Entrevista com aprovado - 1º lugar concurso ISS Juiz de Fora

Entrevista:

ENTREVISTA: Ricardo Coelho – Aprovado em 1º lugar no concurso ISS Juiz de Fora

"Se tem um concurso em vista, é bom pegar o edital aberto, ou algum anterior, e ver o peso e quantidade de questões das matérias e focar nas mais importantes. Não quer dizer abandonar as outras, mas tem que focar naquelas que vão oferecer mais pontos"

Confira nossa entrevista com Ricardo Coelho, aprovado em 1º lugar no concurso ISS Juiz de Fora – Auditor Fiscal de Tributos:

Estratégia Concursos: Conte-nos um pouco sobre você, para que nossos leitores possam te conhecer melhor. Você é formado em que área? Qual sua idade? De onde você é?

Ricardo Coelho: Minha primeira graduação foi na área de Tecnologia de Informação – TI pelo CES-JF. Depois de um tempo fiz uma especialização em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Viçosa. A segunda graduação foi em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense e foi seguida de uma especialização em Direito Tributário pela PUC-MG. Atualmente curso um mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal de Juiz de Fora.

Tenho 40 anos, nasci em Juiz de Fora – MG e atualmente moro entre Juiz de Fora e São Paulo capital.

Estratégia: O que te levou a buscar a carreira pública?

Ricardo: Pouco depois de iniciar a primeira graduação, tive a sorte e felicidade de ser contratado por uma multinacional. Foram 17 anos nessa empresa. Nesse tempo, sempre trabalhei na área de TI e participei de projetos de implantação de sistemas em diversos países, como África do Sul, Estados Unidos, Hungria, Espanha, China e Alemanha, tendo morado em alguns deles. O último foi a Alemanha, onde morei por 3 anos, entre 2008 e 2011. A decisão de voltar foi um pouco difícil, mas juntamente com minha esposa, resolvi que o Brasil era nosso lugar naquele momento.

Depois que voltei, resolvi retomar os estudos, já que estudar sempre foi um ímã que me atraía. Foi quando comecei a segunda graduação, em Administração Pública.

Não precisou de muito tempo no curso para que eu me interessasse pelo setor público. No curso pude ver que é possível fazer a diferença trabalhando nesse setor.

Na iniciativa privada também é possível fazer a diferença, no sentido de contribuir com a sociedade, mas no setor público creio que isso seja mais natural.

A área que mais me chamou a atenção foi a de fiscalização de tributos. Naquela época já supunha que não era possível ter uma sociedade justa se a sonegação fosse a regra. Hoje tenho plena certeza disso.

Estratégia: Conte-nos mais sobre essa certeza.

Ricardo: Diversos estudiosos do Direito Tributário e de Finanças Públicas já apontaram as características do tributo ideal. Uma delas é a neutralidade. Ela prescreve que o tributo ideal não deve influenciar as decisões de consumo da população. Por decisão de consumo, entende-se tanto a escolha de um produto/serviço em detrimento de outro, quanto a escolha de um fornecedor/prestador em detrimento de outro. O tributo não deve influenciar nessa escolha.

Se um fornecedor/prestador sonega tributos, ele é capaz de conquistar uma margem de lucro maior ou repassar essa diferença para os produtos/serviços que comercializa. Em ambos os casos ele ganha uma vantagem competitiva e pode ser capaz de sufocar a concorrência. À primeira vista, pode parecer que a última situação, em que ele repassa a vantagem ao preço de comercialização, pode ser benéfica para a população. Não é. O mercado é baseado na livre concorrência e seria pura ilusão acreditar que a redução no preço continuaria depois que esse sonegador engolisse seus concorrentes.

Isso me fez constatar que não há tributo ideal quando a sonegação é a regra.

Obs.: o tributo ideal comporta outras características além da acima  mencionada. Aqueles leitores que tiverem interesse em conhecê-las podem consultar autores como Richard Musgrave e Fábio Giambiagi, só para citar alguns.

Estratégia: Durante sua caminhada como concurseiro, você trabalhava e estudava (como conciliava trabalho e estudos?), ou se dedicava inteiramente aos estudos?

Ricardo: Eu deixei essa multinacional apenas um mês antes de tomar posse no cargo que ocupo no momento. Quando pensei em começar a estudar para concursos, imaginei que não teria muita chance. Tinha aquela imagem de que as pessoas que passavam em concursos de alta concorrência se dedicavam integralmente ao estudo. Foi com o tempo que vi que isso não era verdade. Muitos dos aprovados trabalham, como é possível ver em diversos depoimentos aqui no Estratégia.

Longe de mim querer apontar caminhos, mas acredito que o mais relevante seja a disciplina e o aproveitamento do tempo, além, é claro, de saber como estudar. Hoje é fácil aprender como estudar. Basta uma passada no site do Estratégia. ;-)

O desafio maior, portanto, creio que seja a disciplina e o aproveitamento do tempo.

Estratégia: Quantos e em quais concursos já foi aprovado? Qual o último?

Ricardo: Minha esposa é servidora pública já há algum tempo. Durante o tempo em que ela ainda perseguia o cargo dos sonhos, eu sempre a acompanhava nos concursos. Quando ela prestava algum concurso em outra cidade ou estado que oferecia algum cargo na área de TI, eu acabava prestando também.

A não ser quando TI tinha um peso muito grande, minha chance era praticamente inexistente. Mas isso não me importava. Era mais para não ficar entediado esperando a prova dela acabar. Eu adorava a empresa em que trabalhava e não pensava em deixá-la.

Antes que perguntem, eu não deixei essa empresa por qualquer desilusão ou desapontamento. Ainda a vejo como uma empresa modelo e guardo com carinho as memórias do tempo que trabalhei lá. A questão foi, de fato, a que comentei anteriormente: o setor público me atraiu e a fiscalização tributária ainda mais.

Mas voltando ao assunto desses concursos, eu cheguei a ser aprovado para analista do MPU e do TRF-1, mas em ambos fora das vagas. Se não me falha a memória, isso foi em 2006 ou 2007.

Depois da volta da Alemanha e após ter iniciado a segunda graduação, resolvi estudar com mais afinco para concursos e focar na área fiscal.

No fim de 2012 teve um concurso para a Receita Federal. Como não tinha tido muito tempo de preparo, achei que não teria chance no cargo de Auditor-Fiscal e resolvi prestar para Analista Tributário. Fui aprovado fora das vagas, mas ainda assim fui nomeado no início de 2014. Decidi não tomar posse porque já havia sido aprovado em outro concurso e a nomeação era iminente.

Esse concurso foi o do cargo que ocupo atualmente, de Auditor Fiscal de Tributos do Estado de São Paulo (o nome oficial do cargo é Agente Fiscal de Rendas).

Como minha esposa é servidora do estado de MG, eu me mudei sozinho para São Paulo e desde então fico entre São Paulo e Juiz de Fora.

Eu posso dizer que adoro ser fiscal de tributos em São Paulo. O incômodo das idas e vindas, no entanto, me fez prestar o concurso para Auditor Fiscal de Tributos de Juiz de Fora.

Agora que estou aguardando a nomeação, tenho mais uma decisão difícil a tomar, semelhante àquela de voltar ao Brasil em 2011.

Minha esposa e eu decidimos, juntamente com nossa filha, que vamos tomar a decisão juntos quando a nomeação sair. A decisão está longe de ser fácil, já que são muitas variáveis envolvidas. Nós somos muito gratos, no entanto, por ter a oportunidade de fazer essa escolha.

Estratégia: Qual foi sua sensação ao ver seu nome na lista dos aprovados/classificados e ainda lá no topo (rs)?

Ricardo: Nossa, foi muito boa. Eu estudei bastante para esse concurso de Juiz de Fora, mas não imaginei que ficaria em primeiro. Mesmo sem saber ainda se meu futuro será nesse cargo, eu comemorei muito. Na verdade estou comemorando ainda. :-)

Estratégia: Como era sua vida social durante a preparação para concursos? Você saía com amigos, família, etc? Ou adotou uma postura radical, abdicando do convívio social para passar no concurso o mais rápido possível?

Ricardo: Acho que posso dizer que continuou normal. O tempo que dedicava à minha família eu procurei manter. Minha estratégia foi utilizar horários que antes não utilizava, como o intervalo do almoço no trabalho, o tempo em trânsito (meus estudos funcionam bem com  áudio, ou videoaulas só escutando o som) e à noite depois que minha filha dormia. Enfim, qualquer tempo livre era oportunidade para estudar.

Nesse último concurso, como estava sozinho em São Paulo durante a semana, tinha bastante tempo à noite para estudar. Isso facilitou muito a preparação.

Estratégia: Você é casado? Tem filhos? Namora? Mora com seus pais? Sua família entendeu e apoiou sua caminhada como concurseiro? Se sim, de que forma?

Ricardo: Tenho uma filha linda de 9 anos e uma esposa maravilhosa. Elas são anjos na minha vida. Me apoiam em tudo.

Meus pais e irmãos também são de Juiz de Fora e eu só tenho a agradecer pela família maravilhosa que tenho.

Estratégia: Ao longo de sua jornada, você tentou outros concursos, para treinar e se manter com uma alta motivação ou decidiu manter o foco apenas naquele concurso que era o seu sonho?

Ricardo: Como comentei, antes de começar a levar a sério, eu fazia qualquer concurso. Depois passei a focar na área fiscal.

Estratégia: Você acha que vale a pena fazer outros concursos, com foco diferente daquele concurso que é realmente seu objetivo maior?

Ricardo: Acho que vale sim. A gente acaba aprendendo a fazer prova, ou seja, interpretar melhor as questões, administrar o tempo e por aí vai.

Estratégia: Que materiais você usou em sua preparação para o concurso? Aulas presenciais, tele presenciais, livros, cursos em PDF, videoaulas? Quais foram as principais vantagens e desvantagens de cada um?

Ricardo: Que me lembre, só não fiz aulas presenciais e tele presenciais. Estudei por livros, cursos em PDF, videoaulas e áudios (o da Constituição Federal, por exemplo). Tem gente que funciona melhor lendo, outros assistindo, outros escutando. Eu acho que funciono melhor lendo, mas para aproveitar o tempo, usava as outras formas também.

Estratégia: Como conheceu o Estratégia Concursos?

Ricardo: O Estratégia tem alguns professores que são amigos meus. Alguns, inclusive, ocupam o mesmo cargo que eu na Secretaria da Fazenda de São Paulo. O time do Estratégia é muito bom, e olha que sou bastante exigente. ;-)

Estratégia: Uma das principais dificuldades de todo o concursando é a quantidade de assuntos que deve ser memorizada. Como você fez para estudar todo o conteúdo do concurso? Falando de modo mais específico: você estudava várias matérias ao mesmo tempo? Quantas? Costumava fazer resumos? Focava mais em exercícios, ou na leitura e releitura da teoria? Como montou seu plano de estudos?

Ricardo: Eu utilizava ciclos de estudos. Com base no edital, ou em algum edital anterior, eu montava o plano de forma que estudasse as várias matérias periodicamente. Não tinha tanta rigidez no número de matérias. Estudava em média duas ou três matérias a cada dois ou três dias.

No início comecei a fazer resumos, mas depois achei que era mais eficiente só grifar as partes importantes.

Acho que um bom modelo de estudos pode ser visto no livro do Alexandre Meirelles. Não o conheço pessoalmente, mas ele é meu colega na SEFAZ-SP. Pelo que vejo na Internet, ele é uma lenda dos concursos.

Uma coisa que sempre me ajudou também foi fazer muitas questões. Hoje isso é fácil porque é possível encontrar provas de praticamente qualquer concurso na Internet. Tem também sites especializados nisso.

Estratégia: Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? Como você fez para superar estas dificuldades?

Ricardo: Como sou originariamente da área de exatas, penei bastante com o Direito no início. Minha esposa é do ramo e sempre me ajudou muito. Hoje adoro esse campo do conhecimento. Principalmente o Tributário, por razões óbvias. Talvez até faça uma terceira graduação um dia. :-)

Quanto à dificuldade, acho que não tem segredo: tem que estudar mais as matérias em que a dificuldade é maior.

Estratégia: A reta final é sempre um período estressante. Como você levou seus estudos neste período? Você se concentrava nas matérias de maior peso ou distribuía seus estudos de maneira mais homogênea? Focava mais na releitura, em resumos, em exercícios, etc ?

Ricardo: Se tem um concurso em vista, é bom pegar o edital aberto, ou algum anterior, e ver o peso e quantidade de questões das matérias e focar nas mais importantes. Não quer dizer abandonar as outras, mas tem que focar naquelas que vão oferecer mais pontos.

A releitura na reta final acredito ser importante, mas nunca dava tempo, pelo menos pra mim, porque eu acabava preferindo fazer questões e estudar o que faltava.

Estratégia: Na semana da prova, nós sempre observamos vários candidatos assumindo uma verdadeira maratona de estudos (estudando intensamente dia e noite). Por outro lado, também vemos concurseiros que preferem desacelerar um pouco, para chegar no dia da prova com a mente mais descansada. O que você aconselha?

Ricardo: Eu estudava até o último dia, mas sem ficar desesperado e mudar o ritmo. Como minha estratégia foi sempre aproveitar o tempo, os últimos dias também ofereciam tempo a ser aproveitado.

Estratégia: Se você tivesse que apontar ERROS em sua preparação (se é que houve), quais seriam? Diga-nos também quais foram os maiores ACERTOS?

Ricardo: Um erro que cometi no início foi estudar o que não ia cair, só porque estava no livro. Isso acontece quando não se planeja com base no edital. O acerto foi superar esse erro, ou seja, passar a planejar o estudo.

Estratégia: Pela sua experiência e contato com outros concurseiros, diga-nos quais são os maiores erros que as pessoas cometem quando decidem se preparar para concursos?

Ricardo: Acho que o maior erro é não saber estudar, ou seja, não preparar o estudo com base em algum edital (aberto ou anterior).

Estratégia: O que foi mais difícil nessa caminhada rumo à aprovação? E qual foi sua principal motivação?

Ricardo: Pode não parecer verdade, mas a motivação maior foi de fato o interesse pela fiscalização de tributos. Me encantei com a área tão logo comecei a me informar sobre ela.

Eu gosto tanto da área tributária que passei a estudá-la muito, principalmente depois que me tornei fiscal em SP. Esses estudos me fazem pensar que a Reforma Tributária deveria ser a prioridade número um no Brasil.

E não apenas uma reforma que revisse a operacionalização e organização dos tributos, como algumas que propõem que o ICMS seja unificado ao ISS e ao IPI, formando uma espécie de Imposto sobre Valor Agregado – IVA, nos moldes do IVA europeu (Essa unificação eu vejo com bons olhos, principalmente se as alíquotas do novo tributo forem homogêneas para todos os entes federativos. Isso traria um ganho enorme de acabar com a Guerra Fiscal no país), mas uma reforma que também equilibrasse a carga tributária.

É notório que no Brasil a maior parte da arrecadação advém dos tributos indiretos e objetivos, como os que incidem sobre o consumo. Já os tributos diretos e subjetivos, que incidem sobre a renda e o patrimônio, respondem por uma parte menor da arrecadação. Esse desequilíbrio penaliza aqueles com menos recursos e aumenta a concentração de renda.

Adicionalmente, vejo como fundamental que as alíquotas de alguns  impostos sejam revistas. Não entendo como pode ser justo alguém que recebe uma herança de 100 milhões de reais pagar a mesma alíquota de ITCD (ou ITCMD em alguns estados) de uma pessoa que recebeu uma herança de 100 mil reais. E pior, como podem os ganhos auferidos com o trabalho sofrerem uma carga tributária maior do que aqueles auferidos com herança ou doação; ou a propriedade de automóveis ser tributada e a de embarcações e aeronaves não?

Também não acredito que seja justo alguém que aufere uma renda mensal de 500 mil reais pagar a mesma alíquota de Imposto de Renda de quem ganha 5 mil reais por mês.

Isso joga por terra aqueles mantras que são repetidos de que “ninguém aguenta mais pagar imposto”. De fato uma grande parcela da população é extremamente penalizada pela carga tributária, mas há outra que paga muito pouco se levarmos em conta sua capacidade contributiva.

Não sou ingênuo de achar que uma reforma dessas seria simples, principalmente pelo fato de que com a globalização, o fluxo financeiro entre os países se tornou mais fácil, tornando também mais simples o deslocamento de capital e renda entre eles. Mas esse é um problema que precisa ser enfrentado.

Voltando à pergunta, de qual foi minha maior dificuldade na caminhada, creio que tenha sido a incerteza, principalmente quando estava estudando sem sequer ver o edital na praça e muito menos saber se a vaga seria conquistada.

Estratégia: Por fim, o que você aconselharia a alguém que está iniciando seus estudos para concurso. Deixe-nos sua mensagem para todos aqueles que um dia almejam chegar aonde você chegou!

Ricardo: Me perdoem a informalidade e a dica pouco ortodoxa, mas achava muito engraçado nos fóruns quando o pessoal dizia: força na peruca e faca na caveira. Rsrss. Eu entendia isso como ter persistência. E essa é a dica que deixo. 

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Resultados:

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