OS ERROS MAIS COMUNS NO PÓS-EDITAL Erros comuns no pós-edital
Guilherme Solino

OS ERROS MAIS COMUNS NO PÓS-EDITAL

João é de BH, tem 26 anos e se formou em direito faz 3 anos. Sempre foi um bom aluno, passou na OAB de primeira, ainda no 9 semestre da faculdade. O seu maior interesse é na área penal, o seu sonho é ser Defensor Público.

Ele fez o concurso de Defensor Público para DPE/PR em abril de 2017, depois de praticamente 12 meses de estudo para esse certame. João tirou 72 pontos na objetiva. Por uma questão não foi para a segunda fase. Para alguns isso seria um motivo de conquista, mas a reprovação mexeu com o seu psicológico. Ficou mal, perdeu o ânimo nos estudos. Para não dizer que parou, ele assistiu a algumas vídeo-aulas em 2018, mas não foi constante nos estudos. Começou a trabalhar em um escritório de advocacia da família a partir de setembro de 2017.

Agora em janeiro de 2019 saiu o edital para Defensor do seu Estado natal. Está muito empolgado, mas sente um remorso por ter praticamente parado os estudos. Ele está perdido em como se organizar para a volta dos estudos. Não sabe se lê novamente toda a teoria, se faz um intensivão nos informativos do STF e STJ ou se matricula em um cursinho.

VOCÊ JÁ PASSOU POR ALGO PARECIDO?? 

A preparação ideal no pré-edital

ideal

Idealmente, a melhor cenário do João seria se ele não tivesse parado os estudos em 2017 e alcançasse o estágio de preparação ideal antes da publicação do edital em janeiro de 2019. Mas qual seria essa situação ideal?

Considero que o ideal consiste em ter estudado todo o conteúdo do último edital, antes da publicação do próximo concurso, sendo que o João conseguisse bater as metas de resultado para cada uma das disciplinas. Para uma prova com o perfil da DPE/MG, considero satisfatório uma média de acertos de 80% em cada assunto do edital.

Com isso, João poderia se concentrar inicialmente no pós-edital de 2019 nas disciplinas novas ou inovações jurídicas, como jurisprudência mais recente. Após isso, ele poderia priorizar, basicamente, a revisão de conteúdo.

Entretanto, esse não é o caso de João, e, de fato, não é a realidade da maioria dos candidatos, inclusive boa parte daqueles que estarão na lista de aprovados.

Quais são os erros mais comuns no pós-edital?

erros mais comuns

O concurseiro não deve desanimar, mesmo sem ter tido a preparação ideal no pré-edital. É possível passar por um momento de superação e tirar a diferença. O pós-edital é um dos momentos mais tensos para o estudante de concurso. Se vale a máxima de que o estudo para concursos é uma maratona, o pós-edital é o tiro de 100m da chegada.

A data e o conteúdo programático do concurso estão definidos. A sensação comum é de que não será possível “vencer” o edital, sensação essa compartilhada tanto pelo estudante inicial como pelo avançado.

Abaixo coloco alguns dos erros mais comuns na preparação pós-edital pela minha experiência de aprovado como Coach em concursos públicos. A lista a seguir, certamente, não é exaustiva.

NÃO DEFINIR COM CLAREZA AS PRIORIDADES DE ESTUDO

É muito comum os alunos estudarem o que mais gostam ou, no outro extremo, estudar somente os assuntos mais complexos.

Por exemplo, João pode cometer um erro grave se estudar somente direito penal, processual penal e execução penal, por ser assuntos que mais o apetecem, e negligenciar assuntos relevantes, que tenham alta probabilidade de cobrança nesse concurso, como Código do Direito do Consumidor ou Estatuto do Idoso, por serem temas que ele não tem muito domínio.

Em um outro extremo, João pode se preocupar em estudar as súmulas mais recentes, mas não domina os aspectos mais elementares e previsíveis da lei seca.

NÃO UTILIZAR UMA METODOLOGIA DE ESTUDO ADEQUADA

Muitos “gurus” de concursos pregam o seguinte: matéria estudada é matéria resumida e revisada. Será que isso vale sempre? Pense comigo, depois da publicação do edital, João terá tempo hábil para resumir e seguir um planejamento de revisão da curva do esquecimento (revisão de assunto depois de 24h, 7 dias e 30 dias?)? Com isso, João certamente não iria conseguir estudar boa parte do edital e as revisões não são garantias de acertos, mas simplesmente ferramentas de estudo. É preciso escolher o método de revisão com sabedoria.

PREOCUPAR-SE COM O QUE NÃO SE PODE CONTROLAR

Com a publicação do edital, somos tentados a elucubrar sobre a concorrência, a quantidade de candidatos inscritos, em saber toda a jurisprudência, decorar a lei seca, dentre outras coisas. De fato, há muitos fatores que podem influenciar a lista de aprovados no certame, mas certamente há poucos elementos nos quais você pode, efetivamente, influenciar.

Além disso, João tem-se deixado levar por pensamos como: “Será que vou passar? Quanto tempo de estudo eu preciso estudar para passar?”. Muitas vezes, o que está por trás dessa indagação é a lei do esforço mínimo: como não gosto de estudar, qual o mínimo de tempo que preciso para ser aprovado?

Entretanto, o que vale é a “lei da selva”: será aprovado quem for melhor, quem conseguir se diferenciar da manada. O raciocínio deve ser: qual é o meu máximo?? Como posso me superar??

MEDO DE FRACASSAR

O nosso organismo tende a homeostase, ou seja, temos um instinto de sobrevivência que nos faz buscar a uma situação de equilíbrio e resistência a mudanças. O medo ao fracasso é é uma inclinação não consciente para a inação, de forma que o nosso subconsciente tenha um “argumento” para justificar o fracasso, a decepção.

Assim, uma das formas do subconsciente de João se “proteger” de uma nova decepção é induzir o não-esforço. Se não passarmos no concurso, teremos uma “desculpa”, pois não nos esforçamos complementarmente. MAS, PARA CRESCER, TER PROGRESSO, É PRECISO SAIR DA ZONA DE CONFORTO, APRENDER COM ERROS E SE SUPERAR!

DESCUIDAR DO SONO E DA ALIMENTAÇÃO

Somos tentados a “esticar” o estudo ao final da noite, ou mesmo se perder com “tempo de lazer” em redes sociais ao longo do dia. Entretanto, o não aproveitamento do sono tem um efeito direto na retenção de conhecimento, pois algumas sinapse se formam apenas no descanso do sono.

Além disso, conhecemos o milenar ditado: “Mente sã, corpo são”. A alimentação equilibrada tem um papel importantíssimo em nossa regulação hormonal, além de proporcionar as condições para que tenhamos aprendizagem e retenção de conhecimento, além de disposição para estudar.

CHEGAR CANSANDO NO DIA DA PROVA

Esse é um erro clássico em reprovações: não se preparar de forma adequada para a véspera de prova. O mais relevante é chegar BEM no dia da prova. Por certo que você precisa ter estudado muito bem para isso, mas chegar cansado e não estar em condições de fazer o seu melhor pode levar por terra toda uma preparação bem feita. Muitas vezes o dilema do aluno é: “Devo estudar na véspera da prova? E se cair justamente o que eu iria revisar??”. O problema disso é não recuperar as energias necessárias para se fazer 5 horas de prova e fazer um prova com BAIXA CONCENTRAÇÃO e ERRAR AQUILO QUE SE SABIA. Dessa forma, podemos comprometer o nosso discernimento por falta de descanso NA HORA DA PROVA.

O que fazer no pós-edital?

Agora que vimos esses seis erros mais comuns de preparação pós-edital, vamos pensar em algumas estratégias para cada uma dessas situações.

TER CLAREZA QUANTO AS PRIORIDADES DO ESTUDO

O ELEMENTO MAIS IMPORTANTE NO PLANEJAMENTO DE ESTUDO PÓS-EDITAL É DEFINIR AS PRIORIDADES. Idealmente, João deve dominar todo o edital, pois, em tese, qualquer item do edital pode ser exigido. Entretanto, as disciplinas não devem ter a mesma importância para cada candidato. João precisa se avaliar e identificar, para cada disciplina:

  • Peso
  • Nível de conhecimento
  • Custo vs benefício

Ele deve estudar mais o que mais tem o maior potencial de lhe retornar pontos. Por exemplo, se uma disciplina, de um total de 10, representar 30% dos pontos, é natural que se gaste mais tempo com ela. Em outro caso, uma disciplina pequena e simples (comparada com as outras do edital), pode ser mais interessante de estudar do que uma outra complexa e grande.

UTILIZAR UMA METODOLOGIA DE ESTUDO ADEQUADA

A metodologia de estudo deve ser escolhida de forma indivualizada. A opção de escolha de leitura, assistir aula (seja presencial ou vídeo-aula), resumir ou fazer questões deve ser analisada em cada caso concreto. Cada pessoa deve testar o que é mais efetivo para si.

Entretanto, há certos hábitos comuns na maioria esmagadora dos aprovados, especialmente no pós-edital. Um deles é o uso de questões de provas anteriores para direcionar a revisão. Com isso, o aluno terá um estudo ativo e poderá ver com clareza os assuntos que precisa retomar a teoria e fazer revisões pontuais.

GASTAR ENERGIA APENAS COM O QUE VOCÊ CONTROLAR

Sejamos diretos: o que está a seu alcance é muito menos do que você gostaria, mas é muito mais importante do que qualquer outro fator. João deve concentrar as suas energias para atingir o seu máximo de comprometimento e estudar da melhor maneira possível.

Podemos “medir” o seu nível de comprometimento dele pela sua quantidade de tempo de estudo líquido. Por certo que é preciso ter qualidade, MAS SEM TEMPO EFETIVO DE ESTUDO, SEM PROGRESSO. Cada pessoa, com a sua realidade, deverá avaliar a sua disponibilidade. A mentalidade não deve ser buscar o mínimo de esforço para a aprovação, mas sim o máximo, preocupando-se com o PROCESSO DO ESTUDO, ao invés do RESULTADO EM SI.

ACREDITAR E FAZER O SEU MELHOR

Para vencer uma maratona, é preciso, invariavelmente, dar o primeiro passo. O seu primeiro passo deve ser ACREDITAR EM SI. Isso não significa VOLUNTARISMO ou simplesmente um PENSAMENTO POSITIVO. De outro modo, João deve ter confiança na energia que colocou nos estudos e nos resultados que você já veio alcançado em questões de provas anteriores. A consciência de que você fez o seu melhor e obteve progresso no desempenho em questões anteriores são os melhores indicadores da sua EVOLUÇÃO e SUCESSO na prova.

ZELO COM O SONO E A ALIMENTAÇÃO

O estudo pós-edital deve ser intenso, seguramente, mas deve-se buscar um equilíbrio nessa reta final. Da mesma forma como em uma corrida de 100 m, não podemos correr de qualquer jeito. Devemos ter consciência da importância do sono para a retenção de informação e da alimentação para dar sustentação ao organismo.

ESTRATÉGIA PARA A VÉSPERA DE PROVA

A estratégia de véspera de prova do João leva em consideração um raciocínio indagativo de “trás para frente”, ou seja, João pensou nestas perguntas uma semana antes da prova:

– Qual seria a melhor forma para chegar no dia da prova? Descansado e na minha melhor condição para fazer 5 horas de prova

– Para eu chegar descansado no dia da prova, o que devo fazer no dia de véspera? Ter um dia de transição de estudo intenso para um estado relaxado.

– O que e como devo estudar na semana de véspera? Priorizar os assuntos e temas mais relevantes para mim, de forma a “garantir” o acerto dos assuntos previsíveis e recapitular os assuntos que tive mais dificuldade.

Gostou do artigo? Na sua opinião ou experiência, quais são os maiores erros na preparação pós-edital?

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Guilherme Solino

Analista do Bacen e coaching no estratégia.

Se você quiser ser meu coachee, estou com vagas para a OAB e para analista de economia e supervisão financeira para o BACEN :D

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Concursos em que fui aprovado e convovado: Banco Central, analista - 2010 APO-MPOG, especialista - 2010 Controladoria-Geral do Distrito Federal - Auditor de Controle Interno, 2009 - 2o colocado ANTAQ, analista - 2009 Eletronorte, engenheiro de projetos - 2006 formação acadêmica: mestrado em Economia, Universidade de Brasília engenharia elétrica, Universidade de Brasília    

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