{"id":1014230,"date":"2022-04-24T16:08:29","date_gmt":"2022-04-24T19:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/?p=1014230"},"modified":"2022-04-24T16:08:32","modified_gmt":"2022-04-24T19:08:32","slug":"informativo-stj-731-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-731-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 731 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p><br \/>Informativo n\u00ba 731 do STJ\u00a0<strong>COMENTADO<\/strong>\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/04\/24160716\/stj-731.pdf\">DOWNLOAD do PDF AQUI!<\/a><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"lyte-wrapper\" style=\"width:853px;max-width:100%;margin:5px;\"><div class=\"lyMe\" id=\"WYL_YuYQiRE0c1c\"><div id=\"lyte_YuYQiRE0c1c\" data-src=\"\/\/i.ytimg.com\/vi\/YuYQiRE0c1c\/hqdefault.jpg\" class=\"pL\"><div class=\"tC\"><div class=\"tT\"><\/div><\/div><div class=\"play\"><\/div><div class=\"ctrl\"><div class=\"Lctrl\"><\/div><div class=\"Rctrl\"><\/div><\/div><\/div><noscript><a href=\"https:\/\/youtu.be\/YuYQiRE0c1c\" rel=\"nofollow\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/YuYQiRE0c1c\/0.jpg\" alt=\"YouTube video thumbnail\" width=\"853\" height=\"460\" \/><br \/>Assista a este v\u00eddeo no YouTube<\/a><\/noscript><\/div><\/div><div class=\"lL\" style=\"max-width:100%;width:853px;margin:5px;\"><\/div><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-administrativo\"><a>DIREITO ADMINISTRATIVO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-magistrado-em-licenca-capacitacao-no-exterior-e-vantagens-de-retribuicao-por-direcao-de-forum-e-gratificacao-pelo-exercicio-cumulado-de-jurisdicao-ou-acumulacao-de-acervo-processual\"><a>1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Magistrado em licen\u00e7a capacita\u00e7\u00e3o no exterior e vantagens de Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum e Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo Processual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O magistrado <a>em gozo de licen\u00e7a para capacita\u00e7\u00e3o no exterior <\/a>n\u00e3o faz jus ao pagamento das vantagens de <a>Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum e Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo Processual<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>RMS 67.416-SE, Rel. Min. S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-1-situacao-fatica\"><a>1.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dr. Creisson, magistrado em gozo de licen\u00e7a para capacita\u00e7\u00e3o no exterior, impetrou mandado de seguran\u00e7a em face de pretenso ato ilegal e abusivo imputado ao Desembargador Presidente do Tribunal de Justi\u00e7a que determinou a suspens\u00e3o do pagamento e a dedu\u00e7\u00e3o retroativa das verbas referentes \u00e0 Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum e \u00e0 Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo Processual, no per\u00edodo de 20\/12\/2019 a 19\/9\/2020, em que o magistrado impetrante gozava de licen\u00e7a para estudar no exterior.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-analise-estrategica\"><a>1.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-1-questao-juridica\"><a>1.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>LOMAN:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 73 &#8211; Conceder-se-\u00e1 afastamento ao magistrado, sem preju\u00edzo de seus vencimentos e vantagens:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; para freq\u00fc\u00eancia a cursos ou semin\u00e1rios de aperfei\u00e7oamento e estudos, a crit\u00e9rio do Tribunal ou de seu \u00f3rg\u00e3o especial, pelo prazo m\u00e1ximo de dois anos;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, exclusivamente \u00e0 Justi\u00e7a Eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; para exercer a presid\u00eancia de associa\u00e7\u00e3o de classe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-2-devidos-os-pagamentos\"><a>1.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devidos os pagamentos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos dos arts. 1\u00ba da Lei Complementar Estadual 327\/2019 e 1\u00ba da Lei Complementar Estadual 239\/2014, c\/c o art. 5\u00ba, II, b, c e d, da Resolu\u00e7\u00e3o\/CNJ n. 13\/2006, as vantagens denominadas &#8220;Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum&#8221; e &#8220;Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo Processual&#8221; possuem car\u00e1ter eventual e tempor\u00e1rio, vinculando-se o seu pagamento ao efetivo exerc\u00edcio das atividades a elas relacionadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora<strong>, em sendo inerente a tal esp\u00e9cie de vantagem que seu pagamento tem por pressuposto o efetivo &#8220;exerc\u00edcio cumulativo de jurisdi\u00e7\u00e3o ou acumula\u00e7\u00e3o de acervo processual&#8221;, a ser paga &#8220;para cada m\u00eas de atua\u00e7\u00e3o&#8221;, conclui-se que a aus\u00eancia desses requisitos legais autoriza a que Administra\u00e7\u00e3o, de imediato, fa\u00e7a cessar seu pagamento, sem a necessidade da pr\u00e9via abertura de processo administrativo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 falar em ofensa ao princ\u00edpio da legalidade, pois a cessa\u00e7\u00e3o do pagamento da gratifica\u00e7\u00e3o em tela n\u00e3o decorreu de eventual limita\u00e7\u00e3o imposta por portaria regulamentadora, mas do fato de que os pressupostos legais para seu pagamento n\u00e3o mais estavam presentes no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>De outra parte, n\u00e3o se extrai do art. 73 da <a>LOMAN <\/a>comando normativo capaz de assegurar a manuten\u00e7\u00e3o da gratifica\u00e7\u00e3o pleiteada. Conquanto esse dispositivo legal estabele\u00e7a que o afastamento do magistrado para &#8220;frequ\u00eancia a cursos ou semin\u00e1rios de aperfei\u00e7oamento e estudos&#8221; dever\u00e1 ser concedido &#8220;sem preju\u00edzo de seus vencimentos e vantagens&#8221;, tal regra n\u00e3o tem o cond\u00e3o de alcan\u00e7ar as vantagens de car\u00e1ter eventual e de natureza&nbsp;<em>proper laborem<\/em>, como \u00e9 o caso da gratifica\u00e7\u00e3o criada pela Lei Complementar Estadual 327\/2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal compreens\u00e3o, inclusive, est\u00e1 em harmonia com o estabelecido pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a, precisamente no art. 5\u00ba, II, b, c e d, da Resolu\u00e7\u00e3o\/CNJ n. 13\/2006, que disp\u00f5e sobre a aplica\u00e7\u00e3o do teto remunerat\u00f3rio constitucional e do subs\u00eddio mensal dos membros da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela leitura da LCE 327\/2019 pode-se inferir que a &#8220;Gratifica\u00e7\u00e3o pelo exerc\u00edcio cumulativo de jurisdi\u00e7\u00e3o ou acumula\u00e7\u00e3o de acervo processual&#8221;, abrange algumas das verbas classificadas como de car\u00e1ter eventual elencadas no inciso II do artigo 5\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o n. 13\/2006, enquadrando-se nas al\u00edneas&nbsp;<em>c<\/em>&nbsp;(exerc\u00edcio cumulativo de atribui\u00e7\u00f5es) e&nbsp;<em>d<\/em>&nbsp;(substitui\u00e7\u00f5es), o que tamb\u00e9m evidencia o indiscut\u00edvel car\u00e1ter de contrapresta\u00e7\u00e3o \u00e0 atividade suplementar atribu\u00edda ao magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Da leitura do art. 1\u00ba da referida lei c\/c o art. 5\u00ba, II, b, da Resolu\u00e7\u00e3o\/CNJ n. 13\/2006 extrai-se que a retribui\u00e7\u00e3o financeira em quest\u00e3o tamb\u00e9m possui car\u00e1ter eventual e tempor\u00e1rio, na medida em que vinculada ao exerc\u00edcio da Dire\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum pelo magistrado designado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se, ainda, que, existindo previs\u00e3o legal expressa no sentido de que o pagamento da referida vantagem somente seria devido nos casos de afastamentos vinculados a &#8220;f\u00e9rias, licen\u00e7a-maternidade, licen\u00e7as para tratamento da pr\u00f3pria sa\u00fade ou de pessoa da fam\u00edlia, ou outros afastamentos inferiores a dez dias&#8221;, torna-se invi\u00e1vel estender tal comando normativo \u00e0 hip\u00f3tese ali n\u00e3o contemplada, ante a necessidade de rever\u00eancia ao princ\u00edpio de hermen\u00eautica segundo o qual &#8220;n\u00e3o compete ao int\u00e9rprete distinguir onde o legislador, podendo, n\u00e3o o fez, sob pena de viola\u00e7\u00e3o do postulado da separa\u00e7\u00e3o dos poderes&#8221; (AgInt no REsp 1.609.787\/RS, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, DJe 10\/11\/2017).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-2-3-resultado-final\"><a>1.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O magistrado em gozo de licen\u00e7a para capacita\u00e7\u00e3o no exterior n\u00e3o faz jus ao pagamento das vantagens de Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum e Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo Processual.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-civil\"><a>DIREITO CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-divulgacao-de-evento-no-qual-foi-ofertado-transporte-aos-jornalistas-e-responsabilidade-pelos-prejuizos-decorrentes-de-acidente-automobilistico\"><a>2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Divulga\u00e7\u00e3o de evento no qual foi ofertado transporte aos jornalistas e responsabilidade pelos preju\u00edzos decorrentes de acidente automobil\u00edstico<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A empresa que expede convites a jornalistas para a cobertura e divulga\u00e7\u00e3o de seu evento, ou seja, em benef\u00edcio de sua atividade econ\u00f4mica, e se compromete a prestar o servi\u00e7o de transporte destes, responde objetivamente pelos preju\u00edzos advindos de acidente automobil\u00edstico ocorrido quando de sua presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.717.114-SP, Rel. Min. Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-1-situacao-fatica\"><a>2.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creosvalda ajuizou a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais advindos de acidente automobil\u00edstico. Conforme a inicial, Jurandir, marido da autora, teria sido convidada juntamente com outros jornalistas para a divulga\u00e7\u00e3o de evento da empresa FCA. Por se tratar de evento em local ermo, FCA fez constar que arcaria com o transporte dos jornalistas desde o aeroporto at\u00e9 o local em que se realizaria o evento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que durante o trajeto a van que realizava o transporte envolveu-se em acidente automobil\u00edstico que resultou na morte de Jurandir, raz\u00e3o pela qual Creosvalda entende devida a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais e materiais. Acionada em conjunto com a transportadora, FCA alega a ilegitimidade passiva <em>ad causam<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-analise-estrategica\"><a>2.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-1-questao-juridica\"><a>2.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 392. Nos contratos ben\u00e9ficos, responde por simples culpa o contratante, a quem o contrato aproveite, e por dolo aquele a quem n\u00e3o favore\u00e7a. Nos contratos onerosos, responde cada uma das partes por culpa, salvo as exce\u00e7\u00f5es previstas em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 927. Aquele que, por ato il\u00edcito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repar\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Haver\u00e1 obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-2-fca-tem-responsabilidade-objetiva\"><a>2.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; FCA tem responsabilidade objetiva?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia centra-se em saber se a montadora de ve\u00edculos que, ao ensejo de promover o lan\u00e7amento de um produto no mercado, expede convites a determinados jornalistas para a cobertura e divulga\u00e7\u00e3o de seu evento, comprometendo-se a prestar servi\u00e7o de hospedagem e de transportes a\u00e9reo e rodovi\u00e1rio a estes, responde civilmente pelos preju\u00edzos advindos de acidente automobil\u00edstico que ceifou a vida de um daqueles jornalistas, ocorrido justamente por ocasi\u00e3o do deslocamento ao evento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00e3o se trata, juridicamente, de a montadora ter procedido a um simples envio de convite de cortesia ao grupo de jornalismo, inserto nos chamados contratos ben\u00e9ficos, em que apenas uma das partes aufere benef\u00edcio ou vantagem<\/strong>, regido pelo art. 392 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>. A montadora de ve\u00edculo comprometeu-se a promover o servi\u00e7o de hospedagem e, no que importa \u00e0 controv\u00e9rsia, o de transportes a\u00e9reo e rodovi\u00e1rio em favor do grupo de jornalistas, a serem prestados n\u00e3o de modo desinteressado, mas sim com o claro prop\u00f3sito de beneficiar sua atividade econ\u00f4mica, por meio da cobertura jornal\u00edstica e divulga\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento de seu produto, no que residiria sua remunera\u00e7\u00e3o indireta.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa finalidade, oportuno trazer \u00e0 cola\u00e7\u00e3o especializada doutrina civilista que, ao tratar do chamado transporte de mera cortesia, bem obtempera n\u00e3o se estar diante de tal figura quando a remunera\u00e7\u00e3o pelo servi\u00e7o de transporte d\u00e1-se de modo indireto, circunst\u00e2ncia que autoriza, nesse caso, a aplica\u00e7\u00e3o da teoria do risco proveito.<\/p>\n\n\n\n<p>O modo pelo qual este transporte seria efetivado &#8211; se diretamente pela montadora ou por meio de outras empresas contratadas para realiza\u00e7\u00e3o desse servi\u00e7o &#8211; n\u00e3o altera o fato indiscut\u00edvel de que esta, efetivamente, assumiu a obriga\u00e7\u00e3o, perante o grupo de jornalistas, de efetuar o transporte destes para a cobertura do evento de lan\u00e7amento do produto da montadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os efeitos perseguidos na subjacente a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria, em que se discute a responsabilidade da montadora, tomadora do servi\u00e7o de transporte, e da transportadora, cujo preposto causou o acidente, mostra-se absolutamente indiferente examinar se a empresa de turismo, nos limites ajustados contratualmente, poderia ou n\u00e3o subcontratar o servi\u00e7o de transporte. Quando muito, esta mat\u00e9ria de defesa poderia autorizar, em tese, o direito de regresso da montadora contra a empresa de turismo, mas n\u00e3o para afastar sua responsabilidade pelos danos advindos de acidente automobil\u00edstico por ocasi\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de transporte de pessoas por ela contratado, no seu interesse e em benef\u00edcio de sua atividade econ\u00f4mica. Tampouco \u00e9 relevante examinar se a montadora, ao contratar a empresa de turismo incorreu em qualquer modalidade de culpa,&nbsp;<em>in eligendo<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>in vigilando<\/em>, ou mesmo a rela\u00e7\u00e3o de preposi\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9, pois, <strong>incontroverso que os contratos firmados entre a montadora e a ag\u00eancia de turismo e entre esta e a transportadora, coligados entre si, ostentavam, como finalidade\/objeto comum, a presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de transporte ao grupo de jornalistas, pelo qual se comprometeu a montadora<\/strong>. As rela\u00e7\u00f5es internas, estabelecidas no \u00e2mbito de cada ajuste, a vincular as partes contratantes, n\u00e3o repercutem, tampouco podem ser opon\u00edveis ao lesado pela presta\u00e7\u00e3o deficiente do servi\u00e7o de transporte contratado pela montadora, no interesse de sua atividade comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da montadora \u00e9, a toda evid\u00eancia, de tomadora do servi\u00e7o de transporte de pessoas, contratado no interesse e em benef\u00edcio de sua atividade econ\u00f4mica. Em face disso, ressai inafast\u00e1vel a sua responsabilidade objetiva pelos danos advindos do acidente automobil\u00edstico ocorrido quando de sua presta\u00e7\u00e3o, com esteio na teoria do risco, agasalhada pela cl\u00e1usula geral (de responsabilidade objetiva) inserta no par\u00e1grafo \u00fanico do art. 927 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-2-3-resultado-final\"><a>2.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A empresa que expede convites a jornalistas para a cobertura e divulga\u00e7\u00e3o de seu evento, ou seja, em benef\u00edcio de sua atividade econ\u00f4mica, e se compromete a prestar o servi\u00e7o de transporte destes, responde objetivamente pelos preju\u00edzos advindos de acidente automobil\u00edstico ocorrido quando de sua presta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-adquirente-de-imovel-e-momento-a-partir-do-qual-sao-devidas-as-taxas-condominiais\"><a>3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adquirente de im\u00f3vel e momento a partir do qual s\u00e3o devidas as taxas condominiais<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O adquirente de im\u00f3vel deve pagar as taxas condominiais desde o recebimento das chaves ou, em caso de recusa ileg\u00edtima, a partir do momento no qual as chaves estavam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.847.734-SP, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022, DJe 31\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-1-situacao-fatica\"><a>3.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Virso adquiriu dois im\u00f3veis no Condom\u00ednio CobroMesmo, por\u00e9m, optou por n\u00e3o tomar posse das unidades quando estas ficaram prontas, aguardando o desfecho de a\u00e7\u00e3o que tratava da penhora de outros im\u00f3veis em seu favor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao tomar ci\u00eancia do contrato de permuta envolvendo os im\u00f3veis em quest\u00e3o, o condom\u00ednio entendeu devidas as taxas condominiais desde a data da celebra\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio e passou a realizar a cobran\u00e7a. Inconformado, Virso ajuizou a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria de inexigibilidade de d\u00e9bito contra <a>o Condom\u00ednio <\/a>postulando o reconhecimento da aus\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o de pagar despesas condominiais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-analise-estrategica\"><a>3.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-1-questao-juridica\"><a>3.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CC\/2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 394. Considera-se em mora o devedor que n\u00e3o efetuar o pagamento e o credor que n\u00e3o quiser receb\u00ea-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou a conven\u00e7\u00e3o estabelecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.344. Ao propriet\u00e1rio do terra\u00e7o de cobertura incumbem as despesas da sua conserva\u00e7\u00e3o, de modo que n\u00e3o haja danos \u00e0s unidades imobili\u00e1rias inferiores.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.345. O adquirente de unidade responde pelos d\u00e9bitos do alienante, em rela\u00e7\u00e3o ao condom\u00ednio, inclusive multas e juros morat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-2-devidas-as-taxas-condominiais\"><a>3.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devidas as taxas condominiais?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As despesas condominiais, devido \u00e0 sua natureza&nbsp;<em>propter rem<\/em>, s\u00e3o obriga\u00e7\u00f5es provenientes da pr\u00f3pria coisa que recaem sobre o propriet\u00e1rio da unidade imobili\u00e1ria ou sobre os titulares de um dos aspectos da propriedade &#8211; a exemplo da posse -, desde que tenha estabelecido rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica direta com o condom\u00ednio. Por tais raz\u00f5es, a responsabilidade pelo pagamento tamb\u00e9m pode ser transferida para o adquirente do im\u00f3vel em caso de inadimplemento do antigo titular (art. 1.345 do <a>CC\/2002<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nos termos do art. 1.334 do CC\/2002, os promitentes compradores e os cession\u00e1rios de direitos relativos \u00e0s unidades aut\u00f4nomas s\u00e3o equiparados aos propriet\u00e1rios. Assim, diante da celebra\u00e7\u00e3o de compromisso de compra e venda, o dever de adimplir as cotas condominiais pode ser tanto do promiss\u00e1rio comprador quanto do promitente vendedor, a depender das circunst\u00e2ncias do caso concreto, sem preju\u00edzo de eventual direito de regresso.<\/p>\n\n\n\n<p>No julgamento do Recurso Especial repetitivo n. 1.345.331\/RS, a Segunda Se\u00e7\u00e3o desta Corte Superior estabeleceu que o registro do compromisso de compra e venda n\u00e3o define a responsabilidade pelo pagamento das obriga\u00e7\u00f5es condominiais, mas a rela\u00e7\u00e3o material com o im\u00f3vel, consistente na imiss\u00e3o na posse pelo promiss\u00e1rio comprador e pela ci\u00eancia inequ\u00edvoca do condom\u00ednio acerca da transa\u00e7\u00e3o (Tema Repetitivo n. 886).<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo tal linha de racioc\u00ednio, o STJ sufragou o entendimento no sentido de que o promitente comprador passa a ser respons\u00e1vel pelo pagamento das despesas condominiais a partir da entrega das chaves, tendo em vista ser este o momento em que tem a posse do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a posse \u00e9 o elemento f\u00e1tico que gera para o adquirente do im\u00f3vel a obriga\u00e7\u00e3o de arcar com as despesas condominiais, haja vista que passa a usufruir &#8211; ou tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o &#8211; toda a estrutura organizada do condom\u00ednio. Tanto \u00e9 assim que, se o condom\u00ednio tiver ci\u00eancia da aliena\u00e7\u00e3o da unidade imobili\u00e1ria, afasta-se a legitimidade passiva do propriet\u00e1rio para responder pelas referidas taxas a partir do momento em que a posse passou a ser exercida pelo promiss\u00e1rio comprador.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Registra-se que a recusa em receber as chaves constitui, em regra, comportamento contr\u00e1rio aos princ\u00edpios contratuais, principalmente \u00e0 boa-f\u00e9 objetiva, desde que n\u00e3o esteja respaldado em fundamento leg\u00edtimo. Por sua vez, a rejei\u00e7\u00e3o em tomar a posse do im\u00f3vel, sem justificativa adequada, faz com que o adquirente das unidades imobili\u00e1rias passe a ser respons\u00e1vel pelas taxas condominiais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tais situa\u00e7\u00f5es, a resist\u00eancia em imitir na posse (e de receber as chaves) configura mora da parte adquirente, pois deixou de receber a presta\u00e7\u00e3o devida pelo alienante (no caso, a construtora). Nessa circunst\u00e2ncia, o art. 394 do CC\/2002 deixa claro que se considera em mora o credor que n\u00e3o quiser receber o pagamento e\/ou a presta\u00e7\u00e3o no tempo, lugar e forma que a lei ou a conven\u00e7\u00e3o estabelecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, n\u00e3o h\u00e1 fundamento legal para responsabilizar a construtora pelas taxas condominiais se a sua obriga\u00e7\u00e3o de entregar as chaves foi devidamente cumprida, ainda que fora do prazo previsto contratualmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dessa forma, o adquirente (promiss\u00e1rio comprador ou permutante) deve pagar as taxas condominiais desde o recebimento das chaves ou, em caso de recusa ileg\u00edtima, a partir do momento no qual as chaves estavam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-2-3-resultado-final\"><a>3.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O adquirente de im\u00f3vel deve pagar as taxas condominiais desde o recebimento das chaves ou, em caso de recusa ileg\u00edtima, a partir do momento no qual as chaves estavam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-condicao-resolutiva-de-doacao-verbal-estabelecida-entre-pai-e-filho-e-desconhecida-por-terceiros-e-efeitos-juridicos-contra-estes\"><a>4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Condi\u00e7\u00e3o resolutiva de doa\u00e7\u00e3o verbal estabelecida entre pai e filho e desconhecida por terceiros e efeitos jur\u00eddicos contra estes<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o resolutiva de <a>doa\u00e7\u00e3o verbal estabelecida entre pai e filho e desconhecida por terceiros n\u00e3o produz efeitos jur\u00eddicos contra estes<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.905.612-MA, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, por maioria, julgado em 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-1-situacao-fatica\"><a>4.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nerso, motivado pelo desejo de preserva\u00e7\u00e3o de sua imagem, haja vista estar sendo alvo de not\u00edcias desabonadoras, transferiu a sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria de uma cl\u00ednica ao seu filho Tarso, com a condi\u00e7\u00e3o de que seria promovida a devolu\u00e7\u00e3o das cotas se Nerso contra\u00edsse um novo matrim\u00f4nio. Tal condi\u00e7\u00e3o teria sido estipulada verbalmente e foi formalizada por meio de um documento impr\u00f3prio, em que o doador retirou-se de uma sociedade limitada e declarou &#8220;nada ter a receber dela ou dos seus s\u00f3cios, pelo que d\u00e1 a todos eles plena, geral e irrevog\u00e1vel quita\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o tendo constado desse documento qualquer cl\u00e1usula resolutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, Nerso contraiu novas n\u00fapcias e, aperfei\u00e7oada a condi\u00e7\u00e3o resolutiva, solicitou a devolu\u00e7\u00e3o das cotas em conformidade com o neg\u00f3cio jur\u00eddico supostamente estabelecido entre as partes, o que foi negado sob a justificativa de que as aludidas fra\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias teriam sido transferidas para sua outra filha, Cleide.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, Nerso ent\u00e3o ajuizou a\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00e3o de fazer contra os filhos pleiteando a devolu\u00e7\u00e3o de cotas acion\u00e1rias da Cl\u00ednica, cuja titularidade teria sido objeto de contrato de doa\u00e7\u00e3o para o seu filho. A senten\u00e7a de m\u00e9rito julgou procedentes os pedidos, determinando a devolu\u00e7\u00e3o ao autor das cotas, em decis\u00e3o mantida pelo Tribunal estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o Tarso e Cleide \u00e9 que ficaram inconformados. Interpuseram sucessivos recursos nos sustentando que a alega\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula resolutiva verbal quando institu\u00edda entre familiares n\u00e3o encontra respaldo na legisla\u00e7\u00e3o vigente. Al\u00e9m disso, Cleide entende que, como terceira n\u00e3o conhecedora da suposta cl\u00e1usula resolutiva, n\u00e3o poderia sofrer os efeitos decorrentes desta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-analise-estrategica\"><a>4.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-1-questao-juridica\"><a>4.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 114. Os neg\u00f3cios jur\u00eddicos ben\u00e9ficos e a ren\u00fancia interpretam-se estritamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 167. \u00c9 nulo o neg\u00f3cio jur\u00eddico simulado, mas subsistir\u00e1 o que se dissimulou, se v\u00e1lido for na subst\u00e2ncia e na forma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1&nbsp;<sup>o&nbsp;<\/sup>Haver\u00e1 simula\u00e7\u00e3o nos neg\u00f3cios jur\u00eddicos quando:<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; contiverem declara\u00e7\u00e3o, confiss\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o ou cl\u00e1usula n\u00e3o verdadeira;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.071. Dependem da delibera\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios, al\u00e9m de outras mat\u00e9rias indicadas na lei ou no contrato:<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; a modifica\u00e7\u00e3o do contrato social;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.076. &nbsp;Ressalvado o disposto no art. 1.061, as delibera\u00e7\u00f5es dos s\u00f3cios ser\u00e3o tomadas&nbsp;;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; pelos votos correspondentes, no m\u00ednimo, a tr\u00eas quartos do capital social, nos casos previstos nos incisos V e VI do art. 1.071;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 446. \u00c9 l\u00edcito \u00e0 parte provar com testemunhas:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; nos contratos simulados, a diverg\u00eancia entre a vontade real e a vontade declarada;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-2-a-condicao-resolutiva-verbal-produz-efeitos-contra-terceiros-que-a-desconhecem\"><a>4.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A condi\u00e7\u00e3o resolutiva verbal produz efeitos contra terceiros que a desconhecem?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, <a>a doa\u00e7\u00e3o foi formalizada por meio de um documento impr\u00f3prio, em que o doador se retirou de uma sociedade limitada e declarou &#8220;nada ter a receber dela ou dos seus s\u00f3cios, pelo que d\u00e1 a todos eles plena, geral e irrevog\u00e1vel quita\u00e7\u00e3o&#8221;, n\u00e3o tendo constado desse documento a cl\u00e1usula resolutiva invocada.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Optou o doador por deixar a empresa e, no mesmo instrumento, formalizar o ato de doa\u00e7\u00e3o de sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria para o seu filho, que passou a integrar a aludida sociedade limitada na propor\u00e7\u00e3o do capital social doado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 sabido, a doa\u00e7\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio jur\u00eddico ben\u00e9fico, e como tal, de acordo com o disposto no art. 114 do <a>C\u00f3digo Civil<\/a>, deve ser objeto de interpreta\u00e7\u00e3o RESTRITIVA.<\/p>\n\n\n\n<p>Postos tais par\u00e2metros, extrai-se, em primeiro lugar, que a doa\u00e7\u00e3o formalizada em um instrumento de altera\u00e7\u00e3o de contrato social n\u00e3o corresponde \u00e0 pr\u00e1tica costumeira, haja vista a lei exigir a escritura\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou um documento particular, em regra, t\u00edpico, com finalidade espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, n\u00e3o \u00e9 usual a cis\u00e3o de um contrato em duas partes: uma escrita e outra verbal. Mais do que isso: n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que um contrato seja formalizado, ao mesmo tempo, de forma escrita e, de outra, de forma oral; menos ainda, por tratar-se de um encontro de vontades, se os polos, nas duas fra\u00e7\u00f5es do ajuste, n\u00e3o forem rigorosamente as mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, claramente o que se observa \u00e9 a exist\u00eancia de um ajuste formal, escrito, que reconhece a doa\u00e7\u00e3o e oficializa a altera\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria; e outro, feito de forma verbal, que vincula apenas o filho donat\u00e1rio, que, com ele, segundo testemunhas, teria aquiescido de forma individual e apartada.<\/p>\n\n\n\n<p>Fixada, portanto, a moldura f\u00e1tica, resta definir o tratamento jur\u00eddico a ser aplicado aos fatos comprovados no processo, isto \u00e9, o estabelecimento das consequ\u00eancias jur\u00eddicas que devem ser aplicadas ao caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, deve ser considerado que, se a vontade real do doador era distinta daquela manifestada no instrumento de modifica\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, que tamb\u00e9m instrumentalizou a doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 evidente a sua reserva mental. <strong>E ainda mais relevante: se as testemunhas comprovam, como, de fato, comprovaram, que o filho donat\u00e1rio sabia que a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do pai era a de reaver a sua participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria em momento futuro, pode-se concluir pela exist\u00eancia de claro ind\u00edcio de neg\u00f3cio simulado<\/strong> (art. 167, \u00a71\u00ba, II, do C\u00f3digo Civil), pois os demais s\u00f3cios n\u00e3o foram informados do verdadeiro prop\u00f3sito da transa\u00e7\u00e3o entabulada, na surdina, apenas entre doador e donat\u00e1rio (pai e filho).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o inciso V do art. 1.071 do C\u00f3digo Civil, a modifica\u00e7\u00e3o do contrato social depende da delibera\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios, que, nos termos do art. 1.076, I, deve ser tomada pelos votos correspondentes a, no m\u00ednimo, tr\u00eas quartos do capital social.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, n\u00e3o tendo o doador retirante da sociedade manifestado de forma aberta e formal a sua verdadeira inten\u00e7\u00e3o no momento em que formalizou o neg\u00f3cio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar se ele teria obtido a concord\u00e2ncia dos demais s\u00f3cios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela altera\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria, caso fosse revelado o real prop\u00f3sito do doador de reaver a sua condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cio ap\u00f3s o implemento da condi\u00e7\u00e3o por ele institu\u00edda, de forma verbal, unilateral e reservada, e aceita apenas pelo filho benefici\u00e1rio, que o substituiu na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesse passo, oportuno ponderar que, embora n\u00e3o se admita &#8211; exceto para bens m\u00f3veis de pequena monta -, que as cl\u00e1usulas de um contrato de doa\u00e7\u00e3o possam ser constitu\u00eddas verbalmente, \u00e9 poss\u00edvel, na esteira do art. 446, I, do <a>CPC\/2015<\/a>, a utiliza\u00e7\u00e3o da prova testemunhal para comprovar a diverg\u00eancia entre a vontade real e a vontade declarada nos contratos simulados.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o pairam d\u00favidas acerca da exist\u00eancia da combina\u00e7\u00e3o entre pai e filho (doador e donat\u00e1rio), mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o reconhecimento de que o arranjo estabelecido entre os dois tenha o cond\u00e3o de atingir terceiros, que dele n\u00e3o participaram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Evidentemente, em que pese a exist\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o dos ajustes entabulados entre as diferentes partes, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel submeter aos demais s\u00f3cios uma condi\u00e7\u00e3o inserida num acordo verbal do qual eles n\u00e3o fizeram parte.<\/strong> Como se sabe, o contrato faz lei entre as partes, mas n\u00e3o produz efeitos na esfera juridicamente protegida de terceiros que n\u00e3o tomaram parte na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de direito material.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-2-3-resultado-final\"><a>4.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o resolutiva de doa\u00e7\u00e3o verbal estabelecida entre pai e filho e desconhecida por terceiros n\u00e3o produz efeitos jur\u00eddicos contra estes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-cessao-de-posicao-contratual-ou-de-direitos-decorrentes-de-contrato-de-arrendamento-residencial-no-ambito-do-par-e-requisitos\"><a>5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cess\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o contratual ou de direitos decorrentes de contrato de arrendamento residencial no \u00e2mbito do PAR e requisitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A cess\u00e3o, pelo arrendat\u00e1rio do im\u00f3vel, <a>de posi\u00e7\u00e3o contratual ou de direitos decorrentes de contrato de arrendamento residencial no \u00e2mbito do PAR<\/a>, somente ser\u00e1 v\u00e1lida se forem cumpridos os seguintes requisitos: <a>I) atendimento, pelo novo arrendat\u00e1rio, dos crit\u00e9rios para ingresso no PAR; II) respeito de eventual fila para ingresso no PAR; e III) consentimento pr\u00e9vio pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, na condi\u00e7\u00e3o de agente operadora do Programa.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.950.000-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 22\/03\/2022, DJe 25\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-1-situacao-fatica\"><a>5.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O Programa de Arrendamento Residencial (PAR) foi institu\u00eddo pela Lei n. 10.188\/2001 &#8220;para atendimento da necessidade de moradia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, sob a forma de arrendamento residencial com op\u00e7\u00e3o de compra&#8221;. Cida, benefici\u00e1ria do referido programa, firmou instrumento particular de cess\u00e3o contratual com Creiton, por meio do qual cedia a este os direitos e deveres referentes ao contrato de arrendamento residencial firmado com a CEF no \u00e2mbito do Programa de Arrendamento Residencial, bem como a consequente condi\u00e7\u00e3o de leg\u00edtimos arrendat\u00e1rios do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A CEF n\u00e3o concordou com a cess\u00e3o, raz\u00e3o que levou Cida e Creiton a ajuizarem a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria pleiteando o reconhecimento da validade do instrumento de cess\u00e3o. Por sua vez, a CEF apresentou reconven\u00e7\u00e3o por meio da qual requereu a reintegra\u00e7\u00e3o na posse do im\u00f3vel objeto do feito, diante da configura\u00e7\u00e3o de esbulho possess\u00f3rio decorrente da cess\u00e3o indevida de direitos sobre o im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-analise-estrategica\"><a>5.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-1-questao-juridica\"><a>5.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 10.188\/2001:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp; Fica institu\u00eddo o Programa de Arrendamento Residencial para atendimento da necessidade de moradia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, sob a forma de arrendamento residencial com op\u00e7\u00e3o de compra.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3<sup>o<\/sup>&nbsp; Fica facultada a aliena\u00e7\u00e3o, sem pr\u00e9vio arrendamento, ou a cess\u00e3o de direitos dos im\u00f3veis adquiridos no \u00e2mbito do Programa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 8<sup>o<\/sup>&nbsp;O contrato de aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis pelo arrendador, as cess\u00f5es de posse e as promessas de cess\u00e3o, bem como o contrato de transfer\u00eancia do direito de propriedade ou do dom\u00ednio \u00fatil ao arrendat\u00e1rio, ser\u00e3o celebrados por instrumento particular com for\u00e7a de escritura p\u00fablica e registrados em Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis competente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp; O contrato de compra e venda referente ao im\u00f3vel objeto de arrendamento residencial que vier a ser alienado na forma do inciso II do \u00a7 7<sup>o<\/sup>&nbsp;do art. 2<sup>o<\/sup>&nbsp;desta Lei, ainda que o pagamento integral seja feito \u00e0 vista, contemplar\u00e1 cl\u00e1usula impeditiva de o adquirente, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, vender, prometer vender ou ceder seus direitos sobre o im\u00f3vel alienado.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 421. &nbsp;A liberdade contratual ser\u00e1 exercida nos limites da fun\u00e7\u00e3o social do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. Nas rela\u00e7\u00f5es contratuais privadas, prevalecer\u00e3o o princ\u00edpio da interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima e a excepcionalidade da revis\u00e3o contratual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 425. \u00c9 l\u00edcito \u00e0s partes estipular contratos at\u00edpicos, observadas as normas gerais fixadas neste C\u00f3digo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-2-a-cessao-produzira-efeitos\"><a>5.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A cess\u00e3o produzir\u00e1 efeitos?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>SIM, desde que cumpridos os requisitos:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"I\"><li><strong>atendimento, pelo novo arrendat\u00e1rio, dos crit\u00e9rios para ingresso no PAR;<\/strong><\/li><li><strong>respeito de eventual fila para ingresso no PAR; e<\/strong><\/li><li><strong>consentimento pr\u00e9vio pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, na condi\u00e7\u00e3o de agente operadora do Programa.<\/strong><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><a><u>O Programa de Arrendamento Residencial (PAR) foi institu\u00eddo pela <\/u><\/a><a><u>Lei n. 10.188\/2001 <\/u><\/a>&#8220;para atendimento da necessidade de moradia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, sob a forma de arrendamento residencial com op\u00e7\u00e3o de compra&#8221;, cabendo a gest\u00e3o do Programa ao Minist\u00e9rio das Cidades (hoje incorporado ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional) e a sua operacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 Caixa Econ\u00f4mica Federal, conforme o art. 1\u00ba da referida lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A cess\u00e3o, pelo arrendat\u00e1rio (art. 1\u00ba, caput) do im\u00f3vel, de posi\u00e7\u00e3o contratual ou de direitos decorrentes de contrato de arrendamento residencial no \u00e2mbito do PAR n\u00e3o \u00e9 prevista no art. 1\u00ba, \u00a7 3\u00ba, contudo, n\u00e3o \u00e9 proibida pelo art. 8\u00ba, \u00a7 1\u00ba, todos da Lei n\u00ba 10.188\/2001, porquanto o primeiro disp\u00f5e sobre a destina\u00e7\u00e3o a ser dada pela Caixa Econ\u00f4mica Federal aos im\u00f3veis adquiridos no \u00e2mbito do PAR e o segundo imp\u00f5e veda\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias apenas \u00e0quele que adquire o im\u00f3vel objeto do PAR pelo processo de desimobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cuida-se, assim, de hip\u00f3tese n\u00e3o vedada expressamente pela Lei n\u00ba 10.188\/2001, raz\u00e3o pela qual sua legalidade deve ser analisada mediante os princ\u00edpios e a finalidades do PAR<\/strong>, bem como por eventuais normas do C\u00f3digo Civil aplic\u00e1veis \u00e0 esp\u00e9cie e que atentem ao PAR<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 425 do <a>C\u00f3digo Civil <\/a>autoriza a estipula\u00e7\u00e3o de contratos at\u00edpicos e a possibilidade de um dos contratantes ceder sua posi\u00e7\u00e3o contratual a outro est\u00e1, ainda, relacionada \u00e0 fun\u00e7\u00e3o social do contrato (art. 421 do CC), porquanto permite, por exemplo, que o devedor evite a inadimpl\u00eancia, repassando a obriga\u00e7\u00e3o para terceiro interessado no neg\u00f3cio jur\u00eddico e com capacidade financeira para adimpli-la, satisfazendo, inclusive, o interesse do credor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, nos termos do art. 10 da Lei n\u00ba 10.188\/2001, &#8220;aplica-se ao arrendamento residencial, no que couber, a legisla\u00e7\u00e3o pertinente ao arrendamento mercantil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00e2mbito do PAR, a cess\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o contratual tamb\u00e9m exerce importante fun\u00e7\u00e3o social, tendo em vista que pode evitar que o benefici\u00e1rio original do Programa saia prejudicado, caso n\u00e3o consiga mais pagar as parcelas referentes ao arrendamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio o respeito a eventual fila para ingresso no PAR, sob pena de inviabilizar o andamento normal do Programa, ao permitir que terceiros sejam beneficiados antes daqueles que aguardavam a disponibilidade de um im\u00f3vel para iniciarem o arrendamento residencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, o art. 6\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n\u00ba 10.188\/2001 prev\u00ea expressamente que &#8220;para os fins desta Lei, considera-se arrendat\u00e1ria a pessoa f\u00edsica que, atendidos os requisitos estabelecidos pelo Minist\u00e9rio das Cidades, seja habilitada pela CEF ao arrendamento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, diferentemente da regra geral aplic\u00e1vel ao arrendamento mercantil (em que o consentimento pode ocorrer a qualquer tempo), \u00e9 fundamental, no caso de cess\u00e3o de posi\u00e7\u00e3o contratual em rela\u00e7\u00e3o ao PAR, que o consentimento seja pr\u00e9vio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-2-3-resultado-final\"><a>5.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A cess\u00e3o, pelo arrendat\u00e1rio do im\u00f3vel, de posi\u00e7\u00e3o contratual ou de direitos decorrentes de contrato de arrendamento residencial no \u00e2mbito do PAR, somente ser\u00e1 v\u00e1lida se forem cumpridos os seguintes requisitos: I) atendimento, pelo novo arrendat\u00e1rio, dos crit\u00e9rios para ingresso no PAR; II) respeito de eventual fila para ingresso no PAR; e III) consentimento pr\u00e9vio pela Caixa Econ\u00f4mica Federal, na condi\u00e7\u00e3o de agente operadora do Programa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-atribuicao-dinamica-do-onus-probatorio-na-realizacao-de-acessoes-e-possibilidade-de-afastamento-da-presuncao-do-art-1-253-do-cc\"><a>6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Atribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio na realiza\u00e7\u00e3o de acess\u00f5es e possibilidade de afastamento da presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do CC<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>PROCESSO SOB SEGREDO JUDICIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A <a>atribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio acerca da realiza\u00e7\u00e3o de acess\u00f5es\/benfeitorias em im\u00f3vel de propriedade do c\u00f4njuge var\u00e3o<\/a>, objeto de eventual partilha em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, pode afastar a <a>presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do C\u00f3digo Civil de 2002<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo sob segredo judicial, Rel. Min. Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, Terceira Turma, julgado em 29\/03\/2022, DJe 31\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-1-situacao-fatica\"><a>6.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Em uma partilha em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, iniciou-se discuss\u00e3o acerca da possibilidade de atribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio acerca da realiza\u00e7\u00e3o de acess\u00f5es\/benfeitorias em im\u00f3vel de propriedade do c\u00f4njuge var\u00e3o, uma vez que algumas das benfeitorias foram realizadas em per\u00edodo em que este convivia em uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m foi questionada a possibilidade de afastamento da presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do C\u00f3digo Civil: \u201cToda constru\u00e7\u00e3o ou planta\u00e7\u00e3o existente em um terreno presume-se feita pelo propriet\u00e1rio e \u00e0 sua custa, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Caso f\u00e1tico adivinhado &#8211; processo sob segredo de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-analise-estrategica\"><a>6.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-1-questao-juridica\"><a>6.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil de 2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.253. <a>Toda constru\u00e7\u00e3o ou planta\u00e7\u00e3o existente em um terreno presume-se feita pelo propriet\u00e1rio e \u00e0 sua custa, at\u00e9 que se prove o contr\u00e1rio.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.660. Entram na comunh\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; os bens adquiridos na const\u00e2ncia do casamento por t\u00edtulo oneroso, ainda que s\u00f3 em nome de um dos c\u00f4njuges;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; as benfeitorias em bens particulares de cada c\u00f4njuge;<\/p>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 370. Caber\u00e1 ao juiz, de of\u00edcio ou a requerimento da parte, determinar as provas necess\u00e1rias ao julgamento do m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. O juiz indeferir\u00e1, em decis\u00e3o fundamentada, as dilig\u00eancias in\u00fateis ou meramente protelat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 371. O juiz apreciar\u00e1 a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicar\u00e1 na decis\u00e3o as raz\u00f5es da forma\u00e7\u00e3o de seu convencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 378. Ningu\u00e9m se exime do dever de colaborar com o Poder Judici\u00e1rio para o descobrimento da verdade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-2-possivel-o-afastamento-da-presuncao-de-que-a-acessao-foi-realizada-pelo-proprietario\"><a>6.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel o afastamento da presun\u00e7\u00e3o de que a acess\u00e3o foi realizada pelo propriet\u00e1rio?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se a atribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio acerca da realiza\u00e7\u00e3o de acess\u00f5es\/benfeitorias em im\u00f3vel de propriedade do c\u00f4njuge var\u00e3o, objeto de eventual <a>partilha em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio<\/a>, pode afastar a presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do <a>C\u00f3digo Civil de 2002<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Referida presun\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 categoria de presun\u00e7\u00f5es relativas (<em>juris tantum<\/em>) e, por isso, pode ser elidida por prova em contr\u00e1rio, sobretudo diante da relev\u00e2ncia da dimens\u00e3o temporal da prova relativa para a an\u00e1lise do caso concreto<\/strong>. Assim, \u00e9 fundamental definir se as acess\u00f5es\/benfeitorias s\u00e3o realizadas em per\u00edodos coincidentes com a rela\u00e7\u00e3o matrimonial, hip\u00f3tese em que esses bens deveriam ser partilhados. Ademais, a presun\u00e7\u00e3o presente no direito das coisas deve ceder lugar a outra presun\u00e7\u00e3o legal muito cara ao direito de fam\u00edlia, constante do art. 1.660, I e IV, do CC\/2002, segundo a qual se presume o esfor\u00e7o comum dos c\u00f4njuges na aquisi\u00e7\u00e3o dos bens realizada na const\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o matrimonial sob o regime da comunh\u00e3o parcial, situa\u00e7\u00e3o em que os respectivos bens devem ser partilhados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para dar concretude ao princ\u00edpio da persuas\u00e3o racional do juiz, insculpido no art. 371 do <a>CPC\/2015<\/a>, aliado aos postulados de boa-f\u00e9, de coopera\u00e7\u00e3o, de lealdade e de paridade de armas previstos no novo diploma processual civil (arts. 5\u00ba, 6\u00ba, 7\u00ba, 77, I e II, e 378 do CPC\/2015), com vistas a proporcionar uma decis\u00e3o de m\u00e9rito justa e efetiva, que foi introduzida a faculdade de o juiz, no exerc\u00edcio dos poderes instrut\u00f3rios que lhe competem (art. 370 do CPC\/2015), atribuir o \u00f4nus da prova de modo diverso entre os sujeitos do processo quando diante de situa\u00e7\u00f5es peculiares (art. 371, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015). A instrumentaliza\u00e7\u00e3o dessa faculdade foi denominada pela doutrina processual teoria da distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus da prova ou teoria da carga din\u00e2mica do \u00f4nus da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, \u00e9 indiferente procurar saber simplesmente quem teria realizado as constru\u00e7\u00f5es ou edifica\u00e7\u00f5es no im\u00f3vel objeto do lit\u00edgio, mas \u00e9 imprescind\u00edvel definir em que MOMENTO elas teriam sido realizadas, se na const\u00e2ncia ou n\u00e3o da uni\u00e3o conjugal, mostrando-se mais adequado carrear a produ\u00e7\u00e3o dessa prova para quem \u00e9 o (co)propriet\u00e1rio do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conclus\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge var\u00e3o como copropriet\u00e1rio do im\u00f3vel em cujas acess\u00f5es\/benfeitorias foram realizadas, faz presumir tamb\u00e9m o esfor\u00e7o comum do c\u00f4njuge virago na sua realiza\u00e7\u00e3o (art. 1.660, I e IV, do CC\/2002). Tamb\u00e9m, o fato de que ocorreram interrup\u00e7\u00f5es no v\u00ednculo matrimonial \u00e9 outra peculiaridade que autoriza a dinamiza\u00e7\u00e3o do \u00f4nus probat\u00f3rio para o recorrente (art. 371, \u00a7 1\u00ba, do CPC\/2015). <strong>&nbsp;Definir se elas foram realizadas na const\u00e2ncia do v\u00ednculo conjugal ou n\u00e3o vai proporcionar ao magistrado a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria para deliberar se devem compor ou n\u00e3o o acervo patrimonial a ser partilhado na a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-2-3-resultado-final\"><a>6.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio acerca da realiza\u00e7\u00e3o de acess\u00f5es\/benfeitorias em im\u00f3vel de propriedade do c\u00f4njuge var\u00e3o, objeto de eventual partilha em a\u00e7\u00e3o de div\u00f3rcio, pode afastar a presun\u00e7\u00e3o do art. 1.253 do C\u00f3digo Civil de 2002.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-im-possibilidade-da-instituicao-de-seguro-de-vida-por-pessoa-casada-em-beneficio-de-parceiro-em-relacao-concubinaria\"><a>7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (Im)Possibilidade da institui\u00e7\u00e3o de seguro de vida por pessoa casada em benef\u00edcio de parceiro em rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL <\/strong><strong>(IMPORTANTE!)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O seguro de vida n\u00e3o pode ser institu\u00eddo por pessoa casada em benef\u00edcio de parceiro em rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.391.954 &#8211; RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por maioria, julgado em 22\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-1-situacao-fatica\"><a>7.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Craudio mantinha relacionamento p\u00fablico e duradouro com Josefina desde os anos 1970. Ocorre que Craudi\u00e3o tamb\u00e9m era casado paralelamente com Gertrudes. J\u00e1 em idade avan\u00e7ada e ciente de que Josefina ficaria fora de sua heran\u00e7a, Craudi\u00e3o resolveu contratar um seguro de vida e apontar a concubina como benefici\u00e1ria de 75% da indeniza\u00e7\u00e3o, ao lado do filho que teve com ela (25%), tamb\u00e9m indicado como benefici\u00e1rio ao total acaso a m\u00e3e n\u00e3o pudesse receber.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que Jurema, a vi\u00fava, n\u00e3o ficou nem um pouco contente ao tomar conhecimento da situa\u00e7\u00e3o e interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega a ilegalidade da designa\u00e7\u00e3o da \u201coutra\u201d como benefici\u00e1ria do seguro e requereu que o valor em quest\u00e3o lhe fosse destinado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-analise-estrategica\"><a>7.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-1-questao-juridica\"><a>7.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Civil de 2002:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 550. A doa\u00e7\u00e3o do c\u00f4njuge ad\u00faltero ao seu c\u00famplice pode ser anulada pelo outro c\u00f4njuge, ou por seus herdeiros necess\u00e1rios, at\u00e9 dois anos depois de dissolvida a sociedade conjugal.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 793. \u00c9 v\u00e1lida a institui\u00e7\u00e3o do companheiro como benefici\u00e1rio, se ao tempo do contrato o segurado era separado judicialmente, ou j\u00e1 se encontrava separado de fato.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-2-possivel-a-instituicao-em-favor-da-concubina\"><a>7.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poss\u00edvel a institui\u00e7\u00e3o em favor da concubina?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia est\u00e1 em analisar a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 lei civil de contrato seguro de vida, em que indicada como benefici\u00e1ria parceira em rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria mantida concomitantemente a matrim\u00f4nio v\u00e1lido, sem que houvesse separa\u00e7\u00e3o judicial ou de fato.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vig\u00eancia do C\u00f3digo Civil de 1916, a partir da interpreta\u00e7\u00e3o conjunta dos arts 1.177 e 1.474, consolidou-se a jurisprud\u00eancia no <strong>sentido de vedar a indica\u00e7\u00e3o de concubina com benefici\u00e1ria de seguro de vida de homem casado e n\u00e3o separado de fato ou judicialmente, em raz\u00e3o de estar ela legalmente impedida de receber doa\u00e7\u00e3o do segurado<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com a vig\u00eancia do <a>C\u00f3digo Civil de 2002<\/a>, a regra do art. 1.177 foi literalmente reproduzida no art. 550<\/strong>, sendo certo, de outra parte, que o art. 793 do novo C\u00f3digo explicitou a IMPOSSIBILIDADE de a concubina ser benefici\u00e1ria de seguro de vida institu\u00eddo por homem casado e n\u00e3o separado de fato ou judicialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, permanece \u00edntegra a orienta\u00e7\u00e3o do STJ firmada com base no C\u00f3digo de 1916, e positivada no art. 793 do C\u00f3digo em vigor, inspirada na prote\u00e7\u00e3o do ordenamento jur\u00eddico ao casamento e \u00e0 uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entendimento se harmoniza com o recente julgamento pelo STF do RE 1.045.273\/SE, com repercuss\u00e3o geral reconhecida, no qual foi estabelecida a seguinte tese: &#8220;<strong>A preexist\u00eancia de casamento ou de uni\u00e3o est\u00e1vel de um dos conviventes, ressalvada a exce\u00e7\u00e3o do artigo 1723, \u00a7 1\u00ba, do C\u00f3digo Civil, impede o reconhecimento de novo v\u00ednculo referente ao mesmo per\u00edodo, inclusive para fins previdenci\u00e1rios, em virtude da consagra\u00e7\u00e3o do dever de fidelidade e da monogamia pelo ordenamento jur\u00eddico-constitucional brasileiro<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sendo v\u00e1lida a designa\u00e7\u00e3o da concubina (primeira benefici\u00e1ria), a indeniza\u00e7\u00e3o deve ser paga respeitando a indica\u00e7\u00e3o alternativa feita pelo falecido segurado para a hip\u00f3tese de n\u00e3o prevalecer a primeira benefici\u00e1ria, no caso, o filho oriundo do relacionamento (segundo benefici\u00e1rio), ao qual n\u00e3o se estende a veda\u00e7\u00e3o do art. 793 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-2-3-resultado-final\"><a>7.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O seguro de vida n\u00e3o pode ser institu\u00eddo por pessoa casada em benef\u00edcio de parceiro em rela\u00e7\u00e3o concubin\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-civil\"><a>DIREITO PROCESSUAL CIVIL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-interesse-da-uniao-na-condicao-de-assistente-simples-e-competencia-para-o-julgamento-de-embargos-de-declaracao-opostos-contra-acordao-proferido-pela-justica-estadual\"><a>8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Interesse da Uni\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de assistente simples e compet\u00eancia para o julgamento de embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Justi\u00e7a Estadual<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>EMBARGOS DE DIVERG\u00caNCIA EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Existindo interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o no feito, na condi\u00e7\u00e3o de assistente simples, a compet\u00eancia afigura-se da Justi\u00e7a Federal, conforme prev\u00ea o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, motivo pelo qual compete ao Tribunal Regional Federal o julgamento <a>de <\/a><a>embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Justi\u00e7a Estadual.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>EREsp 1.265.625-SP, Rel. Min. Francisco Falc\u00e3o, Corte Especial, por maioria, julgado em 30\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-1-situacao-fatica\"><a>8.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Petrobras foi condenada em uma a\u00e7\u00e3o de indeniza\u00e7\u00e3o por danos materiais em raz\u00e3o de descumprimento contratual. Ocorre que, em determinado momento do processo, deferiu-se o ingresso da Uni\u00e3o no feito, na qualidade de assistente simples da Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou-se a discutir ent\u00e3o a compet\u00eancia para julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-analise-estrategica\"><a>8.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-1-questao-juridica\"><a>8.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<a><\/a>Art. 43. Determina-se a compet\u00eancia no momento do registro ou da distribui\u00e7\u00e3o da peti\u00e7\u00e3o inicial, sendo irrelevantes as modifica\u00e7\u00f5es do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem \u00f3rg\u00e3o judici\u00e1rio ou alterarem a compet\u00eancia absoluta.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1.022. Cabem embargos de declara\u00e7\u00e3o contra qualquer decis\u00e3o judicial para:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; esclarecer obscuridade ou eliminar contradi\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; suprir omiss\u00e3o de ponto ou quest\u00e3o sobre o qual devia se pronunciar o juiz de of\u00edcio ou a requerimento;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; corrigir erro material.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Considera-se omissa a decis\u00e3o que:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assun\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia aplic\u00e1vel ao caso sob julgamento;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; incorra em qualquer das condutas descritas no&nbsp;art. 489, \u00a7 1\u00ba&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>Lei n. 9.469\/1997:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp;O Advogado-Geral da Uni\u00e3o, diretamente ou mediante delega\u00e7\u00e3o, e os dirigentes m\u00e1ximos das empresas p\u00fablicas federais, em conjunto com o dirigente estatut\u00e1rio da \u00e1rea afeta ao assunto, poder\u00e3o autorizar a realiza\u00e7\u00e3o de acordos ou transa\u00e7\u00f5es para prevenir ou terminar lit\u00edgios, inclusive os judiciais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1<sup>o<\/sup>&nbsp;Poder\u00e3o ser criadas c\u00e2maras especializadas, compostas por servidores p\u00fablicos ou empregados p\u00fablicos efetivos, com o objetivo de analisar e formular propostas de acordos ou transa\u00e7\u00f5es.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba A Uni\u00e3o poder\u00e1 intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou r\u00e9s, autarquias, funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sociedades de economia mista e empresas p\u00fablicas federais.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. As pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico poder\u00e3o, nas causas cuja decis\u00e3o possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econ\u00f4mica, intervir, independentemente da demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico, para esclarecer quest\u00f5es de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados \u00fateis ao exame da mat\u00e9ria e, se for o caso, recorrer, hip\u00f3tese em que, para fins de deslocamento de compet\u00eancia, ser\u00e3o consideradas partes.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-2-a-quem-compete-o-julgamento\"><a>8.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quem compete o julgamento?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Justi\u00e7a Federal!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de embargos de diverg\u00eancia que visam a compor o antagonismo de interpreta\u00e7\u00f5es dadas quanto \u00e0 necessidade ou n\u00e3o de seguimento do feito na Justi\u00e7a Federal ante a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na demanda, na qualidade de assistente simples pela Quarta e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, no julgamento do agravo interno deu provimento ao recurso especial, acolhendo a alega\u00e7\u00e3o de viola\u00e7\u00e3o do art. 535 do CPC\/1973 (atual art. 1.022 do <a>CPC\/2015<\/a>), determinando o retorno dos autos ao Tribunal de origem &#8211; Tribunal de Justi\u00e7a do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Uni\u00e3o ingressou no processo na qualidade de assistente, logo ap\u00f3s a interposi\u00e7\u00e3o de agravo interno pela assistida, interp\u00f4s embargos de declara\u00e7\u00e3o objetivando reparo de ordem processual no que tange \u00e0 determina\u00e7\u00e3o de retorno dos autos ao Tribunal de origem<\/strong>, uma vez que, ao reconhecer a Uni\u00e3o como assistente simples, a remessa dos autos deveria ser determinada ao Tribunal Regional Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 luz da interpreta\u00e7\u00e3o dada pela Quarta Turma, no caso em comento seria aplic\u00e1vel o art. 43 do CPC, que estabelece a regra da&nbsp;<em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>&nbsp;em favor do Tribunal de Justi\u00e7a, para se evitar deslocamentos indesej\u00e1veis do foro, consignando ainda que, tendo as decis\u00f5es de m\u00e9rito sido proferidas pela Justi\u00e7a Estadual, tanto no 1\u00ba como no 2\u00ba grau de jurisdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em possibilidade revisional pela Justi\u00e7a Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, entende a Segunda Turma, no julgamento do AgRg na RCDESP no REsp n. 556.382\/DF, sendo relator para o ac\u00f3rd\u00e3o o Ministro Herman Benjamin, que, havendo a interven\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na demanda, bem como o provimento do recurso por ofensa ao art. 535 do CPC, a remessa dos autos deve ser feita n\u00e3o mais ao Tribunal de Origem, mas sim ao Tribunal Regional Federal da circunscri\u00e7\u00e3o, de modo a respeitar efetivamente o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sob pena de nulidade de qualquer ato decis\u00f3rio praticado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o no foro estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, deve prevalecer o entendimento da Segunda Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 5\u00ba, par\u00e1grafo \u00fanico, da <a>Lei n. 9.469\/1997 <\/a>traz em sua reda\u00e7\u00e3o a previs\u00e3o legal da modalidade da interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala. Referida norma legal possibilita que, nas demandas que figurarem como parte &#8211; na qualidade de autoras ou r\u00e9s &#8211; autarquias, funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, sociedades de economia mista e empresas p\u00fablicas, a Uni\u00e3o e demais pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico intervenham de maneira ampla, n\u00e3o sendo necess\u00e1ria a demonstra\u00e7\u00e3o de interesse jur\u00eddico, bastando que os atos realizados no processo possam lhes gerar algum reflexo, ainda que meramente econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, <strong>no que diz respeito \u00e0 compet\u00eancia por ocasi\u00e3o da ocorr\u00eancia da interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala, conforme entendimento da Corte Superior, a interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala da Uni\u00e3o no processo n\u00e3o \u00e9 causa para o deslocamento da compet\u00eancia para a Justi\u00e7a Federal \u2014 porque nesse tipo de interven\u00e7\u00e3o h\u00e1 apenas interesse ECON\u00d4MICO, e n\u00e3o jur\u00eddico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A assist\u00eancia simples, por seu turno, encontra previs\u00e3o nos arts. 119 a 123 do C\u00f3digo de Processo Civil\/2015. Nos termos do referido c\u00f3digo, o assistente simples deve atuar como auxiliar da parte principal, na qual exercer\u00e1 os mesmos poderes e sujeitar-se-\u00e1 aos mesmos \u00f4nus processuais que o assistido, sendo ainda que do art. 119 extraem-se pressupostos de admissibilidade da assist\u00eancia, quais sejam: i) a exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica entre uma das partes do processo e o terceiro e; ii) a possibilidade de a senten\u00e7a influir na rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, verifica-se que, na assist\u00eancia simples, pela pr\u00f3pria dic\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Processo Civil, o terceiro interessado necessita ter interesse jur\u00eddico na causa, diferentemente do que ocorre na interven\u00e7\u00e3o an\u00f4mala, na qual basta, t\u00e3o somente, o interesse meramente de natureza econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso em an\u00e1lise, no momento da admiss\u00e3o da habilita\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o na demanda, esta foi realizada na qualidade de assistente simples e em decis\u00e3o que passou irrecorrida, sendo que, conforme anteriormente citado, nesses casos de interven\u00e7\u00e3o, o interesse jur\u00eddico na causa deve estar presente e assim o fora reconhecido.<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse jur\u00eddico espec\u00edfico da Uni\u00e3o a ser tutelado encontra-se presente, tendo em conta que reflete em evidente interesse p\u00fablico demonstrado &#8211; consubstanciado no abastecimento nacional de combust\u00edveis, considerado de utilidade p\u00fablica, conforme \u00a7 1\u00ba do art. 1\u00ba da Lei n. 9.847\/1999, uma vez que, com a condena\u00e7\u00e3o da assistida, poder\u00e1 ser afetada a continuidade das atividades desta e, consequentemente a atividade de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no \u00e2mbito nacional, sendo que a aliena\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria noticiada n\u00e3o tem o cond\u00e3o de desconstituir tal interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal disp\u00f5e que compete \u00e0 Justi\u00e7a Federal processar e julgar as causas em que a Uni\u00e3o for interessada na condi\u00e7\u00e3o de autora, r\u00e9, assistente ou oponente, fato que implicaria a remessa dos autos ao Ju\u00edzo federal. Assim, existindo o interesse da Uni\u00e3o no feito, na condi\u00e7\u00e3o de assistente simples, a compet\u00eancia afigura-se como da Justi\u00e7a Federal, conforme prev\u00ea o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, motivo pelo qual devem ser acolhidos os embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos pela Uni\u00e3o para determinar a baixa n\u00e3o mais ao Tribunal de origem, mas ao Tribunal Regional Federal competente para a an\u00e1lise do feito, para o que desinfluente o fato de que o ac\u00f3rd\u00e3o a ser integrado fora proferido no Ju\u00edzo estadual, uma vez que se trata de mat\u00e9ria atinente \u00e0 compet\u00eancia absoluta, n\u00e3o sujeita \u00e0&nbsp;<em>perpetuatio jurisdictionis<\/em>, consoante expresso no art. 43 do CPC, parte final, tudo nos termos do paradigma.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, deve prevalecer o entendimento dado pela Segunda Turma do STJ, reconhecer a compet\u00eancia da Justi\u00e7a Federal, sendo o Tribunal Regional Federal competente para novo julgamento dos embargos de declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-2-3-resultado-final\"><a>8.2.3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Existindo interesse jur\u00eddico da Uni\u00e3o no feito, na condi\u00e7\u00e3o de assistente simples, a compet\u00eancia afigura-se da Justi\u00e7a Federal, conforme prev\u00ea o art. 109, I, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, motivo pelo qual compete ao Tribunal Regional Federal o julgamento de embargos de declara\u00e7\u00e3o opostos contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Justi\u00e7a Estadual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-i-legitimidade-do-mp-para-ajuizar-acao-civil-publica-objetivando-a-restituicao-de-valores-indevidamente-recolhidos-a-titulo-de-emprestimo-compulsorio-sobre-aquisicao-de-automoveis-de-passeio-e-utilitarios\"><a>9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; (I)Legitimidade do MP para ajuizar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a restitui\u00e7\u00e3o de valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis de passeio e utilit\u00e1rios<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade ativa para <a>ajuizar <\/a><a>a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a restitui\u00e7\u00e3o de valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis de passeio e utilit\u00e1rios<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.709.093-ES, Rel. Min. Benedito Gon\u00e7alves, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022, DJe 01\/04\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-1-situacao-fatica\"><a>9.1.&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O MPF ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a restitui\u00e7\u00e3o de valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis de passeio e utilit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A Fazenda alegava que por versar sobre tema de natureza essencialmente tribut\u00e1ria, o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade ativa para demandar no caso. J\u00e1 o MPF sustentava que a quest\u00e3o tribut\u00e1ria aventada tem car\u00e1ter incidental, n\u00e3o podendo impedir sua atua\u00e7\u00e3o na defesa de direitos difusos, coletivos e individuais homog\u00eaneos e dos princ\u00edpios constitucionais afetos ao sistema tribut\u00e1rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-analise-estrategica\"><a>9.2.&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-1-o-mp-detem-legitimidade-para-tanto\"><a>9.2.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O MP det\u00e9m legitimidade para tanto?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 694.294 RG, sob o rito da repercuss\u00e3o geral, firmou entendimento no sentido de que o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade ativa para propor a\u00e7\u00e3o em que se discute a cobran\u00e7a (ou n\u00e3o) de tributo, assumindo a defesa dos interesses do contribuinte, deduzindo pretens\u00e3o referente a direito individual homog\u00eaneo dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na oportunidade, o STF sedimentou a seguinte tese: &#8220;<strong>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o possui legitimidade ativa&nbsp;<em>ad causam<\/em>&nbsp;para, em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, deduzir em ju\u00edzo pretens\u00e3o de natureza tribut\u00e1ria em defesa dos contribuintes, que vise questionar a constitucionalidade\/legalidade de tributo<\/strong>&#8221; (ARE 694294 RG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25\/04\/2013).<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, reconhece-se a ilegitimidade ativa do Minist\u00e9rio P\u00fablico para ajuizar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a restitui\u00e7\u00e3o de valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis de passeio e utilit\u00e1rios, nos termos do Decreto-Lei n. 2.288\/1986.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-2-2-resultado-final\"><a>9.2.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem legitimidade ativa para ajuizar a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica objetivando a restitui\u00e7\u00e3o de valores indevidamente recolhidos a t\u00edtulo de empr\u00e9stimo compuls\u00f3rio sobre aquisi\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis de passeio e utilit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-cabimento-da-interposicao-de-recurso-ordinario-contra-apelacao-em-mandado-de-seguranca\"><a>10.&nbsp; Cabimento da interposi\u00e7\u00e3o de recurso ordin\u00e1rio contra apela\u00e7\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM MANDADO DE SEGURAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 incab\u00edvel a <a>interposi\u00e7\u00e3o de recurso ordin\u00e1rio contra apela\u00e7\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>RMS 66.905-SP, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 22\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-1-situacao-fatica\"><a>10.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Cleide impetrou mandado de seguran\u00e7a em face de ato supostamente ilegal cometido pelo Instituto Presb. Em determinado momento do processo, Dr. Creisson, advogado de Cleide, interp\u00f4s recurso ordin\u00e1rio contra a apela\u00e7\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O STJ n\u00e3o conheceu do recurso, o que levou Dr. Creisson a interpor agravo interno alegando ter manejado o recurso ordin\u00e1rio a fim de evitar a incid\u00eancia da S\u00famula n. 7\/STJ (&#8220;A pretens\u00e3o de simples reexame de prova n\u00e3o enseja recurso especial.&#8221;), sustentando ser admiss\u00edvel, na hip\u00f3tese, a fungibilidade com a via especial.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-analise-estrategica\"><a>10.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-1-questao-juridica\"><a>10.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>S\u00famula n. 7\/STJ<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A pretens\u00e3o de simples reexame de prova n\u00e3o enseja recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-2-cabivel-o-ro\"><a>10.2.2. Cab\u00edvel o RO?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em absoluto!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, a parte manejou o recurso ordin\u00e1rio a fim de evitar a incid\u00eancia da <a>S\u00famula n. 7\/STJ (&#8220;A pretens\u00e3o de simples reexame de prova n\u00e3o enseja recurso especial.&#8221;), <\/a>e defende ser admiss\u00edvel, na hip\u00f3tese, a fungibilidade com a via especial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inexiste fungibilidade recursal entre as vias ordin\u00e1ria e especial, ante a aus\u00eancia de d\u00favida objetiva patente sobre as hip\u00f3teses de cabimento das esp\u00e9cies recursais<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e1tica confessadamente deliberada de manejar-se o recurso ordin\u00e1rio com o intuito de afastar a incid\u00eancia da S\u00famula n. 7\/STJ revela-se particularmente afrontosa ao Poder Judici\u00e1rio. A compet\u00eancia do STJ (e de outras) Cortes se afirma pelo ordenamento constitucional e suas deriva\u00e7\u00f5es, n\u00e3o pela estrat\u00e9gia processual articulada pelas partes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 ineg\u00e1vel erro grosseiro na interposi\u00e7\u00e3o do recurso ordin\u00e1rio contra ac\u00f3rd\u00e3o de apela\u00e7\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a<\/strong>. O fato de se tratar de erro deliberado, com intuito de burlar a compreens\u00e3o desta Corte sobre os requisitos constitucionais de manejo do recurso especial n\u00e3o mitiga ou afasta tal equ\u00edvoco; ao contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que se admitisse a descabida fungibilidade, por obviedade l\u00f3gica, a an\u00e1lise do recurso sob a via especial esbarraria, no \u00f3bice de que tentou se esquivar, resultando igualmente no n\u00e3o conhecimento da pretens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-2-3-resultado-final\"><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a><\/a><a>10.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 incab\u00edvel a interposi\u00e7\u00e3o de recurso ordin\u00e1rio contra apela\u00e7\u00e3o em mandado de seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-termo-inicial-dos-juros-de-mora-incidentes-sobre-os-honorarios-sucumbenciais-quando-do-recurso-manifestamente-intempestivo\"><a>11.&nbsp; Termo inicial dos juros de mora incidentes sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais quando do recurso manifestamente intempestivo<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a>termo inicial dos juros de mora incidentes sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais<\/a> d\u00e1-se no dia seguinte ao transcurso do prazo recursal, ainda que interposto recurso manifestamente intempestivo.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.984.292-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022, DJe 01\/04\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-1-situacao-fatica\"><a>11.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nirso ajuizou a\u00e7\u00e3o anulat\u00f3ria de neg\u00f3cio jur\u00eddico c\/c compensa\u00e7\u00e3o de danos, em face de Sol Energia S\/A. Em fase de cumprimento de senten\u00e7a, foi determinada a incid\u00eancia de juros sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais a partir do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o que inadmitiu o recurso especial.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformado, o advogado de Nirso interp\u00f4s recurso por entender que o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a que arbitrou os honor\u00e1rios ocorreu anteriormente, sendo que os recursos interpostos intempestivamente pela recorrida n\u00e3o s\u00e3o capazes de Justi\u00e7a de alterar essa data.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-analise-estrategica\"><a>11.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-1-questao-juridica\"><a>11.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC\/2015:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 85. A senten\u00e7a condenar\u00e1 o vencido a pagar honor\u00e1rios ao advogado do vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 8\u00ba Nas causas em que for inestim\u00e1vel ou irris\u00f3rio o proveito econ\u00f4mico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixar\u00e1 o valor dos honor\u00e1rios por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa, observando o disposto nos incisos do \u00a7 2\u00ba.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 16. Quando os honor\u00e1rios forem fixados em quantia certa, os juros morat\u00f3rios incidir\u00e3o a partir da data do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imut\u00e1vel e indiscut\u00edvel a decis\u00e3o de m\u00e9rito n\u00e3o mais sujeita a recurso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-2-o-recurso-manifestamente-intempestivo-altera-o-termo-inicial-dos-juros\"><a>11.2.2. O recurso manifestamente intempestivo altera o termo inicial dos juros?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooopssss!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme preceitua o art. 85, \u00a7 16, do <a>CPC\/2015<\/a>, &#8220;quando os honor\u00e1rios forem fixados em quantia certa, os juros morat\u00f3rios incidir\u00e3o a partir da data do tr\u00e2nsito em julgado da decis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na hip\u00f3tese, <strong>foi proferida senten\u00e7a que extinguiu o feito sem resolu\u00e7\u00e3o de m\u00e9rito, condenando a recorrida ao pagamento de honor\u00e1rios sucumbenciais arbitrados no percentual de 10% sobre o valor da causa. Ao depois, a recorrida interp\u00f4s recurso de apela\u00e7\u00e3o, o qual n\u00e3o foi conhecido ante a intempestividade, resultando na majora\u00e7\u00e3o da verba honor\u00e1ria em 1%. Por sua vez, o recurso especial foi inadmitido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse panorama, \u00e9 certo que os honor\u00e1rios advocat\u00edcios n\u00e3o foram arbitrados em quantia certa, isto \u00e9, por aprecia\u00e7\u00e3o equitativa (art. 85, \u00a7 8\u00ba, do CPC\/2015), mas sim em percentual sobre o valor atribu\u00eddo \u00e0 causa. Isso significa que a hip\u00f3tese n\u00e3o se subsome ao disposto no referido art. 85, \u00a7 16, do CPC\/2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada obstante, <strong>mesmo nas situa\u00e7\u00f5es em que os honor\u00e1rios de sucumb\u00eancia s\u00e3o fixados em percentual sobre o valor da causa, tem prevalecido no STJ o entendimento segundo o qual os juros de mora incidem a partir da exigibilidade da obriga\u00e7\u00e3o, o que se verifica com o tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrossim, importa sublinhar que n\u00e3o h\u00e1 controv\u00e9rsia, na esp\u00e9cie, acerca da incid\u00eancia dos juros de mora a partir do tr\u00e2nsito em julgado da senten\u00e7a. A quest\u00e3o controvertida diz respeito, exclusivamente, ao momento em que se operou o tr\u00e2nsito em julgado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imut\u00e1vel e indiscut\u00edvel a decis\u00e3o de m\u00e9rito n\u00e3o mais sujeita a recurso&#8221; (art. 502 do CPC\/2015). Ou seja, o tr\u00e2nsito em julgado \u00e9 pressuposto para a forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<em>res iudicata<\/em>&nbsp;concretiza o princ\u00edpio da seguran\u00e7a jur\u00eddica, tratando-se, segundo a doutrina, de &#8220;uma qualidade da senten\u00e7a, assumida em determinado momento processual. N\u00e3o \u00e9 efeito da senten\u00e7a, mas a qualidade dela representada pela &#8216;imutabilidade&#8217; do julgado e de seus efeitos, depois que n\u00e3o seja mais poss\u00edvel impugn\u00e1-los por meio de recurso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme elucida a doutrina processualista, &#8220;a interposi\u00e7\u00e3o intempestiva de um recurso n\u00e3o impede o tr\u00e2nsito em julgado&#8221;. Tal se justifica \u00e0 medida em que, para a forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada, \u00e9 necess\u00e1rio que todos os recursos j\u00e1 tenham sido interpostos e julgados ou n\u00e3o tenha sido interposto recurso contra a decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, h\u00e1 precedentes do STJ asseverando que o recurso intempestivo n\u00e3o obsta a forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada, de modo que a decis\u00e3o que atesta a sua intempestividade n\u00e3o posterga o termo final do tr\u00e2nsito em julgado, que ocorre imediatamente no dia seguinte ap\u00f3s expirado o prazo para interposi\u00e7\u00e3o do recurso tempestivo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 demais destacar que o entendimento consolidado do STF \u00e9 no sentido de que os recursos extraordin\u00e1rios, quando declarados inadmiss\u00edveis, n\u00e3o obstam a forma\u00e7\u00e3o da coisa julgada, retroagindo a data do tr\u00e2nsito em julgado ao momento em que esgotado o prazo legal para a interposi\u00e7\u00e3o dos recursos inadmitidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, na hip\u00f3tese de intempestividade do recurso, a coisa julgada forma-se no dia seguinte ao transcurso do prazo recursal, sendo esse o termo inicial dos juros de mora incidentes sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-2-3-resultado-final\"><a>11.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O termo inicial dos juros de mora incidentes sobre os honor\u00e1rios sucumbenciais d\u00e1-se no dia seguinte ao transcurso do prazo recursal, ainda que interposto recurso manifestamente intempestivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-requisitos-da-legitimidade-ativa-na-acao-civil-publica-das-pessoas-juridicas-da-administracao-publica-indireta\"><a>12.&nbsp; Requisitos da legitimidade ativa na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica das pessoas jur\u00eddicas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL <\/strong><strong>(IMPORTANTE!)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A legitimidade <a>ativa na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica das pessoas jur\u00eddicas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta <\/a>depende da pertin\u00eancia tem\u00e1tica <a>entre suas finalidades institucionais <\/a>e o interesse tutelado.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.978.138-SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-1-situacao-fatica\"><a>12.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Uma Funda\u00e7\u00e3o P\u00fablica (PROCON) ajuizou a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica com o objetivo de obstar o reajuste praticado pelo plano de sa\u00fade r\u00e9u (plano este operado na forma de autogest\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A operadora do plano de sa\u00fade interp\u00f4s sucessivos recursos sustentando a ilegitimidade da Funda\u00e7\u00e3o para tanto, uma vez que n\u00e3o haveria rela\u00e7\u00e3o de consumo nos planos de autogest\u00e3o e, portanto, a ilegitimidade ativa do Procon deveria ter sido reconhecida de plano.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-analise-estrategica\"><a>12.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-1-a-fundacao-tem-legitimidade\"><a>12.2.1. A Funda\u00e7\u00e3o tem legitimidade?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a pertin\u00eancia tem\u00e1tica consiste na &#8220;harmoniza\u00e7\u00e3o entre as finalidades institucionais das associa\u00e7\u00f5es civis ou dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos legitimados e o objeto a ser tutelado na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica. Em outras palavras, mencionadas pessoas somente poder\u00e3o propor a a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica em defesa de um interesse cuja tutela seja de sua finalidade institucional&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que o art. 5\u00ba da <a>Lei n. 7.347\/1985 <\/a>apenas exige expressamente da associa\u00e7\u00e3o, pessoa jur\u00eddica de direito privado, a comprova\u00e7\u00e3o de pertin\u00eancia tem\u00e1tica para propositura de a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conseguinte, em uma interpreta\u00e7\u00e3o literal, n\u00e3o seria necess\u00e1ria a comprova\u00e7\u00e3o da pertin\u00eancia tem\u00e1tica para que as autarquias, empresas p\u00fablicas, funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e sociedades de economia mista ajuizassem a\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa perspectiva, <strong>os integrantes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta passariam a ter amplos poderes, concorrendo, inclusive, com as finalidades institucionais do Minist\u00e9rio P\u00fablico e da Defensoria P\u00fablica, convertendo-se em verdadeiros &#8220;procuradores universais&#8221;, com legitimidade para ajuizamento das mais variadas demandas coletivas, independentemente de sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal concep\u00e7\u00e3o ignora as compet\u00eancias legais e estatut\u00e1rias das institui\u00e7\u00f5es, as quais delimitam o campo de atua\u00e7\u00e3o das pessoas jur\u00eddicas integrantes da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta. Sob o mesmo racioc\u00ednio, a doutrina entende que &#8220;n\u00e3o basta a exist\u00eancia f\u00e1tica de uma pessoa da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica indireta: necess\u00e1rio se faz o exame de seu regime estatut\u00e1rio (lei, regulamento, contrato ou ato de constitui\u00e7\u00e3o etc.). Ser\u00e1 o seu estatuto que conferir\u00e1 legitimidade adequada (ou n\u00e3o) \u00e0 pessoa jur\u00eddica, com densidades diferentes: uma coisa \u00e9 uma autarquia; outra, uma sociedade de economia mista com capital aberto na bolsa de valores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o h\u00e1 como considerar titular do interesse, na propositura da a\u00e7\u00e3o coletiva, pessoa jur\u00eddica da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta sem nenhum v\u00ednculo com a tese jur\u00eddica deduzida, cujo objeto litigioso n\u00e3o se encontra entre aqueles a serem protegidos por sua finalidade institucional.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-2-2-resultado-final\"><a>12.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A legitimidade ativa na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica das pessoas jur\u00eddicas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica indireta depende da pertin\u00eancia tem\u00e1tica entre suas finalidades institucionais e o interesse tutelado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-previdenciario\"><a>DIREITO PREVIDENCI\u00c1RIO<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-im-possibilidade-da-cumulacao-do-auxilio-acidente-com-proventos-de-aposentadoria-e-requisitos\"><a>13.&nbsp; (Im)Possibilidade da cumula\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio-acidente com proventos de aposentadoria e requisitos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o <a>do aux\u00edlio-acidente com proventos de aposentadoria <\/a>pressup\u00f5e que a eclos\u00e3o da les\u00e3o incapacitante, ensejadora do direito ao aux\u00edlio-acidente, e a concess\u00e3o da aposentadoria sejam anteriores \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do art. 86, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 8.213\/1991, promovida em 11\/11\/1997 pela Medida Provis\u00f3ria n. 1.596-14\/1997, posteriormente convertida na Lei n. 9.528\/1997, sendo irrelevante a data do termo inicial do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>AgInt no REsp 1.907.861-RJ, Rel. Min. Gurgel de Faria, Rel. Acd. Min. Regina Helena Costa, Primeira Turma, por maioria, julgado em 22\/03\/2022, DJe 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-1-situacao-fatica\"><a>13.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Djalma ajuizou a\u00e7\u00e3o por meio da qual intentava ter garantido seu direito a cumular o benef\u00edcio de aux\u00edlio-acidente com a aposentadoria especial. Destacou que teve concedida sua aposentadoria especial ainda em 1992, \u00e9poca em que a legisla\u00e7\u00e3o permitia a cumula\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios, mas que a sequela (surdez) apta a ensejar a concess\u00e3o do aux\u00edlio-acidente somente foi reconhecida em per\u00edcia no ano de 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Djalma, o fato de ter trabalhado exposto ao agente ru\u00eddo, raz\u00e3o da concess\u00e3o da aposentadoria especial, implicaria no reconhecimento de que a sequela teria ocorrido ainda antes da proibi\u00e7\u00e3o da acumula\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios, ocorrida em 1997, raz\u00e3o pela qual entende devida a concess\u00e3o e cumula\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio-acidente.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-analise-estrategica\"><a>13.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-1-questao-juridica\"><a>13.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 8.213\/1991:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 23.&nbsp;Considera-se como dia do acidente, no caso de doen\u00e7a profissional ou do trabalho, a data do in\u00edcio da incapacidade laborativa para o exerc\u00edcio da atividade habitual, ou o dia da segrega\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, ou o dia em que for realizado o diagn\u00f3stico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 86. O aux\u00edlio-acidente ser\u00e1 concedido, como indeniza\u00e7\u00e3o, ao segurado quando, ap\u00f3s consolida\u00e7\u00e3o das les\u00f5es decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem seq\u00fcelas que impliquem redu\u00e7\u00e3o da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba O aux\u00edlio-acidente ser\u00e1 devido a partir do dia seguinte ao da cessa\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio-doen\u00e7a, independentemente de qualquer remunera\u00e7\u00e3o ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua acumula\u00e7\u00e3o com qualquer aposentadoria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba&nbsp;O recebimento de sal\u00e1rio ou concess\u00e3o de outro benef\u00edcio, exceto de aposentadoria, observado o disposto no \u00a7 5\u00ba, n\u00e3o prejudicar\u00e1 a continuidade do recebimento do aux\u00edlio-acidente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00famula 507\/STJ:<\/p>\n\n\n\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o de aux\u00edlio-acidente com aposentadoria pressup\u00f5e que a les\u00e3o incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11\/11\/1997, observado o crit\u00e9rio do art. 23 da Lei n. 8.213\/1991 para defini\u00e7\u00e3o do momento da les\u00e3o nos casos de doen\u00e7a profissional ou do trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-2-possivel-a-cumulacao\"><a>13.2.2. Poss\u00edvel a cumula\u00e7\u00e3o?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Se for antes de 1997, t\u00e1 valendo!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia refere-se \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o a ser dada \u00e0 norma contida no par\u00e1grafo 2\u00ba do art. 86 da <a>Lei n. 8.213\/1991<\/a>, a fim de aferir a possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio de aux\u00edlio-acidente com aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente<strong>, cabe esclarecer que desde o seu texto original, o \u00a7 1 do art. 86 da Lei n. 8.213\/1991 estabelecia o car\u00e1ter vital\u00edcio do benef\u00edcio de aux\u00edlio-acidente, permitindo o seu pagamento conjunto com qualquer modalidade de aposentadoria, exceto a aposentadoria por invalidez que tivesse o mesmo fato gerador do aux\u00edlio-acidente<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 11.11.1997, contudo, a Medida Provis\u00f3ria n. 1.596-14\/1997, alterando a reda\u00e7\u00e3o do dispositivo, passou a estabelecer prazo final de pagamento do benef\u00edcio, sendo devido somente at\u00e9 a v\u00e9spera do in\u00edcio de qualquer aposentadoria, determinando, ainda, que o valor da presta\u00e7\u00e3o, a partir de ent\u00e3o, passe a integrar o sal\u00e1rio de contribui\u00e7\u00e3o para fins de c\u00e1lculo do sal\u00e1rio de benef\u00edcio dos proventos de aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, o Tribunal de origem julgou procedente o pedido de concess\u00e3o de aux\u00edlio-acidente, cumulado com o pagamento de aposentadoria, ao fundamento de ter a mol\u00e9stia que deu causa \u00e0 concess\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o se consolidado antes da altera\u00e7\u00e3o do art. 86, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 8.213\/1991, promovida em 11.11.1997 pela Medida Provis\u00f3ria n. 1.596-14\/1997, posteriormente convertida na Lei n. 9.528\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal entendimento n\u00e3o destoa da orienta\u00e7\u00e3o do STJ, firmada no julgamento do REsp 1.296.673\/MG, de relatoria do Min. Herman Benjamin, segundo o qual a acumula\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio-acidente com proventos de aposentadoria pressup\u00f5e que a eclos\u00e3o da les\u00e3o incapacitante, apta a gerar o direito ao aux\u00edlio-acidente, e a concess\u00e3o da aposentadoria sejam anteriores \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do art. 86, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 8.213\/1991, promovida em 11.11.1997 pela Medida Provis\u00f3ria 1.596-14\/1997, posteriormente convertida na Lei n. 9.528\/1997.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>De fato, nos termos da orienta\u00e7\u00e3o pacificada do STJ a legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel \u00e0 concess\u00e3o do aux\u00edlio-acidente \u00e9 aquela vigente no momento do in\u00edcio da incapacidade ou no dia do acidente, nos termos do art. 23 da Lei n. 8.213\/1991<\/strong>, n\u00e3o se podendo confundir tal marco temporal com o termo inicial do pagamento do benef\u00edcio. Assim, ainda que o termo inicial do pagamento tenha sido fixado em 2013, data da juntada do laudo pericial, o ac\u00f3rd\u00e3o regional expressamente consignou ter ocorrido a eclos\u00e3o da mol\u00e9stia em momento anterior a 1992, tendo em vista do nexo laboral reconhecido com a atividade desenvolvida pelo autor antes de sua aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, frisa-se que tal entendimento foi ratificado com a publica\u00e7\u00e3o da <a>S\u00famula 507\/STJ,&nbsp;<em>in verbis<\/em>: &#8220;A acumula\u00e7\u00e3o de aux\u00edlio-acidente com aposentadoria pressup\u00f5e que a les\u00e3o incapacitante e a aposentadoria sejam anteriores a 11\/11\/1997, observado o crit\u00e9rio do art. 23 da Lei n. 8.213\/1991 para defini\u00e7\u00e3o do momento da les\u00e3o nos casos de doen\u00e7a profissional ou do trabalho&#8221;.<\/a><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-2-3-resultado-final\"><a>13.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A possibilidade de cumula\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio-acidente com proventos de aposentadoria pressup\u00f5e que a eclos\u00e3o da les\u00e3o incapacitante, ensejadora do direito ao aux\u00edlio-acidente, e a concess\u00e3o da aposentadoria sejam anteriores \u00e0 altera\u00e7\u00e3o do art. 86, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba, da Lei n. 8.213\/1991, promovida em 11\/11\/1997 pela Medida Provis\u00f3ria n. 1.596-14\/1997, posteriormente convertida na Lei n. 9.528\/1997, sendo irrelevante a data do termo inicial do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-penal\"><a>DIREITO PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-crime-de-ameaca-cometido-na-presenca-de-filho-menor-de-idade-e-valoracao-negativa-da-culpabilidade-do-agente\"><a>14.&nbsp; Crime de amea\u00e7a cometido na presen\u00e7a de filho menor de idade e valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade do agente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Amea\u00e7ar a v\u00edtima na presen\u00e7a de seu filho menor de idade justifica a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade do agente.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 1.964.508-MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022, DJe 01\/04\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-1-situacao-fatica\"><a>14.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu foi condenado pelo crime de amea\u00e7a cometido contra sua companheira Creide. Na dosimetria da pena, o juiz entendeu que o fato de a conduta ter ocorrido na presen\u00e7a do filho menor de idade de ambos justificaria a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade de Tadeu.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a defesa de Tadeu interp\u00f4s sucessivos recursos nos quais alega que n\u00e3o haveria fundamento id\u00f4neo para an\u00e1lise negativa da vetorial culpabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-analise-estrategica\"><a>14.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-1-questao-juridica\"><a>14.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 59 &#8211; O juiz, atendendo \u00e0 culpabilidade, aos antecedentes, \u00e0 conduta social, \u00e0 personalidade do agente, aos motivos, \u00e0s circunst\u00e2ncias e conseq\u00fc\u00eancias do crime, bem como ao comportamento da v\u00edtima, estabelecer\u00e1, conforme seja necess\u00e1rio e suficiente para reprova\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o do crime:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; as penas aplic\u00e1veis dentre as cominadas;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a quantidade de pena aplic\u00e1vel, dentro dos limites previstos;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; a substitui\u00e7\u00e3o da pena privativa da liberdade aplicada, por outra esp\u00e9cie de pena, se cab\u00edvel<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-2-correta-a-valoracao-negativa\"><a>14.2.2. Correta a valora\u00e7\u00e3o negativa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> &nbsp;<strong>Com certeza!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A respeito da dosimetria da pena, vale anotar que sua individualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade vinculada a par\u00e2metros abstratamente cominados na lei, sendo, contudo, permitido ao julgador atuar discricionariamente na escolha da san\u00e7\u00e3o penal aplic\u00e1vel ao caso concreto, ap\u00f3s o exame percuciente dos elementos do delito, e em decis\u00e3o motivada<\/strong>. Dessarte, \u00e0s Cortes Superiores \u00e9 poss\u00edvel, apenas, o controle da legalidade e da constitucionalidade na dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, percebe-se que a pena-base do recorrente foi exasperada em raz\u00e3o do maior desvalor da vetorial culpabilidade. A culpabilidade, para fins do art. 59 do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, deve ser compreendida como ju\u00edzo de reprovabilidade da conduta, apontando maior ou menor censura do comportamento do r\u00e9u. N\u00e3o se trata de verifica\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia dos elementos da culpabilidade, para que se possa concluir pela pr\u00e1tica ou n\u00e3o de delito, mas, sim, do grau de reprova\u00e7\u00e3o penal da conduta do agente, mediante demonstra\u00e7\u00e3o de elementos concretos do delito.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso, depreende-se que o Tribunal de origem apresenta argumento v\u00e1lido, no sentido de que as amea\u00e7as foram lan\u00e7adas quando a v\u00edtima se encontrava com seu filho menor de idade, o que revela maior desvalor e censura na conduta do acusado, tratando-se de fundamento id\u00f4neo para an\u00e1lise negativa da culpabilidade.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-2-3-resultado-final\"><a>14.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Amea\u00e7ar a v\u00edtima na presen\u00e7a de seu filho menor de idade justifica a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade do agente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-afastamento-do-trafico-privilegiado-e-da-reducao-da-fracao-de-diminuicao-da-pena-como-constrangimento-ilegal\"><a>15.&nbsp; Afastamento do tr\u00e1fico privilegiado e da redu\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o da pena como constrangimento ilegal<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO ESPECIAL <\/strong><strong>(IMPORTANTE!)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Configura constrangimento ilegal o afastamento do tr\u00e1fico privilegiado e da redu\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de pena por presun\u00e7\u00e3o de que o agente se dedica a atividades criminosas, derivada unicamente da an\u00e1lise da natureza ou da quantidade de drogas apreendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.985.297-SP, Rel. Min. Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-1-situacao-fatica\"><a>15.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho foi condenado pelo crime previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, com a diminui\u00e7\u00e3o de pena. Em apela\u00e7\u00e3o do MP, o tribunal local negou provimento ao recurso da defesa e deu provimento ao recurso de apela\u00e7\u00e3o ministerial a fim de redimensionar a reprimenda pela pr\u00e1tica do delito descrito no art. 33, caput, da Lei n. 11.343\/2006, desta vez sem a diminui\u00e7\u00e3o de pena do \u00a74\u00ba do mesmo artigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Inconformada, a defesa de Creitinho alega que este faria jus \u00e0 forma privilegiada do tr\u00e1fico de entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-analise-estrategica\"><a>15.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-1-questao-juridica\"><a>15.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Lei n. 11.343\/2006:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 42. O juiz, na fixa\u00e7\u00e3o das penas, considerar\u00e1, com preponder\u00e2ncia sobre o previsto no art. 59 do C\u00f3digo Penal, a natureza e a quantidade da subst\u00e2ncia ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-2-o-afastamento-do-trafico-privilegiado-configura-constrangimento-ilegal\"><a>15.2.2. O afastamento do tr\u00e1fico privilegiado configura constrangimento ilegal?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A dosimetria da reprimenda penal, atividade jurisdicional caracterizada pelo exerc\u00edcio de discricionariedade vinculada, realiza-se dentro das balizas fixadas pelo legislador.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse aspecto, o tratamento legal conferido ao crime de tr\u00e1fico de drogas traz peculiaridades a serem observadas nas condena\u00e7\u00f5es respectivas; a natureza desse crime de perigo abstrato, que tutela o bem jur\u00eddico&nbsp;<em>sa\u00fade p\u00fablica<\/em>, fez com que o legislador elegesse dois elementos espec\u00edficos &#8211; necessariamente presentes no quadro jur\u00eddico-probat\u00f3rio que cerca aquela pr\u00e1tica delituosa, a saber, a natureza e a quantidade das drogas &#8211; para utiliza\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria na primeira fase da dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o tr\u00e1fico privilegiado \u00e9 instituto criado para beneficiar aquele que ainda n\u00e3o se encontra mergulhado nessa atividade il\u00edcita, independentemente do tipo ou do volume de drogas apreendidas, para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica criminal que favore\u00e7a o traficante eventual.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o tema, no julgamento do RE n. 666.334\/AM, submetido ao regime de repercuss\u00e3o geral (Tese n. 712), o STF fixou o entendimento de que a natureza e a quantidade de entorpecentes n\u00e3o podem ser utilizadas em duas fases da dosimetria da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, a Terceira Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do REsp n. n. 1.887.511\/SP (DJe de 1\u00ba\/7\/2021), partindo da premissa fixada na Tese n. 712 do STF, uniformizou o entendimento de que a natureza e a quantidade de entorpecentes devem ser necessariamente valoradas na primeira etapa da dosimetria, para modula\u00e7\u00e3o da pena-base.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, <strong>n\u00e3o h\u00e1 margem, na reda\u00e7\u00e3o do art. 42 da <a>Lei n. 11.343\/2006<\/a>, para utiliza\u00e7\u00e3o de suposta discricionariedade judicial que redunde na transfer\u00eancia da an\u00e1lise dos vetores &#8220;natureza e quantidade de drogas apreendidas&#8221; para etapas posteriores, j\u00e1 que erigidos ao&nbsp;<em>status<\/em>&nbsp;de circunst\u00e2ncias judiciais preponderantes, sem natureza residual.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, apenas circunst\u00e2ncias judiciais n\u00e3o preponderantes, previstas no art. 59 do C\u00f3digo Penal, podem ser utilizadas para modula\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de pena do tr\u00e1fico privilegiado, desde que n\u00e3o utilizadas para fixa\u00e7\u00e3o da pena-base.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o disso, configura constrangimento ilegal o afastamento do tr\u00e1fico privilegiado por presun\u00e7\u00e3o de que o agente se dedica a atividades criminosas, derivada unicamente da an\u00e1lise da natureza ou da quantidade de drogas apreendidas; da mesma maneira, configura constrangimento ilegal a redu\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de pena por esse mesmo e \u00fanico motivo.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-15-2-3-resultado-final\"><a>15.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Configura constrangimento ilegal o afastamento do tr\u00e1fico privilegiado e da redu\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de diminui\u00e7\u00e3o de pena por presun\u00e7\u00e3o de que o agente se dedica a atividades criminosas, derivada unicamente da an\u00e1lise da natureza ou da quantidade de drogas apreendidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-reu-policial-militar-condenado-pelo-crime-de-corrupcao-de-testemunha-e-perda-do-cargo-publico\"><a>16.&nbsp; R\u00e9u policial militar condenado pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o de testemunha e perda do cargo p\u00fablico<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento de que o r\u00e9u, condenado pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o de testemunha, praticou ato incompat\u00edvel com o cargo de policial militar, \u00e9 fundamento v\u00e1lido para a decreta\u00e7\u00e3o da perda do cargo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 710.966-SE, Rel. Min. Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 15\/03\/2022, DJe 28\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-1-situacao-fatica\"><a>16.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Crementino, policial militar, foi condenado pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o de testemunha a uma pena em regime aberto, tendo sido decretada, ainda, a perda do cargo p\u00fablico, nos termos do art. 92, I, a, do C\u00f3digo Penal. Inconformado, impetrou Habeas Corpus no qual alega a aus\u00eancia de fundamenta\u00e7\u00e3o para aplica\u00e7\u00e3o da fra\u00e7\u00e3o de 1\/5 na majorante do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 343 do C\u00f3digo Penal, bem como a aplica\u00e7\u00e3o da pena acess\u00f3ria de perda do cargo p\u00fablico, sem a apresenta\u00e7\u00e3o de fundamenta\u00e7\u00e3o id\u00f4nea, afirmando que agiu na condi\u00e7\u00e3o de particular, e n\u00e3o no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o de Policial Militar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-analise-estrategica\"><a>16.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-1-questao-juridica\"><a>16.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 92 &#8211; S\u00e3o tamb\u00e9m efeitos da condena\u00e7\u00e3o:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a perda de cargo, fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica ou mandato eletivo:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou viola\u00e7\u00e3o de dever para com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-2-justifica-a-perda-do-cargo\"><a>16.2.2. Justifica a perda do cargo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Yeaph!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso, verifica-se que <strong>a inst\u00e2ncia ordin\u00e1ria apresentou fundamenta\u00e7\u00e3o v\u00e1lida para a aplica\u00e7\u00e3o do art. 92, I, a, do <a>C\u00f3digo Penal<\/a>, asseverando que houve clara viola\u00e7\u00e3o de dever para com a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica por parte do sentenciado, que restou condenado por corromper testemunha que iria depor em processo penal no qual figurava como r\u00e9u, ato que, de fato, \u00e9 incompat\u00edvel com o cargo de policial militar<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, o reconhecimento de que o r\u00e9u praticou ato incompat\u00edvel com o cargo por ele ocupado \u00e9 fundamento suficiente para a decreta\u00e7\u00e3o do efeito extrapenal de perda do cargo p\u00fablico (AgRg no REsp n. 1.613.927\/RS, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 30\/09\/2016).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-16-2-3-resultado-final\"><a>16.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>O reconhecimento de que o r\u00e9u, condenado pelo crime de corrup\u00e7\u00e3o de testemunha, praticou ato incompat\u00edvel com o cargo de policial militar, \u00e9 fundamento v\u00e1lido para a decreta\u00e7\u00e3o da perda do cargo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-direito-processual-penal\"><a>DIREITO PROCESSUAL PENAL<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-des-necessidade-da-revisao-ex-oficcio-da-prisao-preventiva-a-cada-90-dias-quando-o-reu-encontra-se-foragido\"><a>17.&nbsp; (Des)Necessidade da revis\u00e3o ex oficcio da pris\u00e3o preventiva a cada 90 dias quando o r\u00e9u encontra-se foragido<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando o acusado encontrar-se foragido, n\u00e3o h\u00e1 o dever de revis\u00e3o ex officio da pris\u00e3o preventiva, a cada 90 dias, exigida pelo art. 316, par\u00e1grafo \u00fanico, do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>RHC 153.528-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022, DJe 01\/04\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-1-situacao-fatica\"><a>17.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Tadeu foi denunciado pelos crimes de associa\u00e7\u00e3o criminosa e crime contra a economia popular (pir\u00e2mide financeira). O juiz ent\u00e3o determinou a pris\u00e3o preventiva de Tadeu, mas este encontra-se foragido. Ainda assim, a defesa de Tadeu requereu a revis\u00e3o <em>ex oficcio<\/em> da pris\u00e3o preventiva ap\u00f3s decorrido o prazo de 90 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O requerimento foi negado pelo juiz de primeiro grau sob o fundamento de que a revis\u00e3o em quest\u00e3o seria exclusivamente em favor de quem foi efetivamente preso e n\u00e3o de quem se encontra foragido.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-analise-estrategica\"><a>17.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-1-questao-juridica\"><a>17.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>C\u00f3digo de Processo Penal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 316. O juiz poder\u00e1, de of\u00edcio ou a pedido das partes, revogar a pris\u00e3o preventiva se, no correr da investiga\u00e7\u00e3o ou do processo, verificar a falta de motivo para que ela subsista, bem como novamente decret\u00e1-la, se sobrevierem raz\u00f5es que a justifiquem.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Decretada a pris\u00e3o preventiva, dever\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o emissor da decis\u00e3o revisar a necessidade de sua manuten\u00e7\u00e3o a cada 90 (noventa) dias, mediante decis\u00e3o fundamentada, de of\u00edcio, sob pena de tornar a pris\u00e3o ilegal.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-2-deve-ser-revista-a-ordem-de-prisao-preventiva\"><a>17.2.2. Deve ser revista a ordem de pris\u00e3o preventiva?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Em absoluto!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mediante interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica de vi\u00e9s objetivo &#8211; a qual busca aferir o fim da lei, e n\u00e3o a suposta vontade do legislador, visto que aquela pode ser mais s\u00e1bia do que este -, a finalidade da norma que imp\u00f5e o dever de reexame&nbsp;<em>ex officio<\/em>&nbsp;buscar evitar o grav\u00edssimo constrangimento experimentado por quem, estando preso, sofre efetiva restri\u00e7\u00e3o \u00e0 sua liberdade, isto \u00e9, passa pelo constrangimento da efetiva pris\u00e3o, que \u00e9 muito maior do que aquele que adv\u00e9m da simples amea\u00e7a de pris\u00e3o. N\u00e3o poderia ser diferente, pois somente grav\u00edssimo constrangimento, como o sofrido pela efetiva pris\u00e3o, justifica o elevado custo despendido pela m\u00e1quina p\u00fablica com a promo\u00e7\u00e3o desses numerosos reexames impostos pela lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, n\u00e3o seria razo\u00e1vel ou proporcional obrigar todos os Ju\u00edzos criminais do pa\u00eds a revisar, de of\u00edcio, a cada 90 dias, todas as pris\u00f5es preventivas decretadas e n\u00e3o cumpridas, tendo em vista que, na pr\u00e1tica, h\u00e1 r\u00e9us que permanecem foragidos por anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo que se adoteinterpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica de vi\u00e9s subjetivo &#8211; relacionada ao fim da lei, tendo em vista suposta vontade ou motiva\u00e7\u00e3o do legislador -, a&nbsp;<em>finalidade<\/em>&nbsp;da norma aqui discutida continuar\u00e1 a se referir apenas a evitar o constrangimento da efetiva pris\u00e3o, e n\u00e3o a que decorre de mera amea\u00e7a depris\u00e3o. Isso porque &#8220;o objetivo principal desse par\u00e1grafo [do art. 316 do CPP] se liga ao ju\u00edzo de primeiro grau, buscando-se garantir que o processo, com r\u00e9u preso, tenha uma r\u00e1pida instru\u00e7\u00e3o para um t\u00e9rmino breve<\/strong>&#8220;.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se o acusado &#8211; que tem ci\u00eancia da investiga\u00e7\u00e3o ou processo e contra quem foi decretada a pris\u00e3o preventiva &#8211; encontra-se foragido, j\u00e1 se vislumbram, antes mesmo de qualquer reexame da pris\u00e3o, fundamentos para mant\u00ea-la &#8211; quais sejam, a necessidade de assegurar a aplica\u00e7\u00e3o da lei penal e a garantia da instru\u00e7\u00e3o criminal -, os quais, ali\u00e1s, conservar-se-\u00e3o enquanto perdurar a condi\u00e7\u00e3o de foragido do acusado. Assim, pragmaticamente, parece pouco efetivo para a prote\u00e7\u00e3o do acusado, obrigar o Ju\u00edzo processante a reexaminar a pris\u00e3o, de of\u00edcio, a cada 90 dias, nada impedindo, contudo, que a defesa protocole pedidos de revoga\u00e7\u00e3o ou relaxamento da cust\u00f3dia, quando entender necess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-17-2-3-resultado-final\"><a>17.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Quando o acusado encontrar-se foragido, n\u00e3o h\u00e1 o dever de revis\u00e3o ex officio da pris\u00e3o preventiva, a cada 90 dias, exigida pelo art. 316, par\u00e1grafo \u00fanico, do <a>C\u00f3digo de Processo Penal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-onus-da-conversao-do-conteudo-das-interceptacoes-telefonicas-em-formato-escolhido-pela-defesa\"><a>18.&nbsp; \u00d4nus da convers\u00e3o do conte\u00fado das intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas em formato escolhido pela defesa<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o do <a>conte\u00fado das intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas em formato escolhido pela defesa <\/a>n\u00e3o \u00e9 \u00f4nus atribu\u00eddo ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no RHC 155.813-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/02\/2022, DJe 21\/02\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-1-situacao-fatica\"><a>18.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Nerso foi denunciado pelo crime de organiza\u00e7\u00e3o criminosa previsto no art. 2\u00ba, \u00a7 4\u00ba, incisos IV e V, da Lei n. 12.850\/2013. De acordo com as investiga\u00e7\u00f5es realizadas pela Pol\u00edcia Federal no curso da Opera\u00e7\u00e3o Al\u00e9m-Mar, o agravante era respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as do chefe do grupo criminoso investigado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o recebimento da pe\u00e7a acusat\u00f3ria, a defesa impetrou habeas corpus postulando o aceso ao conte\u00fado integral das intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas realizadas na fase investigat\u00f3ria, aduzindo que n\u00e3o foi disponibilizado acesso ao conte\u00fado integral aos dados obtidos por meio do Sistema VIGIA, software utilizado para coordenar e implementar medidas necess\u00e1rias para realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias relativas a intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas e telem\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem foi parcialmente concedida, determinando-se o fornecimento de extratos com a totalidade das liga\u00e7\u00f5es efetuadas e recebidas pelos terminais monitorados durante o per\u00edodo da dilig\u00eancia. Ainda assim, a defesa insiste na necessidade de acesso INTEGRAL ao conte\u00fado original do sistema VIGIA.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-analise-estrategica\"><a>18.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-1-questao-juridica\"><a>18.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>XII &#8211; \u00e9 inviol\u00e1vel o sigilo da correspond\u00eancia e das comunica\u00e7\u00f5es telegr\u00e1ficas, de dados e das comunica\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, salvo, no \u00faltimo caso, por ordem judicial, nas hip\u00f3teses e na forma que a lei estabelecer para fins de investiga\u00e7\u00e3o criminal ou instru\u00e7\u00e3o processual penal;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-2-com-razao-a-defesa\"><a>18.2.2. Com raz\u00e3o a defesa?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O art. 5\u00ba, inciso XII, da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal <\/a>assegura a inviolabilidade das comunica\u00e7\u00f5es, ressalvando a possibilidade de quebra de sigilo telef\u00f4nico, por ordem judicial, nas hip\u00f3teses e na forma estabelecida pela Lei n. 9.296\/1996, para fins de investiga\u00e7\u00e3o criminal ou instru\u00e7\u00e3o processual penal.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso, constata-se que o conte\u00fado das intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas foi disponibilizado \u00e0 defesa, n\u00e3o havendo que se falar em nulidade por ser prefer\u00edvel um formato a outro ou em virtude de os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos possu\u00edrem sistema pr\u00f3prio para exame das grava\u00e7\u00f5es. Com efeito, os di\u00e1logos interceptados est\u00e3o integralmente dispon\u00edveis, em observ\u00e2ncia aos princ\u00edpios do contradit\u00f3rio, da ampla defesa e da paridade de armas, n\u00e3o sendo \u00f4nus atribu\u00eddo ao Estado a convers\u00e3o em formato escolhido pela defesa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-18-2-3-resultado-final\"><a>18.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o do conte\u00fado das intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas em formato escolhido pela defesa n\u00e3o \u00e9 \u00f4nus atribu\u00eddo ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-irdr-e-excesso-de-prazo-no-julgamento\"><a>19.&nbsp; IRDR e excesso de prazo no julgamento<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como se reconhecer <a>excesso de prazo no julgamento <\/a>do Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas 0008770-65.2021.8.17.9000 instaurado pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco, quando n\u00e3o extrapolado o prazo estipulado no art. 980 do CPC, assim como n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na suspens\u00e3o dos recursos que versam sobre o c\u00f4mputo em dobro de pena dos presos no Complexo do Curado at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o do Incidente.<\/p>\n\n\n\n<p>AgRg no HC 708.653-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 15\/03\/2022, DJe 18\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-1-situacao-fatica\"><a>19.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>A Se\u00e7\u00e3o Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco (TJPE) instaurou, por unanimidade, em atendimento a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado, um Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas (IRDR), n\u00ba 0008770-65.2021.8.17.9000, determinando a suspens\u00e3o dos efeitos pr\u00e1ticos da contagem em dobro do tempo de pris\u00e3o nas unidades integrantes do denominado Complexo do Curado, bem como a suspens\u00e3o de todos os recursos de agravo de execu\u00e7\u00e3o, relacionados \u00e0 referida quest\u00e3o jur\u00eddica at\u00e9 o julgamento do m\u00e9rito do Incidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que tal incidente ainda n\u00e3o foi julgado, o que levou a defesa de um dos detentos a impetrar Habeas Corpus alegando o excesso de prazo no julgamento do IRDR em quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-analise-estrategica\"><a>19.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-1-questao-juridica\"><a>19.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPC:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 980. O incidente ser\u00e1 julgado no prazo de 1 (um) ano e ter\u00e1 prefer\u00eancia sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam r\u00e9u preso e os pedidos de&nbsp;habeas corpus&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Superado o prazo previsto no&nbsp;caput&nbsp;, cessa a suspens\u00e3o dos processos prevista no&nbsp;art. 982&nbsp;, salvo decis\u00e3o fundamentada do relator em sentido contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 5\u00ba Todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes:<\/p>\n\n\n\n<p>LXXVIII &#8211; a todos, no \u00e2mbito judicial e administrativo, s\u00e3o assegurados a razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramita\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-2-ha-excesso-de-prazo\"><a>19.2.2. H\u00e1 excesso de prazo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Nooops!!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cinge-se a controv\u00e9rsia \u00e0 exist\u00eancia de excesso de prazo para o julgamento do Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco, assim como a suspens\u00e3o dos recursos que versam sobre o c\u00f4mputo em dobro de pena dos presos no Complexo do Curado at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o do referido Incidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, n\u00e3o h\u00e1 como se reconhecer excesso de prazo no julgamento de Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas quando n\u00e3o extrapolado o prazo estipulado no art. 980 do <a>CPC<\/a> (1 ano).<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, <strong>a jurisprud\u00eancia do STJ \u00e9 assente no sentido de que a aferi\u00e7\u00e3o do excesso de prazo reclama a observ\u00e2ncia da garantia da dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo, prevista no art. 5\u00ba, LXXVIII, da <a>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/a>. Tal verifica\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o se realiza de forma puramente matem\u00e1tica.<\/strong> Reclama, ao contr\u00e1rio, um ju\u00edzo de razoabilidade, no qual devem ser sopesados n\u00e3o s\u00f3 o tempo para o julgamento do recurso, mas tamb\u00e9m as peculiaridades da causa, sua complexidade, bem como quaisquer fatores que possam influir na tramita\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p>A instaura\u00e7\u00e3o de Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco, assim como a suspens\u00e3o dos recursos que versam sobre o c\u00f4mputo em dobro de pena dos presos no Complexo do Curado at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o do Incidente, n\u00e3o consubstanciam recalcitr\u00e2ncia em cumprir a Resolu\u00e7\u00e3o de 28\/11\/2018 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, nem tampouco desafiam o entendimento exarado por esta Corte no Agravo Regimental no Habeas Corpus n. 136.961\/RJ.<\/p>\n\n\n\n<p>Existindo diverg\u00eancia entre as Varas de Execu\u00e7\u00f5es Penais de Pernambuco sobre a aplica\u00e7\u00e3o da medida provis\u00f3ria emanada da Corte Interamericana de Direitos Humanos &#8211; CIDH em rela\u00e7\u00e3o a temas relacionados a aspectos pr\u00e1ticos da forma c\u00f4mputo do prazo em dobro, a futura delibera\u00e7\u00e3o a ser exarada no IRDR garantir\u00e1 tratamento ison\u00f4mico aos presos no Complexo do Curado, assim como seguran\u00e7a jur\u00eddica que deflui da prola\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es harm\u00f4nicas sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de os presos, no Complexo do Curado\/PE, ainda n\u00e3o terem recebido o benef\u00edcio, por si s\u00f3, n\u00e3o implica tratamento desigual em compara\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o de presos no Instituto Penal Pl\u00e1cido de S\u00e1 Carvalho\/RJ que, eventualmente, j\u00e1 o tenham recebido. A desigualdade, se viesse a existir, defluiria de discrep\u00e2ncia entre as regras para contagem e recebimento do benef\u00edcio estabelecidas nos dois Tribunais de Justi\u00e7a estaduais para situa\u00e7\u00f5es equivalentes, o que n\u00e3o se pode nem mesmo aferir antes do julgamento do IRDR em Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que o direito do cidad\u00e3o \u00e0 presta\u00e7\u00e3o jurisdicional n\u00e3o corresponde ao direito de subverter toda a ordem da organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria posta em normas de compet\u00eancia (tanto constitucionais quanto infraconstitucionais) e em normas que estabelecem regras de funcionamento de recursos, de a\u00e7\u00f5es constitucionais aut\u00f4nomas e de suced\u00e2neos recursais. Por esse motivo, n\u00e3o pode o jurisdicionado pretender que as Cortes Superiores se manifestem sobre tema sobre o qual ainda n\u00e3o se pronunciaram as inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias, ainda que se trate de mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica conhec\u00edvel de of\u00edcio pelo julgador. Se isso fosse poss\u00edvel, al\u00e9m de perder a utilidade a manuten\u00e7\u00e3o de tribunais de segundo grau, seria o mesmo que admitir que cabe ao jurisdicionado o direito de &#8220;escolher&#8221; a qual tribunal se dirigir com o pedido de reexame de mat\u00e9ria decidida no 1\u00ba grau, o que corresponderia ao reino da inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-19-2-3-resultado-final\"><a>19.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como se reconhecer excesso de prazo no julgamento do Incidente de Resolu\u00e7\u00e3o de Demandas Repetitivas 0008770-65.2021.8.17.9000 instaurado pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco, quando n\u00e3o extrapolado o prazo estipulado no art. 980 do CPC, assim como n\u00e3o h\u00e1 ilegalidade na suspens\u00e3o dos recursos que versam sobre o c\u00f4mputo em dobro de pena dos presos no Complexo do Curado at\u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o do Incidente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-i-licitude-das-provas-por-violacao-ao-sigilo-de-dados-bancarios-em-razao-do-compartilhamento-de-dados-de-movimentacoes-financeiras-da-propria-instituicao-bancaria-ao-ministerio-publico\"><a>20.&nbsp; (I)Licitude das provas por viola\u00e7\u00e3o ao sigilo de dados banc\u00e1rios, em raz\u00e3o do compartilhamento de dados de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>RECURSO EM HABEAS CORPUS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ilicitude das <a>provas por viola\u00e7\u00e3o ao sigilo de dados banc\u00e1rios, em raz\u00e3o do compartilhamento de dados de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>RHC 147.307-PE, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1\u00aa Regi\u00e3o), Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 29\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-1-situacao-fatica\"><a>20.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Atirso, na qualidade de funcion\u00e1rio do Banco do Nordeste, exercendo o cargo de Gerente-Geral de ag\u00eancia, foi denunciado pela suposta pr\u00e1tica dos crimes contra o Sistema Financeiro (arts. 4\u00ba e 19 da Lei 7.492\/86); peculato (art. 312 do CP); lavagem de dinheiro (art. 1\u00ba da Lei 9.613\/98) e organiza\u00e7\u00e3o criminosa (art. 2\u00ba da Lei 12.850\/13).<\/p>\n\n\n\n<p>A defesa de Atirso impetrou Habeas Corpus no qual alega que o Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o tem poder para acessar, diretamente, informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias sigilosas de investigado, ainda que para fins penais, salvo se previamente autorizado por ordem judicial. Ressaltou ainda que as informa\u00e7\u00f5es foram compartilhadas diretamente com o MP pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o financeira que, ao suspeitar da fraude, repassou as informa\u00e7\u00f5es ao MP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-analise-estrategica\"><a>20.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-1-tudo-certo-arnaldo\"><a>20.2.1. Tudo certo, Arnaldo?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Segue o jogo!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 falar-se em ilicitude das provas por viola\u00e7\u00e3o ao sigilo de dados banc\u00e1rios, em raz\u00e3o do compartilhamento de dados pela institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, por n\u00e3o se tratar de informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias sigilosas relativas \u00e0 pessoa do investigado, sen\u00e3o de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o, sem falar que, ap\u00f3s o recebimento da not\u00edcia-crime, o Minist\u00e9rio P\u00fablico requereu ao ju\u00edzo de primeiro grau a quebra do sigilo banc\u00e1rio e o compartilhamento pelo Banco de todos os documentos relativos \u00e0 apura\u00e7\u00e3o relacionada aos autos do ora recorrente, o que foi deferido, havendo, portanto, autoriza\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme destacou o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal em seu parecer, &#8220;as alegadas informa\u00e7\u00f5es sigilosas n\u00e3o s\u00e3o os dados banc\u00e1rios do investigado, e sim, conforme destacou o magistrado de origem em sua decis\u00e3o e nas informa\u00e7\u00f5es prestadas, as informa\u00e7\u00f5es e registros relacionados \u00e0 sua atividade laboral como funcion\u00e1rio do Banco&#8221;, &#8220;verificou, outrossim, que os recursos liberados terminaram tendo destina\u00e7\u00e3o estranha \u00e0 sua finalidade<strong>. E tudo isso mediante an\u00e1lise de rotinas pr\u00f3prias da institui\u00e7\u00e3o financeira, com mecanismos de controle como a verifica\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es realizadas pelo servidor com sua senha, e dos&nbsp;<em>e-mails<\/em>&nbsp;institucionais, os quais n\u00e3o est\u00e3o resguardados pela prote\u00e7\u00e3o da intimidade, pois o&nbsp;<em>e-mail<\/em>&nbsp;funcional \u00e9 fornecido como ferramenta de trabalho e serve ao empregador para acompanhar \u00edndices importantes do funcion\u00e1rio, como metas de produtividade, tempo de trabalho e conte\u00fado acessado&#8221;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-20-2-2-resultado-final\"><a>20.2.2. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ilicitude das provas por viola\u00e7\u00e3o ao sigilo de dados banc\u00e1rios, em raz\u00e3o do compartilhamento de dados de movimenta\u00e7\u00f5es financeiras da pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria ao Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-autorizacao-da-entrada-em-domicilio-para-prisao-e-limites-da-busca\"><a>21.&nbsp; Autoriza\u00e7\u00e3o da entrada em domic\u00edlio para pris\u00e3o e limites da busca<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>HABEAS CORPUS <\/strong><strong>(IMPORTANTE!)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Admitir a entrada na resid\u00eancia especificamente para efetuar uma pris\u00e3o n\u00e3o significa conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado indistintamente, em verdadeira pescaria probat\u00f3ria (fishing expedition), sob pena de nulidade das provas colhidas por desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>HC 663.055-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 22\/03\/2022. (Info 731)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-1-situacao-fatica\"><a>21.1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Situa\u00e7\u00e3o F\u00c1TICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Creitinho andava pela rua tranquilamente quando avistou uma viatura policial, raz\u00e3o pela qual empreendeu fuga. A PM imediatamente come\u00e7ou a persegui\u00e7\u00e3o e, por meio de questionamentos aos moradores locais, foi informada que o fugitivo estaria escondido em um cemit\u00e9rio pr\u00f3ximo. Novamente, Creitinho fugiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Os policiais ent\u00e3o colheram informa\u00e7\u00f5es acerca da resid\u00eancia do suspeito. Ao chegar no local, tiveram a entrada supostamente autorizada pela esposa de Creitinho (mas negado em ju\u00edzo) e que ap\u00f3s a pris\u00e3o deste, os policiais aproveitaram para realizar uma ampla busca na resid\u00eancia, na qual encontraram drogas e ainda uma arma de fogo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-analise-estrategica\"><a>21.2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; An\u00e1lise ESTRAT\u00c9GICA.<\/a><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-1-questao-juridica\"><a>21.2.1. Quest\u00e3o JUR\u00cdDICA.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>CPP:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art.&nbsp;248.&nbsp;&nbsp;Em casa habitada, a busca ser\u00e1 feita de modo que n\u00e3o moleste os moradores mais do que o indispens\u00e1vel para o \u00eaxito da dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-2-validas-as-provas-obtidas-em-busca-ampla\"><a>21.2.2. V\u00e1lidas as provas obtidas em busca ampla?<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p><strong><em><u>R:<\/u><\/em><\/strong> <strong>Noops!!!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, <strong>\u00e9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o entre autoriza\u00e7\u00e3o para ingressar em domic\u00edlio a fim de efetuar uma pris\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o para realizar busca domiciliar \u00e0 procura de drogas ou outros objetos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de medida invasiva e que restringe sobremaneira o direito fundamental \u00e0 intimidade, o ingresso em morada alheia deve se circunscrever apenas ao estritamente necess\u00e1rio para cumprir a finalidade da dilig\u00eancia. \u00c9 o que se extrai da exegese do art. 248 do <a>CPP<\/a>, segundo o qual, &#8220;Em casa habitada, a busca ser\u00e1 feita de modo que n\u00e3o moleste os moradores mais do que o indispens\u00e1vel para o \u00eaxito da dilig\u00eancia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ora, se mesmo de posse de um mandado de busca e apreens\u00e3o expedido pelo Poder Judici\u00e1rio, o executor da ordem deve se ater aos limites do escopo &#8211; vinculado \u00e0 justa causa<\/strong> &#8211; para o qual se admitiu a excepcional restri\u00e7\u00e3o do direito fundamental \u00e0 intimidade, com muito mais raz\u00e3o isso deve ser respeitado quando o ingresso em domic\u00edlio ocorrer sem pr\u00e9vio respaldo da autoridade judicial competente (terceiro imparcial e desinteressado), sob pena de nulidade das provas colhidas por desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale dizer, admitir a entrada na resid\u00eancia especificamente para efetuar uma pris\u00e3o n\u00e3o significa conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado indistintamente, em verdadeira pescaria probat\u00f3ria (<em>fishing expedition<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Dois exemplos bem ilustram a quest\u00e3o. Imagine-se que, no decorrer de uma investiga\u00e7\u00e3o pela pr\u00e1tica dos crimes de furto e recepta\u00e7\u00e3o, a autoridade policial represente pela concess\u00e3o de mandado de busca e apreens\u00e3o, a fim de recuperar um celular subtra\u00eddo, cujo localizador (GPS) aponte estar em determinada moradia. Deferida a ordem para a procura do aparelho, a pol\u00edcia, por ocasi\u00e3o do cumprimento da dilig\u00eancia, aproveita a oportunidade para levar c\u00e3es farejadores com o objetivo de verificar a poss\u00edvel exist\u00eancia de drogas no local, as quais acabam sendo encontradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Pense-se, ainda, na situa\u00e7\u00e3o em que uma motocicleta \u00e9 roubada e tem in\u00edcio persegui\u00e7\u00e3o policial aos assaltantes, os quais se refugiam em casa. Como decorr\u00eancia do flagrante delito de roubo, os policiais ingressam no local, efetuam a pris\u00e3o e apreendem o ve\u00edculo subtra\u00eddo. Na sequ\u00eancia, decidem aproveitar o fato de j\u00e1 estarem dentro do im\u00f3vel para procurar subst\u00e2ncias entorpecentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em ambas as situa\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas trazidas, conquanto seja perfeitamente l\u00edcito o ingresso em domic\u00edlio, \u00e9 ilegal a apreens\u00e3o das drogas, por n\u00e3o haver sido precedida de justa causa quanto \u00e0 sua exist\u00eancia e por n\u00e3o decorrer de mero encontro fortuito &#8211; esse admiss\u00edvel &#8211; mas sim de manifesto desvio de finalidade no cumprimento do ato, o qual, no primeiro caso, se limitava a autorizar o ingresso para a recupera\u00e7\u00e3o do celular subtra\u00eddo; no segundo, apenas para efetuar a pris\u00e3o do roubador e recuperar a motocicleta subtra\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, \u00e9 il\u00edcita a prova colhida em caso de desvio de finalidade ap\u00f3s o ingresso em domic\u00edlio, seja no cumprimento de mandado de pris\u00e3o ou de busca e apreens\u00e3o expedido pelo Poder Judici\u00e1rio, seja na hip\u00f3tese de ingresso sem pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial, como ocorre em situa\u00e7\u00e3o de flagrante delito. O agente respons\u00e1vel pela dilig\u00eancia deve sempre se ater aos limites do escopo &#8211; vinculado \u00e0 justa causa &#8211; para o qual excepcionalmente se restringiu o direito fundamental \u00e0 intimidade, ressalvada a possibilidade de encontro fortuito de provas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-21-2-3-resultado-final\"><a>21.2.3. Resultado final.<\/a><\/h4>\n\n\n\n<p>Admitir a entrada na resid\u00eancia especificamente para efetuar uma pris\u00e3o n\u00e3o significa conceder um salvo-conduto para que todo o seu interior seja vasculhado indistintamente, em verdadeira pescaria probat\u00f3ria (<em>fishing expedition<\/em>), sob pena de nulidade das provas colhidas por desvio de finalidade.<\/p>\n\n\n\n<div data-wp-interactive=\"core\/file\" class=\"wp-block-file\"><object aria-label=\"Incorporar PDF\" data-wp-bind--hidden=\"!state.hasPdfPreview\" hidden><\/object><a id=\"wp-block-file--media-d5898e7b-976b-44cc-9347-a88ffcd32353\" href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/04\/24160716\/stj-731.pdf\">stj-731<\/a><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2022\/04\/24160716\/stj-731.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download aria-describedby=\"wp-block-file--media-d5898e7b-976b-44cc-9347-a88ffcd32353\">Baixar<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Informativo n\u00ba 731 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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DIREITO ADMINISTRATIVO 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Magistrado em licen\u00e7a capacita\u00e7\u00e3o no exterior e vantagens de Retribui\u00e7\u00e3o por Dire\u00e7\u00e3o de F\u00f3rum e Gratifica\u00e7\u00e3o pelo Exerc\u00edcio Cumulado de Jurisdi\u00e7\u00e3o ou Acumula\u00e7\u00e3o de Acervo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":833,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"post_tipo":"article","footnotes":""},"categories":[1,2185],"tags":[],"tax_estado":[219964,219965,219966,219967,219968,219969,219963,219970,219971,219972,219973,219974,219975,219976,219977,219978,219979,219980,219981,219982,219983,219984,219985,219986,219987,219988,219989,219990],"class_list":["post-1014230","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cursos-e-concursos","category-carreiras-juridicas","tax_estado-ac","tax_estado-al","tax_estado-am","tax_estado-ap","tax_estado-ba","tax_estado-ce","tax_estado-concursos-federais","tax_estado-df","tax_estado-es","tax_estado-go","tax_estado-ma","tax_estado-mg","tax_estado-ms","tax_estado-mt","tax_estado-pa","tax_estado-pb","tax_estado-pe","tax_estado-pi","tax_estado-pr","tax_estado-rj","tax_estado-rn","tax_estado-ro","tax_estado-rr","tax_estado-rs","tax_estado-sc","tax_estado-se","tax_estado-sp","tax_estado-to"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.2 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Informativo STJ 731 Comentado<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/informativo-stj-731-comentado\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Informativo STJ 731 Comentado\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Informativo n\u00ba 731 do STJ\u00a0COMENTADO\u00a0pintando na telinha (do seu computador, notebook, tablet, celular&#8230;) para quem est\u00e1 ligado aqui conosco no Estrat\u00e9gia Carreiras Jur\u00eddicas! 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