{"id":1032971,"date":"2022-05-23T23:29:18","date_gmt":"2022-05-24T02:29:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1032971"},"modified":"2022-05-23T23:29:33","modified_gmt":"2022-05-24T02:29:33","slug":"informativo-stj-735-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-735-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 735 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><br \/>Informativo n\u00ba 735 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/23232900\/stj-735.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_EcAmDlFt2kU\"><div id=\"lyte_EcAmDlFt2kU\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/EcAmDlFt2kU\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/EcAmDlFt2kU\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/EcAmDlFt2kU\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-valores-recebidos-por-forca-de-decisao-judicial-precaria-posteriormente-reformada-e-necessidade-de-restituicao\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Valores recebidos por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial prec\u00e1ria posteriormente reformada e necessidade de restitui\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Valores recebidos por servidores p\u00fablicos por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial prec\u00e1ria, posteriormente reformada, devem ser restitu\u00eddos ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.711.065-RJ, Rel. Min. Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022, DJe 05\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Sindicato dos Servidores das Justi\u00e7as Federais no Estado do Rio de Janeiro &#8211; SISEJUFE-RJ, ajuizou a\u00e7\u00e3o coletiva em desfavor da Uni\u00e3o objetivando declarar a ilegalidade de descontos nos subs\u00eddios dos servidores da Justi\u00e7a Federal alegando a impossibilidade de se cobrar valores percebidos e usufru\u00eddos, de boa-f\u00e9, pelos servidores em virtude da concess\u00e3o da ordem no Mandado de Seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O enrosco teve origem quando o TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o deferiu liminar, confirmada por ac\u00f3rd\u00e3o concessivo do writ, para garantir, aos servidores a diferen\u00e7a remunerat\u00f3ria entre o cargo em comiss\u00e3o e fun\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. Ocorre que posteriormente a liminar foi derrubada e os servidores intimados a restitu\u00edrem os valores recebidos, o que motivou a a\u00e7\u00e3o coletiva. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-devida-a-restituicao\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devida a restitui\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, registra-se que o caso ora analisado, relativo \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos pelos servidores por for\u00e7a de liminar &#8211; confirmada em ac\u00f3rd\u00e3o concessivo da seguran\u00e7a, posteriormente cassado pelo Tribunal Superior do Trabalho, com tr\u00e2nsito em julgado -, n\u00e3o se amolda \u00e0 mat\u00e9ria referente ao&nbsp;Tema 531\/STJ&nbsp;(&#8220;Quando a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica interpreta erroneamente uma lei, resultando em pagamento indevido ao servidor, cria-se uma falsa expectativa de que os valores recebidos s\u00e3o legais e definitivos, impedindo, assim, que ocorra desconto dos mesmos, ante a boa-f\u00e9 do servidor p\u00fablico&#8221;), tampouco ao&nbsp;Tema 1.009\/STJ&nbsp;(&#8220;Os pagamentos indevidos aos servidores p\u00fablicos decorrentes de erro administrativo (operacional ou de c\u00e1lculo), n\u00e3o embasado em interpreta\u00e7\u00e3o err\u00f4nea ou equivocada da lei pela Administra\u00e7\u00e3o, est\u00e3o sujeitos \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o, ressalvadas as hip\u00f3teses em que o servidor, diante do caso concreto, comprova sua boa-f\u00e9 objetiva, sobretudo com demonstra\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o lhe era poss\u00edvel constatar o pagamento indevido&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos da jurisprud\u00eancia consolidada do STJ, \u201ctendo a servidora recebido os referidos valores amparada por uma decis\u00e3o judicial prec\u00e1ria, N\u00c3O h\u00e1 como se admitir a exist\u00eancia de boa-f\u00e9, pois a Administra\u00e7\u00e3o em momento nenhum gerou falsa expectativa de definitividade quanto ao direito pleiteado. A ado\u00e7\u00e3o de entendimento diverso importaria, dessa forma, no desvirtuamento do pr\u00f3prio instituto da antecipa\u00e7\u00e3o dos efeitos da tutela, haja vista que um dos requisitos legais para sua concess\u00e3o reside justamente na inexist\u00eancia de perigo de irreversibilidade, a teor do art. 273, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 4\u00ba, do <a>CPC<\/a>&#8221; (STJ, EREsp 1.335.962\/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 02\/08\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Tal entendimento vem sendo mantido, inclusive em ac\u00f3rd\u00e3os recentes do STJ. <strong>N\u00e3o pode o servidor alegar boa-f\u00e9 para n\u00e3o devolver valores recebidos por meio de liminar, em raz\u00e3o da pr\u00f3pria precariedade da medida concessiva e, por conseguinte, da impossibilidade de presumir a definitividade do pagamento<\/strong>&#8221; (STJ, AgInt no AgInt no AREsp 1.609.657\/MS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16\/03\/2021).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-resultado-final\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Valores recebidos por servidores p\u00fablicos por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial prec\u00e1ria, posteriormente reformada, devem ser restitu\u00eddos ao er\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-leilao-do-bem-pelo-credor-hipotecario-e-ma-fe-do-mutuario-que-permanece-no-imovel\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Leil\u00e3o do bem pelo credor hipotec\u00e1rio e m\u00e1-f\u00e9 do mutu\u00e1rio que permanece no im\u00f3vel<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Promovido o leil\u00e3o <a>do bem pelo credor hipotec\u00e1rio<\/a>, a perman\u00eancia do mutu\u00e1rio no im\u00f3vel caracteriza posse de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.013.333-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em 1982, Creide (vendedora) celebrou contrato particular de compra e venda com pacto adjeto de hipoteca e financiamento com Nerso (comprador), sendo a hipotec\u00e1ria a Caixa Econ\u00f4mica do Estado de Minas Gerais. Nerso adentrou no im\u00f3vel, e nele construiu benfeitorias. S\u00f3 que como ningu\u00e9m estava pagando o financiamento, a hipotec\u00e1ria levou o bem a leil\u00e3o e o arrematou em 1985. Enquanto tudo isso rolava, Nerso residia no im\u00f3vel sem qualquer oposi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o ano de 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o ent\u00e3o chegou ao STJ por meio de recursos nos quais Nerso defende o seu direito \u00e0 reten\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel financiado, ao passo que o ente p\u00fablico se insurge contra o reconhecimento do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o pelas benfeitorias nele realizadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.201. \u00c9 de boa-f\u00e9 a posse, se o possuidor ignora o v\u00edcio, ou o obst\u00e1culo que impede a aquisi\u00e7\u00e3o da coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O possuidor com justo t\u00edtulo tem por si a presun\u00e7\u00e3o de boa-f\u00e9, salvo prova em contr\u00e1rio, ou quando a lei expressamente n\u00e3o admite esta presun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.219. O possuidor de boa-f\u00e9 tem direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o das benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis, bem como, quanto \u00e0s voluptu\u00e1rias, se n\u00e3o lhe forem pagas, a levant\u00e1-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poder\u00e1 exercer o direito de reten\u00e7\u00e3o pelo valor das benfeitorias necess\u00e1rias e \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.220. Ao possuidor de m\u00e1-f\u00e9 ser\u00e3o ressarcidas somente as benfeitorias necess\u00e1rias; n\u00e3o lhe assiste o direito de reten\u00e7\u00e3o pela import\u00e2ncia destas, nem o de levantar as voluptu\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-caracterizada-a-posse-de-ma-fe\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Caracterizada a posse de m\u00e1 f\u00e9?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A qualifica\u00e7\u00e3o da posse em de boa ou m\u00e1-f\u00e9 depende se o possuidor ignora ou n\u00e3o o v\u00edcio ou obst\u00e1culo que impede a aquisi\u00e7\u00e3o da coisa (art. 1.201 do <a>CC<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma anormalidade na transmuta\u00e7\u00e3o da natureza jur\u00eddica da posse, porque \u00e9 instituto que n\u00e3o \u00e9 estanque<\/strong>, sendo certo que, modificado o contexto de fato e de direito relacionado \u00e0quele que tem a coisa em seu poder, \u00e9 natural que se altere tamb\u00e9m a qualidade da posse.<\/p>\n\n\n\n<p>Hip\u00f3tese em que inexiste incongru\u00eancia no reconhecimento da posse como de boa-f\u00e9 em determinado per\u00edodo &#8211; portanto, o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por todas as benfeitorias levantadas nesse tempo (art. 1.219 do CC) &#8211; e, em seguida, reconhece-se a modifica\u00e7\u00e3o da qualidade da posse para m\u00e1-f\u00e9, para, doravante, s\u00f3 admitir o pagamento das benfeitorias necess\u00e1rias e afastar do possuidor o direito a qualquer reten\u00e7\u00e3o (art. 1.220 do CC).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, quando foi comprado o bem, ainda que mediante contrato de financiamento, n\u00e3o havia tecnicamente nenhum impedimento para que fosse adquirida a propriedade do im\u00f3vel, pelo que de boa-f\u00e9 a posse; ao rev\u00e9s, no momento em que, em raz\u00e3o do inadimplemento das parcelas daquele contrato, a credora hipotec\u00e1ria promove o leil\u00e3o do bem, ao permanecer o particular de maneira irregular no im\u00f3vel, a posse passa a se caracterizar como de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Promovido o leil\u00e3o do bem pelo credor hipotec\u00e1rio, a perman\u00eancia do mutu\u00e1rio no im\u00f3vel caracteriza posse de m\u00e1-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-in-validade-da-estipulacao-que-confira-ao-credor-a-possibilidade-de-exigir-tao-logo-fosse-de-seu-interesse-a-transferencia-da-propriedade-de-imovel\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (In)Validade da estipula\u00e7\u00e3o que confira ao credor a possibilidade de exigir, &#8220;t\u00e3o logo fosse de seu interesse&#8221;, a transfer\u00eancia da propriedade de im\u00f3vel<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pode ser v\u00e1lida a <a>estipula\u00e7\u00e3o que confira ao credor a possibilidade de exigir, &#8220;t\u00e3o logo fosse de seu interesse&#8221;, a transfer\u00eancia da propriedade de im\u00f3vel<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.990.221-SC, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino ajuizou a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer com pedido sucessivo de indeniza\u00e7\u00e3o por perdas e danos contra Neide, aduzindo que, no ano de 1970, Neide teria firmado declara\u00e7\u00e3o reconhecendo que Crementino era propriet\u00e1rio de metade de uma gleba de terra de 229 hectares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Segundo a inicial, 19 desses hectares estariam j\u00e1 titulados em nome de Neide e os 210 restantes seriam objeto de a\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o promovida exclusivamente por aquela. Bem por isso, ficou consignado na referida declara\u00e7\u00e3o, que a transfer\u00eancia da \u00e1rea pertencente a Crementino seria efetuada apenas quando ele manifestasse interesse nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Algum tempo depois, Crementino postulou extrajudicialmente o recebimento de seu quinh\u00e3o, o que foi negado por Neide. Em sua defesa, Neide alega a invalidade da cl\u00e1usula em quest\u00e3o por entend\u00ea-la puramente potestativa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 122. S\u00e3o l\u00edcitas, em geral, todas as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 lei, \u00e0 ordem p\u00fablica ou aos bons costumes; entre as condi\u00e7\u00f5es defesas se incluem as que privarem de todo efeito o neg\u00f3cio jur\u00eddico, ou o sujeitarem ao puro arb\u00edtrio de uma das partes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-a-clausula-pode-ser-considerada-valida\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cl\u00e1usula pode ser considerada v\u00e1lida?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 122 do <a>CC\/2002 <\/a>afirma ser il\u00edcita a condi\u00e7\u00e3o que sujeita a efic\u00e1cia do neg\u00f3cio jur\u00eddico ao puro arb\u00edtrio de uma das partes, interditando como defesas, em suma, as condi\u00e7\u00f5es puramente potestativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma primeira leitura desse dispositivo legal pode dar a entender que a sujei\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia do neg\u00f3cio jur\u00eddico ao arb\u00edtrio de qualquer das partes ser\u00e1, sempre e em qualquer hip\u00f3tese, suficiente para qualificar como il\u00edcita a condi\u00e7\u00e3o assim estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, <strong>somente quando o pr\u00f3prio devedor se reserva o direito de caprichosamente descumprir a obriga\u00e7\u00e3o assumida \u00e9 que sobressai, de fato, o arb\u00edtrio da parte como elemento exclusivo para subordinar a efic\u00e1cia do ato\/neg\u00f3cio<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente o estabelecimento, em favor do devedor, de uma cl\u00e1usula do tipo &#8220;se me aprouver&#8221;, &#8220;se eu quiser&#8221;, configura quase um gracejo, um chiste lan\u00e7ado pela parte com aptid\u00e3o para afastar por completo a seriedade do neg\u00f3cio jur\u00eddico. Quem escuta uma proposi\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie nem mesmo leva a s\u00e9rio o ajuste que se lhe apresenta, pois na verdade o proponente n\u00e3o se obrigou a nada.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ parece seguir esse mesmo entendimento, afirmando que <strong>apenas as condi\u00e7\u00f5es (puramente) potestativas estabelecidas em proveito do devedor devem ser consideradas defesas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a estipula\u00e7\u00e3o assinalada mais se assemelha a termo incerto ou indeterminado do que, propriamente, a condi\u00e7\u00e3o potestativa.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo admitindo tratar-se de condi\u00e7\u00e3o, seria de rigor verificar que ela beneficiava ao credor e n\u00e3o ao devedor, n\u00e3o havendo falar, por isso, em falta de seriedade na proposta ou risco \u00e0 estabilidade das rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, foi estatu\u00edda em considera\u00e7\u00e3o a uma circunst\u00e2ncia f\u00e1tica ALHEIA \u00e0 vontade das partes: o resultado de uma determinada a\u00e7\u00e3o judicial (usucapi\u00e3o), havendo, assim, interesse juridicamente relevante a justificar sua estipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria natureza puramente potestativa, mas meramente potestativa, devendo, em consequ\u00eancia, ser considerada v\u00e1lida, at\u00e9 mesmo para efeito de impedir a flu\u00eancia do prazo prescricional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Pode ser v\u00e1lida a estipula\u00e7\u00e3o que confira ao credor a possibilidade de exigir, &#8220;t\u00e3o logo fosse de seu interesse&#8221;, a transfer\u00eancia da propriedade de im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-imovel-dado-em-caucao-em-contrato-de-locacao-comercial-que-pertence-a-determinada-sociedade-empresaria-e-e-utilizado-como-moradia-por-um-dos-socios-e-bem-de-familia\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Im\u00f3vel dado em cau\u00e7\u00e3o em contrato de loca\u00e7\u00e3o comercial que pertence a determinada sociedade empres\u00e1ria e \u00e9 utilizado como moradia por um dos s\u00f3cios e bem de fam\u00edlia<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O im\u00f3vel dado em cau\u00e7\u00e3o <a>em contrato de loca\u00e7\u00e3o comercial que pertence a determinada sociedade empres\u00e1ria e \u00e9 utilizado como moradia por um dos s\u00f3cios <\/a>recebe a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade de bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.935.563-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda dos Anjos EPP alugou um im\u00f3vel comercial de General Administra\u00e7\u00e3o e Servi\u00e7os. Para tanto, foi dado em cau\u00e7\u00e3o em contrato da loca\u00e7\u00e3o comercial um im\u00f3vel que \u00e9 de propriedade da empresa e ao mesmo tempo utilizado como moradia por um dos seus s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o da inadimpl\u00eancia contratual, General Servi\u00e7os ajuizou de execu\u00e7\u00e3o contra a devora. Por\u00e9m, esta alega a impenhorabilidade do im\u00f3vel dado em cau\u00e7\u00e3o por consider\u00e1-lo bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.245\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 37. No contrato de loca\u00e7\u00e3o, pode o locador exigir do locat\u00e1rio as seguintes modalidades de garantia:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; cau\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; fian\u00e7a;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; seguro de fian\u00e7a locat\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; cess\u00e3o fiduci\u00e1ria de quotas de fundo de investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. \u00c9 vedada, sob pena de nulidade, mais de uma das modalidades de garantia num mesmo contrato de loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.009\/1990:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba O im\u00f3vel residencial pr\u00f3prio do casal, ou da entidade familiar, \u00e9 impenhor\u00e1vel e n\u00e3o responder\u00e1 por qualquer tipo de d\u00edvida civil, comercial, fiscal, previdenci\u00e1ria ou de outra natureza, contra\u00edda pelos c\u00f4njuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus propriet\u00e1rios e nele residam, salvo nas hip\u00f3teses previstas nesta lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba A impenhorabilidade \u00e9 opon\u00edvel em qualquer processo de execu\u00e7\u00e3o civil, fiscal, previdenci\u00e1ria, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido:<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; por obriga\u00e7\u00e3o decorrente de fian\u00e7a concedida em contrato de loca\u00e7\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba A Rep\u00fablica Federativa do Brasil, formada pela uni\u00e3o indissol\u00favel dos Estados e Munic\u00edpios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democr\u00e1tico de Direito e tem como fundamentos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a>III &#8211; a dignidade da pessoa humana;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00ba S\u00e3o direitos sociais a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a alimenta\u00e7\u00e3o, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a seguran\u00e7a, a previd\u00eancia social, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e \u00e0 inf\u00e2ncia, a assist\u00eancia aos desamparados, na forma desta Constitui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-o-imovel-recebe-a-protecao-da-impenhorabilidade-do-bem-de-familia\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O im\u00f3vel recebe a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 37 da <a>Lei n. 8.245\/1991 <\/a>estipula as seguintes garantias que o locat\u00e1rio pode prestar em contrato de loca\u00e7\u00e3o: cau\u00e7\u00e3o, fian\u00e7a, seguro de fian\u00e7a locat\u00edcia e cess\u00e3o fiduci\u00e1ria de quotas de fundos de investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o art. 3\u00ba, VII, da Lei n. 8.009\/1990 AFASTA expressamente a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia em caso de obriga\u00e7\u00e3o decorrente de fian\u00e7a concedia em contrato de loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>as exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra da impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia s\u00e3o TAXATIVAS, n\u00e3o cabendo, portanto, interpreta\u00e7\u00f5es extensivas<\/strong> (REsp 1.887.492\/SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 13\/4\/2021, DJe 15\/4\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a jurisprud\u00eancia do STJ firmou-se no sentido de que <strong>a exce\u00e7\u00e3o prevista no art. 3\u00ba, VII, da<a> Lei n. 8.009\/1990 <\/a>n\u00e3o se aplica \u00e0 hip\u00f3tese de cau\u00e7\u00e3o oferecida em contrato de loca\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A finalidade da Lei n. 8.009\/1990 \u00e9 proteger a resid\u00eancia do casal ou da entidade familiar por d\u00edvidas contra\u00eddas pelos &#8220;c\u00f4njuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus propriet\u00e1rios e nele residam&#8221; (art. 1\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>). Constitui, portanto, em corol\u00e1rio da dignidade da pessoa humana e tem o cond\u00e3o de proteger o direito fundamental \u00e0 moradia (arts. 1\u00ba, III, e 6\u00ba da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o im\u00f3vel no qual reside o s\u00f3cio n\u00e3o pode, em regra, ser objeto de penhora pelo simples fato de pertencer \u00e0 pessoa jur\u00eddica, ainda mais quando se trata de sociedades empres\u00e1rias de pequeno porte. Em tais situa\u00e7\u00f5es, mesmo que no plano legal o patrim\u00f4nio de um e outro sejam distintos &#8211; s\u00f3cio e sociedade -, \u00e9 comum que tais bens, no plano f\u00e1tico, sejam utilizados indistintamente pelos dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <strong>se a lei tem por escopo a ampla prote\u00e7\u00e3o ao direito de moradia, o fato de o im\u00f3vel ter sido objeto de cau\u00e7\u00e3o, n\u00e3o retira a prote\u00e7\u00e3o somente porque pertence \u00e0 pequena sociedade empres\u00e1ria<\/strong>. Caso contr\u00e1rio, haveria o esvaziamento da salvaguarda legal e daria maior relev\u00e2ncia do direito de cr\u00e9dito em detrimento da utiliza\u00e7\u00e3o do bem como resid\u00eancia pelo s\u00f3cio e por sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O im\u00f3vel dado em cau\u00e7\u00e3o em contrato de loca\u00e7\u00e3o comercial que pertence a determinada sociedade empres\u00e1ria e \u00e9 utilizado como moradia por um dos s\u00f3cios recebe a prote\u00e7\u00e3o da impenhorabilidade de bem de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-solvencia-dos-creditos-privilegiados-detidos-por-credores-concorrentes-concurso-particular-e-desnecessidade-de-se-perquirir-acerca-da-anterioridade-da-penhora\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Solv\u00eancia dos cr\u00e9ditos privilegiados detidos por credores concorrentes (concurso particular) e desnecessidade de se perquirir acerca da anterioridade da penhora<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A solv\u00eancia <a>dos cr\u00e9ditos privilegiados detidos por credores concorrentes (concurso particular) independe de se perquirir acerca da anterioridade da penhora<\/a>, devendo o rateio do montante constrito ser procedido de forma proporcional ao valor dos cr\u00e9ditos (art. 962 do CC).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.987.941-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022, DJe 05\/05\/2022 (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Jamil Advogados ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial em face de Flex Servi\u00e7os Ltda. Em primeiro grau, o juiz reconheceu a prefer\u00eancia de cr\u00e9ditos dos advogados em detrimento dos cr\u00e9ditos trabalhistas titularizados por outros credores (em virtude da anterioridade da penhora) que j\u00e1 havia obtido a penhora no rosto dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformados, os demais credores interpuseram recurso especial no qual alegam que na hip\u00f3tese de concurso particular de credores, o produto da aliena\u00e7\u00e3o dos bens penhorados deve ser rateado entre os concorrentes, na forma disposta no art. 962 do CC. Afirmaram que os cr\u00e9ditos de que s\u00e3o titulares s\u00e3o da mesma natureza que a do <em>dout\u00f4 adevogado <\/em>(trabalhista ou equiparados), de modo que a anterioridade da penhora n\u00e3o deveria ser levada em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 908. Havendo pluralidade de credores ou exequentes, o dinheiro lhes ser\u00e1 distribu\u00eddo e entregue consoante a ordem das respectivas prefer\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba No caso de adjudica\u00e7\u00e3o ou aliena\u00e7\u00e3o, os cr\u00e9ditos que recaem sobre o bem, inclusive os de natureza&nbsp;propter rem&nbsp;, sub-rogam-se sobre o respectivo pre\u00e7o, observada a ordem de prefer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba N\u00e3o havendo t\u00edtulo legal \u00e0 prefer\u00eancia, o dinheiro ser\u00e1 distribu\u00eddo entre os concorrentes, observando-se a anterioridade de cada penhora.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 962. Quando concorrerem aos mesmos bens, e por t\u00edtulo igual, dois ou mais credores da mesma classe especialmente privilegiados, haver\u00e1 entre eles rateio proporcional ao valor dos respectivos cr\u00e9ditos, se o produto n\u00e3o bastar para o pagamento integral de todos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-relevante-a-anterioridade-da-penhora-no-caso-especifico\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Relevante a anterioridade da penhora no caso espec\u00edfico?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O prop\u00f3sito recursal consiste em definir se a anterioridade da penhora constitui crit\u00e9rio a ser considerado para estabelecimento da forma de satisfa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos de igual privil\u00e9gio em concurso particular de credores.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma do art. 908 do <a>CPC\/2015<\/a>, segundo a qual deve ser observada a anterioridade da penhora (e que repete, no que importa \u00e0 esp\u00e9cie, o teor do art. 711 do CPC\/1973), incide APENAS e t\u00e3o somente quando se tratar de credores quirograf\u00e1rios, n\u00e3o se aplicando, portanto, aos detentores de privil\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a doutrina, &#8220;<strong>a prefer\u00eancia emanada da anterioridade da penhora, por\u00e9m, \u00e9 condicional e eventual, visto que apenas atua em sua plenitude quando concorrerem ao dinheiro penhorado, ou ao produto da aliena\u00e7\u00e3o judicial de outro bem, dois ou mais credores quirograf\u00e1rios, n\u00e3o envolvendo credores pertencentes \u00e0quele segundo grupo, cuja primazia \u00e9 oriunda de direito material. Dessa forma, al\u00e9m de depender da solv\u00eancia do executado, pressuposto geral ao concurso particular de credores<\/strong> [&#8230;], para ser plenamente eficaz depende tamb\u00e9m da inexist\u00eancia de credores concorrentes com t\u00edtulo legal \u00e0 prefer\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, n\u00e3o havendo necessidade de se perquirir acerca de qual credor obteve a penhora anteriormente, aplica-se ao concurso particular de credores formado por titulares de verbas privilegiadas de mesma natureza &#8211; como no particular &#8211; a norma insculpida no art. 962 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A solv\u00eancia dos cr\u00e9ditos privilegiados detidos por credores concorrentes (concurso particular) independe de se perquirir acerca da anterioridade da penhora, devendo o rateio do montante constrito ser procedido de forma proporcional ao valor dos cr\u00e9ditos (art. 962 do CC).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-juros-de-mora-incidentes-sobre-o-valor-dos-precatorios-relativos-ao-fundeb-e-possibilidade-de-utilizacao-para-pagamento-de-honorarios-advocaticios-contratuais\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Juros de mora incidentes sobre o valor dos precat\u00f3rios relativos ao FUNDEB e possibilidade de utiliza\u00e7\u00e3o para pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os juros de mora incidentes sobre o valor do precat\u00f3rio devido pela Uni\u00e3o em a\u00e7\u00f5es propostas em favor dos Estados e dos Munic\u00edpios relativos \u00e0s verbas destinadas ao FUNDEF\/FUNDEB podem ser utilizadas para pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.880.972-AL, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 19\/04\/2022, DJe 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Munic\u00edpio de \u00c1guas Verdes manejou agravo interno contra decis\u00e3o que deu provimento ao recurso especial da Uni\u00e3o para afastar a reten\u00e7\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais sobre os recursos provenientes do FUNDEF.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Munic\u00edpio, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o posicionou-se no sentido de que \u00e9 poss\u00edvel, sem ferir a ordem jur\u00eddica, que o pagamento dos honor\u00e1rios contratuais se d\u00ea com a parcela dos juros de mora do precat\u00f3rio, ante o seu car\u00e1ter meramente acess\u00f3rio, decorrente do deslinde processual, possuindo natureza indenizat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-possivel-o-pagamento-dos-honorarios-contratuais\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o pagamento dos honor\u00e1rios contratuais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se realizados com o valor proveniente dos JUROS DE MORA, SIM!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso em apre\u00e7o, observa-se que o ac\u00f3rd\u00e3o impugnado ressaltou a conson\u00e2ncia do entendimento do Tribunal local com o posicionamento do STJ, segundo o qual as verbas destinadas ao FUNDEF\/FUNDEB possuem vincula\u00e7\u00e3o constitucional, sendo vedada a sua utiliza\u00e7\u00e3o para finalidade diversa da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Julgou-se, pois, ser descabido o destaque de parcela dessas verbas para o pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julgamento recente no Supremo Tribunal Federal (ADPF n\u00ba 528), assentou-se: &#8220;(&#8230;) 2) <strong>vedou o pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais com recursos alocados no FUNDEF\/FUNDEB, ressalvado o pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais valendo-se da verba correspondente aos juros de mora incidentes sobre o valor do precat\u00f3rio devido pela Uni\u00e3o em a\u00e7\u00f5es propostas em favor dos Estados e dos Munic\u00edpios<\/strong>. Os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Roberto Barroso, apesar de tamb\u00e9m julgarem improcedente a a\u00e7\u00e3o, fizeram ressalvas em seus votos para consignar que apenas naquelas situa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de advogados que ingressaram com a\u00e7\u00f5es de conhecimento individuais em favor de dado Munic\u00edpio, seria leg\u00edtimo o destaque do valor dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios (art. 22, \u00a7 4\u00b0, da Lei 8.906\/1994) da quantia a ser recebida pelo respectivo ente municipal a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o aos fundos educacionais, bem como dos respectivos juros de mora. &#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, extrai-se do voto do Relator, Ministro Alexandre de Moraes, <strong>o reconhecimento da INCONSTITUCIONALIDADE do pagamento de honor\u00e1rios contratuais com recursos do FUNDEB<\/strong>, com a ressalva de que, dada a autonomia da parcela relativa aos juros de mora, o &#8220;pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais pelos Munic\u00edpios valendo-se t\u00e3o somente da verba correspondente aos juros morat\u00f3rios incidentes no valor do precat\u00f3rio devido pela Uni\u00e3o \u00e9 Constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>Colhe-se, ainda, do voto do Ministro Nunes Marques, o esclarecimento abaixo transcrito: &#8220;Entendo que o voto trazido pelo Relator, Min. Alexandre de Moraes contempla esse racioc\u00ednio quando admite a hip\u00f3tese de destaque das verbas do FUNDEF para honor\u00e1rios advocat\u00edcios dentro dos valores expressados pelos juros de mora. Isto porque esta Suprema Corte reconheceu a natureza indenizat\u00f3ria dos juros de mora, os quais &#8220;t\u00eam natureza aut\u00f4noma em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza jur\u00eddica da verba em atraso&#8221; (RE 855.091-RG, DJ-e de 15.03.2021). Se assim o \u00e9, h\u00e1, sobre tais juros, possibilidade de destaque dos honor\u00e1rios contratuais que tenham sido firmados com profissionais ou escrit\u00f3rios de advocacia que tenham atuado no deslinde da quest\u00e3o acerca de tal repasse de valores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, creio que se mostra salutar a integra\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o recorrida para que dela passe a constar expressamente a possibilidade de destaque das verbas do FUNDEF\/FUNDEB para honor\u00e1rios advocat\u00edcios dentro dos valores expressados pelos juros de mora inseridos na condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-resultado-final\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Os juros de mora incidentes sobre o valor do precat\u00f3rio devido pela Uni\u00e3o em a\u00e7\u00f5es propostas em favor dos Estados e dos Munic\u00edpios relativos \u00e0s verbas destinadas ao FUNDEF\/FUNDEB podem ser utilizadas para pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios contratuais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-cabimento-da-extincao-da-execucao-pela-ausencia-de-juntada-das-avencas-anteriores-e-subjacentes-ao-contrato-de-confissao-de-divida\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabimento da extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de juntada das aven\u00e7as anteriores e subjacentes ao contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel <a>extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de juntada das aven\u00e7as anteriores e subjacentes ao contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.805.898-MS, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 04\/05\/2022 (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Banco Sistema, ainda em 1988, ajuizou a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o de t\u00edtulo extrajudicial em desfavor de Agro L\u00edder. Em embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o julgados parcialmente procedentes, foi determinada a juntada dos contratos anteriores ao instrumento de confiss\u00e3o de d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomada a a\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s muita discuss\u00e3o sobre o valor da d\u00edvida, o juiz de primeiro grau determinou a realiza\u00e7\u00e3o de per\u00edcia em 29.01.2009. A partir de ent\u00e3o o c\u00e1lculo do perito foi realizado e a executada concordou com este em tr\u00eas momentos distintos, requerendo inclusive a sua homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, decorridos mais de seis anos da primeira concord\u00e2ncia com o laudo, a executada suscitou exce\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-executividade, alegando aus\u00eancia de exigibilidade do t\u00edtulo executivo, ante \u00e0 falta dos contratos, conforme havia sido determinado no ac\u00f3rd\u00e3o dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 421. &nbsp;A liberdade contratual ser\u00e1 exercida nos limites da fun\u00e7\u00e3o social do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas rela\u00e7\u00f5es contratuais privadas, prevalecer\u00e3o o princ\u00edpio da interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima e a excepcionalidade da revis\u00e3o contratual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC2015:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 5\u00ba Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-cabe-a-extincao-da-execucao\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe a extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cabe destacar, inicialmente, que o instrumento de confiss\u00e3o de d\u00edvida constitui t\u00edtulo executivo extrajudicial, sendo que a possibilidade de discuss\u00e3o dos contratos que lhe antecedem n\u00e3o retira a sua for\u00e7a executiva, conforme se pode inferir das S\u00famulas 286 e 300\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de demonstrar o equ\u00edvoco manifesto em que incorreu o tribunal de origem, cumpre destacar que, naquele ac\u00f3rd\u00e3o transitado em julgado &#8211; referente aos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o -, decidiu-se expressamente que o contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida apresentado pela casa banc\u00e1ria era t\u00edtulo executivo v\u00e1lido, preenchendo os requisitos do art. 585, II, do CPC\/1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, considerando o quadro f\u00e1tico e jur\u00eddico delineado no feito, <strong>sobressaem cristalinas (i) a reprovabilidade do comportamento dos executados, que, de longa data, tentam eximir-se da sua obriga\u00e7\u00e3o de pagar a quantia proveniente do t\u00edtulo executivo, adotando comportamento procrastinat\u00f3rio e contradit\u00f3rio, a infringir a cl\u00e1usula geral da boa-f\u00e9 que deve permear n\u00e3o apenas as rela\u00e7\u00f5es privadas<\/strong> (art. 421 do <a>CC<\/a>), mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es processuais (art. 5\u00ba do CPC\/2015); e (ii) a teratologia do ac\u00f3rd\u00e3o recorrido do tribunal de origem, que, nitidamente, incorreu em&nbsp;<em>error in procedendo<\/em>, ao extinguir uma execu\u00e7\u00e3o de longa data (que subsiste por aproximadamente 24 anos), com base em omiss\u00e3o inexistente, e em&nbsp;<em>error in judicando<\/em>, ao decidir em manifesta contrariedade com o que ficou decidido no ac\u00f3rd\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o dos embargos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o, violando a coisa julgada sob o pretexto exatamente oposto, de observ\u00e2ncia \u00e0 coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, a discuss\u00e3o atinente \u00e0 necessidade de apresenta\u00e7\u00e3o dos contratos subjacentes ao contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida est\u00e1 albergada pela preclus\u00e3o consumativa, haja vista o anterior debate sobre a controv\u00e9rsia pelas partes. Os eventuais equ\u00edvocos nos c\u00e1lculos realizados pelo perito tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o mais pass\u00edveis de discuss\u00e3o, pois, como consabido, os executados, ora recorridos, expressamente com eles anu\u00edram e requereram sua homologa\u00e7\u00e3o em quatro oportunidades, acarretando, desse modo, as preclus\u00f5es l\u00f3gica e consumativa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel extin\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de juntada das aven\u00e7as anteriores e subjacentes ao contrato de confiss\u00e3o de d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-feriado-de-corpus-christi-e-necessidade-de-comprovacao-no-momento-da-interposicao-do-recurso\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Feriado de Corpus Christi e necessidade de comprova\u00e7\u00e3o no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de expediente forense no dia de&nbsp;Corpus Christi&nbsp;deve ser comprovada pela parte, no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por meio de documento id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.779.552-GO, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 06\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson foi intimado de ac\u00f3rd\u00e3o em 28.05.2020, ao passo que o recurso cab\u00edvel foi interposto somente em 22.06.2020, quando j\u00e1 superado o prazo de 15 dias \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o advogado interp\u00f4s agravo no qual sustenta que a documenta\u00e7\u00e3o juntada (calend\u00e1rio extra\u00eddo de p\u00e1gina do Tribunal local mantida em rede mundial de computadores) aos autos no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial comprovaria a inexist\u00eancia de expediente forense nos dias 11 e 12 de junho de 2020.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-\u00e3o somente os dias \u00fateis.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. O disposto neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.003. O prazo para interposi\u00e7\u00e3o de recurso conta-se da data em que os advogados, a sociedade de advogados, a Advocacia P\u00fablica, a Defensoria P\u00fablica ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00e3o intimados da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 5\u00ba Excetuados os embargos de declara\u00e7\u00e3o, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes \u00e9 de 15 (quinze) dias.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-necessaria-a-comprovacao-por-meio-de-documento-idoneo\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o por meio de documento id\u00f4neo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 intempestivo o recurso especial interposto ap\u00f3s o prazo de 15 (quinze) dias \u00fateis previsto nos artigos 219 e 1.003, \u00a7 5\u00ba, do <a>CPC\/2015<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a jurisprud\u00eancia do STJ, o dia de&nbsp;<em>Corpus Christi<\/em>&nbsp;\u00e9 feriado local, porquanto n\u00e3o previsto em lei federal, raz\u00e3o pela qual a aus\u00eancia de expediente forense em tal data deve ser comprovada pela parte recorrente, no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por meio de documento id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No calend\u00e1rio disponibilizado no s\u00edtio eletr\u00f4nico do Tribunal local constava a seguinte informa\u00e7\u00e3o: &#8220;as datas dos feriados est\u00e3o sujeitas a altera\u00e7\u00f5es, assim como poder\u00e3o ser decretados pontos facultativos no decorrer do ano de 2020<\/strong>, a crit\u00e9rio da Presid\u00eancia, em virtude de circunst\u00e2ncias eventuais que justifiquem referidas medidas&#8221;. N\u00e3o se cuida, portanto, de instrumento h\u00e1bil a atestar, de modo inequ\u00edvoco, a exist\u00eancia do feriado local em comento.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se, por oportuno, que a jurisprud\u00eancia do STJ orienta-se no sentido de que calend\u00e1rios como o ora tratado n\u00e3o permitem a aferi\u00e7\u00e3o adequada da tempestividade recursal, sendo necess\u00e1ria, para tanto, a juntada de c\u00f3pia ato normativo que determina a inexist\u00eancia de expediente forense em raz\u00e3o da exist\u00eancia de feriado local.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, <strong>a juntada de calend\u00e1rio extra\u00eddo de p\u00e1gina do Tribunal local mantida em rede mundial de computadores n\u00e3o se revela como documento id\u00f4neo a ensejar a comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia do aludido feriado<\/strong>, na medida em que, para tanto, \u00e9 NECESS\u00c1RIA a juntada de c\u00f3pia de lei ou de ato administrativo que ateste, de modo inequ\u00edvoco, a aus\u00eancia de expediente forense na data em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de expediente forense no dia de&nbsp;<em>Corpus Christi&nbsp;<\/em>deve ser comprovada pela parte, no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso, por meio de documento id\u00f4neo.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-im-possibilidade-da-responsabilizacao-dos-socios-de-micro-e-pequenas-empresas-pelos-debitos-tributarios\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade da responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios de micro e pequenas empresas pelos d\u00e9bitos tribut\u00e1rios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso <a>de micro e pequenas empresas <\/a>\u00e9 poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios pelo inadimplemento do tributo, com base no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhes demonstrar a insufici\u00eancia do patrim\u00f4nio quando da liquida\u00e7\u00e3o para exonera\u00e7\u00e3o da responsabilidade pelos d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.876.549-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022, DJe 06\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal em desfavor da micro empresa Chapea\u00e7\u00e3o Martelo Ltda. Por\u00e9m, a senten\u00e7a que julgou extinta a execu\u00e7\u00e3o fiscal, sob o fundamento de que a empresa executada j\u00e1 se encontrava com baixa na RFB \u00e0 \u00e9poca do ajuizamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em apela\u00e7\u00e3o, o Tribunal local ponderou que a execu\u00e7\u00e3o fiscal direcionada \u00e0 microempresa, dizia respeito a fatos geradores ocorridos em \u00e9poca que n\u00e3o estava vigente a Lei Complementar 147\/2014, por\u00e9m havia a previs\u00e3o da responsabilidade solid\u00e1ria nos termos do art. 9\u00ba, \u00a7\u00a7 3\u00ba e 5\u00ba, da Lei Complementar 123\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, entendeu que a responsabilidade dos s\u00f3cios n\u00e3o deveria ser reconhecida, tendo em vista a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es do mencionado inciso III do art. 135 do CTN (ato dos s\u00f3cios gestores com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos). A Uni\u00e3o ent\u00e3o interp\u00f4s recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 123\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;9<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;O registro dos atos constitutivos, de suas altera\u00e7\u00f5es e extin\u00e7\u00f5es (baixas), referentes a empres\u00e1rios e pessoas jur\u00eddicas em qualquer \u00f3rg\u00e3o dos 3 (tr\u00eas)&nbsp; \u00e2mbitos de governo ocorrer\u00e1 independentemente da regularidade de obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, previdenci\u00e1rias ou trabalhistas, principais ou acess\u00f3rias, do empres\u00e1rio, da sociedade, dos s\u00f3cios, dos administradores ou de empresas de que participem, sem preju\u00edzo das responsabilidades do empres\u00e1rio, dos titulares, dos s\u00f3cios ou dos administradores por tais obriga\u00e7\u00f5es, apuradas antes ou ap\u00f3s o ato de extin\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7&nbsp;5<sup>o<\/sup>&nbsp;&nbsp;A solicita\u00e7\u00e3o de baixa do empres\u00e1rio ou da pessoa jur\u00eddica importa responsabilidade solid\u00e1ria dos empres\u00e1rios, dos titulares, dos s\u00f3cios e dos administradores no per\u00edodo da ocorr\u00eancia dos respectivos fatos geradores.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;CTN:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exig\u00eancia do cumprimento da obriga\u00e7\u00e3o principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omiss\u00f5es de que forem respons\u00e1veis:<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; os s\u00f3cios, no caso de liquida\u00e7\u00e3o de sociedade de pessoas<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 135. S\u00e3o pessoalmente respons\u00e1veis pelos cr\u00e9ditos correspondentes a obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos:<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jur\u00eddicas de direito privado.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-possivel-a-responsabilizacao-dos-socios-de-micro-e-pequenas-empresas\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios de micro e pequenas empresas?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se, na origem, de apela\u00e7\u00e3o interposta <a>contra senten\u00e7a que julgou extinta a execu\u00e7\u00e3o fiscal, sob o fundamento de que a empresa executada j\u00e1 se encontrava com baixa na RFB \u00e0 \u00e9poca da execu\u00e7\u00e3o fiscal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal de origem, ao analisar a controv\u00e9rsia, ponderou que a responsabilidade dos s\u00f3cios, conforme a interpreta\u00e7\u00e3o dada pelo STJ ao art. 135, III, do <a>CTN<\/a>, no REsp 1.746.007, n\u00e3o deveria ser reconhecida, tendo em vista a necessidade de comprova\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es do mencionado inciso III (ato dos s\u00f3cios gestores com excesso de poderes ou infra\u00e7\u00e3o de lei, contrato social ou estatutos).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a Segunda Turma do STJ possua precedentes no sentido de que deve-se respeitar o art. 135, III, do CTN, observa-se que o caso em quest\u00e3o n\u00e3o pode ser enquadrado na hip\u00f3tese de dissolu\u00e7\u00e3o irregular, uma vez existir no regramento das micro e pequenas empresas a possibilidade de dissolu\u00e7\u00e3o regular sem a apresenta\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o de regularidade fiscal, faculdade esta inclu\u00edda no sistema jur\u00eddico p\u00e1trio para facilitar o t\u00e9rmino das atividades da pessoa jur\u00eddica, mas n\u00e3o para servir de escudo para o inadimplemento de d\u00edvidas fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, h\u00e1 de se considerar que o pr\u00f3prio art. 9\u00ba, \u00a7\u00a7 4\u00ba e 5\u00ba, da LC n. 123\/2006, ao tratar da baixa do ato constitutivo da sociedade, esclareceu que <strong>tal ato n\u00e3o implica em extin\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, nem tampouco do afastamento da responsabilidade dos s\u00f3cios<\/strong>, aproximando o caso ao insculpido no art. 134, VII, do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o STJ possui entendimento de que tanto a reda\u00e7\u00e3o do art. 9\u00ba da LC n. 123\/2006 como da LC n. 147\/2014 apresentam interpreta\u00e7\u00e3o de que no caso de micro e pequenas empresas \u00e9 poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios pelo inadimplemento do tributo, com base no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhes demonstrar a insufici\u00eancia do patrim\u00f4nio quando da liquida\u00e7\u00e3o para exonerar-se da responsabilidade pelos d\u00e9bitos. (AgInt no REsp 1737677\/MS, Rel. Ministro Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, julgado em 18\/11\/2019, DJe 20\/11\/2019, AgInt no REsp 1737621\/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 25\/02\/2019, DJe 27\/02\/2019 e REsp 1591419\/DF, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 20\/09\/2016, DJe 26\/10\/2016).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, conclui-se que o s\u00f3cio-gerente seja inclu\u00eddo no polo passivo da execu\u00e7\u00e3o fiscal com o intuito de comprovar eventual insufici\u00eancia do patrim\u00f4nio por ocasi\u00e3o da liquida\u00e7\u00e3o e exonerar-se da responsabilidade pelo d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>No caso de micro e pequenas empresas \u00e9 poss\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios pelo inadimplemento do tributo, com base no art. 134, VII, do CTN, cabendo-lhes demonstrar a insufici\u00eancia do patrim\u00f4nio quando da liquida\u00e7\u00e3o para exonerara\u00e7\u00e3o da responsabilidade pelos d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-empresarial\"><a>DIREITO EMPRESARIAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-produtos-agricolas-e-enquadramento-como-bens-de-capital-essenciais-a-atividade-empresarial\"><a>10.&nbsp; Produtos agr\u00edcolas e enquadramento como bens de capital essenciais \u00e0 atividade empresarial<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Produtos agr\u00edcolas &#8211; soja e milho &#8211; n\u00e3o s\u00e3o <a>bens de capital essenciais \u00e0 atividade empresarial<\/a>, n\u00e3o incidindo a norma contida na parte final do \u00a7 3\u00ba do art. 49 da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.991.989-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022, DJe 05\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O produtor rural Isaias requereu recupera\u00e7\u00e3o judicial. Durante o tr\u00e2mite da a\u00e7\u00e3o, o juiz de primeiro grau impediu a retirada do estabelecimento comercial de produtos agr\u00edcolas ali produzidos (milho e soja), ao argumento de que se tratavam de bens de capital essenciais ao soerguimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Soja Brasil, uma das credoras, interp\u00f4s agravo de instrumento contra a decis\u00e3o, mas o tribunal local a manteve por entender demonstrada a essencialidade dos bens, por serem de capital e indispens\u00e1veis ao soerguimento do grupo, que poderia ent\u00e3o investir o valor da venda das sacas de soja e milho para o exerc\u00edcio da sua atividade empresarial e \u00eaxito de sua recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei de Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 49. Est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, ainda que n\u00e3o vencidos.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Tratando-se de credor titular da posi\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio fiduci\u00e1rio de bens m\u00f3veis ou im\u00f3veis, de arrendador mercantil, de propriet\u00e1rio ou promitente vendedor de im\u00f3vel cujos respectivos contratos contenham cl\u00e1usula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, ou de propriet\u00e1rio em contrato de venda com reserva de dom\u00ednio, seu cr\u00e9dito n\u00e3o se submeter\u00e1 aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial e prevalecer\u00e3o os direitos de propriedade sobre a coisa e as condi\u00e7\u00f5es contratuais, observada a legisla\u00e7\u00e3o respectiva, n\u00e3o se permitindo, contudo, durante o prazo de suspens\u00e3o a que se refere o \u00a7 4\u00ba do art. 6\u00ba desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-possivel-o-enquadramento-como-bens-de-capital-essenciais-a-atividade\"><a>10.2.2. Poss\u00edvel o enquadramento como bens de capital essenciais \u00e0 atividade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por ocasi\u00e3o do julgamento do Recurso Especial 1.758.746\/GO (Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, DJe 1\/10\/2018), a Terceira Turma do STJ, \u00e0 unanimidade, reconheceu que, se determinado bem n\u00e3o puder ser classificado como bem de capital, ao ju\u00edzo da recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dado fazer nenhuma infer\u00eancia quanto \u00e0 sua essencialidade. \u00c9 expressa, nesse sentido, a parte final do \u00a7 3\u00ba do art. 49 da <a>Lei de Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas<\/a> (LFRE), que faz refer\u00eancia direta e un\u00edvoca a bens de capital essenciais \u00e0 atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer, <strong>a lei de reg\u00eancia n\u00e3o autoriza o juiz a expandir a aplica\u00e7\u00e3o da lei de modo a impedir a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor de bens, ainda que essenciais, que ostentem outra natureza que n\u00e3o a de bem de capital.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Veja-se que nem mesmo a caracteriza\u00e7\u00e3o do bem como de capital constitui circunst\u00e2ncia suficientemente apta, por si s\u00f3, a impedir sua retirada caso n\u00e3o se perceba sua essencialidade \u00e0 atividade empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, na hip\u00f3tese de n\u00e3o estarem preenchidos dois pressupostos, quais sejam: (i) bem classificado como de capital e (ii) de reconhecida essencialidade \u00e0 atividade empresarial -, \u00e9 descabido ao ju\u00edzo, como regra, obstar sua sa\u00edda da posse do devedor com base na ressalva da parte final do art. 49, \u00a7 3\u00ba, da LFRE.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre, todavia, definir o que se pode entender como bem de capital, a fim de perquirir se os gr\u00e3os de soja e milho produzidos pelos recorridos podem ser classificados como tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ocasi\u00e3o do julgamento do Conflito de Compet\u00eancia 153.473\/PR (DJe 26\/6\/2018), a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ debru\u00e7ou-se sobre tal quest\u00e3o conceitual. Na oportunidade, constou do voto vencido que, &#8220;por bem de capital, deve-se compreender aqueles im\u00f3veis, m\u00e1quinas e utens\u00edlios necess\u00e1rios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, portanto, o objeto de comercializa\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica em recupera\u00e7\u00e3o judicial, mas o aparato, seja bem m\u00f3vel ou im\u00f3vel, necess\u00e1rio \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade produtiva, como ve\u00edculos de transporte, silos de armazenamento, geradores, prensas, colheitadeiras, tratores, para exemplificar alguns que s\u00e3o utilizados na produ\u00e7\u00e3o dos bens ou servi\u00e7os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o bem de consumo (em oposi\u00e7\u00e3o ao bem de capital) &#8220;constitui aquilo que \u00e9 produzido com utiliza\u00e7\u00e3o do bem de capital, seja dur\u00e1vel ou n\u00e3o dur\u00e1vel, e que ser\u00e1 comercializado pela empresa, ou prestado na forma de servi\u00e7os&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De se notar, outrossim, que, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica &#8211; IBGE, dentre os produtos que constituem bens de capital do setor agr\u00edcola n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos gr\u00e3os, englobando, ao rev\u00e9s, apenas o maquin\u00e1rio utilizado na produ\u00e7\u00e3o: tratores agr\u00edcolas, m\u00e1quinas e aparelhos para irriga\u00e7\u00e3o, arados e charruas, m\u00e1quinas e aparelhos de pulveriza\u00e7\u00e3o, m\u00e1quinas para limpeza e sele\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, m\u00e1quinas e aparelhos para avicultura, reboques e semi-reboques, semeadores, plantadeiras e adubadores, m\u00e1quinas para colheita, secadores, silos etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Destarte, no particular, <strong>n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o apta a sustentar a hip\u00f3tese de que os gr\u00e3os cultivados e comercializados (soja e milho) constituam bens de capital, pois, a toda evid\u00eancia, n\u00e3o se trata de bens utilizados no processo produtivo, mas, sim, do produto final da atividade empresarial<\/strong> por eles desempenhada<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Produtos agr\u00edcolas &#8211; soja e milho &#8211; n\u00e3o s\u00e3o bens de capital essenciais \u00e0 atividade empresarial, n\u00e3o incidindo a norma contida na parte final do \u00a7 3\u00ba do art. 49 da Lei n. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-cabimento-da-devolucao-de-valores-recebidos-a-maior-a-titulo-de-complementacao-de-aposentadoria-por-forca-de-decisao-judicial-transitada-em-julgado-posteriormente-desconstituida\"><a>11.&nbsp; Cabimento da devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos a maior a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial transitada em julgado posteriormente desconstitu\u00edda<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a <a>devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos a maior a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial transitada em julgado<\/a>, mesmo que ela seja posteriormente desconstitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.775.987-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio ajuizou a\u00e7\u00e3o com o objetivo de rever os valores que recebia a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria. A a\u00e7\u00e3o foi julgada procedente, liquidada e transitou em julgado, raz\u00e3o que levou Craudio a receber os novos valores a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que houve um erro material na liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, o que levou a uma complementa\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio em valor maior que o devido, raz\u00e3o pela qual foi desconstitu\u00edda. A entidade de previd\u00eancia privada ent\u00e3o requereu que Cr\u00e1udio devolvesse os valores recebidos a mais, ideia que n\u00e3o agradou muito o autor da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-cabe-a-devolucao\"><a>11.2.1. Cabe a devolu\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o valor do benef\u00edcio implantado em folha de pagamento foi apurado em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a transitada em julgado, cuidando-se, portanto, de cumprimento definitivo de senten\u00e7a, o que afasta a aplica\u00e7\u00e3o do entendimento firmado no julgamento do REsp 1.548.749\/RS pela Segunda Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a atual jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 firme no sentido da possibilidade de restitui\u00e7\u00e3o \u00e0 entidade fechada de previd\u00eancia privada, incorporados aos proventos de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria complementar em decorr\u00eancia de antecipa\u00e7\u00e3o de tutela posteriormente revogada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todavia, n\u00e3o \u00e9 esse o caso<\/strong>, <strong>porquanto os valores a que se pretende a restitui\u00e7\u00e3o decorrem de recebimento, durante anos, por for\u00e7a de cumprimento definitivo de senten\u00e7a, parcelas de natureza alimentar, fixadas por senten\u00e7a de liquida\u00e7\u00e3o transitada em julgado<\/strong>, sendo INEQU\u00cdVOCA a sua boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre consignar que, com rela\u00e7\u00e3o especificamente \u00e0 Previd\u00eancia Privada, a devolu\u00e7\u00e3o de valores pagos a t\u00edtulo de benef\u00edcio previdenci\u00e1rio complementar por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial, posteriormente revogada ou rescindida, o entendimento das Turmas de Direito Privado se amparou, inicialmente, na jurisprud\u00eancia do STJ que, para dirimir o debate acerca da devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos por for\u00e7a de antecipa\u00e7\u00e3o de tutela posteriormente revogada, quanto a benef\u00edcios previdenci\u00e1rios do Regime Geral de Previd\u00eancia Social, utilizou-se da incid\u00eancia do princ\u00edpio da irrepetibilidade dos alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que a jurisprud\u00eancia do STJ caminhou no sentido de considerar o exame do requisito da boa-f\u00e9 objetiva daquele que recebe a parcela tida posteriormente como indevida, como condi\u00e7\u00e3o para a irrepetibilidade da verba.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as Turmas de Direito Privado do STJ passaram a adotar, nas causas envolvendo previd\u00eancia privada, acerca da boa-f\u00e9 objetiva, o entendimento de que ela estar\u00e1 presente, tornando irrepet\u00edvel a verba previdenci\u00e1ria recebida indevidamente, se manifesta a leg\u00edtima expectativa de titularidade do direito pelo benefici\u00e1rio, isto \u00e9, de que o pagamento assumiu ares de definitividade, a exemplo de erros administrativos cometidos pela pr\u00f3pria entidade pagadora ou de ordens judiciais dotadas de for\u00e7a definitiva (decis\u00e3o judicial transitada em julgado e posteriormente rescindida), n\u00e3o havendo falar em repeti\u00e7\u00e3o das import\u00e2ncias recebidas pelos benefici\u00e1rios no per\u00edodo ou em seu enriquecimento il\u00edcito, diante da evidente boa-f\u00e9 e da apar\u00eancia de legitimidade e definitividade das verbas, qualificadas como de natureza alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, verifica-se que o ponto crucial para verificar a obriga\u00e7\u00e3o da devolu\u00e7\u00e3o dos valores recebidos da entidade de previd\u00eancia privada \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da boa-f\u00e9 objetiva, <strong>n\u00e3o sendo suficiente, pois, que a verba seja, t\u00e3o somente, alimentar,<\/strong> mas tamb\u00e9m, deve ser presum\u00edvel a definitividade do pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Objetivamente, no presente caso, observa-se que a frui\u00e7\u00e3o do que foi recebido indevidamente a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria est\u00e1 acobertada pela boa-f\u00e9, que, por sua vez, \u00e9 consequ\u00eancia da leg\u00edtima confian\u00e7a de que os valores integraram em definitivo o patrim\u00f4nio do benefici\u00e1rio em virtude de terem sido recebidos por for\u00e7a de execu\u00e7\u00e3o definitiva de&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;fixado em liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a transitada em julgado e, somente MUITO POSTERIORMENTE, reformada em virtude de ERRO MATERIAL.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>11.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a devolu\u00e7\u00e3o de valores recebidos a maior a t\u00edtulo de complementa\u00e7\u00e3o de aposentadoria por for\u00e7a de decis\u00e3o judicial transitada em julgado, mesmo que ela seja posteriormente desconstitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-a-conduta-de-oferecer-vantagem-indevida-a-funcionario-publico-para-determina-lo-a-omitir-ou-retardar-ato-de-oficio-relacionado-com-o-cometimento-do-crime-de-posse-de-drogas-para-uso-proprio-e-crime-de-corrupcao-ativa\"><a>12.&nbsp; A conduta de oferecer vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico para determin\u00e1-lo a omitir ou retardar ato de of\u00edcio relacionado com o cometimento do crime de posse de drogas para uso pr\u00f3prio e crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Configura o crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa o oferecimento de <a>vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico para determin\u00e1-lo a omitir ou retardar ato de of\u00edcio relacionado com o cometimento do crime de posse de drogas para uso pr\u00f3prio<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.007.599-RJ, Rel. Min. Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O policial Tadeu abordou Creitinho e constatou que, pela quantidade e qualidade do entorpecente, a droga apreendida se destinava a uso pessoal. Ainda assim, Creitinho ofereceu ao policial seu celular para que n\u00e3o fosse acautelado. Em raz\u00e3o disso, Creitinho foi condenado pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa interp\u00f4s sucessivos recursos alegando a inexist\u00eancia de ato de of\u00edcio a ser cumprido pelo policial, uma vez que a droga apreendida se destinava a uso pessoal, e, por isso, n\u00e3o haveria de lhe ser dada voz de pris\u00e3o ao se considerar que o tipo penal do artigo 28 da Lei 11.343\/2006 sequer prev\u00ea san\u00e7\u00e3o de priva\u00e7\u00e3o de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 333 &#8211; Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico, para determin\u00e1-lo a praticar, omitir ou retardar ato de of\u00edcio:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; A pena \u00e9 aumentada de um ter\u00e7o, se, em raz\u00e3o da vantagem ou promessa, o funcion\u00e1rio retarda ou omite ato de of\u00edcio, ou o pratica infringindo dever funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Drogas:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em dep\u00f3sito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar ser\u00e1 submetido \u00e0s seguintes penas:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; advert\u00eancia sobre os efeitos das drogas;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste T\u00edtulo rege-se pelo disposto neste Cap\u00edtulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo de Processo Penal e da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, n\u00e3o se impor\u00e1 pris\u00e3o em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao ju\u00edzo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisi\u00e7\u00f5es dos exames e per\u00edcias necess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Se ausente a autoridade judicial, as provid\u00eancias previstas no \u00a7 2\u00ba deste artigo ser\u00e3o tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a deten\u00e7\u00e3o do agente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-configurado-o-crime-de-corrupcao-ativa\"><a>12.2.2. Configurado o crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R<\/u><\/em><\/strong><em><u>:<\/u><\/em> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Consoante previs\u00e3o do artigo 333 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, o delito de corrup\u00e7\u00e3o ativa ocorre com a conduta de oferecer ou prometer vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico, para determin\u00e1-lo a praticar, omitir ou retardar ato de of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o entendimento de que n\u00e3o h\u00e1 ato de of\u00edcio a ser praticado por policiais quando abordam sujeito na posse de drogas est\u00e1 em disson\u00e2ncia com as disposi\u00e7\u00f5es legais e a jurisprud\u00eancia do STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 28 da <a>Lei de Drogas<\/a>, ainda que n\u00e3o preveja pena privativa de liberdade, permanece como crime<strong>. N\u00e3o houve descriminaliza\u00e7\u00e3o da conduta, mas t\u00e3o somente sua despenaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, vez que a norma especial conferiu tratamento penal mais brando aos usu\u00e1rios de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o STJ, alinhando-se ao &#8220;<strong>entendimento firmado pela Corte Suprema no julgamento do RE 430.150\/RJ, sedimentou orienta\u00e7\u00e3o de que a Lei n. 11.343\/2006 n\u00e3o descriminalizou a conduta que tipificou no art. 28, que, portanto, continua a configurar crime<\/strong>. Ocorreu mera despenaliza\u00e7\u00e3o, assim entendida como a aus\u00eancia de previs\u00e3o, para o tipo, de pena privativa de liberdade como san\u00e7\u00e3o&#8221; (HC 406.905\/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 7\/11\/2017, DJe 13\/11\/2017)&#8221; (AgRg no HC 623.436\/SC, Quinta Turma, Rel. Min. Ribeiro Dantas, DJe de 17\/12\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Em casos dessa natureza, muito embora n\u00e3o se imponha a pris\u00e3o em flagrante, \u00e9 OBRIGA\u00c7\u00c3O do policial conduzir o autor do fato diretamente ao ju\u00edzo competente ou, na falta deste, \u00e0 delegacia, lavrando-se, neste caso, o respectivo termo circunstanciado e providenciando-se as requisi\u00e7\u00f5es dos exames e per\u00edcias necess\u00e1rios, nos termos do artigo 48, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre ressaltar, ainda, que para a configura\u00e7\u00e3o do delito de corrup\u00e7\u00e3o ativa, a norma penal sequer exige que o ato de of\u00edcio tenha sido efetivamente praticado, at\u00e9 porque, em se constatando que o funcion\u00e1rio retardou ou omitiu ato de of\u00edcio, ou o praticou infringindo dever funcional, incidir\u00e1 a causa de aumento de pena prevista no par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 333 do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Configura o crime de corrup\u00e7\u00e3o ativa o oferecimento de vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico para determin\u00e1-lo a omitir ou retardar ato de of\u00edcio relacionado com o cometimento do crime de posse de drogas para uso pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-historico-prisional-conturbado-crime-praticado-com-violencia-e-requisito-subjetivo-na-concessao-de-condicional\"><a>13.&nbsp; Hist\u00f3rico prisional conturbado, crime praticado com viol\u00eancia e requisito subjetivo na concess\u00e3o de condicional<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico prisional conturbado do apenado, somado ao crime praticado com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a (uma condi\u00e7\u00e3o legal do atual art. 83, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal), afasta a constata\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do requisito subjetivo para a concess\u00e3o do livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 734.064-SP, Rel. Min. Jesu\u00edno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022, DJe 09\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton cumpre pena pelo crime de roubo e durante seu tempo recluso teve um hist\u00f3rico prisional conturbado, raz\u00e3o pela qual seu requerimento de livramento de condiciona foi indeferido \u2014 aus\u00eancia do requisito subjetivo para a concess\u00e3o da benesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Creiton impetrou Habeas Corpus no qual alega que preenche os requisitos objetivo e subjetivo para a concess\u00e3o do benef\u00edcio de livramento condicional, sendo indevida a exig\u00eancia da reabilita\u00e7\u00e3o das faltas disciplinares graves a ele imputadas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 83 &#8211; O juiz poder\u00e1 conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; cumprida mais de um ter\u00e7o da pena se o condenado n\u00e3o for reincidente em crime doloso e tiver bons antecedentes;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; comprovado:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>a) bom comportamento durante a execu\u00e7\u00e3o da pena;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>b) n\u00e3o cometimento de falta grave nos \u00faltimos 12 (doze) meses;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribu\u00eddo; e&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>d) aptid\u00e3o para prover a pr\u00f3pria subsist\u00eancia mediante trabalho honesto;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de faz\u00ea-lo, o dano causado pela infra\u00e7\u00e3o; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; cumpridos mais de dois ter\u00e7os da pena, nos casos de condena\u00e7\u00e3o por crime hediondo, pr\u00e1tica de tortura, tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes e drogas afins, tr\u00e1fico de pessoas e terrorismo, se o apenado n\u00e3o for reincidente espec\u00edfico em crimes dessa natureza.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Para o condenado por crime doloso, cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, a concess\u00e3o do livramento ficar\u00e1 tamb\u00e9m subordinada \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pessoais que fa\u00e7am presumir que o liberado n\u00e3o voltar\u00e1 a delinq\u00fcir.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 131. O livramento condicional poder\u00e1 ser concedido pelo Juiz da execu\u00e7\u00e3o, presentes os requisitos do artigo 83, incisos e par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal, ouvidos o Minist\u00e9rio P\u00fablico e Conselho Penitenci\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-afastado-o-requisito-subjetivo\"><a>13.2.2. Afastado o requisito subjetivo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a concess\u00e3o do benef\u00edcio do livramento condicional, deve o reeducando preencher os requisitos de natureza objetiva (lapso temporal) e subjetiva (em especial, &#8220;bom comportamento durante a execu\u00e7\u00e3o da pena&#8221;, &#8220;bom desempenho no trabalho que lhe foi atribu\u00eddo&#8221; e &#8220;aptid\u00e3o para prover \u00e0 pr\u00f3pria subsist\u00eancia mediante trabalho honesto&#8221;), nos termos do art. 83 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, com a atual reda\u00e7\u00e3o, c\/c o art. 131 da <a>Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A jurisprud\u00eancia do STJ se firmou no sentido de que, <strong>para que se afaste o requisito subjetivo das benesses execut\u00f3rias, deve o ser com base nos elementos concretos extra\u00eddos da execu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, nos casos em que o cumprimento de pena por crimes que incluem delito praticado com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a (roubo), bem como a presen\u00e7a de faltas de natureza grave relativamente recentes, independentemente da simples observa\u00e7\u00e3o da data fixada de reabilita\u00e7\u00e3o, nos termos do art. 83, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal, com a reda\u00e7\u00e3o atual dada pela Lei n. 13.964\/2019, deve-se observar igualmente que: &#8220;Para o condenado por crime doloso, cometido com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, a concess\u00e3o do livramento ficar\u00e1 tamb\u00e9m subordinada \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es pessoais que fa\u00e7am presumir que o liberado n\u00e3o voltar\u00e1 a delinquir&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o hist\u00f3rico prisional conturbado do apenado, somado ao crime praticado (uma condi\u00e7\u00e3o legal do atual art. 83, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal), afasta a constata\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do requisito subjetivo para a concess\u00e3o do livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falar, pois, em suposta ilegalidade dos prazos fixados para a reabilita\u00e7\u00e3o da falta grave na Resolu\u00e7\u00e3o SAP n. 144\/2010 do Regimento Interno Padr\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora, de fato, a Sexta Turma do STJ tenha esposado o entendimento de que as reabilita\u00e7\u00f5es das faltas graves cometidas no mesmo dia e que ocorrem em per\u00edodos sucessivos e n\u00e3o concomitantes conferem ao apenado tratamento mais rigoroso (HC 652.190\/SP, Sexta Turma, Rel\u00aa. Min\u00aa. Laurita Vaz, DJe de 27\/8\/2021), o precedente tratava de faltas cometidas h\u00e1 cerca de 4 (quatro) anos e em crime de tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso vertente, a simples constata\u00e7\u00e3o de eventual reabilita\u00e7\u00e3o das faltas n\u00e3o altera a situa\u00e7\u00e3o prisional do paciente, j\u00e1 que n\u00e3o se mostram t\u00e3o antigas e o crime praticado se deu sob viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O hist\u00f3rico prisional conturbado do apenado, somado ao crime praticado com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a (uma condi\u00e7\u00e3o legal do atual art. 83, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo Penal), afasta a constata\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca do requisito subjetivo para a concess\u00e3o do livramento condicional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-im-possibilidade-de-fixacao-de-regime-aberto-ao-reu-primario-condenado-a-pena-igual-ou-inferior-a-4-quatro-anos-de-reclusao-ainda-que-presente-circunstancia-judicial-negativa\"><a>14.&nbsp; (Im)Possibilidade de fixa\u00e7\u00e3o de regime aberto ao r\u00e9u prim\u00e1rio condenado \u00e0 pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de reclus\u00e3o ainda que presente circunstancia judicial negativa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dadas as peculiaridades do caso concreto, admite-se que ao r\u00e9u prim\u00e1rio, <a>condenado \u00e0 pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de reclus\u00e3o<\/a>, seja fixado o regime inicial aberto, ainda que negativada circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.970.578-SC, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, por maioria, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio foi condenado \u00e0 pena de 2 anos e 8 meses de deten\u00e7\u00e3o, em regime aberto, substitu\u00edda por duas penas restritivas de direitos, e \u00e0 pena de suspens\u00e3o da permiss\u00e3o ou habilita\u00e7\u00e3o para dirigir ve\u00edculo automotor pelo prazo de 6 meses por infra\u00e7\u00e3o ao art. 302, caput, do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro. Em apela\u00e7\u00e3o do MP, a pena foi elevada pra 3 anos e quatro meses de reclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Craudio impetrou sucessivos recursos visando \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do regime prisional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33 &#8211; A pena de reclus\u00e3o deve ser cumprida em regime fechado, semi-aberto ou aberto. A de deten\u00e7\u00e3o, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo necessidade de transfer\u00eancia a regime fechado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<strong>\u00ba<\/strong>&nbsp;&#8211; A determina\u00e7\u00e3o do regime inicial de cumprimento da pena far-se-\u00e1 com observ\u00e2ncia dos crit\u00e9rios previstos no art. 59 deste C\u00f3digo<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-possivel-a-fixacao-no-regime-aberto\">14.2.2. &nbsp;<a>Poss\u00edvel a fixa\u00e7\u00e3o no regime aberto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de o \u00a7 3\u00ba do art. 33 do <a>C\u00f3digo Penal <\/a>dispor que para a escolha do modo inicial de cumprimento da pena dever\u00e3o ser observados os crit\u00e9rios do art. 59, n\u00e3o fica o julgador compelido a fixar regime mais gravoso do que o cab\u00edvel em raz\u00e3o do quantitativo da san\u00e7\u00e3o imposta, ainda que presente circunst\u00e2ncia judicial desfavor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, embora a defini\u00e7\u00e3o da pena-base acima do m\u00ednimo legalmente previsto autorize, nos termos do art. 33, \u00a7 3\u00ba, do C\u00f3digo Penal, a fixa\u00e7\u00e3o do regime inicial imediatamente mais grave do que o estabelecido em raz\u00e3o do&nbsp;<em>quantum<\/em>&nbsp;da pena aplicada, <strong>nada impede que o julgador deixe de recrudescer o modo prisional se entender que aquele cominado ao montante da pena imposta se mostra suficiente \u00e0 reprova\u00e7\u00e3o do delito.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, portanto, concluir que a negativa\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias judiciais, ao contr\u00e1rio do que ocorre quando reconhecida a agravante da reincid\u00eancia, confere ao julgador a FACULDADE &#8211; e n\u00e3o a obrigatoriedade &#8211; de recrudescer o regime prisional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Dadas as peculiaridades do caso concreto, admite-se que ao r\u00e9u prim\u00e1rio, condenado \u00e0 pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de reclus\u00e3o, seja fixado o regime inicial aberto, ainda que negativada circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-causa-de-aumento-descrita-na-parte-final-do-4\u00ba-do-art-1\u00ba-da-lei-de-lavagem-de-dinheiro-como-empecilho-para-a-manutencao-da-separacao-dos-feitos\"><a>15.&nbsp; Causa de aumento descrita na parte final do \u00a7 4\u00ba do art. 1\u00ba da Lei de Lavagem de Dinheiro como empecilho para a manuten\u00e7\u00e3o da separa\u00e7\u00e3o dos feitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A eventual incid\u00eancia da causa de aumento <a>descrita na parte final do \u00a7 4\u00ba do art. 1\u00ba da <\/a><a>Lei de Lavagem de Dinheiro<\/a>, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.683\/2012, n\u00e3o constitui empecilho para o juiz manter a separa\u00e7\u00e3o dos feitos, nos termos do art. 80 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 157.077-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Jurema foi denunciada pelo crime de Lei de Lavagem de Dinheiro juntamente com outros investigados. Ocorre que a investiga\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o deu origem a nada menos que seis processos distintos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em determinado momento processual, a defesa de Jurema requereu a reuni\u00e3o dos feitos em raz\u00e3o da eventual incid\u00eancia da causa de aumento descrita na parte final do \u00a7 4\u00ba do art. 1\u00ba da Lei de Lavagem de Dinheiro. Por\u00e9m, a magistrada singular entendeu pela n\u00e3o reuni\u00e3o dos processos, com fundamento no art. 80 do C\u00f3digo de Processo Penal, que faculta a separa\u00e7\u00e3o processual, decis\u00e3o posteriormente mantida pelo Tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art.&nbsp;80.&nbsp;&nbsp;Ser\u00e1 facultativa a separa\u00e7\u00e3o dos processos quando as infra\u00e7\u00f5es tiverem sido praticadas em circunst\u00e2ncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo n\u00famero de acusados e para n\u00e3o Ihes prolongar a pris\u00e3o provis\u00f3ria, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Lavagem de Dinheiro:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp; Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localiza\u00e7\u00e3o, disposi\u00e7\u00e3o, movimenta\u00e7\u00e3o ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infra\u00e7\u00e3o penal.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4<sup>o<\/sup>&nbsp; A pena ser\u00e1 aumentada de um a dois ter\u00e7os, se os crimes definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada ou por interm\u00e9dio de organiza\u00e7\u00e3o criminosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-tudo-certo-arnaldo\"><a>15.2.2. Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, h\u00e1 muito, j\u00e1 sufragou entendimento de que &#8220;<strong>a reuni\u00e3o de processos em raz\u00e3o da conex\u00e3o \u00e9 uma faculdade do Juiz, conforme interpreta\u00e7\u00e3o a&nbsp;<em>contrario sensu<\/em>&nbsp;do art. 80 do C\u00f3digo de Processo Penal que possibilita a separa\u00e7\u00e3o de determinados processos<\/strong>&#8221; (RHC 29.658\/RS, Rel. Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJe 8\/2\/2012).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a magistrada singular entendeu pela n\u00e3o reuni\u00e3o dos processos, com fundamento no art. 80 do <a>C\u00f3digo de Processo Penal<\/a>, que faculta a separa\u00e7\u00e3o processual.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme se observa, a eventual incid\u00eancia da causa de aumento descrita na parte final do \u00a7 4\u00ba do art. 1\u00ba da <a>Lei de Lavagem de Dinheiro<\/a>, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.683\/2012, n\u00e3o constituiu empecilho para o juiz manter a separa\u00e7\u00e3o dos feitos, nos termos do art. 80 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, ap\u00f3s fixada a causa de aumento de pena para cada crime de lavagem de dinheiro, caber\u00e1 ao Ju\u00edzo da Vara de Execu\u00e7\u00f5es a ulterior soma ou unifica\u00e7\u00e3o das penas eventualmente impostas em cada uma das a\u00e7\u00f5es penais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A eventual incid\u00eancia da causa de aumento descrita na parte final do \u00a7 4\u00ba do art. 1\u00ba da Lei de Lavagem de Dinheiro, na reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n. 12.683\/2012, n\u00e3o constitui empecilho para o juiz manter a separa\u00e7\u00e3o dos feitos, nos termos do art. 80 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-im-prescindibilidade-da-prova-pericial-para-comprovar-a-escalada\"><a>16.&nbsp; (Im)Prescindibilidade da prova pericial para comprovar a escalada<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENAL NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Excepcionalmente, presentes nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste, a prova pericial torna-se prescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 1.895.487-DF, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 02\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvaldo foi condenado como incurso na pr\u00e1tica do crime de furto qualificado mediante escalada \u00e0 pena de 2 anos de reclus\u00e3o, em regime inicial aberto. Conforme a senten\u00e7a, Creosvaldo teria pulado o muro alto da resid\u00eancia da v\u00edtima (muro este com mais de tr\u00eas metros) para subtrair a res furtiva, n\u00e3o sendo razo\u00e1vel a exig\u00eancia de per\u00edcia t\u00e9cnica, ainda que tivesse o delito deixado vest\u00edgios. Ainda, a escalada foi confirmada pela v\u00edtima que assistiu \u00e0 proeza pelas c\u00e2meras de seguran\u00e7a e admitido pelo r\u00e9u em ju\u00edzo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, sua defesa alega ser indispens\u00e1vel exame pericial para caracterizar-se a qualificado da escalada no crime de furto, o que n\u00e3o teria ocorrido no processo em quest\u00e3o, raz\u00e3o pela qual requereu o afastamento da qualificadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;158.&nbsp;&nbsp;Quando a infra\u00e7\u00e3o deixar vest\u00edgios, ser\u00e1 indispens\u00e1vel o exame de corpo de delito, direto ou indireto, n\u00e3o podendo supri-lo a confiss\u00e3o do acusado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art.&nbsp;167.&nbsp;&nbsp;N\u00e3o sendo poss\u00edvel o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vest\u00edgios, a prova testemunhal poder\u00e1 suprir-lhe a falta.<\/p>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155 &#8211; Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia m\u00f3vel:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Furto qualificado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba &#8211; A pena \u00e9 de reclus\u00e3o de dois a oito anos, e multa, se o crime \u00e9 cometido:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; com abuso de confian\u00e7a, ou mediante fraude, escalada ou destreza;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-indispensavel-a-pericia\"><a>16.2.2. Indispens\u00e1vel a per\u00edcia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se olvida que o STJ firmou a orienta\u00e7\u00e3o de ser imprescind\u00edvel, nos termos dos arts. 158 e 167 do <a>CPP<\/a>, a realiza\u00e7\u00e3o de exame pericial para o reconhecimento das qualificadoras de escalada e arrombamento no caso do delito de furto (art. 155, \u00a7 4\u00ba, II, do <a>CP<\/a>), quando os vest\u00edgios n\u00e3o tiverem desaparecido e puderem ser constatados pelos peritos.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, importa ressaltar a orienta\u00e7\u00e3o de que, &#8220;&#8216;excepcionalmente, quando presentes nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste, pode-se reconhecer o suprimento da prova pericial [&#8230;]'(AgRg no HC 556.549\/SC, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 1\/3\/2021)&#8221; (AgRg no HC 691.823\/SC, Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, DJe 30\/9\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>a circunst\u00e2ncia qualificadora foi comprovada pela prova oral, inclusive pela confiss\u00e3o do pr\u00f3prio r\u00e9u, al\u00e9m da exist\u00eancia de laudo papilosc\u00f3pico que identificou impress\u00f5es digitais no local apontado pela v\u00edtima como sendo o local onde o r\u00e9u pulou o muro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Excepcionalmente, presentes nos autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste, a prova pericial torna-se prescind\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-escolha-de-medidas-cautelares-diversas-das-requeridas-como-atuacao-do-magistrado-ex-officio\"><a>17.&nbsp; Escolha de medidas cautelares diversas das requeridas como atua\u00e7\u00e3o do magistrado <em>ex officio<\/em><\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A escolha pelo Magistrado de medidas cautelares pessoais, em sentido diverso das requeridas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pela autoridade policial ou pelo ofendido, n\u00e3o pode ser considerada como atua\u00e7\u00e3o ex officio.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 626.529-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 03\/05\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em audi\u00eancia de cust\u00f3dia de Guierme, o Minist\u00e9rio P\u00fablico manifestou-se pela concess\u00e3o de liberdade provis\u00f3ria mediante o pagamento de fian\u00e7a. O Ju\u00edzo singular acolheu o pleito e fixou, tamb\u00e9m, a medida de recolhimento domiciliar em per\u00edodo noturno e nos dias de folga.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa impetrou Habeas Corpus sustentando que a escolha de cautelares pelo magistrado, em sentido divergente das requeridas pelo MP, constituiria atua\u00e7\u00e3o <em>ex officio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 312. A pris\u00e3o preventiva poder\u00e1 ser decretada como garantia da ordem p\u00fablica, da ordem econ\u00f4mica, por conveni\u00eancia da instru\u00e7\u00e3o criminal ou para assegurar a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal, quando houver prova da exist\u00eancia do crime e ind\u00edcio suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado de liberdade do imputado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-configurada-a-atuacao-ex-officio\"><a>17.2.2. Configurada a atua\u00e7\u00e3o <em>ex officio<\/em>?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em absoluto!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>In casu<\/em>, na audi\u00eancia de cust\u00f3dia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico manifestou-se pela concess\u00e3o de liberdade provis\u00f3ria mediante o pagamento de fian\u00e7a. O Ju\u00edzo singular acolheu o pleito e fixou, tamb\u00e9m, a medida de recolhimento domiciliar em per\u00edodo noturno e nos dias de folga.<\/p>\n\n\n\n<p>A determina\u00e7\u00e3o do magistrado, em sentido diverso do requerido pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pela autoridade policial ou pelo ofendido, n\u00e3o pode ser considerada como atua\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>ex officio<\/em>, uma vez que lhe \u00e9 PERMITIDO operar conforme os ditames legais, desde que previamente provocado, no exerc\u00edcio de sua jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o h\u00e1 que se falar em ofensa ao princ\u00edpio acusat\u00f3rio ou ao da correla\u00e7\u00e3o, porquanto, depois de devidamente provocado \u00e9 o ju\u00edzo que tem a responsabilidade de analisar a sufici\u00eancia das medidas cautelares \u00e0 luz do caso concreto<\/strong>, sempre com vistas \u00e0 garantia da ordem p\u00fablica, da ordem econ\u00f4mica, por conveni\u00eancia da instru\u00e7\u00e3o criminal ou para assegurar a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal, como prescreve o art. 312,&nbsp;<em>caput<\/em>, do <a>CPP<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, embora seja o \u00f3rg\u00e3o acusat\u00f3rio o&nbsp;<em>dominus litis<\/em>, \u00e9 do juiz a incumb\u00eancia de atentar-se aos outros interesses leg\u00edtimos que precisam ser protegidos na rela\u00e7\u00e3o processual, al\u00e9m dos relativos ao acusado, e, portanto, cabe-lhe, eventualmente, adotar provid\u00eancia cautelar mais gravosa do que a alvitrada pelo representante do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Como recentemente concluiu a Sexta Turma, o fundamento de n\u00e3o vincula\u00e7\u00e3o do julgador ao pedido formulado pelo \u00f3rg\u00e3o ministerial deve prevalecer, sob pena de se transformar o magistrado em mero chancelador de manifesta\u00e7\u00f5es do&nbsp;<em>Parquet<\/em>&nbsp;ou de transferir a este a escolha do teor de uma decis\u00e3o judicial, em total desapre\u00e7o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o jurisdicional estatal.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A escolha pelo Magistrado de medidas cautelares pessoais, em sentido diverso das requeridas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, pela autoridade policial ou pelo ofendido, n\u00e3o pode ser considerada como atua\u00e7\u00e3o&nbsp;<em>ex officio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-atitude-suspeita-como-alegacao-para-busca-pessoal\"><a>18.&nbsp; \u201cAtitude suspeita\u201d como alega\u00e7\u00e3o para busca pessoal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>A\u00c7\u00c3O&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A mera alega\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de &#8220;atitude suspeita&#8221; \u00e9 insuficiente para a licitude da busca pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 158.580-BA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/04\/2022, DJe 25\/04\/2022. (Info 735)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi preso em flagrante, posteriormente convertido em preventiva, pela pr\u00e1tica, em tese, do crime de tr\u00e1fico de drogas. Por\u00e9m, sua defesa alega a ilicitude das provas colhidas com base na busca pessoal realizada pelos policiais, porquanto justificada apenas pela alega\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de que ele estava em \u201catitude suspeita\u201d, em uma motocicleta e com uma mochila nas costas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;244.&nbsp;&nbsp;A busca pessoal independer\u00e1 de mandado, no caso de pris\u00e3o ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-atitude-suspeita-autoriza-a-busca-pessoal\"><a>18.2.2. \u201cAtitude suspeita\u201d autoriza a busca pessoal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Para o STJ, N\u00c3O!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Exige-se, em termos de&nbsp;<em>standard<\/em>&nbsp;probat\u00f3rio para busca pessoal ou veicular sem mandado judicial, a exist\u00eancia de fundada suspeita JUSTA CAUSA &#8211; baseada em um ju\u00edzo de probabilidade, descrita com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel, aferida de modo objetivo e devidamente justificada pelos ind\u00edcios e circunst\u00e2ncias do caso concreto &#8211; de que o indiv\u00edduo esteja na posse de drogas, armas ou de outros objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, evidenciando-se a urg\u00eancia de se executar a dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a norma constante do art. 244 do <a>CPP<\/a> n\u00e3o se limita a exigir que a suspeita seja fundada. \u00c9 preciso, tamb\u00e9m, que esteja relacionada \u00e0 &#8220;posse de arma proibida ou de objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito&#8221;. Vale dizer, h\u00e1 uma necess\u00e1ria referibilidade da medida, vinculada \u00e0 sua finalidade legal probat\u00f3ria, a fim de que n\u00e3o se converta em salvo-conduto para abordagens e revistas explorat\u00f3rias (<em>fishing expeditions<\/em>), baseadas em suspei\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica existente sobre indiv\u00edduos, atitudes ou situa\u00e7\u00f5es, sem rela\u00e7\u00e3o espec\u00edfica com a posse de arma proibida ou objeto (droga, por exemplo) que constitua corpo de delito de uma infra\u00e7\u00e3o penal. O art. 244 do CPP n\u00e3o autoriza buscas pessoais praticadas como &#8220;rotina&#8221; ou &#8220;praxe&#8221; do policiamento ostensivo, com finalidade preventiva e motiva\u00e7\u00e3o explorat\u00f3ria, mas apenas buscas pessoais com finalidade probat\u00f3ria e motiva\u00e7\u00e3o correlata.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o satisfazem a exig\u00eancia legal, por si s\u00f3s, meras informa\u00e7\u00f5es de fonte n\u00e3o identificada (<em>e.g.<\/em>&nbsp;den\u00fancias an\u00f4nimas) ou intui\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es subjetivas, intang\u00edveis e n\u00e3o demonstr\u00e1veis de maneira clara e concreta, apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tiroc\u00ednio policial. Ante a aus\u00eancia de descri\u00e7\u00e3o concreta e precisa, pautada em elementos objetivos, a classifica\u00e7\u00e3o subjetiva de determinada atitude ou apar\u00eancia como suspeita, ou de certa rea\u00e7\u00e3o ou express\u00e3o corporal como nervosa, n\u00e3o preenche o&nbsp;<em>standard<\/em>&nbsp;probat\u00f3rio de &#8220;fundada suspeita&#8221; exigido pelo art. 244 do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de haverem sido encontrados objetos il\u00edcitos &#8211; independentemente da quantidade &#8211; ap\u00f3s a revista n\u00e3o convalida a ilegalidade pr\u00e9via, pois \u00e9 necess\u00e1rio que o elemento &#8220;fundada suspeita de posse de corpo de delito&#8221; seja aferido com base no que se tinha antes da dilig\u00eancia. Se n\u00e3o havia fundada suspeita de que a pessoa estava na posse de arma proibida, droga ou de objetos ou pap\u00e9is que constituam corpo de delito, n\u00e3o h\u00e1 como se admitir que a mera descoberta casual de situa\u00e7\u00e3o de flagr\u00e2ncia, posterior \u00e0 revista do indiv\u00edduo, justifique a medida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A viola\u00e7\u00e3o dessas regras e condi\u00e7\u00f5es legais para busca pessoal resulta na ilicitude das provas obtidas em decorr\u00eancia da medida, bem como das demais provas que dela decorrerem em rela\u00e7\u00e3o de causalidade<\/strong>, sem preju\u00edzo de eventual responsabiliza\u00e7\u00e3o penal do(s) agente(s) p\u00fablico(s) que tenha(m) realizado a dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas raz\u00f5es principais para que se exijam elementos s\u00f3lidos, objetivos e concretos para a realiza\u00e7\u00e3o de busca pessoal &#8211; vulgarmente conhecida como &#8220;dura&#8221;, &#8220;geral&#8221;, &#8220;revista&#8221;, &#8220;enquadro&#8221; ou &#8220;baculejo&#8221; -, al\u00e9m da intui\u00e7\u00e3o baseada no tiroc\u00ednio policial:<\/p>\n\n\n\n<p>a) evitar o uso excessivo desse expediente e, por consequ\u00eancia, a restri\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria e abusiva dos direitos fundamentais \u00e0 intimidade, \u00e0 privacidade e \u00e0 liberdade (art. 5\u00ba,&nbsp;<em>caput<\/em>, e X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal), porquanto, al\u00e9m de se tratar de conduta invasiva e constrangedora &#8211; mesmo se realizada com urbanidade, o que infelizmente nem sempre ocorre -, tamb\u00e9m implica a deten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, ainda que por breves instantes;<\/p>\n\n\n\n<p>b) garantir a sindicabilidade da abordagem, isto \u00e9, permitir que tanto possa ser contrastada e questionada pelas partes, quanto ter sua validade controlada&nbsp;<em>a posteriori<\/em>&nbsp;por um terceiro imparcial (Poder Judici\u00e1rio), o que se inviabiliza quando a medida tem por base apenas aspectos subjetivos, intang\u00edveis e n\u00e3o demonstr\u00e1veis;<\/p>\n\n\n\n<p>c) evitar a repeti\u00e7\u00e3o &#8211; ainda que nem sempre consciente &#8211; de pr\u00e1ticas que reproduzem preconceitos estruturais arraigados na sociedade, como \u00e9 o caso do perfilamento racial, reflexo direto do racismo estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um pa\u00eds marcado por alta desigualdade social e racial, o policiamento ostensivo tende a se concentrar em grupos marginalizados e considerados potenciais criminosos ou usuais suspeitos, assim definidos por fatores subjetivos, como idade, cor da pele, g\u00eanero, classe social, local da resid\u00eancia, vestimentas etc. Sob essa perspectiva, a aus\u00eancia de justificativas e de elementos seguros a legitimar a a\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos &#8211; diante da discricionariedade policial na identifica\u00e7\u00e3o de suspeitos de pr\u00e1ticas criminosas &#8211; pode fragilizar e tornar \u00edrritos os direitos \u00e0 intimidade, \u00e0 privacidade e \u00e0 liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A pretexto de transmitir uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, as ag\u00eancias policiais &#8211; em verdadeiros &#8220;tribunais de rua&#8221; &#8211; cotidianamente constrangem os famigerados &#8220;elementos suspeitos&#8221; com base em preconceitos estruturais, restringem indevidamente seus direitos fundamentais, deixam-lhes graves traumas e, com isso, ainda prejudicam a imagem da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e aumentam a desconfian\u00e7a da coletividade sobre ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed a import\u00e2ncia, como se tem insistido desde o julgamento do HC 598.051\/SP (Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6\u00aa Turma, DJe 15\/3\/2021), do uso de c\u00e2meras pelos agentes de seguran\u00e7a, a fim de que se possa aprimorar o controle sobre a atividade policial, tanto para coibir pr\u00e1ticas ilegais, quanto para preservar os bons policiais de injustas e levianas acusa\u00e7\u00f5es de abuso. Sobre a grava\u00e7\u00e3o audiovisual, ali\u00e1s, \u00e9 pertinente destacar o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal dos Embargos de Declara\u00e7\u00e3o na Medida Cautelar da ADPF 635 (&#8220;ADPF das Favelas&#8221;, finalizado em 3\/2\/2022), oportunidade na qual o Pret\u00f3rio Excelso &#8211; em sua composi\u00e7\u00e3o plena e em conson\u00e2ncia com o decidido por este Superior Tribunal no HC 598.051\/SP &#8211; reconheceu a imprescindibilidade de tal forma de monitora\u00e7\u00e3o da atividade policial e determinou, entre outros pontos, que &#8220;o Estado do Rio de Janeiro, no prazo m\u00e1ximo de 180 (cento e oitenta) dias, instale equipamentos de GPS e sistemas de grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio e v\u00eddeo nas viaturas policiais e nas fardas dos agentes de seguran\u00e7a, com o posterior armazenamento digital dos respectivos arquivos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que se considere que todos os flagrantes decorrem de busca pessoal &#8211; o que por certo n\u00e3o \u00e9 verdade -, as estat\u00edsticas oficiais das Secretarias de Seguran\u00e7a P\u00fablica apontam que o \u00edndice de efici\u00eancia no encontro de objetos il\u00edcitos em abordagens policiais \u00e9 de apenas 1%; isto \u00e9, de cada 100 pessoas revistadas pelas pol\u00edcias brasileiras, apenas uma \u00e9 autuada por alguma ilegalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Conquanto as institui\u00e7\u00f5es policiais hajam figurado no centro das cr\u00edticas, n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas a merec\u00ea-las. \u00c9 preciso que todos os integrantes do sistema de justi\u00e7a criminal fa\u00e7am uma reflex\u00e3o conjunta sobre o papel que ocupam na manuten\u00e7\u00e3o da seletividade racial. Por se tratar da &#8220;porta de entrada&#8221; no sistema, o padr\u00e3o discriminat\u00f3rio salta aos olhos, \u00e0 primeira vista, nas abordagens policiais, efetuadas principalmente pela Pol\u00edcia Militar. No entanto, pr\u00e1ticas como a evidenciada no processo objeto deste recurso s\u00f3 se perpetuam porque, a pretexto de combater a criminalidade, encontram respaldo e chancela, tanto de delegados de pol\u00edcia, quanto de representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico &#8211; a quem compete, por excel\u00eancia, o controle externo da atividade policial (art. 129, VII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal) e o papel de&nbsp;<em>custos iuris<\/em>&nbsp;-, como tamb\u00e9m, em especial, de segmentos do Poder Judici\u00e1rio, ao validarem medidas ilegais e abusivas perpetradas pelas ag\u00eancias de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, o Manual do Conselho Nacional de Justi\u00e7a para Tomada de Decis\u00e3o na Audi\u00eancia de Cust\u00f3dia orienta a que: &#8220;Reconhecendo o perfilamento racial nas abordagens policiais e, consequentemente, nos flagrantes lavrados pela pol\u00edcia, cabe ent\u00e3o ao Poder Judici\u00e1rio assumir um papel ativo para interromper e reverter esse quadro, diferenciando-se dos atores que o antecedem no fluxo do sistema de justi\u00e7a criminal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a guarni\u00e7\u00e3o policial &#8220;deparou com um indiv\u00edduo desconhecido em atitude suspeita&#8221; e, ao abord\u00e1-lo e revistar sua mochila, encontrou por\u00e7\u00f5es de maconha e coca\u00edna em seu interior, do que resultou a pris\u00e3o em flagrante do recorrente. N\u00e3o foi apresentada nenhuma justificativa concreta para a revista no recorrente al\u00e9m da vaga men\u00e7\u00e3o a uma suposta &#8220;atitude suspeita&#8221;, algo insuficiente para tal medida invasiva, conforme a jurisprud\u00eancia deste Superior Tribunal, do Supremo Tribunal Federal e da Corte Interamericana de Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A mera alega\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de &#8220;atitude suspeita&#8221; \u00e9 insuficiente para a licitude da busca pessoal.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-c62fed62-9c3d-45c3-98a3-ae3b44fcad75\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/23232900\/stj-735.pdf\">stj-735<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/23232900\/stj-735.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-c62fed62-9c3d-45c3-98a3-ae3b44fcad75\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 735 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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