Redação do Enem 2016: Intolerância Religiosa no Brasil
Daniel dos Reis Lopes

Redação do Enem 2016: Intolerância Religiosa no Brasil

Neste artigo, o professor Daniel Reis ensina o passo a passo para escrever sobre o tema da redação do Enem 2016, “Caminhos para Combater a Intolerância Religiosa no Brasil”

INTRODUÇÃO

O tema da redação do Enem 2016 trouxe um assunto bastante interessante: a intolerância religiosa no Brasil. Você provavelmente já ouviu falar de casos de preconceito e discriminação envolvendo a opção religiosa das pessoas, o que é muito comum. A perseguição atinge todas as crenças, mas é inegável que, em nosso país, algumas religiões sofrem mais do que outras com esse tipo de problema.

Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil - Tema da Redação do Enem 2016
Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil – Tema da Redação do Enem 2016

Por esse motivo, vale a pena explorarmos as raízes, consequências e ações que podem ser tomadas para lidar com essa questão, a fim de criar um repertório amplo de possibilidades para exercitar sua capacidade de argumentação. Sem dúvida, depois de ler e seguir as recomendações desse artigo, você estará mais próximo de garantir a nota máxima em qualquer exame que exija a compreensão da matéria.

Mãos à obra!

REDAÇÃO PRONTA: TEMA DE REDAÇÃO DO ENEM 2016

Quando se fala em intolerância religiosa, uma das primeiras ideias que vem à cabeça são os atos mundialmente conhecidos de terrorismo. No entanto, um olhar mais atento e voltado à realidade brasileira revela a gravidade e a magnitude desse problema dentro de nosso país, onde o preconceito, especialmente em relação a práticas religiosas minoritárias, têm afetado de forma significativa nossa sociedade, trazendo consigo o aumento da violência e a segregação de determinados grupos.

Apesar do esforço empreendido no sentido de aperfeiçoar os mecanismos de garantias de direitos individuais, como a previsão constitucional de liberdade de crença e culto, bem como os princípios da laicidade e da não intervenção estatal, além da criminalização de condutas marcadas pelo ódio e desprezo ao sentimento religioso, o fato é que estamos apenas engatinhando na árdua tarefa de minimizar as consequências desastrosas dessa cultura da rejeição, que foi sendo construída ao longo de nossa história.

Em que pese serem expressivos os índices de perseguição a vários tipos de crenças no Brasil, é inequívoca a predominância de denúncias a atos de discriminação envolvendo religiões afro-brasileiras, seguidas pela fé cristã e espírita. Dentro desse cenário, é impossível deixar de relacionar tal situação às profundas e enraizadas tradições históricas nacionais, as quais remontam ao período colonial. À imposição do catolicismo pelos portugueses aos povos nativos que aqui habitavam, seguiu-se o sufocamento da cultura africana no período da escravidão, culminando com a perpetuação do preconceito em diferentes níveis.

Não é de se estranhar que, a despeito da tendência a uma interação cultural crescente, em um mundo cada vez mais livre, ainda exista tanta dificuldade em lidar com o pluralismo religioso. No Brasil, soma-se a essa negação de realidades distintas a forte presença do etnocentrismo e do estabelecimento de conceitos equivocados de superioridade racial, que contribuem sobremaneira para reforçar o desprezo por figuras religiosas que simbolizam as tradições dessas comunidades marginalizadas socialmente.

Destarte, é evidente que a intolerância representa um verdadeiro mal para a sociedade brasileira, sendo imperativa a necessidade de promover uma transformação na mentalidade da população. Sob esse ponto de vista, a adoção de medidas de conscientização que envolvam os principais agentes de mudança, a exemplo da família, da escola e também da mídia, são cruciais para que se obtenha o desenvolvimento social desejado. Deve-se reconhecer, também, a relevância do papel da educação no processo de percepção de nosso complexo sistema de identidades, já desde os primeiros anos de vida. Por fim, ganha destaque a poderosa influência que as redes sociais exercem nesse contexto, uma vez que essas são, sem dúvida, ferramentas comprovadamente eficazes em campanhas de combate a qualquer tipo de discriminação.  

ROTEIRO PARA NÃO ERRAR – PASSO A PASSO PARA O TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM 2016

As provas do ENEM apresentam um certo padrão de cobrança do conteúdo e exigência na correção. Portanto, é sempre bom ficar ligado em alguns pontos específicos que frequentemente marcam presença no exame.

Antes de mais nada, dê especial atenção ao enunciado e aos textos motivadores da questão. Geralmente, o examinador propõe alguma reflexão que já indica a linha que o aluno deve seguir, ou pelo menos considerar no desenvolvimento da resposta. Além disso, repare que o ENEM faz uso constante de dados para interpretação, a exemplo de tabelas, gráficos, ou qualquer outro tipo de informação que force o aluno a fazer correlações dentro do cenário apresentado. A intenção é analisar sua capacidade de estabelecer conexões entre diversas fontes de referência, extrair uma conclusão e a finalmente expor o raciocínio de maneira clara e objetiva.

Parece difícil, mas realmente não é. Deve-se apenas atentar para as ideias que forem surdindo a partir da leitura do enunciado, organizar os elementos que irão compor e estruturar o texto e, principalmente, tomar o devido cuidado para não fugir do tema no meio do caminho. Para isso, rascunhar uma lista de palavras e assuntos que serão abordados na redação definitiva é uma estratégia excelente e que ajuda a não perder tempo ou cometer erros bobos que fatalmente irão lhe custar valiosos pontos. Mas isso não significa, necessariamente, que você precise elaborar um rascunho completo para depois transcrevê-lo para a folha de respostas. Basta selecionar alguns itens e utilizá-los como lembrete, apenas.

Portanto, as palavras de ordem são: ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO!

Já com relação ao conteúdo, o ENEM costuma priorizar a temática social em suas edições. Não é preciso dizer que a primeira atitude que o candidato deve tomar para obter o máximo de seu desempenho é informar-se muito e ler a respeito desse tipo de assunto.

Especificamente no que concerne ao tema da redação do Enem 2016, infere-se do título “CAMINHOS PARA COMBATER A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL” que a ideia central é pensar em possíveis soluções para contornar um problema específico, a intolerância religiosa, limitado espacialmente (No Brasil). Portanto, seja lá qual for a linha argumentativa escolhida, é fundamental que a estrutura da redação seja orientada tendo como base esses elementos-chave.

Uma dica valiosa que irá salvá-lo de cometer um erro imperdoável, na visão do examinador, é evitar justificar seu ponto-de-vista com argumentos que ferem os Direitos Humanos. Nunca, em hipótese alguma, apresente um discurso inflamado, beirando o radicalismo ou impregnado de conceitos polêmicos. Esteja ciente do fato de que trata-se de um texto dissertativo-argumentativo, portanto deve-se manter o tom ponderado, racional e razoável, livre de subjetividades desnecessárias. Além do mais, recomenda-se a exposição de visões e opiniões contrárias, demonstrando que o aluno considerou diferentes alternativas antes de optar por um determinado posicionamento, mantendo a distância “emocional” típica de uma análise imparcial da problemática envolvida.

Finalmente, falemos um pouco sobre a ESTRUTURA da composição. Como você já deve ter percebido, este é um aspecto determinante para a elaboração de uma redação nota 1000. Isso porque a leitura deve obedecer a uma sequência adequada de ideias, que devem ser descortinadas paulatinamente, do começo ao fim do texto, guiando o leitor através das etapas que ele necessita percorrer para chegar à mesma conclusão que você.

Interessante, não? Pois é assim mesmo: a escrita, no fundo, nada mais é do que um exercício de pura empatia :) É muito entediante, para o leitor, sentir um certo descaso, por parte do autor, em relação ao dinamismo da leitura.

Por isso, treine muito o poder de concisão, evitando a desproporção entre a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Estabeleça a meta de 4 ou 5 parágrafos, decida o foco de cada um e tente manter o número de linhas o mais equilibrado possível. Isso, por si só, já confere uma boa simetria e harmonia para sua redação, fatores que influenciarão o julgamento do examinador.

Por último, é sempre bom reforçar o quão fundamental é a PROPOSTA DE INTERVENÇÃO, a qual costuma constar expressamente dos quesitos de avaliação. Este é o momento do desenlace do texto, onde será descrito seu objetivo final, que é o de refletir em torno de possíveis abordagens de uma determinada adversidade. Assim, discorrer a respeito do tema, limitando-se a meramente descrever toda a situação-problema, não é suficiente. Muitos alunos concluem a argumentação sem indicar pontos de interferências na realidade, o que acaba comprometendo totalmente o resultado do trabalho feito até então.

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NO BRASIL, TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM 2016 – O QUE SABEMOS A RESPEITO?

Vamos agora comentar um pouco mais sobre alguns temas que podem ser acrescentados à descrição do seu ponto-de-vista, o que certamente irá tornar a exposição muito mais interessante.

Intolerância religiosa - tema da redação do Enem 2016
Intolerância religiosa – tema da redação do Enem 2016

RAZÕES DA INTOLERÂNCIA: A intolerância religiosa sempre esteve presente em muitos momentos da história. No Império Romano os católicos já eram perseguidos. No período da Idade média, esses mesmos católicos perseguiam judeus e pagãos. A própria passagem das religiões politeístas para as monoteístas, segundo afirmam estudiosos, representou um marco na resistência à aceitação de outros deuses que não aquele ao qual se devotavam certos fiéis. Nesse contexto surge a guerra santa e os conflitos em nome da fé, que até hoje assombram a humanidade com a face sombria do fanatismo e do fundamentalismo.

Na opinião de especialistas, a intolerância pode ser resultado da busca incessante do homem por certezas, dado o contexto de insegurança em que vivemos. Com isso, agravam-se a rigidez em torno de valores e julgamentos morais, com o consequente aumento do comportamento agressivo ou defensivo por parte das pessoas.

QUANDO O BRASIL PASSOU A SER UM ESTADO LAICO? A partir da Constituição de 1891 pode-se dizer que o Brasil tornou-se um Estado laico, quando houve a separação oficial entre os assuntos religiosos e os do Estado. Recentemente assistimos à discussão sobre a presença de crucifixos em repartições públicas, o que trouxe novamente a questão para o centro do debate.

O Estado laico pressupõe a não intromissão em correntes religiosas, bem como a ausência de predileção em relação a uma ou outra religião, devendo tratar a todos de forma igualitária. Isso significa que deverá também proteger a prática religiosa dos cidadãos, garantindo a liberdade de culto e de crenças.

A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA EM NOSSO PAÍS: No Brasil, a discriminação religiosa é crime.  O “Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa” é celebrado em 21 de janeiro e foi instituído pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007.

Quem mais sofreu – e ainda sofre – com a intolerância são as religiões de matriz africana. Entretanto, temos presenciado todo tipo de agressão contra vários tipos de religiões. Os cometimentos de atos de vandalismo são comuns, assim como a destruição de imagens de santos em templos católicos ou ataques em terreiros de candomblé e umbanda.

Deve-se considerar, também, o grande preconceito existente contra ateus. Em pesquisa encomendada pela revista Veja em 2007 e realizada pela CNT/Sensus, foi revelado que 84% dos brasileiros votariam em um negro para presidente, 57% em uma mulher, 32% em um homossexual, mas apenas 13% votaria em uma pessoa que não acredita em Deus. Eliane Moura Silva, professora do departamento de história da Universidade Estadual de Campinas, afirma que “o brasileiro ainda entende o ateu como alguém sem caráter, sem ética, sem moral”.

TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM 2016 – CONCLUSÃO

Acredito que com essas dicas, somadas ao hábito da leitura, você terá condições de aperfeiçoar sua capacidade de análise crítica e, consequentemente, sua habilidade de se expressar na forma escrita. O estudo de temas variados, que no fundo possuem uma forte ligação entre si, torna esse processo cada vez mais natural e fluido. Não custa repisar, mais uma vez, que quanto mais você treinar, melhor será sua redação!! Esse é um caminho sem volta, felizmente!!

Espero que tenham aproveitado essas sugestões! Continuem nos seguindo, pois estaremos sempre explorando novos temas por aqui.

Abraços,

Daniel dos Reis (Coordenador do Estratégia Enem)

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Daniel dos Reis Lopes

Daniel dos Reis Lopes

  Meu nome é Daniel Reis, graduado em Ciências Biológicas (Licenciatura) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Fui aprovado em 2º lugar na Escola de Formação Complementar do Exército em 2009 na área de Magistério Ciências Biológicas, onde obtive a primeira colocação na área de Magistério durante o Curso de Formação de Oficiais. Nessa escola desenvolvi monografia sobre o Oficial de Controle Ambiental no Exército Brasileiro, através da qual obtive o grau de Especialista em Aplicações Complementares às Ciências Militares. Exerci a função de Oficial de Meio Ambiente na Companhia de Engenharia de Força de Paz – Haiti, e sou professor do Sistema Colégio Militar do Brasil.    

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