Como escolher a área para a 2ª Fase do Exame de Ordem
Dicas de estudo

Como escolher a área para a 2ª Fase do Exame de Ordem

Olá pessoal, gostaria de conversar com vocês sobre um problema que aflige muitos examinandos: a escolha a área para a prova prático-profissional da OAB. Com o a publicação do edital do Exame, você terá até o último dia do período de inscrições para escolher a área que deseja prestar segunda fase.

Muito embora, nesse momento, o seu foco seja a prova objetiva (afinal de contas, de nada adianta se preparar para a prova prática profissional e não passar na prova objetiva) temos que definir qual será a área em que faremos as dissertações e peça processual.

A prova prático-profissional compreende quatro dissertações, com 1,25 pontos cada, e uma peça processual de 6,0 pontos. Essa prova caracteriza-se por ser técnica, é a oportunidade de o examinando demonstrar que é capaz de exercer a advocacia.

São seis áreas de opção: Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Penal, Direito Empresarial, Direito do Trabalho e Direito Tributário. Em cada uma dessas áreas devemos dominar não apenas a parte material, mas especialmente a parte processual.

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Uma vez escolhida a área não será permitida alteração.

Surge, portanto, a indagação:

Qual é a melhor área a escolher?

Mitos e estatísticas

Sempre há burburinho de que Direito do Trabalho é uma área mais fácil. Afirma-se que são áreas com menos peças, além de constituir uma disciplina que estamos habituados no dia a dia.

Em Direito Civil os examinandos são desencorajados sob a alegação de que a matéria oferece um contingente amplo de assuntos e peças processuais. Em razão disso, o volume de matéria e a probabilidade de identificar de forma incorreta a peça processual é maior.

Diz-se também que Direito Constitucional e Direito Tributário são dificílimos, por tratarem de matéria técnica, para cuja compreensão exige-se maior tempo de dedicação.

Mitos! Ao invés de nos ajudar, essas ilações têm prejudicado muitos examinandos.

Em trabalho estatístico da FGV, demonstrou que muito embora seja considerada uma área difícil, os índices de aprovação de Direito Civil são superiores quando comparado com Direito do Trabalho, que, por sinal, é uma das áreas que menos aprova. Na contramão do consenso criado, Direito Constitucional é a área que possui, na média, maior índice de aproveitamento.

O estudo da Fundação apontou:

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Isso significa, portanto, que devemos optar por Direito Civil ou por Direito Constitucional?

Depende! Se for a área que você tiver maior domínio sim…

Somente devemos nos preocupar com a prova prática após a realização da prova objetiva. De posse dos gabaritos e com a certeza de que você foi aprovado, é hora de focar na segunda fase. Temos, portanto, um período de 45 dias para estudar para essa prova. Assim, diante do pouco tempo, da complexidade da prova, a melhor alternativa é escolher de acordo com a afinidade.

Afinidade

Se você gostou de estudar Direito Penal durante a faculdade não faça Direito Trabalho só porque disseram que é mais fácil. Se você achar o estudo das ações constitucionais muito difícil, não faça Direito Constitucional só porque o índice de aprovados é maior. Se você sempre teve bom desempenho em Direito Civil, não fique desencorajado.

A escolha da área deve ser pautada por fatores internos, não externos. Os dados estatísticos são fatores externos e podem indicar muitas coisas, mas não deve ser determinante na opção de escolha do examinando.

Paute sua decisão com base em estatística apenas se você não ideia de que área escolher.

Vamos apontar alguns parâmetros para auxiliar você na sua decisão.

1) Disciplinas com as quais você teve maior afinidade ao longo da graduação. Ao longo dos anos de faculdade nós desenvolvemos empatia em relação a determinadas áreas. Formam-se grupos na sala, daqueles que gostam mais da área penal, daqueles que preferem a área trabalhista e daqueles que possuem afinidade com a área cível, etc. Identifique o seu grupo!

Você poderá identificar isso facilmente olhando para a sua nota em relação à média dos demais colegas. Se você possui desempenho superior à média, muito provavelmente significa que você possui afinidade com aquela disciplina.

2) Nunca escolha disciplinas com as quais você não tem afinidade. Não gostar de determinada área é natural. Contudo, para fins do Exame da OAB, optar por área assim, poderá constituir um bloqueio para a compreensão dos assuntos. Por mais fácil que seja a disciplina, você terá mais dificuldade que a média para compreendê-la.

3) Se você pretende atuar em determinada área quando obtiver a inscrição na OAB, use isso como aliado na sua preparação. Ao estudar você está se preparando concretamente para atuar. Isso será motivador! A cada peça treinada você irá se sentir atuando, a cada conteúdo novo assimilado você poderá projetar como usar aquelas informações no exercício da profissão. Sonhar é uma parte importante para o sucesso!

4) Experiências anteriores contam muito. Se você fez estágio em escritório com atuação na área de Direito Tributário, responsabilizando-se pela redação de minutas de petições, provavelmente você terá mais facilidade em se preparar para esta área. Não desconsidere esse conteúdo acumulado. Como dissemos, a prova prático-profissional é uma prova técnica, no qual o aluno deve demonstrar, além do conteúdo, a habilidade para redigir uma peça processual. Se você já fez isso, certamente deu um grande passo.

Muitos, entretanto, não atuaram na advocacia. Não importa! Se você fez estágios em órgãos públicos, como Tribunais, Ministério Público etc., use a experiência adquirida em direito material ou o contato frequente com o processo para “adiantar” a preparação. Um estagiário de algum Tribunal Regional do Trabalho certamente terá bagagem em Direito Material e Processual do Trabalho.

Esses parâmetros devem especialmente ser considerados para área na prova prático-profissional. Não tome a decisão por impulso ou mera estatística, muito menos pelos chavões criados no meio.

Se você deseja se preparar para a prova prático-profissional da OAB, não deixe de conferir nossos Cursos. Além dos cursos voltados para a prova objetiva, que você pode acessar aqui, o Estratégia OAB lançou cursos específicos voltados para a prova prático-profissional.

Direito Administrativo (com Monitoria)

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Direito Civil (com Monitoria)

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Direito do Trabalho (com Monitoria)

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Direito Empresarial (com Monitoria)

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Direito Penal (com Monitoria)

Direito Penal

Direito Tributário (com Monitoria)

Direito Tributário

Antes de encerrarmos, outro questionamento:

Eu já tentei várias vezes a OAB em Direito Civil, devo mudar para Direito Penal?

Mudança de área aprova reprovações

Não é indicado mudar de área com apenas uma reprovação. Acreditamos que isso deve ser cogitado apenas após sucessivas reprovações.

Inicialmente reflita. Procure identificar se realmente a dificuldade na aprovação tem relação com a área escolhida. Avalie o desempenho na prova objetiva em relação as demais matérias. Por exemplo, se você tem tido um aproveitamento abaixo da média na área que você escolheu para a segunda fase já prova dissertativa, ligue o alerta!

Como dissemos, a falta de afinidade poderá ser determinante no insucesso no exame da OAB.

Contudo, dados estatísticos da FGV demonstram que aqueles que alteram a área, em regra têm mais dificuldades para ser aprovado no exame seguinte.

De todo modo, se você concluiu que, de fato, não é a sua área. Que estuda com materiais adequados, mas o rendimento não melhora é hora de tomar uma decisão. Errar é natural, insistir no erro não!

Tome a decisão e invista em nova reflexão. Procure identificar novamente a área de afinidade e “aos estudos”! Lembre-se, a mudança de área é indicada apenas após sucessivas reprovações e caso você perceba que a área escolhida se tornou uma barreira insuperável. Em tal circunstância, escolha a nova área, reestruture o planejamento e mãos à obra!

No final das contas: vale o quanto você estudou; o quanto você conseguiu acumular o conteúdo com qualidade. Isso é que será determinante para a aprovação!

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Ricardo Torques

Ricardo Torques

Ricardo Torques é natural de Colombo/PR, formado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2009, pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade Assis Gurgacz (FAG), em 2012. Em 2009 foi aprovado no concurso de Assistente Técnico Administrativo do Ministério da Fazenda. Foi assessor jurídico em Vara de Infância e Juventude na Comarca de Cascavel/PR. Entre os anos de 2010 a 2015 foi aprovado em concursos de tribunais, TRT da 9ª região, TRT da 4ª Região, TRE-PR, TRT da 1ª Região. Foi assistente de Juiz do TRT da 9ª Região. Foi professor no Concurseiros 24 Horas e Focus Concursos. Atualmente é professor e coordenador do Estratégia Carreira Jurídica nas disciplinas de Direito Processual Civil, Direito Eleitoral, Direitos Humanos e Direito da Criança e do Adolescente.

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