Auditor-Fiscal da Receita Federal: conheça minha carreira!
Arthur Lima

Auditor-Fiscal da Receita Federal: conheça minha carreira!

Auditor-Fiscal da Receita Federal – conheça minha carreira

Como você deve saber, além de ser professor de Matemática e Raciocínio Lógico aqui no Estratégia Concursos desde 2011, eu assumi o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil em julho de 2010, cargo que exerci até Maio de 2017, quando decidi me dedicar exclusivamente à minha atividade como Professor no Estratégia. Sempre recebi muitas perguntas dos meus alunos sobre o meu trabalho na Receita: Quanto ganha um Auditor? Que trabalhos um Auditor pode executar? Por quê você largou um bom cargo na iniciativa privada e migrou para o serviço público? Você tem porte de arma?  Preciso começar trabalhando em uma fronteira? Como faço para conseguir remoção para minha cidade?  É perigoso ser Auditor? Já te ofereceram propina? Como devo me preparar para o próximo concurso? Devo estudar para Analista ou para Auditor? O que o Auditor pode fazer e o Analista não? E assim por diante…

Neste artigo eu respondo a estas e várias outras perguntas que vão te auxiliar a se decidir (ou não rs) pela carreira de Auditor-Fiscal ou Analista-Tributário da Receita Federal, e também a planejar os seus estudos – caso resolva enfrentar este desafio. O artigo está enorme, mas coloquei na forma de perguntas e respostas, para você encontrar mais fácil aquela informação que te interessa.

Vamos então ao que interessa? Como eu disse, decidi montar este artigo na forma de perguntas e respostas, pois assim você vai direto para as informações que mais te interessam.

Siga o meu Instagram para acompanhar mais novidades sobre concursos e, principalmente, dicas gratuitas de Raciocínio Lógico e Matemática: @ProfArthurLima  (ou www.instagram.com/ProfArthurLima)

1. Quanto ganha um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil?

Vamos começar pelo que realmente interessa? rs…

Recentemente os Auditores e Analistas da Receita Federal obtiveram um aumento salarial por meio da Medida Provisória 765/2016, que foi convertida em Lei pelo Congresso em 01/06/2017. Considerando o texto da lei aprovada, os Auditores-Fiscais obtiveram:

  • um aumento nos valores da tabela salarial em 2017, 2018 e 2019, de modo que o salário inicial será de R$20.123,53 no início de 2018 (quando você pode estar tomando posse);
  • criação de um bônus de eficiência, que será pago em adição ao salário normal;
  • redução do número de níveis na tabela salarial, e redução no tempo para ir de um nível para o outro, permitindo chegar mais rápido ao teto da carreira;

Até então a remuneração dos Auditores e Analistas ocorria por meio de subsídio, que é aquela espécie remuneratória que é paga em parcela única, o que impedia a existência de parcelas adicionais, como gratificações (mas permite o pagamento de indenizações, como é o caso do auxílio alimentação). Com a Medida Provisória, a remuneração deixa de ser na modalidade subsídio, passando a ser na modalidade vencimento, podendo assim ser acrescida de outras parcelas. Isto permite que, além do vencimento, os Auditores e Analistas possam receber uma parcela variável denominada bônus de eficiência. Este bônus seria constituído pela distribuição do valor arrecadado com o pagamento de multas tributárias e aduaneiras, e também com o leilão de mercadorias apreendidas pela Receita Federal. Entretanto, na redação final da lei aprovada, o bônus não foi vinculado a essa arrecadação, ficando pendente de regulamentação. Enquanto o bônus não for regulamentado, ele será pago no valor de R$3.000,00 por mês aos Auditores-Fiscais e R$1.800,00 mensais aos Analistas-Tributários.

Veja na tabela abaixo a tabela com os novos vencimentos dos Auditores-Fiscais da Receita Federal:

Repare que em 2019 o teto salarial dos Auditores estará acima de R$27 mil. Somando-se o bônus de eficiência (que já começa em R$3.000,00), este valor deve passar facilmente de R$30 mil.

Em Dezembro/2016 e Janeiro/2017 os Auditores receberam bônus no valor de R$7.500 por mês. A partir de Fevereiro/2017 este bônus vem sendo pago no valor de R$3.000 por mês, e deve continuar neste valor fixo até que seja devidamente regulamentado.

Além do reajuste dos vencimentos e da criação do bônus, houve uma redução no número de níveis para progressão na carreira. Assim, os novos Auditores não terão mais que percorrer 13 níveis salariais para chegar ao teto, mas apenas 9 níveis. Além disso, houve também redução no tempo mínimo para passagem de um nível para o seguinte: atualmente são 18 meses, agora serão 12. No final das contas, antes o novo Auditor levava uns 18 anos para chegar ao teto da carreira. Agora, serão cerca de 10 anos (isto porque, durante o estágio probatório, não deve haver progressão).

Conheça os nossos cursos completos em videoaulas e PDF para os cargos de AUDITOR-FISCAL e ANALISTA-TRIBUTÁRIO da Receita Federal (basta clicar nos nomes dos cargos).

Conheça a novidade do Estratégia Concursos: CURSOS EXTENSIVOS GRATUITOS AO VIVO. Para fazer sua inscrição no curso extensivo RECEITA FEDERAL clique imagem abaixo:

2. Por que vale a pena prestar concurso para a Receita Federal?

Deixe-me resumir aqui a minha trajetória profissional, para com isso explicar porque fez sentido para mim prestar o concurso. Talvez se aplique a você também.

Eu sou Engenheiro Aeronáutico, e me formei pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 2005. Em seguida comecei a trabalhar na fabricante de aeronaves EMBRAER, onde fiquei por 5 anos "gastando" o meu diploma e tive uma excelente experiência na iniciativa privada. Em 19 de fevereiro de 2009, a EMBRAER demitiu cerca de 4.200 pessoas no mesmo dia (veja AQUI)! Isso mesmo! Neste dia eu vi muita gente boa sendo demitida. Muitos profissionais dedicados, muitos pais de família, muita gente bem especializada mas que teria muita dificuldade de encontrar outro emprego do mesmo padrão no meio da crise… felizmente eu permaneci na empresa. Na época eu era solteiro, não tinha filhos, mas pensei comigo: e se eu já estivesse em outra fase da vida, tivesse filhos para sustentar, dívidas para pagar…?

Esta demissão em massa foi um grande incentivo para eu passar a cogitar ainda mais a migração para o serviço público. Mesmo antes disso eu já considerava a possibilidade de mudar para o serviço público, em especial a Receita Federal, por uma série de aspectos: qualidade de vida, autonomia no trabalho, não queria me preocupar com "marketing pessoal" (comum na iniciativa privada), e mesmo pelo aspecto salarial. E eu já admirava a instituição Receita Federal, considerava que se tratava de um órgão de excelência, muito respeitado, e que desenvolvia um trabalho extremamente relevante para o país: tentar "obrigar" todas as pessoas e empresas a cumprirem as mesmas leis, e prover o Estado com os recursos necessários para o desenvolvimento das políticas públicas. Antes que digam outra coisa: sim, eu também odeio pagar impostos rs… mas reconheço que eles são necessários (embora pudessem ser bem mais simplificados, mais justos e melhor empregados).

Foi assim que, em Julho de 2009, eu decidi de uma vez por todas que prestaria o próximo concurso da Receita Federal (que já estava autorizado). Na época eu tive que cancelar a minha matrícula em um curso de MBA na FIA/USP, que eu até já tinha pago integralmente rs… Mas não me arrependo nem um pouco :)

Eu decidi prestar tanto para o cargo de Auditor como o de Analista. Na época o meu salário na Embraer era similar ao de Analista, mas a minha ideia era migrar para o serviço público, ainda que para ganhar o mesmo, pois assim eu teria mais tempo para me preparar para outros concursos (na Embraer eu trabalhava 43 horas por semana, com direito a várias horas extras).

Seja meu seguidor o INSTAGRAM e acompanhe todas as novidades em primeira mão! Basta clicar na figura:

instagram

3. Como se preparar para o concurso da Receita Federal? Quanto tempo leva para se preparar para esse concurso?

Novamente vou começar contando um pouquinho da minha história. Embora a minha "reta final" tenha sido de apenas 6 meses (de Julho a Dezembro de 2009, quando ocorreu a prova de primeira fase), eu não parti do "zero". Como eu já cogitava o concurso há algum tempo, já havia estudado por conta própria algumas matérias, como os Direitos Administrativo, Constitucional, Tributário, além de Contabilidade. Na reta final eu estudei basicamente por materiais em PDF, além de algumas aulas em vídeo sobre os Direitos Penal/Civil/Comercial, que foram novidade no meu concurso. Nos últimos meses para a prova frequentei ainda um curso aos finais de semana para resolução de questões. Como eu trabalhava e estudava, precisava aproveitar bem cada minuto. Acordava bem cedo para poder estudar antes de ir para a Embraer. No caminho para o trabalho eu costumava ir ouvindo as aulas em vídeo (deixava meu notebook no banco do carro, na época não tinha smartphone). Chegando em casa já estudava mais um pouco. Ia muito rapidamente na academia (20 minutos) só para "esfriar a cabeça", e no retorno já estudava mais. Nunca fui de estudar muitas horas seguidas, pois ia sempre fazendo intervalos com as demais atividades (tomar banho, jantar etc), mas conseguia fazer um bom volume de horas líquidas todo dia, e nos finais de semana eu tentava tirar a diferença estudando ainda mais. Também tirei todas as férias que podia (acho que foram 20 dias) para dedicar ao estudo pós-edital. Em resumo: quando eu digo que levei 6 meses para ser aprovado, estou contando apenas a reta final. Considerando a experiência de vários outros aprovados com quem tenho contato na Receita Federal, vejo que aqueles que partiram "do zero" mesmo levaram pelo menos 1 ano.

A minha grande falha foi não ter feito uma boa preparação para as provas discursivas. O meu concurso foi o primeiro que teve provas discursivas, e eu me preocupei muito em revisar o conteúdo, e acabei deixando de lado a parte prática da discursiva. Não fiz nenhuma redação para treinar, o que se revelou um grande erro: no dia da prova eu não tinha noção do tempo que gastaria para redigir tudo. A minha discursiva se deu em dois turnos (manhã e tarde), sendo que em cada um precisávamos fazer 1 redação de 60 linhas e 2 questões de 30 linhas. No período da manhã eu saí fazendo rascunho de tudo. O resultado? Quase não deu tempo!!! Preocupado, no período da tarde eu resolvi fazer as redações direto a caneta. Não fiz nem mesmo um esquema de tópicos. E aí sobrou tempo demais, mas não tinha mais o que fazer, já estava tudo a caneta mesmo… Enfim, perdi umas 140 posições na discursiva! Felizmente eu havia ido muito bem nas provas objetivas, o que me permitiu permanecer dentro das vagas. Mas fica a lição: não menospreze a prática da discursiva! Treine bastante, simule a situação de prova.

4. Como trabalha um Auditor Fiscal da Receita Federal?

Falo bastante sobre isso nesta entrevista em vídeo:

Mais uma vez vou começar exemplificando com a minha trajetória na Receita Federal, ok? Quando você é aprovado no concurso da Receita, é disponibilizada uma relação com as vagas distribuídas entre várias cidades. Esta relação é o que "sobra" do concurso de remoção interno, do qual participam os Auditores que já trabalham na Receita (falarei dele adiante). Cada aprovado coloca todas as cidades em ordem de preferência e a ESAF faz então o cálculo da lotação inicial de cada pessoa, dando prioridade de escolha para quem obteve melhor classificação no concurso. Com isso, eu tomei posse na cidade de Manaus, mais especificamente na Alfândega do Porto de Manaus, em Julho de 2010. Lá eu trabalhava cumprindo o expediente normal, que é de 8 horas por dia (40 por semana), o que acontece em grande parte dos trabalhos na Receita – a exceção de trabalhos externos, regimes de plantão, teletrabalho ("home office") etc.

Foi uma experiência muito boa, pois foram cerca de 40 pessoas do meu concurso comigo para Manaus. Como a cidade era nova para a maioria de nós, acabamos nos unindo bastante. Fazíamos churrascos, íamos almoçar, trocávamos experiências no trabalho… A propósito, o trabalho era muito interessante. Eu assumi a chefia de uma área que trabalhava com o combate à fraude nas importações (subfaturamento, uso de "laranjas" – interposição fraudulenta, mercadorias falsificadas, proibidas etc). Quando havia suspeita de fraude, nós realizávamos a fiscalização e, confirmando a fraude, aplicávamos as penalidades cabíveis (normalmente a perda das mercadorias, algumas multas, e uma representação para fins penais dirigida ao Ministério Público Federal). Para exemplificar os trabalhos que lá realizamos, destaco a apreensão de uma lancha como esta, que vale uns R$4 milhões de reais mas foi importada de forma bastante irregular:

Meridian-Yachts-Meridian-541-Sedan

Com a chamada dos excedentes do meu concurso, em meados de 2011, participei do concurso de remoção interno e consegui uma vaga em Brasília. Acabei ficando em Manaus por apenas 14 meses. Em Brasília estão as "unidades centrais" da Receita Federal, que gerenciam o trabalho de todas as demais. Comecei a trabalhar então na Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana), responsável por gerenciar todas as atividades aduaneiras (comércio exterior e fluxo de bagagens) no país. Trabalhei com atividades de gerenciamento de risco na importação e gerenciamento da fiscalização aduaneira.

Já em 2012, com o novo concurso da Receita Federal, eu entrei novamente no concurso de remoção e fui para o Aeroporto de Guarulhos/SP. Fiz isso porque a minha esposa havia sido aprovada em um concurso no interior de São Paulo, e assim poderíamos morar juntos. Inclusive uma grande vantagem da Receita Federal é esta flexibilidade que você tem para trabalhar em qualquer lugar do país. Para mim isso foi muito útil! Em Guarulhos, assumi novamente a chefia da área de combate à fraude na importação, assunto que gosto bastante. Fizemos várias fiscalizações relevantes, e lavramos autos de infração de cifras bem elevadas (milhões de reais). Veja um exemplo de apreensão que realizamos (valor acima de R$ 3 milhões):

cabelos

Em meados de 2014 fui convidado para assumir a chefia da Divisão de Fiscalização Aduaneira. Topei, e isto me permitiu ser removido de ofício para Brasília e, desta forma, a minha esposa podia me acompanhar na remoção. Ela trabalhava no TRT/15, e foi removida para o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Para nós foi ótimo, pois nossas famílias são de Goiânia, que fica a 200km de Brasília. Ainda estou na mesma Divisão, e não pretendo mais sair desta cidade (chega de mudança! rs).

A propósito, você notou que eu assumi cargos de chefia em 3 localidades. Sobre isto, tenho 2 breves pontos para citar: ao assumir uma chefia, você ganha uma remuneração adicional (que pode ir de uns R$500 a quase R$2000, nas funções mais comuns). Além disso, você é promovido entre os níveis da tabela salarial mais rapidamente (12 meses, ao invés de 18).

 

5. O Auditor Fiscal da Receita Federal tem porte de arma? 

Bom, eu não tenho. Mas na Receita é possível ter, em especial aqueles que executam atividades de Repressão ao contrabando e descaminho. Entretanto, tive a possibilidade de fazer um curso de "Técnicas de defesa com arma de fogo" pela Receita Federal em Manaus. Foi muito interessante, pois experimentamos diversas situações diferentes – atirar de dentro de um carro (pegando a arma rapidamente no banco do passageiro), adentrar em uma residência que tenha alguém armado em seu interior, montar/desmontar a arma de fogo rapidamente etc. Foi uma experiência até mais completa do que eu havia vivenciado no meu serviço militar na Força Aérea, durante o ITA.

 

6. É perigoso ser Auditor? Você já recebeu alguma oferta de propina?

Durante nosso trabalho como Auditor-Fiscal da Receita Federal, é comum atuarmos de forma contrária aos interesses de algumas pessoas, alguns empresários, políticos etc. Lavramos autos de infração que muitas vezes são da ordem de milhões de reais, e em alguns casos chegam a bilhões de reais. Apreendemos mercadorias, lacramos estabelecimentos comerciais etc. De fato existe um risco em nossa profissão, em especial em algumas atividades (como a Repressão e a Inteligência), mas de uma forma geral considero que podemos exercer nosso trabalho de forma bastante segura. A sociedade como um todo, e inclusive o sonegador, respeitam a instituição. Sabem que a Receita Federal é séria, o trabalho é desenvolvido com tecnologia, metodologias consistentes, os servidores possuem alta capacitação…

Embora tenha trabalhado no combate à fraude na importação e, neste tempo, aplicado a pena de perdimento em muitas mercadorias (algumas bastante valiosas, como o iate e aquela grande carga de cabelos humanos que mostrei acima), nunca sofri ameaças – nem mesmo veladas – e nunca me ofereceram propina ou qualquer vantagem indevida. Atribuo isso, dentre outras coisas, à seriedade com que eu e meus colegas desempenhamos nosso trabalho. O contribuinte percebe rapidamente que está lidando com servidores sérios, que estão seguindo grande rigor técnico em sua atuação, e nem ousam oferecer algo. Percebe que a única forma de resolver o problema é discutindo o mérito dele, apresentando argumentos e documentos consistentes, e não na base da "conversa" e do relacionamento. Sempre evitamos situações propícias a este tipo de oferta, como ficar sozinho com o contribuinte que está sendo fiscalizado, fornecer o telefone ou email pessoal, etc. Entendo que é importante tratar com cordialidade e respeito todos os contribuintes, mas é saudável manter também um certo distanciamento.

Para quem não sabe, sou professor de Raciocínio Lógico-Quantitativo para a Receita Federal. Essa matéria tem um peso pequeno, mas elimina MUITOS candidatos bem preparados. Confira como estudá-la neste vídeo:

 

7. O que faz o Auditor Fiscal da Receita Federal? E um Analista Tributário? 

A Receita Federal é um órgão bastante amplo, com atribuições das mais variadas. Arrecada cerca de um trilhão de reais por ano, controla o fluxo de 600 bilhões de dólares entre importações e exportações anuais, fiscaliza as fronteiras, combate o contrabando e o descaminho, atua na investigação de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas (como temos visto na imprensa no caso da Lava Jato), administra uma série de benefícios fiscais, e assim por diante. Isso faz com que exista um grande número de trabalhos a serem realizados: há como trabalhar com jornalismo (assessores de imprensa, por exemplo), relações institucionais (ex.: assessoria parlamentar), gestão de pessoas (ex.: programas de capacitação), piloto de helicóptero e lancha, programação (inclusive em inteligência artificial), segurança da informação, e assim por diante… para não falar dos trabalhos mais tradicionais: fiscalização de bagagem, de tributos internos (imposto de renda, IPI , previdência etc), fiscalização do comércio exterior, julgamento de  recursos em processos administrativo-fiscais (bom para quem gosta de Direito), vigilância/patrulhamento, atendimento ao público, despacho de mercadorias… para não falar nos cargos de gestão, liderança de equipes, funções de Delegado, Inspetor, Superintendente… Enfim, é um grande leque de oportunidades, e certamente você irá se identificar com alguma delas.

A legislação, em especial o Decreto 6641/2008, define que algumas atribuições são exclusivas do cargo de Auditor, sendo as demais compartilhadas com os Analistas. As atribuições exclusivas de Auditor podem ser resumidas assim:

  • lançamento tributário;
  • execução de fiscalização (inclusive aduaneira);
  • tomar decisões em processos fiscais;
  • examinar contabilidade de empresas;
  • orientar o contribuinte quanto à interpretação da legislação tributária;
  • supervisionar a orientação a contribuintes.

Embora o Analista não possa exercer as atividades acima diretamente, ele pode exercer atividades de natureza técnica que façam parte dos trabalhos acima, auxiliando o Auditor. Além disso, os Analistas podem atuar no exame de processos administrativos e exercer diversas outras competências da Receita Federal, exceto aquelas que são privativas de Auditor. Na prática, existem Analistas trabalhando no atendimento ao público, na fiscalização de bagagem, nas atividades de repressão, desenvolvimento de sistemas informatizados, gestão de pessoas, atividades administrativas em geral etc. Também há muitos Analistas que apoiam Auditores nas atividades de fiscalização e de seleção de contribuintes a serem fiscalizados.

Conheça os nossos cursos completos em videoaulas e PDF para os cargos de AUDITOR-FISCAL e ANALISTA-TRIBUTÁRIO da Receita Federal (basta clicar nos nomes dos cargos).

 

8. Como é a estrutura da Receita Federal? Como ela se distribui no país?

Pelos números que já adiantei na pergunta anterior, você pode notar que a Receita Federal é um órgão enorme. Para dar conta de tanto trabalho, a Receita "divide" o Brasil em 10 regiões fiscais (RF), como você pode ver abaixo:

mapaRF

Dentro de cada região fiscal a Receita Federal possui diversos tipos de unidades diferentes. Temos as Delegacias (que geralmente tratam dos tributos internos, como Imposto de Renda, IPI, etc), as Alfândegas (que normalmente são unidades aduaneiras localizadas em portos, aeroportos e fronteiras terrestres), as Inspetorias (que também são unidades aduaneiras, geralmente localizadas fora das fronteiras), as Agências (unidades menores focadas no atendimento ao cidadão), as Delegacias especializadas em alguns temas mais complexos (como a fiscalização de instituições financeiras e de grandes contribuintes),  as Delegacias de Julgamento (que julgam os recursos administrativos sobre os autos de infração lavrados pelos Auditores) e as Superintendências (que são as sedes de cada região fiscal, responsáveis pela administração e coordenação de todas as unidades daquela região). Trata-se de um total de 599 unidades, como você pode ver abaixo:

unidades da RFB

O que isso tem de bom? O fato de que, trabalhando na Receita Federal, mais cedo ou mais tarde você poderá exercer o seu cargo em qualquer uma dessas unidades. Trata-se de uma flexibilidade enorme, que certamente vai permitir você conciliar a sua situação profissional com aquela do seu cônjuge, ou mesmo com necessidades diversas da sua família (ex.: um colega meu se mudou de Goiânia para São Paulo para acompanhar o filho na faculdade).

 

9. Estou começando agora. Devo estudar para Analista ou para Auditor? 

Para que você compreenda melhor a minha resposta, veja na tabela abaixo a comparação entre as matérias dos últimos concursos de Auditor e de Analista da Receita Federal: Auditor-Fiscal da Receita Federal

Em vermelho você pode ver as matérias que caíram somente para Auditor-Fiscal da Receita Federal. Além disso, dentro de algumas disciplinas o conteúdo de Auditor é um pouco mais extenso. Por exemplo, em Raciocínio Lógico-Quantitativo, o edital de Auditor cobra alguns tópicos adicionais de matemática financeira (anuidades e amortizações) e de estatística (inferencial). Em Direito Constitucional também o conteúdo de Auditor é mais extenso. Há ainda diferenças em Tributário e em Contabilidade Geral. Já as matérias de Legislação Tributária e Aduaneira são praticamente iguais, o mesmo valendo para Português e Espanhol / Inglês.

Voltando à pergunta: devo estudar para Analista ou para Auditor? Este é outro questionamento que recebo bastante. Naturalmente, o ideal seria tentar logo a aprovação para o cargo de Auditor, afinal a remuneração é mais elevada e o leque de atividades que podem ser realizadas é significativamente maior. Entretanto, é fato que o cargo de Analista possui uma remuneração bastante atrativa (hoje o teto passa R$14 mil, com os benefícios, mas deve se aproximar de R$20mil com os aumentos já acordados). Além disso, trata-se de um cargo que pode desempenhar atividades bastante relevantes no âmbito da Receita Federal, e há uma vantagem que eu vou explicar melhor na próxima pergunta: geralmente é mais fácil você conseguir ir para a "cidade dos seus sonhos" pelo concurso de remoção como Analista do que como Auditor.

Outra informação importante: o edital do último concurso de Auditor (2014) engloba todo o edital do último concurso de Analista (2012). O que isto nos indica? Que talvez valha a pena você começar estudando as matérias do cargo de Analista, afinal todas elas também são cobradas para Auditor. Quando você já estiver bem avançado nessas matérias, aí sim você pode reavaliar: já foi autorizado o próximo concurso? já temos perspectiva de um novo edital? será que tenho tempo para incluir as demais matérias, que caem somente para Auditor, na minha grade de estudos?

De qualquer forma, vale dizer que eu e VÁRIOS colegas meus nos preparamos com foco no cargo de AUDITOR e conseguimos ser aprovados para AMBOS os cargos em 2009. Afinal de contas, quem se prepara para Auditor acaba estando bem preparado também para Analista. Considerando que não devemos ter um edital da Receita Federal no curto prazo, deixo aqui a minha recomendação: prepare-se para o concurso de Auditor. Mire mais alto! Se, nos próximos meses, surgir alguma notícia de que o concurso está muito próximo, aí sim você faz uma reavaliação e decide se é o caso canalizar todas as suas energias para o concurso de Analista apenas. Caso demore um pouco a sair o próximo concurso, você estará apto a brigar pelos dois cargos assim como eu, o professor Mário Machado, a professora Nádia Carolina e vários colegas nossos fizeram!

 

10. Como funciona o concurso de remoção interna da Receita Federal? Quando conseguirei ir para a minha cidade?

Grande parte das pessoas que tomam posse no concurso da Receita Federal iniciam suas carreiras em capitais da região Norte (como foi o meu caso) ou em cidades de fronteira. Outras cidades que costumam ter vagas para os novatos são cidades do interior do Pará (Marabá, Santarém), Cuiabá/MT, Joaçaba/SC, Brasília/DF e São Paulo/SP. Onde é praticamente impossível haver vagas para lotação inicial? As capitais do Nordeste (exceto São Luís/MA), do Sul, a cidade e mesmo o estado do Rio de Janeiro, Goiânia/GO, Campo Grande/MS, Vitória/ES, cidades médias conhecidas pela ótima qualidade de vida, como Juiz de Fora/MG, Uberlândia/MG, Campinas/SP, São José dos Campos/SP, Blumenau/SC, Joinville/SC, Maringá/PR, Londrina/PR, Campina Grande/PB…

Entretanto, quando houver o ingresso de novos servidores oriundos de concurso externo, você poderá participar de um concurso de remoção interno. Em linhas gerais, neste concurso de remoção você aponta todas as cidades para as quais você tem interesse de se mudar. De acordo com a sua pontuação (já explico) e as vagas efetivamente existentes nas cidades, você poderá ser contemplado com uma remoção, que ocorre "a pedido" (ou seja, não tem indenização, mas pelo menos são concedidos de 10 a 30 dias de "trânsito", que permitem você realizar a mudança com tranquilidade).

A sua pontuação depende, basicamente, de três fatores: o tempo que você trabalha na Receita, o tempo que você trabalha naquela cidade onde você está no momento, e o peso daquela cidade. O peso de cada cidade é definido de acordo com uma série de critérios, como a existência de aeroportos, o custo de vida, a distância para os grandes centros etc,  de modo que cidades de fronteira costumam ter pesos mais elevados, e grandes capitais (como Brasília) costumam ter o menor peso. Alguns colegas tomam posse e, mesmo podendo assumir uma vaga diretamente aqui em Brasília, optam por ir para uma fronteira que possua um peso elevado para, com isso, acumular pontos mais rapidamente. De qualquer forma, sugiro que você não perca tempo com isso. É bom você conhecer esta sistemática, em linhas gerais, para saber no que você está "se metendo", mas o seu foco neste momento deve ser a preparação para o concurso. Este é um "problema" para você resolver depois :)

Só é importante ter em mente que a remoção para aquelas cidades mais disputadas que citei acima pode levar uns vários anos, principalmente para o cargo de Auditor. Para Analista costuma ser mais rápido, uma vez que a rotatividade do cargo é maior e nos últimos concursos a Receita tem criado mais vagas para Analista do que para Auditor. Existem outras formas de remoção, como por exemplo a remoção para exercer uma função. Se você quer muito ir para Uberlândia, por exemplo, você pode se candidatar à função de Delegado daquela cidade quando surgir esta vaga. Naturalmente, você não vai conseguir isso em poucos anos (até porque, para ser Delegado, é preciso já ter cumprido o estágio probatório)… Há ainda projetos de teletrabalho na Receita, onde você pode trabalhar de casa. Isto ainda é embrionário, mas acredito ser uma tendência para os próximos anos. O melhor mesmo é você assumir a sua vaga, seja na cidade que for, de coração aberto. Procure aproveitar ao máximo daquela experiência. Eu mesmo guardo lembranças excelentes da minha passagem por Manaus.

apostila receita federal

 

11. Como funciona o curso de formação? É verdade que ele vai voltar a ser parte do concurso?

Até o meu concurso (2009), o curso de formação era uma etapa do concurso público. Isto é, o concurso tinha uma primeira etapa, que eram as provas objetivas e discursivas, e uma segunda etapa (também eliminatória), que era o curso de formação. Embora eliminatório, o fato é que o curso de formação é relativamente tranquilo. Se você conseguiu passar nas provas da primeira etapa, o nível das provas do curso de formação nem se compara… por outro lado, o curso de formação é uma excelente oportunidade para você conhecer a sua turma, fazer amigos, conhecer bem a instituição na qual você está entrando. No meu ano esse curso tomou cerca de 40 dias, e durante este período recebemos uma "bolsa" que corresponde a metade do salário inicial do cargo. Ninguém foi reprovado. O único "stress" do curso de formação é o fato de não haver segunda chamada de prova, ou seja, você precisa comparecer em todas as provas no dia correto (afinal, é uma etapa do concurso). Nada de ficar doente, perder o horário, passar mal etc. E há também um controle de faltas que é levado bastante a sério. Eu gosto muito de pedalar, e havia trazido minha bicicleta para Brasília para andar por aqui durante o curso de formação. Quando eu vi essas questões, deixei a bicicleta bem guardada, para não correr o risco de me acidentar e colocar tudo a perder :)

Em 2012 e 2014 o curso de formação deixou de ser etapa do concurso, passando a ser realizado após o pessoal tomar posse no cargo (deixando de ser eliminatório). Como parte da última negociação salarial, voltou a ser obrigatória a realização do curso de formação como uma etapa eliminatória do concurso público. O que isto muda no seu planejamento de estudos? NADA.

Conheça os nossos cursos completos em videoaulas e PDF para os cargos de AUDITOR-FISCAL e ANALISTA-TRIBUTÁRIO da Receita Federal (basta clicar nos nomes dos cargos).

 

12. Quando será o próximo concurso para Auditor e Analista da Receita Federal?

Como disse acima, os últimos concursos para Auditor e Analista ocorreram, respectivamente, em 2014 e 2012. Ambos já convocaram todos os excedentes (dobraram as vagas originais), e já perderam sua validade, não podendo mais ser utilizados para a nomeação de novos servidores. Como o papel da Receita Federal continua crescendo  (e-Social, fluxo de passageiros nos aeroportos, perigos no comércio internacional, investigações de lavagem de dinheiro, comércio nas fronteiras, necessidade de aumento do recolhimento de tributos etc) e muitos servidores continuam a se aposentar, é natural que a demanda por novos Auditores e Analista vá ganhando cada vez mais força. Entretanto, diante de um cenário tão conturbado como o atual, é impossível precisar uma data para um novo certame. Já existe, de fato, previsão na Lei Orçamentária de 2017 de 400 vagas para os vários cargos da Receita Federal (inclusive ATA, que é do Ministério da Fazenda mas muitas vezes atua na própria Receita), mas pouco sabemos sobre a distribuição de vagas e a tramitação de um pedido concreto de realização de concurso. De qualquer forma, considero bastante improvável um novo concurso da Receita Federal ainda em 2017, sendo bem mais factível a ocorrência em 2018. Isto é uma boa notícia, em especial para aqueles que ainda não estão tão preparados, ou mesmo para aqueles que estão iniciando seus estudos por agora, pois a preparação para o certame da Receita Federal demanda vários meses (seguindo a "regra" do grande Alexandre Meirelles, o razoável é algo em torno de 1500 horas de estudo, ou 1 ano estudando pelo menos 30 horas por semana).

Acredito ainda que se mantenha a tendência verificada nos últimos concursos, onde o número de vagas de Analista é o dobro ou mesmo o triplo do número de vagas para Auditor.

 

13. Quer saber as notas de corte, concorrência, matérias mais difíceis, estratégias de estudo e outros aspectos dos últimos concursos de Auditor e Analista?

Para responder a esta pergunta, deixo ainda um link para a minha apresentação "Raio-X do concurso da RFB", onde eu detalho estas e várias outras informações interessantes sobre os concursos de Analista-Tributário e de Auditor-Fiscal da Receita Federal. Assista clicando abaixo (a palestra começa aos 8 minutos do vídeo, ok?).

 

Quer se preparar para os concursos da Receita Federal? Não deixe de conhecer o Raio-X da Receita Federal (clique aqui), material gratuito que publicamos com uma análise detalhada de todas as disciplinas, apontando o que é mais cobrado pela ESAF em cada uma delas!

Fico por aqui, deixando os meus contatos para continuarmos trocando ideias:

FACEBOOK (para trocarmos mensagens): www.facebook.com/ProfArthurLima

INSTAGRAM (para você acompanhar minhas dicas diárias): @ProfArthurLima

Conheça os nossos cursos completos em videoaulas e PDF para os cargos de AUDITOR-FISCAL e ANALISTA-TRIBUTÁRIO da Receita Federal (basta clicar nos nomes dos cargos).

Saudações,

Prof. Arthur Lima

Compartilhe:

Arthur Lima

Arthur Lima

Matemática, Estatística, Raciocínio Lógico, Matemática Financeira

Engenheiro Aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Trabalhou por 5 anos no mercado de aviação. Aprovado para o cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal e também para o cargo de Analista-Tributário da RFB. É professor de matemática, matemática financeira, raciocínio lógico e estatística no Estratégia desde o primeiro ano do site (2011), tendo conduzido mais de 400 cursos preparatórios para diversos cargos e concursos.

Veja os comentários:
Deixe seu comentário:

Deixe seu comentário:

Artigos Relacionados

Cadastre-se para receber novidades e ofertas especiais sobre cursos.

Vídeos Relacionados
Depoimentos dos Aprovados

Cadastre-se para receber novidades e ofertas especiais sobre cursos.