PF - Recursos e Esclarecimentos - ARM e Arquivologia
Felipe Petrachini

PF – Recursos e Esclarecimentos – ARM e Arquivologia

Olá meus caros

Fiquei surpreso quando vi minha caixa de entrada e mensagens do facebook hoje cedo. Devo ter recebido mais emails hoje perguntando sobre a prova do que no meu aniversário :P (não, não me incomodo de forma alguma, mas nunca tinha acontecido antes :P). Pelo que estou vendo, todo mundo estudou bastante e está doido pela vaga. E isso é excelente!

Pois bem, compilei as mensagens, e vi que a discórdia mora nestas questões:

104 A transferência dos documentos dos arquivos correntes para os arquivos intermediários justifica-se pela diminuição do valor primário dos documentos.
JUSTIFICATIVA – É a diminuição do valor primário dos documentos que justifica sua transferência para os arquivos intermediários.

Comentário: Eu detesto recorrer de questões, mas esta aqui vocês podem “floddar” a caixa de entrada do CESPE com seus recursos :P. Não encontro um único autor aclamado pelo público que trate de valor primário e secundário sem ser pela ótica binária (o valor existe ou não existe, não comportando valores intermediários). O objetivo aqui é fazer a banca revelar a literatura que utilizou, e assim, caso ela mantenha a posição, tentar antecipar as próximas questões de prova. Para evitar que os recursos fiquem todos iguais, sugiro que cada um escreva o seu, argumentando que a doutrina atual não vê gradações de valor nos documentos. Usem suas próprias palavras e evitem copiar modelos da internet, para evitar que os recursos sejam indeferidos em massa.

107 O ponto de partida de toda ação arquivística em uma organização, inclusive para a elaboração dos instrumentos de gestão arquivística, é o diagnóstico da situação dos arquivos.
JUSTIFICATIVA – De acordo com a literatura, o ponto de partida de todas as funções arquivísticas é o diagnóstico da situação arquivística.

Comentário: Esta aqui eu vou dar o braço a torcer pra banca. A questão não media o conhecimento do candidato sobre a organização de arquivos, ela estava interessada e saber qual o primeiro passo para se iniciar uma ação arquivística. Ocorre que a coleta de dados por si não é capaz nem mesmo de fornecer qualquer vislumbre de ação por parte do arquivista. São só dados esparsos e não organizados. Com o Diagnóstico, podemos dar início a algumas ações, pois já conhecemos as dificuldades experimentadas pelo arquivo.

92 Classificam-se como materiais perigosos o muito venenoso, o espontaneamente inflamável, o aerodispersoide pesado, o tóxico e o corrosivo, devendo-se definir, a partir de suas peculiaridades, as instruções para o almoxarife, os cuidados durante a movimentação e o sistema de transporte apropriado.
JUSTIFICATIVA – Aerodispersoide pesado não consiste em material perigoso arrolado na literatura de referência. Além disso, o termo usado é “aerodispersoide” e não “aerodispersoide pesado”

Comentário: A banca jogou um dicionário no chão e pegou a primeira palavra que encontrou ali para fazer uma questão :P. Pois bem, como a banca bem apontou, não se encontra na doutrina a utilização do termo “aerodispersoide pesado”, o que já invalidaria a questão. Não estou dizendo que o termo não existe, estou dizendo que nenhum autor consultado pela banca utiliza esta expressão :P. E tem um outro probleminha. Para começar, chama-se aerodispersóide as partículas ou gotículas extremamente pequenas em suspensão na atmosfera ou ambiente de trabalho que são transportados pela corrente de ar. Os aerodispersóides não são materiais, e sim subprodutos gerados da utilização dos materiais no processo de produção. Por exemplo: uma empresa que faça pias de cozinha vai gerar aerodispersóides quando corta o granito para sua montagem, pois o corte da pedra vai gerar poeira. Esta poeira não é um material, aliás, esta poeira nem mesmo tem aplicação comercial :P. Por esta razão, eu não vejo material suficiente para um recurso aqui. Se alguém conseguir encontrar algum texto doutrinário que trabalhe com o termo “aerodispersoide pesado”, gostaria que encaminhasse o excerto para meu email do estratégia: [email protected]

98 Por meio da curva ABC, evidencia-se a relação entre volume de faturamento e quantidade de produtos rentáveis, o que permite explicar a contribuição de um conjunto de produtos para o lucro da empresa, como, por exemplo, a razão de 80% do lucro de uma companhia serem gerados por somente 20% de seus produtos comercializados.

JUSTIFICATIVA – Existe uma relação entre o volume de faturamento e o número de produtos rentáveis, ou seja, muitas das vezes, 80% do lucro de uma companhia é gerado por somente 20% dos produtos comercializados. Não necessariamente a relação é 80/20, mas pode ser 70/30 ou 90/10. Trata-se da curva ABC, vista em controle de estoque, a qual pode ser também aplicada em mercado para explicar a contribuição de um conjunto de produtos no lucro de uma empresa.

Comentário: A indignação, pelo que pude notar, se deve nem tanto pelo conceito fornecido pela assertiva (que está correto), mas ao “título” da questão, que relacionaria o estudo da Curva ABC ao inventário. E eu bem me recordo de ter explicado a vocês, lá na Aula 03, que era possível sim mesclar a Classificação ABC com o sistema de inventário rotativo, de maneira a gerar uma ferramenta excelente de controle de material. Por fim, lembro a vocês que a Curva ABC foi emprestada de outra disciplina, e pode muito bem ser usada em qualquer cenário que observe uma assimetria na distribuição de recursos em uma dada população analisada: e isto vai desde o inventário de material até a sociedade capitalista na qual vivemos :P.

De tal forma, também não vejo possibilidade de recurso para esta questão.

Sempre reforçando: seu professor não é dono da verdade e a postagem aqui apenas expressa minha opinião a respeito das questões. Se você acredita que alguma questão mereça recurso, eu sou o primeiro a dizer: vai lá e RECORRE! O direito é seu e não permita que ninguém, nem mesmo eu, lhe tome a possibilidade de manifestar-se. É sagrado!

Estou sempre no fórum e meu email está à disposição: [email protected]

Até a próxima

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Felipe Petrachini

Felipe Petrachini

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo em 2011, logrou êxito no concurso de Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo, realizado em 2013, cargo que atualmente exerce. Iniciou sua carreira pública tomando posse no cargo de Assistente Técnico Administrativo do Ministério da Fazenda (ATA-MF) em 2009, cargo este que exerceu até sua nomeação para Técnico Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 2 Região, em 2012. Entrou em exercício no cargo de Auditor Fiscal Tributário Municipal em São Paulo em agosto de 2012, permanecendo no cargo até março de 2014, quando tomou posse no cargo de Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo. Foi aprovado também nos seguintes certames, sendo nomeado e convocado a tomar posse no cargo a que se referiam: Escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo (2007) Oficial de Justiça do Estado de São Paulo (2009) Assistente de Licitação da Fundação do Remédio Popular (2010) Técnico do Ministério Público da União (2010) Técnico Previdenciário do Instituto Nacional do Seguro Social (2012)            

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