{"id":1044505,"date":"2022-06-14T00:20:00","date_gmt":"2022-06-14T03:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1044505"},"modified":"2022-06-14T00:20:06","modified_gmt":"2022-06-14T03:20:06","slug":"informativo-stj-738-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-738-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 738 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Informativo n\u00ba 738 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/06\/14001943\/stj-738.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_4ZFaK0EKQvQ\"><div id=\"lyte_4ZFaK0EKQvQ\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/4ZFaK0EKQvQ\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/4ZFaK0EKQvQ\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/4ZFaK0EKQvQ\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-limites-das-materias-discutidas-em-acao-de-desapropriacao-direta-em-relacao-a-area-diferente-da-verdadeiramente-expropriada-ainda-que-vizinha\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Limites das mat\u00e9rias discutidas em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o direta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 <\/a>\u00e1rea diferente da verdadeiramente expropriada, ainda que vizinha.<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 viola\u00e7\u00e3o aos limites das mat\u00e9rias que podem ser discutidas em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o direta quando se admite o debate &#8211; e at\u00e9 mesmo indeniza\u00e7\u00e3o &#8211; de \u00e1rea diferente da verdadeiramente expropriada, ainda que vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.577.047-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 10\/05\/2022, DJe 25\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o direta de uma propriedade de terras, houve a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de substancial valor a t\u00edtulo de indeniza\u00e7\u00e3o pelo seringal anexo, o qual, no entanto, n\u00e3o se encontra na \u00e1rea objeto da desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Bagual Energias El\u00e9tricas interp\u00f4s sucessivos recursos alegando a limita\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias que poderiam ser admitidas na a\u00e7\u00e3o de expropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto n. 3.365\/1941:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 15-A No caso de imiss\u00e3o pr\u00e9via na posse, na desapropria\u00e7\u00e3o por necessidade ou utilidade p\u00fablica e interesse social, inclusive para fins de reforma agr\u00e1ria, havendo diverg\u00eancia entre o pre\u00e7o ofertado em ju\u00edzo e o valor do bem, fixado na senten\u00e7a, expressos em termos reais, incidir\u00e3o juros compensat\u00f3rios de&nbsp;at\u00e9&nbsp;seis por cento ao ano sobre o valor da diferen\u00e7a eventualmente apurada, a contar da imiss\u00e3o na posse, vedado o c\u00e1lculo de juros compostos.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 20. A contesta\u00e7\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 versar sobre v\u00edcio do processo judicial ou impugna\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o; qualquer outra quest\u00e3o dever\u00e1 ser decidida por a\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 26. No valor da indeniza\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 contempor\u00e2neo da avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se incluir\u00e3o os direitos de terceiros contra o expropriado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Decorrido prazo superior a um ano a partir da avalia\u00e7\u00e3o, o Juiz ou Tribunal, antes da decis\u00e3o final, determinar\u00e1 a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria do valor apurado, conforme \u00edndice que ser\u00e1 fixado, trimestralmente, pela Secretaria de Planejamento da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;27.&nbsp;&nbsp;O juiz indicar\u00e1 na senten\u00e7a os fatos que motivaram o seu convencimento e dever\u00e1 atender, especialmente, \u00e0 estima\u00e7\u00e3o dos bens para efeitos fiscais; ao pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o e interesse que deles aufere o propriet\u00e1rio; \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o, estado de conserva\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a; ao valor venal dos da mesma esp\u00e9cie, nos \u00faltimos cinco anos, e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o ou deprecia\u00e7\u00e3o de \u00e1rea remanescente, pertencente ao r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-houve-violacao-aos-limites-das-materias\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Houve <\/a>viola\u00e7\u00e3o aos limites das mat\u00e9rias?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Registra-se, inicialmente, que a parte recorrente defendia que uma grande parcela da indeniza\u00e7\u00e3o fixada no ju\u00edzo&nbsp;<em>a quo<\/em>, a t\u00edtulo de &#8220;lucros cessantes&#8221;, correspondia na realidade \u00e0 \u00e1rea localizada para al\u00e9m das dos limites fixados na inicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendeu o \u00f3rg\u00e3o julgador de origem que a indeniza\u00e7\u00e3o deveria incluir a \u00e1rea de seringal diretamente afetada pela desapropria\u00e7\u00e3o, porque devidamente comprovado nos autos os lucros cessantes a ela correspondentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se admitir a discuss\u00e3o &#8211; e at\u00e9 mesmo indeniza\u00e7\u00e3o &#8211; de \u00e1rea diferente da que \u00e9 objeto de desapropria\u00e7\u00e3o, ainda que vizinha, houve viola\u00e7\u00e3o \u00e0 norma do art. 20 do <a>Decreto n. 3.365\/1941<\/a>, a qual reserva \u00e0s a\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias as discuss\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do im\u00f3vel expropriado.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, mostrava-se ainda mais <strong>necess\u00e1rio submeter \u00e0 sede AUT\u00d4NOMA a discuss\u00e3o sobre a \u00e1rea cont\u00edgua \u00e0 expropriada, pois o valor da indeniza\u00e7\u00e3o foi muito superior ao do pr\u00f3prio im\u00f3vel objeto da desapropria\u00e7\u00e3o<\/strong> (cerca de tr\u00eas vezes), e apresentava complexa discuss\u00e3o pr\u00f3pria sobre o c\u00e1lculo que deveria ser adotado para determina\u00e7\u00e3o dos lucros cessantes de explora\u00e7\u00e3o de seringueiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Registre-se que n\u00e3o tratou a decis\u00e3o recorrida de indenizar a deprecia\u00e7\u00e3o de \u00e1rea remanescente (art. 27 do Decreto n. 3.365\/1941), mas de produzir efeitos semelhantes ao de verdadeira desapropria\u00e7\u00e3o indireta, amplia\u00e7\u00e3o objetiva n\u00e3o admitida no caso, porque ultrapassa os limites da lide.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, deve ser decotado da condena\u00e7\u00e3o\/indeniza\u00e7\u00e3o o pagamento referente \u00e0 \u00e1rea de seringal, e, consequentemente, as demais discuss\u00f5es sobre a incid\u00eancia dos lucros cessantes e\/ou juros compensat\u00f3rios relativas \u00e0quela parte do im\u00f3vel restam prejudicadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, nos termos do art. 26, \u00a72\u00ba, do Decreto n. 3.365\/1941, o valor (par\u00e2metro) que dever\u00e1 ser atualizado no momento do pagamento da indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 o da \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel, a qual foi a que embasou a fixa\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;devido, e n\u00e3o o da avalia\u00e7\u00e3o preliminar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que o laudo mais recente, ao reavaliar o bem, j\u00e1 leva em conta o valor venal do im\u00f3vel no momento do estudo, n\u00e3o sendo l\u00eddimo que a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria retroaja a per\u00edodo anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os juros compensat\u00f3rios devam incidir sobre a terra nua (im\u00f3vel efetivamente expropriado), pela perda da posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, porque h\u00e1 previs\u00e3o expressa nesse sentido (art. 15-A do Decreto n. 3.365\/1941). Segundo, porque uma vez suprimida a indeniza\u00e7\u00e3o pela \u00e1rea do seringal (adjacente), n\u00e3o cabe mais qualquer discuss\u00e3o sobre a incid\u00eancia ou n\u00e3o dos juros compensat\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea efetivamente expropriada, pois jamais conflitaria com &#8220;lucro cessante&#8221;, o qual foi reservado, no caso, \u00e0 \u00e1rea exclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>H\u00e1 viola\u00e7\u00e3o aos limites das mat\u00e9rias que podem ser discutidas em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o direta quando se admite o debate &#8211; e at\u00e9 mesmo indeniza\u00e7\u00e3o &#8211; de \u00e1rea diferente da verdadeiramente expropriada, ainda que vizinha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-efeitos-da-reclassificacao-do-candidato-para-dentro-do-numero-de-vagas-oferecidas-no-edital-de-abertura-de-concurso-publico-operada-em-razao-de-ato-praticado-pela-administracao-publica\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Efeitos da reclassifica\u00e7\u00e3o do candidato para dentro do n\u00famero de vagas oferecidas no edital de abertura de concurso p\u00fablico, operada em raz\u00e3o de ato praticado pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>reclassifica\u00e7\u00e3o do candidato para dentro do n\u00famero de vagas oferecidas no edital de abertura de concurso p\u00fablico, operada em raz\u00e3o de ato praticado pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/a>, confere-lhe o direito p\u00fablico subjetivo ao provimento no cargo p\u00fablico, ainda que durante a vig\u00eancia do ato n\u00e3o tenha sido providenciada a sua nomea\u00e7\u00e3o e que, em seguida, o ato de que derivada a reclassifica\u00e7\u00e3o tenha sido posteriormente anulado.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 62.093-TO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 24\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Jeremias participou de concurso para o provimento de diversos cargos do quadro funcional do Estado do Tocantins, tendo aderido \u00e0 concorr\u00eancia para o cargo de &#8220;operador de navega\u00e7\u00e3o fluvial&#8221;, com a oferta de uma \u00fanica vaga com lota\u00e7\u00e3o no Munic\u00edpio de Novo Acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que se classificou na segunda coloca\u00e7\u00e3o, estaria em posi\u00e7\u00e3o de elimina\u00e7\u00e3o a teor do item do edital do concurso que previa a desclassifica\u00e7\u00e3o dos candidatos classificados fora do n\u00famero de vagas. O classificado em primeiro lugar foi convocado, mas n\u00e3o tomou posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a previs\u00e3o em quest\u00e3o foi revogada e publicada uma nova lista de aprovados, contemplando-se todos aqueles que antes eram considerados eliminados. Jeremias, muito contente, ficou no aguardo de uma convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a administra\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o entendeu por bem publicar um novo edital que anulou o referido anteriormente a fim de novamente restringir o n\u00famero de candidatos considerados aprovados e classificados. Inconformado, Jeremias impetrou mandado de seguran\u00e7a contra o ato.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-ha-direito-subjetivo-a-nomeacao\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; H\u00e1 direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A s\u00edntese da demanda diz que o ora recorrente participou de concurso para o provimento de diversos cargos do quadro funcional estadual, tendo aderido \u00e0 concorr\u00eancia para o cargo com a oferta de uma \u00fanica vaga em determinada lota\u00e7\u00e3o. Uma vez que se classificou na segunda coloca\u00e7\u00e3o, estaria em posi\u00e7\u00e3o de elimina\u00e7\u00e3o a teor de previs\u00e3o edital\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorreu, contudo, de o referido regramento ter sido revogado e houve nova publica\u00e7\u00e3o da lista de aprovados, contemplando-se todos aqueles que antes eram considerados eliminados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, as idas e vindas do certame ensejaram um novo edital que anulou o referido anteriormente a fim de novamente restringir o n\u00famero de candidatos considerados aprovados e classificados, mas salvaguardou o direito adquirido dos servidores nomeados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os contornos da controv\u00e9rsia deixam evidente, que um pouco antes da revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira o candidato classificado em primeiro lugar, portanto detentor exclusivo do direito \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o no cargo referido, havia perdido o direito de posse ante a decad\u00eancia do direito de posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, a pretens\u00e3o de ser nomeado no referido cargo decorre dessa situa\u00e7\u00e3o, qual seja, quando o primeiro lugar perdeu o direito \u00e0 posse o ora recorrente estava eliminado, no entanto revigorando a sua condi\u00e7\u00e3o de aprovado quinze dias depois, quando passou, a verdade, a n\u00e3o ser apenas aprovado como a ter o direito pr\u00f3prio \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o, na forma do precedente firmado no Supremo Tribunal Federal com o julgamento do RE 598.099\/MS, rel. Ministro Gilmar Mendes, e do item do edital, que dispunha sobre o direito na hip\u00f3tese da desist\u00eancia de concorrentes mais bem classificados.<\/p>\n\n\n\n<p>A pretens\u00e3o mandamental, portanto, funda-se nessa causa de pedir e no fato de que o direito dos beneficiados pela revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira foi salvaguardado, o que deveria lhe incluir, mas a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica local furta-se ao cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 for\u00e7oso ponderar que a revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira, perdurou por quase cinco meses, quando, ent\u00e3o, diversas reclassifica\u00e7\u00f5es e nomea\u00e7\u00f5es ocorreram, tanto assim que o ato de anula\u00e7\u00e3o da revoga\u00e7\u00e3o salvaguardou o direito daqueles servidores nomeados em raz\u00e3o da desconsidera\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, ent\u00e3o, \u00e9 que parece necess\u00e1rio asseverar que negar o direito do recorrente parece trat\u00e1-lo de forma desigual e ilegal: nesses 138 (cento e trinta e oito) dias em que a revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira vigorou, a Administra\u00e7\u00e3o reconhece ter promovido a nomea\u00e7\u00e3o de candidatos beneficiados com o ato, tanto assim que o ato anulat\u00f3rio procurou proteger o direito deles, isto \u00e9, a nomea\u00e7\u00e3o deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece, contudo<strong>, que deixar de nomear o recorrente, apesar de ter o direito, mas nomear outros, tamb\u00e9m com base em direito semelhante, cumpriu mais um papel de promover uma seletividade do Administrador P\u00fablico do que propriamente atender alguma necessidade especial,<\/strong> da\u00ed advindo um tratamento desigual para situa\u00e7\u00f5es que eram, em tese, absolutamente iguais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por uma quest\u00e3o de ISONOMIA, portanto, o recorrente havia de ter sido igualmente nomeado, mas infelizmente n\u00e3o caiu nas gra\u00e7as do Administrador, apesar de ter tanto direito quanto qualquer outro concorrente igualmente beneficiado pela revoga\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula de barreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, <strong>a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o pode se beneficiar de sua pr\u00f3pria conduta omissiva ilegal de ter nomeado apenas alguns, se furtado \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de outros, no caso o recorrente, e em seguida a isso ter anulado o ato revocat\u00f3rio para que n\u00e3o pudesse mais surtir efeitos<\/strong> nem, pois, beneficiar outros candidatos para al\u00e9m daqueles que ela mesma beneficiara antes, com a nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-resultado-final\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A reclassifica\u00e7\u00e3o do candidato para dentro do n\u00famero de vagas oferecidas no edital de abertura de concurso p\u00fablico, operada em raz\u00e3o de ato praticado pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, confere-lhe o direito p\u00fablico subjetivo ao provimento no cargo p\u00fablico, ainda que durante a vig\u00eancia do ato n\u00e3o tenha sido providenciada a sua nomea\u00e7\u00e3o e que, em seguida, o ato de que derivada a reclassifica\u00e7\u00e3o tenha sido posteriormente anulado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-previdencia-privada-e-promessa-de-valor-da-prestacao-previdenciaria\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Previd\u00eancia privada e promessa de valor da presta\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A promessa, reiterada periodicamente, acerca do valor da presta\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria deve ser honrada perante o consumidor que n\u00e3o foi comprovada e oportunamente avisado do alegado erro de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.966.034-MG, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Rel. Acd. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por maioria, julgado em 24\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo contratou plano de previd\u00eancia privada em janeiro de 1995, com previs\u00e3o de pec\u00falio de R$ 20 mil. As contribui\u00e7\u00f5es mensais foram adimplidas at\u00e9 a morte do contratante, ocorrida em 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a mensalidade foi aumentando ao longo dos meses, bem como o valor do pec\u00falio, que teria quintuplicado durante o per\u00edodo, informa\u00e7\u00e3o esta que vinha nos boletos a serem pagos pelo contratante. Por\u00e9m, ap\u00f3s o \u00f3bito de Creosvaldo, sua sobrinha Berenice recebeu apenas o valor de R$ 20 mil. Inconformada, Berenice ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a contra a empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, a entidade de previd\u00eancia sustentou que o valor informado estava equivocado, conforme foi apurado e corrigido ap\u00f3s processo administrativo conduzido pela Superintend\u00eancia de Seguros Privados (Susep) \u2014 a autarquia brasileira respons\u00e1vel por fiscalizar o mercado de previd\u00eancia complementar aberta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 109\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 36. As entidades abertas s\u00e3o constitu\u00eddas unicamente sob a forma de sociedades an\u00f4nimas e t\u00eam por objetivo instituir e operar planos de benef\u00edcios de car\u00e1ter previdenci\u00e1rio concedidos em forma de renda continuada ou pagamento \u00fanico, acess\u00edveis a quaisquer pessoas f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As sociedades seguradoras autorizadas a operar exclusivamente no ramo vida poder\u00e3o ser autorizadas a operar os planos de benef\u00edcios a que se refere o caput, a elas se aplicando as disposi\u00e7\u00f5es desta Lei Complementar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00famula 563\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0s entidades abertas de previd\u00eancia complementar, n\u00e3o incidindo nos contratos previdenci\u00e1rios celebrados com entidades fechadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-promessa-feita\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Promessa feita?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Promessa cumprida!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o contratante do plano de previd\u00eancia e pec\u00falio&nbsp;<em>sub judice<\/em>, contratou o plano em 18\/1\/1995, tendo arcado com o pagamento mensal das contribui\u00e7\u00f5es at\u00e9 o seu falecimento em 28\/10\/2014. Durante esses quase 20 anos, a institui\u00e7\u00e3o informou-lhe periodicamente o valor do benef\u00edcio devido, bem como reajustou anualmente o valor das contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incontroverso, que o plano eleito pelas partes oferecia inicialmente um benef\u00edcio de pec\u00falio de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) e, para tanto, o contratante assumia o pagamento de R$ 140,00 (cento e quarenta reais) mensais. Transcorridos os quase vinte anos da ades\u00e3o, o contratante j\u00e1 aportava, em raz\u00e3o das corre\u00e7\u00f5es anuais, a contribui\u00e7\u00e3o mensal de R$ 815,23 (oitocentos e quinze reais e vinte e tr\u00eas centavos), esperando que o benef\u00edcio correspondente fosse aquele informado periodicamente nos boletos enviados pela institui\u00e7\u00e3o, cujo o \u00faltimo valor informado fora de R$ 116.461,46 (cento e dezesseis mil, quatrocentos e sessenta e um reais e quarenta e seis centavos).<\/p>\n\n\n\n<p>De in\u00edcio, destaca-se que os planos de previd\u00eancia administrados por entidade aberta devem ser constitu\u00eddos sob a forma de sociedade an\u00f4nimas, dotadas, por natureza, de finalidade empresarial e, portanto, lucrativa, nos termos disciplinados no art. 36 da <a>Lei Complementar n. 109\/2001<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que autorizadas e fiscalizadas pela Superintend\u00eancia de Seguros Privados &#8211; Susep, vinculada ao Minist\u00e9rio da Fazenda, e submetidas \u00e0 regula\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Seguros Privados &#8211; CNSP, as opera\u00e7\u00f5es dessas entidades s\u00e3o realizadas em regime de mercado. Captam poupan\u00e7a popular, por\u00e9m n\u00e3o se limitam exclusivamente ao intuito protetivo-previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 <strong>justamente por operar em regime de mercado que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem entendimento reiterado e consolidado no sentido de que se aplicam \u00e0s entidades abertas de previd\u00eancia privada o sistema consumerista<\/strong>, conforme restou materializado na <a>S\u00famula 563\/STJ: &#8220;O C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0s entidades abertas de previd\u00eancia complementar, n\u00e3o incidindo nos contratos previdenci\u00e1rios celebrados com entidades fechadas&#8221;.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se de sociedade an\u00f4nima que fornece em regime de mercado seus planos de previd\u00eancia, espera-se ser de seu inteiro conhecimento e dom\u00ednio todas as regras legais e regulamentares aplic\u00e1veis a si e a seus produtos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, cabe aos consumidores, a partir das informa\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o prestadas pelo fornecedor, tomar a decis\u00e3o acerca da ader\u00eancia ao contrato do plano ofertado, atentando para as caracter\u00edsticas que melhor satisfa\u00e7am suas necessidades e interesses.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito do sistema consumerista, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que as informa\u00e7\u00f5es prestadas sobre o produto consumido vinculam e obrigam o fornecedor, dando ensejo ao cumprimento for\u00e7ado, conforme previs\u00e3o expressa do art. 35, I, do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo uma tend\u00eancia de objetiva\u00e7\u00e3o da responsabilidade, a doutrina ensina que o legislador consumerista n\u00e3o deu espa\u00e7o para se perquirir culpa ou o dolo do fornecedor. Ao assumir essa posi\u00e7\u00e3o no mercado, o m\u00ednimo que se pode esperar \u00e9 que o fornecedor tenha ampla familiaridade com o produto ou servi\u00e7o que oferta, assim como com seu modo de opera\u00e7\u00e3o e com as poss\u00edveis falhas normais. Destarte, eventual erro de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, a priori, escus\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es \u00e0 vincula\u00e7\u00e3o nas hip\u00f3teses de erro justamente como forma de preserva\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9 objetiva dos contratantes, princ\u00edpio que certamente transita nos dois sentidos, protegendo consumidor e fornecedor da pr\u00e1tica de condutas desleais ou desonestas. Para afastar a boa-f\u00e9 objetiva, entretanto, deve o erro ser evidente, manifesto e facilmente percept\u00edvel ao homem m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso concreto, o que se verifica \u00e9 que, a prop\u00f3sito de desincumbir-se de seu dever de informar, a recorrente fornecia periodicamente as informa\u00e7\u00f5es relativas ao benef\u00edcio contratado. Todavia, no momento do adimplemento de sua obriga\u00e7\u00e3o e da efetiva entrega do &#8220;produto&#8221; ofertado, constatou-se o equ\u00edvoco da informa\u00e7\u00e3o reiteradamente prestada ao longo de quase duas d\u00e9cadas. Sob a justificativa de que o valor informado n\u00e3o atenderia ao equil\u00edbrio atuarial, frustrou-se objetivamente a leg\u00edtima expectativa nutrida no consumidor e na benefici\u00e1ria por ele indicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Nota-se que o valor indicado a t\u00edtulo de benef\u00edcio de pec\u00falio n\u00e3o se mostra desproporcional frente aos valores de contribui\u00e7\u00e3o recolhidos mensalmente pelo consumidor. Ao contr\u00e1rio, desarrazoado \u00e9 se supor que o consumidor manteria contribui\u00e7\u00f5es mensais de mais de R$ 800,00 (oitocentos reais) para obter um benef\u00edcio de apenas R$ 20.689,54 (vinte mil, seiscentos e oitenta e nove reais e cinquenta e quatro centavos). Ora, em apenas 2 anos de poupan\u00e7a, nos mesmos valores de contribui\u00e7\u00e3o, o consumidor praticamente alcan\u00e7aria a cifra efetivamente paga a t\u00edtulo de pec\u00falio, desconsideradas quaisquer taxas de juros ou corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria dos valores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se est\u00e1, com isso, a negar o car\u00e1ter aleat\u00f3rio do presente contrato, formado para viger por prazo indeterminado, prolongando-se indefinidamente no tempo, e do qual pode resultar o pagamento do benef\u00edcio superior ao montante aportado, do ponto de vista individual, ou, em contraposi\u00e7\u00e3o, pode resultar em valor consideravelmente inferior ao total dos aportes realizados ao longo de anos. Entretanto, tamb\u00e9m \u00e9 da natureza do contrato de trato sucessivo a possibilidade de sua rescis\u00e3o unilateral a qualquer tempo pelo contratante, de forma que a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio passa pelo crivo do consumidor diversas vezes ao longo de sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se houve falha no c\u00e1lculo atuarial, como apurado pelas provas produzidas nas inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, n\u00e3o foi ela provocada pelo consumidor, mas exclusivamente pela atua\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria recorrente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, conclui-se que o \u00f4nus do desatendimento das normas a que a recorrente se submete pelo desempenho da atividade previdenci\u00e1ria complementar n\u00e3o pode ser simplesmente transferido para a esfera patrimonial do consumidor ou da benefici\u00e1ria, devendo a promessa, reiterada periodicamente, ser honrada perante o consumidor que n\u00e3o foi comprovada e oportunamente avisado do alegado erro de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A promessa, reiterada periodicamente, acerca do valor da presta\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria deve ser honrada perante o consumidor que n\u00e3o foi comprovada e oportunamente avisado do alegado erro de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-cabimento-do-pedido-de-uniformizacao-de-interpretacao-de-lei-federal-puil-em-questoes-de-direito-processual\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento do Pedido de Uniformiza\u00e7\u00e3o de Interpreta\u00e7\u00e3o de Lei Federal &#8211; PUIL em quest\u00f5es de direito processual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO PEDIDO DE UNIFORMIZA\u00c7\u00c3O DA INTERPRETA\u00c7\u00c3O DE LEI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe <a>Pedido de Uniformiza\u00e7\u00e3o de Interpreta\u00e7\u00e3o de Lei Federal &#8211; PUIL em quest\u00f5es de direito processual<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no PUIL 1.192-DF, Rel. Min. Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF5), Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em um julgamento de incidente, a Turma Nacional de Uniformiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o conheceu do pedido por raz\u00f5es exclusivamente processuais, nomeadamente a aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia dominante no STJ (primeiro ponto) e aus\u00eancia de similitude factual entre os arestos recorrido e paradigm\u00e1tico (segundo ponto).<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o disso, Tadeu realizou Pedido de Uniformiza\u00e7\u00e3o de Interpreta\u00e7\u00e3o de Lei Federal \u2013 PUIL.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 10.259\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 14. Caber\u00e1 pedido de uniformiza\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o de lei federal quando houver diverg\u00eancia entre decis\u00f5es sobre quest\u00f5es de direito material proferidas por Turmas Recursais na interpreta\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4<sup>o<\/sup>&nbsp;Quando a orienta\u00e7\u00e3o acolhida pela Turma de Uniformiza\u00e7\u00e3o, em quest\u00f5es de direito material, contrariar s\u00famula ou jurisprud\u00eancia dominante no Superior Tribunal de Justi\u00e7a -STJ, a parte interessada poder\u00e1 provocar a manifesta\u00e7\u00e3o deste, que dirimir\u00e1 a diverg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-cabivel-o-puil-em-razao-de-questoes-processuais\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cab\u00edvel o PUIL em raz\u00e3o de quest\u00f5es processuais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopss!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ tem a diretriz de que, de acordo com o disposto no art. 14, \u00a7 4\u00ba, da <a>Lei n. 10.259\/2001<\/a>, caber\u00e1 pedido de uniformiza\u00e7\u00e3o de interpreta\u00e7\u00e3o de lei federal, dirigido ao STJ, quando a orienta\u00e7\u00e3o acolhida pela Turma Nacional, em quest\u00f5es de direito material, contrariar s\u00famula ou jurisprud\u00eancia dominante do Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Hip\u00f3tese em que o pedido de uniformiza\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia <strong>n\u00e3o foi conhecido pela TNU por fundamento de natureza processual.<\/strong> Incid\u00eancia das S\u00famulas 10, 35, 42, todas da TNU (AgInt no PUIL 1.744\/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe 24.11.2020).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 falta de an\u00e1lise de tema de direito material, consoante determina a Lei n. 10.259\/2001, o pedido de uniformiza\u00e7\u00e3o dirigido ao STJ n\u00e3o deve ser conhecido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe Pedido de Uniformiza\u00e7\u00e3o de Interpreta\u00e7\u00e3o de Lei Federal &#8211; PUIL em quest\u00f5es de direito processual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-cabimento-da-condenacao-em-honorarios-advocaticios-na-acao-civil-publica\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento da <\/a>condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios na A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos dos arts. 18 da Lei n. 7.347\/1985 e 87 do CDC, n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios na A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, salvo em caso de comprovada m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>AR 4.684-SP, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 11\/05\/2022, DJe 19\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A ANADEC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria contra FINAMA Cons\u00f3rcios Ltda visando \u00e0 rescis\u00e3o de decis\u00e3o pela qual o Ministro Relator, em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica determinara a invers\u00e3o do \u00f4nus de sucumb\u00eancia sem manifesta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 ocorr\u00eancia de m\u00e1-f\u00e9 por parte da associa\u00e7\u00e3o autora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica \u2013 LACP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 17. Em caso de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a associa\u00e7\u00e3o autora e os diretores respons\u00e1veis pela propositura da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o solidariamente condenados em honor\u00e1rios advocat\u00edcios e ao d\u00e9cuplo das custas, sem preju\u00edzo da responsabilidade por perdas e danos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 18. Nas a\u00e7\u00f5es de que trata esta lei, n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogado, custas e despesas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 87. Nas a\u00e7\u00f5es coletivas de que trata este c\u00f3digo n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogados, custas e despesas processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Em caso de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a associa\u00e7\u00e3o autora e os diretores respons\u00e1veis pela propositura da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o solidariamente condenados em honor\u00e1rios advocat\u00edcios e ao d\u00e9cuplo das custas, sem preju\u00edzo da responsabilidade por perdas e danos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-cabe-a-condenacao-ao-pagamento-de-honorarios-advocaticios\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops, salvo comprovada m\u00e1 f\u00e9!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 17 da <a>Lei da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica &#8211; LACP <\/a>disp\u00f5e que &#8220;em caso de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a associa\u00e7\u00e3o autora e os diretores respons\u00e1veis pela propositura da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o solidariamente condenados em honor\u00e1rios advocat\u00edcios e ao d\u00e9cuplo das custas, sem preju\u00edzo da responsabilidade por perdas e danos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo sentido, o art. 18 da LACP determina que &#8220;[n]as a\u00e7\u00f5es de que trata esta lei, n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogado, custas e despesas processuais&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu turno, o art. 87 do <a>CDC<\/a> disp\u00f5e: &#8220;<strong>Nas a\u00e7\u00f5es coletivas de que trata este c\u00f3digo n\u00e3o haver\u00e1 adiantamento de custas, emolumentos, honor\u00e1rios periciais e quaisquer outras despesas, nem condena\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o autora, salvo comprovada m\u00e1-f\u00e9, em honor\u00e1rios de advogados<\/strong>, custas e despesas processuais. Par\u00e1grafo \u00fanico. Em caso de litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a associa\u00e7\u00e3o autora e os diretores respons\u00e1veis pela propositura da a\u00e7\u00e3o ser\u00e3o solidariamente condenados em honor\u00e1rios advocat\u00edcios e ao d\u00e9cuplo das custas, sem preju\u00edzo da responsabilidade por perdas e danos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No ponto, cumpre observar que &#8220;[a] jurisprud\u00eancia dominante nesta Corte orienta-se no sentido de que, nos termos do art. 18 da Lei n. 7.347\/1985, n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios na A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, salvo em caso de comprovada m\u00e1-f\u00e9. Referido entendimento deve ser aplicado tanto para o autor &#8211; Minist\u00e9rio P\u00fablico, entes p\u00fablicos e demais legitimados para a propositura da A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica -, quanto para o r\u00e9u, em obedi\u00eancia ao princ\u00edpio da simetria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, o STJ, na decis\u00e3o rescindenda, <a>determinou a invers\u00e3o do \u00f4nus de sucumb\u00eancia sem qualquer manifesta\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 ocorr\u00eancia de m\u00e1-f\u00e9 por parte da associa\u00e7\u00e3o autora<\/a>, violando, assim, literalmente, o disposto nos arts. 18 da LACP e 87 do CDC.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos termos dos arts. 18 da Lei n. 7.347\/1985 e 87 do CDC, n\u00e3o h\u00e1 condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios advocat\u00edcios na A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica, salvo em caso de comprovada m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-julgamento-parcial-e-condenacao-em-honorarios\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Julgamento parcial e condena\u00e7\u00e3o em honor\u00e1rios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nas hip\u00f3teses de julgamento parcial, como ocorre na decis\u00e3o que exclui um dos litisconsortes passivos sem por fim a demanda, os honor\u00e1rios devem observar proporcionalmente a mat\u00e9ria efetivamente apreciada, podendo ser inferior a 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.760.538-RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/05\/2022, DJe 26\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide ajuizou a\u00e7\u00e3o monit\u00f3ria em face de Polly Pl\u00e1sticos Ltda e Creiton. Ap\u00f3s apreciar os embargos monit\u00f3rios, a senten\u00e7a rejeitou os embargos e determinou o prosseguimento do feito como cumprimento de senten\u00e7a e condenou Polly ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios no percentual de 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o Tribunal local, em julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o com efeitos infringentes, decidiu extinguir parcialmente o feito em rela\u00e7\u00e3o a Polly, para modificar a sucumb\u00eancia em detrimento da autora com o pagamento de metade das custas processuais e da verba honor\u00e1ria estabelecida na senten\u00e7a em favor da embargante exclu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Polly interp\u00f4s recurso especial no qual alega que, segundo o art. 85, \u00a7 2\u00ba, do NCPC, faria jus a honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais de no m\u00ednimo 10% sobre o valor da causa, sendo incab\u00edvel sua fixa\u00e7\u00e3o em apenas 5% daquele montante.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Os honor\u00e1rios ser\u00e3o fixados entre o m\u00ednimo de dez e o m\u00e1ximo de vinte por cento sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o, do proveito econ\u00f4mico obtido ou, n\u00e3o sendo poss\u00edvel mensur\u00e1-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; o grau de zelo do profissional;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; o lugar de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; a natureza e a import\u00e2ncia da causa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-a-condenacao-deve-ser-proporcional-a-materia-julgada\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A condena\u00e7\u00e3o deve ser proporcional \u00e0 mat\u00e9ria julgada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se, no caso, como devem ser fixados os honor\u00e1rios sucumbenciais nas hip\u00f3teses de exclus\u00e3o de litisconsortes, tendo em vista os limites m\u00ednimo e m\u00e1ximo fixados no art. 85, \u00a7 2\u00ba, do <a>C\u00f3digo de Processo Civil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O legislador quis conferir maior objetividade \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais, determinando que eles devem ser arbitrados entre 10% e 20% sobre o valor da condena\u00e7\u00e3o ou, subsidiariamente, sobre o proveito econ\u00f4mico obtido ou, se imensur\u00e1vel, sobre o valor atualizado da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta que se coloca \u00e9 se, nas hip\u00f3teses de exclus\u00e3o de litisconsortes passivos, ser\u00e3o devidos sempre e em qualquer caso, honor\u00e1rios m\u00ednimos de 10% ou se, ao contr\u00e1rio, referida verba pode, excepcionalmente, ser fixada em menor percentual.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, se a cada decis\u00e3o de extin\u00e7\u00e3o parcial sem julgamento de m\u00e9rito, os honor\u00e1rios fossem fixados no m\u00ednimo em 10% sobre o valor da causa, ao final do processo, a verba honor\u00e1ria total seria equivalente a no m\u00ednimo 30% sobre o valor da causa, o que claramente violaria o art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda com base nessa mesma situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica poder-se-ia cogitar que, se o pedido fosse julgado procedente em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas r\u00e9us, o autor da demanda teria assegurado, em proveito do seu patrono, apenas 10% sobre o valor da causa. N\u00e3o parece ison\u00f4mico, portanto, admitir que algu\u00e9m, desejando iniciar uma demanda, possa ser obrigado a pagar 30% de honor\u00e1rios advocat\u00edcios em caso de insucesso (com exclus\u00f5es sucessivas de dois r\u00e9us e posterior julgamento de improced\u00eancia do pedido), mas receber apenas 10% na hip\u00f3tese de \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem por isso, o Enunciado n. 5 da I Jornada de Direito Processual Civil, realizada pelo CJF entre 24 e 25 de agosto de 2017, estabeleceu: <strong>Ao proferir decis\u00e3o parcial de m\u00e9rito ou decis\u00e3o parcial fundada no art. 485 do CPC, condenar-se-\u00e1 proporcionalmente o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor, nos termos do art. 85 do CPC<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No STJ tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel localizar julgados asseverando que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios sucumbenciais, nos casos de decis\u00f5es parciais de m\u00e9rito, devem observar a parcela da pretens\u00e3o decidida antecipadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, admitindo-se que a legitimidade das pessoas indicadas no polo passivo da demanda constitui (parte da) mat\u00e9ria a ser examinada pelo julgador, tem-se que admitir tamb\u00e9m, por coer\u00eancia, que os honor\u00e1rios a serem fixados na decis\u00e3o parcial que aprecia a legitimidade deve ser proporcional ao tema efetivamente decidido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, <strong>o art. 85, \u00a7 2\u00ba, do CPC, ao fixar honor\u00e1rios advocat\u00edcios m\u00ednimos de 10% sobre o valor da causa, teve em vista as decis\u00f5es judiciais que apreciassem a causa por completo. <\/strong>Decis\u00f5es que, com ou sem julgamento de m\u00e9rito, abrangessem a totalidade das quest\u00f5es submetidas a ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Nas hip\u00f3teses de julgamento parcial, como ocorre na decis\u00e3o que exclui um dos litisconsortes passivos sem por fim a demanda, os honor\u00e1rios devem observar proporcionalmente a mat\u00e9ria efetivamente apreciada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-contagem-de-prazo-e-suspensao-por-ato-administrativo-editado-pela-presidencia-do-tribunal-local\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contagem de prazo e suspens\u00e3o por ato administrativo editado pela presid\u00eancia do Tribunal local<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na contagem realizada conforme o disposto no art. 219 do CPC\/2015, n\u00e3o se deve computar o dia em que, por for\u00e7a de <a>ato administrativo editado pela presid\u00eancia do Tribunal local<\/a>, os prazos processuais estavam suspensos. A c\u00f3pia de p\u00e1gina do Di\u00e1rio de Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico, editado na forma do disposto no art. 4\u00ba, da Lei n. 11.419\/2006, \u00e9 documento id\u00f4neo para comprovar a tempestividade recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no AREsp 1.788.341-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Rel. Acd. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por maioria, julgado em 03\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson n\u00e3o teve seu recurso conhecido em raz\u00e3o da intempestividade. Inconformado, interp\u00f4s agravo no qual sustenta ter ocorrido a suspens\u00e3o dos prazos no Tribunal local em raz\u00e3o de ato administrativo editado pela presid\u00eancia do Tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, juntou ao recurso a c\u00f3pia de p\u00e1gina do Di\u00e1rio de Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico na qual constava o ato em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-\u00e3o somente os dias \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.003. O prazo para interposi\u00e7\u00e3o de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia P\u00fablica, a Defensoria P\u00fablica ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00e3o intimados da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 6\u00ba O recorrente comprovar\u00e1 a ocorr\u00eancia de feriado local no ato de interposi\u00e7\u00e3o do recurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei Federal n. 11.419\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00ba Os tribunais poder\u00e3o criar Di\u00e1rio da Justi\u00e7a eletr\u00f4nico, disponibilizado em s\u00edtio da rede mundial de computadores, para publica\u00e7\u00e3o de atos judiciais e administrativos pr\u00f3prios e dos \u00f3rg\u00e3os a eles subordinados, bem como comunica\u00e7\u00f5es em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba A publica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e publica\u00e7\u00e3o oficial, para quaisquer efeitos legais, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos casos que, por lei, exigem intima\u00e7\u00e3o ou vista pessoal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-tudo-certo-arnaldo\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo com o conhecimento do recurso!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a previs\u00e3o do art. 219 do <a>CPC\/2015<\/a>, &#8220;na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-\u00e3o somente os dias \u00fateis&#8221;. Nesses termos, n\u00e3o deve ser computado o dia no qual, por for\u00e7a de ato administrativo editado pela presid\u00eancia do Tribunal em que tramita o processo, foram suspensos os prazos judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que o Tribunal destinat\u00e1rio possa aferir a tempestividade do recurso, \u00e9 dever do recorrente comprovar, no ato da interposi\u00e7\u00e3o, a ocorr\u00eancia de feriado local ou da suspens\u00e3o dos prazos processuais, conforme determina o art. 1.003, \u00a7 6\u00ba, do CPC\/2015, na linha do entendimento firmado pela Corte Especial do STJ (AgInt no AREsp n. 957.821\/MS, relatora p\/ o ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, DJe de 19\/12\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, anexou-se c\u00f3pia de p\u00e1gina do Di\u00e1rio da Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico do Tribunal de Justi\u00e7a estadual, constando de seu rodap\u00e9 tratar-se de &#8220;Publica\u00e7\u00e3o Oficial do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado&#8221;, na forma prevista pelo art. 4\u00ba da <a>Lei Federal n. 11.419\/2006<\/a>, cuja reda\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: &#8220;Art. 4\u00ba Os tribunais poder\u00e3o criar Di\u00e1rio da Justi\u00e7a eletr\u00f4nico, disponibilizado em s\u00edtio da rede mundial de computadores, para publica\u00e7\u00e3o de atos judiciais e administrativos pr\u00f3prios e dos \u00f3rg\u00e3os a eles subordinados, bem como comunica\u00e7\u00f5es em geral.&#8221; [&#8230;] &#8220;\u00a7 2\u00ba A publica\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e publica\u00e7\u00e3o oficial, para quaisquer efeitos legais, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o dos casos que, por lei, exigem intima\u00e7\u00e3o ou vista pessoal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tem-se, portanto, que a parte juntou documento oficial, no qual consta a publica\u00e7\u00e3o do &#8220;Ato Executivo TJ n. 167\/2019&#8221;, que disp\u00f5e sobre a suspens\u00e3o dos atos processuais de processos eletr\u00f4nicos em primeiro e segundo graus de jurisdi\u00e7\u00e3o<\/strong> no dia 14 de agosto de 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>O ac\u00f3rd\u00e3o recorrido foi publicado no dia 02\/08\/2019 (sexta-feira), iniciando-se o prazo para a interposi\u00e7\u00e3o do especial no dia 05\/08\/2019 (segunda-feira). Por for\u00e7a do disposto no art. 219 do CPC\/2015, na contagem do prazo s\u00e3o computados apenas os dias \u00fateis, de sorte que o recurso, interposto em 26\/08\/2019, \u00e9 tempestivo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Na contagem realizada conforme o disposto no art. 219 do CPC\/2015, n\u00e3o se deve computar o dia em que, por for\u00e7a de ato administrativo editado pela presid\u00eancia do Tribunal local, os prazos processuais estavam suspensos. A c\u00f3pia de p\u00e1gina do Di\u00e1rio de Justi\u00e7a Eletr\u00f4nico, editado na forma do disposto no art. 4\u00ba, da Lei n. 11.419\/2006, \u00e9 documento id\u00f4neo para comprovar a tempestividade recursal.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-responsabilidade-civil-decorrente-de-extravio-de-mercadoria-importada-objeto-de-contrato-de-transporte-celebrado-entre-a-importadora-e-a-companhia-aerea\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Responsabilidade civil decorrente de extravio de mercadoria importada objeto de contrato de transporte celebrado entre a importadora e a companhia a\u00e9rea<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A r<a>esponsabilidade civil decorrente de extravio de mercadoria importada objeto de contrato de transporte celebrado entre a importadora e a companhia a\u00e9rea <\/a>se encontra disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.289.629-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Seguradora CobroMesmo ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a, em regresso, contra Lan Chile Airlines S.A., tendo por prop\u00f3sito obter o ressarcimento dos valores despendidos \u00e0 empresa-segurada, Eagle Ltda., que, por sua vez, suportou preju\u00edzos pela perda de componentes eletr\u00f4nicos e equipamentos de inform\u00e1tica transportados, ocasionada pelo seu extravio j\u00e1 no destino final.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, a r\u00e9 sustenta que os lit\u00edgios derivados de contrato de transporte a\u00e9reo internacional devem for\u00e7osamente atender aos regulamentos internacionais que o pa\u00eds se comprometeu voluntariamente a observar, notadamente a Conven\u00e7\u00e3o de Vars\u00f3via.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/88:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 178. A lei dispor\u00e1 sobre a ordena\u00e7\u00e3o dos transportes a\u00e9reo, aqu\u00e1tico e terrestre, devendo, quanto \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o do transporte internacional, observar os acordos firmados pela Uni\u00e3o, atendido o princ\u00edpio da reciprocidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Na ordena\u00e7\u00e3o do transporte aqu\u00e1tico, a lei estabelecer\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es em que o transporte de mercadorias na cabotagem e a navega\u00e7\u00e3o interior poder\u00e3o ser feitos por embarca\u00e7\u00f5es estrangeiras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-que-norma-e-aplicavel\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Que norma \u00e9 aplic\u00e1vel?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>A conven\u00e7\u00e3o de MONTREAL!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da repercuss\u00e3o geral, decidiu que, &#8220;nos termos do artigo 178 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, as normas e os tratados internacionais limitadores da responsabilidade das transportadoras a\u00e9reas de passageiros, especialmente as Conven\u00e7\u00f5es de Vars\u00f3via e Montreal, t\u00eam preval\u00eancia sobre o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor&#8221; (RE 636.331\/RJ, Relator Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 25\/05\/2017, DJe 13\/11\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 178 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica estabelece que &#8220;a lei dispor\u00e1 sobre a ordena\u00e7\u00e3o dos transportes a\u00e9reo, aqu\u00e1tico e terrestre, devendo, quanto \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o do transporte internacional, observar os acordos firmados pela Uni\u00e3o, atendido o princ\u00edpio da reciprocidade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Cuida-se de <strong>regra de sobredireito constitucional que imp\u00f5e a preval\u00eancia, no ordenamento jur\u00eddico, dos tratados ratificados pela Rep\u00fablica Federativa do Brasil acerca de transporte internacional de pessoas, bagagens ou carga<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os debates ocorridos na referida sess\u00e3o de julgamento, os eminentes Ministros da Suprema Corte ressaltaram que a tese jur\u00eddica de repercuss\u00e3o geral fixada diz respeito \u00e0 responsabilidade civil do transportador a\u00e9reo internacional por danos materiais decorrentes da perda, destrui\u00e7\u00e3o, avaria ou atraso de bagagens de passageiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse passo, mesmo em n\u00e3o se tratando de extravio de bagagem de passageiro &#8211; isto \u00e9, de um conflito em rela\u00e7\u00e3o de consumo, tal qual o solucionado no aludido precedente vinculante do STF -, revela-se inequ\u00edvoco que a controv\u00e9rsia atinente \u00e0 responsabilidade civil decorrente de extravio de mercadoria importada objeto de contrato de transporte celebrado entre a importadora e a companhia a\u00e9rea (hip\u00f3tese dos autos), tamb\u00e9m se encontra disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, por for\u00e7a da regra de sobredireito inserta no artigo 178 da Constitui\u00e7\u00e3o, que, como dito alhures, determina a preval\u00eancia dos acordos internacionais (subscritos pelo Brasil) sobre transporte internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, nos termos das al\u00edneas 1 e 3 do artigo 18 da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal, o transportador \u00e9 respons\u00e1vel pelo dano decorrente da destrui\u00e7\u00e3o, perda ou avaria da carga, sob a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o de que o fato causador do dano haja ocorrido durante o transporte a\u00e9reo, que compreende o per\u00edodo durante o qual a carga se acha sob a cust\u00f3dia do transportador.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, se, durante a execu\u00e7\u00e3o do contrato de transporte a\u00e9reo, revelar-se necess\u00e1rio transporte terrestre, mar\u00edtimo ou por \u00e1guas interiores para o carregamento, a entrega ou o transbordo da mercadoria, todo dano se presumir\u00e1, salvo prova em contr\u00e1rio, como resultante de um fato ocorrido durante o transporte a\u00e9reo (artigo 18, al\u00ednea 4, da Conven\u00e7\u00e3o de Montreal).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o artigo 4\u00ba, al\u00edneas 1 e 2, do referido tratado internacional, no transporte de carga, ser\u00e1 expedido um conhecimento a\u00e9reo, que poder\u00e1 ser substitu\u00eddo por qualquer outro meio no qual constem as informa\u00e7\u00f5es relativas ao transporte que deva ser executado, hip\u00f3tese em que caber\u00e1 ao transportador entregar ao expedidor, se este \u00faltimo o solicitar, um recibo da carga, que permita a identifica\u00e7\u00e3o da remessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o artigo 22, al\u00ednea 3, do tratado estabelece que, no transporte de carga, a responsabilidade do transportador em caso de destrui\u00e7\u00e3o, perda, avaria ou atraso se limita a uma quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma, a menos que o expedidor haja feito ao transportador, ao entregar-lhe o volume, uma declara\u00e7\u00e3o especial de valor de sua entrega no lugar de destino, e tenha pago uma quantia suplementar, se for cab\u00edvel. Nesse \u00faltimo caso, o transportador estar\u00e1 obrigado a pagar uma quantia que n\u00e3o exceder\u00e1 o valor declarado, a menos que prove que este valor \u00e9 superior ao valor real da entrega no lugar de destino.<\/p>\n\n\n\n<p>A bem da verdade, o diploma transnacional n\u00e3o imp\u00f5e uma for\u00e7osa tarifa\u00e7\u00e3o, mas faculta ao expedidor da mercadoria que se submeta a ela, caso n\u00e3o opte por pagar uma quantia suplementar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A responsabilidade civil decorrente de extravio de mercadoria importada objeto de contrato de transporte celebrado entre a importadora e a companhia a\u00e9rea se encontra disciplinada pela Conven\u00e7\u00e3o de Montreal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-aspectos-a-serem-observados-pelo-juizo-de-verificacao-da-pertinencia-tematica-para-a-proposicao-de-acoes-civis-publicas\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aspectos a serem observados pelo j<\/a>u\u00edzo de verifica\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia tem\u00e1tica para a proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo de verifica\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia tem\u00e1tica para a proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas h\u00e1 de ser responsavelmente flex\u00edvel e amplo, em contempla\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional do acesso \u00e0 justi\u00e7a, mormente a considerar-se a m\u00e1xima efetividade dos direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt nos EDcl no REsp 1.788.290-MS, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por maioria, julgado em 24\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Abracon Sa\u00fade (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Defesa dos Consumidores dos Planos de Sa\u00fade) ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em desfavor de Ind\u00fastria de Torrone Ltda, por meio da qual pleiteava a condena\u00e7\u00e3o da r\u00e9 na obriga\u00e7\u00e3o de veicular, em etiquetas, r\u00f3tulos, bulas e materiais de divulga\u00e7\u00e3o de seus produtos aliment\u00edcios a informa\u00e7\u00e3o &#8220;cont\u00e9m gl\u00faten&#8221; ou &#8220;n\u00e3o cont\u00e9m gl\u00faten&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciou-se ent\u00e3o calorosa discuss\u00e3o acerca da legitimidade deste tipo de associa\u00e7\u00e3o para o ajuizamento de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas com tais finalidades. A Associa\u00e7\u00e3o sustenta atuar em defesa dos portadores da doen\u00e7a cel\u00edaca (doen\u00e7a&nbsp;autoimune causada pela intoler\u00e2ncia ao gl\u00faten).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-as-associacoes-detem-legitimidade-para-tanto\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As Associa\u00e7\u00f5es det\u00eam legitimidade para tanto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia consiste em saber se associa\u00e7\u00f5es civis possuem legitimidade para a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, objetivando seja a parte r\u00e9 obrigada a <a>veicular, em etiquetas, r\u00f3tulos, bulas e materiais de divulga\u00e7\u00e3o de seus produtos aliment\u00edcios a informa\u00e7\u00e3o &#8220;cont\u00e9m gl\u00faten&#8221; ou &#8220;n\u00e3o cont\u00e9m gl\u00faten&#8221;<\/a>, sobretudo a partir da verifica\u00e7\u00e3o do preenchimento de dois dos requisitos exigidos para essa esp\u00e9cie: constitui\u00e7\u00e3o h\u00e1 pelo menos um ano da data de ajuizamento da demanda (requisito temporal) e pertin\u00eancia tem\u00e1tica (requisito material).<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, j\u00e1 tendo sido assentada pela jurisprud\u00eancia do STJ, em a\u00e7\u00f5es civis ajuizadas com o mesmo objetivo, a relev\u00e2ncia do bem jur\u00eddico envolvido, apta a subsidiar a dispensa do requisito temporal reclamado pelas inst\u00e2ncias de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 pertin\u00eancia tem\u00e1tica, merece destaque o julgado da Quarta Turma desta Corte, em que figurava tamb\u00e9m a ABRACON SA\u00daDE ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE DEFESA DOS CONSUMIDORES DE PLANO DE SA\u00daDE como parte. Confira-se: &#8220;5. A pertin\u00eancia tem\u00e1tica exigida pela legisla\u00e7\u00e3o, para a configura\u00e7\u00e3o da legitimidade em a\u00e7\u00f5es coletivas, consiste no nexo material entre os fins institucionais do demandante e a tutela pretendida naquela a\u00e7\u00e3o. \u00c9 o v\u00ednculo de afinidade tem\u00e1tica entre o legitimado e o objeto litigioso, a harmoniza\u00e7\u00e3o entre as finalidades institucionais dos legitimados e o objeto a ser tutelado na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. 6. Entretanto, <strong>n\u00e3o \u00e9 preciso que uma associa\u00e7\u00e3o civil seja constitu\u00edda para defender em ju\u00edzo especificamente aquele exato interesse controvertido na hip\u00f3tese concreta<\/strong>. 7. O ju\u00edzo de verifica\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia tem\u00e1tica h\u00e1 de ser responsavelmente flex\u00edvel e amplo, em contempla\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional do acesso \u00e0 justi\u00e7a, mormente a considerar-se a m\u00e1xima efetividade dos direitos fundamentais&#8221;. (REsp 1357618\/DF, Rel. Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, julgado em 26\/09\/2017, DJe 24\/11\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o entendimento do STJ firmou-se no sentido da <strong>legitimidade dessa associa\u00e7\u00e3o para propor a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica <a>em defesa dos portadores da doen\u00e7a cel\u00edaca<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-resultado-final\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O ju\u00edzo de verifica\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia tem\u00e1tica para a proposi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas h\u00e1 de ser responsavelmente flex\u00edvel e amplo, em contempla\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio constitucional do acesso \u00e0 justi\u00e7a, mormente a considerar-se a m\u00e1xima efetividade dos direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-redirecionamento-da-execucao-fiscal-quando-fundado-na-dissolucao-irregular-da-pessoa-juridica-executada-ou-na-presuncao-de-sua-ocorrencia-e-extensao-ao-socio-sem-poderes-de-gerencia\"><a>10.&nbsp; Redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal quando fundado na dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada ou na presun\u00e7\u00e3o de sua ocorr\u00eancia e extens\u00e3o ao s\u00f3cio sem poderes de ger\u00eancia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal, quando fundado na dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada ou na presun\u00e7\u00e3o de sua ocorr\u00eancia<\/a>, pode ser autorizado <a>contra o s\u00f3cio ou o terceiro n\u00e3o s\u00f3cio, com poderes de administra\u00e7\u00e3o na data em que configurada ou presumida a dissolu\u00e7\u00e3o irregular, ainda que n\u00e3o tenha exercido poderes de ger\u00eancia quando ocorrido o fato gerador do tributo n\u00e3o adimplido<\/a>, conforme art. 135, III, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.645.333-SP, Rel. Min. Assusete Magalh\u00e3es, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 25\/05\/2022. (Tema 981) (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o fiscal, a Fazenda Nacional sustenta a possibilidade de redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o contra o s\u00f3cio ou o terceiro n\u00e3o s\u00f3cio, com poderes de administra\u00e7\u00e3o na data em que configurada ou presumida a dissolu\u00e7\u00e3o irregular, ainda que n\u00e3o tenha exercido poderes de ger\u00eancia quando ocorrido o fato gerador do tributo n\u00e3o adimplido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula 430 STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>O inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria pela sociedade n\u00e3o gera, por si s\u00f3, a responsabilidade solid\u00e1ria do s\u00f3cio-gerente.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49-A. &nbsp;A pessoa jur\u00eddica n\u00e3o se confunde com os seus s\u00f3cios, associados, instituidores ou administradores.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A autonomia patrimonial das pessoas jur\u00eddicas \u00e9 um instrumento l\u00edcito de aloca\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a gera\u00e7\u00e3o de empregos, tributo, renda e inova\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 135. S\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos cr\u00e9ditos correspondentes a obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as pessoas referidas no artigo anterior;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; os mandat\u00e1rios, prepostos e empregados;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jur\u00eddicas de direito privado.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00famula 475 do STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&#8220;Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domic\u00edlio fiscal, sem comunica\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os competentes, legitimando o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal para o s\u00f3cio-gerente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-o-redirecionamento\"><a>10.2.2. Poss\u00edvel o redirecionamento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim sinh\u00f4!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No exerc\u00edcio da atividade econ\u00f4mica, em raz\u00e3o de injun\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, ocorre o inadimplemento de obriga\u00e7\u00f5es assumidas por pessoas jur\u00eddicas. N\u00e3o \u00e9 diferente na esfera tribut\u00e1ria. Embora se trate inegavelmente de uma ofensa a bem jur\u00eddico da Administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, o desvalor jur\u00eddico do inadimplemento n\u00e3o autoriza, por si s\u00f3, a responsabiliza\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio-gerente. Nesse sentido, ali\u00e1s, o enunciado 430 da S\u00famula do STJ &#8211; em cuja reda\u00e7\u00e3o se l\u00ea que &#8220;o inadimplemento da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria pela sociedade n\u00e3o gera, por si s\u00f3, a responsabilidade solid\u00e1ria do s\u00f3cio-gerente&#8221; -, bem como a tese firmada no REsp repetitivo 1.101.728\/SP (Rel. Ministro Teori Zavascki, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 23\/03\/2009), que explicita que &#8220;a simples falta de pagamento do tributo n\u00e3o configura, por si s\u00f3, nem em tese, circunst\u00e2ncia que acarreta a responsabilidade subsidi\u00e1ria do s\u00f3cio, prevista no art. 135 do CTN. \u00c9 indispens\u00e1vel, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa&#8221; (Tema 97&nbsp;do STJ).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tal conclus\u00e3o \u00e9 corol\u00e1rio da autonomia patrimonial da pessoa jur\u00eddica<\/strong>. Se, nos termos do art. 49-A,&nbsp;<em>caput<\/em>, do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>, inclu\u00eddo pela Lei n. 13.874\/2019, &#8220;a pessoa jur\u00eddica n\u00e3o se confunde com os seus s\u00f3cios, associados, instituidores ou administradores&#8221;, decorre que o simples inadimplemento de tributos n\u00e3o pode gerar, por si s\u00f3, consequ\u00eancias negativas no patrim\u00f4nio dos s\u00f3cios. Como esclarece o par\u00e1grafo \u00fanico do aludido artigo, a raz\u00e3o de ser da autonomia patrimonial, &#8220;instrumento l\u00edcito de aloca\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o de riscos&#8221;, \u00e9 &#8220;estimular empreendimentos, para a gera\u00e7\u00e3o de empregos, tributo, renda e inova\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio de todos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Naturalmente, a autonomia patrimonial n\u00e3o \u00e9 um fim em si, um direito absoluto e inexpugn\u00e1vel<\/strong>. Por isso mesmo, a legisla\u00e7\u00e3o, inclusive a civil, comercial, ambiental e tribut\u00e1ria estabelece hip\u00f3teses de responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios e administradores por obriga\u00e7\u00f5es da pessoa jur\u00eddica. No <a>C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional<\/a>, entre outras hip\u00f3teses, destaca-se a do inciso III do seu art. 135, segundo o qual &#8220;s\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos cr\u00e9ditos correspondentes a obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos (&#8230;) os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jur\u00eddicas de direito privado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a h\u00e1 muito consolidou o entendimento no sentido de que &#8220;a n\u00e3o-localiza\u00e7\u00e3o da empresa no endere\u00e7o fornecido como domic\u00edlio fiscal gera presun\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>iuris tantum<\/em>&nbsp;de dissolu\u00e7\u00e3o irregular&#8221;, o que torna poss\u00edvel a &#8220;responsabiliza\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio-gerente a quem caber\u00e1 o \u00f4nus de provar n\u00e3o ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder&#8221; (EREsp 852.437\/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 03\/11\/2008). A mat\u00e9ria, inclusive, \u00e9 objeto do enunciado 435 da <a>S\u00famula do STJ: &#8220;Presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domic\u00edlio fiscal, sem comunica\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os competentes, legitimando o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal para o s\u00f3cio-gerente&#8221;.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Plen\u00e1rio do STF, ao julgar, sob o regime de repercuss\u00e3o geral, o Recurso Extraordin\u00e1rio 562.276\/PR (Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 10\/02\/2011), correspondente ao&nbsp;tema 13&nbsp;daquela Corte, deixou assentado que &#8220;essencial \u00e0 compreens\u00e3o do instituto da responsabilidade tribut\u00e1ria \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de que a obriga\u00e7\u00e3o do terceiro, de responder por d\u00edvida originariamente do contribuinte, jamais decorre direta e automaticamente da pura e simples ocorr\u00eancia do fato gerador do tributo (&#8230;) O pressuposto de fato ou hip\u00f3tese de incid\u00eancia da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, \u00e9 a pr\u00e1tica de atos, por quem esteja na gest\u00e3o ou representa\u00e7\u00e3o da sociedade com excesso de poder ou infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se n\u00e3o o surgimento, ao menos o inadimplemento de obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No Recurso Especial repetitivo 1.371.128\/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 17\/09\/2014), sob a rubrica do&nbsp;tema 630, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ assentou a possibilidade de redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal ao s\u00f3cio-gerente, nos casos de dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada, n\u00e3o apenas nas execu\u00e7\u00f5es fiscais de d\u00edvida ativa tribut\u00e1ria, mas tamb\u00e9m nas de d\u00edvida ativa n\u00e3o tribut\u00e1ria. O voto condutor do respectivo ac\u00f3rd\u00e3o registrou que a S\u00famula 435\/STJ &#8220;parte do pressuposto de que a dissolu\u00e7\u00e3o irregular da empresa \u00e9 causa suficiente para o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal para o s\u00f3cio-gerente&#8221; e que &#8220;\u00e9 obriga\u00e7\u00e3o dos gestores das empresas manter atualizados os respectivos cadastros, incluindo os atos relativos \u00e0 mudan\u00e7a de endere\u00e7o dos estabelecimentos e, especialmente, referentes \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade. A regularidade desses registros \u00e9 exigida para que se demonstre que a sociedade dissolveu-se de forma regular, em obedi\u00eancia aos ritos e formalidades previstas nos arts. 1.033 a 1.038 e arts. 1.102 a 1.112, todos do C\u00f3digo Civil de 2002 &#8211; onde \u00e9 prevista a liquida\u00e7\u00e3o da sociedade com o pagamento dos credores em sua ordem de prefer\u00eancia &#8211; ou na forma da Lei n. 11.101\/2005, no caso de fal\u00eancia. A desobedi\u00eancia a tais ritos caracteriza infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A realidade dos fatos, por\u00e9m, \u00e9 sempre mais rica e din\u00e2mica do que podem prever o legislador e o julgador. Assentada a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o do s\u00f3cio-gerente quando ocorrida a dissolu\u00e7\u00e3o irregular da empresa, <strong>passou-se a discutir qual seria o s\u00f3cio-gerente a responder pelos tributos: se o s\u00f3cio-gerente \u00e0 \u00e9poca da dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada e ao tempo dos fatos geradores dos tributos inadimplidos; se o s\u00f3cio-gerente \u00e0 \u00e9poca da dissolu\u00e7\u00e3o irregular, embora n\u00e3o gerisse a pessoa jur\u00eddica executada ao tempo dos fatos geradores dos tributos inadimplidos; ou se o s\u00f3cio-gerente ao tempo dos fatos geradores, embora n\u00e3o gerisse a pessoa jur\u00eddica executada \u00e0 \u00e9poca da dissolu\u00e7\u00e3o irregular.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00faltima hip\u00f3tese \u00e9 objeto do&nbsp;tema 962; as duas primeiras, do&nbsp;tema 981.&nbsp;Tratam eles de temas correlatos, que tiveram iniciado o julgamento conjunto, na presente sess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito da Primeira Turma do STJ est\u00e1 consolidado entendimento no sentido de que, &#8220;embora seja necess\u00e1rio demonstrar quem ocupava o posto de gerente no momento da dissolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio, antes, que aquele respons\u00e1vel pela dissolu\u00e7\u00e3o tenha sido tamb\u00e9m, simultaneamente, o detentor da ger\u00eancia na oportunidade do vencimento do tributo&#8221;. Isso porque &#8220;s\u00f3 se dir\u00e1 respons\u00e1vel o s\u00f3cio que, tendo poderes para tanto, n\u00e3o pagou o tributo (da\u00ed exigir-se seja demonstrada a deten\u00e7\u00e3o de ger\u00eancia no momento do vencimento do d\u00e9bito) e que, ademais, conscientemente optou pela irregular dissolu\u00e7\u00e3o da sociedade (por isso, tamb\u00e9m exig\u00edvel a prova da perman\u00eancia no momento da dissolu\u00e7\u00e3o irregular)&#8221; (STJ, AgRg no REsp 1.034.238\/SP, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe de 04\/05\/2009). No mesmo sentido, os seguintes precedentes: STJ, AgRg no AREsp 647.563\/PE, Rel. Ministro Napole\u00e3o Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 17\/11\/2020; AgInt no REsp 1.569.844\/SP, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, DJe de 04\/10\/2016; AREsp 838.948\/SC, Rel. Ministro Gurgel De Faria, Primeira Turma, DJe de 19\/10\/2016; AgInt no REsp 1.602.080\/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 21\/09\/2016; AgInt no AgInt no AREsp 856.173\/SC, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 22\/09\/2016.<\/p>\n\n\n\n<p>A Segunda Turma do STJ, por outro lado, embora, num primeiro momento, adotasse entendimento id\u00eantico, no sentido de que &#8220;n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal em rela\u00e7\u00e3o a s\u00f3cio que n\u00e3o integrava a sociedade \u00e0 \u00e9poca dos fatos geradores e no momento da dissolu\u00e7\u00e3o irregular da empresa executada&#8221; (STJ, AgRg no AREsp 556.735\/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe de 06\/10\/2014), veio, posteriormente, a adotar \u00f3tica diversa. Com efeito, no julgamento, em 16\/06\/2015, do REsp 1.520.257\/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes (DJe de 23\/06\/2015), a Segunda Turma, ao enfrentar hip\u00f3tese an\u00e1loga \u00e0 ora em julgamento, passou a condicionar a responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal do s\u00f3cio-gerente a um \u00fanico requisito, qual seja, encontrar-se o referido s\u00f3cio no exerc\u00edcio da administra\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica executada no momento de sua dissolu\u00e7\u00e3o irregular ou da pr\u00e1tica de ato que fa\u00e7a presumir a dissolu\u00e7\u00e3o irregular.<\/p>\n\n\n\n<p>O fundamento para tanto consiste na conjuga\u00e7\u00e3o do art. 135, III, do CTN com o enunciado 435 da S\u00famula do Superior Tribunal de Justi\u00e7a. De fato, na medida em que a hip\u00f3tese que desencadeia a responsabilidade tribut\u00e1ria \u00e9 a infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, evidenciada pela dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada, revela-se INDIFERENTE o fato de o s\u00f3cio-gerente respons\u00e1vel pela dissolu\u00e7\u00e3o irregular n\u00e3o estar na administra\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica \u00e0 \u00e9poca do fato gerador do tributo inadimplido.<\/p>\n\n\n\n<p>Concluiu a Segunda Turma, no aludido REsp 1.520.257\/SP, alterando sua jurisprud\u00eancia sobre o assunto, que &#8220;o pedido de redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal, quando fundado na dissolu\u00e7\u00e3o irregular ou em ato que presuma sua ocorr\u00eancia &#8211; encerramento das atividades empresariais no domic\u00edlio fiscal, sem comunica\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os competentes (S\u00famula 435\/STJ) -, pressup\u00f5e a perman\u00eancia do s\u00f3cio na administra\u00e7\u00e3o da sociedade no momento dessa dissolu\u00e7\u00e3o ou do ato presumidor de sua ocorr\u00eancia, uma vez que, nos termos do art. 135,&nbsp;<em>caput<\/em>, III, CTN, combinado com a orienta\u00e7\u00e3o constante da S\u00famula 435\/STJ, o que desencadeia a responsabilidade tribut\u00e1ria \u00e9 a infra\u00e7\u00e3o de lei evidenciada na exist\u00eancia ou presun\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancia de referido fato. Consideram-se irrelevantes para a defini\u00e7\u00e3o da responsabilidade por dissolu\u00e7\u00e3o irregular (ou sua presun\u00e7\u00e3o) a data da ocorr\u00eancia do fato gerador da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, bem como o momento em que vencido o prazo para pagamento do respectivo d\u00e9bito&#8221;. Ap\u00f3s a mudan\u00e7a jurisprudencial, o novo entendimento foi reafirmado noutras oportunidades: STJ, REsp 1.726.964\/RJ, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21\/11\/2018; AgInt no AREsp 948.795\/AM, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, DJe de 21\/08\/2017; AgRg no REsp 1.541.209\/PE, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, DJe de 11\/05\/2016; AgRg no REsp 1.545.342\/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 28\/09\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das pertinentes considera\u00e7\u00f5es feitas pelo Ministro Og Fernandes, no sentido de que o fato ensejador da responsabilidade tribut\u00e1ria \u00e9 a dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada ou a presun\u00e7\u00e3o de sua ocorr\u00eancia &#8211; o que configura infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, para fins do art. 135, III, do CTN -, \u00e9 preciso observar que a posi\u00e7\u00e3o da Primeira Turma pode gerar uma estrutura de incentivos n\u00e3o alinhada com os valores subjacentes \u00e0 ordem tribut\u00e1ria, sobretudo o dever de pagar tributos. Com efeito, o entendimento pode criar situa\u00e7\u00e3o em que, mesmo diante da ocorr\u00eancia de um il\u00edcito, previsto no art. 135, III, do CTN, inexistir\u00e1 san\u00e7\u00e3o, em hip\u00f3tese em que, sendo diversos os s\u00f3cios-gerentes ou administradores, ao tempo do fato gerador do tributo inadimplido e ao tempo da dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada, a responsabilidade tribut\u00e1ria n\u00e3o poderia ser imputada a qualquer deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o entendimento da Segunda Turma encontra respaldo nas raz\u00f5es de decidir do Recurso Especial repetitivo 1.201.993\/SP (Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 12\/12\/2019), no qual se discutiu a prescri\u00e7\u00e3o para o redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal e no qual o Relator consignou que &#8220;o fundamento que justificou a orienta\u00e7\u00e3o adotada \u00e9 que a responsabilidade tribut\u00e1ria de terceiros, para os fins do art. 135 do CTN, pode resultar tanto do ato de infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei do qual resulte diretamente a obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, como do ato infracional praticado em momento posterior ao surgimento do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio que inviabilize, por\u00e9m, a cobran\u00e7a do devedor original. (&#8230;) ou seja, a responsabilidade dos s\u00f3cios com poderes de gerente, pelos d\u00e9bitos empresariais, pode decorrer tanto da pr\u00e1tica de atos il\u00edcitos que resultem no nascimento da obriga\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria como da pr\u00e1tica de atos il\u00edcitos ulteriores \u00e0 ocorr\u00eancia do fato gerador que impossibilitem a recupera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio contra o seu devedor original&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, vale esclarecer que o que dito acima aplica-se,&nbsp;<em>mutatis mutandis<\/em>, aos terceiros n\u00e3o s\u00f3cios, com poderes de ger\u00eancia, na medida em que o art. 135, III, do CTN atribui responsabilidade tribut\u00e1ria aos administradores das pessoas jur\u00eddicas de direito privado, por atos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o \u00e0 lei, ao contrato social ou aos estatutos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O redirecionamento da execu\u00e7\u00e3o fiscal, quando fundado na dissolu\u00e7\u00e3o irregular da pessoa jur\u00eddica executada ou na presun\u00e7\u00e3o de sua ocorr\u00eancia, pode ser autorizado contra o s\u00f3cio ou o terceiro n\u00e3o s\u00f3cio, com poderes de administra\u00e7\u00e3o na data em que configurada ou presumida a dissolu\u00e7\u00e3o irregular, ainda que n\u00e3o tenha exercido poderes de ger\u00eancia quando ocorrido o fato gerador do tributo n\u00e3o adimplido, conforme art. 135, III, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-idoneidade-da-apolice-de-seguro-garantia-com-prazo-de-vigencia-determinado-para-fins-de-garantia-da-execucao-fiscal\"><a>11.&nbsp; Idoneidade da ap\u00f3lice de seguro-garantia com prazo de vig\u00eancia determinado para fins de garantia da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a><\/a><a>ap\u00f3lice de seguro-garantia com prazo de vig\u00eancia determinado <\/a>\u00e9 inid\u00f4nea para fins de garantia da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.924.099-MG, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 24\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma execu\u00e7\u00e3o fiscal movida pelo Munic\u00edpio Tangar\u00e1, o Banco Quebradeira optou por garantir a execu\u00e7\u00e3o por meio de uma ap\u00f3lice de seguro-garantia com prazo de vig\u00eancia determinado, o que n\u00e3o foi aceito pelo Tribunal local em raz\u00e3o da inidoneidade da ap\u00f3lice em quest\u00e3o para a garantia da execu\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n\u00ba 6.830\/90:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 9\u00ba &#8211; Em garantia da execu\u00e7\u00e3o, pelo valor da d\u00edvida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certid\u00e3o de D\u00edvida Ativa, o executado poder\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; oferecer fian\u00e7a banc\u00e1ria ou seguro garantia;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-a-apolice-com-prazo-definido-serve-como-garantia\"><a>11.2.2. A ap\u00f3lice com prazo definido serve como garantia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia diz respeito \u00e0 possibilidade de apresenta\u00e7\u00e3o de seguro-garantia para assegurar execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese o entendimento do STJ pela possibilidade de oferecimento da citada garantia, observa-se que <strong>o Tribunal de origem entendeu pela sua inidoneidade na esp\u00e9cie, por apresentar prazo de validade determinado<\/strong>: &#8220;A <a>Lei n\u00ba 6.830\/90 <\/a>(lei de execu\u00e7\u00f5es fiscais), em seu art. 9\u00ba, II, com as altera\u00e7\u00f5es trazidas pela Lei n\u00ba 13.043\/14, prev\u00ea a possibilidade de oferecimento do seguro garantia para assegurar a execu\u00e7\u00e3o fiscal: <strong>[&#8230;] Assim, a princ\u00edpio, apresenta-se poss\u00edvel o oferecimento de cau\u00e7\u00e3o, na modalidade seguro garantia, para suspender a exigibilidade do cr\u00e9dito exequendo, desde que se trate de cau\u00e7\u00e3o id\u00f4nea, ou seja, capaz de assegurar o pagamento do valor integral da d\u00edvida e com validade indeterminada ou at\u00e9 a extin\u00e7\u00e3o do processo<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, percebe-se que o ac\u00f3rd\u00e3o de origem adotou entendimento em conformidade com a jurisprud\u00eancia do STJ de que a ap\u00f3lice de seguro-garantia com prazo de vig\u00eancia determinado \u00e9 inid\u00f4nea para fins de garantia da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A ap\u00f3lice de seguro-garantia com prazo de vig\u00eancia determinado \u00e9 inid\u00f4nea para fins de garantia da execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-suspensao-do-regime-de-substituicao-tributaria-por-determinacao-judicial-deferida-em-favor-da-empresa-substituida-e-exigibilidade-do-pagamento-do-icms-st-da-substituta\"><a>12.&nbsp; Suspens\u00e3o do regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por determina\u00e7\u00e3o judicial deferida em favor da empresa substitu\u00edda e exigibilidade do pagamento do ICMS\/ST da substituta<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Suspenso <a>o regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por determina\u00e7\u00e3o judicial deferida em favor da empresa substitu\u00edda<\/a>, n\u00e3o se mostra poss\u00edvel exigir da substituta o pagamento do ICMS\/ST que deixou de ser recolhido enquanto vigente essa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.423.187-SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 10\/05\/2022, DJe 25\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Fazenda P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal em desfavor de Petros S.A. em raz\u00e3o do n\u00e3o recolhimento do ICMS\/ST devido. Em sua defesa, Petros alegou que o n\u00e3o destaque na nota fiscal e o n\u00e3o recolhimento do imposto referente \u00e0 mercadoria apreendida na barreira fiscal, objeto da autua\u00e7\u00e3o que constituiu o cr\u00e9dito exequendo, se deu em cumprimento de decis\u00e3o liminar obtida pela empresa substitu\u00edda junto ao Poder Judici\u00e1rio do Estado de Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 121. Sujeito passivo da obriga\u00e7\u00e3o principal \u00e9 a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuni\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; respons\u00e1vel, quando, sem revestir a condi\u00e7\u00e3o de contribuinte, sua obriga\u00e7\u00e3o decorra de disposi\u00e7\u00e3o expressa de lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 128. Sem preju\u00edzo do disposto neste cap\u00edtulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo cr\u00e9dito tribut\u00e1rio a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obriga\u00e7\u00e3o, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em car\u00e1ter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-pode-se-exigir-o-recolhimento-pela-substituta\"><a>12.2.2. Pode se exigir o recolhimento pela substituta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <a>a despeito de a Fazenda P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o integrar a lide ajuizada por empresas substitu\u00eddas, houve expressa determina\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio do Estado de Goi\u00e1s \u00e0s empresas substitutas domiciliadas noutros Estados da Federa\u00e7\u00e3o para que deixassem de proceder \u00e0 reten\u00e7\u00e3o e o recolhimento do ICMS\/ST em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de venda de derivados de petr\u00f3leo \u00e0s empresas autoras.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Suspenso o regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por determina\u00e7\u00e3o judicial deferida em favor da empresa substitu\u00edda, n\u00e3o se mostra poss\u00edvel exigir da substituta o pagamento do ICMS\/ST que deixou de ser recolhido enquanto vigente essa decis\u00e3o, sob pena de afronta ao princ\u00edpio da capacidade contributiva, visto que, nesse per\u00edodo, n\u00e3o foi permitida a oportuna reten\u00e7\u00e3o do imposto devido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opera\u00e7\u00f5es subsequentes, que \u00e9 pressuposto essencial da imposi\u00e7\u00e3o de responsabilidade tribut\u00e1ria por substitui\u00e7\u00e3o (arts. 121, II, e 128 do <a>CTN<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se, assim, que <strong>eventual preju\u00edzo \u00e0 Fazenda P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo em face do cumprimento da referida ordem judicial, ainda que proferida em causa ajuizada pelo substitu\u00eddo e na qual esse ente p\u00fablico n\u00e3o figurou como parte, n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo \u00e0 empresa substituta, visto que, \u00e0 toda evid\u00eancia, n\u00e3o foi ela quem lhe deu causa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Suspenso o regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por determina\u00e7\u00e3o judicial deferida em favor da empresa substitu\u00edda, n\u00e3o se mostra poss\u00edvel exigir da substituta o pagamento do ICMS\/ST que deixou de ser recolhido enquanto vigente essa decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-ficha-de-cadastro-de-trabalhadores-emitida-em-nome-de-trabalhador-rural-em-data-anterior-ao-ajuizamento-de-demanda-como-documento-novo-apto-a-demonstrar-o-inicio-de-prova-material\"><a>13.&nbsp; Ficha de cadastro de trabalhadores emitida em nome de trabalhador rural em data anterior ao ajuizamento de demanda como documento novo apto a demonstrar o in\u00edcio de prova material.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O RESCIS\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>Ficha de cadastro de trabalhadores emitida em nome de trabalhador rural em data anterior ao ajuizamento de demanda <\/a>com pedido de aposentadoria rural configura <a>documento novo apto a demonstrar o in\u00edcio de prova material.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AR 6.081-PR, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/05\/2021, DJe 30\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide ajuizou a\u00e7\u00e3o em face do INSS objetivando a concess\u00e3o da aposentadoria rural, instruindo-a, t\u00e3o somente, com documentos em nome de seu c\u00f4njuge, pois desconhecia, em princ\u00edpio, a exist\u00eancia de qualquer outra prova que demonstrasse o desempenho da atividade rur\u00edcola. Esses documentos foram considerados inserv\u00edveis, como in\u00edcio de prova material, para assentar que Creide exercia atividade laboral.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, Creide ajuizou a\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria na qual alega ter localizado ficha de cadastro de trabalhadores, emitida em seu nome e em data anterior ao ajuizamento da demanda original, a qual consigna a profiss\u00e3o de lavradora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 966. A decis\u00e3o de m\u00e9rito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>V &#8211; violar manifestamente norma jur\u00eddica;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>VII &#8211; obtiver o autor, posteriormente ao tr\u00e2nsito em julgado, prova nova cuja exist\u00eancia ignorava ou de que n\u00e3o p\u00f4de fazer uso, capaz, por si s\u00f3, de lhe assegurar pronunciamento favor\u00e1vel;<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; for fundada em erro de fato verific\u00e1vel do exame dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00famula 149\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>A prova exclusivamente testemunhal n\u00e3o basta a comprova\u00e7\u00e3o da atividade rur\u00edcola, para efeito da obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-documento-novo-autoriza-rescisoria-no-caso\"><a>13.2.2. Documento novo autoriza rescis\u00f3ria no caso<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de <a>A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria visando desconstituir, com fundamento no art. 966, V, VII e VIII do <\/a><a>CPC\/2015<\/a>, decis\u00e3o da Presid\u00eancia desta Corte, mediante a qual foi dado provimento ao Recurso Especial do INSS para julgar improcedente o pedido de concess\u00e3o de aposentadoria rural, por reconhecer inserv\u00edveis, como in\u00edcio de prova material, os documentos em nome do c\u00f4njuge que passa a exercer atividade urbana.<\/p>\n\n\n\n<p><a>A autora ajuizou a demanda origin\u00e1ria, instruindo-a, t\u00e3o somente, com documentos em nome de seu c\u00f4njuge, pois desconhecia, em princ\u00edpio, a exist\u00eancia de qualquer outra prova que demonstrasse o desempenho da atividade rur\u00edcola.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o rescindenda, <a>alega a autora ter localizado ficha de cadastro de trabalhadores, emitida em seu nome e em data anterior ao ajuizamento da demanda original, a qual consigna a profiss\u00e3o de lavradora, constituindo-se no indispens\u00e1vel in\u00edcio de prova material, apto a garantir a concess\u00e3o da aposentadoria por idade.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para configurar a hip\u00f3tese de rescis\u00e3o prevista no inciso VII do art. 966 do CPC\/2015, <strong>o documento novo apto a aparelhar a A\u00e7\u00e3o Rescis\u00f3ria \u00e9 aquele que, j\u00e1 existente \u00e0 \u00e9poca da decis\u00e3o rescindenda, era ignorado pelo autor ou do qual n\u00e3o p\u00f4de fazer uso, capaz de assegurar, por si s\u00f3, a proced\u00eancia do pedido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A se considerar os pressupostos regulados pela legisla\u00e7\u00e3o processual civil e diante do entendimento jurisprudencial em relevo, a situa\u00e7\u00e3o relatada pela autora amolda-se \u00e0 exig\u00eancia normativa, porquanto a concep\u00e7\u00e3o de novidade de que se deve revestir o documento \u00e9 manifesta, uma vez n\u00e3o ter sido objeto da instru\u00e7\u00e3o do pedido formulado na a\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o se fortalece frente ao entendimento firmado pelo STJ, segundo o qual em se tratando de rur\u00edcola, deve ser MITIGADO o rigor conceitual impingido ao &#8220;documento novo&#8221;, pois n\u00e3o se pode desconsiderar as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida que envolvem o universo social desses trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ j\u00e1 reconheceu a aptid\u00e3o de registro de empregado como in\u00edcio de prova material. (REsp 1588606\/PR, Rel. Ministra Assusete Magalh\u00e3es Segunda Turma, julgado em 05\/05\/2020, DJe 14\/05\/2020)<\/p>\n\n\n\n<p>Constatado, assim, in\u00edcio de prova material em nome da autora, corroborado por id\u00f4nea prova testemunhal colhida no processo origin\u00e1rio, restam preenchidos os requisitos para a concess\u00e3o de aposentadoria rural, em conson\u00e2ncia com o entendimento pacificado no julgamento do&nbsp;Tema 554\/STJ&nbsp;&#8211; segundo o qual, diante da dificuldade probat\u00f3ria atinente ao exerc\u00edcio de atividade rural pelos chamados trabalhadores &#8220;boias-frias&#8221;, a apresenta\u00e7\u00e3o de prova material relativa apenas a parte do lapso temporal pretendido, n\u00e3o implica viola\u00e7\u00e3o ao enunciado da <a>S\u00famula 149\/STJ<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Ficha de cadastro de trabalhadores emitida em nome de trabalhador rural em data anterior ao ajuizamento de demanda com pedido de aposentadoria rural configura documento novo apto a demonstrar o in\u00edcio de prova material.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-des-obrigatoriedade-de-habilitacao-do-credor-nao-indicado-na-relacao-inicial-e-seus-efeitos\"><a>14.&nbsp; (Des)Obrigatoriedade de habilita\u00e7\u00e3o do credor n\u00e3o indicado na rela\u00e7\u00e3o inicial e seus efeitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O credor n\u00e3o indicado na rela\u00e7\u00e3o inicial de que trata o art. 51, III e IX, da Lei n. 11.101\/2005 n\u00e3o est\u00e1 obrigado a se habilitar, mas n\u00e3o ter\u00e1 o direito de receber seu cr\u00e9dito pelo valor integral, devendo se submeter \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial aprovado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.655.705-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 27\/04\/2022, DJe 25\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Inova Constru\u00e7\u00f5es requereu a recupera\u00e7\u00e3o judicial. Ocorre que, um dos credores n\u00e3o foi indicado na inicial, raz\u00e3o pela o cr\u00e9dito acabou por n\u00e3o ser habilitado na fase inicial e o credor afirma que pretende aguardar o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o para prosseguir com a execu\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Inova interp\u00f4s sucessivos recursos alegando que o cr\u00e9dito em quest\u00e3o foi constitu\u00eddo por senten\u00e7a no ano de 2008, sendo, portanto, anterior ao deferimento do pedido de processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, que ocorreu em 2014. Ressalta que o cr\u00e9dito nasceria no momento do seu fato gerador e n\u00e3o no momento da condena\u00e7\u00e3o. Assim, ainda que o tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que reconheceu o cr\u00e9dito tenha sido posterior ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, a sua causa constitutiva seria anterior, raz\u00e3o pela qual entende se trata de cr\u00e9dito concursal, devendo ser habilitado na recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o podendo ser exigido em demanda individual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.101\/2005:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00ba A decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia ou o deferimento do processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial implica:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba O juiz competente para as a\u00e7\u00f5es referidas nos \u00a7\u00a7 1\u00ba e 2\u00ba deste artigo poder\u00e1 determinar a reserva da import\u00e2ncia que estimar devida na recupera\u00e7\u00e3o judicial ou na fal\u00eancia, e, uma vez reconhecido l\u00edquido o direito, ser\u00e1 o cr\u00e9dito inclu\u00eddo na classe pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 8\u00ba No prazo de 10 (dez) dias, contado da publica\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o referida no art. 7\u00ba , \u00a7 2\u00ba , desta Lei, o Comit\u00ea, qualquer credor, o devedor ou seus s\u00f3cios ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico podem apresentar ao juiz impugna\u00e7\u00e3o contra a rela\u00e7\u00e3o de credores, apontando a aus\u00eancia de qualquer cr\u00e9dito ou manifestando-se contra a legitimidade, import\u00e2ncia ou classifica\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito relacionado.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Autuada em separado, a impugna\u00e7\u00e3o ser\u00e1 processada nos termos dos arts. 13 a 15 desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 10. N\u00e3o observado o prazo estipulado no art. 7\u00ba , \u00a7 1\u00ba , desta Lei, as habilita\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito ser\u00e3o recebidas como retardat\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49. Est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba As obriga\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial observar\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es originalmente contratadas ou definidas em lei, inclusive no que diz respeito aos encargos, salvo se de modo diverso ficar estabelecido no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 51. A peti\u00e7\u00e3o inicial de recupera\u00e7\u00e3o judicial ser\u00e1 instru\u00edda com:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; a rela\u00e7\u00e3o nominal completa dos credores, sujeitos ou n\u00e3o \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial, inclusive aqueles por obriga\u00e7\u00e3o de fazer ou de dar, com a indica\u00e7\u00e3o do endere\u00e7o f\u00edsico e eletr\u00f4nico de cada um, a natureza, conforme estabelecido nos arts. 83 e 84 desta Lei, e o valor atualizado do cr\u00e9dito, com a discrimina\u00e7\u00e3o de sua origem, e o regime dos vencimentos;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IX &#8211; a rela\u00e7\u00e3o, subscrita pelo devedor, de todas as a\u00e7\u00f5es judiciais e procedimentos arbitrais em que este figure como parte, inclusive as de natureza trabalhista, com a estimativa dos respectivos valores demandados;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 61. Proferida a decis\u00e3o prevista no art. 58 desta Lei, o juiz poder\u00e1 determinar a manuten\u00e7\u00e3o do devedor em recupera\u00e7\u00e3o judicial at\u00e9 que sejam cumpridas todas as obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano que vencerem at\u00e9, no m\u00e1ximo, 2 (dois) anos depois da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial, independentemente do eventual per\u00edodo de car\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Durante o per\u00edodo estabelecido no&nbsp;<strong>caput&nbsp;<\/strong>deste artigo, o descumprimento de qualquer obriga\u00e7\u00e3o prevista no plano acarretar\u00e1 a convola\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia, nos termos do art. 73 desta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Decretada a fal\u00eancia, os credores ter\u00e3o reconstitu\u00eddos seus direitos e garantias nas condi\u00e7\u00f5es originalmente contratadas, deduzidos os valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no \u00e2mbito da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-submete-se-a-recuperacao\"><a>14.2.2. &nbsp;Submete-se \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos da iterativa jurisprud\u00eancia do STJ, consolidada no julgamento de recurso repetitivo, para o fim de submiss\u00e3o aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, <strong>considera-se que a exist\u00eancia do cr\u00e9dito \u00e9 determinada pela data em que ocorreu o seu fato gerador.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do art. 49 da <a>Lei n. 11.101\/2005 <\/a>(LREF), todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos, est\u00e3o sujeitos aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, com as ressalvas legais. Nesse contexto, o cr\u00e9dito submetido aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, para que seja pago, deve ser habilitado, o que pode ocorrer a partir das informa\u00e7\u00f5es prestadas pelo devedor ou por iniciativa do credor.<\/p>\n\n\n\n<p>Verifica-se que a lei prev\u00ea a possibilidade de habilita\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito durante todo o procedimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, ocorrem situa\u00e7\u00f5es como a retratada na presente controv\u00e9rsia, em que na fase inicial de habilita\u00e7\u00e3o, o cr\u00e9dito ainda era il\u00edquido e n\u00e3o foi realizada a reserva de valores (art. 6\u00ba, \u00a7 3\u00ba, da LREF). Ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a indenizat\u00f3ria, que estabeleceu o pagamento de valor certo, havia d\u00favida se o cr\u00e9dito deveria ou n\u00e3o se submeter aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Assim, <a>o cr\u00e9dito acabou por n\u00e3o ser habilitado na fase inicial e o credor afirma que pretende aguardar o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o para prosseguir com a execu\u00e7\u00e3o individual.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que a lei n\u00e3o obriga o credor a habilitar seu cr\u00e9dito. De fato, nos dispositivos legais que tratam do tema (arts. 8\u00ba e 10 da LREF), \u00e9 utilizada a constru\u00e7\u00e3o &#8220;poder\u00e1 apresentar habilita\u00e7\u00e3o&#8221; e n\u00e3o dever\u00e1. Afinal, trata-se de direito dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>De todo modo, o credor n\u00e3o pode prosseguir com a execu\u00e7\u00e3o individual de seu cr\u00e9dito durante a recupera\u00e7\u00e3o, sob pena de inviabilizar o sistema, prejudicando os credores habilitados, como j\u00e1 decidiu a Segunda Se\u00e7\u00e3o no julgamento do CC n. 114.952\/SP.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o que se p\u00f5e a debate ent\u00e3o \u00e9 definir se, n\u00e3o sendo obrigat\u00f3ria a habilita\u00e7\u00e3o, a execu\u00e7\u00e3o pode ficar suspensa, retomando seu andamento ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Turma tem alguns julgados entendendo pela possibilidade de continuidade da execu\u00e7\u00e3o depois do encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Referidos julgados, como alguns outros que podem ser encontrados em pesquisa de jurisprud\u00eancia, mencionam o CC n. 114.952\/SP para afirmar que a Segunda Se\u00e7\u00e3o desta Corte j\u00e1 decidiu a quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de se ver, por\u00e9m, que o precedente mencionado \u00e9 um conflito de compet\u00eancia, tendo sido a mat\u00e9ria debatida nos limites de sua cogni\u00e7\u00e3o. O ac\u00f3rd\u00e3o proferido no conflito de compet\u00eancia apenas tangenciou o tema da possibilidade de prosseguimento da execu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o, justamente porque esse n\u00e3o era o seu objeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto \u00e9 assim que, em recente julgado, a Quarta Turma, no REsp 1.851.692\/RJ, da relatoria do Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, se debru\u00e7ou sobre o tema, decidindo que os credores voluntariamente exclu\u00eddos da recupera\u00e7\u00e3o judicial det\u00eam a prerrogativa de decidir entre se habilitar ou promover a execu\u00e7\u00e3o individual ap\u00f3s encerrada a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Anota-se, por oportuno, que ainda pendem de julgamento os embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos ao respectivo ac\u00f3rd\u00e3o, nos quais se discute, entre outras coisas, se, ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, a execu\u00e7\u00e3o deve prosseguir pelo valor integral do cr\u00e9dito ou se deve observar as condi\u00e7\u00f5es do plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, considerando que ainda n\u00e3o h\u00e1 jurisprud\u00eancia consolidada sobre o tema, talvez a quest\u00e3o mere\u00e7a uma reflex\u00e3o mais detida. <strong>O entendimento de que o credor pode decidir aguardar e prosseguir com a execu\u00e7\u00e3o pelo valor integral do cr\u00e9dito ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o parece estar de acordo com o que disp\u00f5e o artigo 49 da LREF<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 49, \u00a7 2\u00ba, da LREF afirma que as obriga\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o observar\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es originalmente contratadas, salvo se de modo diverso ficar estabelecido no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a recuperanda pode decidir excluir do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial alguma classe de credores, ou mesmo uma subclasse, que entende deva ser paga na forma da contrata\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa classe de credores exclu\u00edda ser\u00e1 paga normalmente durante o curso da recupera\u00e7\u00e3o judicial, j\u00e1 que seus cr\u00e9ditos n\u00e3o foram modificados. Fica claro, assim, que n\u00e3o ter\u00e3o interesse em se habilitar, pois nem sequer podem votar um plano que n\u00e3o lhes atinge.<\/p>\n\n\n\n<p>O que n\u00e3o parece poss\u00edvel, \u00e9 permitir que a recuperanda exclua credores singularmente, conferindo aos exclu\u00eddos a possibilidade de habilitarem ou n\u00e3o seus cr\u00e9ditos no procedimento ou prosseguirem com a execu\u00e7\u00e3o individual posteriormente pelo valor integral do cr\u00e9dito corrigido e acrescido dos encargos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de exclus\u00e3o volunt\u00e1ria deve se circunscrever a uma classe ou subclasse de credores, que receber\u00e3o seus cr\u00e9ditos na forma originalmente contratada, situa\u00e7\u00e3o devidamente informada aos demais. Quanto aos credores singularmente exclu\u00eddos da recupera\u00e7\u00e3o, devem habilitar seus cr\u00e9ditos na forma definida na Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguma diverg\u00eancia a respeito do que caracterizaria o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial para o fim de prosseguimento das execu\u00e7\u00f5es. Existem aqueles que entendem que o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial coincide com o t\u00e9rmino da fase judicial (art. 61 da LREF) e os que defendem que a recupera\u00e7\u00e3o somente se encerra com o pagamento integral de todas as obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, na hip\u00f3tese de as execu\u00e7\u00f5es poderem prosseguir depois do pagamento integral das obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, ter\u00edamos situa\u00e7\u00f5es em que, prevendo o plano o pagamento parcelado do cr\u00e9dito pelo prazo de 10 (dez) ou 20 (vinte) anos, as execu\u00e7\u00f5es teriam que ficar suspensas durante esse longo per\u00edodo, o que n\u00e3o parece estar de acordo com o princ\u00edpio da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e nem sequer com a seguran\u00e7a jur\u00eddica (art. 4\u00ba do C\u00f3digo de Processo Civil de 2015).<\/p>\n\n\n\n<p>Caso adotado o entendimento de que a recupera\u00e7\u00e3o judicial termina com o encerramento da fase judicial, a execu\u00e7\u00e3o poderia prosseguir, respeitadas as condi\u00e7\u00f5es impostas aos demais credores da mesma classe (nova\u00e7\u00e3o), o que em tese afastaria eventual desigualdade entre os credores. Conforme j\u00e1 referido, prosseguir com a execu\u00e7\u00e3o pelo valor integral do cr\u00e9dito iria esvaziar o prop\u00f3sito da recupera\u00e7\u00e3o e propiciar a ocorr\u00eancia de fraudes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, nessa situa\u00e7\u00e3o, a execu\u00e7\u00e3o iria prosseguir com base na senten\u00e7a concessiva da recupera\u00e7\u00e3o judicial, observadas as diretrizes estabelecidas no plano aprovado, e n\u00e3o mais pelo t\u00edtulo executivo origin\u00e1rio, a ensejar, na verdade, a extin\u00e7\u00e3o do feito executivo inicialmente proposto e o ajuizamento de um novo pedido de cumprimento de senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o simples prosseguimento da execu\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o se mostra invi\u00e1vel, quer se adote o entendimento de que ele coincide com o t\u00e9rmino da fase judicial (art. 61 da LREF) ou que se encerra com o pagamento integral de todas as obriga\u00e7\u00f5es previstas no plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, apesar de o credor que n\u00e3o foi citado na rela\u00e7\u00e3o inicial de que trata o art. 51, III e IX, da Lei n. 11.101\/2005 n\u00e3o ser obrigado a se habilitar, pois o direito de cr\u00e9dito \u00e9 dispon\u00edvel, n\u00e3o ter\u00e1 ele o direito de receber seu cr\u00e9dito pelo valor integral, devendo se submeter \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese analisada, portanto, deve ser extinto o cumprimento de senten\u00e7a, facultando-se ao credor, considerando que a recupera\u00e7\u00e3o judicial ainda n\u00e3o foi encerrada por senten\u00e7a transitada em julgado, i) promover a habilita\u00e7\u00e3o de seu cr\u00e9dito na recupera\u00e7\u00e3o judicial, se assim desejar, ou ii) apresentar novo pedido de cumprimento de senten\u00e7a ap\u00f3s o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial, devendo levar em considera\u00e7\u00e3o, no entanto, que o seu cr\u00e9dito sofre os efeitos do plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado, diante da nova\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>ope legis<\/em>&nbsp;(art. 59 da LREF).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O credor n\u00e3o indicado na rela\u00e7\u00e3o inicial de que trata o art. 51, III e IX, da Lei n. 11.101\/2005 n\u00e3o est\u00e1 obrigado a se habilitar, mas n\u00e3o ter\u00e1 o direito de receber seu cr\u00e9dito pelo valor integral, devendo se submeter \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial aprovado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-incidencia-da-causa-de-aumento-de-pratica-de-furto-no-periodo-noturno-em-sua-forma-qualificada\"><a>15.&nbsp; Incid\u00eancia da causa de aumento de pr\u00e1tica de furto no per\u00edodo noturno em sua forma qualificada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A causa de aumento prevista no \u00a7 1\u00b0 do art. 155 do C\u00f3digo Penal (pr\u00e1tica do crime de furto no per\u00edodo noturno) n\u00e3o incide no crime de furto na sua forma qualificada (\u00a7 4\u00b0).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.890.981-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/05\/2022 (Tema 1087) (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo foi condenado pelo crime de furto qualificado pelo uso de escalada, mas o Tribunal local decidiu pela inaplicabilidade da causa especial de aumento relativa ao repouso noturno ao furto qualificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o MP interp\u00f4s recurso especial no qual alega que n\u00e3o h\u00e1 impedimento para que a mencionada causa de aumento se aplique tamb\u00e9m ao furto qualificado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 59 &#8211; O juiz, atendendo \u00e0 culpabilidade, aos antecedentes, \u00e0 conduta social, \u00e0 personalidade do agente, aos motivos, \u00e0s circunst\u00e2ncias e conseq\u00fc\u00eancias do crime, bem como ao comportamento da v\u00edtima, estabelecer\u00e1, conforme seja necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as penas aplic\u00e1veis dentre as cominadas;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a quantidade de pena aplic\u00e1vel, dentro dos limites previstos;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/1980-1988\/L7209.htm#art59\">;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa da liberdade aplicada, por outra esp\u00e9cie de pena, se cab\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155 &#8211; Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia m\u00f3vel:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba &#8211; A pena aumenta-se de um ter\u00e7o, se o crime \u00e9 praticado durante o repouso noturno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba &#8211; A pena \u00e9 de reclus\u00e3o de dois a oito anos, e multa, se o crime \u00e9 cometido:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; com destrui\u00e7\u00e3o ou rompimento de obst\u00e1culo \u00e0 subtra\u00e7\u00e3o da coisa;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; com abuso de confian\u00e7a, ou mediante fraude, escalada ou destreza;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; com emprego de chave falsa;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; mediante concurso de duas ou mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-incide-na-forma-qualificada\"><a>15.2.2. Incide na forma qualificada?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se, preliminarmente, que se pode pensar que a fixa\u00e7\u00e3o de um precedente judicial guarda rela\u00e7\u00e3o direta com a consolida\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial un\u00edssona e reiterada do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, sobretudo quanto coincidente com a posi\u00e7\u00e3o adotada pelo Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, essa premissa n\u00e3o \u00e9 absoluta. Se a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial n\u00e3o guarda compatibilidade com a melhor interpreta\u00e7\u00e3o dos postulados de reg\u00eancia e com o contexto social em que se insere a aplica\u00e7\u00e3o das normas jur\u00eddicas, mostra-se inequ\u00edvoca a necessidade de sua revis\u00e3o, mormente quando desta resultar\u00e1 um posicionamento judicial vinculat\u00f3rio que pressup\u00f5e seguran\u00e7a jur\u00eddica e, por conseguinte, longevidade. Assim, a constru\u00e7\u00e3o de precedente judicial na via do recurso especial repetitivo constitui momento adequado para o reexame de entendimentos derivados da interpreta\u00e7\u00e3o do direito infraconstitucional, para que se mantenham ou se ad\u00e9quem a novas realidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A disposi\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do C\u00f3digo Penal assim se apresenta: refere-se o art. 155, \u00a7 1\u00ba, do <a>CP<\/a> \u00e0 pena do furto simples, prevista no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;desse dispositivo. Desse modo, n\u00e3o se refere \u00e0 comina\u00e7\u00e3o do furto qualificado, que se encontra tr\u00eas par\u00e1grafos depois. Seguindo a t\u00e9cnica legislativa, para que considerasse aplic\u00e1vel a majorante no furto qualificado, deveria o legislador colocar o \u00a7 1\u00ba ap\u00f3s a pena atribu\u00edda, o que n\u00e3o ocorreu. Se a qualifica\u00e7\u00e3o do delito \u00e9 apresentada em par\u00e1grafo posterior ao que trata da majorante, \u00e9 porque o legislador afastou a incid\u00eancia desta em rela\u00e7\u00e3o aos crimes qualificados previstos no \u00a7 4\u00ba do art. 155 do CP. Nesse contexto, aderindo a uma interpreta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica sob o vi\u00e9s topogr\u00e1fico, em que se define a extens\u00e3o interpretativa de um dispositivo legal levando-se em conta sua localiza\u00e7\u00e3o no conjunto normativo, a aplica\u00e7\u00e3o da referida causa de aumento limitar-se-ia ao furto simples, n\u00e3o incidindo, pois, no furto qualificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra forma interpretativa para dirimir a quest\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo hermen\u00eautico teleol\u00f3gico. Aqui, o que se prop\u00f5e \u00e9 a averigua\u00e7\u00e3o do objetivo da norma, de seus fins sociais, objetivos ligados \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e \u00e0 dignidade da pessoa humana. Com efeito, quando se busca o atendimento a esses aspectos, especialmente o relativo \u00e0 dignidade humana, devem ser atendidos os princ\u00edpios da proporcionalidade e da taxatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o vi\u00e9s do princ\u00edpio da proporcionalidade, objetiva-se evitar excesso de puni\u00e7\u00e3o, mormente a possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o de reprimendas mais severas a infra\u00e7\u00f5es que refletem menor gravidade, assim como evitar que haja prote\u00e7\u00e3o insuficiente aos bens jur\u00eddicos resguardados pelas normas penais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, a agrava\u00e7\u00e3o da pena derivada da incid\u00eancia da majorante do furto noturno nas hip\u00f3teses do furto qualificado resultaria em um desproporcional quantitativo. Veja-se: o dispositivo relacionado ao furto cometido durante o repouso noturno (art. 155, \u00a7 1\u00ba, do CP) prev\u00ea acr\u00e9scimo fixo de 1\/3 da pena. Se poss\u00edvel a incid\u00eancia dessa mesma majorante no furto qualificado (art. 155, \u00a7 4\u00ba, do CP), seriam gerados aumentos excessivos no quantitativo da pena: se considerada a pena m\u00ednima, o acr\u00e9scimo seria de 8 meses (pena m\u00ednima de 2 anos do crime qualificado, aumentada em 1\/3). De outra parte, se considerada a pena m\u00e1xima, o aumento resultaria em 2 anos e 8 meses. Dessa forma, a pena do crime de furto qualificado, acrescida do<em>&nbsp;quantum<\/em>&nbsp;relativo \u00e0 incid\u00eancia da majorante, desconsiderando-se a incid\u00eancia de quaisquer outras circunst\u00e2ncias agravantes ou causas de aumento, poderia resultar em 10 anos e 8 meses, pena superior \u00e0 do crime de roubo, tipo penal em que se protegem n\u00e3o s\u00f3 bens patrimoniais, tal qual no crime de furto, mas tamb\u00e9m a integridade corporal. Sendo assim, n\u00e3o se mostra razo\u00e1vel que determinada pena possa ser semelhante para crimes de gravidades diversas, como s\u00e3o o furto, ainda que em sua forma qualificada, e o roubo.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescente-se, tamb\u00e9m sob o enfoque do princ\u00edpio da proporcionalidade, que, sendo a controv\u00e9rsia a interpreta\u00e7\u00e3o de normas penais que podem ensejar, em um cen\u00e1rio de d\u00favida, a incid\u00eancia de penas mais severas, \u00e9 razo\u00e1vel que tamb\u00e9m se analise o tema sob a perspectiva das circunst\u00e2ncias a seguir relacionadas, muitas delas relativas \u00e0 pol\u00edtica criminal, que n\u00e3o contribuir\u00e3o para a concretiza\u00e7\u00e3o do escopo preventivo, repressivo e reabilitat\u00f3rio do Direito Penal: a) busca de resolu\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es sociais mediante a exagerada edi\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o penal e processual penal mais severa; b) exist\u00eancia de componentes administrativos na seara criminal que operam com defici\u00eancia, tais como os estabelecimentos prisionais, a sobrecarga dos tribunais, a inefic\u00e1cia de aplica\u00e7\u00e3o de penas cl\u00e1ssicas, sobretudo sobre o aspecto da reabilita\u00e7\u00e3o do condenado, o alto custo do sistema penitenci\u00e1rio associado \u00e0 escassez de recursos p\u00fablicos para sua manuten\u00e7\u00e3o e melhoria, etc.<br \/>Deve-se registrar tamb\u00e9m que o princ\u00edpio da proporcionalidade destina-se igualmente a evitar a prote\u00e7\u00e3o insuficiente ou deficiente dos bens jur\u00eddicos resguardados pelo Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, <strong>\u00e9 evidente que a lesividade advinda do cometimento do furto qualificado durante o repouso noturno \u00e9 maior que a do furto simples ocorrente no mesmo per\u00edodo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, \u00e9 razo\u00e1vel admitir a possibilidade de, diante das circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas, a pr\u00e1tica do furto durante o per\u00edodo de repouso noturno ser levada em considera\u00e7\u00e3o na dosimetria da pena. Em outras palavras, se a incid\u00eancia da majorante no furto qualificado mostra-se excessiva, poder\u00e1 ser utilizada como circunst\u00e2ncia judicial negativa na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP). Nessa oportunidade, o \u00f3rg\u00e3o julgador avaliar\u00e1, sob a \u00f3tica de sua discricionariedade, o elemento relativo ao espa\u00e7o temporal em que a infra\u00e7\u00e3o foi cometida, podendo, se assim considerar, analisar a circunst\u00e2ncia judicial referente \u00e0s circunst\u00e2ncias do crime com maior reprovabilidade. Esse proceder possibilitaria calibrar a reprimenda de modo a atender o postulado da proporcionalidade diante do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ressalte-se que essa mat\u00e9ria &#8211; possibilidade de considera\u00e7\u00e3o da causa de aumento relativa ao repouso noturno como circunst\u00e2ncia judicial desfavor\u00e1vel (art. 59 do CP) quando do cometimento do furto qualificado &#8211; n\u00e3o enseja a fixa\u00e7\u00e3o de tese vinculante na via do recurso especial repetitivo, visto que a variabilidade dos conceitos empregados no exerc\u00edcio discricion\u00e1rio do \u00f3rg\u00e3o julgador na confec\u00e7\u00e3o da primeira etapa da dosimetria penal \u00e9 incompat\u00edvel com o estabelecimento de fundamentos vinculat\u00f3rios, tais como os exigidos na fixa\u00e7\u00e3o de tese no sistema de precedentes judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob o prisma do princ\u00edpio da taxatividade, como garantia expressa do postulado da legalidade, deve-se entender que, ao ser positivada uma norma penal incriminadora &#8211; tal como uma causa de aumento de pena -, deve ela ser clara e precisa com vistas a n\u00e3o permitir discricionariedades, bem como ser de f\u00e1cil compreens\u00e3o para os destinat\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Efetivamente, <strong>n\u00e3o h\u00e1 precis\u00e3o e clareza desej\u00e1veis na proposi\u00e7\u00e3o penal prevista no art. 155, \u00a7 1\u00ba, do CP quando se deve definir sua aplicabilidade tanto ao furto simples quanto ao furto qualificado<\/strong>. Restrita essa norma a indicar situa\u00e7\u00e3o temporal em que h\u00e1 aumento de pena, n\u00e3o se veem nela elementos que lhe confiram extens\u00e3o para que incida nas hip\u00f3teses do furto qualificado. Pensamento diverso, de modo a justificar a incid\u00eancia extensiva dessa disposi\u00e7\u00e3o legal, equivaleria a um agravamento dos tipos j\u00e1 existentes atrav\u00e9s de uma reinterpreta\u00e7\u00e3o de garantias do Direito Penal, especialmente aquela relacionada \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao r\u00e9u nos casos em que h\u00e1 d\u00favida acerca do sentido da norma. Deve-se ressaltar que a interpreta\u00e7\u00e3o no sentido de possibilitar a exist\u00eancia de bens jur\u00eddico-penais n\u00e3o expressamente definidos amplia os espa\u00e7os de riscos jur\u00eddico-penais relevantes e a flexibiliza\u00e7\u00e3o das regras de imputa\u00e7\u00e3o e relativiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios pol\u00edtico-criminais de garantia, circunst\u00e2ncias que n\u00e3o condizem com a excepcionalidade inerente \u00e0s normas penais sancionat\u00f3rias, assim como n\u00e3o se compatibilizam com a necess\u00e1ria seguran\u00e7a jur\u00eddica, fundamento do Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o se justifica a premissa de que, uma vez poss\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o da regra do furto privilegiado (art. 155, \u00a7 2\u00ba, do CP) ao furto qualificado, seria poss\u00edvel a incid\u00eancia da causa de aumento relativa ao cometimento do furto durante o repouso noturno (art. 155, \u00a7 1\u00ba, do CP) no furto qualificado.<br \/>Essa situa\u00e7\u00e3o merece algumas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O privil\u00e9gio previsto no \u00a7 2\u00ba do art. 155 e a causa de aumento relativa ao furto noturno s\u00e3o hip\u00f3teses f\u00e1tico-jur\u00eddicas diversas. A primeira refere-se a uma norma penal n\u00e3o incriminadora; a segunda, a uma causa de aumento, uma norma penal incriminadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o furto privilegiado uma norma n\u00e3o incriminadora, pode comportar extensividade quando utilizado para integra\u00e7\u00e3o do sistema jur\u00eddico penal. J\u00e1 o furto cometido durante o repouso noturno, por ser uma norma incriminadora, tem sua extensividade vedada, visto que tem por consect\u00e1rio o agravamento da situa\u00e7\u00e3o do r\u00e9u. Com efeito, o uso de racioc\u00ednio anal\u00f3gico integrativo no \u00e2mbito do Direito Penal \u00e9 inadmiss\u00edvel em hip\u00f3tese em que haja preju\u00edzo para o acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, tamb\u00e9m sob a \u00f3tica de uma interpreta\u00e7\u00e3o final\u00edstica, em que se deve conferir aplicabilidade aos princ\u00edpios da proporcionalidade e da taxatividade, a incid\u00eancia da causa de aumento referente ao cometimento do furto noturno limita-se ao furto simples, n\u00e3o se aplicando ao furto qualificado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A causa de aumento prevista no \u00a7 1\u00b0 do art. 155 do C\u00f3digo Penal (pr\u00e1tica do crime de furto no per\u00edodo noturno) n\u00e3o incide no crime de furto na sua forma qualificada (\u00a7 4\u00b0).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-delito-de-trafico-de-drogas-praticado-nas-proximidades-ou-nas-imediacoes-de-estabelecimento-de-ensino-e-possibilidade-de-afastamento-da-a-incidencia-da-majorante-prevista-no-art-40-inciso-iii-da-lei-n-11-343-2006\"><a>16.&nbsp; Delito de tr\u00e1fico de drogas praticado nas proximidades ou nas imedia\u00e7\u00f5es de estabelecimento de ensino e possibilidade de afastamento da a incid\u00eancia da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343\/2006<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No delito <a>de <\/a><a>tr\u00e1fico de drogas praticado nas proximidades ou nas imedia\u00e7\u00f5es de estabelecimento de ensino<\/a>, pode-se, excepcionalmente, em raz\u00e3o das peculiaridades do caso concreto, afastar <a>a incid\u00eancia da majorante prevista no <\/a><a>art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343\/2006.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 728.750-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, Julgado em 17\/05\/2022, DJe de 19\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi denunciado e condenado pelo delito de tr\u00e1fico de drogas praticado nas proximidades ou nas imedia\u00e7\u00f5es de estabelecimento de ensino. Por\u00e9m, sua defesa sustenta inaplic\u00e1vel a majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343\/2006, uma vez que o delito foi cometido enquanto as escolas de ensino do DF estavam fechadas por conta das medidas restritivas de combate \u00e0 COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei s\u00e3o aumentadas de um sexto a dois ter\u00e7os, se:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; a infra\u00e7\u00e3o tiver sido cometida nas depend\u00eancias ou imedia\u00e7\u00f5es de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espet\u00e1culos ou divers\u00f5es de qualquer natureza, de servi\u00e7os de tratamento de dependentes de drogas ou de reinser\u00e7\u00e3o social, de unidades militares ou policiais ou em transportes p\u00fablicos;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-possivel-afastar-a-majorante\"><a>16.2.2. Poss\u00edvel afastar a majorante?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Excepcionalmente, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a causa especial de aumento de pena em quest\u00e3o, \u00e9 certo que este Superior Tribunal possui o entendimento de que, &#8220;Para a incid\u00eancia da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343\/2006 \u00e9 desnecess\u00e1ria a efetiva comprova\u00e7\u00e3o de mercancia nos referidos locais, sendo suficiente que a pr\u00e1tica il\u00edcita tenha ocorrido em locais pr\u00f3ximos, ou seja, nas imedia\u00e7\u00f5es de tais estabelecimentos, diante da exposi\u00e7\u00e3o de pessoas ao risco inerente \u00e0 atividade criminosa da narcotrafic\u00e2ncia. [&#8230;]&#8221; (HC 407.487\/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6\u00aa T., DJe 15\/12\/2017).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, no caso, verifica-se a presen\u00e7a de uma PARTICULARIDADE que, \u00e0 luz da mens legis da referida majorante, justifica sua n\u00e3o incid\u00eancia em desfavor do acusado. A raz\u00e3o de ser dessa causa especial de aumento de pena \u00e9 a de punir, com maior rigor, aquele que, nas imedia\u00e7\u00f5es ou nas depend\u00eancias dos locais especificados no inciso III do art. 40 da <a>Lei n. 11.343\/2006<\/a>, dada a maior aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas, tem como mais \u00e1gil e facilitada a pr\u00e1tica do tr\u00e1fico de drogas (aqui inclu\u00eddos quaisquer dos n\u00facleos previstos no art. 33 da citada lei), justamente porque, em localidades como tais, \u00e9 mais f\u00e1cil ao traficante passar despercebido \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o policial, al\u00e9m de ser maior o grau de vulnerabilidade das pessoas reunidas em determinados lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, no caso, <strong>o tr\u00e1fico foi cometido 28\/04\/2020, momento em que as <a>escolas de ensino do DF estavam fechadas por conta das medidas restritivas de combate \u00e0 COVID-19<\/a>, situa\u00e7\u00e3o que perdurou entre mar\u00e7o de 2020 e agosto de 2021, quando as aulas presenciais foram retomadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja-se, portanto, que a proximidade do com\u00e9rcio il\u00edcito de drogas com os estabelecimentos de ensino e esporte foi, na verdade, um elemento meramente acidental, sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o real e efetiva com a trafic\u00e2ncia. N\u00e3o h\u00e1 nenhum dado concreto de que haja o r\u00e9u se aproveitado das facilidades de eventual aglomera\u00e7\u00e3o de estudantes, de professores ou mesmo de casual hipossufici\u00eancia dos alunos da escola para, a partir delas, implementar o seu neg\u00f3cio il\u00edcito e propagar, com maior facilidade, a venda, a aquisi\u00e7\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 venda etc. de drogas. Tamb\u00e9m n\u00e3o creio se haja incrementado o risco a que se poderiam expor os alunos da escola e frequentadores do conjunto poliesportivo em raz\u00e3o da conduta em apre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, por mais que tanto a jurisprud\u00eancia quanto a doutrina entendam ser a majorante descrita no inciso III do art. 40 de car\u00e1ter precipuamente objetivo (n\u00e3o \u00e9, pois, em regra, necess\u00e1rio que se comprove a efetiva mercancia nos locais elencados na lei, tampouco que a subst\u00e2ncia entorpecente atinja, diretamente, os trabalhadores, os estudantes, as pessoas hospitalizadas etc.), n\u00e3o h\u00e1 como perder de vista a raz\u00e3o de ser da causa especial de aumento de pena em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No delito de tr\u00e1fico de drogas praticado nas proximidades ou nas imedia\u00e7\u00f5es de estabelecimento de ensino, pode-se, excepcionalmente, em raz\u00e3o das peculiaridades do caso concreto, afastar a incid\u00eancia da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-criticas-fortes-por-parte-da-imprensa-e-uso-do-direito-penal\"><a>17.&nbsp; Cr\u00edticas fortes por parte da imprensa e uso do direito penal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es por parte da imprensa de natureza cr\u00edtica, sat\u00edrica, agressiva, grosseira ou deselegante n\u00e3o autorizam, por si s\u00f3s, o uso do direito penal para, mesmo que de forma indireta, silenciar a atividade jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 691.897-DF, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o), Rel. Acd. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, julgado em 17\/05\/2022, DJe 26\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O PGR, Augusto Aras, apresentou queixa-crime em desfavor do jornalista Andr\u00e9, na qual alega a suposta pr\u00e1tica dos crimes de cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria. Conforme se extrai dos autos, o jornalista teria publicado mat\u00e9ria intitulada \u201cProcurador de Estima\u00e7\u00e3o\u201d e tendo como subt\u00edtulo: \u201cAugusto Aras \u00e9, ao mesmo tempo, c\u00e3o de guarda de Bolsonaro e perdigueiro dos inimigos do ex-capit\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-cabivel-o-uso-do-direito-penal-para-o-caso\"><a>17.2.1. Cab\u00edvel o uso do direito penal para o caso<\/a>?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Negativo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de queixa crime apresentada por autoridade p\u00fablica (Procurador-Geral da Rep\u00fablica) contra jornalista, ap\u00f3s publica\u00e7\u00e3o, em revista nacional, de reportagem cr\u00edtica \u00e0 atua\u00e7\u00e3o no cargo por ele ocupado. Imputa\u00e7\u00e3o dos crimes de <a>cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o e inj\u00faria<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso presente \u00e9 at\u00e9 mais emblem\u00e1tico do que aquele julgado pela Terceira Se\u00e7\u00e3o e da relatoria do Ministro Ribeiro Dantas &#8211; HC 653.641\/TO. No referido julgado, O STJ, examinando o m\u00e9rito dos delitos imputados ao ent\u00e3o paciente, entendeu que n\u00e3o ficara demonstrado o dolo direto, o&nbsp;<em>animus injuriandi<\/em>, o investigado era uma pessoa particular que se limitara a patrocinar&nbsp;<em>outdoors<\/em>&nbsp;com cr\u00edticas ao Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Na presente hip\u00f3tese, trata-se de um querelado, jornalista, que, nesta condi\u00e7\u00e3o, assinou reportagem, em revista de circula\u00e7\u00e3o nacional, criticando a atua\u00e7\u00e3o do querelante, servidor p\u00fablico federal, figura p\u00fablica, no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, bem como quanto ao seu relacionamento com o Presidente da Rep\u00fablica, tamb\u00e9m servidor p\u00fablico, pessoa que o nomeou para o exerc\u00edcio do cargo que, quando dos fatos, ocupava, e ainda ocupa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tais circunst\u00e2ncias n\u00e3o podem e n\u00e3o devem ser desconsideradas no presente caso. N\u00e3o se trata de um cidad\u00e3o comum atacando, por meio de redes sociais, um outro cidad\u00e3o comum com cr\u00edticas \u00e1cidas, ofensivas, sat\u00edricas. N\u00e3o. Trata-se de um jornalista que criticou, em reportagem assinada, um servidor p\u00fablico federal, chefe do Minist\u00e9rio P\u00fablico, por atos que praticou (e que, no entender do rep\u00f3rter, n\u00e3o deveria ter praticado) e atos que n\u00e3o praticou (e que, novamente no seu entender, deveria ter praticado).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foram pesadas, violentas e at\u00e9 mesmo grosseiras, sim, mas caso se admita que um servidor p\u00fablico de alto escala\u00e7\u00e3o n\u00e3o possa ter sua atua\u00e7\u00e3o funcional criticada, mesmo da forma que foi no caso concreto, ser\u00e1 o mesmo que manter sobre o jornalismo uma amea\u00e7a constante de puni\u00e7\u00e3o, de natureza penal<\/strong>, caso as cr\u00edticas eventualmente tecidas sejam inconvenientes, sat\u00edricas, inoportunas ao olhar do criticado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como disse o Ministro Alexandre de Moraes quando do julgamento da ADI 4.451: Tanto a liberdade de express\u00e3o quanto a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em uma democracia representativa somente se fortalecem em um ambiente de total visibilidade e possibilidade de exposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica das mais variadas opini\u00f5es sobre os governantes. O direito fundamental \u00e0 liberdade de express\u00e3o n\u00e3o se direciona somente a proteger as opini\u00f5es supostamente verdadeiras, admir\u00e1veis ou convencionais, mas tamb\u00e9m aquelas que s\u00e3o duvidosas, exageradas, conden\u00e1veis, sat\u00edricas, humor\u00edsticas, bem como as n\u00e3o compartilhadas pela maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ainda, diante das afirmativas do querelante de que os fatos descritos na reportagem e a ele imputados pelo paciente\/agravante n\u00e3o s\u00e3o verdadeiros e, portanto, constituem tamb\u00e9m cal\u00fania, que, como disse o Ministro Ribeiro Dantas no precedente mais acima citado, os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o t\u00eam o dever de apurar, com boa-f\u00e9 e dentro de crit\u00e9rios de razoabilidade, a corre\u00e7\u00e3o do fato ao qual dar\u00e3o publicidade. \u00c9 bem de ver, no entanto, que n\u00e3o se trata de uma verdade objetiva, mas subjetiva, subordinada a um ju\u00edzo de plausibilidade e ao ponto de observa\u00e7\u00e3o de quem a divulga. Para haver responsabilidade, \u00e9 necess\u00e1rio haver clara neglig\u00eancia na apura\u00e7\u00e3o do fato ou dolo na difus\u00e3o da falsidade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1, portanto, a presen\u00e7a de dolo espec\u00edfico por parte do jornalista no sentido de caluniar, injuriar ou difamar o procurador. H\u00e1, sim, cr\u00edticas duras, grosseiras, certamente inapropriadas ou mesmo injustas, mas n\u00e3o a presen\u00e7a de&nbsp;<em>animus injuriandi<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-resultado-final\"><a>17.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es por parte da imprensa de natureza cr\u00edtica, sat\u00edrica, agressiva, grosseira ou deselegante n\u00e3o autorizam, por si s\u00f3s, o uso do direito penal para, mesmo que de forma indireta, silenciar a atividade jornal\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-efeitos-da-novatio-legis-in-mellius-engendrada-pela-lei-n-13-654-2018\"><a>18.&nbsp; Efeitos da novatio legis in mellius engendrada pela Lei n. 13.654\/2018<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. Em raz\u00e3o da&nbsp;<a>novatio legis in mellius<\/a>&nbsp;engendrada pela Lei n. 13.654\/2018, o emprego de arma branca, embora n\u00e3o configure mais causa de aumento do crime de roubo, poder\u00e1 ser utilizado como <a>fundamento para a majora\u00e7\u00e3o da pena-base, <\/a>quando as circunst\u00e2ncias do caso concreto assim justificarem.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O julgador deve fundamentar o novo apenamento ou justificar a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do incremento na basilar, nos termos do que disp\u00f5e o art. 387, II e III, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>3. N\u00e3o cabe a esta Corte Superior a transposi\u00e7\u00e3o valorativa da circunst\u00e2ncia para a primeira fase da dosimetria ou mesmo compelir que o Tribunal de origem assim o fa\u00e7a, em raz\u00e3o da discricionariedade do julgador ao aplicar a&nbsp;novatio legis in mellius.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.921.190-MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 25\/05\/2022, DJe 26\/05\/2022. (Tema 1110) (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu foi condenado incurso no art. 157, \u00a7 2 \u00b0, inc. I, do C\u00f3digo Penal, \u00e0s penas de 7 anos de reclus\u00e3o, em regime inicial fechado, mais 80 (oitenta) dias-multa em raz\u00e3o do emprego de faca na execu\u00e7\u00e3o do delito. Sua defesa interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando a aplica\u00e7\u00e3o retroativa da Lei n. 13.654\/2018, com a exclus\u00e3o da majorante do art. 157, \u00a7 2\u00b0, inciso I, do CP do c\u00e1lculo dosim\u00e9trico da pena.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 157 &#8211; Subtrair coisa m\u00f3vel alheia, para si ou para outrem, mediante grave amea\u00e7a ou viol\u00eancia a pessoa, ou depois de hav\u00ea-la, por qualquer meio, reduzido \u00e0 impossibilidade de resist\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de quatro a dez anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba-A &nbsp;A pena aumenta-se de 2\/3 (dois ter\u00e7os)<\/p>\n\n\n\n<p>I \u2013 se a viol\u00eancia ou amea\u00e7a \u00e9 exercida com emprego de arma de fogo;<\/p>\n\n\n\n<p>II \u2013 se h\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o ou rompimento de obst\u00e1culo mediante o emprego de explosivo ou de artefato an\u00e1logo que cause perigo comum.<\/p>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;387.&nbsp;&nbsp;O juiz, ao proferir senten\u00e7a condenat\u00f3ria:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; mencionar\u00e1 as outras circunst\u00e2ncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na aplica\u00e7\u00e3o da pena, de acordo com o disposto nos&nbsp;arts. 59 e 60 do Decreto-Lei n<sup>o<\/sup>&nbsp;2.848, de 7 de dezembro de 1940 &#8211; C\u00f3digo Penal;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; aplicar\u00e1 as penas de acordo com essas conclus\u00f5es;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-uso-de-arma-branca-somente-como-fundamento-para-a-majoracao-da-pena-base\"><a>18.2.2. Uso de arma branca somente como fundamento para a majora\u00e7\u00e3o da pena-base?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como se sabe, a primeira modifica\u00e7\u00e3o introduzida pela Lei n. 13.654\/18, no crime de roubo, <strong>foi a revoga\u00e7\u00e3o do inciso I, do \u00a7 2\u00ba, do art. 157, restringindo a majorante relativa ao emprego de arma \u00e0s situa\u00e7\u00f5es nas quais seja utilizada arma de fogo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o dispositivo revogado, a pena do roubo sofria aumento de um ter\u00e7o \u00e0 metade se a viol\u00eancia ou a amea\u00e7a fosse exercida com emprego de &#8220;arma&#8221;, prevalecendo na doutrina a orienta\u00e7\u00e3o de que &#8220;arma&#8221;, compreendia todo o objeto ou utens\u00edlio que servisse para matar, ferir ou amea\u00e7ar, independentemente da forma ou do destino principal.<\/p>\n\n\n\n<p>A revoga\u00e7\u00e3o do inciso I, do \u00a7 2\u00ba, se seguiu da inser\u00e7\u00e3o do \u00a7 2\u00ba-A, que, no inciso I, majora a pena se a viol\u00eancia ou a amea\u00e7a \u00e9 exercida com emprego de arma de fogo, punindo-a, agora, de forma mais severa. Tem-se, portanto, que o legislador optou por excluir da abrang\u00eancia da majorante os objetos que, embora possam ser utilizados para intimidar, n\u00e3o foram concebidos com esta finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se, portanto, que a restri\u00e7\u00e3o promovida pela Lei n. 13.654\/2018 foi ben\u00e9fica, configurando&nbsp;<em>novatio legis in mellius<\/em>, raz\u00e3o porque o aplicador da Lei deve promover a sua RETROA\u00c7\u00c3O para retirar a majorante nos roubos cometidos com outros objetos que n\u00e3o sejam armas de fogo, como feito no caso em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que, <strong>muito embora n\u00e3o majore mais a pena do roubo, o emprego de &#8220;arma branca&#8221;, n\u00e3o constitui elemento irrelevante, configura sim um plus \u00e0 atividade delitiva, sendo mais grave a a\u00e7\u00e3o do roubador que se utiliza de objeto capaz de at\u00e9 tirar a vida da v\u00edtima do que aquele que apenas a amea\u00e7a<\/strong>, devendo, portanto, o argumento ser considerado pelo juiz no momento da an\u00e1lise das circunst\u00e2ncias judiciais para a aplica\u00e7\u00e3o da pena-base.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o STJ h\u00e1 muito definiu nesse sentido, que com o advento da Lei n. 13.654\/2018, que revogou o inciso I do artigo 157 do CP, o emprego de arma branca no crime de roubo deixou de ser considerado como majorante, sendo, por\u00e9m, plenamente poss\u00edvel a sua valora\u00e7\u00e3o como circunst\u00e2ncia judicial desabonadora, quando as circunst\u00e2ncias do caso concreto assim justificarem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se que o grau de liberdade do julgador n\u00e3o o isenta de fundamentar o novo apenamento ou de justificar a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do incremento na basilar, mormente neste aspecto de abrang\u00eancia, considerando que a utiliza\u00e7\u00e3o de &#8220;arma branca&#8221; nos delitos de roubo representa maior reprovabilidade \u00e0 conduta, sendo necess\u00e1ria a fundamenta\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 387, II e III, do <a>CPP<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ tamb\u00e9m definiu que n\u00e3o cabe a Corte Superior compelir que o Tribunal de origem proceda \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o valorativa dessa circunst\u00e2ncia &#8211; uso de arma branca &#8211; para a primeira fase, em raz\u00e3o da discricionariedade do julgador ao aplicar a&nbsp;<em>novatio legis in mellius<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A presente afeta\u00e7\u00e3o esteve restrita \u00e0 possibilidade de determina\u00e7\u00e3o para que o Tribunal de origem refizesse a dosimetria da pena, transpondo o fundamento do uso de arma branca no crime de roubo para a primeira fase da dosimetria. Ocorre ser necess\u00e1ria a extens\u00e3o da discuss\u00e3o, considerando existirem tamb\u00e9m julgados nesta Corte que sustentam a impossibilidade de que essa nova valora\u00e7\u00e3o seja feita por este Superior Tribunal de Justi\u00e7a, na via do especial, em vista da discricionariedade do julgador.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, a revis\u00e3o das san\u00e7\u00f5es impostas s\u00f3 \u00e9 admiss\u00edvel em casos de ilegalidade flagrante, consubstanciadas no desrespeito aos par\u00e2metros legais fixados pelo art. 59, do CP, sem a necessidade de maior aprofundamento no acervo f\u00e1tico-probat\u00f3rio dos autos, que est\u00e1 intimamente atrelado \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do melhor ju\u00edzo, \u00e0quele mais atento \u00e0s peculiaridades do caso concreto, sob pena de incid\u00eancia da S\u00famula n. 7\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>1. Em raz\u00e3o da&nbsp;<em>novatio legis in mellius<\/em>&nbsp;engendrada pela Lei n. 13.654\/2018, o emprego de arma branca, embora n\u00e3o configure mais causa de aumento do crime de roubo, poder\u00e1 ser utilizado como fundamento para a majora\u00e7\u00e3o da pena-base, quando as circunst\u00e2ncias do caso concreto assim justificarem.<\/p>\n\n\n\n<p>2. O julgador deve fundamentar o novo apenamento ou justificar a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o do incremento na basilar, nos termos do que disp\u00f5e o art. 387, II e III, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>3. N\u00e3o cabe a esta Corte Superior a transposi\u00e7\u00e3o valorativa da circunst\u00e2ncia para a primeira fase da dosimetria ou mesmo compelir que o Tribunal de origem assim o fa\u00e7a, em raz\u00e3o da discricionariedade do julgador ao aplicar a&nbsp;<em>novatio legis in mellius<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-nulidade-na-desconsideracao-do-rol-de-testemunhas-quando-apresentado-fora-da-fase-estabelecida-no-art-396-a-do-codigo-de-processo-penal\"><a>19.&nbsp; Nulidade na desconsidera\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inexiste nulidade na <a>desconsidera\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no RHC 161.330-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 05\/04\/2022, DJe 08\/04\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino foi denunciado pelo crime de recepta\u00e7\u00e3o qualificada. Uma vez citado, dfoi assistido pela Defensoria P\u00fablica, que apresentou resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, postulando a apresenta\u00e7\u00e3o intempestiva do rol de testemunhas, ap\u00f3s o restabelecimento da normalidade das atividades institucionais, sem, contudo, noticiar eventual dificuldade de contato com o r\u00e9u, familiares ou eventuais testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao analisar as respostas \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o, o Ju\u00edzo indeferiu ao pedido defensivo de apresenta\u00e7\u00e3o extempor\u00e2neo de rol de testemunhas, designando audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento para data distante. Irresignada, a Defensoria P\u00fablica impetrou habeas corpus.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;156.&nbsp; A prova da alega\u00e7\u00e3o incumbir\u00e1 a quem a fizer, sendo, por\u00e9m, facultado ao juiz de of\u00edcio;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I&nbsp;\u2013 ordenar, mesmo antes de iniciada a a\u00e7\u00e3o penal, a produ\u00e7\u00e3o antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequa\u00e7\u00e3o e proporcionalidade da medida;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II&nbsp;\u2013&nbsp;determinar, no curso da instru\u00e7\u00e3o, ou antes de proferir senten\u00e7a, a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias para dirimir d\u00favida sobre ponto relevante.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 396-A.&nbsp; Na resposta, o acusado poder\u00e1 arg\u00fcir preliminares e alegar tudo o que interesse \u00e0 sua defesa, oferecer documentos e justifica\u00e7\u00f5es, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intima\u00e7\u00e3o, quando necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp; A exce\u00e7\u00e3o ser\u00e1 processada em apartado, nos termos dos&nbsp;arts. 95 a 112 deste C\u00f3digo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2<sup>o<\/sup>&nbsp; N\u00e3o apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, n\u00e3o constituir defensor, o juiz nomear\u00e1 defensor para oferec\u00ea-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 (dez) dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;563.&nbsp;&nbsp;Nenhum ato ser\u00e1 declarado nulo, se da nulidade n\u00e3o resultar preju\u00edzo para a acusa\u00e7\u00e3o ou para a defesa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-ha-nulidade\"><a>19.2.2. H\u00e1 nulidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se o reconhecimento da nulidade da decis\u00e3o que indeferiu o pedido de apresenta\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea de rol de testemunhas de defesa, porquanto n\u00e3o arroladas tempestivamente, quando da apresenta\u00e7\u00e3o da resposta \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos moldes do art. 396-A do <a>C\u00f3digo de Processo Penal<\/a>, o rol de testemunhas deve ser apresentado no momento processual adequado, ou seja, quando da apresenta\u00e7\u00e3o da resposta preliminar, sob pena de preclus\u00e3o. Em respeito \u00e0 ordem dos atos processuais n\u00e3o configura cerceamento de defesa o indeferimento da apresenta\u00e7\u00e3o extempor\u00e2nea do rol de testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p>A teor dos precedentes do STJ, inexiste nulidade na desconsidera\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do CPP (REsp 1.828.483\/MG, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 03\/12\/2019, DJe de 06\/12\/2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, n\u00e3o h\u00e1 falar em manifesto preju\u00edzo para a defesa do r\u00e9u, em raz\u00e3o do indeferimento da apresenta\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas em momento posterior. Consoante a fundamenta\u00e7\u00e3o apresentada pela Corte local, n\u00e3o obstante a defesa do acusado seja exercida pela Defensoria P\u00fablica, observa-se, <a>no caso em exame, que houve pedido gen\u00e9rico para apresenta\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas de forma extempor\u00e2nea, sem levar em considera\u00e7\u00e3o que a audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o foi designada para data distante, havendo, portanto, tempo dispon\u00edvel para que a defesa tenha acesso ao acusado, atualmente recolhido ao c\u00e1rcere, mesmo com todas as dificuldades e limita\u00e7\u00f5es decorrentes da pandemia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, como \u00e9 de conhecimento, no processo penal, as nulidades observam ao princ\u00edpio&nbsp;<em>pas de nullit\u00e9 sans grief<\/em>, consagrado no art. 563 do CPP, segundo o qual &#8220;Nenhum ato ser\u00e1 declarado nulo, se da nulidade n\u00e3o resultar preju\u00edzo para a acusa\u00e7\u00e3o ou para a defesa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o STJ j\u00e1 entendeu que: <strong>n\u00e3o \u00e9 de presumir-se o preju\u00edzo para o r\u00e9u, pois a inquiri\u00e7\u00e3o &#8211; se essencial para a busca da verdade real &#8211; poder\u00e1 ser realizada, de of\u00edcio, nos termos do artigo 156 do C\u00f3digo de Processo Penal, restando, ainda, a possibilidade de aportarem-se aos autos tais fontes de prova sob a forma documental, posto que at\u00edpica<\/strong> (HC 202.928\/PR, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Rel. p\/ Ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 15\/05\/2014, DJe de 08\/09\/2014).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Inexiste nulidade na desconsidera\u00e7\u00e3o do rol de testemunhas quando apresentado fora da fase estabelecida no art. 396-A do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-requisitos-para-acesso-a-residencia-do-acusado-de-crime-de-trafico-de-drogas\"><a>20.&nbsp; Requisitos para acesso \u00e0 resid\u00eancia do acusado de crime de tr\u00e1fico de drogas<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o policial originada de informa\u00e7\u00f5es obtidas por intelig\u00eancia policial e mediante dilig\u00eancias pr\u00e9vias que redunda em acesso \u00e0 resid\u00eancia do acusado configura exerc\u00edcio regular da atividade investigativa promovida pelas autoridades policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 734.423-GO, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 24\/05\/2022, DJe 26\/05\/2022. (Info 738)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi preso em flagrante pelo crime de tr\u00e1fico de drogas em sua casa. Sua defesa alega ofensa \u00e0 inviolabilidade de domic\u00edlio, apontando a aus\u00eancia de mandado de busca e apreens\u00e3o. Afirmou n\u00e3o se tratar de flagrante baseado em fundadas raz\u00f5es pr\u00e9vias \u00e0 invas\u00e3o domiciliar, al\u00e9m de n\u00e3o ter ocorrido autoriza\u00e7\u00e3o para o ingresso.<\/p>\n\n\n\n<p>O MP discorda da tese e sustenta que, al\u00e9m de os militares terem iniciado a abordagem em raz\u00e3o da atitude suspeita do agravante \u2013 que empreendeu fuga ao avistar os policiais \u2013 e de terem avistado grande fluxo de pessoas fugindo para o interior da resid\u00eancia do agravante \u2013 local conhecido como ponto de tr\u00e1fico de drogas \u2013, receberam informa\u00e7\u00f5es oriundas da intelig\u00eancia policial acerca de tr\u00e1fico de entorpecentes no local.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-tudo-certo-arnaldo\"><a>20.2.1. Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ingresso for\u00e7ado em domic\u00edlio sem mandado judicial para busca e apreens\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo se amparado em fundadas raz\u00f5es, devidamente justificadas pelas circunst\u00e2ncias do caso concreto,<\/strong> especialmente nos crimes de natureza permanente, como s\u00e3o o tr\u00e1fico de entorpecentes e a posse ilegal de arma de fogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Afere-se a justa causa para o ingresso for\u00e7ado em domic\u00edlio mediante a an\u00e1lise objetiva e satisfat\u00f3ria do contexto f\u00e1tico anterior \u00e0 invas\u00e3o, considerando-se a exist\u00eancia ou n\u00e3o de ind\u00edcios m\u00ednimos de situa\u00e7\u00e3o de flagrante no interior da resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a investiga\u00e7\u00e3o policial originada de informa\u00e7\u00f5es obtidas por intelig\u00eancia policial e mediante dilig\u00eancias pr\u00e9vias que redunda em acesso \u00e0 resid\u00eancia do acusado n\u00e3o se traduz em constrangimento ilegal, mas sim em exerc\u00edcio regular da atividade investigativa promovida pelas autoridades policiais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-resultado-final\"><a>20.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o policial originada de informa\u00e7\u00f5es obtidas por intelig\u00eancia policial e mediante dilig\u00eancias pr\u00e9vias que redunda em acesso \u00e0 resid\u00eancia do acusado configura exerc\u00edcio regular da atividade investigativa promovida pelas autoridades policiais.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-7fb1e592-7566-4e2f-bae0-a00f89dc07a8\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/06\/14001943\/stj-738.pdf\">stj-738<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/06\/14001943\/stj-738.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-7fb1e592-7566-4e2f-bae0-a00f89dc07a8\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 738 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0saindo do forno (quentinho) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! DOWNLOAD do PDF AQUI! DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Limites das mat\u00e9rias discutidas em a\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00e3o direta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1rea diferente da verdadeiramente expropriada, ainda que vizinha. 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