{"id":1055328,"date":"2022-07-05T00:51:58","date_gmt":"2022-07-05T03:51:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1055328"},"modified":"2022-07-05T00:52:00","modified_gmt":"2022-07-05T03:52:00","slug":"informativo-stj-741-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-741-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 741 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"block-07124590-5459-4722-b9a9-a4a4ff71dadc\">Informativo n\u00ba 741 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\" id=\"block-95ca6de7-e73c-4238-b838-08d657269495\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/05005113\/stj-741.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_yWNZKVUjqk0\"><div id=\"lyte_yWNZKVUjqk0\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/yWNZKVUjqk0\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/yWNZKVUjqk0\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/yWNZKVUjqk0\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-requisitos-para-cobranca-do-dpvat-no-judiciario\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos para cobran\u00e7a do DPVAT no Judici\u00e1rio<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A les\u00e3o ou amea\u00e7a de les\u00e3o a direito aptas a ensejar a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria do Estado se caracterizam em demandas de cobran\u00e7a do seguro DPVAT, salvo exce\u00e7\u00f5es particulares, ap\u00f3s o pr\u00e9vio requerimento administrativo, consoante aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do entendimento firmado pelo STF no RE 631.240, julgado em repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.987.853-PB, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022, DJe 20\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creiton ajuizou a\u00e7\u00e3o em face da Seguradora L\u00edder do Cons\u00f3rcio do Seguro DPVAT S.A., objetivando a condena\u00e7\u00e3o da r\u00e9 ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o, em raz\u00e3o de sua invalidez total e permanente, decorrente de acidente de tr\u00e2nsito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A r\u00e9 aduziu a improced\u00eancia do pedido, oportunidade na qual asseverou n\u00e3o fazer o autor jus ao pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o ante a aus\u00eancia de documentos imprescind\u00edveis ao exame da quest\u00e3o (registro da ocorr\u00eancia policial do suposto acidente, documentos m\u00e9dicos, laudos do IML quantificando a les\u00e3o). Ocorre que, neste meio tempo, Creiton veio a falecer e foi determinada a elabora\u00e7\u00e3o de laudo pericial a fim de verificar se a morte do autor sucedido foi decorrente do acidente de tr\u00e2nsito narrado na exordial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, a seguradora arguiu a perda do objeto e a consequente extin\u00e7\u00e3o do feito, considerando ser personal\u00edssimo o direito do vitimado para o recebimento da indeniza\u00e7\u00e3o DPVAT em caso de invalidez permanente. Ainda, sustentou a aus\u00eancia de interesse de agir, ante a falta do requerimento administrativo pr\u00e9vio, bem como a ocorr\u00eancia da prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o inicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-necessario-o-previo-requerimento-administrativo\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio o pr\u00e9vio requerimento administrativo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seguro DPVAT, sigla comumente utilizada para designar o Seguro Obrigat\u00f3rio de Danos Pessoais causados por ve\u00edculos automotores de via terrestre, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma modalidade de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Evidentemente, o STF, em repercuss\u00e3o geral, n\u00e3o cuidou dessa quest\u00e3o, dado que o precedente tem como base f\u00e1tica pretens\u00e3o previdenci\u00e1ria reclamada junto ao INSS e a regra de transi\u00e7\u00e3o l\u00e1 estabelecida tinha aplicabilidade restrita \u00e0s hip\u00f3teses envolvendo postula\u00e7\u00f5es de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios junto ao INSS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em virtude disso, a utiliza\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o estabelecida pelo STF para demandas de cunho n\u00e3o previdenci\u00e1rio tem se dado de forma anal\u00f3gica, tal como a que ocorreu no caso dos autos e tem sido aplicada, inclusive por esta Corte Superior, em determinados julgados, para pretens\u00f5es de pagamento de seguro DPVAT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 absolutamente razo\u00e1vel que se pretenda a desjudicializa\u00e7\u00e3o dos direitos, principalmente quando os indiv\u00edduos podem, inclusive, por for\u00e7a do determinado em lei, alcan\u00e7ar o deferimento dos pedidos formulados na sede administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o estabelecimento de condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio do direito de a\u00e7\u00e3o ser compat\u00edvel com o princ\u00edpio do livre acesso ao Poder Judici\u00e1rio, previsto no art. 5\u00ba, XXXV da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, tal como deliberado pelo STF no julgamento do RE 631.240\/MG, a amea\u00e7a ou les\u00e3o a direito aptas a ensejar a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria do Estado acerca de determinado conflito n\u00e3o podem ficar adstritas, sempre e apenas se realizado o pr\u00e9vio requerimento administrativo, notadamente quando a situa\u00e7\u00e3o efetivamente vivenciada denota, por si s\u00f3, existir ineg\u00e1vel motiva\u00e7\u00e3o para o ingresso em ju\u00edzo dado o car\u00e1ter controvertido do pleito formulado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, <strong>a recusa e a resist\u00eancia de Seguradora inegavelmente evidenciadas denotam ser absolutamente impertinente falar em pr\u00e9vio requerimento administrativo em casos concretos pret\u00e9ritos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 oportuno dizer que todas as interpreta\u00e7\u00f5es anal\u00f3gicas que s\u00e3o realizadas no \u00e2mbito judici\u00e1rio n\u00e3o podem negar o efetivo direito da parte, notadamente quando n\u00e3o h\u00e1 jurisprud\u00eancia sedimentada sobre a quest\u00e3o, sendo, ainda, absolutamente invi\u00e1vel aplicar a compreens\u00e3o hoje encaminhada em um determinado sentido para casos ocorridos no passado, sob pena de fulminar direitos nascidos em momento no qual inexistiam requisitos postos para a formula\u00e7\u00e3o das pretens\u00f5es em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, em que pese seja vi\u00e1vel estabelecer condi\u00e7\u00f5es ao exerc\u00edcio de a\u00e7\u00e3o, essas n\u00e3o podem afastar a autoridade da jurisdi\u00e7\u00e3o quando evidenciada a absoluta impertin\u00eancia, no caso concreto, da exig\u00eancia atinente ao pr\u00e9vio requerimento administrativo, principalmente quando evidenciada a resist\u00eancia da parte adversa, a excessiva onerosidade atrelada ao pedido ou o descumprimento de dever \u00ednsito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica mantida entre as partes (tal como o de prestar contas).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-resultado-final\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A les\u00e3o ou amea\u00e7a de les\u00e3o a direito aptas a ensejar a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria do Estado se caracterizam em demandas de cobran\u00e7a do seguro DPVAT, salvo exce\u00e7\u00f5es particulares, ap\u00f3s o pr\u00e9vio requerimento administrativo, consoante aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica do entendimento firmado pelo STF no RE 631.240, julgado em repercuss\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-execucao-que-restringe-valores-em-conta-conjunta-solidaria-e-requisitos\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Execu\u00e7\u00e3o que restringe valores em conta conjunta solid\u00e1ria e requisitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 presumido, em regra, o rateio em partes iguais do numer\u00e1rio mantido em conta corrente conjunta solid\u00e1ria quando inexistente previs\u00e3o legal ou contratual de responsabilidade solid\u00e1ria dos correntistas pelo pagamento de d\u00edvida imputada a um deles. B) N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a penhora da integralidade do saldo existente em conta conjunta solid\u00e1ria no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o movida por pessoa (f\u00edsica ou jur\u00eddica) distinta da institui\u00e7\u00e3o financeira mantenedora, sendo franqueada aos cotitulares e ao exequente a oportunidade de demonstrar os valores que integram o patrim\u00f4nio de cada um, a fim de afastar a presun\u00e7\u00e3o relativa de rateio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.610.844-BA, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 15\/06\/2022. (Tema IAC 12) (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Virso e Tirso s\u00e3o irm\u00e3os e titulares de uma conta conjunta solid\u00e1ria (modalidade de conta banc\u00e1ria na qual qualquer um dos titulares pode exercer a movimenta\u00e7\u00e3o mesmo sem assinatura\/anu\u00eancia do outro). Ocorre que, em execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial movido contra Virso, foram bloqueados os valores da conta em sua totalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformado, Tirso impetrou sucessivos recursos alegando a impossibilidade de penhora dos valores totais da conta solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 265. A solidariedade n\u00e3o se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 1.315. O cond\u00f4mino \u00e9 obrigado, na propor\u00e7\u00e3o de sua parte, a concorrer para as despesas de conserva\u00e7\u00e3o ou divis\u00e3o da coisa, e a suportar os \u00f4nus a que estiver sujeita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. Presumem-se iguais as partes ideais dos cond\u00f4minos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es, salvo as restri\u00e7\u00f5es estabelecidas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a><a><\/a>&nbsp;Art. 790. S\u00e3o sujeitos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o os bens:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>I &#8211; do sucessor a t\u00edtulo singular, tratando-se de execu\u00e7\u00e3o fundada em direito real ou obriga\u00e7\u00e3o reipersecut\u00f3ria;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>II &#8211; do s\u00f3cio, nos termos da lei;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>III &#8211; do devedor, ainda que em poder de terceiros;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>IV &#8211; do c\u00f4njuge ou companheiro, nos casos em que seus bens pr\u00f3prios ou de sua mea\u00e7\u00e3o respondem pela d\u00edvida;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>V &#8211; alienados ou gravados com \u00f4nus real em fraude \u00e0 execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>VI &#8211; cuja aliena\u00e7\u00e3o ou grava\u00e7\u00e3o com \u00f4nus real tenha sido anulada em raz\u00e3o do reconhecimento, em a\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, de fraude contra credores;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>VII &#8211; do respons\u00e1vel, nos casos de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-presume-se-o-rateio-em-partes-iguais-aos-titulares-da-conta-e-possivel-o-bloqueio-do-total-dos-valores-quando-um-so-titular-for-executado\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Presume-se o rateio em partes iguais aos titulares da conta? \u00c9 poss\u00edvel o bloqueio do total dos valores quando um s\u00f3 titular for executado????<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph e Nooopssss!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia est\u00e1 em definir a possibilidade ou n\u00e3o de penhora integral de valores depositados em conta banc\u00e1ria conjunta, na hip\u00f3tese de apenas um dos titulares ser sujeito passivo de processo executivo movido por pessoa &#8211; f\u00edsica ou jur\u00eddica &#8211; distinta da institui\u00e7\u00e3o financeira mantenedora da conta corrente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 diverg\u00eancia atual entre julgados das Turmas de Direito Privado e de Direito P\u00fablico sobre o tema que envolve, basicamente, a interpreta\u00e7\u00e3o da norma inserta no artigo 265 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>, segundo o qual &#8220;a solidariedade n\u00e3o se presume; resulta da lei ou da vontade das partes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com efeito, os precedentes das Turmas da Primeira Se\u00e7\u00e3o assentam que, ainda que s\u00f3 um dos titulares da conta conjunta seja respons\u00e1vel pela d\u00edvida executada, a penhora deve atingir a integralidade do saldo depositado se n\u00e3o houver prova da titularidade exclusiva ou parcial dos valores, ante a presun\u00e7\u00e3o de que os co-correntistas pactuaram a aus\u00eancia de exclusividade da disponibilidade do numer\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, os ac\u00f3rd\u00e3os das Turmas da Segunda Se\u00e7\u00e3o adotam a exegese de que, em se tratando de execu\u00e7\u00e3o movida por pessoa (f\u00edsica ou jur\u00eddica) distinta da institui\u00e7\u00e3o financeira mantenedora da conta banc\u00e1ria coletiva, deve ser franqueada aos cotitulares a comprova\u00e7\u00e3o dos valores que integram o patrim\u00f4nio de cada um, sendo certo que, na aus\u00eancia de provas nesse sentido, presume-se a divis\u00e3o do saldo em partes iguais, raz\u00e3o pela qual a penhora n\u00e3o poder\u00e1 atingir a integralidade do numer\u00e1rio, mas apenas a cota-parte do correntista executado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exerc\u00edcio do aludido poder-dever do juiz &#8211; no \u00e2mbito da execu\u00e7\u00e3o for\u00e7ada direta &#8211; encontra limite pol\u00edtico no princ\u00edpio da responsabilidade patrimonial, enunciado nos arts. 591 e 592 do CPC\/1973 (reproduzidos nos arts. 789 e 790 de <a>CPC\/2015<\/a>), que versam sobre a sujei\u00e7\u00e3o dos bens do &#8220;devedor obrigado&#8221; (responsabilidade prim\u00e1ria) e do &#8220;terceiro n\u00e3o obrigado&#8221; (responsabilidade secund\u00e1ria) \u00e0 demanda execut\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depreende-se que, em regra, somente os bens integrantes do patrim\u00f4nio do devedor &#8211; a um s\u00f3 tempo obrigado e respons\u00e1vel &#8211; est\u00e3o sujeitos \u00e0 excuss\u00e3o destinada a obter soma em dinheiro apta ao adimplemento da presta\u00e7\u00e3o (pecuni\u00e1ria ou de dar coisa) encartada em t\u00edtulo judicial ou extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conta-corrente configura instrumento contratual que viabiliza outras opera\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, a exemplo do dep\u00f3sito, do empr\u00e9stimo e da abertura de cr\u00e9dito. Tal contrato banc\u00e1rio alberga duas esp\u00e9cies: (i) a conta-corrente individual ou unipessoal, que possui um \u00fanico titular, detentor do poder de moviment\u00e1-la, o qual pode ser outorgado a procurador devidamente constitu\u00eddo; e (ii) a conta-corrente conjunta ou coletiva, na qual h\u00e1 mais de um titular com poder de movimenta\u00e7\u00e3o da conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Em se tratando de &#8220;conta conjunta solid\u00e1ria&#8221;, sobressai a solidariedade ativa e passiva na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica estabelecida entre os cotitulares e a institui\u00e7\u00e3o financeira mantenedora<\/strong>, o que decorre diretamente das obriga\u00e7\u00f5es encartadas no contrato de conta-corrente, em conson\u00e2ncia com a regra estabelecida no art. 265 do CC\/2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, a obriga\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria assumida por um dos correntistas perante terceiros n\u00e3o poder\u00e1 repercutir na esfera patrimonial do cotitular da &#8220;conta conjunta solid\u00e1ria&#8221;, caso inexistente disposi\u00e7\u00e3o legal ou contratual atribuindo responsabilidade solid\u00e1ria pelo pagamento da d\u00edvida executada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa perspectiva, h\u00e1 julgados do STJ que, com base na Lei n. 7.357\/1985, entendem que os cotitulares da aludida esp\u00e9cie de conta conjunta n\u00e3o ostentam a condi\u00e7\u00e3o de devedores solid\u00e1rios nem sequer perante terceiros portadores de cheques emitidos, sem provis\u00e3o de fundos, somente por um dos correntistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa ordem de ideias, infere-se que o saldo mantido na chamada &#8220;conta conjunta solid\u00e1ria&#8221; caracteriza bem divis\u00edvel, cuja cotitularidade, nos termos de precedentes do STJ, atrai as regras atinentes ao condom\u00ednio, motivo pelo qual se presume a reparti\u00e7\u00e3o do numer\u00e1rio em partes iguais entre os correntistas quando n\u00e3o houver elemento probat\u00f3rio a indicar o contr\u00e1rio, consoante disposto no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 1.315 do CC\/2022 (REsp n. 819.327\/SP, relator Ministro Humberto Gomes de Barros, Terceira Turma, DJ de 08\/05\/2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consequentemente, \u00e0 luz do princ\u00edpio da responsabilidade patrimonial do devedor &#8211; enunciado nos arts. 591 e 592 do CPC\/1973 (reproduzidos nos arts. 789 e 790 do CPC\/2015) -, <strong>a penhora eletr\u00f4nica de saldo existente em &#8220;conta conjunta solid\u00e1ria&#8221; n\u00e3o poder\u00e1 abranger propor\u00e7\u00e3o maior que o numer\u00e1rio pertencente ao devedor executado, devendo ser preservada a cota-parte dos demais correntistas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob tal \u00f3tica, por for\u00e7a da presun\u00e7\u00e3o do rateio igualit\u00e1rio do saldo constante da &#8220;conta coletiva solid\u00e1ria&#8221;, caber\u00e1 ao &#8220;cotitular n\u00e3o devedor&#8221; comprovar que o montante que integra o seu patrim\u00f4nio exclusivo ultrapassa o quantum presumido. De outro lado, poder\u00e1 o exequente demonstrar que o devedor executado \u00e9 quem det\u00e9m a propriedade exclusiva &#8211; ou em maior propor\u00e7\u00e3o &#8211; dos valores depositados na conta conjunta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, quando existente prova de titularidade exclusiva dos valores depositados por aquele que n\u00e3o figura no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o pecuni\u00e1ria n\u00e3o solid\u00e1ria, afigurar-se-\u00e1 impositiva a desconstitui\u00e7\u00e3o da penhora.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A) \u00c9 presumido, em regra, o rateio em partes iguais do numer\u00e1rio mantido em conta corrente conjunta solid\u00e1ria quando inexistente previs\u00e3o legal ou contratual de responsabilidade solid\u00e1ria dos correntistas pelo pagamento de d\u00edvida imputada a um deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B) N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a penhora da integralidade do saldo existente em conta conjunta solid\u00e1ria no \u00e2mbito de execu\u00e7\u00e3o movida por pessoa (f\u00edsica ou jur\u00eddica) distinta da institui\u00e7\u00e3o financeira mantenedora, sendo franqueada aos cotitulares e ao exequente a oportunidade de demonstrar os valores que integram o patrim\u00f4nio de cada um, a fim de afastar a presun\u00e7\u00e3o relativa de rateio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-valor-a-ser-recebido-de-indenizacao-em-seguro-e-guarda-dos-premios\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Valor a ser recebido de indeniza\u00e7\u00e3o em seguro e \u201cguarda\u201d dos pr\u00eamios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos contratos de seguro, o valor de indeniza\u00e7\u00e3o a ser recebido na hip\u00f3tese de ocorr\u00eancia do evento segurado \u00e9 estabelecido previamente no contrato e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 a &#8220;guarda&#8221; dos pr\u00eamios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.738.657-DF, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crementina ajuizou a\u00e7\u00e3o de presta\u00e7\u00e3o de contas contra Samba Seguros, alegando que com ela celebrou dois contratos de seguro, que, uma vez acionada, por ocasi\u00e3o de sua doen\u00e7a, efetuou dep\u00f3sitos indenizat\u00f3rios cujos valores n\u00e3o seriam condizentes com os per\u00edodos de afastamento. Pleiteou, ao final, a apresenta\u00e7\u00e3o do contrato e dos crit\u00e9rios utilizados para o c\u00e1lculo das referidas quantias. O pedido foi deferido para determinar a apresenta\u00e7\u00e3o dos documentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inconformada, a Seguradora interp\u00f4s sucessivos recursos alegando que o contrato de seguro n\u00e3o implica gest\u00e3o de patrim\u00f4nio alheio, o que exclui a obriga\u00e7\u00e3o de prestar contas; logo, a via processual correta para a obten\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o jurisdicional seria a a\u00e7\u00e3o revisional de contrato ou indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-via-processual-equivocada\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Via processual equivocada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ, desde h\u00e1 muito, compreende que aquele que administra bens ou interesses alheios est\u00e1 obrigado a prestar contas da administra\u00e7\u00e3o, do mesmo modo que aquele que tenha seus bens ou interesses administrados por outrem tem direito a exigir as contas correspondentes \u00e0 gest\u00e3o (REsp 1.561.427\/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe 2\/4\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos seguros de vida, o valor de indeniza\u00e7\u00e3o a ser recebido na hip\u00f3tese de ocorr\u00eancia do evento segurado \u00e9 estabelecido previamente no contrato e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 a &#8220;guarda&#8221; dos valores produtos da arrecada\u00e7\u00e3o, ou seja, dos pr\u00eamios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse cen\u00e1rio, de fato<strong>, falta ao segurado, bem como ao eventual benefici\u00e1rio, interesse processual para promover a a\u00e7\u00e3o de exigir contas decorrente do contrato de seguro porque, nessa hip\u00f3tese, tratando-se de neg\u00f3cio aleat\u00f3rio, falta \u00e0 pretens\u00e3o a premissa f\u00e1tica essencial, qual seja, a exist\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o de bens ou interesses de terceiros<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conseguinte, n\u00e3o \u00e9 devida a presta\u00e7\u00e3o de contas em rela\u00e7\u00e3o ao valor recebido pela segurada, a t\u00edtulo do evento sa\u00fade, que a afastou de suas atividades laborais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, <strong>n\u00e3o \u00e9 o caso de exigir a presta\u00e7\u00e3o de contas dos valores recebidos da seguradora, tendo em vista que a sua obriga\u00e7\u00e3o jamais foi a de investir ou administrar o valor recebido<\/strong>, mas sim o de pagar ao segurado, quando do evento &#8220;sa\u00fade&#8221;, o valor previamente delineado na ap\u00f3lice.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-resultado-final\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos contratos de seguro, o valor de indeniza\u00e7\u00e3o a ser recebido na hip\u00f3tese de ocorr\u00eancia do evento segurado \u00e9 estabelecido previamente no contrato e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 a &#8220;guarda&#8221; dos pr\u00eamios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-responsabilidade-da-concessionaria-em-evento-de-queda-de-passageiro-em-via-ferrea-apos-mal-subito\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade da concession\u00e1ria em evento de queda de passageiro em via f\u00e9rrea ap\u00f3s mal s\u00fabito<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considera-se fortuito externo a queda de passageiro em via f\u00e9rrea de metr\u00f4, por decorr\u00eancia de mal s\u00fabito, n\u00e3o ensejando o dever de repara\u00e7\u00e3o do dano por parte da concession\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico, mesmo considerando que n\u00e3o houve ado\u00e7\u00e3o, por parte do transportador, de tecnologia moderna para impedir o tr\u00e1gico evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.936.743-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por maioria, julgado em 14\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma passageira caiu nos trilhos e foi atropelada pelo trem ap\u00f3s sofrer mal s\u00fabito. Em raz\u00e3o do ocorrido, o marido ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais e morais alegando que o servi\u00e7o prestado pela companhia teria sido defeituoso, pois era sua obriga\u00e7\u00e3o transportar a usu\u00e1ria ilesa ao destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal local entendeu que houve falha da concession\u00e1ria, uma vez que a esta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha as chamadas &#8220;portas de plataforma&#8221;, que mant\u00eam os passageiros isolados do espa\u00e7o dos trilhos enquanto o trem n\u00e3o chega. Por\u00e9m, a concession\u00e1ria impetrou recurso especial no qual alega a culpa exclusiva da passageira, que, sendo portadora de epilepsia e apresentando sintomas de crise, como dores de cabe\u00e7a, preferiu entrar sozinha na esta\u00e7\u00e3o, em vez de procurar atendimento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CDC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 14. O fornecedor de servi\u00e7os responde, independentemente da exist\u00eancia de culpa, pela repara\u00e7\u00e3o dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos \u00e0 presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, bem como por informa\u00e7\u00f5es insuficientes ou inadequadas sobre sua frui\u00e7\u00e3o e riscos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1\u00b0 O servi\u00e7o \u00e9 defeituoso quando n\u00e3o fornece a seguran\u00e7a que o consumidor dele pode esperar, levando-se em considera\u00e7\u00e3o as circunst\u00e2ncias relevantes, entre as quais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; o modo de seu fornecimento;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; a \u00e9poca em que foi fornecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s normas do Direito Brasileiro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 20. &nbsp;Nas esferas administrativa, controladora e judicial, n\u00e3o se decidir\u00e1 com base em valores jur\u00eddicos abstratos sem que sejam consideradas as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas da decis\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. A motiva\u00e7\u00e3o demonstrar\u00e1 a necessidade e a adequa\u00e7\u00e3o da medida imposta ou da invalida\u00e7\u00e3o de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das poss\u00edveis alternativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 927. Aquele que, por ato il\u00edcito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Par\u00e1grafo \u00fanico. Haver\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-ha-dever-de-reparacao-do-dano-pela-concessionaria\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 dever de repara\u00e7\u00e3o do dano pela concession\u00e1ria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o controvertida principal consiste em saber se a queda de passageiro em via f\u00e9rrea de metr\u00f4, por decorr\u00eancia de mal s\u00fabito, enseja o dever de reparar os danos, considerando que n\u00e3o houve ado\u00e7\u00e3o, por parte do transportador, de tecnologia moderna (portas de plataforma) para impedir o tr\u00e1gico evento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, e \u00e0 luz da pr\u00f3pria causa de pedir da demanda, \u00e9 incontroverso que o lament\u00e1vel e fat\u00eddico acidente decorre de caso fortuito (mal s\u00fabito, convuls\u00e3o por epilepsia), consubstanciando fortuito externo que, segundo o curso normal das coisas, n\u00e3o se tinha como antever ou prevenir que a passageira ca\u00edsse justamente na linha f\u00e9rrea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na hip\u00f3tese em exame, a presen\u00e7a de funcion\u00e1rio na esta\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria o cond\u00e3o de evitar o acidente, por n\u00e3o ser fact\u00edvel que estivesse ao lado de cada um dos passageiros, ainda mais de passageira jovem, de apenas 29 anos de idade, que, em linha de princ\u00edpio, n\u00e3o estaria a precisar de nenhum aux\u00edlio espec\u00edfico para ingressar na composi\u00e7\u00e3o do metr\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a doutrina, o fato de tratar-se de responsabilidade objetiva &#8220;n\u00e3o elimina a necessidade de demonstrar-se a presen\u00e7a do dano e do nexo causal entre o dano e a qualidade de agente p\u00fablico do autor do dano, ou a conex\u00e3o com a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico. Desse modo, as situa\u00e7\u00f5es que servem para afastar o nexo de causalidade, como o caso fortuito, a for\u00e7a maior, a culpa exclusiva da v\u00edtima e a culpa exclusiva de terceiro, da mesma forma servem para exonerar a responsabilidade do Estado pelos danos sofridos por particulares. N\u00e3o basta, assim, que haja falha de conduta atribu\u00edvel ao Estado ou a seus agentes. \u00c9 necess\u00e1rio que se verifique no processo causal, claramente, a rela\u00e7\u00e3o entre a atua\u00e7\u00e3o atribu\u00edda ao Estado e o dano do que se reclama indeniza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O nexo de causalidade \u00e9 o fator aglutinante que permite que o risco se integre na unidade do ato.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1, portanto, no caso, como considerar, \u00e0 luz da teoria da causalidade adequada, a conduta da r\u00e9 causa espec\u00edfica e determinante para o evento danoso, pois o risco de a passageira cair na linha f\u00e9rrea, sem que seja por fatores ligados \u00e0 pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o (<em>v.g.&nbsp;<\/em>trope\u00e7o pelo piso estar molhado ou escorregadio, tumulto por desorganiza\u00e7\u00e3o no embarque e desembarque da composi\u00e7\u00e3o), \u00e9 FORTUITO EXTERNO, isto \u00e9, risco n\u00e3o est\u00e1 abrangido pela esfera imput\u00e1vel objetivamente \u00e0 concession\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o CDC o entendimento de que h\u00e1 um &#8220;dever espec\u00edfico de prevenir o evento letal por todos os meios de que possa conceber o conhecimento humano e de que esteja \u00e0 sua altura faz\u00ea-lo e desde que ainda n\u00e3o seja caso de impossibilidade material&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O defeito a que alude o art. 14, \u00a7 1\u00ba, do <a>CDC <\/a>consubstancia-se em falha que se desvia da normalidade, capaz de gerar uma frustra\u00e7\u00e3o no consumidor ao n\u00e3o experimentar a seguran\u00e7a que ordinariamente se espera do produto ou servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o defeito previsto no artigo n\u00e3o pode dizer respeito a um risco inerente do servi\u00e7o ou produto de gerar danos, presente na generalidade dos transportes p\u00fablicos que utilizam do mesmo modal, mas a algo que escapa do razo\u00e1vel, discrepante do padr\u00e3o de outros servi\u00e7os cong\u00eaneres ou de outros exemplares do mesmo produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do mais, como m\u00e1xima de experi\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 a regra que trens de metr\u00f4s, inclusive em pa\u00edses com alt\u00edssimo n\u00edvel de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, tenham as denominadas &#8220;portas de plataforma&#8221; (<em>Platform Screen Doors &#8211; PSD<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O recente art. 20 da <a>Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s normas do Direito Brasileiro<\/a>, inclu\u00eddo pela Lei n. 13.655\/2018, explicitou o dever do magistrado de considerar as consequ\u00eancias pr\u00e1ticas da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao considerar o servi\u00e7o defeituoso, estar-se-ia tacitamente a impor o dever, em viola\u00e7\u00e3o da triparti\u00e7\u00e3o de poderes, de a Companhia instalar imediatamente a tecnologia mais moderna de seguran\u00e7a, sem qualquer necess\u00e1rio criterioso exame das repercuss\u00f5es econ\u00f4micas e dos efeitos externos da decis\u00e3o, como eventual abrupto aumento do pre\u00e7o da tarifa de transporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Mutatis mutandis<\/em>, o Enunciado n. 446, da V Jornada de Direito Civil do CJF, prop\u00f5e que a responsabilidade civil prevista na segunda parte do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 927 do <a>CC <\/a>deve levar em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas a prote\u00e7\u00e3o da v\u00edtima e a atividade do ofensor, mas tamb\u00e9m a preven\u00e7\u00e3o e o interesse da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, cumpre consignar que o caso n\u00e3o guarda nenhuma rela\u00e7\u00e3o com aquele julgado pela Segunda Se\u00e7\u00e3o, em sede de recurso repetitivo, REsp 1.210.064\/SP, Tema n. 517.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque n\u00e3o se trata de &#8220;omiss\u00e3o ou neglig\u00eancia do dever de veda\u00e7\u00e3o f\u00edsica das faixas de dom\u00ednio da ferrovia com muros e cercas bem como da sinaliza\u00e7\u00e3o e da fiscaliza\u00e7\u00e3o dessas medidas garantidoras da seguran\u00e7a na circula\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, imposta por regula\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico, em que o transeunte, de fato, seguindo o curso normal das coisas, inequivocamente pode vir a ser surpreendido e atropelado pela composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na verdade, quanto \u00e0 quest\u00e3o das portas de plataforma, que por ora ainda n\u00e3o s\u00e3o usuais na maioria dos metr\u00f4s, a quest\u00e3o \u00e9 diferente, pois o acidente ocorreu bem no momento em que a composi\u00e7\u00e3o se alinhava \u00e0 esta\u00e7\u00e3o e, como \u00e9 de saben\u00e7a, nas esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 h\u00e1 faixa amarela de seguran\u00e7a, paralela \u00e0 via f\u00e9rrea (atr\u00e1s da qual, no m\u00ednimo, devem permanecer os usu\u00e1rios, ainda mais sentindo incontroverso mal-estar), sendo certo que a aproxima\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio da composi\u00e7\u00e3o\/linha f\u00e9rrea deve ocorrer apenas ap\u00f3s o efetivo alinhamento da composi\u00e7\u00e3o \u00e0 esta\u00e7\u00e3o, seguido de abertura de portas do trem e, em regra, de aviso sonoro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, cabe ressalvar que o caso \u00e9 diverso daquele que foi solucionado pelo recurso repetitivo, e que n\u00e3o se adota o fundamento de culpa exclusiva da v\u00edtima da senten\u00e7a, mas de fortuito externo, sem rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito com a organiza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considera-se fortuito externo a queda de passageiro em via f\u00e9rrea de metr\u00f4, por decorr\u00eancia de mal s\u00fabito, n\u00e3o ensejando o dever de repara\u00e7\u00e3o do dano por parte da concession\u00e1ria de servi\u00e7o p\u00fablico, mesmo considerando que n\u00e3o houve ado\u00e7\u00e3o, por parte do transportador, de tecnologia moderna para impedir o tr\u00e1gico evento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-pandemia-como-fato-superveniente-apto-a-viabilizar-a-revisao-judicial-de-contrato-de-prestacao-de-servicos-educacionais-com-a-reducao-proporcional-do-valor-das-mensalidades\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pandemia como fato superveniente apto a viabilizar a revis\u00e3o judicial de contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os educacionais com a redu\u00e7\u00e3o proporcional do valor das mensalidades<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o decorrente da pandemia pela Covid-19 n\u00e3o constitui <a>fato superveniente apto a viabilizar a revis\u00e3o judicial de contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os educacionais com a redu\u00e7\u00e3o proporcional do valor das mensalidades<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.998.206-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creosvalda ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual pleiteava a redu\u00e7\u00e3o proporcional das mensalidades escolares de seus filhos e a devolu\u00e7\u00e3o parcial dos valores pagos durante o per\u00edodo de calamidade p\u00fablica provocado pela pandemia da Covid-19. Alegou que, com a determina\u00e7\u00e3o de fechamento tempor\u00e1rio das escolas \u2013 fato superveniente \u2013, o contrato teria se tornado extremamente vantajoso para uma das partes. Segundo ela, a institui\u00e7\u00e3o de ensino reduziu de forma consider\u00e1vel o n\u00famero de aulas contratadas e, em consequ\u00eancia, seus custos fixos, enquanto os pais continuaram a pagar o mesmo valor, em vis\u00edvel desequil\u00edbrio contratual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CDC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 6\u00ba S\u00e3o direitos b\u00e1sicos do consumidor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V &#8211; a modifica\u00e7\u00e3o das cl\u00e1usulas contratuais que estabele\u00e7am presta\u00e7\u00f5es desproporcionais ou sua revis\u00e3o em raz\u00e3o de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CC:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 317. Quando, por motivos imprevis\u00edveis, sobrevier despropor\u00e7\u00e3o manifesta entre o valor da presta\u00e7\u00e3o devida e o do momento de sua execu\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure, quanto poss\u00edvel, o valor real da presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 478. Nos contratos de execu\u00e7\u00e3o continuada ou diferida, se a presta\u00e7\u00e3o de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordin\u00e1rios e imprevis\u00edveis, poder\u00e1 o devedor pedir a resolu\u00e7\u00e3o do contrato. Os efeitos da senten\u00e7a que a decretar retroagir\u00e3o \u00e0 data da cita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-fato-superveniente-que-justifica-a-reducao-do-valor-das-mensalidades\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fato superveniente que justifica a redu\u00e7\u00e3o do valor das mensalidades?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooopps!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia passa pela an\u00e1lise das regras e princ\u00edpios em torno do inadimplemento contratual (ainda que parcial), sobretudo no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de consumo, indagando-se se, em tal cen\u00e1rio, se \u00e9 poss\u00edvel ao consumidor invocar o direito subjetivo da revis\u00e3o contratual diante dos efeitos advindos da pandemia da Covid-19, como fundamento para autorizar a redu\u00e7\u00e3o proporcional do valor das mensalidades escolares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cabe anotar, inicialmente, que h\u00e1 consenso doutrin\u00e1rio no sentido de que as rela\u00e7\u00f5es contratuais privadas s\u00e3o regidas, em linha de princ\u00edpio, por tr\u00eas vertentes revisionistas, quais sejam a) teoria da base objetiva do contrato, aplic\u00e1vel, em regra \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de consumo (art. 6\u00ba, inciso V, do <a>CDC<\/a>); b) a teoria da imprevis\u00e3o (art. 317 do CC) e; c) a teoria da onerosidade excessiva (art. 478 do <a>CC<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a revis\u00e3o do contrato com base na teoria da imprevis\u00e3o ou da onerosidade excessiva, previstas no CC, exige-se ainda que o fato (superveniente) seja imprevis\u00edvel e extraordin\u00e1rio, e que deste fato, al\u00e9m do desequil\u00edbrio econ\u00f4mico e financeiro, decorra situa\u00e7\u00e3o de vantagem extrema para uma das partes, relacionando-se, portanto, \u00e0 veda\u00e7\u00e3o do enriquecimento il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No caso da pandemia causada pelo coronav\u00edrus, d\u00favida n\u00e3o h\u00e1 quanto aos efeitos nefastos causados na economia mundial e nas rela\u00e7\u00f5es privadas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando o arcabou\u00e7o normativo sobre o tema, embora os efeitos decorrentes da pandemia revelem-se supervenientes e capazes de alterar as bases objetivas em que celebrado o contrato, n\u00e3o parece evidenciado o desequil\u00edbrio excessivo na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica apta a autorizar a redu\u00e7\u00e3o do valor das mensalidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobressai como ponto central a ideia de que a revis\u00e3o dos contratos em raz\u00e3o da pandemia n\u00e3o consiste em decorr\u00eancia l\u00f3gica ou autom\u00e1tica, devendo-se levar em conta, sobretudo, a natureza do contrato e a conduta, tanto no \u00e2mbito material como na esfera processual das partes envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A an\u00e1lise do desequil\u00edbrio econ\u00f4mico e financeiro deve ser realizada, portanto, com base no&nbsp;<em>grau<\/em>&nbsp;do desequil\u00edbrio e nos&nbsp;<em>\u00f4nus<\/em>&nbsp;a serem suportados pelas partes<\/strong>, na espec\u00edfica situa\u00e7\u00e3o de o evento superveniente n\u00e3o se encontrar na esfera de responsabilidade da atividade econ\u00f4mica do fornecedor, como ocorre no caso em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, como visto, os princ\u00edpios da fun\u00e7\u00e3o social dos contratos e da boa-f\u00e9, dever\u00e3o ser sopesados com especial rigor, a fim de bem delimitar as hip\u00f3teses em que a onerosidade sobressai como fator de inviabilidade absoluta do neg\u00f3cio &#8211; situa\u00e7\u00e3o que deve ser reequilibrada, tanto pelas como pelo Poder Judici\u00e1rio &#8211; e aquelas que revelem \u00f4nus moderado ou mesmo situa\u00e7\u00e3o de oportunismo para uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, embora os servi\u00e7os n\u00e3o tenham sido prestados da forma como contratado, n\u00e3o h\u00e1 se falar em falha do dever de informa\u00e7\u00e3o ou desequil\u00edbrio econ\u00f4mico financeiro imoderado para a consumidora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A mera alega\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es financeiras da recorrente, por sua vez, e o incremento dos gastos com servi\u00e7os de tecnologia, n\u00e3o inviabilizaram a continuidade da presta\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A afirma\u00e7\u00e3o de que teria havido diminui\u00e7\u00e3o dos custos da escola, por outro lado, al\u00e9m de n\u00e3o se evidenciar como requisito \u00e0 revis\u00e3o com base na quebra da base objetiva do contrato, n\u00e3o \u00e9 a t\u00f4nica da revis\u00e3o com fundamento na quebra da base objetiva do neg\u00f3cio, n\u00e3o se compatibiliza com os princ\u00edpios da boa-f\u00e9 objetiva e da fun\u00e7\u00e3o social do contrato, na especial conjuntura econ\u00f4mica e social que a todos assolava o pa\u00eds \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diretriz da boa-f\u00e9 deveria ser observada, portanto, especialmente quando os \u00f4nus suportados pelo consumidor n\u00e3o se revelaram desmesurados ou impeditivos do alcance da fun\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ainda a mesma diretriz respons\u00e1vel pela interpreta\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da pandemia, no caso concreto, como hip\u00f3tese de fortuito externo, apto a afastar a responsabilidade da escola.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o decorrente da pandemia pela Covid-19 n\u00e3o constitui fato superveniente apto a viabilizar a revis\u00e3o judicial de contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os educacionais com a redu\u00e7\u00e3o proporcional do valor das mensalidades.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-contratos-de-mutuo-celebrados-pelas-entidades-fechadas-de-previdencia-complementar-com-seus-beneficiarios-e-possibilidade-de-cobranca-de-juros-remuneratorios-acima-do-limite-legal\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contratos de m\u00fatuo celebrados pelas entidades fechadas de previd\u00eancia complementar com seus benefici\u00e1rios e possibilidade de cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos co<a>ntratos de m\u00fatuo celebrados pelas entidades fechadas de previd\u00eancia complementar com seus benefici\u00e1rios<\/a>, \u00e9 ileg\u00edtima a <a>cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal<\/a> (1% ao m\u00eas conforme o C\u00f3digo Civil e C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional), autorizada a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros somente na periodicidade anual, desde que pactuada, ap\u00f3s a entrada em vigor do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.854.818-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por maioria, julgado em 07\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Virma, benefici\u00e1ria de entidade fechada de previd\u00eancia complementar, celebrou contrato de m\u00fatuo com aquela, no qual foi fixada cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal previsto no C\u00f3digo Civil e C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional (1% ao m\u00eas). Algum tempo depois, Virma ajuizou a\u00e7\u00e3o questionando do patamar, bem como a impossibilidade da capitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LC 109\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 31. As entidades fechadas s\u00e3o aquelas acess\u00edveis, na forma regulamentada pelo \u00f3rg\u00e3o regulador e fiscalizador, exclusivamente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp;As entidades fechadas organizar-se-\u00e3o sob a forma de funda\u00e7\u00e3o ou sociedade civil, sem fins lucrativos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>Art. 34. As entidades fechadas podem ser qualificadas da seguinte forma, al\u00e9m de outras que possam ser definidas pelo \u00f3rg\u00e3o regulador e fiscalizador:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; de acordo com os planos que administram:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) de plano comum, quando administram plano ou conjunto de planos acess\u00edveis ao universo de participantes; e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">b) com multiplano, quando administram plano ou conjunto de planos de benef\u00edcios para diversos grupos de participantes, com independ\u00eancia patrimonial;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LC 108\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 9<sup>o<\/sup>&nbsp;A estrutura organizacional das entidades de previd\u00eancia complementar a que se refere esta Lei Complementar \u00e9 constitu\u00edda de conselho deliberativo, conselho fiscal e diretoria-executiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 406. Quando os juros morat\u00f3rios n\u00e3o forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determina\u00e7\u00e3o da lei, ser\u00e3o fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos \u00e0 Fazenda Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 591. Destinando-se o m\u00fatuo a fins econ\u00f4micos, presumem-se devidos juros, os quais, sob pena de redu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e3o exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitaliza\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 161. O cr\u00e9dito n\u00e3o integralmente pago no vencimento \u00e9 acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem preju\u00edzo da imposi\u00e7\u00e3o das penalidades cab\u00edveis e da aplica\u00e7\u00e3o de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tribut\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 1\u00ba Se a lei n\u00e3o dispuser de modo diverso, os juros de mora s\u00e3o calculados \u00e0 taxa de um por cento ao m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-os-juros-cobrados-pelas-efpc-se-submetem-ao-limite-do-cc\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os juros cobrados pelas EFPC se submetem ao limite do CC<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaphh!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinge-se a controv\u00e9rsia principal \u00e0 averigua\u00e7\u00e3o da possibilidade de entidade fechada de previd\u00eancia privada atuar como institui\u00e7\u00e3o financeira e, consequentemente, nas rela\u00e7\u00f5es credit\u00edcias mantidas com seus benefici\u00e1rios, cobrar juros capitalizados, em qualquer periodicidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As entidades fechadas de previd\u00eancia complementar (EFPC) s\u00e3o organiza\u00e7\u00f5es mantidas para a administra\u00e7\u00e3o dos fundos de pens\u00e3o, sendo necessariamente organizadas sob a forma de funda\u00e7\u00e3o (privada) ou sociedade civil, sem fins lucrativos (<a>LC 109\/2001<\/a>, art. 31, \u00a7 1\u00ba, e <a>LC 108\/2001<\/a>, art. 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico), ao passo que, para as entidades abertas, foi prevista sua organiza\u00e7\u00e3o sob a forma de sociedades an\u00f4nimas, regidas pela Lei n. 6.404\/1076.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque, enquanto as entidades abertas visam precipuamente ao lucro, os fundos de pens\u00e3o n\u00e3o podem, por expressa previs\u00e3o legal, perseguir tal objetivo. Assim, sua principal atividade \u00e9 gerenciar\/administrar a previd\u00eancia privada dos funcion\u00e1rios de determinada empresa ou profissionais associados a alguma entidade de classe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ao contr\u00e1rio das entidades abertas &#8211; que se aproximam mais das institui\u00e7\u00f5es financeiras em seus fins, nada obstante, pelo desenho constitucional estabelecido (art. 202), tamb\u00e9m se submetam ao mesmo regime jur\u00eddico dos fundos de pens\u00e3o -, as entidades fechadas de previd\u00eancia complementar n\u00e3o t\u00eam natureza comercial<\/strong>, e a elas n\u00e3o se aplica o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, consoante j\u00e1 sedimentado por esta Corte Superior nos termos do enunciado sumular n. 563\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor n\u00e3o incide \u00e0 rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica mantida entre a entidade fechada de previd\u00eancia privada e seus participantes\/benefici\u00e1rios\/assistidos, porquanto o patrim\u00f4nio da entidade e respectivos rendimentos revertem-se integralmente na concess\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do pagamento de benef\u00edcios, prevalecendo o associativismo e o mutualismo, o que afasta o intuito lucrativo, ou seja, referidas entidades t\u00eam por finalidade a atividade protetivo-previdenci\u00e1ria, e n\u00e3o de fomento ao cr\u00e9dito. Desse modo, o fundo de pens\u00e3o n\u00e3o se enquadra no conceito legal de fornecedor, pois apenas administra os planos (consoante o art. 34, inciso I, da LC n. 109\/2001), havendo, conforme disp\u00f5e o artigo 35 da referida norma, gest\u00e3o compartilhada entre representantes dos participantes e assistidos e dos patrocinadores nos conselhos deliberativo (\u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo da estrutura organizacional) e fiscal (\u00f3rg\u00e3o de controle interno), ou seja, o participante tem postura ativa na gest\u00e3o do fundo de pens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, em raz\u00e3o da mesma l\u00f3gica dedutiva e jur\u00eddica, amparada nas caracter\u00edsticas inerentes \u00e0 entidade fechada de previd\u00eancia complementar, notadamente o associativismo, o mutualismo, a solidariedade entre os seus participantes, n\u00e3o se pode conceber que eventuais empr\u00e9stimos de dinheiro realizados pela institui\u00e7\u00e3o (mera gestora\/administradora), com os benefici\u00e1rios do plano possa ser admitido\/concebido nos moldes daqueles realizados pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras. Afinal, os valores alocados ao fundo comum obtido, na verdade, pertencem aos participantes e benefici\u00e1rios do plano, existindo expl\u00edcito mecanismo de solidariedade, de modo que todo excedente do fundo de pens\u00e3o \u00e9 aproveitado em favor de seus pr\u00f3prios integrantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Faz-se breve digress\u00e3o para salientar que, com a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 8.177\/1991, houve grande discuss\u00e3o no mercado de previd\u00eancia complementar, pois ao tempo pretendeu o legislador enquadrar e equiparar as duas modalidades de entidades de previd\u00eancia \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, conforme enunciado no artigo 29.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contra tal dispositivo, foi manejada A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade, junto ao Supremo Tribunal Federal (ADI 504-9\/DF, de relatoria do eminente Ministro Paulo Brosssard), tendo o STF, na data de 18\/12\/1991, suspendido liminarmente a aplica\u00e7\u00e3o do referido artigo, por entend\u00ea-lo inconstitucional, por\u00e9m, o julgamento do m\u00e9rito restou prejudicado por for\u00e7a da entrada em vigor da LC 109\/2001 a qual, obedecendo ao comando do artigo 202 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, com a reda\u00e7\u00e3o introduzida pela Emenda Constitucional n. 20\/98, tornou-se a nova Lei da Previd\u00eancia Privada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conquanto tenha havido um movimento para integrar as entidades de previd\u00eancia privada ao sistema financeiro nacional, em nossos dias, al\u00e9m de estarem mantidas na Ordem Social Constitucional, apenas as entidades abertas de previd\u00eancia complementar s\u00e3o equiparadas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, estando autorizadas, por esse motivo a realizar as mais diversas opera\u00e7\u00f5es, visto que n\u00e3o submetidas \u00e0 Lei de Usura (Decreto n. 22.626\/33) e \u00e0s determina\u00e7\u00f5es legais posteriores a ela inerentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contrariamente, n\u00e3o estando as entidades fechadas de previd\u00eancia equiparadas a institui\u00e7\u00f5es financeiras, e n\u00e3o sendo considerada fornecedora, est\u00e1 submetida, nas opera\u00e7\u00f5es credit\u00edcias que realiza \u00e0 lei usur\u00e1ria, a qual estabelece, de forma expressa no artigo 1\u00ba estipular em quaisquer contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal e no artigo 4\u00ba ser proibido contar juros dos juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, o C\u00f3digo Civil de 2002 estabeleceu que os juros remunerat\u00f3rios, quando n\u00e3o convencionados entre as partes, dever\u00e3o ser fixados nos termos da taxa que estiver em vigor para o pagamento de impostos da Fazenda Nacional, permitindo, contudo, a capitaliza\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inegavelmente, em regra, n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o legal para empr\u00e9stimo de dinheiro entre pessoas f\u00edsicas ou pessoas jur\u00eddicas que n\u00e3o componham o sistema financeiro nacional. H\u00e1 veda\u00e7\u00e3o, entretanto, para a cobran\u00e7a juros, comiss\u00f5es ou descontos percentuais sobre d\u00edvidas em dinheiro superiores \u00e0 taxa permitida por lei, cuja inobserv\u00e2ncia pode configurar crime nos termos da Lei de Usura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No caso do m\u00fatuo firmado entre particulares ou pessoa jur\u00eddica n\u00e3o integrante do sistema financeiro nacional, tal como a hip\u00f3tese ora em foco, o limite da taxa de juros remunerat\u00f3rios segundo entendimento consolidado \u00e9 de 1%<\/strong> (<a>C\u00f3digo Civil, <\/a>arts. 591, 406; e <a>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional<\/a>, art. 161, \u00a71\u00ba), sendo vi\u00e1vel a capitaliza\u00e7\u00e3o anual, desde que expressamente pactuada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o ponto nodal de todo o sistema diferenciado das entidades de previd\u00eancia complementar, sendo que, com base nessas distin\u00e7\u00f5es, a jurisprud\u00eancia do STJ, h\u00e1 muito vem edificando compreens\u00e3o no sentido de que, por serem as entidades fechadas de previd\u00eancia complementar institui\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos, n\u00e3o equipar\u00e1veis a institui\u00e7\u00f5es financeiras desde a LC n. 109\/2001 e destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de seus participantes, nos contratos de m\u00fatuo celebrados com seus participantes, est\u00e3o inviabilizados de cobrar juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal e, somente ap\u00f3s a entrada em vigor do C\u00f3digo Civil de 2002, capitaliza\u00e7\u00e3o de juros na periodicidade anual dos seus mutu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00f3bvio, tendo em vista que as entidades de previd\u00eancia fechada n\u00e3o integram o sistema financeiro nacional, invi\u00e1vel dizer pudessem cobrar capitaliza\u00e7\u00e3o de juros de seus participantes nos contratos de cr\u00e9dito que entabulava com base nos artigos 5\u00ba da MP n. 1963-17\/2000 e posterior MP n. 2.170-36 de 2001, pois tais dispositivos, por expressa disposi\u00e7\u00e3o apenas se aplica \u00e0s &#8220;opera\u00e7\u00f5es realizadas pelas institui\u00e7\u00f5es integrantes do Sistema Financeiro Nacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, n\u00e3o h\u00e1 apenas a proibi\u00e7\u00e3o legal \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de lucro pelas entidades fechadas (art. 31, \u00a7 1\u00ba da LC 109\/2001 e art. 9\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico da LC 108\/2001), mas, tamb\u00e9m, expressa veda\u00e7\u00e3o, estabelecida na pr\u00f3pria lei, para a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima da taxa legal e capitaliza\u00e7\u00e3o em periodicidade diversa da anual (art. 1\u00ba do Decreto n. 22.626\/33, arts. 406 e 591 do CC\/2002 e art. 161, \u00a7 1\u00ba do CTN), j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o equiparadas ou equipar\u00e1veis a institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos contratos de m\u00fatuo celebrados pelas entidades fechadas de previd\u00eancia complementar com seus benefici\u00e1rios, \u00e9 ileg\u00edtima a cobran\u00e7a de juros remunerat\u00f3rios acima do limite legal, autorizada a capitaliza\u00e7\u00e3o de juros somente na periodicidade anual, desde que pactuada, ap\u00f3s a entrada em vigor do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-prazo-estabelecido-pelo-juiz-no-despacho-de-citacao-como-materia-controvertida\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prazo estabelecido pelo juiz no despacho de cita\u00e7\u00e3o como mat\u00e9ria controvertida<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <a>prazo estabelecido pelo juiz no despacho de cita\u00e7\u00e3o <\/a>n\u00e3o configura mat\u00e9ria controvertida entre as partes a demandar a prola\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o, n\u00e3o se apresentando insuscet\u00edvel de novo pronunciamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgInt no AgInt no REsp 653.774-DF, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022 (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma execu\u00e7\u00e3o fiscal, o Tribunal deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o interposta pela Fazenda Nacional, a fim de reformar a senten\u00e7a que rejeitou os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, por consider\u00e1-los intempestivos. Afastou a alega\u00e7\u00e3o de ofensa \u00e0 coisa julgada relativamente \u00e0 decis\u00e3o que reconhecera o prazo de 10 dias para oposi\u00e7\u00e3o dos embargos, ao fundamento de que o agravo de instrumento interposto contra a referida decis\u00e3o teve seguimento negado, em raz\u00e3o do descumprimento do disposto no art. 526, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, por sua vez, exarou decis\u00e3o fixando o prazo de 10 (dez) dias para o oferecimento dos embargos. Interposto agravo de instrumento, o Tribunal&nbsp; dele n\u00e3o conheceu, por aus\u00eancia de cumprimento da determina\u00e7\u00e3o contida no art. 526, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/1973. O ac\u00f3rd\u00e3o, ent\u00e3o, transitou em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o proferiu senten\u00e7a em que reafirmou esse entendimento, qual seja, de que o prazo para oferecimento dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o seria de 10 (dez) dias, o que foi objeto de apela\u00e7\u00e3o interposta pela Fazenda Nacional. O Tribunal ent\u00e3o no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, deu-lhe provimento, a fim de reconhecer a tempestividade dos embargos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-trata-se-de-materia-controvertida\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se de mat\u00e9ria controvertida?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na hip\u00f3tese, <a>o tribunal de origem deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o interposta pela Fazenda Nacional, a fim de reformar a senten\u00e7a que rejeitou os embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, por consider\u00e1-los intempestivos. Afastou a alega\u00e7\u00e3o de ofensa \u00e0 coisa julgada relativamente \u00e0 decis\u00e3o que reconhecera o prazo de 10 (dez) dias para oposi\u00e7\u00e3o dos embargos, ao fundamento de que o agravo de instrumento interposto contra a referida decis\u00e3o teve seguimento negado, em raz\u00e3o do descumprimento do disposto no art. 526, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/1973.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, por sua vez, exarou decis\u00e3o fixando o prazo de 10 (dez) dias para o oferecimento dos embargos. Interposto agravo de instrumento, o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;dele n\u00e3o conheceu, por aus\u00eancia de cumprimento da determina\u00e7\u00e3o contida no art. 526, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/1973. O ac\u00f3rd\u00e3o, ent\u00e3o, transitou em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, o ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o proferiu senten\u00e7a em que reafirmou esse entendimento, qual seja, de que o prazo para oferecimento dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o seria de 10 (dez) dias, o que foi objeto de apela\u00e7\u00e3o interposta pela Fazenda Nacional. O Tribunal de origem, no ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, deu-lhe provimento, a fim de reconhecer a tempestividade dos embargos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem <strong>assegurado tratamento individualizado no que se refere \u00e0 quest\u00e3o de eventual prejudicialidade de agravo de instrumento quando sobrev\u00e9m prola\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a<\/strong>, diante da vasta possibilidade do conte\u00fado decis\u00f3rio envolvido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, doutrina lembra que &#8220;coisa julgada material (<em>auctoritas rei iudicatae<\/em>) \u00e9 qualidade que torna imut\u00e1vel e indiscut\u00edvel o comando que emerge da parte dispositiva da senten\u00e7a de m\u00e9rito n\u00e3o mais sujeita a recurso ordin\u00e1rio ou extraordin\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente \u00e0 preclus\u00e3o, leciona o entendimento doutrin\u00e1rio, ao comentar o art. 471 do CPC\/1973, que a &#8220;norma pro\u00edbe a redecis\u00e3o de quest\u00e3o j\u00e1 decidida no mesmo processo, sob o fundamento da preclus\u00e3o (coisa julgada formal). As quest\u00f5es dispositivas decididas no processo n\u00e3o podem ser reapreciadas pelo juiz (&#8230;). O&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do dispositivo comentado impede que o juiz, no mesmo processo, decida novamente as quest\u00f5es j\u00e1 decididas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, sob essa \u00f3tica, o Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o, no despacho que ordenou a cita\u00e7\u00e3o, fixou o prazo de 10 (dez) dias para a Fazenda Nacional oferecer embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o e, posteriormente, reafirmou essa compreens\u00e3o na senten\u00e7a, de modo que n\u00e3o h\u00e1 que falar em coisa julgada ou preclus\u00e3o a impedir o manejo de apela\u00e7\u00e3o, assim como a reforma desse prazo estabelecido inicialmente, que fora objeto de agravo de instrumento n\u00e3o conhecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o prazo estabelecido pelo juiz no despacho de cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o configura mat\u00e9ria controvertida entre as partes a demandar a prola\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o, porquanto nem sequer havia manifesta\u00e7\u00e3o delas (partes) a respeito disso, de modo que o tema n\u00e3o se apresenta insuscet\u00edvel de novo pronunciamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-resultado-final\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O prazo estabelecido pelo juiz no despacho de cita\u00e7\u00e3o n\u00e3o configura mat\u00e9ria controvertida entre as partes a demandar a prola\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o, n\u00e3o se apresentando insuscet\u00edvel de novo pronunciamento.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-isencao-de-imposto-de-renda-na-operacao-de-transferencia-pelo-sucessor-causa-mortis-de-participacao-acionaria\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda na opera\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia, pelo sucessor causa mortis, de participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 4\u00ba, &#8216;b&#8217;, do Decreto-Lei n. 1.510\/1976 concedeu isen\u00e7\u00e3o apenas para transmiss\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria &#8216;mortis causa&#8217;, n\u00e3o ampliando a sua abrang\u00eancia para momento posterior &#8211; ressalvada, exclusivamente, a hip\u00f3tese em que a pr\u00f3pria aquisi\u00e7\u00e3o por heran\u00e7a se desse durante a vig\u00eancia do Decreto-Lei n. 1.510\/1976 e o sucessor permanecesse na respectiva posse pelo per\u00edodo de cinco anos, necessariamente anteriores \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio pela Lei n. 7.713\/1988, e depois promovesse a sua aliena\u00e7\u00e3o onerosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.650.844-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Rel. Acd. Min. Herman Benjamim, Segunda Turma, por maioria, julgado em 07\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creiton adquiriu a\u00e7\u00f5es durante a vig\u00eancia do decreto-lei 1.510\/76 &#8211; cujo art. 4\u00ba, d, garantia isen\u00e7\u00e3o se a venda ocorresse somente depois de cinco anos da aquisi\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o \u00f3bito de Creiton, sua herdeira Creusa ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual defendia que a isen\u00e7\u00e3o concedida pela norma constituiu direito adquirido, transferido por heran\u00e7a com as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CTN:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 109. Os princ\u00edpios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da defini\u00e7\u00e3o, do conte\u00fado e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas n\u00e3o para defini\u00e7\u00e3o dos respectivos efeitos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 111. Interpreta-se literalmente a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria que disponha sobre:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II &#8211; outorga de isen\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-devido-o-irpf-em-caso-de-venda-das-acoes-pelo-herdeiro\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devido o IRPF em caso de venda das a\u00e7\u00f5es pelo herdeiro?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A controv\u00e9rsia delimita-se na discuss\u00e3o relativa \u00e0 <a>isen\u00e7\u00e3o de Imposto de Renda na opera\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia, pelo sucessor&nbsp;<em>causa mortis<\/em>, de participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 pac\u00edfica no sentido de que a isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria compreende apenas a transmiss\u00e3o por sucess\u00e3o, de modo que a posterior aliena\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria, pelo herdeiro, realizada em momento no qual a isen\u00e7\u00e3o havia sido previamente revogada (pela Lei n. 7.713\/1988) encontra-se sujeita \u00e0 incid\u00eancia de Imposto de Renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A altera\u00e7\u00e3o no art. 4\u00ba, &#8220;b&#8221;, do <a>Decreto-Lei n. 1.510\/1976<\/a>, se deu pelo Decreto-Lei n. 1.579\/1977. Registra-se que, desde 1977, a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria expressamente indicou que o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o abrange tanto (i) as aliena\u00e7\u00f5es &#8220;promovidas ap\u00f3s decorrido o per\u00edodo de cinco anos da data da subscri\u00e7\u00e3o ou aquisi\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o&#8221; (art. 4\u00ba, &#8220;d&#8221;) como (ii) as transmiss\u00f5es &#8220;<em>mortis causa<\/em>&#8221; (art. 4\u00ba, &#8220;b&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o a respeito da exist\u00eancia de contrapresta\u00e7\u00e3o, ou de onerosidade, n\u00e3o afeta a disciplina concedida \u00e0 espec\u00edfica situa\u00e7\u00e3o das transmiss\u00f5es &#8220;<em>mortis causa<\/em>&#8221; &#8211; isto \u00e9, este fato aut\u00f4nomo (transmiss\u00e3o&nbsp;<em>mortis causa<\/em>, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>inter vivos<\/em>) atrai a aplica\u00e7\u00e3o de norma espec\u00edfica do regime isentivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda nesse ponto (transmiss\u00e3o &#8220;<em>mortis causa<\/em>&#8220;), conv\u00e9m esclarecer que h\u00e1 dois momentos distintos a serem considerados: a) o da transmiss\u00e3o em raz\u00e3o do falecimento do titular das cotas sociais, em que pode haver ganho de capital (em benef\u00edcio do sucessor); e b) a data da aliena\u00e7\u00e3o com ganho de capital, promovida pelo sucessor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esse respeito, o art. 4\u00ba, &#8220;b&#8221;, do Decreto-Lei n. 1.510\/1976, seja em sua reda\u00e7\u00e3o original (aliena\u00e7\u00e3o &#8220;<em>mortis causa<\/em>&#8220;), seja na reda\u00e7\u00e3o que entrou em vigor um ano ap\u00f3s (reda\u00e7\u00e3o conferida pelo Decreto-Lei n. 1.579\/1977 &#8211; transmiss\u00e3o &#8220;<em>mortis causa<\/em>&#8220;), <strong>expressamente concedeu isen\u00e7\u00e3o em favor do herdeiro naquele primeiro momento (naturalmente, ante a hip\u00f3tese de que, nesse evento, houvesse ganho de capital).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente, a citada legisla\u00e7\u00e3o, em momento algum, prescreveu que na segunda opera\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia de titularidade da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria seria mantido o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o. Paralelamente a tal constata\u00e7\u00e3o, tem-se, que a Lei n. 7.713\/1988 expressamente revogou o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 imperioso ter em considera\u00e7\u00e3o que os efeitos tribut\u00e1rios podem diferir do tratamento dado pela lei civil (art. 109 do CTN), excetuada a hip\u00f3tese em que se pretender, para alterar a compet\u00eancia tribut\u00e1ria, modificar institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados diretamente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, na Constitui\u00e7\u00e3o Estadual ou nas Leis Org\u00e2nicas do Distrito Federal ou dos Munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dito isso, \u00e9 irrelevante discutir, segundo a interpreta\u00e7\u00e3o isolada e literal dos dispositivos do C\u00f3digo Civil, se os direitos transmitidos por sucess\u00e3o&nbsp;<em>causa mortis<\/em>&nbsp;preservam o car\u00e1ter original ou n\u00e3o, pois a quest\u00e3o diz respeito n\u00e3o \u00e0 disciplina civil do fato jur\u00eddico, mas aos efeitos tribut\u00e1rios, os quais, em respeito ao princ\u00edpio da legalidade, devem necessariamente ser disciplinados por lei espec\u00edfica (lei tribut\u00e1ria).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, nesse ponto, \u00e9 inquestion\u00e1vel que a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, enquanto vigente, concedeu o benef\u00edcio da isen\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sucess\u00e3o<em>&nbsp;causa mortis<\/em>, somente para o ganho de capital apurado na primeira altera\u00e7\u00e3o da titularidade (isto \u00e9, na transmiss\u00e3o do&nbsp;<em>de cujus<\/em>&nbsp;para o seu sucessor). Mesmo na vig\u00eancia da citada norma, n\u00e3o havia previs\u00e3o concedendo isen\u00e7\u00e3o para a segunda opera\u00e7\u00e3o de transfer\u00eancia (a aliena\u00e7\u00e3o onerosa, do herdeiro para terceiros, da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, tratando-se de isen\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, o art. 111, II, do CTN imp\u00f5e a t\u00e9cnica de interpreta\u00e7\u00e3o literal, n\u00e3o sendo poss\u00edvel aplicar por analogia a disciplina atribu\u00edda pela legisla\u00e7\u00e3o c\u00edvel para dispor,<em>&nbsp;contra legem<\/em>, a respeito dos efeitos tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 4\u00ba, &#8216;b&#8217;, do Decreto-Lei n. 1.510\/1976 concedeu isen\u00e7\u00e3o apenas para transmiss\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria &#8216;mortis causa&#8217;, n\u00e3o ampliando a sua abrang\u00eancia para momento posterior &#8211; ressalvada, exclusivamente, a hip\u00f3tese em que a pr\u00f3pria aquisi\u00e7\u00e3o por heran\u00e7a se desse durante a vig\u00eancia do Decreto-Lei n. 1.510\/1976 e o sucessor permanecesse na respectiva posse pelo per\u00edodo de cinco anos, necessariamente anteriores \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio pela Lei n. 7.713\/1988, e depois promovesse a sua aliena\u00e7\u00e3o onerosa.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-restricao-de-prazo-das-medidas-cautelares-diversas-da-prisao\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Restri\u00e7\u00e3o de prazo das medidas cautelares diversas da pris\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o legal que restrinja o prazo das <a>medidas cautelares diversas da pris\u00e3o<\/a>, as quais podem perdurar enquanto presentes os requisitos do art. 282 do C\u00f3digo de Processo Penal, devidamente observadas as peculiaridades do caso e do agente<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 737.657-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creide foi condenada pelo crime de contrabando a uma pena de cinco anos de reclus\u00e3o no regime semiaberto. &nbsp;Conforme os autos, foi acusada de reiteradamente internalizar mercadorias importadas, de alto valor, sem o correspondente pagamento de tributos, no contexto de transnacionalidade. &nbsp;Em recurso, o Tribunal reformou a pena para fix\u00e1-la em 3 anos de reclus\u00e3o, no regime aberto, com a substitui\u00e7\u00e3o de pena privativa de liberdade por duas restritivas de direitos, nos termos do art. 44 do CP, a serem estabelecidas pelo ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o em maio de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2021, Creide, ousadamente, requereu ent\u00e3o autoriza\u00e7\u00e3o para viajar para Canc\u00fan no natalino, o que foi indeferido pelo juiz da execu\u00e7\u00e3o. Chateada por ter de passar mais um fim de ano no Brasil escutando o Especial de Natal do Roberto Carlos, impetrou habeas corpus no qual sustenta que o indeferimento representa clara viola\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios da razoabilidade e da proporcionalidade, impondo san\u00e7\u00e3o mais grave que a pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o, visto que o tempo de imposi\u00e7\u00e3o das medidas cautelares j\u00e1 superara o tempo da pena final imposta no julgamento da apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>Art. 282.&nbsp; As medidas cautelares previstas neste T\u00edtulo dever\u00e3o ser aplicadas observando-se a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>I &#8211; necessidade para aplica\u00e7\u00e3o da lei penal, para a investiga\u00e7\u00e3o ou a instru\u00e7\u00e3o criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>II &#8211; adequa\u00e7\u00e3o da medida \u00e0 gravidade do crime, circunst\u00e2ncias do fato e condi\u00e7\u00f5es pessoais do indiciado ou acusado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-ha-restricao-de-tempo-em-relacao-as-medidas-cautelares\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 restri\u00e7\u00e3o de tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas cautelares?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se da manuten\u00e7\u00e3o de medidas menos gravosas que a pris\u00e3o decretadas com a presen\u00e7a de fundamentos concretos e contempor\u00e2neos aos fatos imputados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso porque as circunst\u00e2ncias do caso concreto, em que <a><u>a paciente \u00e9 acusada de reiteradamente internalizar mercadorias importadas, de alto valor, sem o correspondente pagamento de tributos, no contexto de transnacionalidade, justificam a manuten\u00e7\u00e3o da medida cautelar de reten\u00e7\u00e3o do passaporte.<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conquanto a paciente esteja cumprindo as referidas medidas cautelares h\u00e1 tempo consider\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se reconhecer a exist\u00eancia de retardo abusivo e injustificado, de forma a caracterizar desproporcional excesso de prazo no cumprimento da medida<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar que n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o legal que restrinja o prazo das medidas cautelares diversas da pris\u00e3o, as quais podem perdurar enquanto presentes os requisitos do art. 282 do <a>C\u00f3digo de Processo Penal<\/a>, devidamente observadas as peculiaridades do caso e do agente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o legal que restrinja o prazo das medidas cautelares diversas da pris\u00e3o, as quais podem perdurar enquanto presentes os requisitos do art. 282 do C\u00f3digo de Processo Penal, devidamente observadas as peculiaridades do caso e do agente<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-atenuante-da-confissao-perante-autoridade-e-efeitos\"><a>10.&nbsp; Atenuante da confiss\u00e3o perante autoridade e efeitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O r\u00e9u far\u00e1 jus \u00e0 atenuante do art. 65, III, &#8216;d&#8217;, do CP quando houver admitido a autoria do crime perante a autoridade, independentemente de a confiss\u00e3o ser utilizada pelo juiz como um dos fundamentos da senten\u00e7a condenat\u00f3ria, e mesmo que seja ela parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REsp 1.972.098-SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 14\/06\/2022, DJe 20\/06\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O MP denunciou Creitinho e outros pelo crime de roubo tentado e porte ilegal de arma. No interrogat\u00f3rio judicial, Creitinho confessou a autoria delitiva. Ocorre que o juiz condenou os acusados pelo crime de roubo, absolvendo-os quanto \u00e0s demais imputa\u00e7\u00f5es sem aplicar a nenhum deles a atenuante do art. 65, III, &#8220;d&#8221;, do CP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o magistrado, a confiss\u00e3o n\u00e3o foi decisiva para a elucida\u00e7\u00e3o da autoria, que j\u00e1 restava afirmada pelas demais provas dos autos e, dessarte, n\u00e3o foi demonstrada ou refor\u00e7ada pela admiss\u00e3o dos fatos por parte do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00famula 545\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quando a confiss\u00e3o for utilizada para a forma\u00e7\u00e3o do convencimento do julgador, o r\u00e9u far\u00e1 jus \u00e0 atenuante prevista no artigo 65, III, d, do C\u00f3digo Penal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CP:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 65 &#8211; S\u00e3o circunst\u00e2ncias que sempre atenuam a pena:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III &#8211; ter o agente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 67 &#8211; No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite indicado pelas circunst\u00e2ncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-a-confissao-deve-ser-levada-em-consideracao-na-dosimetria\"><a>10.2.2. A confiss\u00e3o deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o na dosimetria?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de proposta do Minist\u00e9rio P\u00fablico para interpreta\u00e7\u00e3o a&nbsp;<em>contrario sensu<\/em>&nbsp;da <a>S\u00famula 545\/STJ <\/a>para concluir que, quando a confiss\u00e3o n\u00e3o for utilizada como um dos fundamentos da senten\u00e7a condenat\u00f3ria, o r\u00e9u, mesmo tendo confessado, n\u00e3o far\u00e1 jus \u00e0 atenuante respectiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, tal compreens\u00e3o, embora esteja presente em alguns julgados recentes desta Corte Superior, n\u00e3o encontra amparo em nenhum dos precedentes geradores da S\u00famula 545\/STJ. Estes precedentes institu\u00edram para o r\u00e9u a garantia de que a atenuante incide mesmo nos casos de confiss\u00e3o qualificada, parcial, extrajudicial, retratada, etc. Nenhum deles, por\u00e9m, ordenou a exclus\u00e3o da atenuante quando a confiss\u00e3o n\u00e3o for empregada na motiva\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, at\u00e9 porque esse tema n\u00e3o foi apreciado quando da forma\u00e7\u00e3o do enunciado sumular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o art. 65, III, &#8220;d&#8221;, do <a>CP<\/a> n\u00e3o exige, para sua incid\u00eancia, que a confiss\u00e3o do r\u00e9u tenha sido empregada na senten\u00e7a como uma das raz\u00f5es da condena\u00e7\u00e3o. Com efeito<strong>, o direito subjetivo \u00e0 atenua\u00e7\u00e3o da pena surge quando o r\u00e9u confessa (momento constitutivo), e n\u00e3o quando o juiz cita sua confiss\u00e3o na fundamenta\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a condenat\u00f3ria (momento meramente declarat\u00f3rio).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, viola o princ\u00edpio da legalidade condicionar a atenua\u00e7\u00e3o da pena \u00e0 cita\u00e7\u00e3o expressa da confiss\u00e3o na senten\u00e7a como raz\u00e3o decis\u00f3ria, mormente porque o direito subjetivo e preexistente do r\u00e9u n\u00e3o pode ficar dispon\u00edvel ao arb\u00edtrio do julgador. Afinal, se a lei condicionasse a atenua\u00e7\u00e3o da pena \u00e0 men\u00e7\u00e3o da confiss\u00e3o na senten\u00e7a condenat\u00f3ria, haveria um pressuposto adicional que mudaria o momento constitutivo do direito subjetivo do r\u00e9u. Da mesma forma, caso o art. 65, III, &#8220;d&#8221;, do CP impusesse \u00e0 confiss\u00e3o pressupostos adicionais, n\u00e3o previstos para as demais atenuantes, ou exigisse que a confiss\u00e3o produzisse certos efeitos pr\u00e1ticos sobre a investiga\u00e7\u00e3o criminal, n\u00e3o haveria que se falar em leg\u00edtima expectativa \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da pena por parte do acusado que n\u00e3o cumprisse todos os requisitos legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa restri\u00e7\u00e3o ofende tamb\u00e9m os princ\u00edpios da isonomia e da individualiza\u00e7\u00e3o da pena, por permitir que r\u00e9us em situa\u00e7\u00f5es processuais id\u00eanticas recebam respostas divergentes do Judici\u00e1rio, caso a senten\u00e7a condenat\u00f3ria de um deles elenque a confiss\u00e3o como um dos pilares da condena\u00e7\u00e3o e a outra n\u00e3o o fa\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio da colabora\u00e7\u00e3o e da dela\u00e7\u00e3o premiadas, a atenuante da confiss\u00e3o n\u00e3o se fundamenta nos efeitos ou facilidades que a admiss\u00e3o dos fatos pelo r\u00e9u eventualmente traga para a apura\u00e7\u00e3o do crime (dimens\u00e3o pr\u00e1tica), mas sim no senso de responsabilidade pessoal do acusado, que \u00e9 caracter\u00edstica de sua personalidade, na forma do art. 67 do CP (dimens\u00e3o ps\u00edquico-moral).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consequentemente, a exist\u00eancia de outras provas da culpabilidade do acusado, e mesmo eventual pris\u00e3o em flagrante, n\u00e3o autorizam o julgador a recusar a atenua\u00e7\u00e3o da pena, em especial porque a confiss\u00e3o, enquanto esp\u00e9cie&nbsp;<em>sui generis&nbsp;<\/em>de prova, corrobora objetivamente as demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sistema jur\u00eddico precisa proteger a confian\u00e7a depositada de boa-f\u00e9 pelo acusado na legisla\u00e7\u00e3o penal, tutelando sua expectativa leg\u00edtima e induzida pela pr\u00f3pria lei quanto \u00e0 atenua\u00e7\u00e3o da pena. A decis\u00e3o pela confiss\u00e3o, afinal, \u00e9 ponderada pelo r\u00e9u considerando o&nbsp;<em>trade-off<\/em>&nbsp;entre a diminui\u00e7\u00e3o de suas chances de absolvi\u00e7\u00e3o e a expectativa de redu\u00e7\u00e3o da reprimenda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 CONTRADIT\u00d3RIA e viola a boa-f\u00e9 objetiva a postura do Estado em garantir a atenua\u00e7\u00e3o da pena pela confiss\u00e3o, na via legislativa, a fim de estimular que acusados confessem; para depois desconsider\u00e1-la no processo judicial, valendo-se de requisitos n\u00e3o previstos em lei<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo isso, o r\u00e9u far\u00e1 jus \u00e0 atenuante do art. 65, III, &#8220;d&#8221;, do CP quando houver confessado a autoria do crime perante a autoridade, independentemente de a confiss\u00e3o ser utilizada pelo juiz como um dos fundamentos da senten\u00e7a condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O r\u00e9u far\u00e1 jus \u00e0 atenuante do art. 65, III, &#8216;d&#8217;, do CP quando houver admitido a autoria do crime perante a autoridade, independentemente de a confiss\u00e3o ser utilizada pelo juiz como um dos fundamentos da senten\u00e7a condenat\u00f3ria, e mesmo que seja ela parcial, qualificada, extrajudicial ou retratada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-admissibilidade-da-nulidade-de-algibeira-no-processo-penal\"><a>11.&nbsp; Admissibilidade da \u201cnulidade de algibeira\u201d no processo penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inadmiss\u00edvel a chamada &#8220;nulidade de algibeira&#8221; &#8211; aquela que, podendo ser sanada pela insurg\u00eancia imediata da defesa ap\u00f3s ci\u00eancia do v\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 alegada, como estrat\u00e9gia, numa perspectiva de melhor conveni\u00eancia futura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AgRg no HC 732.642-SP, Rel. Min. Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/05\/2022, DJe 30\/05\/2022. (Info 741)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creitinho fez uso de documento falso quando foi abordado por policiais. Levado para a delegacia, foram constatados o crime e a verdadeira identidade daquele, sendo que em seguida ainda foram realizadas apreens\u00f5es de drogas na casa do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em determinado momento processual, a defesa t\u00e9cnica compareceu ao ato de oitiva de testemunha, realizada sem a presen\u00e7a de Creitinho, e n\u00e3o alegou qualquer nulidade. Tampouco suscitou a suposta nulidade em fase anterior ao ajuizamento da revis\u00e3o criminal. No entanto, posteriormente, ingressou com Habeas Corpus alegando a nulidade na oitiva de testemunha de acusa\u00e7\u00e3o sem a presen\u00e7a do paciente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-admissivel-a-nulidade-de-algibeira\"><a>11.2.1. Admiss\u00edvel a \u201cnulidade de algibeira\u201d?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Obviamente que N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de discuss\u00e3o em que <a>a defesa t\u00e9cnica compareceu ao ato de oitiva de testemunha e n\u00e3o alegou nulidade. Tampouco suscitou a suposta nulidade em fase anterior ao ajuizamento da revis\u00e3o criminal<\/a>. Nesse contexto, conv\u00e9m expressar que o STJ &#8220;firmou j\u00e1 entendimento no sentido de que, tratando-se de nulidade relativa, a aus\u00eancia do r\u00e9u na audi\u00eancia de inquiri\u00e7\u00e3o de testemunhas, al\u00e9m de requisitar a demonstra\u00e7\u00e3o do efetivo preju\u00edzo, deve ser arg\u00fcida na primeira oportunidade, sob pena de preclus\u00e3o. Precedentes&#8221; (HC n. 28.127\/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, DJ de 06\/02\/2006, p. 325).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a jurisprud\u00eancia dos Tribunais Superiores n\u00e3o tolera a chamada &#8220;nulidade de algibeira&#8221; &#8211; aquela que, podendo ser sanada pela insurg\u00eancia imediata da defesa ap\u00f3s ci\u00eancia do v\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 alegada, como estrat\u00e9gia, numa perspectiva de melhor conveni\u00eancia futura. Observe-se <strong>que tal atitude n\u00e3o encontra resson\u00e2ncia no sistema jur\u00eddico vigente, pautado no princ\u00edpio da boa-f\u00e9 processual, que exige lealdade de todos os agentes processuais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-resultado-final\"><a>11.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 inadmiss\u00edvel a chamada &#8220;nulidade de algibeira&#8221; &#8211; aquela que, podendo ser sanada pela insurg\u00eancia imediata da defesa ap\u00f3s ci\u00eancia do v\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 alegada, como estrat\u00e9gia, numa perspectiva de melhor conveni\u00eancia futura.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-eb8e46c1-9a3c-42df-9784-5d140aeef7f5\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/05005113\/stj-741.pdf\">stj-741<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/07\/05005113\/stj-741.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-eb8e46c1-9a3c-42df-9784-5d140aeef7f5\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 741 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Requisitos para cobran\u00e7a do DPVAT no Judici\u00e1rio RECURSO ESPECIAL A les\u00e3o ou amea\u00e7a de les\u00e3o a direito aptas a ensejar a necessidade de manifesta\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria do Estado se caracterizam em [&hellip;]","og_url":"https:\/\/blog-estrategia.mystagingwebsite.com\/informativo-stj-741-comentado\/","og_site_name":"Estrat\u00e9gia Concursos","article_published_time":"2022-07-05T03:51:58+00:00","article_modified_time":"2022-07-05T03:52:00+00:00","author":"Jean Vilbert","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@EstratConcursos","twitter_site":"@EstratConcursos","twitter_misc":{"Escrito por":"Jean Vilbert","Est. tempo de leitura":"56 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