{"id":1029053,"date":"2022-05-17T01:29:27","date_gmt":"2022-05-17T04:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1029053"},"modified":"2022-05-17T01:29:30","modified_gmt":"2022-05-17T04:29:30","slug":"informativo-stj-734-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-734-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 734 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><br \/>Informativo n\u00ba 734 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/17012832\/stj-734.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_YZWqMywdYck\"><div id=\"lyte_YZWqMywdYck\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/YZWqMywdYck\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/YZWqMywdYck\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/YZWqMywdYck\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-in-validade-da-a-recusa-pela-policia-federal-de-pedido-de-inscricao-em-curso-de-reciclagem-para-vigilantes-profissionais-em-razao-da-pratica-de-violencia-domestica\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (In)Validade da a recusa pela Pol\u00edcia Federal de pedido de inscri\u00e7\u00e3o em curso de reciclagem para vigilantes profissionais em raz\u00e3o da pr\u00e1tica de viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lida <a>a recusa pela Pol\u00edcia Federal de pedido de inscri\u00e7\u00e3o <\/a><a>em curso de reciclagem para vigilantes profissionais<\/a>, quando configurada a aus\u00eancia de idoneidade do indiv\u00edduo em raz\u00e3o da pr\u00e1tica de delito que envolve o emprego de viol\u00eancia contra a pessoa ou da demonstra\u00e7\u00e3o de comportamento agressivo incompat\u00edvel com as fun\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.952.439-DF, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 28\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, vigilante profissional por 26 anos, teve seu pedido de realiza\u00e7\u00e3o do curso de reciclagem para vigilantes profissionais indeferido pela Pol\u00edcia Federal, que fundamentou a negativa no fato de que aquele teria sido condenado, com o tr\u00e2nsito em julgado, pelo por les\u00e3o corporal decorrente de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria com a finalidade de obter a autoriza\u00e7\u00e3o, uma vez que esta \u00e9 estritamente necess\u00e1ria ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o de vigilante.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a sa\u00fade de outrem:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 9<sup>o<\/sup>&nbsp; Se a les\u00e3o for praticada contra ascendente, descendente, irm\u00e3o, c\u00f4njuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, de coabita\u00e7\u00e3o ou de hospitalidade:<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.340\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Para os efeitos desta Lei, configura viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher qualquer a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o baseada no g\u00eanero que lhe cause morte, les\u00e3o, sofrimento f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico e dano moral ou patrimonial:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; no \u00e2mbito da fam\u00edlia, compreendida como a comunidade formada por indiv\u00edduos que s\u00e3o ou se consideram aparentados, unidos por la\u00e7os naturais, por afinidade ou por vontade expressa;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; em qualquer rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 7\u00ba S\u00e3o formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, entre outras:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; a viol\u00eancia f\u00edsica, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou sa\u00fade corporal;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminui\u00e7\u00e3o da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas a\u00e7\u00f5es, comportamentos, cren\u00e7as e decis\u00f5es, mediante amea\u00e7a, constrangimento, humilha\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, isolamento, vigil\u00e2ncia constante, persegui\u00e7\u00e3o contumaz, insulto, chantagem, viola\u00e7\u00e3o de sua intimidade, ridiculariza\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e limita\u00e7\u00e3o do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade psicol\u00f3gica e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; a viol\u00eancia sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o desejada, mediante intimida\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a, coa\u00e7\u00e3o ou uso da for\u00e7a; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impe\u00e7a de usar qualquer m\u00e9todo contraceptivo ou que a force ao matrim\u00f4nio, \u00e0 gravidez, ao aborto ou \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, mediante coa\u00e7\u00e3o, chantagem, suborno ou manipula\u00e7\u00e3o; ou que limite ou anule o exerc\u00edcio de seus direitos sexuais e reprodutivos;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; a viol\u00eancia patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure reten\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econ\u00f4micos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; a viol\u00eancia moral, entendida como qualquer conduta que configure cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-valida-a-recusa-da-pf\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00e1lida a recusa da PF?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de controv\u00e9rsia a respeito da autoriza\u00e7\u00e3o para matr\u00edcula em curso de reciclagem ministrado pelo Departamento de Pol\u00edcia Federal &#8211; este necess\u00e1rio ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o de vigilante -, tendo em vista que o pleito fora negado, em raz\u00e3o do fato de o autor possuir condena\u00e7\u00e3o criminal, transitada em julgado, por les\u00e3o corporal decorrente de viol\u00eancia dom\u00e9stica (art. 129, \u00a7 9\u00ba do <a>CP<\/a> c\/c arts. 5\u00ba, II e III e 7\u00ba, I, da <a>Lei n. 11.340\/2006), <\/a>com pena, \u00e0 \u00e9poca, extinta h\u00e1 menos de cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a vem adotando o entendimento de que, nos casos em que o delito imputado envolva o emprego de viol\u00eancia contra a pessoa ou demonstre comportamento agressivo incompat\u00edvel com as fun\u00e7\u00f5es de vigilante, v\u00e1lida exsurgir\u00e1 a recusa de pedido de inscri\u00e7\u00e3o em curso de reciclagem para vigilantes profissionais, porquanto configurada a aus\u00eancia de idoneidade do profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, no julgamento do REsp 1.666.294\/DF, Rel. Ministro Herman Benjamin, a Segunda Turma desta Corte firmou compreens\u00e3o no sentido de que, <strong>mesmo com o cumprimento integral da penalidade estabelecida em \u00e2mbito criminal, resta impedido o exerc\u00edcio da atividade profissional de vigilante por parte daquele que ostente contra si senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria transitada em julgado, em raz\u00e3o da aus\u00eancia de idoneidade moral<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lida a recusa pela Pol\u00edcia Federal de pedido de inscri\u00e7\u00e3o em curso de reciclagem para vigilantes profissionais, quando configurada a aus\u00eancia de idoneidade do indiv\u00edduo em raz\u00e3o da pr\u00e1tica de delito que envolve o emprego de viol\u00eancia contra a pessoa ou da demonstra\u00e7\u00e3o de comportamento agressivo incompat\u00edvel com as fun\u00e7\u00f5es do cargo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-poder-judiciario-e-determinacao-ao-executivo-para-medidas-necessarias-a-concretizacao-de-direitos-constitucionais-dos-indigenas\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poder Judici\u00e1rio e determina\u00e7\u00e3o ao Executivo para medidas necess\u00e1rias \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de direitos constitucionais dos ind\u00edgenas.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Poder Judici\u00e1rio pode determinar, ante injustific\u00e1vel in\u00e9rcia estatal, que o Poder Executivo adote medidas <a>necess\u00e1rias \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de direitos constitucionais dos ind\u00edgenas.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.623.873-SE, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 28\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o e a FUNAI foram condenadas, em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica promovida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, a concluir o Processo Administrativo instaurado pelo Grupo Ind\u00edgena Fulkax\u00f3, no prazo de 4&nbsp; meses, a contar da intima\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, bem como a destinar \u00e1rea \u00e0 posse e ocupa\u00e7\u00e3o dessa tribo, no prazo de 1 ano a partir do tr\u00e2nsito em julgado, na forma do art. 26 da Lei n. 6.001\/1973, ante a impossibilidade de conviv\u00eancia pac\u00edfica com os \u00edndios da etnia Kariri-Xoc\u00f3 (de quem os primeiros se originam), nas terras originariamente demarcadas pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ACP se fez necess\u00e1ria em raz\u00e3o dos conflitos entre as etnias que decorrem da insufici\u00eancia de terras e da discrimina\u00e7\u00e3o sofrida pelas fam\u00edlias que se identificam como Fulkax\u00f3 por parte da Tribo Kariri-Xoc\u00f3 e de lideran\u00e7as pol\u00edticas, notadamente quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de lotes destinados \u00e0 comunidade e \u00e0 partilha de recursos ou benef\u00edcios adquiridos para toda a aldeia e a outras desaven\u00e7as relacionadas \u00e0s decis\u00f5es pol\u00edticas, costumes e tradi\u00e7\u00f5es desses povos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua defesa, a Uni\u00e3o afirma que a demarca\u00e7\u00e3o de terras de ind\u00edgenas \u00e9 um procedimento complexo a cargo do Poder Executivo, sendo cab\u00edvel a interven\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio somente em situa\u00e7\u00f5es excepcionais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XXXV &#8211; a lei n\u00e3o excluir\u00e1 da aprecia\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio les\u00e3o ou amea\u00e7a a direito;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 231. S\u00e3o reconhecidos aos \u00edndios sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, e os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo \u00e0 Uni\u00e3o demarc\u00e1-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 6.001\/1973:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 20. Em car\u00e1ter excepcional e por qualquer dos motivos adiante enumerados, poder\u00e1 a Uni\u00e3o intervir, se n\u00e3o houver solu\u00e7\u00e3o alternativa, em \u00e1rea ind\u00edgena, determinada a provid\u00eancia por decreto do Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>1\u00ba A interven\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser decretada:<\/p>\n\n\n\n<p>a) para p\u00f4r termo \u00e0 luta entre grupos tribais;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 26. A Uni\u00e3o poder\u00e1 estabelecer, em qualquer parte do territ\u00f3rio nacional, \u00e1reas destinadas \u00e0 posse e ocupa\u00e7\u00e3o pelos \u00edndios, onde possam viver e obter meios de subsist\u00eancia, com direito ao usufruto e utiliza\u00e7\u00e3o das riquezas naturais e dos bens nelas existentes, respeitadas as restri\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As \u00e1reas reservadas na forma deste artigo n\u00e3o se confundem com as de posse imemorial das tribos ind\u00edgenas, podendo organizar-se sob uma das seguintes modalidades:<\/p>\n\n\n\n<p>a) reserva ind\u00edgena;<\/p>\n\n\n\n<p>b) parque ind\u00edgena;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 27. Reserva ind\u00edgena \u00e9 uma \u00e1rea destinada a servidor de habitat a grupo ind\u00edgena, com os meios suficientes \u00e0 sua subsist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-possivel-a-intervencao-do-judiciario\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a interven\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na controv\u00e9rsia, o Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;concluiu pela necessidade de disponibiliza\u00e7\u00e3o ou aquisi\u00e7\u00e3o imediata de terras para os Fulkax\u00f3, ante a exist\u00eancia de conflito irrevers\u00edvel com o grupo ou com n\u00facleos familiares da etnia Kariri-Xoc\u00f3, que habitam o mesmo territ\u00f3rio ind\u00edgena, notadamente para que aqueles se livrem da discrimina\u00e7\u00e3o e de alegadas amea\u00e7as de mortes, bem como para que se viabilize sua sobreviv\u00eancia f\u00edsica e cultural de acordo com seus usos, costumes e tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, n\u00e3o se trata das terras ind\u00edgenas tradicionais, vale dizer, aquelas cuja posse os \u00edndios exercem de forma imemorial, com base nas regras do art. 231 da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal <\/a>&#8211; tema submetido \u00e0 repercuss\u00e3o geral no STF (RE 1.017.366\/DF: Tese 1031) -, tampouco sobre o processo administrativo de demarca\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas Kariri-Xok\u00f3, mat\u00e9ria objeto de outra a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, que se encontra suspensa por determina\u00e7\u00e3o da Corte&nbsp;<em>a quo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, as reservas ind\u00edgenas poder\u00e3o ser institu\u00eddas em propriedade da Uni\u00e3o, bem como ser adquiridas mediante compra, doa\u00e7\u00e3o de terceiros ou desapropria\u00e7\u00e3o, na eventualidade de n\u00e3o se verificar a tradicionalidade da ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ou se constatar a insufici\u00eancia de terra demarcada, sendo poss\u00edvel, ainda, a interven\u00e7\u00e3o do ente federal em terra ind\u00edgena para a resolu\u00e7\u00e3o de casos excepcionais, como os de conflito interno irrevers\u00edvel entre grupos tribais, conforme disciplina o art. 20, \u00a7 1\u00ba, &#8220;a&#8221;, da <a>Lei n. 6.001\/1973<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o procede o argumento de inger\u00eancia indevida do Poder Judici\u00e1rio nas diretrizes de pol\u00edticas p\u00fablicas, notadamente quando se cuida de reconhecer a omiss\u00e3o estatal na ado\u00e7\u00e3o de provid\u00eancias espec\u00edficas (arts. 26 e 27 da Lei n. 6.001\/1973) para a concretiza\u00e7\u00e3o de direitos constitucionais dos ind\u00edgenas (art. 231 da CF\/1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>segundo a jurisprud\u00eancia do STJ, quando configurada hip\u00f3tese de injustific\u00e1vel in\u00e9rcia estatal e n\u00e3o houver comprova\u00e7\u00e3o objetiva da incapacidade econ\u00f4mico-financeira do ente p\u00fablico, o Poder Judici\u00e1rio pode determinar que o Poder Executivo adote medidas necess\u00e1rias ao cumprimento dos direitos e garantias fundamentais, nos termos previstos no art. 5\u00ba, XXXV, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora se reconhe\u00e7a a complexidade do procedimento de cria\u00e7\u00e3o de reservas ind\u00edgenas, o prazo estabelecido para a Uni\u00e3o e a Funai &#8211; at\u00e9 12 (doze) meses ap\u00f3s o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a condenat\u00f3ria &#8211; justifica-se pela urg\u00eancia da solu\u00e7\u00e3o dos conflitos, sendo o tempo suficiente para que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica fa\u00e7a o planejamento financeiro e or\u00e7ament\u00e1rio dos gastos com a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O Poder Judici\u00e1rio pode determinar, ante injustific\u00e1vel in\u00e9rcia estatal, que o Poder Executivo adote medidas necess\u00e1rias \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de direitos constitucionais dos ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-acao-para-o-fornecimento-de-medicamento-registrado-na-anvisa-mas-nao-incorporado-ao-sus-e-necessidade-de-inclusao-da-uniao-no-polo-passivo\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A\u00e7\u00e3o para o fornecimento de medicamento registrado na ANVISA, mas n\u00e3o incorporado ao SUS e necessidade de inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o que pretende o fornecimento de medicamento registrado na ANVISA, ainda que n\u00e3o incorporado em atos normativos do SUS, \u00e9 prescind\u00edvel a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p><a>RMS 68.602-GO, Rel. Min. Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 29\/04\/2022. (Info 734)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creide impetrou mandado de seguran\u00e7a contra ato do Secret\u00e1rio de Sa\u00fade do Estado de Goi\u00e1s, consubstanciado no n\u00e3o fornecimento do medicamento Linagliptina. O medicamento em quest\u00e3o foi registrado na ANVISA, mas ainda n\u00e3o foi incorporado aos atos normativos do SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>O mandado foi julgado extinto, sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, por entender o relator necess\u00e1ria a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo de lide, concluindo, por\u00e9m, n\u00e3o ser poss\u00edvel determin\u00e1-la, no caso, por se tratar de Mandado de Seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-necessaria-a-inclusao-da-uniao-no-polo-passivo\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopsss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o&nbsp;Tema 793&nbsp;da Repercuss\u00e3o Geral, fixou tese no sentido de que &#8220;<strong>os entes da federa\u00e7\u00e3o, em decorr\u00eancia da compet\u00eancia comum, s\u00e3o solidariamente respons\u00e1veis nas demandas prestacionais na \u00e1rea da sa\u00fade, e diante dos crit\u00e9rios constitucionais de descentraliza\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o, compete \u00e0 autoridade judicial direcionar o cumprimento conforme as regras de reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias e determinar o ressarcimento a quem suportou o \u00f4nus financeiro<\/strong>&#8221; (STF, EDcl no RE 855.178\/SE, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Edson Fachin, Pleno, DJe 16\/04\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Igual entendimento \u00e9 adotado pela jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, que se orienta no sentido de que o funcionamento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade \u00e9 de responsabilidade solid\u00e1ria da Uni\u00e3o, dos Estados e dos Munic\u00edpios, de modo que qualquer um destes entes possui legitimidade para figurar no polo passivo da demanda, cabendo \u00e0 parte autora escolher contra quem deseja litigar.<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, ao examinar quest\u00e3o an\u00e1loga, firmou entendimento no sentido de que, &#8220;ao julgar o RE 855.178 ED\/SE (Tema 793\/STF), o Supremo Tribunal Federal foi bastante claro ao estabelecer na ementa do ac\u00f3rd\u00e3o que &#8216;\u00c9 da jurisprud\u00eancia do Supremo Tribunal Federal que o tratamento m\u00e9dico adequado aos necessitados se insere no rol dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solid\u00e1ria dos entes federados. <strong>O polo passivo pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou conjuntamente.&#8217;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que tenha sido apresentada proposta pelo Ministro Edson Fachin que, na pr\u00e1tica, poderia implicar litiscons\u00f3rcio passivo da Uni\u00e3o, tal premissa\/conclus\u00e3o n\u00e3o integrou o julgamento que a Corte Suprema realizou no&nbsp;Tema 793. (&#8230;) o STJ j\u00e1 se manifestou reiteradas vezes sobre a&nbsp;<em>quaestio iuris<\/em>, estando pacificado o entendimento de que a ressalva contida na tese firmada nesse julgamento, quando estabelece a necessidade de se identificar o ente respons\u00e1vel a partir dos crit\u00e9rios constitucionais de descentraliza\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o do SUS, relaciona-se ao cumprimento de senten\u00e7a e \u00e0s regras de ressarcimento aplic\u00e1veis ao ente p\u00fablico que suportou o \u00f4nus financeiro decorrente do provimento jurisdicional que assegurou o direito \u00e0 sa\u00fade. Entender de maneira diversa seria afastar o car\u00e1ter solid\u00e1rio da obriga\u00e7\u00e3o, o qual foi ratificado no precedente qualificado exarado pela Suprema Corte&#8221; (STJ, RE nos EDcl no AgInt no CC 175.234\/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Se\u00e7\u00e3o, DJe de 15\/03\/2022).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-resultado-final\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Em a\u00e7\u00e3o que pretende o fornecimento de medicamento registrado na ANVISA, ainda que n\u00e3o incorporado em atos normativos do SUS, \u00e9 prescind\u00edvel a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo da demanda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>NASCEU SUPERADA???!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NECESSIDADE DE INCLUS\u00c3O DA UNI\u00c3O NO POLO PASSIVO EM CASO DE MEDICAMENTO APROVADO PELA ANVISA, MAS N\u00c3O INCORPORADO PELO SUS:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>POSI\u00c7\u00c3O DO STJ:<\/strong><strong><\/strong> Em a\u00e7\u00e3o que pretende o fornecimento de medicamento registrado na ANVISA, ainda que n\u00e3o incorporado em atos normativos do SUS, \u00e9 PRESCIND\u00cdVEL a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo da demanda.<\/td><td><strong>POSI\u00c7\u00c3O DO STF:<\/strong><strong><\/strong> \u00c9 OBRIGAT\u00d3RIA a inclus\u00e3o da Uni\u00e3o no polo passivo de demanda na qual se pede o fornecimento gratuito de medicamento registrado na Ag\u00eancia de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), mas n\u00e3o incorporado aos Protocolos Cl\u00ednicos e Diretrizes Terap\u00eauticas do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. &nbsp;<\/td><\/tr><tr><td><strong>RMS 68.602-GO, Rel. Min. Assusete Magalh\u00e3es, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 29\/04\/2022.<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>RE 1286407 AgR-segundo\/PR, relator Min. Alexandre de Moraes, julgamento em 26.4.2022<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-marco-inicial-e-prazo-de-vigencia-das-patentes-de-invencoes-e-patentes-mailbox\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Marco inicial e prazo de vig\u00eancia das patentes de inven\u00e7\u00f5es e patentes mailbox<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><strong> <\/strong><strong>(IMPORTANTE)<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O marco inicial e o prazo de vig\u00eancia previstos no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da LPI n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis \u00e0s patentes depositadas na forma estipulada pelo art. 229, par\u00e1grafo \u00fanico, dessa mesma lei (patentes mailbox).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.869.959-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, Segunda Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 27\/04\/2022. (Tema 1065) (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em julgamento de IRDR no TRF2, foi fixada a tese de que o par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 40 da Lei n\u00b0 9.279\/96 (Lei de Propriedade Industrial) n\u00e3o se aplicaria \u00e0s patentes &#8220;mailbox&#8221;, aquelas cujos pedidos foram depositados de acordo com o regime de transi\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o de propriedade industrial no Brasil. Determinou-se a aplica\u00e7\u00e3o do prazo de vig\u00eancia m\u00e1ximo de 20 anos da data do dep\u00f3sito, nos termos do artigo 40, <em>caput<\/em>, da mesma lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Crementina interp\u00f4s recurso no qual afirma que, ap\u00f3s mais de 16 anos concedendo patentes mailbox pelo prazo de prote\u00e7\u00e3o expresso de 10 anos a contar da data de concess\u00e3o, o INPI alterou subitamente seu entendimento, passando a defender que a validade delas deveria ser sempre limitada ao prazo de 20 anos contados sempre da data do dep\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LPI:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 40. A patente de inven\u00e7\u00e3o vigorar\u00e1 pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de dep\u00f3sito.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. O prazo de vig\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 inferior a 10 (dez) anos para a patente de inven\u00e7\u00e3o e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concess\u00e3o, ressalvada a hip\u00f3tese de o INPI estar impedido de proceder ao exame de m\u00e9rito do pedido, por pend\u00eancia judicial comprovada ou por motivo de for\u00e7a maior.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;(Vide ADIN 5529)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;(Revogado pela Lei n\u00ba 14.195, de 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;229.&nbsp;&nbsp;Aos pedidos em andamento ser\u00e3o aplicadas as disposi\u00e7\u00f5es desta Lei, exceto quanto \u00e0 patenteabilidade dos pedidos depositados at\u00e9 31 de dezembro de 1994, cujo objeto de prote\u00e7\u00e3o sejam subst\u00e2ncias, mat\u00e9rias ou produtos obtidos por meios ou processos qu\u00edmicos ou subst\u00e2ncias, mat\u00e9rias, misturas ou produtos aliment\u00edcios, qu\u00edmico-farmac\u00eauticos e medicamentos de qualquer esp\u00e9cie, bem como os respectivos processos de obten\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o e cujos depositantes n\u00e3o tenham exercido a faculdade prevista nos arts. 230 e 231 desta Lei, os quais ser\u00e3o considerados indeferidos, para todos os efeitos, devendo o INPI publicar a comunica\u00e7\u00e3o dos aludidos indeferimentos.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo&nbsp;\u00fanico.&nbsp;&nbsp;Aos pedidos relativos a produtos farmac\u00eauticos e produtos qu\u00edmicos para a agricultura, que tenham sido depositados entre 1<sup>o<\/sup>&nbsp;de janeiro de 1995 e 14 de maio de 1997, aplicam-se os crit\u00e9rios de patenteabilidade desta Lei, na data efetiva do dep\u00f3sito do pedido no Brasil ou da prioridade, se houver, assegurando-se a prote\u00e7\u00e3o a partir da data da concess\u00e3o da patente, pelo prazo remanescente a contar do dia do dep\u00f3sito no Brasil, limitado ao prazo previsto no caput do art. 40.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-qual-e-o-prazo\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Qual \u00e9 o prazo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>20 anos do dep\u00f3sito!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ac\u00f3rd\u00e3o que acolheu a proposta de afeta\u00e7\u00e3o do presente recurso especial como representativo da controv\u00e9rsia, proferido em 22\/9\/2020, delimitou a tese controvertida nos seguintes termos: Fixa\u00e7\u00e3o do prazo de vig\u00eancia e do respectivo termo inicial das patentes mailbox (medicamentos e qu\u00edmicos) \u00e0 luz da legisla\u00e7\u00e3o de propriedade industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobreveio, <strong>contudo, julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, da A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade n. 5.529\/DF (transitada em julgado em 11\/9\/2021), ocasi\u00e3o em que foi reconhecida a inconstitucional a norma constante no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da LPI.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos do reconhecimento da inconstitucionalidade do dispositivo em quest\u00e3o foram modulados parcialmente pela Suprema Corte, ocasi\u00e3o em que ficou consignado que a todas as patentes concedidas com extens\u00e3o de prazo (art. 40, par\u00e1grafo \u00fanico, da <a>LPI<\/a>), relacionadas a produtos e processos farmac\u00eauticos, bem como a equipamentos e\/ou materiais de uso em sa\u00fade, foi aplicado efeito&nbsp;<em>ex tunc<\/em>, o que resultou, conforme expressamente decidido pelo STF, &#8220;na perda das extens\u00f5es de prazo concedidas com base no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da LPI&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para essas patentes, portanto &#8211; sejam elas ordin\u00e1rias, sejam&nbsp;<em>mailbox<\/em>&nbsp;-, deve ser respeitado o prazo de vig\u00eancia estabelecido no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do art. 40 da LPI (20 anos contados da data do dep\u00f3sito), sem exce\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Limitou-se a discuss\u00e3o, por consequ\u00eancia, \u00e0 an\u00e1lise da quest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos produtos e processos que foram submetidos \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de efeitos pelo STF, a respeito dos quais, sob o prisma estrito da constitucionalidade, n\u00e3o foram invalidadas as extens\u00f5es de prazo concedidas com base no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da LPI.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 sabido, o privil\u00e9gio garantido pelas patentes, consoante previsto no art. 40, caput, da LPI, perdura pelo prazo de 20 anos para patentes de inven\u00e7\u00e3o e 15 anos para modelos de utilidade, contados da data do respectivo dep\u00f3sito. Esse lapso temporal, segundo a regra do par\u00e1grafo \u00fanico do mesmo dispositivo (revogada pela Lei 14.195\/2021), n\u00e3o pode &#8211; excetuadas as hip\u00f3teses de o INPI estar impedido de proceder ao exame do pedido por pend\u00eancia judicial ou for\u00e7a maior &#8211; ser inferior a 10 anos (inven\u00e7\u00e3o) e sete anos (modelos de utilidade) desde a respectiva concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratando-se, contudo, de patentes excepcionalmente depositadas pelo sistema mailbox, a Lei de Propriedade Industrial, em suas disposi\u00e7\u00f5es finais e transit\u00f3rias (art. 229, par\u00e1grafo \u00fanico), estabeleceu regra expressa assegurando prote\u00e7\u00e3o limitada unicamente ao lapso de 20 anos (ou 15, para modelos de utilidade) contados do dia do dep\u00f3sito (conforme estipulado pelo citado art. 40,&nbsp;<em>caput<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vale dizer, o fato de o texto do art. 229, par\u00e1grafo \u00fanico, da LPI dispor que referido prazo de vig\u00eancia est\u00e1 somente limitado \u00e0quele previsto no&nbsp;<em>caput<\/em>&nbsp;do artigo 40 afasta, como corol\u00e1rio, a incid\u00eancia do prazo do respectivo par\u00e1grafo \u00fanico (10 ou sete anos contados da concess\u00e3o).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esse dispositivo legal (art. 40, par\u00e1grafo \u00fanico, da LPI), ademais, n\u00e3o deve incidir sobre a presente hip\u00f3tese f\u00e1tica tamb\u00e9m por estar inserido em cap\u00edtulo da lei que versa sobre regras gerais aplic\u00e1veis ao sistema ordin\u00e1rio de patentes, n\u00e3o podendo irradiar efeitos sobre mat\u00e9ria a qual foi conferido tratamento especial pela mesma lei (sistema transit\u00f3rio&nbsp;<em>mailbox<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Noutro v\u00e9rtice, no que concerne \u00e0s alega\u00e7\u00f5es de que os titulares dos direitos em quest\u00e3o n\u00e3o podem ser punidos com a redu\u00e7\u00e3o indevida da dura\u00e7\u00e3o de seu privil\u00e9gio patent\u00e1rio em raz\u00e3o da demora na an\u00e1lise dos requerimentos pelo INPI, igualmente n\u00e3o assiste raz\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sopesados os interesses em conflito, n\u00e3o se afigura razo\u00e1vel impor pesados encargos \u00e0 coletividade em benef\u00edcio exclusivo dos interesses econ\u00f4micos dos titulares de direitos patent\u00e1rios, sendo certo que eventual preju\u00edzo causado pela demora do INPI n\u00e3o autoriza que tal \u00f4nus seja transferido \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa consignar, outrossim, que a partir da data da publica\u00e7\u00e3o do pedido (e n\u00e3o apenas a partir do momento em que a patente \u00e9 concedida) o depositante j\u00e1 possui tutela legal que lhe garante impedir o uso, por terceiros, do produto ou processo a que se refere seu requerimento, al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00e3o por explora\u00e7\u00e3o indevida, conforme estipulam os arts. 42 a 44 LPI.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O marco inicial e o prazo de vig\u00eancia previstos no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da LPI n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis \u00e0s patentes depositadas na forma estipulada pelo art. 229, par\u00e1grafo \u00fanico, dessa mesma lei (patentes mailbox).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-parte-que-sem-vinculo-de-parentalidade-com-a-conjuge-superstite-possuia-imovel-em-copropriedade-com-o-de-cujus-e-direito-aos-alugueis\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Parte que, sem v\u00ednculo de parentalidade com a c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, possu\u00eda im\u00f3vel em copropriedade com o de cujus e direito aos alugu\u00e9is<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tem direito ao recebimento de alugu\u00e9is a parte que, <a>sem v\u00ednculo de parentalidade com a c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, possu\u00eda im\u00f3vel em copropriedade com o de cujus.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.830.080-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 29\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirse ajuizou a\u00e7\u00e3o de arbitramento de aluguel em face de Jurema. Segundo a inicial, Nirse \u00e9 uma das quatro filhas nascidas do casamento de Craudio com Creide. Ocorre que, ap\u00f3s o \u00f3bito de Creide (m\u00e3e de Nirse), Craudio se casou com a r\u00e9, Jurema. O casamento foi celebrado sob o regime da separa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria de bens em raz\u00e3o da avan\u00e7ada idade de Craudio (74 anos). Em raz\u00e3o do \u00f3bito da m\u00e3e, Nirse veio a se tornar propriet\u00e1ria de 12,5% do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o falecimento de Craudio, Nirse solicitou que Jurema deixasse o im\u00f3vel em que residia com o falecido, pois, al\u00e9m da aus\u00eancia de v\u00ednculo afetivo, a Jurema \u00e9 propriet\u00e1ria de bens im\u00f3veis pr\u00f3prios. Por\u00e9m, invocando o direito real de habita\u00e7\u00e3o, Jurema se recusou a deixar o im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Nirse ent\u00e3o requereu a condena\u00e7\u00e3o de Jurema ao pagamento mensal de aluguel referente ao im\u00f3vel por ela habitado na propor\u00e7\u00e3o de 12,5% do valor a ser apurado em per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-devido-o-aluguel\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devido o aluguel?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em perquirir se a parte faz jus ao recebimento de aluguel referente a sua fra\u00e7\u00e3o ideal, obtida em decorr\u00eancia da anterior sucess\u00e3o de sua genitora, em raz\u00e3o do uso exclusivo do bem pela c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, segunda esposa de seu genitor, baseado em suposto direito real de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, frise-se que a situa\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise revela uma peculiaridade que o distingue das hip\u00f3teses em que se discute, de forma usual, o direito real de habita\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge sup\u00e9rstite frente aos demais herdeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, ao apreciar caso an\u00e1logo em recente julgamento, teve a oportunidade de firmar entendimento, no sentido de que <strong>&#8220;a copropriedade anterior \u00e0 abertura da sucess\u00e3o impede o reconhecimento do direito real de habita\u00e7\u00e3o, visto que de titularidade comum a terceiros estranhos \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sucess\u00f3ria que ampararia o pretendido direito<\/strong> &#8221; (EREsp 1.520.294\/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe 02\/09\/2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, segundo a doutrina, &#8220;o direito de habita\u00e7\u00e3o s\u00f3 existe sobre bem que pertence, em sua integralidade, ao&nbsp;<em>de cujus<\/em>. A exist\u00eancia de copropriet\u00e1rios impede o uso pelo sobrevivente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <strong>al\u00e9m da preexistente copropriedade (o direito da parte sobre fra\u00e7\u00e3o ideal do im\u00f3vel n\u00e3o foi adquirido em decorr\u00eancia do falecimento do pai), a parte, filha do primeiro casamento do&nbsp;<em>de cujus<\/em>, n\u00e3o guarda nenhum tipo de solidariedade familiar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, n\u00e3o havendo se falar em qualquer v\u00ednculo de parentalidade ou at\u00e9 mesmo de afinidade.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa linha de intelec\u00e7\u00e3o, portanto, n\u00e3o lhe cabe suportar qualquer limita\u00e7\u00e3o ao seu direito de propriedade, que \u00e9, justamente, a ess\u00eancia do direito real de habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-resultado-final\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Tem direito ao recebimento de alugu\u00e9is a parte que, sem v\u00ednculo de parentalidade com a c\u00f4njuge sup\u00e9rstite, possu\u00eda im\u00f3vel em copropriedade com o de cujus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-terceiro-ofensor-e-sujeicao-a-eficacia-transubjetiva-das-obrigacoes\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terceiro ofensor e sujei\u00e7\u00e3o \u00e0 efic\u00e1cia transubjetiva das obriga\u00e7\u00f5es<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>PROCESSO SOB SEGREDO DE JUSTI\u00c7A <\/strong><\/a><strong>(IMPORTANTE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>Terceiro ofensor tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito \u00e0 efic\u00e1cia transubjetiva das obriga\u00e7\u00f5es<\/a>, haja vista que seu comportamento n\u00e3o pode interferir indevidamente na rela\u00e7\u00e3o, perturbando o normal desempenho da presta\u00e7\u00e3o pelas partes, sob pena de se responsabilizar pelos danos decorrentes de sua conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de justi\u00e7a, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 29\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu, desafeto do jogador de futebol profissional Moacir, enviou ao patrocinador pessoal desse uma correspond\u00eancia que fazia expressa men\u00e7\u00e3o a uma den\u00fancia criminal oferecida perante a Justi\u00e7a da Espanha, mas sem se limitar \u00e0 mera reprodu\u00e7\u00e3o dos fatos narrados na acusa\u00e7\u00e3o criminal, tendo emitido ju\u00edzo de valor sobre as circunst\u00e2ncias e adjetivado a conduta do atleta como mentirosa, fraudulenta e desonesta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o tenha sido rompido o contrato entre o atleta e a patrocinadora, a conduta gerou transtorno ao jogador que, ao ficar sabendo da origem do problema, ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de Tadeu com o objetivo de obter repara\u00e7\u00e3o dos danos.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo de Justi\u00e7a &#8211; Caso imaginado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-o-terceiro-ao-contrato-e-ofensor-responde\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O terceiro ao contrato e ofensor responde?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade civil, em face da sua relev\u00e2ncia e da sua natureza din\u00e2mica, tem alargado seu horizonte, sem se restringir a um rol preestabelecido de direitos tutelados, buscando a prote\u00e7\u00e3o das mais variadas \u00f3rbitas da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o da sociedade e o surgimento de rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas cada vez mais complexas exigiram a expans\u00e3o da responsabilidade civil, notadamente para que esta cumpra sua fun\u00e7\u00e3o prec\u00edpua (a de possibilitar o equil\u00edbrio e a harmonia social), n\u00e3o se esgotando nos atributos tradicionais da personalidade humana &#8211; honra, nome, imagem, intimidade e vida privada.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, diante do reconhecimento e da amplia\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa humana, resultantes da nova realidade social e da ascens\u00e3o de novos interesses, surgem tamb\u00e9m novas hip\u00f3teses de viola\u00e7\u00f5es de direitos, o que imp\u00f5e sua salvaguarda pelo ordenamento jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas considera\u00e7\u00f5es, <strong>viu-se a necessidade de analisar o comportamento daquele terceiro que interfere ou induz o inadimplemento de um contrato sob o prisma de uma prote\u00e7\u00e3o extracontratual, do capitalismo \u00e9tico, da fun\u00e7\u00e3o social do contrato e da prote\u00e7\u00e3o das estruturas de interesse da sociedade, tais como a honestidade e a tutela da confian\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a responsabiliza\u00e7\u00e3o de um terceiro, alheio \u00e0 rela\u00e7\u00e3o contratual, decorre da sua n\u00e3o funcionaliza\u00e7\u00e3o sob a perspectiva social da autonomia contratual, incorporando como raz\u00e3o pr\u00e1tica a confian\u00e7a e o desenvolvimento social na conduta daqueles que exercem sua liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, difunde-se a ideia de que os contratos s\u00e3o protegidos por deveres de confian\u00e7a, os quais se estendem a terceiros em raz\u00e3o da cl\u00e1usula de boa-f\u00e9 objetiva, pois, da mesma forma que um terceiro est\u00e1 protegido de contratos que possam vir a lhe prejudicar, os contratantes tamb\u00e9m est\u00e3o protegidos da conduta de terceiro que possa prejudicar o v\u00ednculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, um terceiro ofendido e que estava exposto aos riscos de danos pessoais e patrimoniais em decorr\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o do contrato teria direito a uma indeniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o por ter violado algum dever de presta\u00e7\u00e3o oriunda da rela\u00e7\u00e3o obrigacional, mas por ter suportado uma ofensa \u00e0 sua integridade psicof\u00edsica ou econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contrapartida, o terceiro ofensor tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito \u00e0 efic\u00e1cia transubjetiva das obriga\u00e7\u00f5es, pois, segunda a doutrina, &#8220;o comportamento do terceiro n\u00e3o pode manifestamente interferir, perturbando o normal desempenho da presta\u00e7\u00e3o pelas partes. Nesse \u00faltimo sentido, o terceiro n\u00e3o pode se associar a uma das partes para descumprir com a obriga\u00e7\u00e3o. Nesse caso, seria um terceiro-c\u00famplice no inadimplemento daquela presta\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das hip\u00f3teses em que a conduta conden\u00e1vel do terceiro pode gerar sua responsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 a indu\u00e7\u00e3o interferente il\u00edcita, na qual o terceiro imiscui-se na rela\u00e7\u00e3o contratual mediante informa\u00e7\u00f5es ou conselhos com o intuito de estimular uma das partes a n\u00e3o cumprir seus deveres contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se que a simples emiss\u00e3o de opini\u00e3o n\u00e3o configura ato il\u00edcito, pois a todos \u00e9 l\u00edcito exprimir sua convic\u00e7\u00e3o sobre eventuais riscos ou desvios, o que, contudo, n\u00e3o pode ser exercido de forma maliciosa, exagerada ou proferida em contrariedade \u00e0 boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, nota-se que esse entendimento tem sido aplicado para se reconhecer a responsabilidade do terceiro em rela\u00e7\u00e3o a danos materiais causados aos contratantes em raz\u00e3o de seu comportamento, mas esse racioc\u00ednio \u00e9 plenamente aplic\u00e1vel aos casos em que o proceder do terceiro configure danos extrapatrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o haver consenso quanto \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de dano moral, tem prevalecido o entendimento de que ele n\u00e3o est\u00e1 atrelado \u00e0 dor, m\u00e1goa ou sofrimento da v\u00edtima, pois as consterna\u00e7\u00f5es e as dores de cada um s\u00e3o sensa\u00e7\u00f5es subjetivas e pessoais, e cada ser humano percebe os flagelos da vida de uma forma particular.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, foi editado o Enunciado n. 444 do Conselho da Justi\u00e7a Federal, emitido na V Jornada de Direito Civil, com a seguinte reda\u00e7\u00e3o: &#8220;O dano moral indeniz\u00e1vel n\u00e3o pressup\u00f5e necessariamente a verifica\u00e7\u00e3o de sentimentos humanos desagrad\u00e1veis como dor ou sofrimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Modernamente se tem aproximado o dano moral do princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, mas sem se limitar a ele, sob pena de verificar um conceito abstrato e desprovido de seguran\u00e7a jur\u00eddica. Assim, ser\u00e1 indeniz\u00e1vel aquela viola\u00e7\u00e3o a um interesse existencial concretamente merecedor de tutela, vislumbrando-se o ser humano diante de toda a coletividade e por meio de suas rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em face dessas premissas, constata-se que o caso concreto configura uma hip\u00f3tese em que o terceiro ofensor causou les\u00e3o a um interesse existencial do atleta.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o quadro f\u00e1tico delineado, <a>ao enviar correspond\u00eancia \u00e0 patrocinadora do jogador de futebol, fez-se expressa men\u00e7\u00e3o a uma den\u00fancia criminal oferecida perante a Justi\u00e7a da Espanha, mas sem se limitar \u00e0 mera reprodu\u00e7\u00e3o dos fatos narrados na acusa\u00e7\u00e3o criminal, tendo emitido ju\u00edzo de valor sobre as circunst\u00e2ncias e adjetivado a conduta do atleta como mentirosa, fraudulenta e desonesta.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A conduta n\u00e3o pode ser caracterizada como exerc\u00edcio de sua liberdade de express\u00e3o, porquanto este direito constitucional compreende a autonomia de receber e transmitir informa\u00e7\u00f5es ou ideias sem uma valida\u00e7\u00e3o ou censura pr\u00e9vias por terceiros, mas encontra limites nos demais direitos fundamentais individuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a, \u00e0 procura de solu\u00e7\u00e3o que melhor concilie as situa\u00e7\u00f5es de conflito entre a liberdade de express\u00e3o e os direitos da personalidade, estabeleceu, entre outros, os seguintes elementos de pondera\u00e7\u00e3o: a) o compromisso \u00e9tico com a informa\u00e7\u00e3o veross\u00edmil; b) a preserva\u00e7\u00e3o dos chamados direitos da personalidade, entre os quais incluem-se os direitos \u00e0 honra, \u00e0 imagem, \u00e0 privacidade e \u00e0 intimidade; e c) a veda\u00e7\u00e3o de veicula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es com intuito de difamar, injuriar ou caluniar a pessoa (<em>animus injuriandi vel diffamandi<\/em>) &#8211; (cf. REsp n. 801.109\/DF, Rel. Min. Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, julgado em 12\/6\/2012, DJe 12\/3\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Por conseguinte, n\u00e3o configura ato il\u00edcito a not\u00edcia de fatos veross\u00edmeis mediante opini\u00f5es severas ou ir\u00f4nicas, sobretudo quando se tratar de figuras p\u00fablicas, o que, todavia, n\u00e3o justifica o ataque pessoal \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se descura, tamb\u00e9m, de que o v\u00ednculo contratual entre atleta e patrocinadora n\u00e3o se rompeu ap\u00f3s a emiss\u00e3o da carta, o que, contudo, n\u00e3o afasta a pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria do autor, pois, caso o contrato viesse a ser rescindido em decorr\u00eancia da conduta da recorrente, a indeniza\u00e7\u00e3o abrangeria n\u00e3o apenas aquela decorrente dos dano morais, mas tamb\u00e9m a relativa aos danos patrimoniais por ele suportados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto \u00e9 que o pleito autoral se limita \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais em raz\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o difamat\u00f3ria de um terceiro com o objetivo de estimular uma das partes a n\u00e3o cumprir seus deveres contratuais, imiscuindo-se na rela\u00e7\u00e3o contratual extrapolando os limites da licitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Do mesmo modo, \u00e9 desinfluente o teor da carta remetida pela patrocinadora ao atleta em virtude do recebimento da primeira missiva, pois, repita-se, o que interessa \u00e9 a ofensa \u00e0 personalidade e \u00e0 honra do jogador perpetrada na primeira, mediante emiss\u00e3o de ju\u00edzo de valor negativo sobre a sua conduta, ainda que n\u00e3o tenha havido rescis\u00e3o contratual ou algum outro preju\u00edzo material ao ofendido.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, importante relembrar que o art. 187 do CC reconhece como il\u00edcito, e consequentemente gerador do dever de indenizar, o exerc\u00edcio abusivo de um direito, isto \u00e9, mesmo que se considerasse que a conduta foi um ato de liberdade de express\u00e3o, foi exercido o direito de forma abusiva, interferindo indevidamente em uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da qual n\u00e3o fazia parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o obstante o alto grau de subjetivismo que envolve a mat\u00e9ria, a indeniza\u00e7\u00e3o deve ser um desest\u00edmulo a futuras condutas il\u00edcitas, sem, contudo, gerar o enriquecimento sem causa da v\u00edtima e, de outro lado, a ru\u00edna econ\u00f4mica do ofensor, devendo ser pautada nos princ\u00edpios da proporcionalidade e da razoabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-resultado-final\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Terceiro ofensor tamb\u00e9m est\u00e1 sujeito \u00e0 efic\u00e1cia transubjetiva das obriga\u00e7\u00f5es, haja vista que seu comportamento n\u00e3o pode interferir indevidamente na rela\u00e7\u00e3o, perturbando o normal desempenho da presta\u00e7\u00e3o pelas partes, sob pena de se responsabilizar pelos danos decorrentes de sua conduta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-des-necessidade-da-pericia-tecnica-para-quantificar-dano-moral-ante-divulgacao-nao-autorizada-de-obra\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Des)Necessidade da per\u00edcia t\u00e9cnica para quantificar dano moral, ante divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de obra<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel per\u00edcia t\u00e9cnica para quantificar dano moral, ante divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de obra, reconhecido em t\u00edtulo executivo em que se determina que seja considerada a repercuss\u00e3o econ\u00f4mica do il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.983.290-SP, Rel. Min. Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado em 26\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A emissora de TV STB foi condenada ao pagamento de danos morais em raz\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o aos direitos de Benedito pela publica\u00e7\u00e3o n\u00e3o integral da novela de autoria deste. Em cumprimento da senten\u00e7a para a quantifica\u00e7\u00e3o do valor dos danos, foi determinado que que fosse levado em considera\u00e7\u00e3o a repercuss\u00e3o econ\u00f4mica do il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz ent\u00e3o deferiu a per\u00edcia t\u00e9cnica, mas o STB recorreu alegando a desnecessidade desta e a possibilidade de valora\u00e7\u00e3o mediante a an\u00e1lise subjetiva do magistrado, tese que foi acolhida pelo tribunal local.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-necessaria-a-pericia\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1ria a per\u00edcia?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Com certeza!!! E juiz l\u00e1 \u00e9 especialista em novela?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se, no caso, se a apura\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o devida a t\u00edtulo de danos morais, pela veicula\u00e7\u00e3o indevida de novela prescinde ou n\u00e3o de per\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Tribunal de origem, a per\u00edcia t\u00e9cnica n\u00e3o seria necess\u00e1ria, porque a fixa\u00e7\u00e3o do valor indenizat\u00f3rio reclamaria an\u00e1lise eminentemente subjetiva do magistrado. Segundo consignado, o julgador desfrutaria de ampla liberdade para eleger os crit\u00e9rios a serem utilizados na consecu\u00e7\u00e3o dessa tarefa, vinculando-se, apenas, aos princ\u00edpios gerais do direito, aos costumes e as peculiaridades f\u00e1ticas do caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>As raz\u00f5es do recurso especial, em sentido contr\u00e1rio, afirmam que o t\u00edtulo exequendo teria determinado que o&nbsp;<em>quantum&nbsp;<\/em>indenizat\u00f3rio fosse fixado com aten\u00e7\u00e3o ao volume econ\u00f4mico da atividade na qual se deu a utiliza\u00e7\u00e3o indevida da obra. Nesses termos, a per\u00edcia seria imprescind\u00edvel, pois, de outra forma, n\u00e3o haveria como respeitar os par\u00e2metros objetivos estabelecidos para quantifica\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre reconhecer que a Terceira Turma do STJ, no julgamento do REsp 1.558.683\/SP, n\u00e3o apenas deferiu o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais (pela veicula\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada e desfigurada da telenovela de sua autoria), como tamb\u00e9m estabeleceu um crit\u00e9rio objetivo para sua quantifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A parte dispositiva daquele ac\u00f3rd\u00e3o estabeleceu que a quantifica\u00e7\u00e3o dos danos morais se faria mediante arbitramento.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o que se seguiram, acrescentou-se que, muito <strong>embora a quantifica\u00e7\u00e3o do dano estivesse a cargo do juiz, deveria ser observada, para consecu\u00e7\u00e3o dessa tarefa, o volume econ\u00f4mico da atividade em que a utiliza\u00e7\u00e3o indevida da obra foi inserida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, considerando que escapa das regras normais da experi\u00eancia um conhecimento adequado acerca dos lucros obtidos com a divulga\u00e7\u00e3o indevida de novela, tem-se, de fato, como imprescind\u00edvel a realiza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia determinada em primeiro grau de jurisdi\u00e7\u00e3o para que, levando em conta a observa\u00e7\u00e3o relativa aos lucros percebidos, seja fixado percentual sobre tal verba que sirva de efetiva recomposi\u00e7\u00e3o dos danos morais do autor.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-resultado-final\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel per\u00edcia t\u00e9cnica para quantificar dano moral, ante divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada de obra, reconhecido em t\u00edtulo executivo em que se determina que seja considerada a repercuss\u00e3o econ\u00f4mica do il\u00edcito.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-falta-de-indicacao-expressa-da-norma-constitucional-que-autoriza-a-interposicao-do-recurso-especial-e-incidencia-da-sumula-294-do-stf\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Falta de indica\u00e7\u00e3o expressa da norma constitucional que autoriza a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial e incid\u00eancia da s\u00famula 294 do STF<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>falta de <\/a><a>indica\u00e7\u00e3o expressa da norma constitucional que autoriza a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial <\/a>(al\u00edneas a, b e c do inciso III do art. 105 da CF) implica o seu n\u00e3o conhecimento pela incid\u00eancia da S\u00famula 284 do STF, salvo, em car\u00e1ter excepcional, se as raz\u00f5es recursais conseguem demonstrar, de forma inequ\u00edvoca, a hip\u00f3tese de seu cabimento.<\/p>\n\n\n\n<p>EAREsp 1.672.966-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 20\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio teve seu recurso especial n\u00e3o admitido em raz\u00e3o da falta de indica\u00e7\u00e3o expressa da norma constitucional que autoriza a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial. Inconformado, impetrou sucessivos recursos alegando que, mesmo diante da falta da indica\u00e7\u00e3o em quest\u00e3o, o recurso poderia ser admitido em raz\u00e3o das raz\u00f5es recursais terem demonstrado o seu cabimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.029. O recurso extraordin\u00e1rio e o recurso especial, nos casos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ser\u00e3o interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em peti\u00e7\u00f5es distintas que conter\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a exposi\u00e7\u00e3o do fato e do direito;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a demonstra\u00e7\u00e3o do cabimento do recurso interposto;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; as raz\u00f5es do pedido de reforma ou de invalida\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o recorrida.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-possivel-a-dispensa-da-indicacao-expressa-do-permissivo-constitucional-do-recurso-especial\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a dispensa da indica\u00e7\u00e3o expressa do permissivo constitucional do recurso especial?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Sim, desde que demonstrado o cabimento de forma INEQU\u00cdVOCA pelas raz\u00f5es recursais!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia encontra-se pautada na exig\u00eancia ou n\u00e3o da indica\u00e7\u00e3o do permissivo constitucional, com a expressa indica\u00e7\u00e3o da al\u00ednea, no momento da interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial, para que este seja apreciado por esta Corte.<\/p>\n\n\n\n<p>Disp\u00f5e, a prop\u00f3sito, o <a>C\u00f3digo de Processo Civil: &#8220;<u>Art. 1.029. O recurso extraordin\u00e1rio e o recurso especial, nos casos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, ser\u00e3o interpostos perante o presidente ou o vice-presidente do tribunal recorrido, em peti\u00e7\u00f5es distintas que conter\u00e3o: I &#8211; a exposi\u00e7\u00e3o do fato e do direito; II &#8211; a demonstra\u00e7\u00e3o do cabimento do recurso interposto; III &#8211; as raz\u00f5es do pedido de reforma ou de invalida\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o recorrida&#8221;.<\/u><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, deve ser dispensada a indica\u00e7\u00e3o expressa da al\u00ednea do permissivo constitucional em que se funda o recurso especial, se as raz\u00f5es recursais conseguem demonstrar, de forma inequ\u00edvoca, o seu cabimento, segundo os &#8220;casos previstos na Constitui\u00e7\u00e3o Federal,&#8221; mitigando o rigor formal, em homenagem aos princ\u00edpios da instrumentalidade das formas e da efetividade do processo, a fim de dar concretude ao princ\u00edpio constitucional do devido processo legal em sua dimens\u00e3o substantiva de razoabilidade e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A falta de indica\u00e7\u00e3o expressa da norma constitucional que autoriza a interposi\u00e7\u00e3o do recurso especial (al\u00edneas a, b e c do inciso III do art. 105 da CF) implica o seu n\u00e3o conhecimento pela incid\u00eancia da S\u00famula 284 do STF, salvo, em car\u00e1ter excepcional, se as raz\u00f5es recursais conseguem demonstrar, de forma inequ\u00edvoca, a hip\u00f3tese de seu cabimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-in-validade-da-citacao-de-pessoa-juridica-em-seu-antigo-endereco-cuja-mudanca-fora-comunicada-a-junta-comercial-mas-sem-alteracao-no-sitio-eletronico-da-empresa\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (In)Validade da cita\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica em seu antigo endere\u00e7o, cuja mudan\u00e7a fora comunicada \u00e0 Junta Comercial, mas sem altera\u00e7\u00e3o no s\u00edtio eletr\u00f4nico da empresa.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar v\u00e1lida a <a>cita\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica em seu antigo endere\u00e7o, cuja mudan\u00e7a fora comunicada \u00e0 Junta Comercial, mas sem altera\u00e7\u00e3o no s\u00edtio eletr\u00f4nico da empresa.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.976.741-RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Virso ajuizou a\u00e7\u00e3o em face de Magh Minera\u00e7\u00e3o Ltda. Na inicial, informou o endere\u00e7o que constava no s\u00edtio eletr\u00f4nico da empresa, raz\u00e3o pela qual foi enviada cita\u00e7\u00e3o pelos correios no endere\u00e7o por ele indicado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que Magh j\u00e1 havia alterado seu endere\u00e7o e comunicado \u00e0 junta comercial, embora n\u00e3o o tivesse atualizado em seu site. Por tal raz\u00e3o, a r\u00e9 interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais sustenta a invalidade da cita\u00e7\u00e3o em seu antigo endere\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-questao-juridica\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 319. A peti\u00e7\u00e3o inicial indicar\u00e1:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; os nomes, os prenomes, o estado civil, a exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel, a profiss\u00e3o, o n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o no Cadastro de Pessoas F\u00edsicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jur\u00eddica, o endere\u00e7o eletr\u00f4nico, o domic\u00edlio e a resid\u00eancia do autor e do r\u00e9u;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-valida-a-citacao\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; V\u00e1lida a cita\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Discute-se a validade da cita\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica por carta dirigida a local onde n\u00e3o mais se encontra estabelecida a sua sede, conquanto entregue em endere\u00e7o apontado no s\u00edtio eletr\u00f4nico disponibilizado na<em>&nbsp;internet<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>A verifica\u00e7\u00e3o da validade da cita\u00e7\u00e3o deve levar em conta a import\u00e2ncia do ato, especialmente \u00e0 luz dos direitos e garantias que envolvem o sistema processual. Justamente em raz\u00e3o da estreita liga\u00e7\u00e3o entre a cita\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio das garantias processuais do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, o formalismo desse ato de comunica\u00e7\u00e3o assume papel fundamental e n\u00e3o pode ser afastado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Diante da dificuldade de o carteiro verificar quem ostenta poderes para representar a pessoa jur\u00eddica, a jurisprud\u00eancia do STJ sedimentou-se no sentido de que a cita\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida quando a carta for recebida por quem se apresenta como respons\u00e1vel pela empresa, sem ressalvas quanto \u00e0 inexist\u00eancia de poderes de representa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da doutrina e da jurisprud\u00eancia sobre essa teoria, conclui-se que devem ser preenchidos dois requisitos b\u00e1sicos para que a cita\u00e7\u00e3o seja considerada v\u00e1lida: 1\u00b0) entrega do mandado ou da carta de cita\u00e7\u00e3o no endere\u00e7o da pessoa jur\u00eddica; e 2\u00b0) recebimento do mandado ou da carta por funcion\u00e1rio da pessoa jur\u00eddica, mesmo que n\u00e3o seja seu representante, n\u00e3o fa\u00e7a qualquer ressalva quanto \u00e0 inexist\u00eancia de poderes de representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, n\u00e3o foi preenchido o primeiro requisito, pois a carta de cita\u00e7\u00e3o foi entregue em endere\u00e7o no qual a recorrente n\u00e3o mais mantinha a sua sede. Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel concluir pelo preenchimento do segundo requisito, dado que n\u00e3o foi constatado, pelo Tribunal<em>&nbsp;a quo<\/em>, se o recebedor da carta teria algum v\u00ednculo com a recorrente ou se era porteiro do edif\u00edcio comercial onde a empresa outrora manteve a sua sede.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente dos deveres que devem ser observados no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de direito material e, evidentemente, n\u00e3o se olvidando da observ\u00e2ncia da boa-f\u00e9 objetiva tamb\u00e9m na seara processual, \u00e9 \u00f4nus do autor informar o endere\u00e7o correto do r\u00e9u, a fim de viabilizar a pr\u00e1tica correta dos atos de comunica\u00e7\u00e3o processual, nos termos do artigo 282 do CPC 1973 e do artigo 319, II, do <a>CPC2015<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que <strong>a recorrente cumpriu a obriga\u00e7\u00e3o legal de registro da altera\u00e7\u00e3o do contrato social com o novo endere\u00e7o, nos termos do artigo 32 da Lei n. 8.934\/1994, garantindo-se a publicidade da modifica\u00e7\u00e3o e, portanto, o acesso da autora a tal informa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ao cuidar do dever de informar endere\u00e7os para a pr\u00e1tica de atos de comunica\u00e7\u00e3o processual, a Lei \u00e9 bastante cautelosa e espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a cita\u00e7\u00e3o por meio eletr\u00f4nico, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido todo e qualquer endere\u00e7o propagado pelo jurisdicionado, inclusive aquele publicado pelas pessoas jur\u00eddicas perante clientes e parceiros comerciais nos s\u00edtios eletr\u00f4nicos da rede mundial de computadores. \u00c9 necess\u00e1rio observar o endere\u00e7o eletr\u00f4nico cadastrado especificamente para tal finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, a Lei n. 11.419\/2006 j\u00e1 exigia que as cita\u00e7\u00f5es por meio eletr\u00f4nico fossem realizadas por meio de endere\u00e7o previamente cadastrado nos Tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o envio da carta de cita\u00e7\u00e3o a endere\u00e7o diverso daquele em que estava estabelecida a recorrente \u00e0 \u00e9poca do ato, a par de revelar a aus\u00eancia do primeiro requisito para a aplica\u00e7\u00e3o da teoria da apar\u00eancia, induz \u00e0 conclus\u00e3o de que tamb\u00e9m estava ausente o segundo, porquanto se presume que o recebedor da carta n\u00e3o era funcion\u00e1rio da citanda. E isto, por si s\u00f3, tamb\u00e9m invalida o ato citat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que n\u00e3o existe norma jur\u00eddica prevendo qualquer tipo de presun\u00e7\u00e3o de validade de cita\u00e7\u00e3o encaminhada a endere\u00e7o desatualizado e, como se trata de ato processual de suma import\u00e2ncia para o exerc\u00edcio do contradit\u00f3rio e da ampla defesa, n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita qualquer cita\u00e7\u00e3o ficta al\u00e9m daquelas expressamente previstas em lei (cita\u00e7\u00e3o por hora certa e cita\u00e7\u00e3o por edital).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-3-resultado-final\"><a>9.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar v\u00e1lida a cita\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica em seu antigo endere\u00e7o, cuja mudan\u00e7a fora comunicada \u00e0 Junta Comercial, mas sem altera\u00e7\u00e3o no s\u00edtio eletr\u00f4nico da empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-concessao-da-gratuidade-de-justica-ao-microempreendedor-individual-mei-e-ao-empresario-individual-e-necessidade-de-comprovacao-da-hipossuficiencia-financeira\"><a>10.&nbsp; Concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a ao microempreendedor individual &#8211; MEI e ao empres\u00e1rio individual e necessidade de comprova\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia financeira<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a ao microempreendedor individual &#8211; MEI e ao empres\u00e1rio individual <\/a>prescinde de comprova\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia financeira.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.899.342-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 29\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Virso de Andrade ME, empres\u00e1rio individual, ajuizou a\u00e7\u00e3o de cobran\u00e7a em face de Rider Ltda objetivando o recebimento de valores relativos aos ped\u00e1gios n\u00e3o pagos pela r\u00e9, bem como a aplica\u00e7\u00e3o de penalidade decorrente da n\u00e3o antecipa\u00e7\u00e3o do vale-ped\u00e1gio obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Rider apresentou impugna\u00e7\u00e3o ao valor da causa, o que foi acolhido pelo ju\u00edzo que, em sequ\u00eancia, determinou ao autor que recolhesse a diferen\u00e7a das custas processuais. Ante a aventada redu\u00e7\u00e3o do faturamento a repercutir na alegada incapacidade econ\u00f4mica para fazer frente \u00e0s custas processuais, o autor requereu justi\u00e7a gratuita, oportunidade na qual apresentou os relat\u00f3rios de faturamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a benesse foi negada pelo juiz em raz\u00e3o de ser pessoa jur\u00eddica e da falta de efetiva comprova\u00e7\u00e3o e hipossufici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 44. S\u00e3o pessoas jur\u00eddicas de direito privado:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as associa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; as sociedades;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; as funda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; as organiza\u00e7\u00f5es religiosas;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; os partidos pol\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-necessaria-a-comprovacao-de-hipossuficiencia-pelo-empresario-individual\"><a>10.2.2. Necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia pelo empres\u00e1rio individual?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O empres\u00e1rio individual e o microempreendedor individual s\u00e3o pessoas f\u00edsicas que exercem atividade empres\u00e1ria em nome pr\u00f3prio, respondendo com seu patrim\u00f4nio pessoal pelos riscos do neg\u00f3cio, n\u00e3o sendo poss\u00edvel distinguir entre a personalidade da pessoa natural e da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O microempreendedor individual e o empres\u00e1rio individual n\u00e3o se caracterizam como pessoas jur\u00eddicas de direito privado propriamente ditas ante a falta de enquadramento no rol estabelecido no artigo 44 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a><\/strong>, notadamente por n\u00e3o terem eventual ato constitutivo da empresa registrado, consoante prev\u00ea o artigo 45 do C\u00f3digo Civil, para o qual &#8220;come\u00e7a a exist\u00eancia legal das pessoas jur\u00eddicas de direito privado com a inscri\u00e7\u00e3o do ato constitutivo no respectivo registro&#8221;. Portanto, para a finalidade prec\u00edpua da concess\u00e3o da benesse da gratuidade judici\u00e1ria a caracteriza\u00e7\u00e3o como pessoa jur\u00eddica deve ser relativizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para espec\u00edficos e determinados fins, pode haver a equipara\u00e7\u00e3o de microempreendedores individuais e empres\u00e1rios individuais como pessoa jur\u00eddica, ocorrendo mera fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para tentar estabelecer uma m\u00ednima distin\u00e7\u00e3o entre as atividades empresariais exercidas e os atos n\u00e3o empresariais realizados, por\u00e9m, para o efeito da concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a, a simples atribui\u00e7\u00e3o de CNPJ ou inscri\u00e7\u00e3o em \u00f3rg\u00e3os estaduais e municipais n\u00e3o transforma as pessoas f\u00edsicas\/naturais que est\u00e3o por tr\u00e1s dessas categorias em sociedades, tampouco em pessoas jur\u00eddicas propriamente ditas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para a concess\u00e3o do benef\u00edcio da gratuidade de Justi\u00e7a aos microeempreendedores individuais e empres\u00e1rios individuais, em princ\u00edpio, basta a mera afirma\u00e7\u00e3o de pen\u00faria financeira, ficando salvaguardada \u00e0 parte adversa a possibilidade de impugnar o deferimento da benesse, bem como ao magistrado, para formar sua convic\u00e7\u00e3o, solicitar a apresenta\u00e7\u00e3o de documentos que considere necess\u00e1rios, notadamente quando o pleito \u00e9 realizado quando j\u00e1 no curso do procedimento judicial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A concess\u00e3o da gratuidade de justi\u00e7a ao microempreendedor individual &#8211; MEI e ao empres\u00e1rio individual prescinde de comprova\u00e7\u00e3o da hipossufici\u00eancia financeira.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-tributario\"><a>DIREITO TRIBUT\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-constitucionalidade-da-inclusao-do-imposto-sobre-circulacao-de-mercadorias-e-servicos-icms-na-base-de-calculo-da-contribuicao-previdenciaria-sobre-a-receita-bruta-cprb\"><a>11.&nbsp; Constitucionalidade da inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional <a>a <\/a><a>inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.638.772-SC, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por unanimidade, julgado em 27\/04\/2022. (Tema 994) (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Panos T\u00eaxtil impetrou mandado de seguran\u00e7a no qual objetivava declarar incidentalmente a inconstitucionalidade\/ilegalidade da inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta \u2013 CPRB.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a concedeu a seguran\u00e7a, mas o tribunal local reformou a decis\u00e3o por entender que o ICMS, quando n\u00e3o se tratar de hip\u00f3tese de regime de substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, deveria integrar a receita bruta, base de c\u00e1lculo para a contribui\u00e7\u00e3o disciplinada nos artigos 7\u00ba, 8\u00ba e 9\u00ba da Lei 12.546\/11.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, Panos interp\u00f4s recurso especial no qual sustenta que n\u00e3o se pode considerar que todo e qualquer ingresso de recursos seja considerado receita para fins de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB, em aten\u00e7\u00e3o ao artigo 110 do C\u00f3digo Tribut\u00e1rio Nacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 6\u00ba O imposto previsto no inciso III:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; ter\u00e1 al\u00edquotas m\u00ednimas fixadas pelo Senado Federal;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>II- poder\u00e1 ter al\u00edquotas diferenciadas em fun\u00e7\u00e3o do tipo e utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.041. Mantido o ac\u00f3rd\u00e3o divergente pelo tribunal de origem, o recurso especial ou extraordin\u00e1rio ser\u00e1 remetido ao respectivo tribunal superior, na forma do&nbsp;art. 1.036, \u00a7 1\u00ba&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba Realizado o ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o, com altera\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o divergente, o tribunal de origem, se for o caso, decidir\u00e1 as demais quest\u00f5es ainda n\u00e3o decididas cujo enfrentamento se tornou necess\u00e1rio em decorr\u00eancia da altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-constitucional-a-inclusao-do-icms-na-base-de-calculo\"><a>11.2.2. Constitucional a inclus\u00e3o do ICMS na base de c\u00e1lculo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Se\u00e7\u00e3o, no julgamento do presente caso, sob o rito da sistem\u00e1tica repetitiva, firmou a tese assim enunciada: &#8220;os valores de ICMS n\u00e3o integram a base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB, prevista na Lei n. 12.546\/2011&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Fundamentalmente, <strong>foi afastada a incorpora\u00e7\u00e3o do montante do imposto estadual da base de c\u00e1lculo da apontada contribui\u00e7\u00e3o porquanto se entendeu ausente a materialidade da hip\u00f3tese de incid\u00eancia, vale dizer, a receita bruta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, o Supremo Tribunal Federal, em sede de repercuss\u00e3o geral, fixou, por maioria de votos, tese vinculante contr\u00e1ria, no sentido de que &#8220;\u00e9 constitucional a inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB&#8221; (Tema 1.048\/STF. Tribunal Pleno. RE 1.187.264\/SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio, Rel. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Alexandre de Moraes, j. 24.02.2021, DJe 20.05.2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Essencialmente porque, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o vigente, se a receita l\u00edquida compreende a receita bruta, descontados, entre outros, os tributos incidentes, significa que,&nbsp;<em>contrario sensu<\/em>, a receita bruta compreende os tributos sobre ela incidentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme j\u00e1 mencionado, a partir da altera\u00e7\u00e3o promovida pela Lei n. 13.161\/2015, as empresas listadas nos artigos 7\u00ba e 8\u00ba da <a>Lei n. 12.546\/2011 <\/a>t\u00eam a faculdade de aderir ao novo sistema, caso concluam que a sistem\u00e1tica da CPRB \u00e9, no seu contexto, mais ben\u00e9fica do que a contribui\u00e7\u00e3o sobre a folha de pagamentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Logo, n\u00e3o poderia a empresa aderir ao novo regime de contribui\u00e7\u00e3o por livre vontade e, ao mesmo tempo, querer se beneficiar de regras que n\u00e3o lhe sejam aplic\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ora, permitir que a recorrente adira ao novo regime, abatendo do c\u00e1lculo da CPRB o ICMS sobre ela incidente, ampliaria demasiadamente o benef\u00edcio fiscal, pautado em amplo debate de pol\u00edticas p\u00fablicas tribut\u00e1rias. Tal pretens\u00e3o acarretaria grave viola\u00e7\u00e3o ao artigo 155, \u00a7 6\u00ba, da <a>CF\/1988<\/a>, que determina a edi\u00e7\u00e3o de lei espec\u00edfica para tratar sobre redu\u00e7\u00e3o de base de c\u00e1lculo de tributo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a teor do art. 1.041, \u00a7 1\u00ba, do <a>CPC\/2015<\/a>, verifica-se a inexist\u00eancia de particularidades f\u00e1ticas e\/ou processuais que impe\u00e7am a aplica\u00e7\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o modificada, como tamb\u00e9m de quest\u00f5es ainda n\u00e3o decididas, cujo enfrentamento pudesse ter se tornado necess\u00e1rio em decorr\u00eancia da altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 constitucional a inclus\u00e3o do Imposto Sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os &#8211; ICMS na base de c\u00e1lculo da Contribui\u00e7\u00e3o Previdenci\u00e1ria sobre a Receita Bruta &#8211; CPRB<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-pis-pasep-cofins-tributacao-monofasica-e-creditamento\"><a>12.&nbsp; PIS\/PASEP, COFINS, tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica e creditamento<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>(i) \u00c9 vedada a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica (arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003).<\/p>\n\n\n\n<p>(ii) O benef\u00edcio institu\u00eddo no art. 17, da Lei 11.033\/2004, n\u00e3o se restringe somente \u00e0s empresas que se encontram inseridas no regime espec\u00edfico de tributa\u00e7\u00e3o denominado REPORTO.<\/p>\n\n\n\n<p>(iii) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, diz respeito apenas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos cuja constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi vedada pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor, portanto n\u00e3o permite a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica, j\u00e1 que vedada pelos arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p>(iv) Apesar de n\u00e3o constituir cr\u00e9ditos, a incid\u00eancia monof\u00e1sica da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a t\u00e9cnica do creditamento, visto que se prende aos bens e n\u00e3o \u00e0 pessoa jur\u00eddica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade em incid\u00eancia plurif\u00e1sica, os quais podem lhe gerar cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>(v) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, apenas autoriza que os cr\u00e9ditos gerados na aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade (incid\u00eancia plurif\u00e1sica) n\u00e3o sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspens\u00e3o, isen\u00e7\u00e3o, al\u00edquota 0 (zero) ou n\u00e3o incid\u00eancia da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS, n\u00e3o autorizando a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.894.741-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 27\/04\/2022. (Tema 1093) (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Toretto Ve\u00edculos ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual intentava que fosse reconhecida a possibilidade de creditamento das contribui\u00e7\u00f5es ao PIS\/PASEP e COFINS dentro do sistema de tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica. Por\u00e9m, o tribunal local indeferiu o pleito por entender que tal forma de creditamento seria incompat\u00edvel com a monofasia e por ser inaplic\u00e1vel o art. 17, da Lei n\u00ba 11.033\/2004, visto que este se destina somente ao REPORTO (Regime Tribut\u00e1rio para Incentivo \u00e0 Moderniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 Amplia\u00e7\u00e3o da Estrutura Portu\u00e1ria).<\/p>\n\n\n\n<p>Em recurso especial, o autor sustenta a aplicabilidade do art. 17, da Lei n. 11.033\/2004, visto que n\u00e3o se refere especificamente ao REPORTO (Regime Tribut\u00e1rio para Incentivo \u00e0 Moderniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 Amplia\u00e7\u00e3o da Estrutura Portu\u00e1ria) e que sua incid\u00eancia n\u00e3o sofre qualquer limita\u00e7\u00e3o ou restri\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma de tributa\u00e7\u00e3o etapa anterior &#8211; sistema cumulativo, n\u00e3o-cumulativo, monof\u00e1sico, substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, etc. &#8211; tendo em vista que houve revoga\u00e7\u00e3o do art. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221;, da Lei n. 10.637\/2002 e art. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221;, da Lei n. 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-questao-juridica\"><a>12.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula Vinculante 58\/STF:<\/p>\n\n\n\n<p>Inexiste direito a cr\u00e9dito presumido&nbsp;de IPI relativamente \u00e0 entrada de insumos isentos, sujeitos \u00e0 al\u00edquota zero ou n\u00e3o tribut\u00e1veis,&nbsp;o que n\u00e3o contraria o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade;<\/p>\n\n\n\n<p>CF\/1988:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;Art. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Art. 195. A seguridade social ser\u00e1 financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos or\u00e7amentos da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, e das seguintes contribui\u00e7\u00f5es sociais:&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>b) a receita ou o faturamento;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 239. A arrecada\u00e7\u00e3o decorrente das contribui\u00e7\u00f5es para o Programa de Integra\u00e7\u00e3o Social, criado pela&nbsp;Lei Complementar n\u00ba 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Forma\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio do Servidor P\u00fablico, criado pela&nbsp;Lei Complementar n\u00ba 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulga\u00e7\u00e3o desta Constitui\u00e7\u00e3o, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro-desemprego, outras a\u00e7\u00f5es da previd\u00eancia social e o abono de que trata o \u00a7 3\u00ba deste artigo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-quais-as-conclusoes-do-stj-em-relacao-ao-tema\"><a>12.2.2. Quais as conclus\u00f5es do STJ em rela\u00e7\u00e3o ao tema?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>(i) \u00c9 VEDADA a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica (arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(ii) O benef\u00edcio institu\u00eddo no art. 17, da Lei 11.033\/2004, N\u00c3O SE RESTRINGE somente \u00e0s empresas que se encontram inseridas no regime espec\u00edfico de tributa\u00e7\u00e3o denominado REPORTO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(iii) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, diz respeito apenas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos cuja constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi vedada pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor, portanto N\u00c3O PERMITE a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica, j\u00e1 que vedada pelos arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(iv) Apesar de n\u00e3o constituir cr\u00e9ditos, a incid\u00eancia monof\u00e1sica da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS N\u00c3O \u00c9 INCOMPAT\u00cdVEL com a t\u00e9cnica do creditamento, visto que se prende aos bens e n\u00e3o \u00e0 pessoa jur\u00eddica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade em incid\u00eancia plurif\u00e1sica, os quais podem lhe gerar cr\u00e9ditos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>(v) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, apenas autoriza que os cr\u00e9ditos gerados na aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade (incid\u00eancia plurif\u00e1sica) n\u00e3o sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspens\u00e3o, isen\u00e7\u00e3o, al\u00edquota 0 (zero) ou n\u00e3o incid\u00eancia da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS, N\u00c3O AUTORIZANDO a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 pac\u00edfica jurisprud\u00eancia no \u00e2mbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercuss\u00e3o geral, no sentido de que <strong>o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade n\u00e3o se aplica a situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o existe dupla ou m\u00faltipla tributa\u00e7\u00e3o<\/strong> (v.g. casos de monofasia e substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria), a saber<a>: S\u00famula Vinculante 58\/STF: &#8220;<em>Inexiste direito a cr\u00e9dito presumido&nbsp;de IPI relativamente \u00e0 entrada de insumos isentos, sujeitos \u00e0 al\u00edquota zero ou n\u00e3o tribut\u00e1veis,&nbsp;o que n\u00e3o contraria o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade<\/em>&#8220;; <\/a>Repercuss\u00e3o Geral&nbsp;Tema 844: &#8220;<em>O princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade n\u00e3o assegura direito de cr\u00e9dito presumido&nbsp;de IPI para o contribuinte adquirente de insumos n\u00e3o tributados, isentos ou sujeitos \u00e0 al\u00edquota zero<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 17, da Lei n. 11.033\/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3\u00ba, \u00a7 2\u00ba, II, das Leis ns. 10.637\/2002 e 10.833\/2003, n\u00e3o autoriza a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos de PIS\/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/1977) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica, contudo permite a manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos por outro modo constitu\u00eddos, ou seja, cr\u00e9ditos cuja constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o restou obstada pelas Leis ns. 10.637\/2002 e 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto porque a veda\u00e7\u00e3o para a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica (creditamento), al\u00e9m de ser norma espec\u00edfica contida em outros dispositivos legais &#8211; arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003 (crit\u00e9rio da especialidade), foi republicada posteriormente com o advento dos arts. 4\u00ba e 5\u00ba, da Lei n. 11.787\/2008 (crit\u00e9rio cronol\u00f3gico) e foi referenciada pelo art. 24, \u00a73\u00ba, da Lei n. 11.787\/2008 (crit\u00e9rio sistem\u00e1tico).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, in\u00fameros precedentes da Segunda Turma deste Superior Tribunal de Justi\u00e7a que reconhecem a plena vig\u00eancia dos arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003, dada a impossibilidade cronol\u00f3gica de sua revoga\u00e7\u00e3o pelo art. 17, da Lei n. 11.033\/2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m a douta Primeira Turma se manifestava no mesmo sentido, antes da mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o ali promovida pelo AgRg no REsp 1.051.634\/CE, (Primeira Turma, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Rel. p\/ac\u00f3rd\u00e3o Min. Regina Helena Costa, julgado em 28.03.2017).<\/p>\n\n\n\n<p>O tema foi definitivamente pacificado com o julgamento dos EAREsp 1.109.354\/SP e dos EREsp 1.768.224\/RS (Primeira Se\u00e7\u00e3o, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgados em 14.04.2021) estabelecendo-se a negativa de constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica (negativa de creditamento).<\/p>\n\n\n\n<p>Consoante o art. 20, do Decreto-Lei n. 4.657\/1942 (Lei de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Normas do Direito Brasileiro &#8211; LINDB): &#8220;<em>[&#8230;]&nbsp;n\u00e3o se decidir\u00e1 com base em valores jur\u00eddicos abstratos sem que sejam consideradas as&nbsp;consequ\u00eancias pr\u00e1ticas da decis\u00e3o<\/em>&#8220;. \u00c9 preciso compreender que o objetivo da tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica n\u00e3o \u00e9 desonerar a cadeia, mas concentrar em apenas um elo da cadeia a tributa\u00e7\u00e3o que seria recolhida de toda ela caso fosse n\u00e3o cumulativa, evitando os pagamentos fracionados (dupla tributa\u00e7\u00e3o e plurifasia). Tal se d\u00e1 exclusivamente por motivos de pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os casos analisados (cadeia de bebidas, setor farmac\u00eautico, setor de autope\u00e7as), a autoriza\u00e7\u00e3o para a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica, al\u00e9m de comprometer a arrecada\u00e7\u00e3o da cadeia, colocaria a Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria e o fabricante trabalhando quase que exclusivamente para financiar o revendedor, contrariando o art. 37,&nbsp;<em>caput<\/em>, da <a>CF\/1988&nbsp;<\/a><strong>&#8211;<\/strong>&nbsp;princ\u00edpio da efici\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica&nbsp;<strong>&#8211;<\/strong>&nbsp;e tamb\u00e9m o objetivo de neutralidade econ\u00f4mica que \u00e9 o componente principal do princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade. Ou seja, \u00e9 justamente o creditamento que violaria o princ\u00edpio da n\u00e3o cumulatividade.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto atual de pandemia causada pela COVID &#8211; 19, nunca \u00e9 demais lembrar que as contribui\u00e7\u00f5es ao PIS\/PASEP e COFINS possuem destina\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria para o financiamento da Seguridade Social (arts. 195, I, &#8220;b&#8221; e 239, da CF\/1988), atendendo ao princ\u00edpio da solidariedade, recursos estes que em um momento de crise estariam sendo suprimidos do Sistema \u00danico de Sa\u00fade &#8211; SUS e do Programa Seguro Desemprego para serem direcionados a uma redistribui\u00e7\u00e3o de renda individualizada do fabricante para o revendedor, em detrimento de toda a coletividade. A fun\u00e7\u00e3o social da empresa tamb\u00e9m se realiza atrav\u00e9s do pagamento dos tributos devidos, mormente quando vinculados a uma destina\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-3-resultado-final\"><a>12.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><a>(i) \u00c9 vedada a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica (arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003).<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>(ii) O benef\u00edcio institu\u00eddo no art. 17, da Lei 11.033\/2004, n\u00e3o se restringe somente \u00e0s empresas que se encontram inseridas no regime espec\u00edfico de tributa\u00e7\u00e3o denominado REPORTO.<\/p>\n\n\n\n<p>(iii) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, diz respeito apenas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos cuja constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi vedada pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor, portanto n\u00e3o permite a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica, j\u00e1 que vedada pelos arts. 3\u00ba, I, &#8220;b&#8221; da Lei n. 10.637\/2002 e da Lei n. 10.833\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p>(iv) Apesar de n\u00e3o constituir cr\u00e9ditos, a incid\u00eancia monof\u00e1sica da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a t\u00e9cnica do creditamento, visto que se prende aos bens e n\u00e3o \u00e0 pessoa jur\u00eddica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade em incid\u00eancia plurif\u00e1sica, os quais podem lhe gerar cr\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>(v) O art. 17, da Lei 11.033\/2004, apenas autoriza que os cr\u00e9ditos gerados na aquisi\u00e7\u00e3o de bens sujeitos \u00e0 n\u00e3o cumulatividade (incid\u00eancia plurif\u00e1sica) n\u00e3o sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspens\u00e3o, isen\u00e7\u00e3o, al\u00edquota 0 (zero) ou n\u00e3o incid\u00eancia da Contribui\u00e7\u00e3o para o PIS\/PASEP e da COFINS, n\u00e3o autorizando a constitui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos sobre o custo de aquisi\u00e7\u00e3o (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598\/77) de bens sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o monof\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-cisao-de-empresa-e-fato-gerador-do-itbi\"><a>13.&nbsp; Cis\u00e3o de empresa e fato gerador do ITBI<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fato gerador de ITBI \u00e9 o registro no of\u00edcio competente da transmiss\u00e3o da propriedade do im\u00f3vel, mesmo no caso de cis\u00e3o de empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.760.009-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 19\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creiton ajuizou a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito ajuizada contra o Munic\u00edpio Cobromesmo, alegando que quando da parcial cis\u00e3o de sociedade empres\u00e1ria, no exerc\u00edcio de 2012, foram recolhidos valores a t\u00edtulo de ITBI, por for\u00e7a de Lei Complementar Municipal, e que ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de georreferenciamento, descobriu-se que parte do im\u00f3vel pertencia a outro Munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o autor, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de georreferenciamento no ano de 2014, efetuou o registro de transfer\u00eancia da propriedade em 2015, momento esse que deveria ser considerado como fato gerador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-qual-o-fato-gerador-a-ser-considerado\"><a>13.2.1. Qual o fato gerador a ser considerado?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>O registro no of\u00edcio competente da transmiss\u00e3o da propriedade!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cuida-se, na origem, de <a>a\u00e7\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito ajuizada contra Munic\u00edpio, alegando que quando da parcial cis\u00e3o de sociedade empres\u00e1ria, no exerc\u00edcio de 2012, foram recolhidos valores a t\u00edtulo de ITBI, por for\u00e7a de Lei Complementar Municipal, e que ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de georreferenciamento, descobriu-se que parte do im\u00f3vel pertencia a outro Munic\u00edpio.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Salientou que, <a>ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de georreferenciamento no ano de 2014, efetuou o registro de transfer\u00eancia da propriedade em 2015, momento esse que deve ser considerado como fato gerador.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O STJ entende que mesmo em caso de cis\u00e3o, o fato gerador do ITBI \u00e9 o registro no of\u00edcio competente da transmiss\u00e3o da propriedade do bem im\u00f3vel, em conformidade com a lei civil, o que no caso ocorreu em 2015. Logo, n\u00e3o h\u00e1 como se considerar como fato gerador da referida exa\u00e7\u00e3o a data de constitui\u00e7\u00e3o das empresas pelo registro de Contrato Social na Junta Comercial, ocorrido em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o fato gerador do ITBI ocorre, no seu aspecto material e temporal, com a efetiva transmiss\u00e3o, a qualquer t\u00edtulo, da propriedade imobili\u00e1ria, o que se perfectibiliza com a consuma\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio jur\u00eddico h\u00e1bil a transmitir a titularidade do bem, mediante o registro do t\u00edtulo translativo no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescente-se, por fim, que o STF julgou o ARE 1.294.969,&nbsp;Tema 1.124, em 11.2.2021, e fixou a tese de que: <strong>&#8220;O fato gerador do imposto sobre transmiss\u00e3o&nbsp;<em>inter vivos<\/em>&nbsp;de bens im\u00f3veis (ITBI) somente ocorre com a efetiva transfer\u00eancia da propriedade imobili\u00e1ria, que se d\u00e1 mediante o registro&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, h\u00e1 uma diferencia\u00e7\u00e3o entre i) o momento do recolhimento antecipado do ITBI (em 2012), por for\u00e7a de Lei Complementar Municipal, de modo que n\u00e3o poderia a empresa se escusar do pagamento, e ii) o momento do registro da transfer\u00eancia do im\u00f3vel (2015), o que configura o fato gerador. Se houve recolhimento em favor de munic\u00edpio que posteriormente se comprovou que n\u00e3o \u00e9 o sujeito ativo, deve ocorrer a repeti\u00e7\u00e3o do ind\u00e9bito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-resultado-final\"><a>13.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O fato gerador de ITBI \u00e9 o registro no of\u00edcio competente da transmiss\u00e3o da propriedade do im\u00f3vel, mesmo no caso de cis\u00e3o de empresa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-incidencia-do-imposto-de-renda-sobre-os-juros-de-mora-devidos-pelo-atraso-no-pagamento-de-remuneracao-por-exercicio-de-emprego-cargo-ou-funcao\"><a>14.&nbsp; Incid\u00eancia do imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remunera\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de emprego, cargo ou fun\u00e7\u00e3o.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o incide <a>imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remunera\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de emprego, cargo ou fun\u00e7\u00e3o.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no REsp 1.494.279-RS, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 28\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nerso ajuizou reclamat\u00f3ria trabalhista na qual foi determinado o pagamento de remunera\u00e7\u00f5es atrasadas. Ocorre que, sobre os juros de mora devidos em raz\u00e3o do atraso, houve a incid\u00eancia de IRPF.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o chegou ao STJ por meio de recurso especial da Uni\u00e3o foi provido para se reconhecer a incid\u00eancia de imposto de renda sobre os juros de mora sobre os valores recebidos por for\u00e7a da reclamat\u00f3ria trabalhista. Por\u00e9m, estava pendente de julgamento o RE 855.091 RG\/SC, sob a sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral (Tema 808) pelo STF&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.040. Publicado o ac\u00f3rd\u00e3o paradigma:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>II &#8211; o \u00f3rg\u00e3o que proferiu o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido, na origem, reexaminar\u00e1 o processo de compet\u00eancia origin\u00e1ria, a remessa necess\u00e1ria ou o recurso anteriormente julgado, se o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido contrariar a orienta\u00e7\u00e3o do tribunal superior;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-incide-o-ir-sobre-os-juros-de-mora\"><a>14.2.2. Incide o IR sobre os juros de mora?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cuida-se de recurso especial interposto pela Uni\u00e3o e de recurso especial adesivo de contribuinte.<\/p>\n\n\n\n<p>O recurso especial da Uni\u00e3o foi provido para se reconhecer a incid\u00eancia de imposto de renda sobre os juros de mora sobre os valores recebidos por for\u00e7a da reclamat\u00f3ria trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 855.091 RG\/SC, sob a sistem\u00e1tica da repercuss\u00e3o geral (Tema 808), firmou a tese de que &#8220;n\u00e3o incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remunera\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de emprego, cargo ou fun\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse panorama, <strong>observado o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a quest\u00e3o, adota-se a referida tese no exerc\u00edcio do ju\u00edzo de retrata\u00e7\u00e3o plasmado no art. 1.040, II, do <a>CPC\/2015<\/a>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remunera\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de emprego, cargo ou fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-do-consumidor\"><a>DIREITO DO CONSUMIDOR<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-liquidacao-de-sentenca-coletiva-promovida-pelo-mp-e-interrupcao-de-prazo-prescricional-para-o-exercicio-da-pretensao-individual-de-liquidacao-e-execucao\"><a>15.&nbsp; Liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva promovida pelo MP e interrup\u00e7\u00e3o de prazo prescricional para o exerc\u00edcio da pretens\u00e3o individual de liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva, promovida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de interromper o prazo <a>prescricional para o exerc\u00edcio da pretens\u00e3o individual de liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o <\/a>pelas v\u00edtimas e seus sucessores.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.758.708-MS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 20\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MPE ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra o Centro de Ensino Campo Largo tendo sido o r\u00e9u condenado a ressarcir alguns acad\u00eamicos de parcelas contratuais exigidas destes com base em cl\u00e1usulas decretadas nulas.<\/p>\n\n\n\n<p>O ac\u00f3rd\u00e3o proferido na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica transitou em julgado em 12\/08\/2009; em 2010, o Minist\u00e9rio P\u00fablico requereu a liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a, tendo sido declarada a sua ilegitimidade para tanto, em ac\u00f3rd\u00e3o publicado em 2015; e, em 2016, Nirse, uma das prejudicadas, promoveu a liquida\u00e7\u00e3o individual correspondente. Por\u00e9m, o Centro de Ensino alega ter ocorrido a prescri\u00e7\u00e3o da pretens\u00e3o de ressarcimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CDC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 99. Em caso de concurso de cr\u00e9ditos decorrentes de condena\u00e7\u00e3o prevista na Lei n.\u00b0 7.347, de 24 de julho de 1985 e de indeniza\u00e7\u00f5es pelos preju\u00edzos individuais resultantes do mesmo evento danoso, estas ter\u00e3o prefer\u00eancia no pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Para efeito do disposto neste artigo, a destina\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia recolhida ao fundo criado pela Lei n\u00b07.347 de 24 de julho de 1985, ficar\u00e1 sustada enquanto pendentes de decis\u00e3o de segundo grau as a\u00e7\u00f5es de indeniza\u00e7\u00e3o pelos danos individuais, salvo na hip\u00f3tese de o patrim\u00f4nio do devedor ser manifestamente suficiente para responder pela integralidade das d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 100. Decorrido o prazo de um ano sem habilita\u00e7\u00e3o de interessados em n\u00famero compat\u00edvel com a gravidade do dano, poder\u00e3o os legitimados do art. 82 promover a liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da indeniza\u00e7\u00e3o devida.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. O produto da indeniza\u00e7\u00e3o devida reverter\u00e1 para o fundo criado pela Lei n.\u00b0 7.347, de 24 de julho de 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/15:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 927. Os ju\u00edzes e os tribunais observar\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Na hip\u00f3tese de altera\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modula\u00e7\u00e3o dos efeitos da altera\u00e7\u00e3o no interesse social e no da seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-interrompe-o-prazo-das-pretensoes-individuais\"><a>15.2.2. Interrompe o prazo das pretens\u00f5es individuais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia em decidir se a liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva, promovida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, tem o cond\u00e3o de interromper o prazo prescricional para o exerc\u00edcio da pretens\u00e3o individual de liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o pelas v\u00edtimas e seus sucessores.<\/p>\n\n\n\n<p>O objeto da liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a coletiva, exarada em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica que versa sobre direitos individuais homog\u00eaneos, \u00e9 mais amplo, porque nela se inclui a pretens\u00e3o do requerente de obter o reconhecimento de sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima\/sucessor e da exist\u00eancia do dano individual alegado, al\u00e9m da pretens\u00e3o de apurar o quanto lhe \u00e9 devido (<em>quantum debeatur<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ressalvada a hip\u00f3tese da repara\u00e7\u00e3o fluida do art. 100 do <a>CDC, <\/a>o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade para promover a liquida\u00e7\u00e3o correspondente aos danos individualmente sofridos pelas v\u00edtimas ou sucessores, tampouco para promover a execu\u00e7\u00e3o coletiva da senten\u00e7a, sem a pr\u00e9via liquida\u00e7\u00e3o individual<\/strong>, incumbindo a estes &#8211; v\u00edtimas e\/ou sucessores &#8211; exercer a respectiva pretens\u00e3o, a contar da senten\u00e7a coletiva condenat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a ilegitimidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico se revela porque: (i) a liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva visa a transformar a condena\u00e7\u00e3o pelos preju\u00edzos globalmente causados em indeniza\u00e7\u00f5es pelos danos particularmente sofridos, tendo, pois, por objeto os direitos individuais dispon\u00edveis dos eventuais beneficiados; (ii) a legitimidade das v\u00edtimas e seus sucessores prefere \u00e0 dos elencados no rol do art. 82 do CDC, conforme prev\u00ea o art. 99 do CDC; (iii) a legitima\u00e7\u00e3o para promover a liquida\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 subsidi\u00e1ria, na forma do art. 100 do CDC, e os valores correspondentes reverter\u00e3o em favor do Fundo Federal de Direitos Difusos, ou de seus equivalentes em n\u00edvel estadual e\/ou municipal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que se admita a possibilidade de o Minist\u00e9rio P\u00fablico promover a execu\u00e7\u00e3o coletiva, esta execu\u00e7\u00e3o coletiva a que se refere o art. 98 diz respeito aos danos individuais j\u00e1 liquidados.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, uma vez conclu\u00edda a fase de conhecimento, o interesse coletivo, que autoriza o Minist\u00e9rio P\u00fablico a propor a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica na defesa de direitos individuais homog\u00eaneos, enquanto legitimado extraordin\u00e1rio, cede lugar, num primeiro momento, ao interesse estritamente individual e dispon\u00edvel, cuja liquida\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser perseguida pela institui\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o pelos pr\u00f3prios titulares. Num segundo momento, depois de passado um ano sem a habilita\u00e7\u00e3o dos interessados em n\u00famero compat\u00edvel com a gravidade do dano, a legisla\u00e7\u00e3o autoriza a liquida\u00e7\u00e3o coletiva &#8211; e, em consequ\u00eancia, a respectiva execu\u00e7\u00e3o &#8211; pelo<em>&nbsp;Parquet<\/em>, voltada \u00e0 quantifica\u00e7\u00e3o da repara\u00e7\u00e3o fluida, porque desse cen\u00e1rio exsurge, novamente, o interesse p\u00fablico na persegui\u00e7\u00e3o do efetivo ressarcimento dos preju\u00edzos globalmente causados pelo r\u00e9u, a fim de evitar o enriquecimento sem causa do fornecedor que atentou contra as normas jur\u00eddicas de car\u00e1ter p\u00fablico, lesando os consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>Consequ\u00eancia direta da conclus\u00e3o de que n\u00e3o cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico promover a liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva para satisfazer, um a um, os interesses individuais dispon\u00edveis das v\u00edtimas ou seus sucessores, por se tratar de pretens\u00e3o n\u00e3o amparada no CDC e que foge \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es institucionais do Parquet, \u00e9 reconhecer que esse requerimento &#8211; acaso seja feito &#8211; n\u00e3o \u00e9 apto a interromper a prescri\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio da respectiva pretens\u00e3o pelos verdadeiros titulares do direito tutelado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem \u00e0 seguran\u00e7a jur\u00eddica e ao interesse social que envolve a quest\u00e3o, e diante da exist\u00eancia de julgados anteriores desta Corte, nos quais se reconheceu a interrup\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o em hip\u00f3teses an\u00e1logas \u00e0 destes autos, gerando nos jurisdicionados uma expectativa leg\u00edtima nesse sentido, faz-se a modula\u00e7\u00e3o dos efeitos desta decis\u00e3o, com base no \u00a7 3\u00ba do art. 927 do <a>CPC\/15<\/a>, para decretar a efic\u00e1cia prospectiva do novo entendimento, atingindo apenas as situa\u00e7\u00f5es futuras, ou seja, as a\u00e7\u00f5es civil p\u00fablicas cuja senten\u00e7a seja posterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o deste ac\u00f3rd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conv\u00e9m alertar que a liquida\u00e7\u00e3o das futuras senten\u00e7as coletivas, exaradas nas a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas propostas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e relativas a direitos individuais homog\u00eaneos, dever\u00e3o ser promovidas pelas respectivas v\u00edtimas e seus sucessores, independentemente da eventual atua\u00e7\u00e3o do<em>&nbsp;Parquet<\/em>, sob pena de se sujeitarem os beneficiados \u00e0 decreta\u00e7\u00e3o da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A liquida\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a coletiva, promovida pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, n\u00e3o tem o cond\u00e3o de interromper o prazo prescricional para o exerc\u00edcio da pretens\u00e3o individual de liquida\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o pelas v\u00edtimas e seus sucessores.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-ambiental\"><a>DIREITO AMBIENTAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-i-licitude-da-queima-da-palha-de-cana-de-acucar-em-atividades-agroindustriais-na-vigencia-da-lei-n-4-771-1965\"><a>16.&nbsp; (I)Licitude da queima da palha de cana-de-a\u00e7\u00facar em atividades agroindustriais na vig\u00eancia da Lei n. 4.771\/1965<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>RECURSO ESPECIAL <\/strong><\/a><strong>(IMPORTANTE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sob a vig\u00eancia da <a>Lei n. 4.771\/1965<\/a>, \u00e9 l\u00edcita a <a>queima da palha de cana-de-a\u00e7\u00facar em atividades agroindustriais<\/a>, desde que devidamente autorizada pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental competente e com a observ\u00e2ncia da responsabilidade civil por eventuais danos de qualquer natureza causados ao meio ambiente ou a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.443.290-GO, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 19\/04\/2022, DJe 28\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MP ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em raz\u00e3o de empresas do setor agroindustrial se valerem da queima da palha da cana-de-a\u00e7\u00facar como ato preparat\u00f3rio para o cultivo e a colheita nos canaviais, o que resultou na libera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos que poluem o meio ambiente e causam danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>A a\u00e7\u00e3o foi julgada improcedente em segundo grau, pois as r\u00e9s estariam amparadas por autoriza\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica para proceder \u00e0 queima controlada da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o MP interp\u00f4s recurso especial alegando que o ac\u00f3rd\u00e3o recorrido deu interpreta\u00e7\u00e3o equivocada ao artigo 27 da Lei n. 4.771\/1965 (antigo C\u00f3digo Florestal) e ao artigo 16 do Decreto n. 2.661\/1998, uma vez que as referidas normas s\u00f3 se destinariam \u00e0 sobreviv\u00eancia de pequenos produtores rurais, e n\u00e3o albergaria atividades empresariais (agroindustriais).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Decreto n. 2.661\/1998:<\/p>\n\n\n\n<p>Art 16. O emprego do fogo, como m\u00e9todo despalhador e facilitador do corte de cana-de-a\u00e7\u00facar em \u00e1reas pass\u00edveis de mecaniza\u00e7\u00e3o da colheita, ser\u00e1 eliminado de forma gradativa, n\u00e3o podendo a redu\u00e7\u00e3o ser inferior a um quarto da \u00e1rea mecaniz\u00e1vel de cada unidade agroindustrial ou propriedade n\u00e3o vinculada a unidade agroindustrial, a cada per\u00edodo de cinco anos, contados da data de publica\u00e7\u00e3o deste Decreto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-validas-para-as-atividades-agroindustriais\"><a>16.2.2. V\u00e1lidas para as atividades agroindustriais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na origem, trata-se de<a> a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Goi\u00e1s, em raz\u00e3o de empresas do setor agroindustrial se valerem da queima da palha da cana-de-a\u00e7\u00facar como ato preparat\u00f3rio para o cultivo e a colheita nos canaviais, o que resultou na libera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos que poluem o meio ambiente e causam danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 27 da <a>Lei n. 4.771\/1965<\/a>, j\u00e1 revogado, mas que se aplica ao caso em raz\u00e3o do princ\u00edpio&nbsp;<em>tempus regit actum<\/em>, dipunha que: Art. 27. \u00c9 proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegeta\u00e7\u00e3o. Par\u00e1grafo \u00fanico. Se peculiaridades locais ou regionais justificarem o emprego do fogo em pr\u00e1ticas agropastoris ou florestais, a permiss\u00e3o ser\u00e1 estabelecida em ato do Poder P\u00fablico, circunscrevendo as \u00e1reas e estabelecendo normas de precau\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 27 da Lei n. 4.771\/1965, foi regulamentado pelo Decreto n. 2.661, de julho de 1998, que <strong>estabeleceu normas de precau\u00e7\u00e3o relativas ao emprego de fogo em pr\u00e1ticas agropastoris e florestais, mediante autoriza\u00e7\u00e3o de Queima Controlada, conforme se observa inicialmente da reda\u00e7\u00e3o do artigo 2\u00ba, contido no Cap\u00edtulo II, que trata da Permiss\u00e3o do Emprego do Fogo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O artigo 16 do <a>Decreto n. 2.661\/1998<\/a>, por sua vez, tratou especificamente da redu\u00e7\u00e3o gradativa do emprego do fogo, como m\u00e9todo despalhador e facilitador do corte de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n\n\n\n<p>A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ e das Turmas que a comp\u00f5em, j\u00e1 sob a vig\u00eancia do Decreto n. 2.661\/1998, manifestaram-se sobre a interpreta\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 27 da Lei n. 4.771\/1965 e a respeito do Decreto Federal n. 2.661\/1998, tendo sido assentada a compreens\u00e3o segundo a qual, n\u00e3o obstante preju\u00edzos inequ\u00edvocos \u00e0 qualidade do meio ambiente, \u00e9 l\u00edcita a queima da palha de cana-de-a\u00e7\u00facar, desde que devidamente autorizada pelo \u00d3rg\u00e3o ambiental competente e com a observ\u00e2ncia da responsabilidade civil por eventuais danos de qualquer natureza causados ao meio ambiente ou a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se desconhece que h\u00e1 dois julgados da Segunda Turma desta Corte Superior que enfrentaram a quest\u00e3o e nos quais foi fixado o entendimento de que a atividade desenvolvida pela agroind\u00fastria n\u00e3o se amoldaria ao conceito de atividade agropastoril. Confiram-se: REsp 1.285.463\/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 28\/02\/2012, DJe 6\/3\/2012; e o AgRg nos EDcl no REsp 1.094.873\/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 4\/8\/2009, DJe 17\/8\/2009.<\/p>\n\n\n\n<p>Evidencia-se, entretanto, que a Primeira e Segunda Turmas mantiveram o entendimento segundo o qual Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pode autorizar a queima das palhas da cana-de-a\u00e7\u00facar em atividades agr\u00edcolas industriais, desde que se atente para determinados requisitos que viabilizem amenizar e recuperar os danos ao meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Sob a vig\u00eancia da Lei n. 4.771\/1965, \u00e9 l\u00edcita a queima da palha de cana-de-a\u00e7\u00facar em atividades agroindustriais, desde que devidamente autorizada pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental competente e com a observ\u00e2ncia da responsabilidade civil por eventuais danos de qualquer natureza causados ao meio ambiente ou a terceiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-abrangencia-da-indenizacao-de-dano-ambiental\"><a>17.&nbsp; Abrang\u00eancia da indeniza\u00e7\u00e3o de dano ambiental<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A indeniza\u00e7\u00e3o de dano ambiental deve abranger a totalidade dos danos causados, n\u00e3o sendo poss\u00edvel ser decotadas em seu c\u00e1lculo despesas referentes \u00e0 atividade empresarial (impostos e outras).<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.923.855-SC, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022, DJe 28\/04\/2022.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Uni\u00e3o ajuizou ACP objetivando condena\u00e7\u00e3o de Adirson na obriga\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1rea degradada e ao pagamento de valor total do lucro obtido com a extra\u00e7\u00e3o ilegal de areia e argila.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal local fixou a indeniza\u00e7\u00e3o no montante de 50% do faturamento total da empresa proveniente da extra\u00e7\u00e3o irregular do min\u00e9rio, consideradas as despesas referentes \u00e0 atividade empresarial (impostos e outras).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-possiveis-os-descontos\"><a>17.2.1. Poss\u00edveis os descontos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na origem <a>trata-se de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica ajuizada pela Uni\u00e3o objetivando condena\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us na obriga\u00e7\u00e3o de restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1rea degradada e ao pagamento de valor total do lucro obtido com a extra\u00e7\u00e3o ilegal de areia e argila.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal&nbsp;<em>a quo<\/em>&nbsp;fixou a indeniza\u00e7\u00e3o no montante de 50% (cinquenta por cento) do faturamento total da empresa proveniente da extra\u00e7\u00e3o irregular do min\u00e9rio, porquanto consideradas as despesas referentes \u00e0 atividade empresarial (impostos e outras).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a indeniza\u00e7\u00e3o deve abranger a totalidade dos danos causados ao ente federal, sob pena de frustrar o car\u00e1ter pedag\u00f3gico-punitivo da san\u00e7\u00e3o e incentivar a impunidade de empresa infratora, que praticou conduta grave com a extra\u00e7\u00e3o mineral irregular, fato incontroverso nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese analisada, <strong>o valor indicado em sede administrativa \u00e9 incontroverso, encontrado ap\u00f3s detida an\u00e1lise, inclusive mediante imagens de sat\u00e9lite, sendo o estimado como o de mercado ao tempo da extra\u00e7\u00e3o, a representar 100% do valor obtido com a extra\u00e7\u00e3o ilegal, no que entende-se pela desnecessidade de apura\u00e7\u00e3o em sede de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-resultado-final\"><a>17.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A indeniza\u00e7\u00e3o de dano ambiental deve abranger a totalidade dos danos causados, n\u00e3o sendo poss\u00edvel ser decotadas em seu c\u00e1lculo despesas referentes \u00e0 atividade empresarial (impostos e outras).<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-im-possibilidade-da-valoracao-da-quantidade-e-natureza-da-droga-apreendida-para-a-fixacao-da-pensa-base-ou-modulacao-da-causa-de-diminuicao-prevista-no-art-33-4\u00ba-da-lei-n-11-343-2006\"><a>18.&nbsp; (Im)Possibilidade da valora\u00e7\u00e3o da quantidade e natureza da droga apreendida para a fixa\u00e7\u00e3o da pensa-base ou modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><a><strong>HABEAS CORPUS <\/strong><\/a><strong>(IMPORTANTE)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a <a>valora\u00e7\u00e3o da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a fixa\u00e7\u00e3o da pena-base quanto para a <\/a><a>modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista <\/a><a>no <\/a><a>art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006<\/a>, neste \u00faltimo caso ainda que sejam os \u00fanicos elementos aferidos, desde que n\u00e3o tenham sidos considerados na primeira fase do c\u00e1lculo da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 725.534-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Se\u00e7\u00e3o, por maioria, julgado em 27\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho, r\u00e9u prim\u00e1rio, de bons antecedentes e alegadamente sem liga\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es criminosas, foi condenado pelo crime de tr\u00e1fico de drogas. No entanto, o juiz de primeiro grau afastou o redutor do tr\u00e1fico privilegiado por entender que a expressiva quantidade de droga apreendida (147 quilos de maconha) n\u00e3o qualificaria o r\u00e9u como pequeno e iniciante no com\u00e9rcio il\u00edcito de entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor \u00e0 venda, oferecer, ter em dep\u00f3sito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autoriza\u00e7\u00e3o ou em desacordo com determina\u00e7\u00e3o legal ou regulamentar:<\/p>\n\n\n\n<p>Pena &#8211; reclus\u00e3o de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 4\u00ba Nos delitos definidos no caput e no \u00a7 1\u00ba deste artigo, as penas poder\u00e3o ser reduzidas de um sexto a dois ter\u00e7os,&nbsp;vedada a convers\u00e3o em penas restritivas de direitos&nbsp;,&nbsp;desde que o agente seja prim\u00e1rio, de bons antecedentes, n\u00e3o se dedique \u00e0s atividades criminosas nem integre organiza\u00e7\u00e3o criminosa.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-possivel-a-valoracao-da-quantidade-de-droga-apreendida-para-a-modulacao-da-causa-de-diminuicao-prevista-no-art-33-4\u00ba-da-lei-n-11-343-2006\"><a>18.2.2. Poss\u00edvel a valora\u00e7\u00e3o da quantidade de droga apreendida para a modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do EREsp 1.887.511\/SP, da Relatoria do Ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, fixou as seguintes diretrizes para a aplica\u00e7\u00e3o do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da <a>Lei n. 11.343\/2006<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;1 &#8211; A natureza e a quantidade das drogas apreendidas s\u00e3o fatores a serem necessariamente considerados na fixa\u00e7\u00e3o da pena-base, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343\/2006.<\/p>\n\n\n\n<p>2 &#8211; Sua utiliza\u00e7\u00e3o supletiva na terceira fase da dosimetria da pena, para afastamento da diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista no \u00a7 3\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2016, somente pode ocorrer quando esse vetor conjugado com outras circunst\u00e2ncias do caso concreto que, unidas, caracterizem a dedica\u00e7\u00e3o do agente \u00e0 atividade criminosa ou a integra\u00e7\u00e3o a organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n\n\n\n<p>3 &#8211; Podem ser utilizadas para modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista no \u00a7 4\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006 quaisquer circunst\u00e2ncias judiciais n\u00e3o preponderantes, previstas no art. 59 do C\u00f3digo Penal, desde que n\u00e3o utilizadas na primeira etapa, para fixa\u00e7\u00e3o da pena-base&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenha externado, in\u00fameras vezes, sobre a impossibilidade de se aplicar a minorante especial da Lei de Drogas nos casos de apreens\u00f5es de gigantescas quantidades de drogas &#8211; p. ex. toneladas, 200 ou 300 kg &#8211; por ser deduz\u00edvel que apenas uma pessoa envolvida habitualmente com a trafic\u00e2ncia teria acesso a esse montante de entorpecente, a quest\u00e3o n\u00e3o merece discuss\u00e3o, uma vez que est\u00e1 superada, diante do posicionamento contr\u00e1rio do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, proponho a revis\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es estabelecidas nos itens 1 e 2 do EREsp 1.887.511\/SP, especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aferi\u00e7\u00e3o supletiva da quantidade e da natureza da droga na terceira fase da dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do ARE 666.334\/AM, de Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, o Pleno do STF, em an\u00e1lise da mat\u00e9ria reconhecida como de repercuss\u00e3o geral, reafirmou a jurisprud\u00eancia de que &#8220;as circunst\u00e2ncias da natureza e da quantidade da droga apreendida devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o apenas em uma das fases do c\u00e1lculo da pena&#8221;. O resultado do julgado foi assim proclamado: &#8220;Tese: As circunst\u00e2ncias da natureza e da quantidade da droga apreendida devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o apenas em uma das fases do c\u00e1lculo da pena.&nbsp;Tema 712: Possibilidade, em caso de condena\u00e7\u00e3o pelo delito de tr\u00e1fico de drogas, de valora\u00e7\u00e3o da quantidade e da natureza da droga apreendida, tanto para a fixa\u00e7\u00e3o da pena-base quanto para a modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, <strong>diante da orienta\u00e7\u00e3o consolidada h\u00e1 tempos pelas Cortes Superiores, n\u00e3o parece adequado o acolhimento da proposta do uso apenas supletivo da quantidade e da natureza da droga na terceira fase da dosimetria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de tal posicionamento, resultar\u00e1, em regra, na imposi\u00e7\u00e3o de penas diminutas &#8211; abaixo do patamar de 4 anos de reclus\u00e3o, como decorr\u00eancia da incid\u00eancia da minorante no grau m\u00e1ximo, ressalvados, obviamente, os casos de traficantes reincidentes ou integrantes de grupos criminosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob tal contexto, <strong>prop\u00f5e-se a manuten\u00e7\u00e3o do entendimento anterior desta Corte, acolhido em repercuss\u00e3o geral pelo STF, no julgamento do ARE 666.334\/AM, sobre a possibilidade de valora\u00e7\u00e3o da quantidade e da natureza da droga apreendida, tanto para a fixa\u00e7\u00e3o da pena-base quanto para a modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei 11.343\/2006 &#8211; neste \u00faltimo caso ainda que sejam os \u00fanicos elementos aferidos -, desde que n\u00e3o tenha sido considerada na primeira fase do c\u00e1lculo da pena.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, <a>o Juiz de origem afastou o redutor do tr\u00e1fico privilegiado por entender que a expressiva quantidade de droga apreendida (147 quilos de maconha) n\u00e3o qualificaria o r\u00e9u como pequeno e iniciante no com\u00e9rcio il\u00edcito de entorpecentes. <\/a>Contudo, o STF tem posicionamento firme de que &#8220;A quantidade de droga apreendida n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, fundamento id\u00f4neo para afastamento da minorante do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006&#8221; (RHC 138.117 AgR, Relatora: Rosa Weber, Primeira Turma, publicado em 6\/4\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, verificado o atendimento dos requisitos do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei de Drogas, reduz-se a pena em 1\/6, atento ao disposto no art. 42 da Lei n. 11.343.2006 (expressiva quantidade de droga apreendida).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para compreender!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Mat\u00e9ria<\/strong><strong>\u200b<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Exemplos<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Se\u00e7\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Turmas<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Direito p\u00fablico<\/strong><\/td><td>Impostos, previd\u00eancia, servidores p\u00fablicos, indeniza\u00e7\u00f5es do Estado, improbidade<\/td><td>Primeira<\/td><td>Primeira e Segunda<\/td><\/tr><tr><td><strong>Direito privado<\/strong><\/td><td>Com\u00e9rcio, consumo, contratos, fam\u00edlia, sucess\u00f5es<\/td><td>Segunda<\/td><td>Terceira e Quarta<\/td><\/tr><tr><td><strong>Direito penal<\/strong><\/td><td>Crimes em geral, federaliza\u00e7\u00e3o de crimes contra direitos humanos<\/td><td>Terceira<\/td><td>Quinta e Sexta<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel a valora\u00e7\u00e3o da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a fixa\u00e7\u00e3o da pena-base quanto para a modula\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o prevista no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, neste \u00faltimo caso ainda que sejam os \u00fanicos elementos aferidos, desde que n\u00e3o tenham sidos considerados na primeira fase do c\u00e1lculo da pena.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-reconhecimento-da-continuidade-delitiva-e-obrigatoriedade-de-reducao-da-pena-definitiva-fixada-em-cumulo-material\"><a>19.&nbsp; Reconhecimento da continuidade delitiva e obrigatoriedade de redu\u00e7\u00e3o da pena definitiva fixada em c\u00famulo material<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>reconhecimento da continuidade delitiva n\u00e3o importa na obrigatoriedade de redu\u00e7\u00e3o da pena definitiva fixada em c\u00famulo material<\/a>, porquanto h\u00e1 possibilidade de aumento do delito mais gravoso em at\u00e9 o triplo, nos termos do art. 71, par\u00e1grafo \u00fanico, in fine, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 301.882-RJ, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 19\/04\/2022, DJe 26\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ti\u00e3o foi condenado a 30 anos de reclus\u00e3o, em c\u00famulo material de dois delitos de homic\u00eddio qualificado com decapita\u00e7\u00e3o e esquartejamento das v\u00edtimas. Em recurso de apela\u00e7\u00e3o, foi reconhecido crime continuado, mas sem altera\u00e7\u00e3o na pena final, porquanto aplicado o aumento por continuidade delitiva para dobrar a pena de 15 anos, nos termos do art. 71, par\u00e1grafo \u00fanico, in fine, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa ajuizou ainda revis\u00e3o criminal, que foi julgada parcialmente procedente para afastar o c\u00famulo material, sem reflexo na pena. N\u00e3o satisfeita, a defesa impetrou Habeas Corpus no qual sustenta ser desproporcional a aplica\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de 1\/2 para a continuidade delitiva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 71 &#8211; Quando o agente, mediante mais de uma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, pratica dois ou mais crimes da mesma esp\u00e9cie e, pelas condi\u00e7\u00f5es de tempo, lugar, maneira de execu\u00e7\u00e3o e outras semelhantes, devem os subseq\u00fcentes ser havidos como continua\u00e7\u00e3o do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um s\u00f3 dos crimes, se id\u00eanticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois ter\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Nos crimes dolosos, contra v\u00edtimas diferentes, cometidos com viol\u00eancia ou grave amea\u00e7a \u00e0 pessoa, poder\u00e1 o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as circunst\u00e2ncias, aumentar a pena de um s\u00f3 dos crimes, se id\u00eanticas, ou a mais grave, se diversas, at\u00e9 o triplo, observadas as regras do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 70 e do art. 75 deste C\u00f3digo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-obrigatoria-a-reducao\"><a>19.2.2. Obrigat\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nana-nina-N\u00c3O!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o <a>agente foi condenado a 30 anos de reclus\u00e3o, em c\u00famulo material de dois delitos de homic\u00eddio qualificado com decapita\u00e7\u00e3o e esquartejamento das v\u00edtimas. Em recurso de apela\u00e7\u00e3o, foi reconhecido crime continuado, mas sem altera\u00e7\u00e3o na pena final, porquanto aplicado o aumento por continuidade delitiva para dobrar a pena de 15 anos, nos termos do art. 71, par\u00e1grafo \u00fanico,&nbsp;<em>in fine<\/em>, do <\/a><a>C\u00f3digo Penal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, \u00e9 pac\u00edfica a distin\u00e7\u00e3o entre os institutos da continuidade delitiva e da pena-base, a despeito de aparentemente partilharem a necessidade de valora\u00e7\u00e3o de vetoriais semelhantes, mesmo porque cada crime permanece independente na cadeia delitiva, tanto que se permite dosimetrias distintas para cada evento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A distin\u00e7\u00e3o entre os referidos institutos &#8211; a saber, pena-base e continuidade delitiva &#8211; permite, inclusive, a valora\u00e7\u00e3o da mesma circunst\u00e2ncia f\u00e1tica sob dois aspectos distintos, sem infring\u00eancia ao princ\u00edpio do&nbsp;<em>ne bis in idem<\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o reconhecimento da continuidade delitiva n\u00e3o importa na obrigatoriedade de redu\u00e7\u00e3o da pena definitiva fixada em c\u00famulo material, porquanto h\u00e1 possibilidade de aumento do delito mais gravoso em at\u00e9 o triplo, conforme o trecho do dispositivo acima citado.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, mantida a pena definitiva no mesmo montante, modificados somente os institutos penais sem o decote de qualquer vetorial negativa ou causa de aumento, n\u00e3o h\u00e1 de se falar em&nbsp;<em>reformatio in pejus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Frisa-se, na mesma linha, a manifesta\u00e7\u00e3o da Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, para quem &#8220;n\u00e3o houve nova valora\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias judiciais na primeira fase da dosimetria da pena, mas apenas o apontamento de elementos concretos para fundamentar o patamar aplicado em raz\u00e3o da continuidade delitiva, nos exatos termos do art. 71, par\u00e1grafo \u00fanico, do Estatuto Repressivo, n\u00e3o havendo cogitar-se&nbsp;<em>de reformatio in pejus<\/em>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O reconhecimento da continuidade delitiva n\u00e3o importa na obrigatoriedade de redu\u00e7\u00e3o da pena definitiva fixada em c\u00famulo material, porquanto h\u00e1 possibilidade de aumento do delito mais gravoso em at\u00e9 o triplo, nos termos do art. 71, par\u00e1grafo \u00fanico, in fine, do C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-denuncia-anonima-como-razao-para-ingresso-dos-policiais-na-residencia-do-investigado-por-trafico-de-drogas\"><a>20.&nbsp; Den\u00fancia an\u00f4nima como raz\u00e3o para ingresso dos policiais na resid\u00eancia do investigado por tr\u00e1fico de drogas.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DECLARAT\u00d3RIOS NO RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia an\u00f4nima acerca da ocorr\u00eancia de tr\u00e1fico de drogas acompanhada das dilig\u00eancias para a constata\u00e7\u00e3o da veracidade das informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias podem caracterizar as fundadas raz\u00f5es para o <a>ingresso dos policiais na resid\u00eancia do investigado<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg nos EDcl no RHC 143.066-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 19\/04\/2022, DJe 22\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma den\u00fancia an\u00f4nima acerca da exist\u00eancia de tr\u00e1fico de drogas, os policiais realizaram dilig\u00eancias para a constata\u00e7\u00e3o da veracidade da den\u00fancia e, com base em fundadas raz\u00f5es sobre a exist\u00eancia da pr\u00e1tica do delito, inclusive sobre a exist\u00eancia de um &#8220;disque-drogas&#8221;, ingressaram na resid\u00eancia do investigado Creitinho, encontraram o entorpecente e realizaram o flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa impetrou Habeas Corpus alegando a nulidade do ingresso dos policiais na resid\u00eancia de Creitinho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-tudo-certo-arnaldo\"><a>20.2.1. Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, registre-se que <strong>o ingresso de agentes p\u00fablicos em resid\u00eancias sem ordem judicial ou autoriza\u00e7\u00e3o de morador, nos termos da jurisprud\u00eancia do STJ e do Supremo Tribunal Federal, deve estar amparado em FUNDADAS RAZ\u00d5ES, devidamente justificadas pelas circunst\u00e2ncias do caso concreto, que indiquem estar ocorrendo, no interior da casa, situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem-se que em decorr\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es anteriores no sentido de que haviam ind\u00edcios pr\u00e9vios de trafic\u00e2ncia naquele local, o que foi confirmado pela abordagem policial que diligenciou ao local para investiga\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da apreens\u00e3o de quantidade expressiva de droga, verifica-se a exist\u00eancia de justa causa para a atua\u00e7\u00e3o dos agentes, cujos atos s\u00e3o revestidos de f\u00e9 p\u00fablica, sobretudo quando seus depoimentos se mostram coerentes e compat\u00edveis com as demais provas dos autos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-resultado-final\"><a>20.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A den\u00fancia an\u00f4nima acerca da ocorr\u00eancia de tr\u00e1fico de drogas acompanhada das dilig\u00eancias para a constata\u00e7\u00e3o da veracidade das informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias podem caracterizar as fundadas raz\u00f5es para o ingresso dos policiais na resid\u00eancia do investigado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-nulidade-do-julgamento-em-que-o-magistrado-proferiu-expressoes-ofensivas-desrespeitosas-e-pejorativas-proferidas-pelo-magistrado-na-sessao-de-julgamento-contra-a-honra-do-jurisdicionado\"><a>21.&nbsp; Nulidade do julgamento em que o magistrado proferiu express\u00f5es ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na sess\u00e3o de julgamento contra a honra do jurisdicionado<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a>Express\u00f5es ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na sess\u00e3o de julgamento contra a honra do jurisdicionado <\/a>que est\u00e1 sendo julgado, podem configurar causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 718.525-PR, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 26\/04\/2022. (Info 734)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-situacao-fatica\"><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tirso foi condenado pela pr\u00e1tica do crime de estupro de vulner\u00e1vel. Por\u00e9m, em Habeas Corpus, a defesa alega constrangimento ilegal no julgamento do recurso de apela\u00e7\u00e3o, aduzindo que o voto do revisor e relator para o ac\u00f3rd\u00e3o destituiu o paciente da condi\u00e7\u00e3o de ser humano, rebaixou-o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de animal, mediantes reiteradas ofensas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a defesa, o revisor e relator para o ac\u00f3rd\u00e3o referiu-se ao paciente como &#8216;animal&#8217; e &#8216;porco&#8217;, relatou que a v\u00edtima lembrou sua neta, que ficou &#8216;horrorizado&#8217; e &#8216;emocionado&#8217; com o depoimento da v\u00edtima. Afirmou, por fim, que jamais absolveria um \u201canimal\u201d dessa estirpe.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-analise-estrategica\"><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-questao-juridica\"><a>21.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CF\/88:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>LIV &#8211; ningu\u00e9m ser\u00e1 privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;<\/p>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;254.&nbsp;&nbsp;O juiz dar-se-\u00e1 por suspeito, e, se n\u00e3o o fizer, poder\u00e1 ser recusado por qualquer das partes:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I&nbsp;&#8211;&nbsp;se for amigo \u00edntimo ou inimigo capital de qualquer deles;<\/p>\n\n\n\n<p>Art.&nbsp;564.&nbsp;&nbsp;A nulidade ocorrer\u00e1 nos seguintes casos:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I&nbsp;&#8211;&nbsp;por incompet\u00eancia, suspei\u00e7\u00e3o ou suborno do juiz;<\/p>\n\n\n\n<p>Lei Complementar n. 35\/1979:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 35 &#8211; S\u00e3o deveres do magistrado:&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; tratar com urbanidade as partes, os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, os advogados, as testemunhas, os funcion\u00e1rios e auxiliares da Justi\u00e7a, e atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quanto se trate de provid\u00eancia que reclame e possibilite solu\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-pode-configurar-a-nulidade-absoluta\"><a>21.2.2. Pode configurar a nulidade absoluta?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que nenhum juiz seja axiologicamente neutro, n\u00e3o se pode negar que o envolvimento emocional (subjetivo) do juiz com as partes do processo e com o fato apurado pode interferir na sua imparcialidade, atributo que faz parte do &#8220;devido processo legal&#8221;, de base constitucional (art. 5\u00b0, LIV). N\u00e3o pode haver o devido processo legal sem a imparcialidade do julgador, cuja falta, se objetivamente positivada, implica nulidade por suspei\u00e7\u00e3o (arts. 254, I e 564, I, do <a>CPP<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O art. 35, IV, da <a>Lei Complementar n. 35\/1979<\/a>, Lei Org\u00e2nica da Magistratura Nacional, arrola como dever do magistrado &#8220;tratar com urbanidade as partes, os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, os advogados, as testemunhas, os funcion\u00e1rios e auxiliares da Justi\u00e7a, e atender aos que o procurarem, a qualquer momento, quanto se trate de provid\u00eancia que reclame e possibilite solu\u00e7\u00e3o de urg\u00eancia<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese &#8211; e aqui n\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o o fato criminoso imputado ao acusado, em termos de proced\u00eancia, de improced\u00eancia ou de indig\u00eancia probat\u00f3ria -, e com toda a v\u00eania que se imp\u00f5e, as desrespeitosas express\u00f5es que lhe foram dirigidas oralmente na sess\u00e3o de julgamento da apela\u00e7\u00e3o exorbitam claramente de uma mera quest\u00e3o de falta de urbanidade, para configurar vis\u00edvel falta de imparcialidade e, portanto, caso de nulidade por suspei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos (Pacto S\u00e3o Jos\u00e9) celebrado em S\u00e3o Jos\u00e9 da Costa Rica, em 22 de novembro de 1969, por ocasi\u00e3o da Confer\u00eancia especializada Interamericana sobre Direitos Humanos, aprovada pelo Decreto Legislativo n. 27\/1992, no art. 5.1 estipula que &#8220;toda pessoa tem o direito de que se respeite sua integridade f\u00edsica, ps\u00edquica e moral&#8221;, e no art. 5.2 estabelece que &#8220;ningu\u00e9m deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cru\u00e9is, desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada da liberdade deve ser tratada com o respeito devido \u00e0 dignidade inerente ao ser humano&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na parte em que trata das garantias judiciais, a Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos estabelece que &#8220;toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razo\u00e1vel, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apura\u00e7\u00e3o de qualquer acusa\u00e7\u00e3o penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obriga\u00e7\u00f5es de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza&#8221; (art. 8.1).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o consta no voto escrito condutor do ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de origem nenhuma ofensa ao r\u00e9u e, em nenhum momento o revisor utilizou termos pejorativos para denegrir a sua honra<strong>. Mas o fato \u00e9 que ofensas informadas pela defesa teriam ocorrido durante a sess\u00e3o de julgamento, por meio da manifesta\u00e7\u00e3o oral do revisor que proferiu o voto divergente, j\u00e1 que o relator optara pela absolvi\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia de provas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As express\u00f5es ofensivas, desrespeitosas e pejorativas do eminente revisor do Tribunal de origem, e Relator para o ac\u00f3rd\u00e3o, na sess\u00e3o de julgamento do recurso de apela\u00e7\u00e3o, contra a honra o acusado que estava sendo julgado, ainda que n\u00e3o tenham sido registradas em seu voto escrito, sen\u00e3o em manifesta\u00e7\u00e3o oral, mas induvidosas como fato processual documentado, constituem causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-3-resultado-final\"><a>21.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na sess\u00e3o de julgamento contra a honra do jurisdicionado que est\u00e1 sendo julgado, podem configurar causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada em todo e qualquer julgamento em um sistema acusat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-ffa01c43-b539-42b5-a7d9-ef375b3f6f25\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/17012832\/stj-734.pdf\">stj-734<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/05\/17012832\/stj-734.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-ffa01c43-b539-42b5-a7d9-ef375b3f6f25\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 734 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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