada por ag\u00eancia reguladora.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.574.873-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Vision Med ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria em face da ANS objetivando a anula\u00e7\u00e3o da multa aplicada em fun\u00e7\u00e3o do procedimento administrativo ou que o valor seja substitu\u00eddo por advert\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta que, ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o da multa, interp\u00f4s recurso administrativo, o que no seu entender deveria afastar a incid\u00eancia dos juros de mora durante o curso do processo administrativo sancionador, visto que ainda n\u00e3o constitu\u00eddo o cr\u00e9dito de forma definitiva.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 10.522\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37-A.&nbsp;&nbsp;Os cr\u00e9ditos das autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais, de qualquer natureza, n\u00e3o pagos nos prazos previstos na legisla\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o acrescidos de juros e multa de mora, calculados nos termos e na forma da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel aos tributos federais.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.430\/1996:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;61.&nbsp;Os d\u00e9bitos para com a Uni\u00e3o, decorrentes de tributos e contribui\u00e7\u00f5es administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1\u00ba de janeiro de 1997, n\u00e3o pagos nos prazos previstos na legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, ser\u00e3o acrescidos de multa de mora, calculada \u00e0 taxa de trinta e tr\u00eas cent\u00e9simos por cento, por dia de atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;1\u00ba A multa de que trata este artigo ser\u00e1 calculada a partir do primeiro dia subseq\u00fcente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia em que ocorrer o seu&nbsp;&nbsp;pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Decreto-Lei n. 1.736\/1979:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art 2\u00ba &#8211; Os d\u00e9bitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional ser\u00e3o acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e \u00e0 raz\u00e3o de 1% (um por cento) ao m\u00eas calend\u00e1rio, ou fra\u00e7\u00e3o, e calculados sobre o valor origin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art 5\u00ba &#8211; A corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e os juros de mora ser\u00e3o devidos inclusive durante o per\u00edodo em que a respectiva cobran\u00e7a houver sido suspensa por decis\u00e3o administrativa ou judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.847\/1999:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;4<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;A pena de multa ser\u00e1 graduada de acordo com a gravidade da infra\u00e7\u00e3o, a vantagem auferida, a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do infrator e os seus antecedentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;A multa ser\u00e1 recolhida no prazo de trinta dias, contado da decis\u00e3o administrativa definitiva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-interposicao-de-recurso-afasta-a-incidencia-dos-juros-de-mora\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Interposi\u00e7\u00e3o de recurso afasta a incid\u00eancia dos juros de mora?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 37-A da <a>Lei n. 10.522\/2002<\/a>, com reda\u00e7\u00e3o alterada pela Lei n. 11.941\/2009, que disp\u00f5e sobre o Cadastro Informativo dos cr\u00e9ditos n\u00e3o quitados de \u00f3rg\u00e3os e entidades federais e d\u00e1 outras provid\u00eancia, prev\u00ea que &#8220;os cr\u00e9ditos das autarquias e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas federais, de qualquer natureza, n\u00e3o pagos nos prazos previstos na legisla\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o acrescidos de juros de mora, calculados nos termos e na forma da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel aos tributos federais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria sobre disposi\u00e7\u00f5es gerais de acr\u00e9scimos morat\u00f3rios, no caso o \u00a71\u00ba, do art. 61, da Lei n. 9.430\/1996, prescreve que: &#8220;\u00a7 1\u00ba A multa de que trata este artigo ser\u00e1 calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia em que ocorrer o seu pagamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a manifestou-se no sentido de que &#8220;<strong>a interposi\u00e7\u00e3o do recurso administrativo apenas pode ensejar a suspens\u00e3o da exigibilidade da multa administrativa, mas n\u00e3o interfere no termo inicial dos encargos da mora, os quais incidem a partir do primeiro dia subsequente ao vencimento do prazo previsto para pagamento do cr\u00e9dito<\/strong>&#8221; (AgInt no AREsp 1.705.876\/PR, Relator Ministro Og Fernandes, DJe 29\/03\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo n\u00e3o afasta a incid\u00eancia dos juros morat\u00f3rios. Esse entendimento encontra amparado nos arts. 2\u00ba e 5\u00ba do Decreto-Lei n. 1.736\/1979 (Disp\u00f5e sobre d\u00e9bitos para com a Fazenda e d\u00e1 outras provid\u00eancias).<\/p>\n\n\n\n<p>Registre-se, por oportuno, que a impossibilidade de a ag\u00eancia reguladora dar in\u00edcio aos atos executivos, para fins de cobran\u00e7a de seu cr\u00e9dito, antes da conclus\u00e3o definitiva do processo administrativo, n\u00e3o altera a data do vencimento da d\u00edvida nem impede a constitui\u00e7\u00e3o em mora do devedor, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel aos tributos federais.<\/p>\n\n\n\n<p>De notar que, no julgamento do Incidente de Assun\u00e7\u00e3o de Compet\u00eancia &#8211; IAC 11, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a estabeleceu que, o artigo 4\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da <a>Lei n. 9.847\/1999<\/a>, pela especialidade que ostenta, afasta a incid\u00eancia dos arts. 37-A da Lei n. 10.522\/2001 e 61, \u00a7\u00a7 1\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 9.430\/1996, relativamente ao termo inicial da incid\u00eancia dos juros e da multa morat\u00f3ria sobre a penalidade imposta pela ANP.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o precedente vinculante aplica-se t\u00e3o somente \u00e0s multas administrativas aplicadas pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s natural e biocombust\u00edveis &#8211; ANP, em face do princ\u00edpio da especialidade (Lei n. 9.847\/1999).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, se negado o recurso administrativo pela ag\u00eancia reguladora, a data de vencimento do cr\u00e9dito continua sendo aquela contida na primeira notifica\u00e7\u00e3o &#8211; passando a incidir os juros de mora a partir do primeiro dia subsequente ao vencimento do prazo previsto para o pagamento da multa administrativa, conforme disposi\u00e7\u00e3o do art. 61, \u00a71\u00ba, da Lei n. 9.430\/1996 c\/c art. 37-A da Lei n. 10.552\/2002.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A interposi\u00e7\u00e3o de recurso administrativo n\u00e3o afasta a incid\u00eancia dos juros morat\u00f3rios sobre multa aplicada por ag\u00eancia reguladora.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-empresa-que-deixa-de-apresentar-seus-livros-societarios-em-prazo-habil-para-subsidiar-impugnacao-de-alegada-doacao-inoficiosa-por-um-de-seus-socios-e-aplicacao-da-teoria-da-perda-de-uma-chance\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Empresa que deixa de apresentar seus livros societ\u00e1rios em prazo h\u00e1bil para subsidiar impugna\u00e7\u00e3o de alegada doa\u00e7\u00e3o inoficiosa por um de seus s\u00f3cios e aplica\u00e7\u00e3o da teoria da perda de uma chance.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica a teoria da perda de uma chance para responsabilizar empresa que deixou <a>de apresentar seus livros societ\u00e1rios em prazo h\u00e1bil para subsidiar impugna\u00e7\u00e3o de alegada doa\u00e7\u00e3o inoficiosa por um de seus s\u00f3cios<\/a>, na hip\u00f3tese de n\u00e3o restar comprovado o nexo de causalidade entre o extravio dos livros e as chances de vit\u00f3ria na demanda judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.929.450-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide ajuizou a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria de danos materiais e morais em desfavor de MRF, sob o fundamento de que receberam participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria inferior ao que era efetivamente devido.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a autora, seu pai e fundador da empresa teria realizado diversas doa\u00e7\u00f5es, ao longo da vida, beneficiando os seus irm\u00e3os unilaterais, caracterizando-se como inoficiosas.<\/p>\n\n\n\n<p>A empresa deixou de apresentar dois livros societ\u00e1rios em a\u00e7\u00e3o de exibi\u00e7\u00e3o de documentos (porque alegadamente desaparecidos), os quais comprovariam ter o falecido pai doado somente aos seus outros irm\u00e3os cotas de sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria. Em raz\u00e3o disso, Creide pugna pela aplica\u00e7\u00e3o da teoria da perda de uma chance.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-possivel-a-aplicacao-da-teoria-da-perda-de-uma-chance\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da teoria da perda de uma chance?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia situa-se em torno da responsabilidade civil por perda de uma chance, especialmente a viabilidade de indeniza\u00e7\u00e3o da chance perdida em raz\u00e3o da dificuldade de obten\u00e7\u00e3o de elementos probat\u00f3rios em prazo h\u00e1bil para impugna\u00e7\u00e3o de alegadas doa\u00e7\u00f5es inoficiosas que teriam dilu\u00eddo a participa\u00e7\u00e3o social do falecido genitor das recorrentes em favor dos demais filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na perda de uma chance, h\u00e1 preju\u00edzo certo, e n\u00e3o apenas hipot\u00e9tico, situando-se a certeza na probabilidade de obten\u00e7\u00e3o de um benef\u00edcio frustrado por for\u00e7a do evento danoso imputado<\/strong>. Repara-se a chance perdida, e n\u00e3o o dano final.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a alega\u00e7\u00e3o central \u00e9 de que <a>teriam sido realizadas diversas doa\u00e7\u00f5es pelo seu pai, ao longo da vida, beneficiando os seus irm\u00e3os unilaterais, caracterizando-se como inoficiosas.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pugnaram, assim, pela repara\u00e7\u00e3o de danos oriundos da conduta da empresa, que <a>deixou de apresentar dois livros societ\u00e1rios em a\u00e7\u00e3o de exibi\u00e7\u00e3o de documentos, os quais comprovariam ter o falecido pai delas doado somente aos seus outros irm\u00e3os cotas de sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os pressupostos para o reconhecimento da responsabilidade civil por perda de uma chance, no caso concreto, foram bem sintetizados no ac\u00f3rd\u00e3o de origem: &#8220;(i) a viabilidade e a probabilidade de sucesso de futura a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de nulidade de doa\u00e7\u00f5es inoficiosas; (ii) a viabilidade e a probabilidade de sucesso de futura a\u00e7\u00e3o de sonegados; (iii) a exist\u00eancia de nexo de causalidade entre o extravio de dois livros e as chances de vit\u00f3ria nas demandas judiciais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o tribunal de origem concluiu que ainda que a companhia tivesse cumprido a decis\u00e3o judicial que determinou a exibi\u00e7\u00e3o dos livros, a situa\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria das autoras dificilmente seria modificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto \u00e9, consignou-se que n\u00e3o h\u00e1 nexo de causalidade entre o extravio dos dois livros da companhia e o insucesso no ajuizamento de a\u00e7\u00f5es declarat\u00f3ria de nulidade de doa\u00e7\u00f5es, por inoficiosas, ou de sonegados, por aus\u00eancia de cola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-resultado-final\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se aplica a teoria da perda de uma chance para responsabilizar empresa que deixou de apresentar seus livros societ\u00e1rios em prazo h\u00e1bil para subsidiar impugna\u00e7\u00e3o de alegada doa\u00e7\u00e3o inoficiosa por um de seus s\u00f3cios, na hip\u00f3tese de n\u00e3o restar comprovado o nexo de causalidade entre o extravio dos livros e as chances de vit\u00f3ria na demanda judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-incidencia-de-juros-remuneratorios-na-restituicao-de-deposito-judicial\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Incid\u00eancia de juros remunerat\u00f3rios na restitui\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sito judicial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o incidem juros remunerat\u00f3rios na restitui\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sito judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.809.207-PA, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do Banco Brasa com o objetivo de condenar o banco a pagar juros remunerat\u00f3rios em raz\u00e3o de um valor que fora depositado em conta judicial em um processo de invent\u00e1rio que perdurou por anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 629. O deposit\u00e1rio \u00e9 obrigado a ter na guarda e conserva\u00e7\u00e3o da coisa depositada o cuidado e dilig\u00eancia que costuma com o que lhe pertence, bem como a restitu\u00ed-la, com todos os frutos e acrescidos, quando o exija o depositante.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-incidem-juros-remuneratorios-no-deposito-judicial\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Incidem juros remunerat\u00f3rios no dep\u00f3sito judicial<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em definir a extens\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o do banco deposit\u00e1rio de restituir ao seu titular o valor depositado judicialmente no bojo de a\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rio, especificando-se, a esse fim, quais rubricas sobre tal quantia deve a institui\u00e7\u00e3o financeira fazer incidir.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria (indispens\u00e1vel \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do capital em sua inteireza) e dos juros morat\u00f3rios, no caso, pretende-se, ainda, a remunera\u00e7\u00e3o do capital depositado judicialmente por quase 50 (cinquenta) anos &#8211; incid\u00eancia de juros remunerat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Esclarece-se, inicialmente, que <strong>os juros remunerat\u00f3rios ou compensat\u00f3rios possuem por prop\u00f3sito remunerar o capital emprestado, tendo origem, por regra, na conven\u00e7\u00e3o estabelecida entre as partes.<\/strong> Resultam de uma utiliza\u00e7\u00e3o consentida de capital alheio. Estes, por evidente, n\u00e3o se confundem com os juros morat\u00f3rios, que t\u00eam como fundamento a demora na restitui\u00e7\u00e3o do capital ou o descumprimento de obriga\u00e7\u00e3o e podem decorrer da lei ou da conven\u00e7\u00e3o entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>Transportando-se tais defini\u00e7\u00f5es ao dep\u00f3sito judicial, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o inequ\u00edvoca de n\u00e3o haver incid\u00eancia de juros remunerat\u00f3rios ao valor depositado, a cargo da institui\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o dep\u00f3sito judicial constituiu um relevante instrumento destinado a dar concretude \u00e0 vindoura tutela jurisdicional, o qual \u00e9 viabilizado por meio de conv\u00eanios realizados entre institui\u00e7\u00f5es financeiras (p\u00fablicas) e o Poder Judici\u00e1rio, sendo regido pelas normas administrativas por este \u00faltimo editadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, <strong>o banco deposit\u00e1rio, exercente de fun\u00e7\u00e3o auxiliar do Ju\u00edzo, n\u00e3o estabelece nenhuma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica com o titular do numer\u00e1rio depositado<\/strong>. O dep\u00f3sito \u00e9 realizado em decorr\u00eancia de ordem emanada pelo Ju\u00edzo, n\u00e3o havendo, pois, nenhum consentimento, pelo titular (muitas vezes, ainda incerto), a respeito da utiliza\u00e7\u00e3o desse capital, muito menos aven\u00e7a acerca da remunera\u00e7\u00e3o desse capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as li\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias, &#8220;o deposit\u00e1rio n\u00e3o tem posse, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o apreci\u00e1vel por direito privado, mas sim poder p\u00fablico sobre a coisa, derivado do seu dever de det\u00ea-la&#8221;. N\u00e3o \u00e9 despiciendo anotar, inclusive, que, ainda que se procedesse a um paralelo entre o dep\u00f3sito judicial e o contrato de dep\u00f3sito banc\u00e1rio &#8211; realidades distintas que, por isso, n\u00e3o comportariam sequer compara\u00e7\u00e3o -, a remunera\u00e7\u00e3o do capital n\u00e3o consubstancia condi\u00e7\u00e3o inerente a esse tipo de contrato banc\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tecer as caracter\u00edsticas principais do contrato de dep\u00f3sito banc\u00e1rio, o qual, por suas particularidades, muito se distancia da figura do dep\u00f3sito, a doutrina \u00e9 perempt\u00f3ria em afirmar &#8220;n\u00e3o ser da ess\u00eancia do dep\u00f3sito banc\u00e1rio a remunera\u00e7\u00e3o pela perman\u00eancia dos recursos em m\u00e3os do banco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 629 do C\u00f3digo Civil (e art. 1.266 do CC\/1916), o deposit\u00e1rio \u00e9 obrigado a restituir a coisa depositada &#8220;com todos os frutos e acrescidos&#8221;. Nessa medida, o banco deposit\u00e1rio deve restituir a quantia depositada judicialmente, sobre a qual deve incidir corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria (S\u00famulas n. 179 e 271\/STJ) e juros de mora \u00e0 taxa legal, como fundamento na demora na restitui\u00e7\u00e3o do capital ao seu titular.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o incidem juros remunerat\u00f3rios na restitui\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sito judicial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-efeitos-do-reconhecimento-de-simulacao-na-compra-e-venda-de-imovel-em-detrimento-da-partilha-de-bens-do-casal\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efeitos do reconhecimento de simula\u00e7\u00e3o na compra e venda de im\u00f3vel em detrimento da partilha de bens do casal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento de simula\u00e7\u00e3o na compra e venda de im\u00f3vel em detrimento da partilha de bens do casal gera nulidade do neg\u00f3cio e garante o direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o a ex-c\u00f4njuge.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.969.648-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022, DJe 21\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirse e Nerso foram casados em comunh\u00e3o parcial de bens por mais de uma d\u00e9cada. Durante a const\u00e2ncia do entrevero conjugal, Nerso teria adquirido uma casa. Quando o casal quebrou os pratos, Nerso alegou, na a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, n\u00e3o possuir patrim\u00f4nio. Informou que a casa em quest\u00e3o seria de propriedade da empresa Pradela, que a teria adquirido da empresa Protela, empresas essas que, segundo Nirse, seriam de fachada e de propriedade da fam\u00edlia de Nerso. Logo, o neg\u00f3cio jur\u00eddico da compra e venda teria sido simulado com o intuito de impedir a regular partilha de bens do casal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 167. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado, mas subsistir\u00e1 o que se dissimulou, se v\u00e1lido for na subst\u00e2ncia e na forma.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, quando lhe couber intervir.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do neg\u00f3cio jur\u00eddico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, n\u00e3o lhe sendo permitido supri-las, ainda que a requerimento das partes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-nulo-o-negocio-simulado\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nulo o neg\u00f3cio simulado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na an\u00e1lise do v\u00edcio da simula\u00e7\u00e3o, devem ser considerados os seguintes elementos<\/strong>: a consci\u00eancia dos envolvidos na declara\u00e7\u00e3o do ato, sabidamente divergente de sua vontade \u00edntima; a inten\u00e7\u00e3o enganosa em rela\u00e7\u00e3o a terceiros; e o conluio entre os participantes do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, s\u00e3o ind\u00edcios palp\u00e1veis para a conclus\u00e3o positiva de simula\u00e7\u00e3o: aliena\u00e7\u00e3o de todo o patrim\u00f4nio do agente ou de grande parte dele; rela\u00e7\u00f5es j\u00e1 citadas de parentesco ou amizade \u00edntima entre os simuladores, bem como rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia hier\u00e1rquica ou meramente empregat\u00edcia ou moral; antecedentes e a personalidade do simulador; exist\u00eancia de outros atos semelhantes praticados por ele; decantada falta de possibilidade financeira do adquirente: pre\u00e7o vil; n\u00e3o-transfer\u00eancia de numer\u00e1rio no ato nas contas banc\u00e1rias dos participantes; continua\u00e7\u00e3o do alienante na posse da coisa alienada; o fato de o adquirente n\u00e3o conhecer a coisa adquirida.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as circunst\u00e2ncias que evidenciam seguramente a ocorr\u00eancia de simula\u00e7\u00e3o no neg\u00f3cio jur\u00eddico envolvendo a compra e venda do im\u00f3vel, em detrimento \u00e0 mea\u00e7\u00e3o de bens: (1) im\u00f3vel que desde a aquisi\u00e7\u00e3o foi utilizado como resid\u00eancia do casal e do filho; (2) parentesco e subordina\u00e7\u00e3o entre os s\u00f3cios das empresas &#8220;de fachada&#8221;, envolvidas na compra do im\u00f3vel, e o ex-marido; (3) aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia banc\u00e1ria em dinheiro entre tais empresas para a aquisi\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel; (4) comprova\u00e7\u00e3o de que o ex-marido era o administrador de fato e movimentava as contas banc\u00e1rias de tais empresas envolvidas no neg\u00f3cio; (5) diversas den\u00fancias, a\u00e7\u00f5es judiciais e investiga\u00e7\u00f5es acerca de envolvimento do ex-marido e outros em esquemas de blindagem de patrim\u00f4nio; e (6) ajuizamento de a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de impenhorabilidade do im\u00f3vel, por parte ex-marido, sob o fundamento de se tratar de bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A simula\u00e7\u00e3o como causa de nulidade (n\u00e3o de anulabilidade), do neg\u00f3cio jur\u00eddico e, dessa forma, como regra de ordem p\u00fablica que \u00e9, pode ser declarada at\u00e9 mesmo de of\u00edcio pelo juiz da causa<\/strong> (art. 168, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, o art. 167 do CC\/2002 \u00e9 claro ao prescrever que \u00e9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado, mas subsistir\u00e1 o que se dissimulou, se v\u00e1lido for na subst\u00e2ncia e na forma.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda, o enunciado n. 294 da IV Jornada de Direito Civil promovida pelo Conselho da Justi\u00e7a Federal pontuou que sendo a simula\u00e7\u00e3o uma causa de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico, pode ser alegada por uma das partes contra a outra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O reconhecimento de simula\u00e7\u00e3o na compra e venda de im\u00f3vel em detrimento da partilha de bens do casal gera nulidade do neg\u00f3cio e garante o direito \u00e0 mea\u00e7\u00e3o a ex-c\u00f4njuge.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-clausula-que-desobriga-uma-das-partes-a-remunerar-a-outra-por-servicos-prestados-na-hipotese-de-rescisao-contratual-boa-fe-e-funcao-social-do-contrato\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cl\u00e1usula que desobriga uma das partes a remunerar a outra por servi\u00e7os prestados na hip\u00f3tese de rescis\u00e3o contratual, boa-f\u00e9 e fun\u00e7\u00e3o social do contrato.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cl\u00e1usula que desobriga uma das partes a remunerar a outra por servi\u00e7os prestados na hip\u00f3tese de rescis\u00e3o contratual n\u00e3o viola a boa-f\u00e9 e a fun\u00e7\u00e3o social do contrato quando presente equil\u00edbrio entre as partes contratantes no momento da estipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.799.039-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por maioria, julgado em 04\/10\/2022, DJe 07\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Operat\u00f3rios Ltda e Instituto Sa\u00fade celebraram contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos, o qual ficou vinculado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo para gest\u00e3o do Hospital Municipal da cidade. No contrato estava previsto que a contratada n\u00e3o faria jus a qualquer remunera\u00e7\u00e3o, ainda que por servi\u00e7os prestados, em caso de resili\u00e7\u00e3o contratual com a municipalidade, ou seja, se a empresa perdesse a gest\u00e3o do hospital. Operat\u00f3rios Ltda considera tal disposi\u00e7\u00e3o abusiva, configurando vantagem exagerada que violaria os princ\u00edpios da boa-f\u00e9 objetiva e da veda\u00e7\u00e3o ao enriquecimento sem causa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 13.874\/2019:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba&nbsp;&nbsp;S\u00e3o direitos de toda pessoa, natural ou jur\u00eddica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento econ\u00f4micos do Pa\u00eds, observado o disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do&nbsp;art. 170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; ter a garantia de que os neg\u00f3cios jur\u00eddicos empresariais parit\u00e1rios ser\u00e3o objeto de livre estipula\u00e7\u00e3o das partes pactuantes, de forma a aplicar todas as regras de direito empresarial apenas de maneira subsidi\u00e1ria ao aven\u00e7ado, exceto normas de ordem p\u00fablica;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 421. &nbsp;A liberdade contratual ser\u00e1 exercida nos limites da fun\u00e7\u00e3o social do contrato.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-a-clausula-viola-a-boa-fe-e-funcao-social-do-contrato\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cl\u00e1usula viola a boa f\u00e9 e fun\u00e7\u00e3o social do contrato?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se estipulada em equil\u00edbrio, N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>Lei n. 13.874\/2019, <\/a>tamb\u00e9m intitulada de Lei da Liberdade Econ\u00f4mica, em seu art. 3\u00b0, VIII, determinou que s\u00e3o direitos de toda pessoa, natural ou jur\u00eddica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento econ\u00f4micos do Pa\u00eds, observado o disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ter a garantia de que os neg\u00f3cios jur\u00eddicos empresariais parit\u00e1rios ser\u00e3o objeto de livre estipula\u00e7\u00e3o das partes pactuantes, de forma a aplicar todas as regras de direito empresarial apenas de maneira subsidi\u00e1ria ao aven\u00e7ado, exceto normas de ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O controle judicial sobre eventuais cl\u00e1usulas abusivas em contratos empresariais \u00e9 mais restrito do que em outros setores do Direito Privado<\/strong>, pois as negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o entabuladas entre profissionais da \u00e1rea empresarial, observando regras costumeiramente seguidas pelos integrantes desse setor da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o obstante a liberdade de contrata\u00e7\u00e3o e a autonomia privada sejam princ\u00edpios fundamentais no Direito Civil, eles n\u00e3o s\u00e3o absolutos, porquanto encontram LIMITES na fun\u00e7\u00e3o social do contrato, na probidade e na boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A exist\u00eancia de equil\u00edbrio e liberdade entre as partes durante a contrata\u00e7\u00e3o, bem como a natureza do contrato e as expectativas s\u00e3o itens ESSENCIAIS a serem observados quando se alega a nulidade de uma cl\u00e1usula<\/strong> com fundamento na viola\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9 objetiva e na fun\u00e7\u00e3o social do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Em se tratando de contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os firmado entre dois particulares os quais est\u00e3o em p\u00e9 de igualdade no momento de delibera\u00e7\u00e3o sobre os termos do contrato, considerando-se a atividade econ\u00f4mica por eles desempenhada, inexiste legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica apta a conferir tutela diferenciada para este tipo de rela\u00e7\u00e3o, devendo prevalecer a determina\u00e7\u00e3o do art. 421, do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A cl\u00e1usula que desobriga uma das partes a remunerar a outra por servi\u00e7os prestados na hip\u00f3tese de rescis\u00e3o contratual n\u00e3o viola a boa-f\u00e9 e a fun\u00e7\u00e3o social do contrato quando presente equil\u00edbrio entre as partes contratantes no momento da estipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-interrupcao-prescricional-e-principio-da-unicidade\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Interrup\u00e7\u00e3o prescricional e princ\u00edpio da unicidade<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do princ\u00edpio da unicidade da interrup\u00e7\u00e3o prescricional, mesmo diante de uma hip\u00f3tese interruptiva extrajudicial (protesto de t\u00edtulo) e outra em decorr\u00eancia de a\u00e7\u00e3o judicial de cancelamento de protesto e t\u00edtulo executivo, apenas admite-se a interrup\u00e7\u00e3o do prazo pelo primeiro dos eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.786.266-DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Indy Produ\u00e7\u00f5es op\u00f4s embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o promovida por Craudio, alegando preliminarmente a prescri\u00e7\u00e3o das duplicatas que embasavam a pretens\u00e3o executiva. O juiz de primeira inst\u00e2ncia afastou a prescri\u00e7\u00e3o trienal, por considerar que houve dupla interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional \u2013 pelo protesto cambial (30\/07\/2013) e pelo ajuizamento (30\/07\/2016), pelo devedor, de a\u00e7\u00e3o de cancelamento das duplicatas e do protesto. Decis\u00e3o mantida pelo tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Indy interp\u00f4s recurso especial defendendo que a prescri\u00e7\u00e3o poderia ser interrompida somente uma \u00fanica vez.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 202. A interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o, que somente poder\u00e1 ocorrer uma vez, dar-se-\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a cita\u00e7\u00e3o, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; por protesto, nas condi\u00e7\u00f5es do inciso antecedente;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; por protesto cambial;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; pela apresenta\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de cr\u00e9dito em ju\u00edzo de invent\u00e1rio ou em concurso de credores;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; por qualquer ato inequ\u00edvoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A prescri\u00e7\u00e3o interrompida recome\u00e7a a correr da data do ato que a interrompeu, ou do \u00faltimo ato do processo para a interromper.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-so-vale-a-primeira-interrupcao\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; S\u00f3 vale a primeira interrup\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Exatamente!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia limita-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do art. 202,&nbsp;<em>caput<\/em>, do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>, especificamente sobre se h\u00e1 possibilidade de dupla interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o, na hip\u00f3tese de uma delas ocorrer por causa extrajudicial e a outra em decorr\u00eancia de cita\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O C\u00f3digo Civil de 2002 inovou ao prever que a interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ocorrer uma \u00fanica vez<\/strong>, com a finalidade de obstar a eterniza\u00e7\u00e3o do direito de a\u00e7\u00e3o mediante constantes interrup\u00e7\u00f5es da prescri\u00e7\u00e3o, evitando, desse modo, a perpetuidade da incerteza e da inseguran\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que o legislador, ao determinar a unicidade da interrup\u00e7\u00e3o prescricional, n\u00e3o diferenciou, para aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio, a causa interruptiva em raz\u00e3o de cita\u00e7\u00e3o processual (inciso I) daquelas ocorridas fora do processo judicial (incisos II a VI).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a doutrina afirma que &#8220;<strong>n\u00e3o importa que existam v\u00e1rios caminhos para se obter a interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o. Usado um deles, a interrup\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada ser\u00e1 \u00fanica. N\u00e3o ter\u00e1 o credor como se valer de outra causa legal para renovar o efeito interruptivo. Se usar o protesto judicial, por exemplo, n\u00e3o ter\u00e1 efic\u00e1cia de interrup\u00e7\u00e3o o posterior ato de reconhecimento da d\u00edvida pelo devedor. Vale dizer, a cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o afetar\u00e1 a prescri\u00e7\u00e3o se alguma outra causa interruptiva houver ocorrido antes da propositura da a\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por essa raz\u00e3o, somente \u00e9 poss\u00edvel uma \u00fanica interrup\u00e7\u00e3o prescricional, de forma que, verificada a interrup\u00e7\u00e3o por qualquer uma das situa\u00e7\u00f5es descritas no art. 202 do CC\/2002, n\u00e3o se admite nova interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o por for\u00e7a de um segundo evento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o do princ\u00edpio da unicidade da interrup\u00e7\u00e3o prescricional, mesmo diante de uma hip\u00f3tese interruptiva extrajudicial (protesto de t\u00edtulo) e outra em decorr\u00eancia de a\u00e7\u00e3o judicial de cancelamento de protesto e t\u00edtulo executivo, apenas admite-se a interrup\u00e7\u00e3o do prazo pelo primeiro dos eventos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-validade-do-cub-sinduscon-como-indexador-para-a-correcao-monetaria-das-prestacoes-ajustadas-relativamente-ao-periodo-de-edificacao-do-imovel\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Validade do CUB-SINDUSCON como indexador para a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das presta\u00e7\u00f5es ajustadas relativamente ao per\u00edodo de edifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>CUB-SINDUSCON \u00e9 indexador v\u00e1lido para a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das presta\u00e7\u00f5es ajustadas relativamente ao per\u00edodo de edifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel <\/a>e ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra deve incidir o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC).<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.716.741-RS, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 12\/09\/2022, DJe 19\/09\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cleide ajuizou a\u00e7\u00e3o revisional de contrato de promessa de compra e venda de im\u00f3vel cumulada com repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito, dep\u00f3sito de quantias, antecipa\u00e7\u00e3o de tutela e absten\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00e3o financeira contra RIR Constru\u00e7\u00f5es Ltda. Na a\u00e7\u00e3o, requereu a declara\u00e7\u00e3o de nulidade das cl\u00e1usulas contratuais abusivas, em especial o reajuste das presta\u00e7\u00f5es pelo CUB (Custo Unit\u00e1rio B\u00e1sico da Constru\u00e7\u00e3o Civil fornecido pelo Sinduscon\/RS).<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi julgada improcedente. Inconformada, Cleide interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega diverg\u00eancia jurisprudencial, em virtude da utiliza\u00e7\u00e3o do CUB como indexador em contrato de promessa de compra e venda de im\u00f3vel j\u00e1 constru\u00eddo e recebido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-como-fica-entao\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como fica ent\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Durante a obra \u00e9 v\u00e1lido o CUB como indexador e ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra deve ser utilizado o INPC!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0 incid\u00eancia do Custo Unit\u00e1rio B\u00e1sico da Constru\u00e7\u00e3o Civil (CUB) como indexador do contrato de promessa de compra e venda, esta Corte tem decidido que &#8220;<strong>o CUB-SINDUSCON \u00e9 indexador v\u00e1lido para a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das presta\u00e7\u00f5es ajustadas relativamente ao per\u00edodo de edifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel objeto do contrato<\/strong>. [\u2026] <strong>Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de tal \u00edndice<\/strong>.&#8221; (STJ, AgRg no AgRg no Ag 941.737\/MG, relator Ministro Humberto Gomes De Barros, Terceira Turma, julgado em 3\/12\/2007, DJ de 14\/12\/2007, p. 416.)<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No contrato de compra e venda de im\u00f3vel com a obra finalizada n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00edndice setorial de reajuste, pois n\u00e3o h\u00e1 mais influ\u00eancia do pre\u00e7o dos insumos da constru\u00e7\u00e3o civil.&#8221; (STJ, REsp 936.795\/SC, Rel. Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 08\/04\/2008, DJe 25\/04\/2008).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, &#8220;a utiliza\u00e7\u00e3o do CUB-Sinduscon, \u00edndice de id\u00eantica natureza do INCC, somente se afigura incab\u00edvel ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra do im\u00f3vel.&#8221; (STJ, AgRg no REsp 761.275\/DF, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 18\/12\/2008, DJe de 26\/2\/2009.)<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, &#8220;ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra do im\u00f3vel&#8221; (STJ, AgRg no REsp 761.275\/DF) deve incidir o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC). (STJ, AgRg no AgRg no Ag 941.737\/MG).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-resultado-final\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O CUB-SINDUSCON \u00e9 indexador v\u00e1lido para a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria das presta\u00e7\u00f5es ajustadas relativamente ao per\u00edodo de edifica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel e ap\u00f3s a conclus\u00e3o da obra deve incidir o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-teoria-menor-da-desconsideracao-da-personalidade-juridica-e-impossibilidade-da-responsabilizacao-pessoal-de-quem-nao-integra-o-quadro-societario-da-empresa-administrador-nao-socio\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica e impossibilidade da responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de quem n\u00e3o integra o quadro societ\u00e1rio da empresa (administrador n\u00e3o s\u00f3cio).<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para fins de aplica\u00e7\u00e3o da Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, o \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC n\u00e3o d\u00e1 margem para admitir a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de quem n\u00e3o integra o quadro societ\u00e1rio da empresa (administrador n\u00e3o s\u00f3cio).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.860.333-DF, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o movida por Girson em face de John Engenharia, o autor requereu a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica da empresa. O intento do autor era estender a responsabilidade pelo pagamento do objeto da execu\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade empres\u00e1ria, bem como aos apenas administradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformados, Juvenal e Juv\u00eancio, os administradores n\u00e3o s\u00f3cios prejudicados pela decis\u00e3o do IDPJ, interpuseram sucessivos recursos alegando que o tribunal local teria violado a regra inserta no artigo 28, par\u00e1grafo 5\u00ba, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, em raz\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o indevida de sua aplicabilidade, porque invi\u00e1vel se valer da referida norma para responsabiliza\u00e7\u00e3o de administradores n\u00e3o s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28. O juiz poder\u00e1 desconsiderar a personalidade jur\u00eddica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infra\u00e7\u00e3o da lei, fato ou ato il\u00edcito ou viola\u00e7\u00e3o dos estatutos ou contrato social. A desconsidera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ser\u00e1 efetivada quando houver fal\u00eancia, estado de insolv\u00eancia, encerramento ou inatividade da pessoa jur\u00eddica provocados por m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 5\u00b0 Tamb\u00e9m poder\u00e1 ser desconsiderada a pessoa jur\u00eddica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obst\u00e1culo ao ressarcimento de preju\u00edzos causados aos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 50. &nbsp;Em caso de abuso da personalidade jur\u00eddica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confus\u00e3o patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Minist\u00e9rio P\u00fablico quando lhe couber intervir no processo, desconsider\u00e1-la para que os efeitos de certas e determinadas rela\u00e7\u00f5es de obriga\u00e7\u00f5es sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de s\u00f3cios da pessoa jur\u00eddica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-sobra-ate-pro-administrador-nao-socio\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sobra at\u00e9 pro administrador n\u00e3o s\u00f3cio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A\u00ed tamb\u00e9m n\u00e3o&#8230;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 possibilidade ou n\u00e3o de, a partir da teoria menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, adotado no artigo art. 28, par\u00e1grafo 5\u00ba, do <a>C\u00f3digo de Defesa do Consumidor<\/a>, atingir-se\/responsabilizar-se o administrador n\u00e3o s\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>O instituto da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica \u00e9 origin\u00e1rio da experi\u00eancia anglo-sax\u00f4nica, tradicionalmente denominada de &#8220;<em>disregard doctrine<\/em>&#8220;, e que tem por escopo superar a autonomia e separa\u00e7\u00e3o patrimonial, a fim de responsabilizar s\u00f3cios e\/ou administradores por obriga\u00e7\u00f5es inicialmente de titularidade apenas da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio, infere-se dois sistemas para a desconsidera\u00e7\u00e3o<\/strong>: (a) aquele inserto no C\u00f3digo Civil, em seu artigo 50, concebido \u00e0 luz da denominada teoria maior e (b) aquele disciplinado pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, em seu artigo 28, par\u00e1grafo 5\u00ba, relacionado \u00e0 intitulada teoria menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da teoria MENOR da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica (art. 28, \u00a7 5\u00ba, do CDC), <strong>revela-se suficiente que consumidor demonstre o estado de insolv\u00eancia do fornecedor ou o fato de a personalidade jur\u00eddica representar um obst\u00e1culo ao ressarcimento dos preju\u00edzos causados<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A citada teoria encontra como pressuposto o fato de que o risco empresarial, inerente ao exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica, deve ser suportado por aqueles que integram os quadros societ\u00e1rios, com capacidade de gest\u00e3o, e n\u00e3o o consumidor. Assim, &#8220;em se tratando de v\u00ednculo de \u00edndole consumerista, (\u00e9 poss\u00edvel) a utiliza\u00e7\u00e3o da chamada Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, a qual se contenta com o estado de insolv\u00eancia do fornecedor, somado \u00e0 m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o da empresa, ou, ainda, com o fato de a personalidade jur\u00eddica representar um &#8220;obst\u00e1culo ao ressarcimento de preju\u00edzos causados aos consumidores&#8221; (art. 28 e seu \u00a7 5\u00ba, do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor).&#8221; (REsp 1.111.153\/RJ, relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 06\/12\/2012, DJe de 04\/02\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, diversamente do que ocorre com a teoria MAIOR, prevista no C\u00f3digo Civil, o par\u00e1grafo 5\u00ba do artigo 28 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o contempla a previs\u00e3o espec\u00edfica acerca da possibilidade de extens\u00e3o da responsabilidade ao administrador n\u00e3o s\u00f3cio, isto \u00e9, \u00e0quele que, embora desempenhe as fun\u00e7\u00f5es gerenciais, n\u00e3o integra o quadro societ\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Oportuno destacar que, na reda\u00e7\u00e3o original do diploma consumerista, havia alus\u00e3o\/men\u00e7\u00e3o expressa sobre o atingimento do patrim\u00f4nio do administrador, ainda que n\u00e3o-s\u00f3cio, especificamente no \u00a7 1\u00ba do artigo 28. Todavia, o artigo em comento foi vetado, n\u00e3o havendo, portanto, no diploma em quest\u00e3o, previs\u00e3o para desconsidera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele que n\u00e3o integre o quadro societ\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que o&nbsp;<em>caput&nbsp;<\/em>do artigo 28 pudesse ser conjugado com a norma prevista no artigo 50 do C\u00f3digo Civil &#8211; pois ambos versam acerca da teoria maior -, a fim de reconhecer a possibilidade de desconsidera\u00e7\u00e3o para estender a responsabilidade obrigacional aos administradores n\u00e3o integrantes do quadro societ\u00e1rio, infere-se a inviabilidade de o fazer em rela\u00e7\u00e3o ao disposto no par\u00e1grafo 5\u00ba do artigo 28 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, lastreado na teoria menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso porque, o dispositivo em comento, aut\u00f4nomo em rela\u00e7\u00e3o ao&nbsp;<em>caput<\/em>, afigura-se mais gravoso, pois tem incid\u00eancia em hip\u00f3teses mais flex\u00edveis, exigindo menos requisitos, isto \u00e9, sem a necessidade de demonstra\u00e7\u00e3o do abuso da personalidade jur\u00eddica, pr\u00e1tica de ato il\u00edcito ou de infra\u00e7\u00e3o. Aplica-se, por conseguinte, a casos de mero inadimplemento, em que se observe, por exemplo, a aus\u00eancia de bens de titularidade da pessoa jur\u00eddica, h\u00e1beis a saldar o d\u00e9bito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <strong>dada especificidade do par\u00e1grafo em quest\u00e3o<\/strong>, e as consequ\u00eancias decorrentes de sua aplica\u00e7\u00e3o &#8211; extens\u00e3o da responsabilidade obrigacional -, afigura-se invi\u00e1vel a ado\u00e7\u00e3o de um interpreta\u00e7\u00e3o extensiva, com a atribui\u00e7\u00e3o de abrang\u00eancia apenas prevista no artigo 50 do CC\/2002, particularmente no que concerne ao atingimento do patrim\u00f4nio de administrador n\u00e3o s\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para fins de aplica\u00e7\u00e3o da Teoria Menor da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, o \u00a7 5\u00ba do art. 28 do CDC n\u00e3o d\u00e1 margem para admitir a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal de quem n\u00e3o integra o quadro societ\u00e1rio da empresa (administrador n\u00e3o s\u00f3cio).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-possibilidade-juridica-do-pedido-de-nova-adocao-formulado-pela-mae-biologica-em-relacao-a-filha-adotada-por-outrem-anteriormente-na-infancia\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Possibilidade jur\u00eddica do pedido de nova ado\u00e7\u00e3o formulado pela m\u00e3e biol\u00f3gica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filha adotada por outrem, anteriormente, na inf\u00e2ncia.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O pedido de nova ado\u00e7\u00e3o formulado pela m\u00e3e biol\u00f3gica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filha adotada por outrem, anteriormente, na inf\u00e2ncia, n\u00e3o se afigura juridicamente imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 11\/10\/2022, DJe 24\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Gertrudes ajuizou a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o com intuito de adotar sua filha biol\u00f3gica, Genoveva, maior de idade e capaz, a qual fora adotada por outra fam\u00edlia na inf\u00e2ncia. Com o passar dos anos, Gertrudes e Genoveva foram se aproximando cada vez mais e passaram a nutrir um desejo rec\u00edproco de retornarem a ser m\u00e3e e filha, com o que concordaram os pais adotivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na demanda, n\u00e3o se postulou a nulidade ou revoga\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o anterior, mas o deferimento de outra. No caso, a demanda foi ajuizada em agosto de 2003, quando a ado\u00e7\u00e3o de adultos era regulada pelo C\u00f3digo Civil de 2002. Passou-se a questionar ent\u00e3o a possibilidade jur\u00eddica da nova ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.618.&nbsp; A ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes ser\u00e1 deferida na forma prevista pela Lei n&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>8.069, de 13 de julho de 1990 &#8211; Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.619.&nbsp; A ado\u00e7\u00e3o de maiores de 18 (dezoito) anos depender\u00e1 da assist\u00eancia efetiva do poder p\u00fablico e de senten\u00e7a constitutiva, aplicando-se, no que couber, as regras gerais da&nbsp;Lei n&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>8.069, de 13 de julho de 1990&nbsp;&#8211; Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>ECA:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 39. A ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a e de adolescente reger-se-\u00e1 segundo o disposto nesta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>A ado\u00e7\u00e3o \u00e9 medida excepcional e irrevog\u00e1vel, \u00e0 qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou adolescente na fam\u00edlia natural ou extensa, na forma do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 25 desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-e-possivel-o-novo-pedido\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 poss\u00edvel o novo pedido?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em tese, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a nova reda\u00e7\u00e3o dos arts. 1.618 e 1.619 do CC\/2002, <strong>a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as ser\u00e1 regida pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/strong>. No mesmo sentido a ado\u00e7\u00e3o de adultos, que tamb\u00e9m depender\u00e1 da assist\u00eancia efetiva do Poder P\u00fablico e de senten\u00e7a constitutiva, e ser\u00e1 regida pela mesma Lei, no que couber.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o subsiste mais a discuss\u00e3o em torno de se determinar qual \u00e9 o documento legal regente das ado\u00e7\u00f5es. Atualmente, todas as ado\u00e7\u00f5es, sejam de crian\u00e7as, adolescentes ou adultos, ser\u00e3o regidas pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, guardadas as particularidades pr\u00f3prias das ado\u00e7\u00f5es de adultos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, uma vez proposta demanda judicial, o julgamento desta deve ter como refer\u00eancia a lei vigente no momento do ajuizamento da a\u00e7\u00e3o. No caso, a demanda foi ajuizada em agosto de 2003, quando a ado\u00e7\u00e3o de adultos era regulada pelo C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o para o julgamento da presente a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o de pessoa maior, deve-se considerar dois aspectos relevantes: a) o regramento aplic\u00e1vel ao pedido de ado\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele vigente \u00e0 \u00e9poca da propositura da a\u00e7\u00e3o, ou seja, a reda\u00e7\u00e3o original dos arts. 1.618 e seguintes do C\u00f3digo Civil de 2002; b) a pessoa maior foi adotada em 1986, antes, portanto, do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, quando era vigente o C\u00f3digo de Menores (Lei n. 6.697\/1979).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inequ\u00edvoco que a ado\u00e7\u00e3o realizada na inf\u00e2ncia \u00e9 v\u00e1lida e irrevog\u00e1vel, mesmo considerando-se que foi realizada sob a \u00e9gide do C\u00f3digo de Menores<\/strong> (art. 37 da Lei n. 6.697\/1979). Criou-se novo v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o, com a consequente desconstitui\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo da adotada com os pais biol\u00f3gicos e parentes consangu\u00edneos, exceto quanto aos impedimentos matrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a genitora ajuizou a\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o, no intuito de adotar sua filha biol\u00f3gica, maior de idade e capaz, a qual fora adotada na inf\u00e2ncia. Com o passar dos anos, m\u00e3e e filha biol\u00f3gicas foram se aproximando cada vez mais e passaram a nutrir um desejo rec\u00edproco de retornarem a ser m\u00e3e e filha, com o que concordam os pais adotivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, na demanda, n\u00e3o se postula a nulidade ou revoga\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o anterior, mas o deferimento de outra: ado\u00e7\u00e3o de pessoa maior, regida pelo C\u00f3digo Civil de 2002, n\u00e3o sujeita (ao tempo da propositura da a\u00e7\u00e3o) ao regime especial do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, embora dependendo de procedimento judicial e senten\u00e7a constitutiva (art. 1.623, par\u00e1grafo \u00fanico, do CC\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>A lei n\u00e3o traz expressamente a impossibilidade de se adotar pessoa anteriormente adotada. <strong>Basta, portanto, o consentimento das partes envolvidas, ou seja, os pais ou representantes legais, e da concord\u00e2ncia do adotando.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que o argumento de que a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevog\u00e1vel, consoante a antiga reda\u00e7\u00e3o do art. 48 do ECA (atual art. 39, \u00a7 1\u00ba), n\u00e3o conduz \u00e0 conclus\u00e3o de que o pedido \u00e9 juridicamente imposs\u00edvel. Isso, porque a finalidade da irrevogabilidade da ado\u00e7\u00e3o \u00e9 proteger os interesses do menor adotado, em se tratando de crian\u00e7a e adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o escopo da norma \u00e9 vedar a revoga\u00e7\u00e3o da filia\u00e7\u00e3o adotiva a fim de evitar que os adotantes simplesmente &#8220;arrependam-se&#8221; da ado\u00e7\u00e3o efetivada, por quaisquer motivos, e &#8220;devolvam&#8221; a crian\u00e7a ou adolescente adotado, sendo a irrevogabilidade uma medida de prote\u00e7\u00e3o, estatu\u00edda em favor dos interesses do menor adotado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando o adotado, ao atingir a maioridade, deseja constituir novo v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o e concorda com nova ado\u00e7\u00e3o, n\u00e3o faz sentido a prote\u00e7\u00e3o legal<\/strong>, ficando claro que seus interesses ser\u00e3o melhor preservados com o respeito \u00e0 sua vontade, livremente manifestada.<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa, maior ou menor de dezoito anos, deve &#8220;constituir efetivo benef\u00edcio para o adotando&#8221; (CC\/2002, art. 1.625), o que corresponde \u00e0s &#8220;reais vantagens&#8221; da diretriz do ECA (art. 43), sendo, dessa forma, express\u00f5es que se equivalem e induzem ao princ\u00edpio do melhor interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, aplicando-se \u00e0 esp\u00e9cie o regramento do C\u00f3digo Civil de 2002, por se tratar de ado\u00e7\u00e3o de pessoa maior e capaz, tem-se que todos os requisitos legais foram preenchidos na situa\u00e7\u00e3o: a adotante \u00e9 maior de dezoito anos (art. 1.618); h\u00e1 diferen\u00e7a de idade de dezesseis anos (art. 1.619); houve consentimento dos pais da adotanda e concord\u00e2ncia desta (art. 1.621); o meio escolhido foi o processo judicial (art. 1.623); foi assegurada a efetiva assist\u00eancia do Poder P\u00fablico (art. 1.623, par\u00e1grafo \u00fanico); o Minist\u00e9rio P\u00fablico constatou o efetivo benef\u00edcio para a adotanda (art. 1.625).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O pedido de nova ado\u00e7\u00e3o formulado pela m\u00e3e biol\u00f3gica, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filha adotada por outrem, anteriormente, na inf\u00e2ncia, n\u00e3o se afigura juridicamente imposs\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-transferencia-da-propriedade-com-o-registro-da-adjudicacao-no-cartorio-de-registro-de-imoveis-e-efeito-retroativo\"><a>10.&nbsp; Transfer\u00eancia da propriedade com o registro da adjudica\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio de registro de im\u00f3veis e efeito retroativo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a transfer\u00eancia da propriedade com o registro da adjudica\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio de registro de im\u00f3veis, <a>o efeito suspensivo concedido posteriormente ao agravo de instrumento interposto pela Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) n\u00e3o tem o cond\u00e3o de retroagir a fim de atingir a efic\u00e1cia do registro<\/a>, porquanto a desconstitui\u00e7\u00e3o do ato n\u00e3o pode ser realizada nos autos da execu\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1ria a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria. (1) \u00c9 invi\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala da Uni\u00e3o na fase de execu\u00e7\u00e3o ou no processo executivo, salvo na a\u00e7\u00e3o cognitiva incidental de embargos. (2)<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.838.866-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 23\/08\/2022, DJe 31\/08\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o, passou-se a discutir se se seria admitida a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, j\u00e1 se encontrando o processo na fase executiva, uma vez que a Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) solicitou a sua interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala no processo, quando o feito se encontrava em fase de execu\u00e7\u00e3o com carta de adjudica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel j\u00e1 expedida. Tamb\u00e9m se discute se o efeito suspensivo concedido posteriormente ao agravo de instrumento interposto pela Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) n\u00e3o teria o cond\u00e3o de retroagir a fim de atingir a efic\u00e1cia do registro.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-retroage\"><a>10.2.1. Retroage?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 inefic\u00e1cia do registro de adjudica\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do efeito obstativo do agravo de instrumento, verifica-se que a Corte de origem entendeu pela nulidade do registro da carta de adjudica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel sob o fundamento de que a decis\u00e3o agravada &#8211; permitindo a adjudica\u00e7\u00e3o em momento anterior &#8211; n\u00e3o surtiu efeitos em decorr\u00eancia do efeito obstativo dos recursos, tendo sido prorrogada a inefic\u00e1cia da decis\u00e3o com o deferimento de efeito suspensivo ao agravo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Corte de origem, para justificar o entendimento de que o registro efetuado seria nulo, afirma que a decis\u00e3o agravada na origem &#8220;jamais surtiu efeitos, tendo em vista que, em decorr\u00eancia do princ\u00edpio obstativo dos recursos, prolongou-se sua inefic\u00e1cia com o empr\u00e9stimo de efeito suspensivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora, no caso, <strong>o ac\u00f3rd\u00e3o tenha se referido a um princ\u00edpio obstativo dos recursos para afirmar que a decis\u00e3o agravada n\u00e3o tinha efic\u00e1cia, desde a sua prola\u00e7\u00e3o at\u00e9 a interposi\u00e7\u00e3o do agravo de instrumento, n\u00e3o se deve &#8220;confundir os efeitos suspensivo e obstativo dos recursos:<\/strong> enquanto o primeiro impede a efetividade da decis\u00e3o proferida, o segundo difere o tr\u00e2nsito em julgado&#8221; (AgInt no REsp 1694349\/RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe 18\/11\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que a Corte&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;adotou o entendimento de que o agravo de instrumento teria efeito suspensivo a obstar a efic\u00e1cia da decis\u00e3o pela simples flu\u00eancia do prazo para interposi\u00e7\u00e3o do recurso, cujo recebimento limitou-se a prolongar a suspens\u00e3o j\u00e1 existente.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, o termo inicial de efic\u00e1cia da decis\u00e3o agravada na origem ocorreria quando se tornasse preclusa a via recursal ou interposto o recurso sem efeito suspensivo, como no caso, a decis\u00e3o passaria a produzir efeitos a partir do recebimento do recurso. No entanto, como na hip\u00f3tese foi dado efeito suspensivo ao agravo no provimento de recebimento, a efic\u00e1cia da decis\u00e3o permaneceria suspensa at\u00e9 o julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se discute que fica obstada, desde a origem, a efic\u00e1cia da decis\u00e3o sujeita a recurso dotado de efeito suspensivo por determina\u00e7\u00e3o legal (<em>ope legis<\/em>), porquanto nesse caso o&nbsp;<em>decisum<\/em>&nbsp;\u00e9 incapaz de produzir efeitos desde a prola\u00e7\u00e3o, perdurando a suspens\u00e3o at\u00e9 o julgamento do recurso. Assim como, de outro lado, que as decis\u00f5es sujeitas a recurso sem efeito suspensivo s\u00e3o capazes de produzir efeitos desde logo, a partir de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o agravo de instrumento, por expressa previs\u00e3o legal contida no art. 497 do CPC\/1973, n\u00e3o possui efeito suspensivo (<em>ope legis<\/em>) e, conforme a doutrina, a &#8220;decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, uma vez proferida, produz, de imediato, os efeitos que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios, independentemente da possibilidade de interposi\u00e7\u00e3o do agravo. Ali\u00e1s, mesmo que interposto o agravo, n\u00e3o se suspende, de plano, o cumprimento da decis\u00e3o recorrida. Esse efeito poder\u00e1 ser determinado expressamente, pelo relator do recurso, que o &#8216;suspender\u00e1'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma linha, o STJ j\u00e1 se manifestou em in\u00fameras oportunidades no sentido de que <strong>o agravo de instrumento n\u00e3o possui efeito suspensivo de forma autom\u00e1tica, por for\u00e7a de lei, podendo tal efeito ser atribu\u00eddo ao recurso&nbsp;<em>ope&nbsp;iudicis<\/em>, ou seja, atrav\u00e9s de uma decis\u00e3o judicial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, interposto o agravo de instrumento pela Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) em interven\u00e7\u00e3o manifestamente incab\u00edvel e ap\u00f3s a transfer\u00eancia da propriedade com o registro da adjudica\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio de registro de im\u00f3veis, o efeito suspensivo concedido posteriormente n\u00e3o tem o cond\u00e3o de retroagir a fim de atingir a efic\u00e1cia do registro. J\u00e1 a desconstitui\u00e7\u00e3o do ato n\u00e3o poderia ser realizada nos autos da execu\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1rio, para tanto, segundo o entendimento consolidado desta Corte Superior, o ajuizamento de a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vi\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na fase de execu\u00e7\u00e3o????<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nooops.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 5\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>, da <a>Lei n. 9.469\/1997<\/a>, &#8220;a Uni\u00e3o poder\u00e1 intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou r\u00e9s, autarquias, funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sociedades de economia mista e empresas p\u00fablicas federais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o par\u00e1grafo \u00fanico do mencionado artigo proclama que &#8220;as pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico poder\u00e3o, nas causas cuja decis\u00e3o possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econ\u00f4mica, intervir, independentemente da demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico, para esclarecer quest\u00f5es de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados \u00fateis ao exame da mat\u00e9ria e, se for o caso, recorrer, hip\u00f3tese em que, para fins de deslocamento de compet\u00eancia, ser\u00e3o consideradas partes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O legislador, com o objetivo de proteger o patrim\u00f4nio p\u00fablico, criou a possibilidade de interven\u00e7\u00e3o ampla da Uni\u00e3o em demanda cuja decis\u00e3o possa ter reflexos, diretos ou indiretos, de natureza econ\u00f4mica, independentemente da demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico, para esclarecer quest\u00f5es de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados \u00fateis ao exame da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, <strong>a melhor hermen\u00eautica aplic\u00e1vel \u00e9 aquela que n\u00e3o limita essa possibilidade de interven\u00e7\u00e3o a causas onde conste como parte uma pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico, mas, do contr\u00e1rio, a permite inclusive naquelas entre particulares<\/strong>, bastando a demonstra\u00e7\u00e3o de que a causa possa repercutir no seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, o STJ consolidou o entendimento segundo o qual<strong>, o art. 5\u00b0, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.469\/1997 possibilitou a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o nas causas em que a solu\u00e7\u00e3o possa ter efeitos reflexos, ainda que indiretos, de natureza econ\u00f4mica, independentemente da demonstra\u00e7\u00e3o do interesse jur\u00eddico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, no caso, a controv\u00e9rsia consiste em saber se seria admitida a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, com base naquele preceito legal, j\u00e1 se encontrando o processo na fase executiva, uma vez que a Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) solicitou a sua interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala no processo, quando o feito encontrava-se em fase de execu\u00e7\u00e3o com carta de adjudica\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel j\u00e1 expedida.<\/p>\n\n\n\n<p>Como visto, o art. 5\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>, e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 9.469\/1997, prev\u00ea uma faculdade de a Uni\u00e3o, se assim entender, intervir em feitos de cuja decis\u00e3o possa advir reflexos, ainda que indiretos. Portanto, n\u00e3o se est\u00e1 diante de hip\u00f3tese de litiscons\u00f3rcio necess\u00e1rio, nem mesmo de assist\u00eancia litisconsorcial. O mencionado dispositivo, ao explicitar a finalidade da interven\u00e7\u00e3o &#8211; para esclarecer quest\u00f5es de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados \u00fateis ao exame da mat\u00e9ria e, se for o caso, recorrer -, por exegese l\u00f3gica, tamb\u00e9m deixa claro que se trata de interven\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>ad coadjuvandum<\/em>, ou seja, est\u00e1-se diante de assist\u00eancia simples.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa ordem de ideias, <strong>n\u00e3o \u00e9 ocioso relembrar que, nos termos do&nbsp;<em>caput<\/em>, do art. 50, do CPC, para a admiss\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o de terceiros na modalidade assist\u00eancia, \u00e9 antecedente necess\u00e1rio a exist\u00eancia de causa pendente, vale dizer, causa cuja decis\u00e3o final n\u00e3o tenha transitado em julgado, circunst\u00e2ncia n\u00e3o verificada na esp\u00e9cie<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que o assistente, na verdade, tem interesse que o assistido &#8220;ven\u00e7a a demanda&#8221; e na fase de execu\u00e7\u00e3o, todavia, n\u00e3o h\u00e1 prola\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a favor\u00e1vel ou desfavor\u00e1vel, o que leva \u00e0 conclus\u00e3o inexor\u00e1vel de n\u00e3o ser poss\u00edvel, nesta fase, a assist\u00eancia. Esta somente seria admiss\u00edvel em eventuais embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o. De fato, por isso a assist\u00eancia s\u00f3 cabe no processo de conhecimento ou cautelar, como acentuou o Ministro S\u00e1lvio de Figueiredo Teixeira no REsp. 586\/PR, Quarta Turma, julgado em 20\/11\/1990.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a transfer\u00eancia da propriedade com o registro da adjudica\u00e7\u00e3o no cart\u00f3rio de registro de im\u00f3veis, o efeito suspensivo concedido posteriormente ao agravo de instrumento interposto pela Uni\u00e3o (Fazenda Nacional) n\u00e3o tem o cond\u00e3o de retroagir a fim de atingir a efic\u00e1cia do registro, porquanto a desconstitui\u00e7\u00e3o do ato n\u00e3o pode ser realizada nos autos da execu\u00e7\u00e3o, sendo necess\u00e1ria a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria. (1) \u00c9 invi\u00e1vel a interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala da Uni\u00e3o na fase de execu\u00e7\u00e3o ou no processo executivo, salvo na a\u00e7\u00e3o cognitiva incidental de embargos. (2)<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-inovacao-do-art-12-11-da-in-srf-n-243-2002\"><a>11.&nbsp; Inova\u00e7\u00e3o do art. 12, \u00a7 11, da IN SRF n. 243\/2002<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>art. 12, \u00a7 11, da IN SRF n. 243\/2002 <\/a>extrapolou a mera interpreta\u00e7\u00e3o do art. 18, II, da Lei n. 9.430\/1996, na medida em que criou novos conceitos e m\u00e9tricas a serem considerados no c\u00e1lculo do pre\u00e7o-par\u00e2metro, n\u00e3o previstos, sequer de forma impl\u00edcita, no texto legal ent\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 511.736-SP, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 04\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Janssen impetrou mandado de seguran\u00e7a preventivo no qual o contribuinte pede seja afastada a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 12, par\u00e1grafo 11, da IN SRF 243\/02, para fins de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSL, por ofensa ao artigo 18, II, da Lei 9.430\/96, autorizando o recolhimento na forma da revogada IN SRF 32\/01. Alternativamente, pede que seja afastada sua aplica\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio de 2002 para o IRPJ, e pelo prazo de 90 dias para a CSL.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirma que a Instru\u00e7\u00e3o Normativa 243\/2002 instituiu sistem\u00e1tica de c\u00e1lculo do PRL60 diversa da prevista na Lei 9.430\/1996, resultando na majora\u00e7\u00e3o de tributo, o que somente \u00e9 admitido em nosso ordenamento jur\u00eddico por meio de edi\u00e7\u00e3o de lei em sentido estrito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.430\/1996:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;18.&nbsp;Os custos, despesas e encargos relativos a bens, servi\u00e7os e direitos, constantes dos documentos de importa\u00e7\u00e3o ou de aquisi\u00e7\u00e3o, nas opera\u00e7\u00f5es efetuadas com pessoa vinculada, somente ser\u00e3o dedut\u00edveis na determina\u00e7\u00e3o do lucro real at\u00e9 o valor que n\u00e3o exceda ao pre\u00e7o determinado por um dos seguintes m\u00e9todos:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; M\u00e9todo do Pre\u00e7o de Revenda menos Lucro &#8211; PRL: definido como a m\u00e9dia aritm\u00e9tica ponderada dos pre\u00e7os de venda, no Pa\u00eds, dos bens, direitos ou servi\u00e7os importados, em condi\u00e7\u00f5es de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>d) margem de lucro: a aplica\u00e7\u00e3o dos percentuais previstos no \u00a7 12, conforme setor econ\u00f4mico da pessoa jur\u00eddica sujeita ao controle de pre\u00e7os de transfer\u00eancia, sobre a participa\u00e7\u00e3o do bem, direito ou servi\u00e7o importado no pre\u00e7o de venda do bem, direito ou servi\u00e7o vendido, calculado de acordo com a al\u00ednea&nbsp;c; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-a-norma-extrapolou-a-lei\"><a>11.2.2. A norma extrapolou a lei?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em saber se a Instru\u00e7\u00e3o Normativa SRF n. 243\/2002 extrapolou o conte\u00fado da lei em fun\u00e7\u00e3o da qual foi editada, verificando, por conseguinte, a obedi\u00eancia aos primados da anterioridade, da noventena e da irretroatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o contexto delineado no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, &#8220;o cerne da quest\u00e3o, segundo a contribuinte, consiste no fato de que a sistem\u00e1tica prevista na IN\/SRF n. 32\/2001 previa fossem &#8216;considerados 60% do valor do pre\u00e7o de venda menos o valor agregado&#8217;, enquanto, por sua vez, o crit\u00e9rio imposto pela IN\/SRF n. 243\/2002 exigiria fossem considerados &#8216;somente 60% do pre\u00e7o do produto referente \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos bens importados'&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O controle de pre\u00e7os de transfer\u00eancia tem como fundamento a necessidade de prevenir a eros\u00e3o das bases tribut\u00e1veis de um pa\u00eds por meio da manipula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os nas opera\u00e7\u00f5es transnacionais praticadas entre partes vinculadas<\/strong> &#8211; particularmente, no que interessa ao caso analisado dos autos, por meio da infla\u00e7\u00e3o intencional dos custos da parte sediada no Brasil em contrapartida de um aumento dos lucros da parte coligada no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira adotou tr\u00eas m\u00e9todos relacionados \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, inspirados naqueles recomendados pela OCDE: o m\u00e9todo de Pre\u00e7os Independentes Comparados (PIC), o m\u00e9todo do Pre\u00e7o de Revenda menos o Lucro (PRL) e o m\u00e9todo do Custo de Produ\u00e7\u00e3o mais Lucro (CPL). Pela aplica\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos, \u00e9 obtido o chamado pre\u00e7o-par\u00e2metro, que refletir\u00e1 o custo m\u00e1ximo dedut\u00edvel na opera\u00e7\u00e3o intragrupo, seja qual for o pre\u00e7o praticado entre as partes contratantes.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo PRL, cuja regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 objeto da controv\u00e9rsia, parte da ideia de que \u00e9 poss\u00edvel estimar um valor justo (pre\u00e7o livre de interfer\u00eancia) se, a partir do pre\u00e7o de revenda de um bem que foi importado, for deduzida uma margem bruta adequada para, teoricamente, cobrir os custos e despesas operacionais relacionados \u00e0quela opera\u00e7\u00e3o, bem como proporcionar lucro ao importador\/revendedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, a Lei n. 9.430\/1996 estabeleceu que, do pre\u00e7o de revenda do bem que foi importado, sejam expurgados os valores constantes das al\u00edneas (a) a (d) do art. 18, II, dentre os quais est\u00e1 a margem de lucro que, na disciplina brasileira do Pre\u00e7o de Revenda menos Lucro (PRL), \u00e9 legalmente presumida. Esta margem \u00e9 de 20% para bens importados para simples revenda e de 60% para bens importados e revendidos ap\u00f3s sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o no Brasil, conforme reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 9.959\/2000.<\/p>\n\n\n\n<p>A Receita Federal regulamentou essa nova reda\u00e7\u00e3o, inicialmente por meio da IN SRF n. 32\/2001. No ano seguinte, a substituiu pela IN SRF n. 243\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se verifica, em s\u00edntese, \u00e9 que, sob a IN 32\/01, o pre\u00e7o-par\u00e2metro era obtido pela aplica\u00e7\u00e3o do percentual de 60% sobre a m\u00e9dia dos pre\u00e7os l\u00edquidos de venda do bem produzido no Brasil (e n\u00e3o do bem importado), diminu\u00edda do valor agregado localmente (art. 12, \u00a7 11, II, da IN n. 32\/2001). A partir da IN n. 243\/2002, o pre\u00e7o-par\u00e2metro passou a ser obtido mediante a aplica\u00e7\u00e3o do percentual de 60% sobre a participa\u00e7\u00e3o do bem importado na m\u00e9dia dos pre\u00e7os l\u00edquidos de venda do bem produzido, sendo esta margem subtra\u00edda da parcela do pre\u00e7o de venda atribu\u00edda ao bem importado (participa\u00e7\u00e3o do item importado no pre\u00e7o do bem produzido &#8211; art. 12, \u00a7 11, e incisos, da IN n. 243\/2002).<\/p>\n\n\n\n<p>A IN n. 243\/2002 lan\u00e7a um novo olhar sobre o artigo 18, inciso II, da Lei n. 9.430\/1996, em clara altera\u00e7\u00e3o quanto ao entendimento da instru\u00e7\u00e3o normativa anterior. Pela IN n. 32\/2001, a &#8220;participa\u00e7\u00e3o do bem, servi\u00e7o ou direito importado no pre\u00e7o de venda do bem produzido&#8221; n\u00e3o era um elemento relevante para o c\u00e1lculo do pre\u00e7o-par\u00e2metro. Sob essa perspectiva, \u00e9 certo que a altera\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o da lei n\u00e3o implica, em si, inconstitucionalidade ou ilegalidade, desde que a nova interpreta\u00e7\u00e3o seja consonante com a lei interpretada e n\u00e3o seja aplicada a fatos geradores pret\u00e9ritos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A diferen\u00e7a fundamental entre a interpreta\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 IN n. 32\/2001 e a que deu origem \u00e0 IN n. 243\/2002 est\u00e1 no referencial sobre o qual recai a margem de lucro presumida na lei: na primeira, seria o pre\u00e7o de venda do bem que \u00e9 produzido com o item importado cujo controle de pre\u00e7os se almeja fazer<\/strong>, diminu\u00eddo do valor agregado no pa\u00eds; na segunda, a margem de lucro recai sobre o que seria o pre\u00e7o de revenda do pr\u00f3prio item importado, estimado mediante a &#8220;participa\u00e7\u00e3o do bem, servi\u00e7o ou direito importado no pre\u00e7o de venda do bem produzido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela metodologia da n. 32\/2001, quanto maior o valor agregado no pa\u00eds, maior ser\u00e1 o pre\u00e7o-par\u00e2metro (custo m\u00e1ximo dedut\u00edvel para o bem importado, cujo controle de pre\u00e7os se pretende fazer), chegando-se ao ponto de n\u00e3o manter qualquer pertin\u00eancia com o custo real do bem (aquele que seria razoavelmente esperado numa opera\u00e7\u00e3o entre partes independentes).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, de fato, a IN n. 243\/2002 foi al\u00e9m do que permitia a pura exegese do artigo 18, II, da <a>Lei n. 9.430\/1996<\/a>, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 9.959\/2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, em que pese a metodologia do PRL60 prevista na IN n. 243\/2002 fosse, de fato, mais adequada ao controle de pre\u00e7os de transfer\u00eancia (tanto que incorporada, praticamente com o mesmo teor, \u00e0 Lei n. 9.430\/1996 pela Lei n. 12.715\/2012), ela n\u00e3o encontrava, \u00e0 \u00e9poca do caso, o devido respaldo no texto legal ent\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o referido ato normativo desbordou da mera interpreta\u00e7\u00e3o da norma ao criar novos conceitos e m\u00e9tricas a serem considerados no c\u00e1lculo do pre\u00e7o-par\u00e2metro, como a participa\u00e7\u00e3o dos bens importados no custo do bem produzido e a participa\u00e7\u00e3o dos bens importados no pre\u00e7o de venda do bem produzido.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhece-se, portanto, a ILEGALIDADE da IN n. 243\/2002 \u00e0 luz do disposto no art. 18, inciso II, al\u00ednea d), item 1, da Lei n. 9.430\/1996, com a reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 9.959\/2000.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O art. 12, \u00a7 11, da IN SRF n. 243\/2002 extrapolou a mera interpreta\u00e7\u00e3o do art. 18, II, da Lei n. 9.430\/1996, na medida em que criou novos conceitos e m\u00e9tricas a serem considerados no c\u00e1lculo do pre\u00e7o-par\u00e2metro, n\u00e3o previstos, sequer de forma impl\u00edcita, no texto legal ent\u00e3o vigente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-adesao-a-programa-de-parcelamento-tributario-como-causa-de-suspensao-da-exigibilidade-do-credito-e-interrompe-o-prazo-prescricional\"><a>12.&nbsp; Ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio como causa de suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito e interrompe o prazo prescricional<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ades\u00e3o \u00e0 programa de parcelamento tribut\u00e1rio \u00e9 causa de suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito e de interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.922.063-PR, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022, DJe 21\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Estado do Paran\u00e1 ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal. Ap\u00f3s senten\u00e7a que julgou extinta a execu\u00e7\u00e3o fiscal ante o reconhecimento da prescri\u00e7\u00e3o intercorrente, foi interposta apela\u00e7\u00e3o, a qual foi parcialmente provida pelo tribunal local apenas para atribuir \u00e0 executada os \u00f4nus sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso especial, o Estado sustenta que foi devidamente demonstrada a interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do parcelamento, que implicou, ainda em suspens\u00e3o da exigibilidade do d\u00e9bito, ensejando o sobrestamento do processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 174. A a\u00e7\u00e3o para a cobran\u00e7a do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio prescreve em cinco anos, contados da data da sua constitui\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A prescri\u00e7\u00e3o se interrompe:<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; por qualquer ato inequ\u00edvoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do d\u00e9bito pelo devedor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-suspende-o-prazo-prescricional\"><a>12.2.2. Suspende o prazo prescricional?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui jurisprud\u00eancia no sentido de que a ades\u00e3o a parcelamento tribut\u00e1rio \u00e9 causa de suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito e interrompe o prazo prescricional, por constituir reconhecimento inequ\u00edvoco do d\u00e9bito, nos termos do art. 174, IV, do CTN, voltando a correr o prazo, por inteiro, a partir do inadimplemento da \u00faltima parcela pelo contribuinte (REsp 1.742.611\/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 12\/6\/2018, DJe de 26\/11\/2018.).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, diferente da orienta\u00e7\u00e3o firmada pelo STJ, o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido considerou que a ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio suspenderia o prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A diferen\u00e7a basilar entre suspens\u00e3o e interrup\u00e7\u00e3o do prazo prescricional \u00e9 que no primeiro o prazo j\u00e1 se iniciou, voltando a correr somando-se o per\u00edodo anteriormente transcorrido. J\u00e1 na interrup\u00e7\u00e3o, o prazo de prescri\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 se iniciou, contudo, ao voltar a correr, recome\u00e7a-se por inteiro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A ades\u00e3o a programa de parcelamento tribut\u00e1rio \u00e9 causa de suspens\u00e3o da exigibilidade do cr\u00e9dito e interrompe o prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-im-possibilidade-de-o-juizo-de-falencia-autorizar-modalidade-alternativa-de-alienacao-de-ativos-mesmo-diante-da-rejeicao-da-proposta-pela-assembleia-geral-de-credores\"><a>13.&nbsp; (Im)Possibilidade de o ju\u00edzo de fal\u00eancia autorizar modalidade alternativa de aliena\u00e7\u00e3o de ativos, mesmo diante da rejei\u00e7\u00e3o da proposta pela assembleia-geral de credores<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel o ju\u00edzo de fal\u00eancia autorizar modalidade alternativa de aliena\u00e7\u00e3o de ativos, mesmo diante da rejei\u00e7\u00e3o da proposta pela assembleia-geral de credores.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 04\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em um processo de fal\u00eancia, a assembleia geral de credores n\u00e3o autorizou a modalidade alternativa de aliena\u00e7\u00e3o de ativos, constando dos autos que, dos 15 (quinze) credores presentes, 9 (nove) rejeitaram a proposta, enquanto 6 (seis) se abstiveram de votar.<\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo da fal\u00eancia ent\u00e3o chamou para si a responsabilidade e autorizou as modalidades alternativas. Inconformados, alguns credores interpuseram sucessivos recursos contra a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 46. A aprova\u00e7\u00e3o de forma alternativa de realiza\u00e7\u00e3o do ativo na fal\u00eancia, prevista no art. 145 desta Lei, depender\u00e1 do voto favor\u00e1vel de credores que representem 2\/3 (dois ter\u00e7os) dos cr\u00e9ditos presentes \u00e0 assembl\u00e9ia.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 142. A aliena\u00e7\u00e3o de bens dar-se-\u00e1 por uma das seguintes modalidades:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; leil\u00e3o eletr\u00f4nico, presencial ou h\u00edbrido;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; (revogado);&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; (revogado);&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; processo competitivo organizado promovido por agente especializado e de reputa\u00e7\u00e3o ilibada, cujo procedimento dever\u00e1 ser detalhado em relat\u00f3rio anexo ao plano de realiza\u00e7\u00e3o do ativo ou ao plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme o caso;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; qualquer outra modalidade, desde que aprovada nos termos desta Lei.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 144. Havendo motivos justificados, o juiz poder\u00e1 autorizar, mediante requerimento fundamentado do administrador judicial ou do Comit\u00ea, modalidades de aliena\u00e7\u00e3o judicial diversas das previstas no art. 142 desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 145. Por delibera\u00e7\u00e3o tomada nos termos do art. 42 desta Lei, os credores poder\u00e3o adjudicar os bens alienados na fal\u00eancia ou adquiri-los por meio de constitui\u00e7\u00e3o de sociedade, de fundo ou de outro ve\u00edculo de investimento, com a participa\u00e7\u00e3o, se necess\u00e1ria, dos atuais s\u00f3cios do devedor ou de terceiros, ou mediante convers\u00e3o de d\u00edvida em capital.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Aplica-se irrestritamente o disposto no art. 141 desta Lei \u00e0 transfer\u00eancia dos bens \u00e0 sociedade, ao fundo ou ao ve\u00edculo de investimento mencionados no&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba (Revogado).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba (Revogado).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba Ser\u00e1 considerada n\u00e3o escrita qualquer restri\u00e7\u00e3o convencional \u00e0 venda ou \u00e0 circula\u00e7\u00e3o das participa\u00e7\u00f5es na sociedade, no fundo de investimento ou no ve\u00edculo de investimento a que se refere o&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-possivel-a-autorizacao-de-modalidade-alterativa\"><a>13.2.2. Poss\u00edvel a autoriza\u00e7\u00e3o de modalidade alterativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os arts. 144 e 145 da Lei n. 11.101\/2005 preveem a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o excepcional de modalidade diversa daquelas previstas no art. 142<\/strong>, desde que existam motivos justificados para afastar a incid\u00eancia das formas ordin\u00e1rias de aliena\u00e7\u00e3o dos bens da massa falida.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, em princ\u00edpio, \u00e9 atribui\u00e7\u00e3o da assembleia-geral de credores a op\u00e7\u00e3o por modalidade alternativa de realiza\u00e7\u00e3o do ativo, na forma do art. 35, II, &#8220;c&#8221;, da mencionada lei, sendo compet\u00eancia do magistrado sua convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Encaminhada \u00e0 assembleia-geral de credores a an\u00e1lise da modalidade alternativa de aliena\u00e7\u00e3o do ativo e, desde que aprovada por 2\/3 (dois ter\u00e7os) dos credores presentes \u00e0 assembleia (art. 46 da LREF), ser\u00e1 homologada pelo juiz, que somente examinar\u00e1 a proposta sob o prisma da legalidade, nos termos do art. 145,&nbsp;<em>caput<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, todavia, n\u00e3o houve aprova\u00e7\u00e3o da modalidade alternativa, constando dos autos que, dos 15 (quinze) credores presentes, 9 (nove) rejeitaram a proposta, enquanto 6 (seis) se abstiveram de votar. Diante dos pareceres favor\u00e1veis do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do administrador judicial, o Juiz da Vara de Fal\u00eancias e Recupera\u00e7\u00f5es Judiciais autorizou o administrador judicial a firmar o acordo oferecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste aspecto, o magistrado, ao autorizar a modalidade alternativa de realiza\u00e7\u00e3o do ativo, mesmo ap\u00f3s rejei\u00e7\u00e3o da proposta pela assembleia-geral de credores, agiu em conformidade com a regra expressa no \u00a7 3\u00ba do art. 145. Do dispositivo legal infere-se que<strong>, caso n\u00e3o aprovada a proposta pela assembleia-geral, cabe a decis\u00e3o ao juiz, que possui poder discricion\u00e1rio de autoriz\u00e1-la, devendo, no entanto, levar em considera\u00e7\u00e3o as manifesta\u00e7\u00f5es do administrador judicial e do comit\u00ea de credores, caso exista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A doutrina destaca que &#8220;essa regra, excepcional, \u00e9 uma das poucas hip\u00f3teses contempladas na Lei de Recupera\u00e7\u00f5es e de Fal\u00eancias em que o juiz poder\u00e1 adotar posi\u00e7\u00e3o divergente da decis\u00e3o adotada em assembleia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, para que o juiz autorize modalidade de realiza\u00e7\u00e3o do ativo diversa do leil\u00e3o, das propostas fechadas ou do preg\u00e3o, dever\u00e1 explicitar os motivos pelos quais entende ser necess\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o dessa medida excepcional, buscando alcan\u00e7ar o melhor resultado para os credores e para a massa falida (altera\u00e7\u00f5es introduzidas pela Lei n. 14.112\/2020, art. 142, V, e e \u00a7 3\u00ba-B, III).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel o ju\u00edzo de fal\u00eancia autorizar modalidade alternativa de aliena\u00e7\u00e3o de ativos, mesmo diante da rejei\u00e7\u00e3o da proposta pela assembleia-geral de credores.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-extensao-das-alteracoes-promovidas-pelo-pacote-anticrime-na-lei-de-drogas\"><a>14.&nbsp; Extens\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es promovidas pelo Pacote Anticrime na Lei de Drogas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es providas pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964\/2019) apenas afastaram o car\u00e1ter hediondo ou equiparado do tr\u00e1fico privilegiado, previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 748.033-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 27\/09\/2022, DJe 30\/09\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, condenado pelo crime de tr\u00e1fico de drogas, impetrou Habeas Corpus no qual alega que n\u00e3o haveria norma espec\u00edfica que defina o crime de tr\u00e1fico de drogas como sendo hediondo ou equiparado. Insiste que a \u00fanica previs\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o diferenciada ao crime de tr\u00e1fico de drogas, prevista no art. 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba da Lei n. 8.072\/1990, teria sido revogada.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/88:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;XLIII &#8211; a lei considerar\u00e1 crimes inafian\u00e7\u00e1veis e insuscet\u00edveis de gra\u00e7a ou anistia a pr\u00e1tica da tortura , o tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evit\u00e1-los, se omitirem;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 4\u00ba Nos delitos definidos no caput e no \u00a7 1\u00ba deste artigo, as penas poder\u00e3o ser reduzidas de um sexto a dois ter\u00e7os,&nbsp;<s>vedada a convers\u00e3o em penas restritivas de direitos<\/s>&nbsp;,&nbsp;desde que o agente seja prim\u00e1rio, de bons antecedentes, n\u00e3o se dedique \u00e0s atividades criminosas nem integre organiza\u00e7\u00e3o criminosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-trafico-ainda-e-hediondo\"><a>14.2.2. Tr\u00e1fico ainda \u00e9 hediondo<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Mas \u00e9 claro!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sustenta o paciente que n\u00e3o h\u00e1 norma espec\u00edfica que defina o crime de tr\u00e1fico de drogas como sendo hediondo ou equiparado. Insiste que a \u00fanica previs\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o diferenciada ao crime de tr\u00e1fico de drogas, prevista no art. 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba da Lei n. 8.072\/1990, foi revogada. Afirma que, na aus\u00eancia de determina\u00e7\u00e3o legal, o condenado pela pr\u00e1tica do crime de tr\u00e1fico de drogas dever\u00e1 progredir e ter o livramento condicional concedido conforme os crit\u00e9rios objetivos dos delitos comuns.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a equipara\u00e7\u00e3o a hediondo do delito de tr\u00e1fico de drogas decorre de previs\u00e3o constitucional constante no art. 5\u00ba, XLIII, da <a>Carta Magna<\/a>, que trata com mais rigor os crimes de maior reprovabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se que a Lei n. 13.964\/2019, conhecida como &#8220;Pacote Anticrime&#8221;, ao promover altera\u00e7\u00f5es na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, apenas afastou o car\u00e1ter hediondo ou equiparado do tr\u00e1fico privilegiado, previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, verifica-se que <strong>o entendimento do ac\u00f3rd\u00e3o impugnado n\u00e3o destoa da jurisprud\u00eancia do Superior de Justi\u00e7a sobre a mat\u00e9ria, pois acertada a fra\u00e7\u00e3o utilizada para o reconhecimento de benef\u00edcios execut\u00f3rios<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>As altera\u00e7\u00f5es providas pelo Pacote Anticrime (Lei n. 13.964\/2019) apenas afastaram o car\u00e1ter hediondo ou equiparado do tr\u00e1fico privilegiado, previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-des-necessidade-da-habitualidade-no-delito-de-favorecimento-a-exploracao-sexual-de-adolescente\"><a>15.&nbsp; (Des)Necessidade da habitualidade no delito de favorecimento \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual de adolescente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O delito de favorecimento \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual de adolescente n\u00e3o exige habitualidade. Trata-se de crime instant\u00e2neo, que se consuma no momento em que o agente obt\u00e9m a anu\u00eancia para pr\u00e1ticas sexuais com a v\u00edtima menor de idade, mediante artif\u00edcios como a oferta de dinheiro ou outra vantagem, ainda que o ato libidinoso n\u00e3o seja efetivamente praticado.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 20\/09\/2022, DJe 29\/09\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino foi condenado pelo crime de favorecimento da prostitui\u00e7\u00e3o de adolescentes. Sua combativa defesa, alega que n\u00e3o havia habitualidade na pr\u00e1tica, o que descaracterizaria o tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Processo sob segredo de justi\u00e7a. Caso imaginado.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 227. \u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba A lei punir\u00e1 severamente o abuso, a viol\u00eancia e a explora\u00e7\u00e3o sexual da crian\u00e7a e do adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Favorecimento da prostitui\u00e7\u00e3o ou de outra forma de explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7a ou adolescente ou de vulner\u00e1vel.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 218-B.&nbsp; Submeter, induzir ou atrair \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o ou outra forma de explora\u00e7\u00e3o sexual algu\u00e9m menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou defici\u00eancia mental, n\u00e3o tem o necess\u00e1rio discernimento para a pr\u00e1tica do ato, facilit\u00e1-la, impedir ou dificultar que a abandone:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-necessaria-a-habitualidade\"><a>15.2.2. Necess\u00e1ria a habitualidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> .<strong>Nooopsss!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As normas penais que tutelam a dignidade sexual de crian\u00e7as e adolescentes devem ser interpretadas \u00e0 luz das obriga\u00e7\u00f5es internacionais assumidas pelo Brasil quanto \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da pessoa humana em desenvolvimento<\/strong> contra todas as formas de explora\u00e7\u00e3o sexual e das disposi\u00e7\u00f5es constitucionais que imp\u00f5em o paradigma da prote\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, ao ratificar a Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos da Crian\u00e7a (Decreto n. 99.710\/1990), o Brasil se comprometeu a adotar todas as medidas necess\u00e1rias para proteger pessoas com idade inferior a 18 (dezoito) anos contra todas as formas de viol\u00eancia f\u00edsica ou mental, abuso ou tratamento negligente, maus tratos ou explora\u00e7\u00e3o, inclusive abuso sexual (arts. 19 e 34 da Conven\u00e7\u00e3o). Este compromisso internacional est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a norma constitucional que confere absoluta prioridade \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a e do adolescente, determinando que a lei deve punir severamente o abuso, a viol\u00eancia e a explora\u00e7\u00e3o sexual contra elas praticado (art. 227,<em>&nbsp;caput<\/em>&nbsp;e \u00a7 4.\u00ba, da CF).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, \u00e9 inadmiss\u00edvel a interpreta\u00e7\u00e3o de que o delito previsto no art. 218-B do C\u00f3digo Penal exija a presen\u00e7a de habitualidade. De fato, o simples oferecimento de vantagem pecuni\u00e1ria \u00e0 crian\u00e7a ou adolescente em troca de atos sexuais configura, por si s\u00f3, induzimento a situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual apta a justificar a tipifica\u00e7\u00e3o da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a compreens\u00e3o j\u00e1 consagrada pela Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, &#8220;[q]uem, se aproveitando da idade da v\u00edtima, oferece-lhe dinheiro em troca de favores sexuais est\u00e1 a explor\u00e1-la sexualmente, pois se utiliza da sexualidade de pessoa ainda em forma\u00e7\u00e3o como mercancia.&#8221; (EREsp 1.530.637\/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, DJe 17\/09\/2021). Por essa raz\u00e3o, enquadra-se na situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o sexual qualquer tipo de oferta econ\u00f4mica a crian\u00e7a ou adolescente em troca da pr\u00e1tica de atos sexuais, mesmo que objetivando a obten\u00e7\u00e3o de um \u00fanico ato libidinoso ou que n\u00e3o haja intermedia\u00e7\u00e3o de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O delito de favorecimento \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7a ou adolescente, portanto, n\u00e3o exige habitualidade, tratando-se de crime instant\u00e2neo, que se consuma no momento em que o agente obt\u00e9m a anu\u00eancia para pr\u00e1ticas sexuais com a v\u00edtima menor de idade<\/strong>, mediante artif\u00edcios como a oferta de dinheiro ou outra vantagem, ainda que o ato libidinoso n\u00e3o seja efetivamente praticado.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta interpreta\u00e7\u00e3o da norma do art. 218-B,&nbsp;<em>caput<\/em>, do C\u00f3digo Penal \u00e9 a \u00fanica capaz de cumprir com a exig\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o integral da pessoa em desenvolvimento contra todas as formas de explora\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O delito de favorecimento \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual de adolescente n\u00e3o exige habitualidade. Trata-se de crime instant\u00e2neo, que se consuma no momento em que o agente obt\u00e9m a anu\u00eancia para pr\u00e1ticas sexuais com a v\u00edtima menor de idade, mediante artif\u00edcios como a oferta de dinheiro ou outra vantagem, ainda que o ato libidinoso n\u00e3o seja efetivamente praticado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-im-possibilidade-da-colaboracao-da-vitima-na-colaboracao-premiada\"><a>16.&nbsp; (Im)Possibilidade da colabora\u00e7\u00e3o da v\u00edtima na colabora\u00e7\u00e3o premiada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o premiada \u00e9 um acordo realizado entre o acusador e a defesa, n\u00e3o podendo a v\u00edtima ser colaboradora.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 750.946-RJ, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF da 1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, por maioria, julgado em 11\/10\/2022. (Info 754)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo foi denunciado pela suposta pr\u00e1tica do delito de integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa. Durante a investiga\u00e7\u00e3o, foi realizado acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada entre o MP e suposto colaborador da ORCRIM.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Creosvaldo sustenta que n\u00e3o se tratava de colaborador, mas sim de suposta v\u00edtima das atividades da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, raz\u00e3o pela qual incidiria a nulidade da colabora\u00e7\u00e3o premiada. Consta da pr\u00f3pria den\u00fancia que em novembro de 2019, o colaborador teve problemas com outros integrantes do bando e rompeu com a estrutura criminosa; ent\u00e3o, passou a temer por sua vida e de sua fam\u00edlia, tendo procurado a estrutura estatal disposto a contar tudo o que sabia e pedir prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.850\/2013:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00ba O juiz poder\u00e1, a requerimento das partes, conceder o perd\u00e3o judicial, reduzir em at\u00e9 2\/3 (dois ter\u00e7os) a pena privativa de liberdade ou substitu\u00ed-la por restritiva de direitos daquele que tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investiga\u00e7\u00e3o e com o processo criminal, desde que dessa colabora\u00e7\u00e3o advenha um ou mais dos seguintes resultados:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 6\u00ba O juiz n\u00e3o participar\u00e1 das negocia\u00e7\u00f5es realizadas entre as partes para a formaliza\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o, que ocorrer\u00e1 entre o delegado de pol\u00edcia, o investigado e o defensor, com a manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou, conforme o caso, entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o investigado ou acusado e seu defensor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-a-vitima-pode-ser-colaboradora-em-delacao-premiada\"><a>16.2.2. A v\u00edtima pode ser colaboradora em dela\u00e7\u00e3o premiada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopssss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O \u00a7 6\u00b0 do art. 4\u00b0 da Lei n. 12.850\/2013 estipula que &#8220;o juiz n\u00e3o participar\u00e1 das negocia\u00e7\u00f5es realizadas entre as partes para a formaliza\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o, que ocorrer\u00e1 entre o delegado de pol\u00edcia, o investigado e o defensor, com a manifesta\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ou, conforme o caso, entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico e o investigado ou acusado e seu defensor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela jurisprud\u00eancia do STJ e pela legisla\u00e7\u00e3o pertinente, a v\u00edtima n\u00e3o pode ser colaboradora, porque lhe faltaria interesse &#8211; haja vista que \u00e9 a interessada na tutela punitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>De ver-se que, de acordo com a doutrina, a &#8220;<strong>colabora\u00e7\u00e3o premiada \u00e9 um acordo realizado entre o acusador e a defesa, visando ao esvaziamento da resist\u00eancia do r\u00e9u e \u00e0 sua conformidade com a acusa\u00e7\u00e3o, com o objetivo de facilitar a persecu\u00e7\u00e3o penal em troca de benef\u00edcios ao colaborador, reduzindo as consequ\u00eancias sancionat\u00f3rias \u00e0 sua conduta delitiva<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se ainda que &#8220;o Supremo Tribunal Federal, por seu Plen\u00e1rio, em voto da relatoria do Ministro Dias Toffoli, nos autos do HC 127.483\/PR, <strong>assentou o entendimento de que a colabora\u00e7\u00e3o premiada, para al\u00e9m de t\u00e9cnica especial de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 neg\u00f3cio jur\u00eddico processual personal\u00edssimo, pois, por meio dele, se pretende a coopera\u00e7\u00e3o do imputado para a investiga\u00e7\u00e3o e para o processo penal, o qual poder\u00e1 redundar em benef\u00edcios de natureza penal premial, sendo necess\u00e1rio que a ele se aquies\u00e7a, voluntariamente, que esteja no pleno gozo de sua capacidade civil, e consciente dos efeitos decorrentes de sua realiza\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8221; (APn 843\/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, julgado em 06\/12\/2017, DJe 01\/02\/2018).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o premiada \u00e9 um acordo realizado entre o acusador e a defesa, n\u00e3o podendo a v\u00edtima ser colaboradora.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-falta-de-acordo-entre-as-partes-quanto-ao-valor-a-ser-pago-a-titulo-de-reparacao-do-dano-como-motivo-inviabilizador-do-beneficio-legal-da-suspensao-condicional-do-processo\"><a>17.&nbsp; Falta de acordo entre as partes quanto ao valor a ser pago a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o do dano como motivo inviabilizador do benef\u00edcio legal da suspens\u00e3o condicional do processo.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A falta de acordo entre as partes quanto ao valor a ser pago a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o do dano inviabiliza o benef\u00edcio legal da suspens\u00e3o condicional do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 163.897-RS, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF da 1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 18\/10\/2022, DJe 21\/10\/2022. <a>(Info 754)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudia foi processada pelos crimes de inj\u00faria e cal\u00fania. A v\u00edtima n\u00e3o aceitou o valor oferecido a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o no momento da barganha processual, o que levou \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o da suspens\u00e3o condicional do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Craudia impetrou Habeas Corpus no qual alega ter sofrido constrangimento ilegal, pois faria &#8216;jus\u2019 \u00e0 suspens\u00e3o n\u00e3o ocorrida. Disse que o valor exigido pela v\u00edtima era exorbitante, \u00fanica raz\u00e3o pela qual n\u00e3o foi realizada a suspens\u00e3o condicional do processo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.099\/1995:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 89. Nos crimes em que a pena m\u00ednima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas ou n\u00e3o por esta Lei, o Minist\u00e9rio P\u00fablico, ao oferecer a den\u00fancia, poder\u00e1 propor a suspens\u00e3o do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado n\u00e3o esteja sendo processado ou n\u00e3o tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspens\u00e3o condicional da pena (art. 77 do C\u00f3digo Penal).<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presen\u00e7a do Juiz, este, recebendo a den\u00fancia, poder\u00e1 suspender o processo, submetendo o acusado a per\u00edodo de prova, sob as seguintes condi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;I &#8211; repara\u00e7\u00e3o do dano, salvo impossibilidade de faz\u00ea-lo;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-inviabiliza-a-suspensao-condicional-do-processo\"><a>17.2.2. Inviabiliza a suspens\u00e3o condicional do processo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos da jurisprud\u00eancia do STJ &#8220;<strong>a suspens\u00e3o condicional do processo, proposta pela acusa\u00e7\u00e3o, \u00e9 solu\u00e7\u00e3o extrapenal que cumpre ser prestigiada como instrumento de controle social de crimes de menor potencial ofensivo. Na presen\u00e7a dos requisitos objetivos e subjetivos previstos na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, imp\u00f5e-se sua homologa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o recebimento da den\u00fancia, com suspens\u00e3o do processo e do prazo prescricional<\/strong>&#8221; (APn n. 954\/DF, relator Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Corte Especial, julgado em 6\/10\/2021, DJe de 15\/10\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, n\u00e3o se verifica constrangimento ilegal, pois foi proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico a suspens\u00e3o condicional do processo, n\u00e3o tendo sido o benef\u00edcio homologado pelo ju\u00edzo em raz\u00e3o do desacordo entre as partes acerca do valor a ser pago a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o do dano, uma das condi\u00e7\u00f5es para a concess\u00e3o desse benef\u00edcio, previsto no art. 89, \u00a71\u00ba, I, da Lei n. 9.099\/1995.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<strong>A repara\u00e7\u00e3o do dano causado, salvo na impossibilidade de faz\u00ea-lo, prevista no art. 89, \u00a7 1\u00ba, I, da Lei n. 9.099\/1995, \u00e9 imprescind\u00edvel para concess\u00e3o do sursis processual<\/strong>&#8220;. (RHC 62.119\/SP, Rel. Ministro Gurgel De Faria, Quinta Turma, julgado em 10\/12\/2015, DJe 05\/02\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, decidiu o STJ que, <strong>&#8220;no que diz respeito \u00e0 alegada afronta ao art. 89 da Lei n. 9.099\/1995, tem-se que a suspens\u00e3o condicional do processo deixou de ser oferecida n\u00e3o em virtude da aus\u00eancia de pr\u00e9via repara\u00e7\u00e3o do dano, mas sim em raz\u00e3o da aus\u00eancia de acordo sobre o ressarcimento do dano, situa\u00e7\u00e3o que, de fato, inviabiliza o benef\u00edcio legal<\/strong>&#8220;. (AgRg no AREsp n. 1.751.724\/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 21\/9\/2021, DJe de 27\/9\/2021).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A falta de acordo entre as partes quanto ao valor a ser pago a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o do dano inviabiliza o benef\u00edcio legal da suspens\u00e3o condicional do processo.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-d6456166-375a-418e-9828-31df3a325492\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/12\/13034151\/stj-754.pdf\">stj-754<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/12\/13034151\/stj-754.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-d6456166-375a-418e-9828-31df3a325492\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 754 do STJ&nbsp;COMENTADO&nbsp;saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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