Trajetória até o cargo de Procurador Federal, não, não foi fácil, mas cheguei lá.
Nick Simonek Maluf Cavalcante

Trajetória até o cargo de Procurador Federal, não, não foi fácil, mas cheguei lá.

Minha trajetória até o cargo de Procurador Federal, não, não foi fácil, mas cheguei lá.

 

Desde criança sempre tive as melhores oportunidades, seja financeiras, sociais ou mesmo outras. Considerando que meus pais, médicos, sempre trabalharam muito duro para me dar todas as oportunidades, me sentia um privilegiado em um país cuja desigualdade social é enorme.

 

No entanto, ter todas as oportunidades não significa lograr êxito em determinada carreira pública, até porque concurso público, dentre outras opções, ainda se mostra o melhor caminho para aferir o desempenho dos concorrentes.

 

Em meados de 2006, após fracassar no vestibular para uma Universidade Pública, ingressei no curso de direito para uma faculdade privada que iniciava o curso de direito, ou seja, tudo muito incerto. Naquela época, nem passava pela minha cabeça em um dia ser Procurador Federal, tal meta se mostrava impossível diante do meu perfil.

 

No entanto, em meados de 2008, um fato triste mudou minha vida, meu querido pai descobriu um câncer maligno que, infelizmente, após uma longa batalha, veio a culminar no seu falecimento no presente ano. Calma, ainda estamos em 2008.

 

Ainda em 2008, diante do fato acima, passei a estudar por conta própria e mudei totalmente meu perfil, sendo que à época trabalhava em um grande escritório de advocacia, tentando manter meus estudos ainda que com sobrecarga de trabalho, mas sem qualquer foco em concurso público.

 

Isso mesmo que escrevi acima, pretendia ser advogado de um grande escritório. Em 2009, antes de formado, passei no exame de ordem e no início de 2010 já estava contratado em um dos maiores escritórios de advocacia do país.

 

Ocorre que à época, no final de 2009, havia prestado um concurso para ingresso na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, sem qualquer pretensão de ser aprovado. No entanto, para minha surpresa, logrei êxito e surgiu a seguinte dúvida: Fazer o curso ou me manter empregado em um dos maiores escritórios de advocacia do país? Graças ao meu querido e sábio pai, cuja saudades serão eternas, e também a minha incansável mãe, tomei a decisão, ao meu ver correta, e larguei tudo. Fui estudar para concurso público.

 

Naquele momento, de grande insegurança pessoal e ainda sem acreditar que seria possível, comecei na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, fazendo um percurso diário de aproximadamente 1 h e 30 minutos da minha casa até a sede da Escola e estudando até de noite. No começo confesso que estudava apenas o que era lecionado em aulas diárias, mas após percebi que o correto, no meu caso, seria estudar com planejamento necessário, ou seja, não só o que assistia nas aulas, mas também o que seria necessário para alcançar meu objetivo.

 

Falando em objetivo, ressalto que apesar de estudar em uma instituição voltada para ingresso na magistratura, meu “planejamento” era me tornar Advogado de alguma das grandes Estatais do Governo Federal, como Petrobrás, BNDES, dentre outras.

 

No primeiro ano de estudo e preocupado com a progressão da doença do meu pai, me dediquei ao máximo aos estudos, mas, ainda assim, não era o suficiente. Naquele ano, 2011, prestava as provas e passava longe de alcançar qualquer resultado favorável. O QUE FALTAVA ERA UM FOCO ESPECÍFICO E PLANEJAMENTO.

 

Nos anos seguintes, já estudando as matérias específicas do edital, consegui lograr êxito em um dos concursos do grupo Petrobrás, bem como em outras carreiras de “Advogado de Estatais”, tendo inclusive sido advogado de uma destas, mas não era o suficiente.

 

Em 2013, bem mais “cascudo” nos exames, após diversas desilusões, chegando, inclusive, a pensar em desistir, havia dois concursos da Advocacia Geral da União com editais abertos. Um deles para Procurador do Banco Central e o outro para Procurador Federal.

 

Após realizar as inscrições em Outubro de 2013 prestei o de Procurador do BACEN, tendo sido eliminado por 1 questão na objetiva, mas com confiança para o próximo, o de PROCURADOR FEDERAL.

 

Em novembro de 2013, lá estava eu aguardando a nomeação em 03 concursos de Advogado de Estatais e prestando a prova objetiva de Procurador Federal, bem como a discursiva logo no dia seguinte.

 

Uma maratona de provas em 01 final de semana, sendo uma prova objetiva no sábado com 200 questões e duas discursivas no domingo, contendo questões discursivas, um parecer e uma peça processual.

 

Após alguns dias de espera e confiante na prova objetiva, sai o gabarito e vi que pela pontuação havia passado na primeira fase, faltando as provas discursivas serem corrigidas. Lá pelo início de 2014, após dias de ansiedade, já empregado em uma das estatais do grupo Petrobrás, tive a felicidade de ver meu nome no rol de aprovados na discursiva, faltando, agora, a temida PROVA ORAL.

 

Naquela época, morava em São Paulo, tendo apenas o período da manhã e da noite para estudar, sendo que acordava as 06 h da manhã e estudava até as 08:30 para após subir a Rua Pamplona e chegar na Avenida Paulista, pingando de suor, diga-se de passagem, começando no trabalho as 09 horas em ponto.

 

As 17 h e 30 minutos, saia do trabalho e ia para biblioteca de um cursinho próximo, para estudar o conteúdo da Prova Oral até, praticamente, as 22 h da noite. Apesar de todo o esforço, ainda não me sentia preparado para a temida Prova Oral a qual se aproximava.

 

Em fevereiro de 2014, lá fui eu para Brasília prestar a penúltima etapa do concurso, sim, após a prova oral, além dos títulos, ainda havia a prova do curso de formação, mas, calma, não vamos pular etapas.

 

Em Brasília, já devidamente instalado no final de semana, passei o dia revisando meus materiais, sabendo que ali era minha grande oportunidade. Em uma segunda ferira de fevereiro de 2014, lá estava eu e diversos candidatos aguardando numa sala reservada a convocação para iniciar a prova moral, eis que surge meu número para ser interrogado pelos examinadores.

 

Lá fui eu prestar a prova oral e por questão de destino cai na banca composta pelo Procurador Geral e outros 03 examinadores. Literalmente “tremi na base”, mas consegui manter o controle, mesmo após ter respondido, ainda que de forma incompleta, um dos primeiros questionamentos feitos pelo Procurador Geral, tendo me mantido firme e respondendo de forma completa os demais examinadores.

 

Após prestar a prova oral, sai daquele lugar com uma sensação ruim de não ter sido aprovado, mas justamente numa quarta feira de cinzas meu nome estava lá no edital de aprovados. A alegria foi geral!

 

Em seguida, as etapas de títulos e curso de formação foram mais tranquilas, tendo o resultado sido homologado em 2014.

 

Mas calma, o sofrimento ainda era grande diante das incertezas sobre ser nomeado ou não, considerando que passei fora do número de vagas, em que pese desde o primeiro momento ter o Procurador Geral garantido a todos a nomeação integral!

 

Para me manter atualizado, continuei firme nos estudos, tendo inclusive prestado os demais concursos da Advocacia Geral da União, tendo sido eliminado por pouco na segunda etapa da PGFN e de Procurador da União, cerca de 1 ponto em cada uma.

 

Em abril de 2016, faltando 02 meses para expirar o prazo de validade do concurso, após diversas incursões dos aprovados a Brasilia buscando a nomeação, no dia seguinte  ao impeachment da Presidente à época, mesmo quando tudo parecia nebuloso no cenário nacional, eis que havia chegado minha hora. Sim, fui nomeado na segunda feira após aquele domingo. Alegria Geral, não só pela nomeação, mas por sentir que tudo, efetivamente tudo, valeu a pena!!!

 

Em maio de 2016, aquele estudante que em meados de 2008, mesmo desacreditado pela família e por todos, mas por um motivo que efetivamente o fez acordar e que o mantém firme até hoje, tomava posse como Procurador Federal na sede da Escola da AGU.

 

Resumindo e parafraseando um dos maiores íconos que o Brasil já viu: “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá.” AS1

 

Diante de tudo, volto a repetir: não, não foi fácil, mas cheguei lá.

 

Por fim, desejo a todos um excelente feriado e que se mantenham firme no propósito ao qual escolheram.

 

Posts Relacionados

Compartilhe:

Nick Simonek Maluf Cavalcante

Nick Simonek Maluf Cavalcante

Nick Simonek Maluf Cavalcante Atualmente exerce o cargo de Procurador Federal (Concurso 2013) - Aprovado aos 25 anos. Graduação em direito (2010) Aprovado para o Concurso da EMERJ (2010) - Cursou Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro - EMERJ Aprovado em diversos concursos como: Advogado da Petrobrás  Advogado do BNDES  Advogado da Companhia de Recursos Minerais - CPRM

Veja os comentários:
Deixe seu comentário:

Deixe seu comentário:

Vídeos Relacionados

Cadastre-se para receber novidades e ofertas especiais sobre cursos.

Estamos aqui para ajudar você!
x