{"id":1063204,"date":"2022-07-19T00:21:29","date_gmt":"2022-07-19T03:21:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1063204"},"modified":"2022-07-19T00:21:32","modified_gmt":"2022-07-19T03:21:32","slug":"informativo-stj-742-comentado-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-742-comentado-parte-2\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 742 Comentado (Parte 2)"},"content":{"rendered":"\n<p id=\"block-07124590-5459-4722-b9a9-a4a4ff71dadc\">Informativo n\u00ba 742 (Parte 2) do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\" id=\"block-95ca6de7-e73c-4238-b838-08d657269495\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/19002112\/stj-742-parte-2.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_W8MlgHBHk44\"><div id=\"lyte_W8MlgHBHk44\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/W8MlgHBHk44\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/W8MlgHBHk44\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/W8MlgHBHk44\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-impenhorabilidade-de-valores-ate-quarenta-salarios-minimos-fora-da-poupanca\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Impenhorabilidade de valores at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos fora da poupan\u00e7a<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ao devedor poupar valores sob a regra da impenhorabilidade no patamar de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o apenas aqueles depositados em cadernetas de poupan\u00e7a, mas tamb\u00e9m em conta corrente ou em fundos de investimento, ou guardados em papel-moeda.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.958.516-SP, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>CoopCampos ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o extrajudicial em desfavor de Edegar. Em determinado momento do processo, foi realizado o bloqueio de valores via SISBAJUD. Os valores bloqueados, embora em quantidade inferior a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o estavam na poupan\u00e7a, mas sim em conta corrente e fundos de investimento. A despeito disso, Edegar interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega a impenhorabilidade dos valores, enquanto a cooperativa defende que tal prote\u00e7\u00e3o seria restrita aos valores constantes na poupan\u00e7a, conforme prev\u00ea o CPC.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 833. S\u00e3o impenhor\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>X &#8211; a quantia depositada em caderneta de poupan\u00e7a, at\u00e9 o limite de 40 (quarenta) sal\u00e1rios-m\u00ednimos;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-penhoraveis-os-valores-abaixo-de-40-sm-fora-da-poupanca\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Penhor\u00e1veis os valores abaixo de 40 SM <u>fora<\/u> da poupan\u00e7a?<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para o STJ, nops!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ pacificou o entendimento de que &#8220;\u00e9 poss\u00edvel ao devedor poupar valores sob a regra da impenhorabilidade no patamar de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o apenas aqueles depositados em cadernetas de poupan\u00e7a, mas tamb\u00e9m em conta corrente ou em fundos de investimento, ou guardados em papel-moeda&#8221; (EREsp 1.330.567\/RS, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe de 19\/12\/2014).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nos termos do entendimento jurisprudencial firmado por esta Corte, a abrang\u00eancia da regra do art. 833, X, do <a>CPC\/2015 <\/a>se estende a todos os numer\u00e1rios poupados pela parte executada, at\u00e9 o limite de 40 (quarenta) sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o importando se depositados em poupan\u00e7a, conta-corrente, fundos de investimento ou guardados em papel-moeda, autorizando as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, caso identifiquem abuso do direito, a afastar a garantia da impenhorabilidade&#8221; (AgInt nos EDcl no AREsp 1.323.550\/RJ, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 27\/09\/2021, DJe 30\/09\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, no que se refere \u00e0 possibilidade de MITIGA\u00c7\u00c3O da mencionada regra, o STJ tem entendimento de que <strong>a impenhorabilidade pode ser relativizada quando a hip\u00f3tese concreta dos autos permitir que se bloqueie parte da verba remunerat\u00f3ria do devedor inadimplente, ocasi\u00e3o em que deve ser preservado montante suficiente a assegurar a subsist\u00eancia digna do executado e sua fam\u00edlia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ao devedor poupar valores sob a regra da impenhorabilidade no patamar de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos, n\u00e3o apenas aqueles depositados em cadernetas de poupan\u00e7a, mas tamb\u00e9m em conta corrente ou em fundos de investimento, ou guardados em papel-moeda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-i-legitimidade-do-dp-para-impetrar-mandado-de-seguranca-em-defesa-das-funcoes-institucionais-e-prerrogativas-de-seus-orgaos-de-execucao\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade do DP para impetrar mandado de seguran\u00e7a em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO JUDICIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Defensor P\u00fablico, atuando em nome da Defensoria P\u00fablica, possui legitimidade para <a>impetrar mandado de seguran\u00e7a <\/a><a>em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o<\/a>, atribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o conferida exclusivamente ao Defensor P\u00fablico-Geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 07\/06\/2022, DJe 10\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, Defensor P\u00fablico, impetrou mandado de seguran\u00e7a em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a parte contr\u00e1ria alegou a ilegitimidade de Tadeu para tanto, sustentando que somente o Defensor P\u00fablico-Geral poderia faz\u00ea-lo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 80\/1994:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;4\u00ba S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es institucionais da Defensoria P\u00fablica, dentre outras:<\/p>\n\n\n\n<p>IX \u2013 impetrar&nbsp;<strong>habeas corpus<\/strong>, mandado de injun\u00e7\u00e3o,&nbsp;<strong>habeas data<\/strong>&nbsp;e mandado de seguran\u00e7a ou qualquer outra a\u00e7\u00e3o em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;100. Ao Defensor Publico-Geral do Estado compete dirigir a Defensoria P\u00fablica do Estado, superintender e coordenar suas atividades, orientando sua atua\u00e7\u00e3o, e representando\u00ada judicial e extrajudicialmente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-competencia-exclusiva-do-defensor-publico-geral\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Compet\u00eancia exclusiva do Defensor P\u00fablico-Geral?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente cumpre salientar que, a Defensoria P\u00fablica estadual, representada pelo Defensor P\u00fablico, possui legitimidade para impetrar mandado de seguran\u00e7a em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o, conforme se depreende da leitura do artigo 4\u00b0, IX, da <a>Lei Complementar n. 80\/1994<\/a>, que &#8220;organiza a Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios e prescreve normas gerais para sua organiza\u00e7\u00e3o nos Estados, e d\u00e1 outras provid\u00eancias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, com base no disposto no art. 100, da Lei Complementar n. 80\/1994, entende caberia com exclusividade ao Defensor P\u00fablico-Geral do Estado a legitimidade ativa para impetrar mandado de seguran\u00e7a<\/strong> em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tal compreens\u00e3o, todavia, n\u00e3o se extrai do sistema da <a>Lei Complementar n. 100\/1994<\/a>, cujo art. 3\u00b0 disp\u00f5e que s\u00e3o princ\u00edpios institucionais da Defensoria P\u00fablica a unidade, a indivisibilidade e a independ\u00eancia funcional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, a doutrina afirma que &#8220;em virtude da unidade da Institui\u00e7\u00e3o, os atos praticados pelo Defensor P\u00fablico no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ser creditados ao agente, mas atribu\u00eddos \u00e0 pr\u00f3pria Defensoria P\u00fablica a qual integra&#8221;, o que \u00e9 refor\u00e7ado tamb\u00e9m pelo princ\u00edpio da indivisibilidade, corol\u00e1rio daquele, que estabelece que, &#8220;quando um membro da Defensoria P\u00fablica atua, quem na realidade est\u00e1 atuando \u00e9 a pr\u00f3pria Defensoria P\u00fablica; por isso, a doutrina tem reconhecido a fungibilidade dos membros da Institui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 100 da Lei Complementar n. 80\/1994, ao atribuir ao Defensor P\u00fablico-Geral a representa\u00e7\u00e3o judicial da Defensoria P\u00fablica do Estado, n\u00e3o exclui a legitimidade dos respectivos \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o &#8211; os defensores p\u00fablicos atuantes perante os diversos ju\u00edzos &#8211; de impetrar mandado de seguran\u00e7a na defesa da atua\u00e7\u00e3o institucional do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso se cuidasse de discuss\u00e3o a prop\u00f3sito de ato da esfera de compet\u00eancia do pr\u00f3prio Defensor P\u00fablico-Geral, como a lota\u00e7\u00e3o de defensores pelas comarcas, a legitimidade para representar judicialmente a institui\u00e7\u00e3o seria privativa da referida autoridade. Como exemplos, citam as raz\u00f5es de recurso as a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas ajuizadas no Estado em desfavor da institui\u00e7\u00e3o para que as comarcas do interior tenham defensor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O Defensor P\u00fablico, atuando em nome da Defensoria P\u00fablica, possui legitimidade para impetrar mandado de seguran\u00e7a em defesa das fun\u00e7\u00f5es institucionais e prerrogativas de seus \u00f3rg\u00e3os de execu\u00e7\u00e3o, atribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o conferida exclusivamente ao Defensor P\u00fablico-Geral.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-protocolo-de-las-lenas-e-dispensa-de-caucao\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Protocolo de Las Le\u00f1as e dispensa de cau\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>Protocolo de Las Le\u00f1as<\/a>, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, n\u00e3o traz dispensa gen\u00e9rica da presta\u00e7\u00e3o de cau\u00e7\u00e3o, limitando-se a impor o tratamento igualit\u00e1rio entre todos os cidad\u00e3os e residentes nos territ\u00f3rios de quaisquer dos Estados-Partes.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.991.994-SP, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 07\/06\/2022, DJe 20\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Pablo, argentino residente em Israel, ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a em face de Capitale Turismo Eireli (empresa brasileira) sustentando ser cession\u00e1rio de cr\u00e9dito originariamente titularizado por Net Agency, empresa estrangeira com sede em Israel. Na referida demanda, Pablo postulou dispensa da cau\u00e7\u00e3o exigida nos termos do art. 83 do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Em decis\u00e3o interlocut\u00f3ria, esse pleito foi indeferido pelo Ju\u00edzo de primeiro grau, dando azo \u00e0 interposi\u00e7\u00e3o de agravo de instrumento, ao qual se negou provimento. Em recurso especial, Pablo alega a dispensa da exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o prevista no art. 83, caput, do CPC, uma vez que \u00e9 cidad\u00e3o argentino, cujo pa\u00eds aderiu ao Protocolo de Las Le\u00f1as.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 83. O autor, brasileiro ou estrangeiro, que residir fora do Brasil ou deixar de residir no pa\u00eds ao longo da tramita\u00e7\u00e3o de processo prestar\u00e1 cau\u00e7\u00e3o suficiente ao pagamento das custas e dos honor\u00e1rios de advogado da parte contr\u00e1ria nas a\u00e7\u00f5es que propuser, se n\u00e3o tiver no Brasil bens im\u00f3veis que lhes assegurem o pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba N\u00e3o se exigir\u00e1 a cau\u00e7\u00e3o de que trata o&nbsp;caput&nbsp;:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; quando houver dispensa prevista em acordo ou tratado internacional de que o Brasil faz parte;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; na execu\u00e7\u00e3o fundada em t\u00edtulo extrajudicial e no cumprimento de senten\u00e7a;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; na reconven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-dispensa-a-caucao\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dispensa a cau\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Brasil \u00e9 parte signat\u00e1ria do Protocolo de Coopera\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Jurisdicional em Mat\u00e9ria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa &#8211; Protocolo de&nbsp;<em>Las Le\u00f1as<\/em>,<\/strong> internalizado por meio do Decreto n. 2.067\/1996, e ampliado por meio do Decreto n. 6.891\/2009. <strong>Por meio do referido tratado, atribuiu-se a igualdade de tratamento processual a todo e qualquer cidad\u00e3o ou residente permanente dos Estados-partes (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile e Bol\u00edvia).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia central cuida em definir se a cau\u00e7\u00e3o exigida pelo art. 83,&nbsp;<em>caput<\/em>, do <a>C\u00f3digo de Processo Civil <\/a>\u00e9 dispensada a todo e qualquer cidad\u00e3o dos Estados-partes ou, se para tanto, faz-se necess\u00e1ria tamb\u00e9m a resid\u00eancia fixada em territ\u00f3rio correspondente a estes Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo de Processo Civil, em seu art. 83, imp\u00f5e que o autor n\u00e3o residente no Brasil prestar\u00e1 cau\u00e7\u00e3o suficiente \u00e0s custas e honor\u00e1rios de advogado da parte contr\u00e1ria, se n\u00e3o tiver im\u00f3veis no Brasil que assegurem o pagamento de eventual sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o \u00e9 imposta tanto ao promovente brasileiro como ao estrangeiro, desde que atendidas duas condi\u00e7\u00f5es objetivas e cumulativas: (I) n\u00e3o resida no Brasil ou deixe de residir na pend\u00eancia da demanda; e (II) n\u00e3o seja propriet\u00e1rio de bens im\u00f3veis no Brasil, suficientes para assegurar o pagamento das custas e dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, na hip\u00f3tese de sua sucumb\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo requisito imp\u00f5e, tanto aos brasileiros como aos estrangeiros, a necessidade de serem titulares de bens im\u00f3veis no territ\u00f3rio submetido \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira, o que n\u00e3o ocorre com os pr\u00e9dios localizados em territ\u00f3rio alien\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>O Protocolo de&nbsp;<em>Las Le\u00f1as<\/em>, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, n\u00e3o traz dispensa gen\u00e9rica da presta\u00e7\u00e3o de cau\u00e7\u00e3o, limitando-se a impor o tratamento igualit\u00e1rio entre todos os cidad\u00e3os e residentes nos territ\u00f3rios de quaisquer dos Estados-partes.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto<strong>, o escopo do Protocolo de&nbsp;<em>Las Le\u00f1as<\/em>, quanto \u00e0 exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o, fica adstrito \u00e0 equipara\u00e7\u00e3o de tratamento interno, assegurando isonomia de tratamento entre os nacionais e residentes nos Pa\u00edses signat\u00e1rios, quando venham a litigar perante os Poderes Judici\u00e1rios uns dos outros<\/strong>. Enfatiza, ainda, que cau\u00e7\u00f5es e dep\u00f3sitos n\u00e3o podem ser exigidos sob o fundamento da qualidade de nacional ou residente em outro territ\u00f3rio de Estado-Parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, n\u00e3o se aplica a regra excepcional do \u00a7 1\u00ba do art. 83 do CPC, a qual afasta a exig\u00eancia da cau\u00e7\u00e3o prevista no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do mesmo artigo apenas quando houver dispensa expressamente prevista em acordo ou tratado de que seja o Brasil signat\u00e1rio. N\u00e3o \u00e9 o caso do Protocolo de&nbsp;<em>Las Le\u00f1as<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mister, cumpre assentar que a exig\u00eancia de cau\u00e7\u00e3o, nos termos do C\u00f3digo de Processo Civil, n\u00e3o \u00e9 imposta em raz\u00e3o da nacionalidade da parte, mas em vista da verifica\u00e7\u00e3o de que o autor n\u00e3o tem resid\u00eancia no territ\u00f3rio nacional, tampouco bens im\u00f3veis aqui localizados.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O Protocolo de Las Le\u00f1as, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, n\u00e3o traz dispensa gen\u00e9rica da presta\u00e7\u00e3o de cau\u00e7\u00e3o, limitando-se a impor o tratamento igualit\u00e1rio entre todos os cidad\u00e3os e residentes nos territ\u00f3rios de quaisquer dos Estados-Partes.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-ambiental\"><a>DIREITO AMBIENTAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-omissao-na-fiscalizacao-ambiental-e-imposicao-de-obrigacoes-ao-municipio\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Omiss\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e imposi\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es ao Munic\u00edpio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A omiss\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos danos ambientais enseja a imposi\u00e7\u00e3o judicial de obriga\u00e7\u00f5es positivas para o Munic\u00edpio a fim de solucionar o problema cuja extens\u00e3o temporal e quantitativa revela afronta \u00e0 dimens\u00e3o ecol\u00f3gica da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.024.982-SP, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022, DJe 24\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra particular, a municipalidade e empresa p\u00fablica estadual (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano Estadual &#8211; CDHU) em raz\u00e3o de maus-tratos identificados desde 2012 em abrigo clandestino de animais. A particular instalou o abrigo em \u00e1rea p\u00fablica abandonada. Na vistoria, que ocorreu 6 anos ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, havia 107 c\u00e3es com diversos problemas, inclusive presen\u00e7a de roedores e raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Firmado termo de ajustamento de conduta, a \u00e1rea foi desocupada. Por\u00e9m, verificou-se a mudan\u00e7a do canil clandestino para outro im\u00f3vel, igualmente da CDHU, igualmente com problemas e sem licen\u00e7a. Nessa feita, identificou-se contamina\u00e7\u00e3o ambiental do solo e instala\u00e7\u00e3o desautorizada de po\u00e7o. Os pedidos do MP foram acolhidos na senten\u00e7a e mantidos no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, que apenas ampliou o prazo de implementa\u00e7\u00e3o das medidas administrativas e ambientais de 60 para 180 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o Munic\u00edpio interp\u00f4s recurso especial no qual alega a ilegitimidade passiva do munic\u00edpio por uso indevido, por terceira, de \u00e1rea da CDHU, bem como a irrazoabilidade e desproporcionalidade da multa fixada e ainda a viola\u00e7\u00e3o da discricionariedade administrativa pela imposi\u00e7\u00e3o judicial de prioridades para a gest\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-correta-a-imposicao-de-obrigacao-de-fazer\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Correta a imposi\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica foi ajuizada, em 2018, <a>contra particular, a municipalidade e empresa p\u00fablica estadual (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano Estadual &#8211; CDHU) em raz\u00e3o de maus-tratos identificados desde 2012 em abrigo clandestino de animais. A particular instalou o abrigo em \u00e1rea p\u00fablica abandonada. Na vistoria, que ocorreu 6 (seis) anos ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, havia 107 (cento e sete) c\u00e3es com diversos problemas, inclusive presen\u00e7a de roedores e raiva.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Firmado termo de ajustamento de conduta, a \u00e1rea foi desocupada. Por\u00e9m, verificou-se a mudan\u00e7a do canil clandestino para outro im\u00f3vel, igualmente da CDHU, igualmente com problemas e sem licen\u00e7a. Nessa feita, identificou-se contamina\u00e7\u00e3o ambiental do solo e instala\u00e7\u00e3o desautorizada de po\u00e7o. Visou a a\u00e7\u00e3o: I) impedir que a particular introduzisse novos animais no canil clandestino, bem como permitir a remo\u00e7\u00e3o dos existentes; II) a CDHU proceder \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o ambiental de seus im\u00f3veis e os fiscalizar contra novas invas\u00f5es; e III) o munic\u00edpio acolher os animais em local adequado, com acompanhamento veterin\u00e1rio e encaminhamento para doa\u00e7\u00e3o ou destina\u00e7\u00e3o a entidades de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pedidos foram acolhidos na senten\u00e7a e mantidos no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, que apenas ampliou o prazo de implementa\u00e7\u00e3o das medidas administrativas e ambientais de 60 (sessenta) para 180 (cento e oitenta) dias.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange \u00e0 ilegitimidade passiva do munic\u00edpio, o ac\u00f3rd\u00e3o, a despeito de men\u00e7\u00e3o \u00e0 norma local e \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, funda-se na responsabilidade administrativa comum pela fiscaliza\u00e7\u00e3o das viola\u00e7\u00f5es ambientais. Nesse sentido, o Tribunal local alinha-se \u00e0 jurisprud\u00eancia do STJ: &#8220;[&#8230;] 4. <strong>O ordenamento jur\u00eddico brasileiro conferiu a todos os entes federativos o dever-poder de pol\u00edcia ambiental, que inclui tanto a compet\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00e3o, como a compet\u00eancia de licenciamento, faces correlatas, embora inconfund\u00edveis, da mesma moeda, as quais respondem a regime jur\u00eddico diferenciado. Para aquela, nos termos da Lei Complementar 140\/2011, vigora o princ\u00edpio do compartilhamento de atribui\u00e7\u00e3o (= corresponsabilidade solid\u00e1ria).<\/strong> Para esta, em sentido diverso, prevalece o princ\u00edpio da concentra\u00e7\u00e3o mitigada de atribui\u00e7\u00e3o, mitigada na acep\u00e7\u00e3o de n\u00e3o denotar centraliza\u00e7\u00e3o por exclus\u00e3o absoluta, j\u00e1 que, com frequ\u00eancia, responde mais a intento pragm\u00e1tico de comodidade e efici\u00eancia do que \u00e0 falta de poder\/interesse\/legitimidade de outras esferas federativas. Precedentes. [&#8230;] (AgInt no REsp n. 1.922.574\/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29\/11\/2021, DJe de 16\/12\/2021)&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em ilegitimidade passiva da municipalidade que, ciente dos fatos por 13 (treze) anos, deixou de tomar medidas efetivas para sua solu\u00e7\u00e3o, penalizando os animais submetidos ao &#8220;abrigo&#8221;, o que n\u00e3o pode mesmo ser tolerado, inclusive diante da dimens\u00e3o ecol\u00f3gica da dignidade humana, j\u00e1 reconhecida por este colegiado (REsp n. 1.797.175\/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 21\/3\/2019, REPDJe de 13\/5\/2019, DJe de 28\/3\/2019).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-resultado-final\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A omiss\u00e3o na fiscaliza\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos danos ambientais enseja a imposi\u00e7\u00e3o judicial de obriga\u00e7\u00f5es positivas para o Munic\u00edpio a fim de solucionar o problema cuja extens\u00e3o temporal e quantitativa revela afronta \u00e0 dimens\u00e3o ecol\u00f3gica da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-da-crianca-e-do-adolescente\"><a>DIREITO DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-risco-de-contaminacao-pelo-covid-19-e-manutencao-de-crianca-de-tenra-idade-com-a-familia-substituta-apesar-da-suposta-irregularidade-ilegalidade-dos-meios-empregados-para-a-obtencao-da-guarda-da-infante\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo COVID-19 e manuten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a de tenra idade com a fam\u00edlia substituta, apesar da suposta irregularidade\/ilegalidade dos meios empregados para a obten\u00e7\u00e3o da guarda da infante.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO JUDICIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O risco real de contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus (covid-19) em casa de abrigo justifica a <a>manuten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a de tenra idade com a fam\u00edlia substituta, apesar da suposta irregularidade\/ilegalidade dos meios empregados para a obten\u00e7\u00e3o da guarda da infante.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21\/06\/2022, DJe 23\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A fam\u00edlia Mutreta conseguiu a guarda de um infante mediante burla ao cadastro de ado\u00e7\u00e3o. Quando a situa\u00e7\u00e3o se tornou p\u00fablica, foi deferida liminar nos autos da a\u00e7\u00e3o para medida de prote\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional, determinando-se a imediata busca e apreens\u00e3o do menor.<\/p>\n\n\n\n<p>Aguerrida, a fam\u00edlia Mutreta impetrou sucessivos recursos alegando que, dentre outros motivos, o risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo covid-19 em uma institui\u00e7\u00e3o de acolhimento justificaria a manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a fam\u00edlia substituta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>ECA:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 6\u00ba Na interpreta\u00e7\u00e3o desta Lei levar-se-\u00e3o em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exig\u00eancias do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condi\u00e7\u00e3o peculiar da crian\u00e7a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 34.&nbsp; O poder p\u00fablico estimular\u00e1, por meio de assist\u00eancia jur\u00eddica, incentivos fiscais e subs\u00eddios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de crian\u00e7a ou adolescente afastado do conv\u00edvio familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>A inclus\u00e3o da crian\u00e7a ou adolescente em programas de acolhimento familiar ter\u00e1 prefer\u00eancia a seu acolhimento institucional, observado, em qualquer caso, o car\u00e1ter tempor\u00e1rio e excepcional da medida, nos termos desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 50. A autoridade judici\u00e1ria manter\u00e1, em cada comarca ou foro regional, um registro de crian\u00e7as e adolescentes em condi\u00e7\u00f5es de serem adotados e outro de pessoas interessadas na ado\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 13.&nbsp; Somente poder\u00e1 ser deferida ado\u00e7\u00e3o em favor de candidato domiciliado no Brasil n\u00e3o cadastrado previamente nos termos desta Lei quando:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; se tratar de pedido de ado\u00e7\u00e3o unilateral;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; for formulada por parente com o qual a crian\u00e7a ou adolescente mantenha v\u00ednculos de afinidade e afetividade;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; oriundo o pedido de quem det\u00e9m a tutela ou guarda legal de crian\u00e7a maior de 3 (tr\u00eas) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de conviv\u00eancia comprove a fixa\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de afinidade e afetividade, e n\u00e3o seja constatada a ocorr\u00eancia de m\u00e1-f\u00e9 ou qualquer das situa\u00e7\u00f5es previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-situacao-excepcional-justifica-a-manutencao-da-crianca-com-a-familia-substituta\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o excepcional <\/a>justifica a manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a fam\u00edlia substituta?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, deve-se observar que, no caso, a determina\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional se justificou unicamente pela presen\u00e7a de ind\u00edcios de burla ao cadastro de ado\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tendo sido cogitado qualquer risco f\u00edsico ou psicol\u00f3gico \u00e0 crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora, na hip\u00f3tese, estivesse zelando pela observ\u00e2ncia do procedimento legal de ado\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que se convir que o deferimento <a>de liminar nos autos da a\u00e7\u00e3o para medida de prote\u00e7\u00e3o de acolhimento institucional, determinando a imediata busca e apreens\u00e3o do menor<\/a>, sem ao menos realizar um estudo psicossocial ou verificar a possibilidade de concess\u00e3o da guarda provis\u00f3ria aos postulantes, certamente n\u00e3o atendeu o melhor interesse da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o obstante a suposta irregularidade\/ilegalidade dos meios empregados para a obten\u00e7\u00e3o da guarda da infante, \u00e9 do seu melhor interesse a sua perman\u00eancia no lar da fam\u00edlia que a acolheu desde os primeiros dias de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se, portanto, que <strong>a suposta guarda irregular do infante n\u00e3o lhe trouxe preju\u00edzo, mas, ao contr\u00e1rio, atendeu aos seus superiores interesses.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, em quest\u00f5es afetas a crian\u00e7as e adolescentes, \u00e9 da tradi\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es desta Corte sobrelevar, sempre, o melhor interesse do menor, em aten\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral e \u00e0 diretiva estabelecida no art. 6\u00ba da Lei n. 8.069\/90, segundo a qual: &#8220;Na interpreta\u00e7\u00e3o desta Lei levar-se-\u00e3o em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exig\u00eancias do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condi\u00e7\u00e3o peculiar da crian\u00e7a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o que melhor atende ao microssistema consubstanciado no <a>ECA<\/a> e a teleologia de suas normas \u00e9 aquela que n\u00e3o veda que, em hip\u00f3teses que refujam das previstas nos seus tr\u00eas incisos do \u00a7 13\u00ba do art. 50, no melhor interesse do infante, possa se dar andamento ao pedido de ado\u00e7\u00e3o, investigando se os pretendentes re\u00fanem condi\u00e7\u00f5es de ser pais e, ainda, se os interesses do menor confluem com os dos pretendentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O escopo deste cadastro, certamente, \u00e9 acelerar o processo de ado\u00e7\u00e3o, torn\u00e1-lo mais seguro e cristalino, procedendo-se a uma pr\u00e9via an\u00e1lise dos pretendentes \u00e0 paternidade e maternidade, cadastro este que, ainda, \u00e9 fiscalizado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pode, no entanto, tornar-se o cadastro em um fim em si mesmo, especialmente quando a realidade informar que a ado\u00e7\u00e3o por aqueles que ali n\u00e3o est\u00e3o inscritos &#8211; em que pese aptos a cuidar, respeitar, proteger e auxiliar no desenvolvimento seguro do adotando, com o afeto que toda crian\u00e7a e adolescente \u00e9 merecedor &#8211; esteja em sintonia com os interesses da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, verifica-se que o \u00fanico motivo para a ado\u00e7\u00e3o de medida de prote\u00e7\u00e3o mais dr\u00e1stica foi a burla ao cadastro de ado\u00e7\u00e3o e a suspeita de entrega irregular pela genitora, em contrariedade ao disposto no art. 34, \u00a71\u00ba, do ECA, e a pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial do STJ. Neste momento de situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica, portanto, apesar da apar\u00eancia da chamada &#8220;ado\u00e7\u00e3o \u00e0 brasileira&#8221;, \u00e9 prefer\u00edvel e recomendada a manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a em um lar j\u00e1 estabelecido, com uma fam\u00edlia que a deseja como membro.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O risco real de contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus (covid-19) em casa de abrigo justifica a manuten\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a de tenra idade com a fam\u00edlia substituta, apesar da suposta irregularidade\/ilegalidade dos meios empregados para a obten\u00e7\u00e3o da guarda da infante.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-abusividade-da-exclusao-unilateral-do-usuario-de-plano-de-saude-quando-seu-direito-de-manutencao-tem-amparo-contratual-pactuado-firmado-no-termo-de-opcao\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Abusividade da exclus\u00e3o unilateral do usu\u00e1rio de plano de sa\u00fade, quando seu direito de manuten\u00e7\u00e3o tem amparo contratual, pactuado\/firmado no &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221;,<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 abusiva a <a>exclus\u00e3o unilateral do usu\u00e1rio, quando seu direito de manuten\u00e7\u00e3o tem amparo contratual, pactuado\/firmado no &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221;, <\/a>e o rompimento unilateral do v\u00ednculo somente seria admitido nas hip\u00f3teses previstas na RN ANS n. 195\/2008.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.940.391-MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 21\/06\/2022, DJe de 23\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, demitido da Funda\u00e7\u00e3o Pio, assinou termo de op\u00e7\u00e3o visando ser mantido no plano de sa\u00fade oferecido pela operadora. No referido termo de op\u00e7\u00e3o, havia cl\u00e1usulas amb\u00edguas acerca do tempo de perman\u00eancia do empregado demitido, pois uma cl\u00e1usula previa o prazo de 6 a 24 meses, ao passo que a cl\u00e1usula seguinte previa prazo indeterminado, al\u00e9m de constar na parte final do documento uma observa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no sentido do prazo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por for\u00e7a desse Termo de Op\u00e7\u00e3o, Creosvaldo permaneceu vinculado ao plano de sa\u00fade de forma inconteste at\u00e9 \u00e0 data de 14\/09\/2009, quando foi notificado pela estipulante sobre o &#8220;cancelamento&#8221; (exclus\u00e3o) do plano de sa\u00fade, sob fundamento de que o direito de manuten\u00e7\u00e3o teria sido concedido de forma indevida.<\/p>\n\n\n\n<p>Indignado, Creosvaldo ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o visando ser mantido no plano de sa\u00fade por prazo indeterminado, como constou no Termo de Op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.656\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;30.&nbsp;&nbsp;Ao consumidor que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp;desta Lei, em decorr\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio, no caso de rescis\u00e3o ou exonera\u00e7\u00e3o do contrato de trabalho sem justa causa, \u00e9 assegurado o direito de manter sua condi\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de cobertura assistencial de que gozava quando da vig\u00eancia do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;O per\u00edodo de manuten\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rio a que se refere o&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;ser\u00e1 de um ter\u00e7o do tempo de perman\u00eancia nos produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 1<sup>o<\/sup>, ou sucessores, com um m\u00ednimo assegurado de seis meses e um m\u00e1ximo de vinte e quatro meses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;A manuten\u00e7\u00e3o de que trata este artigo \u00e9 extensiva, obrigatoriamente, a todo o grupo familiar inscrito quando da vig\u00eancia do contrato de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<sup>o<\/sup>&nbsp;Em caso de morte do titular, o direito de perman\u00eancia \u00e9 assegurado aos dependentes cobertos pelo plano ou seguro privado coletivo de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, nos termos do disposto neste artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4<sup>o<\/sup>&nbsp;O direito assegurado neste artigo n\u00e3o exclui vantagens obtidas pelos empregados decorrentes de negocia\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;5<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;A condi\u00e7\u00e3o prevista no&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;deste artigo deixar\u00e1 de existir quando da admiss\u00e3o do consumidor titular em novo emprego.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;6<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Nos planos coletivos custeados integralmente pela empresa, n\u00e3o \u00e9 considerada contribui\u00e7\u00e3o a co-participa\u00e7\u00e3o do consumidor, \u00fanica e exclusivamente, em procedimentos, como fator de modera\u00e7\u00e3o, na utiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de assist\u00eancia m\u00e9dica ou hospitalar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;31.&nbsp;&nbsp;Ao aposentado que contribuir para produtos de que tratam o inciso I e o \u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp;desta Lei, em decorr\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio, pelo prazo m\u00ednimo de dez anos, \u00e9 assegurado o direito de manuten\u00e7\u00e3o como benefici\u00e1rio, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de cobertura assistencial de que gozava quando da vig\u00eancia do contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;1<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Ao aposentado que contribuir para planos coletivos de assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade por per\u00edodo inferior ao estabelecido no&nbsp;<strong>caput<\/strong>&nbsp;\u00e9 assegurado o direito de manuten\u00e7\u00e3o como benefici\u00e1rio, \u00e0 raz\u00e3o de um ano para cada ano de contribui\u00e7\u00e3o, desde que assuma o pagamento integral do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;2<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;Para gozo do direito assegurado neste artigo, observar-se-\u00e3o as mesmas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas nos \u00a7\u00a7 2<sup>o<\/sup>, 3<sup>o<\/sup>, 4<sup>o<\/sup>, 5<sup>o<\/sup>&nbsp;e 6<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 30.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<sup>o<\/sup>&nbsp;Para gozo do direito assegurado neste artigo, observar-se-\u00e3o as mesmas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas nos \u00a7\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp;e 4<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 30.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-a-exclusao-unilateral-e-abusiva\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A exclus\u00e3o unilateral \u00e9 abusiva?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia \u00e9 pertinente \u00e0 abusividade da exclus\u00e3o unilateral de usu\u00e1rio que, na condi\u00e7\u00e3o de ex-empregado, foi mantido no plano de sa\u00fade por for\u00e7a de documento escrito que lhe assegurou o direito de permanecer no plano por tempo indeterminado, embora n\u00e3o tivesse contribu\u00eddo para o plano de sa\u00fade na vig\u00eancia do contrato de trabalho, que durou menos de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, esclare\u00e7a-se que o ponto de partida \u00e9 a exegese do referido &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221; o qual contempla a previs\u00e3o de vig\u00eancia do plano da sa\u00fade por prazo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos dos arts. 30 e 31 da <a>Lei n. 9.656\/1998<\/a>, o ex-empregado demitido tem direito de ser mantido no plano de sa\u00fade pelo prazo m\u00e1ximo de 24 meses, ao passo que o aposentado tem o mesmo direito pelo tempo que contribuiu para o plano, ou por prazo indeterminado, caso tenha contribu\u00eddo por mais de dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s atendidos esse requisitos legais, <strong>a lei confere ao usu\u00e1rio do plano de sa\u00fade o direito subjetivo de ser mantido no plano de sa\u00fade, independentemente da manifesta\u00e7\u00e3o de vontade da operadora<\/strong>. A lei n\u00e3o veda, entretanto, que a operadora venha a admitir o direito de manuten\u00e7\u00e3o em outras hip\u00f3teses. Nesse sentido, a pr\u00f3pria norma ressalva os direitos previstos em negocia\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a perman\u00eancia do usu\u00e1rio no plano de sa\u00fade estava ASSEGURADA por uma norma contratual, firmado no &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221;, previsto no regulamento do plano de sa\u00fade, e formalizado entre o usu\u00e1rio e a empresa estipulante. Al\u00e9m disso, no \u00e2mbito infralegal, a Resolu\u00e7\u00e3o CONSU n. 20\/1999 (vigente \u00e0 \u00e9poca dos fatos) previa a possibilidade de o regulamento do plano assegurar ao usu\u00e1rio demitido o direito de permanecer vinculado por prazo indeterminado, n\u00e3o obstante o prazo m\u00e1ximo de 24 meses previsto em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 certo que <strong>o conte\u00fado do &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221; pode ter extrapolado os limites contratuais do regulamento do plano de sa\u00fade, pois concedeu direito de manuten\u00e7\u00e3o por prazo indeterminado a um usu\u00e1rio que n\u00e3o permaneceu no plano por mais de dez anos, e nem sequer contribuiu para o plano nesse per\u00edodo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato, contudo, n\u00e3o autorizaria a operadora a excluir unilateralmente o usu\u00e1rio do plano de sa\u00fade, pois a exclus\u00e3o unilateral de usu\u00e1rio s\u00f3 est\u00e1 prevista para as hip\u00f3teses taxativamente previstas na regula\u00e7\u00e3o, especificamente na Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n. 195\/2009.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 abusiva a exclus\u00e3o unilateral do usu\u00e1rio, quando seu direito de manuten\u00e7\u00e3o tem amparo contratual, pactuado\/firmado no &#8220;Termo de Op\u00e7\u00e3o&#8221;, e o rompimento unilateral do v\u00ednculo somente seria admitido nas hip\u00f3teses previstas na RN ANS n. 195\/2008.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-crime-de-furto-praticado-durante-repouso-noturno-e-criterios-de-dosimetria\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Crime de furto praticado durante repouso noturno e crit\u00e9rios de dosimetria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. Nos termos do \u00a7 1\u00ba do art. 155 do C\u00f3digo Penal, se o crime de furto \u00e9 praticado durante o repouso noturno, a pena ser\u00e1 aumentada de um ter\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O repouso noturno compreende o per\u00edodo em que a popula\u00e7\u00e3o se recolhe para descansar, devendo o julgador atentar-se \u00e0s caracter\u00edsticas do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A situa\u00e7\u00e3o de repouso est\u00e1 configurada quando presente a condi\u00e7\u00e3o de sossego\/tranquilidade do per\u00edodo da noite, caso em que, em raz\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o ou precariedade de vigil\u00e2ncia dos bens, ou, ainda, da menor capacidade de resist\u00eancia da v\u00edtima, facilita-se a concretiza\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>4. S\u00e3o irrelevantes os fatos das v\u00edtimas estarem, ou n\u00e3o, dormindo no momento do crime, ou o local de sua ocorr\u00eancia, em estabelecimento comercial, via p\u00fablica, resid\u00eancia desabitada ou em ve\u00edculos, bastando que o furto ocorra, obrigatoriamente, \u00e0 noite e em situa\u00e7\u00e3o de repouso.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.979.989-RS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 22\/06\/2022. (Tema 1144) (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino foi condenado pelo crime de furto cometido em per\u00edodo noturno. A defesa interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o. Segundo a defesa, n\u00e3o haveria que se falar na qualificadora em raz\u00e3o do ato ter ocorrido em hor\u00e1rio noturno, uma vez que as v\u00edtimas n\u00e3o estavam dormindo no momento do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o MP alega a que para a caracteriza\u00e7\u00e3o da majorante do repouso noturno, mostra-se suficiente que a investida contra o patrim\u00f4nio da v\u00edtima ocorra durante a noite, sendo irrelevante a discuss\u00e3o acerca do local do delito ou da possibilidade de que as v\u00edtimas estivessem por perto. Isso porque a car\u00eancia de vigil\u00e2ncia e, por conseguinte, a maior vulnerabilidade do bem jur\u00eddico, estaria presente em qualquer hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Furto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155 &#8211; Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia m\u00f3vel:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211; A pena aumenta-se de um ter\u00e7o, se o crime \u00e9 praticado durante o repouso noturno.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-deve-ser-aplicada-a-qualificadora-noturna\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Deve ser aplicada a qualificadora noturna?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia delimita-se em definir a) se, para a configura\u00e7\u00e3o da circunst\u00e2ncia majorante do \u00a7 1\u00ba do art. 155 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, basta que a conduta delitiva tenha sido praticada durante o repouso noturno e, tamb\u00e9m, b) se h\u00e1 relev\u00e2ncia no fato das v\u00edtimas estarem ou n\u00e3o dormindo no momento do crime, ou a sua ocorr\u00eancia em estabelecimento comercial ou em via p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do \u00a7 1\u00ba do art. 155 do C\u00f3digo Penal, se o crime de furto \u00e9 praticado durante o repouso noturno, a pena ser\u00e1 aumentada de um ter\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante ao hor\u00e1rio de aplica\u00e7\u00e3o, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 definiu que &#8220;<strong>este \u00e9 vari\u00e1vel, devendo obedecer aos costumes locais relativos \u00e0 hora em que a popula\u00e7\u00e3o se recolhe e a em que desperta para a vida cotidiana&#8221;. Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 um hor\u00e1rio prefixado, devendo, portanto, atentar-se \u00e0s caracter\u00edsticas da vida cotidiana da localidade<\/strong> (REsp 1.659.208\/RS, Rel. Ministra Maria Thereza De Assis Moura, DJ 31\/3\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Em um an\u00e1lise objetivo-jur\u00eddica do art. 155, \u00a71\u00ba, do CP, percebe-se que o legislador pretendeu sancionar de forma mais severa o furtador que se beneficia dessa condi\u00e7\u00e3o de sossego\/tranquilidade, presente no per\u00edodo da noite, para, em raz\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o ou precariedade de vigil\u00e2ncia dos bens, ou, ainda, da menor capacidade de resist\u00eancia da v\u00edtima, facilitar-lhe a concretiza\u00e7\u00e3o do intento criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p>O crime de furto s\u00f3 implicar\u00e1 no aumento de um ter\u00e7o se o fato ocorrer, obrigatoriamente, \u00e0 noite e em situa\u00e7\u00e3o de repouso. Nas hip\u00f3teses concretas, ser\u00e1 importante extrair dos autos as peculiares da localidade em que ocorreu o delito.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, haver\u00e1 casos em que, mesmo nos furtos praticados no per\u00edodo da noite, mas em lugares amplamente vigiados, tais como em boates e com\u00e9rcios noturnos, ou, ainda, em situa\u00e7\u00f5es de repouso, mas ocorridas nos per\u00edodos diurno ou vespertino, n\u00e3o se poder\u00e1 valer-se dessa causa de aumento.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ passou a destacar a <strong>IRRELEV\u00c2NCIA do local estar ou n\u00e3o habitado, ou o fato da v\u00edtima estar ou n\u00e3o dormindo no momento do crime para os fins aqui propostos, bastando que a atua\u00e7\u00e3o criminosa seja realizada no per\u00edodo da noite e sem a vigil\u00e2ncia do bem<\/strong>. Seguiu-se \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o de que para a incid\u00eancia da causa de aumento n\u00e3o importava o local em que o furto fora cometido, em resid\u00eancias, habitadas ou n\u00e3o, lojas e ve\u00edculos, bem como em vias p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se o crime de furto \u00e9 praticado durante o repouso noturno, na hora em que a popula\u00e7\u00e3o se recolhe para descansar, valendo-se da diminui\u00e7\u00e3o ou precariedade de vigil\u00e2ncia dos bens, ou, ainda, da menor capacidade de resist\u00eancia da v\u00edtima, a pena ser\u00e1 aumentada de um ter\u00e7o. N\u00e3o importa, nesse sentido, se as v\u00edtimas est\u00e3o ou n\u00e3o dormindo no momento do crime, ou o local de sua ocorr\u00eancia, em estabelecimento comercial, resid\u00eancia desabitada, via p\u00fablica ou ve\u00edculos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>1. Nos termos do \u00a7 1\u00ba do art. 155 do C\u00f3digo Penal, se o crime de furto \u00e9 praticado durante o repouso noturno, a pena ser\u00e1 aumentada de um ter\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O repouso noturno compreende o per\u00edodo em que a popula\u00e7\u00e3o se recolhe para descansar, devendo o julgador atentar-se \u00e0s caracter\u00edsticas do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>3. A situa\u00e7\u00e3o de repouso est\u00e1 configurada quando presente a condi\u00e7\u00e3o de sossego\/tranquilidade do per\u00edodo da noite, caso em que, em raz\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o ou precariedade de vigil\u00e2ncia dos bens, ou, ainda, da menor capacidade de resist\u00eancia da v\u00edtima, facilita-se a concretiza\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>4. S\u00e3o irrelevantes os fatos das v\u00edtimas estarem, ou n\u00e3o, dormindo no momento do crime, ou o local de sua ocorr\u00eancia, em estabelecimento comercial, via p\u00fablica, resid\u00eancia desabitada ou em ve\u00edculos, bastando que o furto ocorra, obrigatoriamente, \u00e0 noite e em situa\u00e7\u00e3o de repouso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-im-possibilidade-de-compensacao-integral-da-atenuante-da-confissao-espontanea-com-a-agravante-da-reincidencia\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade de compensa\u00e7\u00e3o integral da atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea com a agravante da reincid\u00eancia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel (obrigat\u00f3ria), na segunda fase da dosimetria da pena, a compensa\u00e7\u00e3o <a>integral da atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea com a agravante da reincid\u00eancia<\/a>, seja ela espec\u00edfica ou n\u00e3o. Todavia, nos casos de multirreincid\u00eancia, deve ser reconhecida a preponder\u00e2ncia da agravante prevista no art. 61, I, do C\u00f3digo Penal, sendo admiss\u00edvel a sua compensa\u00e7\u00e3o proporcional com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, em estrito atendimento aos princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e da proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.931.145-SP, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 22\/06\/2022, DJe 24\/06\/2022. (Tema 585) (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, j\u00e1 reincidente no tr\u00e1fico, foi denunciado pela pr\u00e1tica, em tese, dos crimes de tr\u00e1fico de drogas e de dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo sem habilita\u00e7\u00e3o, e condenado \u00e0 pena de 8 anos de reclus\u00e3o. A defesa interp\u00f4s apela\u00e7\u00e3o, a qual foi desprovida pelo Tribunal.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa ent\u00e3o interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta a necessidade do redimensionamento da pena do acusado, com a compensa\u00e7\u00e3o integral da agravante da reincid\u00eancia com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 61 &#8211; S\u00e3o circunst\u00e2ncias que sempre agravam a pena, quando n\u00e3o constituem ou qualificam o crime:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a reincid\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 65 &#8211; S\u00e3o circunst\u00e2ncias que sempre atenuam a pena:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; ter o agente:<\/p>\n\n\n\n<p>d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 67 &#8211; No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunst\u00e2ncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-possivel-a-compensacao\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a compensa\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o suscitada j\u00e1 foi objeto de in\u00fameros julgados do STJ e cinge-se a delimitar os efeitos da compensa\u00e7\u00e3o da atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea com a agravante da reincid\u00eancia, irradiando seus efeitos para ambas as esp\u00e9cies (gen\u00e9rica ou espec\u00edfica), sendo imprescind\u00edvel, ainda, adequar-se a reda\u00e7\u00e3o do Tema n. 585\/STJ \u00e0 hip\u00f3tese de multirreincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, diante da diverg\u00eancia entre as Turmas de Direito Penal, a Terceira Se\u00e7\u00e3o desta Corte, no julgamento do EREsp n. 1.154.752\/RS, pacificou o entendimento, no sentido de ser poss\u00edvel, na segunda fase do c\u00e1lculo da pena, a compensa\u00e7\u00e3o da agravante da reincid\u00eancia com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, por serem igualmente preponderantes, de acordo com o art. 67 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na oportunidade, definiu-se que a incid\u00eancia da atenuante prevista no art. 65, III, d, do C\u00f3digo Penal, independe se a confiss\u00e3o foi integral ou parcial, especialmente quando utilizada para fundamentar a condena\u00e7\u00e3o. Isso porque a confiss\u00e3o, por indicar arrependimento, demonstra uma personalidade mais ajustada, a ponto de a pessoa reconhecer o erro e assumir suas consequ\u00eancias. Ent\u00e3o, por demonstrar tra\u00e7o da personalidade do agente, o peso entre a confiss\u00e3o e a reincid\u00eancia deve ser o mesmo, nos termos do art. 67 do C\u00f3digo Penal, pois s\u00e3o igualmente preponderantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, a Terceira Se\u00e7\u00e3o, em 10\/4\/2013, sob a sistem\u00e1tica dos recursos especiais repetitivos, firmou, no julgamento do REsp. n. 1.341.370\/MT, DJe de 17\/4\/2013, o entendimento de que, observadas as especificidades do caso concreto, deve-se compensar a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea com a agravante da reincid\u00eancia na segunda fase da dosimetria da pena (Tema n. 585\/STJ).<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do&nbsp;<em>Habeas Corpus<\/em>&nbsp;n. 365.963\/SP, definiu-se que <strong>a especificidade da reincid\u00eancia n\u00e3o obstaculiza sua compensa\u00e7\u00e3o com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea<\/strong>. Em outras palavras, a reincid\u00eancia, ainda que espec\u00edfica, deve ser compensada integralmente com a atenuante da confiss\u00e3o, demonstrando, assim, que n\u00e3o deve ser ofertado maior desvalor \u00e0 conduta do r\u00e9u que ostente outra condena\u00e7\u00e3o pelo mesmo delito.<\/p>\n\n\n\n<p>Destacou-se ainda que, tratando-se de r\u00e9u multirreincidente, deve ser reconhecida a preponder\u00e2ncia da agravante prevista no art. 61, I, do C\u00f3digo Penal, sendo admiss\u00edvel a sua compensa\u00e7\u00e3o proporcional com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, em estrito atendimento aos princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e da proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, <strong>a condi\u00e7\u00e3o de multirreincid\u00eancia exige maior reprova\u00e7\u00e3o do que a conduta de um acusado que tenha a condi\u00e7\u00e3o de reincidente em raz\u00e3o de um evento \u00fanico e isolado em sua vida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se a simples reincid\u00eancia \u00e9, por lei, reprovada com maior intensidade, porque demonstra um presum\u00edvel desprezo \u00e0s solenes advert\u00eancias da lei e da pena, reveladora de especial tend\u00eancia antissocial, por quest\u00e3o de l\u00f3gica e de proporcionalidade, e em atendimento ao princ\u00edpio da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, h\u00e1 a necessidade de se conferir um maior agravamento na situa\u00e7\u00e3o penal do r\u00e9u nos casos de multirreincid\u00eancia, em fun\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia da atividade criminosa, a qual evidencia uma maior reprovabilidade da conduta, devendo, assim, prevalecer sobre a confiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a recidiva prepondera nas hip\u00f3teses em que o acusado possui v\u00e1rias condena\u00e7\u00f5es por crimes anteriores, transitadas em julgado, reclamando repress\u00e3o estatal mais robusta.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, na segunda fase da dosimetria da pena, a compensa\u00e7\u00e3o integral da atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea com a agravante da reincid\u00eancia, seja ela espec\u00edfica ou n\u00e3o. Todavia, nos casos de multirreincid\u00eancia, deve ser reconhecida a preponder\u00e2ncia da agravante prevista no art. 61, I, do C\u00f3digo Penal, sendo admiss\u00edvel a sua compensa\u00e7\u00e3o proporcional com a atenuante da confiss\u00e3o espont\u00e2nea, em estrito atendimento aos princ\u00edpios da individualiza\u00e7\u00e3o da pena e da proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-cabimento-da-concessao-de-salvo-conduto-para-o-plantio-e-o-transporte-de-cannabis-sativa-para-fins-exclusivamente-terapeuticos-com-base-em-receituario-e-laudo-subscrito-por-profissional-medico-especializado\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento da concess\u00e3o de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terap\u00eauticos, com base em receitu\u00e1rio e laudo subscrito por profissional m\u00e9dico especializado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO JUDICIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a <a>concess\u00e3o de <\/a><a>salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terap\u00eauticos<\/a>, com base em receitu\u00e1rio e laudo subscrito por <a>profissional m\u00e9dico especializado<\/a>, e chancelado pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cidinei sofre de uma doen\u00e7a grave e sem cura. Seu m\u00e9dico lhe alertou que o uso do \u00f3leo de Cannabis Sativa poderia aliviar (e muito) seus sintomas. Em raz\u00e3o disso, Cidinei ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terap\u00eauticos. Na inicial, Cidinei juntou o atestado m\u00e9dico, receitu\u00e1rio expedido por profissional m\u00e9dico especializado e devidamente chancelado pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo judicial &#8211; Caso Hipot\u00e9tico&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba Ficam proibidas, em todo o territ\u00f3rio nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a explora\u00e7\u00e3o de vegetais e substratos dos quais possam ser extra\u00eddas ou produzidas drogas, ressalvada a hip\u00f3tese de autoriza\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Conven\u00e7\u00e3o de Viena, das Na\u00e7\u00f5es Unidas, sobre Subst\u00e2ncias Psicotr\u00f3picas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritual\u00edstico-religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Pode a Uni\u00e3o autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais ou cient\u00edficos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscaliza\u00e7\u00e3o, respeitadas as ressalvas supramencionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Nas mesmas penas incorre quem:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, exp\u00f5e \u00e0 venda, oferece, fornece, tem em dep\u00f3sito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar, mat\u00e9ria-prima, insumo ou produto qu\u00edmico destinado \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de drogas;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em mat\u00e9ria-prima para a prepara\u00e7\u00e3o de drogas;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administra\u00e7\u00e3o, guarda ou vigil\u00e2ncia, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar, para o tr\u00e1fico il\u00edcito de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; vende ou entrega drogas ou mat\u00e9ria-prima, insumo ou produto qu\u00edmico destinado \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de drogas, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com a determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar, a agente policial disfar\u00e7ado, quando presentes elementos probat\u00f3rios razo\u00e1veis de conduta criminal preexistente.<\/p>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Contrabando<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 334-A. Importar ou exportar mercadoria proibida:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 5 ( cinco) anos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-cabivel-a-concessao-do-salvo-conduto\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cab\u00edvel a concess\u00e3o do salvo-conduto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se o cabimento de&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;preventivo visando a concess\u00e3o de salvo-conduto para o plantio e o transporte de&nbsp;<em>Cannabis Sativa<\/em>, como objetivo de extra\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncia necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o artesanal dos medicamentos prescritos para fins de tratamento de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, vale destacar que <strong>o art. 33,&nbsp;<em>caput<\/em>, da <a>Lei n. 11.343\/2006 <\/a>apresenta-se como norma penal em branco, porque define o crime de tr\u00e1fico a partir da pr\u00e1tica de dezoito condutas relacionadas a drogas<\/strong> &#8211; importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer -, sem, no entanto, trazer a defini\u00e7\u00e3o do elemento do tipo &#8220;drogas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do que sejam &#8220;drogas&#8221;, capazes de caracterizar os delitos previstos na Lei n. 11.343\/2006, adv\u00e9m da Portaria n. 344\/1998, da Secretaria de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;<em>Sativa&nbsp;<\/em>integra a &#8220;Lista E&#8221; da referida portaria, que, em \u00faltima an\u00e1lise, a descreve como planta que pode originar subst\u00e2ncias entorpecentes e\/ou psicotr\u00f3picas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que \u00e9 poss\u00edvel, ao menos em tese, que os pacientes tenham suas condutas enquadradas no art. 33, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, pun\u00edvel com pena privativa de liberdade, \u00e9 indiscut\u00edvel o cabimento de&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;para os fins por eles almejados: concess\u00e3o de salvo-conduto para o plantio e o transporte de&nbsp;<em>Cannabis Sativa<\/em>, da qual se pode extrair a subst\u00e2ncia necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o artesanal dos medicamentos prescritos para fins de tratamento de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 o risco, pelo menos hipot\u00e9tico, de que as autoridades policiais tentem qualificar a pretendida importa\u00e7\u00e3o de sementes de&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;no tipo penal de contrabando (art. 334-A do <a>CP<\/a>), circunst\u00e2ncia que refor\u00e7a a possibilidade de que os pacientes se socorram do&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;para o fim pretendido, notadamente porque receberam intima\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal para serem ouvidos em autos de inqu\u00e9rito policial. A\u00e7\u00f5es pelo rito ordin\u00e1rio e outros instrumentos de natureza c\u00edvel podem at\u00e9 tratar dos desdobramentos administrativos da quest\u00e3o trazida a debate, mas isso n\u00e3o exclui o cabimento do&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>&nbsp;para impedir ou cessar eventual constrangimento \u00e0 liberdade dos interessados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se para pleitear aos entes p\u00fablicos o fornecimento e o custeio de medicamento por meio de a\u00e7\u00e3o c\u00edvel, o pedido pode ser amparado em laudo do m\u00e9dico particular que assiste a parte<\/strong> (STJ, EDcl no REsp n. 1.657.156\/RJ, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe 21\/09\/2018), <strong>n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para se fazer exig\u00eancia mais rigorosa na situa\u00e7\u00e3o em que a pretens\u00e3o da defesa n\u00e3o implica nenhum gasto financeiro ao er\u00e1rio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, na hip\u00f3tese, VASTA documenta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica atestando a necessidade de o tratamento m\u00e9dico dos pacientes ser feito com medicamentos \u00e0 base de canabidiol, inclusive com relato de expressivas melhoras na condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade deles e esclarecimento de que diversas vias tradicionais de tratamento foram tentadas, mas sem sucesso, circunst\u00e2ncia que refor\u00e7a ser desnecess\u00e1ria a realiza\u00e7\u00e3o de dila\u00e7\u00e3o probat\u00f3ria com per\u00edcia m\u00e9dica oficial.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falar que a defesa pretende, mediante o&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>, tolher o poder de pol\u00edcia das autoridades administrativas. Primeiro, porque a pr\u00f3pria Anvisa (Ag\u00eancia de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria), por meio de seu diretor, afirmou que a regula\u00e7\u00e3o e a autoriza\u00e7\u00e3o do cultivo dom\u00e9stico de plantas, quaisquer que sejam elas, n\u00e3o fazem parte do seu escopo de atua\u00e7\u00e3o. Segundo, porque n\u00e3o se objetiva nesta demanda obstar a atua\u00e7\u00e3o das autoridades administrativas, tampouco substitu\u00ed-las em seu mister, mas, apenas, evitar que os pacientes sejam alvo de atos de investiga\u00e7\u00e3o criminal pelos \u00f3rg\u00e3os de persecu\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a legisla\u00e7\u00e3o brasileira possibilite, h\u00e1 mais de 40 anos, a permiss\u00e3o, pelas autoridades competentes, de plantio, cultura e colheita de&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;exclusivamente para fins medicinais ou cient\u00edficos (art. 2\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 11.343\/2006; art. 2\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei n. 6.368\/1976), fato \u00e9 que at\u00e9 hoje a mat\u00e9ria n\u00e3o tem regulamenta\u00e7\u00e3o ou norma espec\u00edfica, o que bem evidencia o descaso, ou mesmo o desprezo &#8211; qui\u00e7\u00e1 por raz\u00f5es morais ou pol\u00edticas &#8211; com a situa\u00e7\u00e3o de uma n\u00famero incalcul\u00e1vel de pessoas que poderiam se beneficiar com tal regulamenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, a Diretoria Colegiada da Anvisa, ao julgar o processo que teve como objetivo dispor sobre os requisitos t\u00e9cnicos e administrativos para o cultivo da planta&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;exclusivamente para fins medicinais ou cient\u00edficos, decidiu pelo arquivamento da proposta de resolu\u00e7\u00e3o. Ficou claro, portanto, que o posicionamento da Diretoria Colegiada da Anvisa, \u00e0 \u00e9poca, era o de que a autoriza\u00e7\u00e3o para cultivo de plantas que possam originar subst\u00e2ncias sujeitas a controle especial, entre elas a&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;<em>Sativa<\/em>, \u00e9 da compet\u00eancia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e que, para atua\u00e7\u00e3o da Anvisa, deveria haver uma delega\u00e7\u00e3o ou qualquer outra tratativa oficial, de modo a atribuir a essa ag\u00eancia reguladora a responsabilidade e a autonomia para definir, sozinha, o modelo regulat\u00f3rio, a autoriza\u00e7\u00e3o, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o controle dessa atividade de cultivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, por sua vez, a quem a Anvisa afirmou competir regular o cultivo dom\u00e9stico de&nbsp;<em>Cannabis<\/em>, indicou que n\u00e3o pretende faz\u00ea-lo, em resposta \u00e0 Consulta Dirigida sobre as propostas de regulamenta\u00e7\u00e3o do uso medicinal e cient\u00edfico da planta&nbsp;<em>Cannabis<\/em>, assinada pelo ministro respons\u00e1vel pela pasta. O quadro, portanto, \u00e9 de intencional omiss\u00e3o do Poder P\u00fablico em regulamentar a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Havendo prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica para o uso do canabidiol, a aus\u00eancia de seguran\u00e7a, de qualidade, de efic\u00e1cia ou de equival\u00eancia t\u00e9cnica e terap\u00eautica da subst\u00e2ncia preparada de forma artesanal &#8211; como se objeta em desfavor da pretendida concess\u00e3o do&nbsp;<em>writ<\/em>&nbsp;&#8211; torna-se um risco assumido pelos pr\u00f3prios pacientes, dentro da autonomia de cada um deles para escolher o tratamento de sa\u00fade que lhes corresponda \u00e0s expectativas de uma vida melhor e mais digna, o que afasta, portanto, a abordagem criminal da quest\u00e3o. S\u00e3o nesse sentido, ali\u00e1s, as disposi\u00e7\u00f5es contidas no art. 17 da RDC n. 335\/2020 e no art. 18 da RDC n. 660\/2022 da Anvisa, ambas respons\u00e1veis por definir &#8220;os crit\u00e9rios e os procedimentos para a importa\u00e7\u00e3o de Produto derivado de&nbsp;<em>Cannabis<\/em>, por pessoa f\u00edsica, para uso pr\u00f3prio, mediante prescri\u00e7\u00e3o de profissional legalmente habilitado, para tratamento de sa\u00fade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2017, com o advento da Resolu\u00e7\u00e3o n. 156 da Diretoria Colegiada da Anvisa, a&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;<em>Sativa<\/em>&nbsp;foi inclu\u00edda na Lista de Denomina\u00e7\u00f5es Comuns Brasileiras &#8211; DCB como planta medicinal, marco importante em territ\u00f3rio nacional quanto ao reconhecimento da sua comprovada capacidade terap\u00eautica. Em dezembro de 2020, o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Drogas e Crimes &#8211; UNODC acolheu recomenda\u00e7\u00f5es feitas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade sobre a reclassifica\u00e7\u00e3o da&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;e decidiu pela retirada da planta e da sua resina do Anexo IV da Conven\u00e7\u00e3o \u00danica de 1961 sobre Drogas Narc\u00f3ticas, que lista as drogas consideradas como as mais perigosas, e a reinseriu na Lista 1, que inclui outros entorpecentes como a morfina &#8211; para a qual a OMS tamb\u00e9m recomenda controle -, mas admite que a subst\u00e2ncia tem menor potencial danoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto o tipo penal do art. 28 quanto o do art. 33 se preocupam com a tutela da sa\u00fade, mas enquanto o \u00a7 1\u00ba do art. 28 trata do plantio para consumo pessoal (&#8220;\u00c0s mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o de pequena quantidade de subst\u00e2ncia ou produto capaz de causar depend\u00eancia f\u00edsica ou ps\u00edquica&#8221;), o \u00a7 1\u00ba, II, do art. 33 trata do plantio destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de drogas para entrega a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A conduta para a qual os pacientes pleitearam e obtiveram salvo-conduto no Tribunal de origem n\u00e3o \u00e9 penalmente t\u00edpica, seja por n\u00e3o estar imbu\u00edda do necess\u00e1rio dolo de preparar subst\u00e2ncias entorpecentes com as plantas cultivadas (nem para consumo pessoal nem para entrega a terceiros), seja por n\u00e3o vulnerar, sequer de forma potencial, o bem jur\u00eddico tutelado pelas normas incriminadoras da Lei de Drogas (sa\u00fade p\u00fablica).<\/p>\n\n\n\n<p>O que pretendem os pacientes com o plantio da&nbsp;<em>Cannabis<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 a extra\u00e7\u00e3o de droga (maconha) com o fim de entorpecimento &#8211; potencialmente causador de depend\u00eancia &#8211; pr\u00f3prio ou alheio, mas, t\u00e3o somente, a extra\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias com reconhecidas propriedades medicinais contidas na planta. N\u00e3o h\u00e1, portanto, vontade livre e consciente de praticar o fim previsto na norma penal, qual seja, a extra\u00e7\u00e3o de droga, para entorpecimento pessoal ou de terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, a hip\u00f3tese tamb\u00e9m n\u00e3o se reveste de tipicidade penal &#8211; aqui em sua concep\u00e7\u00e3o material -, porque a conduta, ao inv\u00e9s de atentar contra o bem jur\u00eddico sa\u00fade p\u00fablica, na verdade intenciona promov\u00ea-lo &#8211; e tem aptid\u00e3o concreta para isso &#8211; a partir da extra\u00e7\u00e3o de produtos medicamentosos; isto \u00e9, a a\u00e7\u00e3o praticada n\u00e3o representa nenhuma lesividade, nem mesmo potencial (perigo abstrato), ao bem jur\u00eddico pretensamente tutelado pelas normas penais contidas na Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>O direito p\u00fablico subjetivo \u00e0 sa\u00fade representa prerrogativa jur\u00eddica indispon\u00edvel assegurada pela pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u00e0 generalidade das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, uma vez que o uso pleiteado do \u00f3leo da&nbsp;<em>Cannabis Sativa<\/em>, mediante fabrico artesanal, se dar\u00e1 para fins exclusivamente terap\u00eauticos, com base em receitu\u00e1rio e laudo subscrito por profissional m\u00e9dico especializado, chancelado pela Anvisa na oportunidade em que autorizou os pacientes a importarem o medicamento feito \u00e0 base de canabidiol &#8211; a revelar que reconheceu a necessidade que t\u00eam no seu uso -, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que deve ser obstada a iminente repress\u00e3o criminal sobre a conduta praticada pelos pacientes\/recorridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o Direito Penal, por meio da &#8220;guerra \u00e0s drogas&#8221;, n\u00e3o mostrou, ao longo de d\u00e9cadas, quase nenhuma aptid\u00e3o para resolver o problema relacionado ao uso abusivo de subst\u00e2ncias entorpecentes &#8211; e, com isso, cumprir a finalidade de tutela da sa\u00fade p\u00fablica a que em tese se presta -, pelo menos que ele n\u00e3o atue como empecilho para a pr\u00e1tica de condutas efetivamente capazes de promover esse bem jur\u00eddico fundamental \u00e0 garantia de uma vida humana digna, como pretendem os recorridos com o plantio da&nbsp;<em>Cannabis Sativa<\/em>&nbsp;para fins exclusivamente medicinais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 cab\u00edvel a concess\u00e3o de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terap\u00eauticos, com base em receitu\u00e1rio e laudo subscrito por profissional m\u00e9dico especializado, e chancelado pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-crimes-contra-a-ordem-tributaria-certidoes-de-divida-ativa-e-presuncao-relativa-da-ausencia-de-tentativa-de-regularizacao\"><a>10.&nbsp; Crimes contra a ordem tribut\u00e1ria, certid\u00f5es de d\u00edvida ativa e presun\u00e7\u00e3o relativa da aus\u00eancia de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para fins do disposto no art. 2\u00ba, II, da Lei n. 8.137\/1990, a men\u00e7\u00e3o a in\u00fameros inadimplementos (inscritos em d\u00edvida ativa) gera a presun\u00e7\u00e3o relativa da <a>aus\u00eancia de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 728.271-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 21\/06\/2022, DJe 24\/06\/2022 (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Virso foi denunciado pelo crime de deixar de recolher tributos aos cofres p\u00fablicos. Tal conduta teria ocorrido ao menos dezesseis vezes e o valor que deixou de ser recolhido ultrapassa dez milh\u00f5es, devidamente inscritos em d\u00edvida ativa e sem qualquer men\u00e7\u00e3o de tentativa de parcelamento ou regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Inconformada, sua defesa impetrou Habeas Corpus no qual alega que a pe\u00e7a acusat\u00f3ria incorreu em ineg\u00e1vel ilegalidade ao se limitar a descrever o n\u00e3o recolhimento de tributos declarados, equiparando a infra\u00e7\u00e3o fiscal a um crime ao ignorar por completo o dolo e os demais elementos caracterizadores do tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;41.&nbsp;&nbsp;A den\u00fancia ou queixa conter\u00e1 a exposi\u00e7\u00e3o do fato criminoso, com todas as suas circunst\u00e2ncias, a qualifica\u00e7\u00e3o do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identific\u00e1-lo, a classifica\u00e7\u00e3o do crime e, quando necess\u00e1rio, o rol das testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-a-existencia-de-reiterados-inadimplementos-gera-presuncao-relativa-de-ausencia-de-regularizacao\"><a>10.2.2. A exist\u00eancia de reiterados inadimplementos gera presun\u00e7\u00e3o relativa de aus\u00eancia de regulariza\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se acerca da in\u00e9pcia de den\u00fancia que n\u00e3o descreve especificamente o papel do agente, na qualidade de diretor-superintendente e diretor, descrito no contrato social da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 inepta a exordial acusat\u00f3ria que atende aos requisitos do art. 41 do<a> CPP<\/a>, descrevendo a conduta, especificando os meses em que o denunciado deixou de recolher tributos e detalhando o cargo ocupado pelo agente na empresa, bem como o valor dos preju\u00edzos causados aos cofres p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, o Supremo Tribunal Federal decidiu, no RHC n. 163.334\/SC, que &#8220;<strong>a caracteriza\u00e7\u00e3o do crime depende da demonstra\u00e7\u00e3o do dolo de apropria\u00e7\u00e3o, a ser apurado a partir de circunst\u00e2ncias objetivas factuais, tais como o inadimplemento prolongado sem tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, a venda de produtos abaixo do pre\u00e7o de custo, a cria\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, a utiliza\u00e7\u00e3o de &#8220;laranjas&#8221; no quadro societ\u00e1rio, a falta de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, o encerramento irregular das suas atividades, a exist\u00eancia de d\u00e9bitos inscritos em d\u00edvida ativa em valor superior ao capital social integralizado etc<\/strong>&#8221; (RHC n. 163.334\/SC, relator Roberto Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 18\/12\/2019, processo eletr\u00f4nico DJe-271, divulgado em 12\/11\/2020, publicado em 13\/11\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a den\u00fancia destacou que o agente deixou de recolher 12 (doze) meses de ICMS cobrado dos consumidores e 5 (cinco) meses de ICMS relativo a opera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1veis pelo regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, elementos que, segundo o precedente citado, s\u00e3o utilizados para caracterizar o dolo de apropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assevera-se, por oportuno, que, <strong>o mero inadimplemento prolongado n\u00e3o \u00e9 suficiente para caracterizar o il\u00edcito, sendo necess\u00e1rio, tamb\u00e9m, a aus\u00eancia de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De mais a mais, apesar de a den\u00fancia n\u00e3o afirmar expressamente que n\u00e3o foi realizada tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos, n\u00e3o se verifica ilegalidade ensejadora de concess\u00e3o de&nbsp;<em>habeas corpus<\/em>, porquanto a men\u00e7\u00e3o a in\u00fameros inadimplementos (inscritos em d\u00edvida ativa) gera a presun\u00e7\u00e3o relativa de aus\u00eancia de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o. Dessa forma, cabe \u00e0 defesa alegar e demonstrar que foram efetuadas tais tentativas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Para fins do disposto no art. 2\u00ba, II, da Lei n. 8.137\/1990, a men\u00e7\u00e3o a in\u00fameros inadimplementos (inscritos em d\u00edvida ativa) gera a presun\u00e7\u00e3o relativa da aus\u00eancia de tentativa de regulariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-condicionamento-da-concessao-de-prisao-domiciliar-as-genitoras-de-menores-de-ate-12-anos-incompletos-a-comprovacao-da-imprescindibilidade-dos-cuidados-maternos\"><a>11.&nbsp; Condicionamento da concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar \u00e0s genitoras de menores de at\u00e9 12 anos incompletos \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade dos cuidados maternos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar \u00e0s genitoras de menores de at\u00e9 12 anos incompletos n\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade dos cuidados maternos<\/a>, que \u00e9 legalmente presumida.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 731.648-SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quinta Turma, por maioria, julgado em 07\/06\/2022, DJe 23\/06\/2022. (Info 742)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Gertrude cumpre pena privativa de liberdade de 10 anos, 3 meses e 8 dias de reclus\u00e3o pela pr\u00e1tica de delitos de tr\u00e1fico de drogas e furto qualificado, tendo alcan\u00e7ado a progress\u00e3o ao regime semiaberto em 25\/6\/2021. Posteriormente, a defesa requereu a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar, em raz\u00e3o da ora agravante possuir filhos menores de 12 anos de idade, o que foi indeferido pelo juiz da execu\u00e7\u00e3o e pelo tribunal local por n\u00e3o ter restado comprovada a imprescindibilidade dos cuidados da detenta em rela\u00e7\u00e3o aos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Gertrude impetrou Habeas Corpus no qual alega que n\u00e3o seria necess\u00e1ria a demonstra\u00e7\u00e3o de imprescindibilidade da genitora para o cuidado dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 318.&nbsp; Poder\u00e1 o juiz substituir a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar quando o agente for:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; mulher com filho de at\u00e9 12 (doze) anos de idade incompletos;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>LEP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 117. Somente se admitir\u00e1 o recolhimento do benefici\u00e1rio de regime aberto em resid\u00eancia particular quando se tratar de:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>III &#8211; condenada com filho menor ou deficiente f\u00edsico ou mental;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-deve-ser-demonstrada-a-imprescindibilidade-do-cuidado-materno\"><a>11.2.2. Deve ser demonstrada a imprescindibilidade do cuidado materno?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as inst\u00e2ncias antecedentes indeferiram a pris\u00e3o domiciliar visto que n\u00e3o fora demonstrada a imprescindibilidade da sentenciada aos cuidados dos filhos menores de 12 anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por raz\u00f5es humanit\u00e1rias e para prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a, \u00e9 cab\u00edvel a concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar a genitoras de menores de at\u00e9 12 anos incompletos, nos termos do art. 318, V, do <a>CPP<\/a><\/strong>, desde que (a) n\u00e3o se trate de crime cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a, (b) que n\u00e3o tenha sido praticado contra os pr\u00f3prios filhos e (c) n\u00e3o esteja presente situa\u00e7\u00e3o excepcional que contraindique a medida (AgRg no PExt no RHC n. 113.084\/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 10\/6\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Tal entendimento diverge da orienta\u00e7\u00e3o firmada no julgamento da Rcl n. 40.676\/SP (relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 1\u00ba\/12\/2020), em que a Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, dando interpreta\u00e7\u00e3o extensiva \u00e0 decis\u00e3o do STF no HC coletivo n. 143.641\/SP, <strong>concluiu ser poss\u00edvel a extens\u00e3o do benef\u00edcio de pris\u00e3o-albergue domiciliar, prevista no art. 117, III, da <a>LEP<\/a>, \u00e0s sentenciadas gestantes e m\u00e3es de crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos, ainda que em regime semiaberto ou fechado, desde que preenchidos os requisitos legais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, a imprescindibilidade da genitora ao cuidado dos filhos menores de 12 anos \u00e9 presumida, &#8220;tanto que propositalmente o legislador retirou da reda\u00e7\u00e3o do art. 318, V do CPP, a comprova\u00e7\u00e3o de que seria ela imprescind\u00edvel aos cuidados do menor&#8221; (STF, HC n. 169.406\/MG, relatora Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, DJe de 26\/4\/2021).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A concess\u00e3o de pris\u00e3o domiciliar \u00e0s genitoras de menores de at\u00e9 12 anos incompletos n\u00e3o est\u00e1 condicionada \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o da imprescindibilidade dos cuidados maternos, que \u00e9 legalmente presumida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-im-possibilidade-da-celebracao-de-acordo-de-colaboracao-premiada-em-quaisquer-condutas-praticadas-em-concurso-de-agentes\"><a>12.&nbsp; (Im)Possibilidade da celebra\u00e7\u00e3o de acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada em quaisquer condutas praticadas em concurso de agentes<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel celebrar <a>acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada em quaisquer condutas praticadas em concurso de agentes<\/a>, mesmo fora do \u00e2mbito de organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 582.678-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. <a>(Info 742)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson, juiz aposentado, \u00e9 investigado em inqu\u00e9rito para apurar a eventual exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00e3o, hierarquicamente estabelecida no tribunal ao qual era vinculado, para o cometimento de crimes como lavagem de capitais, previsto no art. 1.\u00ba da Lei n. 9.613\/98, e corrup\u00e7\u00e3o passiva e ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que Dr. Creisson n\u00e3o estava sozinho no esquema. Posteriormente, um dos favorecidos celebrou acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada com o MP, dela\u00e7\u00e3o esta bastante comprometedora ao ex-juiz. Inconformada, sua defesa impetrou HC no qual alega a ilegalidade da utiliza\u00e7\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o premiada como meio de obten\u00e7\u00e3o de prova, nos termos da Lei Federal n\u00ba. 12.850\/2013, quando n\u00e3o houver ind\u00edcios de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, terrorista ou criminalidade transnacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.613\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp; Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localiza\u00e7\u00e3o, disposi\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infra\u00e7\u00e3o penal.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 288. &nbsp;Associarem-se 3 (tr\u00eas) ou mais pessoas, para o fim espec\u00edfico de cometer crimes:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 1 (um) a 3 (tr\u00eas) anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. &nbsp;A pena aumenta-se at\u00e9 a metade se a associa\u00e7\u00e3o \u00e9 armada ou se houver a participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a ou adolescente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 317 &#8211; Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da fun\u00e7\u00e3o ou antes de assumi-la, mas em raz\u00e3o dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211; A pena \u00e9 aumentada de um ter\u00e7o, se, em conseq\u00fc\u00eancia da vantagem ou promessa, o funcion\u00e1rio retarda ou deixa de praticar qualquer ato de of\u00edcio ou o pratica infringindo dever funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 333 &#8211; Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico, para determin\u00e1-lo a praticar, omitir ou retardar ato de of\u00edcio:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; A pena \u00e9 aumentada de um ter\u00e7o, se, em raz\u00e3o da vantagem ou promessa, o funcion\u00e1rio retarda ou omite ato de of\u00edcio, ou o pratica infringindo dever funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 12.850\/2013:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organiza\u00e7\u00e3o criminosa:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 3 (tr\u00eas) a 8 (oito) anos, e multa, sem preju\u00edzo das penas correspondentes \u00e0s demais infra\u00e7\u00f5es penais praticadas.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Nas mesmas penas incorre quem impede ou, de qualquer forma, embara\u00e7a a investiga\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o penal que envolva organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba As penas aumentam-se at\u00e9 a metade se na atua\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o criminosa houver emprego de arma de fogo.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba A pena \u00e9 agravada para quem exerce o comando, individual ou coletivo, da organiza\u00e7\u00e3o criminosa, ainda que n\u00e3o pratique pessoalmente atos de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 4\u00ba A pena \u00e9 aumentada de 1\/6 (um sexto) a 2\/3 (dois ter\u00e7os):<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; se h\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a ou adolescente;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; se h\u00e1 concurso de funcion\u00e1rio p\u00fablico, valendo-se a organiza\u00e7\u00e3o criminosa dessa condi\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00e3o penal;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; se o produto ou proveito da infra\u00e7\u00e3o penal destinar-se, no todo ou em parte, ao exterior;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; se a organiza\u00e7\u00e3o criminosa mant\u00e9m conex\u00e3o com outras organiza\u00e7\u00f5es criminosas independentes;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; se as circunst\u00e2ncias do fato evidenciarem a transnacionalidade da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 5\u00ba Se houver ind\u00edcios suficientes de que o funcion\u00e1rio p\u00fablico integra organiza\u00e7\u00e3o criminosa, poder\u00e1 o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego ou fun\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo da remunera\u00e7\u00e3o, quando a medida se fizer necess\u00e1ria \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 6\u00ba A condena\u00e7\u00e3o com tr\u00e2nsito em julgado acarretar\u00e1 ao funcion\u00e1rio p\u00fablico a perda do cargo, fun\u00e7\u00e3o, emprego ou mandato eletivo e a interdi\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00e3o ou cargo p\u00fablico pelo prazo de 8 (oito) anos subsequentes ao cumprimento da pena.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 7\u00ba Se houver ind\u00edcios de participa\u00e7\u00e3o de policial nos crimes de que trata esta Lei, a Corregedoria de Pol\u00edcia instaurar\u00e1 inqu\u00e9rito policial e comunicar\u00e1 ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, que designar\u00e1 membro para acompanhar o feito at\u00e9 a sua conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 8\u00ba As lideran\u00e7as de organiza\u00e7\u00f5es criminosas armadas ou que tenham armas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dever\u00e3o iniciar o cumprimento da pena em estabelecimentos penais de seguran\u00e7a m\u00e1xima.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 9\u00ba O condenado expressamente em senten\u00e7a por integrar organiza\u00e7\u00e3o criminosa ou por crime praticado por meio de organiza\u00e7\u00e3o criminosa n\u00e3o poder\u00e1 progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento condicional ou outros benef\u00edcios prisionais se houver elementos probat\u00f3rios que indiquem a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo associativo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-possivel-celebrar-o-acordo-de-delacao\"><a>12.2.2. Poss\u00edvel celebrar o acordo de dela\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Examina-se se a homologa\u00e7\u00e3o do acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada entabulado entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual e terceiro (o Delator) envolvido em suposto esquema cumpre os requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, as apura\u00e7\u00f5es iniciais realizadas pela Corregedoria-Geral de Justi\u00e7a de Estado indicavam a participa\u00e7\u00e3o de ao menos 7 (sete) pessoas naturais com atribui\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no esquema, supostamente para a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais cujas penas m\u00e1ximas s\u00e3o superiores a 4 (quatro) anos. Portanto, <strong>havia os pressupostos para que eventualmente pudesse ser caracterizada, validamente, organiza\u00e7\u00e3o criminosa (Lei n. 12.850\/2013)<\/strong>. Ademais, \u00e0 \u00e9poca em que foi formalizada a colabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se poderia descartar o eventual oferecimento de den\u00fancia futura pela pr\u00e1tica do delito previsto no art. 1\u00ba da <a>Lei n. 9.613\/1998<\/a> (pun\u00edvel com pena de reclus\u00e3o, de 3 a 10 anos, e multa) ou nos crimes descritos nos arts. 317, \u00a7 1\u00ba e 333, par\u00e1grafo \u00fanico, ambos do <a>C\u00f3digo Penal <\/a>(ambos, pun\u00edveis com pena de reclus\u00e3o, de 2 a 12 anos, e multa).<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de que os investigados foram acusados da pr\u00e1tica dos crimes referidos nos arts. 317, \u00a7 1\u00ba e 288, do C\u00f3digo Penal, e no art. 1\u00ba, da Lei n. 9.613\/1998 (corrup\u00e7\u00e3o passiva, associa\u00e7\u00e3o criminosa e lavagem de dinheiro), mas n\u00e3o pelo crime do art. 2\u00ba, c.c. o art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n. 12.850\/2013, n\u00e3o pode resultar no afastamento das provas obtidas no acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada. Inicialmente, <strong>n\u00e3o h\u00e1 como desconsiderar a hip\u00f3tese de que o&nbsp;<em>dominus litis<\/em>&nbsp;forme nova convic\u00e7\u00e3o, ou que elementos de prova supervenientes lastreiem futura acusa\u00e7\u00e3o pelo crime de organiza\u00e7\u00e3o criminosa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que assim n\u00e3o fosse, cabe enfatizar que h\u00e1 outras previs\u00f5es legais de perd\u00e3o judicial ou de causas de diminui\u00e7\u00e3o de pena de colaboradores, positivadas tanto no C\u00f3digo Penal quanto na legisla\u00e7\u00e3o especial (como as referidas no \u00a7 4\u00ba, do art. 159, do C\u00f3digo Penal, referente ao crime de extors\u00e3o mediante sequestro; no \u00a7 2\u00ba do art. 25 da Lei n. 7.492\/1986 &#8211; que define os crimes contra o sistema financeiro nacional; no art. 8\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n. 8.072\/1990 &#8211; Lei de Crimes Hediondos; no art. 1\u00ba, \u00a7 5\u00ba, da Lei 9.613\/1998 &#8211; que disp\u00f5e sobre os crimes de &#8220;lavagem&#8221; ou oculta\u00e7\u00e3o de bens, direitos e valores; ou nos arts. 13 e 14 da Lei n. 9.807\/1999 &#8211; que estabelece normas para a organiza\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de programas especiais de prote\u00e7\u00e3o a v\u00edtimas e a testemunhas amea\u00e7adas).<\/p>\n\n\n\n<p>Considerada a conjuntura de que prerrogativas penais ou processuais como essas a) est\u00e3o esparsas na legisla\u00e7\u00e3o; b) foram institu\u00eddas tamb\u00e9m para beneficiar delatores; e que c) o C\u00f3digo de Processo Penal n\u00e3o regulamenta o procedimento de formaliza\u00e7\u00e3o dos acordos de dela\u00e7\u00e3o premiada; e d) a Lei n. 12.850\/2013 n\u00e3o prev\u00ea, de forma expressa, que os meios de prova ali previstos incidem t\u00e3o-somente nos delitos de organiza\u00e7\u00e3o criminosa; n\u00e3o h\u00e1 \u00f3bice a que as disposi\u00e7\u00f5es de natureza majoritariamente processual previstas na referida Lei apliquem-se \u00e0s demais situa\u00e7\u00f5es de concurso de agentes (no que n\u00e3o for contrariada por disposi\u00e7\u00f5es especiais, eventualmente existentes).<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, pelo Supremo Tribunal Federal, foram diversos os recebimentos de den\u00fancias, lastreados em elementos probat\u00f3rios oriundos de colabora\u00e7\u00f5es premiadas em que n\u00e3o houve a imputa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ou condena\u00e7\u00e3o pelo crime de &#8220;promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organiza\u00e7\u00e3o criminosa&#8221;, previsto no art. 2\u00ba da <a>Lei n. 12.850\/2013<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, segundo a doutrina, &#8220;o argumento de que s\u00f3 os crimes praticados por organiza\u00e7\u00e3o criminosa s\u00e3o capazes de gerar o benef\u00edcio da colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode prosperar, pois, muitas vezes, n\u00e3o h\u00e1 uma estrutura propriamente de organiza\u00e7\u00e3o (ou estrutura empresarial) e nem por isso os associados \u00e0 pr\u00e1tica delitiva cometem delitos que n\u00e3o mereceriam um acordo com o Estado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todos esses fundamentos, \u00e9 de se concluir que em quaisquer condutas praticadas em concurso de agentes \u00e9 poss\u00edvel celebrar acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel celebrar acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada em quaisquer condutas praticadas em concurso de agentes.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-29991ecd-76fe-4825-934a-24494ca9dd0a\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/19002112\/stj-742-parte-2.pdf\">stj-742-parte-2<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/19002112\/stj-742-parte-2.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-29991ecd-76fe-4825-934a-24494ca9dd0a\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 742 (Parte 2) do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO PROCESSUAL CIVIL 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Impenhorabilidade de valores at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos fora da poupan\u00e7a AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL \u00c9 poss\u00edvel ao devedor poupar valores sob a regra da impenhorabilidade no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":["post-1063204","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 742 Comentado (Parte 2)<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-742-comentado-parte-2\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 742 Comentado (Parte 2)\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Informativo n\u00ba 742 (Parte 2) do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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