ENTREVISTA: Kássio Alencar - Aprovado em oito concursos sendo seis deles para Tribunais (TRT's, TJ e TRF)

Entrevista:

ENTREVISTA: Kássio Alencar – Aprovado em oito concursos sendo seis deles para Tribunais (TRT’s, TJ e TRF)

 “Converse com pessoas que já estão na estrada há mais tempo, independente de já terem conseguido aprovações. Aprenda com a experiência delas. Planeje-se, isso faz toda diferença.
Um estudo orientado e planejado tem mais chances de alcançar bons resultados”

Confira nossa entrevista com Kássio Alencar, aprovado em oito concursos, sendo seis deles para Tribunais (TRT’s, TJ e TRF):

Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?

Kássio: Sou formado em Licenciatura em Física, pela UFPI. Tenho 27 anos e sou de Lagoinha do Piauí (cidadezinha de aproximadamente 2500 habitantes, localizada no médio Parnaíba piauiense, cuja população vive quase que exclusivamente da roça, praticando agricultura de subsistência e eu não fui uma exceção).

Estratégia: O que te levou a tomar a decisão de começar a estudar para concursos?

Kássio: Um conjunto de fatores me levaram a esta decisão. A questão de poder melhorar o conforto de vida para meus pais, foi o que mais pesou. Comprar uma TV nova, um fogão, uma geladeira, um transporte (tínhamos somente bicicleta). Na época eu já namorava há três anos, queria casar-me e dar uma vida digna para minha esposa e aos nossos futuros filhos.

Almejava ser exemplo aos outros alunos e crianças da minha cidade, que não têm perspectivas de uma boa vida, em razão das condições precárias em que vivem.

Queria mostrar-lhes que por meio da educação, era possível mudar aquela realidade.

Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos para concurso?

Kássio: Quando tomei a decisão de estudar para concursos, em 2012, eu trabalhava, fazia dois cursos superiores (o de Física, no qual sou formado e um de Ciência da Computação, no IFPI), e participava do Programa de Iniciação à Docência (PIBID), da UFPI.

Avaliei o que seria imprescindível durante minha preparação e decidi deixar o emprego e o curso de Ciência da Computação, para que pudesse ter mais tempo para estudar.

Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último? Em qual cargo e em que colocação?

Ao todo consegui 8 aprovações em concursos públicos:

  • SERPRO 2013, Técnico Administrativo – 1º lugar;
  • MP MA 2013, Técnico Ministerial – 3º lugar;
  • TRT 2ª Região (SP) 2013, Técnico Administrativo;
  • TRT 2ª Região (SP) 2013, Analista Administrativo;
  • TRT 16ª Região (MA) 2014, Técnico Administrativo;
  • TRT 16ª Região (MA) 2014, Analista Administrativo – 9º lugar (cargo que atualmente ocupo);
  • TJ PI 2015, Analista Administrativo – 2º lugar cotas PPP, 12º lugar ampla concorrência;
  • E o último: TRF 1ª Região, Seção PI, 2017, Analista Administrativo – 1º lugar cotas PPP, 4º lugar ampla.

Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados?

Kássio: Confesso que, a primeira vez, não soube nem mesmo como reagir. Fiquei sem acreditar! Conferi a lista várias vezes, chamei meu irmão (que também conferiu várias vezes), conferimos tudo: cargo, meu nome, número do documento, até o número da inscrição (rsrs…).

Depois de alguns minutos paralisado, comecei a perceber o que tinha acontecido e fui tomado por sentimentos bons, como: alegria, euforia, sensação de dever cumprido, vontade de contar para a família, para todos.

Senti que minha vida não seria mais a mesma a partir dali. Na verdade, a vida muda quando decidimos estudar para concursos, mas o sentimento só aparece quando vemos nosso nome no DOU.

As demais aprovações foram igualmente fantásticas. O frio na barriga naqueles intermináveis segundos que a página da banca ou do DOU leva para carregar e o arrepio na espinha quando se localiza o seu nome, são sempre os mesmos.

Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social?

Kássio: Estabeleci metas de estudo de segunda a domingo. Apenas quando cumpria as metas, tinha convívio social: ia à casa da namorada, sentava para conversar (presencialmente ou por telefone) com amigos e familiares (nada de redes sociais, pois onde morava não tinha acesso à internet), ia a festas (mas voltava no máximo meia noite, para acordar cedo no outro dia).

Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?

Kássio: Hoje sou casado e ainda não tenho filhos. Moro com minha esposa, somente, na cidade de São Luís/MA. Mas quando estudava, namorava e morava com meus pais.

Eles foram indispensáveis para meu sucesso. Todas as minhas decisões foram tomadas conversando com eles.

Quando decidi sair do emprego, por exemplo, minha namorada – hoje esposa – apertou firme minha mão, olhou nos meus olhos e disse: “eu confio em você”. Meus pais, igualmente, disseram: “meu filho, nós nunca morremos de fome, não vai ser agora que isso acontecerá, a gente se vira, pode ir estudar”.

Depois disso, eu prometi-lhes que passaria em um 1 ano. Consegui a aprovação em 8 meses. Além do mais, eles não me atribuíam tarefas domésticas.

Meu pai chegava da roça, cansado, e ia preparar o almoço pra gente. Evitavam conversar próximo ao local onde eu estudava. Minha namorada entendia eu ligar apenas nos intervalos. Eles faziam tudo o que podiam para que a minha única preocupação fosse estudar. 

Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

Kássio: Acredito que se deve subir degrau a degrau. Estabelecer um objetivo principal e ir cumprindo etapas, fazendo concursos para cargos “inferiores”, que pertencem à mesma área daquele o qual é seu sonho.

Não se trata de perder o foco, o que aconteceria, por exemplo, se eu sonhasse ser auditor fiscal, mas fizesse concurso para a polícia (pois era o que tinha no momento). Trata-se de um escalonamento.

Eu queria passar no concurso cujo salário fosse R$ 10.000,00, mas o primeiro concurso que passei, o salário era pouco mais de R$ 2.500,00.

Logo depois, para um de pouco mais de R$ 4.000,00. Após isso, para um de mais de R$ 6.000,00 de remuneração, até chegar a Analista Administrativo de TRT. Mas todos os cargos com atribuições semelhantes e, consequentemente, disciplinas semelhantes.

Desse modo, o sonho não parece ser tão distante e é construído sobre bases mais sólidas.

Estratégia: Você estudou por quanto tempo direcionado ao concurso que foi aprovado?

Kássio: Para o primeiro concurso, foram 8 meses. Nos 14 meses seguintes passei em mais 5 concursos. Aí fiquei parado por um ano e meio, quando voltei a estudar para o sétimo concurso, em 2 meses.

Novamente fiquei parado, agora por 2 anos, até voltar a estudar para o oitavo concurso, que também contabilizaram 2 meses de preparação.

Estratégia: Chegou a estudar sem ter edital na praça? Durante esse tempo, como você fazia para manter a disciplina nos estudos?

Kássio: Apenas para o sétimo e o oitavo concursos (TJ PI e TRF1) eu estudei somente após a publicação do edital.

Para manter-me disciplinado, eu estabelecia metas de horas líquidas de estudo de curto, médio e longo prazos (diária, semanal e mensal) e vinculava minha vida social ao cumprimento dessas metas.

Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, telepresenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?

Kássio: Sempre que possível, eu montava meu material com livros, PDFs, vídeo aulas e bancos de questões. A principal vantagem dos livros e PDFs é que contêm a teoria de forma mais completa e contextualizada.

Já as videoaulas, quando comparadas às aulas presenciais ou semipresenciais, sobressaem-se por se encaixarem melhor no planejamento dos estudos. Você pode estudar a hora que quiser e por evitar as conversas paralelas, os atrasos, saídas mais cedo e desvios de foco.

Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?

Kássio: Indicação de amigos.

Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que devem ser memorizados. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos? Quantas horas por dia costumava estudar?

Kássio: Ao longo de toda minha preparação, fui desenvolvendo uma metodologia de estudo pensando justamente nisso. Como eram muitos assuntos, precisava usar alguma estratégia.

Vou citar como exemplo minha preparação para TRTs: analisei vários editais anteriores, para ver quais as disciplinas mais cobradas (foram seis) e quais os assuntos dessas disciplinas eram mais incidentes.

Então estabeleci um ciclo de estudos, no qual estudava uma disciplina em cada turno: uma de manhã, outra à tarde e outra à noite, fechando o ciclo em dois dias.

Quando saiu o edital do TRT 2ª Região (primeiro de TRT que fiz), já tinha estudado quase todos os assuntos das seis disciplinas. Então foi só fazer os ajustes necessários no planejamento, incluindo as disciplinas e os assuntos específicos daquele concurso.

Toda minha preparação é baseada no estudo de livros ou PDFs, vIdeoaulas e resolução de questões (um complementando o outro, todos com o mesmo foco).

Fazia sínteses de tudo, até dos comentários das questões (tenho cadernos e cadernos escritos, kkkk…). Antes da publicação do edital, minha meta era estudar de 8 à 10 horas por dia, horas líquidas e cronometradas.  

Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

Kássio: A disciplina que deu um pouco mais de trabalho, digamos assim, foi Administração Geral. Para superar isso, inclui-a mais vezes no ciclo e busquei diferentes fontes de conteúdo. Por exemplo, além do PDF, tinha também livros.

Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como foi sua rotina de estudos na semana que antecedeu a prova? E véspera de prova: foi dia de descanso ou dia de estudo?

Kássio: Tudo dependia do planejamento. Em alguns concursos o planejado foi estudar o último assunto, da última disciplina do ciclo, no último dia antes da prova.

Em outros, o planejado era concluir todo o edital 20 dias antes da prova e nesses últimos dias, resolver provas anteriores, trabalhar os pontos nos quais ainda estava escorregando.

Ao comparar o planejado e o executado, eu ia fazendo as adaptações necessárias.

Na véspera da prova, o ideal é fazer algo que traga prazer e nos deixe relaxado. No meu caso, na maioria das vezes, era estudar (rsrs).

Estratégia: No seu concurso, tivemos, além das provas objetivas, as provas discursivas. Como foi seu estudo para esta importante parte do certame? O que você aconselha?

Kássio: Sim, dos 8 concursos nos quais fui aprovado, apenas os dois primeiros (SERPRO e MP MA) não tiveram provas discursivas.

Minha preparação foi baseada em teoria (PDF ou videoaulas); estudo de temas, com as aulas de atualidades; e muita prática, utilizando as provas anteriores.

Nas provas da CESPE, eu corrigia minhas redações observando o “Padrão de Respostas da Prova Discursiva”.

Meu conselho é, primeiro, aprenda gramática: é muito difícil estruturar um texto, organizar ideias, sem dominar a gramática. Além do que, erros gramaticais contam ponto negativo. Dentro da gramática, destaco o estudo das conjunções.

Segundo, refaça as redações que foram corrigidas: caso algum professor esteja corrigindo suas redações, ele apontará os erros que foram cometidos e, possivelmente, as opções para melhorar o texto.

Refaça aquela mesma redação, agora com as observações, e compare com a anterior. Assim você perceberá melhor os erros cometidos e não os repetirá nas próximas redações.

Caso nenhum professor esteja corrigindo suas redações, busque alternativas, como utilizar o padrão definitivo de respostas da prova discursiva, divulgado pela banca; a correção da sua redação de concursos anteriores, caso já tenha feito, ou a de conhecidos.

Terceiro: inicie o quanto antes a prática e seja constante.

Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?

Kássio: Meus principais erros foram não fazer um planejamento dos estudos e nem utilizar uma metodologia voltada para concursos. Logo, meu principal acerto foi ter começado a fazer isso.

Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? Chegou a pensar, por algum momento, em desistir? Se sim, como fez para seguir em frente?

Kássio: O mais difícil foi a escassez de recursos (financeiros e estruturais – não tinha dinheiro para pagar bons cursos, nem acesso à internet, por exemplo), as incertezas e a falta de orientação.

Apesar disso, nunca pensei em desistir. Minha família não permitia isso. No máximo pensei em parar alguns dias, ou mesmo parar no meio do dia e ir fazer outra coisa. No momento que ficara entristecido eu conversava com meus pais e minha namorada, eles me colocavam para cima, relembravam meu objetivo e eu retomava a força para seguir estudando.

Estratégia: Qual foi sua principal motivação?

Kássio: Os mesmos motivos que me levaram a decidir estudar para concursos. Sempre que eu pensava na mudança que eu poderia provocar na vida daqueles que estavam ao meu redor, eu ganhava a motivação necessária para encarar a difícil rotina de um concurseiro.

Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

Kássio: Busque orientação. Estudar para concursos é diferente de qualquer outra coisa que você já tenha feito. Por exemplo: você estuda hoje para uma prova que fará um ano depois.

Converse com pessoas que já estão na estrada há mais tempo, independente de já terem conseguido aprovações. Aprenda com a experiência delas. Planeje-se, isso faz toda diferença. Um estudo orientado e planejado tem mais chances de alcançar bons resultados.

Enfim, para conseguir aprovação em concursos públicos você precisa desejar isso, acreditar nisso e merecer isso.

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Foi aprovado e deseja dividir com a gente e com outros concurseiros como foi sua trajetória até a aprovação?! Mande um e-mail para: [email protected]

Abraços,

Thaís Mendes

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Resultados:

  • Concurso TJ PR Dos 275 aprovados, 31 são nossos alunos
  • Concurso Banrisul 2018 (Escrituário) Dos 185 aprovados, 46 são nossos alunos
  • Concurso Sefaz RS 2018 (Papiloscopista) Dos 119 aprovados, 66 são nossos alunos
  • Concurso Sefaz RS 2018 (Escrivão) Dos 100 aprovados, 50 são nossos alunos
  • Concurso Sefaz RS 2018 (Agente) Dos 180 aprovados, 113 são nossos alunos

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